quinta-feira, 9 de abril de 2009

ADEUS, CÉREBRO

Eu me identifico demais com essa cena do computador Hal sendo desligado em 2001. "Minha mente está se esvaindo. Eu posso sentir".
A graduação em Letras mal começou e já estou sofrendo. Sofri pra escrever o primeiro paper que, pelo que entendi, era pro curso de Literatura Portuguesa mas acabou sendo sobre Literatura Brasileira. Sofri nas duas aulas que tive até agora. Estou sofrendo por antecipação por tudo que está por vir.
Todo mundo que conheço que sabe que estou cursando uma nova faculdade - não porque tenho um mórbido desejo de estudar Letras após ser quase doutora em Letras, mas porque preciso se quiser prestar algum concurso - diz que vai ser baba, que vou tirar de letra, moleza, bico. Só eu que não sinto isso. Muito pelo contrário, aliás. Estou sentindo meu cérebro encolher.
O curso a distância é organizado de uma maneira quadradinha, sem surpresas. Posso estar falando besteira aqui, porque ainda sou nova e tem montes de coisas que não captei, mas, pelo que vi, é assim: cada módulo (semestre) é com uma só professora. Ela que vai dar aula de tudo pra turma. É uma novidade pra mim: não tenho apenas uma professora pra todas as disciplinas desde a sexta série. Cada matéria ocupa mais ou menos cinco aulas presenciais. A gente recebe o material, que é mezzo apostila, mezzo livro, e tem que ler em casa (eu havia pensado que era tudo online, mas prefiro assim, impresso). Na primeira aula presencial, a professora apresenta o conteúdo do capítulo (eles chamam de tópico) 1 e fazemos uma atividade que vale um ponto (ainda não descobri o que seria essa atividade, porque estou entrando no meio de uma matéria). Na segunda aula, a professora apresenta o tópico 2 e diz como deve ser o paper que cada aluno deve escrever. Na terceira aula, não temos aula. Ficamos em casa pra escrever o tal paper. Na quarta aula, a professora recolhe os papers (que têm peso 3), e apresenta o tópico 3. No final da aula, há um teste de dez perguntas, com consulta. Na quinta aula, há um teste de 30 questões sem consulta sobre toda a apostila. Isso vale 5 pontos. Passa-se com 7. Toca pra matéria seguinte, que repete todo o esquema, só que com um tema diferente.
A apostila tá cheia de detalhes. Parece apostila de cursinho pré-vestibular, pelo que me lembro (só fiz cursinho durante três meses, vinte e poucos anos atrás). Nesta de Literatura Portuguesa, falam de Trovadorismo, Humanismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, entre outros movimentos, e mencionam os principais autores portugueses de cada período, suas obras e seus temas. Eu acho que no cursinho foi igual. E igual também foi o que guardei dessa batelada de informações: nada. É o tipo de matéria que serve pra passar ou reprovar num teste, que o aluno memoriza apenas praquela avaliação e depois esquece pra sempre, porque a gente tem mais com o que ocupar a mente fora guardar que Fernão Lopes foi o cronista-mor da torre do Tombo (whatever that is). Eu li os tópicos 1 e 2 da apostila entre a semana passada e ontem, mas se alguém me perguntar o que estava escrito, eu não saberia dizer. Pode ser a minha velhice eminente, eu sei. Pode ser minha total falta de interesse, mas não lembro. O que lembro é que nas aulas de mestrado e doutorado a gente discutia ideias, e era uma delícia. Havia debates. A gente lia muito, muito, e vários textos eram chatos e difíceis, mas, sei lá, eram ideias, não dados.
Não sei se na faculdade e meia que fiz antes desta (uma de Pedagogia, na qual me formei em 2002, e metade da de Propaganda, até 1988) o esquema era parecido com este do curso a distância. Eu simplesmente não lembro. Assim como não vou lembrar nada desta. E depois o pessoal critica o Lula por ele não ter diploma universitário...
Sei apenas que vai ser difícil. Já me avisaram, en passant, que só terminar a faculdade não garante o canudo. Que são necessárias mais 200 horas de curso pra compensar a carga horária e se formar. E onde que vou arranjar tempo pra cursar essas 200 horas? E tem o estágio, que a maior parte da minha turma já fez. Cada módulo tem um estágio. Quando ouvi que teríamos que dar aula pra 5 a 8a série, perguntei pruma aluna: “Aula de quê?”. Ela me olhou como se eu fosse uma neandertal e, pausadamente, respondeu: “De português”. Eu ainda tentei disfarçar com um “Não pode ser aula de inglês?” (não, não pode), mas a verdade é que estou boiando. Como se eu estivesse tentando acordar de um pesadelo.
Nesses dias eu adoto um mantra: “My life is a living hell” (“minha vida é um inferno”). Se eu pudesse substituir essa frase que não sai da minha cabeça por algo como “o simbolismo começou em Portugal com a publicação de Oaristos, de Eugênio de Castro”, eu estaria melhor na fita.
My life is a living hell. My life is a living hell.

66 comentários:

Chris disse...

Lola, nem sei o que dizer :|
Eu cheguei a cursar 3 períodos de letras, mas o estágio me desistimulou, acabei fazendo Marketing e foi melhor, rsss

Beijos enormes, boa Páscoa para vocês e MUUUITO CHOCOLATE! ;)

Chris-a-sumida

Chris disse...

Btw, i HATE Hal9000!!!

E, sempre que passa "2001" desligo todos os eletrônicos, tiro da tomada e tudo o mais. Vai que eles captam, por osmose, os pensamentos do Hal e se voltam contra a minha pessoa???

;)

asnalfa disse...

Tadinah da Lolinha... ainda vc terá aula de fonética e latim...
E vai dar aulas pra pentelhos da rede pública!!
kkkkkkkkkkkkkkkk
Quero ver vc expulsando os meninos da sala de aula!!!
kkkkkkkkkkk

Serge Renine disse...

Aronovich:

A tradução correta para "My life is a living hell", não seria "Minha vida é um inferno vivo"?

Bárbara Dayrell disse...

nao desanima nao lola!!!
no comeco eh chato assim mesmo... depois da uma melhoradinha!
(espero)
bjinho

e obrigada pelo comentario no meu blog!

Serge Renine disse...

Aronovich:

A tradução correta para "My life is a living hell", não seria "Minha vida é um inferno vivo"?

Serge Renine disse...

Desculpe a duplicação. Foi sem querer.

L. Archilla disse...

Lola, conselho do mal: será q vc não consegue alguém pra assinar esse estágio sem q vc precise fazê-lo? Qd fiz a licenciatura em psico, a gente tinha q assistir uma carga horária X em quaisquer matérias de humanas. Eu até comecei, gostava, cheguei a dar umas aulas, mas arrumei emprego remunerado e ia ficar muito corrido pra mim. Aí falei com o prof e ele assinou todo o resto da carga horária.

Santiago disse...

Nossa!

A Lola acha que pode dar aula de inglês e o Serge à está corrigindo, justamente, numa frase em ingês.

Amazing!

Má disse...

Olá Lola!
Nossa,, esses "dados" que estão na tua apostila me lembram mesmo coisa de 2 grau ou cursinho.
Por isso que as pessoas não se interessam muito em Humanas talvez. Fica totalmente chato!
Ah, meu namorado quando fez estágio foi em Literatura, acho q fazer em rede pública tem muitas ventagens. Você como professora tem "autonomia" dentro de uma classe. Isto é, para expor seu método, suas idéias em aula, sem ser obrigada a seguir ordens de como fazer. Acho isso fantástico, e no caso de meu namorado ele trabalhou idéias mesmo.Pensar a literatura (acho q era Guimarães) e sua época, o que está por detrás de um simples livro.E os alunos gostaram.
Pareceu bem legal!

Mas não desanima não!
Abraços!

Anônimo disse...

Nossa Lola
Fiz grauduação e mestrado em letras, e essa faculdade que você escolheu parece ser muito ruim!
Sei que se conselho fosse bom, vendia, mas aproveita que você acabou de começar e procura uma faculdade "de verdade".
Boa sorte.
Helena

Renata disse...

Ai Lola...
Também to nessa... c'est la vie eu me digo na verdade... acho que "my life is a living hell" é meio negativo demais... assim eu reclamo mais do meu trabalho que outra coisa... sobre a faculdade... c'est la vie.

Estou fazendo aos poucos... nesse semestre só três matérias... fica difícil quando você tem que trabalhar pra se sustentar e na UFSC não tem Inglês à noite... mas to levando. Duas das minhas aulas até estou gostando... mas tem uma que me mata... introdução aos estudos da narrativa.. passamos boa parte da aula falando sobre a diferença entre autor e narrador... e o que é narrativa... afe.

lola aronovich disse...

Obrigada pelo apoio, gente. Pois é, bola pra frente.

Serge, ontem, que foi quando escrevi este post, traduzi “my life is a living hell” por “minha vida é um inferno real”. Fiquei na dúvida entre real, vivo e nada. Até procurei na internet pra ver se havia tradução, mas não encontrei. Acontece que a frase em inglês é hiper comum, mas em português, parece redudante dizer “inferno vivo” ou “inferno real”. É quase um collocation em inglês, sabe? Hell muitas vezes vem acompanhado de living. Em português, não. Além disso, em inglês, hell é uncountable. Não existe hells, só se for com muita licença poética. Por isso, não há o artigo A antes de hell. I am in hell, não I am in a hell. Mas não se diz “My life is living hell”, sem o A. Por isso eu acho que é mais uma questão de collocation que não tem correspondente em português. Mas, claro, minha experiência com tradução é pífia.

lola aronovich disse...

Lauren, comigo essas coisas nunca dão certo... Sei que tem muita gente que pede pra assinar, mas comigo não rola. Eu fico com vergonha de pedir, e a pessoa nunca oferece! Eu devo ter cara de velhinha muito séria e honesta.


Santiago, eu não ACHO que posso dar aula de inglês. Eu DOU aula de inglês. Melhor, por sinal, do que qualquer coisa que vc pode vir a fazer na sua vidinha vazia de trololó.

lola aronovich disse...

Má, depende muito de cada escola e de cada professora. Já fiz estágio em escola particular e pública. E acho que estagiária fica meio engessada em ambas, sem muita liberdade. Mas vamos ver.


Obrigada pela força, Helena, mas neste momento não tenho muita alternativa. Se tudo der certo até o final de 2010 eu estou com meu diploma em Letras.

La Maria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Rute disse...

lolinha tbm acho que essa faculdade ai tá bem picareta, mas você nao tem tempo de fazer uma presencial né?
quem já se viu curso de letras sem discussão? e com ensino de cursinho!
mas como é só o diploma que você precisa mesmo, só te desejo boa sorte! vai dar tudo certo

muitos chocolates nessa páscoa pra você!

Kate Nana disse...

Discussão eu super entendo você. eu odeio minha faculdade também, a aula consiste em o conteúdo é vomitado para os alunos.sei lá, esperava algo mais. eu também estou cursando por que é necessário para eu ser uma cidadã aceitável.
eu super amo o seu bloguinho e me identifico com muitas coisas aqui escritas.

anália disse...

Oi, Lola!
Faz tempo que eu não comento nada, mas continuo por aqui :0)
Realmente eu fico chocada com esse monte de curso caça-níquel que está aparecendo. Eu mesma tentei fazer um e sinceramente não consegui. Emburrece demais. Não estou acostumada a ler livros do tipo "Fulano de Tal explica Keynes", por exemplo. As professoras mal sabiam colocar uma bibliografia na lousa. Fica um tal de uns fingem que estudam, outros fingem que dão aula. Ou vc realmente entra no esquema e finge, ou vc vai cair numa depressão. Quanto à graduação, eu lembro bem da minha, e tb discutíamos idéias e líamos muito, não era um horror desses não.
Sei lá, fico achando que tem alguém muito do mal por trás desse tipo de exigência num concurso, alguém bem mancomunado com essa pseudo-indústria da educação. É realmente nojento!
Bjs,
Anália

L. M. de Souza disse...

eu escrevi dois capítulos de uma apostila q a ufsc vai usar nos cursos a distância, da área de linguistica, e a idéia não é discutir idéias não, é dar tudo mastigado e ser o mais didático possivel no texto. a sua opção por um curso a distância acho q no mínimo requer que vc esteja ciente q não vai ter o mesmo padrão de qualidade que tem um presencial. afinal, se vc só quer o diploma, prq está preocupada com qualidade?

Mônica disse...

Nossa, pelo que li aí no seu post a noção de EAD que esse pessoal tem está a anos-luz (para trás) das ideias que norteiam esse conceito atualmente...

Meu 'motto' para essas horas é o que vi num filme há séculos: 'Shoot me. Shoot me now...'

Luma disse...

Sobre a tradução queo Serge questionou, eu entendo que "minha vida é um inferno" é a tradução correta, simplesmente pelo fato que é assim que a gente fala. Quantas vezes você já ouviu alguém falar "minha vida é um inferno vivo"? Eu nunca ouvi.
Traduzir é bem mais só do que colocar o significado das palavras. Deve ser feita uma adaptação pra frase ter sentido e até expressar a maneira daquela pessoa falar (por causa da idade, classe social, grupo ao qual pertence etc.). Tem um site bem legal que fala bastante disso: http://www.teclasap.com.br/
Inclusive tem um post que eu acho bastante interessante: http://www.teclasap.com.br/blog/2009/01/28/a-importancia-do-contexto/

Serge Renine disse...

Obrigado Lola!

De qualquer forma sei que sua vida não é um inferno. É só um jeito de falar.

Santiago disse...

Socorro; e não é que o Serge tinha razão!

É doutoranda em letras e, conforme confessa no post, não sabe dar aulas de português; da aula de inglês e não sabe traduzir uma simples frase, literalmente.

E eu que tenho uma vida vazia! Essa é boa! Seus alunos de inglês vão adorar saber disso

Masegui disse...

Vai cagar, chileno!

Cris disse...

Lolinha, acho que entendo você.
Eu não teria saco de fazer uma nova facul de novo.
Tô vendo se rola mestrado ou um MBA, mas voltar pra graduação deve ser complicado.
Mas se vc precisa para os concursos, força aí!
bjos

Adriana Calábria disse...

Lola

Vai passar rapidinho, vc vai ver!
Boa páscoa e muito chocolate!

Bj

Anônimo disse...

Lola apesar do sofrimento que um curso com esta estrutura possa causar ainda acredito que lecionar
(embora não deixe ninguem rico), é uma atividade que poderá lhe trazer realização.
Portanto garota atravesse este pequeno deserto.Estou aguardando um post com fotos pascoalinas pois não posso comer chocolate mas posso ver fotos de cestinhas e bombons.
Ah! Hoje enfeitarei a casa. Bj da Fatima/Laguna.
P.S. num outro momento acho que o certo era "peixes cheiram a mar".

Ariadne disse...

Puxa, que tristeza esse curso... Eu não consigo imaginar a Letras sem discussão de ideias. Literatura mastigadinha. Nem adianta nessas horas dizer que o importante é o diploma, que é só ligar o piloto automático e fazer o curso, porque deve dar um cansaço mental fazer tudo dessa maneira tão burocrática, não é defeito seu, Lola. Eu fico imaginando se eu não vou precisar dar aula em algum lugar assim, eu tô terminando o mestrado e essa deve ser uma opção. Já me bate uma angústia só de pensar.

Jac. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Serge Renine disse...

Jac:

Com todo o respeito, mas que acho que a Lola do filme não corria compulsivamente, mas sim para salvar a vida do namorado. Compulsão é quem corre bastante, mas só por vontade, sem uma necessidade premente.

Desculpe, mas, parece que hoje estou aqui só pra contrariar. Talvez você tenha usado uma licença poética e estou dando uma de chato.

Mônica disse...

Não sou tradutora, mas acho interessante quando aparecem esses quebra-cabeças linguísticos pra gente resolver...

Serge, realmente fica faltando um reforço no 'minha vida é um inferno', né, mas acho que falar que é um 'inferno vivo' não soa muito natural em português. Pensei que talvez dizer 'minha vida é um verdadeiro inferno' pode dar a ênfase no 'inferno'. Sei lá, pitaco meu, a minha vida está tão longe de ser um inferno... :-)

abraços

Liris Tribuzzi disse...

Lola, que dó de você...
Se essa ead render ótimos posts como esse, que não termine nunca! (Eu sei, depois dessa você quer me matar.)
Pelo o que você falou aí, esse curso forma robôs, não professores. Imaginas os coitados dando aula e algum ser iluminado questiona se "Memórias de um sargento de milícias" é uma obra realista escrita no romantismo...(Yes! Eu tive que decorar muitas apostilas ano passado, e vagarosamente elas estão dando lugar pra textos e mais textos estrambólicos sobre Durkheim, tipografia, Sócrates. Bom, melhor do que tipos de caminhões, manuseio de embalagens e afins.)

Liris Tribuzzi disse...

" Masegui disse...

Vai cagar, chileno!"


Ganhou uma fã.

Junior Torres disse...

Quero acreditar que são apenas piadas internas, entre amigos de infância, mas tenho a sólida sensação que você tem leitores muito, muito chatos...

Sou graduando em Letras, Português e Inglês e suas respectivas Literaturas, e discutir idéias é algo que não se anda fazendo nas universidades. Confesso que a idéia de graduações online me incomodam, mas isso é papo para um post inteiro! =)

Anyway, estágio sucks! Daria três anos da minha vida para estar fazendo Bacharelado e não ter que passar por isso (qualquer coisa que envolva ter a necessidade da Licenciatura passa assaz distante de tudo o que planejo em minha vida), mas as circunstâncias me fizeram começa-la, então vamos terminar...

Beijocas. E fique despreocupada: as coisas vão ficar ainda mais interessantes quando você fizer Teoria da Literatura! ;)

Anônimo disse...

Puxa, pensei que eu tivesse feito uma faculdade para alienígenas, porque na minha tampouco houve tanta "discussão" como escrevem aí os leitores do blog. Finalmente, aparece o Júnior aí para dizer que não se faz tanto debate (como querem os leitores e comentaristas deste blog) nos cursos de Letras. Ademais, se curso presencial fosse tão bom (ou tão melhor que curso a distância), não haveria tantos professores chinfrins por aí - e em TODAS as áreas! Porque até agora quase todos se formaram em cursos presenciais, não? E uma coisa precisa ser lembrada: é o ALUNO quem faz seu aprendizado, não a faculdade! Ele é que é o responsável pelo seu sucesso (ou fracasso)! (João)

filipe disse...

que sem graça. nesse comecinho de semestre eu li bastante coisa de literatura grega e romana. é tão divertido. devia ter uma cadeira só pra isso.

filipe disse...

aliás, preconceito linguístico é tão last week, mas olha aquela crase que o santiago usou.

lola disse...

Ai, Rê, mas “c'est la vie” é conformista demais! Tá, minha vida não é de verdade um living hell, mas às vezes fico revoltada com isso! Bom, mas pelo menos vc tá na UFSC. Não dá pra comparar a qualidade de uma federal com uma particular, ainda mais uma a distância... Boa sorte pra gente!


Obrigada, Ana. É, é só pelo diploma mesmo...

lola disse...

Kate, o que a gente não faz pra ser uma “cidadã respeitável”, né?


Anália, é verdade, uma faculdade dessas mais emburrece do que melhora a gente. Talvez, se eu não tivesse feito mestrado + doutorado, encararia melhor. Mas depois de ter educação realmente de qualidade, fica duro voltar atrás. E é bem isso que vc falou: alguns fingem que ensinam, outros fingem que dão aula. É uma enganação mesmo.

lola disse...

LM de Souza, sério? O curso a distância da UFSC tb é assim, mastigado? Apostilas? Eu sabia que a qualidade no meu curso não iria ser grande coisa, mas não esperava que fosse igualzinho a cursinho! Eu “aprendi” essas coisas no cursinho, pra passar no vestibular!


Mônica, eu não sei como são as ideias que norteiam o conceito de EAD atualmente... Mas gostei do seu motto!

lola disse...

Luma, exatamente, né? Uma tradução não pode ser literal. Tem que considerar o coloquial tb. O meu orientador no doc não apenas é um dos maiores especialistas em Shakespeare no país como um excelente tradutor. Ele traduziu várias peças do Shake, fora Joyce e vários outros. Mas ele não tem teoria em tradução, só prática. Eu acho o máximo quando ele analisa escolhas de tradução com a gente...


Serge, pois é, claro que é só um jeito de falar. Eu gosto da minha vida, apesar de ter que voltar à faculdade!

lola disse...

Santiago, vc é realmente um bundão.


Mario, eu vou ter que começar a deletar os comentários desse estrupício...

lola disse...

Cris, pois é, fazer uma pós é diferente... Cris e Adri, obrigada pela força!


Fátima, é, eu sei, eu gosto de lecionar. Mas fico pensando: não gostaria de lecionar numa faculdade com esse esquema, não? Já pensou?

lola disse...

Ariadne, olha, sinceramente, se eu tiver que dar aula numa faculdade como essa minha, prefiro ficar longe do ensino superior e seguir dando aula de inglês em curso de idiomas, como sempre. Além do mais, certamente paga melhor.


Jac, eu tinha lido seu comentário antes, agora ele sumiu! Espero que vc não o tenho removido por causa do coment do Serge (que não falou nada de mais).

lola disse...

Mônica, eu tb acho interessantes esses quebra-cabeças. Talvez vc tenha razão, “minha vida é um verdadeiro inferno” seja mais próximo do “living hell”, mas acho que dá pra deixar o “living” de fora sem desencargo de consciência. Vou perguntar pro meu orientador.


Li, há há, vc tá querendo que eu arda no inferno, é isso? Que bom que vc tá curtindo sua faculdade. Mas pô, vc tá na USP! Universidade pública é outra coisa, não tem jeito...
E ué, como que alguém pode não ser fã do Mario Sergio faz tempo?

lola disse...

Junior, o que vc chama de leitores chatos eu chamo de trololós. Mas é só um, o “chileno”. Os outros são legais. Se teve algum inside joke por aqui, eu não captei. Que exagero! 3 anos da sua vida pra não fazer estágio?! Aposto como vc é MUITO jovem. Ah, eu fiz Crítica Literária (que falava muito de Teoria da Literatura) e amei. Mas foi no mestrado, com um professor maravilhoso. Acho que em esquema “apostila” vai ser diferente...


João, ah, acho que a gente vai ouvir um monte de gente falando bem da faculdade que fez, e um monte de gente falando mal. Depende muito do aluno. Claro, do curso tb, mas imagino que até na faculdade que curso atualmente tem aluno achando ótimo. E depende tb de critérios de comparação... Os meus andam altos porque eu adorei meu mestrado + doc na UFSC. E sim, sem dúvida: não acho que os cursos presenciais em geral sejam tão bons...

lola disse...

Filipe, literatura grega e romana dá bom pano pra manga. Mas tenho a impressão que uma faculdade com esquema de apostila é capaz de estragar qualquer matéria interessante!
Ah sim, eu reparei na crase que o gigante intelectual que é o meu trololó usou.


Quem que eu não respondi? (já que acabei respondendo todo mundo). Chris querida, lá do começo, 3 períodos de Letras? Aí vc conseguiu validar disciplinas do Marketing?
Eu amo o HAL! É um dos meus personagens favoritos de todos os tempos!

lola disse...

Asnalfa, acho que não terei aula nem de fonética, nem de latim. Não tá na grade, pelo menos. E já dei várias aulas pra alunos da rede pública (e privada). Tem monte de pentelho na rede privada tb...


Obrigada, Barbara! Tomara que o curso melhore sim!

Lila disse...

Lola, vc já tentou usar mapas mentais? Quem sabe se usá-los fique mais fácil memorizar essas decorebas. Vc pode reduzir as informações a datas e palavras chaves, por ex.
Eu uso o site mindmeister e tem tb um software, o freemind.
No mindmeister, o usuário "free" tem limite de mapas, mas é só vc exportar (= baixar pro seu pc) em formato jpg ou pdf e deletar, pra abrir espaço pra fazer outros.
Já com o freemind, vc faz qtos mapas quiser.
Para acessar: http://www.mindmeister.com/
Para baixar:
http://superdownloads.uol.com.br/download/144/freemind-beta/

Anônimo disse...

Olá,Lola,leio seu blog a algum tempo e adoro os temas que você aborda.Entendo bem seu drama, mas é provável que,na rede
pública,você tenha que alfabetizar
seus alunos antes de pensar ensinar
gramática a eles.
Mais uma coisinha...gostaria que me ajudasse a divulgar uma petição,
que se resume em "um boicote ao, suposto,artista chamado Guilhermo Vargas Hababuc que realizou a seguinte performance:RECOLHEU UM CACHORRO DE RUA,O AMARROU DURANTE UMA EXPOSIÇÃO E O DEIXOU SEM COMER DURANTE DIAS ATÉ QUE MORRESSE" e a Bienal Costarricense de Artes Visuales, chamou isso de arte e quer que Hababuc represente seu país na Bienal Centroamericana Honduras 2008.Me desculpe pela veia oportunista, apetição esta aqui "http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html".
Laura Lemos

cris disse...

a razão pela qual pedem graduação em letras para futuros professores dos cursos de graduação em letras é que os pontos que são sorteados para as provas de aula são todos sobre assuntos ensinados na graduação. e onde você vai aprender esses assuntos, no mestrado? no doutorado? claro que não. no mestrado e no doutorado você faz a *tua* pesquisa. logo, ou você é autodidata (o que eu acho difícil, considerando toda a gama de assuntos que se estuda numa graduação em letras) ou você rala durante cinco anos numa graduação, lendo, discutindo e fazendo seminários. eu já fiz concurso algumas vezes, já dei aulas numa federal como substituta e estou terminando um doutorado em letras, por isso posso dizer: acho que sem a graduação eu não teria conseguido passar, porque é impossível você dominar todos aqueles assuntos. como são dez pontos, em geral, você fica torcendo pra cair alguma coisa que você domine melhor. às vezes acontece, muitas vezes não. passar num concurso pra uma federal é uma conjunção de fatores; até o posicionamento dos astros influencia, rs. por exemplo, eu não sabia que teria que dar aulas de fonética e fonologia em inglês pra alunos de 6º período. simplesmente, não é a minha área, mas você tem que chegar lá e dar o seu recado. e bem, porque eu tive alunos que eram 'native-like' e exigiam muito de mim. perguntavam tudo, queriam saber tudo e ai de mim se não soubesse responder. bem, muitas vezes eu não sabia, mas ia pra casa, estudava mais e voltava na aula seguinte com uma resposta. tive que estudar muito, preparar aulas na hora do almoço e o que me ajudou foram as aulas de fonética que eu tive na graduação. do contrário, eu nem teria sabido por onde começar. concordo com quem disse que essa tua faculdade aí é muito ruim. é mesmo. mas te desejo sorte. abçs.

lola aronovich disse...

Lila, nunca usei, acho que vou tentar usar esses mapas sensoriais. Obrigada pela dica! Vc tá usando esses troços pros seus concursos?


Laura, eu assino a petição, lógico, porque o que esse artista está fazendo é um crime, não tem nada a ver com arte. Mas não sei se vou divulgar isso aqui no blog. Faz tempo que estou pensando em falar mais de animais abandonados aqui no blog...

lola aronovich disse...

Cris, eu não acho que esta seja a razão pela qual pedem graduação em Letras. Acho que tá mais pra reserva de mercado mesmo. E os concursos sempre foram assim, e essa exigência só começou a vigorar faz uns 4, 5 anos. É modismo. E eu considero ingênuo pensar que, só porque vc teve tal matéria numa graduação em Letras, vai precisar se preparar menos pra um concurso (ou pra uma aula numa universidade, caso consiga passar no concurso). Eu não tenho nenhuma vontade de fazer concursos para a área de Linguística. Quero pra área de Literatura. Nessa hora eu me considero bastante preparada, mas ainda assim, teria que estudar um monte pros concursos. E, se passasse, teria que gastar um tempão preparando as aulas. No início do mestrado lá na UFSC, a gente tem algumas matérias que são mais genéricas, e que misturam as turmas de Linguística e de Literatura. Assim, o pessoal de Linguística vê um pouco de Literatura, e o pessoal de Literatura vê um pouco de Linguística (esse meu curso, de um semestre, tinha cinco módulos: Reading, Phonetics, Discourse Analysis, Language Acquisition, e Translation). Foi bem útil, mas a maior parte disso eu tinha visto na especialização em Inglês que fiz (algumas matérias com os mesmos professores).
Apesar de nunca ter feito um concurso, eu entendo como funcionam. Acho que a gente precisa preparar cada um dos dez pontos e, claro, torcer pra que caiam aqueles que a gente domina mais. Nesse concurso que eu ia fazer em São João del Rei mas acabei não fazendo, porque não sou doutora ainda e havia 9 doutores inscritos (o concurso não permitiu que candidatos apenas com mestrado fizessem o concurso se houvesse doutores), havia cinco pontos. E, como era um concurso de Literatura, os pontos eram coisas como Literatura Canadense, Poesia de mulheres, Teatro Shakespeareano, Contos do sul dos EUA, etc. Bom, meu doc foi/está sendo meio que em Shakespeare, e mesmo assim eu teria que preparar um monte pra esse tópico. Se eu tivesse feito uma graduação em que Shake fosse discutido (e é tudo bem superficial numa graduação, convenhamos), eu teria que me preparar menos pra um concurso? Duvido! Mas, enfim, pra cada pessoa é diferente. Pra vc ter feito graduação ajudou nos concursos. Pra mim tenho certeza que não vai ajudar em nada. O que permite que alguém dê aula numa universidade federal ou não é o concurso. E acho absurdo que tenham inventado isso de que é preciso ter graduação na área pra sequer PRESTAR o concurso. Isso é reserva de mercado. E vai contra tendências internacionais, que prezam conhecimentos vindos de outras áreas.

Angel disse...

Lolinha,

Gosto muito do seu blog, e sempre volto aqui pra ler, eu não entendo de mestrado nem de doutorado, ainda estou na minha humilde graduação, em história, não sei se deveria ser diferente mesmo, mas ainda tem muitos dados que eu deveria decorar, não decoro nenhum, e acabo perdendo nota, mas tem a parte de discussões que me rende bons pontinhos, e assim eu vou seguindo. Eu acho esse negócio de falta de professor, um pouco difícil, acho professor muito útil, se bem que as vezes, é melhor não tê-los, aqui na minha região, tem dessas faculdades assim, eu não consegui fazer, achei meio estranho, apesar de não gostar de alguns professores, eu ainda acho que preciso muito deles. Mas aqui a da minha região aprece diferente, pq nem é um professor mesmo, eles chamam de Tutor, e o dito pode ser qualquer um, ele só assina uma folha de presença e distribui as provas, deve ser por isso que fiquei com uma impressão meio estranha deles, mas é assim, umas são boas outras ruins, e por aí vai...

Bjo Lolinha, sorte pra vc, e muito chocolate...

Anônimo disse...

Acho que Liris Tribuzzi está fazendo ciências sociais como eu .Durkhein e política é legal logo mais vc verá o Kula O pior desse do curso de CI SO economia .

Para Lola eu desejo meus pêsames pois para aturar a adolescente e criança somente armado.

Liris Tribuzzi disse...

Anônimo, pior que não faço. TÔ fazendo editorção. Por favor, me diga pq eu preciso ler esse cara? hehehe

Jac. disse...

Lola, eu realmente apaguei num
impulso. É tão fácil apagar ou adicionar qualquer coisa na net.
Só um click! Naquele instante senti muita hostilidade por aqui.

Mas como gostei do seu blog, vim dar uma segunda olhadinha e percebi o quanto você é atenciosa e responde a todo mundo, até aos 'trololós', como você mesmo diz!

Adooorei 'Corra Lola Corra'
E o tal Serge achou por bem me
corrigir. Não estava 'falando' com ele, mas tudo bem.

Lola corria compulsivamente sim!!
Compulsão é a tendência à repetição de um ato. Não importa se é movido por isso ou aquilo...
Compulsão é o ato de compelir, que
quer dizer aceitar um desafio, ser levado a...ser obrigado a...

Portanto, senhor Serge, não se
trata de licença poética.
Não importa as razões que levavam Lola a repetir a sua ação (dela),
eles se repetiam e pronto.
E no filme era uma compulsão...ela
'precisava' correr! Ela corria da mãe dela também! Esse é o fato que o torna tão interessante!
E não somente porqueelaqueriasalvaronamorado!
Há outros componentes! Não seja
'simplista', senhor Serge!

E como aqui, o clima é de total liberdade, a gente pode até por os
pés em cima da mesa e mandar o outro 'praquele lugar', fica à vontade, Serge!

E Lola, um grande e carinhoso abraço e muito chocolate em sua vida!!!

Jac.

lola aronovich disse...

Angel, puxa, fazer graduação em História pra ficar decorando dados deve ser o fim! História certamente é um curso pra se discutir ideias! É, eu acho estranho não ter professor... Apareça sempre!


Anônimo, Liris, ok, agora vcs estão falando grego pra mim: esse Kula eu não conheço! Ciências Sociais deve ser um curso muito legal, né? Eu faria Ciências Políticas numa boa (quero dizer, não no esquema da minha faculdade).

lola aronovich disse...

Jac, na realidade não estou podendo dar aos meus leitores a atenção que eles merecem. Fico longo períodos sem poder responder os comentários, o que me deixa triste, mas falta tempo MESMO. Mas vc sentiu hostilidade por aqui? Não sinta! Tirando o meu trololó de estimação, que é o Santiago, que o Mario chama carinhosamente de chileno, os outros não são trolls. É só que algumas vezes, por pura camaradagem masculina, o Serge e o Asnalfa se aproximam do Santiago. Sei lá, deve ser instinto de sobrevivência deles. É o que a gente chama de male bond. Mas sabe, eu nem comento sobre Corra Lola Corra porque só vi o filme uma vez, e faz tempo. Preciso urgentemente revê-lo, eu sei. Mas sempre achei que sim, a personagem central corre compulsivamente. E gostei da sua comparação sobre como eu tenho compulsão por escrever, porque acho que é isso mesmo. Mas vamos manter o clima de paz e amor por aqui. A não ser com o chileno. Esse eu me sinto com total liberdade pra chamar de bundão, que é o pior palavrão a que me permito. Abração!

Ana disse...

Chuchu, segura na mão de Conga e vai! Vai que o Retorno é de Jedi!

:-P

Pensa que podia ser pior. Vc podia estar tendo aula de cálculo I com um peruano fanho.

Bjos

anacris disse...

é, na faculdade que estou cursando, a maior parte das professoras (sim, sim, é psicologia e a maioria são mulheres), dizem que a gente tem que refletir, pensar e etc, mas chega na hora da avaliação, tem que dar a resposta que elas querem receber...

Anônimo disse...

Gente, o que a Lola quer é o diploma para fazer concurso. Acho que tem tudo a ver com ela tal curso.

Li.

Anônimo disse...

Liris Tribuzzi se vc tem q ler Durkhein para compreender melhor a obra do autor eu recomendo "As regras do método sociológico"Raymond Aron ,pois neste livro Aron faz um resumo dos livros do Durkhein e ensina o método de pesquisa do autor o que vai lhe ajudar a entende-lo.Pelo menos esse livro me ajudou no meu primeiro ano de faculdade.
aH!O kula é geralmente e algo da matéria de antropologia naum sociologia
que o seu caso naum é ?

Anônimo disse...

Durkhein iventou a ciências sociais e muitos dos seus estudos são interessante.A
ciÊncias socias (sociologia,antropologia,ciencias politicas) abre um campo muito rico para o entendimentos dos padrões da sociedade e de grande questionamento.E Que vc deve ter lido para vestibular por isso deve ter achado.Um porre!
TUDO QUE SE Lê OBRIGADO E RUIM.

Andressa Marques disse...

Ainda virá a fase morofologias e sintaxes!!Juro:é a pior!!rs..