sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

"FUI CRIADO PARA SER SUBMISSO"

O R. me enviou este email:

Oi, Lola! Primeiro queria deixar claro que gosto muito do seu blog. É realmente como se estivesse sentindo um abraço da pessoa mais compreensiva e caridosa do mundo quando leio suas palavras. Tanto que sempre quando estou mal, não deixo de passar aqui.  
Bom, tenho 17 anos e moro no centro-oeste. Sou filho caçula, e sempre recebi muito carinho da minha mãe.
Talvez, por ela ter sido minha grande amiga e companheira, acabei absorvendo algumas de suas características.
Sempre fui acostumado a ser uma pessoa passiva frente aos outros, e ao mundo de maneira geral. Deixava as pessoas pisarem em mim e sempre aprendi a sofrer calado. Eu não era o garoto mais debochado da sala -- nunca fui. Mas mesmo assim, por ter cabelo grande na época e possuir feições femininas desde nascença, fui alvo de críticas e repressões. 
Lembro-me de uma vez que cheguei no colégio com o cabelo todo liso. Minha mãe tinha feito escova em mim (eu tinha pedido), e eu estava feliz com o resultado. Era só por um dia -- isso na segunda série. Quando cheguei no colégio, já começaram a rir de mim e fazer aquelas piadinhas que todo mundo conhece. Saí correndo e fui pro banheiro chorando. Me tranquei lá e esperei passar. Não contei pra minha mãe, nem pra ninguém; ficou por isso mesmo. Eu superei.
Essa história foi só pra dar um exemplo de como fui ensinado a agir. Fui criado a ser submisso como uma menina (numa visão de mundo machista, é claro), e por isso sinto que sei em parte como as mulheres se sentem com relações invasivas e com essa mordaz sensação de impotência. 
Quisera eu que toda essa história tivesse terminado nas piadinhas colegiais. 
Quando eu estava na segunda série, fiz um grande amigo. Vamos chamá-lo de Vitor. Todo fim de semana eu ia para sua casa, e nós brincávamos a tarde inteira. Após o dia de diversão, eu dormia lá mesmo. Minha mãe nunca teve problemas com isso, já que ela conhecia a mãe de Vitor.
Na segunda série mesmo, quando eu tinha 7 anos de idade, comecei a ser abusado sexualmente pelo pai desse meu amigo. Lembro da primeira vez que o vi, ele me pareceu amigável. Me comprou um sorvete, me deixou em casa e nos despedimos. Desde aquele dia, senti que ele me tratava de um jeito estranho. Mais ou menos um mês depois, quando eu ia dormir na casa do meu amigo, ele começou com os abusos. Eu sentava na frente da cama com o Vitor, numa cadeira, quando íamos jogar videogame. Ele se sentava atrás, na cama. Começava a passar a mão pelo meu corpo de forma delicada, e eu, muito inocente, pensei que era algo normal. Em questão de pouco tempo começou a tocar meu corpo todo. Logo ele estava me chamando de noite para fazer "serviços" pra ele, quando eu dormia na casa do meu amigo. 
Não vou ser hipócrita. Eu continuava indo porque eu gostava SIM. No entanto, não tinha noção do quão errado e destrutivo era aquilo. Afinal, eu tinha 7 anos. E garanto que muitos dos que me julgarão por ter sido passivo frente a essa situação talvez fariam o mesmo se estivessem em meu lugar. É muito fácil condenar o outro se colocando no lugar como alguém com o nível de maturidade presente. Quando se tem 7, 8, 9 anos, te garanto que as coisas não são claras assim. 
Enfim, o abuso durou até os 13 anos. Claro, havia dias que eu simplesmente não queria fazer nada com o pai desse meu amigo, mas ele insistia e eu acabava cedendo. 
Aconteceram diversas outras ocorrências parecidas na minha infância e pré-adolescência.
Eu tinha predominantemente amigos homens, e por isso sempre ocorria de dormir na casa deles. Esses mesmos amigos, que sempre fizeram piadinhas com gays e sempre se disseram heterossexuais (assim como se dizem atualmente) TAMBÉM se aproveitaram de mim, forçando sexo oral em brincadeiras e outras coisas mais. Novamente, não vou ser hipócrita de dizer que eu não estava ciente de minhas ações todas as vezes e que não gostava. Mas diria que 60% das vezes, fazia isso simplesmente por não saber dizer não, por não conseguir reagir e me impor. Era algo impensável pra mim, pois parecia que estabelecer limites era algo errado.
Aos 13 anos, numa tarde, estava andando  com meus dois grandes amigos, que me acompanharam desde os 7 anos de idade. Um deles era o Vitor, filho do pai que me abusava. É meio nebuloso o que aconteceu nesse dia, pois eu estava um tanto transtornado. Minha vida se desmoronava -- meus pais, o símbolo que eu tinha de estabilidade, de pilar do meu emocional, estavam à beira de uma separação extremamente turbulenta. Eles sempre me envolviam no meio, e eu ficava pior do que os dois. Nesse clima dantesco, acabei soltando numa conversa com esses dois amigos que eu era gay. Lembro até hoje do olhar que o Vitor me remeteu, meio de estupor, meio de nojo. Na hora falaram que não se importavam, que estava tudo bem. 
Depois desse dia, nunca mais saí com eles, que hoje não passam de conhecidos. Ligava e não me atendiam. Não satisfeitos, eles contaram pros seus respectivos pais, que foram logo falar pra minha mãe me levar num psicólogo -- sem explicar o porquê. O pior de tudo é que eu nem sabia se era gay de verdade. Tanto que até hoje não sei. Fico com meninos e com meninas, mas pra mim isso ainda é uma incógnita.
Depois desse período, entrei numa depressão profunda, que durou todo meu período de ensino médio, e que ainda se estende. Não só depressão, mas ansiedade crônica, insônia crônica, e mais uns sintomas desconcertantes, como desrealização e despersonalização. Pra quem não sabe, uma pessoa despersonalizada e desrealizada perde a sensação de ser ela mesma. Você acorda de manhã, se olha no espelho, mas a imagem que vê é estranha.
Tudo é estranho. As pessoas à sua volta parecem autômatas, realizando tarefas de forma mecânica e fatídica. Isso pra não falar que você perde completamente seus sentimentos. É como se você morresse por dentro. Seu cérebro, como mecanismo de defesa pelas reações negativas vindas de fora, desativa seu sistema límbico (parte do cérebro responsável pelas emoções). 
Sinto que não consigo ter um sentimento de afeto denso a ninguém desde então. Não tenho ânimo pra mais nada. 
Não consigo me divertir, nem com jogos, nem com amigos, nem com nada. Consigo disfarçar minhas emoções, sorrindo em momentos oportunos pra ocultar meu verdadeiro eu. Faço terapia comportamental há um ano e meio, tratamento com antidepressivo, já tomei remédio pra ansiedade, já fiz terapia transpessoal, acupuntura… nada parece responder. Muita gente diz que não tenho do que reclamar por ter boa condição financeira, ter pessoas que gostam de mim, por ser bonito. Mas ninguém pode falar que eu não tento, pois já fiz de tudo, tudo mesmo. Parece que é um câncer que se apoderou do meu corpo, e que ele só vai me deixar quando eu morrer. 
Nunca vou esquecer do dia que contei pra minha mãe do abuso. No meio das lágrimas derramadas, ela também acabou se revelando -- como forma de consolo. Ela me contou que foi estuprada pelos seus dois irmãos mais velhos, quando tinha cerca de 13 anos. Ela tentava fechar a porta, impedindo-os de entrar, mas não conseguia. Ela me disse que não podia contar à sua mãe o que ocorria, porque senão era ela quem iria apanhar. Acho que nunca chorei tanto em toda minha vida como nesse dia. Poucas coisas no mundo devem ser mais destrutivas psicologicamente do que o abuso sexual.
De tudo isso que passei, aprendi que caso eu tenha um filho, farei tudo diferente do que minha mãe fez comigo. Talvez se ela não tivesse me feito uma pessoa tão inerte e passiva, eu não teria aceitado essa série de abusos em minha vida, que se mostraram com o tempo tão destrutivos. Talvez, se ela não tivesse feito do sexo um tabu tão grande, eu teria tido maior liberdade pra contar o que estava acontecendo quando voltava da casa do meu amigo. 
Não serei também um pai tão relapso, que só se preocupa em colocar comida em casa e que nunca troca uma palavra de afeto e carinho com seu filho. E você que está lendo, seja a Lola ou outra pessoa qualquer, que isso sirva de exemplo pra o que NÃO fazer com seu filho ou filha. Fazer uma pessoa submissa é assinar o atestado de sofrimento pra ela em um futuro próximo.
Quem não sabe se impor, leva pancada de todos os lados. Infelizmente, aprendi isso da pior maneira possível.

Meu comentário: R., aguente firme que tudo ficará melhor. Você está passando por inúmeros problemas, grande parte deles gerados por esses traumas todos que você sofreu. Você é muito novo ainda, só 17 anos, e, a meu ver, vem demonstrando uma maturidade enorme pra superar tudo isso. E você está tendo acompanhamento psicológico. Você vai superar. 
Mas que é horrível, é. Sinto muito. Só posso te dizer que isso que você passou acontece com meninas e meninos criadas de todas as formas possíveis. Crianças que são criadas pra reagir, crianças que são criadas por pais menos conservadores, também são abusadas. O padrão muito parecido é a criança se calar, não contar pra ninguém, se culpar, por achar que provocou, ou talvez, em certos casos, por ter apreciado alguma coisa (como a atenção recebida de um adulto, por exemplo). 
Mas é bem diferente quando o abuso vem dos seus amigos, rapazes da sua idade, e dos pais desses amigos. Você já parou pra pensar que aquele olhar "meio de estupor, meio de nojo" que o Vitor te deu pode ter sido a constatação (terrível) de que o pai dele é um molestador? Quem sabe Vitor também foi abusado pelo pai. Quem sabe Vitor desconfiava, mas não tinha certeza, sobre o pai. Quem sabe o pai de Vitor abusou, e abusa, de outras crianças também. Você já pensou em denunciá-lo? Depois que você contou pra sua mãe, ela não pensou em procurar a polícia? 
Afinal, o crime que ele cometeu ainda está muito longe de prescrever. Depois que a vítima faz 18 anos, ela tem mais 20 anos, em casos de estupro, pra denunciar o crime. Antes da nova lei, que entrou em vigor em maio de 2012, a contagem do tempo era de quando havia acontecido o abuso. Agora não. 
Evite culpar a sua mãe. Culpe quem te abusou. A meu ver, você dá importância demais a sua criação. É bacana que você se identifique e empatize com as meninas. De fato, numa sociedade machista, boa parte das garotas é criada pra ser passiva, pra agradar, pra obedecer, pra não ter voz. E isso é péssimo, sem dúvida. Mas o modo como meninos são criados também é, não? Meninos são ensinados a agredir, a resolver conflitos através da força, a reagir à violência com mais violência. Como diz Susan Brownmiller, criamos vítimas domesticadas, e criamos estupradores. Lembre-se que o pai do Vitor "sabe se impor".
Mas concordo que é melhor ser criadx pra reagir, pra ser forte. E nunca é tarde pra começar, R. Reaja agora. Denuncie.

20 comentários:

Juba disse...

Acredito, assim como a Lola, que com o tempo e a atenção psicológica, você supera. Você é inteligente e maduro, e agora precisa de tempo para que todos os tratamentos surtam efeito.

Seria bom denunciar, evitar que o pedófilo que abusou de você faça o mesmo com outras crianças. Sei que é fácil falar estando de fora, mas talvez isso ajude a exorcizar um pouco os abusos.

Eu tive a imensa sorte de não ter sido abusada. Fui porém, ultra-super-protegida, e não ensinada a reagir; uma passiva, como você. Sei que foi a forma que minha mãe encontrou para lidar com seus próprios medos, e tento criar minhas meninas para reagir. Não sei se será suficiente, não sei se elas, ao crescerem, acharão que fiz o certo. São decisões muito difíceis de se tomar, e o que parece certo em um momento, em outro não parece mais. Talvez sua mãe tenha pensado que, sendo um menino, você estaria a salvo. A gente se engana, infelizmente.

Estarei na torcida por você.

Anônimo disse...

Querido,
Muita força para você. Eu tenho uma história bem parecida com a sua, apesar de sermos de gêneros diferentes, também desenvolvi despersonalização, na época em que ela começou sentia que se eu morresse não faria a menor diferença. Mas tive muito apoio de pessoas queridas e hoje me sinto bem, a despersonalização nunca passou, talvez nunca passe... Mas consigo conviver com ela de forma pacífica.
Um grande abraço e se precisar de alguém para conversar estou aqui.

Anônimo disse...

Totalmente fora do tópico (não precisa nem publicar meu comentário pq, na verdade, é bem nada a ver), mas vc já viu as histórias desse cara que vai entrar no BBB? Horror total http://entretenimento.r7.com/blogs/te-dou-um-dado/bbb14-babacassio/2014/01/09/

Dani disse...

R., com certeza vc melhora! Tudo parece pior aos 17 anos, e ainda são acontecimentos muito recentes pra vc. Vc está indo bem, se tratando... muita gente passa a vida toda negando esse tipo de acontecimento na infância! Estou torcendo por vc!

Edson disse...

Sou um rapaz gay e esse relato mexeu comigo. Tenho 20 anos, nunca sofri abuso, mas eu sou um tanto depressivo. Sou tbm submisso e isso me incomoda. Lembro quando eu tava no ensino médio e as vezes eu era atacado, eu não sabia como reagir.
Eu quero fazer terapia mas não tenho condições financeiras.

Tenha força R.!

Mena disse...

Por favor, não coloque tanta carga em sua criação, você não é uma tábula rasa. Reconheça-se como sujeito da sua vida, capaz de dar novos rumos à sua vida. Quantos irmãos vc conhece que foram criados de forma igual e o posicionamento deles perante à vida é muito distinto? Procure superar o que você não gosta em você, aceitar o que é difícil mudar e siga em frente. Tudo o que você passou é uma carga muito grande, um peso que nenhuma criança (nem mesmo um adulto), deveria enfrentar na vida, saiba que você é muito forte.
Continue seu tratamento, não se sinta culpado pelos abusos que sofreu nem culpe sua família. O culpado é o pai do seu amigo, um verdadeiro criminoso.

Anônimo disse...

É o tal "criado pela avó". Acho que meninos muito ligados à mãe e com pai ausente ficam assim mesmo, mais submissos e sensíveis. Mas o ruim não é ter ficado submisso e sensível, mas os abusos que vc sofreu. Eu acho que a minha criação me deixou uma pessoa muito boa, de bom coração, sensível aos problemas alheios, inteligente. Minha esposa diz que está casada com uma "dama", mas tenho jeito masculino e sou 100% hétero. A minha sorte foi ser tão apegado à minha mãe, que não dormia fora de casa, e por ela mesma não me deixar dormir na casa dos outros, e isso me protegeu de abusos mais pesados (dos leves, não). Também tinha como melhor amiga a minha irmã, nós brincávamos sempre juntos, acho que por isso tive sorte de não passar por esses abusos pesados. Se tivesse passado, com certeza me calaria. Inclusive, tive casos homo também, mas somente por curiosidade, experiência, dúvida, e gostei. Confesso q se não tivesse encontrado minha esposa, não sei o que seria. Ela não é nem uma mulher e nem um homem, ela é simplesmente a pessoa que me faz completo.

Verô! disse...

Pois é, quando eu leio essas coisas entendo porque minha mãe nunca me deixou dormir na casa de ninguém quando eu era criança e tampouco me deixava sozinha com outros adultos a não ser minhas tias. Minha mãe é professora de escolas públicas e já me contou sobre diversos casos de alunos que sofreram abusos sexuais de pessoas próximas. Por presenciar constantemente essas histórias ela foi extremamente zelosa comigo na infância. Quando eu era criança eu não entendia porque minha mãe nunca me deixou dormir na casa das minhas amigas, mas hoje compreendo. Infelizmente esses cuidados são necessários…

aiaiai disse...

R, querido

Caramba, eu achei você um cara muito forte e inteligente. O fato de você ter consciência das coisas que viveu e coragem para admiti-las já é um enorme passo para começar a resolver os seus conflitos internos.
parabéns por encarar os fatos, por repartir com a sua mãe e por procurar ajuda profissional. Vá em frente, você tem uma vida linda pela frente, sem ser submisso mas também sem ser agressivo. beijo

e, Edson, em muitos locais há serviços psicológicos gratuitos. Procure na sua cidade ou região.


aiaiai

Sara disse...

R.sua historia é muito tocante, vc se culpa por não reagir como gostaria, mas a verdade é que vc soube expor sua situação com muita clareza, pra mim isso ja é grande passo, pra que vc, baseado nesse balanço que fez, tome decisões sensatas, e mais ainda para conseguir ajuda tanto de sua família como de profissionais.
Vc tem a vida inteira pela frente, me pareceu uma pessoa muito sensível, e talvez por isso, esteja sendo mais difícil do que já é normalmente. passar pela idade que vc esta.
Tenha fé em seu futuro, tente fazer o melhor q puder pelo seu presente, vc parece ser bem capaz disso, pode acreditar garoto.

Cristina Martins disse...

Excelente guest post!
Agora, "meio" off topic (me perdoem), Lolinha vc já viu esse texto do G. Duvivier? Adorei ad eternun! ...
Beijo a todxs!
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2014/01/1393513-xingamento.shtml

sweetk lily ju disse...

Vc é jovem e buscou ajuda, com o tempo vc supera. Não vejo problema na sua bissexualidade.

Eu e minha irmã fomos abusadas pelo meu pai e nunca entendi porque minha mãe nunca deixava levar nenhuma coleguinha para minha casa. Ela temia que ele abusasse delas também.

Imagino que a família do Vitor desconfie ou saiba mais sobre o comportamento do patriarca. O próprio filho pode ter sido vítima ou algum primx. O tempo respondera ao Vitor. Uma denuncia provavelmente seria apenas revelar alguma verdade que todos descofiem e uma forma de evitar novas vítimas.







domingosjornal disse...

O que posso recomendar é que você tente aprender a se impor, a se tornar o protagonista de sua própria vida. E o principal, se aceite do jeito que você é e aprenda a se amar. Isso vai te poupar no futuro de um relacionamento com umx abusadorx.

No mais, torço pela sua recuperação. São ferimentos profundos, é óbvio que você ainda vai ter uns bons anos de psiquiatra. E te parabenizo pela maturidade e pela decisão de criar sxus filhxs para reagi

Quando você se recuperar, talvez seria uma boa se aproximar do feminismo. Mas antes disso, espere nada desse movimento. Ele não é para você, não é sobre você e não vai te ajudar em nada agora. O máximo que você poderia conseguir de feministas (compaixão de algumas) você já obteve. Recomendo que você se afaste por enquanto.

Nem mesmo mulheres trans - que, embora tenham nascido em um corpo masculino, são mulheres como quaisquer outras e sofrem a mesma opressão das mulheres cis acrescida de transfobia - encontram resistência para serem aceitas pelo movimento. Imagine homem cis. Mas - pelo amor de tudo o que lhe for sagrado - não seja um guerreiro da real. O mundo não precisa de mais um idiota.

Alguém que não concorda com você disse...

Olá, domingosjornal, você é o porteiro do feminismo ou algo próximo a isso? Muito interessante... Gostaria de saber quem contratou seus serviços/o nomeou para esse cargo tão peculiar.

Mais interessante ainda é a informação grátis que vocês nos deu no seu comentário: "mulheres trans - que, embora tenham nascido em um corpo masculino, são mulheres como quaisquer outras e sofrem a mesma opressão das mulheres cis acrescida de transfobia". Porque afinal os homens também estupram as "mulheres trans" para elas engravidarem, gerarem, cuidarem e criarem os filhos deles e manterem elas atadas a eles por toda a vida. Isso é tão óbvio, como eu não percebi isso antes? Deve ser culpa dos meus neurônios a menos ou da minha quantidade menor de testosterona.

Mas tem outra coisa que eu tenho muita dificuldade de perceber e que acredito que você concorda que deveria ser de conhecimento básico geral: o quanto os homens sofrem. Eles sofrem taaanto (que dó, meus sentimentos!), muito mais que as mulheres. Sempre! Aquelas vagabundas reclamonas deviam apenas se calar, saber o lugar delas e ficar nele, não é verdade?

Juba disse...

Não alimentem os trolls, por favor.

Ana Klaic disse...

Oi R, tudo bem? Não sei bem o que dizer porque não sou muito boa com essas palavras de apoio. Já falaram nos comentários tudo o que eu te diria. Mas se você de repente precisar conversar, ouvir piadas, jogar online ou algo assim, pode contar comigo. Se cuida.

domingosjornal disse...

@Alguém que não concorda com você disse...
"Mas tem outra coisa que eu tenho muita dificuldade de perceber e que acredito que você concorda que deveria ser de conhecimento básico geral: o quanto os homens sofrem. Eles sofrem taaanto (que dó, meus sentimentos!), muito mais que as mulheres."

Entende agora porque eu recomendei que ele se afastasse por enquanto do feminismo?

Você mesma já deu um ótimo exemplo do porque ele deveria ficar longe desse movimento enquanto não estiver recuperado.

Não que todas as feministas sejam como você ou concordem com você no tocante aos homens no movimento ou aos problemas que enfrentam. Longe disso. Mas é necessário que ele esteja em plena saúde mental para poder discernir uma opinião como a sua da posição oficial do coletivo em que ele se filiar.

E se ele ficar escutando opiniões como a sua repetidas vezes antes de estar recuperado, vai acabar igual a esse Arnold Sincero. É isso o que você quer?

a. disse...

Gostaria de comentar sobre o que o R. chama de ser submisso.
O que o R. chama de submissão é muito comum na sociedade de modo geral. Não pense que é a criação ou algo do tipo apenas. Na verdade, ter características/atitudes submissas, inertes, obedientes, dóceis é comum a todos. O problema reside no momento em que você não consegue impor seus gostos/vontades perante os outros em momentos específicos o que causa frustração, ansiedade, tristeza etc.
A melhor forma de conseguir se impor (uso a palavra imposição porque a submissão aparece em momentos de convívio com os outros) é se conhecer, conhecer seus gostos, impor limites daquilo que ache aceitável ou não, ser mais objetivo e honesto consigo mesmo.
Uma parte importante nesse ponto é o sentimento de culpa que possa vir quando tentar se impor. Saiba que, geralmente, tal sentimento não procede e que o mais justo com você mesmo e com as outras pessoas é você ser honesto com você e consequentemente com os outros em relação a sua vontade, isso ajuda muito pois vai afastar possíveis 'abusadores' ou pessoas que não se alinham ideologicamente ou não tem os mesmos interesses/vontades que você.
Por último, gostaria que você não colocasse toda a justificativa em ser submisso na sua criação. É muito raso ter uma explicação dessa, o 'problema' é muito mais complexo que isso. Uma maior maturidade emocional é essencial pra espantar de vez esse problema que tem solução. Boa sorte!

Anônimo disse...

Descordo desse comentário acima, quando diz:  "não coloque tanta carga em sua criação", e descordo, em partes,  da Lola quando diz : "Evite culpar a sua mãe... / .. A meu ver, você dá importância demais a sua criação. "

Troque  "culpa"  por "responsabilidade".

PAIS  tem uma PARCELA de RESPONSABILIDADE na formação de seus filhos.

Sempre tem e sempre terão. Digo uma parcela, e não a totalidade.

São muito influentes na formação, inclusive neste caso fica  muito explicito isso.

Ao diminuir, negligenciar,  fazer vista grossa, ou até mesmo negar essa parcela de responsabilidade dos pais,  ao fazer isso, está  se cultuando ou concordando, ao se ter mais pais irresponsáveis.

 

Como se não tivéssemos  por demais pais irresponsáveis em nossa sociedade!

É claro, que na fase adulta, a pessoa se torna o  sujeito da sua vida, responsável por si.

Mas isso se dá através de muito mais sofrimento e superação, do que se tivesse tido uma formação através de pais responsáveis.

 

Essa mãe, ao meu ver, teve sim a sua parcela de responsabilidade na historia de abusos de O.R.. Assim como os pais dela, tiveram a sua parcela de responsabilidade na história de abusos da mãe de O.R. . Ele aí parece ser o único que pensa em ser um pai responsável e evitar que esse ciclo continue se repetindo de geração a geração.

 

A respeito desse sujeito pai que abusa, é pedófilo, doentio, e é um crime a ser denunciado, a ele sim cabe a culpa mesmo.

eduardo pazqueen disse...

Desculpe mais me emocionei lendo esse artigo.

Eu preciso gritar e quero que alguem me escute.

não falarei meu nome real mais pode me chamar de Eduardo.

Tenho 24 anos logo farei 25 e, não consigo viver liberto de meu trauma, como si eu o revivesse todos os dias de minha vida, é horrível,

minha história de terror começa quando aos 4 anos de idade meu pai morre e um ano depois minha mãe coloca esse desgraçado pra dentro de nossa casa.;

esse infeliz acabou com a minha alma, acabou com o meu espírito, tudo o que sou hoje é influencia dele, sofri com espacamentos e abusos do meus 7 aos 14 anos e até hoje minha mãe acha que é mentira minha, que eu sou louco, que eu usava algum tipo de droga.

to cansado, sinceramente cansado, como se por dentro eu estivesse tão podre e destruido que esta exalando pra fora de meu corpo afastando todos os que se aproximam de mim.

Tenho uma filha linda, com uma mulher linda, mas não consigo amar meu enteado, aliás, não tenho compaixão ou dó de nenhum pivete que conheci, seja meus primos, sejam vizinhos, crianças, adolescentes, simplesmente aos ódeio e as afasto, assim como eu faço com o meu enteado.

cresci e hoje carrego o titulo que eu mais odiei em minha vida, padastro, preciso de ajuda, uma dica, alguem, simplesmente falar com alguem, pois nunca encostei a mão nesse menino, mas eu controlo esse monstro que sinto crescer dentro de mim, já inclusive sonhei o matando de tanto espancar, foi horrível.(to chorando aqui)

meu Deus, me perdoa senhor, me perdoa por não conseguir amar uma criança, me perdoa por odia-la simplesmente por não ter vindo de mim, fui tão perseguido dentro daquela casa que hoje eu quem persigo. não consigo raciocinar com ele dentro de casa, minhas mãos tremem ao ouvir a voz dele, como si meu odio nao suportasse nem mais ouvi-lo.

Não posso ir embora, mas tambem não posso viver assim.

Esse menino ele fica bastante tempo na casa da vó dele, mãe de minha esposa, nesses curtos períodos, consigo ser pai pra minha filha e marido pra minha mulher, consigo ser EU.

quando ele chega em casa, eu não consigo sair do meu quarto, não consigo falar com minha esposa sem ser estupido, nem sequer brinco tanto com minha filha, eu olho pra ele e me vejo, e isso me dá nojo, revolta, "ódio", ele simplesmente é aquilo que eu fui obrigado a ser sem que niguem o peça. o jeito de pentear o cabelo, o jeito timido de falar, o jeito sonso de ser, tudo o que eu sempre me odiei ele simplesmente é.

Preciso de ajuda.