quinta-feira, 20 de novembro de 2014

RACISTAS, TENHAM CONSCIÊNCIA

Hoje é uma data muito importante, o Dia da Consciência Negra, um dia de luta. A data escolhida marca a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. 
Poupem-me do revisionismo histórico reaça de que Zumbi não pode ser visto como herói porque o quilombo dos Palmares também tinha escravos. Vivemos num país sem heróis negros, em que até pouco tempo a grande heroína da abolição era uma princesa branca. Um país em que bandeirantes, homens que matavam e escravizavam índios, têm monumentos em sua homenagem. Um país que tem dificuldade em reconhecer até que um de seus maiores escritores, Machado de Assis, era negro. Um país que, apesar de todas as evidências, ainda nega ser racista.
Todo 20 de novembro a gente tem que repetir que sim, precisamos de um dia da consciência negra (que é o que falamos em 8 de março: sim, precisamos de um dia da mulher), que não, não é todo dia que é dia do negro, do pardo, do branco, e que não, não deveríamos comemorar a "consciência humana". E que, olha, não falar de racismo não faz com que o racismo milagrosamente desapareça. Ou, pior: que racismo mesmo é destacar um dia pra consciência negra.
Anúncio da OAB Sergipe, ontem
Sério mesmo, se você acredita em alguma dessas besteiras, reflita. Está na hora de rever seus conceitos. De ver onde você guarda o seu racismo.

"Volte pra senzala!", gritam médicas
na recepção de médicos cubanos
ao Brasil
Não vivemos num país, nem num mundo, em que as pessoas têm as mesmas oportunidades. Será que ainda tem gente que crê que todos nascemos iguais e largamos do mesmo ponto de partida? Não é possível: se você é filho de médicos, por exemplo, você está automaticamente fadado a inúmeros privilégios. Se você é filho de pedreiro e empregada doméstica, você não terá privilégio algum. E não preciso nem fazer o recorte de raça, porque, no Brasil, médico é branco. Pedreiros e empregadas domésticas, a imensa maioria, são negros. Você deve achar que é pura coincidência isso.
Jornalista do RN sobre a cara das médicas cubanas
E não, você não fez nada pra "merecer" nascer com tantos privilégios. 
A sociedade inteira está estruturada para dar a brancos privilégios que negros não têm, dar a homens privilégios que mulheres não têm, dar a héteros privilégios que homossexuais não têm. Tudo que você teve que fazer pra "merecer" essas vantagens foi nascer numa sociedade preconceituosa. Parabéns, campeão!
A cara da elite revoltada
com as cotas raciais
É simples assim: se você acredita nessa mentira chamada meritocracia (de que as pessoas bem-sucedidas mereceram ser bem-sucedidas), você tem que acreditar que as pessoas pobres merecem a miséria. Todas elas, e olha que elas são ampla maioria no mundo. Não dá pra achar que você mereceu um bom emprego, mas que aquela pessoa que nem tem o que comer não merece passar fome. E, pelamor, pare de se guiar pelas exceções: não é porque saiu no jornal que um catador de lixo conseguiu passar no vestibular que isso desmente toda uma flagrante injustiça social. Essa notícia só faz você pensar que, se a pessoa trabalhar duro, ela terá uma vida boa. Mas não é verdade: a maior parte das pessoas trabalha duro e nem por isso é recompensada com uma vida boa. 
Eu estive no Congresso em abril e percebi como a desigualdade salta aos olhos. Não só que havia pouquíssimas mulheres deputadas (menos de 10%), como havia pouquíssimos negros e negras. Aliás, havia sim: os seguranças e faxineiros eram negros. Assim como não é verdade dizer que na USP não tem negros. Tem, é só olhar. Não são os professores (apenas 0,2% dos professores da USP são negros), nem a maior parte dos alunos, mas olhe pros funcionários da limpeza, aqueles terceirizados, praticamente sem direitos trabalhistas, que ganham uma merreca. Grande parte é negra.
Eu fiz mestrado e doutorado na UFSC sem ter um só colega negro ou professor negro durante seis anos. Tudo bem que foi em Santa Catarina, estado com o menor número de negros do Brasil ("apenas" 13%, a mesma porcentagem de negros nos EUA). Lá dei aula de estágio-docência pra turmas de 40 alunos de Letras (não em cursos elitistas como medicina e engenharia, mas em licenciaturas), e não havia alunos negros. Como explicar isso? Como se sentir confortável com essa segregação?
Alunos protestam na Ufes
Não tem como justificar esses números: em 1997, só 2,2% de pardos e 1,8% de negros, entre 18 e 24 anos, cursavam ou tinham concluído um curso de graduação no Brasil. Hoje, com mais de dez anos de cotas raciais implantadas no Brasil, há 11% de pardos fazendo curso superior, e 8,8% de negros. Ainda é um número irrisório se pensamos que a maior parte da população brasileira (ou seja, mais de 50%) é parda ou negra. 
Hoje a realidade é diferente daquela que vivi na UFSC. Sou professora na Federal do Ceará, e no estado em que escolhi viver 64% da população é parda ou negra. Nas turmas de Letras, há alunxs de todas as cores. Ainda assim, quando dou aula para cursos ricos, a grande maioria dos alunos é branca. 
A situação está mudando, sem dúvida. As cotas raciais e sociais são uma grande conquista que enfurece a elite. Não é à toa que o partido mais direitista do Brasil, o DEM, entrou com recurso no Superior Tribunal Federal em 2012 para que as cotas raciais fossem retiradas da UnB. A alegação? Racismo. É muita cara de pau. E não é à toa que o Estado que mais resiste às cotas em suas universidades é SP, governado pelo PSDB há vinte anos. 
As cotas evidentemente são um paliativo. Elas só possibilitam o acesso de (alguns) negros à universidade. E eu fico pasma em ver como reaças não fazem a menor ideia de como cotas funcionam. Não é que um negro passa em frente a uma faculdade e as portas se abrem pra ele. Ele tem que tirar nota boa no Enem. Só que algumas vagas são reservadas pra negros que estudaram em escolas públicas. Aliás, vagas são reservadas para alunos de escolas públicas, ponto. 
Universidades ainda são lugares preconceituosos, assim como toda a sociedade. Eu fico pensando como deve se sentir um negro que consegue a façanha de estudar numa instituição que não foi feita pra ele, só pra elite, ouvir um professor dizer que negros não têm "socialização primária na família"? Como se sente uma aluna negra (vamos supor que exista) de Medicina da USP ao ouvir a música cantada nas festas e comemorações, que fala da "preta imunda / crioula da b*ceta fedorenta / que eu não como nem lavada / em água benta"?
O Dia da Consciência Negra é um dia de luta, como são os outros 364 para as pessoas negras que vivem num país racista. Só posso torcer que, para os racistas, o 20 de novembro seja o seu despertar. O dia em que você começou a encarar a realidade e a fazer um esforço consciente para deixar de ser racista. 

79 comentários:

Raven Deschain disse...

"preta imunda / crioula da b*ceta fedorenta / que eu não como nem lavada / em água benta"?

Meldels. O-o

Oqueeeeeeee?

Hyana disse...

Adoro seu blog Lolinha, me fez refletir tanto. Só não percebe que existe racismo no Brasil quem não quer ver. Um abraço.

Anônimo disse...

Lolinha, vc viu um blog chamado olhares da unicamp? Reune relatos de pessoas pobres e/ou negras de como é a experiência da faculdade pra elas. Me tocou muito e me fez perceber muita coisa da minha própria graduação... dos privilégios e dos preconceitos principalmente. Da uma olhada, vale a pena.

James Hiwatari disse...

Hoje também é o Trans Remembrance Day, pra lembrar das pessoas trans assassinadas por serem trans. Não só o Brasil é o país que mais mata pessoas trans, como os números anuais do levantamento feito pela ILGA Europe sempre colocam o Brasil com mais da metade dos assassinatos de pessoas trans registrados no mundo todo.
E considerando que a grande maioria dessas vítimas brasileiras são mulheres negras, o dia de hoje se torna ainda mais importante.

Anônimo disse...

Essa "jornalista" Micheline Borges é a Rachel Scheherazade do RN? Que pessoa nojenta, ela foi denunciada? Ela queria o que que médicos parecessem coronéis arianos?

Anônimo disse...

Ah ta, não falar de racismo acaba com o racismo? Que podre essa OAB de Sergipe.

Jonas Klein disse...

Olá Lola.

Eu sei que você tem uma opinião diferente, mas eu sou contra as cota racial, porque intendo que isso e um racismo feito ao contrario.

Os negros aqueles que que forem realmente pobres, eles devem ser beneficiar da cota social, essa sim e uma cota social e racialmente justa, pois beneficia a os mais pobres sem fazer distinções de qualquer tipo.

Agora eu reconheço que o brasil e um pais muito racista e preconceituoso de todos os modos possíveis, e particularmente eu acho que preconceitos em maior ou menos proporção, infelizmente sempre vão existir dentro da sociedade.

Eu penso que cabe a todos nos lutar contra qualquer forma de preconceito que seja, só que problema e que uns 98% das pessoas pode se dizer que tem algum tipo de preconceito, contra algum tipo de pessoa vamos dizer assim, e ai quando se trabalha com um senária destes, não tem como acredita que todas as formas de preconceito vão desaparecer algum dia.


Um abraço

Anônimo disse...

Tem uma medica parda ali na foto mandando o medico cubano ir para a senzala. Sera que ela pensa que seria promovida a "ariana" pela galerinha do stormfront e vnn?
Eu já ouvi de afrodescendentes que juram que queriam ter vivido no Brasil dos séc. XVI, XVII e XVIII. Muito louco viu!

Anônimo disse...

Lola, não seria correto, TAMBÉM, uma data para a consciência étnica, pois eu acho que outras etnias minoritárias como as indígenas acabam deixadas de lado ou em menor importância com uma data específica?

Anônimo disse...

Quem vocês acham que é mais oprimido, negros ou mulheres? Genuinamente curioso.

Anônimo disse...

Hoje é o dia da hipocrisia.
Pessoas que são contra a escravidão no mundo, mas
idolatram hoje um ser que escravizava seus próprios
patrícios negros. Mulheres negras que são contra os
estupros, mas estão hoje adulando e fazendo
homenagens a um ser que estuprava mulheres negras
no seu quilombo. Muita gente nem sabe quem foi zumbi
dos palmares (com Z minúsculo mesmo) e comemora
seu "simbolismo".
O simbolismo que ele trouxe nada mais me parece do
que a velha mania do brasileiro de adular e exaltar
vagabundos da pior estirpe, enquanto pessoas que
realmente contribuíram para a ascensão do negro são
esquecidas (procurem sobre o Dr. Ernesto Carneiro
Ribeiro) e jogadas ao ostracismo.
O movimento negro tem a péssima mania de querer
impor que a sociedade nos deve alguma coisa pelo fato
do negro ter sido escravizado ao longo dos tempos.
Falam isso com propriedade, dizendo que SÓ os negros
foram escravizados ao redor Do mundo. Mas espera,
até hoje na África existe escravidão, escravidão esta
feita de negros para os próprios negros. Cadê o
movimento negro pra falar isso?
Ah, claro só o branco escraviza os negros não é
mesmo?
Mulheres negras (estas instrumentalizadas.por
feministas) dizem que "mulheres negras na televisão só
são empregadas, escravas e subalternas do tipo.
Mas vem cá, e as mulheres NEGRAS que foram
escravizadas, FORÇADAS a se tornarem muçulmanas e
FORÇADAS a se casarem com integrantes do grupo
terrorista africano Boko Haram?
Claro, o sofrimento de quem de fato é escravizado não
conta.
A única raiz histórica que o dito"orgulho de ser negro"
traz é a velha máxima de acobertar a escravidão de
seus patrícios desde QUE ELE PRÓPRIO não seja feito
escravo.
Contudo, "comemorar" o feriado de zumbi é ser
conivente com a escravidão e o estupro de mulheres
negras, então se você comemora isso,não reclame de
escravidão ou estupros, pois VOCÊ é cúmplice disso.

Anônimo disse...

"preta imunda / crioula da b*ceta fedorenta / que eu não como nem lavada / em água benta"

São esses daí que cuidam da saúde no Brasil? Poxa :(

Fernanda Dannemann disse...

Lola, seu blog é o melhor que há!

Anônimo disse...

É, não vamos mais falar do racismo, porque a gente sabe que tudo que não se fala desaarece automaticamente... (sarcasm mode ON só pra deixar bem claro pros mascus de plantão) afinal, as mulheres nunca precisaram falar dos seus problemas né, todos sabem que foram os homens brancos héteros bonzinhos que deram os direitos que as mulheres tem hoje! SQN!

P.S.: É sério que fizeram mesmo esse "preta imunda"? Sério mesmo? E ainda tem o desplante de dizer que não existe mais racismo no Brasil? Dá licença, acho que vou ali cometer um harakiri tupiniquim e já volto...

Ou cometo um assassinato em série de babacas? Oh gosh, agora fiquei em dúvida...

Anônimo disse...

Já li que no Ceará tem muitos poucos negros. Como explica esse número de 64%?

Anônimo disse...

Não é possível: se você é filho de médicos, por exemplo, você está automaticamente fadado a inúmeros privilégios. Se você é filho de pedreiro e empregada doméstica, você não terá privilégio algum

como sempre no vitimismo,ninguém é responsavél pela própria vida,somos vítimas do mimimi sociedade,ricos devem se envergonhar de serem ricos,afinal,nenhum deles conseguiram as coisas honestamente.
e se a pessoa nasce pobre,ela viverá na merda até morrer,porque nenhum pobre jamais melhorou de vida,pobre não pode se esforçar,trabalhar...

Anônimo disse...

Sabia que iria vir comentários estúpidos como esses: "negros tabm escravizam, brancos tbm foram escravizados ao redor do mundo/ filho de pedreiro tem a mesma chance de filho de medico que só basta trabalhar/ são contra as cotas para negros ricos".
O mesmo mimimi de sempre desse povo idiota que não cansa de encontrar motivos para desqualificar o dia da consciência negra. Ah chega!

Anônimo disse...

Sou parda e aluna do 5º período de Engenharia em uma Universidade Federal e sinto na pele o que é ser a única pessoa parda de uma sala com quase 50 alunos. Única pessoa PARDA, negra eu nunca vi passar nem no bloco de Tecnologia. No início o curso, já ouvi inúmeras vezes piadinhas e perguntas direcionadas a mim sobre como foi passar na frente dos opressores (falavam fazendo aspas com as mãos) e ficado com a vaga deles sem precisar estudar nada. O curioso é que eu não passei por cotas porque terminei o ensino médio em escola particular - também era a única parda da sala. Eles acham que minha cor estaria diretamente relacionada as costas e a vagabundagem. Depois do que eu sofri no começo das aulas, sou completamente a favor. A ignorância é tanta que muitos juram que alunos cotistas não estudam na-da, só ficam de boas esperando seu nome na lista de aprovação. :(

Anônimo disse...

20 de novembro de 2014 18:07

É o tumblr?

Anônimo disse...

O único mimimi é de quem acha que ser vitima de racismo é vitimismo e coitadismo.

Anônimo disse...

Sobre o hino da Usp: é uma música muito antiga (da epoca em que isso poderia ser considerado normal) que não mais é cantada pelos alunos. Fora isso estou completamente de acordo com tudo o que vc escreveu :)

Anônimo disse...

Quando foi que no post alguém falou que médicos e seus filhos não conseguem as coisas honestamente? Se ser privilegiado é ser desonesto isso já foi uma opinião, pois ninguém viu isso no post do blog. E ninguém disse antes de vc que quem nasce pobre tem que morrer pobre, apenas falou-se que as dificuldades são muito maiores para quem já é pobre/negro. Ou não? Quem tem dificuldades maiores tem as mesmas chances? Pois, não tem. Entendeu a diferença? "Ah mas é só trabalhar..." Isso é o que povão brasileiro mais faz, trabalhar e trabalhar, então era para o Brasil só ter milionários.
Sempre aparecem esses idiotas por aqui.

Anônimo disse...

Mas com tantos inventores e génios negros, vão considerar Zumbi como herói? Não sei dessa história que contaram aí que Zumbi estuprava, aliás, que ainda por cima estuprava, já que também escravizava. Se for verdade, então as feministas estão homenageando um estuprador??? Vou pesquisar sobre isso.

Anônimo disse...

A verdade é que o negro entrando no mercado de trabalho terá mil portas fechadas APENAS por ser negro, o branco pode sofrer preconceito social ou de alguma característica pessoal (muito alto ou baixo, orelhas de abano, etc), mas não perderá um emprego pela sua cor, pelo menos não na maioria dos casos. A diferença está aí, o povo que acha que isso é coitadismo não sabe da missa um terço. Não sente isso na pele todos os dias. Negro trabalha sim e trabalha muito, mas se quiser sair do clássico (serviços gerais, porteiro, atendente ou no máx. vendedor) ele terá um emprego apenas se tiver oportunidade (leia-se não sofrer racismo) para isso. Ele pode se qualificar como for mas ainda terá a barreira da cor para fechar portas a ele, quer queiram admitir isso ou não.

Anônimo disse...

Essa Micheline deveria ganhar o troféu de imbecil do ano.

Anônimo disse...

Bem interessante este artigo que desmistifica a princesa Isabel e familia imperial em relaçao a abolição: "Era uma vez a princesa que nunca teve escravos" http://gustavoacmoreira.blogspot.com.br/2013/12/era-uma-vez-princesa-que-nunca-teve.html

Maicon Vieira disse...

"Anônimo disse...
Quem vocês acham que é mais oprimido, negros ou mulheres? Genuinamente curioso.

20 DE NOVEMBRO DE 2014 18:56"

Não sei se é interessante ficar fazendo essas comparações, pois na maioria das vezes tem o intuito de tirar a legitimidade do outro movimento. Tipo, ser x é pior então os ys não deveriam reclamar, mesmo y sendo oprimido. Mas, já que tocou no assunto... o homem negro ganha menos do que a mulher branca. Creio que com base nisso posso arriscar que o racismo prejudica mais que o machismo e sexismo.

Lud disse...

Ótimo texto Lola!
Olá Lola. Se você não conhecia uma negra que cursa Medicina em uma Federal, eis-me aqui! hahaha Sim, sou a única negra da sala e sim, já sofri preconceito declarado por pelo menos 70% da sala. Por que né, como assim uma negra com cara de doméstica estudar na mesma sala que meu tesouro estuda? Absurdo! kkk Hoje eu realmente não fico chateada quando ouço ou leio algo de cunho racista, eu mostro que eles terão que aceitar sim e se reclamar terão muitos e muitos médicos negros no país. Não me importo mais porque apanhei muito, é uma vida inteira de preparação pra chegar a esse ponto que cheguei, de não ligar mais. Já estou calejada sabe? Depois que as pessoas viram que eu não "voltarei para o meu lugar", e que não estava nem aí se x ou y achavam um absurdo uma negra cursar Medicina, elas simplesmente pararam de tentar me intimidar. Algumas hoje são minhas amigas, e abraçaram a pauta negra pra si sem tomar o protagonismo. Jamais aceitarei um branco falando sobre como eu, negra, me sinto ao ser ofendida. Ele não sabe da minha dor, nem mesmo se quisesse sentir, então se não tiver nada aproveitável para falar, que ele não diminua a dor e revolta dos meus irmãos. >) Gosto muito do seu blog, o encontrei recentemente e estou lendo alguns posts sempre que tenho tempo. Beijos e paz para ti. <3 <3 <3

Anônimo disse...

"Enegreça sua mente", adorei!!!

Anônimo disse...

racistas quase sempre começam com esse tipo de discurso:

"magina, não sou racista mas se não predominam negros nas universidades é pq são todos ganhadores de bolsa família, não se esforçam pra trabalhar e ficar rico, a culpa é deles",

"não sou racista mas não sei o porque colocaram um negrinho para recepcionar esse evento, não sabem que isso assusta o clientes?"

"não sou racista mas é muito vitimismo desses negros quererem um dia pra eles, quanto mimimi, a escravidão já passou há anos"

e por aí vai....

Anônimo disse...

Sempre estudei em escolas públicas. Quando eu estava no ensino médio, eu era categoricamente contra a política de cotas. Acreditava que era concorrência desleal. Afinal, eu sou pobre, minha família sempre enfrentou dificuldades financeiras e o mesmo conteúdo era apresentado para mim e para os meus colegas negros.

No entanto, no curso do ensino médio, uma experiência me marcou muito. Uma professora, que estava organizando uma feira de filosofia em um dos colégios mais elitistas da cidade, nos levou para lá como público. A desigualdade era aberrante: enquanto a imensa maioria de nós, da escola pública, era parda e negra, não havia sequer um aluno negro na escola privada. O perfil era homogêneo, assustadoramente branco.

Foi nesse dia que compreendi o discurso da desigualdade. A pobreza econômica é só um dos fatores de desequilíbrio na sociedade. E enquanto a sociedade permanecer racista, exclusivista, arcaica e colonialista, sendo a cor da pele de uma pessoa o motivo para que seja alvo de mais ou menos desigualdades que outra pessoa de cor diferente, as ações afirmativas são, sim, medidas urgentes de justiça.

Dona Coisa disse...

Ai Lola...
eu sei que voce deixa os mascus comentarem aqui para mostrar o quanto sao bobos e sei tambem que voce modera muito os comentarios deles, mas sinceramente acho que tem muita trollacao aqui.
Sei la.
Chato ler esses comentarios estupidos.

Anônimo disse...

Sou negro e era um que repetia o que alguns amigos brancos falavam no fundo, com a intenção de ser aceito por eles; repudiava as cotas, dizia que uma vez deixado de falar sobre racismo, ele desapareceria, entre outras pérolas. Quando acordei para vida e vi o que estava falando, mudei muita coisa. Curso Farmácia em uma PUC. E de todos os comentários racistas que já ouvi na minha vida e olha que foram muitos, o pior pra mim foi de um colega de classe reclamando muito sobre as cotas e xingando os negros de uma forma geral, ao ver que eu reclamei do seu comentário escroto, ele disse "relaxa cara, você não é negro, tu é pardo e tem grana pra bancar seus estudos, menos mal. Tô falando dos vitimistas que ficam atrás de cotas mesmo, eles merecem se foder muito." Tem como não sentir vontade de quebrar a cara do sujeito? Até hoje não sei dizer o que é mais absurdo: ele achar que um pardo seria melhor do que um negro e me tirar do "grupo ruim" porque aos olhos dele sou pardo, um homem branco saber e opinar se é vitimismo ou não o que as pessoas negras sentem, ou ele achar que beleza se tu for negro mas tenha grana pra bancar seus estudos. Essa foi demais pra mim, depois disso nunca mais falei com o retardado racista (redundante, eu sei).

Anônimo disse...

Maicon do 20 de novembro de 2014 22:07, não te curtia muito, não sei bem o pq, mas só pela sua resposta e preocupação em não desqualificar ambos os movimentos, passei a curtir. Parabéns. x)

Anônimo disse...

Lola, sei que tu queres mostrar que existem retardados e coisa e tal, não vi nenhum aqui ainda mas por favor não aprove comentários racistas ou que firam os negros. Eu que sou branca me sinto mal, que dirá eles. =(

Laurinha disse...

Faço mestrado em um curso que nem é "bambambam" e, realmente, no meu curso tem uma negra e um negro que é de Moçambique e está fazendo intercâmbio.
Só um racista pra acreditar que uma situação como essa, em um país onde a maioria é parda ou negra, é algo normal.

Anônimo disse...

Indo para o sexto ano de curso na UFBA e nenhum professor negro.

Anônimo disse...

O único mimimi que estou vendo é de pessoas ignorantes, racistas e preconceituosas que ficam mais incomodadas com quem aponta o racismo do que com o racismo propriamente dito.

Sérgio Carneiro disse...

"Não é possível: se você é filho de médicos, por exemplo, você está automaticamente fadado a inúmeros privilégios. Se você é filho de pedreiro e empregada doméstica, você não terá privilégio algum." (sic).

Quer dizer então que: o filho de um médico negro terá inúmeros privilégios, enquanto que o filho de um pedreiro branco não terá privilégio algum.

Quem esta sendo racista?

Só por que a maioria dos negros estão nas classes economicamente mais baixa é um referencial que evidencia o racismo. Deveria escrever um livro sobre esse novo conceito.

Racismo é segregação, é diferenciar duas pessoas com as mesmas capacidade e preterir um ao outro pela cor. Raça não existe, todos somos humanos.

Quer descobrir por que a maioria dos negros estão na faixa mais baixa de renda. Por que eles eram escravos é a primeira pista. Após a libertação o que eles fizeram? Por que não quiseram entrar no trabalho junto com os emigrantes europeus e terem as mesma oportunidades é a segunda pista.

Escravos tem na sua origem a palavra eslavos. Os eslavos eram brancos cativos dos seus senhores negros,escravocratas, do norte da África.

O branqueamento da população eliminou a possibilidade dos os negros, recém alforriados, tivessem mesmo espaço que os europeus é um discurso historicamente falacioso.

As cotas raciais são racistas justamente por fazer a segregação de cor sobre a outra. Uma mesma ideia racista seria fazer escola só para negros, para melhorar a educação, e após uma ou duas gerações acabar com as cotas. Que fazer com brancos na mesma situação financeira negros, eles não tem diritos por que são brancos?

Se no Congresso não tem nem 10% de mulheres a culpa e de quem? Do macho opressor e dos ovários alienados e ambulantes?

"Apareça sempre e sinta-se em casa" Apareci pelo convite, mas se o espaço for destinado só para quem lhe segue ou como um cantinho para ouvir as lamurias. Faça uma observação no convite.

Andezza Jordani disse...

Essa elite branca brasileira é racista,eles não se assumem racistas de jeito nenhum,sempre usam desculpas como "racismo contra brancos" e "coitadismo dos negros","racismo não existe".Tanto que na classe médica branca brasileira quase não vejo negros e pardos,nem em relacionamentos inter-raciais! observem que a maioria dos médicos brasileiros possuem sobrenomes italianos,são brancos,da elite e geralmente possuem parentesco médicos! isso tem que mudar!Eu desejo que os negros,mestiços,mulheres e pobres brasileiros caiam na real,parem de assistir a Globo que só causa alienação.Adorei o texto,a verdade dói,mas tem que ser dita,e eu só li verdades mesmo que sejam desagradáveis.Espero que as pessoas,minorias em geral saiam do seu mundinho de fantasia e vejam o quão sofrível é a vida para os menos favorecidos e procurem lutar pelos seus direitos,que não sejam mais passivos com essa sociedade racista e machista brasileira.

Gaúcha disse...

Sabe o que eu não aguento mais? Pessoas brancas, tipo esse Jonas, dizendo que as cotas para negros são racismo reverso. "Ain, mas miséria não escolhe cor, criar cotas para negros é discriminação contra os brancos que também são pobres". Não, cara pálida! Será que é tão difícil entender que as cotas raciais não têm o mesmo objetivo das cotas sociais? Cotas sociais foram criadas para possibilitar um acesso mais amplo das populações pobres às universidades. Já as cotas raciais visam combater o racismo, porque o simples fato de uma pessoa ser negra já torna seu cotidiano infinitamente mais difícil. Por quê? Porque o Brasil é um país racista, que discrimina e menospreza as pessoas negras. É vergonhoso que um país com população majoritariamente parda e preta tenha tão poucos negros em universidades. As cotas raciais são, sim, necessárias, e espero que elas só aumentem.

Anônimo disse...

Ué, os brancos pobres também tem as costas ao seu favor.

Anônimo disse...

Lola, desculpemo off-topic, mas já viu esse vídeo?

https://www.youtube.com/watch?v=G0J9KZVB9FM

A meu ver, é uma bola fora tremenda, até por algumas conclusões risíveis. Mas queria ouvir a opinião de outras pessoas.

Raven Deschain disse...

Pro tapado lá de cima, patrícios é para italianos (suprise: Brancos). Pare de assistir Poderoso Chefão e vá ler um livro.

Pro tapado aqui de baixo: Os negros não quiseram entrar pro "mercado de trabalho" com os imigrantes italianos? Cê realmente escreveu isso? Nunca ouviu falar em embranquecimento cultural? Pra vc a dica é outra: Eu sei que Terra Nostra saiu em dvd, mas para um pouco.

Ta-chan disse...

Sérgio Carneiro, de onde vc tirou que os escravos libertos tiveram a mesma oportunidade que os europeus?Sério de onde vem essa informação?
O avô do meu pai nasceu em 1887 um ano antes da lei Áurea, era filho de ventre livre, e ele conta que no lugar que a mãe dele "trabalhou" todos foram postos pra fora sem direito a nada.Em outros lugares alguns negros ficaram como rendeiros, mas quase tão escravos como antes visto que não tinham os mesmos direitos estabelecidos dos brancos.E pior em alguns lugares a revolta dos brancos foi tanta que chacinaram os negros, escravos e livres.
Os europeus foram incentivados a vir pro brasil com promessa de terra e subisidios, coisas que os ex escravos nunca sonharam.
No mais, o seu comentário me deixou enojada e acabou com a minha manhã.

Lola, acho chato tentar "pautar" como vc deve administrar o seu blog e tal, entendo que vc deixa passar esses comentários pra ilustrar a ignorância dos outros, mas isso é realmente necessário?Pq deixar passar todo esse lixo?
Encontrei o blog em 2011 quando vc escreveu sobre as ofensas racistas dirigidas à Leila Lopes e foi simplesmente incrível!Os comentaristas daqui eram ótimos e o debate era sempre esclarecedor, eu nem precisava comentar pq já estava tudo lá...Agora eu venho aqui pra ler o mesmo chorume dos grandes portais.Emfim, o espaço é seu e vc faz o que achar melhor.

André disse...

Dolores, não faça pouco caso do sofrimento alheio, o PSDB governa São Paulo há 20 anos, não 16.

Anônimo disse...

Raven:
É isso que voce tem a dizer?
O fato de Zumbi ter sido um estuprador tá tudo bem para você. O unico problema do comentário do cara foi ele ter usado um termo incorreto?

donadio disse...

"preta imunda / crioula da b*ceta fedorenta / que eu não como nem lavada / em água benta"

Trazer médicos de Cuba para cá é pouco.

Precisamos começar a mandar os "nossos" para lá em troca.

Já.

Anônimo disse...

Gente o que é este mascu 3a idade (não é preconceito, só estou me baseando em sua foto e seu perfil do google - ironic) que acha que os escravos alforriados "não quiseram" trabalhar junto aos imigrantes...
Se cotas são racismo, vamos lá: Como o senhor acha que estudantes provindos de uma educação defasada e precária como a pública (se não conhece a metodologia de uma escola pública, favor ir até uma e verificar com os próprios olhos) pode se equiparar a um aluno de escola particular, onde ele tem acesso a aulas particulares de inglês e outros idiomas, matemática, português, cursinhos e etc... Fora isso os alunos que entram nas cotas, são alunos que atingiram determinadas notas (apesar de não terem acesso à metade das regalias de um estudante de escola particular).
Como uma população (negra) que não teve/tem acesso à uma educação de qualidade pode melhorar de vida? Pode conseguir chegar a 20% do patamar de um homem branco (heterossexual, cristão) e que estudou a vida toda em escola particular?
Não desmereço de forma nenhuma quem teve acesso a tudo isso a vida inteira, e aproveitou as chances que teve e construiu ou ainda contrói o futuro, mas não lhe dá o direito de dizer que a luta do outro de nada vale ou que se trata de racismo, trata-se de tentar equalizar mesmo que bem pouco a balança...
E nem venha dizer que temos que lutar por uma educação básica melhor, porque sempre lutamos por isso, mas como se trata dos menos favorecidos o resto da população não se preocupa em lutar, agora pra fazer "protestinho" pedindo impeachment contra uma presidente eleita democraticamente e por $20 do transporte, aí todos vão e ainda postam no facebook pra mostrar como estão "lutando pelo país".

PS: Não sou nenhum pouco a favor do governo atual, só acho que se fosse pra fazer protestos e pedidos de impeachment, deveria ter sido feito muito antes das eleições, quando começaram os escândalos do mensalão, e não agora como uma revanchinha burra por ter perdido a eleição!

André disse...

Carneiro ou Burro?

Junior disse...

Sou amplamente a favor das cotas, porém, gostaria que elas "migrassem" pra questão social, e não apenas para "raça". Cotas pra quem é pobre, é carente, tem renda familiar menor que X. E claro, tudo isso aliado a criação e novas universidades. PT criou várias, mas ainda temos déficit, temos que ampliar as vagas ainda mais.

Maicon Vieira disse...

"Anônimo disse...
Maicon do 20 de novembro de 2014 22:07, não te curtia muito, não sei bem o pq, mas só pela sua resposta e preocupação em não desqualificar ambos os movimentos, passei a curtir. Parabéns. x)"

Talvez seja porque eu me declarava como misógino, talvez seja porque eu reconhecia que mulheres eram oprimidas e dizia "Não estou nem aí. Por que lutar por algo que não me trará benefícios?". Talvez seja pelas outras idiotices que já pensei e falei como "Qual o problema de uma mulher morrer praticando aborto clandestino? É até melhor pois mata logo duas pessoas e diminui a população". Talvez tenha sido por isso.

Anônimo disse...

Galera, só uma coisa: já existem cotas sociais já existem cotas sociais já existem cotas sociais já existem cotas sociais já existem cotas sociais

Anônimo disse...

sergio carneiro, um show de vergonha alheia!
Como já foi falado,já existem cotas sociais!

Anônimo disse...

22:30

Verdade.
Eu não aguento comentários racistas, me dão um nervo! Quando a pessoa escreve "minha opinião" e um texto enorme cheeeeeeio de racismo e mimimi eu nem leio que já sei que vem merda!

Anônimo disse...

Faço graduação em um curso menosprezado numa federal de renome e lá tem uns 4, 5 professores negros, por aí. Um número alto comparado a outros cursos. Tem mts alunos pardos e uns negros, porém a maioria ainda é branca. Ainda sim um número alto pra universidade em que praticamente 70% dos alunos são brancos.
Aí nesse meu curso conheci um alemão da pós que faz pesquisa sobre comunidades carentes.
Um dia ele se virou pra mim e perguntou pq na comunidade e nas ruas tinha tanta gente negra e na universidade a maioria do povo é branco. Ele não entendia aquilo e expliquei rapidamente. Então me perguntou se já sofri racismo e disse que sim, contei um caso pesado de racismo que sofri qd criança. Ele ficou chocado pq não fazia ideia que existe essas coisas no Brasil.
No mesmo dia paramos num quiosque pra comer e a atendente achou que ele por ser loiro de olho azul, era um alemão do sul, um gaúcho! Mas ele é alemão de verdade e eu fiquei na minha pensando do pq dela achar isso. Lembrei da chacina que os índios e negros sofreram no Rio Grande do Sul e das colônias europeias que o governo ali colocou pra embranquecer a população, e da ignorância do povo de achar que todo gaúcho é europeu e que não há negros e índios por lá.
E o alemão? Ficou mais uma vez sem entender nada e eu vendo claramente mais uma consequência do racismo brasileiro.

Anônimo disse...

Cotas são racistas? Os imigrantes europeus apesar de passarem por dificuldades, conseguiram trabalho aqui e vieram aqui por opção.
Os africanos vieram sequestrados e quando libertados foram jogados no lixo como se fossem coisas, objetos descartáveis e não deram trabalho a escravos libertos. Sem falar que não foi só o problema de escravidão que acabou, o racismo continua.

Anônimo disse...

Pensando racionalmente, se as cotas forem mesmo racistas, eu como negro, garanto que entre todas as demonstrações de racismo que sofri, essa será a única que me trará algo de bom. Estão inovando na prática. haha

Anônimo disse...

Uma moça negra com um nódulo no seio foi solicitar um exame de punção pelo sus e foi destratada por uma medica do hospital das clinicas de Salvador e entre as muitas palavras carinhosas, sqn, a tal medica mandou a moça ir procurar a Dilma. Ela chorou muito na hora. Pode ter sido daquelas profissionais da "saúde" racistas que fez campanha terrorista para Aécio e mandou médicos cubanos voltarem para a senzala porque tem "cara" de empregados.

Anônimo disse...

Acho q sim... digita no google olhares da unicamp que é o primeiro q aparece... desculpa a resposta meio tosca

Anônimo disse...

"...Tanto que na classe médica branca brasileira quase não vejo negros e pardos, nem em relacionamentos inter-raciais!..."
WTF???? Está bêbada?

Julia disse...

To amando isso aqui que um anon recomendou. Fantástico o tumblr.

http://olharesdaunicamp.tumblr.com/

"O rolê fora da academia me deu uma sensibilidade de ver as coisas de maneira não tanto “céu e inferno”, de ver que a realidade é mais complexa e minuciosa que simples preconceitos. Tipo, “é pobre porque não se esforça”. Mas o que é se esforçar? Meu pai é uma pessoa que tem vários defeitos (eu tenho vários problemas com ele), mas eu não conheço ninguém mais trabalhador que ele. Nenhum pai de um FDP classe média daqui é mais trabalhador que meu pai. Até hoje, ele tá velho, acabado, os filhos dele não se formaram e não ganham dinheiro pra dar uma vida melhor pra ele e mesmo assim meu pai nunca negou trabalho e ele nunca enriqueceu. Pera lá, então o que é esforço?

Então quando eu leio algo, sempre faço um paralelo com as coisas que eu li, que eu vivi, com as conversas que eu tive. Por mais que tenha me trazido malefícios, eu tive o benefício de andar em dois mundos diferentes: o mundo de pessoas humildes, pobres e trabalhadoras e isso aqui que, pra mim, é estar em Beverly Hills. Eu me sinto morador de rua em Hollywood, em Beverly Hills [risos], quase um pedinte, um mendigo andando pelas ruas do sonho."

Elvis disse...

Eu sou pardo, me formei numa universidade pública, que não tinha cotas na minha época, não sei agora. No meu emprego eu lido com pessoas de diversas empresas e posso dizer com certeza que os poucos pardos têm muita dificuldade de inserção no mercado. E não pode ser coincidência, eu vejo muitas pessoas super competentes que se matam pra conseguir algo.

Quanto ao Zumbi, eu posso até estar falando besteira, pois não sou nenhum especialista, mas acredito que a questão não seja exatamente a índole dele, e sim o que a execução dele simbolizou. O cara foi esquartejado em praça pública como um recado "negros, não se rebelem".

Anônimo disse...

Sou negra e professora de História, estou meio furiosa com algumas coisas que li no blog, por pessoas que querem justificar seu racismo e ignorância
a) Havia escravidão na África antes dos europeus mas era diferente do que acabou sendo imposto, existia escravidão por dívida, mas ela não era hereditária, os europeus mexeram com o modelo, para piorar destruíram famílias, pois inicialmente somente homens eram escravizados
b) Gente que história é essa que Zumbi estuprava mulheres ? Por gentileza cite o autor.
c) O quilombo dos palmares foi maior que Zumbi, foi um refúgio, uma cidade que abrigou 50 mil pessoas, tudo indica que ali viviam negros e indígenas
d) O dia da consciência negra não é somente para endeusar Zumbi, é para lembrar de todos os negros que conseguiram destacar- se, apesar do preconceito : João Cândido o líder da revolta da chibata, Cruz e Sousa, Chico rei, as maravilhosas atrizes Zezé Motta e Ruth de Sousa
e) Cada dia que eu leio as barbaridades que os reaças escrevem, endeusando a meritocracia e tentando acabar com as ações afirmativas tenho certeza que acertei no meu voto
f) Existe racismo no Brasil sim, mas nós negros temos que continuar lutando

GG disse...

Oi Lola, não querendo te criticar, mas acho que vc poderia ter colocado mais linl onde o porta voz é um negro ou uma negra.

Exemplos:
http://blogueirasnegras.org/
http://www.geledes.org.br/
http://profsilvioalmeida.blogspot.com.br/2014/08/racismo-futebol-e-o-livre-mercado-do.html --> Meu texto favorito que complementari amuito bem seu post, apesar de vc ter daod muito exemplo,acho interessante introduzir o conceito de racismo estrutural, porque é dificl enxergar isso sem alguem explicar o conceito... No texto esta bem completo, nao quero extrair trechos pq ele é inteiro muito bom e precisa ser lido na integra.

...

Agora, este Jonas Klein até foi educado, mas não sabe a estupidez que falou quando disse: "racismo feito ao contrario". Racismo reverso, coisa de gentili (öh phai)... E agora pra este povo se informar? Como faz?!

POR FAVOR, ASSISTA ESTE VIDEO
https://www.youtube.com/watch?v=2tUzcZ0nUMA#t=777

Grata

Carlx disse...

Sou a favor das cotas (inclusive as cotas raciais), mas sou totalmente contra o espírito de briga de torcida organizada de futebol que se tornou a política no Brasil. Sou contra o ato maniqueísta de tentar dividir as pessoas em "nós" e "eles". Me irrito muito quando vejo reacionários fazendo isso e não vou passar a mão na cabeça quando ver gente progressista caindo no mesmo erro.

Por isso, vamos deixar uma coisa bem clara: usar como argumento pró-cotas duas imagens que mostram, respectivamente, um antigo senhor escravagista e membros da Ku Klux Klan, todos dizendo "somos contra as cotas", é uma FALÁCIA LÓGICA. É tentar dizer que se A é contra B, todos que forem contra B serão como A.

Obrigado.

Anônimo disse...

Lolinha, como sempre, você arrasa! Como sempre, os comentários estão de embrulhar o estômago, mas não tem como esperar algo diferente dessa sociedade predominantemente racista, né?
"Racismo reverso", "Zumbi era mau"- entra ano, sai ano e o mimimi não muda (quem duvidar veja os comentários dessa data nos anos anteriores).

O que acho mais lamentável é que gente preta não tem NEM o direito de escolher seu herói! Olha onde chega o racismo estrutural!

Vocês, que não sofrem racismo, vão lá, adorar seus jesuítas, bandeirantes e toda sorte de assassinos e escrotos e deixem nosso Zumbi em paz!
Não estamos pedindo a opinião de vocês, cuidem das suas vidas. Parem de achar que sabem o que é melhor para nós, deixem para trás esse pensamento colonizador. E, antes de saírem pregando a "justiça" e a "igualdade", ESCUTEM. OBSERVEM. Façam o teste do pescoço. Leiam o que negrxs escrevem. Deixem de ser cretinxs.

Priscilla disse...

Acho complicado você falar de preconceito ao mesmo tempo que também emite opiniões preconceituosas.não é só a elite que não gosta de cotas,claro que tem muitos que pensam assim,essas medidas reforçam sim o preconceito.é o mesmo discurso das feministas,quase não se ve mulheres como pedreiros ou limpadoras de fossa e eu não vejo nenhuma feminista reinvidicando isso.o movimento negro não reinvindica formação de base,condição justa de disputa e sim privilégios em altos cargos e em boas faculdades.então não faça afirmações que não possa provar

lola aronovich disse...

Ai, ai, "Priscilla"... Mais um mascu tentando se passar por mulher. Vcs são muito ignorantes. Mulheres já são mais de 10% na construção civil no Brasil (em 2006, já eram 8%). E, pra dar um tilt mesmo no seu cérebro, muitas dessas pedreiras fazem parte de sindicatos feministas. Ano passado estive no Io Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta, ligado a Conlutas, e tinha mais de cem pedreiras lá (em BH), a maior parte vindas do Ceará. Vcs acham mesmo que mulheres com menos instrução formal não querem ser pedreiras ou mineiras ou outras profissões braçais que pagam muito melhor que empregada doméstica ou manicure? Por muito tempo essas profissões eram vistas como exclusivamente masculinas. Ou seja, mulheres não podiam se candidatar, mesmo que quisessem. Sugiro que vcs leiam sobre genderização no trabalho. Entendam como e por que profissões "masculinas" E assistam filmes como Terra Fria, para ver como as mulheres que ousavam entrar em profissões tidas como masculinas eram tratadas. Ou continuem passando atestado de ignorância.

Anônimo disse...

Feministas, levantem o punho e gritem:Viva Zumbi dos Palmares! O cara que tinha escravos e sequestrava mulheres!
Foi mal ae

Anônimo disse...

Esse é o mesmo pessoal que não dá um piu quanto aos escrav digo 'médicos' cubanos, que vivem sob uma ditadura, tem que mandar o 'salário' deles pro tio fidel (que é um dos homens mais ricos do mundo), tentam de toda forma escapar da ilha presídio mas não adianta, a gangue do PT manda eles de volta

Anônimo disse...

'usar como argumento pró-cotas duas imagens que mostram, respectivamente, um antigo senhor escravagista e membros da Ku Klux Klan, todos dizendo "somos contra as cotas", é uma FALÁCIA LÓGICA. É tentar dizer que se A é contra B, todos que forem contra B serão como A.'

E vc acha que esse pessoal liga pra argumentos lógicos? Sabe de nada inocente

Anônimo disse...

Esses trolls são chatos demais.

Anônimo disse...

TEM QUE TER COTAS PARA PROFESSORES NEGROS E ESPECIALISTAS EM GENERO MUITOS PROFESSORES FORTALECEM O RACISMO SE NAI RESOLVER NA RAIZ NAO ADIANTA \ COMO VOCES SABEM E FACILIMO DE VER ISTO.

Anônimo disse...

Deixo aqui uma pequena análise sobre parte do livro que difundiu a ideia de que Zumbi tinha escravos

Sobre Zumbi no Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (4/4)

Uma análise em quatro partes sobre aquilo dito de Zumbi nessa polêmica obra. Abordaremos aqui os principais trechos do livro relacionado ao líder negro do Quilombo dos Palmares principalmente no que diz respeito ao capítulo Zumbi tinha escravos. Temos na obra, entre outras coisas, o seguinte:
D) “Para obter escravos, os quilombolas faziam pequenos ataques a povoados próximos. ‘Os escravos que, por sua própria indústria e valor, conseguiam chegar aos Palmares, eram considerados livres, mas os escravos raptados ou trazidos à força das vilas vizinhas continuavam escravos’, afirma Edison Carneiro no livro O Quilombo dos Palmares, de 1947”. (Narloch, Guia Politicamente Incorreto da Historia do Brasil)
Se alguns escravos foram à força para o Quilombo dos Palmares, naturalmente podemos entender com isso que havia escravos dentro do Quilombo. Todavia, estes seriam, nesse caso, os escravos dos senhores de engenho, não necessariamente escravos do Quilombo. Além disso, em nenhum momento da obra de Edison Carneiro é dito que negros são lá (no Quilombo) escravizados, pelo contrário, o autor diz logo na abertura do livro o seguinte:
“A floresta acolhedora dos Palmares serviu de refúgio a milhares de negros que se escapavam dos canaviais, dos engenhos de açúcar, dos currais de gado, das senzalas das vilas do litoral, em busca da liberdade e da segurança, subtraindo-se aos rigores da escravidão e às sombrias perspectivas da guerra contra os holandeses.” (Edison Carneiro, O Quilombo dos Palmares)
Logo, seria muito estranho enxergarmos negros sendo escravizados dentro do Quilombo, mas totalmente lógico compreender que havia negros escravos dos senhores de engenho naquelas terras que haviam sido roubados. Essa parte é condizente com outras partes da carta anônima de Fernão Carrilho em 1687, comandante de várias expedições aos Palmares. Trechos dessa carta são citados por Edison Carneiro quando este toca no constante estímulo dos mocambos dos Palmares para os escravos das redondezas. Acredito ser importante mostrar na integra o trecho do livro. Vejamos:
“Ora, na sua carta anônima de 1697, Fernão Carrilho, comandante de várias expedições aos Palmares, dizia, peremptoriamente que ‘os negros, o em que se fiam mais para obrarem maldades é dizerem que seus senhores o que lhes podem fazer é açoitá-los, mas que matá-los não, porque os brancos não querem perder o seu dinheiro’. Os escravos das vilas vizinhas eram, assim, recrutas potenciais dos Palmares, “uns levados do amor da liberdade, outros do medo do castigo, alguns induzidos pelos mesmos negros, e muitos roubados na campanha por eles”. (Edison Carneiro, O Quilombo dos Palmares)
Aqueles, por conseguinte, forçados em direção a Palmares não eram escravizados, mas recrutados para a luta. Não sem motivo diz o autor que bastava a esses escravos roubados libertar um negro cativo para voltar à casa do senhor de engenho, uma “alforria”, se assim eles desejassem. Tal como podemos ver aqui:
“Os escravos que, por sua própria indústria e valor, conseguiam chegar aos Palmares, eram considerados livres, mas os escravos raptados ou trazidos à força das vilas vizinhas continuavam escravos”. E continua: “Entretanto, tinham uma oportunidade de alcançar a alforria: bastava-lhes levar, para os mocambos dos Palmares, algum negro cativo”. (Edison Carneiro, O quilombo dos Palmares)
Em suma, foi uma maneira encontrada para fortalecer a campanha e ter a maior quantidade possível de negros libertos. Outros pontos são abordados por Leandro Narloch na obra dele, mas nada na obra que venha a fixar concretamente a ideia de Zumbi ter sido um escravocrata nos moldes dos senhores de engenho. O feito por estes visava à continuidade da exploração e o Quilombo dos Palmares e Zumbi a liberdade do seu povo.

Leandro disse...

Havia sim escravos no quilombo. É o que Edison Carneiro diz no livro:

Os escravos que, por sua própria indústria e valor, conseguiam chegar aos Palmares, eram considerados livres, mas os escravos raptados ou trazidos à força das vilas vizinhas continuavam escravos. Entretanto, tinham uma oportunidade de alcançar a alforria: bastava-lhes levar, para os mocambos dos Palmares, algum negro cativo.

Se algum escravo fugia dos Palmares, eram enviados negros no seu encalço e, se capturado, era executado pela "severa justiça" do quilombo. Os holandeses diziam (1645) que "entre eles reinava o temor, principalmente nos negros de Angola...".


E quanto a essa carta de 1687, de Fernão Carrilho, seja mais honesto e coloque a passagem inteira:

Ora, na sua carta anônima de 1687, Fernão Carrilho, comandante de várias expedições aos Palmares, dizia, peremptoriamente, que "os negros, os em que se fiam mais para obrarem maldades é dizerem que seus senhores o que lhes podem fazer é açoitá-los, mas que matá-los não, porque os brancos não querem perder o seu dinheiro". Os escravos das vilas vizinhas eram, assim, recrutas potenciais dos Palmares, "uns levados do amor da liberdade, outros do medo do castigo, alguns induzidos pelos mesmos negros, e muitos roubados na campanha por eles". Fernão Carrilho contava, nessa mesma carta, que os negros que fugiam para os Palmares "não só dão mau exemplo aos outros, mas os vêm persuadir a que fujam e, se voluntariamente o não fazem, os levam à força".

E como vimos, estes que eram levados à força, eram escravos do quilombo.

Candeeiro disse...

Os negros forçados a irem para o Quilombo não eram escravizados, eram recrutados para libertar outros negros e assim, caso quisessem, saírem do Quilombo. Havia evidentemente escravos nos Quilombos do ponto de vista de quem estava fora dele, pois, para eles (senhores de fazenda e engenhos), todos eram escravos fugidos. Mas isso não significa que havia escravidão por lá como a vista nas fazendas. O próprio Edison Carneiro, no livro, deixa nítido nas primeiras páginas da obra que o Quilombo era local de refugio tal como citei na postagem. E se houvesse escravidão, jamais seria nos moldes da escravidão praticada pelos senhores de engenho. Isso jamais alimentaria a ideia de um negro fugir; seria ir para um local igual ou pior, sofrendo as mesmas coisas que já sofria.

Olhando a obra, O Quilombo dos Palmares, também não é mencionada as tarefas que deveriam ser atribuídas aos escravos. Se houvessem escravos ou um sistema escravista, os negros escravos dos Quilombos deveriam se encarregar de algumas funções próprias deles mesmo. Todavia, nada disso é mencionado, porque tudo era realizado por aqueles que viviam nos Palmares.

Somado a isso, o livro, em nenhum ponto, diz ESPECIFICAMENTE que Zumbi tinha escravos. No máximo é dito que Zumbi possuia auxiliares, isso dito quando o escritor fala sobre a morte de Zumbi, na ultima luta.Tudo que é dito, é sobre o Quilombo, não sobre Zumbi. Se você encontrar algum trecho que fale. com todas as letras. sobre isso de Zumbi por favor cite aqui; tenho quase certeza que não há nada do tipo nessa obra conforme lembro no momento.

Sobre o que os holandeses falaram, os mesmo não se referem também a Zumbi, mas falam de alguns que fugiam do Quilombo.Pior, eles (os holandeses) não falam de escravos que fugiam, mas sim de NEGROS que fugiam. Veja:

"quando alguns NEGROS fugiam, mandava-lhes crioulos no encalço e, uma vez pegados, eram mortos, de sorte que entre eles reinava o temor, principalmente nos negros de Angola"

Procura o Diário de Blaer para averiguar por si mesmo essa parte.

Sobre a carta de Fernão Carrilho eu pensei que fosse você escrever a carta na integra, mas é praticamente apenas o mesmo trecho do livro contendo a mesma ideia do trecho que citei. Perceba que ao ser dito: “...uns levados do amor da liberdade, outros do medo do castigo, alguns induzidos pelos mesmos negros, e muitos ROUBADOS na campanha por eles..."

Essa parte de roubados se referem praticamente ao mesmo de forçados ou levados à força porque estes não eram induzidos. Noutras palavras está dizendo a mesma coisa. Não fui desonesto, nem tem como ser falando a mesma ideia e nem é meu objetivo.

Por, fazendo um reanalise.

1-Os negros eram recrutados para libertar outros negros e, após isso, poderiam sair do Quilombo. Ou seja, a intenção não era escraviza-los.

2-O livro de Edison Carneiro não diz, em ponto algum, que Zumbi tinha escravos. Ele fala, no máximo, do Quilombo e que Zumbi tinha auxiliares.

3-Os holandeses não falam de Zumbi. O capitão Blaer, em seu diário, fala de negros que fugiam, não de escravos que fugiam. Zumbi nem é mencionado.

4-O trecho da Carta de Fernão Carrilho diz a mesma coisa dita na citação que fiz. Não tem como ser desonesto e nem é minha intenção. Todavia, não posso ter certeza e dizer a mesma coisa em relação ao autor da obra Guia Politicamente incorreto, pois, em entrevistas, ele menciona que a intenção é ganhar incomodar e ganhar dinheiro. Ou seja, não busca a verdade.

Anônimo disse...


Por onde escrevo desabafo pra ti? N tem email, bjs.

lola aronovich disse...

Meu email está no meu perfil. Sabe, onde tem a minha foto? É lolaescreva@gmail.com