terça-feira, 6 de outubro de 2020

O ABSURDO PROCESSO CONTRA A AÇÃO AFIRMATIVA DO MAGAZINE LUIZA

A DPU (Defensoria Pública da União) entrou com uma ação contra o Magazine Luiza por ter lançado um programa de trainees só para negros. 

A ação chama a iniciativa de "marketing da lacração", alega que ela é discriminatória, e pede R$ 10 milhões de indenização por danos morais coletivos. 

No final de setembro, o Ministério Público do Trabalho em SP, respondendo a denúncias contra a rede varejista, disse que não houve violação trabalhista, e sim uma ação afirmativa de reparação histórica. 

Defensores do Grupo de Trabalho de Políticas Etnorraciais da DPU já se manifestaram com uma nota técnica de repúdio. Nove dos maiores escritórios de advocacia do país, reunidos na Aliança Jurídica pela Equidade Racial, lançaram uma nota apoiando empresas que adotarem políticas afirmativas. O professor da FGV Thiago Amparo disse que a ação é mais política do que jurídica. 

Reproduzo aqui a thread que o professor e jurista Silvio Almeida fez hoje sobre a absurda ação da DPU:

A ação da DPU contra o programa de contratação de trainees da Magazine Luiza é mais um capítulo do esfacelamento social e político resultante de nossa atual crise civilizatória. Segue fio com algumas considerações.

1. Ao mesmo tempo em que a responsabilidade institucional deve ser ressaltada, é preciso dizer que a DPU não pode ser definida por este ato. Há trabalhos incríveis da DPU, e aqui destaco a recente Ação Civil Pública que pediu a inclusão dos dados de raça nos casos de Covid-19. 

2. Sobre a petição da DPU, não quero perder tempo tratando de seu conteúdo jurídico, pois não há nada ali que possa assim ser chamado. É como se alguém pegasse a caixa de comentários de um portal de notícias e organizasse em seções: "dos fatos", "do direito" e "do pedido". É indigente. Pedestre. Mas tem algo maior nisso tudo que não se encerra no conteúdo. É espantoso o total desapego ao direito do ponto de vista da técnica. Não há preocupação sequer aparente com a racionalidade jurídica, ou seja, com uma argumentação cujo sentido possa ser encontrado em um debate previa e cientificamente orientado por uma "comunidade jurídica". É pura selvageria. 

3. A petição ignora solenemente TODA a produção teórica sobre discriminação e -- pasmem -- sobre direitos fundamentais. Não se trata de "posição isolada". A peça processual não possui posição porque é desconectada de quaisquer debates jurídicos.

4. Poderia se dizer que a peça contém erros, mas não é o caso; a peça é delirante porque não tem qualquer lastro doutrinário. Ou seja: é uma petição que não tem ponto de partida, só ponto de chegada, que é o indisfarçado combate ideológico do seu subscritor.

5. Isso não começou aqui. As peripécias jurídicas da combalida Lava Jato foram o ponto alto da selvageria com verniz jurídico que tomou conta do país. Às favas com precedente, com estabilidade, com segurança jurídica. Quem precisa abrir um livro se vale golpe abaixo da cintura, navalha na luva e dedo no olho? Quem precisa estudar quando o que vale é a pura vontade? 

6. A indigência técnica da peça não significa que ela seja inofensiva. Uma ação judicial movida por um órgão de Estado tem um efeito político devastador. É intimidatório. O seu propósito maior é constranger as empresas que resolverem estabelecer programas de ação afirmativa. 

7. É uma reconfiguração do lawfare contra a população negra e aqueles que se colocam em posição antirracista. É uma tentativa de tomar o poder subvertendo a finalidade das instituições. Vemos o mesmo no MP, na Magistratura e nas Polícias. É o direito contra a democracia.

8. A resposta a esse abuso tem que ser enfática. Esta ação da DPU viola os fins institucionais da própria instituição que são a defesa dos direitos humanos e a assistência jurídica aos necessitados, cuja base é o inciso LXXIV, art. 5°, da CF.

9. Não vamos escapar desse debate: o Brasil terá que necessariamente rever o modelo de ocupação do serviço público. É inadmissível que o serviço público sirva de abrigo para que determinados grupos usem a força do Estado para impor suas pautas econômicas e políticas ao arrepio dos interesses do povo brasileiro, tudo em nome de uma pretensa "independência" funcional. O país não pode ser refém destas pessoas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

MODO DE AGIR NA TERRA DAS FAKE NEWS

Já tem dois anos que eu li isso. Sim, foi durante as terríveis eleições de 2018. Guardei aqui no blog pra publicar. O tempo foi passando. 
Vem aí outra eleição, e nada indica que haverá algum combate sério às fake news que a direita aprendeu tão bem a usar. 
Então acho que este texto de Piero Leirner, antropólogo da UFSCar e pesquisador de grupos e instituições militares, continua muito pertinente:

Aí vão algumas dicas de quem está vendo o outro lado agir como uma "campanha militar", e não exatamente política. Talvez seja tarde para dizer essas coisas, mas no segundo turno essa guerra aumentará sua intensidade. Deixo aqui então uma contribuição para o anti-bolsonarismo.
- Tática do Bolso é mentira e dissimulação. Isso vocês já sabem bem. O problema IMEDIATO é o COMO eles mentem, e não SE eles mentem. Já sabemos que não vai ter como desmentir tudo.
- TUDO QUE SE FALAR CONTRA BOLSONARO SERÁ RESPONDIDO POR ELES COM SINAL TROCADO. Não adianta acusá-lo de "roxo" achando que vai forçá-lo a dizer "amarelo", pois é mais provável que ele responda "uva".
- Por isso, insisto de novo: eles estão usando táticas de Operações Psicológicas que estão em manuais de guerra de 3a e 4a gerações (assimétrica e híbrida). Cansei de ver isso. É a filigrana dos "Human Terrain Systems" norte-americanos, usam muita psicologia, linguística e antropologia. E não tem marqueteiro, é uma tática de dissipação, e os agentes, ao assimilá-la, dão prosseguimento ao formato.
Então vamos lá, alguns pontos interessantes sobre isso:
1) a maior parte da informação deles é passada em rede. Isso não se deveu só aos 8 segundos de TV, mas ao fato de que essa ferramenta desestabiliza os canais tradicionais e traz um "empoderamento" ao "cidadão comum". As teorias da guerra híbrida usam as redes de comunicação descentralizadas para desestabilizar nações; desestabilizar uma campanha eleitoral de adversário é fichinha. Não sei se é eficaz a essas alturas responder apenas no sentido de "negar as fake news", tem que produzir um contra-discurso (não estou sugerindo fake news, é claro) que opere na mesma lógica;
2) essa estrutura de rede foi muito bem aprendida pelas FFAA norte-americanas no Iraque e Afeganistão. Não tem cabeça, elas operam de forma mais ou menos autônoma. Não duvido que a essas alturas o bolsonarismo já é um tanto independente do seu emissor central: as redes estão fazendo campanha por si próprias, e agem como estações repetidoras umas das outras. Como a maior parte delas é semi-fechada e independente, e só mantem conexões parciais entre si, isso garante a sua eficácia: se uma "célula" cai, outras ocupam o espaço;
3) a descentralização e horizontalidade dessas redes criam essa sensação de maior amplitude, indestrutibilidade, resiliência, e, o que é mais importante, resistência à comunicação exterior que venha de um emissor que atua em outra esfera de consagração; por exemplo, a Globo, a campanha eleitoral. Tudo vai ser "mentira", só se aceita aquilo que está na própria "célula" e em outras "confiáveis". Não adianta dizer que a Veja é de direita e publicou aquela matéria: trata-se de uma "imprensa suja e esquerdista", toda ela. É preciso entender que para esse mecanismo funcionar ele precisa abandonar toda emissão de signos "de fora". Lembra do Matrix? Pois é.
4) ao mesmo tempo, é preciso perceber que eles não abandonam totalmente uma referência aos centros. No entanto, estes são etéreos: toda essa tática é fundada na ideia de que eles visam um "bem maior", moral, Deus, família, etc. Por isso mesmo esse pessoal vai bater muito na tecla do identitarismo, trata-se de jogar o adversário para a ideia de que ele só quer representar "grupos pequenos". 
Para cada vez que você falar "mulher", eles vão responder com uma "perversão para a família", tipo "mulher lésbica". Manuela será o principal foco de ataque nesse campo, pela história política dela. Vão bater que ela é comunista e traz o "perigo vermelho". Vão abusar da Venezuela. Não adianta responder com "Finlândia". Mas é possível, por exemplo, mostrar alguma foto de Manuela fazendo turismo na frente de uma igreja na Europa. 
Quando eles vierem com "kit gay", vocês contra-atacam com Haddad jogando futebol. O ponto é esse: quando eles vierem com a "uva", vocês respondem com "suco", não com "banana". É básico, nessas PsiOps, que sempre se opere com uma "shifting scale", tirando o pé da referência que o emissor inimigo enviou, e sempre com mensagens subliminares. Por exemplo, mostre a cena de uma caminhada de Haddad e Manuela pela rua, passando por um muro com uma imagem do palhaço Bozo. Depois é só deixar o apelido colar no próprio fora de nossas redes.
O que fazer para minar essa tática é realmente um problemão. Certamente há muita coisa para resolver em uma campanha, estou longe de saber como se faz isso. No entanto, se fosse seguir os manuais de contra-insurgência que pensam esses assuntos, sugeriria que se dedique alguns segundinhos a isto: atuar onde eles menos esperam, usar mensagens subliminares, fugir dos lugares que eles estão associando a vocês. Mostrem várias imagens do Moro com tucanos de black-tie, com militares, em paraísos fiscais. É preciso deixar bem claro que estes são agentes coligados, e que a situação atual de Lula se deve à política, que isso não tem nada a ver com justiça. Não adianta só falar, tem que mostrar imagens que sugiram por A+B essa história. Ela deve ser montada na cabeça das pessoas (e não vir pronta), elas têm que acreditar que chegaram a isso pelas próprias convicções.
Outra coisa: é preciso passar, de maneira inconsciente, a ideia de que a "mudança" que Bolsonaro propõe não é "reestabelecer a ordem", mas propagar o caos. Use e abuse da imagem de um vice-presidente que não aceita comando do seu chefe, e que Bolsonaro representa um perigo à hierarquia militar. 
Sugira que ele pode causar instabilidade nas Forças Armadas e que isso pode levar a um golpe (lembrando que é preciso conversar com os comandantes, e mostrar que isso representa um perigo real. Eles sabem disso, mas é bom se deixar claro que o lado de cá sabe também e que está preocupado com isso). Associe ele ao Collor, isso é fácil demais. Não precisa fazer essas coisas diretamente, basta jogar imagens, e deixar a nossa rede funcionar também.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

MRS AMERICA EXPÕE A HIPOCRISIA DE UMA FAMOSA ANTIFEMINISTA


Já faz um tempinho que assisti a uma ótima série com apenas uma temporada e nove episódios. Não vi muita gente falar nela, então vamos lá. Quem sabe vocês se animam também.

A série em questão é Mrs. America, escrita e dirigida por mulheres. É uma minissérie feminista, apesar de tratar de uma das mais famosas antifeministas, Phyllis Schlafly, cujo nome pra mim é impronunciável e impossível de escrever. 

Phyllis (vou me dirigir a ela apenas pelo primeiro nome porque é menos difícil que seu sobrenome, que pra mim lembra uma mosca) morreu em 2016, aos 92 anos. Antes de partir, ele deu um importante apoio a Donald Trump, atestando que o cara que dedicou toda a sua vida a transar com o máximo de mulheres e fazer dinheiro sem pagar impostos através do capitalismo mais predatório era um "verdadeiro conservador". 

Mas isso não está na série, que foca mais nos anos 70 e início dos 80, com a eleição de Reagan (Phyllis o ajudou a vencer e não ganhou nem um mísero ministério em troca). A mulher de penteado perfeito, sempre com o cabelo preso como as personagens de Hitchcock, fez toda uma carreira de sucesso pregando que as mulheres deveriam cuidar da casa, enquanto ela mesma dava palestras, publicava livros, ganhava dinheiro.

É ela a inspiração de Margaret Atwood para a Serena Joy de O Conto da Aia, aquela mulher inteligente, articulada e ambiciosa que, apesar de ser crucial para a propagação da extrema direita, nunca consegue um cargo importante no golpe teocrático por ser mulher (em 1967, Phyllis concorreu à presidência da Federação Nacional das Mulheres Republicanas. Perdeu porque seus críticos alegaram que, como mãe de seis filhos, ela não poderia se dedicar ao cargo). O primeiro episódio de Mrs. America é um show. "Nunca fui discriminada por ser mulher", jura Phyllis -- depois de uns 20 minutos seguidos de discriminação por ser mulher.

Mas talvez o melhor episódio seja o penúltimo, o oitavo, em que uma das melhores amigas e apoiadoras de Phyllis, Alice (interpretada pela sempre inspirada Sarah Paulson), uma dona de casa, vai a Houston participar da Conferência Nacional de Mulheres, em 1977. Lá ela toma LSD sem querer, vê a realidade (como insistir que uma amiga conservadora continue com o marido que a espanca não é um bom conselho), e sai de lá com a cabeça mais aberta, decidida a procurar um emprego remunerado para não ser tão dependente. 

Se Alice é uma personagem fictícia, um conjunto de várias mulheres, o que não falta em Mrs. America são personagens reais e interessantíssimos, como Betty Friedan (autora icônica de A Mística Feminina, e retratada na série como alguém difícil) e Shirley Chisholm. Eu não a conhecia, mas ela foi a primeira afro-americana a ser eleita senadora, e, em 1972, a primeira mulher a concorrer pela nomeação à presidência do Partido Democrata. 

Porém, provavelmente a personagem que mais chama a atenção é Gloria Steinem (interpretada por Rose Byrne), fundadora da revista feminista Ms. Gloria é uma das poucas ativistas da segunda onda que ainda está por aqui. Aos 86 anos, ela é uma lenda viva (e descobri por acaso que por uns anos ela foi madrasta do astro Christian Bale!). Mas é sempre bom ser lembrada de sua relevância desde muito jovem (embora ela não tenha gostado da série).

Não lembro se isso está na série ou se li, mas uma vez Phyllis sugeriu que todas as mulheres do congresso de mulheres em Houston eram lésbicas. Gloria Steinem devolveu: "Se nós somos todas lésbicas, onde estamos pegando todos os bebês ainda não nascidos para matar?" Gloria também disse em 2011: "Você sabe que o que você está dizendo é importante quando o sistema traz pessoas que se parecem com você e pensam como eles".
Mesmo que Mrs. America seja principalmente sobre Phyllis (e quem mais brilha é Cate Blanchett), a série poderia ser sobre qualquer uma das feministas que a combateu e que lutou pelos direitos das mulheres. Inclusive, cada episódio leva o nome de alguém fundamental. Mas o embate mais quente é para aprovar o Equal Rights Amendment (ERA), uma emenda na Constituição americana que garantiria a tão sonhada igualdade de gênero. Para ser aprovada, ela precisava passar em 38 dos 50 estados.
Chegou a receber o apoio de 35 estados, e a mobilização de Phyllis foi imprescindível para que a emenda não passasse. Ela achava que o ERA tiraria o que ela via como privilégios das mulheres, como pensão para a esposa que depende do marido e direito à custódia dos filhos, e faria com que mulheres também fossem obrigadas a lutar nas guerras americanas, que são muitas e que dependiam de alistamento compulsório. Em janeiro de 2020, Virgínia foi o 38o estado a apoiar o ERA. Será que agora vai? 

A série foi indicada a dez Emmys, porque é boa mesmo. Numa entrevista, Cate Blanchett alegou que aceitou o papel de Phyllis para entender, depois das traumáticas eleições de 2016, "como chegamos a um ponto em que as mulheres pareciam estar votando contra seus próprios interesses". Não deve ter sido fácil fazer uma personagem que não acreditava em estupro marital, dizia que mulheres inventavam acusações de estupro e violência doméstica, odiava a ONU, e era contra casamento de pessoas do mesmo sexo. 
Phyllis seria mais feliz hoje, em que estamos vivendo uma lamentável onda conservadora, que nos revolucionários anos 70. Naquela época ela teve que nadar contra a corrente. Hoje ela seria parte da corrente que nos afoga.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

DIVULGUEM COISAS BOAS, NÃO LIXO


Algo que eu vivo dizendo: nós, ativistas, pessoas de esquerda em geral, divulgamos muito mais os inimigos que as pessoas como a gente, que querem mudar o mundo e produzem ótimo conteúdo. 

Não acho que devemos parar de denunciar os crimes e preconceitos da direita, mas que tal fazer um esforço? Pra cada tuíte ou comentário indignado sobre a última (infelizmente não é a última) de Bolso, sua familícia e aliados, podemos espalhar um post, um vídeo, um canal, um cartum, um blog, de alguém que merece ser divulgado. 

Eu tento fazer isso. Muitas das 9,204 pessoas que sigo no Twitter volta e meia se surpreendem e ficam agradecidas por eu dar um mero RT em seus tuítes. É algo simples, mas parece que pouca gente faz. Nesses meus quase treze anos mais intensos nas redes sociais, sempre tentei ajudar a divulgar pessoas e projetos que mais gente deveria conhecer. Claro que às vezes é duro. Às vezes soa que só as notícias ruins ganham destaque. E óbvio que não falar de racistas, machistas, LGBTfóbicos etc não vai fazer com que eles desapareçam. Mas sempre devemos nos lembrar daquela máxima: stop making stupid people famous (pare de tornar pessoas estúpidas famosas). 

Faz um tempinho vi uma thread no perfil da Raisa que traduz o que penso. Vou reproduzir o que ela disse aqui:

Percebi um comportamento muito nocivo na internet nos últimos anos. E tem agravado. Vocês não conseguem deixar de promover coisas ruins. Vocês fazem igual à tirinha do Raphael [acima].

Ao fazer isso, perdemos a chance de exaltar algo bom e promovemos algo que não gostamos. E não é porque eu percebo esse comportamento que estou imune a ele. Um tempo atrás um tuíte meu hitou e eu recebi, talvez, centenas de respostas boas, mas a primeira ruim foi a que dei RT.

Hoje mesmo eu vi uma pessoa fazendo VÁRIOS tuítes por causa de UM comentário idiota no Instagram. Nem julgo, já fiz exatamente o mesmo, mas acho que tá na hora da gente reavaliar esse hábito.

Quando a Marielle morreu, fiquei chocada porque eu NUNCA tinha ouvido falar dela. Eu tô na internet todo dia. Sei todos os memes do Desenhista que pensa, conheço o merda do Nando Moura e vejo tuítes da Janaina Brasil diariamente na TL, mas da Marielle eu NUNCA tinha ouvido falar.
E não fui só eu. Vi muita gente pela internet toda falando sobre como nunca tinham ouvido falar da Marielle, mas do Olavo de Carvalho já. Da família bolsocheio, também. MBL, então, nem se fala. Mas quem tá lá no mundo real lutando pelo que importa, nem uma palavra.
Por favor, vamos reavaliar isso. Vamos parar de dar palco e visibilidade pra quem a gente NÃO CONCORDA. Já deveríamos ter aprendido nossa lição com o bolsocheio, mas parece que muita gente ainda não se tocou.
NÃO DIVULGUEM CONTEÚDO LIXO. A mudança se faz com exemplos POSITIVOS.
Quando você for criticar algo, você tem que ir na fonte do problema. Você NÃO deve compartilhar algo que não concorda só pra mostrar quão absurdo é. Exemplo: seu tio postou vídeo do Bolso no Facebook? Em vez de compartilhar com seus amigos (que provavelmente pensam igual a você), vai lá e mostra pro seu tio (e pros amigos DELE) o quão absurdo e sem sentido é aquilo. Desmonta os argumentos dele. Leva informação pra quem é ignorante. Seu tio pode não mudar de opinião, mas alguém que tem uma quedinha pelo Bolso pode repensar isso com base no que você disse.
Só que aí quando em vez de confrontar a fonte do problema, você resolve COMPARTILHAR o conteúdo do cara, o que você faz é espalhar mais e mais a merda que ele disse. Eu conheci o Bolso através de amigos DE ESQUERDA que compartilhavam dizendo só “nossa que absurdo”.
Olha que loucura: os caras COMPARTILHAVAM o vídeo do Bolso e toda crítica que faziam era “nossa que absurdo, deveria estar preso” etc. NÃO é assim que você combate um cara desses, especialmente vivendo numa sociedade tão ignorante e com tanta tendência à barbárie.