terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

TUIUTI MANDA SEU FORA TEMER

Muita gente (ok, uma pessoa) me pediu pra falar da escola de samba Paraíso da Tuiuti, que desfilou no domingo no Sambódromo, no Rio.
Não sou a pessoa mais adequada pra falar disso porque, em primeiro lugar, não vi o desfile. Não vejo há vinte anos, desde que a Globo não transmitiu o desfile da Mangueira logo no ano que eu mais quis ver um desfile na vida. Era 1998 e a Mangueira ia homenagear o Chico. Ia não, homenageou. Foi inclusive campeã naquele ano. Mas desfilou às 21 horas do domingo, e a Globo, pra não atrapalhar o Fantástico, simplesmente não passou a Mangueira. Foi a última vez que liguei a TV durante o carnaval.
Mas mesmo que eu quisesse ter visto a Tuiuti no último domingo, eu não poderia. Porque estava em Barra Nova, Ceará, numa pousada sem tevê. E não vou viajar mais no carnaval. É um inferno. Que adianta estar num lugar lindo e deslumbrante se os carros entram com tudo na praia (o que é proibido) e, pior ainda, disputam entre eles quem provoca o barulho mais ensurdecedor com seus asquerosos paredões de som? 
A gente voltou ora casa um dia antes. Fui forçada a ouvir montes de músicas horrorosas, de uma falta de inteligência absoluta. Uma, por exemplo, repetia sem parar "Se você me dizer 'oi', eu vou responder 'oi'", entrelaçada com uma voz que gritava "o melhor do som automotivo". Eu estava pensando: se esse é o melhor do som automotivo, qual seria o pior? Mas não tive que pensar muito tempo, porque a canção seguinte falava de uma mulher traída que matou uma novinha. 
Então eu, sinceramente, estou cansada de carnaval.
Mas felizmente hoje não dependemos do monopólio de uma TV pra ver um desfile. Dá pra ver aqui. A Tuiuti realizou o espetáculo mais político. Aproveitando os 130 anos da Lei Áurea, a escola trouxe o enredo "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?"
Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o valor? Pobre artigo de mercado
Senhor eu não tenho a sua fé, e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar escravidão e um prato de feijão com arroz

Eu fui mandinga, cambinda, haussá
Fui um rei egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se planta gente

Ê calunga! Ê ê calunga!
Preto Velho me contou, preto velho me contou
Onde mora a senhora liberdade
Não tem ferro, nem feitor

Amparo do rosário ao negro benedito
Um grito feito pele do tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor

E assim, quando a lei foi assinada
Uma luta atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel

Meu Deus! Meu Deus!
Se eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação

A letra é bela e impactante, mas mais poderoso que isso foi a Tuiuti usar o tema para condenar o golpe de 2016, para criticar a reforma trabalhista, a precarização do trabalho e o desmonte da previdência. Uma das fantasias que mais chamou a atenção foi o "manifestoche", ou seja, o brasileiro pato que saiu às ruas para tirar do poder um governo democraticamente eleito e colocar golpistas que só representam 1% da população (a bolsa de valores gosta). 
Pra não restar nenhuma dúvida, no final apareceu um vampiro igualzinho ao nosso presidente em exorcismo. 
A Globo que, assim como o resto da mídia, apoiou o golpe e vende as "reformas" que tiram os nossos direitos de "necessárias", parece não ter se entusiasmado com o desfile da Tuiuti. O Jornal Nacional de ontem dedicou apenas 35 segundos à escola, enquanto as outras mereceram entre 53 e 90 segundos cada. A transmissão ao vivo nem tocou no nome de Temer ou da Fiesp. Aliás, o que mais se ouviu na Globo durante o desfile da Tuiuti foi silêncio.
O carnaval é sempre acusado de ser um dos ópios do povo brasileiro. Por isso, é muito bonito quando esse mesmo espetáculo usa seu poder para criticar, para abalar as estruturas. A Tuiuti certamente conseguiu. 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A FORMA DO OSCAR

Contando os dias para você participar do bolão

Já vi a Forma da Água e adorei. 
Eu me lembrei o tempo todo de O Monstro da Lagoa Negra, clássico de 1954 que eu tive a chance de assistir, restaurado e em 3D, no museu perto da universidade em Detroit, dez anos atrás.
É uma bela homenagem de Guillermo del Toro ao clássico. E espera-se que ele será recompensado. Com treze indicações ao Oscar, talvez A Forma da Água seja o favorito. Mas é raro um filme desse gênero (fantasia ou ficção científica) levar a estatueta de melhor filme. A exceção é O Senhor dos Anéis (prefiro não entrar no tema). 
E outra façanha: se del Toro ganhar o Oscar de melhor diretor, será a quarta vez que um mexicano ganha essa estatueta nos últimos cinco anos. Alejandro González Iñarritu ganhou duas vezes seguidas, em 2015 e 2016 (Birdman e O Regresso), e Alfonso Cuarón ganhou em 2014 (por Gravidade). E os três mexicanos são amigos. 
Adoro essas estatísticas que os analistas do Oscar tiram do fundo do baú. Parece que a última vez que uma produção levou melhor filme sem ter sido indicado a "melhor elenco" (uma categoria que não existe no Oscar, e deveria existir) nos SAG (Screen Actors Guild, o sindicato dos atores) foi em 1995, com Braveheart. E A Forma da Água não foi lembrado para elenco pelo SAG, apesar do conjunto maravilhoso (todos perfeitos: Sally Hawkins, Richard Jenkins, Octavia Spencer, e o vilão Michael Shannon). 
Não sei se reaças gostaram do filme. Eles devem ter notado que se trata de uma mulher branca muda, uma mulher negra, e um homossexual que se juntam para salvar uma criatura desconhecida mas poderosa (o "outro") de um patriarcado militarista, violento e excludente.
Este artigo protesta que matar gatos (e não ligar muito pra isso) tem se tornado um hábito em filmes de ficção científica, como acontece em Forma e também em Stranger Things e The Magicians. 
Bom, pessoas queridas, não deixem de participar do meu tradicional bolão do Oscar. Pode apostar aqui no bolão grátis e aqui no pago. No pago tem que pagar R$ 25, que você pode depositar numa das minhas duas contas (Banco do Brasil, agência 3653-6, cc 32853-7, ou Santander, agência 3508, cc 010772760). Aí você me envia um email com comprovante (lolaescreva@gmail.com; mande cópia pro Júlio jcaoalves@gmail.com, que é quem organiza tudo), faz as apostas, e espera com tudo anotado pro dia 4 de março. 
Não tem forma melhor pra enfrentar uma cerimônia que costuma ser bem chatinha... 

sábado, 10 de fevereiro de 2018

MENSAGEM IMPERDÍVEL PARA O CARNAVAL

Em meados de janeiro a famosa vlogger Jout Jout fez o vídeo "6 toques para um carnaval agradável". A frase "Depois do NÃO é tudo assédio" viralizou e inspirou a Peita a lançar camisetas e adesivos com essa mensagem, com a autorização da Jout Jout. 
Feitos às pressas, mas com esmero, os adesivos com a frase serão distribuídos gratuitamente em São Paulo pelas Maravilhosas Corpo Baile, da Graziela Meyer e Eloisa Honorato; em Salvador pela Sandra Muñoz do Movimento de Lésbicas e Mulheres Bissexuais da Bahia e em Recife pelo Bloco Feminista Essa Fada. A página informa: "para quem quiser peitar a sociedade com esse tiro, a camiseta está à venda no site da Peita". 
A Peita, da designer Karina Gallon, foi às ruas em Curitiba no dia 8 de março do ano passado, na Marcha Mundial das Mulheres, quando ainda não se chamava Peita. Recomendo o manifesto delas. A Peita faz algo simples, mas muito necessário: oferece "ferramentas para que mulheres lutem contra a opressão do machismo". 
Não pode ser tão difícil fazer um carnaval sem assédio, que respeite as mulheres.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

"UNS BICHOS DE UMAS VIDA TÃO M*RDA"

Faz menos de um mês li este texto do escritor Anderson França, mais um dos alvos da quadrilha neonazista, misógina, racista e homofóbica que as polícias estão cansadas de saber quem é (o que vocês estão esperando pra prender esses caras? Já são quase cinco anos de impunidade!). Reproduzo o ótimo texto do Anderson aqui. 

Perfil do escritor
Anderson França
Eu conversei com um dos sujeitos que chamou os alunos da UniCarioca de macacos. O sujeito que está, com outros, envolvido num site onde difama e odeia diversas pessoas, além de mim, pessoas pretas, mulheres, gays. Essa conversa foi de confronto, eu chamei ele pra rua, botar a cara. Ele cagou no pau. Muitas outras escutas nos fóruns deles, que acompanho a meses, e qualquer um de vocês pode acessar, é de onde tirei MUITAS conclusões que você vai ler aqui. É coisa pra papo com terapeuta.
A polícia civil não consegue encontrar eles, mas eles estão em volta de nós. Eu já sei alguns nomes, e me impressiona a polícia não fazer nada, e como eu disse, porque talvez eu não seja o Bruno Gagliasso, e os alunos da UniCarioca não serem famosos ~BARRA~ BRANCOS.
Esse sujeito, o que falou comigo, é UM DOS que promove ações na internet. Não é UMA PESSOA. São algumas. Há ele, e há outros "jorges" outros "anões", que promovem algo aqui e ali, e que criam grupos de contato para gerar nuvem de poeira e sairem sem serem identificados.
Por esses dia ouvi que se trata de "engenharia social" e não de hackers. Eles, e este que falou comigo, não são experts em nada. Criam perfis falsos, alimentam por um tempo, pegam uns trabalhos de bot, pra direita que paga por isso, outros fazem, na maior parte do tempo, por serem apenas fracassados em alguma área da vida.
Não pense que são apenas homens brancos. E não pense que não há, entre eles, gays. Pessoas que eles ofendem, cujas características ou coisas que condenam serem as mesmas coisas que estão neles mesmos, e por não saberem lidar com isso de forma saudável, eles atacam o outro, semelhante a eles, numa perspectiva de auto-ódio.
Eles odeiam, porque são odiados. Sejam brancos héteros, ou outras pessoas, eu posso te dizer que você tenha cuidado ao pensar que se tratam apenas de homens brancos, MUITO EMBORA, sem dúvida, a centralidade desse discurso pertence a alguns homens brancos dentro desse grupo.
Vários deles têm fixações sexuais, reprimidas na vida real. Gostariam de praticar sexo oral em um outro homem, e até fazem, mas com muita culpa, e alguns deles possuem fantasias homoafetivas que não podem ser concretizadas. Possuem fixações com travestis, num nível altíssimo. Praticamente, suas fixações com mulheres, em termos sexuais, são no sentido da agressão, da humilhação e violência. Física, sexual, psicológica.
O máximo de violência real que eles conhecem é em game. Os que se aproximaram de alguma violência real voltam com muito medo, pois estão contextualizados, na vida real, com família, esposa, filhos. São de igreja, são universitários, têm facebook igual todo mundo, recebem um salariozinho em alguma empresa, fazem tudo no segundo plano, às escondidas. No banheiro, em casa, à noite, antes de se masturbarem vendo video de female ou alguma outra coisa que envolva violência ou sexo escatológico ou de abuso em lugares públicos.
É esse o perfil. [Nota da Lola: Discordo um pouco. Pelo que vejo, a grande maioria dos mascus não trabalha, não estuda, e é sustentada pelos pais, muitas vezes só pela mãe. E, só pra lembrar: não são adolescentes].
Eu fiquei alguns meses nos fóruns onde eles debatem, e acumulei algumas experiências de escuta. Eles são pessoas altamente frustradas e imobilizadas por eles mesmos, porque são doentes, estão adoecidos, e entendem que o mundo lhes deve a cura, e optam, CONSCIENTEMENTE, pelo ódio, pelo crime, essencialmente virtual.
Criam perfis de homens, gays e mulheres. Mais precisamente, de mulheres. Cada um deles possui uma carteira de perfis de mulheres, que eles montam com fotos de pessoas que pouco acessam, fotos na net, pessoas mortas, criam documentos, usam programas vagabundos de edição pra criar um RG, como é o caso que você vai ver aqui.
Geralmente mulheres com discurso feminista, de esquerda. Isso é uma forma de se esconder num estereótipo que ELES julgam que será capaz de escondê-los.
Mas são pessoas que, ao vê-las ao vivo, você tem pena. Eu não posso te dizer porque sei disso, mas pode acreditar, não são pessoas que guentam correr numa fuga.
Decidi pressionar a DRCI do Rio. E nada de resposta. O inspetor, abandonou as conversas no Whatsapp, o que me causou MUITA estranheza.
Já temos convicção que encontrar essas pessoas é muito simples. A começar pelas pessoas que blindam os citados.
O jogo é de máscaras, queridos.
Mas tem uma coisa que realmente me intriga.
O fato de usarem mulheres como máscaras mostra mais uma face do machismo não-assumido por essas pessoas comuns que andam na rua. Eles têm um problema sério com mulheres.
Li na minha timeline hoje dois episódios. Um sobre Sarah Silverman, comediante americana que, xingada de puta por um leitor no twitter (ah, os leitores), decide conversar com essa pessoa, um homem que admite o ódio que sente pelas frustrações que a vida foi trazendo. E por não saber se posicionar, ele embala o ódio e manda de volta.
No metrô de São Paulo, essa semana, um homem de 55 anos, de nome Sebastião, empurrou uma mulher nos trilhos. Ela passa bem, ele, preso por tentativa de homicídio, disse que fez isso "porque tinha muitos problemas na vida e decidiu descontar nela".
Você está entendendo onde eu quero chegar?
Os novos criminosos são homens fracassados. Os machões alt-right são meninos mimados chorando. Os valentes da turma que, se confrontados, choram.
São homens fragilizados. Caídos por dentro. Destruindo a si mesmos. Losers. Perdem, e continuarão perdendo, até morrerem, daqui uns meses, anos. Sozinhos, em algum quarto mofado.
É pra ter pena deles por isso?
Amigo, eu disse: Feliz Dois Mil e Assina Teus B.O.
É cana, dura, sentada na cabeça. Na forma da lei. Dá pena é de prender garoto frouxo. Dá orgulho prender um fuderoso, bicho mau, disse que era maxo, e botou o trabuco pra fora, foi, e levou todo mundo com ele junto.
Mas esses?
A cadeia já foi mais bem frequentada.
O machismo que mata, que empurra no trem, que humilha, que faz site pra chamar atenção, pra ter um pouco de atenção na vida medíocre que leva, tá aí.
Pau neles.
Mas dá vergonha ser uns puto desses. Uns bicho de umas vida tão merda.
O que você vai ver é um trecho de uma conversa, dentre tantas tentativas de, simulando uma mulher, tentar divulgar seu conteúdo. Ele deve ter abordado, ou eles, vários de vocês. Entendam: não respondam a nenhuma pessoa, independente da causa que ela defenda, se você não a conhece para além das redes.
Nessa conversa, de confrontação a ele, houve ameaça de fazer um BO contra mim, porque eu não reconheci o perfil como real, e desafiei ele a sair da net, e botar a cara. E claro, botar a cara com tudo que isso implica. O cara se dá o trabalho de usar um programa vagabundo pra criar um RG. "Vou te provar que sou eu" e posta a foto de um RG.
WTF?
Cês entendem o grau de merdismo dos cara?
Zero respostas. Medo. E por fim, cancelou o perfil. Isso acontece sempre, com alguns perfis que surgem, do nada, e desaparecem, do nada.
Não são elaborados nem pra falarem por si mesmos.
O que eu penso é que a UniCarioca, seus alunos e DCE deveriam promover um ato público, no sentido de pressionar a policia civil, convocar o Ministério Público, realizar auditorias independentes para a busca e apreensão deles, o que não será difícil, se a polícia decidir se comportar com seriedade.
A cada dia, estou mais próximo deles. A questão que fica é: quando achar, o que vamos fazer.
Civil, te agiliza, queridos.
Ameaçando juízas, delegados, policiais, jornalistas, professoras... desde pelo menos 2011 (mas este print é de três semanas atrás) 

Site de ódio de 2011: qualquer
semelhança com os sites de ódio
que vieram depois não é mera
coincidência. São todos da
mesma quadrilha
[Mais uma nota da Lola: Não se deve tratar este "novo" site de ódio como fato isolado. Não tem nada a ver com a UniCarioca, assim como os diversos "guias de estupro" (ensinando como "estuprar vadias" da UFC, USP, UFRJ, UnB, UFRGS etc) não tinham nada a ver com aquelas universidades. Não há nada de novo neste site. É o mesmo criado em 2011, o Silvio Koerich, que levou dois mascus à cadeia. Só que, depois que foram soltos, um deles começou tudo de novo. Faz quase cinco anos que ele saiu da prisão. De lá pra cá, ele e sua quadrilha lançaram Homem de Bem, Realidade, Tio Astolfo, Reis do Camarote, entre vários outros sites de ódio. O Rio de Nojeira, que uma juíza bloqueou, tem o mesmo layout, os mesmos textos, os mesmos autores. Os posts são criados coletivamente no chan do líder da quadrilha. O que eles querem, além de divulgar sua ideologia -- sim, eles realmente querem que mulheres, negros e LGBTs sejam torturados e mortos --, é  "gerar lulz" 
(ou "deixar o gado em rage", fazer o público leigo se chocar, e rir dele, e de preferência ganhar dinheiro com acessos ao site e infectar com vírus os computadores de quem acessa), e incriminar desafetos. Por isso eles colocam nome completo e fotos dos "autores". Já fizeram isso com meu marido e com um leitor aqui do blog. Portanto, é preciso sempre contextualizar. Qualquer matéria que trate um "novo" site de ódio como "novo", sem citar os outros, é falha. Imagina que absurdo seria se as polícias começassem a investigar do zero cada novo site de ódio (lançado no mínimo semestralmente). Mascus continuarão fazendo isso porque eles não têm nada melhor pra fazer. É essa mesma a medida do grau de fracasso desses caras repulsivos -- levam uma vida tão m*rda, como diz Anderson, que o ápice de sua existência é criar e divulgar sites m*rda no nome de outras pessoas para provar que odeiam tudo e todos]. 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

UMA MULTINACIONAL FICOU COM MEU DINHEIRO

Eu e o maridão entramos numa promoção ano passado e perdemos quase 120 reais. Dá vontade de fazer um vídeo gritando, sabe?
Foi assim. Eu fui à farmácia perto de casa que vou sempre (pra comprar chocolate), e não lembro o que mais fui comprar, mas o atendente, simpático, perguntou se eu conhecia a promoção da P&G (a multinacional Procter and Gamble). Ele me deu um folheto ilustrado com os produtos participantes e explicou como funcionava: eu compraria até 60 reais em produtos, mandaria o cupom fiscal pra empresa e, dentro de dez dias úteis, receberia os 60 reais de volta na minha conta corrente.
Fiquei interessada. Nenhum dos produtos eu compraria de verdade, mas de graça até injeção na testa, certo? Cheguei em casa, fui até a promoção na internet, e vi que se chamava "Experimente P&G" e era válida só pro Nordeste. Calculei bem quais produtos eu iria levar para que desse 60 reais. Convenci o maridão a participar para que ele também entrasse com seu CPF e comprássemos mais 60 em produtos (eu sou meio trouxa, né? No mínimo, faz um de cada vez!). 
Voltamos à farmácia, e primeira surpresa: não era tão fácil assim. Por exemplo, havia duas marcas de desodorante na promoção, mas você não podia levar as duas, era uma ou outra. Então tivemos que refazer toda a nossa lista lá na farmácia (felizmente, já era tarde e estava vazia). O atendente nos ajudou a pegar todos os produtos. Pagamos, e a farmácia tirou uma xerox da nota fiscal, que ficou com ela.
Meu cupom fiscal
(clique para ampliar)
Na mesma noite (26 de outubro) eu voltei ao site para fazer o nosso cadastro e inserir o cupom fiscal. Aí comecei a ver que não havia nada de fácil na promoção. Só pra tentar inserir o cupom fiscal gastamos uma hora e meia, porque o formato e tamanho nunca eram os permitidos, e eles não especificavam qual era. Já naquele momento me arrependi amargamente de ter entrado na promoção e pedi efusivas desculpas ao maridão, que também estava gastando tempo pra tentar recuperar o dinheiro que usamos pra adquirir produtos que não precisávamos. 
Mas, finalmente, na manhã seguinte, conseguimos colocar o cupom e enviar o maldito cadastro. Estranhamos que não veio nenhuma confirmação. Não recebemos nenhum email, número de protocolo, nada. Esperamos. Não tinha como entrar em contato por email. Quer dizer, o que podia dar errado? É uma multinacional, ela não iria querer tirar dinheiro dos consumidores dessa forma desonesta...
Algumas reclamações de pessoas
que participaram da promoção
Aí viajamos, voltamos, e nenhuma reposta da empresa. Anteontem mandei um tuíte e eles responderam, pedindo pra ligar pro SAC. Liguei, deixei a reclamação pra uma atendente que literalmente bocejava a cada dado, e uma outra atendente ligou no dia seguinte, dizendo que a promoção estava encerrada e que não receberíamos o reembolso porque não nos cadastramos na promoção específica, só no site da P&G. 
Isso é mentira. A gente foi diretamente pro site da promoção. Eu disse pra moça que tivemos muitos problemas para conseguir inserir a nota fiscal, e ela respondeu que isso era comum, e que nessas horas os consumidores ligavam pra P&G. Eu disse que se todos os consumidores precisam ligar (pra um número difícil de encontrar, porque não aparece no site da promoção) pra fazer algo que deveria ser simples, o problema está com o cadastro da empresa. 
Deus é testemunha que a P&G
nunca mais verá o nosso dinheiro
Falei pra ela que tudo bem, a gente jogou R$ 120 fora, mas a P&G iria perder mais do que isso, já que eu iria falar sobre a fraude deles no meu blog e nenhum produto P&G entrará nesta casa de novo. 
Só depois fui ver que está cheio de reclamações sobre essa e outras promoções do mesmo tipo da P&G. 
Eu tô aqui, me sentindo enganada, e prometendo que jamais entrarei em outra promoção de qualquer tipo na vida. 
E com vocês, já aconteceu algo do tipo?
Taí mais um bom motivo pra boicotar a P&G