quarta-feira, 16 de abril de 2008

CRÍTICA: IMAGENS DO ALÉM / A morte estava mesmo a seu lado

Eu e o maridão fomos ver Imagens do Além (Shutter) - que deve estar em cartaz na sua cidade - naquele esquema dois em um: na realidade, fomos ver 21, mas já que estávamos no cinema mesmo, aproveitamos pra ver essa gosma antes da atração principal. Acontece que eu tava passando mal do fígado porque havia exagerado num bolo de chocolate, e infelizmente meu fígado não é mais o mesmo, o miserável. Então, antes do terror começar, perguntei pro maridão o que ele faria se eu morresse. O que ele faria se, quando as luzes se acendessem após o filme, ele notasse que ficou uma hora e meia segurando a mão de uma cadáver. Eu quis saber: “Você iria ver 21 antes de avisar alguém?”. E ele: “Bom, você não ia sair daí mesmo...”.

O insensível até que gostou do terror. Já eu, com a minha mania de ir ao cinema sabendo o mínimo possível sobre o que irei ver, desconhecia o fato que esta é uma refilmagem de um filme tailandês de 2004, Espíritos – A Morte Está a Seu Lado. Óbvio que não me lembrava bulhufas do original, e olha que até escrevi sobre ele. Bom, depois de ler minha crônica, descobri que esta versão americana é parecidíssima à tailandesa, só que passada no Japão e com um casal ocidental jovem que fala inglês como protagonista. O carinha é fotógrafo, e a pior coisa que pode ocorrer com um profissional deste ramo é que apareçam faixas misteriosas em tudo quanto é foto. Aconselho até que criem uma nova apólice de seguro só pros fotógrafos. Se começarem a surgir riscos brancos em todas as fotos, eles recebem uma bolada. Esse sujeito tem um passado sujo pra esconder de sua mulher. E dá-lhe referências à Atração Fatal. Tem até uma panela enorme fervendo (desta vez sem coelho de estimação dentro). E a loira, mulher oficial, diz pra japonesa: “Ele te largou porque nunca te amou!”. Mas sabe, não compreendo a utilidade dessas referências. Quem vai ver remake de terror é adolescente. E essa espécie não estava viva em 1987, época de Atração Fatal. Nunca ouviu falar no Michael Douglas tendo um caso com a Glenn Close, no que ficou conhecido como uma metáfora pra AIDS.

Mas enfim, como a refilmagem é americana, a culpa no cartório do protagonista deve ser atenuada. E, pra conseguir isso, só com muita aversão às mulheres de modo geral. Uma tira a roupa e o que se vê é carne viva. Um beijo de língua é um ótimo pretexto pra um horror bem nojento, e por aí vai. O que tiver ligação com sexualidade feminina (fora do casamento, e interracial ainda por cima) é grotesco e precisa ser eliminado. A melhor explicação que o fotógrafo bam-bam-bam pode dar é “a culpa é dela!”. O problema é que os espectadores teens vão dar razão a ele.

O maridão gostou do clima. Eu confesso que, se soubesse que se tratava de uma refilmagem de um terror que já não era grande coisa, nem teria entrado. Mas o importante é que eu e meu fígado sobrevivemos à sessão. Dormi em algumas cenas, é verdade. O maridão disse que ouviu um espírito ao lado dele fazendo um barulhão: Zzzzzzz. Fotografou? Se não, ninguém vai acreditar.

- Escuta, a gente tá fazendo um remake de um clássico do terror asiático ou do quê mesmo?

5 comentários:

Juliana disse...

Não sabia que esse filme era remake, mas nunca tive vontade de ver isso não. Nem aquele "One Missed Call" ou coisa que o valha que estreou por agora aqui. Aliás, não sou mto dos filmes de terror. Se é pra ver um monte de mentira, gosto muito mais das comédias românticas.

lola aronovich disse...

É, essas refilmagens de filmes de terror asiáticos já deram o que tinham que dar. E na realidade só renderam um remake decente, O Chamado. Ainda assim, longe de ser um clássico. Ah, se eu tiver que escolher entre uma dessas comédias românticas bestas com "casamento" no título e filme de terror, acho que fico com o terror. Mas esses com mulheres cabeludas já me cansaram.

Pedro disse...

Ia falar justamente isso hahahaha, Espiritos é até legalzinho, quando falo isso me refiro ao original, mas eles acham mesmo que eu vou me assustar com menina de cabelo despenteado descendo uma escada? (egocentrismo on, sei que a intenção é assustar os bestas e nao a mim)
Raspem o cabelo dela estilo Ronaldinho ....

One Missed Call tem um inicio que quase me fez desistir do filme, uma mulher ve um gato preto do lado de uma lagoa, ohhh oq fazer ? Ir em direção a ele claro. Mas ele sumiu e agora ? OHH Ele apareceu de novo, e agora oq fazer ? Se abaixar e ficar com o rosto bem perto do lago para ver como esta bela. Até que oq ngm imaginava acontece, OHH, uma mão puxa ela. Tchau. E o gato aparece de novo, uma mao puxa ele tbm, e oq ele tem a ver ? Nem celular ele tem para receber a msg de como morre e quando.

Não sendo preconceituoso mas é incrivel como tem filmes onde os primeiros a morrer são os negros, esses dias assisti um que vai eliminando em ordem de preconceito praticamente, Venom* (Primeiro morre a versão femea e mais velha de Gilberto Gil, depois não lembro hahaha...) mas é divertido o filme.

lola aronovich disse...

Vi o trailer de One Missed Call faz um tempão, e não me interessou nem um pouco. Isso que vc conta do lago pegar o gato realmente é ridículo. Típico de ceninha incluída só pra ver se alguém mais leva susto. Esses filmes seguem uma fórmula que pra mim cansou mesmo. Sobre as primeiras vítimas serem quase sempre negras, isso não se dá apenas em filmes de terror. De ação também! E pra mim é um preconceito explícito de Hollywood, que pinta o negro como descartável. Sabe que filme vou ver hoje? A Noite dos Mortos Vivos, clássico de 68 do Romero. Um dos motivos que o filme é clássico é porque o herói é um negro, o que é raríssimo. Tem todo um subtexto anti-racista no filme, pelo que sei.

Anônimo disse...

Eu gostei do original espiritos a morte está ao seu lado, mas esse remake ai foi mto ruim.