quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

CRÍTICA: SHERLOCK HOLMES / Pão de batata inglês é diferente

Qual a primeira coisa que vem a sua cabeça quando pensa em Sherlock Holmes? Barriga tanquinho, certo?

Eu já me lembrava de pouquíssima coisa quando saí da sessão de Sherlock Holmes. Agora, quatro dias depois, é que não vou me lembrar de nada mesmo. Êta filminho chato! Achei um tédio. Ah sim, meus neurônios fizeram uma sinapse e lembrei que tem uma cena em que o Holmes, Sherlock Holmes fala pro Elementar meu caro Watson (frase que não é dita em nenhum momento) e pro seu interesse romântico feminino sentarem-se direitinho em dois bancos porque ele vai explicar tudinho. Juro que nessa hora ouvi alguém no cinema roncar. Eu só me ajeitei na cadeira (sempre um mau sinal) esperando o pior, e foi pior do que eu esperava.
Tenho a impressão que o filminho de ação que o Spielberg produziu quando eu era adolescente, e que quase todo mundo já viu na Sessão da Tarde, o Enigma da Pirâmide (em inglês, Young Sherlock Holmes) era mais inspirado que essa besteira. Desta vez quem faz o famoso detetive é Robert Downey Jr, que atua como se ainda estivesse em Homem de Ferro. Seu fiel escudeiro é interpretado pelo Jude Law, pra gente poder fantasiar que por baixo daquele bigode e chapéu côco existe um homem bonito. Há também uma personagem feminina feita pela Rachel McAdams (Voo Norturno), que está um tantinho magra demais pra encarnar uma mulher do século 19 (o padrão de beleza da época devia ser pelo menos uns dez quilos mais gorda). Mas não importa, porque a personagem dela só existe pra que não reste dúvida que, apesar de Sherlock e Watson morarem juntos, compartilharem o mesmo cachorro, terminarem as frases um do outro, e terem grande afinidade em geral, eles são espada. Isso é típico de tudo quanto é filme de ação. Sempre há um subtexto de relacionamento homoerótico entre o protagonista e seu melhor amigo, mas, pra garantir que aquele amor é puramente platônico (pra não escandalizar o público, suponho), surgem um ou dois rabos de saia (um pro herói, outro pro amigo). Obviamente continuará havendo muito mais química entre o protagonista e seu cumpadi que entre ele (o herói) e a mocinha.
Quando eu não estava pensando nisso, fiquei dividida imaginando quem seria o mais culpado pelo desastre que é Sherlock: o time de roteiristas ou o diretor? Não sei, o roteiro é uma tragédia, mas concluí que mais responsável ainda é o Guy Ritchie. O ex-marido da Madonna é aquele tipo “muito estilo, nenhuma substância”, que já é cool começando pelo nome, saca? Tenho quase certeza absoluta que vi o filme que o pôs no mapa, Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes. E sei que vi Snatch – Porcos e Diamantes porque lembro de ler na época (2000) uma entrevista do Brad Pitt nos bastidores dizendo que ele e a equipe inglesa comiam sanduíches de batata. Que era assim: fatias de batata crua no meio do pão. Eca! Aquilo me marcou pra sempre e me fez crer que a culinária britânica tem a fama ruim que merece. Ah, o filme? Ahn, até acho que gostei um tiquinho, mas, como é o caso em toda a obra do Guy Ritchie, é impossível que a memória guarde alguma coisa depois de algumas horas. Daí eu li que hoje Snatch ganhou fama cult e que tem gente que o compara a Pulp Fiction, e prefere Snatch. Não sei o que esse pessoal anda fumando, ou que pão de batata andam comendo, mas eles têm o meu desprezo.
Forçando a cabeça pra ver se sai mais algum detalhe sobre Sherlock, há uma musiquinha com alguns acordes para fazer pensar em Era uma Vez no Oeste. Dá errado. Sherlock tá muito mais praquela outra bomba passada no século 19, As Loucas Aventuras de James West. Olha, Sherlock seria um sério postulante a pior filme de 2010, mas pra isso alguém precisaria se lembrar dele no final do ano. Altamente improvável.

40 comentários:

Shoujofan disse...

Lola, eu vi o filme, e discordamos em quase tudo dele. Só que não vou pontuar nada nesse sentido, porque no meu blog já falei demais.

Mas comentando somente uma coisa: Irene Adler existe, Holmes nos livros realmente tinha admiração/interesse/whatever por ela e a chamava de "A Mulher", com deferência, porque dado o desprezo que ele sentia por todas as mulheres, ela era especial por tê-lo derrotado. Irene Adler aparece uma única vez, em um único conto (*Um Escândalo na Boêmia*) mas é citada em muitos outros e desperta o interesse de quase todos os romancistas/novelistas/etc que usam a personagem.

Quanto à tensão homoerótica, com Irene ou sem Irene ela está lá. Para quem quiser ver e está nos livros. E a cena da briga de casal de Watson com Holmes na prisão foi impagável.

Ju R. disse...

nossa, eu gostei. curti o visu e a trilha sonora. ok, história q poderia ter rendido mais, mas ainda assim é um bom filme (acho).

e robert downey jr. delicinha como sempre. ai, ai...

Márcia disse...

Lola, gostaria que, se pudesse, comentasse o artigo sobre Avatar do Blog Liberal, Libertário, Libertino.

Ainda não assiti Sherlock.

Mariana. disse...

Ai Lola, quem sou em pra discordar de você, né?
Sempre levo em consideração as suas críticas cinematográficas, que são sempre ótimas, mas dessa vez, terei que discordar sim.

Assisti Sherlock Holmes ontem e... Adorei: o filme é um misto de mistério, aventura e comédia. A trama me prendeu até o fim e Holmes era impagável.

No fim me lembro que até me perguntei como um filme tão infinitamente mais barato que Avatar pode ser tão indescritivelmente melhor?
E olha que eu realmente gostei de Avatar, por todos os motivos que você descreveu: mas entre um e outro, fico com o detetive (que eu acho muito mais charmoso que o Watson).

E fico feliz de que talvez tenhamos uma sequência.

Mariana. disse...

AH! E na sala de cinema onde eu estava (lotada, por sinal), não ouvi ronco nenhum. Muito pelo contrário: escutei risos, e pessoas prendendo a respiração. As sequencias de luta era ótimas (principalmente quando ele calculava cada golpe com antecedência). Brilhante.

Aii lola, adoro suas críticas, mas um filme não é bom ou ruim só porque concordamos ou não com ele. Por ex: avatar é um filme que passa ensinamentos muito válidos, e visões de mundo com as quais eu concordo. Já poderoso chefão é justamente o contrário. Mas definitivamente isso não vai me fazer preferir o primeiro, claro.

E as vezes é bom ir no cinema só pra se divertir e tals, rir, chorar, etc... Sem se preocupar demais com as mensagens subliminares propagadas pelo diretor.

Shoujofan disse...

Bem, bem, na minha sala ninguém dormiu, ou pelo menos não roncou. Havia muitos adultos, estava lotada, e fazia tempo que não via tanta interação.

Mas é filme pipoca, e ponto final. E, claro, também acredito que tenha continuação.

Bruno Stern disse...

Sherlock não vi ainda.
Mas Snatch é muito bom. Passei a respeitar Brad Pitt depois desse papel.

E não consigo imaginar alguém dormindo num filme do Guy Ritchie. Mesmo quando não são bons(Rock'n'rola), tem ritmo que prende a atenção.

Mei disse...

eu ainda não vi, mas acho que dá pra arriscar com um baldão de pipoca no colo ...eu não sei se já te falei,mas eu gosto bastante do G. Ritchie e "Lock, Stock and Two Smoking Barrels" é meu terceiro filme favorito de todos os tempos! (Amélie é #1 e "Shaun of the Dead" #2).

Lord Anderson disse...

Poxa Lola, dessa vez eu discurdo de tudo oq vc disse.

Eu achei o filme muito divertido, e com respeito por todos os elementos sherlockianos dos quais sou fã desde criança.

Gostei do misto de ação e comedia e achei a modernização(com alguam excessões como a caracterização da Mary) bem feita.

E só p/ constar, a frase "Elementar meu caro Watson" não aparece nos livros originais.

Ela surgiu depois nas adaptações p/ cinema.

E parece que na sala que visitou alguem tinha tomado calmantes pq onde fui tb ninguem dormoiu, pelo contrario, todo mundo se divertiu.

Claro,ninguem disse que era uma obra prima do tipo que vai mudar sua vida, mas a diverssão foi certa.

E eu tb vou discordar sobre os filmes do Guy Ritchie.

Eu estou entre o grupo que aprecia muito todos eles, inclusive Snatch e sem precisar fumar nada, nem comer batata alguma.

Ivana disse...

Lola, eu vi o fime neste final de semana. Só vou te dizer que dormi horrores... Também depois de Avatar
3D pegar um filmezinho sem graça desse, só mesmo babando (de sono) durante a sessão!
Beijos!

Mi disse...

ei, eu ADORAVA o filminho sessão da tarde do sherlock holmes!! é beeeeem bonzinho!! esse novo não vi, mas não gostei do trailer.... mas parece q muita gente gostou do filme X tu não, portanto acho q vou ter q ir ver só pra tirar a limpo e ver de que lado eu fico hehehehehe bjos!!

Anônimo disse...

Como alguém pode gostar de avatar e achar sherloch ruim?

Avatar é bom pelo efeito visual, jamais pelo roteiro que é um clichê sem tamanho. Eu me supreendi com a sua falta de criticidade em relação a esse filmeco, lola. Você disse que o filme é feminista, que valoriza as mulheres, que defende a preservação da natureza e que tem várias provocações ao estilo de vida americano de ser.

Pois eu também recomendo a leitura da crítica feita no blog Liberal Libertário Libertino. Lá houve a análise mais sensata dessa quase-estupidez azul. Leia, por favor.

Quanto a Sherlock, só posso concluir que você está muito mal informada sobre a obra original. A Irene existe, a frase 'elementar meu caro Watson' não.

E o filme é estupendamente contagiante. Não é uma obra prima, dessas que vai ser lembrada por gerações e gerações. Mas é um bom filme sim: engraçado e agitado na medida certa.

Como alguém PODE não ter apreciado?

Adri.

Camila disse...

...ai, eu não tenho coragem de asistir este filme...
Li todos os livros de Sherlock Holmes e quando vi este trailler fquei me perguntando "Gente, cadê o magrelo forte irônico e carrancudo do Holmes???".
A impressão é que é aqueles filmes bem comerciais para empolgar o povo e pronto.

Lord Anderson disse...

Camila, tb sou fã e li todos os livros, alem de inumeros filmes, hqs,e adaptações a granel.

E gostei muito do filme sim. Foi uma modernização, uma roupagem nova e p/ mim ao menos bem feita.

E só por curiosidade, qual o problema com um filme feito p/ empolgar a plateia???

Fernando Romano disse...

Lord Anderson, o problema da modernização de histórias clássicas é... a modernização. Um rotreirista não pode mudar o que quer que seja, ponto; não foi ele quem criou a ideia original. Daqui a pouco veremos Dom Quixote com peito de aço e fator de cura e um Jesus Cristo bombado distribuindo patadas de kung fu à là Ang Lee nos mercadores do templo. Lamentável.

Tenho cá comigo que deveria ser proibido aos roteiristas fazerem quaisquer mudanças desse tipo. Isso só torna os personagens mais pasteurizados, inócuos e esquecíveis. Ou seja, igual a qualquer um. Iguala-os a qualquer heroizinho-de-filme-de-ação de hoje. Aí é que está. Quem leu as obras completas de Sherlock Holmes pode atestar: Sherlock fazia lutinhas a cada 5 minutos e corria atrás de rabo de saia, ou era conhecido por seu poder de dedução assombroso, resolvendo cada caso com sua excepcional inteligência? Será que cada autor que tivesse sua obra transformada num filminho "bem comercial para empolgar o povo" iria gostar de ver sua história "mudernizada" assim, sem mais nem menos? Eu não gostaria.

O charme de cada personagem ou história clássica está na sua caracterização, única. O que esses roteiristas de hoje fazem é roubar a ideia principal de um personagem clássico e a modificam à seu bel-prazer, como um contrabandista pinta um carro roubado com outra cor para revendê-lo depois. Simplesmente criminoso...

André Lux disse...

Também achei o filme um lixo. Minha crítica, por sinal, está muito parecida com a sua - até cito o "Enigma da Pirâmide"!

Dá uma conferida:
http://tudo-em-cima.blogspot.com/2010/01/filmes-sherlock-holmes.html

Mica disse...

Sorry, Lolinha, mas dessa vez minha opinião é a de que a única coisa errada no filme á a sua visão dele, porque eu sinceramente amei.
E fiquei bem feliz por não terem usado do cliché "elementar meu caro Watson" que todo mundo sabe que nunca existiu nos livros. Aliás, o filme mostrou o lado do Sherlock que os livros só pincela, quero dizer, ele existe, mas não é o enfoque principal e dessa vez foi.
Eu gostei da atuação de todo mundo ali, menos da atriz que fazia a noiva do Watson. Atriz e personagem sem sal.
Só sei que saí do cinema querendo a continuação logo e, quem sabe, rever até chegar lá.

Mica disse...

Shoujofan, qual o endereço do seu blog, pq eu procurei o que você falou e não achei.

Lord Anderson disse...

Mica:

O endereço da Shoujofan é esse:

http://shoujo-cafe.blogspot.com/2010/01/comentando-sherlock-holmes.html

Lord Anderson disse...

Fernando, eu discordo muito dessa visão.

Para mim, oq mostra a vitalidade de um personagem é justamente sua capacidade de ser adaptado sem perder a essência.

Holmes, como Dom Qixote, Dracula, Romeu e Julieta, e tantos outros ja tiverem inumeras verssões e reinterpretações, algumas pessimas, outras otimas, tudo dependo do diretor/roterista/ator.

E ao menos para mim, essa nova impreitada foi boa. Assim como foram divertidas O Enigma da Piramide e o Xangô de Baker Street.

Não posso falar por todos os autores cuja obras que foram "modernizadas", mas Doyle ao menos sempre se preocupou em manter Sherlock popular.

Tanto, que embora tenha criado uma historia que mostrava a morte de Holmes (O Problema Final),acabou por aceitar os pedidos dos fãs e trouxe o personagem de volta.

Enfim, eu gostei do filme e espero pela continuação.

Ah, só p/ constar, Dom Quixote eu nunca vi, mas ja encontrei versão de Cristo bombado, porradeiro e usando arma de fogo contra os infeiis. ^^

Bárbara disse...

Eu ainda não assisti ao filme, mas depois da sua crítica e de ler os comentários dos outros leitores fiquei meio em dúvida.

Sobre o clima homoerótico dos dois, tem um mangá que explora justamente isso. Entre um caso e outro, aparece Sherlock e Watson se pegando. Desde que eu o li, nunca mais vi esses dois com os mesmos olhos, haha.

Lord Anderson disse...

Barbara.

O subtexto homoerotico ja é algo que faz parte do unvierso sherlokiano.

A ojeriza de Holmes a maioria das mulheres, o fato dele não ter ficado feliz com o casamento do Watson, a preocupação e os ataques de furia do detetive quando seu parceiro é ferido, etc.

Tudo isso ja é algo com que os fãs estão acustumado.

Gabriela disse...

Nossa! Discordo compleamente, este tipo de filme é MTO divertido, o tempo passou super rápido... amei este filme, por mim deveria ter uns 10 como este todo ano... atores ótimos, grandes cenas de ação, uma história boa.. pena que nao gostou

Rita disse...

Ai, Lola, eu ainda não vi Sherlock, mas adoro Canos Fumegantes! Já vi várias vezes e sempre me divirto.

Abçs,
Rita

Ju disse...

Eu vi o trailler desse filme e não gostei nada nada... não pretendo assistir.

Assim... eu sei que pra um filme fazer sucesso hoje em dia os fatores "galã" e "ação" são importantíssimos, mas, como fã de Sherlock e da obra do Sir Arthur, acho nada a ver isso.

O Sherlock não é, de todo, um herói estilo James Bond. Toda a magia da história está nas habilidades psicológicas da personagem, na sua capacidade de observar e concluir coisas quando ninguém mais faz. Muito menos é um pegador como querem mostrar.

E o Dr. Watson é aquele que sempre se deixa levar... acha que desvendou o mistério até que é corrigido pelo Holmes. Então entra o "elementar meu caro Watson" (Que se não apareceu no filme, é absurdo. Mais um motivo pra não ver). Ele não é, de longe, um pseudo-herói como o Robbin. A cena em que o Watson arromba a porta com um chute pra salvar o Holmes é ridícula.

Então... um filme sobre Sherlock Holmes deveria ser um filme mais "psicológico"... como os filmes do Hanibal.

Existe uma coleção ótima do Holmes, são uns 16 filmes. Super antigos... ainda preto e branco... quem interpreta o Sherlock é Basil Rathbone, e o Dr. Watson é o Nigel Bruce. Pra mim, é perfeita.

São filmes até paradões, realmente. Mas é muito mais fiel à obra.

Bárbara Dayrell disse...

Que decepcao, lola, e eu que tava doida pra ver o filme... nao vou perder meu rico dinheirinho no cinema nao... vou esperar o dvd.
Eu adorei jogos, trapacas e etc e Snatch, mas me decepcionei muito com o Rock'n'rolla, também do Guy Ritchie, mas ainda tinha esperancas de que Sherlock Holmes fosse ser melhorzinho... acho que ta na hora do ex Mr. Madonna encerrar a carreira, neh???

Fernando Romano disse...

Lord Anderson, respeito seu ponto de vista, mas obviamente discordo. No entanto, em uma frase onde você disse que "oq mostra a vitalidade de um personagem é justamente sua capacidade de ser adaptado sem perder a essência" é bem o ponto onde quis chegar no meu comentário anterior. Explico. Acredito que cada vez que um personagem clássico é adaptado e "mudernizado", ele PERDE um pouco da sua essência. Aos poucos, com as contínuas adaptações e mexidas, vai-se descaracterizando todo um perfil criado (pelo autor original) que não deveria ser mexido, em minha opinião. Afeta todo um "mito mental" - se me permite a viajada na maionese - dos seus leitores mais fiéis, que sabem que tal personagem tá fora da, justamente, sua essência. Não se deve mexer com mitos literários. Ao contrário, se cada vez que uma adaptação é feita seguindo-se os padrões originais, isso REFORÇA a essência criada para tal personagem. Entendeu aonde quis chegar?...

Coisa parecida acontece com as HQ's. Heróis clássicos (Super Man, Batman) estão tão distante do foco original, já foram tão mexidos, remexidos, mortos e ressuscitados, que perderam toda a graça, pra mim. Na boa, virou uma zona. Coisa de marqueteiro: mata um personagem secundário ali, tira o personagem principal, põe outro no lugar, muda de novo, mata fulano, cria beltrano...

Monteiro Lobato, em um de seus livros, diz que personagens não envelhecem, nem morrem; gente é que morre. Personagens ruins morrem ou mudam. Bons não precisam morrer, nem mudar, pois já tem sua força própria. Acho que é por aí...

Não sou contra as adaptações, desde que respeitem a essência, oras. Quem são esses caras pra ter a ousadia de mudar o que o Conan Doyle escreveu, há mais de cem anos? O único que eu considero que pode mexer, mudar ou adaptar quaisquer coisa numa obra é o autor original (como você bem citou - 'O Problema Final'). O resto, pra mim, é perda de tempo e de foco. E esse filme aí de Jesus porradeiro, hein! Valha-me Deus! :-)

Felipe Guimarães disse...

Lola,

Eu gostei de alguns pontos de Sherlock (como a fotografia, atuações e até a ação engraçada [prefiro a ação engraçada do que um monte de explosões como em Transformers que não vemos nada), mas tem certas falhas, sendo assim concordo com você Lola: o diretor foi o erro. Ele não sabe o que fazer com tudo isso. O que foram as cenas em câmera lenta? Essa parte foi um saco de aguentar, sem falar que ele pega ângulos horríveis em certos momentos (sim, os três "rs". Camêra de ponta cabeça? Queremos ver o que acontece poxa!), mas não acho que seja o pior filme de 2010. O filme tem seus erros, mas também tem seus acertos. Podemos falar (sem ver) que o pior filme deve ser Alvin e os Esquilos (a fofura deles apenas esconde todo o fiasco que eles são).
Ainda não acredito que adiaram Nine! Eu poderia estar indo depois de amanhã no cinema para conferir o musical...

Mica disse...

Eu acho engraçado que as pessoas gostam das versões anteriores do Holmes quando elas são tão absurdas quanto. Quero dizer, Holmes tem uma relação muito próxima com o submundo do crime, ele não pode ser apenas um engomadinho, caso contrário ele jamais seria aceito nesse meio.
Outra coisa, acho erradíssimo as pessoas tentarem passar a imagem de "holmes pegador". Isso em momento algum é mostrado no filme, muito pelo contrário. Mostra sim a admiração/antagonismo dele com Irene Adler, mas em momento algum o filme traz um Holmes que atrai todas as mulheres. Fala sério, memso a Adler é mais provocação da parte dela para deixá-lo desorientado do que algo que parte dele.
E mais uma vez, errado seria colocarem o "Elementar, meu caro Watson". A frase não existe nos livros, é invenção dos adaptadores. (aliás, boa parte dos clichês de holmes são invenções dos adaptadores, que são justamente os clichês que todo mundo conhece).

Sobre o homoerotismo, vi uma entrevista do Robert e do Jude onde eles diziam que em certo momento o diretor disse: "ok, será que agora é possível fazer alguma cena/interpretação onde os dois pareçam pelo menos um pouco hetero?"

Lord Anderson disse...

Mica, muito bem colocado.

Pelo que reparei muita gente ta sentindo falta de coisas que não eram originais dos livros e sim dos filmes que vieram depois.

O 'elementar meu caro Watson" é um exemplo. Como reclamar da ausenca de uma frase que nunca apareceu nos livros e sim nos filmes posteirores?

Eo Watson nunca foi um personagem bonachão ou inativo.

O proprio Holmes mais de uma vez disse que era na hora da ação que ele mais precisava de seu amigo (que foi medico do exercito e esteve em guerras só p/ lembrar).

No Cão de Baskerviles (um dos meus preferidos) o Watson se envereda sozinho por um pantano no meio da noite de arma em punho, quando acha que tem a chance de capturar o vilão.

Em O Pé do Diabo, ele consegue sair do estopor porduzido pelo aluginogeno justamente p/ salvar Holmes.

No Homem do Labio Torto, invade uma casa de opio p/ resgatar um antigo paciente.

Perto disso arrombar uma porta não é nada.

Lord Anderson disse...

Ah, Ju desculpa , mas esses filmes do Basil Rathbone não são aqueles em que transportam o cenario de Holmes e Watson p/ os anos 40 e onde eles acabam enfrentando nazistas???

Não me parecem a mais fiel das versões...

E pq é absurdo não ter uma frase que NÃO aparece nos livros?

Bel disse...

Eu também não gostei, e acho exatamente isso que você disse: Vai ser difícil lembrar desse filme no final do ano. Não foi nem muito bom nem muito ruim, não foi é NADA. #prontofalei.

Juliana Bittencourt disse...

na minha sessão, o filme arrebentou e tivemos que esperar remendarem para continuar vendo, hahahha. Mas foi um bom programa para o último fds do Nick aqui, mesmo não sendo o Sherlock esperado/conhecido/amado por todos. Foi um filme razoavel de ação. Mais ou menos como o segundo filme do Arquivo X, not bad, mas nada muito a ver com o que se propôs a ser. E quanto ao Guy Ritchie, lembro que na época até achei Snatch legal, mas não marcou, não lembro nada, teria que rever. E "Lock, Stock..." foi recomendado por várias pessoas e tentei muito ver, mas dormi no meio...

Oliveira disse...

Lola:

Como o Shoujfan disse, a Irene Alder existe nos livros e ainda mais; o Holmes é um exímio boxeador, espadachim ( que não é citado neste filme), depressivo, egocêntrico, eremita de apartamento, atormenta sua senhoria como no filme, etc. Ou seja, o filme do é muito rico em detalhes, além da parte visual da londres do século 19 que é um primor, que você não nota porque nunca leu nada a não ser, os livros obrigatórios da escola, como, já confessou neste blog.
Pra você bom deve ser essa bomba do filme de Lula que deu 600 mil espectadores e mal vai chegar a um milhão, tendo gastado R$ 16.000.000,00 do nosso suado imposto para fazer propaganda de um malandro.
Deixa der ser boba, leia mais, se informe mais e deixe de ser vaquinha de presépio!

Oliveira disse...

PS.

O jeito que você comentou o subtexto homoerótico mostra o quanto você é preconceituosa.

Neste quesito do post você foi a Lola Boris Casoy!

Pelos comentários que li dos seus adoradores , que só elogiam seus textos, da para perceber que você escorregou feio e mostrou um pouco da sua verdadeira face.

clotildetavares disse...

Eu sou apaixonada por Sherlock Holmes - leio desde criança. Gosto de Robert Downey Jr. Detestei o filme, saí na metade.

Zero Cool disse...

A famosa frase "Elementar, meu caro Watson" não é dita no filme devido ao fato dela nunca ter sido escrita por A. Conan Doyle, em seus livros com o personagem Sherlock Holmes; a frase tem origem numa peça de teatro que adapta ua história do detetive para os palcos.

Renata Minami: disse...

Lola, achei sua crítica muiiiiito injusta!
O filme é super divertido, a arte que eles fizeram para os créditos é fantástica e o ritmo do filme é ótimo!
Mas o pessoal que está dizendo que não irá ver o filme pelo o que a Lola criticou, ponderem um pouco, pois cada um tem uma forma de ver as coisas.
Vão ver o filme e tenham seu próprio juízo!
Bjs!

Elysanna Cardozo Louzada Agrizzi Cypriano disse...

Lola, eu assisti ao filme domingo passado. Senti muita falta do "Elementar meu caro Watson" (que como vc mesma lembrou, não aparece). Espeva também algo mais investigativo, intrigante. Na verdade esperava ver "um filme de detetive" que nos levasse a ligar os pontos inteligentemente juntamente com o próprio Holmes.
Em última análise eu daria um bonzinho pra ele.

Bruna disse...

Olá Lola, apesar de nunca ter comentado já faz um bom tempo que leio o seu blog!
Vi Sherlock Holmes hoje (SÓ porque meus amigos foram..caso contrário acho que nunca teria visto) e saí mais decepcionada do que pensei! Cadê o "elementar, meu caro Watson"? Alias, cadê o Watson? Jude Law, sério? Pra mim Watson sempre será baixinho e gordinho de óculos, não um galãzinho qualquer..
Isso sem falar da história, lutei muito pra ficar acordada, mas como no fim continuei sem entender o bendito caso, vi que deveria era ter descansado mesmo..