sábado, 1 de maio de 2010

PROFESSOR UNIVERSITÁRIO É TUDO COMUNISTA

Falei ontem sobre o clássico Vinhas da Ira, mas não contei as circunstâncias. Seguinte: os três primeiros anos de um professor universitário numa federal são de estágio probatório. Além das aulas, há um monte de projetos para realizar. Entre eles existe a formação continuada. Os novos docentes se encontram três vezes por ano para trocar ideias e devem participar de ambiências temáticas. Uma delas é sobre cinema. Foi essa que passou Vinhas da Ira. Depois do filme, houve um debate, o que é altamente desejável – afinal, qual o propósito de mostrar pra um grupo um filme que se pode ver em casa se não haverá uma discussão?
O que não quer dizer que eu não me surpreenda. Sabe aquele mito que todo professor universitário é de esquerda? Então, é mito. Todo e qualquer professor universitário que já trocou meia dúzia de palavras com seus colegas sabe que há tanta gente de direita quanto de esquerda. Lógico que os de direita, só pra variar, não se consideram de direita. Nem o Tio Rei se considera de direita! E imagino que, se questionados sobre que lado do espectro político estão, meus colegas responderiam que essa divisão entre direita e esquerda acabou com a queda do Muro de Berlim, quando eles venceram, lógico. Ou você já ouviu alguém de esquerda dizer que “essa divisão não existe mais”? Não, né? I rest my case.
Óbvio que meus colegas professores universitários podem defender a ideologia que quiserem (e, só pra constar: ideologia não é só de esquerda. Tudo é ideologia. Aquilo que você vê como natural, “é assim que as coisas são”, também é ideologia). Mas me espanta um filme hiper de esquerda como Vinhas da Ira (1940) – um filme que não poderia ter sido feito oito anos depois, na época do Macartismo, porque seria taxado de comunista (inclusive, tanto Steinbeck quanto John Ford foram investigados pelo Comitê de Atividades Anti-Americanas por causa da defesa dos sindicatos exposta em Vinhas) – ser interpretado pelos meus colegas como... o triunfo individual de quem trabalha!
Putz, não é por nada não, mas é preciso muito esforço pra interpretar Vinhas dessa forma. Até porque não há triunfo nenhum. O filme termina com a família separada, dirigindo-se sabe-se lá pra onde, sem nenhum perspectiva. E já falei do discurso final, em que se prega a união de milhares de pessoas do povo contra um sistema explorador. Mas não, pra um professor presente (e não sei de que área são esses docentes), Vinhas serve como um ótimo exemplo pra nós, brazucas. Porque os americanos passaram por tudo isso na Depressão de 30, e pouco tempo depois superaram as dificuldades e já eram o povo mais rico do mundo. Como já dizia aquele slogan partidário, o Brasil pode mais!
Um outro professor reclamou dos que pensam que o capitalismo está no fim, porque o capitalismo sempre dá a volta por cima. No capitalismo não há crises, há oportunidades! E deu um exemplo: em Fortaleza havia uma rua cheia de concessionárias de automóveis. Com a crise de 2008, quase todas fecharam. Só sobrou uma. Mas essa daí, se aguentar firme, quando a crise passar, ficará rica, pois será a única da rua. Não é uma maravilha? Eu respondi: “Ô. Pra quem sobrevive, deve ser ótimo”. E o carinha: “Exato: pra quem sobrevive!”. O ardor com que ele disse isso me fez lembrar de mais uma diferença entre esquerda e direita. Pra esquerda, darwinismo social e a sobrevivência do mais forte não são coisas positivas. Pelo contrário. Indicam um capitalismo selvagem, que não se preocupa com o ser humano. Mas, pra direita, não importa quem morre no caminho. O sobrevivente é um herói, um vencedor: he made it!
Mais adiante um professor afirmou que lá no norte eles só fazem greve quando realmente precisam (ao contrário de nós, aparentemente, que cruzamos os braços só pelo prazer da baderna), e um outro disse que hoje os Estados Unidos não permitem mais que seus empregados sejam tratados assim, do jeito demonstrado por Vinhas. Eu: “É, se o empregado for americano, não mesmo. Mas eles vão pra um país de terceiro mundo e agem exatamente desse jeito, usando esse mesmo sistema de exploração”. Meu colega não gostou, disse que não é assim, e que além do mais, quem são eles? Pois é, é bem isso que o filme tenta passar: que no capitalismo não há eles, não há um rosto. Ninguém pra culpar! (o excelente documentário A Corporação corrobora essa tese).
Daí um professor com uma cruz no peito sugeriu que o próximo filme exibido fosse Lenin e Eu (ele se referia a Adeus Lenin): “Já que estamos criticando o capitalismo, é bom mostrar filmes que criticam... o outro lado”. Eu só não entendi o plural: quem “estamos criticando o capitalismo”, cara pálida? Que eu saiba, só eu estava (os outros eram ardorosos fãs do sistema). Ou melhor, eu e o filme que havíamos acabado de assistir.

42 comentários:

João disse...

De qualquer forma, Lola, sempre achei o debate saudável. E como há pessoas com diferentes ideologias aí na UFC, certamente o debate foi enriquecedor. Afinal, se todas as ideias fossem iguais, que debate haveria, não é mesmo? Mas me surpreendeu o fato de você constatar a existência de poucos apoiadores do socialismo numa federal... Força!

Mila disse...

É uma desgraça que até professores universitários - universidade pública - cultivem esta mentalidade...

L. Archilla disse...

Sabe oq me deixa triste, Lola? ver professores universitários federais com esse tipo de "analfabetismo funcional" - se é que dá pra chamar de analfabetismo funcional não saber interpretar um filme (não conheço outro termo melhor). Sempre idealizei professores universitários como pessoas com uma cultura ampla, sabendo pelo menos um pouquinho além da sua área. E se forem de humanas, então, é IMPRESCINDÍVEL que conheçam um pouco de política, sociedade, história, cinema, etc. É claro que "saber um pouquinho" de política, história, etc, não quer dizer necessariamente SER DE ESQUERDA, pode ser de direita tb. Mas ver um filme que é uma clara crítica a um sistema e interpretar como um ELOGIO? Putz!!!

Obs: essa coisa de interpretar filme é legal pq realmente tem filmes que dão dupla interpretação. Não sei se vc viu 4 semanas, 3 meses e 2 dias (acho que é esse o nome). Vi nele uma crítica pesada à proibição do aborto; entretanto li um texto de um evangélico que interpretava como uma crítica ao aborto em si - muito bem escrito, por sinal. Quer dizer, interpretar de maneira contrária é uma coisa, interpretar errado é outra!

L. Archilla disse...

aliás, acho q é 4 meses, 3 semanas... enfim... por aí.

Renata disse...

Oi Lola, estou na correria e não pude comentar o último post. Não sei se você lembra mas eu fiz minha dissertação justamente sobre As Vinhas da Ira, o livro.

Acho a ideia de alguém argumentar que o filme é sobre a ética protestante de sucesso individual simplesmente absurda. É uma história que denuncia o capitalismo poxa!

E só pra acrescentar, hoje em dia a situação dos Joads continua a se repetir, mas os os explorados pelo sistema de colheita sazonal e trabalho temporário na Califórnia são os imigrantes mexicanos. Eles passam pelas mesmas situações que os migrantes da época de 30.

Os trabalhadores como os Joads durante a Segunda Guerra Mundial foram absorvidos pelas indústrias bélicas da Califórnia, então o trabalho nas colheitas foi passado para os imigrantes ilegais.
Não é um caso de sobrevivência do mais forte ou de superação individual, é o contrário do sonho americano. É sobre oportunidade, ou a falta dela. Como as pessoas podem não ver isso? Tudo bem que o filme é um pouco mais otimista que o livro, mas mesmo assim fica claro que os caras ficam sem saída.
Bom, poderia ficar falando horas sobre isso, mas tenho que continuar com a correria aqui. Estou organizando meu projeto pro Doutorado...

Um abraço,
Renata.

Mariana. disse...

Claro que isso de professores de universidade serem todos de esquerda é mito, e ainda bem. Ainda bem também que não são todos de direita, ou negros, ou brancos, ou heteros, ou gays, ou homens, ou mulheres...

Você devia ficar feliz, Lola. Até porque se todos pensasem como você, ou como os outros professores que discordaram de você, não haveria debate algum, nenhuma troca. E você jamais teria a oportunidade de convencê-los do que acha certo, ou de ser convencida (precisamos estar sempre com a cabeça aberta).

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Mas vamos debater aqui também. Lola, tenho tanta curiosidade pra saber mais sobre suas idéias. Eu adoro o seu blog, mas as vezes fica difícil saber o que vc pensa de fato. É mais fácil saber o que você o que vc não pensa, aquilo que vc discorda, porque na maioria das vezes - principalmente nos posts sobre política - você critica um ponto de vista e pontua o texto todo com ironias e tals. Não é uma crítica: é seu estilo e eu adoro. Claro que sei que você é de esquerda, feminista, petista (não, quem é de esquerda não é necessariamente petista. outro dia ouvi uma garota dizendo que, se eu não era do pt, eu não tinha o direito de me considerar de esquerda). E até o termo 'esquerda' é muito abrangente. Tenho certeza que você já discordou de muito esquerdista por aí, mesmo quando essa pessoa é, de fato, de esquerda.

Por exemplo, quando eu digo que dou graças a zeus que o regime comunista não triunfou na guerra fria, todo mundo diz que eu não sou de esquerda coisa nenhuma. Bom, eu não ligo muito pra ser rotulada, mas me espanta alguém defender um regime em que não havia liberdade de expressão e ainda por cima se considerar esquerdista! Eu não abro mão da minha liberdade de escolher os representantes, nem de falar o que penso sobre eles, oras. E isso tudo não existiu nos regimes de esquerda.

Obviamente isso não significa que eu defenda o capitalismo selvagem, que esmaga quem não consegue acompanhar seu rítimo frenético e cruel. Mas acho que existe um meio termo e não é utopia. Olhemos os países nórdicos: claro que existe pobres e ricos, mas não miseráveis. Os pobres lá tem uma vida digna, decente. Tem educação, acesso. Não são alienados. Bem, é isso.

Anita disse...

Bastante inteligente este post, adorei!!

http://anitamakingof.blogspot.com/

lola aronovich disse...

Renata, claro que lembro da sua dissertação! Sempre que penso em Steinbeck, penso na sua dissertação! Pois é, achei impressionante os professores presentes na sessão confundirem uma crítica tão claro ao capitalismo com uma defesa do capitalismo... Sobre o que é seu projeto de doutorado? E vc continua cursando Letras?


Lauren, sem dúvida que 4 Meses, 3 Semanas e Whatever (nunca vou decorar esse título!) pode ser interpretado pró ou contra o aborto. Mas tá bem mais a favor da legalização do aborto. Enfim... acabei nunca escrevendo sobre esse filme, né?

lola aronovich disse...

Mariana, professores universitários aqui no Brasil são quase todos brancos sim. Na USP o percentual de negros não chega a 1%. No meu departamento (Letras Estrangeiras), há 45 professores. Só um deles é negro. Isso num estado como Ceará, em que se considera que negros componham 65% da população. Quanto à ideologia dos professores, o mito que corre é que universidade federal, qualquer uma, é um antro de comunistas querendo doutrinar os alunos. Entenda, não é que o mito seja de direitistas querendo doutrinar os alunos. É isso que me surpreende e que quis expor neste post: como a realidade é diferente do mito. Isso e como, no caso específico de Vinhas da Ira, um filme tão claramente crítico ao capitalismo, alguns interpretam a trama como a vitória do capitalismo.
Mas como vc pode dizer que fica difícil saber o que eu penso? Meu blog é quase inteirinho de opinião, minha opinião, que eu acho bastante clara. Quando não tenho opinião formada sobre alguma coisa, sempre digo que não tenho opinião formada. No resto do tempo, creio que minha opinião tá exposta. Uso ironia na maior parte das vezes, mas espero que isso não impeça que minha opinião fique clara pra maioria dos leitores. Acho que o que vc está querendo dizer é que não comento alguns tópicos específicos e, assim, se não comento, não dá pra saber ao certo minha opinião. É isso? Vc pode perguntar coisas mais diretamente, se quiser. E, quando eu tiver tempo, eu respondo. O blog tá aberto pra uma seção permanente do tipo “pergunte que eu respondo”.
Pra mim, liberdade de expressão é fundamental. Acho que já deixei isso claro em inúmeros posts. O tipo de socialismo que defendo é com liberdade. E lógico que gostaria que seguissemos o modelo nórdico. Imagino que nem a direita se oponha ao sistema nórdico, que conta com grande interferência do Estado. A direita só fala em Cuba e URSS (que nem existe mais), mas ignora a Escandinávia. Por que a Escandinávia dá certo? Não é porque lá faz frio e o pessoal é loiro...

aiaiai disse...

Sempre um prazer ler seus pensamentos tão claros!!!

aiaiai disse...

Lolinha,

quer ficar com raiva mesmo? (kkkk)

Leia essa entrevista do homem que - caso o serra ganhe a eleição (aiaiai...o povo brasileiro não permita, mangalo 3 veiz), viria a ser nosso ministro da educação (batendo 3 vezes na madeira).

É esse tipo de coisa que me faz ficar cada vez mais engajada na campanha pela Dilma. Eu sou fã e admiradora da dilma desde que ela era ministra de minas e energia e fui ficando cada vez mais. Meu voto vai para ela, não porque o lula indica, mas porque eu acho que ele encontrou a pessoa certa. Foi mais uma decisão linda dele.

Mas bom, voltando ao papo inicial. Leia essa matéria e veja se não é mais um bom motivo para a gente se manter motivado na campanha!
(ah, esqueci, peguei a dica no Cloaca News...e como eles aviso: tapem as narinas antes de entrar no link. Trata-se de sitio da Abril. Ui, que nojo!)

http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/entrevista-paulo-renato-souza-508211.shtml

Roberto Ilia disse...

Cara Lola e leitores do blog,

Leiam o último capítulo da série: A Idade das Trevas. No ar e na rede: O Supremo Sonho Tucano: Transformar o Brasil num Imenso Paraguai!

Renata disse...

Oi Lola,

No meu projeto de Doutorado quero estudar Gênero e performatividade (do conceito da Judith Butler) em alguns trabalhos literários... ainda estou processando as ideias, mas quando eu tiver algo mais concreto eu te falo, pode deixar.

Quero fazer com a prof. Susana Borneo Funck, que agora está na PGI de novo. Todo mundo sempre elogia ela e agora estou fazendo uma matéria como aluna especial com ela e adorando cada segundo... espero que eu passe na seleção de agora. Isso se até lá eu conseguir bolar um projeto consistente...
Torça por mim!

Beijão
Renata.

aiaiai disse...

racismo e machismo juntos:
é o Globo, dizendo pra onde vai, pra cova, espero:

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/05/01/machismo-explicito-na-pagina-de-uma-opiniao-so-do-globo/

olhodopombo disse...

Pra voce sentir Lola que o pessoal nordestino intelectualizado é bem semelhante aos Gilbertos Freires da vida....

Laurinha (Mulher modernex) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
olhodopombo disse...

Aonde Lola a população do Ceara é composta por 65% de negros, se no Ceara como na Paraiba o indice de escravidão é baixissimo, dada as condições pessimas da agricultura na região e a falta de minerios na epoca da colonzação?

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Pois é, também acho que essa história de que todo professor universitário é comuna ou que é de esquerda, é puro mito. Muitos nem se manifestam. Já tive professores de sociologia que eram de direita até a alma...
Outro mito é que todo estudante de jornalismo também é de esquerda... Na UFMG até rola a piadinha sem graça de que não pode escolher no curso de Comunicação a habilitação jornalismo e publicidade ao mesmo tempo, porque todo jornalista é comunista e publicitário é capitalista...

Abçs Lola!!!

Mary Goes disse...

Olá Lola!!
Não são somente nas universidades que isso acontece, mas nas escolas particulares, consideradas melhores que as públicas por muitos, isso também ocorre. E como!!!
Um abraço,
Mara

Gi disse...

Xi, Lola, de acordo com o link para o outro post (direita que não assume que é direita, ou gente que não assume algo) eu por exemplo posso dizer que tenho uma opinião para cada assunto dessa vida e essa opinião muitas vezes pode mudar segundo algum contexto o qual permita essa mudança sem me fazer uma "sem personalidade" ou "vira-casaca". Acho que todos dotados de lógica e bom-senso vão pensar assim. Dificilmente alguém consegue me enfiar uma carapuça. Quando existe essa possibilidade, eu mesma a visto com muito prazer. ;-)) Sobre a frase do título desse post: quem pensa assim tem alma pequena.

A propósito: entendo quando você diz que a há pessoas que em relação a costumes se posicionam de uma forma e quando a questão é econômica, aí mudam. Mas elas não seriam então muito honestas e coerentes consigo mesmas? Não seriam essas pessoas de "centro", talvez? Inclusive, da próxima vez que fizer um blog, já de antemão apontarei temas polêmicos e minha posição em relação a esses assuntos, aqueles, claro, que eu tenho absoluta certeza, sem chances de mudar ao longo do caminho. Já até sei quais são. ;-)

Marcos Costa Melo disse...

Oi, Lola, transformar Vinhas da Ira numa defesa do capitalismo é dose... mas não me surpreende, o nível geral de entendimento é muito franco, inclusive (infelizmente) nos professores universitários.

E o mito de que são todos da esquerda também só pode existir na cabeça de quem não convive muito com eles. Até nas Humanas, ando achando que a esquerda é minoria. Talvez não no discurso, mas na prática sim.

Fazia um tempinho que não passava por aqui, não tinha lido sobre sua nova posição profissional, parabéns, tanto pela aprovação no concurso, quanto pelo blog, que continua ótimo.

abs

Alcyone Coelho, disse...

Lola, estou ausente dos comentarios, sem continuo lendo seu blog com frequencia. Tambem li esse outro blog e lembrei de voce, acho q vc apreciara a leitura, beijos

http://convictosoualienados.blogspot.com/

Léo C. disse...

Oi, Lola.

Vc citou a Escandinávia. Eu moro na Finlândia e dei um pitaquinho esses dias sobre o assunto. Se tiver tempo, dá uma olhada.

http://leonafinlandia.blogspot.com/2010/03/bolsa-familia-e-finlandia.html

Abracos!

Caso me esqueçam disse...

fiquei espantada com essa de que professor universitario eh de esquerda. na area de historia, sim, eu posso testemunhar que a maioria dos professores sao de esquerda, e defendem com unhas e dentes o que pensam, mas nem sao todos (que sao de esquerda). mas quando vamos saindo da area de humanas e chegando na de exatas eh a festa da direita.

Caso me esqueçam disse...

queria entender o que a olhodepombo disse...

Alana disse...

Acho que esse filme não é tão fácil de se encontrar nas locadoras, mas vou tentar encontrar. Sobre professores politizados ou como alguns dizem, sem ideologia política nenhuma, acho que é errado mesmo achar que nas fedarais predomina algum tipo de docente. Pela experiência que tive, o que posso acrescentar é que também lamento o fato de muitos professores da área de Humanas não mostrarem nenhum conhecimento acerca de assuntos tão necessários a nossa formação.

Alana disse...

Não entendi, segundo ele Adeus lênin critica o outro lado?! rs

Jether disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
danee disse...

Olá Lola, embora seja bom pessoas terem pontos de vistas diferentes, para que assim as coisas possam ser discutidas e vistas novamente, é triste que professores universitários (que teoricamente tem um nível intelectual mais alto) tenham cabeças tão fechadas à realidade.
Somente quando eles serão aqueles que não sobreviverão entenderão o outro lado da história.

Escrevi um pequeno texto sobre uma propaganda nova do desodorante Axe,deixo a dica para que você (se ainda não viu) procurasse ver a propaganda e escrevesse sobre ela aqui em seu blog, adoro a forma como você expõe as coisas e seria bacana saber sua crítica sobre ela.
Grande beijo

Doida disse...

Lola, nada a ver com o post, mas pq vc coloca o blog daquela outra lola (hellololla.com) aí no seu?
Ela é PRECONCEITUOSA demais!
me assustei quando entrei lá e li o último post...desacreditei q eles esta referenciado aqui.

João disse...

Algumas coisas me são difíceis de entender... Será que a aiaiai poderia dizer-me por que considera tããããão ruim a hipótese de o Sr. Paulo Renato vir a ser o Ministro da Educação caso o Serra ganhe as eleições se as linhas mestras da política do Ministério da Educação atual vêm do governo anterior?

lola aronovich disse...

Alana, pois é, tb não entendo como Adeus Lênin possa ser visto apenas como uma crítica ao comunismo. Mas acho que o pessoal faz essa interpretação por causa do título. Vê o título e para aí, sabe?


Danee, os comerciais da Axe são hors concours, né? Eles são muito, muito, muito ruins! E machistas...

lola aronovich disse...

Doida, a Lolla Moon foi uma das primeiras blogueiras que linkei. Gosto muito do jeito que ela escreve e acho suas fotos (e o layout do blog em geral) uma beleza. Sua linha política não bate com a minha, e muitas vezes discordo do que ela diz – como discordo de alguma coisinha em 99% dos blogs que linko, a exceção sendo a Denise do Síndrome de Estocolmo. Mas não considero preconceituoso o que a Lolla escreveu.


João, a hipótese do Paulo Renato vir a ser Ministro da Educação caso o Serra vença é assustadora porque ele já foi ministro durante os governos FHC e é agora Secretário de Educação em SP. E suas gestões foram/são péssimas. Aliás, vc leu essa entrevista que a Aiaiai citou? Merece um post. Na entrevista, o secretário põe toda a culpa da qualidade da educação nos professores e nos sindicatos. Não sei o que vc acha, João, mas acho o fim ter um secretário/ministro que se posiciona tão abertamente CONTRA os professores. Além do mais, ele defende cobrança de mensalidades nas universidades federais.
As universidades foram sucateadas durante os dois governos FHC, João, vc sabe disso. Não só o PSDB não abriu novas universidades, como não abriu vagas. Os professores iam se aposentando e ninguém tomava o lugar deles. Zero de concursos. No Departamento de Letras Estrangeiras da UFC, onde trabalho, hoje há 45 professores efetivos (não substitutos). Isso engloba os profs de inglês, espanhol, alemão, italiano, francês, e línguas clássicas tb, como latim e grego. Nos anos FHC havia 14 professores pra trabalhar em todos esses cursos. Vc acha mesmo que dá pra comparar o tratamento dado à educação pelo PSDB e pelo PT?

Fabiana disse...

Lola adorei os textos de ontem e de hoje. E alguém comentou aqui que em História a maioria dos professores são de esquerda, só se for em Cuba. Porque na USP, onde estudei, a maioria não se posiciona. Os de esquerda, que se posicionam e que fazem muito mais barulho, do que aqueles que "não tem ideologia", não são a maioria nem de longe.

Ah, mudando de assunto, vc viu o clipe novo da M.I.A? Eu achei sensacional, ainda mais se pensarmos nesse universo POP, normalmente "sem ideologia". Esse clipe é um tapa na cara. Não penso que ele queira plantar uma polêmica vazia, a mensagem dele é bem clara.

Enfim, gostaria de ver o seu comentário sobre ele:

http://vimeo.com/11219730

Vivien Morgato : disse...

Lola, os doidos me cansam.
Eu prefiro os reaças assumidos ou os burros assumidos. Fico cansada quando tropeço em uma mula que fala e ainda acha que pensa....volta e meia aparece um ser assim no meu blog: eu fico com uma preguiça ímpar.
Acho que conviver com as diferenças é saudável. O complicado é quando o Outro não se vê como diferente...e acha que qq batatada que fale vale a pena ser ouvida.

João disse...

Lola, não consigo acessar a entrevista mencionada acima. Mas já li outros textos sobre o ex-Ministro da Educação e um ponto que sei que traz desagrado a professores é que ele defende desconto no salário dos professores que faltarem às aulas sem atestado (aliás, atestado para professor em SP sabemos que é uma indústria!) e muitos professores não aceitam isso. Outro ponto dele com que concordo é que os bons professores sejam recompensados, mas os maus professores, que parecem ser maioria, não aceitam e essa proposta trouxe dissabores para muitos. (Não entendo por que os bons não podem ser recompensados!) E, finalmente, se ele é tão ruim como você diz, Lola, por que o ministro ado atual governo continua com os principais projetos do Paulo Renato? Isso você não comentou. Veja só, estou querendo entender melhor, só isso.

Maia disse...

Oi Lola,
Gosto muito do blog, sempre leio, mas acabo nunca comentando. Desta vez, porém, não resisti a responder para o João. Desculpe pelo tamanho.

Acho engraçado ouvir que o sistema de bonificação criado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo recompensa os bons. Em primeiro lugar porque partimos do pressuposto que há professores ruins e que tudo bem eles continuarem ensinando desde que recebendo menos. Mas o que se faz para que esses professores melhorem? Ou que sejam gradualmente substituídos por outros? A Secretaria de educação de São Paulo fez poucos concursos, muitos cercados de polêmicas como o que foi realizado para selecionar os professores temporários em 2009 e acabou cancelado. Por que um concurso para temporários – que não têm escola, nem matéria, nem números de aulas fixa, vivendo em grande precariedade – e não um concurso para professores?
Além disso, o sistema de bonificação para “os melhores” determina que só uma pequena porcentagem (até 20% se não me engano) dos bem classificados pode receber o bônus. Ou seja, se todos os professores forem muito bem, a grande maioria vai continuar ganhando pouco! Além disso, o bônus é cumulativo, o que significa que os altos salários propagandeados só são alcançados após anos de boas notas nas provas (se até lá o programa continuar existindo).
Outro dia, em um evento sobre educação ouvi uma professora comentando que estudou muito para esta prova e que, felizmente, havia conseguido ser classificada nas primeiras posições. “Eu ficaria muito frustrada se não tivesse passado”, ela disse. Muitos outros na mesma situação ficaram e ficarão muitos frustrados, já que, no máximo, só 20% dos docentes poderão receber a gratificação. E estes professores frustrados farão bem para nossa educação? O programa repete a lógica excludente e perversa dos vestibulares de forma permanentemente.
Além de tudo, esta é uma ótima forma de desviar a discussão sobre aumento de salário para professores e de punir professores grevistas (greve é direito dos trabalhadores, lembram?) por causa das faltas, como prometido recentemente pelo Paulo Renato a respeito da greve dos professores estaduais deste ano.
Enfim, fora o que todos já sabemos que educação de qualidade também inclui boas condições para o trabalho, que inclui acesso a materiais e tempo para preparação das aulas (que só é possível quando o professor não precisar dar 12 aulas por dia) e infraestrutura adequada, entre muitos outros. A discussão rende muito mais, se lembrarmos que muitos desses maus professores foram formados em faculdades sem infraestrutura nem docentes adequados que tiveram seu boom de expansão nos governos FHC. E olha só que coincidência, o Ministro da Educação era o Paulo Renato!

Karen Lommez disse...

ahah, é duro... tb sou professora universitária, numa escola de Medicina, e sempre me supreendo com o que os alunos e professores pensam e dizem, desde "comunismo é governo sustentar vagabundo", já que "só não trabalha quem quer" e, do outro lado, que a Coca Cola e a Globo são culpadas por todas as mazelas do Capitalismo... embora todos bebam coca e vejam globo! O senso comum está dentro da academia! bjk

penelope disse...

Por isso que adoro procurar informação nesses sites de busca. Estava pesquisando sobre média salarial de professor universitário. Encontrei esse post! Depois de muito desânimo descobrindo via Google o quanto esse mestrado não vai me valer de nada em termos de ganho salarial, meu humor melhorou sensivelmente com esse texto, muito divertido. Mais engraçado é saber que tem PROFESSOR que defende o capitalismo. Tudo bem, cada um tem a sua ideologia, mas, convenhamos. Nada mais paradoxal...a não ser, é claro, se eles forem executivos e professores nas horas vagas, assim, só por diversão.

Bruna disse...

Baixar o Filme - Adeus, Lênin! - [Good Bye, Lenin!] - http://mcaf.ee/banqh

Crítico disse...

A divisão entre Esquerda e Direita existe sim - afinal de contas, foi a Esquerda que perdeu a Guerra Fria!

haiduc disse...

Sou de Campo grande MS, pra mim os professores daqui são bem capitalistas, porquanto em um estado como o meu, que em termo de economia perde pra qualquer de seus vizinhos, nossos professores em contra partida possui o salário mais alto do Brasil e ainda querem mais, greves aqui é comum, escolas paradas também, e as reposições de aulas são aos sábados, e eles pedem aos alunos não virem, pois se um vir tem que dar aulas, outro dia vi uma professora com cara de choro reclamando que só no fim de sua vida chegaria a 5000 de salario por 20 horas trabalhada, isso me causa muito tristeza, pois me lembro do professor Florestan Fernandes que dizia ter vergonha se seu salário e os professores de hoje querem alcançar 10 000 reais em 40 horas trabalhadas em um país que mais da metade da população vive com salário mínimo.