quinta-feira, 20 de agosto de 2009

NÃO OLHA QUE É FEIO, MEU FILHO

A maior prova que tive de como as pessoas olham torto pros “diferentes” foi durante um período estranho da minha vida. Aconteceu uns dez anos atrás. Eu tinha um aluno de inglês que era médico e era também um amor, muito querido. Ele meio que insistiu e me deu um big desconto pra que eu fizesse um dos únicos tratamentos de beleza que fiz durante a minha longa existência. Era um peeling com ácido, pra tirar as manchas na pele. Tava na moda na época. Hoje eu me pergunto por que alguém em sã consciência jogaria ácido em cima de uma pele saudável. Só um mundo doente pra fazer as mulheres passarem por isso. Bom, fui ao consultório desse meu aluno médico diversas vezes. Que eu me lembre, doía bastante, mas ele me dizia que iria melhorar. Não é só que o peeling não funcionou. Ele deixou marcas na minha pele! Tenho um queimadinho até hoje em cada um dos lados da face pra me lembrar desse engano. Na ocasião, eu fiquei com manchas incríveis. Parecia que eu tinha apanhado feio, sabe? E essas manchas permaneceram no meu rosto durante vários meses. Eu até me esquecia delas, mas a reação das pessoas fazia questão de me recordar que meu rosto estava azul, roxo, e preto. Elas me olhavam com espanto. Casais me fitavam e cochichavam baixinho. Crianças apontavam pra mim no supermercado. Aí acontecia aquela coisa patética: os pais falando, bem alto, “Não olha que é feio, filho!”. E a gente fica sem saber o quê é feio, exatamente: o olhar, ou o objeto olhado. Eu não sou muito encanada com gente me olhando ou deixando de me olhar, então não dei grande bola. Mas pude sentir como pessoas com necessidades especiais, por exemplo, são tratadas diariamente. No fundo, até seria bom se todo mundo tivesse seus quinze meses de ser fora do padrão pra aprender a como não se comportar diante das diferenças. Seria uma boa lição.

13 comentários:

june carter disse...

eu concordo que seria bom se todo mundo pudesse por 15 minutos experienciar o que eh ser diferente...

eh engracado que aqui em londres ninguem olha pra NADA.
se sair com uma melancia na cabeca, ninguem da nem bola.
eu bem que gosto disso.

e antes de ir embora: oi de novo, lola! to de volta a vida! :)
um beijao pra vc!

aiaiai disse...

caramba! e quase fiz um tratamento destes... era moda mesmo. Lembro que desisti quando vi que ia gastar o equivalente a uma viagem pra europa!!!
É claro que eu fui pra europa, né? Feliz da vida com a minha pele kkkkkkk

Mel disse...

é... pois é... Eu tenho um problema e era engraçado qdo eu era pequena: coitadinha, tão linda... hahaha Hoje eu fico rindo, mas... é triste para uma criançca ouvir isso.

Em falar em criança... lembro da minha irmã pequena virando pra uma conhecida da mãe dela: "você é feia, muito feia". Nossa... rsrs A gente pediu desculpas e conversamos com ela... rsrs

Bárbara - Αφροδίτη disse...

Minha tia faz um tratamento pra tirar manchas de pele... Ela fica horrivel, dá até aflição de olhar pra ela, o rosto fica todo machucado e descamando por causa do ácido. Deus me livre. -.-'

Barbara disse...

June, como assim???

Eu entrei aqui justamente para dizer que recentemente passei um mes de pe quebrado e muleta e as pessoas olhavam pra caramba (as criancas entao, nem se fala, mas ai tudo bem). E isso porque era uma coisa banal, um gesso e duas muletinhas.

Tambem acho que todo mundo devia passar umas semaninhas "disabled," para sentir um pouco o que o povo com problemas de locomocao sente. Recomendo um mes de muletas (e alguns dias de cadeira de rodas) pra todo mundo.

Tambem aprendi que as vezes vc tem que PEDIR para alguem te dar lugar no metro ou no onibus (porque tem gente que finge que nao te viu, e tem gente que nao ve mesmo). Bom treino pro dia que eu ficar gravida.

Caricaturas Urbanoides disse...

Curiosidade é algo natural, ok. Desbravamos o mundo com os olhos, mas certos olhos são muito mais invasivos do que se despir em publico.
Isso é falta de compostura.

Boto um 2 firme nos 15 meses fora do padrão para experienciar esses olhares.

Bárbara Dayrell disse...

Em menor escala também passei por isso quando fiz cirurgia para tirar os dentes de sizo (é assim que escreve?). Eu tinha 14 anos e a cirurgia foi bem invasiva, porque como o dente ainda nao tinha nascido, foi preciso abrir inclusive o osso para retirá-lo (em duas cirurgias diferentes, uma vez de cada lado). Enfim, fiquei com a bochecha enorme e amarela, do sangue coagulado. Tive que escutar as maiores bobagens dos colegas... Bem chato, mas foi so por alguns dias.

Bárbara - Αφροδίτη disse...

Lola, eu tô master curiosa pra saber se você passou ou não pra segunda fase!!! *-*


*torcendo*

Beijão!

Tina Lopes disse...

Ai Lola! Resultado! Pára de ser pão-dura e vai numa lan house contar o que tá rolando, faz favor?

Rosa Lopes disse...

Pois é Lola, tem muita gente que não só poderia como deveria passar por alguma coisa trágica para dá valor ou ter melhores esclarecimentos do que seria respeito ao próximo!!!

Márcio disse...

15 meses não, mas passei dois dias com um tampão no olho e via todos na rua olhando pra mim. Esses dois dias já foram mais do que suficientes...

Mudando de assunto, dê uma olhada neste site com anúncios machistas de antigamente. Será que mudou muito?

http://favoritos.wordpress.com/2009/08/18/anuncios-antigos-machistas/

Carla Mazaro disse...

Eu acho isso bem estranho pq nunca fui de ficar olhando para pessoas diferentes... porque pra mim elas são só pessoas... tipo, tem ruivas, tem negras, tem gordo... tanto faz... são só pessoas...
Uma vez minha cunhadinha viu um anão e começou a olhar e comentar... eu falei para ela que não é legal ficar olhando os outros assim, só pq eles são diferentes e tal... mas eu sou uma contra um milhão...
Pq os adultos tbm olham e comentam... só que, às vezes, eles são mais discretos

Cida disse...

Lola, você pode comentar essa materia?

http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2009/08/21/que-barriga-as-leitoras-querem-ver/#comments

Achei muito interessante e lembrei de você.