quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O LOBO DA MISOGINIA: O QUE SOBRA PRAS MULHERES?

A primeira esposa aplaude o mestre do universo

Como eu disse, adorei O Lobo de Wall Street, que pra mim é o filme do ano. E é um filme incrível pra discutir gênero. 
Mas, antes de entrar nesse tema, e como não sei onde mais posso escrever sobre isso, só queria lembrar de uma das grandes responsáveis pelo mérito de Lobo ser tão frenético. É de espantar que a consagrada editora Thelma Schoonmaker, colaboradora de Martin Scorsese nos últimos quarenta anos (desde Touro Indomável; quando perguntaram pra ela como uma senhora tão gentil podia editar os violentos filmes de gangster de Scorsese, ela respondeu: "Ah, mas eles não são violentos até que eu os edito"), não tenha entrado nas indicações do Oscar de melhor montagem.
Tudo bem, Thelma já foi indicada sete vezes e já ganhou três, mas a edição de Lobo é impecável. Li algumas pessoas reclamando de cortes abruptos e pouco convencionais, como se houvesse problemas de continuidade, mas é tudo de propósito: quando os personagens estão sob o efeito de drogas, os cortes são estranhos (não que eu tenha notado). Como o pessoal tá toda hora drogado...
Mas não é todo mundo que se droga a toda hora -– são os homens do filme. A lição que Jordan (Leonardo DiCaprio) recebe de seu mentor é que precisa fazer duas coisas para sobreviver em Wall Street: masturbar-se várias vezes por dia e usar drogas. Quando o jovem Jordan ouve essa lição, ele já é casado, com uma cabeleireira. 
Sua (primeira) esposa lhe dá lições valiosíssimas: o demove de desistir da carreira de corretor da bolsa e aponta o emprego num escri de subúrbio, o acalma depois que uma revista o chama de Robin Hood que rouba dos ricos para dar dinheiro a si mesmo ("não existe publicidade ruim"), e o motiva a levar uma empresa para um nível mais alto -- afinal, por que roubar apenas dos pé-rapados? Vamos roubar dos ricos também (com outras palavras, porque ela nem parece saber que o marido está roubando). 
Eu não achei Lobo misógino. Porém, Lobo certamente reflete um ambiente misógino, que continua até hoje. Afinal, festas com strippers e prostitutas são comuns no mundo corporativo. Levar os executivos para strip clubs é a coisa mais banal que existe. Mas o que acontece se você tem um bom cargo numa empresa e não é UM executivo, e sim UMA executiva? É raro (só 3% das 450 maiores empresas no Brasil, por exemplo, são dirigidas por mulheres), mas pode acontecer.
E aí, você é uma executiva num mundo masculino. Seus contatos, colegas e clientes são homens. 
Como você vai desenvolver uma certa proximidade com eles, proximidade esta que pode ser essencial para fechar negócios? Sair sozinha com seu chefe ou seu cliente, nem pensar -- todo mundo achará que você está transando com eles (muita gente já acha que você só chegou onde chegou através do sexo, como se ser mulher fosse uma vantagem no mundo corporativo!). 
Como você vai jogar golfe com seus clientes? Como você vai fechar negócios se não está interessada numa lap dance? O fato do mundo de negócios ser masculino, regado a testosterona, fica muito evidente quando se vê Lobo. Isso se chama sexismo institucionalizado.
Pra alguns que sonham em ter o estilo de vida de Jordan e seus amigos, Lobo quase serve como guia. Pense comigo: se o sonho do jovem rapaz no capitalismo é ser rico pra gastar tudo com prostitutas e brinquedos, como jatinhos, iates e carrões, o que resta pras mulheres sonharem? Ser stripper? Ser a esposa-troféu de um desses mestres do universo?
O que você pode fazer, como mulher, se o mundo mede sucesso pela quantidade de brinquedos que um homem tem no seu playground? Se você não tem interesse em superar o próximo, baseado numa eterna competição pra ver quem tem o maior pênis ou quem mija mais longe? Se você não quer marcar território com urina?
Esse é um dos motivos pelos quais é complicado ser uma feminista de direita. Porque só fazer que mulheres cheguem a presidentes de empresas não resolve. Devemos querer é derrubar o sistema. Querer um sistema em que "sucesso" seja avaliado por feitos e valores que não incluam quem você derrotou hoje. Porque cheirar cocaína em cima da bunda de uma prostituta de repente pode até significar sucesso pro executivo que tá cheirando, mas olha o "sucesso" máximo que essa mesma prostituta pode atingir.
Não por acaso, a vasta maioria das mulheres que vemos no escritório da Stratton Oakmont (criada por Jordan como base para extorquir dinheiro) são prostitutas. 
Há uma secretária, que aceita ter seu cabelo raspado na frente dos colegas em troca de US$ 10 mil (e chora, o que me lembrou aquela panicat no Pânico); há outra, mais forte e segura, que diz a seu chefe “Vá f*der sua prima” (e ele realmente é casado com a prima). E há uma corretora, uma só, que Jordan destaca num de seus discursos. Assim que ela chegou à empresa, pediu a ele um adiantamento de US$ 5 mil dólares. E Jordan, tão altruísta, lhe deu um cheque de 25 mil. 
Mas o interessante é que sabemos pouco da vida dos outros corretores. Temos Jordan e o parceiro como base, e os vemos torrar tudo em drogas, prostitutas, e carros. Não sabemos nada da corretora (ela praticamente só aparece nessa cena do discurso), apenas que ela é mãe solteira e que pediu aqueles 5 mil adiantados não para dar a entrada num novo carro, e sim para pagar a educação de seu filho. Essa é uma das dicas, a meu ver, que Lobo não é misógino, embora lide com protagonistas misóginos.
Tem uma cena de estupro em Lobo, se bem que ela é um pouco ambígua. Um texto do Jezebel pergunta por que ninguém está falando dessa cena. Na realidade, tem muita gente falando. Quem for ao fórum de discussão do IMDB verá vários tópicos sobre a cena (e a maioria concorda que sim, é estupro). O motivo, um tanto óbvio, para que nenhum crítico esteja falando da cena é que ela acontece nos quinze minutos finais de Lobo
E, sabe, comentar algo no fim de um filme é visto como super spoiler. Isso me deixa numa posição difícil, como crítica feminista. Porque, se eu não falar da cena, vão inventar mil e uma teorias da conspiração sobre porque estou ignorando a cena. E, se eu falar (mesmo que eu fale dela dez anos depois da estreia do filme), vão me acusar de spoilers. Então eu vou falar, mas aviso logo: tá cheio de spoilers.
Quando esta cena acontece (não tenho fotos dela), Jordan está em apuros. Ele precisará entregar seus amigos/comparsas para conseguir uma pena menor. 
É isso que ele está falando pra sua esposa, que responde com monossílabos. Qualquer pessoa que já esteve num relacionamento percebe que sua segundo esposa, Naomi (Margot Robbie), está de saco cheio e que o casamento está no fim, mas não Jordan. 
Ele se aproxima dela e pede pra transar. Ela responde que não está a fim. Ele insiste, ela nega. Ele a coloca na cama e tenta fazer sexo, não com ela, mas nela. Ela diz “não” e “pare”. E aí ela diz, com muito ódio, “Eu te odeio”. Ele insiste para transar e diz que a ama. Ela responde: “Eu quero que você goze pela última vez”, e se mexe embaixo dele (isso não representa exatamente consentimento. Querer que uma violência acabe rápido não é consentir). Ele ejacula, ela anuncia que aquela foi a última vez que eles fizeram sexo, e que quer o divórcio. 
Em seguida vem uma sequência ainda pior. Ela diz que ficará com as crianças, eles discutem, ela lhe dá um tapa no rosto. Ele responde com um soco. Ele rasga um sofá para encontrar um pacote de cocaína que havia escondido, e se droga. Naomi aparece, discutindo, e Jordan lhe dá um soco (segundo relatos de gente que viu Lobo no cinema, é neste momento que o público fica visivelmente indignado). 
Jordan pega a filhinha no quarto e a leva pro carro. Naomi, desesperada, tenta impedi-lo. Ele põe a menina no banco dianteiro, põe o cinto de segurança nela, e bate o carro violentamente na saída da garagem. Por um milagre, nada ocorre com a menina. Naomi a resgata e a leva pra dentro da casa. Se não me engano, esta é a última vez que vemos Naomi no filme.
Toda essa sequência –- o estupro, a violência doméstica, arriscar a vida da filha –- é um ponto de não retorno de Lobo. É quando a plateia de maneira geral deixa de ver Jordan como “um idiota que ganhava dinheiro ilegalmente” para “esse crápula não presta mesmo”. Mas é só bem no fim mesmo. É importante observar que, num filme que muita gente considera misógino, é o tratamento que Jordan dá a sua esposa que fará com que a gente o deteste.
A maior parte de nós, claro. As reações sempre vão variar, e algumas são imprevisíveis. 
Pense no grande Nascido para Matar, filme do Kubrick sobre a Guerra do Vietnã. Até podemos discutir se Apocalipse é ambíguo na sua condenação à guerra, mas não resta dúvida sobre Nascido para Matar. O treinamento dos fuzileiros navais na primeira metade do filme é brutal e desumanizador. 
E não é que o filme virou o favorito dos fuzileiros navais da vida real? Eles vibram com todas as humilhações que o sargento impõe ao recruta gordo. E urram quando o recruta, ensandecido, mata o sargento e se mata em seguida. Pra esses fuzileiros, o filme não é uma crítica. É uma celebração.
Ou pense em O Poderoso Chefão, que não só mostra um universo 100% patriarcal, como também o recomenda (é uma escolha encerrar o filme -– que eu amo, só pra deixar claro –- literalmente fechando a porta na cara da Diane Keaton). Tá cheio de rapazes que veem o Chefão como um modelo de vida, um ABC sobre a honra. Cara, deixa eu te contar um segredo: é sobre a máfia. Não tem nada de digno na máfia. 
Só pra terminar.
O verdadeiro Jordan de Lobo hoje ganha 30 mil dólares por hora de palestra. Depois de passar alguns meses na prisão, onde escreveu suas memórias, vendeu seu livro por um milhão de dólares, e ganhou outro milhão pelos direitos de adaptação para as telas. Diz ele: “Vá ao cinema e veja DiCaprio me representar como eu era e lembre-se do homem que me tornei”.
Até agora, ele pagou apenas US$ 11.6 mi dos 110 mi que precisa devolver. 
Seu parceiro, Danny Pourish (interpretado por Jonah Hill), atualmente vive numa casa de 7,5 mi com sua nova esposa. Sério, alguma dúvida que o crime compensa? Compare a vida de Danny com a de sua ex, Nancy.
As 85 pessoas mais ricas no mundo têm tanta riqueza quanto a metade mais pobre da população mundial, ou seja, que 3,5 bilhões de pessoas. A vasta maioria dessas 85 pessoas mais ricas do mundo são homens (a lista da Forbes dos bilionários de 2013 inclui 1,426 pessoas. Dessas, apenas 138 são mulheres). 
E 70% das pessoas mais pobres do mundo são mulheres. Portanto, faça os cálculos. Se tirar proveito do capitalismo já é uma tarefa hercúlea, ser mulher no capitalismo parece uma missão ainda mais fadada ao fracasso.
O Lobo de Wall Street é uma prova muito bem ilustrada que vivemos num sistema que só nos desfavorece. 

58 comentários:

Patty Kirsche disse...

Aí aparece esse povinho de direita com aquele discurso fraco da meritocracia de que as pessoas fazem "escolhas". Bom, as mulheres só fazem escolhas erradas então, né? Aff ¬¬

Roxy Carmichael disse...

bravo!
excelente associação entre capitalismo e gênero lola!
vou ver esse filme.

Anônimo disse...

Excelente. concordo ttmente. é como mad men q o pessoa acha machista, mas eu não acho. retrata um mundo machista, mas mostra as mulheres sem apontá-las como vilãs, interesseiras, ingratas.

perguntinha: vc não escreveu sobre jogos vorazes em chamas? procurei e não achei...

aiaiai (anonima de novo pq não sei o q aconteceu aqui kkkkkkkk)

Anônimo disse...

Todos falam que o capitalismo é um grande mal, mas se esquecem que o capitalismo, e todos os outros "ismos" são criados e utilizados pela humanidade. Uma faca pode ser usada para descascar laranjas, ou para matar. Quem transforma a faca em uma arma é quem a usa. A ciência pode criar remédios ou bombas atômicas. A teoria da evolução pode contribuir com a biologia ou contribuir com a eugenia de Hitler. A religião pode produzir uma Madre Tereza que ajuda os pobres ou um Marco Feliciano. Quem disse que o socialismo ou qualquer outra alternativa ao capitalismo seria melhor? Quem segura a faca continua sendo a mesma pessoa.

Anônimo disse...

P.S.: não estou querendo dizer que o mal é o "macho", mas o homem no sentido geral. As coisas nunca mudaram, continua sobrevivendo o mais apto, e quem está no poder precisa subjugar as massas para se manter no poder, é assim na natureza, e nós não somos uma coisa a parte da natureza. Seja o homem ou a mulher no poder, negro ou branco, índio, cristão, muçulmano, budista, ateu, seja o que for, sempre vão haver pessoas oprimidas.

Nos quilombos também havia líderes que desfrutavam de mais privilégios, e havia os menos abastados, nas igrejas é o mesmo, nos países comunistas é o mesmo, nas tribos indígenas é o mesmo.

A pirâmide sempre vai existir. As mulheres não estão erradas em desejar estar no topo da pirâmide. Ninguém deseja estar na Base. Mas parem com esse sonho de acabar com a opressão. Só vão mudar os lados.

Ninguém escapa da natureza. Desejar ser solteira e bem sucedida não significa que está indo contra a natureza, mas somente contra "conceitos" e "rótulos". O desejo de poder, de aceitação, o orgulho, a vaidade, os instintos, os motores que giram o mundo animal vão continuar sendo seus senhores.

Só mudam as máscaras.

Ninguém escapa da natureza, a Pirâmide sempre vai existir.

Anna disse...

não resta dúvida sobre Nascido para Matar. O treinamento dos fuzileiros navais na primeira metade do filme é brutal e desumanizador.

E não é que o filme virou o favorito dos fuzileiros navais da vida real?


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Bem interessante vc falar isso pq eu li comentários de pessoas que foram no cinema nos eua e viram corretores e pessoas do ramo dando high five ou vibrando depois q o filme acabou. Também li de um cinema q riu durante a cena de violência doméstica :(

Mesmo depois da sua crítica positiva eu ainda não quero ver esse filme. Hoje em dia eu já procuro evitar filmes com má participação feminina, machismo em excesso e cenas de estupro

Anônimo disse...

E se hoje vivessemos no Matriarcado, estariam as altas executivas não cheirando, mas "tomando" cocaína de "canudinho" em algum garoto de programa?

cabe a reflexão

Anônimo disse...

Se que não me engano, nos EUA sexo entre primos é tabu, né?

LeiDe Mamariquinha disse...

So sei de uma coisa que esse filme é mais um pro vasto leque de opçoes pra reaçada.


O padrasto da minha tia tem o que comemorar ele tem mais representaçoes na midia q a nossa.Mais um bonus pro privilegiado.


Anônimo disse...

Anônimo disse...
E se hoje vivessemos no Matriarcado, estariam as altas executivas não cheirando, mas "tomando" cocaína de "canudinho" em algum garoto de programa?

cabe a reflexão

22 de janeiro de 2014 17:57




mas nós não vivemos num matriarcado. Não cabe ficar refletindo sobre situações hipotéticas, sabe.. mais prático lidar com a realidade, não acha? Seria que nem ficar refletindo sobre ~e se o racismo fosse contra brancos?~ é inútil

tata disse...

Boa crítica Lola! Mas não deveríamos ser mais intolerantes com cenas de estupro? Vc não acha que essa é uma forma de endossar a prática? Não vi o filme ainda, talvez seja uma cena necessária, mas na maioria dos casos não é assim, e sim mais uma oportunidade de mostrar a "fragilidade" da mulher!

tata disse...

Gostei da crítica! Mas não deveríamos ser mais intolerantes com cenas de estupro Lola? Essa não é uma forma de endossar a prática? Não vi o filme ainda, talvez seja uma cena necessária, mas nem sempre é o caso e a cena só está lá para mostrar "quem é que manda"!

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Adorei a crítica... Mas a antipatia que o protagonista me causou (tanto na ficção quanto na vida real) me tirou a vontade de ver o filme, rsrs... Vamos ver se depois passa...

Dona do Sexo -Bonobo rules,Jaçanã forever disse...

Filmes desse tipo so de graça,meu dinheoro nao ta pra enricar esse povo nao pra fazer mais do mesmo.

Prefiro doc criticos a isso.


Todo mundo ja sabe q é assim q funciona o mundo,ne.Precisa lembrar sempre?

Empresaria capitalista disse...

Discordo lola, graças ao capitalismo eu tenho a minha própria empresa que sempre foi meu sonho.
Já fui funcionária pública e área infeliz pois mesmo quando já tinha terminado o meu trabalho tinha que ficar lá pra cumprir as horas.
Capitalismo tem meritocracia sim, e vc recebe de acordo com o seu trabalho. O padeira faz 10 pães vai receber por 10 pães, no socialismo o padeiro se mata pra fazer 1000 e ao igual que outro padeiro que faz 1 vão ganhar por 10 pães os dois igualmente, nao acho justo.
Não é todo empresário executivo que curte ir no puteiro para fechar negócios, isso existe, claro, eu nunca presenciei nem nunca tive problemas de fechar negócios com clientes e outras empresas.
Nao sei, cada empresa é um caso mas demonizar assim o capitalismo acho errado.
Se nao fosse o capitalismo eu nunca seria uma empresaria, nunca, nunca lutaria pra chegar longe.

Raquel disse...

Lola, vc é demais! Mais vontade de ver o filme agora :D

Anônimo disse...

Estou na dúvida de ler ou não os comentários por causa de possíveis spoilers.
Eu não acredito na boa vontade do ser humano a ponto de pensar que o socialismo possa dar certo... A maioria das pessoas são acomodadas e não pensam no bem comum. Eu mesma produzo bem mais quando eu sei que a corda está apertando no pescoço. Acho que o melhor mesmo é ter um sistema capitalista mas com um estado que consiga agir no sentido de equilibrar e distribuir a renda... Mas acho que isso não é exatamente ser de direita, né?

Anônimo disse...

Lola, acho que o que Lobo nos apresenta é um filme que não vem com respostas mastigadinhas sobre bem e o mal. Acho que ao longo do filme há várias pistas sobre de que lado o diretor está, mas vc tem que estar atento para perceber. E se vc é do tipo que acha esse estilo de vida super materialista bem legal, não tem jeito, vc vai ver o cara como um herói. Mas o filme em si não quer ensinar nada, ele apresenta os eventos e vc que os julgue conforme seus valores. Também não achei o filme misógino. Acho que os personagens sao e muita gente na platéia também é. E para quem perguntou, não acho que mostrar um cena de estupro seja necessariamente um estimulante. Quem viu a cena sabe que não tem nada mais broxante que aquele momento e, considerando que na seqüência ele quase mata a filha eu diria que dificilmente alguém se sentiria estimulado a adotar esse comportamento.

Anônimo disse...

Uma vez um namorado meu passou alguns dias angustiado, sem querer me falar o que estava acontecendo. Depois ele me contou que estava assim porque iria viajar com a equipe da nova empresa para visitar uma feira de equipamentos e que na saída certamente eles iriam querer ir numa casa de prostituição. Meu namorado não queria ir, mas não sabia como recusar, pois os outros iriam pressionar, chamar de viadinho e pau-mandado e poderia prejudicá-lo.

Eu disse que em último caso ele poderia ir, tomar uma cerveja e ir embora o mais rápido possível, mas que eu achava que ele deveria 'enfrentar o sistema', e foi isso que ele fez.

Deve ser difícil ser homem e querer fugir dos esteriótipos também.

Paula disse...

concordo MUITO com Anon das 22:11!!
(menos a parte dos spoilers..heheh)

Anônimo disse...

Lola, muito legal o texto!
E a discussão gênero, capitalismo e feminismo também!
Também não considero o filme misógino, mas sim que retrata um ambiente misógino.
Agora, considerei interessante, e não sei se vi demais no texto que você escreveu, a descrição de que algumas pessoas ficaram visivelmente indignadas apenas (eu considero apenas) na cena de violência doméstica. Como assim? O personagem é escroto o filme todo, rs. Não desmerecendo, obviamente, a violência doméstica. Mas me faz pensar se as pessoas entendem todas as extensões, tipos, possibilidades de violência. Se elas não estereotipam o que é a violência contra a mulher. Será o soco que ele deu na esposa o ápice de violência contra a mulher do filme? Não houveram outras formas? Dependendo do caso, acho que muita gente não considerou a cena de estupro um estupro, por exemplo.
Ah, e Laurinha (Mulher modernex), não sei se sua antipatia passa =). Gostei muito do filme, mas pra mim, no quesito empatia, é como Laranja Mecânica, no que diz respeito à dificuldade de simpatizar com o protagonista.

Abraços,

Ma.

Marjorie Sherali disse...

Completamente de acordo. Muito inteligente sua crítica.

José Neto disse...

Ótimo texto, Lola. Gostei muito do filme e também passei as 3h refletido o quanto o ambiente incorporativo é misógino. Os grandes executivos ainda são homens, na sua maioria. Isso me incomoda bastante. "O grande executivo e sua esposa socialite". Uma das coisas que mais me irritam!

Catharina Heringer disse...

Eu e meu noivo rimos desse filme do início ao fim. Eu encarei que o filme fosse nao uma homenagem ao Jordan, mas uma sátira mesmo: retrata-o como um cara mesquinho, vazio e ridículo, e, pelo menos ao meu ver, mostra que fazer tudo isso para ficar rico nao preenche certos vazios dentro de nos. Afinal, que grande objetivo de vida é esse que alguém pode ter que se resume a ficar rico? Ta, ficou rico e...? É claro que é muito bom ter dinheiro e poder viajar, comprar roupas, carros etc, mas certas sensacoes e experiencias nao podem ser compradas com dinheiro. Enfim...
Meu noivo se indignou com o fato de que o verdadeiro Jordan conta vantagens e tem a coragem de expor num livro e, depois num filme, que batia em sua esposa e passava a perna nos outros, como se isso fosse algo a ser vangloriado.

MCarolina disse...

A história desse filme não tinha me interessado, mas pela sua crítica parece que é muito bem feito e vale a pena.
Devo dizer que a motivação da esposa, cujo trabalho é fazer com que o marido ganhe mais e mais dinheiro, é mais interessante para mim do que um executivo de sucesso descontrolado. Não por ser uma coisa boa, justamente por ser uma linha de pensamento tão bizarra. E dos comentários o mais bizarro é da "empresária". Como assim o padeiro ganha por pão? Ele ganha salários fixo, como todos os assalariados.

Jonas Klein disse...

Olá Lola essa e a primeira vez que comento no seu blog, e quero cumprimentar você pelo sucesso do seu blog.

Quanto ao artigo que você escreveu apesar de eu não concordar com tudo o que você, eu achei bom o seu texto, porque ele serve pra gente refletir sobre cada um dos tópicos que você abordou no artigo.

Na verdade o principal motivo que me levou a escrever este comentário foi o fato de eu ontem ter descoberto um lixo de blog, ironicamente intitulado Homem de bem, essa imundice de blog apesar do titulo bonitinho só serve pra difundir ideias misóginas, homofônicas, e defendi a perseguição e eliminação feministas e ateus.

Pra dizer a verdade Lola eu to quase que em estado de choque desde a primeiro momento que eu vi o conteúdo desse lixo de blog, e isso que quem me conhece sabe que sou uma pessoa que pode ser considerada ate meio insensível, mas eu vi algumas coisas tão chocantes no blog, que simplesmente me tirarão do serio.

Isso que eu não sou alvo dos ataques deles pois eu não sou mulher, gay, ateu, feminista ou esquerdista (na verdade eu sou de direita), mas mesmo assim eu não deixei de ficar revoltado com o que vi nesse blog, tanto que já denunciei ele a policia federal e ao site

http://www.safernet.org.br/

na verdade Lola o que te peço a você e a todas as pessoas que lerem este comentário e que visite o site de denuncia da policia federal,

link http://denuncia.pf.gov.br/

E denunciem este blog nojento, E Lola so pra você ter uma ideia do quanto esse blog e um lixo, no artigo mais recente postado ali tem esse titulo

Estuprar uma mulher é sinônimo de garra, virilidade, força e poder – Parte 1. e ali tem outros artigos idiotas usando títulos como

Feministas tentam matar homens no Brasil

Estuprem lésbicas, matem gays.

isso entre outras muitas aberrações ali postadas.

Outra coisa que eu te sugiro lola e que escreva um artigo, dizendo todas as verdades que precisão ser ditas sobre essa bosta de blog e seus autores covarde, a ponto de nem assinarem as suas postagens, Na verdade Lola este blog já foi tirado do ar uma vez, mas os seus autores criminosos conseguirão colocar ele no ar de novo.

Sabe eu nem sei se além da postagem nos não vamos ter que dar um jeito de fazer barulho na imprensa, pra vê se a policia federal de mexer dando um jeito de tirar esse blog do ar e prender os autores dele.

Dito isso o link pro lixo em questão é

http://homemdebem.org/

Espero o seu apoio Lola, e lhe desejo que tenha um dia excelente.

Anônimo disse...


mas nós não vivemos num matriarcado. Não cabe ficar refletindo sobre situações hipotéticas, sabe.. mais prático lidar com a realidade, não acha? Seria que nem ficar refletindo sobre ~e se o racismo fosse contra brancos?~ é inútil

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Não, não é inútil. Quem luta contra monstros tem de se cuidar para não acabar virando um monstro também.

Let disse...

Acho que é um filme muito bem feito, mas existem problemas de gênero sim. Até que ponto representar um ambiente machista significa, necessariamente, colaborar com ele? Não dava pra ter uma mulher sequer que se destacasse e não fosse vítima ou dependesse do DiCaprio (ou de outro personagem homem)?

Que tal fazer com que o detetive fosse mulher? Eu entendo que é baseado em fatos reais, mas pra ser sincera, não mudaria em nada o contexto da história, apenas apresentaria uma mulher representada.

Anônimo disse...

Anônimo das 17:57, se vc tivesse cinco peitos seria metade de uma porca? Cabe a reflexão...

Anônimo disse...

Ok, anon.. Então fique se preocupando com o matriarcado tomando conta do Brasil, as mulheres dominando os homens e unicórnios.

Enquanto isso nós nos preocupamos com a realidade

Giovanna Ferreira disse...

Eu gostei muito do filme, mas enquano eu via também ñ deixei de reparar nesses pontos citados. Muito boa a crítica!

Anônimo disse...

Caro anônimo das 17:57, se você fosse mulher, você seria tão estúpido? Fica a dica...

Anônimo disse...

Bem, primeiramente, a análise tá de primeira. Entretanto, frequentei por pouco tempo o blog e acho que já tô dando adeus, pq é muito difícil encasquetar em discussões com pessoas com uma "cosmovisão" de pressupostos totalmente opostos ao seu. Acho admirável, mas não é pra mim.

A essas pessoas deixo apenas algumas questões que se bem refletidas poderiam "dar lucro" (já que isso parece tão importante) intelectual.

Primeiro: como se pode falar em meritocracia quando as pessoas em questão não partem de um mesmo lugar?
Há uma cena do filme em que o investigador do FBI diz que o que o deixa de consciência limpa é que o caminho trilhado por Jordan é de inteira responsabilidade dele, já que não "nasceu em berço de ouro", o que reafirmaria a possibilidade de ascensão social na sociedade capitalista; no entanto, o filme inteiro mostra o quanto a meritocracia é hipócrita, já que o custo do sucesso da personagem principal é a sua canalhice suprema: desde quando não estava fazendo nada "ilegal" (ou seja, vendendo lixo a preço de ouro), Jordan estava fazendo algo imoral. Em uma lógica apressada, poderíamos dizer que, de um modo ou de outro, esse é o preço da meritocracia no capitalismo: você só chega ao sucesso a custa da opressão de outros, mesmo que indireta (o que justifica a ausência de negros e latinos no filme, além da representação perversa de mulheres e gays). É aí que chegamos ao segundo ponto.

Segundo: o capitalismo não é uma ferramenta que pode ser usada para o bem ou para o mal. há dois erros indiscutíveis aí.
a) o capitalismo não é usado por uma pessoa, por alguém, mas por um grupo de pessoas, por uma coletividade, motivo pelo qual não é possível alguém fazer "bom uso" dele. quem se beneficia dele faz parte de um grupo (o da exploração do trabalho), quem está em prejuízo faz parte de outro grupo (o do trabalho explorado). assim, ele só pode ser usado por esses grupos, daí a importância da classe trabalhadora etc, etc, etc.
b) o capitalismo traz consigo uma lógica muito simples, que já tá conhecida desde o século XIX, e mesmo a direita que pensa não a nega: para que haja ricos, NECESSARIAMENTE tem que existir pobres. Logo é impossível que ela seja usado, seja lá pela coletividade que for, de uma maneira boa. Por isso, fecho com a Lola completamente: é uma aberração uma feminista de direita, assim como são aberrações ativistas pró-qualquer-minoria na direita, pq a segregação está intrínseca ao capitalismo e só pode ser superada em uma outra lógica econômica.

No fim das contas, ninguém é infantilóide e acha que haverá um mundo sem injustiças, em que todo mundo vive feliz, pelado e de mãos dadas, fazendo amor com as árvores. E isso não tá no horizonte da esquerda, mas no mínimo a superação das condições absurdas pra seres humanos que vivem mais indignamente que animais enquanto outros afundam seus iates caríssimos por simples capricho.

Anônimo disse...

Galera, é muito simplista achar que um filme com uma mulher no lugar de detetive teria representação feminina e seria por isso menos machista. Nesse caso, estamos jogando completamente por água abaixo qualquer mediação estética e chegando perto de panfletagem. A interface entre arte e política só pode ser bem discutida se for considerado profundamente o valor estético.

Anônimo disse...

Capitalismo desfavorece os vagabundos, preguiçosos e mal preparados.
Negros, homossexuais, mulheres, todos que se esforçam ganham dinheiro. Talvez não fiquem ricos, mas conseguem se sustentar. (com exceção talvez dos coitados dos travestis, esses sim realmente discriminados).
E antes que vocês venham me falar que são mulheres e portanto discriminadas, eu sou pardo, de família pobre e não tenho uma perna. E mesmo assim consegui ganhar dinheiro.
Mas esse bando de pseudo intelectual ao invés de trabalhar quer defender bandido na cadeia, rolezinho de baderna, vagabundo.

Anônimo disse...

Odeiem o jogo, não os jogadores.
E acreditem, o jogo não é o capitalismo, mas sim a natureza humana.
E, aqueles que não acreditam, mudem-se para a Coréia do Norte.

lola aronovich disse...

Ha ha, anon das 12:17 (vc é o mesmo das 12:11, o pardo pobre sem uma perna? Acredito muito em vc!).
É isso aí, repita o que ouvimos todo o dia -- não é capitalismo, é natureza humana! Não é ideologia, é só assim que as coisas são! Faltou só no seu breve comentário nos mandar pra Cuba.


Anon das 11:57, vc tá dando adeus pro blog porque alguns comentários aqui na caixa de coment (ver, por exemplo, os do anon 12:11 e 12:17) são completamente idiotas? Vc sabe que existem comentários idiotas em todo lugar que tenha espaço pra comentários, não sabe?

Anônimo disse...

Lola é a natureza humana, não para negar os fatos.

Grandes impérios e monarquias da antiguidade? Havia opressão.

Índios e seu sistema tribal e naturalista. Havia opressão, guerras com outras tribos etc.

Tribos africanas, nem se fala.

Comunismo, União Soviética, Cuba, Coréia do Norte, China. Nem se fala.

E um exemplo final e pouco conhecido.

Lola, você já ouviu falar da sociedade Mosuo? É uma sociedade matriarcal, na China (sim, na China). É muito interessante, porque as mulheres comandam tudo, desde a economia até a política. Não existe casamento. E nem a palavra pai. Tipo, um casal, não dorme embaixo do mesmo teto. O homem visita a mulher à noite, tipo um namoro, e se ela deixar. Mas não moram juntos, ele jamais pode dormir na casa dela. Quando tem filhos, eles são criados na casa da mãe. Os filhos homens ajudam as irmãs a cuidar dos filhos, ou seja, a figura paterna em casa são os tios.

Nessa sociedade as mulheres não tratam os homens como inferiores, pelo contrário, são amados e respeitados. Assim como as mulheres são amadas, respeitadas, e citadas em poesias e músicas não é? Não é uma sociedade opressora com os homens?





Anônimo disse...

Ótima crítica!!!

Anônimo disse...

Na Sociedade Mosuo não há violência, e homens e mulheres são livres para ter relacionamentos. Mas é óbvia a diferença entre homens e mulheres.

Homens não tem filhos, eles são criadas na casa da mulher, nem existe a palavra pai.

Só mulheres tem quartos individuais e exclusivos.

Só elas são proprietárias dos campos e das casas de família.

Os homens competem trabalhos braçais, como a construção de casas.

É bem legal né?

Anônimo disse...

Eu me divirto com comentários como o do anônimo das 17:30. Ragusa

Mayo April disse...

Terei que ver o filme para ler o resto do texto, aliais, primeira vez que gosto de um texto seu [motivo de estar comentando], mas a pergunta que nunca cala na minha cabeça é aonde entra a culpa da mulher nessa construção social?

Anônimo disse...

O capitalismo promoveu a libertação dos escravos (mão de obra para comprar). Promoveu a liberdade das mulheres (mão de obra para comprar). No capitalismo não importa a sua classe, mas quanto você tem no bolso. Você tem que lutar. O que produziu escravidão, o que subjugou as mulheres, o que deixou os negros em desvantagem, o que produziu o machismo etc., não foi o capitalismo, foram as monarquias, impérios e religiões do passado, das quais herdamos muitos valores.

Assim, por causa da escravidão, o negro está em desvantagem. Por causa do machismo, a mulher está em desvantagem. Isso tem que ser corrigido, e está sendo, com o feminismo, as cotas etc., mas o capitalismo não vê cor e nem sexo, somente dinheiro.

Por exemplo, uma mulher tem desvantagem na contratação em uma empresa, pelo fato de ela engravidar, tirar uma licença maternidade longa. Dá uma licença paternidade para o homem, fica em pé de igualdade. Para o capitalismo não vai fazer diferença, desde que o dinheiro continue girando.

Uma pessoa pode sair do nada e se tornar grande, há vários exemplos.

Valores morais, são discutíveis. Há algum tempo era imoral uma mulher andar com os seios à mostra. Era imoral relações homossexuais. Hoje a pedofilia é imoral, com essa liberalidade toda, amanhã pode não ser. É só doutrinar as crianças a se sexualizarem mais cedo, como a Valeska Popozuda faz, aí pronto, vai ser considerada uma relação consentida.

Porque então uma pessoa não pode ser canalha para subir na vida? Fazer alianças, jogar, simular, conquistar, desde que não desrespeite a lei.

RavenClaw~ disse...

Se vc tiver 5 peitos é metade de uma porca? Hhuazhuazhuashua

Meu deus. Melhor resposta de comentário estúpido EVER.

Décio disse...

Está na hora mesmo, a Europa virou uma p**taria.

Anônimo disse...

"Anônimo das 17:57, se vc tivesse cinco peitos seria metade de uma porca? Cabe a reflexão..."


"Se vc tiver 5 peitos é metade de uma porca? Hhuazhuazhuashua

Meu deus. Melhor resposta de comentário estúpido EVER."


Se eu pegar os neurônios das duas e conseguir formar um cérebro serei um santo ou o próprio Deus?

cabe a reflexão.

Anonimo das 17:57

Ellen disse...

Lola,

Esse filme retrata apenas um lado burlesco, meio clichê, de Wall Street. Um lado repleto de fracassados. Gente bem sucedida nessa área, como Warren Buffett, não anda cheirando cocaína com prostitutas, estuprando a esposa ou levando executivos para clubes de stripper. Eles estão estudando as empresas e o mercado, pois isso, e não jogar golfe, os fará ganhar dinheiro. As pessoas retratadas no filme são a escória e não a elite de Wall Street!

RavenClaw~ disse...

Ah anon. Não digo santo mas com ctz seria mais inteligente hein? =)

Paula disse...

Anon das 17:05, vc ia bem até os valores morais... daí o posto desandou...

eu acho que o "lado feminino" dos executivos putanheiros seria tipo uma Samantha Jones da vida (Sex and the City)

roupas de grive, maquiagem a cabelo sempre impecáveis, spa 2x por semana, compras em Paris e trepar com modelos jovens bem-dispostos sem ficar com fama de vadia...

Nícolas Ferreira disse...

Eu acredito que esse machismo opressor que você fala existe em qualquer sistema econômico, seja capitalismo ou socialismo, sequer vi uma líder de grande relevância no socialismo, as mulheres que ocupam cargos de poder no socialismo são irrelevantes em relação ao número de homens. Assim, não vejo grande diferença em ser feminista seja de direita ou de esquerda, visto que as duas formas pendem para um sistema que ainda conservará o machismo. Além disso, acho que o sistema capitalista proporciona muito mais oportunidades as mulheres, o machismo e o preconceito influenciam sim na ascensão da mulher no mercado empreendedor e de negócios, mas ainda sim, como vemos em noticiários todos os dias, as mulheres assumem mais e mais cargos de poder nas empresas, sendo donas ou não.
Sobre prostitutas e afim, gostaria de fazer uma ressalva, principalmente sobre a de uma mulher achar que um executivo cheirando cocaína na sua bunda é um "lugar de prestígio", acho que no caso dela é sim, muitas mulheres aproveita esse mesmo sistema capitalista desigual/segregador para ganharem com ele, e fazem uso da sua beleza para o ganho fácil de dinheiro em um mercado que sempre tem alta demanda entre os homens: o sexual. Quantas mulheres não se vendem não porque não tiveram oportunidades na vida, mas simplesmente para conseguirem ostentar do modo mais fácil, comprarem roupas caras, viajarem em cruzeiros, etc, com o dinheiro de sua prostituição? É só ver os inúmeros casos da prostituição de luxo, e na prostituição entre universitárias (que não alcança valores comparáveis ao pequeno nicho da prostituição de luxo). Culpar os homens por esse problemas é muito fácil, difícil é se aprofundar de forma imparcial nessa questão. Por isso acredito que tanto o feminismo quanto o machismo são ideologias falidas, e que tendem cada vez mais a se polarizarem e a tentarem favorecer um sexo em prejuízo do outro. Vejo que mesmo em você, uma pessoa tão ilustrada, essa polarização ocorre inúmeras vezes, apesar dos textos belamente escritos e com uma linha clara de raciocínio. Agora uma pergunta que creio que seja de difícil resposta, que sistema então você criaria para substituir o capitalismo? Não acredito que as variáveis do socialismo sejam boas respostas, visto que até nelas vemos a opressão a beleza e a mulher (vide Mao Tsé Tung).

Anônimo disse...

Nada a ver. Todos os homens são educados por homens. E elas reforçam o machismo. Nada, nada a ver com capitalismo... socialismo... e todos os mais lismos.

Dillyane disse...

Lola, assisti o filme em Bogotá. Sim, justamente no país de origem de quase toda a cocaína que é glamourizada no filme. Acho o filme machista, misógino e que faz o desserviço de glamourizar toda a podridão retratada. Na sala de cinema onde eu estava, a cena de estupro (sem falar na cena em que ele aparece assediando sexualmente as comissárias de bordo e em que tudo isso é mostrado pra produzir riso) e a violência familiar - encerrada com uma gota de sangue escorrendo como uma lágrima - não produziu o efeito que você descreveu: causar indignação nas pessoas. Como eu sei? Na cena siguinte, em que ele recebe voz de prisão, dei pra escutar muito bem um coletivo "aaah!" de pena, tristeza, compaixão ou sei lá o que, menos raiva pelo personagem.

Anônimo disse...

Eu boicoto qualquer filme que tenha cena de estupro. Admito que está ficando bem complicado ir ao cinema ultimamente.

Julia disse...

Não entendi o anônimo que falou da comunidade Mosuo.

Já li algo sobre essa comunidade e os homens pareciam bem felizes. Inclusive muito do trabalho pesado era feito pelas mulheres mesmo.

Você estava sendo irônico, anon?

Quando a não existir a palavra pai.. Como se tem certeza de quem é o pai quando a mulher tem real liberdade pra fazer sexo com quem quiser? E sem teste de DNA disponível? Faz sentido isso aí.

Aposto que muitos homens iam gostar, não ter que pagar pensão e tal.. porque se for cercear a liberdade sexual feminina pra ter certeza da paternidade, deixar
herança, já vira patriarcado, né?

Foi assim que essa merda começou.

Anônimo disse...

Larguei do meu namorado (2 anos de relacionamento) por causa desse filme. Ele disse veementemente que o que aconteceu não foi um estupro, foi um exagero, que o cara não sabia o que estava fazendo, que era a mulher dele, que ela deixou. Fiquei com medo e nesse dia mesmo eu voltei do cinema de táxi pra casa. Terminamos e não estou nem um pouco arrependida.

Machistas não passarão.

Anônimo disse...

Sawl

Fez MUITO bem anônima de 31 de janeiro das 07:51.
Seu namorado era um babaca misógino! Se ele justificou um ESTUPRO é porque ele tem tendência MUITO forte de se tornar um estuprador (NÃO que eu esteja desejando!)!
O cara (o personagem do Leonardo) sabia MUITO BEM o que tava fazendo! Ele era um escroque misógino e arrogante que se achava acima do bem e do mal e acreditava que mulheres eram "coisas"!
E a mulher dele NÃO DEIXOU! Ela não teve forças, até porque NENHUMA mulher tem força suficiente (por isso que é bom pegar a primeira ARMA pra atacar o safado!) pra se livrar de um estupro, salvo as que aprendem artes marciais e conseguem chutar o saco do vagabundo! Ela era uma mulher frágil que NÃO conseguiu empurrar o sujeito, e como JÁ estava sendo estuprada, ela mandou ele ejacular logo pra acabar o sofrimento dela!
Tá certa em terminar com esse imbecil! Um cara que concorda com este tipo de violência a gente deve mantar distância!
Parabéns pela coragem! Quem dera todas as mulheres tivessem alto estima e coragem pra não se envolverem com trastes misóginos!

Sawl

Nádia disse...

Eu esperei ver o filme para ler a sua resenha.
Bem, notei logo de cara que tem isso do mundo corporativo: a competitividade, necessária neste ambiente, é associada aos homens.
O que eu tirei muito deste filme foi que a máxima "dinheiro não traz felicidade" é totalmente aplicável. O Jordan é um sujeito vazio, assim como todos seus colegas. Não há nenhum laço digno de reflexão.
Por isso eu concordo com vc quando vc diz que o que tem que mudar são os valores, todo o sistema, não que mulheres passem a desempenhar os mesmos papéis dos homens.
E acho que não precisamos ver quem é mais rico ou mais pobre, prefiro me ater aos índices ligados a bem estar. Ou seja, a partir do momento que se tem conforto (moradia, saneamento, lazer e educação), vc não precisa de muito mais para ter 'sucesso'. Mas os homens são mais cobrados para ter sucesso profissional, então muitos deles se mergulham nessa mesquinharia de vida.

Anônimo disse...

Esse post diz tudo sobre como algumas pessoas tomam o filme:

http://www.administradores.com.br/artigos/administracao-e-negocios/o-que-o-lobo-de-wall-street-pode-te-ensinar-sobre-negocios/75378/