sexta-feira, 29 de maio de 2015

SE AS ROUPAS NOS SERVISSEM: UMA FEMINISTA ASSUME A MODA

Semana passada publiquei um post sobre quem escolhe nossas roupas, e mencionei que fiquei menos preconceituosa com a moda após ler um artigo da Mihn-Ha Pham na revista Ms
Perguntei se alguém poderia traduzir o texto e a Laís se prontificou. Laís acabou de tirar a nota máxima no seu TCC, na área do Direito na PUC, sobre violência obstétrica. Agora vou ficar aguardando um guest post dela sobre o tema. 

“Minha paixão por moda pode, às vezes, parecer um segredo vergonhoso”, escreveu a professora do Departamento de Inglês Elaine Showalter, da Universidade de Princeton, em 1997.
E de fato, após a publicação destas palavras na Vogue, acumularam-se ainda mais motivos para envergonhá-la. Com certeza ela deveria ter “coisas melhores pra fazer”, disse uma colega.
A moda, como outras tantas coisas associadas a princípio à mulher, pode ser renegada à futilidade, mas ela molda a visão que os outros têm sobre nós, especialmente nos planos de gênero, classe e etnia. Por sua vez, o modo como somos vistas determina como seremos tratadas, especialmente no mercado de trabalho -– seja para sermos contratadas, promovidas e respeitadas, ou quão bem seremos pagas. Este tão habitual e íntimo ato, o de vestir-se, possui consequências políticas e econômicas extremamente reais.
Se as feministas ignorarem a moda, nós abdicamos do nosso poder de influenciá-la. Felizmente, a história nos mostra que feministas podem, em vez disso, fazer bom uso da moda para nossos próprios objetivos.
Quando a retórica da igualdade foi ignorada, sufragistas no fim do século XIX e começo do XX propuseram, literalmente, códigos de moda. Joias verdes, brancas e violetas favoreciam seus acessórios, mas não por um imperativo estético: as primeiras letras de cada cor G, W, V [em inglês: green, white, violet] -- representavam a sigla de “Give Women Votes” ("Dê o voto às mulheres", e também "Vote em mulheres").
Um século depois, na década de 1980, as mulheres se apropriaram do estilo de vestimenta masculina como uma tentativa de acessar o capital social e econômico que estava do outro lado do teto de vidro [a expressão em inglês “on the other side of the glass ceiling” é uma metáfora que ilustra as barreiras aparentemente invisíveis que impedem as mulheres de terem as mesmas oportunidades profissionais dos homens]. As então chamadas “mulheres de carreira” passaram a se vestir de maneira empoderadora, com saias de alfaiataria e enormes ombreiras, aproximando-se do estilo e da silhueta de um homem executivo profissional. [Nota da Lola: ombreiras eram detestáveis! Eu usei!]
Ainda assim, estas adaptações da moda e estilo masculinos raramente deixam de apresentar pequenos toques femininos. A socióloga Jan Felshin cunhou o termo Apologética Feminina para descrever como as pérolas e os babados numa roupa feminina usada para o trabalho servem como uma renúncia: eu posso ser poderosa, mas não sou masculina. Ou (afe!) lésbica.
O fato de que até mesmo as mulheres mais politizadas e em posições de comando cultural precisam se equilibrar entre parecerem poderosas mas ainda “apropriadamente femininas” realça a concisa descrição do teórico visual John Berger acerca da sociedade convencional: “Homens agem e mulheres aparentam”. Em outras palavras, homens são julgados por seus feitos; mulheres, por suas roupas.
O super decote de Hillary em 2007
Na política americana, Hillary Clinton vivenciou a dualidade do condenada-se-fizer, condenada-se-não-fizer imposta às mulheres poderosas. Se ela veste um poderoso conjunto de terno e calça, é um “uniforme destituído de sensualidade”, mas se ela mostra um mínimo decote –- pelo qual ficou famosa em 2007 -– isto se transforma numa enxurrada de notícias que ofusca sua plataforma política.
Enquanto as escolhas de todas as mulheres sobre o que vestir tendem a ser mais cautelosas que as dos homens, mulheres de outras etnias que não a branca suportam um cuidado ainda mais intensificado. Os estereótipos racistas que taxam tais mulheres como “fora de controle” (seja a negra furiosa ou a hipersexualizada latina) e outras como facilmente controláveis (a asiática tradicional ou a indígena sexualmente disponível) prejudicam as mulheres nos locais de trabalho. 
Elas, consciente ou inconscientemente, se vestem de maneira a diminuir suas diferenças raciais. Uma mulher asiática entrevistada pela socióloga Rose Weitz para o jornal acadêmico Gender and Society admitiu que cacheou seus cabelos para trabalhar “pois se sentia ‘asiática demais’ com seu cabelo liso natural”. Já uma mulher negra entrevistada por Charisse Jones e Kumea Shorter-Gooden para o livro Shifting: The Double Lives of Black Women in America explicou que nunca ia a uma entrevista de emprego sem, primeiro, alisar seus cabelos. “Não quero ser prejulgada”.
Fora do local de trabalho, na rotina diária, o controle das roupas femininas também é pautado por conceitos raciais. Quando mulheres negras vestem “roupas étnicas”, são costumeiramente tachadas de tradicionais, antiquadas e, em algumas circunstâncias, conservadoras. Já quando mulheres brancas usam trajes similares, representam um cosmopolitanismo global, um frescor multicultural.
A apropriação de vestimentas culturais não é algo novo. Sally Roesch Wagner revelou uma antiga apropriação em seu livro Sisters in Spirit, ao contar a pouco conhecida história das chamadas “calçolas”: calças longas e largas que se estreitavam na altura dos tornozelos, geralmente associadas às reformas das roupas na metade do século XIX. Se por muito tempo prevaleceu a versão histórica de que a novaiorquina e branca Elizabeth Smith (prima de segundo grau de Elizabeth Cady Stanton) inventou a calça saruel e de que Amelia Bloomer a popularizou, Wagner descobriu que Smith na verdade foi influenciada pelas mulheres nativas do povo Haudenosaunee. 
Se a moda vem sendo usada para introduzir novos modos de expressão para o sexo feminino, ela é também uma amarra que mantém as oportunidades sociais, econômicas e políticas das mulheres permanentemente presas às suas aparências. Numa época em que reality shows de makeover [transformações estéticas] sugerem que a auto-inovação não só é desejável, como praticamente exigível, e que a onipresença das mídias sociais encoraja todos a desenvolver uma “marca pessoal”, a pressão aplicada às mulheres para que sejam elegantes nunca foi tão perversa. 
Mesmo que a internet tenha intensificado o desejo de ser moderna, ela também abre espaço para que pessoas alheias ao mundo da moda influenciem tal indústria. Em 2008, um blog fashionista escrito por uma menina de 11 anos da região centro-oeste dos Estados Unidos, chamada Tavi Gevinson, tornou-se viral. Em questão de dois anos, suas resenhas sobre novas linhas de roupas eram acompanhadas de perto por agitadores da moda, e designers e editores convidaram-na aos seus escritórios, desfiles de passarelas e festas. Agora mais madura, com quinze anos, ela vem usando a moda como alavanca para sua mais recente aventura: editar uma revista online para adolescentes com um ponto de vista feminista.
Hoje, blogs de moda que celebram corpos que fogem da normatividade imposta por raças, gêneros, sexos e tamanhos emergiram para mudar o discurso dominante de gênero, beleza e estilo. E blogueirxs estão usando suas influências para lutar contra modas e produtos de beleza hostis.
Uma campanha iniciada em 2010 por um blog convenceu a empresa de cosméticos MAC e a equipe de design Rodarte a abandonar sua coleção de esmaltes e batons com nomes como “Ghost Town” (cidade fantasma), “Factory” (fábrica) e “Juarez” (em referência à cidade fronteiriça mexicana famosa pela série de feminicídios cometidos em suas fábricas locais). 
Campanhas online similares também travaram guerra contra designers e revistas que fazem uso de “blackfacing” e “yellowfacing” (maquiagem que imita de forma caricata negros e asiáticos), bem como as varejistas, tais quais Abercrombie e Fitch e American Apparel, que perpetuam o racismo, o sexismo e ideais de beleza associados ao tamanho dos corpos. 
Nesta época de interação social midiática, consumidorxs têm pelo menos uma voz no mercado de moda; nós devemos continuar a nos manifestar. Usar moda não deve significar que permitimos que ela nos restrinja.  

76 comentários:

Anônimo disse...

Eu gosto de moda e acho que isso não me faz nem um pouco menos feminista. Não sou muito ligada nas tendências outono/inverno, por exemplo, mas adoro ver red carpet. Best and Worst Dressed, e essa coisa toda.

Adoro esmalte. Cores diferentes, umas sempre feitas. Não sou menos feminista por isso.

Acho que o importante é não se submeter ao que a sociedade dita, e sim seguir o que é bom para você.

Anônimo disse...

A moda, como outras tantas coisas associadas a princípio à mulher, pode ser renegada à futilidade, mas ela molda a visão que os outros têm sobre nós, especialmente nos planos de gênero, classe e etnia. Por sua vez, o modo como somos vistas determina como seremos tratadas, especialmente no mercado de trabalho -– seja para sermos contratadas, promovidas e respeitadas, ou quão bem seremos pagas. Este tão habitual e íntimo ato, o de vestir-se, possui consequências políticas e econômicas extremamente reais.

Excelente!!!!! O feminismo tem sim que discutir a moda, não é uma futilidade, é uma questão política!

Anônimo disse...

Onde eu trabalho tenho que usar um uniforme que eu odeio e tenho vergonha. Mas isso é para me distinguir das outras mulheres que podem vestir suas roupas de marcas e sapatos de salto finíssimo e me tratar com o desprezo que meu cargo merece.

B. disse...

fale-nos mais, anônima 13.16.

Gle disse...

Eu sinceramente não ia comentar porque não sei nada de moda. Tenho um ~estilo~(se é que é considerado estilo) bem casual. Nada contra feministas gostarem disso. Até tenho amigas feministas que estão se formando na área. Aliás, acho que feministas devem existir em todas as profissões do universo, rsrs!

Agora, uma coisa é fato, discordo com o Anônimo das 11:47 quando diz:
"o modo como somos vistas determina como seremos tratadas, especialmente no mercado de trabalho -– seja para sermos contratadas, promovidas e respeitadas, ou quão bem seremos pagas.".
Acho que o modo como vestimos não tem nada a ver com respeito ou como seremos promovidas e pagas. As pessoas recebem para efetuarem suas atividades, não para participarem de um jogo onde quem se veste ~melhor~, ganha. Quer me dizer como devo vestir para trabalhar com vc? Me dê uniforme! Respeito sua opinião, Anônimo, mas discordo.

Anônimo disse...

Gle,

No seu planeta talvez isso não exista, mas é fato, a vestimenta faz diferença na hora da contratação, na forma como seus colegas irão te tratar dentro do ambiente de trabalho, potenciais clientes, enfim, moda também é relacionamento e é claro que influencia.

Anônimo disse...

O comentario da anonima 13.06 e da Gle se completam, ou se connfrontam.

Gle, você pode não concordar com essa prática ( eu não concordo!) , mas não podemos negar que o mundo é assim. Vi estudos que mostrarm que se a pessoa for par aume entrevista usando um sapato caro, camisa, bolsa de marca, conegue um salario melhor que um mais modestamente vestido.

São comportamentos que estão entranhados na sociedade. Veja os politicos, até a cor da gravata é estudada e milimetrada, pq a moda influencia sim o que pensamos sobre a pessoa.

E concordo que moda é simbolo de muita coisa, por isso temos que conversar sobre ela, ainda que no fim decidamos simplesmente não seguir/curtir moda

yara

MariX disse...

É interessante como associam o termo futilidade a qualquer tema ou assunto de interesse das mulheres, ou pelos quais as mulheres se interessam. Enquanto as mulheres concordarem que moda é futilidade, os espaços de poder desse mercado da moda vão sendo ocupados por homens, os quais continuam a ditar o que temos que vestir ou não, aliás, independente se a vestimenta ou calçado é confortável ou não.
Só falam que o interesse em moda é vulgar ou fútil quando é a mulher que fala dele. Acho que as mulheres não só tem que falar de moda, mas fazer isso de modo crítico, questionando, qual é o lugar da mulher na moda. O que vejo é que a maior parte dos grandes nomes da moda são de homens (Karl Lagergelld, Dolce Gabana, Loius Vitton, Hermès, Salvatore Ferragamo, Armani, Valentino, Hugo Boss, Paco Rabane, Dior, Tommy Hilfiger, Hugo Boss, Balenciaga, Kenzo, Gucci, Yves Sain-Laurent, Tom Ford, Versace, Givenchy, Cavalli), os proprietários das grandes marcas que definem as tendências também são homens. Muitos são gays, mas nem por isso, menos misóginos.
A crítica não deve ser pelo interessa da mulher no mundo da moda, mas sim direcionada ao mundo da moda que permite, no mais das vezes, que a mulher participe desse mundo apenas passivamente, como consumidora e cabide. É preciso sim que mais mulheres entrem no mundo da moda, que desenhem sapatos belíssimos, mas confortáveis; que desenhem roupas para o mercado de trabalho furando o modelo masculino.
O problema maior da indústria da moda para as mulheres é justamente que não participamos dela ativamente, e não a moda em si. Temos é que ocupar os espaços de poder e usar e formular a moda a nosso favor.

Camila D disse...

Que o modo como nos vestimos interfere na vida profissional, isso é verdade. Já perdi várias vagas de emprego pq colegas de entrevista estavam hiper produzidas e eu lá, bem normalzinha, rsrs.

Camila D disse...

Ai Anon 14:19, eu adoro uma roupa botijão. É tão gostoso e confortável no meu corpão :)

pp disse...

Adoro esse tema. Concordo demais com a MariX quando ela fala que as mulheres devem participar mais ativamente do mundo da moda. Muitos gays da indústria da moda são misóginos mesmo. Claro que há estilistas mulheres com influência, mas ainda não temos muitas representantes que criem uma moda pensando no empoderamento da mulher, e não apenas em um cabide que deve usar as últimas tendências, mesmo que isso seja um salto alto super desconfortável.

Eu adoro moda, maquiagem, etc. Estou sempre arrumada, mas uma coisa que é difícil é eu usar salto. E a coisa mais libertadora da minha vida foi parar de usar esse tipo de calçado quando eu não quero.

Aproveito para recomendar o blog hojevouassimoff. As feministas vão gostar!

D Stoffel disse...

Engraçado que é "fútil" mas uma mulher que não está bem vestida nem em dia com unhas e cabelos é mal vista sim, uma hipponga é muito mais mal vista que uma patty. E a mulher que não gosta de usar maquiagem nem fazer as unhas até emprego não arruma.

Depois falam que é frescura e que ninguém te obriga a nada, mas daí falam se não se arruma ok mas depois não reclame que ninguém te olha entre outras coisas.

Anônimo disse...

"Acho que o importante é não se submeter ao que a sociedade dita, e sim seguir o que é bom para você."

quando a sociedade lhe diz o que é bom pra você durante muito tempo, a tendência é que as pessoas passem a acreditar nisso como sendo verdade.

Anônimo disse...

"Feminista" assume a moda, né. Hmmm, sei. Até imagino a baita "feminista" que ela deve ser. Na próxima visita ao blog não vou me estranhar em conhecer um novo tipo de feminismo, o "feminismo misoginista" de 2015. E antes que comecem o mimimi neoliberal com viés individualista de "ai, então não pode ser vaidosa e ser feminista?" já aviso que o pessoal é político, aceitem! E poder, até pode (minha socialização como mulher deu certinho, eu mesma ainda uso maquiagem e afins), o que não pode é sair indicando isso para as amigas, peloamor. Já não basta as revistas machistas de beleza, vamos ter que aturar agora as feministas da terceira onda nos enfiando esse discurso goela a baixo? Vou ser pós-feminista quando houver um pós-patriarcado.

Anônimo disse...

"Por que gordas usam aquelas roupinhas de botijao? Depois nao querem sofrer piadinhas!"

Porque as roupas são feitas desse modo e as que não são, custam 3, 4x mais.

Anônimo disse...

"Vou ser pós-feminista quando houver um pós-patriarcado. "

tamojunto

D Stoffel disse...

Mas tem coisa mais sem graça que homem na hora de vestir principalmente os brasileiros sempre aquele mesmo corte de cabelo poucos se permitem pintar os cabelos, não usam acessórios eu acho terrível é tipo o mesmo estilo de sempre, as mulheres daqui também não são tão ousadas, mas muitas ousam no cabelo eu gosto disso fica fora do padrão.

D Stoffel disse...

A e sobre o botijão já cansei de ver homem grávido na rua sem camisa,
tao passando vergonha hein, e quem é que vai querer estuprar eles com seus mamilos/micro peitos de fora. (ironic mode)

vbruzzi disse...

eu não poderia concordar mais com a Mari X.

Anônimo disse...

Interessante... Se fosse mais um post sobre sexualidade, etnia ou pra criticar a maternidade alheia, isso aqui já estaria com dezenas de comentários.

Parece que o povo quer debater sempre a mesma coisa, com os mesmos comentários revoltadinhos, aí vem os mascus trollar e o pessoal fica alimentando, aí vem a Lola tentar botar ordem, mas já virou bagunça que só para quando sai o próximo post.

Muito interessante.

Raven Deschain disse...

Concordo muito com esse texto excelente.

^^

Gle, pode não ser a sua realidade, mas aqui em Curitiba percebo muito o preconceito com vestimenta. A ponto de vendedor em loja não te atender ou de vc entregar um currículo e a pessoa n querer receber. '-' é foda.

Fabiano disse...

Eu adoro assistir os reality shows sobre moda. Acho divertidíssimos. Mas confesso que esse não é o meu universo.

Quer vc queira ou não, a sua aparência é uma mensagem que vc manda para o mundo. E portanto, é melhor ser consciente daquilo que vc está expressando, do que enviar uma mensagem indesejada.

Eu não consigo imaginar que existam tantos gays misóginos no mundo da moda, pois para alguém querer entrar nesse campo, tem que ser fascinado pelo corpo e beleza feminina.

Lud disse...

MariX e pp,
eu tenho certeza de que há mulheres que gostariam de participar mais da moda como tomadoras de decisão. Só que na hora do vamovê os donos de empresa homens sempre preferiram contratar estilistas homens. É igualzinho a indústria da alimentação: se tanta mulher cozinha, porque a maioria dos grandes chefs é homem? Porque quando há dinheiro e poder envolvido, os tais "dotes naturais" que o patriarcado insiste em conferir às mulheres ("sensibilidade", "bom-gosto", "poder de observação") deixam de valer.

Gle,
infelizmente acho que aparência da pessoa conta muito, sim, em nossa sociedade. Eu gostaria que não fosse assim. E me esforço para não valorizar o visual: tento elogiar as pessoas, por exemplo, por sua inteligência, determinação e coragem, não pela roupinha da moda ou pelo cabelinho pintado.

Na minha opinião, a moda de hoje é opressora para as mulheres, sim. Pensem no dinheiro e no tempo que a monte delas gasta comprando roupa e "se arrumando". Você gosta? Tudo bem, mas não se iluda achando que isso não tem consequência nenhuma para sua vida e sua carteira. E que no próximo vestibular ou no próximo concurso os seus concorrentes vão facilitar porque você tá usando a última tendência.

Ao mesmo tempo, eu sei que é uma questão complicada, porque a sociedade cobra das mulheres que elas "se cuidem". Então eu acho que se nós, mulheres, pararmos de criticar umas às outras já é um bom começo.

Jesse disse...

Interessante que o maior nome de todos é o de uma mulher - Chanel - e o é porque ela decidiu fazer roupas para mulheres que se movem, que ocupam espaços, revolucionando completamente a indústria.

Hoje há mulheres importantes - Stella McCartney, Clare Keller, Phoebe Philo, Sarah Burton e Donatella Versace realmente ditam tendências, assim como designers de sapatos e bolsas como Charlotte Dellal e Sophia Webster - mas, concordo, a criação ainda é muito mais dominada por homens do que deveria.

Lud disse...

Eu acho que hoje a moda é problemática em vários níveis, viu?

1) desperdício: a indústria é baseada na periodicidade de lançamentos. A ideia é que as pessoas se desfaçam de peças de roupa perfeitamente boas pra adquirirem outras.

2) superficialidade: o foco não é o que a pessoa faz ou pensa, mas em como se apresenta.

3) pouca utilidade: um carro (que geralmente é o objeto de desejo masculino) pelo menos te leva a lugares. Um videogame pelo menos aumenta sua coordenação motora.

E esses problemas vão continuar existindo mesmo se a moda se tornar includente e democrática (o que eu duvido muito), com modelos para todos os corpos e gostos.

Anônimo disse...

no momento em que a moda serve pra te culparem por ter sofrido um estupro, sei não....

Gle disse...

Pois é, talvez na "minha área" eu não veja muito esse tipo de coisa. Trabalho com software e tributos... um ambiente mais masculino/machista. Eu não uso maquiagem, não tenho unhas pintadas e amo calça jeans, camiseta e tênis/coturno. Não me considero "masculina", acho que sou mais básica mesmo. E também não tenho contato com clientes, são raras as vezes.

Pode ser que isso explique muita coisa dessa minha visão com a moda no ambiente de trabalho, hehe. A única coisa que quase me fez perder uma vaga de emprego foi um piercing hiper discreto no nariz. Tive que tirá-lo para conseguir a vaga.

Na verdade, acredito que a tua postura possa extinguir esse tipo de "primeira impressão" relacionada à vestimenta. Usando o exemplo da Raven: "um vendedor em loja não te atender". Eu geralmente viro o jogo nesses casos, quando percebo um certo "preconceito" ou seja lá como isso deve ser chamado. Nesse caso, eu pediria licença ao vendedor e perguntaria se ele poderia me atender, na cara dura e com educação.

Denise Marinho disse...

Desculpe, não entendi direito a sua mensagem. O que não pode indicar para as amigas?

Ah, vc falou sobre as revistas. São todas UÓ! só fazem a gente se sentir feia, burra, mal casada, pobre... Aff

Denise Marinho disse...

Precisa ver os nigerianos! Os caras são tão vaidosos quanto as mulheres e sao todos diferentes entre si. E as roupas tradicionais deles são ULTRA ESTILO. Passomahl.

Denise Marinho disse...

Mas isso tudo pode ser resolvido com reflexão (é oq penso), pq, olha só:
Uma pessoa que parar para pensar nao vai ficar deslumbrada e comorar tudo oq sai a cada estação. Até pq em casa estação saem mina coleções e não mais uma só. A pessoa vai procurar oq fica bom nela, para o corpo dela (e hj temos roupas pra todo mundo sim, a pessoa é q pode não ter conhecimento disso).
A pessoa tb pode expressar muito do que ela é pela roupa. Infelizmente nem todos têm condições de fazer isso da melhor maneira possível. Mas tendo informação, até na Marisa danpra fazer bons looks.
Infelizmente em alguns meios, pessoas vaidosas são mal vistas e na maioria dos outros quem não é tambem! Pra onde correr?

Jesse disse...

Lud,

A moda é opressora pra mulher, o carro é opressor pro homem... Viver em sociedade é viver oprimido em algum grau. Vamos desconstruindo aos poucos... Mas somos julgados (e portanto, oprimidos). Se eu for num coletivo feminista talvez seja julgada pelas minhas roupas. Em minha empresa sei que alguns acham bacana e outros, fútil. Há julgamento pelo tipo de livro e cinema que se gosta. A cada julgamento negativo, nossa voz perde valor perante aqueles interlocutores -- isso é opressão, certo?

Mas enfim, voltando a meu ponto inicial, todo mundo gasta dinheiro com formas de opressão internalizadas -- creio que é a isso que Gramsci e outros autores se referem como hegemonia, a absorção pelo oprimido dos valores que sustentam sua opressão.

E no concurso ou vestibular moda não faz diferença. Mas nas dinâmicas e entrevistas... Não que esteja certo. Mas concurso e vestibular não retratam a realidade da competição por empregos no Brasil nem no mundo.

Fê Cardoso disse...

Gostei muito e concordo com o post.

Não sou muito ligada em moda, sou daquelas que compram meia dúzia de roupas básicas de vez em quando, um ou outro vestido longo casual, sandália rasteira ou tênis e uso até acabar.

Adoro uma maquiagem e, mesmo assim, vira e mexe escuto que devia vestir roupas mais "femininas", tipo salto alto, que eu odeio e não uso nem morta.

Acho sim que um engajamento nas tendências pode ser um aliado no movimento feminista, no sentido de acabar com esse lero lero de roupas "que valorizem o corpo feminino" e outras abobrinhas do tipo.

Onde trabalho hoje usamos uniforme porém já fui prejudicada em uma entrevista de emprego porque estava de tênis, jeans e blusa básica.

A incoerência é tanta né? Se a pessoa está numa entrevista, na maioria dos casos é porque está sem trampo, logo, com pouca ou sem grana. Como vai conseguir se produzir toda, usar coisas de marca e tal? Eu hein...

Lud disse...

Denise,
acho que o seu comentário foi em resposta ao meu, né?

Acho que a reflexão ajuda bastante. E, para as pessoas refletirem, a gente tem de problematizar! Tem muita gente que não vê como uma questão, juro. Que consome muita moda sem parar pra pensar.

Eu não sei se hoje tem roupa para todo mundo, viu? Vejo muita gente reclamando que quem pesa mais que a maioria tem dificuldade. E eu mesma tenho: quero roupas que sejam confortáveis, duráveis... e que tenham bolsos! Roupa de mulher quase nunca tem bolso.

Você pode falar mais sobre como a pessoa pode expressar muito do que ela é pela roupa? Eu queria uns exemplos.

Sim, concordo que a gente não tem pra onde correr. Mas acho que o número de lugares em que torcem o nariz para as mulheres "não-vaidosas" é muito menor do que o daqueles que acha bonito. E, embora em ambas as situações exista uma exigência, em termos práticos não ter que se arrumar dá muito menos trabalho e custa menos.

Raven Deschain disse...

Concordo que não tem roupas pra todos, Denise. Vc citou a Marisa, mas como tenho quadril largo não compro calças, shorts nem saias lá. Não me servem.

Aí preciso ir numa loja em que até serve mas é mais caro. Daí prefiro ficar sem. ¬¬

Então Gle. Acontece muito. Já vi gente perder vaga ou então não ser atendido. Isso acontecia muito com pai, que só usa um shorts, uma camiseta e chinelos de dedo. E ele tem grana!

Anônimo disse...

Cadê o Thomas e o pau enorme dele pra comentarem?? Afinal de moda ele entende, diz q sempre anda super bem vestido.

Eu mesma disse...

Os estilistas gays ou não são misóginos sim, caso contrário, fariam roupas para todos os tipos de mulheres e teriam modelos de todos os tipos.
Eu não sei onde é essa moleza toda em achar roupas, em uma loja compro uma calça do meu número e ela entra, vou em outra, compro o mesmo número e n serve mais. E n acontece só comigo, n sei que raio de numeração é essa que eles usam.
Raramente acho blusa que n fique grudada no corpo, parece que só existe um tecido para se fazer roupa.
E para quem é gorda como eu piorou, vou em lojas normais e os tamanhos gg que eles tem são ridículos, estão bem longe de serem grandes, as roupas tamanho p, parecem de criança.
E as lojas que tem roupa exclusiva para gordo, custa o olho da cara, sem falar que no geral são umas roupas feias para cacete, alguém aí falou que gordo se veste mal, é por isso, n tem muita opção.

Camila D disse...

"A incoerência é tanta né? Se a pessoa está numa entrevista, na maioria dos casos é porque está sem trampo, logo, com pouca ou sem grana. Como vai conseguir se produzir toda, usar coisas de marca e tal? Eu hein..."

Bem isso.

Denise Marinho disse...

Eu citei a marisa pq é uma grande rede, mas poee ser cea, renner, etc.
Minha dica é comprar uma calça que resolva a bunda e o quadril (drama universal), aí mandar ajustar na costureira.
As lojas plus size (46 já é considerado plus size, acho isso insano) que tem roupas com mais estilo, são sim mais caras, mas percebo que está aumentando a oferta. Mas pelo jeito ainda é pouco.
Existem blogs de moda plus size que podem ajudar. Por mais q eu odeie essas blogayras de moda, é valido como inspiração. Mas acho qe só vale a pena gastar tempo e $ se a pessoa realmente gostar dessa coisa de se vestir com estilo e conceito o tempo todo e tal.

pp disse...

É isso mesmo "Eu mesma"! A maior parte das lojas que fazem roupas "legais" só tem tamanhos pequenos. Felizmente eu tenho facilidade para comprar, mas sempre observo isso. E não precisa ser obeso para ter dificuldade, qualquer gordinho já passa aperto.

Será que não seria um bom negócio abrir uma loja de roupas estilosas para gordinhos?

Denise Marinho disse...

Lud, concordo q a exigência pra ser mais arrumada é muito mqior. Eu, particularmente decidi não me estressar.

Sobre os bolsos... Hahah isso é verdade, mas é pq a maioria esmagadora das mulheres usam bolsa. Eles voltaram agora, ainda rasinhos que não cabe nada, pra fazer pose!

Sobre se expressar: tem gente q gosta de rock, hip hop ou basquete e logo de cara você percebe isso. É uma maneira de se expressar, de mostrar ao mundo suas cores e atrair quem gosta disso e afastar quem não gosta.
Algumas pessoas se vestem para se mesclar ao ambiente, para "pertencer" a ele, ex quem trabalha no mercado de luxo (caso nao seja do meio).
E no meio disso acho que está a maioria, que se veste pra nao sair pelado a rua e preza pelo conforto ou então quem tenta criar alguma imagem mas faz de maneira equivocada.
Eu acho que no fundo isso não é nada, pq efetivamente não muda quem a pessoa é, mas muda como ela é percebida, cabe aí a cada um encontrar o justo meio, se quiser.

Ah, vendo esses comments percebi q vivo num mundo quase irreal. Quando nao tinha $ p comprar roupa, eu tinha algumas poucas, mas boas, para entrevistas de emprego.

Fê Cardoso disse...

OFF TOPIC

Gente, uma artista, aproveitando a onda de livros pra colorir, criou um com versões das princesas cheias de personalidade e empoderadas.... Muito legal!

http://pacmae.com.br/princesas-empoderadas-mae-e-ilustradora-sueca-cria-livro-para-colorir-gratuito/

Anônimo disse...

Coco Chanel *-* . Tem um filme sobre a vida dela "Coco avant Chanel", eu gostei e recomnedo.

Eu mesma disse...

PP

Seria mesmo, cliente não vai faltar, mas seria bom tb, cobrarem um preço razoável e n a extorsão de sempre só pq é roupa de gordo.


A incoerência é tanta né? Se a pessoa está numa entrevista, na maioria dos casos é porque está sem trampo, logo, com pouca ou sem grana. Como vai conseguir se produzir toda, usar coisas de marca e tal? Eu hein...

As incoerências e discriminações de sempre, como exigir experiência do trabalhador e ao mesmo negar emprego a quem n tem experiência. Vai se tornar experiente como?
E minha prima já perdeu emprego por estar arrumada demais, a vaga era de faxineira, ela foi de salto, jeans e blusa, para a mulher que ia contratar, isso era estar arrumada demais e disse para a minha prima que não parecia que ela precisava do emprego??????? Era para ir de short e chinelo? Descabelada, para parecer que estava bastante fudida na vida? Essa eu n entendi.

Anônimo disse...

Pós-feministas não passarão. A Segunda Onda vai virar um tsunami - Onda onda olha a onda, onda onda olha a onda!

Anônimo disse...

A segunda onda virou peça de museu. O feminismo atual é o da terceira onda. Conviva com isso.

Ana disse...

Concordo totalmente com a Lud.
Não consigo ver nada de positivo na moda, como ela se apresenta hoje. Acho a moda opressora, excludente, na contramão da autossustentabilidade.
Não acho que as pessoas precisem se vestir "mal" ou que não possam ter vaidade. Apenas acho que todos deveriam se sentir livres e ter a possibilidade e o acesso a se vestir da forma que desejarem.
E, sim, também acho que se nós, mulheres, pararmos de nos criticar umas às outras, será um ótimo começo.




Fê Cardoso disse...

Como se já não bastasse todas as divergências dentro do movimento feminista, ainda querem dizer qual "tipo" de feminismo "passará"..... que preguiça disso.

Uma onda complementa e amplia a outra. Ao invés de ficar se preocupando com isso, que tal focar no que realmente importa e UNE todas nós, a causa comum?

Se a pessoa não consegue exercer a tolerância e combater a discriminação e o preconceito dentro do próprio movimento, como vai conseguir isso fora dele? Tentar uma mudança na sociedade como um todo?

Anônimo disse...

Eu amei esse post.

Sou assessora em um tribunal e trabalho em um gabinete com uma juíza.
Meu ambiente de trabalho, portanto, exige uma vestimenta mais formal, mas não permito que isso restrinja minha personalidade ou feminilidade - muito menos que o preconceito da ala radical me aponte como "menos feminista".

Faço as unhas todas as semanas, faço questão de estar sempre com o cabelo brilhante e bem maquiada.
E exatamente como no texto, quando estou de blazer, uso peças ultrafemininas, especialmente o colar de pérolas, mas também lenços de seda ou outras jóias grandes e/ou impactantes.

Hoje eu sou assessora e "concurseira", porque amanhã quero ser magistrada.
E o modo como eu me visto e me porto faz muita diferença.

Apesar de acreditar que todas as mulheres tem ampla liberdade para se vestirem da forma que quiserem, essa é uma batalha que eu não quero travar pessoalmente - pelo menos não agora.
Eu não me importo em não usar decotes, saias/vestidos curtos ou roupas mais moderninhas, porque a moda deve funcionar a meu favor.
Nesse âmbito, o maior elogio que eu já recebi (com exceção dos elogios ao meu trabalho efetivo, por óbvio) não foi "que linda sua roupa/maquiagem/jóia", mas sim "você tem cara de juíza".
Fato é que eu não quero que ninguém duvide do meu potencial porque eu uso legging no gabinete. Está errado quem pensa assim? Está. Mas se eu preciso aceitar esse tipo de limitação para chegar lá e fazer a diferença, então tudo bem.

camila santos disse...

Vou ignorar o texto para mostrar mais um caso de uma mulher morta por supostamente ser "bruxa" que pra mim não é nada mais que um disfarce para matar mulheres ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-05-28/mulher-acusada-de-bruxaria-e-mutilada-ate-a-morte-em-vila-da-papua-nova-guine.html

Lud disse...

Anônima das 00:16, desculpaê, mas "cara de juíza" não vai te aprovar no concurso da magistratura. Cara nos livros, sim! (Sendo que uma coisa não impede a outra, claro.)

Ok, tem a prova oral, mas acho que a banca não vai saber como você se veste ou se porta no ambiente de trabalho. Ou vai?

Sim, o ambiente jurídico exige roupas sóbrias. Mas existe um mundo de diferença entre "usar legging" e fazer questão de cabelo brilhante, maquiagem e colar de pérolas.

Você tem todo direito de usar o que quiser. Torço para que você seja aprovada no concurso, porque quanto mais mulheres no poder, melhor. Mas não acho que você precise de toda a produção que você está descrevendo para ser vista como competente. E espero que, na hora de escolher suas próprias assessoras, você também enxergue além das aparências.

Anônimo disse...

Eu não ligo de me fantasiar de mulherzinha pra me apresentar profissionalmente, depois é só chegar em casa, arrancar tudo, meter aquele par de CROCS super sensual e me afundar no Netflix.

Sou advogada e se não me visto com "cara de advogada" as coisas ficam sim difíceis. Especialmente com cliente e pra esses, eu ostento a bolsa carésima, o sapato carésimo, o ouro (inshalá!!!) simplesmente porque eles reparam, gostam e têm uma ótima impressão.

Na minha vida fora do fórum ando de calça jeans e camiseta de banda.

Anônimo disse...

Aliás já aconteceu de eu fazer audiência durante o dia e à noite encontrar o mesmo juiz em um supermercado com a esposa e ele não me reconhecer, justamente pela ausência dos meus "paramentos" kkkk

Anônimo disse...

"Sim, o ambiente jurídico exige roupas sóbrias. Mas existe um mundo de diferença entre "usar legging" e fazer questão de cabelo brilhante, maquiagem e colar de pérolas. "

Desculpe mas a futura juíza está certíssima em agir como age. Faz MUITA diferença no tratamento, o referido é verdade e dou fé kkkkkkkk

Anônimo disse...

"Mas não acho que você precise de toda a produção que você está descrevendo para ser vista como competente. "

Precisa sim. Até porque a reputação antecede o concurso e acredite, isso conta bastante, especialmente no mundinho em que todo mundo se conhece.

Lud disse...

Anônimas dos comentários anteriores,
então o mundo jurídico é (ainda) mais ridículo do que eu imaginava. Bora mudar isso aí?
A não ser que vocês achem que tá de boa.

Anônimo disse...

"então o mundo jurídico é (ainda) mais ridículo do que eu imaginava"

Demais, olha isso (notícia de 2000)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2504200028.htm

E isso aqui

http://cynthiasemiramis.org/2007/03/16/o-judiciario-e-as-roupas-femininas/

E até hoje, 2015 e provavelmente em 20125 e 2035 ainda vão te olhar muito torto se você não estiver bastante "nos trinques".

Eu to de boa com a fantasia de mulherzinha mas isso da saia era realmente ridículo.

Anônimo disse...

"20125" kkkkkkkkkkk que pessimismo o meu!

Anônimo disse...

Lola, case-se comigo! Prometo que irei te curar desse mal que te perturba mentalmente, juro que irei erradicar o feminismo da sua "alma". Em nome da nação machista, irei me sacrificar para levar você ao lado decente da vida!

Att. Seu Cajuzinho

Kittsu disse...

Você já abusa das suas familiares, especialmente sua mãe. Não precisa exportar sua folga... Já tá muito espalhada.

Anônimo disse...

Sinceramente? Acho uma tosquice esse papo de feminista anti-moda que às vezes vejo por aí. Que diabo de feminismo é esse que não faz questão de ocupar espaços? É pra deixar uzómi ditando como a gente deve vestir, andar, o tamanho do salto e o desconforto do sapato? Não né gente! Chega de vestir misoginia, desconforto, restrição.... por mais mulheres feministas na moda também!!!!!!!!

Raven Deschain disse...

Lud, não é só no meio jurídico. Eu trabalho em call center desde sempre e na empresa que estou agora, as mulheres que não tem "cara de supervisora" são menos respeitadas. Outro dia teve reunião pra "orientá-las" a se vestir adequadamente.

Concordo com vc. Seria ótimo se não fosse assim, mas é.

E eu concordo com a moça de 10:04 MUITO! Sério que alguém acha maneiro o Louboutin fazer (algumas poucas podres de ricas) as mulheres usarem um salto de 20 cm fino como um hashi?? Deve doer até o toba! 'Ain mas é moda'.. . Pois eu nunca vi a Coco Chanel fazendo um absurdo desse.


Fê, o pior não é nem isso. Queria saber como essa pessoa tem saco pra postar o mesmo comentário em todos os posts.

Raven Deschain disse...

Lud vc está interpretando mal a mulher. Hahaha

Ela não disse que em vez de livros compra sapatos. Mas pra subir nesse meio vc precisa ter contatos, conhecer pessoas. E pra isso, o que NÃO dá é pra essas mesmas pessoas te acharem "jeca". É foda. É uma merda. Mas é assim.

Não dá pra fazer discurso feminista pra todo mundo que te tratar que nem tatu. Até pq na maioria das vezes, ninguém fala na tua frente "affe, que unha malfeita". Ninguém.

Eu entendo perfeitamente bem oq ela quis dizer e não acho q ela esteja errada.

Lud disse...

Raven,
ela não tá errada, o sistema é que tá errado. Mas ele só vai mudar quando a gente começar a questionar, né?

Qual o ponto de vir a blog feminista dizer que faz questão de seguir os padrões de feminilidade? O mundo já fala que a gente tem de fazer isso. Achei que aqui fosse um espaço pra incentivar as pessoas a serem diferentes.

A futura juíza (sério, tô torcendo) não problematizou a questão em momento algum. Muito antes pelo contrário. Ela pode se vestir como quiser, mas não vem me contar cheia de orgulho. Quem tá levando vantagem nessa é o colega juiz feião, careca e desarrumado que não tem de ter "cara" de nada.

Rosanna Andrade disse...

Eu não diria que os homens podem andar desarrumados em algumas profissões. Às vezes, é necessário um traje formal.

Mas me digam, quando que isso passaria despercebido se a âncora fosse mulher?

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141117_apresentador_australia_sexismo_lgb

"Para denunciar o que chamou de 'sexismo' na TV, um apresentador da Austrália afirmou ter usado o mesmo terno azul durante um ano – e sem ser notado."

Anônimo disse...

Anon 22:13
Aceita você que o feminismo da segunda onda é completamente adaptável aos dias de hoje e sempre haverá ao menos uma voz resistente pra jogar isso na sua cara. Vcs pirocos terão que engolir Germaine Greer, Sheila Jeffreys, Julie Bindel e muitas outras. O que devia ter ficado no museu da década de 70 são seus amigos drag queens, não o feminismo.

Anônimo disse...

É óbvio que o feminismo da segunda onda é peça de museu. A menos que vc viva na ilha da Mulher Maravilha.

É antiquado, extremamente rígido e excludente.

Tanto é, que esse feminismo nem é falado fora das rodinhas das radicais. E se alguém resolver vir com esse discurso velho, vai fazer papel de maluca.

Vc pensa que ofende alguém com essa atitude infantil de chamar de piroco, drag queen? É claro que não. Só mostra o quanto é ridícula.


Anônimo disse...

Cansa esse papo de que feminista não pode gostar de moda, que belo movimento que quer ditar o que posso ou não gostar.
passo !! Não gosto de andar desarumada e mal vestida, isso não faz nada de bom pra auto estima. Me visto como quero, se quero seguir a moda é escolha minha.
menos raiva e cagação de regra feminista faria bemao "movimento". Vcs reclamam da sociedade ditadora de regras mas são iguais, não sabem respeitar e isso só afasta.
Camila.

jacmila disse...

"achei q aqui fosse um espaço pra incentivar as pessoas a serem diferentes" Lud, tb entro aqui com essa expectativa e me doeu o coment da juíza porque só reforça o status quo.

Também adoro roupas confortáveis e com bolsos!
https://www.pinterest.com/jacmilad/roupas-estilosas/

Raven Deschain disse...

Ah sim, Lud. Vc tem toda a razão.

Luiza Bairros disse...

nao vi o pq do comentário da anonima 00:16 ter causado certo fuzuê. Acho que ela "problematiza" sim o código de vestimenta exígivel no mundo jurídico: "o que isso restrinja minha personalidade ou feminilidade - muito menos que o preconceito da ala radical me aponte como "menos feminista". Aqui ela aponta como faz para vestir o que gosta mesmo tendo que seguir o código de vestimenta imposto.
"Está errado quem pensa assim? Está" sobre julgar a competência alheia pelo jeito de vestir.
O fato é que todos nós, queira ou não, somos influenciados pela moda. Aposto que ninguém se veste como nos anos 20, 30, etc..

Também penso que se sair do padrão pode não ter um preço muito alto a pagar. A ponto da própria pessoa fora do padrão se sentir mal consigo mesma. nesse acso talvez seja melhor repensar se não vale a pena voltar, ao menos um pouco aos padrões.

Anônimo disse...

Quando vai vir a quarta (ou terceira, ou quinta, dependendo do tipo de interpretação da história) onda do feminismo? Tô apostando que essa nova onda feminista vai ser focada na construção, manutenção e defesa de espaços exclusivos de resistência feminina contra o patriarcado e o poder masculino. No sentido do desenvolvimento de power bases para o fortalecimento feminino, espaços seguros p/ o empoderamento e o crescimento feminino e p/ formação de laços fortes de solidariedade e cooperação entre feministas/mulheres rebeldes/resistentes.

Lud disse...

Luiza,

uai, mas o gosto dela é o padrão. A "problematização" que ela apresentou foi "não us
ar decotes, saias/vestidos curtos ou roupas mais moderninhas". E não é esse o problema.

O problema é que o mundo jurídico exige uma apresentação formal, mas para os homens isso é terno e gravata, e para as mulheres é roupa formal (o equivalente ao terno e gravata)... mais salto, maquiagem e acessórios. Pelos comentários aqui, a minha conclusão é que o edital pro concurso da magistratura demanda que os candidatos homens saibam a matéria e que as candidatas mulheres saibam a matéria E tenham "cara de juíza" (que significa ser bonita - ou "bem-cuidada" - e rica, né?)

Não estou dizendo que as mulheres da área devem poder usar legging e tênis. Estou dizendo que, pra variar, as exigências sobre as mulheres são maiores. E a se a candidata ao cargo não ligar pra maquiagem? E se ela não puder ou quiser usar salto? E se ela, em sua santa inocência, aparecer na prova oral de blazer, sapatilha e cara lavada? Não vai ser aprovada? E o coleguinha que veio de terno e teve uma apresentação muito parecida vai?

Enquanto isso, a representação feminina nos tribunais superiores continua bem pequena.

Anônimo disse...

Acho q o feministas deveriam participar mais do mundo da moda. Vejo esse mundo muito dominado por homens, pois as cabecas por tras dos looks, os . estilistas, são homens. Deveriamos ter uma moda mais voltada a realidade feminina. Nao somos bonecas esqualidas. Temos uma infinidade de biotipos diferentes e as modelos muito magras e altas não representam a nossa realidade. Tb nao devrria nos ser impostos sapatos com saltos tao altos q so servem para nos garantir anos de fisioterapia por conta dos problemas de saude q esses calcados podem nos causar.
Enfim, a moda nem spre nos favorece

Anônimo disse...

Sou a Anon 00:16, ou "futura juíza" como algumas citaram, de forma pejorativa ou não.

É óbvio que uma cara bonita não aprova ninguém no concurso da magistratura (ainda bem!), mas a Raven, a Luíza e algumas anônimas falaram de forma muito acertada sobre como isso faz a diferença.
A juíza para quem eu trabalho não participa das bancas de concurso (e se participasse ela teria que se declarar impedida de me avaliar), mas vários colegas dela, juízes e desembargadores, participam. São pessoas que passam todos os dias pelo gabinete em que eu trabalho, e isso faz MUITA diferença.
Eles me veem como uma assessora que trabalha bem e muito, estuda muito, e quer MUITO. Que já trabalha como uma juíza, se porta como uma juíza e tem "cara de juíza". Uma "colega em potencial". E isso, infelizmente, faz diferença.

Quem chega na prova oral sem dúvidas é competente, é inteligente e tem domínio do direito.
A avaliação, então, é muito mais abrangente - tanto, MAS TANTO, que existem cursos especializados em ensinar os candidatos (lembrando: pessoas que passaram na prova objetiva, na prova discursiva, na prova de sentenças cível e criminal, e na avaliação psicológica) a se vestir e se portar.
Se eu tenho contato diário com as pessoas que vão integrar essa banca de avaliação, eles não vão considerar, por óbvio, só aquele momento da prova, mas tudo. E é com isso que eu me preocupo desde já, como não poderia deixar de ser.

Eu não concordo com o sistema de maneira alguma, mas nesse momento eu preciso me curvar à ele para conseguir conquistar meu objetivo, porque nesse contexto as mulheres são muito mais julgadas do que os homens.
O mundo jurídico é sim ridículo, e ridiculamente pequeno.
O preconceito é tão latente nas bancas de concurso que no TJPR, onde trabalho, há sistema de cotas raciais para a magistratura.

O meu comentário foi no sentido de que o sistema é uma m*, mas eu me rendo à ele porque não há outra opção NO MOMENTO. Entretanto, não faço isso tornando minha imagem masculinizada; eu reafirmo minha feminilidade dentro daquilo que é permitido no ambiente, e por isso as unhas, o cabelo...
Agora, se eu passar no concurso terei a mesma liberdade de que a minha chefe já dispõe: ir mais arrumadinha só quando tem sessão (ou audiência), nos outros dias é só sapatilha ou até tênis.
A Luiza Barros colocou muito bem: "Também penso que se sair do padrão pode não ter um preço muito alto a pagar. A ponto da própria pessoa fora do padrão se sentir mal consigo mesma. nesse acso talvez seja melhor repensar se não vale a pena voltar, ao menos um pouco aos padrões".

Lud disse...

Moça,
o "futura juíza" não é pejorativo, não. Ao contrário, é um encorajamento. Torço pra que você - e todas as mulheres - realizem seus objetivos.

Entendi o que você explicou. Faz todo sentido. E, sendo este um blog feminista (e não um blog sobre carreira ou moda, onde provavelmente todo mundo concordaria sem ressalvas com a sua posição).. eu gostaria de conversar sobre o que você quer dizer quando fala sobre "reafirmar sua feminilidade".

Porque essa é uma discussão antiga do feminismo. Se você não estiver maquiada e arrumada, não se sente feminina? Por quê? Eu sei, a sociedade como um todo (e a mídia, inclusive a maioria dos blogs) te diz todo dia que se preocupar com a aparência é parte essencial de ser uma mulher. Mas olha, um homem bota um jeans e uma camiseta e tá de boa. Ele não precisa de acessórios e modificações para reafirmar seu gênero. Isso não é interessante?

E tem consequências, né. No seu caso, que pode "jogar o jogo", parece que não é um problema. Mas acaba sendo para quem não quer ou não pode se encaixar no padrão. E mesmo quem se encaixa pode gastar muito tempo e energia com isso, ficar arrasada quando ganha peso ou envelhece, julgar as mulheres que não estão "à altura" como vagamente inferiores... além de estar eternamente "sub examine" da galera, claro.

Pra mim, descobrir isso tudo foi libertador. Um livro muito legal (um clássico!) que fala sobre isso é O Mito da Beleza, da Naomi Wolf (tem em .pdf aqui: http://brasil.indymedia.org/media/2007/01/370737.pdf).

É isso. Não estou te criticando, estou criticando o sistema. E te desejando muito sucesso nos concursos!

Anônimo disse...

A expressão "reafirmar minha feminilidade", foi mais para voltar ao sentido do post, especialmente quando retrata as "mulheres de carreira", que "passaram a se vestir de maneira empoderadora, com saias de alfaiataria e enormes ombreiras, aproximando-se do estilo e da silhueta de um homem executivo profissional".
De qualquer forma, vou aceitar a sugestão de leitura para não incorrer nesse tipo de erro novamente. Obrigada.