sexta-feira, 20 de julho de 2012

A VIDA PASSA DIANTE DE SEUS OLHOS

Eu sempre adorei Beleza Americana. Entra na minha lista dos melhores da década de 90. Mas ele teve uma recepção esquisita. A princípio, um monte de críticos o amaram. Só que, pouco tempo depois, e sem grandes explicações, mudaram de ideia. E gente que o considerou ácido e revolucionário à primeira vista passou a vê-lo como solto demais, do tipo “qualquer interpretação é possível”, inclusive leituras machistas.
Ok, entendo isso. O filme tem um pouco de narração em off (só no começo e no final) por parte do protagonista, Lester Burnham, que é um homem branco hétero e de classe média. Tudo dentro do padrão, só que ele está em crise de meia idade. Odeia o emprego, se dá mal com a esposa e com a filha Janie, e começa a desejar, bobamente, a melhor amiga adolescente da filha, que faz a típica cheerleader das fantasias porn. O próprio nome de Lester é um anagrama de “Humbert learns”, fazendo referência ao narrador e protagonista de Lolita. Mas o que Humbert aprende? Que não deveria babar por lolitas?
Então isso tudo é meio dúbio. E Carolyn, esposa de Lester, não sai bem na foto (sem falar que conheço um bocado de gente que não entende o final e acha que ela atira no marido). Mas o filme é uma crítica ao sistema, à tentativa de manter as aparências, a todo um american way of life que é como a rosa da capa -– linda, mas sem perfume.
E, sinceramente, tem como não amar um monólogo poético como este do fim? (veja aqui; minha tradução muito falha). Se vc ainda não viu Beleza Americana, faça o favor de ver. Se já viu, reveja.  
Eu sempre tinha ouvido que sua vida passa diante de seus olhos um segundo antes de vc morrer. Em primeiro lugar, esse segundo não é um segundo, ele dura uma eternidade, como um oceano de tempo. Pra mim, foi deitar na grama durante acampamento de escoteiros, vendo as estrelas cadentes... E folhas amarelas das árvores que cobriam minha rua... Ou as mãos da minha avó, o jeito como sua pele parecia papel... E a primeira vez que eu vi o carrão novo do meu primo Tony.... E Janie... E Janie... E... Carolyn. 
"Acho que poderia estar bem furioso com o que aconteceu comigo. Mas é difícil ficar zangado quando há tanta beleza no mundo. Às vezes eu sinto como se estivesse vendo tudo de uma vez, e é demais, meu coração se enche como um balão que está a ponto de explodir. E aí eu me lembro de relaxar, de parar de me prender, e aí tudo isso passa por mim como chuva e eu não posso sentir nada além de gratidão por cada momento da minha pequena vida estúpida... Você não faz ideia do que estou falando, eu sei. Mas não se preocupe... Você fará um dia.
Desde que vi o filme pela primeira vez, eu fico pensando o que passaria na minha cabecinha um segundo antes de morrer. E será que isso se refere a todas as mortes, naturais, acidentais, violentas? Até minhas últimas cenas eu quero planejar.

44 comentários:

Fabio disse...

as mensagens subliminares de misandria comendo soltas.

Marcello disse...

'Raptim transit', já dizia a tiara papal... Mas sobre o filme, que vi e revi, é o melhor que Sam Mendes já fez e, creio, jamais fará. E Kevin Spacey, como quase sempre, irretocável.

Bruno S disse...

Gosto bem do filme. Acho legal a forma como as atitudes dele em sua crise de meia idade abalam o equilíbrio das coisas à sua volta. Dá uma bagunçada na "beleza americana" de sua família, dos vizinhos, da amiga da filha.

Priscila Boltão disse...

....eu só ia pensar "até que enfim".
Nunca vi o filme. Honestamente, sempre tive preconceito com ele pq a propaganda me fazia ter impressão que era mais um filme pra atiçar homens na situação do lester e mostrar o corpo da menina. Vou dar uma chance.

Lord Anderson disse...

Eu gosto fo filme, embora não o ache tão incrivel assim.


Mas a metafora com a rosa de mesmo nome é muito boa.

E pra mim o mais sintomatico é que embora questione o american dream, o protagonista acaba indo atraz dos mesmo esteriotipos que é o sinter-se "jovem" de novo.

maisfazer disse...

Eu sou do time que gostou do filme e depois desgostou. Me parece que ele é datado. Sobre o outro assunto do post, as imagens na hora H, tive uma experiência de quase-morte por atropelamento, ainda na adolescência e tive o flashback. Foi muito doido, eu vi tudo, toda minha vida, num instante. E pensei: estou morrendo e não tive NENHUM medo. Coisa beeeem estranha para alguém, como eu, que sofre de síndrome do pânico.

Lord Anderson disse...

Minha primeira experiencia de quase morte foi aos 4 anos quando minha casa sofreu um incendio.

Acho que não tinha tanta coisa pra rever pq não passou nada diante dos meus olhos.

Tb tive uma experiencia de quase afogamente, mas a unica coisa que eu pensava era voltar a respirar urgentemente.

Ja escapei de atropelamentos por um triz, mas nesse caso, nem deu tempo.

e acho que ia mesmo é ficar relembrando de livros rs

Adriano Matos disse...

Eu assisti o filme na época e gostei. Depois assisti de novo, ainda o achei muito bom.

Sobre experiência de quase morte, li que o escritor Timmoty Leary estava ansioso por seus últimos segundos...queria sentir a descarga de memórias e adrenalina. :)

Anônimo disse...

sei lá, Tarantino meteu um processo legal contra o autor do roteiro do filme por conta do barulho que os papagaios/tucanos do cara faziam perturbando o sossego de Tarantino... e talvez esse rolo tenha repercutido na mudança de ideia que em primeira vista tiveram do filme.

Anônimo disse...

Assisti este filme pela primeira vez com 12 anos. Odiei. Na verdade não tinha entendido a idéia dele. Depois revendo, já com meus 20 e pouco passei a adorar o filme.

George Pedrosa disse...

Lola, dá uma olhada no roteiro original do filme. O final é completamente diferente, bem mais desesperançoso, deixando claro que o mundo pertence aos cínicos e aproveitadores, e não aos idealistas. O final exibido é bem mais otimista em relação à natureza humana, com a esposa do protagonista agarrando as suas roupas no armário.

http://www.gradesaver.com/american-beauty/study-guide/section9/

Maria Valéria disse...

Assisti esse filme em 2000, com 25 anos e sai do cinema p. Da vida, recomendei a todo mundo que nunca visse um filme tao deprimente e que passava a idéia de que " nada na vida presta"
Uns anos mais tarde resolvi ver de novo.
E pude perceber a idéia contida nele.um filme triste, que procura alertar a que ponto as coisas podem chegar se vc só se preocupar em manter as aparências.
Algumas cenas que me chamam atenção:: ( quem nao quiser ler spoilers, favor parar aqui)!!!!
.....









1- a cena que a esposa o pega se masturbando na cama e o olha com cara de nojo, como se ele estivesse fazendo algo errado,e ele explode, dizendo que nao agüenta mais a negação dela em se entregar a ele sexualmente,

2- a cena do coronel homofobico que espanca o filho, " se revela " depois, chorando e abraçando Lester( e nao tenho duvida que isso aconteça de monte na vida real)

lola aronovich disse...

Bem lembrado, George. O roteiro original do filme (do grande Alan Ball, que merecidamente ganhou o Oscar de roteiro por Beleza, e ele ainda é o criador de A Sete Palmos – quer dizer, se ele não fizer mais nenhum roteiro importante, já fez muito) é muito diferente mesmo. Eu o li pouco depois do filme ser lançado (adoro ler roteiros!), e me surpreendi. Porque o roteiro começa com um julgamento acusando Janie e Ricky, filha e namorado da filha, de matarem Lester. Ela pede pra Ricky matar o pai, e Ricky filma seu pedido, mas é tudo brincadeira. Bom, claro que esse começo mudaria completamente o filme. E eu o acho desnecessário. Aprovo as mudanças do Sam Mendes. O foco do filme é mesmo no Lester, e tudo bem que seja assim. Pra quem adora ler roteiros, este é o roteiro, como ele acabou ficando depois das modificações, e este é o roteiro do Alan Ball, o roteiro original mesmo.

Erres Errantes disse...

Eu assisti a esse filme o ano passado, e lembro que o que eu achei mais legal foi o amor entre os dois jovens "esquisitos" (a filha de Lester e o filho daquele milico reaça que é vizinho deles). Achei lindo o romance dos dois, pois geralmente nesses filmes qualquer um que não seja um astro em algum esporte, ou qualquer uma que não seja uma líder de torcida, é um@ loser e está condenad@ à solidão. Os dois personagens em questão estão longe desses perfis mega populares e, mesmo assim, se apaxonam e vivem uma história de amor.
Já o final, com o assassinato de Lester, eu achei meio dramático demais. Quando eu assistir de novo, pode ser que eu mude de ideia.
Outra lembrança bem vívida que eu tenho desse flme foi uma vontade louca de ouvir um rock'n'roll setentista, por causa da trilha nas cenas do Lester...

Sara disse...

Lola não vi esse filme mas tive uma "experiência" de quase morte, depois da minha primeira filha eu sofri tres abortos expontâneos ao chegar ao terceiro mes de gravidez.
Quando fui internada da primeira vez para fazer a curetagem aplicaram-me uma anestesia geral, que deve ter causado um efeito horrivel em meu corpo e minha mente.
Eu tinha a sensação que tinha saido do corpo e via todos os procedimentos que estavam fazendo comigo, tinha a impressão que eu era uma bolha de ar flutuante, e fui parar no teto em um canto do quarto onde fui deixada no hospital, foi apavorante Lola eu via meu corpo la embaixo como se não fosse eu, não conseguia me mover nem entender o que diziam, mas percebia que falavam as vezes comigo.
Ja ouvi algumas explicações que esse efeito é um tipo de alucinação provocada pela anestesia, mas que é apavorante é.
Mas não tenho medo da morte, embora goste demais de viver.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Lola, nada a ver com esse post, desculpe postar aqui, mas li esse relato de uma dançarina do ventre americana que mora no Egito e achei que talvez te interessasse.

http://ventredadanca.blogspot.com.br/2012/07/kisses-from-kairo-feminista-frustrada.html

Abçs e bom fim de semana.

Luca disse...

Lolinha, nunca assisti esse filme, mas quando ainda era criança me contaram o roteiro e fiquei fascinada.Já baixei no meu pc e pretendo assisti-lo ainda hoje. Mas que papo é esse de quase morte?Assunto deprezinho para uma sexta-feira, embora muito interessante.

aiaiai disse...

Adoro esse filme. Gostei quando foi lançado e a cada vez que revejo (passa sempre na tv) eu gosto mais.

Edson disse...

Gosto desse filme! (Assisti há pouco tempo e lembro que vim aqui no blog procurar a crítica). O discurso final deve ter atigindo tantas pessoas. As vezes adoro finais pessimistas-realistas. Falando em finais pessimistas, há 2 semanas eu revi o filme O Nevoeiro e vim aqui no blog reler a crítica da Lola (já tinha lido ano passado)e é um filme tão injustiçado, porque muitos não gostam do final. Pô, o final é bom porque foge do clichê e ainda tem uma mensagem, mas infelizmente as pessoas gostam mesmo é de finais previsíveis.

Elvis disse...

Na época eu demorei pra assistir esse filme, porque só ouvia falar mal dele rs
Mas quando assisti, adorei, acho que vou assistir de novo.

Pili disse...

toda vez que alguém se apega demais ou dá muita importancia a algo que não é prioridade eu digo:
"-isso é apenas um sofá!"
adoro quando entendem =)

Panthro disse...

Gente, please!

Vejam o filme e olhem quando aparecem rosas. Notem como sempre que ele fantasia com a garota aparecem rosas. E quem cuida das rosas?

O filme todo é sobre como a busca da aparência perfeita torna tudo impessoal e falso. E que a beleza está justamente na vida. A única pessoa que percebe isso é o cara, segundos antes de morrer e o filho do vizinho, quando vê o vídeo da sacola plástica.

O filme não é uma crítica sobre o estilo de vida americano (jesus, quanto clichê) mais do que é uma crítica ao estilo de vida do mundo todo. É sobre parar de viver um papel pré-determinado e começar a se preocupar com o que realmente importa. Todos os personagens do filme eram falsos, viviam vidas que não gostavam simplesmente pra conseguir status. Acredito que isso seja algo muito mais velho do que o american way of life. E muito mais global. E decididamente, nada datado.

B. de Campos disse...

Confesso que, pra mim, é um filme bem forte... Tanto que assisti uma vez só e não assistiria outra vez. Não por ser ruim - o filme é ótimo -, mas por ser impactante...

De qualquer forma, recomendo :)

Augusto disse...

Gostei da temática 'gay' de algumas partes do filme.

Anônimo disse...

a parte que mais gosto do filme é qdo o guri e a menina veem aquele vídeo. é tão sem cor (em comparação com tantas pétalas vermelhas), delicado e ao mesmo tempo tão banal... sei lá. é a cena que me marcou.

sobre morte... morrer em hospital deve ser diferente de morrer de repente. no hospital, vão mantendo a pessoa viva até não poder mais (sou a favor de não só orto, mas de eutanásia). com minha mãe, o cérebro foi sendo intoxicado pq o fígado já tava tomado e aí a pessoa dá umas apagadas, fala umas bobagens, fica sem noção de espaço e dorme. mas confesso que uma das dores com ela foi que, semanas antes de morrer, ela se calou e não me disse o que pensava, o que sentia. hj sei os motivos. qdo ela viu que não tinha mais saída e que as verdades viriam à tona, ela se calou.

mas engraçado que, qdo comecei a ler sobre a vida passar feito um filme, pensei na minha morte em vida. eu tava bem mal, como se tudo fosse sonho, tudo estivesse passando na minha frente e eu olhando. meu remédio é um estimulante do córtex cerebral pra ver se volto a querer viver. pra gente que teve hipóxia e tals.

Rebeca disse...

Amo beleza americana, faz parte do meu top top na prateleira.
Mas tou comentando aqui pra perguntar algo que não tem nada a ver com esse post: Lola, o que vc achou do novo filme da Pixar Valente?? Acha que é a Pixar influenciando as garotas a lutarem por seus direitos? A serem feministas? O que acha?

Rafael W. disse...

Texto lindão, quase chorei. E American Beuty é mesmo fodão.

http://avozdocinefilo.blogspot.com.br/

lu disse...

Lola,

Vi no seu twitter que o cremerj proibiu parteiras, obstetrizes e doulas de acompanharem partos no hospital. Achei muito interessante que, apesar de dizerem que, em português, o masculino é o neutro, o documento oficial do cremerj se refere a parteirAs, doulAs, obstetriZEs e enfermeirAs. Quer dizer que a proibição é só para as mulheres que desempenham essas profissões? Se for um homem ou alguém que não se identifique como mulher tudo bem? Ou será que isso revela uma real preocupação em manter o protagonismo das mulheres LONGE na hora do parto?

Pra quem não viu, o link está: http://www.cremerj.org.br/legislacao/detalhes.php?id=715&item=1

abraços!!

Anônimo disse...

Panthro, eu morava nos EUA quando o filme foi lançado. Fui ver com meu pai, que é de lá. Para nós, foi uma potente crítica do "american way" e também uma autocrítica das possibilidades de contradizer esse "american way". Desde o título "American Beauty", passando pelo emprego do Lester (publicidade), pelas possibilidades de ter de volta um pouco de liberdade e tesão (trabalhar numa fast-food, se drogar, escutar rock, praticar esportes), não tem como negar que o filme é uma crítica à vida organizada no capitalismo de corporação. Se o objetivo fosse criticar as aparências de um modo geral, o título não seria "American Beauty", mas, talvez, algo como "Aparências", "Vida vazia". Se não estou enganado, você parte da premissa de que há uma campanha contra os EUA (ou a cultura ocidental) por parte de alguns intelectuais e que isso precisa ser criticado ou ponderado. Entendo seu ponto de vista, mas uma coisa é o que você pensa, outra coisa é a estrutura do filme. Só porque ele não se apresenta como você deseja, isso não pode servir para você desconsiderá-lo. Para mim, o fato de ter sido pensado como uma crítica à vida nos EUA não desdiz o fato de que o "american way of life" se espalhou pelo mundo (até mesmo a possibilidade de estarmos discutindo o filme é um sintoma de quanto os problemas dos EUA são problemas nossos), de tal maneira que o filme trata de temas e formas e narrativas recorrentes em outros lugares. Para finalizar meu argumento, veja-se que o filme é uma crítica não apenas temática. O Sam Mendes utilizou a forma para produzir crítica. Ele reelaborou as recorrências da narrativa do casal em crise que se recupera ou então do indivíduo sem lugar que encontra um lugar. Nesse caso, a crise não acaba, o indivíduo não encontra lugar na sociedade, nem família, nem trabalho, nem país servem como ideal reconciliatório. O conflito essência versus aparência, que parece tão universal, foi ele mesmo criticado. Não há essência: Lester se transforma e é transformado o tempo inteiro, de maneira sempre complexa e ambivalente. - - Jeferson Brian

Anônimo disse...

Lu, você está procurando problemas onde não há...

obstetriZEs é um termo sexualmente neutro.
Doula por definição é mulher.
E sobre dizer parteirAs e enfermeirAs, é a força do hábito. Trabalhei em maternidade onde havia doulas e enfermeiras obstetrizes e não havia nenhum homem.

E sobre parteiras, elas atuam onde os hábitos culturais jamais permitiriam um homem nessa situação.

Anônimo disse...

Panthro disse...
Gente, please!
Vejam o filme e olhem quando aparecem rosas. Notem como sempre que ele fantasia com a garota aparecem rosas. E quem cuida das rosas? O filme todo é sobre como a busca da aparência perfeita torna tudo impessoal e falso. E que a beleza está justamente na vida. A única pessoa que percebe isso é o cara, segundos antes de morrer e o filho do vizinho, quando vê o vídeo da sacola plástica. O filme não é uma crítica sobre o estilo de vida americano (jesus, quanto clichê) mais do que é uma crítica ao estilo de vida do mundo todo. É sobre parar de viver um papel pré-determinado e começar a se preocupar com o que realmente importa. Todos os personagens do filme eram falsos, viviam vidas que não gostavam simplesmente pra conseguir status. Acredito que isso seja algo muito mais velho do que o american way of life. E muito mais global. E decididamente, nada datado.
20 de julho de 2012 22:47

Panthro, vc resumiu e expôs a mensagem universal do filme. Comntário excelente. Completo.
Maurytz

lu disse...

Anônimo das 12:32

Concordo contigo em tudo. Inclusive na "força do hábito". Isso que estou questionando. Até que ponto podemos dizer que falar Os professorEs é neutro e inclui as mulheres mas falar As enfermeirAs não é neutro mas é força do hábito? O que separa o que é neutro de fato com o que é habitual? Será não seria o caso de que só estamos HABITUADOS a tratar tudo com o masculino? (estou falando somente de línguas latinas, nas outras línguas é diferente e podemos até discutir até onde essas preposições valem lá fora)

Fiz essa observação pois se trata de um documento oficial. É lógico que documentos oficiais podem ter (e tem) falhas, mas acho importante atentar para esse fato. Acho pouco provável que tenham feito uma declaração para tirar as mulheres, especificamente, de dentro da sala de parto, e, por conta disso, podemos nos questionar quanto ao uso do gênero ao falar em profissões.

André disse...

Filme lindo. Sempre me emociono com o final.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

(Comentário com spoiler)

Vi uma vez, não adorei, mas gostei.
Uma das coisas que achei legal no filme, é a cena em que ele quase transa com a menina e naquele momento ele percebe que ela é apenas isso, uma menina, uma adolescente, e ele um homem adulto que deveria agir como tal, ela não era a solução para os problemas dele e ele iria estar se aproveitando de uma adolescente vulnerável.
Parece que naquele momento ele pára de enxergá-la como um objeto sexual e começa a enxergá-la como um ser humano, uma menina que é exatamente como a filha dele.
Achei que foi uma mensagem legal.

Maria Valéria disse...

Concordo Laurinha, esse momento do filme e bem tocante,...;))

Panthro disse...

Oi, Anônimo. Eu entendo que o diretor usou elementos da sociedade em que vivia. E que tinha elementos de crítica a essa sociedade que eram meio particulares. Mas quando se diz que é uma crítica ao estilo de vida americano apenas, você se dissocia do filme. É como dizer que ele não fala pra você, mas pra eles. E isso não é verdade. A mensagem do filme é muito mais global e muito mais permanente do que isso.

E eu não tenho nada contra ou a favor em relação aos Estados Unidos. Eles têm pontos fortes e fracos, como qualquer outro país. Não morro de amores nem de ódios. Até porque esses são sentimentos que eu guardo pra indivíduos, não grupos. Amar ou odiar grupos é uma generalização preconceituosa, na forma que eu entendo.

Anônimo disse...

Críticas e piadinhas sonoras sobre os EUA, seu povo, o estilo de vida, costumes etc. É preconceito ou despeito.

Pili disse...

Desculpa, panthro mas nao sera global a mensagem justamente porque globalizou-se o modo de vida? Claro que em partes o alvo da critica precede e extrapola o amrican way, mas em partes a critiva tambem foi claramente dedicada a isso.

Panthro disse...

Oi, Pili. Talvez. Aí já sai da minha esfera de conhecimento (que gira em tornodas ciências exatas e biológicas). Eu não sei que pontos da nossa sociedade hoje são uma cópia de algo inventado nos EUA e que pontos são comuns à toda humanidade. Com base no que eu conheço de religiões (mitologia comparada é meu maior hobbie) eu acredito que a maior parte das pessoas, ao redor do mundo e em todos os tempos nunca viveu de verdade. Em cada sociedade existia um papel pré-determinado a ser vivido, como em uma grande peça, com todo mundo vivendo vidas de mentira. Poucas pessoas ousaram quebrar esses paradigmas sociais. Apenas na pós-modernidade que esses rebeldes que queriam viver uma vida própria sem nem saber como queriam que ela fosse começaram a surgir em grande quantidade a ponto de ameaçar a existência de instituições. Note: instituições também deixavam de existir antes. A questão é que eram subsituidas por outras. Esse negócio de querer pensar com a própria cabeça e viver de forma completamente individualista acredito que seja relativamente novo na história do mundo.

Vou dar um exemplo: Quantas pessoas você conhece que trocam de ideologia? Várias, né? deixam de comer carne, mudam de religião, viram feministas ou conservadoras... Agora quantas você conhece que não encaram ideologias como times de futebol e procuram criar a sua própria, sem buscar o aval dos outros? O american way of life é UM way of life semi-pronto e industrializado. O marxismo soviético é outro. E nenhum dele é verdadeiro enquanto a pessoa que o segue estiver apenas representando um papel pra se sentir parte de algo maior que ela mesma.

Anônimo disse...

o termo correto para se referir é UNIVERSAL (e nao Global).

O filme Beleza Americana tem uma mensagem universal. Uma mensagem que se aplica a todas as culturas.

O mundo está globalizado, mas em alguns aspectos nem tanto. Se vcs ponderam bem, poderao notar a diferença entre universal e global.

Panthro disse...

Oi, anônimo. Não entendi. Você está querendo dizer que nossas conclusões se aplicam fora do planeta Terra? Porque essa é a única diferença que vejo entre global e universal. Global se refere ao globo (no caso, o nosso) e universal se refere ao Universo todo.

Marivita disse...

Comentário técnico, gramatical. Não seria "gratidão" ao invés de gratitude?

Dayane disse...

Eu adoro esse filme,não tenho muitas palavras para explicar. Ele é esteticamente bem produzido, é poesia em imagens!Creio que ele seja um filme que traz muita imaginação e sensações, vai nos conduzindo meio inconscientemente.
Ah, quanto a Lolita, eu sempre interpretei esse livro cm sendo a visão de um pedófilo. Não entendo como ele se transformou nesse best seller de fantasia sexual, quando na verdade, ele deveria despertar nojo =/.

Dayane disse...

E A sete Palmos é minha série favorita *.*!Agora entendi pq amo tanto esse filme!