Faz menos de um mês li este texto do escritor Anderson França, mais um dos alvos da quadrilha neonazista, misógina, racista e homofóbica que as polícias estão cansadas de saber quem é (o que vocês estão esperando pra prender esses caras? Já são quase cinco anos de impunidade!). Reproduzo o ótimo texto do Anderson aqui.
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Perfil do escritor
Anderson França |
Eu conversei com um dos sujeitos que chamou os alunos da UniCarioca de macacos. O sujeito que está, com outros, envolvido num site onde difama e odeia diversas pessoas, além de mim, pessoas pretas, mulheres, gays. Essa conversa foi de confronto, eu chamei ele pra rua, botar a cara. Ele cagou no pau. Muitas outras escutas nos fóruns deles, que acompanho a meses, e qualquer um de vocês pode acessar, é de onde tirei MUITAS conclusões que você vai ler aqui. É coisa pra papo com terapeuta.
A polícia civil não consegue encontrar eles, mas eles estão em volta de nós. Eu já sei alguns nomes, e me impressiona a polícia não fazer nada, e como eu disse, porque talvez eu não seja o Bruno Gagliasso, e os alunos da UniCarioca não serem famosos ~BARRA~ BRANCOS.
Esse sujeito, o que falou comigo, é UM DOS que promove ações na internet. Não é UMA PESSOA. São algumas. Há ele, e há outros "jorges" outros "anões", que promovem algo aqui e ali, e que criam grupos de contato para gerar nuvem de poeira e sairem sem serem identificados.
Por esses dia ouvi que se trata de "engenharia social" e não de hackers. Eles, e este que falou comigo, não são experts em nada. Criam perfis falsos, alimentam por um tempo, pegam uns trabalhos de bot, pra direita que paga por isso, outros fazem, na maior parte do tempo, por serem apenas fracassados em alguma área da vida.
Não pense que são apenas homens brancos. E não pense que não há, entre eles, gays. Pessoas que eles ofendem, cujas características ou coisas que condenam serem as mesmas coisas que estão neles mesmos, e por não saberem lidar com isso de forma saudável, eles atacam o outro, semelhante a eles, numa perspectiva de auto-ódio.
Eles odeiam, porque são odiados. Sejam brancos héteros, ou outras pessoas, eu posso te dizer que você tenha cuidado ao pensar que se tratam apenas de homens brancos, MUITO EMBORA, sem dúvida, a centralidade desse discurso pertence a alguns homens brancos dentro desse grupo.
Vários deles têm fixações sexuais, reprimidas na vida real. Gostariam de praticar sexo oral em um outro homem, e até fazem, mas com muita culpa, e alguns deles possuem fantasias homoafetivas que não podem ser concretizadas. Possuem fixações com travestis, num nível altíssimo. Praticamente, suas fixações com mulheres, em termos sexuais, são no sentido da agressão, da humilhação e violência. Física, sexual, psicológica.
O máximo de violência real que eles conhecem é em game. Os que se aproximaram de alguma violência real voltam com muito medo, pois estão contextualizados, na vida real, com família, esposa, filhos. São de igreja, são universitários, têm facebook igual todo mundo, recebem um salariozinho em alguma empresa, fazem tudo no segundo plano, às escondidas. No banheiro, em casa, à noite, antes de se masturbarem vendo video de female ou alguma outra coisa que envolva violência ou sexo escatológico ou de abuso em lugares públicos.
É esse o perfil. [Nota da Lola: Discordo um pouco. Pelo que vejo, a grande maioria dos mascus não trabalha, não estuda, e é sustentada pelos pais, muitas vezes só pela mãe. E, só pra lembrar: não são adolescentes].
Eu fiquei alguns meses nos fóruns onde eles debatem, e acumulei algumas experiências de escuta. Eles são pessoas altamente frustradas e imobilizadas por eles mesmos, porque são doentes, estão adoecidos, e entendem que o mundo lhes deve a cura, e optam, CONSCIENTEMENTE, pelo ódio, pelo crime, essencialmente virtual.
Criam perfis de homens, gays e mulheres. Mais precisamente, de mulheres. Cada um deles possui uma carteira de perfis de mulheres, que eles montam com fotos de pessoas que pouco acessam, fotos na net, pessoas mortas, criam documentos, usam programas vagabundos de edição pra criar um RG, como é o caso que você vai ver aqui.
Geralmente mulheres com discurso feminista, de esquerda. Isso é uma forma de se esconder num estereótipo que ELES julgam que será capaz de escondê-los.
Mas são pessoas que, ao vê-las ao vivo, você tem pena. Eu não posso te dizer porque sei disso, mas pode acreditar, não são pessoas que guentam correr numa fuga.
Decidi pressionar a DRCI do Rio. E nada de resposta. O inspetor, abandonou as conversas no Whatsapp, o que me causou MUITA estranheza.
Já temos convicção que encontrar essas pessoas é muito simples. A começar pelas pessoas que blindam os citados.
O jogo é de máscaras, queridos.
Mas tem uma coisa que realmente me intriga.
O fato de usarem mulheres como máscaras mostra mais uma face do machismo não-assumido por essas pessoas comuns que andam na rua. Eles têm um problema sério com mulheres.
Li na minha timeline hoje dois episódios. Um sobre Sarah Silverman, comediante americana que, xingada de puta por um leitor no twitter (ah, os leitores), decide conversar com essa pessoa, um homem que admite o ódio que sente pelas frustrações que a vida foi trazendo. E por não saber se posicionar, ele embala o ódio e manda de volta.
No metrô de São Paulo, essa semana, um homem de 55 anos, de nome Sebastião, empurrou uma mulher nos trilhos. Ela passa bem, ele, preso por tentativa de homicídio, disse que fez isso "porque tinha muitos problemas na vida e decidiu descontar nela".
Você está entendendo onde eu quero chegar?
Os novos criminosos são homens fracassados. Os machões alt-right são meninos mimados chorando. Os valentes da turma que, se confrontados, choram.
São homens fragilizados. Caídos por dentro. Destruindo a si mesmos. Losers. Perdem, e continuarão perdendo, até morrerem, daqui uns meses, anos. Sozinhos, em algum quarto mofado.
É pra ter pena deles por isso?
Amigo, eu disse: Feliz Dois Mil e Assina Teus B.O.
É cana, dura, sentada na cabeça. Na forma da lei. Dá pena é de prender garoto frouxo. Dá orgulho prender um fuderoso, bicho mau, disse que era maxo, e botou o trabuco pra fora, foi, e levou todo mundo com ele junto.
Mas esses?
A cadeia já foi mais bem frequentada.
O machismo que mata, que empurra no trem, que humilha, que faz site pra chamar atenção, pra ter um pouco de atenção na vida medíocre que leva, tá aí.
Pau neles.
Mas dá vergonha ser uns puto desses. Uns bicho de umas vida tão merda.
O que você vai ver é um trecho de uma conversa, dentre tantas tentativas de, simulando uma mulher, tentar divulgar seu conteúdo. Ele deve ter abordado, ou eles, vários de vocês. Entendam: não respondam a nenhuma pessoa, independente da causa que ela defenda, se você não a conhece para além das redes.
Nessa conversa, de confrontação a ele, houve ameaça de fazer um BO contra mim, porque eu não reconheci o perfil como real, e desafiei ele a sair da net, e botar a cara. E claro, botar a cara com tudo que isso implica. O cara se dá o trabalho de usar um programa vagabundo pra criar um RG. "Vou te provar que sou eu" e posta a foto de um RG.
WTF?
Cês entendem o grau de merdismo dos cara?
Zero respostas. Medo. E por fim, cancelou o perfil. Isso acontece sempre, com alguns perfis que surgem, do nada, e desaparecem, do nada.
Não são elaborados nem pra falarem por si mesmos.
O que eu penso é que a UniCarioca, seus alunos e DCE deveriam promover um ato público, no sentido de pressionar a policia civil, convocar o Ministério Público, realizar auditorias independentes para a busca e apreensão deles, o que não será difícil, se a polícia decidir se comportar com seriedade.
A cada dia, estou mais próximo deles. A questão que fica é: quando achar, o que vamos fazer.
Civil, te agiliza, queridos.
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| Ameaçando juízas, delegados, policiais, jornalistas, professoras... desde pelo menos 2011 (mas este print é de três semanas atrás) |
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Site de ódio de 2011: qualquer
semelhança com os sites de ódio
que vieram depois não é mera
coincidência. São todos da
mesma quadrilha |
[Mais uma nota da Lola: Não se deve tratar este "novo" site de ódio como fato isolado. Não tem nada a ver com a UniCarioca, assim como os diversos "guias de estupro" (ensinando como "estuprar vadias" da UFC, USP, UFRJ, UnB, UFRGS etc) não tinham nada a ver com aquelas universidades. Não há nada de novo neste site. É o mesmo criado em 2011, o Silvio Koerich, que levou dois mascus à cadeia. Só que, depois que foram soltos, um deles começou tudo de novo. Faz quase cinco anos que ele saiu da prisão. De lá pra cá, ele e sua quadrilha lançaram Homem de Bem, Realidade, Tio Astolfo, Reis do Camarote, entre vários outros sites de ódio. O Rio de Nojeira, que uma juíza bloqueou, tem o mesmo layout, os mesmos textos, os mesmos autores. Os posts são criados coletivamente no chan do líder da quadrilha. O que eles querem, além de divulgar sua ideologia -- sim, eles realmente querem que mulheres, negros e LGBTs sejam torturados e mortos --, é "gerar lulz"
(ou "deixar o gado em rage", fazer o público leigo se chocar, e rir dele, e de preferência ganhar dinheiro com acessos ao site e infectar com vírus os computadores de quem acessa), e incriminar desafetos. Por isso eles colocam nome completo e fotos dos "autores". Já fizeram isso com meu marido e com um leitor aqui do blog. Portanto, é preciso sempre contextualizar. Qualquer matéria que trate um "novo" site de ódio como "novo", sem citar os outros, é falha. Imagina que absurdo seria se as polícias começassem a investigar do zero cada novo site de ódio (lançado no mínimo semestralmente). Mascus continuarão fazendo isso porque eles não têm nada melhor pra fazer. É essa mesma a medida do grau de fracasso desses caras repulsivos -- levam uma vida tão m*rda, como diz Anderson, que o ápice de sua existência é criar e divulgar sites m*rda no nome de outras pessoas para provar que odeiam tudo e todos].