sábado, 14 de novembro de 2009

OS MIMADINHOS DA ELITE: ELES PODEM TUDO

O meu atual troll de estimação talvez não seja muito conhecido de vocês porque costumo deletar seus comentários, que geralmente são deixados aqui só pra me insultar. Mas ultimamente Oliveira tem sido um tiquinho mais comedido nos seus ataques pessoais e dito apenas as sandices que ele diz sempre. Como que no nordeste não existem pessoas inteligentes, ou que apenas donos de empresa deveriam poder votar (no início, pensei que ele estava defendendo que só pessoas com alta escolaridade pudesssem votar, mas depois ele avisou que doutores como eu também ficariam de fora do processo eleitoral). Mais que um verdadeiro democrata, Oliveira, com esses princípios, é o tipo de pessoa que a gente quer apertar forte, bem forte, até ele ficar azul com falta de ar. Anteontem, no meu post sobre algumas questões morais referentes ao caso da médica que fez um escândalo no aeroporto de Aracaju, Oliveira deixou o seguinte comentário (não corrigi, tudo sic, que pra poder votar basta ser dono de empresa, não precisa escrever direito):

"Lola: Deixa de ser tonta. As companhias de aviação fazem a gente de gato e sapato. A mulher se descontrolou pela falta de respeito. Quem tem que ouvir é o funcionário que está ali. Ele que vai levar a reclamação até os superiores. Ou você já viu um presidente de empresa aérea na área de embarque? Chamar um sujeito de nego ou gentalha não é ofensa. É uma constatação de mal atendimento que acaba em insulto por descontrole. Quem trabalha, e é profissional entende isso. Esse negócio de racismo por qualquer coisa é uma palhaçada politicamente correta de liberais de cabeça mole e coração mais mole ainda.
Aprenda a pensar. Aquela senhora, apesar do exagero que nos choca, está exigindo seus direitos e defendendo você con
tra corporações sem olhos ou coração para o cliente, porque estão distantes, então é só com o choque com o funcionário e com o escândalo, que eles podem tomar ciência que não estamos cegos a sua cafajestagem. Aquele mulher que se expôs com seu escândalo foi mais esquerda naquela hora, do que todos que silenciamos por não queres passar constrangimento, poderíamos ser por toda uma vida, inclusive você a adoradora do Lula e do PT.
Você, ‘FEMINISTA’ está atacando uma mulher que está te defendendo contra uma empresa vagabunda que te trata como cachorro. Eu sei como são estas empresas com seus erros propositais de c
onexão para te fazer perder o vôo e ter por em outro te causando os maiores prejuízos. Eu vôo toda semana várias vezes. Você com isso passou de esquerda a direita, defensora de corporações, como o todos da esquerda que sobem ao poder. Parabéns!"

Sou eu de volta! Por que publico uma besteira dessas? Porque, tirando os malabarismos finais que Oliveira faz pra dizer que agora eu sou de direita (obrigada por avisar!), seu pensamento é muito comum entre aquela turma do “você sabe com quem está falando?”.
Vamos relembrar o caso, que recordar é viver: a médica ia pra sua lua de mel na Argentina e chegou quinze minutos antes do avião decolar, mas com o check in já encerrado. Os funcionários não a deixaram embarcar e e ela deu esse piti, focando sua maior indignação num negro, que ela chamou de morto de fome, analfabeto, e nêgo. É um vídeo difícil de assitir. Como disse a Paola, brasileira que mora na Suécia, são atitudes como a desta médica que a fazem ter vergonha de ser brasileira, mais que a corrupção ou a pobreza. E o vídeo é duro de assistir porque o comportamento que mostra está muito perto da gente. Quem nunca viu uma reação assim de alguém que, contrariado, se ofende, grita, e exige um tratamento diferenciado apenas por se julgar especial? Alguns de nós, infelizmente, devem ter caído nessa armadilha e se comportado de forma parecida, ainda que sem o componente racista.
A médica não tinha motivo pra reclamar. Ela chegou atrasada. Há procedimentos de segurança que são iguais para todos. Se ela tivesse se atrasado devido a uma conexão, a empresa aérea lhe daria outro voo. Isso é padrão. Lógico que todos nós ficamos chateados em certas situações, algumas causadas por nós, outras não. Mas não adotamos comportamentos infantis como abrir um berreiro e chorar “eu queeeeeero”, e xingar quem nos diz que querer não é poder. Aprendemos isso quando crianças. Maturidade é saber que o mundo não gira ao nosso redor, é lidar com as frustrações. Mas algumas pessoas de classes sociais mais privilegiadas não entendem isso. Pra elas, o Brasil segue sendo seu playground particular. Alguma dúvida que a médica não agiria daquela forma se tivesse se atrasado num aeroporto da Europa ou dos EUA? Ou se os funcionários fossem loirinhos de olhos azuis? Ela chamaria de morto de fome alguém que ela enxergasse como seu igual? Não: ela, e tantos outros, Oliveira incluso, sabem que estão quase no topo de uma pirâmide social. E que, num país com enormes desigualdades, quem está abaixo deles não está apenas uns degraus abaixo, mas separado por um fosso. É o que possibilita que a classe média (não só daqui, mas de todos os países em desenvolvimento com abismos sociais) tenha empregada doméstica, por exemplo. Nos países ricos isso não existe, porque uma médica não ganha vinte vezes mais que uma empregada. E, sabe? Esse é um dos motivos por que são países ricos. Não porque falam inglês ou tem a pele clarinha.
O engraçado é que Oliveira não só justifica o comportamento da médica como ainda acha que eu devo agradecê-la por estar lutando por mim! Sim, destratar um funcionário que está apenas cumprindo seu trabalho certamente vai resolver o mau atendimento das empresas aéreas. Ela fez isso por nós, a altruísta! E a gente que não notou que seu comportamento foi pensado na coletividade! O funcionário deve aceitar tudo quieto, porque está sendo pago pra isso, e sem essas frescuras politicamente corretas de reclamar de racismo. E vejam só, insultar um subalterno e exigir ser tratada com “jeitinho”, como se fosse uma casta à parte, é comportamento típico da esquerda! Eu aprendo muito com meu troll.
Quanto a “atacar uma mulher”, não é porque a médica é mulher que não mereça ser criticada, ora! Eu já vi homens e mulheres se comportando desse jeito, à la “você sabe com quem está falando?”. Dá pra se criticar uma mulher sem ser machista.
E eu subi ao poder? Iuuupi! Eu nem sabia! Agora vou poder tratar todo mundo como subalterno. Funcionários de aeroporto, me aguardem! Posso também destratar meu troll em nome de um bem comum?

45 comentários:

tamarafreire disse...

Olá Lola. Tempo que não comento, mas estou aqui todo santo dia, porque você já deve ter percebido que é minha inspiração maior, minha Santa Lola, que consegiu reunir alguns sentimentos que eu tinha em pensamentos muito argumentados. Tanto que, estou tentando arranjar uma brecha na minha rotina corrida de recém-formada à procura de um emprego para voltar com o meu blog. Queria trazer para alguém um dia, o que você trouxe para mim. Enfim, mas não vim aqui para falar sobre isso, nem fazer propaganda do blog. É que lendo seu post lembrei imediatamente do blog Classe Média Way of life (classemediawayoflife.blogspot.com). Descobri em uma indicação da Marjorie e é realmente hilário. Com bom humor desarma alguns clichês de comportamentos da classe média, muitos que você cita no blog. Chega a dar vergonha em alguns momentos, porque apesar de não ser rica, eu também estive a maior parte da minha vida na classe média e é impossível não se identificar com algumas coisas no nosso próprios comportamento ou nos nossos pares. De repente você já deve ter lido, mas fica como dica pra quem vier comentar.
Quanto ao mais novo troll lindinho, cuti-cuti, que pintou por aqui, queria fazer apenas uma observação: é incrível como esse tipo de pensamento se fortalece em lugares onde isso não deveria acontecer. Digo isso pela minha universidade. São tantos os alunos que apesar de estarem em uma universidade federal, sendo orientados pelos melhores pensadores do país (as federais, de modo geral e incluindo você!) mas que parecem inertes ao resto. Acho que o vestibular contribui muito para isso. Fortalece a questão do merecimento, e quase todo mundo pensa que está ali apenas porque estudou mais, se dedicou mais e ponto. E em alguns cursos a "adequação às exigências do mercado" está se tornando um imperativo tão grande, que os alunos se recusam a pensar outros aspectos. Chega ao ponto de aluno de economia pedir pra tirar Marx da grade, porque afinal de contas, Marx não ensina ninguém a ganhar dinheiro na bolsa... É lamentável.

Má disse...

Lola, acho que esse cara nem Liberal é. É contraditório mesmo, uma mistura de conservadorismo com autoritarismo. Mesmo porque mesmo dentro do liberalismo, capitalisticamente falando uma atitude desta médica não seria tolerável em nenhuma empresa de nenhum país que este cara tanto admiraria, como EUA, Europa etc , certo?
Isso p mim é coisa de gente que gosta de viver em países com tanta desigualdade social como o nosso. Nem um liberal mais progressista é, porque tenho a impressão que esta maneira de ser classe média, tem suas particularidades brasileiras, que além de liberal, tem uma mentalidade colonizada, católica, moralista, coronelista, personalista e conservadora como a nossa..
Pensando no desenolvimento histórico, prefiro muito mais um liberalzão mesmo do que este tipo de pensamento, com uma mistura de liberal no bolso e conservadorismo no cotidiano..

Maldonado disse...

O dinheiro pode comprar a instrução, mas não compra a educação, pois esta já vem do berço.
Li o tal post sobre esse incidente. Contudo Lola, garanto-te que na Europa essa situação jamais aconteceria porque ninguém chega ao checkin 15 minutos antes do embarque. Aliás, quem viaja, frequentemente ou não, sabe que deve estar pelo menos uma hora antes. Se não estou em erro, devido ao 11SET, passou a ser 2 horas antes.
Se isso acontecesse em Portugal, o funcionário já teria chamado a polícia.
Enfim, onde há desigualdades sociais, as pessoas que têm um pouco mais que a maioria, seja instrução ou dinheiro, têm tendência a sentirem-se superiores aos demais...

Maldonado disse...

PS: o tal comentador usou clichés que já estão fora de moda...

Masegui disse...

Lolinha,

A tal "descontrolada do aeroporto", este imbecil do Oliveira (que não sabe nem escrever direito) e outros mais que "o mundo gira em torno deles" são pessoas frustradas. Eles não têm uma vida normal porque se o padrão cair 10 centavos os "amigos" desaparecem... sacumé?

Acho, porém, que você falha num aspecto: o texto tem muita ironia e este idiota não é capaz de compreender...

L. Archilla disse...

Lola, nem precisava contra-argumentar. o texto do oliveira é risível por si só.

mas não deixe de publicar, é ótimo pra dar umas risadas.

e é como disseram: nem dá pra pegar como exemplo de comentarista de direita, pq seria uma ofensa aos direitistas que comentam educadamente (e de maneira mais inteligente e menos contraditória) aqui no blog.

Nara disse...

Dúvida tostines: esse modo de pensar/agir é resultado do habito de viver dando "jeitinho" pra tudo, ou a existência do "jeitinho" pra tudo no Brasil faz as pessoas pensarem/agirem assim? Sei que cada vez fico mais irritada com o "jeitinho" brasileiro...

Amanda disse...

Adorei as fotinhos! Tudo a ver!

Andrea disse...

Oi Lola. Eu não acho que esse comportamento seja exclusivo da elite. Ser mimado, "farinha pouca meu pirão primeiro", não vejo só acontecer em classes mais abastadas. Nem acho que esse é o caso dela. Pelo desespero deve ter parcelado não só a passagem, mas a viagem toda. Foi a única coisa em que pensei para dar um desconto na atitude dela.

Essa mania (não achei outra palavra) de achar que para tudo tem um jeitinho, que dá para chegar mais tarde e "claro que eles tem que deixar entrar"... vejo em pessoas mais ricas, mas também em mais pobres. Vejo em todos que acham estarem certos.

Eu acho errado. Quando mais alguem grita, menos ganha alguma coisa. Abraços Lola.

tamarafreire disse...

Jeitinho brasileiro: acabei de viver um exemplo. Na fila do supermercado, lotado, porqeu agora aqui no ES supermercados não abrem mais aos domingos, ia comprar poucas coisas, fui para a fila do "no máximo 10 volumes" a várias pessoas com compra do mês... E eu, pelo menos, nunca sei como reagir. A placa está lá super clara, mas a pessoa finge que não vê e o atendente também não fala nada... E eu, que penso quinhentas mil vezes antes de fazer qualquer coisa que exponha alguém publicamente, fiquei lá com meus oito volumes na mão...

Lola Churros disse...

Eu nao sei como vc pode dar atencao para tantas asneiras. Nem vou me dar ao trabalho de comentar as besteira q o tal do Oliveira falou.
Mas é bem verdade que um dos grandes problemas de nossa sociedade é falta da capacidade de lidar com a frustracao, e está claro que um pobre está mt mais acostumado com as frustracoes da vida do q uma pessoa rica.
Eu já perdi voo em Madrid pq cheguei 53 minutos antes de um voo a Paris embarcar. 53 minutos.. pra ryanair e obrigatório fazer check-in até 55 minutos antes da partida do aviao. claro q fiquei pé da vida, nao vivo em madrid, mas sim em salamanca, já tinha perdido 2 horas e meia de onibus até ali, era aniversário do marido, hotel em Paris reservado, viagem programada com mais de 6 meses. fiquei p.. da vida, claro q fiquei, mas vou fazer o que? xingar a criatura do balcao?
Claro q nao, tive q enfiar minha viola no saco e ficar por madrid mesmo. Qd compramos um bilhete aéreo contratamos um servico que preve obrigacoes por parte do prestador como tb do tomador do servico. E a obrigacao principal de passageiro é chegar no horário previsto para o check-in. Pq os passageiros q chegaram no horário correto tem q atrasar sua saída pq uma pessoa perdeu a hora e chegou 15 min antes do aviao decolar? Pq o direito dela é mais importante do q daquelas mts outras pessoas q já estavam lá dentro? Quem quer reinvidicar direitos tb tem q cumprir com as suas obrigacoes.
A vida real nao é q nem no seio familiar onde eu reprovo no vestibular e meu papai me recompensa com um carrinho 0 km pra ir pro cursinho pré-vestibular.

Alba Almeida disse...

Ola,Lolíssima querida.
Li nos comentários que vc foi inspiradora, é verdade e deve ser de muitos.
Quando comecei a ler o comentário do dito cujo, pensei em se tratar de um festival de baboseiras e de péssimo gosto. Que cara chato, o principio básico é respeitar as individualidades, se acaso ele não gostar do seu perfil,...Pô.. não entra!! O fato é que ele deve aprender muito aqui e num consegue assumir.
Quero saber também, onde aquele comportamento da médica atingiu a cúpula da empresa aérea???? Respeito, falta a ambos. (médica e “oliveira” - letra minúscula é proposital diante do comportamento que ele apresenta)O direito dela terminou, qdo começou o dos outros passageiros.
Minha querida, bom sábado, muito chocolate e beijos.
É isso...

Veruska disse...

Lola, concordo com a Andréa, acho que o comportamento da médica não é exclusividade da elite. São aquelas pessoas que desrespeitam filas, apelam para amigos para conseguirem atendimento 'especial' em serviços públicos e rosnam qualquer grosseria que lhes venha à cabeça quando são contrariadas. Em um ótimo artigo, Frei Betto coloca que idealizava o trabalhador, como o bom selvagem de Rousseau, e encontrou no meio deles as mesmas fraquezas humanas de toda parte (corrupção, racismo, favorecimento de parentes) apenas com outras formas de aplicação. Quanto ao Oliviera, é surreal: será que ele pensa assim mesmo ou escreve só para provocar? De qualquer forma, publique às vezes, é hilário! Beijos

Anônimo disse...

Lola,

Eu sou, o que não sua concepção, poderia ser chamado de "de direita". Leio seu blog ha mto tempo, e apesar de nossas opiniões serem, na maior parte das vezes, diferente, acho que ouvir opiniões diferentes é necessário, sem contar que adoro o modo como vc escreve e seu senso de humor.
Me incomoda bastante o fato de voce, na maior parte das vezes, estereotipar a direita de modo tão agressivo. Pessoas não são feitas em molde, cada um de nós é de um jeito. Eu não assino embaixo do que fala esse Oliveira. O acho tão ignorante como você! E acho que a médica se comportou de modo absolutamente abjeto. Regras existem e devem ser seguidas por todos. Todo mundo sabe que, para embarcar num voo, vc deve chegar com um certo tempo de antecedência... e que, se chegar atrasada não embarca, por um motivo muito simples. Após o check in sua mala deve ser embarcada, vc tera de passar pela fiscalização, embarcar... se uma pessoa atrasa, e é permitida a embarcar, o vôo inteiro atrasa, todas as outras pessoas, que pagaram por suas passagens terão de esperar e podem perder suas conexões. Chegar em cima da hora é absoluta falta de educação, de cortesia e de respeito ao próximo.
Se a médica já estava errada ao chegar atrasada, se tornou ridícula ao dar aquele piti.
Acredito que ela cometeu injúria e difamação contra o funcionário da Cia aérea. Na minha visão a injúria é muito mais clara que o racismo. Acredito que possa configurar o crime de racismo também, mas acho que está mais nítida a injúria e difamação.
A médica fez o que fez porque é uma pessoa sem consideração, egoísta e mal educada e não porque é de classe média ou da direita. Eu sou classe média da direita e jamais faria algo no gênero. Assim como nunca trato mal as outras pessoas. Não porque sou de direita ou porque sou classe média, mas porque minha mãe me ensinou a ter respeito ao próximo.

abraços,

Má disse...

Oi Lola!
Acabei de ler os comentários e só uma observação..
Acredito tb que a má educação não é exclusividade de direita nem esquerda, tampouco de classe social.
O que acaba sendo exclusividade de pessoas que têm um certo poder aquisitivo, o que caracteriza certa classe média brasileira é o tipo de comportamento "Você sabe com quem está falando?"
Embora a falta de educação se generalize, há uma peculiar arrogância, levando em consideração a desigualdade brasileira no "vc sabe com quem está falando".
Porque vamos concordar que de fato, este "Vc sabe com quem..." é algo recorrente e até levado em consideração nas relações sociais de nosso país.
Embora outra pessoa poderia ter dado o barraco da médica, sejamos realistas que é mais provável que uma pessoa com o status social dela faça isso, e como de fato aconteceu NADA aconteça para reparar o crime cometido....
nesse sentido, embora a falta de educação seja ampla , existe sim a particularidade de classe como a Lola apontou. Negar isso, é negar a nossa realidade ao meu ver.

Bjo

Marcos Vinicius Gomes disse...

Lola,

Sobre o que você escreveu de 'pitis classe média', me recordo de um garoto adoelscente de classe média alta que presenciei 'torrando' a paciência do dono da banca de jornal, porque queria e queria de qualquer jeito uma coca-cola (de máquina).Mas só que a máquina estava quebrada e o dono disse que não poderia mexer nela, só o técnico poderia. Ele não deu escândalo, nem humilhou ou xingou o dono da banca, porém nos cinco minutos que estava ali escolhendo uma revista de palavras-cruzadas, a minha paciência quase 'zerou'.Mais um pouquinho eu acho que voaria no pescoço dele de tanto que o garoto dizia 'Ah, mas eu quero, você não pode arrumar para mim, eu quero'...Quanto ao Oliveira, penso que ele é daquele tipo nacional que diz 'Para que um pedreiro precisa de muita cultura ou escolaridade?' ou então 'Minha ex-empregada está se formando no fim do ano na faculdade, aonde vamos parar?' Talvez ele esteja arranjando assinaturas para a abertura do processo de canonização de Paulo Francis, venera Mainardi, Mírian Leitão (que insinuou que o apagão foi culpa do aumento do consumo causado pelas novas geladeiras compradas 'pelos pobres'), Reinaldo, etc. Pobre Brasil...

PS: Vi alguns comentários desqualificando os argumentos sem pé nem cabeça do Oliveira, dizendo que ele não sabe escrever. Não vamos entrar neste discurso pois senão ficaremos parecendo os leitores de Veja que, desesperados, desqualificam o curriculo educacional 'formal' de Lula. E desqualificar alguém que intencionalmente (ou não) não circula pelas galerias do idioma bem cultivado é jequismo terceiro-mundista que periga cair para a quarta divisão...

Mica disse...

Posso falar uma coisa que não tem nada à ver (com o que o troll disse, eu quero dizer, ou com o assunto que você trouxe à discussão aqui)?
1º) Erradíssimo o que a mulher fez. Eu entendo ela perder as estribeiras (mesmo estando errada), mas não ofender ao atendente da empresa. Quisesse ventilar sua raiva? Que saísse gritando consigo mesma, xingando a empresa quando entrasse no carro de volta para casa ou sei lá o que. Eu sei que os funcionários são o esquadrão de frente das empresas, os coitados que mais ouvem reclamações e são sempre os primeiros a serem alvejados pelo público, mas reclamar, insitir, implorar (até falar um pouco alto por estar nervosa) é uma coisa, ofender, destratar, partir para o lado pessoal é outra bem diferente. Os funcionários (e ninguém mesmo) merece ouvir esse tipo de insulto.

2º) Embora eu entenda que o casal estava atrasadíssimo, talvez se a moça fosse mais educadinha, conseguisse melhor intento (não vi o vídeo, não sei como começou a conversa). Eu lembro de uma vez que cheguei no aeroporto faltando menos de 10 minutos para o vôo partir. Levei uma repreensão, mas os caras me deixaram embarcar. Foi camaradagem, eu sei, pois foi só eu entrar e minutinhos depois o avião partiu.
Mas tem ocasiões que não tem nem como se fazer camaradagem (porta já fechou, procedimentos já começaram), então o negócio é pagarmos pelos nossos erros mesmo. Quem sabe assim aprendemos a não achar que o mundo está a nossa espera.

3º) Sei que as companhias aéreas usam e abusam do cliente, mas...o que elas tem a ver com o caso em questão!??? Nada!!!

olhodopombo disse...

provavelmente esse Oliveira é filho de nordestinos,
nunca vi povo mais preconceituoso nesse pais!

SandraM disse...

Lola, ler esse Oliveira é tao difícil quanto assistir ao vídeo da médica.
Mas vou te falar duas coisas:
- se essa médica tivesse feito o mesmo escarcéu por aqui teria sido levada embora por policiais.
- se ela fosse rica mesmo na hora teria dado um levantar de ombros e comprado passagens do próximo voo pois é isso o que os ricos de verdade fazem.
Ela é apenas uma boba que pensa que é rica logo se acha melhor que os trabalhadores do Aeroporto.

Oliveira disse...

Lola:


Um amigo meu, que é doutor em matemática e catedrático na Unicamp (não na Universidade do Ceara) disse que ninguém é totalmente burro, ou totalmente inteligente.

Você tem a sua inteligência, (haja vista que você escreve muito sobre filmes) porém você não tem um pensamento puro. Seu pensamento é "sujo" por uma educação preconceituosa que te ensinou que ser democrata e de esquerda é a coisa mais certa do mundo.

Não passa pela sua cabeça que o pensamento liberal, que você acha que pratica, foi incutido na consciência das pessoas por 20 séculos de cristianismo, que na mesma proporção que incentivou a solidariedade, destruiu as almas fortes tornando as pessoas pateticamente fracas e sem vontade, dependentes destas tolices politicamente corretas de hoje em dia?.

Sua defesa pseudo esquerdista seria ridícula se você não fosse um jornalista como se autodenomina, mas sendo uma mulher de impressa você se torna uma bandeira que simboliza como o Brasil está mal de filosofia de vida e de como se deve reeducar as novas gerações para evitar aberrações ideológicas da sua estirpe.

Dizem que o tolo é aquele que nada sabe e não sabe que nada sabe. É o seu caso.

Isis disse...

Ridículo. Independente da pessoa ser de esquerda, direita ou o que quer que seja, boa educação e respeito ao próximo vêm sempre em primeiro lugar. Ponto.

Samira disse...

Sempre que leio estes comentários "tipo Oliveira", fico pensando se o sujeito realmente pensa isto ou faz só pra provocar. E o pior é que eu ainda fiquei na dúvida: Os presidentes das cias de aviação teriam direito a voto mesmo nocomando de coorporações sem olhos nem coração para os clientes?

Rita disse...

Oi, Lola, querida.

Só uma coisinha me incomoda: classificar as pessoas usando apenas o poder aquisitivo como critério. Você, por exemplo, vai passar a ter uma renda maior em breve, o que absolutamente não é o mesmo que dizer que você vai virar a casaca e passar a dizer coisas do tipo "você sabe com quem está falando?". Tenho certeza, mesmo que eu não a conheça pessoalmente, que você não passará a agir assim, porque você é muito mais do que o dinheiro que vai ganhar. E, ainda, digamos que, hipoteticamente, professores universitários fossem um classe pra lá de bem remunerada, que ganhasse muito, muito mesmo; ainda assim você continuaria você, certo? Você não gostaria de ser tratada com preconceito por pessoas que hoje partilham de sua ideologia de esquerda, por exemplo, simplesmente por ocupar um cargo bem pago, gostaria? Nem acho que você deixaria de contribuir para o pensamento científico do país por ganhar bem para isso. E aí, digamos que você decidisse ter filhos (tudo hipoteticamente, sei que não é o caso, já li aqui): eles seriam filhos da elite (levando-se em conta apenas o poder aquisitivo da família deles) e nem por isso, tenho certeza, eles seriam mimados a ponto de achar que todo mundo deveria existir para servi-los. Essa não seria a formação dada a eles por você. Right?

Você sabe que admiro seu blog, que indico a leitura deste espaço, então tenho certeza que lerá este comentário como o que ele é: diálogo, ok?

Quanto ao comentário que deu origem a este post: não entendo o que leva alguém que odeia um blog frequentá-lo com tanta assiduidade. E olha que a rede é vasta, viu?

Beijos!
(o post sobre os seres inomináveis já está no ar)

Rita

luci disse...

comecei a dar ctrl V num monte de frase do troll pra tirar "ondinha" da sua cara, mas o crtrl V tava ficando absurdo demais. de qualquer forma, la vou eu.

"Chamar um sujeito de nego ou gentalha não é ofensa". você eh mesmo muito ingenua em achar que eh.

"É uma constatação de mal atendimento que acaba em insulto por descontrole. Quem trabalha, e é profissional entende isso". vou parar de te chamar de lolinha e te chamar de tolinha. voce nao sabe que ma educacao eh sinonimo de profissionalismo? nossa, nao volto mais nesse blog.

lola, querida... eu soh RESPIRO FUNDO lendo "gente" como essa. belissima paciencia a sua, parabens!

beijos

lola aronovich disse...

Rita querida, pode criticar, eu juro que não me zango! (aliás, não só a Rita, lógico). E, como estou sem tempo, aproveito pra responder a Andrea e a Veruska tb. Gente boa, não é que esse tipo de comportamento não exista entre os pobres. Gente mimada tem em tudo quanto é classe social. Mas a gente tá falando de aeroporto. Brasileiro que frequenta aeroporto é elite. Olhem só o que encontrei: apenas 7% dos brasileiros já viajou de avião. É pouco, só 12 milhões de pessoas. Eu não conheço pobre que tenha viajado de avião. É um meio de transporte mais caro, inviável pra maior parte da população. Não dá pra fingir que não é. E eu desconfio que esse tipo de comportamento da médica deve ser mais comum num guichê de aeroporto que de rodoviária (não que quem viaje de ônibus também não seja predominantemente classe média. Quem pode viajar com maior frequência é classe média, ponto). Esse piti, típico de uma reação “vc sabe com quem está falando?”, é mais comum entre a classe média pra cima. Difícil imaginar um pobre dizendo “Vc sabe com quem está falando?”, querendo impor autoridade através de títulos. Como eu disse no post, esse é um comportamento bem típico de uma certa classe social, e não de qualquer país. É mais comum em países onde a desigualdade social é maior, ou seja, nos países em desenvolvimento. Agora, aceitar que sim, isso ocorre com frequência na classe média é totalmente diferente de achar que toda classe média age assim. Tenho certeza que eu e vcs não agimos assim e condenamos quem age assim. Também não vejo nada de errado em dividr pesoas por classe social, Rita. É só um critério estatístico. Dizer que alguém é classe média não é um juízo de valor, ué. É um dado socio-econômico. Eu sempre fui classe média. E nem classe C. Sempre fui classe B mesmo. E não é porque meu salário vai subir um pouquinho que vou passar pra classe A. Só se meu marido começar a ganhar muito bem tb, aí a nossa renda familiar mensal nos colocaria, estatisticamente, na classe A. E eu teria vergonha disso? Eu diria pro meu marido “Não, não trabalhe, não quero que vc ganhe dinheiro, porque se a gente subir um pouco a nossa renda, seremos classe A, ai, que vergonha!”? Claro que não! Eu sei que faço parte do topo da pirâmide já como classe B. Estou totalmente ciente dos meus privilégios. Não considero ser de classe média um insulto, não mais que considero ter mais de 40 anos um insulto. Faz parte do que eu sou.

Rita disse...

Isso, Lola, estamos falando a mesma língua. O que me incomoda é uma certa tendência nas entrelinhas de usar o elemento sócio-econômico como critério para rotular todo mundo de uma determinada classe como isso ou aquilo, entendeu? Então, esclarecendo: o fator sócio-econômico inegavelmente existe e é atuante. Ponto. Parágrafo: existe diversidade dentro de cada um dos "blocos". Só não podemos perpetuar o preconceito às avessas (falar que todo membro da classe D ou F é ignorante é preconceito; falar que todo membro da classe B é explorador e de direita é o mesmo preconceito). Belê?

(Thanks for stopping by!)

Bom fim de semana!
Rita

Teresa Silva disse...

De onde a criatura tirou que a garota perdeu o voo por culpa da empresa aérea? E tem que ser muito abestalhado pra pensar que as ofensas e agressões que fazem aos funcionários das companhias aéreas vai atingir a direção da empresa.

Coitado de quem tiver o azar de ser subordinado desse Oliveira. Imagino ele maltratando-o e achando que é certo fazer isso por que eles são profissionais e tem que aguentar. Mas tomara que não tenha nem uma empregada doméstica.

Só mais uma observação a respeito da chiliquenta: ia viajar de madrugada pra pagar a passagem mais barata e, como diz o povo, tá se achando.

Vitor disse...

Meu comentário não tem haver com o tópico em questão, mas gostaria de aproveitar para perguntar a Lola se vossa senhoria conhece filmes iranianos, e se sim qual a opinião geral sobre os mesmos? Embora não concorde com a maioria das suas idéias, que estão de acordo com conceitos que não compartilho(feminismo-classismo-marxismo-hedonismo-materialismo, para citar alguns), eu acompanho as resenhas por serem bem analíticas e informativas ainda assim.
Então me surgiu na mente a senhora resenhando filmes iranianos, seria no mínimo "curioso"(para o leitor, para a Lola seria mais provável um choque) hehehe.

Não busquei em todo o blog, mas não encontrei a resenha de nenhum.
Até.

Mari disse...

Lola querida, mas que saco que você tem!!! Ler comentários do ou da "Oliveira"!!! Tá certo que num blog, deve-se estar abertos a todos, mas não precisa extrapolar, né? Se não gosta do que você escreveu, some, vai ler outra coisa, ver um filme, conversar com alguém, sei lá... Mas encher o saco do próximo beirando a agressividade, não dá, né? Lola continue escrevendo sempre, você é ótima, e quem achar que não, vá passear, vá tomar uma cerveja, um vinho, namorar um pouco, sei lá. Para de ler o blog da Lola e deixar a coitadinha da nossa querida, de saco cheio. Se não fosse o maridão... hein Lola??? Brincadeirinha, querida, que você tem é uma cabeça muito boa, e uma retaguarda excelente!!! Bem resolvida, culta, e pra complementar, é dona de um humor maravilhoso, que me faz dar muitas risadas. Vai curtir o fim de semana, Lola Lolissima e deixa a vida te levar... Beijos

Mari disse...

Eu de novo, Lola, esse (a) Oliveira, deve ser dispéptico, ter mau hálito, joanete e calo, e claro outras cositas mas que a minha boa educação não me permitem comentar. Ô Oliveira, vai ser mal humorado lá longe!!!!! Criaturinha desagradável!!!

lola aronovich disse...

Oi, Vitor que não compartilha das minhas opiniões feministas/marxistas/classistas/hedonistas/materialistas, e ainda assim gostaria de saber minha opinião sobre filmes iranianos. Pois é, eu vasculhei nos meus arquivos e não encontrei nem uma mísera crítica de filme iraniano. Isso é porque em geral eu escrevo sobre filmes atuais que vejo no cinema, e creio não ter visto nenhum filme iraniano no cinema. Mas gosto deles, pelo menos dos poucos que vi até agora. Os que me vem à mente no momento são Gosto de Cereja e Filhos do Paraíso. Gostei muito dos dois e, se não me engano, chorei baldes. O cinema iraniano tem ritmo e temáticas peculiares e, em geral, é muito bonito. Não sei se vi mais que cinco filmes iranianos na minha vida. Certamente não chegam a dez. Gostei de todos, mas convenhamos: os poucos que chegam ao Brasil são os consagrados. Eu resenho poucos filmes que não sejam americanos ou brasileiros. Mas, se vc for aqui, e embaixo de tudo, nos tags, clicar em “outros universos”, encontrará 46 críticas de filmes não americanos/brasileiros.
Qual filme iraniano vc tinha em mente?

Laura disse...

Meu comentário não é sobre o Oliveira. Mas sobre o comentário da "olhodepombo".

Eu fico tão impressionada com essa estratégia de se combater preconceito com mais preconceito.

Vitor disse...

Eu digo de filmes iranianos em geral mesmo, além desses que comentou, outros como "O Balão branco" e "O vento nos levará". Eu não sou nenhum expert em filmes iranianos senão aos que chegam ao ocidente, mas certamente é um estilo de cinema muito inovador(e na minha visão, sadio), por abordar temas simples, tanto em cenários, atores e roteiros, que passam mensagens sobre valores, honestidade, amor(sem estar sobreposto pelo ódio como qualquer filme ocidental épico-guerra), etc. Que filmes ocidentais dão enfase na risada e felicidade de uma criança? Dificilmente eu lembraria um no momento.

Eu não imaginava que você fosse gostar do "Filhos do Paraíso", digo isso não no sentido cinéfilo ou na história da coisa toda, mas que talvez seria crítica em relação a parte política, baseado no que eu leio da sua postura. As cenas do garoto e de seu pai pobre indo em uma casa de gente abastada para trabalhar transmite claramente uma mensagem "anti-luta de classes" - uma antítese do marxismo em filmes ocidentais - ao mostrar a pureza e o respeito entre o garoto pobre e o garoto rico, sem qualquer inveja por parte do pobre, nem arrogância do rico. O mesmo na relação dos homens adultos. Na maioria dos outros filmes iranianos também; anti-marxismo, anti-sexismo,senso comunitário étnico, teocracia, um certo meta-humanismo(ou naturalismo, ainda que desvirtuado), etc, em suma, um nacionalismo fervoroso que teoricamente todo esquerdista deve repudiar, mas como esse não é o nacionalismo europeu, nem estadunidense, nem de primeiro mundo, acaba saindo batido. Que discriminação com nacionalismo oriental! :P

Talvez você pudesse me ajudar a entender uma dúvida: Porque os liberais e esquerdistas tradicionalmente não possuem uma "peleia" direta contra o islamismo? Seria devido a uma aliança circunstancial entre grupos "anti-sistema"? Pois se o islamismo reinasse no ocidente, gente como você que tem total liberdade para cuspir no malvado homem branco europeu(e por conseguinte na filosofia grega-romana, no estoicismo,nos colonizadores da américa, cuspir nos reis e príncipes que defenderam a "cristandade" como meta-política) que pode se opor livremente a toda a mentalidade herdada, seria enforcada na primeira oportunidade que criticasse o malvado Islão e a malvada burka.(Não quero soar ofensivo, apenas tentando exemplificar).

Daí a minha curiosidade em ler suas resenhas sobre o cinema iraniano no que tange a política. Há uma porção de simbolismo em relação a política/sociedade, tanto expostos quanto ocultos, que dariam excelente material de resenha mais aprofundada, pese que eu imagine que a maioria dos não-iranianos estão pouco capacitados para tal, assim como para apreciar o cinema iraniano.

Já vi até comunidade no orkut do tipo "eu odeio filmes iranianos" apenas baseados em argumentos do tipo "ah, esses filmes sempre com elenco de criancinhas pequenas e chatas", isso vindo de gente aparentemente culta...não há muitas fontes legais ocidentais de análise ao cinema iraniano, e como eu não entendo farsi, então fico boiando um bucado...

lola aronovich disse...

Vitor, sua pergunta sobre nós da esquerda apoiarmos o islã requere uma resposta muito maior. Ela virá. Vou colocá-la na pauta do meu “Perguntas e Respostas”. Só seja um pouquinho paciente porque tem outras perguntas na frente, e vc sabe como são minhas respostas. Meio longas...
Sobre filmes iranianos, pois é, O Balão Branco eu também vi, muito bonito (não lembro nada a respeito). E não lembro de Filhos do Paraíso. Só vi uma vez e gostei muito. Realmente não lembro dessa falta de conflito entre meninos pobres e ricos. Mas a temática de um filme, e mesmo a ideologia de um filme, não é suficiente pra determinar se o filme me agrada ou não. Eu gosto de montes de filmes cuja ideologia não concordo, ué. Pense em Triunfo da Vontade, por exemplo. É um filme nazista, sem dúvida alguma. Nem por isso eu deixo de ver suas grandes qualidades, como a fotografia primorosa. Ou O Nascimento de uma Nação, do Griffith. É o suprasumo do racismo, a Ku Klux Klan é a heroína da história! Mesmo assim é um grande filme, fazer o quê? Um dos filmes que mais gosto de todos, provavelmente um dos que vi mais vezes, é Laranja Mecânica, do Kubrick. Muitas feministas o consideram um filme machista. Críticos em geral percebem o anti-humanismo do filme. Acho que dá pra interpretá-lo de várias formas, mas sua ideologia é no mínimo duvidosa. E daí? Eu odeio violência, sou da paz, mas assisto filmes violentos numa boa. Aliás, pouquíssimos filmes/livros refletem o que penso. Se eu fosse me basear nisso pra gostar ou não de um filme, provavelmente não gostaria de nenhum.
E quanto a comunidades no orkut, bom, pra cada “odeio filmes iranianos”, deve haver umas dez de “odeio filmes brasileiros”. Deve ter “odeio filmes americanos” também. Qualquer coisa. Mas pra fã de Stallone e filmes de ação em geral, eu não recomendaria o cinema iraniano. São espécies diferentes, não acha?

Vitor disse...

Pois é, realmente gostar de um filme, seja pelo entretenimento ou escapismo, ou ao menos assistí-lo sem "compromisso" não vai influenciar em nada posições políticas pessoais e etc, ao menos para quem tem firmeza de idéias, esclarecimento. Mas acho que um consenso entre as pessoas, como humanas e tendenciosas que são, é utilizar a política em uma mídia que influencia diretamente as massas, e o interesse sobre essa política, e como ela é interpretada e usada varia conforme o "andar da carruagem" do sistema. Algo bem complicado que não daria para esmiuçar em poucas palavras.

Deixando de lado o cinema iraniano e indo para o "Triunfo da Vontade" que comentou, ele está fechado em círculos de pessoas "cults" que gostam de filmes antigos, o dvd é caríssimo, pouco acessível, tem uma sinopse na contra-capa fazendo pré-julgamento antes mesmo do telespectador assistir(assim como todos outros filmes sobre hitler), e jamais vai passar na TV(nem nos canais Fechados habituais com obras antigas). Essa imagem de "liberdade", "tolerância" na verdade soa bem autoritária quando fazemos esses contra-pontos, seja em relação ao cinema iraniano visto no ocidente ou mesmo sobre o que eu citei a respeito do "Triunfo". Se fossem os tempos de 1964 você concordaria comigo, mas como hoje a polarização mudou para outro lado(deixando claro que tão pouco sou direita), e 90% do cinema expande ideais mundialistas de Marx, Franz Boas, Freud, etc, fica bem fácil dizer "oras, mas eu gosto até do filme do Griffith, pela arte" hehe, o que quero dizer com esse raciocínio, em linguagem popular, é que "pimenta no cú dos outros é refresco", entende mais ou menos o que quero dizer? (Acabei por desviar ainda mais o assunto, me desculpe)

Por favor, quando puder responda a questão do islamismo, faz anos que venho tentando decifrar sobre esse tema, mas ainda estou com um "?????" no meu raciocínio.
Para mim parece tão ilógico(para não dizer burrice) a "aliança-pacto" entre liberais e islâmicos quanto entre cristãos e islâmicos, ou entre nacionalistas e mundialistas, ou entre judeus e nacional-socialistas, ou entre budistas e garotos-atiradores-de-escolas-americanas.(esse último ainda seria questionável)

O que os tais liberais estão fazendo é semelhante na prática com o que eu vi em um país na Europa, as tribos de jovens "anti-fascistas" apanham e são assaltados por negros e islâmicos nas ruas, mas ao mesmo tempo enfrentam os ÙNICOS que estão ao seu lado, que teoricamente são seus "iguais" tanto em histórico familiar, comportamento, classe, psique, aparência, cultura, etc, que são os jovens racistas, "skinheads" e afins. Isso parece coerente para você?
Outra questão complicada, mas que tem relação com o tema do islamismo, você que sabe, mas se puder faça o favor de responder... penso eu ser um ótimo tema para ser desenvolvido num tópico do seu blog, e que eu estaria refutando muita coisa na resposta, imagino haha. Até

Paloma Peruna disse...

Lola, aproveitando o momento, já que estamos discutindo sobre preconceito, queria te "falar" uma coisa: é muito feio o preconceito que vc (e a maioria dos leitores daqui) tem contra os evangélicos (e os religiosos em geral).
Em um outro post seu (acho q falava sobre preconceito contra homossexuais) vc colocou trechos do Antigo Testamento e foi bem agressiva ao colocar algo como "incesto e homicídio pode, homossexualismo não". Bem, Lola, as coisas não são bem assim. A Bíblia é um dogma: ou vc acredita que aquela é a Palavra de Deus para os homens ou não. Mas qdo vc lê a Bíblia vc descobre que a mensagem é exatamente de amor e respeito ao próximo. Não existiu ninguém mais de esquerda que Jesus (q foi chamado de subversivo e objeto de uma conspiração tb política, pq incomodava ao pregar para os pobres ideais como igualdade e solidariedade); ou mais feminista que Jesus (q sempre wera acompanhado por mulheres, q ousou dizer q as mulheres são iguais aos homens perante Deus). A Teologia é complexa e a história da humanidade contada desde o Antigo Testamento contextualiza todas as situações em que servos de Deus praticaram condutas muito erradas. E depois da vinda de Jesus, nos foi dada a oportunidade de sermos salvos e perdoados e de viver uma nova vida de acordo com o que jesus determinou. Enfim... acabei "pregando" pra vc. Não sou tão boa e clara ao transcrever meus pensamentos. Sei q vc não acredita em Deus e eu respeito.
O resumo é que os evangélicos não são pessoas horríveis e bitoladas que odeiam os homossexuais e outras minorias, como a maioria daqui pensa. Nenhum cristão que siga exatamente o q diz a Bíblia pode ser assim. A Bíblia diz, efetivamente, que homossexualismo é pecado. Mas prega q nós amemos a todos sem distinção e tb diz q existem mais outros inúmeros pecados e condutas pecadoras. Sou evangélica e isso não me impede de gostar de vc, gostar dos seus textos e, pasmem, concordar contigo na grande maioria das vezes. Se trata apenas de conviver com a diversidade. Apesar de o preconceito contra os evangélicos estar previsto na Bíblia como um dos sinais do fim, penso q vc é tão inteligente, educada e articulada q não pode continuar se colocando de modo tão agressivo. Vc sempre é contra todo e qualquer tipo de preconceito, mas os evangélicos pra vc tão na mesma categoria da ku-kux-klan no medidor de execrabilidade. É mto ruim ter sua fé sempre retratada como algo negativo, "idiotizante" (isso existe?!?), cerceador do reciocínio. Ainda mais sem connhecer os fundamentos do pensamento Cristão (quisera deus fossem colocados em prática, não haveria metade das situações q te revoltam).
Ademais, vivemos em um Estado laico onde todos devem ser iguais perante a lei. E considero q todos nós devemos buscar essa igualdade em todas as esferas da vida. Pense como seria bom derrubar mais esse preconceito e vivermos melhor.
Desculpa pelo comentário loooooogo.
Bjo

lola aronovich disse...

Paloma, obrigada pelo seu comentário, acho importante. Não vou negar que eu tenho preconceito contra evangélicos. Já admiti isso num post. Não acho que seja um preconceito gigante, mas é do tipo que eu tenho que me lembrar, ao falar com um evangélico, que não devo pré-julgá-lo. E eu tento. Faço um esforço. Assim como algumas pessoas muito religiosas acham que ateus são imorais, egoístas, não têm valores etc, alguns ateus acham que pessoas muito religiosas (e, no Brasil, evangélicos entram nessa categoria de “pessoas mais religiosas” com muito mais afinco que católicos relaxados) são bitoladas, fazem tudo que a igreja manda, sem pensar, inclusive votando em quem a igreja manda. E mesmo que muitas vezes isso corresponda à realidade, não dá pra achar que é uma regra.
Mas Paloma, discordo de vc quando vc fala coisas como “a bíblia é assim, isso está claro na bíblia, cristão de verdade é isso e aquilo”. A bíblia, como todo e qualquer livro, está aí pra ser interpretada. Cada pessoa que ler a bíblia (ou qualquer outro livro) vai entender uma coisa. Isso é básico da teoria de leitura: que ler é um diálogo entre o que o autor escreveu e o que o leitor compreendeu. Só a obra do autor, sozinha, não se sustenta. Ela não existe até ser decifrada pelo leitor. E cada um vai decifrar de um jeito diferente. Portanto, a bíblia está aberta a montes de interpretações—basicamente tantas interpretações quanto há leitores. A gente pode até dizer que cada grupo religioso que forma uma nova igreja está interpretando a bíblia do seu modo. O erro que eu acho enorme é encarar a bíblia como única, a Verdade, a palavra de Deus. Porque isso é intolerância. É não aceitar que não existe UMA verdade. De que o que é verdade pra alguns não é pra todos.
E acho que os evangélicos realmente precisam sintonizar o discurso quanto à homossexualidade. É muito contraditório, a meu ver. Vcs aceitam os homossexuais mas não há dúvida que o que eles fazem é um pecado? Vcs os aceitam mas querem mudá-los? Vcs os aceitam desde que eles não pratiquem atos homossexuais? Não sei, cada um é cada um, mas, sinceramente, se eu fosse homossexual, eu não pisaria numa igreja que não me aceita como eu sou.
Também discordo de vc quando diz que vivemos num estado laico. Infelizmente, nosso estado não é laico. Sofre imensas influências da igreja católica. As mudanças que eu defendo (legalização do aborto, casamento gay, etc) não passam, inclusive, pela enorme resistência da bancada evangélica. Que é muito, muito conservadora.
Mas, em geral, eu falo bem pouquinho dos evangélicos (ou de religiões em geral) aqui no bloguinho, e menos ainda dos evangélicos brasileiros. Eu falo mais é da direita cristã, que é um grupo coeso nos EUA e que representa cerca de 25% da população de lá. Não sei se pode se chamar de preconceito o que eu sinto pelas ideias desse grupo. Eles expõem claramente suas ideias, tiveram um presidente que fez tudo que eles queriam durante 8 anos, são fortes e organizados. E eu acho que não tem uma só ideia que eles defendem que eu não seja contra. Isso é preconceito ou é posicionamento?
Abração!

Paloma Peruna disse...

Lolinha, os evangélicos em geral acreditam que a interpretação da Bíblia é feita pelo Espírito Santo. É cmo te disse, Teologia é um pouco complicado de se falar em um espaço tão curto pq as informações ficam mto desconexas e afastadas do real. Precisa inclusive analisar a questão da tradução, pois algumas palavras em hebraico não tem um significado correlato em português. Mas é interessante, qdo vc mudar pro Nordeste vamos nos encontrar um dia!
Qto aos homossexuais é mais ou menos assim: amamos e aceitamos pq não nos é permitido julgar ninguém, nem condenar, nem constranger. Nada disso. Posso dar meu exemplo, q tenho amigos gays q amo mto mto e não os fico condenando e maldizendo. Mas, o pensamento dos evangélicos/cristãos oficialmente é de que se a pessoa (e vale pra qualquer pessoa, em qualquer situação) não reconhecer Jesus como seu único e suficiente Savador e deixar de pecar (no caso seria deixar de ser homossexual) prestará conta de sua conduta no Dia do Juízo. É uma questão de fé mesmo, sabe querida. De acreditar ou não nesses dogmas. E homossexualismo não é considerado um pecado maior q emntir, q falar mal de alguém... Enfim, é tdo pecado do mesmo jeito.
Qto às leis, penso q em obediência à Constituição, o Estado é laico meso. Ao menos no papel. A gente tem de fazer força para q seja efetivamente. E concordo q a bancada dos evangélicos mistura fé com legislação e sou contra essa postura.
Por fim, com relação à Direita Cristã, penso q seu caso é de posicionamento mesmo. Tb não concordo com nenhuma das colocações deles. Aliás, de cristã essa direita não tem nada. E não aguento nem olhar na cara do Bush (o q é um grabnde pecado, não consigo perdoá-lo). Os ideais da esquerda são mto mais cristãos.
Amo seus textos e a forma clara de colocar suas idéias.
Bjo grande!!

lola aronovich disse...

Palominha (acho tão bonita a combinação do seu nome e sobrenome! É nome real, ou é artístico?), então, sei que pros evangélicos a bíblia só tem uma interpretação, a do Espírito Santo. Mas pra quem é ateu e não acredita em espírito santo fica difícil acreditar em palavra de Deus, né? Respeito quem acredita, não sou anti-religiosa. Já falei aqui mais de uma vez que eu acho que as religiões podem ser benéficas pra muita gente, podem contribuir pra qualidade de vida. E deve ser bom ter resposta pra todos os nossos mistérios passados e futuros. Algumas vezes eu já quis acreditar. Isso de vida após a morte, por exemplo, é uma beleza. É muito mais legal do que acreditar que já já tudo acaba.
Mas tenho mais respeito pela fé individual de cada pessoa do que pela fé institucional, pela fé organizada. Não que eu ache que as pessoas que acreditam em coisas parecidas não possam se organizar e se reunir e celebrarem juntas. Eu acho até bom. A minha birra é mesmo quando querem interferir nas leis de um estado que deveria ser laico. Pra mim, é muito claro: o estado não deve se meter com igrejas (liberdade religiosa pra todos), eas igrejas não devem se meter com o estado. Mas a gente sabe que não é assim que funciona.
Quanto à homossexualidade, entendo que vc, particularmente, não seja homofóbica. E também sei que, se um homossexual entrar na sua igreja (ou em qualquer igreja evangélica), não será hostilizado. Será bem recebido, recebido com amor. Mas é aquela coisa, né? A gente te aceita, mas o seu estilo de vida é pecaminoso. Eu acho muito contraditório, e imagino que isso afaste os homossexuais das religiões (eu certamente me afastaria se fosse religiosa, ou homossexual).
Acho importante que vc aponte sempre que enxergar preconceito da minha parte por aqui! Porque acredito, sim, que é uma luta a gente combater todos os nossos preconceitos. Uma luta diária.

Paloma Peruna disse...

É isso mesmo, Lola! Sei q para quem não acredita em Espírito Santo, Deus e tdo mais o comportamento parece ilógico e contraditório. Mas fico feliz pq vc entendeu exatamente o q quis dizer, que ninguém é hostilizado nem odiado por ser homossexual!:)
Lolinha, vc é mto engraçada. Mesmo conversando sobre coisas sérias vc me faz rir: "Isso de vida após a morte, por exemplo, é uma beleza". Sinto cmo se estivesse ouvindo seu raciocínio, sabe? Imagino toda a cena de vc hiper racional, procurando analisar a lógica da doutrina e dizendo "essa parte é boa, mas essa não gostei mto não". Dá até pra aproveitar numa sitcom. Vamos escrever e ficar ricas. Isso, claro, se vc conseguir me impedir de gastar todo o lucro utilizando suas técnicas de economia espartana. Aliás, amo todos os posts sobre economia pq sou uma perdulária incorrigível. Enfim, divago. Sorry!
Lutar contra o preconceito é mesmo um exercício diário. Vamos seguindo tentando fazer a coisa certa.
Qto ao meu nome, obrigada!!! É meu nome mesmo. Uso o sobrenome do meu pai. Qdo casei, mantive o da minha mãe e acrescentei o do marido, mas continuo usando apenas meu nome de solteira. Queríamos "trocar" os sobrenomes. Na verdade, igualar, ficaríamos com sobrenomes idênticos, mas dava mto trabalho e eu desisti. O marido da minha prima não gostava do dele e adotou o da nossa família com o casamento. Adoro essas medidas feministas do novo Código Civil!!
Bjo grande!!!

Tássia disse...

Queria só ver esse encontro: o tal do Oliveira que tanto voa tendo que esperar uma hora ou mais porque a jovem lutadora dos direitos coletivos chegou atrasada pra seu check-in no mesmo vôo. Não seria lindo minha gente?

Fabio Salvador disse...

HAHA! Pior é que a gente vê cada uma...

Eu trabalho numa empresa pública, atendendo público, e prefiro atender aos semi-analfabetos, aos desvalidos, que pelo menos têm a humildade de perguntar as coisas, do que aos bonitinhos da classe média que se acham donos do mundo.

E eles pensam que, só porque um sujeito está atrás de um balcão, deve ser um "zé-ninguém", e portanto, nada mais natural do quê tratá-lo como um cachorro.

No meu caro, claro, normalmente quebram a cara. Eu não aceito o mais mínimo insulto, nem um olharzinho que tenha uma ponta de desprezo. Sou conhecido como alguém sem um pingo de talento para sacod e pancadas. É engraçadíssimo ver um burguês que começa a dar piti, achando que eu vou me encolher, e ver a cara dele quando eu respondo como se deve.

Daí eles ficam com raiva e dizem que trabalham 12 horas por dia...

... daí eu respondo que não sou tão ganancioso, fiz concurso e me contento com o que ganho nas minhas 8 horas diárias...

... afinal, o consumismo é coisa para trouxas.

E se não estiverem felizes, que façam a provinha, passem, tomem meu lugar e mostrem que sabem fazer melhor.

Otários. Bundões. Mimados.

Ha ha ha!

Fabio Salvador disse...

Outro dia, um pit-boy se irritou porque nós não ligamos a luz dele (o poste estava fora de padrão), DEU UM SOCO NA MESA, porque imagine, ele que é bem nascido, obviamente entende muito mais sobre padrões de entrada de energia elétrica do que o eletricista da companhia, que é impuro, pobre e usuário de macacão.

Só que ele deu um soco na MINHA mesa, fazendo com que eu também desse um e me levantasse.

Daí, quis falar com o gerente, porque imagine, um bostinha querer peitá-lo. E o gerente deu outro xingão nele.

O pior é para os empregados do atendimento em empresas privadas, que muitas vezes são obrigados a dobrar-se ao poder econômico e a moleques com sapatos de mil reais, só porque caso não sejam subservientes a essa ralé bem-nascida, o papai da molecada telefona para o amigo dele, o chefe da empresa, e manda demitir o atendente.

Atendente é pago para atender, não para servir de bode expiatório. Ninguém tem, entre suas funções declaradas em contrato, a obrigação de abrir mão da dignidade humana.

E isso, infelizmente, é um conceito que os bundinhas gritões nunca vão entender.

Libu disse...

Olá Lola, gosto também muito do seu blog, e juro que minhas intenções são boas com esta crítica - não tenho raiva do blog, nem de você, nem de ninguém (só dos trolls, um pouquinho) - mas tenho que concordar com o comentário feito pela Rita... noto a mesma coisa já há algum tempo no seu blog.

Já trabalhei em mutirão de assistência no Natal algumas vezes, e vi MUITA mãe de classe baixa mostrando exatamente o mesmo comportamento agressivo, mimado, individualista em suas exigências... "me dá aqui mais um brinqueeeedo!!!"... não tinha o componente de exigir usando o status, mas o comportamento era o mesmo, de gritar e xingar quem estiver pela frente em prol do que considera ser seu direito.

O pobre não é melhor do que o rico por ser pobre, assim como o rico não é melhor do que o pobre por ser rico. Nós compartilhamos a mesma cultura: todo mundo vê novela e vota no BBB, de Narcisa Tamborideguy a Tati Quebra Barraco, não é mesmo? Se pudesse escolher entre um sistema mais justo pra todos ou ficar milionário, o que escolheriam o pobre e o rico? Eu não ponho minha mão no fogo por nenhum dos dois.

Racistas são racistas, em qualquer classe social. Idiotas, machistas, estupradores, homofóbicos, também... quem dera eles estivessem concentrados apenas na elite, na "direita maléfica".

Vamos chamar os racistas de racistas, homofóbicos de homofóbicos, machistas de machistas, mimados de mimados... e não "ah, tinha que ser um jogador de golfe", "ah, lá vem a classe média de novo" ou "tinha que ser de direita". Não vamos combater um preconceito criando outros... isso não esclarece, só gera mais ódio, mais distanciamento, mais incompreensão.

Esse é meu apelo...


Um abraço,

Lívia

Libu disse...

E, não quero provocar, mas sabendo deste índice de que apenas 7% dos brasileiros já viajaram de avião, acho que entrei oficialmente para a elite do Brasil ano passado, quando fiz uma viagem que era meu sonho há mais de dez anos.

Lola, não cabe aqui a reflexão se este índice também não a classifica como elite?

Beijos,

Lívia