terça-feira, 4 de novembro de 2014

GUEST POST: SERIA MELHOR SER BILÍNGUE

Conheci Marcela Pastana na Casa TPM no ano passado e pouco depois tive a honra de ser convidada para participar de sua qualificação. Em junho último, fiz parte da sua banca examinadora, na Unesp de Araraquara. 
Tom, eu, Marcela em agosto de 2013
Não tenho palavras para recomendar esta dissertação de mais de 500 páginas. Para quem trabalha ou pensa em trabalhar com gênero, dê uma olhada na extensa bibliografia do trabalho, que reuniu várias obras brasileiras. Eu gostaria que a dissertação virasse livro, porque a qualidade é realmente impressionante. Marcela analisa várias revistas masculinas e femininas para falar de gênero, prazer e sexualidade, e o resultado não é apenas uma grande contribuição acadêmica, mas também uma delícia de ler. 
Já pedi pra Marcela fazer alguns guest posts baseados na sua dissertação. Este é o primeiro.

Em uma escola de idiomas, recebemos a proposta de preparar os alunos e alunas para um exame de proficiência. Formamos dois grupos, que realizariam a prova sobre duas línguas diferentes. O tempo disponível para a preparação era curto, então nos reunimos para pensar nas estratégias didáticas mais pontuais e eficazes. 
A primeira língua é repleta de expressões sobre afetos, sentimentos, emoções. As lições iniciais envolvem o aprendizado sobre como conjugar adequadamente verbos como amar, cuidar, agradar, envolver, acolher... É também fundamental a prática da pronúncia, que requer um tom de voz doce, meigo e delicado, com movimentos sutis, de forma que precisaríamos estar atentas para que o grupo não elevasse o tom de voz, não manifestasse atitudes diretas e agressivas e não deixasse transparecer nenhuma emoção que destoasse da ternura e da sensibilidade requeridas. 
Em relação ao vocabulário, as lições mais importantes eram sobre as tendências da moda e os produtos de beleza, com exercícios sobre as diferenças entre itens de maquiagem e sobre a forma de aplicá-los, a distinção entre celulites e estrias (assim como as tecnologias mais recentes para tentar eliminá-las) e também a memorização de uma extensa tabela de categorias (conteúdo que corresponde a um alto nível de exigência nas avaliações). 
Preparamos inicialmente a sala de aula com os recursos pedagógicos mais tradicionais: bonecas e seus acessórios (mamadeiras, chupetas, fraldas, carrinhos); miniaturas de objetos domésticos (fogão, panelinhas, vassouras); livros, filmes e músicas sobre contos de fadas com princesas que encontram um príncipe e são felizes para sempre, e uma penteadeira repleta de diferentes tipos de cosméticos com um imenso espelho para as atividades práticas. 
Ao mesmo tempo, precisávamos também cuidar de todos os preparativos para ensinar para o outro grupo a segunda língua, que tem a particularidade de não possuir vocabulário referente a sentimentos, apenas aqueles ligados à agressividade. Por isso, logo nas primeiras aulas, os recursos utilizados foram diferentes tipos de armas, miniaturas de heróis e outros personagens fortes e musculosos para lutarem entre si, e de monstros para serem devidamente destruídos. 
Além do ensino de palavras como coragem, domínio, batalha, guerra, vitória, destruição, entre outras expressões bélicas, foi preciso um intenso treinamento para que a entonação usada fosse devidamente agressiva e violenta. Logo percebemos que incluir videogames com cenas repletas de tiros, efeitos sonoros e visuais como derramamento de sangue tornariam o aprendizado mais estimulante. 
Outra palavra muito necessária é competição, então investimos em jogos de luta, de futebol e corridas de carro, que também seriam eficientes para o aprendizado do vocabulário esportivo e automobilístico, muito requeridos nas avaliações. Uma questão frequente para o qual o grupo deveria estar devidamente preparado era, diante de imagens de mulheres apresentadas na prova, utilizar expressões como “gostosa”, “delícia”, “vou te chupar todinha”. Decidimos usar vídeos pornográficos para tornar o aprendizado mais dinâmico.
Ainda assim, com tantos recursos didáticos disponíveis para ambas as línguas, reconhecemos algumas dificuldades dos alunos e alunas e nos reunimos para pensar em novas estratégias. Foi quando uma das pessoas da equipe sugeriu que utilizássemos, em nossas aulas e como tarefa de casa, a leitura de revistas, que tinham muitas matérias repletas de conteúdos e imagens relacionados ao que deveria ser aprendido. 
Realizamos então a assinatura, para a primeira língua, de revistas como Capricho, Nova e Boa Forma e, para a segunda língua, da Playboy, da Sexy e da Vip. Elas trouxeram grandes contribuições para a assimilação dos conceitos pelos alunos(as), servindo como eficientes dicionários, e, mais do que isso, como sedutores guias turísticos. Percebemos como o prazer pode ser uma rica ferramenta pedagógica: aprendendo com prazer e sobre os prazeres que poderiam ter ao aprender, nossos alunos e alunas demonstraram bem menos resistências e dificuldades, praticando continuamente e reproduzindo com mais facilidade e desenvoltura as expressões ensinadas. 
Os resultados nos exames de proficiência foram muito satisfatórios. Decidimos, então, fazer uma festa de comemoração, que seria interessante também para os dois grupos se conhecerem e confraternizarem. Mas eles(as) estavam tão animados(as) com o aprendizado das novas línguas que resolveram praticá-las durante a festa. Ninguém havia aprendido os dois idiomas, assim, além de pouco conversarem entre si, quando se aproximavam e tentavam, acabavam se queixando de que a outra língua era muito diferente, estranha, ou mesmo absurda e incompreensível, fatores que geraram inúmeros desentendimentos. 
Quando propusemos que no próximo semestre eles(as) poderiam iniciar um novo curso para aprender a outra língua, as reações foram de incômodo e mesmo indignação, já que a língua que tinham aprendido passou a ser para eles(as) um sinônimo de identidade, de pertencimento, que expressava seus maiores interesses, desejos e prazeres. 
Há muitos desafios no aprendizado de uma língua: é preciso esforço, dedicação e praticar continuamente. Principalmente na infância, esse aprendizado está envolvido com a forma como aprendemos a nos expressar e interagir com as pessoas mais próximas, que mais amamos. 
Comparar os padrões de feminilidade e masculinidade aos idiomas permite pensarmos como algo que é tão frequente no nosso dia-a-dia, tão presente nas nossas relações e que nos parece tão espontâneo e natural, foi, na verdade, construído a partir de um processo intenso e contínuo, que envolve a busca por expressar-se e também por pertencimento, por aceitação. Muitas instâncias participam nesse processo: a família, a escola, as amizades e também os meios de comunicação, que foram tema da minha dissertação. Aprender uma língua é sim, muito desafiante, mas é ainda mais desafiante desaprendê-la (se escolhêssemos, agora, deixar de falar e entender o português, seria muito difícil!).
Discutir sobre os padrões de gênero também envolve pensar os desafios da desconstrução. Foi considerando como esse movimento de desconstrução e desaprendizado é importante (e também estimulante) que realizei meu trabalho, sobre o prazer e os padrões de gênero nas revistas femininas e masculinas. Agradeço muito a Lola por poder divulgá-lo aqui no blog, já que as discussões sobre o feminismo que tive o prazer de acompanhar diariamente foram de imensa importância para a pesquisa. 

34 comentários:

Anônimo disse...

Confuso.

Raquel Link - BLOG ESCREVO POR COMIDA disse...

Desconstrução de gênero é algo mto difícil ainda ficamos preso na questão rosa e azul, no que é de menino e de menina. complicado. ainda temos mto caminho pela frente antes da mudança. infelzmente

Andrea disse...

Meu deus lola, olha esse texto, se eu não fosse feminista tinha virado depois de ler isso sério mesmo. muito bom que isso. bacana saber que comunidade feminista tá forte, crescendo e lutando.

RECOMENDO o pessoal ler vale a pena, me tocou muito.

https://escrevoporcomida.wordpress.com/2014/11/04/eu-sou-feminista/

Anônimo disse...

Acho que isso explica em pq qd as pessoas estão reunidas num determinado grupo, "naturalmente" as mulheres se juntam as mulheres e os homens aos outros homens.

Anônimo disse...

#gamergate
#heforshe
http://judao.com.br/anita-sarkeesian-esta-certa/#.VFlSa2d5fkI

Anônimo disse...

Muito confuso esse artigo, eu acho que quem escreveu não conseguiu ser feliz.

A aprendizagem de língua por crianças em sua primeira idade é fluída, por isso europeus tem domínio fácil de 3 a 5 línguas. Alguns países como Bélgica, Luxemburgo, tem 3 línguas oficiais. Holanda são 2 línguas oficiais e mais de 90% fala inglês. Isso é aprendizado na primeira infância.

O aprendizado de língua estrangeira em adultos tem barreiras psicológicas. Um adulto que fala apenas castelhano não consegue falar fluentemente o português devido a semelhança das palavras.

Por isso o psiquiatra búlgaro Georgi Lozanov criou um método de ensino chamado sugestopedico. Um brasileiro da USP criou outro método que era primeiro tratar as limitações psicológicas e só depois da conscientização dessas barreias a pessoa entrava no aprendizado da língua, com a capacidade de dominar fluência muito rapidamente, em questão de semanas.

lola aronovich disse...

Vc não entendeu, anon. Recomendo que vc leia o post novamente. O texto não está falando do ensino de línguas, e sim de como masculinidade/feminilidade são ensinadas.

Ana Banana disse...

Gente, a menina comparou "masculinidade" e "feminilidade" a idiomas - coisas que, depois de aprender, fica muito difícil desaprender.

Reclamamos o tempo todo de como meninas e meninos (e, mulheres e homens) são ensinados a se comportar de maneira rígida e pré-definida. Isso cria um abismo entre os sexos, o que dificulta a comunicação, a empatia com os outros, e cria um mundo intolerante. Menina só pode isso, menino só pode aquilo, quem mistura as coisas sofre todo tipo de agressão.

Dito isso, gostaríamos de um mundo mais igual. Mas é aí que entra a fala dela, esse mundo mais igual passa pela desconstrução do que a gente entende como "feminino" e "masculino", e isso não é fácil porque fomos ensinados assim desde muito cedo. Seria como desaprender o português.

Muito bem pensado e muito interessante. Eu abri a tese, é gigantesca, fiquei impressionadíssima!

Ciro Adams disse...

Realmente você não leu o post.

Jamile disse...

ADOREI comparação. To me perguntando como nunca pensei nisso antes hahaha serviu perfeitamente!
Parabéns, Marcela, pelo trabalho maravilhoso e obrigada, Lola, por nos brindar com esses posts esclarecedores!

Anônimo disse...

MULHERES NO ORIENTE MÉDIO LUTANDO CONTRA HOMENS VALE A PENA LER

https://br.noticias.yahoo.com/guerreiras-kobani-exemplo-in%C3%A9dito-igualdade-oriente-m%C3%A9dio-080611394.html

Anônimo disse...

Lola eu queria que falasse do programa amor e sexo tem gente dizendo que o programa é um poço de machismo.

julinha disse...

Eu cheguei a ver um gif em inglês num tumblr feminino se referindo a revistas femininas, que só falavam no prazer do homem elas reclamaram que em nenhum momento eles mencionaram vagina.

Anônimo disse...

Seria bom sabermos como criar nossos filhos sem esses padrões.

Mas o que podemos fazer????

e se nosso filho gostar de boneca e batom como o pai deve se portar porque as pessoas falam e isso é chato não adianta dizer que não.

Anônimo disse...

off tópic voces viram ontem no jornal nacional a iraniana que foi presa por ver um jogo de volei que absurdo!
http://odia.ig.com.br/noticia/mundoeciencia/2014-11-02/mulher-e-condenada-a-prisao-no-ira-por-tentar-assistir-a-jogo-de-volei.html

Hanna Ribeiro disse...

"A aprendizagem de língua por crianças em sua primeira idade é fluída, por isso europeus tem domínio fácil de 3 a 5 línguas. Alguns países como Bélgica, Luxemburgo, tem 3 línguas oficiais. Holanda são 2 línguas oficiais e mais de 90% fala inglês. Isso é aprendizado na primeira infância."

Incrível, a pessoa não lê o post e se acha no direito de comentar! Já ouviu falar de metáfora, anônimo?

Achei o texto maravilhoso! Vou imprimir e trabalhar com os meus alunos de ensino médio. A comparação usada por ela facilita muito a compreensão de como os papéis de gênero são construídos. Gostei muito, excelente post.

Andrea disse...

Um dos melhores posts do ano, com certeza. Fiquei curiosíssima com o trabalho dela e pretendo lê-lo logo. :)

Ana Banana disse...

@15:54
"e se nosso filho gostar de boneca e batom como o pai deve se portar porque as pessoas falam e isso é chato não adianta dizer que não."

Que é chato, é. Mas você se preocupa mais com o que as pessoas falam, ou com seu filho?

Já imaginou uma criança que não pode ter nada de que goste sem a aprovação dos outros? Já imaginou criar alguém que vai sempre levar a opinião dos outros em conta? "Eu queria muito ter profissão X, mas o que as pessoas vão dizer?" "Eu queria muito viajar pra tal lugar, mas o que as pessoas vão dizer?"

Além disso, as pessoas vão falar de tudo. Nem sempre vão ter razão.

Bonecas, por exemplo. Véi, meninas brincam com bonecas fingindo que são mães. Meninos vão crescer e se tornar pais um dia. Qual é o crime de brincar de ser pai? Ou, sei lá, brincar de casinha - homem não cozinha????

Mas as pessoas vão falar de meninos que brincam com bonecas, ou de casinha. É idiota. E aí você vai e pune seu filho, tirando dele a oportunidade de brincar como ele quer, pra agradar os outros?

Depois, do mesmo jeito que tem gente que vai falar se você deixar brincar, vai ter gente que vai falar se não deixar.

Quanto a se portar, que tal perguntar pras pessoas qual é o problema delas com o brinquedo? Não é só você que tem que se justificar ou acatar os outros.

Kittsu disse...

"e se nosso filho gostar de boneca e batom como o pai deve se portar porque as pessoas falam e isso é chato não adianta dizer que não."

É chato. Mas se você assume uma família não para cuidar bem de seus pares e descendentes e sim para ser pau-mandado de terceiros, sentindo-se constrangido e sendo facilmente coagido a maltratar os seus filhos porquê "AS PESSOAS" acham que isso é o certo, vou te dar a receita para corrigir isso:
Sr homem que é pai e quer saber como cuidar de um filho que não é cabeça-oca como "as pessoas" querem que ele seja: arranje um par de lobos cerebrais pra virar homem mesmo. Pare de se preocupar com "as pessoas" e vá cuidar da felicidade do seu filho ao invés de, à custa da felicidade dele, o obrigar a se encaixar no que "as pessoas" que sequer se importam com ele fingem ser o correto.

Luiza Original disse...

Assume que é chato pra você, então. Porque o moleque mesmo não está nem aí.

Anônimo disse...

Eu estava lendo algo parecido com isso como a masculinidade pode afetar de maneira ruim aos homens e as mulheres que sempre pagam o pato...
97% dos atiradores em massa nos Eua são homens, até que ponto esse ideal de masculinidade seria prejudicial a nós.

D Stoffel disse...

Eu vi algo sobre Anita Sarkeesian parece que ela está assim como a lola sendo ameaçada pelos mascus haters, depois eu vou ver o que ela falou de fato que os deixaram putinhos

Flavio Moreira disse...

O texto é ótimo e eu fiquei curioso com o trabalho da Marcela, mas tenho até medo de abrir, porque eu tenho tanta coisa para ler... (rs).
Mas bate um pouco com uma pergunta que estava me fazendo hoje cedo: se uma criança (filho, aluno, sobrinho, sei lá qualquer uma) naquela idade dos "porquês" chega para a gente e pergunta - como só elas sabem fazer, sem rodeios e de sopetão - "o que é sexo?", como responder sem cair na dicotomia tradicional homem x mulher?
E por que é tão difícil para nós adultos (e, acho, mais ainda para pais e mães) falar sobre sexo com crianças?
Fiquei pensando se eu diria algo como "é quando duas PESSOAS que se gostam mais do que como amigos..." mas não tive como completar o raciocínio. É muito difícil!
Claro que eu sei que vai depender da faixa etária, de sabermos ou não como a criança é criada pela família, qual o panorama psicossocial em que a criança vive etc. Mas acho que deve ser uma daquelas questões que atormentam pais e mães de todos os tipos - porque eles sabem que um dia a pergunta vai aparecer...
Mas voltando ao trabalho e ao guest, o texto realmente ajuda muito a analisar esse comportamento recebido, essa construção social que os é imposta há gerações.
Quero lê-lo novamente, com calma, e também ler o trabalho inteiro.

D Stoffel disse...

Alguns pais tem maturidade pra criar os filhos fora do genero como é o caso do casal angelina e brad pitt, mas a maioria infelizmente não, até pra mim admito que ainda não perdi alguns preconceitos como poliamor por exemplo.

Anônimo disse...

Meu! Que post mais sem pe nem cabeça! Me diz o que essa manola fumou porque eu quero um pouco disso!

Laurinha disse...

Parabéns pelo trabalho! É mais que uma dissertação, praticamente uma tese.

lia remz disse...

Ameo o texto!!! Pura verdade. Olha, no começo achei mesmo que se falasse de linguas, ai fui lendo e vendo a maravilha de metafora que a autora usou.

Esse texto é pra se levar pra vida, pois de repente explicando assim para o povo, eles entendem esas contruções sociais.

Abri a tese, e ela está aberta aqui do meu lado, vou lendo aos poucos. Realmente essas merdas de revistas femininas são a escoria! Mulheres fiquem magras e aprendam 7 maneiras dfe agradar seus homens na cama! Homens, comprem um carrão para pegar gostosa.- e nada de 7 maneiras de agradar sua parceira na cama.. se procupe com o SEU prazer e pronto. Nojo infinito!

E par terminar, mais uma vez, amei o texto!

Wasp Salander disse...

Texto interessantíssimo! Fiquei muito curiosa para ler a dissertação da Marcela!

Julianatsume disse...

Ai que droga,pra quê que fui baixar a dissertação? Tô vidrada!!! Ainda bem que tô doente(oi?) e vou poder ler essa semana. E claro, deixar outras leituras pra depois,mas é a vida rsrs

Carol NLG disse...

Belo post. Não é fácil sair da dicotomia. Estou grávida de um menino. Admito que nunca pensei em como criar um menino. Se fosse menina,já tinha decidido dar toda a liberdade, carrinhos e bonecas e kits de quimica. Não tenho idéia de como criar um menino sme machismo. Tem muita coisa que é tão engendrado na gente que é difícil de mudar.

Quer ver um exemplo engraçado? Temos um casal de amigos quase irmãos. Eles acabaram de ter uma menina. Quando começaram com aquelas brincadeirinhas sem graça de "ele e ela vão casar" eu meio que travei. Meu marido é que virou e falou: não sei se ele vai gostar de homem, de mulher, se vai querer ser padre. Eu vou lá decidir quem ele vai casar antes de ele nascer? (sim, orgulho puro do marido).

Estamos tentando fazer enxoval/quarto de maneira neutra no quesito gênero. Não é fácil, mas é possível. Quando ficar mais velho é que fica mais difícil.

Anônimo disse...

Anon 04/11 15:47

Artigo de Clara Averbuck sobre o mais recente "episódio" do programa "Amor e Sexo" :
http://lugardemulher.com.br/amor-e-sexo-morri-e-fui-pro-inferno/

Julia disse...

Genial. Com certeza vou ler esta dissertação.

Anônimo disse...

A ideia é interessante, mas achei o texto muito mal escrito e confuso. Ela tentou fazer uma comparação com o ensino de línguas, uma espécie de metáfora, e foi infeliz. Fiquei esperando o final para ver se haveria algo mais que me permitisse entender a pesquisa dela ou entender qual era a realidade por trás da metáfora, mas o texto acabou antes disso! Ela deve ter estudado muito e ter muita coisa legal para contar. Mas peça para nos próximos textos ela fazer uma dissertação comum, sem querer inventar esses recursos narrativos diferentes, porque pelos comentários dá pra ver que não fui somente eu que não entendeu direito.

Anônimo disse...

Estou lendo a tese e adorando.
Ela mostra bem onde começa e como, através das revistas, as neuroses de sexo, relacionamento e a violência sexual que as mulheres sofrem.
Li a parte em que ela demonstra como a porcaria dessas revistas influencia a forma de como a mulher enxerga as relações amorosas e ,putz, entendi melhor do pq eu ter alguns tipos de ideias e pensamentos em relação aos homens com quem me relaciono. Noto o qt mt coisa é construída e naturalizada na nossa cabeça e nem percebemos. É triste, viu? E olho que nunca curti mt essas revistas, mas não entendi mt bem pq.
Sem contar que reparei que a maioria das revistas analisadas são da Abril que á mesma que produz aquela droga da Veja. Curioso, hã?