segunda-feira, 20 de julho de 2009

DUPLA TRAGÉDIA

Fiquei muito comovida com esse caso que aconteceu no Rio no sábado retrasado. Uma menina de cinco anos caiu da janela no quinto andar do prédio e morreu. Os pais foram presos em flagrante e soltos dois dias depois, para responder em liberdade e, entre outras coisas, enterrar o corpo da filha. Serão julgados por abandono de incapaz seguido de morte, cuja pena vai de quatro a doze anos de prisão.
A cada notícia que eu lia sobre o caso, mais dúvidas se formavam na minha cabeça. É impressionante como a gente tenta compreender histórias de notícias que trazem poucas (e desencontradas) referências. Por exemplo, assim que li “prédio no Rio”, pensei: família de classe média. O jornal nem explicava direito onde era esse prédio. O caso Isabella Nardoni apareceu rapidamente na minha cabeça, mas também se foi num raio (afinal, Isabella foi atirada de um prédio, enquanto essa menina do Rio, Rita, caiu. Totalmente diferente). Uma primeira notícia dizia que os pais estavam numa festa julina e deixaram Rita, sozinha, no apê. Depois eu li que a tal festa era no térreo do próprio prédio. E finalmente que não é que os pais estavam na festa, eles só foram lá buscar as outras duas filhas, mais velhas (quer dizer, mais pra frente as matérias abandonam o pai e se concentram apenas na mãe, o que é sintomático).
As câmeras do edifício filmaram tudo, e é uma tragédia. A menina, que estava na festa, com os pais, pediu para ser levada para cima, pois estava com sono. Já no apê, ela deve ter acordado pouco depois, já que há imagens de objetos caindo na portaria do prédio (mochila, edredon; numa reportagem inicial, falava-se de uma tesoura). A rede de proteção estava danificada - havia sido queimada, meses atrás, por um ferro de passar roupa. A câmera do elevador mostra a mãe chegando com a outra filha no apartamento. 38 segundos depois que a menina havia caído. Ela ficou sozinha entre 13 e 19 minutos (as fontes variam).
O que mais me chamou a atenção foi: por que o casal foi preso? Tudo bem, é a lei. Eles falharam em “abandonar” (uma palavra forte demais) a filha durante alguns minutos. Mas é também uma fatalidade, um acidente terrível, e esses pais devem estar sofrendo horrores. Serem tratados como criminosos num caso em que eles são as segundas maiores vítimas me parece cruel. E foi aí que eu comecei a rever minhas impressões. Decidi que não havia chance d'esses pais serem ricos ou sequer de classe média alta, porque, imagino, numa situação dessas pais desesperados podem até ser autuados, mas presos?! Pouco depois vi uma imagem dos pais na TV. Eles não são brancos! E, sim, são classe média baixa. O prédio fica nos subúrbios. Pode ser marcação minha, mas eu não pude parar de pensar - se eles fossem mais branquinhos e mais endinheirados, seriam presos após uma tragédia dessas?
Depois eu vi uma matéria sobre o enterro, mostrando o desespero da mãe, e só pude chorar junto. Porque não dá pra não empatizar com pais que perdem seus filhos. Ainda mais pais que vão passar o resto da sua vida se culpando por isso.
Como todo mundo tá cansado de saber, não tenho filhos. Mas isso não impede que eu pense em questões como “Com que idade pode se deixar um filho sozinho em casa?”. Sempre me parece um exagero que não se possa deixar crianças pequenas sozinhas nem por cinco minutos. Pô, cinco minutos é o tempo de ir ao banheiro! É só virar de lado pra um acidente horroroso acontecer? Mas, claro, sei perfeitamente que esses pensamentos só me vêm à mente por isso mesmo - porque não tenho filhos. Sei que, se os tivesse, a resposta óbvia seria que não dá pra deixar crianças sozinhas nunca. E que vale qualquer sacrifício pra proteger os filhos de desastres que, infelizmente, em boa parte das vezes eles mesmos causam. O número de acidentes domésticos é incrível, e o mais recorrente é uma simples queda no chão. Eu e o maridão falamos nisso de vez em quando, nisso da fragilidade da vida. Ele, mais pessimista, crê que é uma questão de pura sorte que mais acidentes não aconteçam o tempo todo. Quando eu vejo mães (são quase sempre mães) carregando seus bebês de colo no ônibus, penso como tudo é frágil. E se ela tropeça e derruba o bebê? E se alguém esbarra nela sem querer e derruba o bebê? Claro que existe a chance de nós mesmos, adultos, cairmos, bater a cabeça, e morrer, mas uma criança parece tão mais frágil.
Se eu acreditasse nessas coisas, diria que gente com filhos precisa ter um santo muito, muito forte.

86 comentários:

asnalfa disse...

Lola do ceu.... parece que filhos trazem mais infelicidades do que felicidades. Mais problemas. Teve u mcaso do pai esquecer o bebe no carro em dia de sol quente no estacionamento do supermercado e o bebe morreu assado. Ele respodneu em liberdade e foi inocentado. Era branco e classe media alta (carrao do ano). Eu nao sei o que faria da minha vida. As vezes penso em ter filhos, mas somente se for adotado e que tenha 12 ou 14 anos. Ach oq fica mais fácil de criar. Ate pq moro no interior de Goias. Tem so 2 predios aqui....
Alem disso, sou gay nao assumido-pra-sociedade. Apenas alguns amigos sabem de mim.... Imagina se um filho de casal gay morre?? A sociedade iria comdenar ate esse casal... Ate surgiria lei que proibisse casal gay adotar criança...

analia disse...

Oi, Lola!
Eu fiquei com muita pena mesmo. E realmente não sei o que pensar. Mas sabe, é muito comum isso de deixar filho sozinho quando está dormindo, e eu sempre achei perigoso. Lei de Murphy existe mesmo. Embora não tenha acompanhado a cobertura (detesto cobertura de "desgraceira"!)acho que quando o acidente envolve criança o tratamento não é tão diferente de classe para classe. Esse caso terminou me lembrando o daquela menina inglesa, Madeleine, que foi sequestrada no quarto dormindo enquanto os pais jantavam no hotel. Eles tb foram muito condenados.
Bjs,
Anália

Tina Lopes disse...

Oi, Lola, vim aqui primeiro pra contar que sonhei com vc - estava eu e o marido indo ao cinema, daí no caminho da sala tinha uma palestra sobre Beethoven (!) e ele preferiu assisti-la; encontrei você numa sala ao lado, com um monte de gente sentada esperando a hora de usar o chuveiro. Vc contou que tinha acabado de fazer um concurso e ficamos conversando até que vc foi tomar seu banho e eu fui pra casa (o local todo era tipo uma Fnac-pensão). Enfim. Sobre esse caso terrível, eu tentei não ver nada porque choro mesmo, não consigo dormir, fico muito impressionada. Então nem tinha me tocado de classe social, cor etc. Achei a juíza uma idiota. No caso do menino que morreu no carro, que o Asnalfa citou, a justiça citou o sofrimento da família para se negar ao "direito" de prender o pai (flagrante). Bem, eu quando vou tomar banho faço a Nina ficar no meu quarto, brincando, ao lado do banheiro, ou a deixo mexer nos meus batons... dá um prejuízo mas ela se diverte e eu fico de olho. Porque eu também vivo de olho na possibilidade de acidentes domésticos. E acho que as crianças hj, por irem mais cedo à escola, parecerem mais "espertas" do q realmente são, acabam dando aos pais a impressão de que já podem se cuidar em determinadas situações. Mas com 5 anos criança adora fingir q está dormindo pra aprontar, enfia dedo em tomada e faz um monte de besteira. Ainda são pouco mais que bebês! Veja o caso da menina que foi estuprada e encontrada numa mala aqui em Curitiba. Ela tinha uns 8 anos e os pais permitiam que fizesse um trajeto longo de ônibus, sozinha, de ida e volta à escola. Qdo foram questionados sobre, achei desumano por toda a desgraça, claro, e pq é assim que ocorre, tem famílias q náo tem outra opçáo - mas náo era esse o caso, eles achavam que ela já era madura para tanto, que náo daria trela pra estranhos - estou contando, não julgando. Quer dizer, acho que as crianças estão sendo liberadas, ou adultizadas, cedo demais. Medo!

Eu quero te roubar pra mim... disse...

Você disse tudo. Eu só completaria dizendo que é perigoso viver num país onde preto, pobre e qualquer ser que pertença as minorias, são massacrados por quem teoricamente teria que trazer segurança. Lamentável!

Chris, mãe da Cecília disse...

Oi, Lola!
Realmente, esta história é deveras triste. Concordo plenamente: se os pais fossem brancos, e de classe média/média, com certeza não teriam sido presos. No máximo, no máximo, autuados e responderiam em liberdade.
Bom, eu me comovo muito com estas histórias, lógico, mas, caramba, qualquer pai/mãe sabe que ACIDENTES ACONTECEM EM segundos, quem dirá minutos. Dia desses, eu saí da sala para lavar louça e, quando ví, a Ciça estava em pé nas cadeiras, querendo subir no tampo de vidro da mesa, para pegar o pode de bolinhas de sabão.
Acho que, com pais inexperientes, marinheiros de primeira viagem, acidentes assim são mais frequentes, pelo despreparo, pela falta de noção de tempo, mas, gente, a Rita não era filha única, era a mais nova e, os pais sabiam do furo na tela de proteção.
Olhe bem, não os estou acusando de negligência, realmente foi uma fatalidade, mesmo procurando minimizar os riscos de acidente, eles sempre podem ocorrer, acho que isto funciona mais como um alerta para nós, pais.
Sobre quando deixar uma criança sozinha em casa... acho que nunca. Há tempos atrás, o filho de 12, 13 anos de uma amiga quase incendiou a casa ao fazer um hamburger e, deixou o prato com toalha de papel próximo ao fogo... respingou gordura na toalha, que pegou fogo, o menino tentou apagar com o pano de prato. Sorte que minha amiga estava em casa. Tomando banho, mas em casa.
Asnalfa, dizer que filhos trazem mais infelicidades que felicidades é um abusrdo tão grande, mas tão grande que nem sei o que dizer sem soar extramamente escrot@. Filhos são uma bênção e uma alegria diária, mas não são brinquedos que quando você cansa, deixa largado numa caixa, ou trancado num quarto. Acorda.

Beijocas

Iara disse...

Por coincidência, outro dia saí mais tarde para o trabalho e, enquanto tomava cafè, liguei a televisão. Tava passando a Ana Maria Braga e eu já ia desligar, mas aí percebi que ela ia entrevistaro Guilherme Fiuza, jornalista e autor do livro "Meu nome não é Johnny".

O que acontece é que, há 19, a esposa dele, ou ele, não prestei atenção, tropeçou na sacada do apartamento com o filho deles de 1 mês no colo. O bebê caiu e morreu. Eles foram investigados pela polícia e apareceu até vizinho pra dizer que "as brigas eram constantes entre o casal". E ele disse que ninguém que vê uma notícia na televisão pode julgar se essa mãe era atenciosa ou negligente.

Achei interessante a Globo dar espaço para alguém criticar o julgamento prévio, já que a mídia normalmente quer é apedrejar.

asnalfa disse...

Chris... se filho dá mais felicidade do que infelicidade entao pq a Lola e um monte de pessoas nao têm filhos por decisao propria?

lola aronovich disse...

Asn, tenho certeza absoluta que filhos trazem muito mais felicidade que problemas! Todo mundo que eu conheço que tem filhos os ama de paixão, afirmam que eles mudaram suas vidas, e não tenho por que duvidar. Se já ter um bichinho de estimação muda completamente a vida da gente e nos traz tantas alegrias, ter filho então deve ser uma felicidade ainda maior. Mas concordo contigo que, se um acidente acontecesse com o filho de um casal gay, os homofóbicos aproveitariam pra gritar “Viu? Viu? Não disse?”, e tratariam de proibir qualquer adoção por parte de gays. Ah, não sabia que vc era um gay não assumido! Pensei que sua família e amigos soubessem. Mas entendo que, numa cidade pequena, sair do armário pode não ser uma boa...


Analia, pois é. Se eu tivesse filho, e ele estivesse dormindo, e eu tivesse que ir em algum lugar no mesmo prédio por alguns minutos, eu acho que iria. Bom, depois dessa tragédia, não iria mais! Não lembro desse caso da menina inglesa. Mas a condenação dos pais da Rita rola solta. Li uns comentários inacreditáveis nos sites de alguns jornais. Gente dizendo que os pais têm que arder no inferno, passar o resto da vida na cadeia etc. Li até que eles não vão sofrer pela morte da filha porque não têm consciência. Empatia zero, né?

lola aronovich disse...

Tina, que fofa vc sonhar comigo! Ha ha, só em sonho eu tomo banho, é isso? Aposto como vc me ver num chuveiro público foi influência dos seus banhos na academia de ginástica. Mas o que eu tenho a ver com isso?! E eu quero saber: passei no concurso? Aposto que não. E vc se lembra o nome do filme que vcs estavam indo assistir?
Sobre o caso da Rita,é terrível. Fico imaginando essa responsabilidade de ser pais (e, nesta sociedade, principalmente mães): ter que vigiar a filha até enquanto vc está tomando banho! Mas também não entendo bem por que criança faz essas besteiras de colocar dedo na tomada e se pendurar de janela. Quer dizer, imagino que depois do primeiro choque, a criança não coloque mais o dedo na tomada, ou não? Sobre a menina que ia sozinha pra escola, de fato, tem muitos pais pobres que trabalham fora o dia todo e não têm condições de levar o filho pra escola. A realidade deles é totalmente diferente da nossa de classe média. Sei que não era o caso dessa menina em Curitiba. Mas não, com esse mundo louco aí fora, de jeito nenhum que eu deixaria um filho meu, e principalmente filha, andar só. Tenho uma amiga que tem 3 filhos em SP. Eles moram num prédio, bem pertinho da avó e da tia, que tem apês no mesmo quarteirão. E é num bairro chique, Jardins. Bom, as crianças (já com mais de 12 anos) não podem ir nem até a esquina sozinhas. Às vezes acho estranho, mas quando vejo essas tragédias acontecendo, mudo de opinião rapidinho.

lola aronovich disse...

Eu quero te roubar..., é, eu realmente tenho essa dúvida se o tratamento que os pais da Rita receberam seria igual se o casal fosse branco e mais endinheirado. Imagino que seriam tratados como vítimas de uma tragédia, não como criminosos.


Chris, incrível essa fragilidade, essa chance de uma tragédia acontecer em matéria de segundos, como no caso da Ciça que vc mencionou. Acho até que, no caso dos pais da Rita, por eles NÃO serem marinheiros de primeira viagem, por terem duas filhas bem mais velhas, eles acharam que deixar a menina sozinha durante alguns minutos não seria um big deal. Com o primeiro filho os pais são bem mais protetores, né? Mas pô, quem podia imaginar que a menina, dormindo, ia acordar e começar a jogar coisas pela janela (perigoso, inclusive, pras pessoas que passavam embaixo)? E putz, quase incendiar a casa enquanto a mãe tá tomando banho... Isso prova que acidentes podem acontecer o tempo todo mesmo!

lola aronovich disse...

Iara, que coisa! Não sabia disso sobre esse roteirista. Que tragédia! Putz, terrível isso. Não consigo imaginar pais deliberadamente jogando seus bebês pela sacada. Se já é horrível perder um filho, levar a culpa por essa perda deve ser pior ainda. Mas concordo totalmente com esse roteirista. Fazer um julgamento através das notícias que saem na mídia (não só na TV, mas em jornais e revistas tb) é ridículo. Qualquer pessoa que já deu uma entrevista pra mídia sabe que TUDO que a gente fala é distorcido. Quando lemos uma matéria sobre um assunto que dominamos, encontramos montes de erros. Então por que a gente tende a acreditar no que a mídia diz numa tragédia dessas?


Asn, please, não fala besteira! Muito mais casais TÊM filhos do que NÃO TÊM filhos. E ainda bem que é assim, ou senão nossa espécie acabaria (o que, por outro lado, não seria de todo ruim, all things considered). Casais não têm filhos por questões pessoais, que variam bastante. No meu caso, sempre me faltou um “instinto maternal” (se isso existe), assim como faltou pro maridão o “instinto paternal”. Isso nunca fez parte das nossas vidas. Até por um pouco de egoísmo mesmo, de decidir que a gente gosta muito da nossa vida como ela é, e sabe que um filho mudaria tudo (provavelmente até pra melhor, mas... não, obrigada).

L. Archilla disse...

gente, pela 1a vez vou defender o asnalfa. acho q ele quis dizer q, pra ele, filhos trariam mais infelicidades q felicidades. não significa q seja uma regra geral. qd a gente vai investir em algo, avalia o custo X benefício. pra maioria das pessoas, o benefício de ter filhos ultrapassa demais o custo de afeto, tempo e dinheiro investidos. pra minoria (como pra mim, pra ele e pra lola), que não temos o sonho de ser pais, seria um ato de irresponsabilidade pôr crianças no mundo, pois não estamos dispostos a investir; logo, ela nos traria mais infelicidade q felicidade. não achei nenhum absurdo o q ele disse...

Victor disse...

Eu fiquei com a mesma impressão. Aliás, ainda mais, porque prisão em flagrante por abandono de incapaz é uma coisa que não se vê. Acho incrível como se pode colocar no mesmo balaio a pessoa que deixa o filho por 5 minutos e aquela que fica a noite, o dia, a semana inteira longe de casa, e o filho sozinho. Como, exatamente, dá-se a mesma resposta (prisão) para casos tão diferentes?

O que me deixou mais triste foi a declaração da mãe de que só ficou sabendo que a filha tinha morrido enquanto estava presa. Ou seja, a mãe nem bem vê a filha estarrada no chão, sem saber direito o que aconteceu, é presa e fica sabendo da morte da filha na cela. Depois disso, não me surpreendi quando vi que eram ambos os pais não-brancos e algo pobres. Porque o procedimento, nesses casos especiais, pode ser mesmo de escoltar o pretenso criminoso até o hospital, para passar esses últimos momentos, e depois rumar para a delegacia. Mas para quem é minoria não existe qualquer vestígio de privilégio, né?

E tem mais: existe política de execução penal que versa sobre a "perda significativa" do criminoso. É o caso da Cristiane Torloni (devo ter escrito errado), por exemplo, que matou o filho dando marcha ré com o carro. Foi julgada e condenada, mas isenta da pena, porque os danos do crime já eram eles mesmos enormes para ela.

Quanto a "nunca deixar os filhos sozinhos"... é um bom exercício de imaginação, não? Porque nada impedia que a filha, dormindo, acordasse enquanto a mãe estivesse, não sei, em outro quarto ou no banheiro, e acabasse da mesma maneira. É impossível não deixar os filhos sozinhos. Eu mesmo não tenho filhos, mas discuti muito com alguns pais depois desse acidente no Rio. Vai fazer o quê? Acordar a criança quando você quiser ir no banheiro? Amarrar em você? Não dá, né? Só posso dizer dos engulhos que tive ao ouvir o digníssimo (!) Luís Carlos Prates no também digníssimo (!!) Jornal do Almoço dizer que pai não pode deixar filho sozinho nunca, que quem faz isso é um irresponsável, enfim. Creio que ele não teve filhos. Ou que, se teve, não foi quem os criou de verdade.

Beijo, Lola!

(desculpa o tamanho do comentário)

Mônica disse...

Lola, acho que não deixar a criança sozinha nem um segundo é totalmente impraticável na 'vida real'. Na verdade, um acidente pode ocorrer até quando você está do lado, basta um segundinho.

Minha sobrinha tinha menos de 3 anos e estava com o pai na sala, a mãe na cozinha. A mãe foi ao banheiro e estava tranquila, porque a pequena estava com o pai. A menininha saiu da sala e foi pra cozinha e o pai ficou tranquilo porque a mãe estava lá, só que ela não estava... Por sorte o resultado foi só de bolhinhas nos dedos porque ela chegou perto do forno. Poderia ter sido algo muito mais grave.

A filha de 10 anos de uma amiga morreu afogada na piscina do prédio onde morava, uma piscina rasa. Ela sabia nadar bem, inclusive competia. E tinha um monte de gente em volta da piscina; simplesmente ninguém percebeu que, numa brincadeira, ela bateu a cabeça no fundo e não voltou à tona. Quando viram, já era tarde demais.

Concordo com você, o tratamento varia dependendo do caso, o que é mesmo um absurdo. E a tragédia maior é a que o pai e a mãe vão ter que conviver pelo resto da vida.

Vitor Ferreira disse...

Toda pessoa de uma condição social ou de raça marginalizada sempre é vista como culpada até que se prove o contrário pela polícia. E não só aqui. Lá nos EUA também é a mesma coisa. Senti um pouco disso no Hawaii também.
Só espero que esse casal fique bem, e que uma Sonia Sotomayor julgue o caso deles, porque eles precisam de pessoas que se coloquem no lugar deles.

Paula P. disse...

Concordo com o que você falou, Lola, é só lembrar o próprio caso Nardoni.
Que eu me lembre eles não foram presos em flagrante e eles até usaram a desculpa de ter deixado ela sozinha dormindo para ir buscar as outras crianças e ninguém os acusou de "abandono de incapaz".

Ariel disse...

quando li essa notícia ontem não pude fazer outra coisa que não fosse chorar. sou mãe e posso imaginar o sofrimento desses pais, que, como se não bastasse, ainda tem que lidar com a crueldade da sociedade. acho que você está certíssima, o fato desses pais serem negros e de classe média baixa foi fator decisivo para serem massacrados dessa maneira. sabe, esse ano minha filha de dois anos sofreu um acidente doméstico bastante sério. a televisão da sala, enorme e pesada, caiu sobre ela, causando fraturas múltiplas no crânio. sabe onde eu estava? na mesma sala, a dois metros dela. e eu até hoje não sei como aconteceu, mas a única explicação foi ela ter tentado escalar a mesinha onde estava a tv, e o peso dela puxou tudo para a frente. parece difícil de acreditar, mas quem tem criança sabe: as coisas acontecem num piscar de olhos. como você deve saber, aqui nos EU eles marcam em cima dos pais legal, qualquer deslize seu e você corre o risco de ter seus filhos mandados prá longe de você. no hospital fui entrevistada por um assistente social, que quis saber todos os detalhes do acidente para ter certeza de que não foi child abuse. graças a Deus minha filha se recuperou milagrosamente e tudo ficou bem. cheguei a conclusão de que o ambiente perfeito para criar uma criança não deve ter móveis, janelas, nada em volta, e as paredes e chão precisam ser cobertos com material acolchoado. é sério. quando se trata de criança, absolutamente TUDO numa casa significa risco potencial. que atire a primeira pedra quem nunca deixou seu filho sozinho por cinco minutos, dormindo ou acordado.

hericky disse...

que terrível, acabei de ver essa notícia. :/

Tina Lopes disse...

Lola, tive que voltar pra esclarecer que não te vi pelada no sonho! hahahahaahah você estava de toalhinha, sabonete e xampu nas mãos; vai ver é esse negócio de xamnpu que vc tem com o asnalfa, a influência. Mas tava felizinha de ter ido bem no concurso, tá? ;)

Ana Paula disse...

Lola

Aqui nos USA, senão me engano, a idade legal pra deixar filhos sozinhos em casa é 12 anos. Mas vc pode deixar um de 12 "cuidando" de uma criança mais nova.

Esses "vou deixar sozinho só 1 minutinho" já passaram pela minha cabeça 1 zilhão de vezes. Especialmente qdo vc tá com criança pequena no carro e quer descer em algum lugar rapidinho, tipo na lavanderia pra pegar alguma coisa. Cada vez que essa tentação em bate eu lembro de todas estas histórias horrendas e lá vou eu tirar minha filha da cadeirinha, mesmo que 2 minutos depois la to eu de novo botando ela na cadeirinha, afivelando todos aquels cintos...Uma vez precisava levar uma camisa de meu marido na lavanderia que ia fechar. E minha filha fazendo a nap da tarde, num sono profundo, e a lavandeira fica a umas 5 quadras de casa...ah que vontade de ir la correndo, mas e o medo de algo acontecer bem naqueles 5 min. Eu não me perdoaria nunca.

E qdo viajamos então? Eu lá no Havaí querendo tomar sol o dia todo e tinha que subir pro quarto pra famosa nap do emio dia. Qtos vezes pensava em deixá-la no quarto e voltar pra piscina. Mas só a lembrança da história da menina Maggie em Portugal me da arrepios e nunca, nem por um minuto deixaria ela num quarto de hotel sozinha.

Eu ficava sozinha sim, me lembro de começar a pegar onibus de linha pra ir pra escola com meu irmão qdo tínhamos 12 e 10 anos, de ficarmos sozinhos em casa qdo empregada não vinha trabalhar, etc...Mas isso foi a mais de 20 anos atrás. E hj o mundo é diferente...e as crianças são diferentes.

Acho que não vou deixar minha filha sozinha em lugar nenhum, nem qdo ela tiver 12 anos. E aí vou ter que enfrentar as crises de aborrecente!!! Como uma amiga minha já enfrenta com a filha de 10que reclama que está sendo tratada como bebe pq não pode sair sozinha com os pais da amiguinha pra ir no lago nadar. Que me importa...melhor ter minha filha brava comigo em casa batendo portas que perdida pra sempre.

analia disse...

Como eu já disse, não acompanhei a cobertura do caso, fiquei sabendo de mais detalhes aqui mesmo, tinha apenas a idéia de que a mãe tinha sido crucificada (mas as mães sempre são, não é? É mulher! Se fosse a mãe da Isabela Nardoni que estivesse lá, e não a madrasta, talvez a história tivesse sido outra...). Simplesmente não aprovo a maneira como a mídia explora esse tipo de tragédia, se aproveitando e gerando várias "verdades". Enfim, só queria deixar claro que uma coisa é deixar um filho pequeno sozinho numa casa, sem nenhum adulto responsável por perto. Outra completamente diferente é deixar um filho sozinho num cômodo da casa para tomar um banho, ler um livro, tirar uma soneca,enfim, viver! E deixar a criança ter um espaço dela, sem neuroses! Se vc está em casa, fazendo não importa o que, vc ouve a movimentação da criança (mesmo que vc estiver dormindo, é tão engraçada essa audição seletiva!)e consegue intervir a tempo na maioria das vezes (a não ser em casos como no da Ariel, que aí não tem nada a ser feito mesmo). Essa menininha poderia ter feito o mesmo que fez com os pais dormindo em casa. Mas ela fez vários barulhos antes: abriu portas, andou, talvez tenha arrastado algum banquinho para subir nele, pegou vários objetos para jogá-los, etc. Se tivesse alguém em casa, teria intervido.
E é muito, muito comum as pessoas deixarem crianças sozinhas dormindo. Vc vê muito disso em hotéis: casais jantando ou passeando tranquilamente enquanto os filhos estão trancados num quarto. Simplesmente não vêm mal algum. Acho importante que as pessoas se conscientizem que isso é perigoso.

lola aronovich disse...

Lauren, querida, isso que dá o Asnalfa bater ponto nos comentários do seu blog! Ganha a sua confiança e vc vem aqui defendê-lo! Não, brincadeirinha. Acho que, se ele estivesse expondo apenas a opinião dele sobre filhos trazerem mais infelicidade que felicidade, tudo bem. Mas não foi isso que entendi. E tb, é contraditório, pq depois de dizer isso, ele disse que talvez adotaria um. Mas pode ser que a gente que sempre fica com o pé atrás pro que o Asn diz...


Victor, isso foi o que achei mais terrível tb: que a mãe descobriu a morte da filha na delegacia! Ah, isso é cruel. Não se faz. E não sabia isso da Cristiane Torloni! Que tragédia, horrível mesmo. E sobre o que vc diz sobre a menina Rita poder ter acordado mesmo quando os pais estivessem em casa, foi o que eu pensei, tb. Pais TÊM que deixar os filhos sozinhos de vez em quando. Pais têm que dormir tb, né? Claro que o ideal seria que a grade de proteção estivesse zero bala, então reduziriam-se os riscos. Mas acidentes podem acontecer sempre. E o Prates disse isso, é? Não me surpreende.

lola aronovich disse...

Pois é, Mônica. Quer dizer que quem tem filho tem que avisar o tempo todo “Ó, vou no banheiro, não deixa a menina ir pra cozinha?”. Bom, acho que sim, mas que é trabalhoso, é. Putz, isso que vc falou da menina morrer afogada meio que aconteceu com uma amiga minha tb. A filha caiu na piscina da casa. Os pais ouviram alguma coisa na água, foram ver e conseguiram salvá-la, mas o cérebro ficou tempo demais sem oxigênio. Danos irreparáveis. Essa amiga vai se culpar pra sempre, tadinha.


Victor, exato, não dá pra fingir que o tratamento é igual pra quem é minoria. A justiça não é cega coisa nenhuma, quase todo mundo sabe disso.

lola aronovich disse...

Puxa, Ariel, que bom que sua filha não teve sequelas com esse acidente terrível. Um acidente pode acontecer mesmo com a gente do lado, não tem jeito. Minha mãe me contou que, quando eu era bem pequena, um ferro de passar roupa (quente, eu acho), caiu em cima do meu pé. Eu não lembro de nada, mas tem uma cicatriz pra provar. Quer dizer, podia ter sido um acidente sério. E ela conta tb que, quando eu tinha 3 anos e pouco, apareci com a minha irmã, um bebê de dois meses, no colo. Aparentemente eu a peguei no berço e saí andando com ela. Olha que perigo! Parece que meus pais estavam num outro recinto da casa e, quando me viram, gritaram “Não se mexa”, enquanto “salvaram” a minha irmã. Aí nos EUA eu sei que o negócio é sério, e que há muita suspeita de child abuse, e acho certo que eles se preocupem tanto. Por outro lado, sei lá, vc ia jogar um aparelho de TV na cabeça da dua filha?! Ia bater a cabeça da sua filha numa TV? Um pouco de bom senso tb é bom. E tb dá pra ver pelo desespero dos pais quando não é child abuse. Eu acho... E isso que vc diz de ter um “quarto ideal” pra criança tb não resolve. Lembra de Peter's Friends? Em português, Para o Resto de Nossas Vidas? É um filme inglês que adoro. Então, não lembro direito o que acontece com os filhos de um casal. Eles têm bebês, gêmeos, e um deles engasga enquanto dorme, ou algo assim. E eles não conseguem se perdoar por não terem acordado. O pior é que tb não é uma educação boa os pais ficarem obcecados em cima do filho, né? Vigiando cada passo... Deve ser muito difícil encontrar um meio-termo.
E as pinturas lindas que vc faz, como vão?

lola aronovich disse...

Paula, não acompanhei bem o caso Nardoni porque quando aconteceu eu tava nos EUA. Até hoje me parece incrível que o casal tenha escolhido um método tão absurdo (jogar a filha) pra esconder os maus tratos. Ou um álibi tão esquisito ( alguém entrou e jogou a menina enquanto o pai tinha descido).


Hericky, vc não tinha visto antes? Eu fiquei muito chocada.

lola aronovich disse...

Opa, Tina! Não sabia desses detalhes sórdidos não! Quer dizer que eu apareço de toalinha nos seus sonhos?! Ha ha. Eu pensei que vc tinha me encontrado - totalmente vestida - entrando no vestiário pra só depois ir pro chuveiro. Vc está se complicando, Tininha... Mas, bom, pelo menos eu passei no concurso? Isso que importa!


Ana Paula, ah, obrigada por avisar. Não sabia que existia uma idade legal pra isso nos EUA. Pois é, 12 anos parece ser bem razoável pra deixar filhos sozinhos. Mas meus amigos não deixam, não. Deve ser uma tentação MESMO querer deixar o bebê sozinho no carro durante dois minutos. Ou no hotel, dormindo. E vai ser lindo pra vc enfrentar sua filha aborrecente! Mas não tem jeito, não. Só queria dizer que eu empatizo muito com essa mãe da Rita porque, sinceramente, se fosse comigo, e eu tivesse uma filha de cinco anos dormindo em casa, e tivesse que descer por cinco minutos pra pegar a outra filha, eu faria. No mesmo prédio, ainda por cima! Eu encararia como ir prum outro quarto, sabe? Claro que depois de ouvir algo assim, eu me comportaria como vc. Sozinha, nem por um minuto! Nem aos 12 anos!

lola aronovich disse...

Analia, eu sei, não precisa se explicar. O ponto todo dessa história, pra mim, é a fragilidade das crianças, e a nossa tb, mas isso é assunto prum outro post. Interessante isso que vc diz da “audição seletiva”. Já ouvi falar nisso, e acredito sim que pais antenados tenham esse sexto sentido. Concordo contigo que é importante minimizar ao máximo o que pode levar a acidentes. Não ter móveis pontudos, por exemplo, ter grades nas janelas, alguma proteção nas tomas - tudo isso parece essencial.


Gente querida, agora vou estudar que o dia não tá rendendo NADA hoje... Tô falando em matéria de estudos, porque em matéria de comentários e assuntos interessantes, acho que o papo aqui tá ótimo!

Suzana Elvas disse...

"Acho incrível como se pode colocar no mesmo balaio a pessoa que deixa o filho por 5 minutos e aquela que fica a noite, o dia, a semana inteira longe de casa, e o filho sozinho. Como, exatamente, dá-se a mesma resposta (prisão) para casos tão diferentes?"

Vitor, você NUNCA deve deixar uma criança sozinha. E acho extremamente errado não prender o cara branco, de classe média alta. Por mim, TODOS deveriam ir presos. E processados.

Há placas nos elevadores dizendo que crianças até dez anos NÃO podem andar de elevador sozinhas. Pelo código de trânsito crianças até dez anos NÃO podem andar no banco da frente. Nos estabelecimentos públicos dá cadeia vender bebidas e cigarros a menores de idade. Há leis de proteção /avisos sobre diversos cuidados com crianças. Aí o pai/mãe deixa a criança em casa sozinha? Sem rede de proteção (que, mesmo queimada, não foi substituída?)?

Abandono de incapaz deve, sim, dar cadeia. Porque a dor do pai é imensa, a da mãe idem, e a dor da criança que morreu? Vem-me à cabeça a história do cara que assaltou um banco e foi mutilado por uma bomba de tinta colocada dentro da maleta de dinheiro. Ele processou - e ganhou uma fortuna de indenização. Muito, mas muito mais do que a família do guarda que ele baleou e matou antes de fugir. Porque, afinal, ele estava acuado. Mas o banco, maldosamente, botou a bomba pra quem estava assaltando se ferir.

Eu sou mãe de duas meninas. JAMAIS deixei as duas sozinhas, conscientemente. É claro que elas podem sofrer inúmeros acidentes, além da minha vontade e velocidade de reação. A maior causa de morte de crianças menores de dois anos em São Paulo é afogamento em vaso sanitário, alguém sabia disso? A criança vai lá ver qual é e cai de cabeça pra baixo dentro d'água. Fim.

É impossível vigiar uma criança 24 horas por dia? Claro. Então por que você dá mole e deixa uma criança de cinco anos sozinha num apartamento, sem rede de proteção, com uma festa lá embaixo???

Nesse ponto não sou nem um pouquinho solidária ou compreensiva: cadeia já.

Giovanni Gouveia disse...

Eu fiquei abismado quando eu vi uma reportagem sobre a Islândia, e lá, culturalmente, as pessoas deixam seus bebê ao relento (naquele calorzinho glacial), enquanto entram nas lojas...
Como eu sou pai de um todler de 3 anos, sei o que é a paranóia que a gente fica (moro no 3º andar, há tomadas, Danton adora subir nas coisas...), e o quão rápido é pra você dizer "shit happens". Eu mesmo, quando tinha 2 anos, via minha mãe experimentar a temperatura da água pro meu banho, fui fazer o mesmo, do lado dela, e minha mão virou uma bolha... Ela não tinha notado que eu estava ao lado dela, também enfiei biliro (granpo de cabelo pra quem nãop é pernambucano) na tomada, dei marteladas na parede (via meu pai fazendo o mesmo, só que eu não enxergava o preguinho entre os dedos dele) e outras coisas do tipo...
O} estado de alerta de quem convive com bebês e pós bebês é permanente...
E não, meu filho não me dá mais tristezas que alegrias!

Em tempo, pobres e negros neste país, embora oprimidos, não são uma "minoria".

Anônimo disse...

Relutei em comentar, mas algumas pessoas extravasam aqui suas neuroses, e não acho que seja o lugar para isso! Gente, que história é essa de condenar pais que não ficam 24 horas por dia ao lado dos filhos? Que absurdo! Sim, sim, cuidar é necessário, atenção idem, mas tudo tem limite. Tem gente aqui que só faltou dizer que quem quiser ter filhos deve abster-se de tudo o mais na vida para estar ao lado de seus rebentos todos os segundos de todos os minutos de todas as horas de todos os dias! Bom-senso faz bem! Cadê o equilíbrio das pessoas inteligentes? As crianças precisam aprender a viver neste mundo e não só embaixo da saia da mãe ou no bolso do pai!

Giovani, parabéns pela sua última frase.

Ah, e desculpem-me por dizer isto, mas alguns erros de português estão passando dos limites (levando em conta que este é um blog de pessoas de alto nível). Márcia

Iara disse...

Poxa, Suzana, cadeia? Cadeia não é vingança, nem justiça divina. Serve pra tirar de circulação quem oferece risco para os demais. Você realmente acha que pais que cometeram um erro e vão pagar caro por ele o resto de suas vidas merecem ir pra prisão? Sim, eles erraram. Como muitos erram, aliás. E perderam a filha que amavam por conta disso. Quem bem à sociedade a prisão deles pode trazer?

Chaves disse...

Sobre acidentes domésticos: Eles acontecem estupidamente. Ás vezes a gente dá sorte, às vezes não. Tem coisas que é impossível prever, ou mesmo evitar.
Eu já soube de criança afogada em balde com roupas de molho.
Meu filho de cinco anos resolveu um dia "chegar pra lá" uma mesa com tampo de vidro que estava no meu quarto - bem lá no canto. Só que era uma mesa de estudo, grande, tampo grosso, imagina.
Pois ele conseguiu virar a mesa, e por milímetros ele não perde as pernas, os pés, sei lá. O buraco que as lascas de vidro fizeram nos pés de metal foram assutadores, e teriam fetio um estrago muito grande nele.
Detalhe: eu e minha família estávamos na sala. Só ouvimos o estrondo, o frio na barriga ao perceber que ele não estava entre nós, e quando cheguei, ele estava encolhido, na quina entre a cama, a parede e os cacos imensos e mortíferos.
Não teve um arranhão. Mas eu me cortei ao fazer a limpeza.
Foi muita sorte, e nunca mais nada de vidro entra na minha casa. Nem porta, nem janela, nem mesa...

lola aronovich disse...

Bom, já que o dia de hoje foi pras cucuias mesmo (mas isso não vai se repetir! Preciso estudar!), vou responder mais alguns comentários...

Su, obviamente não concordo contigo, mas fico feliz que vc tenha comentado. Imagino que pras mães que sejam mais “mãezonas”, como é o seu caso, seja inadmissível deixar as filhas sozinhas. E achei muito interessante esse dado que vc apresentou sobre crianças morrerem afogadas em vasos sanitários, cruzes! Mas “abandono de incapaz”, pra mim, é um termo forte demais pra este caso. “Abandono” me parece mais que deixar a filha dormindo pra ir buscar outra filha no mesmo prédio por alguns minutos. A sua comparação com o assaltante de banco não é boa, né, querida? O assaltante teve intenção de assaltar o banco e estava cometendo um crime. Os pais dessa criança não tiveram intenção alguma de abandonar a menina, ou de serem vítimas dessa tragédia. A menina tb é vítima, claro. Mas aí devemos analisar qual o propósito da prisão, como a Iara mencionou. E lembre-se que não é todo mundo que é classe média e pode largar o emprego, ou trabalhar em casa, ou trabalhar meio período, pra cuidar as crianças o tempo todo. Isso é para poucos no mundo em que vivemos. E aí não cabe a reclamação “Se não vai poder cuidar dos filhos, não os tenha!”, porque, se fosse por aí, quase ninguém teria filhos. E pessoas pobres têm tanto direito de ter filhos que as ricas. Achar o contrário é fascismo (não foi o que vc disse, mas foi o que li hoje num blog de direita - que pra acabar com a criminalidade, devemos implantar a pena de morte e a esterilização em massa). Aliás, eu queria muito saber uma estatística: quantos casais (héteros) têm filhos “querendo”? Quantos engravidam sem querer, por acidente? Sério, porque venho pensando bastante nisso ultimamente: taí uma grande vantagem que os casais gays têm sobre os héteros. Casal gay nunca tem filhos sem querer! Já os héteros...

lola aronovich disse...

Gio, é, tem muita coisa cultural. Claro que morar num país com criminalidade zero deve deixar as pessoas bem menos neuróticas em relação a deixar os bebês do lado de fora da loja. Imagino que a maior preocupação dos pais no Brasil seja sequestro do bebê, mais que acidentes. Tanto que a mãe dessa Rita, ao ver o quarto da filha vazio, saiu desesperada gritando que alguém pegou a filha. Agora, me explica por que criança faz essas coisas que vc mencionou. Tá, imitar o pai com o martelo eu até entendo, mas qual a lógica de colocar um grampo dentro de uma tomada? Se os pais NÃO dissessem pros filhos 50 vezes por dia “Cuidado com a tomada”, será que as crianças teriam essa obsessão em levar choques? Deve ser muito duro ter um bebê de 3 anos. Alerta permanente mesmo! E sobre pobres e negros neste país não serem minoria, é verdade. Mas mulheres também não são minoria, né? São pelo menos 50% da população. Mais pra 51%. Mas recebemos tratamento digno de minoria.


Marcia, não relute em comentar, não! Acho que aqui as pessoas expõem suas ideias com bastante liberdade, e não são atacadas. Não é um lugar totalmente seguro, porque não há moderação de comentários, mas não vou aceitar que alguém ofenda outra. Venho deletando um troll mal-educado. Mas tb não vejo o que vc quer dizer com “pessoas extravasando suas neuroses” por aqui. Quase todo mundo aqui tá contra a prisão dos pais. Mas é compreensível que pais queiram proteger os filhos, e muitas vezes isso vai descambar na hiperproteção, que não é saudável. E concordo que não dá pra parar de viver pra poder cuidar dos filhos 24 horas por dia. Até porque essa é uma visão machista no mundo em que vivemos, porque essa responsabilidade cairá em cima da mãe 99% das vezes. É o “papel natural” da mãe, a realização em ser mulher etc. Todo o discurso que já conhecemos.
Agora, nã concordo mesmo contigo nisso dos erros de português. Erros são comuns em qualquer lugar da internet, começando pelos emails. Quase ninguém (eu inclusa) relê o que escreve antes de publicar. Quer dizer, eu releio meus posts (e mesmo assim pode haver erro), mas não meus comentários. É muito provável que haja erros. Não vamos ser tão radicais, por favor.

Thiago Beleza disse...

Hi.... não acompanhei o caso também. escrevi sobre isso.

A opnião das pessoas é baseada pelos fatos apresentados pela mídia. FAtos estes que são bastante duvidosos dado a credibilidade dos nossos jornais.

Me lembro da mãe que acusaram de ter posto cocaina na mamadeira da filha. Imagino se os que gostam de julgar como se sentiram quando a mãe foi declarada inocente e libertada depois de ter um ouvido perfurado, perder um olho e ter o maxilar quebrado.

Difícil entender, julgar, analisar sem conhecer saber de verdade.

Temos realmente esse poder?

PS: Estava doente, por isso dei uma sumida.

lola aronovich disse...

Iara, é uma boa discussão essa que vc levanta sobre pra que serve a cadeia. As advogadas presentes que me corrijam, mas não é pra tirar de circulação indivíduos nocivos à sociedade? É também pra reforma e punição, certo? Em nenhum dos três casos a cadeia se aplica a este casal. Eles não são perigosos pra sociedade. Nunca vão cometer o mesmo erro novamente (até porque tem 50 anos, não terão mais filhos). E quanto à punição, quer punição maior que se culpar todo santo dia pela morte da filha?


É isso, Chaves. Acidentes acontecem, e a maior parte é estúpida mesmo. Isso de criança afogada em balde com roupas é até bem comum. Já ouvi falar! E tem TANTA coisa que pode provocar um acidente numa criança... Meu, se eu tivesse filhos, eu teria que aprender alguma coisa todo santo dia, porque não saberia. Isso de não poder ter janela com vidro, por exemplo! É ter que mudar toda a nossa ideia do que é uma casa. Aí eu penso como ter animais domésticos é fácil. A gente sai, eles ficam sozinhos em casa. Eles raramente se põem em situações de perigo. Um gato que eu tinha, o Fru, uma vez apareceu molhado em casa, e não tava chovendo. Ele tava revoltado. No dia seguinte fomos ver que a piscininha de plástico de mil litros que tínhamos tava arranhada. O burraldo certamente caiu lá dentro (quer dizer, se jogou, né?), mas conseguiu sair. Tá, não vou comparar bichinhos com crianças. Mas gente, se eu tivesse a menor dúvida em relação a ter filhos (não tenho, nunca tive, não quero, nunca quis), essas discussões aqui me convenceriam a não ter filhos mesmo. Responsabilidade demais!


Tchau, pessoal. O dia não rendeu e não vai ser agora que vou começar a estudar. Daqui a pouquinho vou ao Festival de Dança. Noite de gala. Camarote. Iuhuu! Depois conto pra vcs como foi. Mas comentem que eu leio tudo, tá? E discordem educadamente. Nem preciso falar. Vcs são educadinhos.

Iara disse...

Lola, você tocou num ponto importantíssimo. Porque quando morre uma criança em creche, sempre aparece um pra dizer "se era pra deixar em creche, porque fez o filho?". Se só pudessem ter filhos as pessoas que tem a condição idealíssima para tanto, toda a dedicação possível, grana, educação, disponibilidade, etc, etc, daí sim a humanidade tava extinta.

Como não tenho filhos, mas pretendo tê-los, prefiro pensar que, a maioria dos pais, faz o que está ao seu alcance. Lógico que tem muitos abusadores no mundo. E, como são humanos, vão errar às vezes. Na boa, julgo não.

asnalfa disse...

Lola desculpa por desviar no assunto, mas isso renderia outro maravilho post seu: "ue pra acabar com a criminalidade, devemos implantar a pena de morte e a esterilização em massa".
Sim sou a favor de esterilização em massa (pq nao pode pagar 5 mi lreais pra cortar os "caninhos") e sou a favor da pena de morte. Bandido nao se recupera aqui nesse país. Pq as leis são criadas por bandidos (políticos), julgadas por bandidos (juizes). Sem contar com outros bandidos (policiais, e advogados, estes com rarissimas excecoes).
O Brasil é o páis da exceção. Aqui tudo pode menina!!!

Raiza disse...

Me deu muita pena esse caso.Concordo com você,acho que se os pais fossem ricos e brancos não teriam sido presos.Não sei quanto tempo é seguro deixar uma criança sozinha,acho que nunca.Mas também os pais não podem ter os olhos grudados na criança 24 horas por dia,é impossível.Acho que vou ter que concordar com o maridão,se tiver que acontecer,acontece.

Serge Renine disse...

Desculpe Lola:

Achei que você tivesse lido CEM ANOS DE SOLIDÃO; é que pela sua verve esquerdista tinha certeza que tinha.Costuma ser leitura obrigatória; acho que tanto quanto o Capital, e explica direitinho seu post “A direita é engraçada, pero no lo sabe”. Leia o mais rápido que puder.

Quanto ao abandono dos comentários, foi a algum tempo, quando você não respondeu a vários comentários meus. Foi no período daquele Santiago, que te incomodava e acho que você estava estudando para apresentação do seu doutorado. Mas está tudo bem!

Abraço!

Túlio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Serge Renine disse...

Sinto muito Lola! Agora que vi: postei no lugar errado. É que eu estava lendo esse post.

Mais uma vez, me desculpe!

Túlio disse...

Não fiquei sabendo deste caso (mal informado, eu? imagina!) até agora. Será que foi tão mal divulgado assim? E por quê? Por que eles não são ricos e brancos? Enfim... vai entender a mídia brasileira.

Pelo que sei – faço Direito -, o juiz que julgar o processo dos pais tem o direito de lhes conceder o Perdão Judicial, que é quando ele entende que os pais não agiram dolosamente e a perda do filho (a) já é uma punição grande demais pra eles carregarem; sem mencionar que eles vão se culpar (querendo ou não) pelo resto da vida pela morte da criança. Tudo depende do bom senso do julgador.

asnalfa disse...

Sergio.... deculpa mas eu sou abelhudo... Como vc ta chatinho hein.. sobre "Cem anos de solidao". Precisa ficar encomodando a Lola sobre isso toda hora?? Virou leitor de um post só??
Pois eu vou responder por ela. a parte que a Lola mais gosta de "Cem anos de solidao" é o ultimo paragrafo livro, quando as formigas carregam o bebê e o casal de primos incestuosos. Pq?? Ora essa.... A Lola é uma figura mística, a Lola nao vai morrer, ela vai ser engolida por um dos gatos dela... Realismo fantastico totally!

Amanda disse...

Não li todos os comentarios e não sei se alguém falou sobre isso, mas acho que a foto dos pais disse tudo. Olha, me deu um aperto tão grande quando vi essa foto que mal consegui olhar muito tempo. Parece que eles são a representação de cada uma das injustiças cometidas contra os pobres no Brasil. A foto é chocante. Como alguém pode olhar pra ela e ter coragem de acusar esses pais de alguma coisa?

Suzana Elvas disse...

Lola;

A questão pra mim é a punição. Não precisa ser pai ou mãe; basta ser adulto. Criança não tem discernimento; criança não sabe julgar, analisar, medir. Se você parte do princípio que "nada vai acontecer" com uma criança de cinco anos enquanto vai ali rapidinho e a deixa sozinha num apartamento sem proteção nas janelas então ora bolas pra que tanta regulamentação, pra que tanto estudo da Sociedade Brasileira de Pediatria, pra que tanta restrição? Quando falo do assaltante de banco não estou discutindo intenção; estou discutindo punição. Dois pesos, duas medidas. É preciso, sim, punir pais que deixam filhos sozinhos - no geral, adultos que deixam crianças sem assistência. Se a mãe precisa trabalhar é justificativa para deixar a criança sozinha? Sim, é. É a necessidade da fome, da pobreza. É certo? É óbvio que não.

A criança naturalmente não conhece a divisa do que é perigoso e o que não é; é a medida "não vai acontecer comigo". Mas PODE acontecer. Quando o adulto sai e deixa a criança sozinha num apartamento e vai logo ali. Que mal há em eu me debruçar ali e ver a festa lá embaixo?

Por que quando o pai deixa a arma de fogo travada ao alcance das crianças é apedrejado quando a criança morre num tiro acidental numa brincadeira? Deu mole para o perigo porque a criança é curiosa. "Não vai acontecer nada, é exagero da minha mãe."

E Márcia, não é questão de neurose. Eu moro em Santa Teresa, minha casa é plena de escadas, e jamais usei proteção em janelas. Mas nunca dei mole. Elas aprenderam desde cedo que escada não é lugar pra brincar. Mas mesmo ensinando jamais deixei as duas sozinhas - estava sempre de olho nas duas. Meu ex-marido já deixou as duas trancadas no carro enquanto fazia supermercado. "Foram só 40 minutos", ele disse. Pois minha mais velha ligou do celular dele (que ele deixara no carro) pra mim dizendo que tinha um homem muito estranho rondando o carro. Elas têm 10 e 8 anos. Foi irresponsabilidade dele? Óbvio. Fiz denúncia? Pode apostar. Deu em alguma coisa? É claro que não. Porque, segundo o policial, "nada aconteceu". Mas e se tivesse acontecido? E aí? Vale o "foi mal, aí?"

Você deixa seu carro aberto na rua? Você estaciona em qualquer lugar? Então por que vai deixar seus filhos sozinhos, sem orientação/supervisão de um adulto?

Não é paranóia; é bom-senso.

Iara, olha o exemplo do Chaves: a família dele estava na sala. Qual a punição que se dá a pais que deixam seus filhos pequenos sozinhos? "Ah, mas eles estão sofrendo demais." Eu sei. Mas o cara que perde o controle do carro e atropela sofre (não foi culpa dele) mas vai ser processado por homicídio culposo. Ele matou. Esses pais, ao deixarem a filha sozinha, mataram a menina. E aí? Fica por isso mesmo? A culpa foi da menina, que não tinha nada que subir no banquinho? A culpa foi do garoto, que botou fogo no quarto apesar de ter sido avisado pra não brincar com fósforos - e a avó estava na rua? A culpa foi da menina que resolver abrir o gás e tomar banho sozinha sem os pais em casa?

Como ficamos?

Anônimo disse...

Oi, Lola
Parabéns pela forma de como você falou desse assunto. É exatamente o que sinto. E por Deus! Quantas vezes deixei meus filhos pra ir a uma padaria (próxima) porque chovia muito ou outros. Deus meu, essa família vai está presa pra sempre a essa dor que nunca vai passar.
Alba

Romanzeira disse...

Olha, responder ao inquerito, qualquer um responderia. Lembra do caso de uma criança que morreu após ficar trancada dentro de um carro por horas?O pai esqueceu a criança no estacionamento, debaixo de um sol escaldante. Ele foi processado. Não sei o desfecho da história, mas o estardalhaço feito pela imprensa no caso aqui do Rio, isso sim se deve ao fato de serem pessoas pobres, não serem brancos e serem suburbanos. O tom do texto diz tudo. Se fossem uma família de classe média, média alta, o texto dos jornais guardariam nas entrelinhas uma certa solidariedade e condescendencia, o que não se viu até agora sobre esse caso. Até o fato de publicarem a foto dos pais sendo presos já demonstra o tratamento classista dado pela imprensa.
Agora, sobre ter filhos, bem a vida é escolha e risco, não é...? Eu tenho dois sobrinhos, um deles eu acompanhei o primeiro ano de vida morando na mesma casa, então me sinto meio mãe dele. Teve uma época em que eu ficaquei paranóica pensando na fragilidade dele. Até que cheguei a conclusão que acabaria enlouquecendo. Ninguém pensa em casamento já se preparando para o divórcio, da mesma forma ninguém pensa em ter filhos já se preparando para perdê-los. Se um casal decide ter filhos tem mais e que curtir as coisas boas de ter uma criança em casa - e, caramba, tem muita coisa boa.

Romanzeira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Serge Renine disse...

Asnalfa:

Só estou conversando; e nào é com você. Eu falo com a Aronovich a muito mais tempo que você. Nào seja incoveniente!

Romanzeira disse...

Ah, sim, mas criança faz muita M..., mesmo! rsrs... Apesar de deixar a paranóia de lado, nunca dei mole com Francisco, nem com o Marvin, quando estou com eles fico de radar ligado o tempo inteiro o que não é garantia de que eles não podem escapar e fazer alguma coisa errada...

Ana Paula disse...

É um pouco egoísta da minha parte falar que tenho usado todas as trajédias dos outros pra aprender antes que aconteça comigo. Mas se a menina inglesa não tivesse desaparecido do quarto do hotel, se esta menina agora não tivesse caído da janela por ficar 5 min sozinha, eu tb acharia que não tem mal nenhum. A única coisa que me previniu de deixá-la sozinha no quarto do hotel foi lembrar daquela história de Portugal. A única coisa que me previne não deixar ela no carro por 2 min foram as tantas histórias de carros roubados com bebes dentro extatamente nestes 2 min. Ou seja, eu to aprendendo aos poucos, as custas dos erros dos outros pq até uma semana atras tb não imaginaria problema nenhum deixar ela sozinha dormindo pra ir ali no térro. Eu tb tenho muita pena da Rita e não a culpo de jeito nenhum. Acho um absurdo botarem os dois na cadeia.

Aqui nos EUA teve um caso de uma mãe que foi presa pq ela tava fazendo laundry e a filha de 1 ou 2 anos tava junto. Aí ela foi no banheiro, que era na porta ao lado à lavanderia da casa fazer um xixizinho e adivinha se a menininha nao foi por o resto das roupas dentro da maquinha, caiu dentro e, como a maquina tava cheia de água, ela morreu afogada. É um absurdo condenar a mulher por abandono de incapaz mas parece que eles querem que algumas vítimas sirvam de lição pro resto da humanidade. É muita injustiça com a mãe que acabou de perder o que ela tem de mais precioso na vida.

Oliveira disse...

Ah, ah,ah, Lola:

Agora eu quero ver.
Esse fresco do Asnalfa, ofendendo um leitor seu que fez apenas uma pergunta totalmente pertinente.

Alias, que coisa hein? Você, a doutora, nào leu um livro destes, nem na faculdade?

Anônimo disse...

Não tô entendendo porque as pessoas ficam nessa de "é impossível vigiar a criança 24 horas por dia" e "os pais também têm que viver", blá-blá-blá. Sou mãe de uma menina de 4 anos e concordo com a Suzana Elvas. Vigilância o tempo todo, sim!

Quem disse que quem tem que vigiar o tempo todo é a mãe!? Eu, quando preciso "viver", providencio um adulto para olhar por minha filha, o pai ou os avós. Eu e o pai intercalamos, mas nossa filha nunca está sozinha. Sim, se vou ao banheiro aviso ao marido, ora essa! "Olha ela um pouquinho, vou ao banheiro". O que é que custa um pouco de comunicação!?

Ela também não dorme só, Freud que me perdoe. Mas desde que, aos dois meses de idade, a babá eletrônica deu problema e eu acordei com seu choro no outro quarto (estávamos em quartos separados, ambos fechados com ar condicionado ligado, ou seja, quase impossível se ouvir o que se passava no outro cômodo), e fui encontrá-la já roxa de chorar (há quanto tempo estaria chorando? Sabe-se lá?), trouxe ela pra dormir comigo. Até hoje. Fim. Agora estamos nessa transição para ela começar a dormir sozinha. Porque vai completar cinco anos e, se algo acontecer durante a noite, ela pode se locomover rapidamente até nosso quarto e nos chamar.

Também acho que pobreza só é desculpa em situações extremas. Pois o que vejo em muitas famílias pobres são várias gerações morando na mesma casa. O avós muitas vezes não trabalham e podem olhar os netos enquanto os filhos estão fora.

E, pelo amor de deus, eu não precisaria tomar conhecimento dessas tragédias para que soubesse muito bem que não, não daria pra deixar minha filha dormindo num andar X enquanto eu descia até o térreo, por cinco minutos que fossem. Pelo que entendi, o pai também estava no prédio. Por que cargas d'água não se dividiram: um ficava com a Rita, o outro descia pra buscar as mais velhas!? Seria o lógico, não!?

Pra Lola, que já perguntou várias vezes por que criança bota o dedo na tomada: Lola, criança não tem medo de morrer. Até uma idade relativamente avançada, ela não entende que a morte é irreversível.

asnalfa disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Masegui disse...

Lolinha,

Estive viajando e só agora acabei de ler os últimos posts. A propósito, aquela matéria no Estadão, sobre a Sotomayor, foi escrita pelo asnalfa?
Deve ter sido. Uma coisa tão idiota só pode ter sido escrita pelo rei dos idiotas!

Masegui disse...

Esqueci de perguntar: o sobrenome do asnalfa não seria Oliveira?

asnalfa disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Experiência Diluída disse...

Lola eu acredito que esses casos acontecem com mais frequencia do que a gente espera. Eu n tenho filhos, mas uma amiga minha tem. Fico horrizada com o tempo que se deve ter do lado deles, pelo menos a filha pequenha dela n pode ficar um segundo só que faz arte o tempo todo e inventa de pegar nas piores coisas possiveis para brincar. Outro dia a menina tomou um pote de condicionador. Imagine?
Também acho horrivel ter que prender esses pais assim, sendo que foi uma fatalidade. Nessas horas a gente n imagina o pior. Se eu n me engano, no caso NArdoni, eles n foram presos logo de imediato, né??
Fica ai a duvida...:/

Iara disse...

Suzana, em nenhum momento eu falei que os pais não deveriam responder a um processo. A pessoa que perdeu o controle do carro e atropelou sem querer também responde, claro. E, até onde eu saiba, ele só vai pra cadeia se ficar comprovado que ele tinha como evitar o atropelamento e deliberadamente não o fez.
Você bate muito na tecla da culpa. Com todo respeito, mas isso pra mim não é o mais importante. Se a punição é realmente necessária, acho que obrigá-los a dar palestras sobre acidentes domésticos em centros comunitários é mais do que suficiente. Isso daria algum retorno para a sociedade. Cadeia, nesse caso, não. De novo, com todo respeito, mas acho que você, provavelmente por ser mãe, tá personalizando a coisa na culpa-punição dos pais. Pra mim, a tragédia está dada, o sofrimento também, e as condições em que ela aconteceram não vão se repetir, não nessa família.

Anônimo que dorme com a filha no quarto: acho complicado julgar desse jeito. Tenho pais maravilhosos, e nunca dormi no quarto com eles. Na minha época, não tinha babá eletrônica não. Eles iam dar uma olhadinha qaundo iam ao banheiro e olhe lá. Não acho que não deixar sozinho nunca em tempo algum seja critério universal. É o seu critério.

Isso que eu tô percebendo aqui no debate. Que estamos discutindo uma coisa cujo o critério varia demais. Porque alguém já disse que já deixou os filhos sozinhos pra ir a padaria num dia de chuva, e outra pessoa, nem pra ir ao banheiro. Outra diz que o filho de 12 anos quase pôs fogo na casa fritando um hamburguer, e eu com essa idade, há não tanto tempo atrás, caminhava 3 quilômetros pra voltar da escola pra casa, em um bairro movimentado de São Paulo, sozinha. Não por necessidade: porque já gostava de caminhar e meus pais aprovavam.

E eu acho que ninguém tá errado, na verdade. Cada um conhece o seu filho, a sua casa, a sua realidade. E se fosse apontar o grande erro da mãe da Rita de Cássia seria que foi, não deixar a filha sozinha um instantinho, mas não ter arrumado a tela sabendo que a menina era sapeca. Mas, sei lá, ainda acho pessoal demais. Não que eu pense que não há situações muito claras de irresponsabilidade, como deixar o filho pequeno sozinho a noite inteira e ir para a balada. Mas casos assim não são polêmicos. Se a situação fosse tão clara assim, a gente nem estaria discutindo.

Anônimo disse...

Iara, um dos depoimentos mais sensatos deste post. Parabéns. Comedimento com argumentos inteligentes é o tom. João

lola aronovich disse...

Iara, muito lúcido o seu comentário, concordo totalmente. Cada uma tem a sua realidade e faz o que julga melhor pra si. Como no caso do anônimo: pelo que sei, TODAS as psicólogas são contra filho dormir no quarto dos pais, inclusive nessa idade (5 anos). Eu não consigo ver como isso faz bem à criança e, muito menos, ao casal. Quer dizer, acaba a dinâmica como casal, né? Vcs viram apenas pai e mãe. Sem falar que sim, a gente sobrevivia antes da babá eletrônica ser criada. Mas se os pais acham que é isso que se deve fazer pra cuidar dos filhos, tudo bem. O que acho errado é condenar os pais da Rita no caso desta tragédia. Quero dizer, condenar judicialmente. O que eu ou os outros acham não vai mudar o que aconteceu.
Mas, insisto: nessa obsessão de “vigiar o filho a todo momento”, caímos numa discussão machista e classista. Machista porque a sociedade espera que a mãe sacrifique carreira, ambições profissionais, independência financeira etc pra poder ficar em eterna vigilância. E classista porque só as mulheres de classe média pra cima podem de fato tomar essa decisão de parar de trabalhar pra cuidar dos filhos.


Asn, vc foi grosso com o Serge. Ele não fez nada de mais. Vou deletar seus comentários mais agressivos, que não acrescentam absolutamente nada à discussão, muito pelo contrário.

Chris, mãe da Cecília disse...

Iara, acho que você está coberta de razão no que diz que cada um sabe quem é seu filho ;)
Minha filha dorme sozinha no quarto desde os 6 meses, e não surtei nem me senti desleixada por isso.
Lógico que não vivo grudada em sua sombra 24h/dia, até porque tenho outras coisas para fazer, mas, para que dar margem a mais acidentes do que aos que ela já está normalmente sujeita? Para que deixar, por exemplo, objetos cortantes ao alcançe? Bancos próximos às mesas de vidro? Enfeites que quebrem ou possam ser engulidos ao alcançe das mãozinhas dela? Acidentes domésticos acontecem sim, e sempre irão acontecer, mas, para que dar mais margem a eles?
Existe uma linha entre a superproteção e o bom-senso! O meu 'bom senso' me diz que não se deve sair de casa e deixar uma criança sozinha, nem que seja dormindo.

Bjs

Anônimo disse...

Lola, na maior parta das culturas tradicionais (indígenas, japonesas, africanas), os filhos dormem com os pais/a mãe. Muitos desses povos ficam estupefatos se são contados que, aqui no ocidente, um recém-nascido é largado para dormir trancado, sozinho.
E não, nem todos os psicólogos condenam os filhos dormirem com os pais. Há várias linhas e movimentos para tentar resgatar essa prática, mas me alongaria muito debatendo isso aqui.
Uma psicóloga americana de que gosta muito, Helen Bee (que por sinal não é contra os filhos dormirem sozinhos) diz que essa obssessão que se criou, esse a bem dizer tabu de que não, os filhos não podem dormir com os pais vem, entre outras coisas, da importância que a sociedade ocidental dá ao aprendizado da independência e individualismo desde a tenra idade, valores pouco cultivados nas sociedades tradicionais, bem mais gregárias.

A propósito, gostei do "todas as psicólogas". Homem não pode ser psicólogo? Isso é profissão de mulherzinha? Ok, estou só alfinetando, claro que você não acha isso, mas que soou estranho, soou.

Vitor Ferreira disse...

Iara, também gostei muito do seu comentário. Também acredito que punir com a cadeia esse casal não vai trazer benefício a ninguém. Nem a sociedade, nem a sortir efeito corretivo a eles, que devem estar consumidos por culpa, vai ser apenas uma punição a mais (meter o dedo na ferida) e ainda há mais duas meninas pra se criar.

lola aronovich disse...

Gente, não tenho como responder comentários hoje. Ontem já foi uma perdição... Mas espero que vcs continuem a discussão aqui. Só queria dizer que, Chris, claro, concordo plenamente: não se deve facilitar. A casa toda deve ser adaptada para receber uma criança. Hoje mesmo eu tava conversando sobre essa discussão toda com o maridão, e chegamos à conclusão que a nossa casa nunca poderia ter um filho. Por exemplo, nossa cozinha não tem portas, e é praticamente o centro da casa. Pra se ir ao banheiro é preciso passar pela cozinha. E imagino que cozinha seja o lugar mais perigoso pra uma criança, certo? Facas, garfos, coisas quentes... No entanto, muitas das outras casas no meu bairro (de classe média baixa) também são assim, e tem crianças, e elas sobrevivem. Mas de fato: quem mora em apê e tem filho pequeno tem que ter proteção nas telas. E se a proteção estiver danificada, tem que trocar. Não resta dúvida que os pais da Rita erraram nisso. Por outro lado, as coisas que quebram aqui em casa também levam MESES pra ser consertadas... Portanto, eu insisto que seria muito fácil que eu cometesse o mesmo erro na mesma situação.


Anônimo, tem um monte de coisas que as “culturas tradicionais” fazem com as crianças e que a gente não deveria imitar nem que a vaca tussa. Há tradições que são absolutamente danosas. Mutilação feminina é uma delas, certo? Eu só fico imaginando o que ter um filho dormindo no quarto do casal durante 5 anos faz com o casal. Tipo, não tem como o sexo não diminuir ou até desaparecer. E isso não me parece saudável pro casal. Tudo bem, sei que o sexo entre casais com filhos cai com filho dormindo dentro ou fora do quarto, mas imagino que desse jeito caia ainda mais. Sem falar que crianças são criadas para serem independentes. Todo o processo educacional é baseado nisso, não? Transformar aquele ser num ser que possa se virar sozinho. Não sei se dormir com os pais pode interferir nisso. Mas a questão é que vc pôs sua filha pra dormir no mesmo quarto não por uma questão cultural, tradicional. Vc fez por pânico. E imagino que a criança perceba este pânico, e que isso não faça bem. Desculpe expor minha opinião. Não te conheço, não conheço sua filha, tenho certeza que suas intenções são ótimas. Só acho um tanto exagerada essa vigilância 24 horas.
O “Todas as psicólogas” é porque estou tentando adotar o artigo feminino em situações que têm muito mais mulheres que homens. Acho um absurdo falar em “todos os psicólogos” (na turma de uma amiga minha não havia um só homem), “os nutricionistas”, “os enfermeiros” etc. Não tem nada a ver com ser profissão de mulherzinha. Mas é um fato inegável que a maior parte das pessoas nessas profissões são mulheres. E acho errado, por causa de uns 10% de homens (minoria absoluta), privilegiar a profissão com o gênero masculino. Se vc lê este blog com frequência, deve notar que geralmente me refiro às “professoras”, não aos professores, principalmente quando estamos falando de educação básica. Assim como falo “pras leitoras”, já que 70% do meu blog é leitora, não leitor. Engraçado como falar “leitoras” exclui os leitores, mas falar “leitores” não exclui as leitoras... Vamos combater essa língua sexista.

Giovanni Gouveia disse...

"Eu só fico imaginando o que ter um filho dormindo no quarto do casal durante 5 anos faz com o casal. Tipo, não tem como o sexo não diminuir ou até desaparecer. E isso não me parece saudável pro casal. "

Sorry, mas há artifícios ;)

asnalfa disse...

Ah pé o Masegui nao foi grosseiro comigo nao???
Vá te catá vc tb!!!
Nao volto aqui nunca mais....
Bando de comunalha. So protegem vcs mesmos...
Podem fazer a festa...

Chaves disse...

Quem quer deixar filho no mesmo quarto, que deixe. Sexo a gente faz em qualquer lugar, sala, cozinha, não importa.
Loucura é deixar um bebe chorando no outro quarto de luz apagada, "pra aprender a ser independente". Que diabos de independência é essa pra querer que um bebe de seis meses, ou de dois anos tenha?
Já vivenciei os dois jeitos, e hoje fiquei mais relax - meus filhos dormem no mesmo quarto conosco, - acomodação coletiva, cams, redes.... E garanto que não é por necessidade.
Duvido que algém consiga fazer sexo com uma criança acordada no outro quarto, especialmente se estiver chorando. Então, depois que elas já adormeceram no quarto dos pais, os pais podem ir brincar no quarto das crianças.. ora bolas!
Filhos que não tem medo de ser abandonados na hora em que precisam dos pais - a hora do sono é um momento delicado, por causa do escuro e da vulnerabilidade - crescem mais seguros e independentes. E não ficam medrosos, agarrados na barra da saia da mãe.
Aconchego é aconchego, e psicólogos não tem todas as respostas.

Giovanni Gouveia disse...

Sobre "as psicólogas", tive uma reunião ontem com a Coordenadoria da Mulher, aqui da Prefeitura, que está querendo fazer um concurso público para Psicólogas, Advogadas entre outas profissões (todas femininas) pra trabalhar, principalmente, com mulheres em situação de risco (imagina colocar uma mulher que acabou de ser vítima de violência misógina sendo atendida por um psicólogo homem, trancados num consultório...), o "prurido" já está se estabelecido

Giovanni Gouveia disse...

Concordo, Chaves, e tenho seguido esses princípios... Aliás, isso é um tema bastante controverso, há posições, na psicologia, que defendem a permanência dos filhos no quarto.

Anônimo disse...

"Filhos que não tem medo de ser abandonados na hora em que precisam dos pais - a hora do sono é um momento delicado, por causa do escuro e da vulnerabilidade - crescem mais seguros e independentes. E não ficam medrosos, agarrados na barra da saia da mãe."

Concordo inteiramente com o Chaves - e muitos psicólogos também. É interessante observar como muitas vezes as crianças que dormem com os pais é que acabam se tornando mais independentes - por se sentirem mais seguras, não têm medo de explorar o mundo. As que são deixadas desde o primeiro dia para dormir sozinhas muitas vezes são mais medrosas, menos confiantes... menos independentes! Um tiro que sai totalmente pela culatra. Observo isso aqui em casa: minha filha é em média bem mais independente que os coleguinhas da mesma idade.

Agora, isso de "filho no quarto acaba com a vida sexual do casal"... Eita, simplismo brabo!

E não sei há alguns anos, nem em outros lugares, mas psicologia na UFPE, tanto graduação quanto pós-graduação, tem homem saindo pelo ladrão.

Lola, dormir junto dos filhos pequenos, para protegê-los, é um impulso natural, tanto que as mães que optam pela separação geralmente sofrem um pouco no início. Não vejo o que um gesto de amor tem em comum com algo brutal como mutilação. Nem como gestos carinhosos e de cumplicidade vão estragar uma criança. O que quis dizer é que desde que o mundo é mundo filhos dormem com os pais - o contrário é que é novidade - e se fosse algo tão deletério para a psiquê humana só teríamos criado psicopatas até bem pouco tempo atrás - e ainda hoje, em muitas regioes.

Ághata disse...

Querida Lola, sua resposta já foi respondida...
Toda aluna de direito que já cursou, pelo menos, até o 4º semestre da faculdade já deve ter dado o básico de direito penal e tod= professor/a explica que 'pais que costumam perder os filhos por sua culpa costumam ser perdoados porque o judiciário supõe que já sofreram muito com o ocorrido', sabe? O meu professor até contou que um cara atirou e matou o próprio filho achando que fosse um ladrão invadindo a própria casa e -tcharãm - ele nem foi preso, claro.
Então, Lola, pode ter certeza que este casal só foi preso porque tratam de pessoas vulneráveis economicamente e por não serem brancas.
Triste, triste mesmo.
Mesmo quando uma pessoa sofre em decorrência de um acidente ou erro, ainda corre o risco de sofrer ainda mais dependendo de sua cor, de sua posição social, financeira...

Tatiana disse...

Oi Lola,

Eu não tenho filhos e muito menos sou casada, porém essa discussão de criança dormir no quarto dos pais e tal, eu posso falar pq presenciei esse dilema na minha casa. MInha irmã mais nova, quando bem pequena, dormia na cama dela no mesmo quarto que eu. Entretanto, um dia ela acordou assustada, chorando pq acabara de ter um sonho ruim, coisa de criança. Como ela não se acalmava e já era madruagada, minha mãe por impulso a levou pro quarto dela. Pronto, a porcaria estava feita. Meus pais passaram dias e dias tentando convencer a minha irmã voltar pra cama dela, eu como irmã mais velha, inventava histórinhas, brincadeiras, prometia mundos e fundos a ela, na tentativa de ajudar meus pais. Nada. Ela só foi sair da cama deles uns cinco ou seis anos depois pq ela tava muito grande e incomodando demais e minha mãe estava acordando todos os dias com fortes dores nas costas, tendo noites péssimas de sono e ainda tendo que trabalhar.
Agora me diz, como não alteraria a vida sexual deles?

Li um comentário nesta discussão toda de que há artifícios, que se a criança vem para o quarto do casal os pais podem brincar no quarto da criança, ou fazer sexo na sala, na cozinha, no banheiro e por aí vai. Mas me respondam essas pessoas: e quando o casal tem outros filhos, mais velhos, ou como no meu caso, sempre tive problemas para dormir e costumo andar pela casa até altas horas até conseguir dormir?
Minha casa tem só dois quartos. E se eles resolvessem usar o quarto da minha irmã, estariam usando o meu. O que fazer nestes casos? Tocar o outro filho? Manda ele fechar os olhos e tampar os ouvidos? Ou vai fazer sexo na sala, correndo o risco do outro filho que dorme no quarto dele, ao levantar para ir ao banheiro, por exemplo, sem querer acabar vendo os pais dele fazendo sexo na sala? Aqui em casa, para ir ao banheiro, precisamos passar pela sala. Pensou se meus pais resolvessem fazer sexo na sala durante os cinco ou seis anos, eu acabaria vendo a cena com certeza.

Sei lá, acho muito fácil levantar a bandeira da superproteção, de super pais apontadores de dedo na cara dos outros. Mas uma coisa é vivenciar a sua realidade, dentro da sua casa. Outra coisa é sair por aí dizendo que fulano é culpado sim, que tem que ir pra cadeia mesmo, que criança não se deixa sozinho nem dormindo.

Até hoje meus pais comentam que os anos que minha irmã dormiu na cama deles foram os piores que eles já passaram. E se eles dizem isso, com certeza motivos eles tem, né mesmo?

Bom, mas isso é a minha opinião.

.ailton. disse...

Lola, na mesma situação, qualquer pai e mãe seria preso em flagrante delito. A pergunta é: por que eles continuaram presos? e não: por que foram presos? Presos eles seriam de qq forma, mas continuaram presos por nao terem dinheiro para pagar um bom advogado, que, imediatamente após a comunicação do flagrante à justiça, entrasse com um pedido de relaxamento do flagrante.

com dinheir e advogado, as coisas acontecem tao rápido que parece q a pessoa nem foi preso.

Romanzeira disse...

Ha, Lola, desculpa, mas essa de que criança não deve dormir no mesmo quarto dos pais é meio complicado...
Eu nunca que deixaria meu pequeno dormir sozinho tendo apenas uns dias de vida, e se quando mais velhinho chorar no meio da noite eu vou lá ver o que ele tem e trago pra dormir comigo e o marido. Se o marido gostou ótimo, se não gostou, o sofá é serventia da casa. Essa é uma preocupção e um hábito muito classe média.
Presenciei essa situação na casa de uma parenta próxima. A criança chorava no berço porque o pai achava o fim deixar a criança dormir na mesma cama que eles, mas a criança tinha meses!!!
É claro que com o tempo a criança se acostuma a dormir so, os pais também devem insentivar, mas nunca agir como se a presença da criança fosse um encomodo, acho que isso sim faz que com os filhos tornen-se extremamente inseguros quanto a atitude dos pais em relação a ele. E psicologa nenhuma me faz pensar diferente. rs...

Chaves disse...

Para Tatiana:
Cada família arruma o seu jeito de lidar com as situações. Vou te contar a minha história, e um pouco da minha vida.
Tenho um filho de 13 e uma filha de 4. Por radicalismo e excesso de juventude, o primeiro ficou dormindo sozinho desde os quatro meses de idade, quando o berço foi pro outro quarto já que pretendíamos que a vida sexual do casal voltasse ao normal.
Sim, na primeira noite nós deixamos um bebe de 4 meses se esgoelar até dormir, pra não ficar manhoso e aprender a ser independente.
Depois eu botava ele pra dormir no quarto dele, e só saia depois que ele estivesse adormecido. Duas horas depois.
E às vezes deixávamos ele lá chorando mesmo, pra aprender a dormir sozinho e ficar independente.
E por noites intermináveis eu fui ao limite do meu stress ficando com o bebe no quarto dele, mal acomodada, sem descansar, porque ele simplesmente não dormia. Ou ele acordava no momento em que eu me levantava e lá eu tinha que voltar.
Eu ficava com ódio daquele ser que não me deixava "viver a minha vida".
Quando era maiorzinho, às vezes eu acordava de manha com ele dormindo no chão do meu quarto, encostado na minha cama - ele não tinha coragem de pedir pra dormir junto porque sabia a resposta. Ou do lado de fora da porta, se estava fechada.
Eu botava ele pra dormir no quarto dele, contando histórias até os oito/nove anos, quando a pequena nasceu. O meu cansaço era muito grande, com a bebe dormindo no meu quarto, parecia maldade deixá-lo do lado de fora. Eu não tinha como ficar contando historias indefinidamente com um bebe prematuro pra cuidar.
O arrependimento também era enorme.
E queria evitar o ciúme que naturalmente surgiria dessa situação.
A partir daí, adotei acomodação coletiva.
Os dois dormem no meu quarto. E se eu quero um momento de privacidade, vou pra outro quarto. Depois que eles estão ferrados no sono. E tranco as portas.
E não faço sexo todos os dias. Duvido que um casal com quinze anos de casado faça sexo mais do que uma vez por semana. Se fosse mais frequente, talvez já tivesse mudado a situação. Mas por enquanto tem funcionado, e a menor é bem mais ajustada do que o maior em tudo na vida. Mais segura, mais confiante, dorme sem que eu precise ficar segurando a mão dela. Acho que é porque nunca a deixei chorar à toa. Sempre que ela pediu, eu a segurei e abracei, e como resultado, ela me pede isso muito pouco hoje em dia.
Dorme sozinha, 99% das noites. Na verdade, meu marido e eu é que nos mudamos de quarto. Sem problemas...
Quanto ao sexo na cama do casal, é fácil. Depois que eles ferram no sono, é só levá-los de volta para o quarto, dormindo mesmo, carregando no colo. Vai demorar mais ou menos meia hora até que acordem querendo voltar... E aí já rolou o que tinha que rolar...
Por outro lado, meu marido prefere dormir no escuro absoluto, e precisa descansar mais do que eu, por causa do trabalho. Logo, ele é que dorme no outro quarto, e isso até agora - já são cinco anos - tem se mostrado um arranjo melhor do que antes, porque dormimos melhor assim. A cama é pequena demais pra nós dois.
Ah, só esclarecendo - eu tenho uma cama de casal e duas redes no meu quarto. As crianças dormem nas redes, apesar de terem as suas camas no outro quarto. às vezes, dormem por lá mesmo, e meu marido vem dormir no meu quarto - na rede.
Pra que temos que ter tantas regras e obrigações quando se trata de dormir e relaxar??

Anônimo disse...

Chaves, você é minha ídola! Adorei ler sua experiência.

Chaves disse...

Olha, eu me arrependo muito do jeito que criei meu filho mais velho. Ele ainda vai precisar de muita terapia.
Só posso dizer que minha vida ficou melhor depois que aboli as regras pra dormir. Menos stress = mais amor.

Carla disse...

(Um comentário off-topic, mas necessário pra caramba.)

Eu trabalho em hospital, na Pediatria. E hoje não foi a primeira vez que recebemos criança sufocada pelos pais enquanto dormia. Sufocada, sem aspas, os pais se mexem durante o sono e acabam machucando o bebê. Ou então empurrando para fora da cama. Ou então apertando e criando hematomas. Acidentes acontecem (consultem a SBP para saber mais).

Querem dormir no mesmo quarto, ok. É controverso, mas cada um cria seu filho como bem entende (e depois vira-se com o que acontece, bom ou ruim). Mas, por favor, adultos pesados, não durmam com crianças frágeis na mesma cama que vocês. Uma rolada para o lado de mau jeito e a criança se machuca.

Vivi disse...

Foi o que pensei ao ler sobre o acidente com uma vã que transportava crianças para escola, no Rio. Nos comentarios do jornal O Globo la estava a manada linchando os pais das crianças mortas.

A humanidade não mudou muito desde a guilhotina para ca, se ainda existisse cabeças sendo cortadas em praças, essas estariam cheias.

Enfim, eu que sou mãe de um menino de seis meses, tenho pensado muito nisso tudo; na efemeridade de um instante enquanto deixo meu bebê sozinho para ir até o toilette. Da muito medo, um medo profundo, parece que enraizado, deve vir nos nossos genes de que aconteça algo ruim. Mas garanto, por mim, que filhos trazem, muito além de felicidde, uma outra forma de encarar a vida. E muito mais bonita.
Saudações.

Iara disse...

Engraçado, Chaves. O seu relato só faz eu ficar mais certa de que educação de filhos é muito pessoal mesmo. Porque quando eu era pequena, nunca foi assim. Segundo minha mãe, eu chorava bastante quando bebê, mas sempre fiquei sozinha, no meu quarto, desde o primeiro dia de vida, e logo entendi que aquele era meu quarto, e não chorei mais. Tenho pouquíssímas lembranças de, na infância, acordar assustada, pedir pra ir pra cama dos meus pais, minha mãe me explicar que era "só um pouquinho", e acho que me devolvia pra minha cama quando eu pegava no sono. Mas era bem raro e eu sempre sabia que era uma exceção, que meu lugar não era ali. Talvez o fato da diferença de idade pro meu irmão mais novo ser pequena (só 2 anos), dormíamos no mesmo quarto, e pra mim tava muito tranqüilo, porque eu não tava sozinha. Quando mudamos de casa, com um quarto para cada um, meu irmão com 4 anos e eu com 6 anos, nunca mais pedimos pra dormir com eles. Tipo, nunca mesmo. E não é porque era proibido, reprimido, sei lá. Só ficou na nossa cabeça que a hora do sono era de cada um no seu quarto e nunca questionamos. Cresci entendendo que meus pais estariam disponíveis num momento difícil, como estão até hoje, mas a hora de dormir não era considerada difícil nem pra mim, nem pro meu irmão. E olha que eu sempre tive medo do escuro, mas aceitava a solução de ter a luz do corredor acesa enquanto dormia numa boa. Aliás, pra mim o aconchego estava aí, em saber que o meu medo do escuro era respeitado, e a luz podia sim ficar acessa mais um pouquinho... Como essa foi uma experiência bem sucedida, nunca pensei em fazer diferente com os meus filhos, se um dia os tiver.

Lolla disse...

Meus pais me deixavam sozinha em casa com 5 anos. Por HORAS.

Sabe o que me admira? Uma criança dessa idade subir num banco e se dependurar numa janela até cair. Não era uma janela baixa. Com cinco anos eu já sabia que lugares altos = risco de queda e morte. Fugia deles. Acho que muitos pais falham em transmitir essas noções de perigo às crianças. Não sei se foi o caso deles, mas wow.

Por isso é que não sei se quero ter filhos. Um Tamagochi de carne e osso, requisitando atenção integral e que, quando morre, não dá pra apertar um botão pra fazer ressuscitar. Eu definitivamente não seria boa mãe.

Raí disse...

E isso me levou a pensar no fato das pessoas que tem filhos acharem que os que não os possuem não possam opinar sobre o assunto, como percebo na maioria dos casais que conheço. Beijos, Lola querida. Ainda acho que você deveria escrever livros.

Helen disse...

Oi, Lola. Já tem um tempão que não participo, mas estou de férias, então aqui estou.
Quanto a essa história de não se poder deixar crianças sozinhas nem por cinco minutos (não tenho filhos também, mas tenho muitos primos pequenos), isso é algo impossível. É completamente inviável. Nesse caso do acidente da menina, os pais estavam no playground. Mas pais também têm de ir ao banheiro, por exemplo. E se o pai estivesse trabalhando e a mãe estivesse tomando banho? Os pais agora vão ter de levar a criançada pro banheiro quando eles tiverem de tomar banho ou fazer um "número um ou número dois"?

Eu sempre apreveitava os momentos em que minha mãe estava ocupada com alguma coisa (passando uma roupa, ou cozinhando, ou no banheiro) para fazer alguma coisa como subir em um telhado. E olha que eu era super vigiada! Mas em cinco minutos dá para subir num muro e pegar uma pipa. Se eu caísse, a culpa seria mesmo dela? Então os pais não podem nem fazer seus afazeres para ficarem de olho nas crianças? Uma vez caí um lance inteiro de degraus, e minha mãe estava no final da escada. O que ela poderia fazer? TODOS os pais já viveram a situação de não terem sido capazes de evitar um tombo, um joelho ralado ou um braço quebrado. Isso acontece. Infelizmente, às vezes o que acontece é uma tragédia...

Helen disse...

Uma coisa que me chamou a atenção na hora, e que me deixa desconfiada até agora, é que eu acho que essa menina resolveu mesmo se suicidar e se aproveitou do tempo sozinha. Crianças de cinco anos podem ter idéias suicidas. Mas por que ninguém falou sobre isso na mídia ainda eu não sei.