Evitei ao máximo ver Anticristo, o último filme do dinamarquês Lars von Trier, por cau
sa da tão falada cena de mutilação genital feminina. A produção de terror causou polêmica em Cannes há um ano e meio, quando o júri premiou Charlotte Gainsbourg com o prêmio de melhor atriz, mas também deu ao filme o duvidoso título de “a obra mais misógina do auto-declarado maior diretor do mundo”. De lá pra cá, não passa um mês sem que algum leitor me pergunte, “Mas o que você achou de Anticristo?”. Logo, atendendo a pedidos (o que eu não faço pelo blog!), vi o filme em vídeo e cá estou eu pra falar sobre ele.
Primeiro, sobre sobre von Trier: ele é misógino? Gosto bastante de todos os filmes que vi dele, principalmente Dogville. Mas digamos assim, o que Ondas do Destino, Dançando no Escuro, Dogville, Manderlay e Anticristo têm em comum? Todos contêm
uma personagem feminina que sofre algum tipo de violência. Parece ser uma obsessão do diretor mostrar mulheres sofrendo. Esta é praticamente a marca registrada dele, além da paixão pela polêmica. Auto-proclamar-se maior diretor do mundo nunca alavancou a carreira de ninguém. Dar declarações anti-americanas tampouco ajuda um cineasta no maior mercado de cinema. Matar um jumento de verdade (em Manderlay) só causa a ira de movimentos de defesa dos animais.
No entanto, pelo jeito, von Trier sentiu que não conseguia atenção suficiente e por isso fez Anticristo, caprichando nas polêmicas. Olha só quantas: 1) dar entrevistas dizendo que realizou o filme enquanto estava com depressão, 2) incluir cenas de sexo explícito, 3) adicionar cenas de castração masculina e feminina, 4) mostrar pelo menos uns três animais terrivelmente m
achucados (aparentemente nenhum de verdade desta vez), caso os ativistas tivessem se esquecido. Não por coincidência, sabe quem amou o filme? O John Waters, outro que odeia mulheres e animais.
Por aí já deu pra notar que não gostei do filme e não entendi qual é a do filme. Felizmente, fechei os olhos durante a parte mais famosa, porque quem precisa ver uma gráfica cena de mutilação feminina? Cruz credo. Isso afetaria a minha vida sexual. Mas não tenho nem certeza se Anticristo é misógino. Certamente é sobre misoginia, mas pode-se fazer um filme sobre racismo sem ser racista, certo? Só sei que é perturbador, e não no bom sentido.
O filme começa com um prólogo de alguns minutos, com uma fotografia fantástica em preto e branco. Vemos em câmera lenta, sem diálogos, um casal (Willem Dafoe e
Charlotte, que não recebem nome no filme, então vou me referir a eles com o nome dos intérpretes) fazendo sexo. Um menininho acorda, passa pelo casal, sobe numa mesa, abre mais a janela, e se joga (e é interessante porque ele se joga mesmo. Não é que ele cai. Pouca gente acredita em suicídio infantil, mas isso existe). A edição dá a entender que Charlotte tem orgasmo no mesmo momento que seu filho morre.
Depois de Charlotte passar um mês medicada no hospital, Willem, que é psicólogo, resolve cuidar dela. E para isso ambos vão para uma cabana numa floresta chamada É
den. Entendeu, né? Ele Adão, ela Jane, quer dizer, Eva. Lá ele começa a ter visões com animais. Uma raposa até fala com ele enquanto canibaliza a si própria. Já Charlotte vai piorando a olhos vistos. O lugar também não ajuda: à noite, sementes de uma árvore caem em cima da casa, como se fosse um tiroteio. Charlotte faz sexo pra tentar se livrar da dor (e, se me permite, o sexo deles é muito ruim, sem preliminares nem nada). Willem investiga o que causa mais medo a sua esposa: a natureza, Satanás, ela mesma, ou ele (“me” pode ser ele, já que ele é quem
escreve)? Só deus sabe. Ou von Trier, e ele não vai falar. O negócio vai piorando, piorando, até chegar ao final, em que ambos se machucam de todas as formas físicas. Aliás, chega uma hora em que tudo fica tão exagerado que eu quase comecei a rir. Acho que é quando Willem se esconde no tronco da árvore. Isso me lembrou uma cena de Titus Andronicus, a peça de Shakespeare que peca pelo excesso, em que um dos irmãos cai num buraco, e o outro vai ajudá-lo e cai também.
Melhor avisar que vai haver alguns spoilers por aqui. Não reclame! Você teve um ano e meio pra ver Anticristo! Então, antes do caos total, Willem descobre duas evidências sinistras. Uma é que os pés do filho estavam deformados. Ao observar fotografias antigas, ele vê que que o menino sempre estava com os sapatos trocados de pé. Um breve flashback exibe
Charlotte calçando o guri (e toda essa explicação é a minha parte favorita do filme). Outra evidência é a tese de doutorado de Charlotte. Ela já havia passado um verão na cabana com o filho, tentando terminar a tese. Willem encontra um caderno de anotações da mulher, em que a letra fica cada vez pior, até tornar-se ininteligível (sempre gosto desses cadernos em que a letra muda, revelando o estado de espírito do personagem, embora seja meio clichê).
Nisso Anticristo lembra bastante O Iluminado. Ambos tratam de cabin fever, essa condição em que pessoas isoladas perdem a razão. Ambos são fimes de terror, embora um cause medo, e o outro, apenas repulsa. Em ambos temos uma criança em perigo, um cônjuge que vai se assustar pra valer, e um outro completamente tantã. Mas e aí, o que essas evidências
provam? Que Charlotte já era pancada antes da morte do filho? “Você sempre foi o zelador”, que nem no Iluminado? Que é ela a anticristo? Que ela colaborou na morte do garoto?
Tem um momento no final em que o prólogo é mostrado de novo, e vemos que Charlotte vê seu filho passando, antes de se jogar pra morte. Ela poderia ter interrompido o sexo com o marido e ido atrás do menino. Mas essa cena não tem que necessariamente representar a realidade. Pode ser uma viagem da cabeça dela, uma parte de sua culpa. O problema é que há elementos mais factuais (deformações nos pés, caderno incompreensível) provando que Charlotte já era cheia de problemas. Isso corrobora a interpretação que ela viu seu filho sim.
Mas se a gente precisa de uma prova definitiva de que a mulher perdeu totalmente o juízo (apesar de ser seu marido que bate papo com raposas), esta tem que ser a conclusão a que ela chega após estudar ginocídio (genocídio de mulheres, ou femicídio). Imagin
a você escrever uma tese sobre misoginia e aí, no meio da pesquisa, concluir que a culpa toda é das vítimas, que são demoníacas. Caso de internação, né? Pra mim é esse o instante mais machista da história: a mulher faz uma pesquisa de doutorado sobre misoginia e seu marido é que tem de explicar-lhe que as “bruxas” executadas na Idade Média não foram queimadas por serem bruxas de verdade, mas simplesmente por serem mulheres. Quero dizer, não soa nem um pouquinho ofensivo pra você? O marido arrogante e sabe-tudo tem mais conhecimento sobre ginocídio do que sua esposa que estuda o assunto?
A interpretação
de Charlotte é que, se a natureza humana é ruim, a feminina é pior ainda, digna de ser castigada. E fica a impressão que Charlotte é punida (primeiro por ela mesma, com a mutilação genital, depois pelo seu homem, que termina o serviço) por seu desejo sexual. Sem dúvida essa é uma mensagem estupidamente misógina. Pra mulheres que gostam de sexo, só há uma solução: tortura seguida de morte. Pra piorar, depois de uma tradicional queima na fogueira, surgem mulheres sem rosto pra rodear Willem. Quem são elas? Espíritos de vítimas de ginocídio, agora liberados, após serem salvas pelo patriarca, que matou a anticristo? Ou fantasmas malignos?
Isso importa? Acho que não. O que importa mais que qualquer simbologia são as imagens horríveis (eu fechei os olhos pra não ver um clitóris sendo cortado, mas não a tempo de deixar de ver um pênis ejaculando sangue), que grudam na mente do público. Não entendi o propósito dessas imagens. E também não compro o conceito do “o artista é um gênio; quem não compreendeu é que é burro”. Desta vez von Trier pareceu-me muito mais misógino que genial.
sa da tão falada cena de mutilação genital feminina. A produção de terror causou polêmica em Cannes há um ano e meio, quando o júri premiou Charlotte Gainsbourg com o prêmio de melhor atriz, mas também deu ao filme o duvidoso título de “a obra mais misógina do auto-declarado maior diretor do mundo”. De lá pra cá, não passa um mês sem que algum leitor me pergunte, “Mas o que você achou de Anticristo?”. Logo, atendendo a pedidos (o que eu não faço pelo blog!), vi o filme em vídeo e cá estou eu pra falar sobre ele.
Primeiro, sobre sobre von Trier: ele é misógino? Gosto bastante de todos os filmes que vi dele, principalmente Dogville. Mas digamos assim, o que Ondas do Destino, Dançando no Escuro, Dogville, Manderlay e Anticristo têm em comum? Todos contêm
uma personagem feminina que sofre algum tipo de violência. Parece ser uma obsessão do diretor mostrar mulheres sofrendo. Esta é praticamente a marca registrada dele, além da paixão pela polêmica. Auto-proclamar-se maior diretor do mundo nunca alavancou a carreira de ninguém. Dar declarações anti-americanas tampouco ajuda um cineasta no maior mercado de cinema. Matar um jumento de verdade (em Manderlay) só causa a ira de movimentos de defesa dos animais.
No entanto, pelo jeito, von Trier sentiu que não conseguia atenção suficiente e por isso fez Anticristo, caprichando nas polêmicas. Olha só quantas: 1) dar entrevistas dizendo que realizou o filme enquanto estava com depressão, 2) incluir cenas de sexo explícito, 3) adicionar cenas de castração masculina e feminina, 4) mostrar pelo menos uns três animais terrivelmente m
achucados (aparentemente nenhum de verdade desta vez), caso os ativistas tivessem se esquecido. Não por coincidência, sabe quem amou o filme? O John Waters, outro que odeia mulheres e animais.Por aí já deu pra notar que não gostei do filme e não entendi qual é a do filme. Felizmente, fechei os olhos durante a parte mais famosa, porque quem precisa ver uma gráfica cena de mutilação feminina? Cruz credo. Isso afetaria a minha vida sexual. Mas não tenho nem certeza se Anticristo é misógino. Certamente é sobre misoginia, mas pode-se fazer um filme sobre racismo sem ser racista, certo? Só sei que é perturbador, e não no bom sentido.
O filme começa com um prólogo de alguns minutos, com uma fotografia fantástica em preto e branco. Vemos em câmera lenta, sem diálogos, um casal (Willem Dafoe e
Charlotte, que não recebem nome no filme, então vou me referir a eles com o nome dos intérpretes) fazendo sexo. Um menininho acorda, passa pelo casal, sobe numa mesa, abre mais a janela, e se joga (e é interessante porque ele se joga mesmo. Não é que ele cai. Pouca gente acredita em suicídio infantil, mas isso existe). A edição dá a entender que Charlotte tem orgasmo no mesmo momento que seu filho morre.
Depois de Charlotte passar um mês medicada no hospital, Willem, que é psicólogo, resolve cuidar dela. E para isso ambos vão para uma cabana numa floresta chamada É
den. Entendeu, né? Ele Adão, ela Jane, quer dizer, Eva. Lá ele começa a ter visões com animais. Uma raposa até fala com ele enquanto canibaliza a si própria. Já Charlotte vai piorando a olhos vistos. O lugar também não ajuda: à noite, sementes de uma árvore caem em cima da casa, como se fosse um tiroteio. Charlotte faz sexo pra tentar se livrar da dor (e, se me permite, o sexo deles é muito ruim, sem preliminares nem nada). Willem investiga o que causa mais medo a sua esposa: a natureza, Satanás, ela mesma, ou ele (“me” pode ser ele, já que ele é quem
escreve)? Só deus sabe. Ou von Trier, e ele não vai falar. O negócio vai piorando, piorando, até chegar ao final, em que ambos se machucam de todas as formas físicas. Aliás, chega uma hora em que tudo fica tão exagerado que eu quase comecei a rir. Acho que é quando Willem se esconde no tronco da árvore. Isso me lembrou uma cena de Titus Andronicus, a peça de Shakespeare que peca pelo excesso, em que um dos irmãos cai num buraco, e o outro vai ajudá-lo e cai também.
Melhor avisar que vai haver alguns spoilers por aqui. Não reclame! Você teve um ano e meio pra ver Anticristo! Então, antes do caos total, Willem descobre duas evidências sinistras. Uma é que os pés do filho estavam deformados. Ao observar fotografias antigas, ele vê que que o menino sempre estava com os sapatos trocados de pé. Um breve flashback exibe
Charlotte calçando o guri (e toda essa explicação é a minha parte favorita do filme). Outra evidência é a tese de doutorado de Charlotte. Ela já havia passado um verão na cabana com o filho, tentando terminar a tese. Willem encontra um caderno de anotações da mulher, em que a letra fica cada vez pior, até tornar-se ininteligível (sempre gosto desses cadernos em que a letra muda, revelando o estado de espírito do personagem, embora seja meio clichê).
Nisso Anticristo lembra bastante O Iluminado. Ambos tratam de cabin fever, essa condição em que pessoas isoladas perdem a razão. Ambos são fimes de terror, embora um cause medo, e o outro, apenas repulsa. Em ambos temos uma criança em perigo, um cônjuge que vai se assustar pra valer, e um outro completamente tantã. Mas e aí, o que essas evidências
provam? Que Charlotte já era pancada antes da morte do filho? “Você sempre foi o zelador”, que nem no Iluminado? Que é ela a anticristo? Que ela colaborou na morte do garoto? Tem um momento no final em que o prólogo é mostrado de novo, e vemos que Charlotte vê seu filho passando, antes de se jogar pra morte. Ela poderia ter interrompido o sexo com o marido e ido atrás do menino. Mas essa cena não tem que necessariamente representar a realidade. Pode ser uma viagem da cabeça dela, uma parte de sua culpa. O problema é que há elementos mais factuais (deformações nos pés, caderno incompreensível) provando que Charlotte já era cheia de problemas. Isso corrobora a interpretação que ela viu seu filho sim.
Mas se a gente precisa de uma prova definitiva de que a mulher perdeu totalmente o juízo (apesar de ser seu marido que bate papo com raposas), esta tem que ser a conclusão a que ela chega após estudar ginocídio (genocídio de mulheres, ou femicídio). Imagin
a você escrever uma tese sobre misoginia e aí, no meio da pesquisa, concluir que a culpa toda é das vítimas, que são demoníacas. Caso de internação, né? Pra mim é esse o instante mais machista da história: a mulher faz uma pesquisa de doutorado sobre misoginia e seu marido é que tem de explicar-lhe que as “bruxas” executadas na Idade Média não foram queimadas por serem bruxas de verdade, mas simplesmente por serem mulheres. Quero dizer, não soa nem um pouquinho ofensivo pra você? O marido arrogante e sabe-tudo tem mais conhecimento sobre ginocídio do que sua esposa que estuda o assunto?A interpretação
de Charlotte é que, se a natureza humana é ruim, a feminina é pior ainda, digna de ser castigada. E fica a impressão que Charlotte é punida (primeiro por ela mesma, com a mutilação genital, depois pelo seu homem, que termina o serviço) por seu desejo sexual. Sem dúvida essa é uma mensagem estupidamente misógina. Pra mulheres que gostam de sexo, só há uma solução: tortura seguida de morte. Pra piorar, depois de uma tradicional queima na fogueira, surgem mulheres sem rosto pra rodear Willem. Quem são elas? Espíritos de vítimas de ginocídio, agora liberados, após serem salvas pelo patriarca, que matou a anticristo? Ou fantasmas malignos?
Isso importa? Acho que não. O que importa mais que qualquer simbologia são as imagens horríveis (eu fechei os olhos pra não ver um clitóris sendo cortado, mas não a tempo de deixar de ver um pênis ejaculando sangue), que grudam na mente do público. Não entendi o propósito dessas imagens. E também não compro o conceito do “o artista é um gênio; quem não compreendeu é que é burro”. Desta vez von Trier pareceu-me muito mais misógino que genial.



40 fala gente fala:
Achei tudo isso também, mas quando o assunto é misoginia eu já não tenho certeza. Não sei se é uma acusação que Trier faz. Acho que ele foi mais clichê que isso, acho que quis mostrar a mosiginia, a culpa das mulheres "ela sendo eva, pecando pelo prazer(o orgasmo e não interrompe-lo para ver o filho) e sendo expulsa do paraíso(morte e loucura do filho)".
Acho que quis retratar como essa visão é comum ou como essa culpa que supostamente todas nós carregamos - ou que nos é atribuída - só causou horror e loucura, tanto na História como individualmente.
O problema é que ele é pedante, é pretensioso e no afã de ser um gênio que choca, só fez um filme raso cheio de cenas desnecessárias.
Segundo algumas pessoas que assistiram, o filme é melhor entendido por psicólogos.
Ele é cheio de figuras, muita coisa de Freud e alguns constructos pricológicos.
Tem muito simbolismo, mas não misoginia. Nem machismo.
Como não entendo de psicologia, seria bom algum psicólogo ou psicóloga, analisar o filme sob eesta ótica. Uma crítica isenta, séria, para que eu até saiba o que pensar do filme.
Tem muita coisa viajante no filme, mas é viajante para quem não entende.
Minha impressão geral foi que eu não gostei.
Como drama psicológico, não me prendeu.
Como filme pornô é uma merda.
Como filme de terror, deu sono.
Talvez até porque este filme não se enquadre em um tipo específico (terror, comédia, drama, romance, etc).
Quem sabe o cara é realmente um gênio?
Agora uma coisa me chocou:
O CARA MATOU UM JUMENTO?
QUE FDP!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ESCROTO!!!!!!!!!!!!!!!!!!
o que achar de um filme que só será lembrado pelas cenas de mutilação genital? Porque ter uma interpretação sólida sobre os 3 mendigos, a raposa falante, etc não me parece a lembrança fundamental que alguém possa levar. Atacar a natureza sexual humana como forma de enfrentar uma depressão é de um mau gosto imenso. É tão repugnante como Irreversível.
Mauricio, o caso do jumento foi porque o animal estava muito doente e iria ser sacrificado de qualquer jeito. Foi o que li por aí...
Lola,
pelo que você diz aí no post, já posso colocar esse filme na minha lista de "ôba! Não vou assistir!"
Ando numa vibe de programa com final feliz, sabe, de filmes assim eu não tou passando nem perto na prateleira da locadora...
abraço,
Mônica
@madamemon
Acho que um filme permitir leituras tão opostas é culpa do artista, e não apenas dos espectadores. Se um misógino gosta dos filmes do Von Trier, o Von Trier deve ter culpa no cartório. Respeito mais alguns filmes dele do que outros, mas até Dogville, que está 500 anos luz na frente dessa AntiCristo, tem seus problemas. Afinal, não é legal que mais da metade dos espectadores tenha reações fascistas de aplaudir a Grace em sua matança final. [muito semelhante ao efeito causado pelo filme Tropa de Elite no Brasil, que atraiu reaças de todos os tipo]. Acho complicadíssimo fazer coisas tão ambíguas a esse ponto, e isso ainda dando o benefício da dúvida para o Von Trier. Sinceramente, acho que fazer uma carreira cinematográfica baseada em filmes com o tema da misoginia levanta muitas suspeitas sobre o diretor. Mas o que mais me incomoda é essa possibilidade de o filme agradar a ambos os lados, machistas e feministas, direita e esquerda. Se a arte não se posiciona, e ainda brinca com o fato de não assumir um lado, pra mim ela é politicamente irresponsável.
Acho que arte não deve se posicionar.
Pode fazê-lo, se este for o objetivo, mas não acho que seja uma obrigação.
Arte é arte.
E o artista deve ter liberdade para criar o que ele quiser.
Não devemos esperar que toda música, pintura, escultura, livro, poema, peça de teatro, fotografia, e dança tenha um cunho político ou religioso, ou feminista, ou machista, etc.
Gostei do que a Suzana Elvas escreveu nos comentários de "CLÁSSICOS: PINK FLAMINGOS / John Waters morreu pra mim ":
"
Concordo com Tolstói:
"Arte não é apenas um prazer, é um consolo e um entretenimento. Arte é assunto de peso. A arte é um órgão da vida humana transmitindo a percepção racional dos homens para o campo dos sentimentos."
"
Agora, mesmo que o animal fosse ser sacrificado de qualquer maneira, acho anti-ético matar animais para entretenimento.
É como se fosse pudesse pegar alguém que está no corredor da morte e que iria morrer mesmo, e matá-lo de verdade em uma cena para entretenimento do público.
Lolinha, faz tempo que nao comento aqui, mas esse nao posso deixar passar. Bom, acho que filmes como Anticristo, cheios de simbologias, dependem muito da interpretacao. E a interpretacao de cada um e diretamente afetada pelas ideologias pessoais do interpretador. No meu caso, nao achei o filme misogino. Pra mim Anticristo e um retrato da misoginia, nao uma celebracao a ela. Concordo que algumas cenas sao desnecessarias, feitas pra chocar, mas o que captei foi o contrario do que a maioria. A mulher estudava sobre genocidio, certamente era feminista. Quando ela chega ao Eden, tudo muda: ela comeca a se culpar pela morte do filho, comeca a culpar o sexo, ate a terrivel cena de mutilacao. O que e isso? Por que essa mudanca ao chegar ao Eden? Que lugar e esse? Na historia da Biblia de Adao e Eva, e Eva que da a maca para adao comer, e e ela que cria o sexo, o pecado. A floresta do filme representa o cristianismo: e um lugar onde ELA se sente o verdadeiro anticristo. E nao e assim que a igreja fez a mulher se sentir por anos? Como um demo? Realmente, no fim das contas a personagem acredita que ela e a culpada de tudo, e se pune. Mas quem fez isso com ela? O filme da a entender que foi a floresta, o ambiente. E a floresta jamais e tratada como um lugar bom, correto, feliz. E uma floresta de horror, de repressao. Tal qual o cristianismo.
Olha, entendo a sua leitura, mas não concordo. Acho um belo filme, daqueles que paradoxalmente não se quer ver nunca mais.
Suponho que possa ser lido também à luz de uma denúncia da maneira como a misoginia se impõe, inclusive sendo assumida por mulheres. É estranho, confesso que há um certo malabarismo nisso, mas minha reação passou por aí. Já tem bastante tempo que vi o filme.
Aqui tem um artigo muito interessante, mostrando como o Von Trier parece ter consciência de problemas importantes pra psicanálise, e como o filme se apresenta como um tratamento de traumas do próprio autor. Vale a pena, caso se interessem.
http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/13401/12830
Um abraço.
Thiago - @rofinlo
Aqui em casa a gente tem uma expressão que diz tudo sobre minha relação de amor e ódio com o dinamarquês: "fulano é mais perturbado que o Lars von Trier". Hahahah Beijos, Lola! É muito bom ter seu blog como companhia para pensar, em vários assuntos (leio sempre, comento pouco--falou em von Trier, eu apareço). Em casa, discutimos muitos dos assuntos sobre os quais você fala por aqui. Keep posting! ;)
A propósito, eu gostei bastante do Anticristo.
Eu fiquei transtornada quando vi esse filme. Foi logo no Halloween! Nojento e revoltante. Precisei de muita força de vontade pra esquecê-lo, e tanto tempo depois vim lembrar dele aqui, hehe. Isso é que é ter um blog bom, hein, Lola? ;)
Assisti o filme com uma amiga psicóloga, que ficou apontando as referências do filme à psicologia comportamental radical, super criticada pela galera do meio.
Escrevi um post sobre o filme também: http://oubarbarie.wordpress.com/2009/11/01/anticristo-lars-von-trier-o-elogio-da-misoginia/
Agora só que li os comentários da galera, então responderei a eles:
Pra mim, o filme é misógino a partir do momento em que veicula uma mensagem misógina. E não é assim, de leve, é sinistramente carregado na misoginia total.
Essas ressalvas de que é "um retrato da misoginia" e de que o filme possa ser melhor entendido por psicólogos não isentam o filme da mensagem explícita que veicula. Ele tem uma linha argumentativa. Colocar a misoginia cruelmente na telona, fazer um "retrato" dela dessa forma, não vem acompanhado à crítica dela. É apologia, é MENSAGEM.
Ou talvez ele não tenha querido dizer absolutamente nada numa "arte pela arte", como alguém falou aí, que a arte não precisa tomar posição. Querendo ou não, um produto artístico se insere dentro das relações sociais e históricas, ele não páira sobre a humanidade em toda sua estética politicamente isenta. Se von Trier só quis chocar, causar, o que seja, o fato é que ele fez isso através de uma trama sinistra e nojenta com uma mensagem altamente misógina, do jeito mais medieval possível. E isso tem implicações políticas.
Já vi reaças criticando o Tropa De Elite, dizendo que a idéia original do filme era denegrir a polícia, a comum como corrupta e inútil, e a de elite como truculenta e desumana, e que a popularidade do Cap. Nascimento teria sido um tiro pela culatra...
Quanto a Dogville, não vi o filme, mas pelo que entendi a protagonista teve motivos pra fazer o que fez. Quando o público se identifica com um personagem que sofre, deseja justiça; se esta for inviável, apela-se à vingança.
Repito que nem toda arte toma uma posição. Isso é como autor.
Um fotógrafo que tira uma foto de uma onda no mar pode ser interpretado como quiser. Isto está mais na cabeça de quem interpreta do que a intenção do autor.
Não percebi misoginia no filme.
Aliás, se vai acusar de misoginia, melhor e mais apropriado seria acusar o filme de ser misantropo.
KOPPE:
O filme Dogville mostra uma mulher passiva, sofrendo todo tipo de barbárie, e no final ela se vinga.
Não é tão simples assim, como eu disse, temque assistir para entender.
O que o diretor fez foi clichê em vários filmes:
Uma pessoa sofre tanto, que o espectador acha correto o ato de vingança final.
Charles Bronson é mestre em filmes assim. Lembra de desejo de matar?
Tudo é feito para que você tenha tanto ódio do vilão, que o único final possível é com sua morte, sem a qual o expectador não se sente liberto.
Não gosto de filmes que me levam a este tipo de sentimento.
Quer dizer, GOSTO! E MUITO! Por isso evito tanto, pois acho que estes sentimentos não me fazem bem e não contribuem para que eu seja uma pessoa melhor.
Bom, eu acho simplista ver tudo pela ótica "mulher em situação horrível = misoginia do artista". Até porque, se o Trier quer usar religião e psicanálise naturalmente a mulher estará em desvantagem. Seele quer mostrar isos, naturalmente haverão coisa shorríveis no filme.
Se reparar até nas cores e no clima melancólico do filme, tudo muito escuro, sombrio, frio, em nenhum momento parece haver uma raiva contida ali, uma vingança, um ódio às mulheres. Aliás, acho exagero dizer que há misoginia até quando o marido aponta o problema das "bruxas".
Aliás, o marido me parece tão vítima quanto ela, só que está são.
Talvez a violência contra a mulher seja realmente um tema que o instigue a trabalhar e acho legítimo, quando não se levanta bandeiras ou celebrações. Acho que assistindo Anticristo ninguém se sente confortável, ninguém se sente instigado ou "vingado" pelo sofrimento da mulher e é aí que eu acho que não existe misoginia. Pra mim, a misoginia está em obras que incitem o público, que vendam como algo positivo. Não em algo que te provoca repulsa, sendo homem ou mulher. Quando é assim, eu entendo que a intenção foi o contrário. Ou até não foi nenhuma, em se tratando de gênero, porque existem outros focos.
Por exemplo, em Dogville você pode focar no fato da mulher (ou de ser uma mulher)sofrer muito. E esquecer de comentar o cenário, todo construído com o conceito de plano das idéias, você esquece de perceber o assunto que o filme trata que é a maneira como o ser humano se aproveita do outro ao ponto de se sentir dono, das piores formas possíveis e como alguém se submete a isso por sentir que tem uma "dívida". O final é realmente ruim e pode trazer uma mensagem negativa para solucionar o problema, que é complexo, mas de finais ruins as histórias estão cheias.
Acho que observar, criticar e questionar a arte é válido, principalmente se a arte puder ser usada de maneira panfletária, levantar bandeiras.
Mas eu teria cuidado pra crítica não virar patrulha.
E eu não gosto do Trier...rs
Desde que o filme saiu eu disse que não veria. Tenho medo.
Adoro a Charlotte, e do Von Trier vi Manderlay e Dogville (e adorei ambos), mas "O Anticristo" eu vou passar.
Não tenho estômago pra mutilação genital.
O filme mostra uma pessoa que se aproximou tanto do tema que estudava que enlouqueceu. Não acho que é machismo ou misoginia o fato dessa pessoa ser uma mulher. Ela é considerada o anticristo porque ela própria se vê assim.
Pra mim, filmes são retratos de uma situação ou conceito; podem criticá-lo, mas não precisam o fazer necessariamente. Fazer um filme sobre racismo não é ser racista, por exemplo. Não acho que o Anticristo quer dizer que mulheres são más ou inferiores.
Gostei muito do filme, principalmente pela fotografia. Existem filmes feitos pra chocar, não acho uma coisa ruim.
Enfim, acho possível gostar de um filme como esse e ainda ser feminista. Questão de saber separar as coisas.
Estava louco para ler sua crítica sobre esse filme, Lola.
Já eu vi o filme de uma ótica diferente. Pra mim Lars quis falar sobre culpa, religião e da situação da mulher na visão católica.
É visível que ela tenha se abalado pela morte do filho, mas nunca que ela chegaria a cometer e sofrer aquelas atrocidades. Ao meu ver ela piorou por conta da arrogância do marido que, pensando ser superior, algo que ela mesmo diz no filme, a tira do hospital e a leva ao Éden.
Chegando ao Éden, local onde foi cometido o primeiro pecado, ela vai definhando psicologicamente. E lembrando que o pecado tem a ver com sexo, afinal foi depois de morder a maça que Adão e Eva começaram a sentir vergonha da nudez e que por isso a mulher teria que sangrar todo mês para nunca esquecer do seu pecado e blá blá blá.
Ela usa o sexo para extravasar a culpa já que seu filho morreu enquanto o fazia. Não lembro de nenhuma tentativa de sexo feita no Éden que não tenha sido bizarra ou dolorosa. Talvez por ter sido a mulher que quis fazer sexo, não para satisfazer o marido, mas a si própria.
A loucura é tanta que ela começa a contradizer a própria tese. Tese essa sobre o femicídio. E isso acontece por ela estar contaminada pela "lógica" católica do Éden.
E seguindo essa lógica era previsível a cena da mutilação já que foi por causa do orgasmo que o bebê morreu (pensamento dela) e o sexo (orgão) feminino é a causa dos pecados (pensamento católico).
Tenho mais coisa a falar, mas por enquanto só lembro dessas. Desculpe se o texto ficou grande ou confuso.
E sobre a mutilação ou a morte do burro serem mostradas, é típico de quem quer causar mesmo. Infelizmente o Lars é assim, uma criança ávida por atenção, mas que pelo menos saber fazer bem o dever de casa.
concordo com a renata A.
Renata A. disse, com muita propriedade, tudo que eu queria dizer e não consegui. Não concordo que o filme seja raso. Se fosse, não renderia tanta discussão. Não acho que uma leitura só esgote os pontos colocados em jogo ali.
O título evidencia que o ponto principal é maneira como a culpa adquire um papel fundamental na perspectiva cristã. Com o auxílio da psicanálise, a opção é explorar essa temática relacionando-a ao sexo e aos traumas. Tudo bem que há uma obsessão do Von Trier com o sofrimento das mulheres, mas acho que isso cumpre um papel de denúncia, mais do que qualquer outra coisa.
Eu tenho amigos que viram e pelo pouco que eles me contaram unindo a algumas críticas que eu tinha lido, já sabia que se tratava de um filme que foi feito exclusivamente para chocar.
Do Lars Von trier eu só vi dogville (que eu amo) e estou pra ver a um bom tempo "Dançando no escuro", já que sou fã de Bjork.
Enfim, não vejo anticristo de jeito nenhum.
Mutilar um burro é fazer bem o dever de casa?
Discordo totalmente.Isso é coisa de idiota.Seja pra qualquer finalidade,é idiotice.
O filme é misógino só para duas massas: os misóginos e os misófilos que procuram sinais de violência contra a mulher até num postal de S.valentim.
Um olhar mais atento confirma que o filme é, sim, antireligioso.
A Bíblia usa a figura de mulher como o símbolo do mal. Eva, a Babilónia, "a" serpente (não sei se no hebreu origial a serpente era feminina), etc. A mulher corrompe o homem, a mulher corrompe a natureza. Nesse sentido, é normal que vejamos no filme a "mulher" perturbada e a explicação do homem... por quê foi o homem a explicar? Porque os milênios de repressão nasculina às mulheres fizeram-nas acreditar que são sim as culpadas de tudo. Aliás, a tese dELA baseou-se em leituras antigas, o que se vê nas gravuras mostradas e na referência à idade média. Ou seja, mostra que os (pre) conceitos obsoletos e estúpidos da idade das trevas ainda continuam a pesar em pleno "século da luz".
Tentaste ao menos relacionar o título ao filme? Anticristo. Cristo é o homem salvador, a mulher a prostituta a ser salva.
A mulher culpa o sexo pela morte do filho, por isso excisa-se e castra o marido, porque o sexo é impuro, também anticristão.
A mulher, ou melhor, o feminino é a natureza, pelo menos foi o que achei... temos imagens de parto de animais e... a minha cena favorita, o HOMEM a esconder-se no útero da terra... ou seja, se a natureza é anticristo, se o sexo, que se reflecte em toda a natureza é anticristão, então o próprio Cristo é antinatural, ou seja a natureza, representada aqui não pela mulher, mas pelo feminino, é o Anticristo.
Foi pelo menos o que entendi.
Entretanto, falando do filme é hipnoticamente chocante. Várias vezes me lembrou o filme "Possessão" com Isabel Adjani, este sim, não entendi peva. E para a minha sensiblidade confessor que dispensava certas cenas.
Já agora se viste "Possessão" podias dizer aqui a tua justiça.
Lola, já viu isso? twitter.com/homofobiasim
Só pode ser piada o.O
e... sou contra matança de animais... se nao for para fins de alimentacao (pode nao ser boa desculpa para alguns). Entretanto (sem querer defender ninguem), se Lars matou um animal para mostrar como eles sao mortos é muito mau, mas se ele simplesmente registasse um animal a ser morto, como vemos nos teleornais e nos documentarios, era moralmente aceite?
Quando vi lembro que tentei procurar sites que explicassem algumas coisas. Lembro de ter visto um que citava várias referências à Biblia, que dão uma consturada interessante na história...
Mas no fim das contas a mensagem é péssima de qualquer forma!
Uma pena, porque eu gosto um bocado dele.
Vi The Idiots há pouco tempo... é interessante, mas não tão bom!
Não, Gabs. Não acho que matar um burro seja fazer direito o dever de casa. Ele é um cineasta, e como tal, seu dever é fazer bons filmes. E isso Lars sabe fazer.
A desculpa ultilizada por ele é que o burro estava doente e que ia acabar sendo sacrificado do mesmo jeito, ele só quis aproveitar a oportunidade.
Tem um filme de Haneke, O vídeo de Benny, que a cena inicial é a morte de um porco. O coitado recebe uma tiro a queima roupa e fica se contorcendo no chão.
Não sei se a morte é real ou não, mas dada a obra do diretor, que não costuma mostrar violência gráfica em seus filmes, não acredito que seja real. Mas a cena é tão real que é até difícil manter essa esperança.
Adoro quando você fala de filmes não tão atuais, porque eu que ando desanimada com os atuais vou correndo pra ver antes de ler suas críticas.
Já estou baixando o filme pra ler seu post no fim de semana. Adoro suas críticas.
Bjus
Quando eu vi esse filme, pouco depois que saiu, uma pessoa tinha comentado que ele fazia Dogville água com açúcar, de tão forte. Não achei nada disso. Gosto de Dogville e acho que é um filme mais pesado que Anticristo, porque o Anticristo fica BEM risível depois de um certo tempo, apesar das cenas chocantes, como a Lola escreveu. Sobre o machismo, o que me irritou mais, sinceramente, não foi a parte das mulheres demoníacas - ainda não sei direito o que achar dessa parte. O que me irritou mais, desde o início, foi a falta de noção deste marido pedante, arrogante, que usa métodos cruéis para, supostamente, "tratar" sua esposa. Para mim ele não se manteve nem um pouco mais "são" do que a personagem da Gainsbourg.
Não acho um filme ruim, mas o problema é quando o choque se sustenta somente pelo choque. For the sake of it. E para mim é isso que acontece neste filme depois de um tempo da ação...
Acho que vi outro filme. Vi um filme em que o louco é o marido, com suas teorias alucinadas. Vi também um filme em que quem se ferra é ele, com sua postura machista/misógina. Acho que quem enxerga a loucura (só na) mulher, embarca direitinho na loucura do marido, que detém a perspectiva da narrativa. E acho uma temeridade escrever uma crítica sobre a discussão de gênero da narrativa sem citar a cena final, que dá o claro posicionamento do filme sobre o marido, apresentando-o como falido nas suas teorias que nem de longe dão conta da complexidade de sua esposa.
Eu não assisti o filme, pois evito alguns, deste tipo, que apenas me deixam perturbada, sem acrescentar muita coisa... Contudo, após tua "resenha", senti tanta repulsa que, agora, de fato, quero distância dele!... Prefiro investir meu tempo assistindo outros, que tenham algo melhor a dizer para mulheres e homens, e possam ajudá-los a se libertarem dos grilos, em vez de aumentá-los... Abraços alados!
Gostei bastante do filme. E aprecio a leitura no link a seguir:
http://theamericanscene.com/2009/10/13/on-antichrist
Abraços
Sinceramente, quero ver bons filmes! Não tenho estomago e a vida é muito curta para ver algo tão inutil, pelo menos para mim, pode ser que seja apreciado por psicologos e talz, mas, não sou psicologa e mesmo que fosse me reservo o direito de assistir algo de qualidade.
É claro que se afastar do marido e ir com o filho de 2 anos para uma casa distante escrever uma tese não vai dar certo. Ela não consegue escrever, evidente!
Ao que parece, o marido não se interessa por quem ela é, o que ela faz, senão quando ela está no estado patológico e com a postura de "salvador".
Ele nem soube que ela não conseguiu terminar a tese quando fez o retiro! não perguntou... não se interessou... nada!
O filme passa que tem muita exigencia pra uma mulher só: ser mãe, esposa e escrever uma tese. Ela não consegue escrever a tese, vai deteriorando, não consegue ser mãe, deteriora mais e não suporta que só tenha sobrado ser amante...
O médico havia dito que ela estava em sofrimento exagerado e o marido, que não sabia verdadeiramente nada sobre ela, achava que seu sofrimento era normal. Pô! Mais um que não consegue ver a outra enquanto pessoa...
Eu vi esse filme com meu ex namorado faz algum tempo, e foi traumatizante. Depois de ver o filme, ele ficou cheio de desconfiança comigo logo em seguida, como se me identificasse na mulher louca do filme, foi uma noite de terror, de pesadelo. Ele começou a se questionar se eu gosto de apanhar porque mereço, de verdade, como a mina do filme gostava. Ou que quando eu choro é como a mulher do filme disse: " a mulher quando chora é maquinadora" e coisas do tipo... sei que no fim da noite, quase amanhecendo, depois de muitas drs, discussões e alucinações fui ameaçada de apanhar. Lógico que acho que sou meu ex que viu o filme e ficou perturbado assim querendo me bater, e lógico que isso contribui em relação a minha crítica ao filme. Mas de verdade achei muito bem filmado e tudo o mais, e gosto de filmes cheio de simbolismos assim... mas sim, eu acho ele misógino, e achei isso quando li essa entrevista com lars von trier: http://pipocamoderna.mtv.uol.com.br/?p=3757
no final ele nega a misoginia, mas hmmm... machistas normalmente negam ser machistas né? strindberg como livro de cabeceira? como inspiração?
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