Detestei A Proposta com todas as minhas forças, e estou chegando à conclusão de que terei que bo
icotar comédias românticas. Ou seja, daqui a pouco deixo de ir ao cinema. E eu amo filmes. Mas pô, ver o mesmo desfile de piadinhas machistas sem graça e estereótipos de gênero pela centésima vez é demais. As pessoas nem notam: Proposta é o maior sucesso da Sandra Bullock em vários anos. Mas é um besteirol sem tamanho. Ela faz uma editora de livros mandona que é chamada de “vadia” apenas por ter poder. E, obviamente, como ela é bem-sucedida no trabalho, ela não tem amigos, bichinhos, e oh-meu-deus-como-ela-sobrevive namorado. Aliás, ela não tem vida pessoal, ponto. E por isso, por estar faltando algo tão importante em sua vida (homem, filhos), ela é infeliz e antipática. O clichê todo. Daí dá um problema no seu visto, porque ela é canadense, e será depo
rtada da Terra Prometida, os EUA. E ela tem a brilhante ideia de se casar com seu secretário, Ryan Reynolds, que a odeia. Para manter as aparências, eles têm que passar um fim de semana juntos numa mansão no Alasca, onde a família rica de Ryan mora, e... e após dez minutos de filme, todo mundo sabe como termina a história. Que dez minutos, qual! Basta dar uma olhada no cartaz!
E até que a trama poderia ser minimamente sexy, mas não é. Pra variar, é extremamente conservadora. Compare com Aconteceu Naquela N
oite, em que o Clark Gable e a Claudette Clolbert precisam dividir um quarto de hotel. Naquela cena há tensão erótica, e olha que o filme é de, deixa eu ver, 75 anos atrás. E Crepúsculo, então? A Bela come o vampirinho albino com os olhos. Aqui, Sandra e Ryan parecem nem se conhecer. Primeiro, qual o problema em dormir na mesma cama de casal? Eu já dormi com amigas na mesma cama e foi uma tarefa árdua, mas a gente resistiu às tentações. Eu durmo com meus gatinhos na mesma cama, e mesmo ass
im não sou chegada à zoofilia. Eu durmo com o maridão na mesma cama, e pergunte se rola sexo todo ano, digo, todo dia? Mas segundo, qual o problema de Sandra e Ryan transarem? Ambos são livres e desimpedidos. Ela diz que não faz sexo há um ano e meio; ele não diz faz quanto tempo tá sem. Eles estão lá, no mesmo quarto, e tem até lareira - por que não aproveitam? Não, não pode: em comédia romântica americana o casal principal só
transa com uma aliança no dedo e muito amor no coração. Eu fico impressionada.
E tem uma cena em que os dois, nus, se chocam um contra o outro, completamente sem querer (não pergunte). E o clima é de ó meu Deus, cubram-se! Porque cruzes, a Sandra provavelmente nunca viu um pênis antes! E o Ryan nunca viu uma mulher vestindo macacão cor de pele pra cobrir sua nudez! Quer dizer... Isso eu também nunca tinha visto, ao menos não tão evidente. Aliás, a cen
a da Sandra “nua” no banheiro concorre na categoria Piores Efeitos Especiais com uma outra em que uma águia pega um cachorrinho (não pergunte parte II). A próxima vez que alguém falar que Os Pássaros do Hitchcock tá malfeito, vou mencionar o pássaro grandão de A Proposta.
Mas pra mim o maior mistério do filme é o que o Ryan Reynolds tá fazendo lá. Sei não, pra um cara ser bonito, na minha opinião, tem que ter alguma personalidade. No rosto do Ryan parece estar es
crito "Aluga-se". Vago. Não tem nenhuma expressão. Como que esse cara se torna um galã? Um protagonista de filmes? Eu só posso usar a frase do maridão: Alguém faltou? Eu olho pro Ryan e me lembro do Bush quando jovem. Isso é perturbador. E olha, acho legal que a Sandra faça par romântico com um cara doze anos mais novo. Mas, na vida real, alguém não mencionaria a diferença? E sabe por que o personagem do Ryan não pode ser interpretado por um ator mais velho, né? Porque como que um carinha de 45 anos seria secretário? E de uma mulher, ainda por cima?! Não! Seria um fracassado. Aí fazem dele um cara jovem, e, pra compensar, de família rica.
As outras pessoas no elenco tem papéis sem relevância. Coitado do Craig T. Nels
on, que faz o pai do rapaz! Lembra dele em Poltergeist? E a Mary Steenburgen, de um filme que eu adoro, O Tiro que Não Saiu pela Culatra? Em Proposta ela interpreta a mãe do Ryan. E mãe de galã em comédia romântica só tem dois tipos: zero à esquerda ou megera. Ponha um xiszinho na primeira opção. Ah, e só descobri que o carinha que faz o garçom/stripper/balconista (enfim, o único que trabalha no filme. Deve ser coincidência que ele seja latino) é o Oscar Nuñez, do The Office. Mas alguém me explica por que é tão engraçado um bando de mulheres assistirem um striptease masculino. Quando aparecem homens vendo mulheres fazendo striptease, geralmente eles não es
tão morrendo de rir, muito menos as strippers. Mas parece que mulher não pode ver homem fazendo striptease sem cair na risada. É por que ela tá subvertendo o modelo tradicional? E isso é tão divertido?
A única piada do filme é uma sobre internet discada. Dura dois segundos. De resto, fico feliz que uma mulher, Anne Fletcher, possa estar dirigindo um filme (e eu gostei pacas do anterior, Vestida para Casar. Talvez eu tenha sido a única). Mas tem que entregar uma comédia romântica idêntica às porcarias que os diretores homens fazem? E não estou exagerando quando digo porcaria. (Spoiler:) No final, enquanto o casal apaixonado se beija no escritório, todas as moças-figurantes fazem Ohhhh, e carinha enternecida. Patético. E os marmanjos fazem gestos de macho. Blergh. Mas o pior, pior mesmo, é que al
gum colega de trabalho grita pro Ryan: “Mostre a ela quem é o chefe!”. A câmera fica no Ryan e Sandra se beijando, e vem a frase. Porque é essa a moral da história, né? Você têm muita sorte de eu não falar palavrão. Mas o que eu acho deste filminho rima com Proposta.
icotar comédias românticas. Ou seja, daqui a pouco deixo de ir ao cinema. E eu amo filmes. Mas pô, ver o mesmo desfile de piadinhas machistas sem graça e estereótipos de gênero pela centésima vez é demais. As pessoas nem notam: Proposta é o maior sucesso da Sandra Bullock em vários anos. Mas é um besteirol sem tamanho. Ela faz uma editora de livros mandona que é chamada de “vadia” apenas por ter poder. E, obviamente, como ela é bem-sucedida no trabalho, ela não tem amigos, bichinhos, e oh-meu-deus-como-ela-sobrevive namorado. Aliás, ela não tem vida pessoal, ponto. E por isso, por estar faltando algo tão importante em sua vida (homem, filhos), ela é infeliz e antipática. O clichê todo. Daí dá um problema no seu visto, porque ela é canadense, e será depo
rtada da Terra Prometida, os EUA. E ela tem a brilhante ideia de se casar com seu secretário, Ryan Reynolds, que a odeia. Para manter as aparências, eles têm que passar um fim de semana juntos numa mansão no Alasca, onde a família rica de Ryan mora, e... e após dez minutos de filme, todo mundo sabe como termina a história. Que dez minutos, qual! Basta dar uma olhada no cartaz!E até que a trama poderia ser minimamente sexy, mas não é. Pra variar, é extremamente conservadora. Compare com Aconteceu Naquela N
oite, em que o Clark Gable e a Claudette Clolbert precisam dividir um quarto de hotel. Naquela cena há tensão erótica, e olha que o filme é de, deixa eu ver, 75 anos atrás. E Crepúsculo, então? A Bela come o vampirinho albino com os olhos. Aqui, Sandra e Ryan parecem nem se conhecer. Primeiro, qual o problema em dormir na mesma cama de casal? Eu já dormi com amigas na mesma cama e foi uma tarefa árdua, mas a gente resistiu às tentações. Eu durmo com meus gatinhos na mesma cama, e mesmo ass
im não sou chegada à zoofilia. Eu durmo com o maridão na mesma cama, e pergunte se rola sexo todo ano, digo, todo dia? Mas segundo, qual o problema de Sandra e Ryan transarem? Ambos são livres e desimpedidos. Ela diz que não faz sexo há um ano e meio; ele não diz faz quanto tempo tá sem. Eles estão lá, no mesmo quarto, e tem até lareira - por que não aproveitam? Não, não pode: em comédia romântica americana o casal principal só
transa com uma aliança no dedo e muito amor no coração. Eu fico impressionada. E tem uma cena em que os dois, nus, se chocam um contra o outro, completamente sem querer (não pergunte). E o clima é de ó meu Deus, cubram-se! Porque cruzes, a Sandra provavelmente nunca viu um pênis antes! E o Ryan nunca viu uma mulher vestindo macacão cor de pele pra cobrir sua nudez! Quer dizer... Isso eu também nunca tinha visto, ao menos não tão evidente. Aliás, a cen
a da Sandra “nua” no banheiro concorre na categoria Piores Efeitos Especiais com uma outra em que uma águia pega um cachorrinho (não pergunte parte II). A próxima vez que alguém falar que Os Pássaros do Hitchcock tá malfeito, vou mencionar o pássaro grandão de A Proposta.Mas pra mim o maior mistério do filme é o que o Ryan Reynolds tá fazendo lá. Sei não, pra um cara ser bonito, na minha opinião, tem que ter alguma personalidade. No rosto do Ryan parece estar es
crito "Aluga-se". Vago. Não tem nenhuma expressão. Como que esse cara se torna um galã? Um protagonista de filmes? Eu só posso usar a frase do maridão: Alguém faltou? Eu olho pro Ryan e me lembro do Bush quando jovem. Isso é perturbador. E olha, acho legal que a Sandra faça par romântico com um cara doze anos mais novo. Mas, na vida real, alguém não mencionaria a diferença? E sabe por que o personagem do Ryan não pode ser interpretado por um ator mais velho, né? Porque como que um carinha de 45 anos seria secretário? E de uma mulher, ainda por cima?! Não! Seria um fracassado. Aí fazem dele um cara jovem, e, pra compensar, de família rica.As outras pessoas no elenco tem papéis sem relevância. Coitado do Craig T. Nels
on, que faz o pai do rapaz! Lembra dele em Poltergeist? E a Mary Steenburgen, de um filme que eu adoro, O Tiro que Não Saiu pela Culatra? Em Proposta ela interpreta a mãe do Ryan. E mãe de galã em comédia romântica só tem dois tipos: zero à esquerda ou megera. Ponha um xiszinho na primeira opção. Ah, e só descobri que o carinha que faz o garçom/stripper/balconista (enfim, o único que trabalha no filme. Deve ser coincidência que ele seja latino) é o Oscar Nuñez, do The Office. Mas alguém me explica por que é tão engraçado um bando de mulheres assistirem um striptease masculino. Quando aparecem homens vendo mulheres fazendo striptease, geralmente eles não es
tão morrendo de rir, muito menos as strippers. Mas parece que mulher não pode ver homem fazendo striptease sem cair na risada. É por que ela tá subvertendo o modelo tradicional? E isso é tão divertido? A única piada do filme é uma sobre internet discada. Dura dois segundos. De resto, fico feliz que uma mulher, Anne Fletcher, possa estar dirigindo um filme (e eu gostei pacas do anterior, Vestida para Casar. Talvez eu tenha sido a única). Mas tem que entregar uma comédia romântica idêntica às porcarias que os diretores homens fazem? E não estou exagerando quando digo porcaria. (Spoiler:) No final, enquanto o casal apaixonado se beija no escritório, todas as moças-figurantes fazem Ohhhh, e carinha enternecida. Patético. E os marmanjos fazem gestos de macho. Blergh. Mas o pior, pior mesmo, é que al
gum colega de trabalho grita pro Ryan: “Mostre a ela quem é o chefe!”. A câmera fica no Ryan e Sandra se beijando, e vem a frase. Porque é essa a moral da história, né? Você têm muita sorte de eu não falar palavrão. Mas o que eu acho deste filminho rima com Proposta.

