quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

GUEST POST: "SOFRI PSICOFOBIA E DEIXEI DE SER CONTRATADA"

A jornalista Shaonny Takaiama já publicou três ótimos guest posts aqui no blog (este, este, e este). Este é o quarto, para narrar um relato triste e bem recorrente. Por conta da psicofobia, uma faculdade cancelou sua contratação.
Há vários pontos para discutir: existe sim preconceito contra quem sofre de doenças mentais (cerca de 21% da população brasileira)? Mas por quê, se esses transtornos podem ser controlados hoje em dia? Outro ponto: o que deve ser dito numa entrevista de emprego? Como agir num caso de discriminação flagrante desses (com processo?)? (Trolls, vocês não são bem-vindos). 
Conta tudo, Shaonny!

Eu passei o ano de 2017 inteiro tentando conseguir um emprego dentro da minha área de atuação -- jornalismo -- e numa cidade que não possui mercado de trabalho para isso. Quando essa porta finalmente se abriu, eu não acreditei. Era o emprego dos meus sonhos, a cinco minutos da minha casa, salário legal, a empresa parecia ser maravilhosa e ter um ótimo ambiente de trabalho, colegas muito legais, uma futura gestora bacana e compreensiva. Eu estava nas nuvens, pois passei muitas dificuldades no ano passado. Já estava tudo certo com a minha contratação. Até eu dizer, honestamente, por orientação do meu psiquiatra, do meu psicólogo e da médica do trabalho, que eu sou bipolar e borderline.
Foram três profissionais renomados me recomendando, de forma bastante assertiva, a falar isso para a minha futura gestora, para que eu não tivesse problemas no futuro ou pudesse ser demitida por justa causa caso eles descobrissem. E eu fui lá, reuni toda a coragem, e contei pra ela. A reação dela foi elogiar minha honestidade e dizer que isso contou pontos com ela, mas que ela teria de levar o caso para o diretor da instituição. Achei que o fato de eu ter sido honesta e provar para eles com laudos médicos assinados pelo meu psiquiatra e meu psicólogo de que estou estável mentalmente e apta para trabalhar seria considerado uma virtude. Mas me enganei.
Eles cancelaram o processo de contratação na hora -- eu até já tinha aberto a conta salário e feito o exame admissional. 10 de janeiro seria o dia que eu levaria os documentos para o RH com o laudo do psiquiatra, mais o laudo da médica do trabalho -- que me pediu dois laudos, do psicólogo e do psiquiatra. Eu começaria a trabalhar imediatamente, assim que estas questões burocráticas fossem resolvidas. Estava tudo certo mesmo. Sabem qual foi a alegação que eles me deram para cancelar a minha contratação? De que eu deveria ter dito no ato da entrevista de emprego que eu sou bipolar e borderline! Quem faz isso, minha gente?
Sério, durante uma entrevista de emprego, você já sai contando todas as suas doenças? Durante uma entrevista de emprego, você contaria que tem depressão, hepatite, ou que é soropositivo? Eu mencionei as minhas doenças logo após o exame admissional, ou seja, no momento certo. Eu não omiti nada, e eles tiveram o cinismo de alegar que eu omiti informações importantes na entrevista, sendo que ali não era o momento para falar e eu nem sequer fui questionada sobre esse assunto, pois, se tivesse sido, eu contaria sem medo toda a verdade. 
Outra coisa: por lei, não sou obrigada a revelar as minhas informações médicas para ninguém. Elas são sigilosas e esta instituição, ao dizer que era minha obrigação revelá-las já no ato da entrevista, está mostrando que não conhece o básico das leis trabalhistas.
Foi preconceito sim. Eu fui punida pela minha honestidade. Eles alegaram que eu omiti informações importantes no ato da entrevista e que, por causa disso, houve quebra de confiança com a instituição. Uma desculpa esfarrapada para não mostrarem o quanto são psicofóbicos, pois sabem que isso é considerado crime de discriminação.
Essa instituição é uma renomada faculdade voltada para a área do Direito, que se orgulha do fato de ter muitas décadas de tradição e ser considerada a melhor da região. A instituição em questão quer se modernizar, porém, ainda vive na década de 50. Não acompanhou os avanços da luta antimanicomial no Brasil, não sabe que hoje uma pessoa com um transtorno mental é perfeitamente capaz de trabalhar, desde que se trate corretamente, e este é o meu caso.
É triste que, por mais que falemos tanto em inclusão, quando o assunto são as doenças mentais, ainda vivemos na década de 50. Muitas pessoas (e parece ser o caso da empresa) ainda acreditam que o melhor para quem é neuroatípico é viver internado num hospital psiquiátrico, ou se aposentar, conseguir um benefício social etc. Eu não quero benefícios! Quero um emprego!
Os tratamentos evoluíram muito desde a década de 50. Até a minha doença mudou de nome. Antes, era chamada de psicose maníaco-depressiva e hoje é chamada de Transtorno Bipolar do Humor. Você vive normalmente e com qualidade de vida, é capaz de trabalhar e ter relacionamentos estáveis, se tomar seus remédios, fazer terapia, atividade física, cuidar do sono e da alimentação, ter um hobby e/ou uma religião ou seguir uma filosofia de vida, algo que te dê suporte nos momentos difíceis. 
Eu faço tudo isso, levo muito a sério o meu tratamento psicoterapêutico. Não bebo, não fumo, não vou em baladas, não uso drogas, cuido do meu sono, da minha alimentação, frequento a minha religião e, nas horas vagas, dou vazão à minha veia artística escrevendo, tecendo mandalas de lã, e fazendo artesanato. Em suma: sou super regrada.
Tudo que eu mais quero nessa vida é trabalhar, ser independente e viver do meu trabalho dignamente. Quem me conhece sabe da excelência do meu trabalho. Tenho um ótimo portfólio jornalístico, e escrevo também textos mais autorais e literários. Meus antigos colegas sempre me consideraram uma profissional acima da média. É só olhar no meu LinkedIn e ver os elogios que eu já recebi de antigos chefes -- e todos eles sempre souberam das minhas doenças.
Apesar de eu ser uma profissional dedicada e talentosa, que ama o que faz, uma empresa não me deu uma oportunidade de emprego porque parece só ver um lado meu: o lado da doença. Mas eu sou muito mais do que a minha doença. Eu sou Shaonny Takaiama, jornalista que, em outros tempos, quando trabalhava em grandes jornais, foi reconhecida nacionalmente, recebia cartas de leitores elogiando seu trabalho, foi convidada a trabalhar na Folha de São Paulo sem nem sequer mandar currículo.
Essa instituição que me negou o direito ao trabalho por pura PSICOFOBIA nem se deu ao luxo de ligar para meus antigos chefes para saber se a minha doença influenciava de alguma forma na qualidade do meu trabalho. Eles poderiam ter investigado mais a fundo, conversado com meus antigos gestores, com o meu psiquiatra e o meu psicólogo.
Quantos bipolares, borderlines e esquizofrênicos não foram artistas, cantores, pintores e atores memoráveis? A história mostra que há uma variedade enorme deles. Só aqui no Brasil, temos o jornalista Ricardo Boechat, que sofre de depressão e fala abertamente sobre isso, temos também a atriz Cássia Kiss, que é bipolar, temos o Jô Soares, que sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), temos o Selton Mello, que também sofre de depressão, 
temos o Padre Marcelo Rossi, outro portador de depressão, temos as cantoras Marina Lima, Zizi Possi e Paula Fernandes e a apresentadora Fernanda Lima, também portadoras de depressão -- o mal do século --, também temos o Maurício Mattar, outro bipolar como eu, a atriz Luciana Vendramini, que tem TOC e bipolaridade, o cantor Roberto Carlos, outro portador de TOC, a maravilhosa da Rita Lee, que também é bipolar, e a lista segue, imensa.
Todas estas pessoas citadas acima são ativas profissionalmente! Todas elas!
Psicofobia é crime previsto em Lei e dá cadeia. A Lei 236/12, criada pelo senador Paulo Davim, prevê como crime de discriminação cometer abuso ou desrespeito contra transtornados ou deficientes mentais. Também foi aprovada pela Comissão de Direitos Humanos, em maio de 2014, a PLS 74/14, para o crime ser enquadrado no Código Penal como injúria, e prevê pena de 2 a 4 anos a quem praticar psicofobia.
Este tipo de preconceito é real e é criminoso. É discriminação pura e simples. E dói muito, viu, gente? Dói muito você saber das suas capacidades e qualidades profissionais e o mundo te ver como uma pessoa inferior e incapaz.
Aliás, é justamente o fato de eu ser fora da curva que faz de mim a profissional acima da média que eu sou. Caso não saibam, o transtorno bipolar tem duas qualidades que ainda estão sendo estudadas pelos especialistas: bipolares são criativos e muito inteligentes por natureza. 
Vejam a gigantesca lista de bipolares famosos (a maioria são estrangeiros) que eu consegui reunir: temos o ator Jean-Claude Van Damme, a cantora Amy Winehouse (que era borderline), a cantora Demi Lovato, a atriz Catherine Zeta-Jones, a cantora Sinead O' Connor, a atriz Carrie Fisher (a princesa Leia, de Star Wars), o ex-presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln, a escritora Agatha Christie, a cantora Amy Lee, da Banda Evanescence, Axl Rose, o vocalista do Guns n' Roses, a cantora Britney Spears, o astronauta Buzz Aldrin, o ator Cary Grant, o cantor Cazuza, 
o ator Charles Chaplin, o escritor Charles Dickens, o autor Edgar Allan Poe, o cantor Elvis Presley, a atriz Elizabeth Taylor, os escritores Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald, o poeta Fernando Pessoa, o cineasta Francis Ford Coppola, os escritores Hans Christian Andersen e Honore de Balzac, o cientista Isaac Newton, a cantora Janis Joplin, o ator Jim Carrey, o cantor Jimi Hendrix, Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, o escritor Leon Tolstoy, a atriz Marilyn Monroe, o autor Mark Twain, o ator Mel Gibson, o artista Michelangelo, o general Napoleão Bonaparte, o compositor Peter Tchaikovsky, Phil Graham, dono do jornal Washington Post, o filósofo Platão (de acordo com a opinião de Aristóteles), o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, o ator Robin Williams, o pai da Psicanálise Sigmund Freud, 
o ator, comediante e escritor Stephen Fry (Além de ser portador do transtorno, Fry gravou um documentário sobre a vida dos bipolares que foi ao ar na BBC). E também o escritor Tennessee Williams, o político Ulisses Guimarães, o poeta Victor Hugo, o pintor Vincent van Gogh (alguns especialistas acreditam que ele era esquizofrênico, não há consenso, mas, de qualquer forma, ele também era neuroatípico), a escritora Virginia Woolf, a atriz Vivien Leigh, de E O Vento Levou, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o compositor Wolfgang Amadeus Mozart.
Se, para todas essas pessoas brilhantes e geniais, o transtorno bipolar do humor nunca foi um impedimento para que elas criassem obras memoráveis e deixassem sua marca no mundo, eu garanto que para mim isso também não é e nunca foi um impeditivo para eu trabalhar e ser elogiada. Mas o preconceito das empresas sim é um enorme impedimento para eu exercer o meu trabalho e deixar a minha marca no mundo.
Se puderem, peço que espalhem este texto, pois a mensagem tem que chegar ao máximo de pessoas que sofrem com isso. Está na hora do mundo mudar. Está na hora da cultura das empresas mudar. Abrem espaço para pessoas com deficiência física trabalharem (o que é ótimo e justo), mas não para pessoas neuroatípicas. 
Não sou eu que estou errada. É o mundo que está muito errado. E eu não vou deixar de expressar a minha indignação diante da discriminação que sofri. Esta não sou eu. 
Eu não me calo diante das injustiças. E esta luta não é só minha. Tenho certeza que não fui a única pessoa discriminada por ser borderline.
Gravei também um vídeo explicando com mais detalhes tudo o que aconteceu comigo.

61 comentários:

Anônimo disse...

Se vc fosse contratada os seus problemas psicológicos seriam um escudo para proteger vc de qualquer erro que vc cometesse

Anônimo disse...

Acredito em tudo que a autora disse. Mas também entendo um pouco o lado da empresa. A própria autora listou um monte de condicionantes à plena sanidade mental do portador da doença: “se tomar seus remédios, fazer terapia, atividade física, cuidar do sono e da alimentação, ter um hobby e/ou uma religião ou seguir uma filosofia de vida, algo que te dê suporte nos momentos difíceis.” É muito “se”. Tem que confiar muito que o empregado vai conseguir manter todos esses “ses” em dia.

Anônimo disse...

Nossa que coisa Creude, onde ja se viu isso...

titia disse...

O único transtorno mental/problema psicológico pro qual as empresas não ligam é a psicopatia. Entre numa empresa e vai ter psicopata às pencas, porque eles não se importam com coisinhas tipo ética e honestidade então acabam rendendo muita grana pra empresa. Boa sorte pra você, Shaony, e que o novo emprego seja melhor que o antigo.

M. disse...

Eu tenho depressão crônica. Preciso tomar remédios pro resto da vida e levar bem a sério meu tratamento. Nunca precisei me afastar do trabalho, mas já houve épocas em que meu rendimento caiu. Nunca nem pensei em contar para um empregador sobre minha condição. Tenho medo de sofrer preconceito. Acho que no caso da autora, os especialistas não contavam com a ignorância das pessoas a respeito do assunto. Quem é bem informado, sabe que é possível ter um transtorno mental e ser perfeitamente funcional.

Anônimo disse...

Anon das 14:56

Mas se alguém tem um problema crônico de qualquer tipo tb serão muitos SES. Quem tem problema de coração precisa tomar os remédios, se exercitar moderadamente, se alimentar de forma saudável, não passar por situações prolongadas de stress, não beber ou fumar... E as pessoas com grande predisposição ao câncer? Devem contar para o empregador? Uma empresa pode usar doenças controladas em candidatos para não os selecionar? Acho que essas são questões muito relevantes.

Anônimo disse...

Não sei se foi uma boa idéia citar Amy Whinehouse e Kurt Cobain depois de alegar que houve preconceito.

Complicado.

Anônimo disse...

Tem uma regra número zero nos RHs das empresas: Nunca contratar alguém que depois não possa ser demitido.

Parece que foi o caso.

Anônimo disse...

Concordo.

Anônimo disse...

Eu não contaria algo tão pessoal e que obviamente poderia me prejudicar se eu precisasse mto do emprego. O próprio ato de contar já pode demonstrar uma impulsividade típica de bipolares, por exemplo. Tbm não contaria caso tivesse HIV, câncer, diabetes, qualquer doença crônica, pois é algo pessoal e eu colocaria minha sobrevivência em primeiro lugar. Outra: os profissionais que sugeriram que ela contasse estão agindo corretamente? Não sei, mas não me parece mto adequado.
Como empregador eu não contrataria pq a pessoa pode ter uma recaída e colocar todo um trabalho de equipe em risco. A linha entre estar saudável e não estar é muito tênue, nesses casos. A maioria das pessoas citadas que sofre de bipolaridade ou são borderlines tiveram problemas sérios em seus empregos - sendo ou não gênios. Claro que o tratamento pode controlar as características da doença, mas um erro de dosagem, um medicamento que precise ser trocado pode colocar tudo a perder.
Acho que a autora do texto se expõe demais e isso atrapalha imensamente sua vida profissional. Existem algumas tristes realidades que precisamos aceitar, infelizmente. Se existe um preconceito e a pessoa precisa trabalhar desesperadamente não consigo compreender em qual nível contar sobre a doença pode ajudar.
Espero que ela consiga um emprego e que receba essa situação como um aprendizado, de verdade. A vida não é bonitinha, as pessoas nem sempre são compreensivas e se adaptar a realidade nem sempre é fácil.

Shaonny Takaiama disse...

Os bipolares ou borderlines que eu citei, como no caso da Amy Winehouse, ou do Kurt Cobain, levavam vidas completamente desregradas. Eles não se tratavam corretamente, abusavam de drogas, não cuidavam nem um pouco do sono (isso é essencial no caso de bipolares e borderlines, pois só o sono tira uma pessoa do surto). Estas pessoas extremamente talentosas poderiam ter vivido muito mais, com qualidade de vida, se tivessem levado a sério o tratamento e se tratado corretamente. Eles não morreram por serem bipolares e ou borderlines. Eles morreram porque tinham vidas desregradas, porque não faziam terapia, não cuidavam do emocional, e eram pessoas completamente desequilibradas do ponto de vista psíquico por não se tratarem, apesar de serem extremamente talentosas. Por isso, eu enfatizo a importância do tratamento. E, em qualquer doença, existem muitos condicionantes, muitos "ses" para a pessoa ficar bem. Isso não acontece só com as pessoas com transtornos mentais, mas com as pessoas que possuem doenças físicas também.

Anônimo disse...

Tb sofro de depressão crônica e pior...refratária. os medicamentos sempre tem que ser dose-limite. Vc foi perfeito na sua colocação sobre informação à respeito do problema. A maioria das pessoas não sabem que alguém com transtorno mental em muitos casos pode sim ter uma vida profissional ativa.

Anônimo disse...

A autora tem minha soliridariedade, mas é perigoso listar estas pessoas que já morreram com transtornos psiquiátricos. Um profissional de saúde não pode fazer diagnóstico de pessoas mortas. Mesmo com pessoas vivas que não procuraram tratamento isso é considerado antiético. O que tem sobre essas pessoas e especulação, e mesmo assim algumas bastante duvidosas. Não se sabe se elas tinham ou não, e só porque elas têm uma ou outra característica de algum transtorno de personalidade, não significa que ela tenha tido tal transtorno.

Anônimo disse...

Faço tratamento para TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e estou procurando emprego, eu estava pensando exatamente sobre isso esses dias: conto ou não conto sobre o meu problema? Acho melhor não contar, se empresa descobrir que seja por conta própria, não vou falar nada. Já basta ter que responder a perguntas ridículas nas entrevistas de emprego.

Shaonny Takaiama disse...

Novamente, eu reitero. Os bipolares que morreram, não morreram por serem bipolares, mas por não se tratarem corretamente. Por não se tratarem, eles levavam vidas desregradas, usavam drogas, não faziam terapia, não tomavam remédios e se expunham a comportamentos de risco, como a promiscuidade sexual, que pode dar origem a uma DST. No caso de uma pessoa bipolar que se trata normalmente, que segue todas as orientações médicas, dependendo do caso - porque cada caso é único - a pessoa leva entre 5 a 10 anos para estabilizar seu quadro, se se tratar corretamente, o que significa que, quando ela estiver estabilizada, não terá mais surtos nem crises e poderá trabalhar normalmente, ter relacionamentos estáveis, etc. Quando você estabiliza, você pode ter uma vida perfeitamente normal. Se eu expus meu caso aqui, foi para trazer a pauta da psicofobia para ser discutida, pois a sociedade já avançou muito em diversos aspectos, como na luta contra o machismo, o racismo, a homofobia e o capacitismo.
Também decidi expor o que sofri porque sou jornalista e meu papel social é denunciar as injustiças. Não tenho medo de ficar pro resto da vida desempregada, pois já tive chefes super compreensivos que me empregaram. Porque para eles, só o que importava era a minha competência e o meu talento, que eram sem muito elogiados.
Quando se trata dos transtornos mentais, a ignorância das pessoas é gigantesca, e onde existe ignorância, existe tabu e intolerância. Se eu me expus, é porque eu quero combater tudo isso, quero sim lutar contra a psicofobia e sei que não estou sozinha em minha luta. A sociedade só avança quando pessoas corajosas que sofreram injustiças graves não ficam de braços cruzados. E tem mais: nenhuma doença é motivo pra preconceito. Qualquer que seja a doença, ela é algo produzido pelo seu corpo. E só o que importa neste caso é você se tratar, e não a doença em si. Por que as pessoas levam numa boa as doenças físicas e têm tanto preconceito com as doenças mentais? Por puro tabu e ignorância, que já passou da hora de serem combatidos.

Anônimo disse...

Lola obrigado por publicar meu comentário. Foi um desabafo. Espero não atrapalhar a discussão.

Anônimo disse...

Bom, não tenho esses transtornos, mas posso fazer um testemunho de alguém que já trabalhou com pessoas diagnosticadas com Transtorno Bipolar.
Gente, não é fácil, mas não é algo completamente impossível.
Primeiro algumas considerações prelimares. Sou servidor público. Essas pessoas também eram. Ambas só contaram sobre o transtorno após as primeiras crises. Agora vamos às peculiaridades dos casos.
Pessoa com transtorno bipolar 1: em relação às atividades passou muitos anos fazendo a mesma atividade. Sempre que se tentava dar mais alguma coisa pra fazer não dava certo, quando se tentava trocar a atividade e ensinar algo novo tb não dava. Passou por períodos tranquilos e sem licenças. Todavia, passa por muitos períodos de licença. É uma pessoa que temos de tomar cuidado qnd vamor conversar pq um determinado assunto ou opinião pode dar confusão. Acho que o que diferencia aqui dos outros sem transtorno é a proporção, tudo que escrevi aqui pessoas sem o transtorno podem fazer e fazem. O que acho diferente é a frequência é a intensidade. E não dá pra pressionar. Se pressionar entra de licença médica. A chefia se conformou que não dá para passar outras atividades ou aumentar a carga de trabalho. É pior qnd a pessoa entra de licença, a atividade tem de ser passada pra outra pessoa que já está sobrecarregada.
Pessoa 2: Muito competente. Excelente trabalho. É capaz de fazer qq atividade. Mas isso qnd não está em crise. Mesmo qnd não está emcrise todo mundo toma cuidado com o que se vai falar perto da pessoa pq ppde desencadear discussões feias. Qnd está em crise é muito triste pq todo mundo sabe do potencial e ver um profissional exceltente se tornar em um não funcional é assustador. Mais licenças. É pior que a primeira pessoa,pois a quantidade de atividades que faz é muito maior. Mais pessoas ficam sobrecarregadas.
Dito isso tudo eu fico pensando que o que aconteceu pode acontecer tb com quem não tem o transtorno. Como já disse a diferença que sinto é relação a frequência e intensidade. Algo qie atngia o meu dia a dia e me incomodava mais era a enorme preocupação com o que eu ia falar para não provocar discussões. Nas relações pessoais todo mundo não pode sair dizendo tudo que pensa. Mas na frente dessas pessoas tento me controlar mais ainda. É um pouco cansativo passar 8h ppr dia 7 dias por semana se controlando. Enfim. Mas acho que aprendi muito lidando com essas pessoas e cresci. Tem as partes boas e ruins de qq interação humana.

Anônimo disse...

Nem vou sugerir você ler de novo o texto (o que precisaria fazer), porque só quer manifestar seu preconceito idiota! Ela deixou claro que é uma pessoa estável, equilibrada e consciente das suas capacidades, teria condições de evitar usar o problema como escudo. O máximo que você poderia fazer é dizer o que você disse perguntando, não afirmando, seu(sua) idiota!

donadio disse...

Olha, nós vivemos em um país no qual o empregador pode demitir (ou deixar de contratar) por qualquer motivo, ou por nenhum motivo. Desde que não diga por que está demitindo, ou por que não está contratando, tudo está dentro da lei.

O empregador em questão poderia simplesmente ter mentido, dizendo por exemplo que havia aparecido outro candidato mais qualificado.

Então, em vez de ficar criando exceções, e exceções das exceções, que tal lutarmos logo por uma regra geral que proíba as demissões imotivadas?

donadio disse...

" Nunca nem pensei em contar para um empregador sobre minha condição."

Essas são palavras sábias. Seu empregador não é seu amiguinho, é o sujeito que explora o seu trabalho. Para ele você é um número, e só isso.

E sua saúde, salvo os casos em que você precisar se ausentar do serviço por motivos médicos, não é da conta dele.

Kasturba disse...

Shaonny: Parabéns pela coragem de se expor para lutar por uma causa que você considera (e é) tão importante! Desejo muita força pra você!

Só gostaria de acrescentar que também existe preconceito contra doenças físicas sim.
Minha mãe foi diagnosticada com hepatite C quando tinha 35 anos. Ela sempre foi uma mulher muito forte, independente e uma.profissional dedicada e competente. Na época ela era funcionaria concursada da Caixa Econômica Federal. Ao informar sobre a doença, foi aposentada por invalidez de maneira compulsória. Ela entrou na justiça para evitar e depois reverter a aposentadoria, mas não adiantou. Durante o período que lutou contra a doença, houve épocas em que ela realmente precisaria de licença, caso estivesse na ativa (épocas em que usava medicamentos fortes - interferon- e no pós-transplante), mas na maior parte do tempo, ela tinha plenas condições de continuar trabalhando.
Ficar "presa" em casa durante anos, enquanto meu pai trabalhava, fez muito mal a ela. E financeiramente também afetou nossa família, já que ela perdeu todas as funções e promoções, e teve o salario reduzido drasticamente.

Uma tia minha também sofreu ao descobrir que estava com lúpus. Mesmo tendo um ótimo currículo, nunca mais conseguiu ser empregada, e passou os últimos anos da vida dependendo financeiramente dos filhos...

donadio disse...

"Eles não morreram por serem bipolares e ou borderlines. Eles morreram porque tinham vidas desregradas, porque não faziam terapia"

E por que eles tinham vidas desregradas e não faziam terapia? Não seria por que a própria doença os deixava incapazes de perceber que suas vidas eram desregradas e que precisavam de terapia?

Não sei se é o caso deles, mas o mundo está cheio de doentes mentais que acham que o tratamento é prejudicial, e que os médicos e familiares são inimigos por que querem lhes impor o tratamento.

Anônimo disse...

Eu me vi na autora. Não sou bipolar nem nada, mas sempre achei que a verdade era melhor. E tomei no cu tantas e incontaveis vezes...
Esse texto foi um tapa na minha cara. A prova que honestidade não paga, e que essa porra desse mundo é injusto.
Toda força do mundo pra vc. Espero que possa sair dessa, e se tiver força, até vale um processo contra. E que na proxima vez, se lmebre que todo mundo gosta da verdade, pero no mucho :(

Yara

Anônimo disse...

Bom primeiramente, ainda não é crime, são projetos de lei que precisam passar por toda uma tramitação até o Presidente da República dar a canetada final. Então passem a informação correta, por favor, até para não confundir as pessoas que precisam. Segundo, eu sou obrigada a conviver com uma pessoa bipolar que recebe todos os tratamentos possíveis e imagináveis que o dinheiro pode pagar, fora apoio incondicional da família, fora tudo o que vocês imaginarem e se eu tivesse uma empresa jamais contrataria alguém com essa condição, sinto muito e acho que todo mundo deveria ter a oportunidade de trabalhar e crescer na vida só que certas condições tornam a convivência humana impossível e em trabalho ninguém é seu amiguinho não, você tem um x pra produzir e um y que esperam de você, aí acontece um negocinho qualquer "ah mas eu avisei que era assim", a gente não deve confundir direito com privilégio não. Nesse caso então, meu Deus, inclusive já tive que participar de grupos de apoio para familiares de pessoas nessas condições e sei que não estou sozinha nesse sentimento, é extremamente difícil e todo mundo critica mas na hora de ajudar a família que é quem efetivamente aguenta o bang todo, ninguém quer ou dão aquelas ajudas que não ajudam em nada tipo "vou estar orando por vocês". Só ser competente não basta, a empresa precisa contar com você e com a sua disponibilidade, agora se por conta de um café morno sujeito(a) faz um carnaval que te obriga a chamar o Samu lamento mas ninguém é obrigado não, só pai e mãe e olhe lá, até o limite das forças deles porque não é justo e ponto final.

Anônimo disse...

"Primeiro algumas considerações prelimares. Sou servidor público. Essas pessoas também eram. Ambas só contaram sobre o transtorno após as primeiras crises. Agora vamos às peculiaridades dos casos.
Pessoa com transtorno bipolar 1: em relação às atividades passou muitos anos fazendo a mesma atividade. Sempre que se tentava dar mais alguma coisa pra fazer não dava certo, quando se tentava trocar a atividade e ensinar algo novo tb não dava. Passou por períodos tranquilos e sem licenças. Todavia, passa por muitos períodos de licença. É uma pessoa que temos de tomar cuidado qnd vamor conversar pq um determinado assunto ou opinião pode dar confusão." Pois é, é terrível porque você vive pisando em ovos, nunca sabe quando vem a próxima, quando a coisa está dentro da família já é difícil pra caramba mas em ambiente de trabalho é muito pior, a pessoa com quem sou obrigada a conviver não para em emprego nenhum porque sempre dá confusão e repito, ela recebe todos os tratamentos que vocês puderem imaginar, até alguns alternativos também (sou contra mas chega uma hora que a família começa a tentar de tudo), sempre teve acompanhamento clínico, psicológico, psicoterápico, amor, carinho, compreensão, firmeza também quando necessário (e é muito necessário, minha mãe fala que é um filho que nunca cresce totalmente) mas cada vez que o telefone toca em casa minha mãe morre um pouco com medo de saber o que foi que aconteceu dessa vez. Então não é tão simples assim. É fácil falar de fobia mas vai conversar com a família de tem quem essa condição que provavelmente eles vão ter uma história um pouquinho diferente pra relatar. E isso aqui resume quase todo o problema em se lidar com doentes de acometimentos mentais: "Não sou eu que estou errada. É o mundo que está muito errado.", não, não e não mas vai tentar enfiar isso na cabeça dele(a)s pra ver o que acontece com você.

Viviane disse...

Bem, Donadio, aí você está dizendo que toda doença mental é incapacitante e todo doente mental deveria ser interditado, o que não é verdade para a maioria dos casos. E foi para isso que a Shaonny escreveu este post, para mostrar que a maioria pode sim trabalhar e ser responsável por seus atos.

Por outro lado, concordo com você que não foi boa ideia dela citar artistas como exemplos. Mas por motivo diverso do seu: como, em nossa sociedade, artistas vivem cercados de bajuladores, isto (e não a própria doença, exceto em casos de esquizofrenia grave) faz com que eles não percebam.
O caso do Roberto Carlos é típico: por quantos anos vimos matérias na mídia sobre as "manias" dele? Ao naturalizar o problema para o público, o próprio cantor também naturalizou e, por isso, demorou muito para se reconhecer como doente e necessitado de tratamento.

Anônimo disse...

"Espero que possa sair dessa, e se tiver força, até vale um processo contra"

Por essas que sou a favor da Reforma Trabalhista e ainda acho ela pouca, no Brasil o povo quer processar o empregador por tudo, depois qdo o país tá quebrado vão querer morar nos EUA ou Europa e trabalham 12 hrs por dia sem reclamar.

donadio disse...

"Bem, Donadio, aí você está dizendo que toda doença mental é incapacitante e todo doente mental deveria ser interditado"

Eu disse isso? Acho que não; onde?

Há doentes mentais que aceitam bem o tratamento, outros que aceitam mas se esquecerem o remédio um dia entram em parafuso e acham que se "libertaram", e outros ainda que não aceitam.

E não há tratamento para tudo; psicopatia por exemplo, não tem remédio nem psicoterapia que dê jeito. Esquizofrenia é dificílimo; um terço dos pacientes não reage à medicação, um terço melhora consideravelmente mas não o suficiente para levar uma vida normal (trabalho incluído); paranoicos geralmente acham que o tratamento é uma conspiração contra eles, e valorizam as alucinações como se fossem uma relação privilegiada com a verdade. E então juntar tudo sob o mesmo rótulo de "psicofobia" não ajuda; quem tem TOC pode ter dificuldades e criar problemas no trabalho, mas não se compara a alguém que sofre de distúrbio bipolar e entra em surto - da mesma forma que a pessoa com gripe está doente, mas não é a mesma coisa que a pessoa com Ebola.

Outra coisa é que "trabalho" pode ser muitas coisas diferentes. O Kurt Cobain era doido? Mas a loucura dele prejudicava a composição ou interpretação? Diminuía o lucro das gravadoras? Ou ao contrário, a loucura era o "motorzinho" que mantinha ele compondo e criando? Já o sujeito que varre a rua, que não precisa de criatividade nenhuma, vai ser tratado do mesmo jeito pelo patrão? Vai ter alguém pra ponderar que ele varre a rua melhor quando está doidão?

Anônimo disse...

Nesse caso de doença física o máximo que pode acontecer eh a pessoa ser internada/morrer, o prejuízo vai ser do inss, a empresa coloca outro no lugar. Uma pessoa com doença psiquiátrica sem o devido tratamento pode repercutir dentro da empresa, no trabalho mesmo.

Anônimo disse...

Pois é. Bem diferente de alguém com cancer ou aids, que o maximo de problema que traz são as licenças custeadas pelo inss.

Maria Valéria disse...

Para Donadio

Não é só para o empregador que vc não deve contar sobre seus problemas de saúde .
Não conte nem para os colegas de trabalho.
Uma hora, um deles pode ser promovido e virar seu chefe . E vai usar aquilo que você confiou a ele, quando era seu “ amigo “ contra você na hora que passar a ser seu superior hierárquico. Já vi isto acontecer .
Salvo raras exceções, colegas de trabalho não devem ser vistos como amigos íntimos nem como confidentes . Eh preciso ter cuidado para saber em que terreno você está pisando . As coisas podem mudar, os cargos podem mudar e as pessoas também .

Maria Valeria

Anônimo disse...

Anonimo das 10h26, vc disse:


"Por essas que sou a favor da Reforma Trabalhista e ainda acho ela pouca, no Brasil o povo quer processar o empregador por tudo, depois qdo o país tá quebrado vão querer morar nos EUA ou Europa e trabalham 12 hrs por dia sem reclamar."

Vc não é a favor de processo por discriminação? EU sou. MAs não conheço a lei, não sei é "processavel" ou não. Acho que descartar alguém que passou em tudo, se mostrou competente e tals por ter problemas psicologicos é forte. 25% da populção tem transtorno..imagina se ng mais puder trabalhar?

E qto a morar na Europa: fofx, faz 11 anos que vivo na França. E aqui, a constituição do trabalho é mil vezes mais forte que no Brasil. Trabalho 38 horas por semana, o que da menos que 8 horas por dia. E se precisar ponho no pau minha empresa SIM. Mas não preciso. Porque minha empresa me respeita como trabalhadora e como ser humano.

yara

Anônimo disse...

ah me poupe! até Freud virou bipolar nessa história!

Kasturba disse...

Como os argumentos de "a empresa tem certa razão, pois uma pessoa com transtorno mental vai ter momentos de crise, se tornar menos produtiva, entrar de licença, tem dificuldade de relacionamentos, etc..." se parecem com os argumentos de "as empresas tem razão em não contratarem mulheres, pois elas podem engravidar, entram de licença, depois tem que pegar dispensa pra levar criança no médico, reunião de escola, etc..."

Engraçado como quando o calo que aperta não é o seu, muita gente se torna menos compreensível com a realidade alheia...

Kasturba disse...

*compreensiva, eu quis dizer (e não compreensível)

Viviane disse...

Agora você está especificando os tipos e graus de doenças mentais; no seu comentário anterior não estava.

lola aronovich disse...

Kasturba querida, não tenha dúvida de que quase sempre quem "argumenta" na linha "coitadinha da empresa que terá de arcar com os custos de contratar uma pessoa bipolar" também acha licença maternidade (e contratar mulheres em geral) horrível porque é oneroso pra empresa. Do jeito que eles falam parece até que são empresários e donos de empresa...


Shaonny, linda, super obrigada pelo post! E pela coragem!

Anônimo disse...

PSICOFOBIA, essa é nova, nunca tinha ouvido falar.

Mas Lola, você mesmo aqui no Blog, acusa os masculinistas de frustrados e mal amados. Isso não seria psicofobia?

Uma pessoa que odeia negros, mulheres ou mesmo pedófila, (veja bem, não estou dizendo uma pessoa que execute um ato de violência em si, mas que tenha ideias tais em mente) não deveria ser acolhida por serviços psiquiátricos ao invés de perseguida? Massacres como o de Realengo não poderiam ser evitados se as pessoas pudessem falar sobre todo o ódio que sentem em seu coração antes de explodir?

Anônimo disse...

se essas "doenças mentais" (bipolaridade, borderline, ansiedade [essa eu achava q era apenas um sentimento], et caterva) são tão comuns assim e aparentemente não causam nenhum dano ao indivíduo (pelo contrário, os "optimizam"), então mais do q nunca isso jamais deveria continuar sendo doença

A respeito dos "exemplos" q a moça ofereceu... 98% da lista é composta por artistas/celebridades, não é um bom comparativo, já q a garota em questão procura um emprego mais formal, estável e de escritório, o avesso das profissões q 98% das pessoas q ela listou exercem, a não ser q ela decida, ao invés disso, partir pro cinema, pra música, etc. aí já é outra história, suas "doenças" ("optmizadoras") serão muito bem-vindas

Anônimo disse...

Novamente querendo comparar um bipolar que pode entrar em surto e fazer uma merda grande no trabalho com outra coisa não comparável, com mulher que sai em licença maternidade e pode ter que levar filho no médico. Desisto.

Anônimo disse...

Grávidas e mães, assim como doentes físicos, o único "preju" que trazem são os afastamentos. Bipolar é imprevisível e pode causar estrago grande.

Anônimo disse...

Shaonny, minha formação acadêmica nada tem a ver com a área de biológicas (medicina) ou mesmo humanas (psicologia), mas de uma coisa entendo: a mais completa sujeira que ocorre em meios empresariais.

Nós sabemos muito bem que vagas só são publicadas abertamente quando não há indicação interna ou por ser política da empresa publicar, neste segundo caso a vaga é aberta mas as pessoas selecionadas já digamos, foram, selecionadas.

Quem contrata você não é seu amigo, ele só estava contratando jornalistas capazes de entregar o serviço necessário pelo menor preço que pode encontrar no mercado, e por preço entenda todas os eventuais custos que aparecerão. Quando você citou qualquer problema seu o pessoal já fez suas contas (as vezes existem softwares que fazem as contas por eles, agora sim minha área) levando em conta quais as implicações, é como se do nada você tivesse pedido um salário muito mais alto.

Por favor, não revele qualquer tipo de doença que tiver. Não cai na conversinha furada de "o plano de saúde vai te processar", "a empresa tão honesta e pagadora de todos os impostos irá quebrar", "você está traindo a confiança de alguém que quer te ajudar".

Com certeza você conheceu diversas pessoas que trabalhou ao longo da vida, elas por acaso são aquilo que o linkedin delas mostra? Jornalismo, certo? Olhe como anda o uso da nossa língua portuguesa em diversos meios já dá para você ter idéia como as entrevistas não são nem um pouco adequadas.

Bola para frente, força e resistência.

Lembre-se sempre: o vassalo é o primeiro a defender o senhor feudal. Pessoas para defender o castelo sonhando um dia poder comer as migalhas da mesa não faltam, e farão tudo para atacar qualquer um que ousar questionar que isto está errado.

Anônimo disse...

Quis dizer 8h e 5 dias por semana.

Anônimo disse...

E gostaria de ressaltar o quanto aprendi com a convivência. Provavelmente não teria tido essa oportunidade no setor privado.

Rodolfo abrantes disse...

Eu queria saber da autora do texto,se ela tem como garantir que a sua doença de forma alguma teria como interferir negativamente no seu desempenho profissional ou no seu ambiente de trabalho?

Anônimo disse...

Só queria dizer que nunca tinha pensado sobre o ângulo que a autora publicou. Acredito que todos nós temos limitações - só não foram catalogadas ainda. Seu chefe ou colega de trabalho não serão mais amigáveis ou melhores só porque supostamente não possuem nenhuma destas doenças mentais. Estamos aqui para apreender a conviver e como é difícil conviver. Concordo que há um preconceito. Até porque toda doença pré-existente não garante a estabilidade no emprego, razão pela qual não há que se falar que a sua dispensa foi por motivos econômicos. As suas referências deveriam ser verificadas.
Obrigada pelo texto. A partir de agora, em uma eventual futura contratação, vou olhar com outros olhos para pessoas que estão na mesma situação que você. Já tenho pessoas com depressão, TOC e ansiedade que trabalham comigo (só descobri na convivência), elas se cobram tanto que, no geral, são profissionais acima da média! Que você encontre o emprego que merece!

Anônimo disse...

Yara,

As leis trabalhistas da UE só valem pra quem está legalmente no país e trabalha com contrato formal. Eu conheço casos de brasileiros que vão pra lá ilegalmente, arrumam empregos informais e trabalham muito mais que trabalhariam aqui no Brasil porque a Economia lá é forte e permite guardar dinheiro.

Então eu pergunto, não seria melhor ter menos Direitos Trabalhistas e ter uma economia mais forte?

lola aronovich disse...

Anon das 13:32, como chamar alguém de mal-amado ou frustrado pode ser psicofobia? Ser mal-amado ou frustrado é doença mental, por acaso?
Mas é verdade que a enorme maioria dos mascus sofre de algum transtorno mental. E é como a Shaonny disse: essas doenças podem ser tratadas. Ela deu uma lista imensa de coisas que devem ser feitas. Se elas não forem tratadas, é péssimo pra pessoa e pra sociedade. Como os mascus tratam suas depressões, esquizofrênias, bipolaridades, psicopatias e tudo o mais? Odiando. Indo num chan encorajar outros caras a cometerem atentados. Isso não me parece um tratamento muito adequado.
E quem persegue quem, amiguinho? "Mascus são perseguidos"? Ué, mascus falam sobre o ódio que sentem em seus chans nojentos, e isso não faz com eles melhorem. Isso não impede que eles "explodam". Vários outros mascus que cometeram massacres (Wellington, Eliot Rodger, Sodini etc) frequentavam páginas mascus e falavam "sobre todo o ódio que sentem em seus corações", e isso não os impediu de matar dezenas de pessoas, principalmente mulheres.
Como a Shaonny falou: tem que focar no tratamento, não na doença. Mascus não buscam tratamento nenhum. Vivem apenas atacando mulheres.

Anônimo disse...

Anonimo das 16:35

Claro que as leis so valem para quem està legal. E acho que a galera que se mata de trabalhar ilegal aqui, muitas vezes tinha uma vida super complicada no Brasil. Ou vc acha que quem ta aqui trabalhando ilegal, limpando banehiro era patricinha da zona sul?
Vou falar da França pq é de França que eu entendo: o mercado aqui é super protecionista com os empregados. Bem mais que no Brasil. E a economia francesa é forte sim. E o empregado é protegido ( alias, não conheço nenhum ilegal na França. Eh muuuito complicado trabalhar no black aqui). O que quero dizer é que não é porque tem protação com o empregado que a economia é engessada. SInceramente, vc acha que essa reforma do trabalho foi boa pro Brasil? gente oferencedo pagar 5 reais por hora de trabalho de um caixa de supermercado, sem nenhum beneficio?
Olhe o site "vagas arrrombadas" no facebook. DA vontade de chorar. Não sei como alguém pode achar isso bom.

titia disse...

Rapaz, pior que eu conheço o Vagas Arrombadas e é mesmo de chorar, o que os anunciantes que vão parar lá querem é basicamente trazer a escravidão de volta. Madame gastando 5000 conto em bolsa Louis Vuitton e querendo pagar menos de um salário mínimo pra empregada, sem incluir a passagem e a escrava que não se atreva a querer comer na casa da sinhá, tem que trazer a própria marmita. Ou ainda, dono de marca famosa procurando promotores pro produto, querendo só homens que tenham carro, sejam casados e tenham filhos, pagando um salário que não é suficiente nem pra fazer a manutenção do carro - pra garantir que o sujeito não vai pedir aumento de salário, reclamar dos abusos e do assédio moral que com certeza vai sofrer no trabalho nem se demitir, já que tem família pra sustentar. É daí pra pior.

E deprimente mesmo é saber que tem gente desesperada que termina se submetendo a isso porque tem que comer, alimentar os filhos e pagar as contas. Isso com a legislação que temos hoje; então vem esses putos de merda-tudo assalariado classe média que acha que não é assalariado ou vagabundo sustentado pelos pais-dizer que tem que piorar ainda mais, que tem é que ferrar o trabalhador (que eles também são, embora se acham casta superior), que tem que jogar os direitos trabalhistas na privada e dar descarga, só falta defenderem abertamente que os donos instalem pelourinhos nas empresas. Porra, que nojo dessa gente mesquinha e mau caráter e que vergonha de ser brasileira.

Anônimo disse...

Tenho depressão, fui diagnosticada há 4 anos. recebi o diagnóstico após um período complicado em que mal conseguia sair da cama ou parar de chorar. Após 10 dias de licença, voltei ao trabalho (sou funcionária pública) e abri o jogo para minha chefia. Achei que estava fazendo o correto, sendo transparente e tudo o mais. Mas minha vida ficou infernal. Em poucos dias, a empresa inteira sabia. Eu comecei a ser apontada pelos cantos, fui preterida em várias situações não necessariamente de promoção (embora isto também, e sou uma das funcionárias mais experientes da empresa), mas de ser destacada para um determinado trabalho, a divisão de tarefas é extremamente desigual e já ouvi (mas não tenho provas para processar) vários chefes dizendo que eu finjo estar doente para não arcar com mais responsabilidade. E eu sou uma das funcionárias mais responsáveis do setor.

Conclusão: não contem. Não se exponham. As pessoas não tem pq saber.

Anônimo disse...

Na hora que eu cheguei a "borderline" e "bipolar" eu rí. Já caí nesse golpe e gastei rios de dinheiro pra tomar porcaria que só me fez mais mal.

Não caiam nessa ladaínha, pesquisem (preferencialmente em inglês) sobre como essas "doenças" são diagnosticadas de maneira indiscriminada à mulheres com comportamentos comum a seres humanos.

Não consegue confiar nas pessoas? Borderline. Tem medo de ficar sozinha? Borderline. Acorda feliz após uma boa noite de sono? Bipolar. Fala o que os outros querem ouvir para que você se sinta mais aceita? Borderline.

Logo se você peidar e achar graça vão te diagnosticar como bipolar.

Kelly disse...

Talvez fosse só o caso de não ficar se rotulando? Se há uma lista tão grande de pessoas com essas alterações de humor, será mesmo que isso é "neuroatípico" ou é a psicologia que contemporaneamente gosta de dar um nomezinho pra tudo? O que assustou mesmo essa empresa não foram os nomes dos seus transtornos, mas a alcunha de "psiquiatra" e "psicólogo" na sua ficha médica. Na boa, eu teria ficado off. Quanta gente mal humorada por aí em todas as empresas, quantas são borderline e a gente nem sabe (nem elas sabem?!). Enfim, acho que pegar um rótulo pra você e sair se classificando como aquilo também não é o mais saudável. Acho que o que existe não é só preconceito, mas também ignorância (e uma forte crença na existência do "normal"), e aí complica as coisas.

Anônimo disse...

Pra psiquiatria qualquer desequilíbrio emocional é motivo pra internação. Eles querem um mundo só de psicopatas.

Viviane disse...

Você aponta um tema muito importante: como "transtornos mentais" são usados para controlar o comportamento feminino desde as "histéricas" do século XIX. Será que a Lola acharia alguma especialista para desenvolver este tema?

donadio disse...

"gigantesca lista de bipolares famosos"

Além da lista ser altamente especulativa (o Bill Clinton é bipolar? Donde? Tchaikovski e Hans Christian Anderson eram bipolares? Ou apenas sofriam com o problema de serem homossexuais em sociedades em que isso era tabu?) é que a gente pode também extrapolar. O grande poeta François Villon com toda probabilidade (pelo menos até onde a gente pode fazer diagnósticos psiquiátricos sem ser psiquiatra e sem sequer entrevistar o paciente) era psicopata. Por que o Villon era psicopata e era gênio, vamos de boa querer um psicopata trabalhando na baia ao lado, ou logo antes da gente na linha de montagem?

donadio disse...

"Não é só para o empregador que vc não deve contar sobre seus problemas de saúde."

É verdade, Maria Valéria. Donde se conclui que também não se deve postar sobre nossos problemas de saúde na internet, onde eles logo passarão ao domínio público.

(e no entanto, é um passatempo popular. O que tem de gente com "síndrome de Asperger" na internet daria um curso de epidemiologia. Aliás, a única doença mental que não está sobre-representada na internet parece ser a *pseudologia fantastica*... o que também daria uma boa tese de mestrado.)

Alessa disse...

Já que falaram sobre "síndrome de Asperger," agora também classificado como Transtorno do Espectro Autista, sugiro o ótimo www.lagartavirapupa.com.br e, mais especificamente, o texto "autismo leve não é tão leve assim". Sou mãe de uma criança autista e as dificuldades de criar meu filho num mundo tão preconceituoso são amenizadas por pessoas que têm coragem de expor sua situação, cobrar respeito, falar de empatia, e oferecer apoio e acolhimento. É claro que há os impostores atrás de like e popularidade, mas não devemos generalizar. Ver uma criança lutando para ser aceita e sendo achincalhada dia após dia exige de nós muita empatia. Preconceito também se combate com informação.

Anônimo disse...

Titia,
No ponto da questão, como sempre.
Os vulgos predadores - TPAS (Transtorno de Personalidade Anti Social, antigamente os chamados psicopatas e sociopatas) e TPN (Transtorno de Personalidade Narcisista) - abundam no mundo do trabalho e acabam com a saúde de muita gente. Mas, exatamente, eles trazem lucros rápidos, ludibriam, manipulam com maestria, muitas vezes ocupam posições de poder dentro de instituições. Raramente diagnosticados, o foco negativo se volta para suas vítimas: segundo um ditado popular oúnico transtorno mental em que a pessoa não é tratada, mas sim deixa os outros doentes é o Narcisismo (TPN).

TODAS as classes sociais,mulheres e homens, sofrem (calados) pela discriminação contra pessoas com doença mental. No Brasil a hipocrisia me enoja ainda mais. Transtorno mental é sinônimo de exclusão, primeiramente, do trabalho.

Anônimo disse...

Passei por uma experiência interessante.
Recentente descobri ser portador de DDAH e justamente por só ter conseguido diagnosticar isso depois dos 30 anos, acabei desenvolvendo ansiedade e passei por um episódio depressivo.
Atualmente só tomo um ansiolítico e ritalina e não vejo problema em comentar que tomo o medicamento, era muito pior quando eu não tomava nada e os dias eram apenas borrões cinzentos.
Outro dia um amigo de trabalho me questionou e disse que não era legal eu ficar comentando que tomava remédio porque as pessoas levavam a mal.
Achei interessante porque as pessoas vivem umas vidas fodidas, mas fazem questão de manter a pose.

Anônimo disse...

Se for REALMENTE VERDADE que não atrapalha em nada, que tá tudo estável, tranquilo e sob controle, não existe nenhuma razão lógica pra contar.

Alguém já disse mas eu vou reforçar porque pode ter gente lendo isso e recebendo a informação errada: psicofobia ainda não é crime não, o projeto tá andando apenas. Ser aprovado em comissão não aprova nada automaticamente.