terça-feira, 30 de outubro de 2012

GUEST POST: MULHERES, QUADRINHOS E MACHISMO

Leitora folheia gibis na GibiCon 2012, em Curitiba

O guest post criticando os cartazes da GibiCon gerou polêmica. Ontem a cartunista Pryscila Vieira, autora da personagem usada em um dos posters, exerceu seu direito de resposta (e a caixa de comentários virou um oásis de paz e amor. Fiquei comovida, serião).
Antes disso, uma leitora, Ana Luiza, deixou um excelente comentário no guest post. Sem saber quem ela era, pedi para que ampliasse o texto. Agora sei quem é: Ana Luiza Koehler, desenhista de quadrinhos para o mercado franco-belga e ilustradora científica. Ela é de Porto Alegre, tem 35 anos, e mantem este lindo site. Fiquem com o relato de uma pessoa da área e que participou, como convidada (assim como Pryscila), da GibiCon.

Volto há pouco de minha participação como autora de quadrinhos na GIBICON 2012, para a qual tive a honra de ser convidada, juntamente com outras tantas autoras. Evento, aliás, que me permitiu a oportunidade e total liberdade de expressar meus pontos de vista sobre a complicada relação das mulheres com as histórias em quadrinhos.
Tenho de dizer que não posso voltar de lá com outro sentimento que não o de grande esperança de mudança e felicidade pelo que vivenciei: tive meu trabalho exposto ao lado de outros autores excelentes, pude gravar um podcast a respeito do tema “Mulheres nos Quadrinhos”, vi tantas outras autoras participando do evento como convidadas e como visitantes (Lu Cafaggi, Cristina Eiko, Isabel Kreitz, Pryscilla Vieira, Sônia Luyten, Cris Peter, Bianca Pinheiro...) e ainda as leitoras e fãs que compareceram a praticamente todos os momentos em que estive lá. Assim sendo, não tenho como não sair muito agradavelmente impressionada pela crescente participação feminina nesse universo. Devo também lembrar que um painel sobre a atuação das mulheres nos quadrinhos lotou completamente (a ponto de nem eu mesma conseguir entrar!) o auditório montado na Serraria na edição de 2011 do FIQ-BH (Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte).
Sobretudo, participei de um debate entitulado “Mulheres nos Quadrinhos”, juntamente com a cartunista Pryscila Vieira, criadora da personagem Amely, que ilustra um dos cartazes do guest post das Feministas Independentes de Curitiba. Nossa conversa foi mediada por uma pioneira na pesquisa acadêmica sobre quadrinhos, a profa. Dra. Sônia Maria Bibe Luyten, a quem muito devemos não só pelas publicações, pela profundidade do olhar crítico que joga sobre os quadrinhos, mas também pelo seu esforço de fazê-los respeitados como um meio de expressão de grande importância. A sala do SESC Paço da Liberdade que nos foi reservada estava praticamente lotada -– pasmem -– de um público em sua maioria masculino. Tivemos uma intensa conversa de duas horas em que pude perceber um grande interesse de todos os participantes em aprofundar o olhar tanto no papel da mulher como autora de quadrinhos como no modo como a mulher é representada nesta mídia.
Mulheres, mulheres... Em quase toda a entrevista que pude conceder até aqui, perguntas como “Como é ser uma mulher que faz quadrinhos?” ou “As mulheres fazem quadrinhos de forma diferente dos homens?” inevitavelmente figuravam na pauta. É da natureza do ser humano buscar expressar-se (cantar, dançar, pintar, jogar, pesquisar etc), independente do seu sexo. Pessoas são pessoas, independentemente de seu gênero ou orientação sexual, religião etc, e também vão querer cantar, pintar, dançar, escrever peças de teatro, fazer quadrinhos ou experimentos com aceleradores de partículas. A diferença está no que é culturamente oferecido e “permitido” a cada grupo fazer, pois nenhuma forma de entretenimento ou expressão cultural (RPG, cinema, games, quadrinhos, balé, futebol) é em si domínio exclusivo de determinado gênero ou grupo social.
Então por que esse tipo de pergunta nas entrevistas? Por que ainda somos minoria nesse universo? As obras que nos chegam aqui no Brasil (e aqui gostaria de excetuar o mangá, com sua vasta produção voltada para o público feminino, embora isso possa ser assunto para outro post) e nos são dadas a consumir são, em sua maioria, voltadas para dialogar com a fantasia masculina. Os quadrinhos, aliás, fazem parte de uma indústria de produtos de entretenimento (incluo literatura, cinema, jogos, música) feitos eminentemente por homens (heterossexuais e brancos) para homens (heterossexuais e brancos). E estamos, todos e todas nós, inundados de mensagens passadas por essa cultura.
Os quadrinhos buscam sim, majoritariamente, atingir a sensibilidade masculina, criando para ela uma fantasia de poder, aventura, conquista e romance que ao mesmo tempo reflete e alimenta aquilo que se espera dos homens na nossa sociedade: seres invencíveis e emocionalmente contidos, que devem buscar, a todo custo, relacionar-se com “o outro” (mulheres, negros, homossexuais, estrangeiros etc) através da dominação, da sujeição, e dificilmente de modo igual, lançando um olhar que busca antes de tudo desqualificar ou diferenciar “o outro” ao invés de vê-lo como um ser humano completo.
Isso se reflete nas representações que se vê nas obras de HQ mainstream que consumimos aqui: pode-se dizer que, à exceção dos personagens homens (heterossexuais e brancos), todos os outros grupos têm sua humanidade precedida pela característica “excepcional” que carregam: gênero, cor de pele, nacionalidade, religião etc. Enquanto aqueles são representados com uma gama muito mais vasta de tipos de personagens (velhos, jovens, bonitos, feios), a representação de outros grupos atem-se a clichês que pouco mudaram nos últimos séculos (a mulher “gostosa”, o negro “selvagem”, o asiático “lutador de kung-fu”, o muçulmano “terrorista”, o sul-americano “atrasado”...). 
Essa limitação tende a criar uma grande dificuldade de identificação destes outros grupos com os quadrinhos, e com as mulheres não é exceção: quando menininhas elas ainda têm o produto cultural que atende às suas expectativas, mais ou menos, na HQ infantil. Porém, depois que se tornam adolescentes ou adultas, desinteressam-se pois percebem que aquele produto cultural recomendado à idade delas (nem falo em gênero) simplesmente vira-lhes as costas, não mais buscando criar uma identificação tão forte quanto a que busca com o público masculino. É quase como estar conversando num grupo de pessoas e, de repente, todas as outras começam a falar numa língua estrangeira que você não entende. É inevitável ficar com o sentimento de que aquilo que você tem a dizer, a sua visão de mundo, não é mais tão importante assim para ser considerada. 
Acredito muito que representações fragmentadas, ou seja, que dão visibilidade e valorizam um grupo apenas por alguns poucos aspectos (no caso das mulheres, a juventude e a beleza, já que agradam aos homens) contribuem, finalmente, para a sua desumanização. Criam um clima social em que violências e tratamentos injustos ou desrespeitosos são normalizados, quiçá “justificados”, levando à lamentável mentalidade de que, exceto o homem (heterossexual e branco), todos os outros grupos têm de “se dar o respeito”, pois por si mesmos não o merecem. O trabalho das norte-americanas Jean Kilbourne (“Killing us softly”) e Naomi Wolf (O Mito da Beleza) aprofundam esse ponto, e há muito material disponível online para quem quiser se informar mais.
Desta maneira, muitas autoras de quadrinhos em potencial acabam abandonando esse meio de expressão. Outras, porém, persistem. Mas será que produzem obras necessariamente diferentes só pelo fato de serem mulheres? Eu acredito que não. Como ávida leitora de quadrinhos até meus 20 anos, o que me caía nas mãos era, em sua maioria, gibis de super-heróis voltados para o público masculino. Consumi muito desta linguagem que sim, objetifica e dá uma representação extremamente limitada das mulheres, e passei a repeti-la, inconscientemente, no que eu desenhava, ainda que fosse contrária às convicções que sempre tive a respeito. De certa forma, porém, sempre via algo de desconfortável nesse modo de mostrar as mulheres (que não é exclusividade dos quadrinhos, deixe-se bem claro!), e ao longo dos últimos anos, procurando me informar e ler a respeito, discutir com outras autoras e autores, é que comecei a lançar um olhar bem mais consciente àquilo que consumia e produzia, decidindo que não precisava reproduzir cegamente fórmulas a que eu era exposta.
Decidi combater e acabar com as representações erotizadas e feitas para o olhar masculino que se vê, também, nos cartazes da GIBICON (muitos dos quais alusivos à exposição "Tesouros da Grafipar", resgatando os quadrinhos eróticos produzidos pela editora nos anos 80)? Não, mas passei a vê-las pelo que realmente são: imagens feitas para atrair os homens, e que, por valorizarem e representarem apenas uma ínfima parcela da população feminina, clamam por alternativas: podemos contar histórias de outras mulheres, justificar sua presença nas histórias não apenas pela sua beleza (já ouvi textualmente de editores que “temos de ter uma personagem bonitona neste quadrinho para vender mais” ou que “uma página original com mais desenhos de nudez feminina é mais valorizada”), mas pelas suas motivações, pelos seus defeitos, pelas suas aspirações mais profundas, enfim, apresentá-las finalmente como seres humanos em sua totalidade, e não como pedaços de coxas, seios, lábios inflados ou nádegas. E tanto autoras quanto autores podem trabalhar nisso.
Exatamente, pois, ao contrário do que muitos pensam, e de acordo como as obras são divulgadas para direcionarem-se a um determinado nicho de mercado, há o mito de que mulheres só são capazes de fazer quadrinhos (ou romances, ou filmes, ou música) para outras mulheres. Será que só conseguem produzir HQ “feminina”? Alguém, afinal, pode definir o que é HQ “feminina”? Não creio em nada disso. Penso que o gênero de um autor não necessariamente determina com que público sua obra irá dialogar. Cabe a ele ou a ela optar por fazer o esforço de sair de sua “zona de conforto”, falando sempre dos mesmos tipos de personagens, das mesmas histórias, e buscar conhecer “o outro” para dar-lhe uma representação mais completa, mais real e mais capaz de criar uma identificação profunda em sua obra.  Isso não deixa de ser um ato de amor, que busca dar visibilidade, incluir outras pessoas no processo de apreciação e expressão cultural, valorizando também as suas diferentes visões e percepções de mundo e apresentando-as como seres humanos iguais, não apenas gêneros, cores de pele, religiões ou classes sociais carregados de clichês.
Penso que talvez seja isso que assuste muitos dos que reagem com virulência à participação das mulheres nos quadrinhos e na mídia. É sempre difícil ter sua visão de mundo desafiada por outras visões, seus conceitos colocados em xeque, pois que -- surpresa! -- há outras interpretações que podem ser feitas. Mas isso tudo, ao contrário de nos limitar, geralmente nos ajuda a derrubar barreiras, a expandir nossos horizontes e a (con)viver melhor.

68 comentários:

Bárbara Bastos disse...

Acho que finalmente estou entendendo porque parei de ler gibi quando entrei na adolescência. Na infância eu era viciada em Tio Patinhas e cia., mas quando tive contato com quadrinhos para outras faixas etárias não tive o mínimo interesse, agora me parece que quem fez tb não tinha interesse em mim como público-alvo...

Vanessa disse...

Isso tudo me remete a uma lembrança, aos gibis da Mônica, que eu devorava quando criança, minha ídola, aquela menininha forte as vezes doce, me ensinou que mesmo eu sendo mulher poderia sim comandar e ter muita força pra enfrentar tudo e todos.

Anônimo disse...

Quebrar estereótipos e clichês é a melhor forma de se criar coisas novas e originais.
Parabéns pelo trabalho!

Anônimo disse...

Descobri o teu blog por acaso mesmo, no google buscando posts sobre cinema, e adorei tudo até agora,comecei a ler posts antigos sobre machismo e fui longe...Está adicionado já entre meus favoritos!Que texto fluido guria...

Elias Ricardo-Professor de História,Nerd e roqueiro casado com a dona Lilian,igualmente nerd e professora(viu machões solitários como nerds casam?Não resisti!!)e olha que ela é linda hein!!!

São Luís-MA

Binha disse...

Quadrinhos não são minha predileção em termos de arte, linguagem... embora eu lembre que quando criança gostava bastante. Mas, adorei o que foi exposto aqui neste guest post. Independentemente da mídia, temos sempre que tentar ter um olhar atento e crítico com a forma como a mulher é representada. Ontem vi o documentário "Miss Representation" e tem tudo a ver com o post de hoje.

Anônimo disse...

Eu lembro que, quando mais nova, também tinha uma fixação imensa pelos quadrinhos da turma da mônica. Na época que eu não sabia ler, minha mãe lia para mim. Depois ela e meu pai começaram a me dar mangás [que como a autora disse, se importam bastante com o seu público alvo].

Começou com Sakura Card Captors, Guerreiras Mágicas de Rayearth, InuYasha e atualmente eu tenho uma coleção com mais de 700 unidades. Yay <3

~Ana

Camila Fernandes disse...

Eu estou agora com Hellblazer, a única HQ que eu realmente li (apesar de ter lido mangás). Uma pena que a publicação aqui no Brasil esteja tão atrasada. Acompanhei uma boa parte em inglês e agora comecei de novo com aqueles números encadernados da Panini, e outras edições já publicados aqui. Não sou nenhuma grande fã de quadrinhos, mas Hellblazer é INCRÍVEL. Embora o personagem principal seja um homem branco, isso não tem o mesmo peso que na maior parte das publicações. John Constantine não é exatamente heterossexual ("girlfriends and the occasional boyfriend", como ele mesmo disse) e Hellblazer retrata personagens que estão fora da heteronormatividade, como o Ray Monde, só para citar um. Há personagens femininas fortes e interessantes que, embora sexualizadas, não vejo como objetificadas. Agora, só não sei se tenho uma visão tão positiva da revista porque gosto dela, mesmo.

James Figueiredo disse...

Bacana o post, mas discordo frtemente da autora nesse ponto:
"Os quadrinhos buscam sim, majoritariamente, atingir a sensibilidade masculina, criando para ela uma fantasia de poder, aventura, conquista e romance que ao mesmo tempo reflete e alimenta aquilo que se espera dos homens na nossa sociedade"

Os quadrinhos não são um gênero, são um meio. Assim como o cinema, ou a literatura ou a música. Eles não são intrinsecamente machistas, apenas a indústria mainstrem de quadrinhos é que é. Eles não são naturalmente voltados a um público masculino, mais do que o cinema é.

Dizer que o cinema é machista por que a indústria hollywoodiana de cinema é machista é um equívoco. O quadrinho é o que o autor quiser que seja.

Como no próprio caso do mangá, onde a extrema segmentação mostra que o meio pode atingir qualuer público.

Mila disse...

Concordo inteiramente! Gostava de ler gibis e HQ's de super heróis quando pequena e parei na minha adolescência pq sempre esperava atitudes mais determinantes pra história das personagens femininas. Comecei a ler mangás, inclusive os "shounen", voltados para meninos. Também me cansei dos Shoujo (sou editora de um na scan onde trabalho) e não vejo mais graça (as personagens femininas são muito ingênuas, românticas, etc).
Mais ou menos há dois anos, comecei meu próprio mangá com personagens femininas como protagonistas, e tentando fugir, ao máximo dos arquétipos femininos (a personagem principal possui uma força acima do comum, é uma "justiceira", foi criada apenas pela mãe). Há ainda algumas ideias senso comum, mas os quadrinhos não são direcionados para meninas ou para meninos (meus amigos são os leitores e até agora ninguém disse que a história é voltado para algum público). O que uma pessoa disse no post anterior e concordo inteiramente é que nós também precisamos produzir e consumir por nós mesmas.

Suzana disse...

Ótimo post.
Curioso que, diferentemente do que tem sido relatado aqui nos comentários, a minha grande paixão por quadrinhos surgiu na adolescência. Mas eram mangás, e na maioria shoujo mesmo (histórias mais voltadas pro público feminino), embora ainda assim os meus prediletos, com excessão de um, não o fossem (como Inu-Yasha, Chobits e Love Hina).

Mirella disse...

Guerreiras <3 Mágicas <3 de Rayearth



Quando era criança, amava o desenho ehehe.



Amei o post. Achei o texto belíssimo. Explicita bem a representação de homem branco hetero versus quem não é. Quem não é fica sempre relegado à sua "característica mais relevante", enquanto as personagens do homem possui as mais diversas nuances... tipo uma pessoa. É sempre ótimo saber que existem pessoas que se esforçam para mudar este panorama.

Anônimo disse...

Sobre o cartaz do evento em Curitiba:
Quem é fora,ou seja,não sabe nada do mundo dos quadrinhos pode muito bem interpretar mal a imagem achando que é uma agressão gratuita contra mulheres.

Mihaelo disse...

È exatamente isto, os quadrinhos do "maistream" são tão ruins e bitolados, que a partir da adolescência torna-se impossível lê-los tanto para mulheres quanto para homens. Mas falando em bitolados o que acham desta campanha de um restaurante de culinária japonesa de Londres que utiliza mulheres nuas apenas cobertas com peixes.
www.vistase.com.br/redesocial/campanha-de-pessimo-gosto-consegue-unir-especismo-e-sexismo-na-inglaterra

Anônimo disse...

Melhor guest post do ano!!! Quero comprar todas as suas HQs!!!! :))))))))

Pryscila disse...

Ana, eu já disse que você é incrível?! Já disse que sou tua fã?! OOOOOowwwwww!!!
Mais uma vez te parabenizo pela lucidez e polidez na verbalização de teus irreparáveis pensamentos.
Adoro-te muito!
Pry!

Geíza Bolognani disse...

Quando criança li os óbvios: Turma da Mônica, Luluzinha, Mafalda (preferida) e toda Disney. Tenho uma relação complexa com o Snoopy, tem hora que gosto, tem hora que pego gastura. Depois me apaixonei pela Marvel (sim, "meninas" também podem se divertir com aquilo) e Asterix (guardei muitos para minha filha... antes mesmo de pensar em casar e procriar)Passei toda faculdade lendo (dependência química de celulose, rs) o senhor dos sonhos: Sandman e Valentina. Acho que apesar de tudo nunca me senti "abandonada" pelos quadrinhos, sendo ou não parte do seu consumidor alvo. Talvez, eu que não tenha desistido, por apreciar esse tipo de arte, só não me liguei muito nos Mangás (minha filha maior que adora esse gênero, a menor ainda está na primeira fase, Mônica e cia + Witches).
Realmente, Lola... nunca vi tanta paz&amor no seu setor de comentários. Talvez os quadrinhos façam bem de algum modo, rs.

Ludmila Nascy disse...

Me dá um nó na cabeça quando se fala em "não há produtos para o público feminino" ao mesmo tempo que o que é de menino e o que é de menina é construído socialmente, inclusive por várias segmentações de produto pra menino e menina. Além de que, o produto segmentado para uma idéia de feminino ser visto com desprezo. Isso pra mim é uma contradição que não se resolve em minha mente. Parece pressupôr uma essência verdadeira de feminino na fala que deve ser buscada, e eu não faço idéia de qual seja ela. De modo que me pergunto: qual é realmente todo o problema?

Eva disse...

Amei o guest post! Tenho acompanhado o desenrolar da discussão aqui. Gostei da Pryscila dos comentários (não a do direito de resposta agressivo), e bem, eu sou uma ávida leitora de quadrinhos, apaixonada pelos Lanterna Verdes. Acho que sempre acabei me identificando mais com os personagens masculinos, justamente porque eu não via nos quadrinhos nada que me refletisse, então acabei me apegando a alguns heróis masculinos, independente de serem homens.

Gosto de mangá também, e estou pensando em voltar a acompanhar de perto o mundo dos quadrinhos, tanto quanto acompanho o mundo do RPG, e ver se o negócio ainda tá tão complicado pra mulheres quanto era muitos anos atrás. Espero que não, mas vamos lá, né? Eu já não sou mais tão frágil por dentro.

Huan Icaro Piran disse...

@~Ana

As obras da Clamp são show de bola!

@Camila Fernandes

Hellblazer é bacana por ter tido vários autores que realmente cagam encima dos preconceitos habituais da sociedade como Alam Moore, Neil Gaiman e Garl Enins. Até onde sei não houve uma autora, o que me deixa um pouco triste, mas levando em conta que muitas das frustrações do Consta são bem tradicionais do universo psicoemocional masculino quase compreendo isso.
Ainda assim, é minha obra de quadrinhos preferida, li tudo na net por falta de acesso mas venho comprando tudo o que consigo localizar dele ultimamente.

Anônimo disse...

"Melhor guest post do ano!!! Quero comprar todas as suas HQs!!!! :))))))))"

[2]

darkgabi disse...

linda discursao sobre o tema. parabéns! e dae vc compara essa resposta à de ontem e percebe a diferenca na maturidade de pensamento e de visao. espero q a autora do outro texto volte aqui e leia e se pergunte se ela tem feito algo para mudar isso como realmente imagina. pq tb nao há nada de mal em fazer mais do mesmo e brincar com clichês, mas dae a querer colocar ideologia por trás.. sei nao.

CCX disse...

Parabéns pelo excelente post. Muito bem redigido, argumentação clara. Estou encantada. E agradeço por me fazer compreender o porque do meu desinteresse na adolescência pelos quadrinhos, após uma infância recheada deles.

CCX disse...

Gostaria de receber indicações sobre quadrinhos adultos interessantes para nós mulheres, inclusive eróticos. Obrigada!

Huan Icaro Piran disse...

"Os quadrinhos não são um gênero, são um meio. Assim como o cinema, ou a literatura ou a música. Eles não são intrinsecamente machistas, apenas a indústria mainstrem de quadrinhos é que é. Eles não são naturalmente voltados a um público masculino, mais do que o cinema é."

Concordo com este ponto, porem com a ressalva de compreender que a autora falava justamente do maisntrem.
Mas realmente, muitas obras fora do maistrem e algumas dentro dele não se enquadram, como o caso já citado de Hellblazer que é do selo DC/Vertigo.
O Consta até mesmo tirou sarro na cara da Liga da Justiça em um dos quadrinhos de Sandman (outra obra da DC/Vertigo) e atualmente faz parte da Liga da Justiça Sombria (especialistas em ameaças magicas).

Outra obra também maintream da DC/Vertigo que alias foi traduzida para pt/br é "Y the last man" que é genial quanto ao combate dos esteriótipos de gênero, onde o personagem principal é meramente um jovem, branco, hétero, de classe média alta e seu macaco de estimação que treinava para se tornar um ilusionista profissional. Juntos são os últimos dois portadores do cromossomo Y vivos na terra após todos os demais simplesmente agonizarem até a morte em instantes por aparentemente motivo algum.
A obra mostra como um jovem cheio de machismos se torna um individuo moralmente correto, com uma história de quase heroica porem tragica.

Sirlanney Nogueira disse...

Muito bom o texto, eu concordo de cabo a rabo! Acredito também que pornografia agrada aos dois sexo, afinal, a mulher não é um ser assexuado como muitos gostariam de acreditar, por respeito a suas mamães.

(Claro que o corpo nu estereotipado, da gostosa predominante, não é sobre o que eu estou falando.)

Portanto, leiam bons quadrinhos, meninas! Tem muitas e muitas histórias sensíveis e maravilhosas como as da Marjane Satrapi. Na web tem a Gabrielle Bell (divino! http://gabriellebell.com/), da Kate Beaton (http://www.harkavagrant.com/)... Enfim, muito quadrinho bom para o público adulto, e não só feito por mulheres, Daniel Clowes (wilson, ghost world) e Ludovic Debeurme(Lucille) são dois exemplos de homens sensíveis e não excludentes, que lembro agora.

Eu também estou tentando ser mulher e fazer (bons!) quadrinhos => http://www.sirlanney.com/ Obrigada por olharem!

Valeu!

Luana disse...

Ah,só pra esclarecer, pq tenho plena consciência de que me expresso um pouco mal: eu não quis dizer que os artistas não têm responsabilidade sobre aquilo que criam. Quis dizer que eles não podem ser estigmatizados pela interpretação equivocada que fazem de sua obra, ainda mais quando a intenção passa longe de querer criar polêmica. Não estou comparando com um Rafinha Bastos da vida que fala bosta e fica putinho quando alguém "ousa" questioná-lo, afinal é com intenção de gerar repercussão que ele tem determinadas atitudes. Já a Priscyla pelo visto tem um trampo muito honesto, ela quer se expressar e gerar reflexão, não simplesmente causar pra ter visibilidade e ganhar dinheiro.

Rodrigo Emanoel Fernandes disse...

Aproveitando a lembrança da Camila vou comentar uma coisinha interessante sobre Hellblazer e os quadrinhos em geral:

Pra quem não está acostumado com o esquema editoral das grandes editoras americanas, a grande maioria dos títulos e personagens pertencem a editora, não aos autores. Assim, uma mesma revista pode ter inúmeros autores no decorrer de sua existência, cada um com suas próprias visões + obrigações impostas pela empresa.

Hellblazer é uma revista publicada nesse esquema. Isso dá margem pra umas coisas aparentemente bizarras pra quem não está acostumado. Tipo, essas características do personagem John Constantine que a Camila citou (não ser exatamente hétero, ter amigos gays com papel de destaque, personagens femininas fortes, etc) são verdadeiras nas histórias da fase inicial da revista, escrita pelo Jamie Delano, e também na fase escrita pelo Brian Azzarello, por exemplo. Em outras fases, você pode acabar tomando um susto de ver o mesmo personagem na cama com uma garota, voltando-se para o leitor e dizendo em tom de cumplicidade: "Tô comendo uma lésbica, será que ganho um prêmio?"

Por que achei importante destacar isso? Pra demonstrar que é necessário tomar cuidado com rótulos. Alguém que folheasse Hellblazer pela primeira vez justamente nessa edição da piadinha escrota, poderia chegar a conclusão que toda a série e o personagem em si é digno de repulsa, e nunca descobriria a fase que a Camila leu e se apaixonou (com razão). Pior ainda: a pessoa poderia chegar a conclusão de que os quadrinhos em si são escrotos, apenas com esse único exemplo.

E o mais curioso ainda: o mesmo autor da piada lésbica escrota, o irlandês Garth Ennis, também é o criador de uma das personagens femininas mais fortes, tridimensionais e queridas de toda a série: Kit Ryan, a única mulher a conseguir, de certa forma, vencer Constantine nos seus próprios termos.

(Em tempo: muitos fãs homens rejeitam veementemente a ideia de que Constantine seja bissexual. E eles estão mais ou menos certos, porque dependendo do autor, Constantine é 100% hétero)

Ou seja, gente: se dentro de uma mesma série, com um mesmo personagem, a coisa já tem tantas nuances, imagigem os quadrinhos como linguagem em si. O que estou querendo dizer não é "vamos parar de identificar o machismo e sexismo nos quadrinhos", o que estou dizendo é: vamos ficar atentos pra responsabilziar de maneira justa o machismo e sexismo, e isso as vezes só é possível parando pra respirar, olhando de perto e se informando.

Acreditem: um autor libertário como Jamie Delano não mereceria ser responsabilizado pela piada lésbica que o Garth Ennis fez num dia de escrotice ;)

Clara B disse...

Eu queria muito um post nesse blog sobre o mangá feminino! Como a autora do post disse, o mangá tem uma vasta produção exclusiva para o gênero feminino e existem muitos estudos a respeito

Gabriele Albuquerque Silva disse...

Texto incrível, parabéns!
Sobre minha experiência com quadrinhos, hoje entendo pq os mangás sempre me cativaram muito mais. O mercado de mangás tem muito mais diversidade, com muito material produzido por mulheres, e todo o tipo de história e narrativa que se puder imaginar. Já os quadrinhos ocidentais, em geral, nunca me atrairam muito.

Clara B disse...

Eu queria muito, muito que alguém escrevesse um guest post sobre mangá feminino pro blog da Lola! Existe uma produção vasta de mangá exclusivamente feita para o público feminino e essa produção é de qualidade altíssima, infelizmente muita gente se nega a ter contato com arte oriental e por isso não demonstra interesse; Mas o mangá feminino está a nível da mais rica literatura.

Gabriela disse...

Lola olha o absurdo

“Casos de Família”, do SBT, trata pedofilia com naturalidade

http://br.tv.yahoo.com/blogs/notas-tv/casos-fam%C3%ADlia-sbt-trata-pedofilia-com-naturalidade-115818645.html


Sério isso é nojento.Eu não pude deixar de por essa matéria aqui.Eu não posso acreditar numa coisa dessas.

aiaiai disse...

clap, clap, clap!

Jéssica disse...

Não sei se seria classificado como quadrinhos, já que são histórias curtas, mas o site http://oglaf.com/ tem tirinhas muito boas, eróticas e cômicas, com grande diversidade de personagens e sexualidades.

Anônimo disse...

Off topic interessante pra lembrar o perigo que os EUA estão correndo:


http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/thomas-friedman/2012/10/30/proibir-o-aborto-esta-longe-de-ser-uma-medida-pro-vida.htm

Anônimo disse...

Que post phoda e lindo! ♥
Fiquei com vontade de reler Furuba, agora... huashuashua

Sofia

Luiz Prata disse...

Parabéns à Ana pelo excelente post.

Dos quadrinhos interessantes que tenho lido, destaco Fun Home, da Alison Bechdel, e os escritos por Neil Gaiman.

Quanto aos mangás, acho o seguinte: embora shoujo e shounen sejam, em tese, direcionados a públicos distintos, separados por gênero, nada impede que ambos sejam lidos por pessoas de ambos os sexos, sem que haja uma barreira do tipo "você não pode ler isso".
Qualquer pessoa, de qualquer sexo e orientação sexual pode ler e gostar de shoujo, bem como de shounen.

E nada impede, também, que haja mangás acima/além de qualquer classificação/segmentação.

Elvis disse...

Adorei o post, parabéns!

Anônimo disse...

Eu assino embaixo do que o Luís Prata disse.

Aqui em casa eu tenho mangás Shonen e Shoujo. Compro aquele que me parece ter uma história interessante.

Meu pai e meu irmão gostam dos meus shoujos e leem eles sem problemas, assim como eu tbm pego para ler os Narutos da vida do meu irmão. Faz um tempo já (uns 2 anos) que eu vi que, no Japão, os meninos leem mais Shoujo e as meninas gostam mais de Shonen.

~Ana

Cora disse...

Ana Luiza, texto incrível, muito lúcido, parabéns.

Aliás, fantástico como esse debate evoluiu.

Tive pouquíssimo contato com hqs depois da infância e não posso dizer que conheça mangá (folhei alguns, sei que existem, mas seria falso dizer que “conheço” algo desse universo – fiquei curiosa, vou procurar).

Mas, ao que parece, as possibilidades de ampliação e aprofundamento da representação feminina nas hqs são muitas e já estão em ação. Dá uma sensação gostosa de que o mundo (pelo menos parte dele) pode ser menos desigual. São tantos acontecimentos desalentadores, que às vezes não percebemos as pequenas mudanças positivas.

Anônimo disse...

Lola,eu me interesso mutioo nessa parte de machismo nos quadrinhos(embora foque muito mais em mangás).Sou nerd e nunca fui machista,inclusive fui indicado ao seu blog por uma feminista que comenta aqui de vez enquando...Enfim sem delongas gostaria de perguntar...Posso te mandar um e-mail sobre esse tema,mas mais ligado aos mangás...Pois em específico uma das coisas que me atrai em uma história é não ser machista nem racista(embora eu tenha uma tendência a cair pro lado de amar violência e drama e detestar comédia).No email,quero falar sobre alguns amngás ue vejo amchismo muito explícito(sim vou citar omes) e outros que não sei dizer...e tme um em específico que é feminista,embora seja de violência(só leio violência,desculpe),sei que e´abuso,mas quero poder enviar uma opnião para voce,uma das pessoas que mais adimiro,iria postar só como comentário,mas ficaria muito grande...pro favor mje responda e me perdoe pelo abuso...ass arthur


Ps sópsoto de anonimo pois não sie por nick...

Anônimo disse...

MILA, você já publicou algum capitulo? Se sim, tem como me passar o link, por favor? Adorei o enredo do teu manga. *-*'

Dona do Sexo -Bonobo rules,Jaçanã forever disse...

O povo quer o novo.

Muito bom o texto.

Anônimo disse...

ja viu que ridiculo? http://www.administradores.com.br/informe-se/marketing/agencia-causa-polemica-com-mensagem-em-homenagem-ao-dia-do-ginecologista/65306/

Anônimo disse...

Sirlanney , adorei sua página e amei seus desenhos!Parabéns!!!
Mariane

Ana Luiza Koehler disse...

Pessoal, fico imensamente feliz não só pelo grande carinho de vocês, mas por que acho que me fiz entender sem derrapadas. Não estou acostumada a escrever com frequência, então achei que poderia me expressar mal aqui e ali. Mas acima de tudo, estou honrada e lisonjeada pela recepção de vocês!

Li os comentários e vou fazer algumas observações:

De fato, não digo em nenhum momento que determinado meio de expressão cultural seja intrinsecamente machista, mas sim por demais “apropriado” por um discurso de cunho machista. Em meu post, procuro justamente defender a apropriação desses meios (HQ, cinema, literatura, etc.) por outros grupos sociais a fim de criar alternativas que incluam mais pessoas na roda.

Também li que uma das comentaristas é fã dos Lanternas e se identificava mais com os personagens masculinos dos gibis. Isso acontecia muito comigo também, e creio que seja por que os personagens masculinos parecem ser mais “interessantes”, ou seja, mais desenvolvidos a ponto de aproximarem-se de uma pessoa “real” do que os femininos.

Também acho que seria interessantíssimo ter um guest post de uma autora bem familiarizada com o mangá (infelizmente não é o meu caso). Graças a esse gênero muitas meninas e mulheres se sentem convidadas a participar como autoras e leitoras de quadrinhos, e isso é muito mais importante do que pode parecer.

Vi que estamos discutindo muito também a velha questão do “nicho” de produtos culturais que se criou para as mulheres (se até a caneta Bic precisa ser rosa...), e com o qual nunca simpatizei por julgar que passa uma imagem extremamente redutora das mulheres. Acredito que, sob toda essa problemática, está a nossa conhecia misoginia, que ainda rasteja, solta e venenosa, pelos subterrâneos de nossos imaginários. Divagando um pouco, penso que o desprezo que se tem, de forma geral, por tudo que é feminino, reflete-se nessa necessidade de demarcar bem, separar o que é um produto “masculino” de outro “feminino”, afim de se poder certificar que – Deus nos livre! – um homem nunca compre ou use um produto “de mulher” ou vice-versa. Não deve ser por acaso que alguns editores recomendam a escritoras, por exemplo, assinarem com nomes neutros (J.K. Rowling, ou estou errada?) afim de não “repelir” o consumidor masculino? Por que, sabe como é, se é escrito por uma mulher, deve ser livro “de mulherzinha”. Enfim, não sou adepta de teorias da conspiração mas a expressão “reserva de mercado” sempre acaba me vindo à mente nessas horas.

Resumindo esse comentário gigante:

O importante, na minha opinião, é ter um olhar crítico sobre o que se está produzindo e consumindo, e quais são os impactos, para nossa sociedade, de um meio de expressão que apresenta como válida apenas uma parcela muito pequena de nossa população. Vivemos num mundo inundado por imagens, e deveríamos, todos, ter uma disciplina que, em inglês, chama-se “media literacy” já nas escolas. Não é necessário banir ou demonizar as representações femininas que são sexualizadas e criadas para o olhar masculino (afinal, podemos fazer o mesmo com representações masculinas criadas para nosso olhar), apenas não podemos deixar que sejam as únicas disponíveis para alimentar o nosso imaginário.

Alguns quadrinhos que recomendo (nem todas editadas no Brasil :P):

Adormecida – Cem anos para sempre (Paula Mastroberti)

Aya de Yopougon (Clément Oubrerie, Marguerite Abouet)

O Gato do Rabino (Joann Sfar)

Mix Tape (Lu Cafaggi)

Quadrinhos A2 (Paulo Crumbim e Cristina Eiko)

Achados e Perdidos (Damasceno, Garrocho, Ito)

Sur les terres d’Hórus (Isabelle Dethan)

Amours Fragiles (Beuriot e Richelle)

Duotone, Valente (Vitor Cafaggi)

Messire Guillaume (Bonhomme e Bonneval)

Miss Pas Touche (Kérascoët e Hubert)

Eva aux mains bleues (Isabelle Dethan)

La Sirène des Pompiers (Zanzim e Hubert)

adriano moraes disse...

ok.
Um post beeem mais respeitoso e informado isso que a gente queria.
Eu recomendo os trabalhos de Alison Bechdel ( Fun Home ), Gabriele bell ( book of lies and others ), Amanda Conner ( the Pro ), Marjane Sartrapi ( Persepolis ) e enfim... existe um mundo inteiro de quadrinhos feito para os gostos feministas.

Vale a pena conhecer

Dona do Sexo -Bonobo rules,Jaçanã forever disse...

"Não é necessário banir ou demonizar as representações femininas que são sexualizadas e criadas para o olhar masculino (afinal, podemos fazer o mesmo com representações masculinas criadas para nosso olhar), apenas não podemos deixar que sejam as únicas disponíveis para alimentar o nosso imaginário."

Nao concordo.Recorda a publicidade principalmente(por essa ser gratuita e publica).Tanto tem mulheres objetificadas nos outdoors pra vender produto quanto mulheres reais(impressão de ser minimamente), mas só que se numa situação hipotética ,onde fosse a mesma quantidade de homem objetificado e homem comum com a mesma quantidade de mulher objetificada com mulher comum, nao não seria igual pois tenho uma forte impressão q o mulher objetificada iria corroborar ainda pra misoginia.(misoginia é um fantasma mais presente pq o homem utiliza seu corpo como arma).

Mas se produzissem menos a objetificação de mulheres e mais mulheres reais,ao ponto de mulheres reais ser maioria e objetificação da mulher ser imperceptível, não vejo problema.

Sou apenas receosa.

Beth disse...

Seu blog é sensacional, Lola.

liber disse...

Olá!

Essa discussão é muito relevante e concordo integralmente com as proposições do texto da Ana Koehler.

Os quadrinhos são em sua maioria produzidos dentro de uma lógica que privilegia a ótica masculina vigente. Que, aliás, permeia diversas outras produções e manifestações culturais.

Assim como a Ana, também acredito que isso está mudando. Lentamente, mas está mudando. Discussões como essas apresentadas aqui nesse blog são fundamentais para levantar reflexões sobre essas questões e iniciar a mudança de paradigmas.

Daí, a exemplo do meu colega Adriano, queria sugerir alguns títulos para Lola e quem mais tiver interesse ler. Todos estão disponíveis no mercado nacional:

Persépolis, de Marjane Satrapi (editora Quadrinhos na Cia)
Fun Home, de Alison Bechdel (editora Conrad)
Kiki de Montparnasse, de Catel & Bocquet

São três títulos de muitos. Mas acho que seria muito interessante se eles fossem lidos e, talvez, analisados quanto à representação da figura feminina pela própria Lola e demais colegas, que possuem maior propriedade sobre as questões feministas.

@pokerol disse...

Eu acompanho uma webseries de tirinhas feministas fantasticas, o www.sinfest.net/ .

Não são exatamente o formato de midia discutido neste post, chegam mais perto das tirinhas da Amely da autora do outro guest-post-direito-de-resposta, apesar de o Sinfest se declarar feminista e a luta fazer parte da tematica das tirinhas. Vale a pena conferir!!

nina disse...

[ Lola, fora do post, mas se vc ainda não viu isso, queria que visse: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2012/10/30/agencia-de-publicidade-gera-polemica-no-facebook-com-peca-em-homenagem-aos-ginecologistas.htm ]

Anônimo disse...

MILA MILA!!!! POR FAVOR EU QUERO LER OS SEU QUADRINHO!!!

BEIJOSS
YRACEMA C

Roxy Carmichael disse...

@Ana Luiza Koehler
esclarecidíssima você! concordo plenamente sobre a necessidade de se borrar as fronteiras entre os produtos "voltados pro publico masculino" e os produtos "voltados pro publico feminino". e isso certamente nao só no âmbito dos quadrinhos. mas também acho que para chegarmos nesse patamar ideal, ainda tem muito caminho pela frente de empoderamento feminino, de mulheres artistas refletindo sua condição no mundo, e de homens também dispostos a lançar um olhar crítico sobre essa masculinidade hegemonica, obviamente que NÃO SÓ isso, e eu quero reafirmar mais uma vez (já afirmei isso no post passado) que eu sou ESTRITAMENTE CONTRA qualquer "decreto que obriga artistas mulheres a SÓ produzirem arte com esse tipo de reflexão". primeiro porque eu acho que a relação entre arte e política é muitíssimo mais complexa que essa formula fácil. pensando por exemplo no cinema quando a gente lê um livro como "a mulher e o cinema" da e. ann kaplan, vemos que o que ela defende, e o que a laura mulvey que é uma das maiores autoridades no assunto, defende é que é preciso se desconstruir a estrutura narrativa que foi estabelecida privilegiando o olhar masculino e a identificação do espectador masculino. é preciso operar sobre o aparato cinematografico que também é visto como aliado dessa estrutura narrativa que articula o olhar do diretor homem, o olhar do personagem homem e o olhar o espectador homem. isso é feito somente abordando temas que são importantes para a causa feminista jogados num filme de narrativa clássica? eu particularmente acho que isso não é suficiente, ainda que seja muito importante e interessante. o que essas autoras defendem, mulvey e kaplan, é que as mulheres dever assumir esse risco de produzir esse novo cinema. e existem DIVERSAS formas de se fazer isso. um filme como terra fria que aborda um tema importantíssimo para a causa feminista - o assédio no ambiente de trabalho - (wue nem sei se foi feito por um homem ou por uma mulher) é interessante? sem dúvida! bastariam filmes como esse? definitivamente NÃO! eu particularmente prefiro o cinema de uma claire denis, de uma naomi kawase, de uma ana carolina, de uma lucrecia martel a 790 filmes como terra fria. obrigar mulheres a só fazerem filmes que refletem a desigualdade entre homens e mulheres seria reduzir a experiencia feminina a isso, e as mulheres são muito mais que isso. denis é francesa e foi criada na africa e fez filmes incríveis relatando essa situação de um francês na áfrica, seja com protagonista mulher, caso de white material, seja com protagonistas homens, caso do BRILHANTE beau travail em que mostra soldados da legião estrangeira no Djibouti. que bom que ainda vivemos num mundo em que artista mulheres possam dar a sua contribuição a temas tão diversos e tão importantes como a situação pós-colonial, possa, dar a sua contribuição inclusive lançando um olhar sobre uma instituição masculina, que é o exército.
mas voltando ao tema do post que eu fugi um pouco: "Não é necessário banir ou demonizar as representações femininas que são sexualizadas e criadas para o olhar masculino (afinal, podemos fazer o mesmo com representações masculinas criadas para nosso olhar), apenas não podemos deixar que sejam as únicas disponíveis para alimentar o nosso imaginário."
CLAP CLAP CLAP!!!
palavra do dia: DIVERSIDADE.
um beijo e sucesso pra você ana!

CCX disse...

Obrigada pelas dicas. Assim que chegar em casa, vou viajar pelo mundo dos quadrinhos apetitosos.

Ana disse...

wkghfjikrleslkmg eu perdi o boooooonde D: /OhNoes

Também adorei o guest post! E também tô super afim de um guest sobre mangás! (... não rola um Guest Post da Valéria, do Shoujo Café? Porque ela manja muito! Imagino que ela deva estar atolada de coisas pra fazer, mas eu acho que ela podia fazer análise bem jóia!).

Eu, como muitos outros aqui da caixa, comecei com a Turma da Mônica. Aliás, dá pra dizer tranquilamente que esses quadrinhos me alfabetizaram. Acabei pegando gosto pela leitura de um jeito muito natural, mérito da minha mãe, que sempre me incentivou mutio nesse sentido e lia praticamente um gibi do Maurício de Souza por dia pra mim.

Em termos de HQs americanas, eu curto Spider Man, Iron Man, Young Avengers, Batman, Teen Titans… Esse último foi o começo de tudo, porque como alguns talvez saibam, anos atrás o Cartoon Network tinha uma série animada inspirada no título da DC que fez um sucesso estrondoso. TT tinha duas personagens femininas muito presentes, a Starfire e a Raven, e conquistou milhares de fãs – eu inclusa. Mais pra frente vieram os filmes do Spider Man, e daí pro resto foi um pulo... E esse é o resumo mais enxuto que já fiz na minha vida.

Também leio mangás, basicamente tudo o que me interessar. Sou fã babona de FullMetal Alchemist, um shonen (“mangá para meninos”) que foi escrito por –tada!- uma mulher, Hiromu Arakawa. FMA é tão bom que é conhecido como o mangá que tem os fãs mais “xiitas” – no sentido de que geralmente quem é fã é muito, MUITO fã. Recomendo fortemente porque além de ter um roteiro coeso, uma narrativa boa, e ótimos desenhos, FMA tem uma penca de personagens femininas fortes. Vale muito a pena! E só não digo mais nada porque quando se trata de FMA posso passar o resto da semana falando.

Outros títulos que li/leio incluem: Tsubasa Reservoir Chronicles (CLAMP!!!!), BLEACH, Saint Seiya: The Lost Canvas, Shaman King, My Girl, Sunadokei, Otoyomegatari, Eyeshileld 21, Anatolia Story, Kekkaishi, D. Gray Man, Soul Eater, Black Bird, Vampire Knight, Ao Haru Ride, Neon Genesis Evangelion... é do que me lembro agora. Odeio fazer essas listas, nunca me lembro de tudo.

Já me indicaram Neil Gailman aqui, só não li por causa de tempo. Anyways guardei todas as indicações aqui da caixa e um dia se dels quiser consigo ler, kkkkkk.

Ana disse...

Sobre se identificar com personagens masculinos, acontece muito aqui também, colegas. Os meus dois preferidos são Peter Parker e o Richard Grayson da série animada dos TT.

Com Peter, é tudo sobre rir da própria desgraça. Porque tudo dá errado toda vez que ele tenta fazer a coisa certa. E o cara sofre de teimosia crônica, porque ele vai em frente não importa o quanto isso bagunce sua vida – e ele sempre sabe que a decisão correta vai bagunçar sua vida, o quão hilário é isso?
Gosto dessa persistência ‘burra’ - mas correta e muito necessária, porque tem muito menos gente insistindo na coisa certa do que o mundo precisa. E gosto de como ele consegue rir da própria cara, é contagiante. Chegar em casa e rir do azar desse sujeito ajuda muito em dias difíceis, especialmente nos dias que são difíceis por escolhas que você teve que fazer... Se é que isso faz algum sentido.

E o Grayson dos TT... Workaholic, obcecado, estressado. Quer salvar o mundo; não consegue nem se salvar. Doa tudo si para luta contra o crime, inclusive a própria mente – depois de muitas batalhas com o principal vilão que amaça Jump City, perde o controle e começa a ver Slade onde ele não está. Acaba numa cama, todo machucado e possivelmente louco. A fase passa, outras explicações aparecem, mas o fato é que ele paga um preço alto para continuar sua cruzada em defesa das pessoas. Parker também é herói, e também sofre, mas ele tem um jogo de cintura que Grayson não domina.

Não vou mencionar Edward Elric porque ia precisar escrever um tratado.

Com personagens femininas, na grande maioria dos casos eu reconheço seu potencial, mas muito raramente me identifico. Não me perguntem porque.

Ana disse...

Acabou de chegar aqui “The Children’s Crusade”, dos Young Avengers, escrito por Allan Heinberg (conhecido pela série “The O.C.”) e desenhado por Jim Cheung (que merecia um monumento em sua homenagem porque os desenhos dele/oh my god I can’t even--).

Entre os Young Avengers nós temos 5 rapazes – Eli, William, Thomas, Teddy, e Vision, que na verdade é um robô – e 2 meninas - Kate e Cassie. Eli é negro, atua sob o nome de Patriot, e obviamente seu personagem dá margem pra falar de racismo (seu capítulo individual inclusive começa com uma suspensão após perder a paciência com um colega numa discussão sobre o tema).

E daí? Daí que ele protagoniza várias ceninhas machistas. Então agora toda a vez que leio YA me lembro da Lola contando como ficou surpresa com a misoginia de alguns ativistas negros, ahaha... É inevitável.

Tem uma, por exemplo, em que Kate salva sua vida e Eli deixa escapar que não vai lhe agradecer porque “não preciso de ajuda, muito menos de uma—” (Kate rebate “mas vai precisar de terminar essa frase”).

Essa é só uma das mancadas que ele dá... Só me chateia que mais pra frente as briguinhas dele com Kate se convertam numa tensão sexual bizarra – numa das missões Eli a beija do nada, mais pra frente rola um encontro... Fica meio “aha, sabe como é, ódio às vezes é só amor não assumido!”, uma coisa que eu detesto. Mas enfim... Kate se torna líder da equipe, hahaha.

Ah é, BTW, William e Teddy são um casal, então além do racismo e do sexismo (que não é tão explorado quanto eu gostaria) a obra ainda tem margem pra falar de homofobia. E ‘The Children’s Crusade’ tem essa cena linda em que um grupo de terroristas fanáticos está atacando e Teddy dá um beijo na bochecha de um cara que ficava citando a Bíblia... É a coisa épica mais simples que já vi na vida. Tanta coisa num quadro só. Esse foi o melhor presente da minha vida.

Tá, parei.

Ana Luiza Koehler disse...

@Dona do sexo: eu tenho pensado muito a respeito de banir, proibir imagens que objetifiquem a mulher, pois em princípio era isso mesmo que eu queria. Não gosto de ver esse tipo de imagem, de maneira alguma, mas acho que temos de nos controlar também para não cairmos em radicalismos. Já bastaram a destruição das estátuas de Buda pelo Talibã no Afeganistão, ou as queimas de livros na Alemanha nazista. Acho que a melhor maneira de combater essas representações é concentrarmos nossas forças em produzir alternativas, ou seja, que ofereçamos também representações de mulheres completas, como seres humanos, dinâmicas, ativas, o cliché da mulher passiva e objetificada que ainda domina poderá ir perdendo sua visibilidade privilegiada naturalmente.

@Roxy: também sou contra a idéia de que, só por termos representações péssimas do feminino nos quadrinhos, todas as autoras deverão pegar em armas e produzir obras só a respeito dessa problemática. Longe disso! Idealmente, nem precisaríamos estar tendo essa conversa. O que quero é que se possa falar a respeito, que os autores e autoras possam SABER conscientemente as mensagens que estão passando para não sair simplesmente repetindo fórmulas a que são expostos. ;) acima de tudo, defendo que as mulheres devem e podem fazer obras sobre o que bem entenderem.

Juliana disse...

Sobre se identificar mais com os personagens masculinos, eu sou mais uma da lista! Tanto em mangás, livros, ou filmes, eu sempre me identifico mais com os rapazes.Porém, nunca perco de vista, as mulheres interessantes,ou até as insuportavelmente fracas, mesmo que seja para apontar o que eu gostaria de mudar.
Eu escrevo, e de quatro estórias, três tem homens como protagonistas, e uma é "dividido". Quando comecei a estudar questões de gênero, passei a me policiar mais e refletir sobre essa "coincidencia minha". Aprendi a gostar e criar personagens femininas interessantes. Percebi que mulheres não precisam se dividir entre mocinhas indefesas ou sedutoras vulgares, e quando não vejo uma garota que represente nos meus mangás, eu mesma crio uma!!!

Sphynx disse...

Queria entender mais de quadrinhos, mas não tenho muito o hábito de lê-los, em parte por pão-durice de colecionar os que já têm mkuitos números, já que ficam bastante carinhos se levar em conta o conjunto. Sempre tive vontade de colecionar Inu-Yasha por exemplo, mas tem mais de 100 números. Quando vou na saraiva fico só olhando aqueles encadernados do Batman e do Homem-Aranha, com o bolso coçando pra comprar, e o dinheiro já reservado aos livros pra estudar.

Quando eu tiver um emprego, e se ele pagar bem, talvez eu reserve uma cota-quadrinhos, hehe.

O último quadrinho nacional que eu li (isso faz muitos anos) foi o único número que saiu de "Mercenário$", das roteiristas Fran Briggs e Petra Leão e arte de Denise Akemi. A revista só teve um número porque, absurdamente, a editora deu o calote nas autoras.

Ana disse...

@Sphynx

Cara, nem me fale em dinheiro. Cheguei a ter fases em que eu nem entrava em livraria, porque a frustração de ver as coisas e não poder comprar era muita, kkkk.

E, sim, volumes encadernados. São a ruína de qualquer poupança! Ando babando nas edições da morte do Spider Man (sabe, a transição para Miles Morales), mas a coleção toda tem, sei lá, uns 6 ou 7 volumes e cada um custa R$50! Não dá... pelo menos não pra mim, rs.

Geralmente aproveito aniversários e etc pra comprar essas coisas. Minha família já se acostumou a não comprar nada pra mim, até porque eles nunca sabem direito o que eu quero - então eles todos fazem uma vaquinha, e depois me dão o dinheiro pra eu comprar alguma HQ :)

Foi nesse sistema que consegui 'Batman e Filho' e 'Batman: Ano Um'.

Agora, mangás... É de enlouquecer, porque algumas séries atingem um número absurdo de edições. Eu tentei fazer o possível com Tsubasa Chronicles, e essa foi a série que colecionei com mais eficiência até hoje, mas mesmo assim não consegui acompanhar. Tenho, sei lá, umas 30 edições aqui em casa.

Por essas e outras estou me acostumando à idéia de dar sempre preferência aos encadernados americanos ao invés de comprar 2362836 edições de um mangá. Edições de luxo são caras e tal, mas se você visse a qualidade do material de 'The Children's Crusade', por exemplo... Mano, vale muito a pena. Lindo, lindo, lindo. É um material pra guardar pro resto da vida.

O que me ajuda com mangás é 'reciclar' - compro, leio, se foi uma edição boa, guardo; mas se não foi um volume imperdível então corro pra um sebo e troco por algum outro. E assim por diante...

E, Fran Briggs? Tipo... a esposa do Guilherme Briggs?

Sphynx disse...

É, essa Fran Briggs. Achei mesmo uma pena a revista não ter continuado, os personagens eram legais.

O único mangá - aliás, o único quadrinho - que eu consegui colecionar decentemente foi Evangelion, já que eram relativamente poucos números (acho que tava no 16 quando comecei a comprar) e saía um novo de vez em nunca.

Quase que eu colecionei Angel Sanctuary, que no início era legal e depois foi perdendo a graça, não fui até o fim.

Agora, um que eu tenho muita vontade de colecionar, e que parece viável, tirando a dificuldade de achar alguns números, é Usagi Yojimbo (que apesar do nome não é mangá, o autor é nipo-americano). No Brasil lançaram uns 5 volumes, no total tem 25 ou 26, dá pra achar em lojas internacionais por uns 10, 12 dólares. Esse eu pretendo mesmo conseguir, porque li os números lançados no Brasil e é absurdamente bom, além de que muitas histórias e personagens são inspirados nos filmes do Akira Kurosawa, um dos meus diretores preferidos. Ele meio que reviveu o meu interesse por quadrinhos, pra falar a verdade.

Allice disse...

"A arte não deveria se restringir ao que sabe fazer melhor, proporcionar prazer, evitar tornar-se panfletária? Ou será que, quando as bombas estão caindo, que descobrimos para que serve a arte?"
Simon Schama

AngieB disse...

Muito obrigada pelo seu guest post, foi algo excelente conhecer mais do evento e a maneira educada como voce se expressou e explicou. Eu adoro quadrinhos, comics, tirinhas, mangas... Como seja.
Era apaixonada pelo Snoopy qdo pequena,Mafalda, a Turma do Tio Patinhas, Turma da Monica, Batman, X-man, Mulher Maravilha, ...Minha mesada guardada para compra-los. Calvin, Garfield, Hagar, Recruta Zero, Obelix...
Este ano fui no Comic Con em Sao Diego e ter comics, filmes e series baseadas em comics, produtos e derivados de comics, video-games, cultura nerd... Emoçao pura. Uma geek cinefila rata de biblioteca feliz.
E sim, é um mundo ainda muito machista e que perpetua ainda muitos esteriotipos nas mulheres que insistem nao deixar suas paixoes de infancia de lado por nao achar mais representaçoes inteligentes suas quando crescem.
Adolescencia voce ainda consegue achar muita coisa nos mangas shojo... Cardcaptor Sakura,Sailor Moon... Mas ainda nao acho uma representaçao diversificada feminina.
Radical chic era uma personagem interessante,mas falando de quadrinhos desenhado por mulheres, eu gosto muito da Persepolis e Mulheres Alteradas, como real critica da nossa posiçao com muito humor.E a mensagem é passada com clareza. Contudo, gostaria de mais.

Nuba ofKau disse...

Faz tanto tempo que estou querendo comentar neste post que não vou me importar dele não ser o mais recente.

Eu sei que experiência pessoal não deve ser confundida com a opinião sobre um fato mas é difícil separar (e eu escrevo mal - então fica mais difícil ainda sintetizar o que eu penso separando da experiência) ----> Sempre li HQs de todos os tipos (menos as orientais) de comics a graphic novels, cartoons, porns, todas...nem as charges ficaram de fora. Eu me identifiquei ao longo da vida com vários personagens masculinos. Mas nem me dei conta que eram masculinos.E nem cheguei a pensar que poderia me identificar com alguma personagem feminina...eu via todos esses personagens como neutros. Bom, já me identifiquei com a Alice do Alan Moore no Lost Girls e já me identifiquei com Storm, com Emma Frost, Scarlet Witch, Rogue, Mística...todas do Xmen (que ao meu ver não limita as personagens de acordo com o gênero, tendo personagens de características obviamente androginas e retratando relações homoeróticas nas histórias - tudo isso nos anos 90, muito antes de acusarem o mundo de ser uma ditadura gay). É claro que a pose mais desenhada nessas heroínas é aquela de mostrar o peito e a bunda ao mesmo tempo mas a limitação pelo gênero acaba aí. As mulheres em xmen são personagens essênciais para as histórias, são poderosas, complexas (p/ uma comic) e não estão presas a nenhuma característica estilo "as mulheres são sempre meigas, é da natureza delas".
Agora, tirando a Alice do Alan Moore eu nunca consegui me identificar com uma personagem feminina exatamente por ser uma personagem feminina. Já cheguei a ler algumas coisas de HQ voltada especialmente para o público feminino (confesso que não devia ser o que há de melhor nesse nicho) e ... não dá! Simplesmente não desce e tem muita autora precisando superar seu próprio machismo cis-sexual irritante antes de sair publicando. Essa personagem Amely da Priscila é uma que cabe no exemplo, mas tem muitas outras.
Na maioria das vezes não tem muita diferença entre esse tipo de persongem feminina e aquela mulher que nem te conhece e diz "Ai, nós mulheres somos todas assim" e ri. Esse argumento do rir de si mesma é bem limitado, soa como "faça suas próprias piadas machistas" e esquece que muita gente não acha que suas próprias características - por acaso femininas - não são motivos de piada. Ou tem personagem masculino feito pra rir de ser um homem? Não tem e é bom que não tenha mesmo, até porque não ia ter a mínima graça. Personagens femininas poderiam estar por aí lutando contra o fim da humanidade - e não dando risada da tpm ou tendo uma aventura que se resume em ser mulher.
Essa do "ai feminista, ria de si mesma" também esquece que tem mulher que não tem uma sequer característica tida como femina. Então é um peso cis muito chato.

P/ mim o problema não é a falta de personagens femininas ou de problemas femininos retratados nas histórias - e se for para esses problemas serem uma caricatura é melhor que nem se publique nada nesse sentido mesmo -, o problema é as mulheres não poderem se identificar com os personagens masculinos. Porque que uma mulher não pode ver um herói pulando de um avião ou um vilão tocando fogo numa cidade e não se identificar com isso? Sabe, irrita muito a obrigação das mulheres terem que procurar o similar feminino.

É como quando vc entra numa loja para comprar uma camiseta da sua banda preferida e te oferecem uma com a mesma estampa, só que baby look...ou como os chocolates MM´s separados por gênero. Ou lego rosa. Ou qualquer coisa assim.

Anônimo disse...

Como ousa adentrar no nosso mundo? Os quadrinhos são nossos, feitos por nós e para somente nós qual o problema nisso. é algum crime ter nossas proprias coisas? O que achariam se nós invadisse seus espaços e as expulsassem de lar? Vão pintar suas unhas vão.

Anônimo disse...

nao li todos os comentarios, mas acho graça que, passada a hostilidade inicial entre ambos os lados, a mina chegou toda humilde e simpatica, e as pessoas a trataram super bem (isso dia 29 de outubro) e daí dia 01/11, dois dias depois, ela reaparece agressiva e ressentida novamente. vai entender...

e fuçando no twitter, dá pra ver que indicaram a ela um texto antifeminista do morgenbosta e ela ficou la falando que estava sendo queimada por nao seguir cartilha zzzz. nem parece a mesma pessoa dos comentarios dos dias 29 e 30

pelo menos o avatar da rose the riveter ela incorporou. ja é um começo, quem sabe.

Anônimo disse...

ih, comentei no post errado. era pra ter sido no direito de resposta