sábado, 20 de julho de 2013

GUEST POST: SEM SUPORTE EMOCIONAL

A L., de apenas 17 anos, me enviou este email:

Eu sei que você não é psicóloga de ninguém, nem merece perder tempo com os problemas pessoais dos outros. Mas sendo uma figura tão importante pras mulheres que sofrem, apenas por serem mulheres, eu gostaria de que você me ouvisse. 
Me sinto sufocada, numa depressão que não posso expor, porque sei que ela não será bem recebida, que não terá compaixão. 
Desde que eu era muito criança percebi o tratamento diferente que eu recebia em relação aos meus irmãos, bem mais velhos que eu. E com o passar do tempo, as diferenças só se tornaram mais evidentes. Lembro-me de uma vez estar chorando num cantinho, até soluçar, quando meu irmão, irritado, quebrou um quadro com um soco, e nada foi feito. Pouco mais tarde, eu devia ter uns seis anos, o mesmo irmão me deu um soco no estomago, porque eu havia tropeçado e batido no rosto dele sem intenção. Meus pais nem sequer o repreenderam, e eu fui dormir com dor. 
Esse mesmo irmão se casou, e tornou minha infância pior ainda. Meus pais nunca tinham tempo pra mim, só tinham que se preocupar com os problemas conjugais do meu irmão. Eu até cheguei a odiar a mulher dele, e a rezar pra que eles se separassem de vez. Mas assim eu aprendi a ser solitária, a viver na minha imaginação. 
Meu outro irmão era um pouco mais doce, mas toda vez que ele me provocava com algum deboche, e eu reagia, minha mãe me batia, sem repreendê-lo. A família ainda vinha me fazer pressão por não respeitar meu irmão mais velho. Meu pai nunca me bateu, mas também nunca me deu atenção, geralmente se dizia ocupado demais. 
Conforme fui crescendo, sem receber demonstrações de afeto e sem amizades também (pois morava numa avenida movimentada e não tinha contato com outras crianças), fui sendo repreendida pelos meus pais (mais minha mãe) por gostar de coisas de menino, como futebol e carrinhos. Ela achava que eu seria lésbica por isso e muitas vezes me proibia de jogar. 
Me mandavam lavar a louça, limpar a casa, o tempo todo; eu raramente ia, porque sempre que eu questionava por que eu devia fazer se meus irmãos não faziam e nunca fizeram, e a resposta era a mesma: eles são homens! 
Quando minha avó faleceu, eu sofri muito, pois ela era uma das poucas pessoas que me queriam por perto. Eu fiquei sem convívio com outras pessoas, e acabei engordando. Minha mãe passou a me torturar psicologicamente, dizendo: "Você jamais vai arrumar um namorado assim", "Você vai ficar uma bola", "Você vai ficar igual a" não sei quem, sozinha. Eu chorava, e até me escondia embaixo da cama.
Desde que entrei na escola, fui considerada a melhor aluna da sala. Tirava as melhores notas, recebia elogios. Mas para minha mãe sempre era: "Você não fez mais que sua obrigação, pois não faz nada em casa." Para o meu pai era: "Ela é ótima na escola, mas não lava um copo!". E isso ia me irritando, porque meus irmãos eram péssimos no colégio (no ensino médio), passavam o dia no videogame, e minha mãe nunca reclamava.
Na adolescência, os conflitos se intensificaram. Eu passei a enfrentar minha mãe, não querer levar chineladas e tapas, não querer ser tratada com diferença por ser mulher. Passei a discutir e expor minhas opiniões, mas isso nunca era bem aceito. Algumas vezes meu irmão do meio se metia e dizia que eu era "metida, arrogante", e era só eu responder, que minha mãe tentava me bater. Ela ficava do lado dele sempre porque, segundo ela, eu havia provocado. 
O irmão mais velho, do casamento, tentou me agredir uma vez, me levantou pelo colarinho da camisa e me arrastou, dizendo que eu era petulante e não me punha no meu lugar, porque eu defendi uma personagem numa novela (sim, apenas isso). Eu entrei numa crise nervosa imensa, até consegui jogá-lo no chão. Mas meus pais ficaram ao lado dele, como sempre, porque eu havia provocado. Responder era provocar, porque eu nunca comecei uma agressão.  
Minha mãe se assume machista, tem todos os conceitos machistas, todos, acha que é melhor ser sustentada pelo marido do que ser independente, e sempre defende o homem. Quando a cantora Rihanna foi agredida, minha foi uma das que disse "Ela deve ter provocado". É um inferno. O machismo dela é tanto, que muitas vezes parece misoginia. Ela mesma diz que não consegue ter apego ou dar carinho para meninas, não gosta, não vê graça.
E pra melhorar, ainda tenho um namorado (ou ex, nem sei), pelo qual fiz tudo, tudo mesmo, pelo qual lutei pela minha liberdade, e que nem me ouve. Mais um sujeito egoísta, machista,  que se nega a ouvir meus ideais quando tento expô-los pra ele, porque diz que estou tentando impor. É uma conquista pra mim dizer isso, pois há pouco eu permitia que ele me humilhasse com suas palavras, enquanto eu chorava e implorava por ele. Me identifiquei com a esquerda, porque gosto de compaixão e solidariedade. Não consigo me calar diante de injustiças.
Estou numa situação desesperada, de desilusão. Não tenho pra quem, nem pra onde correr. Não tenho amigos (pois no Ensino Médio fui excluída por ser diferente, riam de mim, um bom exemplo de bullying), e meus parentes são todos como minha mãe. Como disse, meu namorado (ou ex) não me dá suporte emocional, se declara frio até, e ainda diz que eu sou linda, mas não me valorizo, não me arrumo, vivo jogada. Isso porque não sou vaidosa. Aliás, beleza é a unica virtude que ele reconhece em mim.
Na extrema falta de um ombro, de alguém pra me ouvir, decidi desabafar aqui. Contei pouco, pois se fosse entrar em detalhes, daria um livro, com tanto absurdo que já vivi e ouvi.
Se você puder responder, será maravilhoso. Se não, entenderei. 

Minha resposta: L., que droga ser parte dessa família, hein? Mas aguente firme, que vc já está com 17 anos. Daqui a pouco vc começa a ser mais independente e poderá sair de casa. Não adianta apressar o processo. Se vc já aturou tudo isso até agora, pode aturar um pouco mais, por mais insuportável que seja a situação. Pelo menos seu irmão mais velho não deve ficar muito tempo em casa, né? Infelizmente, tem famílias muito retrógradas mesmo, que só traumatizam os filhos (e principalmente as filhas). Acho difícil a sua família  mudar a esta altura. Tente viver o melhor que vc pode apesar da sua família. Um dia vc será livre!

L. responde: Obrigada pela atenção! Suas palavras significam muito pra mim! Tava quase em desespero... Vou arrumar um rumo pra evitar sofrimentos e não conviver muito. Agora que acabei um namoro de 2,5 anos, terei que dar uma serie de explicações chatas e ouvir julgamentos. Já me pressionavam pra casar, imagine o drama, a vilã que serei. Mas acho que consigo enfrentar! Vou fazer faculdade numa federal. Será um bom motivo pra suportar tudo.

48 comentários:

livia disse...

lola, eu só espero que você saiba o quão importante são alguns emails e comentarios que você recebe. as vezes a pessoa tá tão isolada que só tem contato com quem ela vê na internet. acho que o caso da l. é esse(se não for, me engano, desculpa). esse é o meu caso, se não fosse o twitter não sei se eu estaria viva. converso com as pessoas na internet normalmente, como se eu conhecesse, não vejo problema nisso. agora sair pra conversar com gente já é mais difícil. até pq é mais dificil filtrar os assuntos das conversas. eu tô fazendo tratamento pra uma depressao de anos e sair de casa aidna é um desafio.

corpsecake disse...

Muito obrigada por esse post, L. e Lola, me identifiquei muito.

Anônimo disse...

L, espero que vc saia dessa e seja uma pessoa feliz. Sei que é difícil ser feliz numa sociedade como a nossa, eu que não vivo com pessoas machistas me sinto muito infeliz por saber que nem todas as mulheres tem esse mesmo privilégio que eu, e ainda por cima com as pessoas que vc convive.

Agora que vc vai para uma faculdade será uma ótima oportunidade de ficar longe deles.

Beijos e nunca desista de ser essa pessoa maravilhosa que vc é.

Abigail de Souza disse...

Que dó dessa moça. Tive alguns episódios de machismo aqui em ksa, por parte mais da minha mãe que do meu pai, mas nada tão grave a esse ponto. Meus pais nunca admitiam agressões entre a gente - somos 3 -, ainda mais gratuitamente. Tem umas famílias que são uma m**** mesmo

mena disse...

Que triste, mas te digo, tudo passa. Continue se esforçando nos estudos pois conhecimento te dá poder e independência! Há 10 anos atrás estava na adolescência e passei por fases realmente difíceis, hoje tudo mudou, mas eu nunca desisti de fazer uma vida melhor. Te garanto que se você não perder o foco sua vida vai mudar! E um conselho: esqueça as pessoas que te fizeram mal, há muita gente bacana no mundo. Não se isole e mantenha a mente aberta para conhecer novas pessoas em diferentes oportunidades: em um curso, na internet, na faculdade, sem pressão, apenas deixe os relacionamentos fluírem. A faculdade vai te ocupar tanto tempo que se quiser nem vai precisar passar muito tempo em casa. Até conseguir morar sozinha, a faculdade acaba virando um segundo lar (ou primeiro rsrs). Engaje-se em atividades de iniciação científica ou faça estágios, estude na biblioteca da faculdade, almoce no RU e você só vai para casa para dormir! Se anime, garota!

Isabela disse...

Poxa, L., fico muito triste em ler o teu relato. É muito triste ver que uma mãe seja assim tão indiferente a uma filha, e a trate diferente dos outros filhos, principalmente por você ser mulher. Eu reforço o que a Lola disse, por mais que seja difícil, aguente mais um pouco, pois você é muito jovem, mas logo vai conquistar sua independência, ainda mais por ser tão estudiosa e estar entrando para a Universidade. Estabeleça suas metas, estude, batalhe... infelizmente nem todas as famílias são acolhedoras... mas nem por isso devemos deixar de lutar para dar amor a outras pessoas e sermos pessoas melhores. Beijos e muita força, querida!

Anônimo disse...

Pobre garota, dá muita raiva de uma família dessas. E esses pais ainda devem achar que é obrigação da moça ampará-los na velhice.
Felizmente você é inteligente, sabe que não é você que está errada e você vai ver, vai conseguir sair dessa. Fique firme.

Lola, parabéns pela entrevista, estou lendo agora.
Leila

Carla L disse...

Parece tudo muito difícil mesmo para você L., mas acredite que vai melhorar.Você parece ser muito especial, uma pessoa boa com muito a oferecer, não se preocupe, você vai encontrar quem te veja assim e te valorize pelo que você é, até lá tente esquecer quem te faz mal e ignorá-los o máximo possível.E nunca deixe que eles te façam acreditar que você não tem valor, você tem sim, muito mais que eles, eles que não te merecem.Saiba quem você é e não se perca, e, de novo, ignore quem te faz mal, concentre-se em quem e no que te faz bem.
Com você entrando na faculdade acho que as coisas ficam melhores, você poderá voltar para casa só para dormir, será o primeiro passo para a independência.E você encontrará várias pessoas, talvez faça bons amigos, eu mesma seria sua amiga se te encontrasse, você parece ser boa gente.E tente não se envolver mais com pessoas que não te valorizam, como esse seu ex.
Quanto a sua família, eu acho que o melhor é esquecê-los, talvez um dia vocês possam fazer as pazes, mas acho que agora eles só estão te destruindo.

Força aí que tudo vai melhorar.

Anônimo disse...

Querida L.,

Concordo com o comentário da Mena.
Penso que, no momento, mergulhar na vida acadêmica e transformar todo o seu sofrimento em criação intelectual é uma forma libertadora que pode te ajudar a enfrentar os seus (nossos) problemas -, que infelizmente, são cotidianos.

Não se deixe abater! Tudo o que você passou deve te fortalecer para enfrentar a vida de cabeça erguida. Você nunca mereceu nada de ruim que te aconteceu, tenho certeza disso. Saiba que você não está sozinha, existem muitos e muitas como você. E nós estamos aqui, somos a sua família.

Anônima da saia disse...

Oi A.L., olha eu acho como a Lola, agüenta um pouco mais ate ser independente. A verdadeira liberdade so vem com a independência econômica (isso era o que a minha avo materna e a minha mãe sempre me falaram). Enquanto os seus pais te sustentam infelizmente vc vai ter que engolir muito sapo. A sua familia é machista e a sua mãe misógina sim, ela mesma confessa nao gostar de menina, possivelmente ela tenha inveja de vc por ser mais jovem que ela. Mas calma. Infelizmente acho que o melhor a fazer é deixar quieto e lavar a louca, e continuar estudando muito, entrar na faculdade (seria ótimo se vc pudesse fazer uma faculdade em outra cidade, assim fica mais fácil depois sair de casa de vez). E, sinceramente uma vez independente se vc quiser visitar a sua familia uma vez a cada nunca ou nunca, fica ao seu critério, eles nao merecem nem um pouco de carinho seu.

Eu sinceramente sinto muito pelo o que vc esta passando. Acho ridiculo a resposta "nao precisam limpar a casa porque sao homens" entao um PINTO nos transforma em inúteis nas tarefas domesticas. Um PINTO é tao pesado assim de carregar que a gente fica INCAPACIDADO DE LAvar uma louca?

Olha acho idiota a resposta de "vc ta gorda vai ficar sozinha" nada a ver, primeiro nao é por ser mais magra ou mais gorda que se é mais feliz, eu comprovei isso na pele pois ja fui os dois (hoje to no meio termo) segundo estar casada nao é sinônimo de felicidade, estar solteira e morando sozinha pode ser uma situação de muito maior felicidade que uma casada.

So posso te dizer paciência e lute muito para ser independente economicamente, estude muito, as vezes é melhor agüentar um pouco mais e estudar para depois pegar um trabalho melhor remunerado que trabalhar no mcdonalds e nao estudar, ai vc vai ficar a vida inteira num trabalho pouco remunerado,
Paciência, muito estudo e um dia vc será independente e nao vai precisar falar com a sua familia nunca mais,

Nao escute as merdas que eles falam.

Beijos

Anônimo disse...

L., procure um emprego e dê um jeito de se sustentar. Se ainda faltar muito pra fazer 18 anos, peça emancipação e saia de casa. Se não falta muito, espere um pouco e saia de casa do mesmo jeito. Você pode ainda tentar entrar pra faculdade, ou pública ou numa particular através do ProUni.
Minha família não era tão ruim quanto a sua, mas eu sofri muito por causa de divergência de opiniões e tratamento diferentes. Sempre fui "a rebelde sem causa" (nunca entendi onde meus pais viam rebeldia em mim), e todos os meus sonhos foram castrados e tirados de mim.
A solidão pode ser devastadora, mas não se deixe abater por isso.
Depois que a gente sai da adolescência as pessoas se preocupam menos com a sua "diferença" (ao menos em alguns meios). Não desista!

Lu disse...

Oi L., se me permite, acho que seria bom pra vc procurar um psicanalista, quando tiver a oportunidade. Por experiência própria e por relatos de amigxs, ajuda bastante nessas situações desabafar, analisar tudo isso que te aconteceu e colocar pra fora mesmo, pra que não continue te prejudicando no futuro. Tudo de bom :)

patricia. disse...

L, sinto muito pela sua situação familiar, mas veja pelo lado bom, você já aguentou 17 anos, daqui a pouco você faz dezoito e vai poder ter sua independência.

Concordo com a Lu, um psicólogo lhe faria muito bem, você poderia ter alguém para conversar e te ajudar a superar essas coisas da sua infância.

Espero que tudo se resolva o mais rápido possivel:)

Anônimo disse...

Desejo muita força para essa mocinha, e que ela consiga sair de casa o mais cedo possivel. Quando isso acontecer, ela vai ser MUITO feliz :) ela deve ter se tornado uma pessoa extremamente forte graças ao convivio com essa droga de familia, e isso vai fazer com que ela tenha muito sucesso no futuro. É só uma questao de tempo!

Anônimo disse...

Querida, sua família não vai desistir de te cobrar tudo o que cobram agora. Quando você for independente, e você vai ser em breve, o seu sucesso vai ser usado como chantagem pra que eles continuem a sugar suas forças (e seu dinheiro, e seu tempo, e sua sanidade, do tipo "ah, agora que é universitária se acha importante demais pra ajudar em casa"). Cabe a você saber ser forte, ser mais você, saber pesar tudo.
Não vai ser fácil, mas vai ser melhor. Na faculdade seus amigos e seu ambiente te darão forças extras pra enfrentar tudo de cabeça erguida. E nós aqui também!

Hamanndah disse...

Querida L, Boa Sorte. Que você tenha muita felicidade e muito afeto e seja aceita. Sua vida começa agora.

Anônimo disse...

Tamara says:

L, eu sinto muito que você tenha que passar por tudo isso. Eu tenho um irmão mais novo e entendo bem essa diferença de tratamento, mas lá em casa não foi tão forte assim. Só quero dizer que se precisar de alguém pra conversar, eu gostaria de ajudar. Tbm tô em fase de vestibular pra federal, quem sabe poderiamos nos ajudar. Meu email é tamarab_gomes@hotmail.com e o meu twitter @vaitamara

Força e foco! Logo você vai ser independente e perceberá a beleza que é ser livre e feminista!

Estou com você! Grande abraço.

Mariane disse...

E ainda há quem defenda que todos deveriam ter filhos.

Sara disse...

L. infelizmente vc não é a única nessa situação, eu mesma conheço uma querida amiga q passa por situações semelhantes as suas, e o conselho q a Lola te deu é o melhor mesmo.
Se empenhe em seus estudos (espero q pelo menos isso sua família te dê de bom), busque sua independência deles o mais cedo q puder, pra não enlouquecer, pois essa amiga acabou precisando de ajuda de psicólogos e pior é q agora ela ficou dependente dessa psicóloga (diga-se de passagem muito cara) o que inviabiliza que ela saia da casa dos pais, pois embora ela tenha se formado, é natural que os salários de recém formados sejam pequenos, e nunca dariam pra pagar a psicóloga que essa minha amiga se tornou dependente (por isso tenho um pé atrás com esses profissionais), embora minha amiga não aceite o q eu penso a respeito, eu acho q essa dependência é que esta atrasando a saída dela da casa dos pais, q eu sou testemunha, são homofóbicos ao extremo (e essa amiga é lésbica) vai vendo o q ela sofre de pressão.

Anônimo disse...

Estude, estude muito e tenha mais um pouquinho de paciência pq brevemente vc estará livre dessa.

Anônimo disse...

Um pouco antes de ler este depoimento, estava assistindo à Supernanny no SBT e os pais mostrados no programa não davam a menor atenção para a filha enquanto tratavam os meninos como reizinhos. Até comentei com minha mãe como era comum ser mostrado no programa os pais mimarem os meninos e ignorarem as meninas.

Agora entro no seu blogue e vejo este depoimento tão triste. Como fico indignada por ver que tantas meninas não recebem carinho dos pais apenas por serem meninas.

A única coisa que posso dizer é que estou torcendo por vc L.
Vc é merecedora e vai conseguir ser bem sucedida.

Ana

Anônimo disse...

Garotas, garotos (talvez seja ainda pior para os garotos), nossa juventude não tem onde se apoiar. Escolas podres, caindo aos pedaços; professores despreparados e preconceituosos; pais medíocres, violentos, preguiçosos, conformistas; amigos e namorados(as) consumistas, alienados, babacas; inimigos corroídos por ressentimentos. Tudo isso em cidades violentas, sujas, poluídas, mal geridas.

Para manter um mínimo de sanidade é preciso tentar o mais rápido possível entrar numa universidade pública e, lá, fazer um núcleo de amigos, ler bastante, pensar bastante, escrever bastante. No final do processo, talvez algo esteja mudado. Talvez.

Maria Valéria disse...

Querida autora do post,

Quando se tem uma familia tao difícil de conviver, o ideal e sair de casa e ir morar sozinha,
Porém, sei que vc nao tem idade nem condições ainda pra isso(17 anos)

No entanto,ha algumas coisas que vc pode fazer.tente buscar ajuda psicológica,se nao tiver como pagar ( e provavelmente seus pais nao irao querer pagar pra vc) , busque ajuda em algum posto de saúde perto da sua casa, ou em alguma entidade que tenha psicólogo.
Nem todos os postos tem psicólogo, mas pelo menos haverá alguem para dar uma orientação e escutar vc e encaminhar pra onde tem,
Nao sei se vc poderia pedir ajuda pra conseguir psicólogo através da coordenadora da sua escola, tente, as vezes a própria escola pode ajudar(?) nisso,
Ou pelo menos alguem mais velho pra te escutar,um professor com quem vc posa desabafar, alguem com quem vc se identifique mais,
Mas e fundamental a ajuda profissional de um psicólogo.
Assim que puder, tente arrumar um emprego, dentro das suas possibilidades , sem parar de estudar, e sair de casa pra morar sozinha,no começo pode parecer assustador, mas depois vc vai se libertar se fortalecer, acredite,
Com 17 anos e muito cedo pra pensar nisso, em sair de casa, mas a partir dos 18 vc ja pode fazer o que quiser da vida,ja será maior de idade,
E amigos vc encontrara, querida,nao se preocupe.
Eu sofri coisas parecidas na escola e hoje dei a volta por cima,
Se quiser conversar, a disposição.
Um beijo, fique bem,

Anônimo disse...

L., faço coro com a Lola e os outros comentários. Estude muito para ser independente, pois só assim você vai poder se libertar. Não vou dizer que passei por uma situação parecida, pois cada um sente a vida de um jeito, mas eu digo que me salvou a vida sair de casa aos 20 anos de idade e hoje sou muito feliz!
Muita sorte! Achei bonito quando você falou que procurou um lugar para viver na sua imaginação. Comigo foi semelhante, eu lia e escrevia quase de forma compulsiva para ajudar o tempo a passar mais rápido!
Um beijo enorme e muita força!
Tati

Gilberto Jr. disse...

Bem, tire uma lição disso tudo e dê a volta por cima. O que te diria é já que é estudiosa e boa aluna continue assim, faça um curso superior, consiga um estágio/ trabalho e mude-se de casa. Na faculdade você vai encontrar uma colega ou amiga querendo dividir um ap e isso é muito comum. Vai te fazer muito bem se distanciar um pouco dessa família que você tem. Mas nunca pare de estudar, construa uma carreira sólida baseada em estudo e conquiste sua independência. Quando esse momento chegar vai ver que todos esses momentos ruins ficaram no passado e nem vai lembrar que um dia eles existiram.
Ah! Você ainda vai ter muitos namorados na sua vida ainda e aquele que for feito para você vai te entender, dar o apoio e o carinho que você merece, então não sofra com esse seu ex.
Desejo que você tenha muita luz na sua vida!

Vitória disse...

Gente, que vontade de dar um abraço vc. Super entendo o que vc diz, apesar de eu ter tido um pouco mais de sorte por ter uma mãe amiga (mas em compensação o resto da família é uó).

Vc só tem 17 anos e tem um futuro inteiro pela frente. Mande seu namorado pastar e quando puder, sua família tb!

Boa sorte!

Anônimo disse...

Querida L. ,
Lembrei da minha infância e adolescência ao ler seu relato. Meu irmão me maltratava e não era repreendido. Me amarrava numa corda e me puxava pela casa. Já me queimou no braço com isqueiro e me batia frequentemente.Quando eu tinha 18 anos me deu uma surra porque eu teimava em namorar com um rapaz que ninguém da minha família gostava( estou casada com ele hoje...realmente desobedeci, e estou feliz!) . Minha mãe , descaradamente machista, sempre ficou do lado dele. Meu pai morreu e deixou 30% da herança a mais para meu irmão. Não concordei e entrei com processo judicial para uma partilha justa. Minha mãe, claro!, ficou contra mim. Diante de tanta injustiça começei a lutar pela minha independência . Estudei muito, me formei em medicina numa federal e hoje não preciso me submeter a nada. Me distanciei muito deles, falo esporadicamente por telefone. Melhor assim.
Te desejo muita força e persistência . Não desanime, pois vale a pena lutar!
Beijo

Luara Tanuri disse...

A tendência é a repetição inconsciente dos padrões q vem d casa, por isso a terapia ajuda muito, vc aprende a desorganizar os padrões e crenças negativas q aprendeu. Perceba, L. q vc escolheu um namorado machista.

Invista em vc (faculdade, terapia, coisas q te dão prazer) e fique atenta aos sinais d machismo e misoginia ao seu redor, eles são claros, mas quando estamos envolvidxs emocionalmente é mais difícil perceber. As vezes, nos colocamos em situações p reviver a relação com os pais, mesmo q sejam relações perniciosas. São oportunidades q nos damos d "fazer diferente dessa vez", pq quando era criança ñ tinha opção. Cada vez q vc diz NÃO p o machismo no mundo está enfrentando o machismo q conheceu em casa.

Sua mãe parece ser alguém bastante infeliz e com inveja da oportunidade q a juventude lhe dá. Internamente quem ñ quer ser livre? Mas talvez, ela tenha desistido da liberdade há muito tempo e agora luta contra quem ameaça a certeza q ela tem dq a vida dela é ótima. Vivendo sua vida com respeito a si mesma e desenvolvendo seus talentos, vc passa a conhecer quem vc é, L., e vai chegar o dia em q vai ter compaixão por sua mãe. Sua felicidade é a melhor resposta q pode dar a todos q lhe oprimem. Vc pode, garota!

Gabi M. disse...

Querida L., queria que você soubesse que me identifiquei muito com sua história. A diferença entre eu e meu irmão também era muito clara aqui em casa, e tudo muito bem explicado pela diferença entre os sexos, agora eu consigo ver isso. A cobrança do trabalho doméstico caía apenas em mim. Eu questionava sobre meu irmão também ser cobrado sobre a louça e minha mãe desconversava, com o tempo parou de cobrar de mim e passou a se matar para fazer tudo sozinha. Cobrar do meu pai ou do meu irmão, jamais. Ir bem na escola também "não era mais que minha obrigação", enquanto meu pai oferecia 10 reais a cada nota acima da média como estímulo para meu irmão melhorar as notas. Isso sem contar na diferença no horário de voltar pra casa e na diferença como fomos tratados quando começamos a namorar.
Mas o tempo passou. Hoje eu tenho 28 anos. Durante a adolescência, idealizei estudar fora para sair de casa, isso me deu força e esperança para suportar. Mas acabei escolhendo uma faculdade em minha cidade quando chegou a hora. Foi uma escolha minha, mudei de ideia pq com o tempo, tinha 20 anos na época, algumas coisas já haviam mudado. Mesmo assim, a experiência na faculdade me permitiu um amadurecimento enorme. Foi preciso procurar um pouco, mas consegui encontrar pessoas e modos diferentes de encarar o mundo. As faculdades públicas oferecem vários serviços de apoio aos alunos, assim tive acesso a psicólogas que me ajudaram muito a me reorganizar. E continuo nesse caminho do autoconhecimento. Para mim, é o autoconhecimento que me dá liberdade para ser quem eu realmente quero ser. Tenho um trabalho constante de reconhecer em mim o machismo que acabei interiorizando depois de tantos anos numa família sem referências positivas de mulheres porque não quero passar isso aos meus filhos. Nesse caminho descobri o feminismo, os círculos de mulheres, a sororidade, aprendi a gostar de ser mulher, a gostar do meu corpo de mulher, a gostar de menstruar, a viver a minha sexualidade com liberdade e da forma que me dá mais prazer. Namorei um homem machista por 7 anos. Agora estou em um relacionamento há 4 anos com um anarquista que busca não reproduzir nenhuma forma de opressão em seus relacionamentos. Olhando para dentro de mim, curei muitas feridas. Hoje em dia sou capaz de me relacionar com meu pai, encontro com ele uma vez por semana e consigo conversar com ele normalmente e, quando é necessário, sou capaz de estabelecer limites sem precisar ser agressiva. Tive a sorte de ter percebido muito cedo, com uns 9 anos, que meu irmão não tinha culpa da diferença que meus pais faziam entre nós e pude me relacionar com ele sem ciúme, sem raiva e sem mágoa dele (tinha raiva dos meus pais, não dele). E quando ele tinha seus 19/20 anos até saíamos para tomar cerveja juntos. Fico feliz com isso porque ele faleceu num acidente de carro quando tinha 20 anos e eu 24, e teria sido muito pior se eu tivesse guardado mágoa e raiva dele. Com minha mãe o relacionamento ainda é um pouco difícil, mas percebo que minhas descobertas a respeito de ser mulher acabam inspirando um pouco ela também. E assim a vida segue. Sempre mudando, num aprendizado constante. Se eu puder dar conselho, diria não desista agora, não se desespere agora. A vida com certeza vai te surpreender. Ela sempre faz isso. E é possível construir a mudança que desejamos, aos poucos, com força, coragem e persistência. Vejo que você já está fazendo isso. É boa aluna. Isso mostra que você tem essa força e coragem dentro de você. Você escreve muito bem, fiquei surpresa quando vi que você é tão nova. O caminho nem sempre é fácil, quando parecer que a vida é dura demais, chore com seu travesseiro até o peso ficar mais leve, durma, ao acordar respire fundo e levante da cama com a cabeça erguida para a próxima batalha. Você vencerá. Gostaria de poder te dar um abraço que te faça sentir acolhida e entendida. Fique bem! Estamos todas juntas!

Nanda Soares® disse...

L, espero sinceramente que vc consiga passar em uma federal e um emprego que te propicie arrumar seu canto longe desse inferno em que vc vive! Só pelo fato de vc ter vivido isso por tanto tempo e resistido, e agora ter um caminho que vc sabe que quer seguir, já é um bom caminho.
Tomara que as coisas comecem a melhorar para vc!!!
Bjs

Letícia disse...

Olha, eu concordo com a Lola e a maioria dos comentários, L., aguenta mais um pouco que tudo melhora MUITO na faculdade. Lá vc encontra gente parecida contigo, faz amizades mais verdadeiras e se afasta da família.

Indico que vc faça faculdade fora da sua cidade. Não sei como seus pais são, mas talvez pelo fato de ser aprovada numa federal eles deixem vc morar numa pensão/república. Acho válido até ir sem o consentimento deles, fazer faculdade a noite e trabalhar de dia. Tudo é válido pra se afastar dessa família péssima.

Boa sorte e muita força =D

M. disse...

L., fica calma que daqui a pouco você vai poder sair daí, como já disseram.

Ou você pode fazer uma universidade pública e dar um jeito de juntar todos os benefícios - bolsa permanência, bolsa moradia, bolsa alimentação, por aí vai. É uma vida difícil também e a grana não é muita, mas pelo menos você vai poder se dedicar aos estudos.

Você vai ver, depois que você sair até sua relação com a família vai melhorar - meu pai, que foi abusivo minha vida inteira e que tentou me proibir de sair de casa, hoje me trata que nem gente. Não é um pai ainda, e ele não dá apoio nenhum, mas pelo menos nunca mais precisei ouvir que eu nunca seria alguém.

E sabe, você não vai ficar sozinha. Magra, gorda, loira, morena, rica ou pobre, sempre vai ter gente disposta a ficar perto e te apoiar. Gente boa de verdade.

E se você precisar, a gente tá aqui.

Ana Flavia disse...

L., me identifiquei muito com a sua história, infelizmente. Muito do que você contou que sofre, eu sofri também com a minha família. O que eu posso dizer é para você ser forte, que vai melhorar.
Você disse ser uma boa aluna, uma opção seria prestar vestibular para uma universidade do interior ou de outro estado, assim você teria uma boa desculpa para sair de casa. A maioria das universidades tem programas de apoio para estudantes de outras cidades e de baixa renda, caso seus pais se recusem a bancar seus estudos fora.
Não seria fácil se manter sozinha, mas acredite, valeria a pena. Liberdade é algo inestimável.
Te desejo toda a sorte do mundo. Continue sendo forte.
Beijos.

Lari Gambaro disse...

Querida L., fiquei muito emocionada com a sua história e muito orgulhosa de você por ser uma mulher tão forte e com tantas convicções bonitas, vc realmente acredita e defende suas ideias e ideais e isso é maravilhoso e faz de você uma mulher maravilhosa! Como a Lolinha muito bem disse, não apresse as coisas e se vc já chegou até aqui diante de tantas dificuldades vc consegue continuar e encontrar uma saída para ser livre. Na universidade vai ser possível se engajar em coletivos, conhecer outras feministas, ser aceita em um grupo, construir sua história mais livremente, pode acreditar e vc vai perceber isso, o quanto as mulheres se apoiam e se identificam umas com as outras, com as suas histórias; falo de mulheres feministas, de mulheres generosas com as outras, de mulheres que têm empatia. Você é uma dessas mulheres! E se precisar de ajuda, de apoio, de conversar, não se acanhe em procurar por essas mulheres, não se cale querida, use sua voz, seus ideais, sua força para se empoderar cada vez mais. Um abraço bem grande pra você!

Anônimo disse...

Nossa, que situação complicada...
Realmente acho que vai ser muito bom quanto você conseguir sair de casa, e ter seu próprio sustento.

Só toma cuidado para acabar perpetuando esse ciclo. Muitas mulheres que tem famílias problemáticas, por mais que saibam disso, acabam se casando com parceiros que um comportamento similar ao da família...

Por isso é bom você procurar ajuda de um psicólogo quando tiver condições financeiras. Mas acho que ler bastante sobre feminismo, sobre relações abusivas e etc, também podem te ajudar a quebrar o ciclo.

Abraços

Anaísa Pereira disse...

Onde a L. mora? Se for em Recife, estou disposta a encontra-la.

Anônimo disse...

Querida L, infelizmente, vc ainda vai ter de engolir alguns sapos até conseguir sua independência...

Mesmo para procurar um psicólogo, vc precisa de dinheiro, certo? O que eu creio que no momento, sem apoio da familia, não seja tão fácil pra vc... Como já sugeriram, aproveite sua entrada na faculdade pra conhecer gente nova, se engaje em atividades diferentes (grupos de pesquisa, extensão, almoce no Restaurante universitário, estude na biblioteca da faculdade, crie vc mesma um grupo de estudos em um tema que te interesse, reúna um pessoal e executem essa ideia...) Enfim, preencha seu tempo com coisas realmente edificantes e que te tirem um pouco de casa! Al´m de conhecer muita gente legal ainda vai te trazer muito conhecimento.

Assim que conseguir, arrume um estágio, de preferência remunerado (ou então voluntário mesmo!),vai te dar um pouco de independência financeira, pelo menos pra vc sair de vez em quando ou comprar alguma coisinha pra vc, até vc ter condições de se sustentar MESMO.

Enfim, meio estranho te aconselha a ficar longe da sua familia, mas no seu caso, é a melhor saída que vejo, te desejo sorte!

Gabriela

Maria Fernanda Lamim disse...

Nossa, que relato triste. Me senti mal ao ler :(
L., estude, trabalhe e saia de casa. O mundo é muito grande e cheio de gente; você vai encontrar amigos, pessoas que te darão o apoio que vc precisa e que vao merecer a sua consideração. Amigos são a família que a gente escolhe!
Não perca a confiança em você mesma. Força e Luz pra vc! :)
Ah, e ótima resposta, Lola!

Verônica disse...

L., como várias pessoas aqui disseram, seria importante você procurar ajuda. Eu recomendaria um psicólogo. Também sou de uma família abusiva e ir ao psicólogo me ajudou bastante. Além dele me ajudar a pensar em várias coisas e a me libertar de tudo que não era meu, mas que foi jogado sobre mim pela minha família, foi essencial saber que tinha alguém do meu lado, conhecendo e testemunhando a minha história... Você não precisa de dinheiro para isso. Em geral, faculdades de Psicologia tem clínicas-escola, onde os alunos dos últimos anos atendem de graça ou por preços simbólicos. Procure na internet por faculdades na sua região que ofereçam esse tipo de serviço, com certeza deve ter em algum lugar :)

E eu discordo um pouco do que as pessoas estão dizendo. Se você se sente forte o bastante para enfrentar uma vida um pouco mais dura financeiramente, mas mais livre, saia o quanto antes! Muitas vezes as pessoas ficam nos dizendo "aguente mais um pouquinho" com ótimas intenções, mas isso mina a confiança que poderíamos ter de que somos sim capazes de cuidar da nossa própria vida. Não deixe ninguém te dizer que você não pode se virar sozinha, porque você é capaz sim! Mas também não se force a nada; se você se sentir muito fragilizada para romper com a sua família tão repentinamente, aguente mais um pouquinho, mas não fique sozinha nessa! Procure alguém pra conversar, alguém que saiba o que vc está passando. Acredite, isso dá um alívio imenso.

Beijos e muita força!

Gabriel Latri disse...

Nossa... só de ler, já me sufoca. A L. foi longe, porque se não tivesse suportado tanto, talvez tivesse cometido suicídio. É muita opressão! Pela idade dela, poderiamos considerar até crime! E pensar que essa atitude machista recebe suporte de tanta gente...

Isso que a gente neeeem precisa do feminismo, né Lola? Eu sou homem, mas é muita empatia! Eu consigo imaginar o sofrimento, e às vezes até sentir, só de ler.

Faço das palavras da Lola, as minhas. Parabéns e obrigado por tudo, Lola! E L., aguenta firme, porque os seus dias de glória estão chegando :-)

Anônimo disse...

Queria poder dizer que as coisas melhoram, mas a verdade é que não muda muita coisa. Eu sofri muito na minha família quando criança e recentemente (tenho 28 anos) quando fui passar um final de semana com eles, fui espancada pelo meu irmão. Fiz um BO, exame de corpo de delito e não deu em nada. Eu sentia falta da minha família mas agora só quero distância.
To tentando aceitar que a injustiça faz parte da vida, mas é difícil..

MadGrrrl disse...

L. sinto muito mesmo por você, mas calma que falta pouco! Eu não tive uma família machista mas eu também fui muito solitária, sem amigos. Se eu fosse você já tinha me mandado dai faz tempo, mas agora que você já está com 17, se eu posso te dar um conselho, saia de casa, não tem que pedir permissão nem nada, passa na sua faculdade, arruma um trabalho, faz as malas e vai embora, no seu lugar nem adeus eu dava, carinho vale mais que sangue, amor que faz uma família e pelo visto eles estão te devendo muito isso. Fique forte!

Anônimo disse...

Lola, estou visitando seu blog pela primeira vez, embora já tenha lido muito sobre as questões feministas. Já a conhecia do vídeo maravilhoso sobre os limites do humor do qual participou. Já a admirava, porém agora estou encantada com esse espaço e com sua iniciativa. Talvez você não dimensione adequadamente e não enxergue com clareza o que significa para L. e para outras centenas de mulheres poderem ao menos ter voz. Eu enxergo - significa uma imensidão!
L., o que mais chamou minha atenção foi sua escolha. Em meio a sua situação limite, apegou-se ao estudo para se libertar. Muito bem! Para mim, acima de tudo, a função do conhecimento é exatamente essa, libertadora. Tem o poder de transformar e permitir que você se torne um ser com capacidade de escolha - o que, infelizmente, hoje sua família cerceia.
Continuarei acompanhando o blog e me emocionando com as histórias. Parabéns!

Vitória

Anônimo disse...

L., sei bem o que você passou em seus 17 anos de vida. Eu mesmo já passei por isso e por um motivo semelhante. São coisas que marcam, que deixam o coração ferido e sem esperanças.

E na boa? Terminar esse namoro de dois anos e meio foi a melhor coisa que você fez até agora. Você tem muitas outras qualidades além da beleza física. A força que você desenvolveu, o senso de justiça e a compaixão são alguns exemplos que podem ser citados (caso sejam reais). E eu acredito que você já saiba.

E eu sugiro que na próxima agressão você procure a polícia, de preferência uma delegacia da mulher. Existe a Lei Maria da Penha ao seu lado, além do Estatuto do Menor e do Adolescente.

Marina Castelli disse...

Querida L.
Sua experiencia de vida é um exemplo!
Seria mais fácil você aceitar e seguir uma vida machista, como a maioria faz, mas não, você tem consciência, isso é o mais importante

Você comentou que vai bem na escola, (meus parabéns! e boa sorte com a faculdade) você já tentou escrever? talvez como a Lola, ou poesias, por que você tem bagagem, apoiando e divulgando o feminismo

Mais, não acredite, em nenhum momento, que você não é linda! Não se enquadrar em padrões não diminui em nada sua beleza, é apenas uma questão de auto estima e conhecer alguém que te valorize como um todo, e não como um objeto

Segue com toda a força e saiba, pelos vários comentários aqui, que tem muita gente te apoiando, mesmo que sem te conhecer!

Boa sorte!

Caleidoscopica disse...

Me identifiquei bastante com a historia, meus irmaos sao um exemplo na minha casa, minha irma é otima em funçoes domesticas, casou virgem e meu irmao é inteligente e macho.. um exemplo... eu sou considerada meio vagabunda rs.. nao me adequo a funçoes domesticas e nao faço questao de executa-las por opçao, decidi a perda da minh virgindade e vivo expondo minha opiniao, feminista rsrs sou julgada como metida, soberba, abusada, encostada rs é assim mesmo.. e passei a adolescencia inteira ouvindo como nao seria aceita como sou por ninguem... é dificl ficar aguentando essas pressoes...essas opinioes.. e pessoas que naot entam nem por um segundo te entender e apenas querem enfiar suas "razoes" goela abaixo... Enfim.. sempre acompanhando o blog e me sentindo completamente bem vinda, a vontade e encorajada a ser quem sou!! Beijoss

Michele disse...

L., me identifiquei com o fato da mãe machista, graças a Deus, só tenho irmãs, minha mãe vive falando que queria um menino e tudo, meu pai sempre diz que a casa sempre deve estar limpa, já que tirando ele, só tem mulheres aqui. Outro dia, ele falou isso e eu respondi, um tempo atrás ele me bateria, mas ele parou de me bater agora que eu cresci.

Tenho 18 anos e sei o que você passa, todo mundo tá falando pra você sair de casa como se fosse fácil, olha se você não tem parentes pra te acolherem por um tempo fica difícil, pq um aluguel de uma residência custa caro, eu mesma já pensei em sair de casa, mas agora não posso.

Quanto aos amigos, sou isolada da faculdade e me isolei dos meus antigos amigos de escola, então entendo sua angústia de querer falar com alguém e não ter ninguém do seu lado. Só tenho meus amigos que conheço virtualmente.

Te desejo forças e acredite que tudo vai dar certo!! O presente não é eterno! Você só tem que pensar em você e no seu futuro.

Obs: Se quiser conversar, me adc no skype ~> micheletsgo e não precisa ter vergonha! (:

Anônimo disse...

Cara autora do post:
Bem, eu passei por situações muito parecidas com a sua e me identifiquei com a sua história e te garanto uma coisa: isso passa. Ok ok, talvez eu esteja sendo simplista demais, pois é fácil falar tratando-se de alguém que está de fora da situação...mas...vou te contar um pouco de como foi comigo, talvez vc se sinta mais encorajada para seguir firme.
Eu sofri mt na adolescencia, por uma série de coisas: machismo, bullyng, minha mãe não me deixava sair de casa direito e mais um monte de coisas. Choreeei pra caraaamba, pensei em me matar, em fugir de casa, ixi...foi tenso. O ápice mesmo foi há uns 3 anos atrás, quando eu terminei um namoro e passei no mestrado, tudo na mesma época. Daí, com a convivência com pessoas mais independentes e livres, quis também participar das saídas dessa galera. Como eu era bolsista, dinheiro não era impedimento (para o pesadelo dos meus pais), então, cada noite eu chegava mais tarde. Minha mãe chegou a ponto de me dizer que eu estava parecendo uma prostituta, pois é prostituta que chega depois de meia noite em casa :-S.
Hoje sou mestre e concursada, ganho bem e sou independente. Moro sozinha e inclusive em outro Estado. Minha relação melhorou 10000000% com meus pais. Eu não deixo eles me dominarem mais e talvez seja por isso que hoje eles me admirem....e... o mais importante: eu sou livre =).