sexta-feira, 13 de setembro de 2013

ENTREVISTA SOBRE ASSÉDIO NAS RUAS

Como estou sem tempo nenhum pra escrever, e muita gente tem pedido minha opinião sobre um dos assuntos do momento -- a campanha "Chega de Fiu-fiu" -- vou colocar aqui uma entrevista que dei há dois dias.
A campanha, do blog Think Olga, da jornalista Juliana de Faria, é pelo fim do assédio sexual nas ruas, e resultou numa pesquisa, respondida por 7,762 participantes. A pesquisa não é científica, mas revelou que 99,6% dxs participantes disseram já ter sido assediadas. E, mais importante ainda, 83% responderam não à pergunta "Você acha que ouvir cantada é algo legal?".
A pesquisa vem sendo muito divulgada e discutida, e despertou o interesse da grande mídia. Isso é ótimo, pois mostra que temas feministas definitivamente entraram na pauta. E, se entraram, é porque têm atraído grande interesse. Existe demanda.
Imagino que, por eu já ter escrito sobre grosserias nas ruas diversas vezes, alguns veículos me procuraram. As perguntas que Júlia Rabahie, da Rede Brasil Atual, me enviou anteontem, foram muito boas. Minhas respostas, devido à crônica falta de tempo, estão longe do ideal, mas pretendo escrever mais sobre assédios. Eis a entrevista.

Júlia: Muitos comentários que já ouvi esses dias, de pessoas que não são necessariamente machistas (ou não pensam que são), é que estamos vivendo um tempo de “patrulhamento”, e que há um perigo de ser criada, assim, uma cartilha, do que pode ou não pode ser feito/dito em relação às mulheres. O que pensa disso?

Eu: Acho que já temos uma “cartilha” do que pode ou não pode ser feito/dito em relação às mulheres, e, mais ainda, em relação ao que as mulheres podem ou não dizer, não? O “patrulhamento” de que essas pessoas reclamam é a mudança de ideias. Engraçado como eu ouço todo dia que assédio nas ruas é elogio, que é uma maravilha pra mulher, que faz bem pro nosso ego, que toda mulher adora –- mas isso não é visto como “patrulhamento” nem ideologia. Aí uma pesquisa com 7,700 participantes diz que o assédio não é bacana, e agora temos um patrulhamento. 

Tendo como base a pergunta acima, como distinguir o assédio daquilo que podemos chamar de uma manifestação de interesse saudável? Por exemplo, quando uma pessoa se interessa por outra na rua e quer começar a conversar. Claro que isso é subjetivo e vai depender de casos específicos, mas como fazer então para prevenir este assédio com as “cantadas”?

Creio que a pessoa, vamos dizer, o cara que se interessa por outra pessoa na rua, tem que estar atento a alguns detalhes: por exemplo, a pessoa com quem ele quer falar está com pressa? Houve algum tipo de contato visual, alguma troca de olhares, algo que manifestasse que a pessoa quer se comunicar com ele? Porque, se não houve, a chance daquela pessoa te ignorar é muito grande. Além do mais, não é só ele, o mundo não gira em torno dele. Pode ser que aquela pessoa já ouviu muita besteira naquele dia. Ou seja, um só babaca queima o filme de muitos homens. Mas acho também que existe diferença entre as “cantadas”. Dizer um “Oi, tudo bem?” é bem diferente de um “Quero te chupar todinha”. 

Como definir o que é o assédio nas ruas?

Eu chamo esse assédio que não é nada bem-vindo de grosserias. Porque não são cantadas, e definitivamente não são elogios. São demonstrações de poder. Então essas grosserias, que quase sempre têm cunho sexual e muitas vezes são acompanhadas de passadas de mão, são uma espécie de terrorismo sexual. Servem para aterrorizar as mulheres e lembrá-las que o espaço público na verdade não é público, pois as mulheres deveriam estar em casa, ou acompanhadas de um homem, para que não sejam assediadas. 

Estas “cantadas” são um problema cultural, que faz a sociedade como um todo, em especial os homens, pensarem as mulheres como algo pertencente ao espaço público e digno de admiração/comentários?

Sim, são um problema cultural. Devem ser vistas como problema porque as mulheres, que são as maiores afetadas, veem as grosserias dessa forma. Mas a ideia de quem fala essas grosserias não é manifestar admiração, e sim mostrar um julgamento. Quem julga? Quem está em posição de poder. Portanto, é uma forma de homens de todas as classes sociais mostrarem que, na questão de gênero, são eles quem mandam, porque eles que têm o poder de avaliar. É opressor.

Esse tipo de “direito” que muitos julgam ter de mexer com mulheres no espaço público faz parte da cultura do estupro?

Sim, faz. Porque muitas vezes essas grosserias verbais são acompanhadas de toques físicos. É terrorismo sexual. É uma tentativa de manter as mulheres numa posição submissa. E é fácil ver como não é admiração. Basta uma mulher responder à grosseria que muitos sujeitos, que não aceitam um não como resposta, ficam violentos e passam a xingá-la, ou até a agredi-la fisicamente. 

Como combater o estereótipo da feminista chata/mal comida/intolerante/feia? Muitos classificam a divulgação da pesquisa como “coisa de feminista chata”.

Essas ofensas de “feminista chata/mal comida/intolerante/feia” são idênticas às que eram dirigidas às sufragistas. São ofensas que já têm 170 anos, o que mostra a total falta de criatividade dos machistas. As mulheres que exigiram o direito a voto também foram tachadas de inconvenientes. Mas as mulheres que participaram da pesquisa do Think Olga eram feministas? Todas as 7,700? Ou eram simplesmente mulheres que falaram o que muita gente não quer ouvir -– que mulher não gosta de ser assediada na rua?

Você percebe um movimento maior no sentido das mulheres perceberem o machismo nestes fatos cotidianos e se revoltarem contra isso? Por quê?

Sim, percebo. As coisas mudam, muito mais lentamente do que eu gostaria, mas mudam. Pouco a pouco, as pessoas vão se dando conta de algumas coisas que antes passavam batidas. A força da internet é grande, e o feminismo finalmente pode ser divulgado –- o que não acontece na grande mídia. 

De acordo com a pesquisa, 17% das mulheres que participaram acham este tipo de “cantada” legal. Como você entende isso?

As mulheres (e os homens) são muito diferentes entre si. Algumas gostam das “cantadas”. A maioria não. Mas o que ouvimos sempre é que todas nós adoramos. E uma pesquisa assim mostra justamente o contrário: a vasta maioria não aprova essas grosserias. Quem gosta poderia se lembrar que não são apenas mulheres adultas que são assediadas. São meninas de nove, dez anos. É um elogio pra uma criança ter que ouvir “Ô lá em casa”?

Você classifica o assédio como uma violência contra a mulher? Por quê?

Eu acho que depende do assédio. Pessoalmente, eu não me zango com um cara que passa por mim e diz “Que olhos lindos!” E se um total desconhecido me diz um “Bom dia”, eu talvez até responda com um “Bom dia”. Mas isso é bem diferente de um “Boa noite” numa rua escura e deserta. Creio que a maior parte das mulheres veria esse segundo caso como algo ameaçador. E ameaças de violência são violência. 

Neste sentido, são necessárias políticas públicas neste combate?

Não sei se políticas públicas seriam de fato eficientes, porque faltaria fiscalização. O que precisamos é discutir o assunto. É mudar a cultura. É tornar grosserias na rua não algo culturalmente incentivado, mas inaceitável. Algo que faça as pessoas olharem feio pra quem faz algo assim. Imagino que a maior parte dos homens reprova uma grosseria dessas dirigida a uma menina de dez anos. Imagino que a maior parte reprovaria se o alvo fosse a irmã dele, a mãe, a esposa, a filha. Então esse mesmo homem deve refletir e procurar entender que grosseria não é elogio. É tentar se colocar no lugar das mulheres. E, se ele realmente for incapaz de empatia, que ele entenda que grosserias não seduzem ninguém. Muito pelo contrário, elas queimam o filme.

Além de campanhas, que outras ações poderiam mudar este contexto?

Conversas, bate-papos, debates, discussões em escolas... E campanhas na grande mídia também teriam um grande potencial para mudar a mente das pessoas. Infelizmente, a grande mídia prefere fazer um quadro “humorístico” em que uma mulher é bolinada no transporte público e instruída a aproveitar.

À medida que o debate se democratiza, traz sujeitos que antes não estavam envolvidos para debaterem -– o que é ótimo. Mas alguns movimentos feministas alertam para o perigo de trazer uma discussão superficial, que não questiona as bases do machismo e da cultura do estupro em si, como o patriarcado e até o capitalismo. Você concorda com isso?

Não, não concordo. O importante é mudar a cultura. Se o que atingir as pessoas e fazer com que elas pensem e mudem de atitude é um discurso aparentemente superficial, que seja. O primeiro passo é fazê-las ouvir e refletir. Se elas ouvem, elas podem querer questionar mais a fundo e debater as causas estruturais.

66 comentários:

Helen Pinho disse...

já sofri violência verbal e física na rua, a maioria aconteceram quando eu era uma criança/adolescente, é simplesmente absurdo que isso ocorra todos os dias, em espaços públicos, com adultos em volta e não seja combatido. de todas as vezes (não saberia quantas dezenas) apenas uma vez fui socorrida, por rapazes mais ou menos da minha idade e da idade do agressor, um deles contou que a irmã tinha tinha a blusa rasgada a poucos dias no centro da cidade por um estranho, talvez isso tenha gerado uma maior empatia. também me lembro muito bem, infelizmente, que na esquina da minha casa tinha um ponto de moto táxi, um motoboy sempre que eu passava cantava uma música era algo como "só no sapinho" enfim, eu tinha por volta de 13 anos, ele tinha uns 30, conhecia minha família, as vezes até prestava algum serviço para nós, nunca se sentiu constrangido em agir assim, fez isso por meses, eu evitava passar por ali, mas sendo o esquina da minha casa era difícil, quando eu passava acompanhada não acontecia. são exemplos de coisas, que podem parecer pequenas, mas que dizem todos os dias para ti - principalmente na idade de formação - que teu lugar é em casa, que a rua não é lugar de mulher andar sozinha.

André disse...

Cantada na rua deveria ser coibida sim, além do constrangimento para as mulheres ainda tem sempre a ameaça de violência. Quem nunca foi cantado pode ter uma idéia do que seria: http://www.youtube.com/watch?v=1II-IzM_Yro.

donadio disse...

"são exemplos de coisas, que podem parecer pequenas, mas que dizem todos os dias para ti - principalmente na idade de formação - que teu lugar é em casa, que a rua não é lugar de mulher andar sozinha."

Sim, você tem razão. Parece bem evidente. Não são "cantadas", nem tentativas de aproximação, são tentativas de exilar as mulheres do espaço público, devolvê-las aos haréns.

Elaine Pinto disse...

Acho que toda, toda mulher tem uma história dessa para contar, e diria que 99% delas conta a sua história com absoluto nojo e pavor.

O que mais me deixa surpresa com a reação sobre o resultado da pesquisa é a quantidade de homem revoltado. Como se a gente não tivesse direito de querer nada! Se uma pessoa não gosta que você fale determinada coisa, qual a dificuldade em respeitar a vontade dela?

Sandy disse...

Eu acredito que boa parte das críticas feitas a essa pesquisa, tenha a ver com o fato de as pessoas não estarem entendendo o tipo de "cantada" que estamos falando. Aquela que é sim, uma agressão. Aliás, por mais que eu saiba que essa cantada em forma de elogio exista, não me lembro de ter escutado ao longo dos meus 22 anos. Mas dizem que existe.
Achei engraçado, que uma jornalista, de quem eu gosto muito e compartilho de boa parte de suas ideias, comentou esse assunto dizendo que essas críticas representavam que o feminismo ainda não representa uma maioria de mulheres. Estranho, como que 99,6% não é uma maioria? Basta fazer uma pesquisa rápida com suas amigas, questionando se elas gostam dessas cantadas. Não, nenhuma gosta.
Por isso, cheguei a conclusão de que é um assunto que pode estar sendo mal interpretado, sim. As cantadas que escuto na rua, são sempre de cunho sexual e ofensivas. Algumas vezes a gente rebate, outras não vale nem a pena.
Se isso não for um caso de má interpretação, pode ter certeza de que essas mulheres estão vivendo uma realidade BEM diferente da minha.

Anônimo disse...

Não me conformo que em pleno século XXI temos que escolher que roupas devemos usar pra sair de casa, pelo medo de sermos assediadas nas ruas, nos transportes públicos, bares, etc.
É totalmente incompatível aceitarmos em pleno 2013 que homens continuem se comportando como neandertais que qualquer desculpa seja o "instinto" do homem.
Também acho o cúmulo mães ensinando seus filhos a serem iguais homens das cavernas, desde bebes ensinam a "pegar" a mulherada!
Tá na hora de certas mulheres evoluir para que possamos, cobrar de alguns boçais a evoluirem também!

Roberto Lima disse...

Eu acredito no "amor à primeira vista" . Já aconteceu comigo, mas os tempos eram outros.
Vamos supor que eu encontrasse na rua a mulher dos meus sonhos, aquela que fosse a imagem ideal, perfeita em todos os detalhes de acordo com aquela imagem que sempre invade minhas noites... será que eu teria que deixar que ela fosse embora sem sequer dar a ela a chance de me conhecer ? Talvez eu também fosse a pessoa por quem ela esperou a vida inteira... claro que sou totalmente contra as grosserias , as cantadas de baixo nível. Mas os relacionamentos precisam começar de alguma maneira, e não necessariamente apenas entre pessoas que se conhecem na escola ou no local de trabalho. Tenho observado um exagero cada vez maior em relação ao " não é porque estou na rua que estou disponível". Há muitas pessoas que desejam conhecer alguém e ter um relacionamento estável e duradouro. E que precisa começar com um "olá" de uma das partes...

André disse...

Roberto Lima,

A cantada sendo criticada é aquela do tipo agressiva que não tem por objetivo estabelecer um relacionamento com a mulher cantada, apenas se mostrar para os amigos. Você espera dar chance para a mulher da sua vida te conhecer chamando ela de gostosa à distância, ou buzinando a 60km/h?

Rosildis disse...

Uma vez eu estava andando na rua voltando da escola de uma aula de teatro, e um estranho que estava andando uns 10m na minha frente à minha frente já havia quase 1km deu meia-volta e enquanto passava por mim enfiou a mão entre as minhas pernas e deu um apertão em minhas partes enquanto dizia "gostosa". Pelo meio segundo que se seguiu eu parei, incrédula. Após esse meio segundo, virei e no mesmo movimento já usei o impulso para bater na cabeça dele com a mochila que eu tinha na mão.
Eu pensei que teria que continuar a briga, mas para minha surpresa, o que eu vi foi um rato acuado, se borrando de medo. no 1º passo que eu dei para a frente, ele disparou e eu nunca vi uma pessoa correr tão rapido assim. Ainda corri atrás (!!!! o que a adrenalina não faz) chingando, perguntando se ele queria morrer (rsrsrsrs) e ele correu até eu perder ele de vista.
Mas o engraçado é que depois disso ele ainda passou várias vezes na minha rua vendendo DVDs e minha mãe comprava, eu falei pra ela do ocorrido e a resposta dela é que não iria deixar meu sobrinho sem DVDs novos por causa disso... Eu ainda ficava encarando ele passar na rua, minha mão coçava pra eu abrir o portão pro meu cachorro pegar ele (32kg de pura brutalidade).
Enfim. Depois daquele dia, eu tenho certeza que não vai prestar se algo do tipo ocorrer novamente.

Anônimo disse...

Sandy, eu acho que as pessoas que não entendem o X da questão se fazem de mal entendidas mesmo (vide o comentário acima falando que o fim das cantadas de rua pode parar com o amor a primeira vista aff) porque todo mundo já presenciou cantadas que não tem nada a ver com elogios sendo distribuídas gratuitamente às mulheres (e meninas!) na rua.. Mesmo que essas mulheres por algum milagre nunca tenham passado por isso eu simplesmente acho impossível nunca terem visto isso acontecendo com outras, muitas vezes meninas em uniforme escolar.

Luisa disse...

Moço, lê de novo tudo e vai se dar conta que estamos falando de coisas totalmente diferentes. Aliás, se vc ajudar a divulgar essa ideia e menos e menos homens praticarem esses assedios, aumenta e muito a chance da moça parar pra vc, pq atualmente ela sairia correndo ou te xingaria, dependendo da quantidade de gente na rua e da personalidade da moça, e ela teria razão.

Safira Solitária disse...

Roberto Lima,

Vc não parece ser mal-intencionado, mas porra, saia dessa vida dos filmes românticos e água-com-açúcar.

Moro em SP, e não importa a intenção de quem me aborda na rua, o primeiro pensamento é que alguém quer me assaltar.

Então, né, bem-vindo ao mundo real. Ninguém gosta de ser abordado na rua por estranhos. Claro que deve haver alguma exceção, embora eu não conheça.

(E sério, na boa, vc viu a pesquisa, leu os depoimentos, e o que te vem na cabeça é romantismo e amor à primeira vista?! pqp...)

Cyberia disse...

Amei a primeira imagem, essa tirinha está fantástica, super explicativa (aliás mais simples do que DESENHAR é impossível) :)

Cética disse...

Quase chorei com o Roberto(SQN)tadinhos "duzomi",agora eu entendi,quando um cara gritou pra mim ( vou te melar toda) era de amor que ele falava era? putz,e eu não percebi? tontinha eu e todas as outra reclamonas da pesquisa,como já disseram ai,PQP!!

lola aronovich disse...

Ha ha, Rosildis, adorei seu comentário. Os 32 quilos de pura brutalidade... Mas sua mãe é muito sem noção, hein? Eu também corri atrás de um cara que me atacou, muitos anos atrás. Lembro que era meia noite e eu estava voltando sozinha do cinema (ninguém quis ir comigo pra Praça Roosevelt ver Era uma Vez na América. Só porque o filme dura 4 horas! Humpf!). Eu estava quase na porta do meu prédio na R. Sergipe, em São Paulo, quando fui agarrada por trás. Eu caí, meus óculos caíram (usava óculos na época). E eu imediatamente me levantei, e devia estar com tanta raiva que o cara saiu correndo de medo. E eu correndo e gritando atrás dele. Eu o persegui por um bom trecho da Av. Angélica... Só depois do ódio é que comecei a chorar. Cheguei no meu apartamento, contei pro meu amado pai, e ele ficou louco, queria ir atrás do cara. A gente ligou pra polícia, mas nada, né? Enfim, foi uma péssima experiência, mas pelo menos eu notei que sou do tipo que reage. E que esses caras boa parte das vezes são uns covardes.


Cyberia, pois é, uma tirinha fantástica essa. Infelizmente quando a salvei nos meus arquivos, não anotei a fonte.

Anônimo disse...

Olha, eu não gosto de absolutamente NENHUMA cantada na rua, seja qual for o cunho. Porque eu me sinto automaticamente tirada do meu direito de ir e vir.

Eu odeio ser parada na rua, por estranho, seja lá para o que for.

Acho que não custa sacar isso.

Uma vez, com 14 anos, estava voltando da escola, de uniforme com calça de tactel, um cara chegou perto do meu ouvido e falou: BUCETUDA.

E só reagi: estourei o cotovelo na cara do imbecil, que cambaleou longe e saiu correndo. E eu fiquei ali, nervosa, com o cotovelo deslocado (tive que enfaixar, para dar a ideia da força com a qual acertei o infeliz), com o sangue de um estranho no meu uniforme.

Cheguei em casa, tomei banho e fui pro hospital. Minha mãe queria me levar para fazer BO, mas, porra, eu só tinha 14 anos, estava com o braço todo ferrado. Eu só queria ficar na minha cama.

Anônimo disse...

Já que o assunto do dia é esse, vou deixar para leitura este câncer que estava se espalhando pelo Twitter ontem:
http://fuersie.tumblr.com/post/61010841996

É de uma feminista muito especial que acha que as outras ~se vitimizam~ ao protestar contra as cantadas. A obra fez sucesso entre leitores do sexo masculino, entre eles, @gravz.

Ana Carolina disse...

Pro cara do amor à primeira vista (por todos os do mimimi vcs querem acabar com romantismo do mundo)

Um sujeito que grita GOSTOSA, DELÍCIA, VOU TE CHUPAR TODINHA, etc, etc, tá ~mesmo~ querendo conhecer uma pessoa e quem sabe ter um algo a mais? Não é ÓBVIA pra vcs a diferença de uma agressão dessas com chegar e iniciar uma conversa? E mesmo supondo, só supondo, que vc queira iniciar uma conversa, não é possível que sua candidata já não tenha ouvido tanta abobrinha e sofrido tanta violência na vida que ela já esteja na defensiva?

Anônimo disse...

Vou de bicicleta para o trabalho todos os dias, e nos dias em que vou de saia ou vestido (mesmo com shorts por baixo, mesmo a bike sendo baixa, urbana, nunca dá para "ver" nada) sou assediada de forma assustadora. Devagar, percebi que quase parei de usar essas vestimentas. Onde que isso é justo, normal e elogioso? Quando o cara vai perceber que uma buzinada, um grito, vão me fazer ficar alerta para um possível erro na rua, olhando para todos os lados da via e angustiada e não, não é nada, é só porque tem uma ciclista de saia e a possibilidade remota de ver uma calcinha? Esse é um caso específico, porque violência física (passar a mão), verbal e coletiva já sofri como acho que a maioria das mulheres sofrem, diariamente. Só digo: chega dessa merda!

Anônimo disse...

Aliás, se você não sabe (ou não consegue distinguir) a "diferença" entre canta e assédio, não faça nenhum! Não vamos correr riscos, né?

Roxy Carmichael disse...

roberto
vamos imaginar a seguinte situação: um homossexual de 2 metros de altura e músculos bem trabalhos por horas de exercício físico caminha pela rua, olha pra vc e pensa que vc é o homem da vida dele. então não precisa nem imaginar que ele passa a mão na sua bunda, ou que te diga que adoraria arrombar o seu c*, imaginemos apenas que ele te diga "como vc é lindo" com cara de sedutor.
a) vc ignora e segue seu rumo
b) vc fica puto mas nao faz nada pq o cara é 3 vezes maior que vc
c) vc pensa que poxa, as relações precisam começar de alguma forma, então compreende que ele quer te conhecer numa boa, e responde "olá", mesmo que vc não esteja interessado, afinal de contas, pra quê ser grosseiro com alguém que só tá te fazendo um elogio?

agora multiplique essa situação por 5 vezes num mesmo dia (inclua aquelas situações em que os caras fazem elogios sobre o seu fiofó), com pessoas diferentes, tanto no dia que vc vestiu uma camisa e uma calça legal pra ir numa festa seduzir pessoas que TE interessam e não qualquer pessoa da rua, quanto no dia que faz 5 graus e vc esta todo coberto com gorro e casacos enormes, quem sabe no dia em que vc saiu do hospital depois de receber a notícia que seu pai tem câncer e está em estágio terminal.

Joana disse...

Quando nova, tb já cai no chão da rua com um tapa que levei na bunda, além de me machucar, ainda fiquei um caco. Não tive reação, apenas me levantei e segui em frente. O que fazer nessas situações? Queria poder reagir tão rapidamente como vcs dizem, mas pra mim ainda é mto difícil. Vou ficar mto feliz o dia que conseguir responder a uma cantada na rua!!

Anônimo disse...

sempre ando de fone ouvindo musica na rua, no metro, pra nao ter que ouvir cantada. mas mesmo assim, quando os homens querem, eles dao um jeito de te agredir.

sou professora e, na avaliacao final do meu curso, um aluno escreveu na parte dos comentarios pedindo que eu use meu vestido preto novamente.

fiquei p. da vida, ainda vou falar com minha chefe pra ver o que faço em relacao a ele.

camila.

Anônimo disse...

Gente estas "cantadas" (hahahaha faz me rir), nunca são na intenção de elogiar e sim denegrir e humilhar a mulher. É um jeito de nos tratar como se fossemos bonecas infláveis ao dispor do "instinto" (como disseram ai em cima) deles!
Em SP parecem um bando de cães no cio, não podem ver uma mulher que buzinam, falam palavroes, passam a mão, puxam pelo braço e cabelo, param o carro ficam forçando situações; e o pior disso tudo, grande parte desses seres asquerosos são comprometidos!
Uma palavra define: NOJO!
Queria andar c/ spray de pimenta na mão e a cada gracinha tacava spray nos olhos desses babacas, pelo menos assim ficariam marcados os animais de plantão...

aiaiai disse...

Roxy,

melhor comentário de todos os tempos! Exemplo perfeito em todos os sentidos. Adorei, parabéns, beijos e abraços. Te amo!!!

Lolinha,

eu tb te amo e o texto tá lindão, já tuitei inclusive.

paula. disse...

opa, eu ouvi alguém perguntar sobre a fonte da tirinha?

http://kendrawcandraw.tumblr.com/post/37286259699/getting-really-tired-of-shit-like-this-and-this

(original em inglês)

Thaís B disse...

DETESTO CANTADA!!!!!!!!!!!!
Perdoe-me o palavreado, mas tem que ser muito retardado e cego para não perceber a diferença entre um elogio como admiração e uma cantada nojenta e intimidadora que faz a mulher/menina sentir medo e raiva!

Nessa mesma semana, resolvi fazer uma caminhada em um trecho próximo da minha casa (a calçada é bem asfaltada e larga) e levei """""apenas""""" umas 11 buzinadas (as que eu consegui contar), um beijo "à distancia" e um cara no banco de passageiro de uma vã me comendo com os olhos e fazendo uma expressão de "nossa, eu te comia". Para este último sujeito eu mostrei o dedo do meio e o fulano debochou disso, como eu queria que tivesse um semáforo ali para a vã ser obrigada a parar e eu poder xinga-lo de tanta coisa, AHH COMO EU QUERIA.
Voltei para casar extremamente nervosa, sentia que não podia fazer uma mísera caminhada sem ser alvo de cantadas. Isso tudo em um único dia, nem quero comentar o que já escutei no dia-a-dia. E não importar o quão desarrumada estou, sempre tem um fulaninho para mexer comigo ¬¬
Existe uma diferença extrema entre você chegar na garota e dizer "Oi, já te vi passando aqui umas vezes e te achei bonita e legal, qual é o seu nome?" de um "E ae princesa, tu é muito gostosa" ou um "ÔÔÔ lá em casa".

Anônimo disse...

Não sei qual é a dificuldade de alguns homens em entenderem que dar cantada não é legal. Sério. Não é difícil.

donadio disse...

"Vamos supor que eu encontrasse na rua a mulher dos meus sonhos, aquela que fosse a imagem ideal, perfeita em todos os detalhes de acordo com aquela imagem que sempre invade minhas noites..."

Amigo, tenha dó. Você nem sabe se a moça gosta de Schubert ou de É o Tchan, e acha que ela é perfeita pra você? Você quer uma mulher ou um manequim desses de loja? Só interessa a forma externa, o conteúdo não?

Patty Kirsche disse...

Olha, passei a adolescência inteira respondendo esse tipo de agressão. Chamava os caras de "velhos", mostrava o dedo do meio e ainda dava aquela rodadinha pra ficar bem agressivo e nunca arreguei. Imediatamente o "você é bonita" virava "sua vaca". Uma vez um sujeito começou a me seguir dizendo que "eu era novinha, mas devia meter bem pra caralho". Eu quase bati nele, mas no final resolvi gritar pra todo mundo escutar que eu era menor e ele estava me perseguindo. Hoje em dia, acontece muito quando estou dirigindo, mas tenho minhas armas. Deixo o celular sempre do lado pra poder fotografar os elementos, e, principalmente, os carros que dirigem. Muitos deles estão dirigindo carros de empresas, então faço questão de entrar em contato com os RHs e notificar o que seus funcionários andam aprontando. Quando se fala em $, as coisas mudam mais rápido. Também escrevo resenhas e posto no Kekanto contando essas histórias. Esta aqui, por exemplo: http://br.kekanto.com/biz/flypark

Anônimo disse...

Na opinião de vcs, qual o local mais indicado para um homem paquerar uma moça ?

Vocês paqueram ? ( as que não tem repulsa a nós homens)
Como fazem isto ?

lola aronovich disse...

Olha, filho, repulsa a vcs homens mascus, acho que temos todas. Mas repulsa a homens bacanas, simpáticos, respeitadores dos direitos iguais? Aí desconheço.
No post (que vc nem deve ter lido) há vários links para outros posts. Num deles eu respondo mais ou menos essa pergunta.
E o que muitas de nós queremos é que mulheres tomem a iniciativa tanto quanto os homens. Só que, pra que isso aconteça, vcs homens machistas têm que vencer suas inseguranças e parar de xingar mulher que toma a iniciativa.

Aniger disse...

Desde que a pesquisa saiu estou aqui matutando sobre todas as situações que eu vivi e que me fizeram sentir acuada, agredida e humilhada.
Sem dúvida a mais chocante aconteceu quando eu estava grávida. Devia estar com uns 6 meses e me encaminhava para a ginecologista. Eu estava explodindo de felicidade. Bem, um cara começou a me seguir e o pior é que eu não tinha notado até ele me abordar. A proposta dele era que eu fosse com ele até o seu estúdio, que ele queria fazer umas fotos sensuais comigo, porque eu era muito quente.
Tá entendendo? Eu estava grávida! Com uma barriga evidente. Fiquei atônita e disse prá ele isso: - Eu estou grávida. E a resposta é não. Ficou evidente pelo espanto do assediador que ele não tinha notado, mas ele insistiu, dizendo que isso não impedia as fotos.
Nesta altura eu estava na fila do elevador e disse prá ele não entrar porque estava me incomodando e eu chamaria a segurança.
O pior foi que, na saída da consulta ele continuava lá, me esperando. Eu literalmente comecei a gritar que ele me deixasse em paz e fui chorando prá casa.
Foi uma situação horrível, que eu nunca esquecerei.
Em contraponto, e talvez isso tenha me feito contar esta situação horrorosa, hoje eu passei por um homem, ele me olhou e começou a cantar "Você é linda" do Caetano. Não se aproximou, não fez um gesto anormal, simplesmente cantou. Achei elogioso, mas é uma situação tão rara quanto o eclipse.
Obrigada Lola, teus textos me fazem pensar e agir por um mundo com mais igualdade. Talvez minha filha possa usufruí-lo. Tenho esperança e luto por isto.

elen disse...

achei muito bom quando o post diz para os homens prestarem atenção para ver se a mulher se interessou por ele antes de falar qualquer coisa.
mas eles n fazem isso ,como são os machões acham q tem o direito de falar qualquer merda para qualquer uma e a gente ainda tem q gostar.

eu não gosto de cantada nenhuma,nem quando é elogio.uma vez um velho falou do nada q eu era bonequinha,me olhando com uma cara estranha,devia ser um pedófilo pq eu tinha uns 13 anos.

outra,andando de dia,um cara falou algo como 'vou te pegar", em outra vez, outro nojento falou algo sobre minha vagina,eu nem lembro direito,ainda bem!


depois de uns anos um mecânico babaca cismou com a minha cara,eu ia para escola e tinha q passar por ele.
ficava falando alto q eu era bonita,me encarando,se tivesse outros caras com lá ,ficavam todos falando que eu era mais uma q ele ia pegar,o cara além de nojento era casado.
para n aguentar ele tinha ir pelo caminho mais longo para pegar ônibus.

Anônimo disse...

Não sei se seria diferente se não tivesse crescido sujeita a essas agressões, mas um "que olhos bonitos, moça", de um sujeito que estava sempre parado numa calçada que eu passava pra ir pro trabalho, me fez aumentar o caminho, só pra não ter que passar por ele. "Elogios" de estranhos na rua tb não são bem-vindos.

Anônimo disse...

Certa vez um cara sentou ao meu lado na lotação (dessas que levam a gte pra almoçar no shopping), puxou conversa, respondi e tal. Então, do nada, ele me convida pra jantar. Me senti lisonjeada até, mas deixei claro que não estava interessada, falei que tinha namorado inclusive. Pois ele começou a me seguir pelo shopping, ia almoçar no mesmo lugar que eu, ficava encarando. Isso durou alguns dias, e eu já estava de saco cheio. Eis que ym dia, eu estava esperando a lotação pra voltar, o sujeito se aproxima. Eu devo ter virado os olhos e bufado, ele começou com os papos de jantar novamente. Eu já estava tão irritada q soltei um 'NÃãooooooo, já falei q nãoooooo, q sacooooooo' gritei tão alto q o povo todo olhou, o cara ficou roxo, e sumiu. FIM. Pergunto, ele não podia ter me deixado em paz logo da primeira vez?

Ju disse...

Também não quero um estranho elogiando meus olhos enquanto eu passo pela rua.. Simplesmente não gosto. Acho que dependo do lugar onde vc está um elogio do tipo ''você tem lindos olhos'' é bem-vindo, mas não quando vc está andando com pressa e como vc colocou, dependendo da hora ou do local, pode ser assustador.

Do mesmo jeito que eu não saio cantando homens aleatórios gostaria o mesmo de retorno e ao contrário dos que os robertos polianos da vida pensam, isso não eliminaria as chances de vc encontrar o verdadeiro amor. Traria conforto para mulheres e crianças e isso também tem a ver com respeito.

Anônimo disse...

Ai que preguiça do anônimo das 17:57 que acha que assédio na rua é paquera... Que cabeça limitada a sua em filho? Vc acha que a única maneira de um homem e uma mulher estabelecer contato é ele gritar "gracinhas" desrespeitosas para ela na rua? Nossa! Tenha pena de você. Com que tipo de pessoa você se relaciona? Que tipo de pessoa você é. Eu tenho total e absoluta repulsa por moleques como você. Mas existem muitos homens decentes por ai, e com esses me relaciono normalmente.
Vc precisa aprender muito sobre a vida... Coitado.

Wellington Fernando disse...

Achei o post bem interessante, só que tem uma coisa que me preocupa: os homofóbicos podem querer usar esse mesmo argumento para justificar a violência contra homossexuais. Tem homens que se ofendem até com um simples olhar de um homossexual e já começam a demonstrar gestos de discriminação. Cantadas em outros homens, então, nem pensar. Digo isso porque realmente há pessoas que se ofendem com o olhar, com flertes ou até com elogios. Eu, particularmente, não acho ofensivo elogiar sem haver conotações maldosas, recebo elogios de homens e mulheres numa boa, acho até bom para o ego. O problema é que possivelmente teremos que parar de nos elogiarmos para evitar ofensas. E eu não sei dizer se isso é necessariamente bom ou ruim.

Vinicius B. disse...

Dei muita risada com o alguns comentários, vocês mulheres são incríveis, e mais malvadas do que imaginam hahaha.

Não vou negar que já soltei muitas piadinhas para as mulheres na rua, lembro de um caso, eu tinha uns dezesseis anos, era ainda muito idiota, e uma menina(mais velha do que eu) passou chupando melancia em frente a minha casa, eu estava na varanda e soltei "Ai eu com a dona desta melancia", ela virou, me olhou torto e saiu, eu entrei e fui me arrumar para ir a escola, quando apareço na porta, esta a menina que era bem mais alta do que eu, com um cara, bem maior que ela, enfrente a minha casa, eu entrei correndo, tranquei tudo, fechei as janelas e não fui a escola hehehehe, não me orgulho do que fiz, mas eu acho a historia bem engraçada.

A ultima piadinha que soltei tem uns dois meses, duas jovens vinham andando em minha direção, eram de fato lindas, quando elas passaram por mim eu cantei aquele pagode sem graça que todo mundo conhece "diga aonde você, que eu vou varrendo" tentei imitar a mesma voz fanha do cantor, elas riram, eu ri e cada um seguiu seu caminho, eu em nenhum momento tive a intenção de "conquista-las" e tenho certeza que elas riram apenas da cena e não estavam me dando bola, como alguns homens pensam pelo fato da mulher rir da piada.

Vou parar com isso prometo, apesar que as piadinhas que eu solto, serem de fato piadinhas, e são bastante opostas a da grande maioria.

André disse...

wellington Fernando,

Na rua, até elogios sinceros podem ser complicados, porque não é um local onde se espera ser paquerado. Numa festa ou barzinho creio que as pessoas tenham que ser mais abertas a isso. Mas mesmo na rua, se a pessoa responde uma cantada verbal com agressão física (seja homem ou mulher) me parece que ela perde a razão.

Kittsu disse...

Vinicius B.: uma vez eu tava na feira e eu ouvi de lá de longe o cara (achava eu que) se vangloriando, falando bem alto: "TÔ PASSANDO O RODO"... "TÔ PASSANDO O RODO"....
E chegava cada vez mais perto e eu pensando "cacete, que tarado véi besta, nao tem mais o que fazer?"
E ele chegando, no meio da multidão "TÔ PASSANDO O ROODO"
...Aí passa um senhorzinho com um puta fardo de rodo, cada rodo enorme, e ele passando no meio do povo, "TÔ PASSANDO O ROOOODO"

...Era parente teu? =P
(acontecimento veridico. morri de rir.)

Anônimo disse...

Wellington, não sei em que mundo você vive mas homens têm problemas de serem ''cantados'' por gays desde sempre, o que resulta em muitos ataques homofóbicos. Essa brecha em que cantada de rua vira elogia só é aceita quando é de homens para mulheres. Você realmente leu os comentários aqui e ainda tem dúvida se o fim da falta de respeito na rua (que você carinhosamente chama de elogio) é uma coisa boa ou ruim?

E Vinicius B. que bom que os comentários te fizeram rir! é pra isso que aqui estamos né? e que bom que você se orgulha tanto de seu comportamento nojento.. Será que daqui a alguns anos você vai ser um desses homens de cabelo branco que canta meninas voltando da escola? hm..

é incrível a falta de empatia de homens mesmo, nem sei porque me surpreendo

Thiago Caires disse...

Eu aprendi uma lição na minha vida que se eu tivesse filhos, teria ensinado a eles: “seu direito termina quando começa o do próximo”. É simples assim. Eu teria direito de cantar qualquer mulher na rua apenas se elas não tivessem direito de se ofender com isso. Como as mulheres TEM SIM direito de se ofender com uma cantada, seja ela “boba” ou “escrota”, eu NÃO TENHO direito de cantá-las.

Sou capaz de apostar que a maioria (para não falar a totalidade) dos homens que cantam as mulheres na rua, se ofenderiam se fossem cantados por um gay. Achariam “errado”, “absurdo”, “ofensivo”, etc. Mas, é claro, que essas pessoas acham que tem mais direito que as outras, né?

Resumindo: ninguém devia cantar ninguém na rua, seja de forma “brusca” ou de forma “leve”. Uma coisa é cantar, a outra é paquerar. Você paquera uma mulher (ou um homem) quando ela te dá todos os sinais para isso, é completamente diferente de dar cantadas soltas e ridículas.

Patty Kirsche disse...

Confesso que costumo dar uma buzinadinha quando vejo homens urinando na rua. É um ato de afirmação tão falocêntrico, que chega a ser agressivo. Então eu acabo mexendo com o cara numa forma de protesto, porque se eu passar quieta, ficarei com uma sensação de não ter respondido, manja? É tipo uma ressignificação da buzinada.

Thaís B disse...

Parece que tem homem aqui que vai morrer ou não conseguir nunca mais falar com uma mulher se não puder cantar ela na rua. Aprender a guardar comentários desnecessários para si, pra que né? Aprender a ser mais educado ou tentar perceber antes se a mulher pode estar afim de você, totalmente desnecessário nééé??
Afff
Além do mais, algum homem já conseguiu ter algum relacionamento com uma mulher que ele abordou na rua, do nada??? Pelo que eu sei, ZERO.
Homens, tirem da cabeça esse mito de que é possível conquistar uma desconhecida na rua com cantadas. Se fosse assim, mulheres só correriam atrás de pedreiros.

Anônimo disse...

Em relação aos comentários não obscenos, eu acho que eles são complicados e devem se pensar no contexto.
Certa vez eu estava andando por uma rua escura e deserta, daquelas que só podemos sair andando até o final, porque não são cortadas por nenhuma outra rua. Estava sozinha e havia um caminhão baú estacionado e 3 homens sentados no chão conversando, quando eu passo eles me olham de cima a baixo e um fala alto "Isso é que é mulher bonita!". A primeira coisa que eu (aos 17 anos) pensei foi no quanto eu já estava longe do início da rua e em como faltava muito para o final desta, a segunda foi que não tinha ninguém para me acudir, a terceira foi que o caminhão baú parecia estar com eles e a quarta foi que meu vestido não tinha alças, eu eu não devia ter saído com ele.
Enfim me ocorreu que, talvez, aquele homem de mais de 30 só tinha tentado ser lisonjeiro e que os outros 2 da mesma idade ou mais "só" tinham avaliado meu corpo de 17 anos, sem qualquer intenção de fazer o que minha mãe me dizia sempre pra tomar cuidado para que não fizessem comigo. Sempre, desde os meus 10 anos. Antes disso eu já ouvia mulheres adultas falando como tinham medo de homens que passam cantadas na rua. Sem contar todas as grosserias que desde os 13 anos uma menina ouve.
Talvez eu tenha sido neurótica, mas meninas são ensinadas desde cedo como "não serem estupradas" o que pode deixá-las com a sensação de que isso pode acontecer em toda e qualquer rua escura e deserta.

A. C.

elen disse...

teve um programa que fez um teste sobre isso,eu n lembro o nome do programa agora.
eram mulheres falando as mesmas nojeiras que a gente escuta para os homens,quase nenhum gostou ,pq será?

Wellington Fernando disse...

Respondendo ao 'Anônimo 13 de setembro de 2013 21:13', eu não disse que falta de respeito na rua e elogio são a mesma coisa. Lembrei apenas que muitos homens homofóbicos reagem com agressividade ao receber um elogio de outro homem, só isso. E esse lance discutido aqui de 'não dar cantadas' pode soar na mente de um homofóbico de uma maneira diferente, alimentando ainda mais o preconceito, do tipo: "Se nós não podemos dar cantadas nelas, então esses gays malditos também não podem nos dar". É óbvio que falta de respeito é sempre ruim. Mas um homem que se sente atraído por outro tem o direito de expressar o seu sentimento igual a qualquer pessoa sem sofrer violência. E os homens héteros têm o péssimo hábito de provocar os homossexuais só para humilhá-los depois. Isso também é muito ruim.

Anônimo disse...

Pro Vinicius B., que se acha stand up comedian.. eu já acho que as mulheres tinham que ser muito mais 'malvadas'..

Tipo a anônima das 15:53 e a Rosildis. Duas lindas.

Anônimo disse...

Vinicius B., acho suas piadinhas desnecessárias. Ninguém precisa ouvir uma coisa dessas, sinceramente. É meio idiota.

Saulo Mendes disse...

Patty Kirsche

Eu sou homem gay e hoje mesmo eu tava no centro da cidade, andando pelas ruas e tive vontade de mijar, mas não queria mijar na rua. Acho desrespeitoso, mas confesso que se a rua tivesse mais deserta eu teria mijado. Mas tbm concordo com vc, homens não devem sair mijando na rua. Só se for deserta e ter um matinho, aí não vejo problema nenhum.

Leandro disse...

O negócio é chegar nas mulher sem ficar fazendo elogios imbecis ou parecendo um babaca. Tem imbecil que chega perto de uma mulher que nem conhece cagando pela boca coisas do tipo "você é linda e eu te amo!". Patético não? Mas eu já vi isso acontecer e não foram poucas as vezes. Alguém conhece algum cara que conseguiu se relacionar com uma mulher porque deu uma dessas cantadinhas imbecis quando ela ia passando na rua? Eu não conheço.

Anônimo disse...

@Patty Kirsche

Não é falocentrismo não, é só vontade de mijar mesmo.
Se vcs tivessem uma mangueirinha, fariam a mesma coisa...

Anônimo disse...

Anon das 03:30, concordo plenamente. Em vez de o cara tentar conversar como se fosse gente, tenta ganhar a mulher por lisonja, quando qualquer um sabe que não dá pra amar uma desconhecida. Então pra que ficar com elogio barato né?

De qqr forma, é muito bom qdo tem um homem sincero, que dialoga com a mulher como se ela fosse gente, e não tentando manipular dessa forma barata.

Anônimo disse...

Ja me relacionei com uma mulher que conheci na rua, e não foi com cantada, ou cantando musica, ou qualquer outra bobeira, simplesmente cheguei e conversei com ela...

sou totalmente contra elogio de estranhos tb, e não gosto quando mulheres me dão cantadas(isso tb acontece, principalmente com garotas em grupos quando eu to sozinho)

Anônimo disse...

Wellington, acho que esse é o texto errado pra se discutir isso. Homens agirem com tamanha agressividade quando cantados por alguém do mesmo sexo, é outro problema, tem obviamente a ver com homofobia. A dinâmica de homem cantando mulher (que é o que está sendo discutido aqui!) é totalmente diferente e esses comentários dizendo que discutir o assédio na rua por parte dos homens héteros pode dar desculpas para homofóbicos espancarem mais ainda gays (porque isso já acontece, independente de qualquer discussão sobre o fim das cantadas) é bem nada a ver, e só serve pra desviar o assunto.

André disse...

Anônimo 13:35,

Creio que a reação da maioria dos homens cantados, seja por mulheres ou por gays, não é de violência. Veja o vídeo que eu linkei no meu primeiro comentário, os homens reagem como as mulheres relataram nos comentários, alguns ficam apenas constrangidos, outros respondem de forma mais dura, são poucos os que saem na porrada.

Anônimo disse...

A questão do "amor à primeira vista" pra mim é ilusória. Não se conhece nada da pessoa além da aparência, então como sentir algo além de atração sexual?

O homem pode achar que "ama" pq "fantasia" com essa mulher, fica "completando" a personalidade dela com as fantasias dele, mas usualmente é só ter uma conversa com ela e ver que não é nada daquilo, que ele está redondamente enganado sobre ela.

E se o cara tem uma conversa com a menina que parece "amável" mas ela é chata, besta e metida?

Por isso não acredito em amor à primeira vista, e o mesmo acaba usualmente quando o cara "desce" do mundo da fantasia e entra no real.

Rose disse...

O único policiamento que eu vejo é dos machinhos ~não machistas ~(de esquerda ou de direita)tentando nos dizer o que é ameaçador para nós e o que é elogio

Anônimo disse...

Off topic.

http://www.rondoniaweb.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=7058%3Ajovem-crista-e-estuprada-e-morta-por-rebeldes-sirios&catid=1%3Anoticias-padrao&Itemid=105

Thabitta disse...

Presenciei uma cena muito triste. Uma moça estava numa parada de ônibus falando ao telefone, quando 3 rapazes resolveram assediá-la, usando cantadas, com uma aproximação muito incômoda. Foi nojento, inaceitável. Aí ela vai embora, desconheço se foi devido a situação, mas certamente ela estava feliz em sair dali, seu incômodo era notável.Quando ela se desloca um dos rapazes TOCA, PASSA MÃO nela e tudo foi encarado pela maioria das pessoas com naturalidade. Aí se um desses rapazes é questionado por isso, culpa a moça(vítima), a roupa que porta, a maquiagem que usa, os sapatos ou a forma de andar. CULTURA DE ESTUPRO. Ela foi brutalmente violada e ninguém viu! Associa-se estuprador com um psicopata, lunático, demente... Mas e aquele caras machistas que dizem que se estupro não fosse crime estuprariam, que usam de eufemismo e dizem que sexo sem consentimento não é estupro, que acham que a mulher gosta de ser violentada, que ela não tem o direito de dizer não?

Anônimo disse...

RSRSRRSRS
PUTA MERDA, EU FAÇO O MESMO TIPO DE CANTADA COM OS HOMENS: OOOO LÁ EM CASA, OLHO A BUNDA, MÃE CAPRICHOU E ETC....DIGO: PARABÉNS.
SEI LÁ..CONTINUO ACHANDO COISA DE MULHER FEIA E MAL MUITO MAL COMIDA...
AHHH, EU SOU MULHER....

Anônimo disse...

pois é, anon das 15:29

eu acho que homem que dá cantada tem o mesmo nível intelectual que vc


RSRSRSRSRSR
RSRSRRS
RSRSRSRSRRSRSRSJDFHIJFKGJSHFDJC

Anônimo disse...

Lola, meu noivo comentou comigo uma vez que entre meninos há um bullyng com os que NÃO cantam mulheres nas ruas, não são atirados!olha o absurdo!Ele disse que quando tinha uns 13 anos perceberam que da turma do colégio ele era um dos unicos que não era atirado na paquera, que não cantava as meninas, etc...Aí lançaram ate desafio pra ele pra chamar uma mulher de gostosa na rua, mas ele ficou com vergonha (ufa!!ainda bem!) e não conseguiu...Resultado: aguentou o bullyng dos colegas rindo dele até!!!!Acho que hj em dia n deve estar diferente..os meninos ja estao nascendo sendo educados pra serem "os pegadores".

Erres Errantes disse...

Este post é antigo, mas vou comentar assim mesmo rsrs...
Existem algumas mulheres que ainda não se deram conta do grau de violência que as cantadas representam. Minha mãe e minha irmã várias vezes já me perguntaram se eu costumo ser cantada na rua. Elas perguntam porque acham que os assédios são uma validação da minha condição de mulher atraente, afinal, sem a aprovação dos homens, para que existirmos, não é mesmo?
Valha-me Jah.