domingo, 5 de janeiro de 2014

GUEST POST: FALAR DE ESTUPRO TE ROTULA COMO VÍTIMA

A G. me enviou este relato.

Em primeiro lugar muito obrigada! Mesmo! Por se doar a causas tão nobres. Por ser tão elevada. Por ser essa pessoa maravilhosa que você é! Minha vida mudou depois que comecei a ler seu blog!
Há algum tempo penso em escrever esse texto e hoje me sobrou tempo então resolvi relatar esse acontecido. Tenho certeza que você sabe que isso tudo acontece sempre, mas sei lá. Tive vontade de te contar, até para você saber como funciona o relacionamento interpessoal em uma grande empresa! Ambiente coorporativo não é fácil!
Tenho 31 anos e trabalho em uma empresa multinacional na área comercial. Sou formada em Comunicação Social. Presto trabalho voluntário em uma organização que apóia adolescentes grávidas. E isso é só uma parte de quem eu sou.
Acontece que de uns dois anos para cá venho me inteirando mais e mais sobre o feminismo e as lutas diárias da mulher na sociedade. Como sou curiosa, também comecei a ler mais e mais textos sobre misoginia [ver abaixo], direito de minorias, igualdade social etc e tal. 
Lola, um mundo novo se abriu na minha frente! Eu era machista! O mundo é machista! Eu era preconceituosa! O mundo é preconceituoso! Eu já sofri abusos verbais e não notei! Já sofri abusos físicos “leves” (aquela passada de mão no carnaval, sabe?) e “deixei pra lá”! Meu noivo solta frases machistas. Meus amigos soltam comentários maldosos! Minha equipe no trabalho tem pessoas homofóbicas! Meu mundo caiu!
Enfim, esse breve resumo de quem eu sou e um pouco do que eu penso serve agora para abrir o tema do texto.
FALAR DE ESTUPRO TE ROTULA AUTOMATICAMENTE COMO ESTUPRADA.
Lola, é isso mesmo que você leu!
Ultimamente eu tenho percebido que se eu me posiciono em relação a assuntos ligados a estupro, as pessoas olham pra mim ora com cara de dó, ora com cara de dúvida, ora com cara de espanto.
Minhas suspeitas se confirmaram esses dias. Estava almoçando junto com o pessoal do trabalho e entrou no assunto uma menina que foi estuprada no ônibus com uma arma na boca. E eu nem sabia dessa notícia, porque nem sempre tenho tempo de ler tudo.
Acontece que uma das pessoas na mesa fez o seguinte comentário: “Imagina? O cara conseguiu estuprar a menina e segurar a arma? Ela foi trouxa! Dava para ela ter feito alguma coisa! Tirado a arma do cara, sei lá... esse povo é muito mole!”
Ai Lola... Se tem uma coisa que não consigo é ficar quieta nessas situações. Como era horário de almoço e eu não estava dentro da empresa, fiz o mesmo que todas as pessoas da mesa estavam fazendo: dei minha opinião.
Falei que pessoa que sofre violência fica sem ação, que precisamos parar de culpar as vítimas, que precisamos entender que isso acontece sempre e precisamos começar a nos revoltar com isso. Disse que somos todas donas de nosso corpo. Enfim, falei tudo que qualquer pessoa um pouco menos alienada falaria. Sem me exaltar, sem levantar a voz.
E como quase sempre acontece, algumas pessoas da mesa ficaram me olhando com cara de espanto. Algumas concordaram, outras continuaram tirando sarro, mas eu falei. Fiz minha parte.
Depois do almoço fui ao banheiro e entrei na frente. Duas colegas que não sabiam que eu estava ali entraram e passaram a falar de mim. Segue o diálogo:
Colega de trabalho 1: “Nossa, você viu como ela defende as vitimas de estupro? Certeza que aconteceu com ela.”
Colega de trabalho 2: “Taí! Tá explicado por que ela não emagrece! Deve ser por causa do trauma!”
Colega de trabalho 1: “Por isso que ela vai ajudar essas meninas grávidas. É um jeito de apagar o trauma. Tadinha! Tomara que ela supere isso tudo!” 
Gente! Gente! Geeeente! Para tudo! Quantos erros você encontra no diálogo acima, Lola?
TODOS OS ERROS DO MUNDO, LOLA!
Falar de estupro e defender a vítima me tornou imediatamente estuprada. Traumatizada. Meu sobrepeso foi automaticamente “justificado”. Além disso, acharam até uma “justificativa” para um trabalho voluntário. Além de ter me tornado “uma coitada”.
Minha reflexão em relação ao assunto: não é possível que o direito das mulheres seja tão tabu a ponto de ser rotulada só por defender uma vítima (ou todas) de forma aleatória. 
Não fiquei ofendida! Sou grata por nunca ter passado por um estupro. Mas fiquei triste, porque se falar sobre o assunto é tão complexo que as pessoas perdem o foco do tema central, como poderemos ter a igualdade defendida?
Em tempo: falei com essas colegas e expliquei que não fui vitima de violência. Não é preciso ser vítima para ser contra. Enquanto só as vítimas gritarem (isso quando gritam, a maioria se cala) e o resto do mundo se calar, sempre teremos vitimas e mais vítimas!
Lola, estou te contando isso para que você saiba como mudou minha vida! Hoje eu tenho OPINIÃO! De novo: obrigada!

Meu comentário: Essas associações são ridículas mesmo, G.! Não falar de estupro é sem dúvida uma estratégia de calar -- não o crime em si, mas as sobreviventes. Contribui para a espiral de silêncio em torno do tema, e este silêncio contribui para que o estupro não seja combatido como se deve.
Vez por outra algum machista fica revoltado (não com os casos de estupro, e sim com a nossa insistência em falar deles), e pergunta, exaltado: "Por que feminista fala tanto de estupro? Elas todas foram estupradas? Ou será alguma fantasia?" Geralmente esses "questionamentos" vêm acompanhados de "Quem iria querer te estuprar?!", provando, mais uma vez, como são ignorantes. 
Eles realmente acham que estupro é um desejo incontrolável de um homem ao ver uma mulher! Assim: só mulheres dentro do padrão de beleza são estupradas! Nunca se ouviu falar de meninas de oito anos estupradas! Nem de velhinhas de 80! Mulher gorda de qualquer idade ser estuprada, nem pensar! Homens hétero estuprarem homens? Jamais! Não, estupro é só o que acontece quando um homem não consegue frear seus instintos naturais. E depois nós feministas é que somos acusadas de dizer que homens são estupradores em potencial!
A gente fala tanto em estupro porque estupro é uma praga na nossa sociedade, ué. Porque existem pouquíssimas mulheres (mulheres, não feministas -- nem toda mulher é feminista, nem todx feminista é mulher) que não tenham uma história de horror pra contar. Nem todas as mulheres foram estupradas, mas a ameaça de estupro é uma constante na vida de toda mulher. E todo mundo deveria combater o estupro. Infelizmente, tem homem que só quer falar de estupro se é pra fazer piadinha de estupro...
Mas este adendo é mais pra falar sobre misoginia. É que prometi pra Rosana Hermann explicar o que é misoginia na primeira vez que usasse o termo no ano. Porque, segundo ela, muita gente está usando a palavra indevidamente, o que a torna ultrapassada:

Eu discordei, claro. Precisamos de palavras para descrever o que vemos. Este é um princípio básico da linguagem. E, se a misoginia continua firme e forte, obviamente precisamos de um termo que a defina. Mas, nos últimos tempos, misoginia tem deixado de ser exclusivamente o que suas raízes fazem significar (ódio contra as mulheres) para se tornar quase um sinônimo de um machismo mais violento, vamos dizer assim. 
O que misoginia não é: ser rude com uma mulher ou chamá-la de burra não é necessariamente misoginia. Assim como não é racismo chamar um negro de, sei lá, "barbeiro" no trânsito. Se você chama alguém de estúpida por ela ser mulher, aí sim pode ser considerado misoginia (embora eu prefira o termo machismo ou sexismo nessa situação mais light).

Eu gosto mais das graduações. Algo como: machismo é a teoria, misoginia é quando se coloca a teoria em prática. Mas reconheço que essa definição é limitada, porque misoginia não precisa ser física.

33 comentários:

Jackellyne disse...

Curiozo,aqui onde eu moro eu sempre falo em misogenia mas as pessoas nunca sabe o que é.
Sobre o que a G. falou,é IGUALZINHO comigo,povo me acha duente se eu falo de estupro,fala que eu devo te tido um namorado que me estupro e me largo. ISSO É MACHISMO PURO. Pior é que muitas mulher age assim tambem.
Eu queria ver um texto da Lola falando como agir com mulheres machista,porque é o que me revolta mais hoje em dia.

Mari disse...

Aconteceu parecido comigo: estávamos almoçando com uns amigos da minha mãe em um restaurante. Minha mãe resolveu fazer uma piada com a sogra de uma amiga dela que tinha sido estuprada. Eu falei que aquilo era ridículo e que não se devia fazer piada com isso. Uma das amigas saiu em defesa "Ah, mas sua mãe é uma graça, ela faz piada com tudo mesmo." E minha mãe: "Gente, tem que rir." Bati na mesma tecla de que era errado, mas minha mãe insistiu em continuar "sendo engraçada", até que eu simplesmente levantei da mesa e voltei para casa sozinha e a pé, mesmo sendo longe demais do restaurante onde estávamos. Dias depois ela veio me perguntar se eu já fui estuprada. Eu simplesmente respondi a verdade: "Não, mas eu sei que isso é muito ruim e que fazer piada com isso denota no mínimo muita crueldade".

Sara disse...

Revoltante esse fato q aconteceu com vc G. da bem a ideia do que essa cultura do estupro da nossa sociedade forma em torno desse tema, o simples falar sobre esse assunto já nos incrimina de certa forma, eu já havia notado isso.
Percebo nas entrelinhas, que as publicações q faço sobre esse assunto no meu facebook por exemplo, são atribuídas a alguma experiência desse tipo, (embora infelizmente eu as tenha), mas não é meu objetivo falar sobre experiências pessoais, e sim destruir essa cultura hedionda, que culpa até mesmo quem defenda as vitimas, calcule as próprias vitimas então.
Não sei se entendi bem o que a Rosana H. quis dizer, mas acho q nossa sociedade é SIM misógina, e q essa palavra define bem a maneira como somos tratadas, tudo o q se refere a mulher é tido como inferior ou depreciativo por todas as sociedades, se isso não é característica e definição dessa palavra, acho que já não entendo bem nossa língua.

Patty Kirsche disse...

Lola, eu trabalho com as definições de misoginia de Allan Johnson e Michael Flood. Segundo essas, misoginia é, basicamente, o preconceito contra a mulher e todas as suas expressões. O termo machismo se refere na verdade à cultura patriarcal da América Latina, tanto que o termo só existe em português e espanhol. Aqui no Brasil se usa machismo como um eufemismo pra misoginia, o que é impreciso. Já sexismo se refere a preconceito de sexo; as ideias rígidas que existem sobre mulheres e homens.

E é verdade, quando a gente fala sobre estupro, é muito frequente escutar que estamos nos vitimizando. Como se estupro não fosse um crime horrível e amplamente praticado. O pessoal quer que a gente finja que não existe, justamente pra cultura continuar sempre assim.

Gabii Palma disse...

Me vi exatamente nesse texto.
Quando comecei a compartilhar coisas relacionadas a estupro no facebook, pelo menos 3 pessoas que eu nem falava direito há anos vieram me perguntar se estava tudo bem, se eu queria conversar sobre.
Mas, por outro lado, foi esse pensamento de que "se você fala de estupro foi estuprada" que fez uma prima se abrir comigo, dizendo que já sofreu abuso quando tinha 12 anos.
E realmente, não me ofendo, até aproveito para dizer "e se eu tivesse sido estuprada? Você me veria como vítima porque me conhece, ou também diria que a culpa é minha?" e faço pessoas refletirem sobre isso.

Anônimo disse...

Também estou quase certa que desconfiam que sofri alguma violência do tipo principalmente no trabalho por conta de vez outra eu dar minha opinião e fazer compartilhamentos em redes socias sobre o assunto. Inclusive tem alguns que devem pensar que sou gay por compartilhar assuntos como direitos lgbt.
Embora já tive medo que isso pudesse de alguma forma me prejudicar no trabalho, nunca me senti ofendida com essas possibilidades.
E por um lado acho até legal se fica alguma dúvida no ar se for para fazer as pessoas sentirem esses assuntos mais próximos delas, mas também tenho medo como a autora do guest post parece ter de que o foco de um assunto e cair na esfera da "fofoca". Além disso também é triste ver que as pessoas nem apostam muito em coisas como empatia ou ideais. Poxa vida, será que é preciso ter passado fome para querer acabar com a fome no mundo? É preciso ser negro ou índio para reconhecer e denunciar o racismo?

Engenheira

Anônimo disse...

"As feministas radicais veem o estupro simplesmente como uma demonstração da relação de poder desigual e assumem como seu mote a afirmação de que tem a ver com poder, e não com sexo. Isso se aproxima mais do que agora creio ser a verdade, mas ainda deixa passar o principal: se tem só a ver com poder, por que envolver o sexo? Por que não apenas bater, ameaçar, matar de fome ou aprisionar uma mulher? Você pode demonstrar seu poder sobre uma mulher de diversas formas que não incluem o sexo.
Mas, se sua meta é quebrar uma mulher psicologicamente, é muito eficiente praticar a violência contra sua vagina. Vai quebrá-la mais rápido e completamente do que simplesmente batendo nela - por causa da vulnerabilidade da vagina como mediadora da consciência. A agressão à vagina fica profundamente impressa no cérebro feminino, condicionando e influenciando o resto de seu corpo e mente."
Trecho do novo livro da Naomi Wolf, "Vagina - uma biografia", p. 108-9

Sthefany Feminista disse...

Desde que virei feminista todo mundo me encherga como revoltada tambem,enche o saco.
Eu pasei a ter muito mais medo de ser estuprada depois que virei feminista,descobri o perigo da sociedade patriarcal e tenho pena dos otro que não encherga isso,por que é duro sabe de algo que os otro não sabe,mais segue a luta. Eu queria que todo mundo no mundo conhessesse o blogue da Lola,vou faze de tudo pra que isso acontessa.

Sara disse...

o q tem de mascu engraçadinho q aparece aqui no seu blog é gozação heim Lola, ô falta do q fazer desses carinhas, só retardada p n perceber qdo o comentário é feito por eles se passando por mulher, q gente pentelha sô!!!

sabrina disse...

só retardada p n perceber qdo o comentário é feito por eles se passando por mulher, q gente pentelha sô!!!


jura?! então a percepção de vcs está falhando,já fui chamada de mascu algumas vezes,só porque discordei do post e da maioria.
e não vai ser surpresa nenhuma se com mais esse comentário eu for chamada de troll.

Anônimo disse...

Acho que isso tem muito a ver com machismo (pq é uma relação essencialmente vertical) mas também é um problema mais amplo. As pessoas não estão sendo estimuladas a praticar empatia e se chocam qdo alguém coloca isso em prática. É só ver a quantidade de programa de TV que se dedica a humilhar as pessoas com pegadinhas, sustos, etc. E mais, qdo vc lê comentários na internet sobre notícias de crime é só discurso de ódio. Qdo aconteceu aquele crime da isabela nardoni qta gente não foi na porta do prédio gritar e ameaçar sem nem pensar que outras famílias que não tinham nada a ver com o caso viviam ali. As pessoas só olham pro próprio umbigo e sao incapazes de entender quem se identifica com o sofrimento do outro.

jonas_cg disse...

Incrível como algumas pessoas pensam que é preciso ser uma vítima para defender direitos dos outros. Não preciso ser mulher e negro para defender e apoiar os direitos dos mesmos, e como sou gay, considero bem-vindos aqueles que são a favor dos meus direitos.

Lola, adorei suas respostas para a Rosana. Gosto dela, mas achei esses comentários meio sem-noção...

Ah, e mil desculpas não comentar tanto quanto eu prometi fazê-lo, estou sem computador e só consigo comentar quando pego o da minha mãe emprestado...

@dddrocha disse...

Ou você é rotulada de estuprada ou de chata, porque é o que acontece comigo.
As pessoas começam a dizer que não preciso dar "sermões" sobre esse assunto. O sermão é mostrar o que está errado e não compactuar com essas ideias horrendas de violência de gênero, mas é claro que uma mulher dando opinião não tem lá seu valor.
Confesso que ando com preguiça das pessoas, de ser tratada com desprezo quando é preciso falar seriamente, de ser deslegitimada desde que me entendo por gente ao expressar qualquer clareza de pensamento e sempre aguentar aquele papo de que preciso ouvir os mais velhos porque não tenho experiência.
Boa sorte, G.

B. disse...

Ultimamente mulheres machistas tem me tirado do sério também!
Porra, uma coisa é mulher mais pobre, que não tem uma perspectiva de vida, ser machista...até entendo, pois aquilo é tudo que a pessoa conhece. Mas agora guria classe média, c acesso ao computador/internet, que fica postando merda no Face? Estas são umas toupeiras.
Eu SEI que mulher machista age assim por causa do sistema, eu sei que é um condicionamento, mas po**a!
Na minha experiência, não vejo negros se odiando(sei lá, um negro falando que negro é tudo igual). Repito, minha experiência.

Erres Errantes disse...

"Na minha experiência, não vejo negros se odiando(sei lá, um negro falando que negro é tudo igual). "


Pior que isso existe, viu, B. Por exemplo, uma pessoa de pele morena chamar uma outra mais escura de macaco, tifum e outros termos pejorativos. O que é "menos escuro" se acha branco em relação a outrem "mais escuro", e por se achar branco considera que o "mais negro" é inferior. Infelizmente isso é muito comum.


Sobre o assunto do post, uma pessoa que defende os direitos dos homossexuais é tida como gay, um homem que defende os direitos da mulher passa por conquistador barato ("só está defendendo mulher pra ver se consegue comer alguma"), pessoas de esquerda são cobradas caso utilizem carro e internet (como se pessoas de esquerda tivessem que viver como no tempo das cavernas só pra agradar aos reaças) e por aí vai.
As pessoas são tão acostumadas a ser extremamente egoístas que estranham quando veem alguém defender uma causa que não diga respeito diretamente à sua história de vida.


Rose disse...

O que mais me deixa indignada é que enquanto a mulher que sofreu a agressão é vista como uma espécie de co-autora da violência (sofrida apenas por ela), o agressor é tratado como uma vítima das circunstância, dos seus instintos etc. Basta pensar no caso do N Hit, elas ainda estão escondidas e eles..bem eles estão livres (inclusive um deles estaria montando uma nova banda "se recuperando".
Sobre a misoginia enchendo o saco: talvez se a mídia debatesse sobre os inúmeros casos claramente misóginos como exemplos de misoginia ao invés de maquiar com eufemismos, quem sabe os sagrados sacos ficassem demasiados cheios a ponto de combater a misoginia (é só abrir um jornal qualquer e verá quantas mulheres foram agredidas ou mortas por ~ciume~ ou quantos seres polêmicos ofend...polemizaram)

Gabriel Abreu disse...

Essa Rosana é sempre tão sem noção que eu ate queria criticar mas sinto dela uma pena sem tamanho.

Lord Anderson disse...

Pois é, acredito que alem do machismo em si, tem a questão da falta de empatia e o distanciamento.

Quando falo sobre a brutalidade do estupro em grupo de conhecidos e familiares, geralmente preciso citar algum caso proximo, para que as pessoas entendam que foi um ser humano que passou por essa brutalidade.

E vc ainda fica com a fama de chato, por querer fazer todos pensarem em como isso é horrivel, afinal se não pensarem não acontece né?

Triste demais que uma violencia tão grave e tão comum nem queira ser discutida.

Anônimo disse...

"O que mais me deixa indignada é que enquanto a mulher que sofreu a agressão é vista como uma espécie de co-autora da violência (sofrida apenas por ela), o agressor é tratado como uma vítima das circunstância, dos seus instintos etc."

Vítima dos instintos? Estuprador é tratado como o pior pária na nossa sociedade. Ser acusado de estupro é o maior suicídio social que uma pessoa pode sofrer.
Feminista é muito bitolada.

Guilherme Pereira disse...

Lema para 2014:

Chique é ser feliz
Elegante é ser honesto
Bonito é ser caridoso
Charmoso é ser grato.

O resto é apenas inversão de valores.

Anônimo disse...

Você tem toda razão anonimo. Deve ser por isso que a banda New Hit não tem mais nenhum fã.....

Oh wait, não foi bem assim.

Lia disse...

Desculpe mas MARI que mãe mais escrota Deus foi te dar, hein?

Anônimo disse...

Anônimo das 6:55, só são considerados párias aqueles do beco escuro... agora, no geral ninguém culpa o carinha "bom moço" que não viu nenhum problema em "transar" com uma menina que bebeu demais, afinal a culpa é toda da moça que não "se deu valor", que "deu mole"... este e muitos outros casos também é estupro, meu caro... mas neste caso, o suicidio social acontece para a moça e nunca pro cara... ou seja, eu acho que vocês machistas é que são muito bitolados... devem viver num universo paralelo!!

Ta-chan disse...

Anônimo disse...

"O que mais me deixa indignada é que enquanto a mulher que sofreu a agressão é vista como uma espécie de co-autora da violência (sofrida apenas por ela), o agressor é tratado como uma vítima das circunstância, dos seus instintos etc."

Vítima dos instintos? Estuprador é tratado como o pior pária na nossa sociedade. Ser acusado de estupro é o maior suicídio social que uma pessoa pode sofrer.
Feminista é muito bitolada.

6 de janeiro de 2014 06:55

Isso quando a sociedade comprova que foi estupro!
Estupro marital é fruto do marxismo cultural.
Estupro no ambiente de trabalho é arrependimento de ter dado.
Estupro de mulher bêbada é oportunidade.
Estupro de mulher na balada é pq ela é vagabunda e não se deu o respeito.
Estupro dentro de casa então... "Imagina que o fulano ia fazer uma coisa dessas!Ele não é um monstro!"

Pra sociedade só desconhecidos e monstros estupram.
Meu filho/pai/irmão/tio/amigo nunca faria uma coisa dessas!

LOVE GOTIC disse...

É uma realidade gritante. Só por eu ser gótica axam também que é por causa de estupro.
Me visto de preto: dizem que é pq to d luto por mim mesma..
Gosto de beber as vezes: dizem que é para afogar a mágoa de algum trauma.
Na TPM fico chorona: aí perguntam, o que foi? Alguém mexeu cm você?

A vida de nós mulheres não gira em torno dos homens p

Anônimo disse...

"E depois nós feministas é que somos acusadas de dizer que homens são estupradores em potencial!"

Uma coisa que me incomoda nas feministas é essa questão de que 'todo homem é um estuprador em potencial' esse generalismo me deixa incomodado.

(Não tirando o foco da questão pois eu concordo que o estupro é uma coisa horrível. A sociedade deveria discutir mais esta questão e o estado deveria fazer campanhas conscientizando as pessoas à respeito das formas de estupro).

eu vi um comentario em outro post ("COMO PASSO POR ISSO E SIGO A MINHA VIDA?") e vou reproduzi-lo aki, faço dele minhas palavras:

""""
"Aliás os mesmos caras que reclamam que feministas acusam todo homem de ser um estuprador em potencial, são os mesmos que dizem que é difícil resistir e se controlar diante de uma fêmea."

Quanto generalismo!!! Pra mim uma pessoa que fala que "TODO HOMEM É UM ESTUPRADOR EM POTENCIAL" só pode ser louca... é a mesma coisa que dizer que toda pessoa (homem ou mulher) é um assassino em potencial pois a qualquer momento qualquer um de nós pode pegar uma arma e matar alguem. Mais eu não acho legal ser chamado de assassino (mesmo que seja em potencial) sem ter matado alguem. Ou vcs acham?

Quer dizer então que vcs namoram com estupradores, dormem com estupradores, jantam com estupradores!!!

Por isso q a idéia que eu tenho do feminismo é a que a leitora Letícia expressou: "Odeio homens"

Ah e eu consigo SIM me segurar na frente de uma fêmea.
"""""

lola aronovich disse...

Anon que me mandou um comentário mas pediu para eu não publicá-lo: não consegui ler o final do seu coment. Quando o coment. fica grande, só posso lê-lo na íntegra depois de publicá-lo. Mas não, nunca ouvi falar nesse caso que vc descreve. Não estou sabendo mesmo. Se quiser me enviar um email com mais informações...

Maria disse...

A princípio achei bobo o comentário da Rosana Hermann, mas acredito ter entendido seu ponto de vista. Frequentemente algumas palavras entram na moda, viram um clichê e, em seguida, deixam de ser usadas. Para quem está alheio à discussão “misoginia” é mais uma palavrinha da vez.

Analisando as palavras que já encheram a Rosana, temos “agregar” que surgiu de um meme de internet, “gourmet” que é mais uma convenção do mercado (taí o brigadeiro gourmet... humm) e “misoginia” que, certamente, é uma palavra cuja maioria das pessoas desconhece seu real significado. Acredito que esta última não deva fazer parte do mesmo rol das demais, pois, infelizmente, ainda será muito usada em 2014. Valeu o alerta, Lola.

Samantha disse...

Rosana H. é inteligente pra caramba, engraçada e criativa. Mas é uma chata, é uma cagadora de regras de marca maior, se acha a síndica do twitter, já foi redatora do Pânico e odeia ser corrigida ou contrariada. Quer ser sempre a primeirona a 'sacar' as coisas, a criar as piadas.

Acho que ela quis dizer que essas palavras estão desgastadas. Enquanto houver misoginia, a palavra não estará desgastada, porque o conceito continua existindo. Por isso a tal "observação genial" dela não faz sentido algum.

Sobre o post: há alguns espécimes de nossa espécie que são estranhos. Se você se posiciona a favor do casamento gay ou dos direitos dos transexuais, acham que vc necessariamente saiu do armário (me perguntaram se eu era lésbica, rsrsrs). Se você detesta piadas e comentários grosseiros sobre estupro, vc necessariamente foi vítima de um.

Parece que o termo empatia não é muito bem compreendido pela maioria.

Anônimo disse...

As pessoas acham que ela só pode defender a vítima por ser uma vítima também em virtude do male entitlement que persiste na sociedade.

Vestiu assim? Pode ser estuprada.

Saiu de casa? Pode ser estuprada.

Tá na balada? Pode ser estuprada.

Bebeu? Pode ser estuprada.

É casada? Pode ser estuprada pelo marido.

Namora? Pode ser estuprada pelo namorado.

É mulher? Pode e deve ser estuprada, porque o corpo feminino aos olhos da sociedade e inclusive do Estado é res publica.

Lúcia disse...

Saindo do assunto de estupro, esse texto me fez lembrar de uma outra situação. Eu estava na universidade (engenharia em universidade federal, todos com nível cultural altíssimo) e o pessoal começou a discutir aborto. Cada um com uma visão mais radical que a outra, e eu quieta no meu canto. Em um dado momento vieram me perguntar o que eu achava, se eu faria um aborto. Eu disse o que eu diria até hoje: que deve ser uma situação dificílima, e que decidindo abortar ou ter um bebê, é uma decisão que se carrega pro resto da vida, então optar por um aborto não era necessariamente "a via fácil" como alguns estavam colocando. O silêncio se fez na mesa do almoço, e deduziu-se automaticamente que eu já tinha passado por um aborto. Só porque eu me esforcei pra me colocar no lugar de quem passa pela situação ao invés de tecer julgamentos precipitados. Agradeço muito por eu nunca ter passado pela situação, porque sei bem que a única maneira de GARANTIR uma não gravidez é a abstinência sexual, não é mesmo?

Anônimo disse...

". Agradeço muito por eu nunca ter passado pela situação, porque sei bem que a única maneira de GARANTIR uma não gravidez é a abstinência sexual, não é mesmo?"

ela ainda pode ser estuprada ou receber a visita de um anjo do senhor rsrsrsrsrs

Anônimo disse...

Na segunda guerra milhares de mulheres foram estupradas por soldados tanto nazistas quanto os aliados, eram vitimas entre oito e setenta anos, varios dos militares e soldades que cometeram o crime também tinham mães,esposas, filhas....