domingo, 19 de junho de 2011

LOLINHA E SEU BATISTA NA MARCHA DAS VADIAS DE FORTALEZA

Ao contrário das fotos que o maridão tirou anteontem (todas no post são dele), a Marcha das Vadias de Fortaleza foi um sucesso. Não sabemos ao certo quanta gente tinha, até porque só vimos dois policiais em todo o trajeto, e eles não estavam contando, mas sem dúvida havia entre duzentas e trezentas participantes. Claro, podia (e devia) ter sido mais — se todas as minhas alunas que disseram que iam tivessem ido de fato, lotava. Só que não podemos reclamar. Foi uma manifestação animada, totalmente descentralizada, espontânea, e feminista até o último fio dos cabelos do maridão.
Saímos da UECE (Universidade Estadual do Ceará), onde eu, cof cof, ainda não havia dado o ar da minha graça. Fiquei feliz em descobrir que o Centro de Humanidades de lá não é muito longe do da UFC. Eu e o maridão fomos de carro e estacionamos numa das ruas próximas. Havia um grupo de uns dez homens (não sei daonde; não da faculdade) sentados no meio de uma calçada, e eles mexiam com todas as moças desacompanhadas que passavam. Algumas atravessavam a rua pra não ter que passar por eles. Pois é, só isso já me deixou indignada, porque isso é espaço público. Isso é direito de ir e vir. Se uma moça, por causa de um bando de otários, precisa sair do seu trajeto e de uma calçada que é tanto dela quanto de qualquer outra pessoa para escapar de “gracinhas” (e talvez passadas de mão), é sinal de que aquele espaço é menos dela que dos outros. Não é incrível? O corpo dela, que é dela, que é privado, passa a ser público, enquanto a rua, que é pública, passa a ser propriedade de um grupelho. Estatiza-se o corpo da mulher, ao mesmo tempo em que privatiza-se (logo, restringe-se) o espaço que aquele corpo feminino pode ocupar. Essa é uma estratégia antiga de dominação de um grupo sobre outro. O que está sendo dito, e o que ouvimos desde meninas, é que o espaço que nos cabe é doméstico. Que não devemos sair de casa sozinhas sem a supervisão de um macho para nos proteger de outros machos.
Mas dentro da UECE não havia ameaças, e o clima era de confraternização. Muitas pessoas jovens, alunas e alunos, estavam fazendo cartazes. Eu tinha levado uma pequena cartolina que fiz. De um lado, havia a sugestão de uma leitora: “Marcelo Tas, deixa a Lola em paz. CQC, vai pra PQP”. Do outro, mais palavras suaves: “Só escrotossauro chama mulher de baranga”.
Saímos às cinco da tarde, e fomos tomando as ruas. Toda passeata é uma luta travada entre o espaço público, social, e o privado (os carros que entopem todos os cantos de uma cidade, e cujos espaços são planejados pra eles, e só pra eles). Eu tive um pouco de medo dos carros, já que alguns motoristas são bem agressivos, e estão tão acostumados a ter a rua só pra eles, que hostilizam quem ousa interromper seu percurso. Sempre tinha que ter algumas pessoas, em geral com longos cartazes, para bloquear a faixa de pedestres e permitir que a marcha passasse com certa tranquilidade. O maridão ia direto ajudar a fechar o trânsito (eu sempre achei que ele é um homem de parar o trânsito, êta velhinho lindão). Numa ocasião uma moto quase passou por cima do pé dele.
A maior parte das participantes não estava vestida à caráter, ou seja, com roupa de vadia (que eu nem saberia definir o que é). O maridão ficou impressionado com uma mulher que conseguia andar de salto agulha naquelas ruas e calçadas esburacadas e irregulares. Porque olha, a gente andou. Foram quase cinco quilômetros de caminhada.
Havia uma moça muito simpática de topless. No começo, confesso que achei um pouco exibicionista demais (vi que na Marcha de Brasília ontem, que contou com mil pessoas!, tinha várias mulheres sem camisa, e lógico que os fotógrafos iam pra cima delas). Mas a segurança dessa moça foi contagiante. A cada besteira que ouvia, ela virava pra gente e falava “Parece que nunca viram um peito!”. Eu presenciei o olhar de reprovação que um homem lançou pra ela. Definitivamente não era desejo, era reprovação mesmo. Era nojo. Não nojo do corpo da moça, que era jovem e bonita e com tudo em cima, mas da atitude dela. Ela não se deixou abater pelos olhares em nenhum momento, e eu tive muito orgulho dela. É isso aí: homem pode tirar a camisa quando quiser, que seu corpo não é automaticamente objetificado. Mas mulher não pode mostrar os seios nem se for pra amamentar seu bebê, né, CQC? Não por acaso, um dos nossos gritos de guerra era “A nossa luta / é por respeito / Mulher não é só bunda e peito”.
E eu entoei todos os gritos, mesmo os que não tinham muita relevância pessoal pra mim, como “Eu beijo homem / Beijo mulher / Tenho direito de beijar quem eu quiser”. Já o maridão, quando não tava parando o trânsito, sendo atropelado por motos ou tirando fotos fora de foco, era uma múmia. Óbvio que eu não esperava que ele, tão facilmente ruborizável, se juntasse ao coro do “Se o corpo / é da mulher / Ela dá pra quem quiser” (eu mesma odeio o termo “dar”) e muito menos do “Eu, eu, eu / O c* é meu / Quem dá sou eu” (algo assim; posso estar juntando duas), mas pô, ele ficava quieto até pras letras mais engajadas, como “A nossa luta / é todo dia / Mulher não é mercadoria”, “Estupro / Não é piada / Machismo mata”, “Se homem / Pegasse bucho / Aborto seria luxo” (com variações divertidas como “Se o papa pegasse bucho...”), ouNão mexo / com a sua fé / Tenho direito de transar com quem quiser”. Depois ele me confidenciou que não entendeu o slogan “Sexo anal pra derrubar o capital” (“Não vi a ligação," disse ele. "Nessa hora pensei que tivesse alguém infiltrado na marcha”).
Infiltrados havia, a começar por ele próprio. Tinha muitos, muitos homens, mas sinceramente, todos eram queridos e estavam do nosso lado, na nossa luta. Eles conheciam os gritos de guerra melhor do que eu (ok, até aí, não é difícil). E retiro tudo que disse sobre não concordar com homem vestido de mulher na marcha. Havia alguns, e não havia nada de carnavalesco neles. Eles eram tão politizados e feministas quanto qualquer um (sem falar que meus dois alunos ficaram di-vi-nos de peruca rosa-choque).
E como é gostoso marchar! A gente se sente um só corpo, cheio de energia, e com uma força, e uma liberdade, impossíveis de experimentar sozinh@s. Quando chegamos ao ponto final, que era no Passeio Público, na antiga Praça dos Mártires, tod@s, exaust@s (cinco quilômetros de chão irregular é pra derrubar qualquer terráqueo com metade da minha idade), nos reunimos em torno de uma das organizadoras da marcha, uma professora de filosofia muito da aguerrida, que fez um belo discurso explicando o porquê da escolha daquela praça pra representar o final da marcha (porque é uma praça histórica em que sempre se travou a luta entre espaço público versus espaço privado). Como ninguém tinha auto-falante, cada frase do discurso era ecoada por tod@s, em coro (amo muito tudo isso!). Super comovente. E aí ela me chamou pra discursar, e eu fiquei surpresa, não esperava aquilo e nem estava preparada. É difícil falar em frases curtas, cortar as sentenças pra que possam ser repetidas. Mas expliquei que eu havia criticado o CQC por um programa detestável que fizeram contra a amamentação em público, e que recebi ameaça de processo do Marcelo Tas. E que, se ele realmente vir a me processar, eu queria contar com o apoio de tod@s vocês. Ah, todo mundo foi tão lindo! Começaram a gritar “Somos todas Lola”. Fofíssim@s!
Pra não terminar esta crônica num tom tão Rocky (porque a modéstia proíbe), e como eu já falei dos gritos de guerra, vou confessar uma coisinha. Um dos slogans que eu gritei dizia “Se cuida / Ô seu Batista / América Latina / vai ser toda feminista”. Eu cantava junto ao mesmo tempo em que acessava todo o meu vasto conhecimento prévio pra tentar decifrar quem catzo era o seu Batista. Pensei: putz, Fulgencio Batista, o ditador cubano derrubado por Fidel; ele é tão antigo e essa moçada antenada ainda se lembra dele?! Aí pensei que não, talvez seu Batista fosse um nome genérico pra representar o patriarcado em geral. Bom, pra encurtar, eu estava a um milésimo de segundo da segunda maior humilhação da minha vida, que seria virar pro carinha ao lado e perguntar: “Por obséquio, quem é o seu Batista?”
Obviamente a primeira maior humilhação da minha vida é contar aqui pra vocês, num blog com 5 mil visitas por dia, que o grito de guerra era “Se cuida / Ô seu machista / América Latina vai ser toda feminista!”. Podem confiscar minha carteirinha de feminista, se quiserem. Eu mereço.Eu e meu querido leitor-fã Hugo, numa das raríssimas fotos em foco.

51 comentários:

Jaquee Ribeiro disse...

Não consegui conter o riso frouxo, mas é perdoável já que machista e Batista são semelhantes.
Gostaria muito de ter visto ou participado seria, com certeza, uma experiência marcante.

Renata de Oliveira disse...

Ei, Lola,
Morri de rir também com o "seu Batista".
Aqui, a Stela Só, que estava na Marcha das Vadias também, apropriou-se do bordão da Marcha da Liberdade, e em vez de "Hey, polícia, maconha é uma delícia" lançou o "HEY, MACHISTA, ORGASMO É UMA DELÍCIA!" que contagiou toda(s) a(s) Marcha(s) em BH!
Foi lindo, libertador, e mesmo tendo ocorrido alguns incidentes desagradáveis, nada ofuscou o sucesso da Marcha das Vadias em BH, que foi organizada, engajada e totalmente feminista!!!
Bjs

Cynthia Semíramis disse...

Muito legal o relato, Lola!

Aqui nós subvertemos o hino do pessoal da Marcha da Maconha (ei, polícia, maconha é uma delícia!) pra Ei, machista, orgasmo é uma delícia!!! :-)

Flavia disse...

Lola, deu saudade do tempo que eu entoava o coro de "Educação não se discute! Privatiza a Dona Ruth!" nas passeatas contra a precarização das escolas federais.

Esperando ansiosamente pela marcha daqui do Rio, pois eu perdi até o protesto dos professores por melhores salários...

Fafá disse...

A guria desenvolta e sem camisa é a mesma que citei na aula. Aquela que quando é 'xingada' de 'sapatão', devolve no mesmo tom: 'seu hétero!'

Escarlate disse...

Ai que lindo, Lola! Passeatas são tão contagiantes, parece que seu coração se abre pro mundo, e nossa força e vontade de lutar aumentam exponencialmente!

Aqui em SP eu fui na Marcha da Liberdade, que contou com gritos pela legalização da maconha, do aborto, contra a violência policial, e xingando nosso excelentíssimo senhor prefeito Gilberto Kassab, que adora aumentar o preço da passagem de ônibus.
Andamos a Avenida Paulista inteira, e eu tb fiquei bem cansada (sedentarismo mata), os passantes gostaram tb, muitas fotos foram tiradas.

Eu estava com um cartaz assim: "Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente!#machismomata". O pessoal gostou bastante!

alemdaporta disse...

Lola!!!! Eu tava lá XD A menina que estava mostrando os seios era a Duda, do meu coletivo de estudantes la no Itaperi o Canto Geral. E ah, o C.A. de história aparece em muitas fotos, só pra saber XD. A marcha foi realmente boa até aonde pude acompanhar, uma pena ter tido que sair tão cedo. Vários dos meninos vestidos de mulheres eram amigos meus também, e garanto são todos ligados as pautas do feminismo. De todo adorei lhe ver pessoalmente, uma pena minha timidez não permitir ir falar com vc XD Há Braços.

Alba disse...

Lolinha,
Antes do Tás te processar,
Um curso de fotografia;
Pro maridão temos que reivindicar.

Agora Seu Batista, ... desculpa,...
Pra sempre vou lembrar e me esbaldar.
(ahahahahahahahahahahah)
Te adoro Lolíssima querida.Como sempre SUCESSO!!!!!
Beijos, bom domingo.

L. Archilla disse...

Ri alto com a história do seu Batista, minha mãe veio ver o q tava acontecendo e riu alto tb! ahahahhaha

Natureza Artificial disse...

Acho que Batista vai virar sinônimo de Machista. Imagina o casal, Amélia e Batista...

:) disse...

Que linda essa marcha Lola, sou de Goiânia e por enquanto não fiquei sabendo de nenhuma marcha das vadias aqui, mas supostamente teve uma ontem na Cidade de Goiás(Goiás Velho), lá está acontecendo o FICA, um festival de cinema que acontece lá todos os anos- http://www.fica.art.br/o-festival/ -e me disseram que estavam organizando, inclusive com a presença de alguns organizadores da marcha de Brasília, uma marcha das vadias lá ontem, amanhã verei meus colegas que foram ao FICA, se a marcha tiver acontecido, quem sabe não consigo até umas fotos para te passar.

Sexo c/ Amor? disse...

Muito legal! Adorei o seu Batista.
E a Desordem continua, lá pelas band-as.
Come on baby, to see my fire!

.Fran. disse...

Oi Lola!

Flor, nunca comentei aqui, mas leio tuas palavras a séculos... e adoro-te.

Bom ver esse femisnismo atuante, crítico, tomando espaços, virtuais e reais.

Espero ver minha cidade com tod@s na rua, lutando por seus direitos (sou de Volta Redonda, interior do estado do Rio).

Obrigada Lola pelo blog, por tudo que vc demonstra, pelas críticas, indignações e bom humor. Aprendo muito contigo, valeu mesmo!

Constelações de beijo!

aiaiai disse...

kkkkkkkkkkkk, seu batista é um cara phoda!
parabens Lola pelo texto e parabéns aos manifestantes de fortaleza pela marcha!

Ághata disse...

Lola, Lola! Eu só vi mulher de topless em Brasília nas fotos que foram publicadas nos jornais! Estive na passeata e não vi nenhuma. Eram minoria.

Eles não iam tirar do tanto de meninas com roupas masculinas, que boicotam a depilação e usavam moicanos, né? que também estavam presentes na marcha - e em maior peso que as com top less.

Ághata disse...

Mas, olha, essa do seu Batista...
E yo aqui se perguntando "Ué? Mudaram o hino no Ceará? Aqui em BSB era só "Se cuida! "Se cuida, ô seu machista! A américa Latina vai ser toda feminista!", não tinha nenhum Batista... XD

Ana disse...

Mês que vem, dia 16/07 - Marcha das Vadias em Curitiba.

Getúlio FM disse...

Só uma correção. A praça onde se fez os discursos foi o Passeio Público, antiga Praça dos Mártires, onde pe. Mororó foi assassinado por nosso adorável Estado. ^^ Òtimo, Lola. Escreva, escreva.

mardson machado disse...

Olá!
Parabéns pelo seu blog! Muito bom.
Gostaria de aproveitar a visita para divulgar o meu blog. Trata-se do contra-afronta.blogspot.com, onde temas como política, cultura, comportamento e cotidiano são abordados, tendo como foco principal os problemas da cidade de Salvador.
Estou aguardando a sua visita.
Abraço!

Jackeline Carvalho disse...

Lola, aqui no Amapá também teve a marcha da liberdade. Até por ser um estado pequeno, nos surpreendemos com a quantidade de pessoas que compareceram, cerca de 300. É isso aí, o Brasil inteiro em marcha!
Quero dizer que adoro o seu blog, leio todos os dias.
abraço

Daní Montper disse...

Que emocionante, Lola! *-* Estou doida que chega logo a marcha do Rio, nossa!

As meninas de BH e de DF também arrasaram! Parabéns a todas as vadias e vadios que marcharam, tenho certeza que conseguimos alcançar algumas pessoas!

Giovana Damaceno disse...

Lola, você é demais! Parabéns e beijos!

Brenda Beat disse...

Ai Lola, vc é diva. Mas o seu Batista foi demais rsrs ri mto.

Sofia D. disse...

Sou novata por aqui, e nas últimas duas ou três horas, dei uma boa fuçada geral no seu lindo lindo blog. E, enquanto lia o guest post "Pai e Namorado perpetuam o machismo" (dez.2008), fiquei encucada com um trecho onde a Andrea diz: "e aí também entra o preconceito contra o curso de Letras e a área de Humanas em geral."
Taí, uma coisa que ronda muitos comentários que ouço ultimamente: sou vestibulanda, no auge dos meus 17 anos, e convivo com E=mc² opiniões sobre que curso fazer. E sempre sinto que no fundo, 90% das pessoas tem certa tristeza que eu não vá fazer engenharia. E eu fico pensando mais ainda nesse assunto: se um aluno X é ótimo em matemática, então ele é um gênio, tem um futuro brilhante; mas se uma aluna Y é fera em história, conhece tudo, e tira só dez, então ela é... muito inteligente. Esforçada. Caprichosa. Mas não é um gênio. Oh, não.
Perceba que eu troquei os gêneros, porque em geral o gênio em exatas é um garoto, e a garota é boa em línguas, ou história... No fim, não importa se ela for o próximo Eric Hobsbawn do mundo, ela ainda é de humanas. Nunca vai compreender o oculto mundo das exatas, a ciência dos iniciados.
Ok, desabafo a parte, realmente gostaria que você - que eu passei a admirar em tão pouco tempo - pudesse comentar sobre esse ridículo preconceito contra a área de humanas. Se não for pedir demais, claro :)
Enfim, parabéns pelo blog e pelas ideias!

Ana E. disse...

estaremos tod@s junt@s na marcha do rio. tenho um amigo que está fazendo até camisas... que orgulho me dá ter namorado e amigos feministas!

lola aronovich disse...

Obrigada pelos comentários, queridas e queridos! É, eu tô rindo até agora do meu "Seu Batista". Tive um forte ataque de riso ontem de madrugada, quando estava escrevendo o post, e me lembrando da mancada -- que, aliás, não será esquecida. Fica sendo um "inside joke" entre nós, tá? Ha, pelo menos me senti um pouquinho melhor depois que um leitor de Fortaleza que esteve na Marcha me revelou, pelo Twitter, que ele também começou a dizer "Seu Batista" no começo.
Bom, a Marcha realmente foi ótima. E soube que as marchas de BH e Brasília também foram um estouro. Parabéns a tod@s!


Sofia, de fato, o preconceito contra Humanas é muito grande. Isso vem de uma visão totalmente utilitarista da educação e do emprego. Escrevi um pouco sobre isso já faz um tempinho, respondendo a um troll.

lola aronovich disse...

Pra quem quiser ver fotos da Marcha de Belo Horizonte, aqui e aqui tem várias.


Fotos da Marcha de Brasília: aqui, aqui e aqui, entre outros.


E gente, olhem o apoio da Jullie na Marcha de BH. Obrigada, querida!

Sofia D. disse...

Aaah, que alívio! Vinha me sentindo meio paranóica com isso, pois nunca tinha lido ou ouvido alguém realmente falar do preconceito contra humanas! Outro dia, quase armei uma briga com o meu namorado - cara de exatas, cursa engenharia - por causa disso. Folgo em saber que dá proxima vez que quiser armar uma briga, não vai ser neurose! :)

PS: Já comecei hoje mesmo a espalhar a notícia dessa sujeirada do Marcelo Tas, alguém que eu admirava, mas que vinha perdendo meu respeito ultimamente. CQP pra PQP! Você tem todo meu apoio, mesmo que isso não seja tanto assim :)

risoflora. disse...

Adorei o post! :D
E que bom que você mudou de idéia sobre os homens vestidos de mulher. :)
Beijos!

denise disse...

Muito bom Lola , tudo o que vc descreveu foi o que sentimos aqui em São Paulo tambem, tenho muita fé que o panorama vai mudar pra nós feministas, e pra melhor.
Não podemos recuar e desistir de brigar pelo que é direito, parabens a vc que inspirou tantas de nós a buscar por um mundo mais justo. E parabens a todas as mulheres que estão se movimentando nessas marchas, se continuarmos coesas e com o objetivo de conquistar igualdade de direitos, o machismo tera de ceder.

Cor. disse...

Olá Lola!

Estou conhecendo seu blog agora, graças a Marcha em Fortaleza, eu não pude participar e como depois procurei algo no "CMI" e acabei chegando aqui - rsrs.

Enfim, li um monte já, sobre piadas até, o caso do Rafinha Bastos e isso me trouxe uma péssima recordação, sempre morei com meu Pai e sempre o idolatrei, mas, quando comecei a ser “Mocinha” e sair para festas e tal ele me falou “Olha se você for estrupada, relaxa e goza”. Engraçado porque nesse momento eu fiquei tão abismada e eu era uma criança, coisa de 13 anos, foi duro superar essa asneira.

Enfim, continuo adorando meu Pai embora ele defenda o fato da mulher ganhar menos, de que os Gays querem dominar o mundo, não tirei que todos os posicionamentos dele estão errados, alguns argumentos são dignos de aprofundamento, mas, a minha luta eu faço, e não só por causas feministas, “istas”, eu não gosto muito dessa nomenclatura – enfim, tudo acaba interligado, a exploração humana como um todo. A minoria, os que morrem de fome, em hospitais públicos e crianças sem escolas, mulheres estrupadas ou espancadas, religião e homofobia. Ganharemos força, quando esse todo perceber que é uma questão acima de tudo humana, dos seres enquanto vivos.

Enfim, adorei o blog, ficarei vindo aqui e espero que logo tenha outra Marcha, posto que eu perdi meu emprego e agora tenho todo o tempo pra luta.

Blanca disse...

"seu batista" HAUSHSAUSHAUSAHSAUSAHSAUHSAUSA

Mariana. disse...

HAHAHAHHAHA seu batista foi o melhor, LOLA! valeu por nos brindar com isso! vc é diva, o maridão foi super zoado no texto também, hahahahaha vcs são um casal lindo!

Alessandra Guerra disse...

Lola :)
unidas somos mais fortes!
grande beijo

Joel Bueno disse...
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Joel Bueno disse...

Tá hora da dupla dinâmica Lola-Maridão abrir a munheca pra comprar uma câmera melhorzinha, dessas que deixam tudo em foco mesmo que o fotógrafo não queira...

Ah, Lola, dá pra melhorar as fotos com um programinhas de edição que são gratuitos e fáceis de usar...

Falando sério: é muito bom entrar no espírito da brincadeira! homens travestidos, mulher sem camisa, salto agulha, palavras-de-ordem heterodoxas... é a melhor maneira de quebrar o estereótipo feminista-chata-mal-humorada.

Sara Marinho disse...

Lola, fuçando na internet achei uma foto da marcha das vadias que teve em goias velho ontem, o que é surpreendente, pq lá é uma cidade do interior de Goiás, mas como citei antes, só aconteceu pq estava acontecendo um festival de cinema lá, então tinha muita gente de fora.Parece que lá misturaram marcha das vadias com marcha pela descriminalização da maconha, não tenho certeza, hoje a noite na faculdade falarei com alguns colegas que foram, depois trago mais notícias.
a foto: http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/files/2011/06/vadias.jpg

Lary Barbosa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lary Barbosa disse...

Muito legal!
Seu marido é um companheirão com certeza! =]

Só acho um pouco complicado os gritos de ''beijar homem e mulher'', pq não é todo mundo que gosta. Concordar que todo mundo tem direito (PARA MIM) não significa que todo mundo tenha que cantar que gosta e tal. Acho que isso pode ficar para a passeata gay. (Atenção: não sou homofóbica, só acho que tem hora certa para tudo.)
E os gritos de ''dou minha bunda'' ou ''dou a hora que quiser'', também são um pouco de exagero... Lutamos pela liberdade da mulher, não pela banalização do sexo. Moralmente falando e sem hipocrisias, não acho bonito para uma mulher transar com todo mundo da mesma forma que não acho bonito para um homem.
Sei que a intenção não é banalizar nem o homossexualismo, nem o sexo, mas fica estranho para quem está de fora, e acaba afastando pessoas que ainda tem um certo ''pé atras'' com o movimento. Ou seja, quando lutamos pelos nossos direito, acho que essa liberdade sexual já está sub-entedida.
Mas no todo, fico muito muito feliz que as mulheres estejam acordando para seus direitos.

Amana disse...

Querida Lola, aqui tem um pouquinho do astral da Marcha de BH (que foi junto com a Marcha da Liberdade): http://www.youtube.com/watch?v=RVCePXDBAAs&feature=youtu.be&hd=1
Meu cartaz, que pretendo reeditar na marcha aqui do Rio, foi "QUER TOCAR? PERGUNTE-ME COMO!" ;)
beijos!

Amana disse...
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Curiosa disse...

muito agradável de ler sua escrita ... sempre reflito 'como' os homens se tornam o que são ... eu tive apenas uma filha mulher, gostaria de ter tido a experiência de educar um menino, mas não deu ... penso que a mudança virá quando conseguirmos criar filhos diferentes dos pequenos machistinhas tiranos que hoje criamos ... enquanto isso ...

Robson Fernando de Souza disse...

Confiscar sua "carteirinha" de feminista só porque confundiu "machista" com "Batista"? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Parabéns e obrigado a você, Lola, e a tod@s que fazem parte dessa onda de Marchas das Vadias. Uma pena enorme que eu não tenha ido à recifense =(

Abração

Renato Mattar disse...

Lola, só queria deixar dois comentários rápidos e que talvez não tenham muito a ver com esse post. São mais sobre amamentação.
O primeiro é que recentemente vi um episódio de Seinfeld em que o personagem principal, o próprio Seinfeld, arranja um encontro de um amigo seu com Elaine. O encontro vai muito bem e quando eles estão para se beijar, ela percebe que ele havia colocado seu órgão para fora. Até aí nada a ver com amamentação, mas tudo faz sentido quando numa outra cena, posterior, depois que Seinfeld fica sabendo que seu amigo era um pervertido, eles se encontram num corredor de hospital, conversam por alguns segundos e, de repente, uma mulher começa a amamentar, o amigo pervertido comenta algo "Por que elas tem que fazer isso assim?" e sai, escondendo os olhos para não ver. Seinfeld olha com desprezo pra ele e nem liga para a mulher amamentando.

É uma cena bem sutil e passa despercebido para muita gente, mas mostra um pouco que realmente quem se sente "incomodado" com uma mulher amamentando são pessoas que não sabem muito bem controlar seus instintos, o que é nojento.

Mas isso é só um comentário pra dizer que, no meu ver, o Seinfeld é a "favor" da amamentação em qualquer ambiente.

Já o outro comentário é sobre uma foto do artista polonês Adam Rzepecki, que bateu essa foto aqui em 1981 (não me pergunte o nome, pois é em polonês e eu não sei muito).

http://news.o.pl/wp-content/i/2009/04/ojciec-polak_rzepecki-536x770.jpg

descobri essa foto por acaso agora pouco, quando estava escolhendo algumas fotos de uma viagem que fiz a polônia e vi que, ao fundo de uma das fotos havia essa foto, em um bar. Dei zoom e acabei conseguindo ler o nome do autor e aí foi fácil achar no google. Fica de dica para ser usado num próximo post.

Forte abraço.

Duda disse...

Só deu pra ler seu post agora! Quase morro de rir! meeeeeeeesmo... Pois é, quando a lesbofobia me dá o seu bom dia quando eu passo pela rua e alguém me chama de sapatão, diferente de chamá-lo seu 'hétero' ou o/a chamo de 'homofóbico', qnd eu consigo chamar pq as vezes ñ dá pra correr o risco de apanhar na rua... pois é, eu sou a menina q decidiu ir pra marcha não só de seios de fora, isso é mt pouco, mais sim ir pra Marcha com uma frase histórica do feminismo que tem a ver com a nossa bandeira histórica de autonomia e autodeterminação sobre nossos corpos e nossas vidas "Meu corpo é Meu!" Imaginava q teria várias repercussões, mais o q era importante pra mim tbm era o meu fortalecimento e o fortalecimento de outras mulheres pra enfrentarmos tanta opressão, e pra além de enfrentá-la:destruí-la. Num é à toa que ainda outra mulher foi se fortalecendo no decorrer da marcha e tbm tirou a blusa, e outras tiraram as blusas e ficaram só de sutiã... de alguma maneira o que eu fiz mexeu com elas e foi por isso que eu fiz! Pra derrubarmos a moral machista/racista/homofóbica só com muita transgressão! Beijos Lola! Que bom que vc foi a nossa Marcha! Somos ToDAs Lola! Somos todas FemiNiStaS!!

Duda disse...
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Duda disse...
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hortencia. disse...

Lola, fiquei tão triste pois no dia da marcha o evento no facebook (pelo menos pelo qual fui convidada) apareceu como cancelado, falei com alguns (poucos) amigos que tinham e iam, e eles não me responderam.. ou seja, não fui.
Vendo agora, deveria ter arriscado e ido! ai ai.. :(
Ri muito com sua confusão de seu Batista rsrs.

Um beijo,
Hortencia.

Harlequinade disse...

Eu fui vestido com roupas de mulher, e foi ótimo! Pra mim, que tenho um pézão crossdresser, foi uma oportunidade de sair vestido de uma forma mais livre na rua, como eu gostaria de me vestir com mais frequência (tenho medo - os mineiros são criaturas muito conservadoras! - e não temos exatamente carnaval por aqui, ao menos não no nível que tem em outras cidades). Mas alguns amigos meus, que não compartilham minha pira crossdresser foram vestidos com roupas femininas também, e acho que deve ter sido uma experiência interessante pra eles também: os olhares que receberam na rua, a mistura de incompreensão e ódio... abertura de olhos!
Por cima, a marcha em BH foi ótima! Meu principal incômodo foi com a galera da marcha da maconha, que meio que monopolizou os coros (tinham o único megafone) e queria impor um destaque pro seu movimento, agir como coordenadores, essas coisas.
Ah, e as organizadoras aqui são ostensivamente feministas, ao menos as que eu conheço, e os cartazes não deixaram atrás também.
=*

O DIÁRIO LOUCO disse...

Vi agora o seu texto, eu sou a mocinha que com um barrigão de 08 meses andei a marcha toda, sendo cutucada às vezes por está naquele estado e caminhando. No meio de tudo perguntaram se já tinha registrado com foto para depois mostrar a minha filha que des da barriga ela luta. Tiraram fotos sim (inclusive uma bem sem foco, que seu companheiro tirou-rsrsrs)e mostrarei para ela toda vez que alguém quiser dizer que ela não pode fazer isso ou aquilo por ser mulher! Muita coisa mudou mas ainda temos muito para conquistar! Ainda não escrevi nada sobre a marcha mas para mim foi um momento marcante, consegui caminhar tudo aquilo com os pés doendo e a cada passada mais cansada!E sabendo que muitas gostariam de estar ali gritando, dava mais força e vontade.
Mas assim como quem foi ou quem não pode ir, continuamos lutando e caminhando...mesmo que o caminho seja cansativo..

Carol Balan disse...

ahahahahahahahahahahahh Ri a postagem toda, mas a do Seu Batista foi ótima!!