terça-feira, 14 de junho de 2011

O QUE É ISSO, COMPANHEIRAS?!

Esperamos que não passe reto nem batido.

Desconfio que este possa ser um post polêmico, mas é necessário. Como espero já ter deixado claro aqui, eu apoio a Marcha das Vadias e participarei, com muito orgulho, da que será realizada em Fortaleza nesta sexta (e convido a tod@s que venham). Por mais que eu considere uma missão um tanto impossível reapropriar um termo tão negativo como vadia (e suas dezenas de similares usados para condenar a sexualidade feminina), considero as marchas que vêm acontecendo no Brasil e no mundo um movimento importante, alegre, espontâneo, excelente para atrair a juventude e a mídia (que cobre os eventos pelos motivos errados — olhaí foto de mulher com pouca roupa! —, mas pelo menos os cobre; se bem que repare na decepção da reportagem do Uol sobre a Marcha de Recife, reclamando da falta de “ousadia” das manifestantes, que não usaram o "uniforme" exigido). Também acho muito positivo que, em vários lugares, as marchas tenham uma organização horizontal, não vertical, menos centralizado. Dá um novo ar aos protestos de sempre, e creio que ninguém se opõe a isso.
Mas, e aqui vai um mas bem grande, fico preocupada com algumas coisas que tenho lido. Fiquei meio balançada ao ver o depoimento de uma das criadoras do SlutWalk em Toronto (que foi onde tudo começou), dizendo que nunca tinha se considerado feminista, e ainda não se via como uma. Aí, na sexta, a Cynthia publicou uma ótima análise que reflete esta minha inquietação. Segundo a Cynthia, uma das organizadoras da Marcha de SP postou no Facebook o seguinte comentário sobre a Marcha de Recife: “os grupos feministas acabam sendo o oposto do machismo. E na nossa marcha nós deixamos claro que não éramos feministas, e sim femininas. Não queremos exterminar da terra a raça-homem. Apoiamos toda forma de liberdade, incluindo os grupos homossexuais (fem/masc), porém sentimos que esses grupos feministas acabam chegando com muita agressividade e são formados, na sua maioria, apenas por lésbicas, o que já denuncia seus objetivos”.
Não importa quem fez essa declaração, tão equivocada em todos os níveis possíveis e imagináveis. Importa é que várias pessoas que participam das marchas podem compartilhar desse pensamento tosco. E aí complica: como assim, você acha que dá pra redefinir um termo hiper pejorativo como vadia, mas aceita sem pestanejar o significado que os opositores do feminismo dão ao feminismo? Jura que alguém participa da marcha dizendo “Sim, sou vadia, com orgulho, mas pelamordedeus, não me chame de feminista!”? Desculpe, isso é ridículo. Não há nada em alguma dessas marchas que não seja uma luta do feminismo há décadas.
A Lia, uma das organizadoras da Marcha das Vadias de Brasília (que ocorre este sábado), que é assumidamente feminista, e com quem me comuniquei por email, tem isso a dizer: “é muito incoerente mesmo... estão defendendo uma causa feminista, mas não se reconhecem feministas, por uma série de pre-conceitos e rótulos em torno do feminismo. Acho que um dos papéis do movimento feminista na marcha é tentar quebrar esses preconceitos, e trazer, a partir da questão sexual, a reflexão sobre machismo à sociedade. A Marcha das Vadias tem essa caracteristica de agregar pessoas de diversas ideologias, idades, sexos, e pode ser uma oportunidade de atrair novas pessoas ao movimento.
Neste final de semana aconteceu a marcha em Recife. Li o que a Suely escreveu sobre ela (e usarei algumas fotos dela, feminista assumida e participante da marcha, para ilustrar este post; e outras que foram publicadas no Uol). De acordo com Suely, a marcha contou com grupos feministas locais, como a Articulação de Mulheres Brasileiras e o Movimento Feminino Popular. Ótimo. Mas vi fotos que me fazem pensar se algumas pessoas realmente entendem o que estão fazendo numa marcha dessas.Nada contra a participação dos homens nas marchas, muito pelo contrário! E tampouco quero ditar regras de conduta. Mas não entendi muito bem por que tem alguém vestido de Jesus (bom, parece que é o nome de um dos organizadores), ou rapazes vestidos de mulheres, ainda mais com palavras como “Estupre-me” escritas no corpo (o que é bem diferente de cartazes dizendo "Minha roupa não é um convite para você me estuprar"). Quando a gente precisa de muitas indagações pra entender o que algo quer dizer, é talvez porque a mensagem não esteja clara.
No sábado recebi um email da pernambucana Priscilla, que se identifica como feminista, vadia de vez em quando, santa quase nunca e assistente social em luta sempre!” Pedi sua autorização para publicá-lo aqui como guest post. Entendo que talvez não seja o momento de criticar as marchas, mas, como eu disse, em nenhum momento essas críticas são contrárias à realização dessas marchas. Só acho, e suponho que as feministas aqui citadas concordem, que é preciso frisar que tais marchas têm um enorme caráter político, de luta, de bandeiras feministas. Fingir que não têm, ou vir com besteiras como “sou feminina, não feminista”, ou “feministas são lésbicas que querem exterminar os homens”, é que representa, mais que uma oposição, uma certa ignorância sobre a impossibilidade dessas marchas não serem feministas. Pô, até o pessoal que chama mulher de vadia e que odeia o feminismo reconhece o caráter feminista das marchas! E aí tem participante que não reconhece? Não faz nenhum sentido. Estamos juntas nessa luta.
Eis o guest post da Priscilla.

Vou tentar ser breve ao externar minha pouca disposição em engrossar o cordão da Marcha das Vadias.
Inicialmente vou me localizar politicamente para não parecer que tenho problema em me assumir como "vadia" por moralismo pequeno burguês e blá, blá, blá.
Já participei de várias marchas contra homofobia, pelo passe livre, pela legalização do aborto, pela reforma agrária. Sou militante da Marcha Mundial de Mulheres aqui em Pernambuco, mais precisamente Recife. Quando vi a notícia do ocorrido no Canadá, achei ótima a mobilização das mulheres de lá e das proximidades da universidade onde o policial vociferou tamanha violência contra as vítimas de estupros.
Ok. Estratégia boa de publicização das inúmeras violências (e anuências) que atentam contra a sexualidade feminina, e para agravrar, ideias machistas (como a do policial) ainda persistem em países como o Canadá -- leia-se, país com a existência de grande nomes da teoria crítica feminista, país em que surgiu a Marcha Mundial das Mulheres e que possui políticas de igualdade de gênero avançadas. Entretanto, fiquei com o pé atrás quando vi que a Marcha das Vadias tinha virado febre nas redes sociais e que seriam replicadas em contextos diversos por países mundo afora.
Considerar que a luta feminista no Brasil encontra-se no mesmo patamar da luta, grau de conscientização e mobilização política do movimento feminista e de mulheres do Canadá é no mínimo falta de leitura da realidade.
Se lá a Marcha das Vadias ganhou repercussão por conta do absurdo proferido por um funcionário público pago para proteger a população, aqui a Marcha tem ganhado câmeras e microfones para exibir o corpos da mulheres e caricaturá-las, inferiorizá-las mesmo. Ou ainda, em razão da estupefação moralista de grande parte da sociedade brasileira que ainda se choca com o termo "vadia", embora o utilize na primeira hora para com as mulheres que não se comportam como santas. Logo, ou são santas ou vadias.
Além disso, não vi nenhuma declaração das organizadoras da marcha que reforçasse o caráter feminista da ação. Pelo contrário, vi mulheres que não possuem nenhuma empatia com o feminismo -- uma vez que somos bitoladas e chatas de galocha (sic!) -- entrarem em verdadeiro clima revolucionário por participarem da Marcha das Vadias.
A proposta é interessantíssima e dá novo fôlego para nossas ações de rua, que com o advento das redes sociais têm se tornado cada vez mais virtual do que real. Porém, a reprodução tal e qual da Marcha das Vadias do Canadá para o contexto brasileiro (e recifense -- a metrópole nordestina mais provinciana que conheço) é um erro, sobretudo, por não se apropriar ironicamente do termo "vadia" e consequentemente não conseguir passar a mensagem de autodeterminação do corpo da mulher, de respeito ao livre exercício da sexualidade feminina e de todas as bandeiras históricas feministas. Ahãããñ! Bingo! Chegamos ao ponto G! A conotação feminista da Marcha das Vadias se dilui no alvoroço das redes sociais e da mídia que não enfatiza a ação política da Marcha, na ausência de articulação com outras pautas que se referem diretamente ao corpo da mulher como território soberano dela própria.
Por esta razão e outras menos importantes que eu não me empolguei para participar da Marcha das Vadias, diferentemente de outras companheiras de movimento que foram lá tentar dar este viés que na minha avaliação é ausente, portanto, ineficaz para os fins de conscientização para igualdade de gênero.
Retificando, creio que nossas formas de ação devem ser cada vez mais inovadoras e dinâmicas sob pena de reproduzir a forma engessada de fazer movimento social. No entanto, não abriremos mão de politizarmos nossas demandas sem cairmos no espontaneísmo eventual.
Qual a crise, galera, em ser uma vadia feminista? Afinal, qual a luta do feminismo, senão a da defesa da liberdade de sermos aquilo que quisermos? Penso que rumamos para o mesmo horizonte libertário!

134 comentários:

Pentacúspide disse...

eu acho que a principal questão não se é uma luta FEMINISTA ou FEMININA, mas uma luta de MULHERES, portanto é esse devia ser o foco principal. Elas estão a defender o que as feministas defendem, mas se apesar disso não querem usar nenhum movimento ideológico como guia, não querem. Não caim na armadilha mais simples que é entrar numa guerra "política" entre vocês, FEMINISTAS E FEMININAS quando o problema real é bem patente, e quando está claro que quem professou a frase sobre feministas lésbicas aprendeu isso pelo filme de BORAT.

risoflora. disse...

Concordo em tudo no texto, só vou fazer uma ressalva com relação aos meninos.
Sou feminista, assumidamente, de corpo, alma e coração.
Não passo a mão na cabeça de ninguém, amigo ou inimigo, pai ou irmão, ficante ou namorado, não importa. Quando é pra discordar, criticar e brigar eu sei fazer, mas não é o caso desses meninos em questão.
Eles foram vestidos assim depois de uma reflexão que EU e mais um grupo de amigas tivemos em relação ao mote da Marcha - que a vítima era culpada por conta das roupas.

Pensamos que era uma ótima forma de ironizar com o machismo heterossexual se dois meninos, vestidos com "roupas de vadias", escrevessem os dizeres "estupre-me" no peito.
Eu mesma estava vestida assim. E continuo achando que foi uma ótima forma, porque todxs xs presentes entenderam a mensagem. Os meninos são companheiros de luta ativos, um deles levava um cartaz "Homens de verdade respeitas as mulheres com igualdade", não pararam de gritar e entoar palavras de ordem a Marcha inteira. Um deles ainda sofreu homofobia de um policial que tentou nos impedir de permanecer na praça (em breve será postado um relado da marcha no Recife Resiste! (http://reciferesiste.wordpress.com), eu sugiro, Lola, que você leia, eu mesma escrevi.
No final da marcha ainda citamos o seu nome, chamando as pessoas para te apoiarem e conhecer mais sobre você, e convidamos a rejeitarem programas como o CQC.

Por esses motivos eu acredito que foi um pouco injusto sim, a foto dos meninos ali, nos induz a pensar que eles não sabiam o que estavam fazendo ali.
Eles sabia, sabiam muito bem.

Obrigada Lola, um beijão.

Pentacúspide disse...

E, o que foi que aconteceu ao post anterior sobre perder a virgindade?

Janaina disse...

Oi, Lola! Muito boa a reflexão proposta no seu post. Aqui em Belo Horizonte, a Marcha vai acontecer neste sábado, dia 18, a partir das 13h, no Centro da cidade. Tenho que dizer, no entanto, que, apesar de apoiar os objetivos da marcha, simplesmente não consigo particar de um evento onde somos denominadas "vadias", por mais que o significado da palavra aqui nesse caso não seja esse. Me sinto constrangida. Desculpem, mas achei a tradução de "slut" nesse caso totalmente equivocada para os fins da marcha, poderiam ter pensado em algo melhor, que desse a mesma idéia de liberdade e autonomia sobre o próprio corpo.

Noh Gomes disse...

Disse tudo, não fiquei empolgada com a Marcha justamente por não ver uma luta, pelo contrario, estou vendo piadas e eu seriamente não tenho tempo para tal. Aqui em Belo Horizonte vai acontecer dia 18/06, e infelizmente por eu não estar vendo uma mobilização seria e com carater de luta e marcha, não vou, acho uma pena as coisas no BRASIL virarem carnaval ou pizza sempre.
Não gosto de ser generalista, pois acredito que sempre há excessões, mas estou começando a ter preguiça de certas "causas".

Lola, obrigada por criar um espaço tão cheio de liberdade e escrita.

Beijo
Noh

Gizelli Sousa disse...

Lola, querida. Realmente não estamos no mesmo patamar de conscientização que em outros países. Porém, precisaremos chegar nesse patamar para levantar uma bandeira importante? Eu discordo. E também discordo que as redes sociais diluíram o poder da marcha. Eu acredito no oposto, as redes sociais são o meio de agirmos na micropolítica, não é diluir é DISSEMINAR informação.

Olha só o que aconteceu no Egito: Uma ENORME revolução popular que teve como força motriz a internet. Então, vamos parar com esse pensamento que a internet está fazendo mais mal que bem, porque isso é tão verdade quanto afirmar que feminismo é o exato oposto do machismo.

Ontem mesmo entrei numa discussão com um amigo meu que dizia que protesto não leva a nada. Podemos não conseguir resultados imediatamente, mas a presença na mídia (mesmo que de forma negativa e NEM SEMPRE é assim) nos põe em evidência. E na atual conjectura, evidência É IMPORTANTE. E não vamos esquecer da informação que não está na mídia impressa ou televisiva e sim nos blogs, nas comunidades de orkut, sendo espalhada por twitter e facebook e etc.

A repercussão por pior que seja, gera debate. E esse talvez seja o início da tal conscientização.

Rebecca disse...

Oi Lola!

Como sempre, você (e neste caso seu Guest Post idem!) expôs muito bem o xis do problema.

Como negar o caráter feminista de uma luta feminista? Não somos feministas, somos femininas? Ham?

O que muita gente não entende é que ser feminista é sair da zona de conforto e das convicções machistas com que nós, mulheres, fomos criadas e se opor ao machismo. Simples assim. Logo, não é isso que elas (as responsáveis pela marcha) estão fazendo? E se não é, elas sabem o que estão fazendo, ou pelo o que estão lutando?

Enfim, temos que acabar com esse preconceito das mulheres contra o feminismo, e deixar de acreditar que as feministas sao lésbicas, que se vestem como homens, que querem subjulgar os homens e extirpá-los da face da terra.

Mais uma vez, parabéns pelo blog, Lola!

beijos!

Gizelli Sousa disse...

Ah e concordando com o Pentacúspide.

Giovanni Gouveia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Geovana Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Giovanni Gouveia disse...

Eita, minha amiga Suely, companheira de muito tempo do PT.
"As loucas da pedra lilás" (grupo de feministas que sempre faz excelentes espetáculos de teatro de rua), que são essas mulheres de saia de tule rosa, sempre presentes em qualquer movimento politico ou cultural da cidade (a última vez que as vi foi no carnaval gritando "libertem Sakineh")...

Indo ao cerne do post:
"Minha" Cris comentava comigo que uma amiga dela dizia não haver sentido uma "marcha das vadias" no Brasil, posto que o objetivo inicial canadense não havia aqui.
Aí eu citei o chiste de R.B. do CQC pra ela ficar espumando de raiva. Não só isso, hoje noticiavam no Twitter que o Bispo de Guarulhos (aquele dos panfletos anti Dilma, das Eleições) disse que "raramente os estupros não são consentidos pelas mulheres"...
As mulheres têm sim que tomar as rédeas, e, acho, que ao movimento Feminista cabe a utilização desse momento de agitação para ação didática explicando o que é, de fato, o movimento Feminista.
Como em qualquer movimento, sempre há o objetivo imediato e o objetivo histórico. Para a "Marcha das Vadias" (vocês não sabem como eu odeio esse termo) o objetivo imediato é a luta contra a violência sexual, o objetivo histórico é a luta pela igualdade de gênero.
Quem está na luta de muito tempo geralmente vai ao inferno quando se depara com declarações desse tipo, mas a paciência pedagógica e didática é necessária para trazer esses novos militantes.
Como diria Rosa Luxemburgo, "Um ano de revolução ensina muito mais, aos trabalhadores e trabalhadoras, que décadas de teoria".
À luta!

(reeditado por ter erros mais crassos que o normal)

Escarlate disse...

MEU DEUS! Essas garotas se assumem como vadias, e tem medinho de serem "confundidas" com feministas?!?

Eu pessoalmente não vi isso na SlutWalk de Sampa. Vi muitos cartazes criativos e sarcásticos, ouvi gritos feministas de subversão, e sim, vi um batalhão de fotógrafos tirando fotos principalmente das meninas mais desnudas. Mas também vi muita solidariedade, vi o Comedians ser trollado, entre outras peripécias feministas sim.

Agora essa pobre menina vem com essa verborragia típica de mulher medrosa que não assume as posições que toma, que tem medo do julgamento alheio. Sinceramente, eu fico com raiva disso, podia ter ficado quieta.

E que ninguém venha com papo de "você quer obrigar todo mundo a ser feminista, bla bla", porque essa não é a questão. A questão é reproduzir preconceitos milenares contra as feministas, como se fôssemos o que os machistas sempre dizem, lésbicas que saem por aí matando homens e fazendo churrasco. No mínimo ela poderia ter lido a WIKIPÉDIA antes de vomitar.

Geovana Santos disse...

Meu medo é q a Marcha das Vadias se transforme em mais um carnaval fora de época a exemplo do q ocorre em parte com algumas Paradas da Diversidade. Mas qualquer manifestação ainda é melhor q não fazer nada.

Priskka disse...

Oi Lola, achei seu post super pertinente.

Ao contrário das garotas que postaram aqui antes de mim, vou à marcha em BH porque acredito que nossa cidade seja um antro do machismo e jamais me sentiria bem em deixar passar uma oportunidade de protestar contra isso, depois de tantos anos tendo de engolir isso goela abaixo.

Não me importo com o nome da marcha, "vadias", "vagabundas", o que seja. E acho divertido que isso choque as pessoas daqui, da tradicional família mineira, que acham qualquer coisa um absurdo. O mineiro, em geral, é bastante desinformado, julga os "livros" pelas "capas" e nunca se preocupa em saber do q está falando. O pessoal quer é falar mal e ponto final.

Por isso, me sinto bem sabendo que estou participando de um movimento que, mesmo de forma singela, seja uma forma de expressão contra esse status quo. Falar mal todo mundo fala mesmo. Que falem mal então por uma justa causa! XD

Adoro seu blog, vc verbaliza tudo o que penso! :)

Záia disse...

“toda idéia que se torna pública mais cedo ou mais tarde se volta contra o seu autor e confisca-lhe o prazer que sentiu ao pensá-la.” (Kundera)

SergioRDG disse...

Parabéns pela análise, mas creio que a Geovana aí em cima levantou uma questão muito boa: o risco de virar um carnaval fora de hora e só servir para folia, e não reflexão.

lovelove6 disse...
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lovelove6 disse...

Ótimo post Lola! Estou no aguardo da marcha aqui de Brasília e feliz sabendo que há muuuitas garotas politizadas e conscientes por aqui, apesar de haver muito de todos os outros tipos de pessoas bem e mal intencionadas promovendo a marcha.

O post não tem nada de polêmico. Não devemos fazer dele uma polêmica, mas sim uma reflexão extremamente pertinente. Até o momento queria ir de calcinha e sutiã, especialmente motivada pelo ocorrido no Canáda. Enfatizando o grito de que mesmo que eu saísse nua na rua, ninguém pode se sentir no direito de me violar.
Conversando com colegas algumas me disseram pretender ir de burca ou hijab, o que me parece super pertinente também. Enfim, eu acho válido, seja de lingerie, nua, de burca, ou casual, mesmo com toda a má publicidade.

Porém o que me faz pensar mesmo é por quê, se existe tanta discordância entre nós feministas sobre a conveniência do nome e motivação da marcha, tivemos que esperar logo essa chegar no Brasil pra nos mobilizarmos e saírmos às ruas pelos direitos das mulheres. Posso estar mal informada, mas pelo menos aqui em Brasília nunca ouvi nada dessa natureza (sou nova no rolê, anyway).
Tenho muito receio de que após essa marcha a mobilização se cesse.
Espero que outras "mais dignas" sejam organizadas e promovidas para fazer jus à nossa luta à nossa maneira!

Giovanni Gouveia disse...

Só esclarecendo, minha "treta" com o nome é que o termo "vadia" (e igualmente vagaba ou vagabunda) me reporta ócio, que é avesso À condição feminina, em minha ótica...
"Nem fica de cama quando nada quer", como diria Rita Lee
Nada contra se fosse marcha das "putas", das "quengas", das "rapargicas", das "catraias"...

marcos disse...

O problema de como a mídia se apropria das lutas sociais é sério, mas não deve servir de barreira para fazermos manifestações. Sou de São Paulo e aqui a Parada do Orgulho LGBT vem há anos sendo tratada pela mídia mainstream do mesmo jeito: como um evento de bichas acéfalas e de classe média-alta, totalmente despolitizadas. Em nome dos bons costumes, condena-se a Parada ao rótulo de "carnaval" - como se o próprio carnaval não fosse uma manifestação política de subversão dos terríveis "bons costumes".

Discordo em vários pontos do seu texto e do guest post, Lola, mas queria falar deste: a gente não pode deixar que o UOL nos informe sobre o que são essas manifestações que estão acontecendo. Porque o UOL não tá nem aí pra luta social. Muito melhor é se informar pela leitora aí de cima, a risoflora, e pelas tantas pessoas que participam das marchas e têm muito pra dizer.

No mais, acho ótimo que você problematize a coisa. Estar presente e criticando, é isso que a gente tem mesmo que fazer :)

Niemi Hyyrynen disse...

Acreidto que seja muito importante afinar o que se pensa e o que se espera de um protesto e quem o idealiza.

Hoje pode ser que não seja assim, mas futuramente a "Marcha das Vadias" pode virar um carnaval fora de rua que de protesto não haverá nada se continuarem a confundir feminismo com a aversão à homens.

Também não gosto do termo, pq ele não consegue fazer as pessoas que ignoram o assunto refletir sobre, pelo contrário o termo já fecha a cabeça de muita dessas pessoas.

Su disse...

A maioria presente na Marcha das Vadias desconhece completamente o significado do termo "feminismo". É por isso que se deixam levar pelos estereótipos criados ao longo dos anos, desprezando a importância do movimento e buscando distância de tudo que as relacione com ele. Quanta falta de informação. Quanta imaturidade. Quanta ingenuidade.

Su disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
m_ra disse...

Acho muito interessante essa ausência de identificação com o feminismo, acho que é por isso que a mobilização social falha...
No cotidiano converso com meninas que acreditam em tudo o que o feminismo acredita mas não se identificam como feministas, muitas vezes confundem com femismo, consideram neurose... Qual seria o problema? Falta conscientização, ou uma nova roupagem seria interessante também?
Acho que a marcha das vadias faz uma grande contribuição por ser desinibida, divertida. Poderia mostrar que feminismo não é chato, nem cri-cri... Se ao menos se identificasse como feminismo. Bola fora.

Niemi Hyyrynen disse...

*Fora de rua...kkk fora de época perdão pela gafe =p

Escarlate disse...

Como falaram muito bem, se formos nos pautar pela cobertura da mídia mainstream, é melhor ficar sentadinho no sofá vendo o plim-plim. A luta feminista (mesmo que não se autodenominem assim) ainda é algo subversivo na sociedade, e como tal, será tratado da pior forma possível como forma de desqualificá-la.

E sobre as redes sociais diluirem o movimento, a companheira de cima já falou tudo. Casos como o de Higienópolis e a Marcha da Liberdade ilustram como as redes sociais podem reacender as lutas e enfrentar o status quo.

Bruno S disse...

A declaração das moças deixa claro que os ataques sofreidos pelo feminismo acabam tendo resultado.

O termo feminismo ficou tão estigmatizado que pessoas que lideram um movimento de caráter feminista renegam o título e atribuem a ele um caráter pejorativo.

Daní Montper disse...

Estamos tendo esse problema aqui no Rio também. A marcha está sendo organizada por feministas, eu e mais algumas, mas a gente não está levantando bandeira de nenhum movimento por lá, apesar de informarmos que são feministas as organizadoras.
Pessoas de outros movimentos, mesmo não feministas, estão sendo convidados para reuniões em que possam compreender o objetivo da marcha e então apoiar, até o momento a galera está compreendendo bem, estamos deixando bem claro que é por causa da culpabilização da vítima de estupro, além de termos 10 mulheres estupradas por dias e outros temas, corpo propriedade da mulher etc.
Queremos uma marcha politizada e, ainda que quem participe no dia não seja feminista, todos saibam dos objetivos e que são feministas que organizaram.
Preparamos informes, flyers, panfletos com esses assuntos para distribuir antes na divulgação e também no dia da marcha.
Na mídia, estamos buscando alguns programas televisivos para convidarmos as mulheres do Rio de janeiro para a marcha e explicarmos os objetivos.
Além disso, estamos tentando buscar mulheres que estão em comunidades ou locais que ficam longe da metrópole, porém, todas passarão por uma reunião para se inscreverem e assim saberem no que estão se metendo.
A galera que ficou sabendo da marcha do Rio e foi a uma de nossas reuniões disseram que estão preocupadas por causa da visão equivocada que alguns têm, mas elas entenderam a mensagem e por isso aderiram à causa, mesmo as que se dizem não feministas - algumas até saíram da reunião dizendo que afinal são sim feministas e não sabiam.

Enfim, o objetivo da nossa marcha também é o de que as pessoas percebam que não é uma marcha qualquer e sim de mulheres que estão protestando contra o absurdo de sermos estupradas e ainda sermos culpabilizadas pelo crime, estamos contando que saibamos passar a mensagem que desejamos.

=draupadi= disse...

Bom, aqui em Belo Horizonte, estamos tendo um trabalho danado para nos articularmos com representantes de grupos de discussão sobre questões de gênero, de associações que representem as profissionais do sexo da cidade, etc...
O trabalho tem sido duro, e tem contado com a adesão de muita gente interessada em discutir a questão.
Eu, Marjorie, Srta Bia, dentre outras, já demos várias entrevistas a diversos portais interessados em cobrir as marchas, e não nos furtamos a abordar uma pauta essencialmente feminista... Hoje dei uma entrevista para a Rádio Educativa UFMG e devo ter usado o termo FEMINISMO umas 10 vezes...
Bjo.

Daní Montper disse...

Ah sim! E também que as pessoas saibam que nossa marcha no Rio foi organizada por feministas, só que sem dizer de qual grupo feminista.
Quem sabe a gente não consiga que percebam que o feminismo é bom no final, né? Assim desejamos!

Daní Montper disse...

De novo eu! xDDD

Esqueci de dizer, a marcha das vadias do Rio será dia 02/07 às 14h no posto 4 de Copacabana.
E teremos uma reunião dia 29/06 - 19h - no IFCS, com oficina de cartazes, explicações sobre a marcha, captação de apoio de outros movimentos , etc.
Para maiores detalhes veja o facebook o "marcha das vadias - sluwalk rio", ou no meu twitter @danimonter, ou me mandem e-mail para que eu inclua no grupo das vadias do Rio ;-)

aiaiai disse...

Eu gosto do termo vadia, mas acho que é pq no RJ, onde me criei, vadia é uma palavra normal para se referir a uma mulher que não se submete a vontade da sociedade. Eu acho um elogio, mesmo qd dito para criticar. O que os conservadores vêem como defeito, eu geralmente acho que é qualidade.

Lyra Libero disse...

Lola, hoje lembrei de você na hora do almoço.

Estava tranquilamente assistindo Jornal Hoje, e começou uma matéria dizendo que um projeto de lei (acho que era projeto, ou já era o trâmite, não tenho certeza, segue depois o link da matéria) irá mudar a legislação da constituição para que as empregadas domésticas (e na matéria, falaram OS EmpregaDOS DoméstiCOS) possam ter uma condição de trabalho igualitária em relação ao empregado regular: FGTS, férias remuneradas, fixação de piso salarial e jornada diária de 8h, adicional de expediente noturno, tudo que já deveria ser da classe por direito, mas não é. Beleza. Aí vários profissionais, advogados, dizendo que seria ótimo. Então a matéria entrevista uma mulher que afirma não ter empregada doméstica há mais de 10 anos por achar que as pessoas podem limpar suas casas (né?), o que ela e a filha fazem de bom grado, e que é um avanço tudo isso, uma melhoria na vida das empregadas domésticas que não é fácil. Até aí achei tudo muito, muito bacana, mas eu tinha certeza que alguém ia falar alguma bosta. Então em seguida vem a sonora de uma mulher do alto de seu óculos escuro chanel reclamando: "ah, mas eu tenho duas empregadas, se fosse assim, teria que demitir uma e a carga de trabalho da outra iria aumentar muito, porque ela teria que cuidar da casa e das crianças" O QUE MINHA FILHA? então é isso né? Tem que cuidar direitinho da sua família ganhando menos e sem direito a benefício nenhum né? mas se a lei passar a enquadrar o serviço de empregada doméstica como um TRABALHO DE FATO (porque parece que é fácil, né, como você já enumerou nos seus ótimos posts), AÍ COITADA DE VOCÊ! E como sempre, vai sobrar ainda pra pobre moça que ficar trabalhando na sua casa!!!!!!
estamos falando de melhoria salarial, de vida, de dignidade, e essa bruaca ainda achou o que reclamar, falando com descrença e um leve tom de irritação. Quero ver se a empregada doméstica fosse ela. Mas não é né. Nossa, fiquei muito emputecida com isso!!!

se vc puder, veja a matéria aqui Lola: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2011/06/oit-quer-estender-domesticas-todos-os-direitos-trabalhistas.html

Bom é isso. E adorei o post sobre a Marcha. Qual o problema em sermos feministas cara? temos medo de sermos chamadas de "mal amadas"? é isso? pois eu sou super bem amada pelo meu namorado, e não vejo problema nenhum, aliás, todas as mulheres deveriam ser feministas. Porque homem não tem a menor vergonha de dizer que é machista, right?

aiaiai disse...

agora, a declaração dessa doida é coisa de maluco mesmo: interna a pobre.

Além de demonstrar total desconhecimento do que é feminismo, ainda ofende gravemente às lesbicas. WTF.

Ela escreveu mesmo isso?
Vejamos:
“ na nossa marcha nós deixamos claro que não éramos feministas, e sim femininas. Não queremos exterminar da terra a raça-homem (...) porém sentimos que esses grupos feministas acabam chegando com muita agressividade e são formados, na sua maioria, apenas por lésbicas, o que já denuncia seus objetivos”.

quer dizer então q as lesbicas tem como objetivo exterminar a raça-homem????? WTF bem grande!!!

Alguem cala a boca dessa mulher, peloamordosateus!!!!

Agora eu fiquei com vontade de exterminar a raça-femininaburraefdp
POSSO?
ter "nojinho

aiaiai disse...

Dani,

Só li seus comentários depois de comentar. Adorei. É isso, não estou no rio para ajudar, mas ficarei aqui apoiando e torcendo para que vocês consigam passar a mensagem completa: ou seja, a mulher é dona do seu corpo e isso é uma bandeira feminista!
Vou ajudar mandando e-mails para amigas. Já ajuda, né?
parabéns pela clareza!

=draupadi= disse...

em tempo, saiu no O Tempo, daqui de BH: http://slutwalkbrasil.blogspot.com/2011/06/de-sao-paulo-foi-no-sabado-ultimo-no.html

Ângela disse...

Pentacúspide:

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
Uma coisa é não ter compromissos ideológicos e de militância mais amplos. Outro é instituir o Borat como guia e ainda falar em nome da coletividade, por mais difusa que seja esta. Aí, na minha opinião, é de se perguntar se vale a pena andar junto... Se feministas e autoproclamadas "femininas" estão no mesmo barco. Tenho sérias dúvidas... Enfim... Alguém disse que seria fácil?

Escarlate:
"se assumem como vadias, e tem medinho de serem "confundidas" com feministas?!?"
Esta foi cirúrgica!

liapadilha disse...

Oi Lola!!

Desculpem-me se estou repetindo alguém, mas é que estou meio na correria e não consegui ler todos os posts.

Já falei com a Lola por e-mail. Sou uma das organizadoras da marcha aqui em Brasília e feminista. Aqui, infelizmente não conseguimos realizar muitas reuniões antes da marcha. Nós marcamos uma data, e começamos a nos organizar e nos conhecer a partir daí. Isso eu considero que foi um erro, pois não tivemos muito tempo de discutirmos e aprofundarmos esse e outros pontos, para termos maior identificação e nos entendermos mais enquanto um grupo.

Mas por sorte ou não tivemos até o momento muito sincronismo, ajuda-mútua, e afinidade de idéias! Isso porque as mulheres envolvidas com marcha, aqui em Brasília, não só estão conscientes do papel positivo que essa marcha pode ter, como conscientes da desigualdade de gênero, e extremamente comprometidas com a causa das mulheres. E isso não quer dizer que todas se assumam feministas.

Nós devemos nos preocupar com as pessoas que estão denegrindo o movimento feminista com a marcha? Claro! Mas essa, como eu disse no e-mail à Lola, é uma luta que devemos travar, por dentro, quebrando rótulos e estereótipos. Acho impensável abandonar a marcha por conta disso. A pergunta fundamental, na minha opinião, é: Do que se trata a marcha? De um espontaneismo eventual, fora do contexto brasileiro, feito por mulheres que querem aparecer, como foi dito? Nesse caso eu concordo que não seria mesmo feminista. Ou não, trata-se de uma manifestação legítima das mulheres contra qualquer tipo de violência sexual? E nesse caso a luta é evidentemente feminista.

Em Brasília, eu não tenho dúvidas sobre o caráter feminista da marcha, mesmo que muitas das mulheres organizadoras não se assumam enquanto tal.

Desde o início do mês, quando foi criado o evento no facebook, até hj, não cessaram os debates, as discussões, as opiniões por todos os lados e de todos os tipos sobre questões como a sexualidade feminina, violência doméstica, machismo... acho que nós estamos conseguimos, ao menos, por meio das redes sociais, e tb através da mídia, travar esse o debate com a sociedade. E, na minha opinião, só isso já está sendo muito positivo!

Eu mesma tenho aprendido muito com tudo isso! 

Abração, Lola!!

Da Lia

P.S. Inclusive, como prova do nosso comprometimento, já marcamos uma reunião depois da marcha, para darmos continuidade ao movimento.

denise disse...

Poxa vida o pentacuspide ta cheio de razão, a pior coisa a fazer é criar divisões, que estas sim não vão nos levar a nada, a escarlate esta certa aqui em São Paulo apesar de não ter participado um numero estrondoso de pessoas, acho que fez o papel esperado, levantou a polemica o que já é muito útil.
Até já li alguns relatos aqui nos comentários de mulheres que assumem que mudaram sua postura, depois de ler seus posts Lola, às vezes algumas manifestações parecem incompreensíveis, mas se for da parte de pessoas que estão somando conosco é melhor tolerar do que segregar.
Acho triste que alguns relataram que vão deixar de ir e apoiar a marcha por causo disso será que ficar em casa sem fazer nada é realmente melhor???
A situação da mulher na maioria das sociedades é muito desigual ainda, tentar nos comparar com a conscientização que já existe em outros lugares, mas desenvolvidos que o nosso, também não vai nos levar a nada.
Acho que participar de um movimento como esse é um grande passo na direção que eu acho que todas nós mulheres queremos.

Blanca disse...

Se a mulher não quiser se assumir feminista ou simplesmente não o ser... bem, por mim, beleza. Ela está em uma luta de mulheres. É uma ideologia feminista, mas, fazer o que?

A dona do guest post não quis participar por causa da mídia? Sério isso?
Tentar mudar essa visão, e aí? Enviar emails para jornais, onscientizar o povo nas redes sociais. Seria bacana. Mas não, está sendo tratado assim no Brasil, deixemos assim!

Não acho que a mídia esteja cobrindo só por causa de fotos de mulhere sem roupa, não. Senão, não tiraria foto dos cartazes. O que acho é que a cobertura da Marcha está sendo muuuito pouca. Deveriam fazer matérias maiores, dar mais atenção ao caso.

Blanca disse...

Qual o seu email, Daní Montper? :D

Jardim Secreto disse...

Uma coisa que precisamos ter consciência é que nós somos
as "mães" desses machinhos que não conseguiram romper com o complexo de Édipo. E, levando em conta que educadora "Precisa" se auto-educar, temos nós mesmas de ir além, compreender os mecanismos culturais que falharam em ajudar crescer os "nossos" pimpolhos.
O machismo, segundo estudos psicológicos de Flavio Gikovati, por exemplo, advém de um desejo mal compreendido da necessidade de exibir-se, que faz parte do instinto sexual, tanto masculino quanto feminino. Os meninos depois dos nove anos de idade, mais ou menos, precisam aceitar o rompimento do laço simbiótico com a mãe, que é para ele a principal referência emocional. Quando este rompimento não se dá de forma cuidadosa, o menino inseguro, passará a regeitar as meninas, nesse período, aproximando-se mais dos meninos. Que são muito pressionados a serem "fortes", agressivos, competitivos, para não correrem o risco de ser "homosexuais", e tudo o que representar afetividade, ou delicadeza será assim tachado. Mais tarde, descobrirá que a atração pelas forma do corpo das mulheres, faz parte essencial de sua sexualidade, enquanto as moças, antes regeitadas, poderão super-valorizar a sua aparência, manipulando, "usando" e abusando deste prerrogativo. Todo tipo de Narcisismo, serão alimentados em nossa sociedade por nossos valores materialistas e imediatistas. Portanto temos muito o que rever em nosso comportamento Estudar, Aprofundar.

Tania Almeria

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Caramba. Uma coisa é não se identificar com feminismo por um motivo ou outro, mas realmente fica muito estranho uma pessoa se dispor a organizar uma marcha desse tipo, pra acabar com um preconceito, lutar contra machismo e ao mesmo tempo alimentar o preconceito contra a palavra feminismo, que sequer conhece.
Mas enfim... Vamos que vamos, tomara que alguém tenha batido um papo com essa moça sobre o que ela escreveu, porque não adianta nada querer que não atirem pedras nas mulheres por um motivo, mas ser a primeira a atirar por outros, preconceito com feministas e homofobia no caso.

Abçs Lola.

Paula disse...

Lola, concordo com o grande problema das pessoas não reconhecerem o feminismo e continuarem com aquele infeliz discurso de que é o "contrário do machismo", por isso terem dificuldade em se assumir como tal. E o que diabos foi isso de "já se saber a intenção das lésbicas?" nossa, péssimo.

Entretanto, acho que não cabe observar as excessões que denigrem a marcha. Todo movimento que ganha grandes proporções apresentam pessoas que estão lá por estar, nem sabem o que estão fazendo. Parada Gay e MST são prova disso.

Acho que reforçar os objetivos principais da marcha, focar o que pretendemos com ela e participar ativamente de maneira positiva dela causa muito mais efeito do que criticar esses casos de quem "não sabe o que está fazendo".

Paula disse...

Aliás, acho que focar nessa crítica só denigre ainda mais. Não vamos nos voltar umas contra as outras, por favor.

Vivien Morgato : disse...

Quando vejo uma criatura colocar femista OOOUUUUU femnina...acho tããão estranho. Criar uam suposta dicotomia é engraçado. Quanto a fulana: deprimente.

lola aronovich disse...

Risoflora, não consegui encontrar o texto no site/blog Recife Resiste. Por favor, vc pode colocar o link pro artigo exato, pra que eu e demais leitoras possamos lê-lo?
Sobre os meninos, é, sei que é injusto colocá-los assim, como “culpados”, sem saber o contexto nem nada. Mas desculpe, não gostei da ideia de homem fantasiado de “vadia”, muito menos do “estupre-me”. Se a gente diz que não dá pra fazer piada de estupro, bem, isso não parece um pouco como fazer piada? Ou pelo menos não levar o assunto a sério? E também, não sei — realmente não tenho certeza, não pensei o bastante no assunto —, mas não será que homem vestir-se de mulher num movimento que levanta tantas bandeiras feministas pode ser visto um pouco como o “blackface”? Sabe, brancos que pintavam a cara de preto? Esse é um tópico interessante, acho que vou desenvolvê-lo, porque vejo várias semelhanças em homem se vestir de mulher (tanto pra caricaturá-la quanto pra participar de um movimento político de mulheres) e branco se pintar de preto. Mas, enfim, hoje uma ativista feminista de Brasília me enviou um texto (que vou publicar como guest post no sábado de manhã), e uma das coisas que ela diz é que não incentivam os homens que participarão da marcha a se vestir de mulher, porque isso pode ser ofensivo. Claro, isso varia de lugar pra lugar, de manifestante pra manifestante. Mas pra mim ficou um pouco confuso homem vestido de mulher e com “estupre-me” escrito.
O blog está aberto a guest posts, ok? Se vc, ou os rapazes em questão, quiserem escrever um texto respondendo, fiquem à vontade.

lola aronovich disse...

Penta (e outros que chegaram a ver o post chamado “Papai, não sou mais virgem”), o que aconteceu foi um erro meu. Eu escrevi o post e o deixei no blogspot, agendado pro dia 14. Mas ontem de madrugada nem me toquei que já era dia 14, e que o post seria automaticamente publicado. Obviamente, ele não estava pronto. Não estava revisado (eu só o escrevi e guardei, sem sequer relê-lo), não estava ilustrado, não tinha links... enfim, faltava todo o trabalho. Eu só notei que ele fora publicado uma hora depois que isso aconteceu (ele ficou no ar entre uma e duas horas da manhã). Quando notei, o tirei do ar. Vou publicá-lo mais pra frente, provavelmente na semana que vem, quando ele estiver pronto. Já aconteceu algumas outras vezes antes... É descuido meu.


Gizelli, nesses pontos que vc citou eu discordo da Priscilla, que escreveu o guest post. Certamente que o feminismo daqui não está no mesmo nível de conscientização de outros países, mas isso não impede em nada que a gente lute. E considero ÓTIMO que a internet tenha o poder de mobilizar tanta gente. Acho que o poder de mobilização da internet faz MUITO mais bem que mal. Imagina se logo eu, que faço ativismo virtual, digamos, vou neglicenciar o poder da internet...

lola aronovich disse...

Gio, querido, concordo com tudo que vc diz, principalmente isso de que, às vezes, não há resultados imediatos numa ação, mas os resultados cedo ou tarde aparecem. É verdade.


Escarlate, é isso. Eu acho, sinceramente, que a maior parte das pessoas que participam das marchas têm consciência do que estão fazendo, e sabem, inclusive, que aquela é uma ação feminista, que levanta bandeiras feministas. O que me ofende um pouco é isso de “pode me chamar de vadia, tenho orgulho de ser vadia!”, mas encarar feminismo como se fosse um palavrão — e isso baseado em definições estúpidas sobre feminismo, dadas por pessoas claramente anti-feministas. Acho que é um erro ver essas marchas como um evento pontual, gerado apenas pela declaração do policial canadense. Todas essas marchas (que vieram junto com os mamaços, com a marcha da maconha, com a marcha da liberdade, e tantas outras) são políticas e estão acontecendo ao mesmo tempo. Elas têm um contexto muito maior que o “slutwalk”, na minha opinião. Não deveriam ser um modismo. E eu penso que quem pensa no “sou feminina, não feminista” tem tendência a encarar um movimento político sério como um modismo.

Lisavietra disse...

Bacana ler uma reflexão que está fazendo parte da minha própria vida ultimamente. Então vou me dar o direito de ser extensa - inclusive porque pode me ajudar a processar as impressões que a postagem deixou em mim.

Eu tenho 31 anos e sou de uma geração que aprendeu que feminismo é coisa de mulher feia e mal amada, ou lésbica que odeia homem. O engraçado é que somos filhas e filhos da primeira (e talvez única) onda feminista no Brasil...

Então eu só "descobri" que era feminista depois de adulta- quando resolvi estugar Gênero. E eu resolvi estugar Gênero porque comecei a entender que muitas das minhas angústias, mais do que por motivos pessoais, existiam pelo simples fato d'eu ter nascido uma mulher.
Na UFBA tem uma graduação em Estudos de Gênero e Diversidade, e eu prestei vestibular e voltei para a universidade quase como se estivesse indo para a terapia.
Foi lá que eu entendi; e que eu assumi: EU SOU FEMINISTA. E o medo, ainda que "de brincadeira", d'eu virar uma xiita sem humor aparece (ou apareceu) no meu círculo de amizade.

Depois de 1 ano e meio de curso e de 'feminismo assumido', confesso que algumas coisas me incomodam. E uma delas é a tendência a culpar o homem... Ainda que isso não esteja assumido e nem seja a intenção, mas aparece nas entrelinhas. E mais: há uma revitimização da mulher. Todo ponto de vista (pelo menos os que eu tenho tido acesso) coloca a mulher sempre paciente de uma ação externa que tem por objetivo único lhe esculhambar a vida.
Vou falar uma coisa polêmica: o feminismo também me oprime.

Estou num momento de 'reajustamento ideológico'. Mas sei que FEMINISTA é uma coisa que não vou deixar de ser. Porque o feminismo é muita coisa! É atitude política, é ideologia, é visão de mundo, é uma certa atitude diante de vida.

E me cabe, então, contribuir para a desmistificação do termo. Inclusive porque sei que não se trata de uma cartilha. Não concordo com tod@s @s feministas. Mas, com orgulho, eu sou. FEMINISTA.

Mariana disse...

Apoio a perspectiva do post e do guest post: que preconceito todo é esse contra o feminismo gente? porque tanta gente acha que "não pega bem" ser feminista? Esse discurso "odeio rotulos" me tira do sério. Parece que ninguém para pra pensar que é por causa das lutas feministas que nos mulheres podemos exercer o direito do voto, exigir salarios iguais aos dos homens, ter licença maternidade...
Que pessoal mais desconectado da Historia!

ps: vc conhece o grupo de ação feminista francês LA BARBE? Elas são um exemplo muito legal de movimento organizado que sabe jogar com o bom humor e atrair atenção do publico e da midia levantando a bandeira feminista. Da uma olhada Lola: http://www.labarbelabarbe.org

lola aronovich disse...

Priskka, acho que todas nós que queremos um mundo melhor devemos participar das marchas. Até porque essas marchas, por não terem uma organização tão vertical, são muito plurais. Claro que tem espaço pras feministas, pra moça que ainda sente vergonha de se dizer feminista (repare no AINDA), até pro cara que queira se vestir de Jesus... Quem faz essas marchas somos nós, todas nós que participamos delas. E é exatamente assim com o feminismo também. Somos nós que fazemos o feminismo. Quem não concorda em como o feminismo vem sendo retratado (sempre por pessoas de fora que não conhecem nada sobre feminismo) deveria se assumir feminista pra retratá-lo como quer. Por isso o slogan em inglês “THIS IS WHAT A FEMINIST LOOKS LIKE” (é assim que é uma feminista) é tão pertinente.


Geovana, Sergio, essa crítica de “virar um carnaval fora de hora e só servir para folia” é o que mais se ouve contra a Parada Gay. E no entanto, as paradas gays em todo o mundo são fantásticas e proporcionam grande divulgação. Não acho que devemos ter marchas ou paradas sérias, sisudas, como se estivéssemos numa marcha fúnebre. Pode ser alegre e carnavalesco sim, na minha opinião. Mas eu também quero ver a politização, o pensamento consciente d@s participantes. E principalmente d@s organizador@s, né?

lola aronovich disse...

Lovelove6, é, o nome “vadia” é muito forte. E, como eu disse, é duro de ser reapropriado. Ele seguirá sendo utilizado pejorativamente por multidões que nunca ouviram falar da marcha das vadias. O nome realmente é muito polêmico. E tem mais: aqui em Fortaleza, e em outros lugares do nordeste, o termo “vadia” mal existe. É quenga, pelo que me disseram (e outros termos mais). Então, pra muita gente daqui, não vai querer dizer muita coisa. Mas enfim, acho que precisamos ter um nome unificado, e vadia foi uma boa pedida, e acho sim que é a melhor tradução pra “slut”.


Marcos, concordo plenamente. Não podemos de jeito nenhum deixar que a mídia seja a única voz em narrar esses protestos, porque é óbvio que ela não vê os protestos da mesma forma que seus particpantes (muito pelo contrário). É fundamental que deixemos nossos relatos, como organizador@s e participantes, como testemunhas vivas, em blogs, facebooks etc. Mas acho que devemos ter liberdade pra criticar o que pra gente não está certo. Sem que a crítica seja vista como “vc está querendo acabar com o movimento”. (Não que vc ou alguém até agora tenha dito isso).

lola aronovich disse...

Ha ha, m_ra, perfeito: “Acho que a marcha das vadias faz uma grande contribuição por ser desinibida, divertida. Poderia mostrar que feminismo não é chato, nem cri-cri... Se ao menos se identificasse como feminismo.” É o que penso também.


Claro que tem resultado, Bruno: anos e anos de gente martelando que feminismo é um movimento radical de erradicação dos homens feito por lésbicas vão ter efeito. E isso que eu não conheço uma só lésbica que pregue o extermínio dos homens, ou que sequer os odeie! Ou que a maior parte das feminitas é hétero... Mas enfim, essa ojeriza pelo feminismo é resultado do backlash. No começo dos anos 80, nos EUA, mais da metade das mulheres se assumia feminista. Isso mudou. Mas não é assim tão trágico. No Brasil de hoje, um terço das mulheres se diz feminista. Não é tão pouca gente assim.

Lu Spera disse...

Lola, sou professora de literatura em Ensino Médio e Cursos Pré Vestibular, me formei em Letras - Unesp - Assis. Tive aulas com Ana Maria, uma feminista maravilhosa, que me ministrou um curso de "Lírica de Autoria Feminina". Mais do que pedagogicamente, me abriu olhos para verdades sobre as questões dos gêneros.Estou amando seu blog, que me foi apresentado pela professora de Redação, trabalhamos juntas e falamos a mesma língua, somos as únicas mulheres que dão aulas no ensino Médio do Colégio onde trabalhamos, a maioria é homem, já que segundo eles mesmos " professor homem em cursinho bota mais respeito" mas nós duas estamos lá, e o melhor, usando seus textos e ideias para melhorar nossa cabeça e a cabeça dos nossos alunos... beijo e muito obrigada por este blog... nós, mulheres, agradecemos sua voz.

Aoi Ito disse...

Só eu penso em mulheres tipo Sex and the City quando falam "sou feminina, não feminista"? Como um feminino escrachado e exagerado e fútil? Não sou feminina, godfuck, não preciso ser feminina pra lutar pelos meus direitos, pra ser GENTE. Só que isso faz de mim automaticamente feminista. :)

Solange De-Ré disse...

Olá, queridos leitores!

Meu nome é Solange De-Ré, e fui a autora da frase sobre "feminina ou feminista", denominada pela maioria de vocês como "burra, ignorante, preconceituosa", etc...
Antes de mais nada, gostaria de dizer que vim em missão de paz, pois indiferente do sexo, profissão, cor, credo ou indumentária, a nossa proposta tinha um único objetivo: o respeito mútuo entre os sexos e o debate, muito mais profundo do que esses comentários que encontrei por aqui, sobre a VIOLÊNCIA no Brasil. Que é a marca maior do nosso machismo, tanto masculino quanto feminino.
É desestimulante qualquer luta quando o que se tem é uma sociedade egocêntrica, competitiva e agressiva. E tudo isso de maneira gratuita. Parece que por nada vale a pena lutar. Essa é a impressão que me dá.
Vocês, a maioria preocupados em me massacrar intelectualmente por uma, entre milhões, de frases que usei para dar CARA a essa luta que estávamos propondo, acabaram por perder completamente o foco. Virou disputa de egos. Desculpem-me, isso foge à minha proposta.
Já que leram essa frase, poderiam ler o texto completo que escrevi pra revista Fórum. Poderiam inclusive, ler o MEU BLOG à respeito disso. Poderiam também ler ou ouvir as tantas outras entrevistas que dei e EXPLIQUEI detalhadamente o objetivo dessa marcha. Talvez entendessem a minha preocupação com as classificações que nós, de maneira geral, adoramos fazer uns com os outros. Mas dói quando volta pra nós.
Eu poderia revidar essas afirmações ingênuas de pessoas pouco informadas a meu respeito, e a respeito da Marcha das Vadias em SP, e fazer minhas observações maliciosas com vocês. Sinceramente, isso me soa perda de tempo criativo e útil com as coisas que ainda quero mudar no mundo enquanto estiver viva.
E, desculpem-me se eu não faço questão de "pertencer" ao um grupo disso ou daquilo. Não sou do reggae, do funk, do rock, do machismo, do feminismo, do GLBT ou do quer que seja: eu sou da barriga da minha mãe, apenas.
E os meus ideais nada devem "á grupos de". A gente tem que perder esse medo de "não pertencer", o importante é FAZER e mudar um mínimo que seja. É assim que encaro minha vida.
Sempre militei pelas causas que acredito, sempre que não me conformei com o que me foi apresentado. Acredito que o povo unido é a voz da mudança, mas é difícil acreditar que "desse tipo" de união saia algum resultado positivo.

Não vou me explicar quanto à frase pois, na web tem muito mais do que isso a respeito da Marcha, e os interessados podem se informar melhor. E já me dou por satisfeita de viver num país com grandes avanços na educação, pois sinto que interpretação de texto virou um grande hobby nacional.

De qualquer forma, Lola: eu também fiz questão de postar o seu texto "injustiçado", sobre o CQC no mural do Slut Walk SP. Considerei digno de apoio. Porém, tenho pouca energia para fomentar indisposições entre as pessoas. Sou extremamente ocupada.

Obrigada pelo seu apoio,

Solange De-Ré

Paula disse...

Ótimo, estamos brigando entre nós. É tudo o que o patriarcado quer. E consegue quase todos os dias.

lola aronovich disse...

Dani, e organizadoras e participantes de outras marchas, se quiserem me enviar alguns cartazes que vcs estão usando para a divulgação da marcha, eu agradeço. Hoje o pessoal de Brasília me enviou alguns. Parabéns pelo trabalho de conscientização que vcs estão fazendo aí no Rio.


Lyra, eu vi essa matéria ontem. Quer dizer, não sei se foi a mesma, mas foi parecida. O mais interessante é que sempre que a mídia fala de direitos trabalhistas das empregadas domésticas, ela entrevista “o outro lado”, que é sempre as patroas! E elas sempre falam as mesmas coisas: assim não dá, elas já pagam demais, assim vão ter que despedir a empregada etc etc.

lola aronovich disse...

Débora (Draupadi), os cartazes da Marcha de BH estão o máximo! Vou publicar o guest post da Bruna, da organização da marcha em Brasília, e peço autorização pra ilustrar o post com esses cartazes lindos de BH. Posso?


Lia querida, obrigada pelos esclarecimentos. Parabéns pelo trabalho todo aí em Brasília!

lola aronovich disse...

Denise, eu não concordo nem um pouco com a divisão que o Penta fez entre “feministas” e “femininas”. Primeiro que eu mal sei o que é “feminina”. Eu acho que sou feminina, no sentido de nunca ter sido confundida com um homem. Mas se “ser feminina” é usar maquiagem e salto alto, então não sou. Mas a maior parte das feministas que conheço se encaixam nessa definição da femininidade. Portanto, é ridícula uma oposição entre “feministas” e “femininas”. Essa oposição não existe. Se for pra fazer oposição simplória, prefiro a da feministas versus machistas. Mas também acho que todas nós devemos participar das marchas. É um movimento importante sim!


Blanca, ah, acho que tá tendo uma boa repercussão na mídia. E claro, nem todas as fotos são de mulheres com pouca roupa. Os cartazes das marchas estão sendo maravilhosos e criativos, e também por isso, chamam muito a atenção. Mas vc tem alguma dúvida que se fosse “Marcha das Mulheres Bem Vestidas” não teria metade da cobertura da mídia? Sobre participantes não se assumirem feministas, tudo bem. Eu discordo, acho que toda pessoa engajada em atos feministas deveria se assumir feminista, mas não vou obrigar ninguém. Só acho que a participante deve saber que o que está fazendo é feminismo. E que perceba a sua incoerência em estar organizando e participando de um ato feminista e não se assumir como um. Mas uma coisa é não se assumir feminista; outra é dizer que o feminismo é um movimento lésbico que pretende exterminar os homens...

Blanca disse...

Ei... não é sacanagem, ironia nem nada: nunnca entendi esse "this is what a feminist looks like". Juro. Li a explicação da lola, mas há mais alguém aí pra me dar uma luz?

Blanca disse...

Daní, preciso me increver pra participar da Marcha? E outra, se quiser ajuda com panfletagem (se escreve/fala assim?), qiulauqre divulgação, estou aqui, disposta a ajudar. Meu email: blanca.aleks@gmail.com

Aoi Ito disse...

Blanca, é simplesmente uma idéia de expressar o que é pra quebrar tabus. Ao menos foi isso que imaginei. Identificação, manja? Pra tirar a idéia de que feminista é peluda, grossa, odeia homens e tal. Ninguém esperaria que a colega de faculdade que se dá bem com todo mundo, por exemplo, viesse com uma camiseta que expressa que ela é feminista.

Mas peraí, como uma PESSOA COMUM QUE NÃO ODEIA HOMENS pode ser feminista?!

Ághata disse...

Concordo com Marcos.

Esse negócio de reclamar da marcha porque a mídia distorce a coisa toda é de matar.

Aliás, não é assim com tudo? Não é assim com o MST? Conosco, feministas? Com todo o resto das minorias?

Vamos vestir a carapuça só porque o movimento está recebendo integrantes leigas, que não são estudiosas de gênero?

Também notei isso, sabe? Amigas minhas que não se definem feministas disseram que iriam na marcha. Algumas queriam ir vestidas como vadias (outras serão confundidas com essas, mas enfim...) mas porque acham que essa é a forma delas de dizer "Posso me vestir assim!! Que nem assim você poderia me violentar!!"

Podemos criticar esta forma de manifestação por sabe-se lá quantos motivos? Podemos! Mas não podemos invalidá-la só porque não foi feita da melhor maneira - ao nosso ver!

[E, sim, vai ter umas gatas pingadas retrógradas que caíram lá de paraquedas mas e daí? Em vários movimentos sociais aparecem um sem noção vez ou outra.]

E vale lembrar que é tática bem velha da mídia inviablizar a voz dela por meio da análise de seus corpos.

Aoi Ito disse...

"E, desculpem-me se eu não faço questão de "pertencer" ao um grupo disso ou daquilo. Não sou do reggae, do funk, do rock, do machismo, do feminismo, do GLBT ou do quer que seja: eu sou da barriga da minha mãe, apenas."

Gente, me desculpa, mas eu não entendo essa mentalidade, especialmente quando é NECESSÁRIO uma organização a nível de grupo pra conseguir alguma coisa. Se ninguém fosse do LGBT, se todo mundo fosse só da barriga da mãe, se ninguém se identificasse, como você iria ganhar visibilidade pros seus problemas? É que nem as pessoas que se recusam a se identificar como hetero, homo, bi, etc, pra "não se limitar". É uma escolha muito bonita, mas na prática não ajuda em nada. Pra mim soa como tirar o seu da reta, sabe? Lavar as mãos, não tem nada a ver com nenhum grupo (Mesmo que você se encaixe nele, mas não se identifique). É quase como estar livre de responsabilidades e qualquer coisa referente ao grupo. Claro, é uma questão moral, e acho que no caso não se pode fazer juízo de valor, mas eu acho muito mais forte e importante para a causa alguém que a abraça ela de tal modo que possa ser identificado - Não como fulaninho X, mas como um grupo de pessoas tal, que seguem uma ideologia. É muito mais poderoso ter uma base a ser seguida que parecer um bando de desocupado que fez isso porque sim, saca, sem base em nada.

Blanca disse...

Ah, valeu, Aoi Ito! :D Saquei.

Gizelli Sousa disse...

Solange De-Ré

Me desculpe, mas tendo dado a CARA a um movimento, o que você diz tem muito peso, sim. E dizer, como foi dito, que as feministas são agressivas? Que o feminismo é o oposto do machismo? Isso não é burrice, é ignorância. No sentido puro da palavra, sem tom pejorativo. É desconhecimento. E MACHISMO. Porque essa é a mentira que é repetida dia após dia contra qualquer pessoa que se diz feminista. É como dizer que comunista come criancinha, que sem terra é bandido e etc. Só uma forma de desacreditar um movimento que é real e mudou o mundo em menos de cem anos sem derramar uma gota de sangue (embora muito sangue feminino tenha sido derramado pelo machismo.

Enfim, quem está rotulando aqui não somos nós. Dizer que é feminina e não feminista é dizer que feministas não são femininas (seja lá o que for ser feminina), alimentando ainda mais o preconceito que já sofremos no nosso dia-a-dia.

Essa máxima de que feminista é sexista é a principal inimiga do feminismo e está sendo apregoada por aí sem o menor pudor, inclusive por quem defende as mesmas causas que as feministas, afinal de contas, não lutamos para nós apenas, mas para todas as mulheres, sejam femininas, feministas ou não.

E nada do que postei aqui foi em tom agressivo. Eu simplesmente acho que você precisa de mais informação.

Blanca disse...

2 votos em tudo, Ághata.

Acho muito estranho o povo dizer "não me defino como tal porque isso me limita". Parece medo de se identificar, sabe? E de argumentar, também. Se tal grupo tem ideias das quais você não compartilha, bem, aí vc vê aquilo de outra forma e fim. "Não sou machista nem feminista"... mas existem vários "tipos" de feminismo, várias ideias diferentes e/ou opostas, sabe? E feministas respeitam isso.


Não é algo pronto. Uma das maiores ideis do feminismo é não te obrigar a fazer algo pq os outros querem. Então, se vc se "assume" feminista, não precisa seguir totalmente um padrão - lutamos até contra padrões!

Blanca disse...

Gizelli, não entendi o que Solange quis dizer, se ela é a fabor ou contra a Marcha e o feminismo. Ficou meio confuso...

wellthon disse...

Lola, participei da Marcha das Vadias vestido de mulher, assim como mais 3 homens(fora os da foto) que tem história na luta contra o machismo, algo que aliás é muito forte no Recife.
Entendo que a ideia dos homens se vestirem de vadias é usar do preconceito sofrido pelas mulheres no dia a dia do nosso Estado para questionar a falta de respeito. Aliás porque o preconceito da transsexual, travesti e etc é apenas encarado como de carácter homofobico? Ele é também de carácter machista. Entendo que o machismo atinge, mesmo de que de modo não proporcional os homens. Ao decorrer da minha adolescência já fui muito chacoteado por não tratar as garotas como "deveriam ser tratadas", como meus tios, pai e amigos ensinavam. A ideia de se mostrar superior a elas,desconsiderar pelo seu gênero sempre foi algo que não aceitei.
Curso Ciências Sociais (aliás sou aluno da Professora Cynthia Hamlin) e tenha debatido bastante sobre a participação dos homens em lutas feministas. E sim me declaro um homem feminista. Estudo sobre gênero, apoio a causa e sempre que me é permitido participo de reuniões sobre o tema.
Discordo com você a respeito dos garotos. A nossa proposta foi ser irreverente e se caracterizar como as mulheres "vadias". Sim fomos chamados de viados, frangos, homens frouxos e etc durante a passeata. Aliás um policial chamou um dos rapazes da foto de viado e disse que não falaria com ele.
Apesar de não ter escrito nada no meu corpo. Acho que em um clima de ironia presente, de tentar desconstruir o termo vadia, questionar o machismo e etc a frase caia bem, assim como placas com as frases: A BUCETA É MINHA! FIQUE LONGE DA MINHA VAGINA! Ou até mesmo as Placas ESTUPRE-mE! SOU VADIA! e etc. Além de questionar o termo vadia, incitar a ideia e o imaginário de que se tem de uma mulher e seu corpo foi um meio de transmitir uma mensagem para avisar que algo estava errado no pensamento hemegemonico da população. Nossos gritos de ordem demonstravam claramente isso.
Me entristece ver um post tão negativado de um ato que foi bonito, forte e que chamou muita atenção no Recife. Ainda mais de ser postado um e-mail de uma mulher que se quer participou da marcha e desconsidera ou deslegitima uma tentativa de diminuir o enorme machismo em PE. Acredito que faltou abertura para essa pessoa participar de algo que fosse organizado por outros fora de sua rede que compartilhem da luta contra o machismo.
Peço sinceramente que você reveja suas colocações a respeito dessa participação masculina. Aliás a figura de Jesus é porque o nome dele é Jesus mesmo. Aquilo provavelmente era uma sátira ao machismo das igrejas, aliás havia cartazes afirmando que Jesus ama as Vadias.

Daní Montper disse...

Não li todos os e-mails, mais bem li os que foram direcionados para mim:

Aiaia, toda ajuda, real ou virtual e torcida são bem-vindas.

Blanca, já te adicionei no grupo, e te vi no facebook, deixei uma mensagem pra ti pelo teu comentário.
Não tem que se inscrever para ir na marcha não, quem quiser ir vai, o lance é que a gente quer reunir pessoas que saibam pelo que estão se manifestando, e as inscrições para alguns lugares distantes é porque estamos tentando conseguir ônibus para mulheres desses locais, pois sai caro para elas irem até Copacabana e elas estão nas zonas em que mais se tem ocorrência de assédio e estupro, então estamos tentando mobilizar empresas de ônibus para que os cedam aluns veículos para trazê-las - e neste caso sim terá que ser feita inscrição, pois há limite no nº de passageiros dos bus. xD
Se você puder ajudar na parte gráfica/design será ótimo, para mim é a parte mais complicada porque não sacamos muito, fazemos o básico em paint e tal hehehe
Mas qualquer outra ajuda é super bem-vinda.

Lola, assim que tivermos material prontinho, mando pro teu e-mail, pode ser? Valeu pela ajuda!

Desculpem se passei por alguém, e obrigada pelo apoio.

Agora, sobre essa questão de dizer ser feminina diferente de feminista, o conceito de feminilidade é cultural, e dentro do que se acha feminino em nossa sociedade eu sou bem feminina e sou feminista do útero às unhas, aliás, confesso que me tornei uma pessoa bem melhor depois que estudei sobre o feminismo e assinei minha carteira como feminista xD

Uma coisa que sempre falo nas reuniões feministas é que precisamos de aliados na grande mídia para que, em momentos como este, a gente consiga que eles passem a mensagem completa e corretamente.

=draupadi= disse...

pode sim. é só clicar no banner do blog que ele encaminha para a página do Picasa. Hoje mesmo devem sair mais cartazes =)
E tem o bingo slut walk, que tá fazendo o maior sucesso entre as vadias idosas que curtem um bom bingo!

Laetitia disse...

Bizarro! Eu jurava que havia feminismo escancarado ali... afinal, todas os cartazes que li explicitavam conceitos fortemente feministas! Pq a dificuldade em se assumir militante feminista, meu Deus? Eu acho (e espero) que a dificuldade se refira apenas ao termo em si... pq não vejo outro motivo pra uma mulher defender tudo aquilo sem ser feminista, afinal. Ou será que essas marchas são puro oba-oba e os reaças estão certos de achar que a mulherada sai à rua pra poder mostrar o corpo? Acho que prefiro morrer a acreditar nisso... rs.

Quanto à foto dos rapazes, eu vi ironia - que é sempre perigosa, pq é fácil de fazer mas difícil de interpretar. Eles estão, pra mim, ironizando o pensamento machista de "comportamento de vadia" (?) = justificativa pra estupro. Será que não é isso? Mas tb não é difícil de enxergar como zombaria ao próprio movimento, eu reconheço.

Leviatã disse...

Olá,
Como homem hétero feminista tenho que dizer que antes eu também não entendi exatamente o termo. Esse é o problema, mesmo sabendo que as feministas lutaram por liberdades das mais diversas e igualdade eu achava lógico comparar feminismo ao machismo, talvez pela semelhança das palavras. Mesmo que essas lutas não tivessem nada de errado e sempre tiveram um intuito puro libertário e igualitário, sempre foram a favor das mulheres.
E com algumas feministas que ajudam a distorcer esse significado achando que mulheres são melhores que homens, me fazia achar que o feminismo era o machismo das mulheres. Isso deve ser o que todos pensam ao ouvir o termo.
Existem duas opções ou mudar o termo, ou informar as pessoas melhores.

Acho que deviamos lutar pelo humanismo, que na verdade é o conceito de igualdade do feminismo, mas sem o significado raso que possa ser confundido pelos ignorantes, mas para os não ignorantes essa palavras tem muitos outros sentidos e significados. Então fica difícil lidar.
O certo mesmo seria todos se informarem, mas sabemos o quanto isso é difícil nesse país onde até quem informa deturpa...(mídia, censura? cof cof)

Bom, eu me informei, e sou partidário da causa e siceramente acho que essa marcha é mais bagunça, mas tem seus efeitos, e acho que são positivos. veremos...

Daní Montper disse...

Desculpem pelo e-mail, quis dizer comentário ;P já estou uma vadia doida.

Não sei se viram, mas amei uma frase que rolou na marcha de las putas no méxico, é assim: "Escucha, baboso, yo escojo a quién me cojo”
a tradução seria algo como "escuta, babão, eu escolho com quem transo"

[.ingrid.] disse...

Lola... olhe só:

http://cqc.band.com.br/post.asp?id=493398

Concurso mamilos polêmicos

lola aronovich disse...

Muito interessante o que vc colocou, Lisavietra, principalmente esse ponto: “o feminismo também me oprime”. Ah, desenvolve o texto e faz um guest post pra cá! Por favorzinho?


Lu querida, muito obrigada pelo carinho! Fico feliz em saber que meus textos estão sendo usados em cursinhos!

lola aronovich disse...

Solange e principalmente quem lê o comentário da Solange, não vou me estender porque recebi um email da Solange, e é melhor respondê-lo em particular. Mas, sobre o comentário, devo dizer que não foi minha intenção expor ou apontar o dedo pra alguém. Como disse no texto, foi a segunda vez que vi uma organizadora da marcha (a primeira foi de uma das duas principais organizadoras da marcha de Toronto!) dizer que não é feminista. Pra mim isso é muito estranho, porque o que a Marcha das Vadias reivindica são bandeiras que as feministas reivindicam há décadas. Então é um pouquinho de falta de conhecimento mesmo de algumas moças jovens não saberem que feministas têm essas mesmas lutas. E que, assim como essas moças jovens que renegam o feminismo não são histéricas radicais e agressivas por exigirem que seu corpo seja respeitado, bom, tampouco o são as feministas, que lutam exatamente por isso. Ninguém quer te massacrar, Solange. Os comentários aqui foram bem-educados, e ninguém nem tocou no seu nome, porque, afinal, o objetivo não é esse. Eu vejo um individualismo exacerbado em pessoas da sua geração, inclusive entre feministas. E não concordo com isso. Assim como a Marcha das Vadias é maior do que vc, e assim como as bandeiras da Marcha são maiores que a própria Marcha, não interessa pra mim saber quem disse que é “feminina, não feminista”. Porque certamente não foi só vc. Definitivamente não é a primeira vez que eu ouço isso. Aliás, é uma das coisas que eu mais ouço, direto, muito antes da Marcha das Vadias existir. É claro que é preocupante uma organizadora da Marcha demonstrar esse tipo de preconceito contra o feminismo. Li o seu texto na Fórum (e só não coloquei o link aqui porque não queria direcionar a crítica a uma só pessoa), e ele está muito bom, até chegar no último parágrafo, em que vc escreve “Não somos feministas raivosas querendo exterminar a raça masculina, somos mulheres que pedem respeito para ser apenas o que já são: mulheres!”. Se esse frase viesse de mim ou de alguma outra feminista, ela seria irônica (afinal, não achamos que existam feministas raivosas querendo exterminar a raça masculina, ou, se existem, não conhecemos, são uma minoria ínfima). Vinda de quem realmente acredita que feministas são lésbicas radicais que querem exterminar os homens, bom, aí já complica, né? Porque o seu alvo de ataque não deveria ser, em momento algum, o feminismo ou as feministas, e sim o machismo e os machistas. As feministas vão apoiar a Marcha. Os machistas vão condená-la. Infelizmente, não é uma frase isolada. No seu email vc tenta justificar o que disse, mostrando que acredita mesmo nesse preceito de que feministas serem lésbicas rábidas. Pega mal, Solange. Eu sugiro realmente que vc abra seus horizontes sobre o feminismo, e pare de comprar o pacote pré-fabricado do que ele significa. Quer dizer, eu sugiro isso pra todo mundo, não só pra vc. A quem interessa espalhar mentiras sobre o que é o feminismo?
Eu acho que vc está de parabéns por ter organizado a Marcha em SP, que sem dúvida foi um sucesso. Mas acho também que a Marcha teria efeitos mais duradouros, mais eficientes, se fosse associada não apenas a um dia num ano de 2011, e sim a uma luta de algumas décadas.

lola aronovich disse...

Paula, ninguém está brigando. Não considero criticar e dialogar “brigar”.


Blanca, isso de “This is what a feminist looks like” é bem como a Aoi Ito explicou. O que o senso comum diz é que feminista é um bicho peludo e bigodudo que odeia homens, e que é horrenda e mal-amada. Aí, através de uma camiseta, vc mostra que há mil e um tipos diferentes de feministas. Clica no Google Images pra ver como tem gente (mulheres e homens) que usam a camiseta “This is what a feminist looks like”. A atriz Ashley Judd sempre aparece. E ela não é exatamente peluda/bigoduda.

lola aronovich disse...

Wellthon, que bom que vc participou da Marcha em Recife! Tenho certeza que muitas das pessoas que participaram são feministas assumidas. E sim, não há dúvida que o machismo é altamente prejudicial para os homens (não só para as mulheres). Eu acredito que homem possa ser feminista, e fico feliz em saber que homens feministas participaram da marcha. Mas, ainda assim, não me cai bem homem se vestir de mulher numa marcha dessas e escrever “estupre-me”. Aliás, acho que eu não gostaria do “estupre-me” em qualquer pessoa. Porque a gente quer reapropriar o termo “vadia” ou o termo “estupro”? Não creio que a Marcha de Recife tenha sido negativada neste post. Primeiro que estamos falando de uma preocupação que temos referentes a todas as marchas (inclusive a de Toronto). Segundo que apoio as marchas, pretendo participar de uma em Fortaleza na sexta, e encorajo todo mundo a participar também. Se eu considerasse as marchas negativas, não faria nada disso. Sou totalmente a favor das marchas. Mas esse anti-feminismo vindo de algumas participantes e organizadoras me incomodou. Só isso.


Débora Draupadi, que bingo Slut Walk? Esse eu não conheço!

Tiago disse...

Lola, essa ideia de feministas querendo exterminar os homens não vem do livro "SCUM - Manifesto feminista"? Já indaguei sobre isso em outro blog, me disseram que a autora é uma demente. Mas enfim, li por acaso a primeira pagina do livro na casa de uma menina. Essa mulher deve ter feito um barulho do cão pra o que ela disse ser usado pra rotular o feminismo até hoje....

Magui disse...

Feminismo não é lutar contra os homens mas a favor do exercício dos mesmos direitos .A igualdade inserida na Constituição Federal de 88 e leis complementares foram resultado da luta de feministas que enfrentaram a discriminação inclusive de mulheres que hoje se locupletam das conquistas, torcendo o nariz. Muitas mulheres morreram nesta trajetória e conhecer isto é questão de cultura. Não interessa a opinião delas.O importante é que estejam juntas na luta dêm que nome dêm.
Qt à esta foto destes rapazes mostra como certos homens conseguiram transmitir para suas crias as suas convicções misógenas.

Escarlate disse...

Eu jamais acharia que a Solange De-Ré teria feito esse comentário ofensivo, sendo que eu participei da marcha e a vi em vários momentos dando entrevista. O modo como ela se expressou sobre as feministas não me desceu até agora, pra mim se colocassem a frase como sendo do Nelson Rodrigues, eu acreditaria.

Não sei se ela percebeu o quão machista foi sua frase, colocando as feministas, muitas daquelas que participaram da marcha (e acreditem, não mataram nenhum homem!!!) como lésbicas raivosas que ela já descobriu as reais intenções (?!?). Além de machista, foi homofóbico, já que amar outra mulher se parece com extermínio de homens.

Fico imensamente triste com essa fala tão típica de alguém que nunca leu nem a definição da Wikipedia sobre feminismo. Muitas mulheres lutaram para que pudessemos estudar, escolher nosso parceiro, trabalhar sem sermos execradas, nos libertarmos do jugo machista. E não foram as "femininas" que fizeram isso, foram as FEMINISTAS, essas lésbicas sanguinárias e desprezíveis.

E eu não estou direcionando esse comentário a ela, e sim a todos os homens e mulheres que insistem em falar que o feminismo é uma praga, sem nem o conhecer.

Ninguém é obrigado a se declarar como nada, se isso garante seu conforto, vá em frente. Mas não dá pra sair por aí falando o que quer sem saber do que se trata sem esperar uma crítica do grupo a qual vc se refere.

Danilo B. disse...

Concordo em gênero, número e grau! As Vadias que se dizem não-feministas são muito ignorantes em relação ao tema.

Ainda bem que ignorância tem cura.

Robson Fernando de Souza disse...

Olha minhas turmas de Ciências Sociais fazendo presença no Escreva Lola Escreva =D Nas fotos vi uma colega e um colega, cada um de um período (tô em uma cadeira do 7º período e uma do 5º, mais uma eletiva).

De fato a foto dos caras (entre eles um colega de turma meu) deixou parecer a muit@s que a Marcha das Vadias pode deixar de ser uma passeata feminista pra se tornar uma espécie de Virgens de Olinda (evento do Carnaval olindense onde homens saem vestidos de mulheres). Mas o comentário de Risoflora faz muito sentido na outra direção.

Sobre a declaração das organizadoras originais das primeiras Marchas das Vadias sobre terem medinho de serem identificadas como feministas "lésbicas misândricas", foi uma ignorância tremenda e uma falta de visão de como essa marcha tem implicações feministas inexoráveis e profundas.

Mas felizmente a esta altura passou a ser impossível continuar negando a dimensão feminista dessas marchas. Quem discordar do feminismo tenderá a abandoná-las e dar lugar à militância sedenta de igualdade entre os gêneros. E nesse sentido as "marchas das vadias" acabarão mudando de nome e sacrificialmente dando à luz paradas feministas semelhantes ao Grito dos Excluídos.

Carina disse...

Concordo totalmente com o post. Essa marcha dá horas de discussão, mas, para resumir, concordo que não dá pra comparar o debate feminista do Canadá com o do Brasil. Já deu para notar que não é simplesmente importar uma ação de lá para espalhar por aqui.
Essa multiplicidade de opiniões a respeito da marcha acaba fragilizando as intenções da mesma, e quem mais se aproveita disso é a mídia. Interpretam a ação erroneamente e fica tudo por isso mesmo, sem grandes impactos (ou, pior, com um impacto ruim).
Enfim, por um lado é bom para chamar meninas para o mov. de mulheres; mas por outro, dá margem pra machismos, inverdades, interpretações erradas, etcs.
O Brasil é um país muito machista, então para a 'Marcha das Vadias' dar certo seria preciso, pra começar, eu acho, um outro nome...

Ro Salgueiro disse...

Querida Lola,
há tempos não comento aqui e sequer posto em meu blog - ando numa crise braba de escritura - mas tenho acompanhado os posts com muita atenção. Gostaria apenas de registrar o seguinte: é impensável qualquer ação política fora da perspectiva feminista. Porque feminismo é uma lente do campo social. É como a consciência racial. Por exemplo, eu jamais me casaria com um homem que não fosse feminista ou que, no mínimo, não se esforçasse para seguir tais princípios. Eu não quero ler os livros de um escritor anti-feminista como o Naipaul, por exemplo. Então é complicado pensar em um evento político que visa a conscientização sobre a autonomia feminina sem considerar o feminismo.
Beijos!

Pentacúspide disse...

Calma aí, Lola, eu não fiz nenhuma divisão entre o feminismo e o feminino, só usei as palavras da dona da citação. Tanto podia ser mulheres feministas e mulheres não feministas, porque para mim aqui isso não importa, mulher é só mulher, o resto é rótulo.

menina limão disse...

Olá tudo bem?
Adorei seu blog, parabéns!!!
Estou te seguindo, espero que me siga também.
Gostaria de te convidar a conhecer meu blog e minha personagem cômica,
conhecer meus vídeos, são vários, esse é um o mais recente.
Fica com Deus e bom final de semana.Divirta-se!!! bjs
www.meninalimaoem.blogspot.com

@limaomenina

D. disse...

Eu concordo com a Gail Dines (ou Jéssica Valenti, não me lembro mais) quando diz: porque não reabilitar a palavra "feminista"? Esta sim tem sido histórica, sistematicamente esculhambada. Não concordo de modo algum que qualquer palavra que tenha sido usada para humilhar as mulheres deva ser "recuperada" pelas mesmas. Porque não são palavras cujo significado se perdeu, são palavras cujo significado sempre foi e continua sendo muito claro.

Renata Lins disse...

Passagem rápida pra dizer que
1. achei o texto bem bom
2. concordo com coment 1 (mulheres, não femininas ou feministas)
3. Concordo com a Janaína, qdo fala da tradução. Me parece coisa de gente que faz legendagem e não pode usar "piranha". Vadia é uma palavra que não tem a mesma conotação de slut, nem é usada com a mesma frequência.

D. disse...

Solange, é assim, ó: quando a gente fala coisas sem saber, sem se informar, quando se contradiz, e ainda por cima sendo a "cara" de um movimento, as pessoas vão criticar, sim. Você demonstrou estar mal-informada sobre o movimento feminista, usando um dos clichés mais difundidos sobre o movimento para justificar a sua atitude.

D. disse...

Outra coisa, Solange. Como assim, você quer "militar em uma causa", mas foge de qualquer identificação? Militar é carregar uma bandeira. Como é fica isso sem identidade?

Solange De-Ré disse...

É assim que um país cresce (...)
Obrigada pelas "obervações" gerais, é assim que vocês me convencem ao dito feminismo.
E no tocante a ler, já que a disputa de egos aqui é grande: não vi televisão até meus 10 anos de idade. Na minha família se lia muito, e conservo esse hábito. -assim como escrevo ( Ah, sintam-se LIVRES para não comprar qualquer material meu- Mas, fiquem a vontade para "advinhar" que não li os livros que "deveria". Esses que vocês leram e lhes conferiu a tamanha segurança para atacar ferozmente e intelectualmente aquele/a que se opõe a agir ou pensar como vocês.
Grande exemplo que pretendo guardar.

Sem mais.

Gizelli Sousa disse...

Solange, se você não é feminista, ótimo (embora não seja no discurso, há muito de atitude feminista em você, mas ok). O problema não é você se definir como feminina, ao menos para mim esse não é o problema. O grande 'X' da questão é dizer que feminismo é o oposto do machismo e que queremos aniquilar os homens da face da Terra (???). ISSO é mentira. Ou melhor, é IGNORÂNCIA. Bastava ler os comentários aqui para saber isso, não precisa ler livro nenhum. Se informar é sair do nível do senso comum.

Giovanni Gouveia disse...
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Giovanni Gouveia disse...

Só pra fazer um paralelo.
Quantos trabalhadores que fazem greve vocês acham que defendem o fim do capitalismo?
Boa parte acredita que basta conseguir uma melhoria imediata de salário, que a greve atingiu os seus objetivos.
Sei de gente, hoje famosíssimo nas rodas política brasileira, que, à época da fundação da CUT, ficava irado porque toda reunião havia analise de conjuntura, e ele não entendia como analisar a conjuntura iria alterar o quadro da greve da categoria dele... 8( )
Aquelas que ainda não entenderam que não há como mudar só o imediato terão que aprender que não é "só" o estupro sexual que está envolvido. A violência sexista, a opressão das mulheres, vai além de uma "conjunção carnal não consentida", há outros "estupros" (na jornada dupla de trabalho, na diferença salarial, nos padrões de beleza impostos, na violência doméstica...) igualmente dolorosos, e que o feminismo não é, como na física, uma "reação na mesma intensidade em sentido contrário", mas a luta por condições isonômicas de gênero.

P.S> Vange Leonel colocou bem esse ponto de vista pedagógico sobre a marcha de São Paulo:
http://viceland.virgula.uol.com.br/br/blog/?p=8198

Le Cazzo disse...

Solange, eu suspeito que o cerne da questão não é convencê-la a coisa alguma. Como alguém já disse por aqui, a questão é maior do que você.

De um ponto de vista pessoal, você tem direito a toda e qualquer opinião, mas quando se manifesta publicamente e em nome de um movimento público, a questão deixa de ter caráter meramente individual (isso é política). E é às suas declarações públicas que as pessoas têm se contraposto.

Ao reproduzir estereótipos extremamente conservadores e preconceituosos acerca do feminismo, você não apenas está colocando em xeque a causa defendida pela Marcha das Vadias, mas outras, igualmente importantes, ainda que menos espetaculares.

Não é tão difícil entender que aquilo pelo que você diz estar lutando é uma luta histórica do movimento feminista e que, neste sentido específico, você está se aliando a ele.

O ponto principal, portanto, não é o de que você precise se identificar como feminista ou como qualquer outra coisa, mas o de que você não tem o direito de fazer declarações como a de que "nossa marcha foi tomada, e desviada da rota planejada, por um grupo desses, e levantaram cartazes como: não ao silicone!" ou "meu conselho pra fazer com que a iniciativa tenha uma razão maior de existir, e fugir do estereótipo feminista radical (pois isso realmente atrapalha o propósito real e confunde as pessoas que gostariam de entender melhor)". E isso, em parte, por razões que você mesma menciona no seu texto (ou ele não é seu?): "mais preconceitos só tirariam os créditos de seriedade dessa marcha".

Acho que vale a pena pensar um pouco mais sobre isso.

Cynthia Hamlin

aiaiai disse...

kkkkkkkkkkkk Solange, é este seu nome!
Querida, não queremos te atacar é você quem está atacando ao afirmar que feministas querem "exterminar da terra a raça-homem" e que lésbicas são pessoas que tem como objetivo exterminar os homens. Foi isso q vc escreveu, não foi?

Se não foi, mostre pra gente o q você quis dizer. A gente vai tentar compreender.

Por enquanto, continuo achando q você é uma louca, mas agora sei q é uma louca muito letrada. Puxa, ñ viu televisão até os 10 anos? Incrível! Sensacional! Extraordinário!

Ao invés de ficar com raiva porque percebemos q vc escreveu bobagem, tente entender porque consideramos sua declaração uma bobagem perigosa para o movimento feminista (aquele que considera mulheres seres humanos com os mesmos direitos dos homens, sabe?)Nós achamos q vc escreveu isso porque não conhece os fatos da história do feminismo e não compreendeu bem as causas do estupro.

Você conhece alguma lésbica q tenha vontade de exterminar homens? Conta aí pra gente!

Eu, por outro lado, conheço muitos homens que gostariam não de exterminar as mulheres, mas que elas voltassem a ser escravas dos desejos dos homens, dependentes, doceis e caladas.

Sugiro uma volta aos seus tempos sem tv e mais leituras sobre feminismo. Comece pelo Backlash. Conhece? Dá para baixar aqui:

http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2009/02/441524.shtml

Neste livro a Susan Faludi explica direitinho como foi q você foi convencida de que feminismo é um movimento do "mal".

boa leitura e boa sorte!

Rubens disse...

Daní Montper

Vi nos comentários que precisa de alguem que manje de design gráfico para ajudar no marketing e divulgação. Trabalho com Design gráfico e editoração, e apoio as causas aqui levantadas no blog da Lola, sinta-se à vontade para pedir um auxilio estou me colocando a disposição como voluntario. :)

Já trabalhei com Ong e gosto desse tipo de serviço.

Segue link para um pequeno portfolio meu:

http://www.flickr.com/photos/33755580@N04/

Lola, o convite se extende a vc tb viu? Adoro seu blog, foi muito legal aquele guest post sobre o machismo, mas gostaria de participar mais por aqui.

t+ gente abraços

aiaiai disse...

gio, ñ tinha visto o seu comentário antes: ARRASOU! FALOU TUDO! MANDOU BEM!

Giovanni Gouveia disse...

Cynthia Hamlin? Oxe, tu por aqui? :D

Escarlate disse...

Acho que a Solange não percebeu a questão.

Se você não quer se determinar feminista, ótimo, viva sua vida. Mas não queira atacar as feministas e reproduzir preconceitos historicamente ligado a nós sem que nos sintamos ofendidas. Em vez de ficar aqui proclamando o quanto somos selvagens e feministas loucas histéricas, você poderia se informar um pouco e reconhecer que errou, que ofendeu pessoas que sempre são ofendidas por lutarem pra que eu e você tenhamos direito de viver a nossa vida sem sermos julgadas por sermos mulheres.

Ninguém nem sabia quem tinha postado aquela frase infeliz, ou seja, o PROBLEMA É MAIOR DO QUE VOCÊ. O problema é o que o seu pensamento senso-comum é geral na sociedade. Essa história de "sou feminina, JAMAIS feminista" é mais velha do que você pode imaginar. É resultado de anos de ódio e propaganda negativa direcionados as feministas.

Nos chamar de lésbicas exteminadoras de homens é tão velho quanto dizer que queimamos sutiã, ou somos gordas e peludas.

Ângela disse...

Quem escreveu o incrível texto da Forum e disse "esses grupos feministas (...) são formados, na sua maioria, apenas por lésbicas" foi a mesma pessoa?
SE foi... não entendo mais nada...
Que desperdício de talento!!!

E, repito, não seria por não buscar maiores engajamentos ou por não concordar com esta ou aquela ala. Mas por acabar usando os próprios e bravos esforços em prol da mulher justamente para estigmatizá-la...

Gaia disse...

Ai Solange...
Não precisa ler livro nenhum. Só não fale do que não conhece...

aiaiai disse...

Já q a angela falou q o texto da forum era incrível, resolvi ler, e lamento, só piorou minha impressão sobre a autora.

Lá pelas tantas ela sai em defesa das putas ...até ai, beleza, eu também defendo. Mas os motivos dela são completamente diferentes dos meus. Leiam vocês mesmos:

"Muitos homens pagam prostitutas, e acabam abusando moralmente delas, até espancando. Acredito que essas mulheres merecem respeito, pois sem elas muitos homens não tão belos, não tão ricos ou até mesmo deficientes físicos, jamais teriam sexo não fossem essas mulheres que só vendem o que é realmente delas!"

Quer dizer que lésbica tem como objetivo exterminar os homens e prostitutas servem para que homens feios, pobres e deficientes físicos possam fazer sexo????

Danou-se!

Sexo c/ Amor? disse...

Dizem que: o hábito não faz o monge.

Ághata disse...

Ah, alguém aí já deu um exemplo do porquê eu tenho tanta desconfiança com homens que se dizem feministas: a primeira coisa que eles fazem após adotar a denominação é nos dizer como devemos nos manifestar e que devemos mudar o nome! [Pra algo nada a ver tipo, humanismo. Que, oi, já existe e é outra coisa.]

Ághata disse...

Rubens, valeu pela iniciativa! ^^

Ághata disse...

Muito bem lembrado, Sexo...

Ághata disse...

Aiaiai, depois dessa, eu que não me atrevo a ler o texto na Fórum!

Não entendo essas coisas... Tantas feministas com potencial e sem espaço...

Mirella Nogueira disse...

Ahhh não! Realmente depois dessa não sei se choro ou se tomo um anti-refluxo:

"Muitos homens pagam prostitutas, e acabam abusando moralmente delas, até espancando. Acredito que essas mulheres merecem respeito, pois sem elas muitos homens não tão belos, não tão ricos ou até mesmo deficientes físicos, jamais teriam sexo não fossem essas mulheres que só vendem o que é realmente delas!"

Mirella Nogueira disse...

Solange, vc é uma das mulheres mais machistas que eu já conheci. Todas as análises que vc faz são preconceituosas, até caricatas, e visam somente o homem. Será que vc não consegue ver isso? E o mais perigoso nessa história é que vc se traveste de feminista.. ops, feminista não né, feminina...(até pq vc não se julga uma lésbica raivosa e genocida)... rsrs

Só chorando mesmo.... :(

L. Archilla disse...

Poderia ser uma discussão TÃO mais saudável e proveitosa se a Solange entendesse que não estamos falando sobre QUEM ELA É, e sim sobre a ideologia que ela reproduz!

P.S. Eu lá quero saber quantos livros a sujeita leu???

Pat Ferret disse...

E mais uma vez chegamos à conclusão, como no caso do CQC, de que as pessoas não têm a MENOR noção de que todo discurso tem um peso... :-P

Vonière disse...

complicado, tem atenção da midia e repete o velho discurso machista e preconceituoso de sempre. O final é ótimo tambem "...grupos feministas... são formados, na sua maioria, apenas por lésbicas, o que já denuncia seus objetivos." Os seja, feministas são todas lesbicas, e o objetivo de uma mulher que não sente atração por homens é extermina-los da face da terra! estamos bem representadas nessa marcha hein, e o pior é que a maldita ta se achando "a frente de seu tampo"! morre diabo!

Mari Lee disse...

Adorei o post e os comentários!

Eu juro que até hoje me causa muito estranhamento, toda vez que ouço alguém defender uma luta feminista ao mesmo tempo que diz que "não é feminista".
No meu blog (http://raizasas.blogspot.com) já escrevi sobre temas feministas, e recebi comentários exatamente assim. "Apóio tudo isso, mas EU não sou feminista!" WTF?

Escrevi uma postagem hoje, inspirada por esta discussão. O texto não está tão bem articulado quanto os seus, Lola, mas acho que passa a mensagem...
Eu juntei imagens de várias pessoas usando camisetas com a frase "this is what a feminist looks like" (eu traduziria como "uma feminista é assim" ou algo parecido).
Vamos ver se alguém comenta...

The tone disse...

Lola, sou leitor já há algum tempo, mas nunca havia comentado.
Li esse poema aqui e lembrei das coisas que você escreve. Você conhece essa autora? Tou começando a estudá-la. http://cla.calpoly.edu/~bmori/syll/311syll/grey.html

denise disse...

Que tristeza um movimento que estava começando tão bem e tomando força pelo Brasil, começar a se dividir assim com tantas criticas que poderiam perfeitamente não serem expressas em benefício de uma união que é tão necessária pra nós mulheres, poxa vida já temos que lutar com o monstro que é o machismo que nos oprime, violenta e mata agora nos voltamos contra nós mesmas, sendo que temos objetivos semelhantes, vai ser impossível achar um grupo tão grande de pessoas que pensem exatamente igual, que tenha força para se mobilizar com algum resultado, acho q esta havendo muita intolerância que não vai nos levar a nada, poxa vida se realmente as pessoas que postam e comentam aqui nesse blog almejam um futuro menos desigual pra nós mulheres, temos que ter a consciência que juntar forças é imprescindível. Segregar, dividir, criticar nesse momento só atende aos desejos de quem luta contra nós.

Daní Montper disse...

Oi, Rubens, como podemos manter contato? Meu twitter é @danimontper no facebook é Daniela Montper, no gmail é danimonter

Estamos mesmo precisando de ajuda nesse campo!

valeu!

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Acho que a Solange não compreendeu que não criticamos ela especificamente (muito menos por não ser feminista, e nem queremos convencê-la a ser feminista), e sim quem (qualquer pessoa) fala sobre feminismo sem conhecê-lo, sem saber do que se trata, o que busca, qual sua história e lutas, não queremos que reforcem/repitam estereótipos inventados por machistas que desejam enfraquecer o feminismo.

Nós, feministas, somos mulheres muito diferentes, em vários aspectos, que possuem um objetivo em comum: o fim do machismo.

"O feminismo nunca matou ninguém, o machismo mata todo dia" - então de onde que surgiu que queremos exterminar algum gênero (e homem é um gênero e não raça!)?

floresfrutas disse...

até entendo as razões da autora do guest post, mas não acho q o fato de ter gente que não se assume feminista na marcha tire o efeito da mensagem. a mensagem é muito maior do q qqer dúvida existencial q qqer manifestante possa ter. no coletivo, prevaleceu o ato e sua mensagem. elas estiveram lá, levantaram suas bandeiras e fizeram sua parte. obrigada a todas q foram sem reservas.

Flasht disse...

missão um tanto impossível que nada com a inversão de valores que anda solta, fazer isso é muito fácil, mulherada já assume na cara dura que prefere os cafajestes até os príncipes dos desenhos Disney hoje em dia são bandidinhos marginais¬¬

E usado para condenar a sexualidade da mulher não senhora, usado para mostrar o que (DE FATO) são, ou uma mulher vestida vulgarmente não é vulgar?uma interesseira não é uma prostituta indireta?...

Comentários ao guest:
"corpo da mulher como território soberano dela própria" O corpo é dela até o momento que ela "vende", a mulher que ter o poder de vender o corpo e ainda continuar dona dele?
muito conveniente né?vendem e com a grana querem fazer "up-grades" ou seja querem que o cornão patrocine um comprador que de mais que ele¬¬

"Qual a crise, galera, em ser uma vadia feminista? Afinal, qual a luta do feminismo, senão a da defesa da liberdade de sermos aquilo que quisermos? Penso que rumamos para o mesmo horizonte libertário!"

Querem esta liberdade sem responsabilidades né? como cadelas que fogem de casa, se sujam, comem carniça etc e voltam abanado o rabinho para o dono e querem que ele aceite de braços abertos me digam mulheres vcs aceitariam isso?inclusive lambidas com a boca podre

denise disse...

Flasht.
O cara de onde se surgiu????Pra falar tanta M_____ , volta pro seu blog mascu retardado...

Sexo c/ Amor? disse...

os hábitos, sejam quais forem, podem ser costurados, reformados, ajustados, a qualquer momento. quando você se permitir, sem ranger dentes, livre como deve ser.
tudo é uma questão de manter a mente quieta. a espinha ereta. e o coração tranquilo. o que não pode é a pessoa empacar, jamais.
E tem aquela coisa, no pain, no gain.
beijos

Milena Araguaia disse...

Lolinha, compartilho um mail que recebi sobre a Parada Gay e é bem por ai minha avaliação.Ela é do Antônio David: "vejam que lição interessante...

aqui em são paulo, todos, sem exceção (a começar pelos próprios militantes LGBT), sempre disseram que a parada do orgulho LGBT de SP é totalmente despolitizada, é só festa, é só carro de som de boate e por ai vai. e realmente é assim. e desde que surgiu a parada só tem crescido, juntando gente, juntando gente, e hoje aglutina nada menos que 3 milhões de pessoas.

pois bem. esse ano, em função de toda a polarização que tem havido e de toda a dimensão que essa polarização tem tomado na mídia (agressões a homossexuais sendo divulgadas na imprensa, kit anti-homofobia do MEC, reação do bolsonaro e da igreja, recuo da dilma, decisão do STF etc etc etc....), a parada vai ganhando um tom mais político e progressista: http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2011/06/06/04024E1B336CD8B11326.jhtm?associao-lgbt-diz-que-se-preciso-far-kit-antihomofobia-04024E1B336CD8B11326

moral da história: ao contrário do que dizem os trotisquistas, ter influência de massas é extremamente util mesmo que de forma despolitizada, pois, no momento em que houver oportunidade pra politizar, as condições estarão dadas, e as lideranças (desde que não sejam totalmente degeneradas e tenham alguma seriedade) serão empurradas para uma posição de politização (imagino que essa movimentação em politizar a parada não surgiu pura e simplesmente da boa vontade das lideranças da parada; eles foram empurrados para essa posição, porque a conjuntura está exigindo isso delas)."

Giovanni Gouveia disse...

Milena, não sei quem foram os trotskistas que você teve contato, mas, sendo trotskista, posso lhe afirmar que essa posição aí nada tem de trotskysmo.

Gaia disse...

Flasht

"missão um tanto impossível que nada com a inversão de valores que anda solta..."

Seu comentário é uma mostra que é sim, muito difícil. Muita gente pensa desse seu jeito ridículo.

"mulherada já assume na cara dura que prefere os cafajestes..."

Não generalize. Todas as mulheres são diferentes...
Mas se uma mulher prefere um cafajeste, qual é o problema? É uma escolha dela.

"E usado para condenar a sexualidade da mulher não senhora, usado para mostrar o que (DE FATO) são, ou uma mulher vestida vulgarmente não é vulgar?"

Isso é o que vc acha. E não tenho esperanças de mudar isso.
Mas se vc considera uma mulher vulgar, não tem direito de acabar com a paz dela por causa disso.

"O corpo é dela até o momento que ela "vende", a mulher que ter o poder de vender o corpo e ainda continuar dona dele?"

Lógico. Escravidão é coisa do século retrasado. E o que uma prostituta vende não é necessariamente seu corpo.É o serviço.

"muito conveniente né?vendem e com a grana querem fazer "up-grades" ou seja querem que o cornão patrocine um comprador que de mais que ele¬¬"

E daí? Isso é problema dos dois. Eles que resolvam.


"Querem esta liberdade sem responsabilidades né?"

Quem disse que não queremos responsabilidades? O problema é vocês decidirem que responsabilidades são essas.

"como cadelas que fogem de casa, se sujam, comem carniça etc e voltam abanado o rabinho para o dono e querem que ele aceite de braços abertos me digam mulheres vcs aceitariam isso?inclusive lambidas com a boca podre"

Fechando com chave de ouro, com essa demonstração de orgulho macho ferido...
Pronto troll. Já te alimentei. Acabou a comida... Agora volte com suas chorumelas pros seus amiguinhos mascus. Vaza!

denise disse...

Milena vc chegou exatamente no ponto, essa é a idéia, espero que mais pessoas tenham seu bom senso, em relação à "marcha das vadias"

Ângela disse...

Aiaiai:

Você leu o texto da Solange com olhos mais abertos do que eu.
Eu gostei do texto de maneira geral, mas mosquei legal na defesa torta das prostitutas.
Aliás, é por isso que eu venho aqui.
Lendo aqui vários pontos de vista interessantes (e bem mais argutos que os meus, não me chateia dizer, rs), posso me desentorpecer do senso-comum.
Obrigada a todos e todas.

Jamie Barteldes disse...

É preciso pensar muito bem em como essa marcha se dará. Estaremos lá.

Lawlyet W. disse...

Feminazis poderiam parar de lançar tantas falácias e de fingir que se importam pelas mulheres quando na verdade apenas as estão expondo ao ridículo e as objetificando. Uma vergonha um movimento que se diz a favor dos direitos das mulheres mas apenas as usam como peões para conseguir visibilidade e poderes políticos.

Liana disse...

\o/ Oh Zeus. Ainda bem que alguém me abriu os olhos. O feminismo objetifica as mulheres.
Pronto. Agora vou voltar para a cozinha. Vou bordar e rebolar bambolê em chamas.

Por favor, vide post
http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/08/torne-se-irresistivel-para-os-homens.html

Joane Farias Nogueira disse...

Sao lesbicas... o que ja denuncia aeua objetivos. Ou seja, na cabeca dela, lesbicas odeiam homens.
E depois ela diz que apoia.