Mostrando postagens com marcador sorteio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sorteio. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

12 ANOS DE BLOG

Pessoas queridas, hoje meu bloguinho faz 12 anos! 
Eu em Detroit 12 anos atrás
Na realidade não sei o dia exato em que comecei o blog, apenas que foi no final de janeiro. Era 2008 e eu estava congelando de frio em Detroit, na metade do meu doutorado-sanduíche. 
Muita gente acha que comecei em 1998, porque aqui tem posts dessa data, mas não, foi em 2008 mesmo. 
A professora Carla Rizzotto fez
do meu blog seu objeto de
pesquisa (leia artigo aqui)
É que bem antes disso, desde março de 98 (até o final de 2011), eu escrevia pro jornal catarinense ANotícia. E, quando comecei o blog, tratei de encontrar o máximo de artigos meus que estavam online para colocá-los aqui. 
Comecei o bloguinho sem saber praticamente nada de blogs (ou de internet em geral), e continuo sabendo muito pouco, só o básico. Agora que os blogs estão quase mortos é que não vou aprender mesmo! Mas eu sigo adiante. 
Algumas e alguns de vocês devem ter notado que em junho eu comecei um canal no YouTube, o Fala Lola Fala (por favor, inscrevam-se e apareçam de vez em quando!). De lá pra cá fiz uns vinte vídeos. Estou com 11,300 inscritos, beeem devagar. Por enquanto, vou tocando, mesmo sem grande ânimo.
Eu gosto mais de escrever. Meu problema é, e sempre foi, a falta de tempo. Como vocês sabem, eu não vivo disso. Tenho uma profissão (professora universitária) que exige muita dedicação. Quem é professor(a) sabe.
Não sei quanto tempo vou continuar com o blog e com o canal. Penso em parar de trabalhar (diferente da aposentadoria, que é só quando eu chegar aos 60 mesmo) daqui a alguns anos, e a ideia é parar com tudo, até com o blog. Mas não sei ainda se é isso mesmo que eu quero. 
Grande emoção: almocei com
Laerte em fevereiro do ano
passado, em SP
Só sei que 12 anos de blog é muito, muito tempo, uma eternidade! Mas vou persistindo. Podem deixar que tudo aqui é transparente. Eu nunca abandonaria vocês de repente. Avisaria antes, explicaria. Eu não escondo nada, e o pior: não tenho nada a esconder. Digo "pior" porque não seria emocionante se a minha vidinha fosse cheia de aventuras, contas de banco na Suíça, vários amantes e coletivos secretos, como fantasiam os trolls? Mas não é. É só isso mesmo. What you see is what you get. Não reclamo: eu adoro minha rotina sem sobressaltos. 
Gostaram do selo pra comemorar os doze anos? Foi o Cris Vector que fez! Ele é um artista incrível que fez também a arte do meu canal. Fico super feliz com todas as colaborações fantásticas que consigo. Meu muito obrigada a todxs vocês!
Bom, pra celebrar o aniversário do blog, vou sortear um livro que recebi da editora Matrix. Ainda não tive tempo de ler, chegou esses dias. É Enfrentando o Dragão: O Despertar do Feminismo na China, da jornalista Leta Hong Fincher. Parece fascinante, pois mostra a luta das mulheres para tentar derrubar o patriarcado num sistema autoritário. Se você quer receber este livro, deixe um comentário com seu nome na caixa de comentários. Mas apareça pra conferir depois, porque vou fazer o sorteio já já. 
Abração e muita força pra resistir, pessoas!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

A CRIAÇÃO DO PATRIARCADO, O SORTEIO

Como muitxs de vocês já sabem, saiu a belíssima versão em português do clássico de Gerda Lerner, A Criação do Patriarcado
A publicação da editora Cultrix traz a tradução de Luiza Sellera e um prefácio meu! Neste vídeo no meu canal Fala Lola Fala eu conto um pouco de como foi todo o processo e falo da importância do livro (e de conhecer a história das mulheres).
Vou sortear um exemplar do livro na terça. Pra você participar, basta deixar um comentário aqui nos comentários deste post (com algum tipo de nome, não pode ser anônimo) ou no vídeo no YouTube. Fique atentx pra ver quem ganhou! 

SORTEIO NO DIA 10/12! 
Gente, enumerei todo mundo, considerando apenas a primeira vez dos poucos que comentaram duas vezes. Duas pessoas comentaram no canal do YouTube e no blog; nesses casos, considerei apenas os comentários do YT. Coloquei as pessoas que comentaram no blog depois (ou seja, até o número 65 são as pessoas que comentaram no YT; do 66 em diante, são das pessoas que comentaram no blog). No total foram 95 pessoas. Veja os nomes e números aqui
Gerando um número entre 1 e 95 no Random, o escolhido foi o número 59, correspondente a Maria Carolina Francese. Por favor, Maria Carol, me mande um email (lolaescreva@gmail.com) com seu endereço para que eu possa te enviar o livro. 
Muito obrigada a todas e todos que participaram! Teremos mais sorteios! E, por favor, leiam A Criação do Patriarcado

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

MINHAS PRÓXIMAS PALESTRAS, E SORTEIO PARA VOCÊ PARTICIPAR DE CONFERÊNCIA EM SP

Gente ótima, no dia 31 de outubro vou dar uma palestra na Conferência Web.br 2019, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. 
A conferência, lógico, incluirá muito mais gente do que eu, e acontecerá em dois dias (30 e 31/10). Só que ela é paga. Os organizadores disseram que eu posso levar duas pessoas para assistir os dois dias da Conferência, mas não sei como escolher. Por isso decidi fazer um sorteio. 
Portanto, se vc mora em SP e tiver interesse em ir à Conferência (por sua conta, mas sem pagar a inscrição), deixe um comentário aqui neste post. Vou sortear até domingo, porque preciso enviar os dados das pessoas até segunda! (então não apenas se manifeste aqui, mas fique de olho pra ver se você ganhou). Prometo também fazer um sorteio meio antigo que larguei no meio, o de dois livros. 
Se você é de SP e quiser ver uma palestra minha, teremos muitas oportunidades. E todas gratuitas. 
Vou aproveitar e colocar aqui minhas próximas palestras, já confirmadas:
- Próxima sexta, 4 de outubro, a partir das 17:30, na UERJ: V Seminário Feminista do IESP. Retrocessos e Resistências: novos cenários de conservadorismo global. Mesa 3: Masculinidades: os ataques misóginos na internet. No Rio de Janeiro!
- 15 de outubro, das 18h às 22h, no Sindicato dos Jornalistas. Minicurso sobre mulher e comunicação. Em Fortaleza.
- 19 de outubro, 14h - Democracia roubada: discurso de ódio, desinformação e as plataformas monopolistas digitais - Fórum Nacional pelo Direito à Comunicação (FNDC), em São Luís. 
- 31 de outubro - Nós podemos ter a web que queremos! Conferência Web.br 2019, em SP.
- 5 de novembro - V Colóquio Literatura e Utopia: 1984, hoje. Na Universidade Federal de Alagoas, em Maceió. 
- 6 de novembro – Bienal Internacional do Livro de Alagoas, em Maceió.  
- 7 de novembro, 18h – ECA USP Com-Arte. Compósito M: Diálogos literários e mulheres. Com Cristina Judar e Júlia Hansen, mediadora: Dra. Vima Martin. Em SP.
- 9 de novembro, 10h – Aula sobre violência em ambientes virtuais. Escola Comum, em SP.
- 4 de dezembro, 19h. Ensino de línguas e literaturas: o exercício da palavra como forma de resistência. I SINALLEN – Simpósio Nacional de Língua, Literatura e Ensino. Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Pau dos Ferros, RN.
- 5 de dezembro, 16:30. Conferência de encerramento em congresso na UFC sobre literatura.

UFA! Por enquanto é isso. Eu lembro vocês no Twitter quando as datas se aproximarem. Bom, serão várias cidades (Rio, SP, Fortaleza, Maceió, São Luís, Pau dos Ferros, e ainda estou aguardando pela CPMI das Fake News, em Brasília), então algumas e alguns de vocês eu vou ter que ver (ou rever). Espero que sejam muitxs!


SORTEIO! Pouca gente deixou comentário pra participar da Conferência web, mas tudo bem! Sorteei entre esses 6 nomes, e deu os números 3 e 4. Assim, Rosemeire e Lisa, por favor, mandem um email pra mim com urgência, porque preciso enviar os dados sobre vcs pra organização da conferência o quanto antes (que legal! A Lisa sempre conversa comigo no Twitter!). 
E teve um sorteio que eu não continuei em julho, mil perdões! Aproveito para retomá-lo agora. São dois livros (O Feminismo é feminino?, de Maíra Marcondes Moreira, e o Guia Pussy Riot, que o Claudio ganhou e quer repassar). E os sorteados foram 23-Kasturba pro primeiro livro, e 5-João Paulo pro segundo. Me mandem um email com o endereço pra que a gente possa mandar cada livro pra cada um! (Kasturbinha querida, espero que vc ainda esteja por aqui!). 

sexta-feira, 26 de julho de 2019

O FEMINISMO É FEMININO? A INEXISTÊNCIA DA MULHER E A SUBVERSÃO DA IDENTIDADE

Recebi o que parece ser um ótimo livro da Maíra (ainda não tive tempo de ler). Como ela me enviou três exemplares, vou ficar com um, doar um pra biblioteca da UFC, e sortear um entre vocês. Portanto, se você quiser participar, deixe uma mensagem com algum tipo de nome na caixa de comentários. E verifique depois se vc foi a felizardx!
Outra coisa é que o último livro que sorteei, Um Guia Pussy Riot para o Ativismo, foi para o Claudio Rabelo. Ele leu, gostou muito, e está disposto a passá-lo adiante. Por isso, farei dois sorteios desta vez. Um para o livro da Maíra, e outro para o Guia Pussy Riot, que o Claudio enviará pelo correio para quem ganhar o sorteio. 
Maíra Marcondes Moreira é feminista, psicanalista e doutoranda em Processos de Subjetivação na PUC Minas. Eis seu guest post apresentando seu livro, que pode ser comprado aqui.

A pergunta que dá título ao livro provoca uma série de alusões a discussões presentes dentro e fora do feminismo. Seria o feminismo um movimento em concordância com o que se entende por feminilidade? Seria um movimento sectário, segregacionista e que não aceita homens? Um movimento feito pelas e para as “mulheres de verdade”?
Se em muitos momentos o feminismo aparentou ter superado questões relativas ao eterno feminino, por outro lado, o movimento e seus sujeitos políticos não deixaram de ser nomeados, de forma difamatória, de masculinos e de histéricos. Questiona-se tanto se as feministas são mulheres femininas e o seu fazer político, já que a vida pública e a política são reservadas aos homens!
Mas para além dessas questões surgem outras cruciais para nosso tempo e para repensarmos o feminismo, como: a discriminação que as mulheres trans e pessoas não binárias sofrem dentro do próprio movimento; o alcance midiático que o feminismo liberal alcançou nos últimos anos, produzindo novos imperativos sobre o que seria uma mulher empoderada e emancipada às custas da exploração de mulheres pobres, racializadas e de sexualidades dissidentes; a promoção de discursos corporativistas sobre "diversidade" e "oportunidades" no mercado de trabalho; e os projetos paternalistas do Estado, “preocupado” em proteger as mulheres, pois estas seriam vítimas indefesas e passivas que dependem inteiramente de um Estado punitivista e responsivo às suas demandas.
Todas essas questões perpassam, de um modo ou de outro, o livro. Porém, a pergunta se encontra deslocada dos sentidos que atribuímos inicialmente. Interessa ao livro questionar a categoria identitária como premissa do feminismo, sem que isso o leve necessariamente a um feminismo classista ou interseccional.
As políticas pós-identitárias no feminismo e políticas queer apontam para um novo entendimento do feminismo. Não mais pautado em responder quem de fato seria a mulher do feminismo (cis, branca, hétero etc), criam-se novas maneiras de se pensar a política. Se comumente entendemos a política a partir de critérios de identidade, representação, unidade e universalidade, esta fica confinada a práticas institucionais, o que faz com que seus sujeitos careçam de imaginação política para romper com a lógica prescrita.
Como pensar a ação política fora da premissa identitária e quais as consequências disso? Como colocar os corpos em assembleia senão por um ideal identificatório? Essas são questões que há muito interessam a filósofa Judith Butler, cujo livro Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade é um marco no feminismo e estudos queer. 
A proposta do meu livro é pensar esse modo de se fazer política dentro do feminismo, conforme proposto por Butler, a partir de outra corrente de pensamento contemporânea ao feminismo, a psicanálise. 
Se por um lado a autora se refere à dificuldade de consistir quem seria a mulher do feminismo, e os processos de segregação contra mulheres em situação precarizada dado a outras opressões que elas se encontram sujeitas, a psicanálise opera por um viés anti-identitário quando Lacan anuncia que “a mulher não existe”.
Se essa frase já causou rebuliço dentro do movimento feminista outrora, hoje podemos dizer que ela está à altura de seu tempo. Um feminismo não identitário é um feminismo feminino, não em sentido de sexo, nem de gênero, nem de feminilidade, mas de gozo e de lógica. Não há para nós mulheres um mito do matriarcado e é por isso que somos nós quem podemos subverter o patriarcado e operar politicamente fora dele.
Não se trata de criticar e jogar por terra as políticas identitárias, classistas e intersecionais, mas de propor, não só, que há um modo feminino de ação política e mais, que o feminino é político! Este é um livro importante para aqueles que se interessam pelos modos de ação política, formas de reconhecimento e debate entre psicanálise, feminismo e teoria queer.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

QUEM FAZ ANIVERSÁRIO SOU EU, MAS QUEM GANHA PRESENTE É VOCÊ!

Quem matou Marielle Franco? é a pergunta da camiseta

Gente boa, como eu disse ontem, hoje é meu aniversário! Dia de completar 52 anos. É a 11a vez que comemoro isso aqui no blog!
Nessa idade, a gente nem celebra mais aniversário. Mas quero usar esse post pra sortear um excelente livro que recebi da editora Ubu. Quase sempre que me enviam livros, peço para mandarem três exemplares: um pra mim, um que eu entrego pra biblioteca da UFC, e um terceiro que eu sorteio entre vocês. 
Foi o que a Ubu fez: me enviou três exemplares de Um Guia Pussy Riot para o Ativismo, de Nadya Tolokonnikova. 
Vocês devem lembrar que, em 2012, um caso teve repercussão internacional: três integrantes do grupo de punk rock Pussy Riot entraram na maior igreja da Rússia com os rostos cobertos e cantaram no altar uma música de protesto contra Putin. 
A música denunciava que havia homossexuais presos na Sibéria e pedia: "Virgem Maria, mãe de Deus, vire feminista!"
As jovens foram jogadas na cadeia e o mundo inteiro as viu como o que são -- presas políticas. 
Nadya, hoje com 29 anos, escreveu este livro com dez capítulos, ou regras de como se fazer ativismo: 1) seja pirata, 2) faça você mesmx, 3) recupere a alegria, 4) faça o governo cagar nas calças, 5) seja um delinquente artístico, 6) identifique os abusos de poder, 7) não desista fácil. Resista. Organize-se, 8) escape da prisão, 9) crie alternativas, 10) sejamos pessoas. 
Como Nadya escreve na página 15: "O panorama é sombrio. Faz com que pensemos que a política é chata e inútil e que não vale a pena nos envolvermos com ela, porque não temos como alterar esse quadro. Mas digo que é possível. Basta tratarmos do assunto tendo em mente pessoas de carne e osso. É simples: a assistência médica, a educação, o livre acesso à informação, sem censura. Temos de parar de gastar nossos recursos com drones, mísseis balísticos intercontinentais e serviços de inteligência excessivamente voyeurísticos. Temos que remuneras as pessoas pelo trabalho ao qual se dedicam; não somos escravos. E tudo isso é possível -- mudar o estado das coisas é muito mais factível do que nos fizeram acreditar". 
Vale lembrar que o mundo estava bem menos pior em 2012 do que hoje, que temos no poder fascistas abertamente misóginos, racistas e LGBTfóbicos como Trump e Bolsonaro (além de Putin, que continua comandando a Rússia). A desigualdade social não para de crescer, há cada vez mais jovens desempregados, o abismo entre os mais ricos e os mais pobres só aumenta. Por isso o livro de Nadya é mais importante do que nunca. 
Quem quiser participar do sorteio do Guia Pussy Riot para o Ativismo, deixe um comentário aqui na caixa deste post. Só um comentário será contado por pessoa. Por favor, deixe algum tipo de nome ou identificação (anônimos ou "unknowns" não serão considerados). Até o final de semana eu faço o sorteio, entro em contato com a vencedora ou vencedor (por isso peço que vocês prestem atenção no resultado do sorteio -- não desapareça!), a pessoa me passa o endereço, e eu mando o livro pelo correio pra ela. 
O ativismo é fundamental pra salvar o nosso país da extrema direita. E pra fazer com que um projeto que é inimigo da educação e do bem-estar da população não volte nunca mais.
UPDATE: O número sorteado foi o 66, e o vencedor foi o poeta e artista plástico Claudio Rabelo, muito ativo no Twitter! Ele já me mandou seu endereço. Amanhã já mando o livro pra ele.
UPDATE em 18/6/19: Cláudio posando com seu livro!
 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

GUEST POST: DELÍRIOS E REFLEXÕES SOBRE A VIOLÊNCIA DE TER QUE CUIDAR

Publico hoje, com muita honra, o guest post da jornalista Bia Barros. Ela é autora de um belo livro chamado Madalena, Alice, que foi premiado em Portugal e lançado no ano passado na Flip pela editora Nós.
A Bia fez a gentileza de me enviar três exemplares do livro (um pra mim, outro pra biblioteca da UFC, e outro pra sortear entre vocês). Então deixem seu nome nos comentários do post que eu vou sortear o livro até sexta. Mas apareçam pra saber quem ganhou. A vencedora ou vencedor do sorteio precisa me mandar o endereço por email pra eu poder mandar o livro da Bia pelo correio! 
Fiquem com este lindo texto da Bia apresentando o livro.

Em 2015, trouxe minha mãe com Alzheimer para morar comigo, em São Paulo. Minha mãe tinha basicamente dois tipos de delírio: precisava voltar logo pra casa porque meu pai brigaria com ela por ter saído, e também um homem que estava sempre à espreita para lhe fazer algum mal. A convivência diária com os medos dela me inspiraram a escrever um livro sobre as diferentes formas de violência que as mulheres vivenciam em sua rotina. 
O livro chamado Ausência foi premiado, em Portugal, com menção honrosa no Prêmio UCCLA -– Novos Talentos, Novas obras em Língua Portuguesa -– e publicado no Brasil pela editora Nós, com o título Madalena, Alice, na Flip em 2018. 
No Brasil, a violência de gênero tem endereço certo. Estima-se que cinco mulheres são espancadas a cada dois minutos. Uma mulher é morta a cada duas horas. E, apesar de termos uma ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que diz irresponsavelmente que lugar da mulher é em casa -- mesmo ciente que o parceiro  (marido, namorado ou ex) é o responsável por mais de 80% dos casos violência --, as mulheres já entenderam que o lar não é um ambiente seguro para elas. 
A violência  de gênero começa em casa. Começa no momento que a mãe privilegia o filho homem em detrimento da filha. Quando a filha é obrigada a fazer os serviços domésticos enquanto o menino brinca. Quando o controle do corpo, da sexualidade e da vida da menina vai além dos muros da casa. Quando suas roupas, as formas que senta, gesticula e fala são marcadores da sua reputação e moral. E termina no momento da morte, quando a filha, a mãe ou a esposa têm que abdicar da própria vida para cuidar dos seus doentes.
Como o cuidado é pensado como essencialmente feminino, essas mulheres são invisíveis ao Estado e têm que carregar seus doentes no lombo, sem direitos, sem benefícios, sozinhas. O que nunca ninguém fala é sobre o horror dessa rotina de cuidadora. O horror de não conseguir conciliar com trabalho porque o doente fica completamente dependente. Os altos custos que uma doença traz. Para vocês terem uma ideia, eu gastava mensalmente com a minha mãe R$ 3 mil somente com remédios e fraldas (fora a comida enteral e as cuidadoras e outras demandas que surgem com a enfermidade).
E, por fim, o horror de   lidar com uma Justiça completamente apartada da realidade das pessoas, que em vez de simplificar a situação do incapacitado e da cuidadora, bloqueia os recursos, criando um sufocamento à distância. Não é à toa que quase 70% das cuidadoras desenvolvem alguma doença psiquiátrica, como depressão, síndrome de burnout ou síndrome de estresse pós traumático.
Em Madalena, Alice essas violências são expostas, tanto pela perspectiva da mãe como da filha. Nos delírios de Madalena e nas reflexões de Alice a história das mulheres se confunde com a própria tecnologia da dominação porque somos estruturalmente produzidas dentro dessa logica patriarcal, misógina, racista e heteronormativa.  
Não é um livro fácil. Ele é sufocante, claustrofóbico e bem pesado. Mas ele é um olhar para si. Um livro que pretende mostrar a loucura por dentro e o que somos nós diante dessas violências. É um livro que fala sobre medo, sobre envelhecimento, mas também sobre  amor e superação. Uma história para nos fazer pensar sobre a espiral de medos e culpas que nos constituem. Uma história onde a jornada do herói não é apoteótica porque nossa guerra começa no nosso lar. Nossa batalha é contra nossos pais, irmãos mães, filhas, tias e sobretudo contra nós mesmas. 
SORTEIO! Realizei o sorteio no sábado, dia 2 de março! Pra ver como fiz o sorteio e quem participou, veja aqui. Quem ganhou foi uma comentarista bastante frequente do blog, a Hele Silveira! Parabéns, Hele! Por favor, me mande seu endereço para que eu possa te enviar o livro depois do Carnaval. E gente, tenho outros livros pra sortear, então fiquem atentas. E se alguém quiser me mandar 3 exemplares do seu livro, eu faço assim: fico com um, dou um pra biblioteca da UFC, e sorteio um entre minhas queridas leitoras e leitores!