quarta-feira, 10 de junho de 2009

CRÍTICA: EXTERMINADOR DO FUTURO 4 SALVAÇÃO / Este programa executou uma operação ilegal

Dessa vez eu fico com o da direita.

Sinceramente? Não sei se é possível se decepcionar com O Exterminador do Futuro após a terceira parte da série, lançada em 2003. Eu sei que a gente faz um esforço danado pra esquecer o Schwarzza lutando contra uma vilã de cristal líquido cuja principal missão na Terra é aumentar seus seios (aumentar os seios dela, não do Schwarzza. E inspirada por um outdoor do Victoria's Secret, santo merchandising!), mas a memória daquele espetáculo degradante persiste, como um trauma. Logo, se fosse possível se decepcionar ainda mais com uma sequência, eu estaria decepcionada com o número 4. Se bem que não sei o que eu tava esperando - uma salvação? Por que o filme prometia, afinal? Não tem o James Cameron (criador das duas primeiras e excelentes aventuras), e sim um tal de McG, que traz no currículo a direção de dois As Panteras (ambos tenebrosos). Não tem nem a Linda Hamilton como Sarah de volta. O único ponto em seu favor era o Christian Bale como John Connor (note as iniciais: Jesus Cristo, sacou?).
Um dos problemas é que o Christian não acrescenta nada pro papel. Podia ser qualquer ator. O personagem é rasinho, superficial, sem senso de humor, e não carrega um filme sozinho, como já vimos no Exterminador 3, em que a namorada dizia pra ele: “Mas você é um m****”, ou assim interpretou a tradutora pro português. Pô, a mãe e o pai do John são personagens muito mais fascinantes, porque eles estão cheios de dúvidas (tá, o pai menos, mas digamos que o Michael Biehn é fascinante). O Jonh só tem certezas. Em suma, é um chato. E a escalação do Christian não o torna menos chato. O seu “I'll be back” falha miseravelmente, porque o Christian é muito intenso, não se permite uma metalinguagem, uma piadinha. Acho que o único papel em que ele esteve mais levinho foi um de seus melhores, Psicopata Americano. Se T4 não tem humor, e não tem mesmo, e esse é um componente importante nas primeiras duas partes da franquia, a culpa é um pouco do Christian/John.
Dessa forma fica fácil pra outra pessoa roubar o filme, e essa alma é o Marcus Wright. Tudo que vou falar do Marcus já foi estragado pelo trailer, mas, se você não viu o trailer (ruinzinho), melhor parar de ler esta crônica por aqui e só voltar depois de ver o filme. Você foi avisado. Vá, e programe um “I'll be back”. Então, o lado Blade Runner do filme, do androide que se considera humano, não é nenhuma surpresa. Inclusive, um dos temas das partes 2 e 3 é como essas máquinas (personificadas pelo governador da Califórnia) podem aprender emoções “humanas” como compaixão e até humor (John Connor faltou a essas aulas). Marcus carrega a história nas costas. E eu tenho a distinção de ser a única no planeta que ouviu falar do Sam Worthington, que faz o Marcus, antes de T4. É que nos EUA vi em dvd uma produção de Macbeth australiano, e ele era o tirano. Muito bonito e tal, mas o filme era péssimo. Eu até incluí um pedacinho na minha tese, dizendo que quem reclama do excesso de sexo e violência no Macbeth do Polanski deveria ver o australiano de 2006. Sabe as bruxas? Nessa produção elas são meninas vestidas de colegiais. Pra contar as profecias pro Mac, elas transam com ele. Isso pra mim até tem lógica, porque se colocam um lindão como o Sam num filme, deve haver alguém pra transar com ele. Mas voltando a T4, o Sam tá perfeito na maior parte das cenas, embora o sotaque dele varie bastante. Sam/Marcus fala igualzinho a um americano durante quase toda a sessão, mas na cena em que ele diz “My name is Marcus Wright”, ele fala com sotaque alemão. Juro, tá no trailer.
No fundo, todo santo episódio de Exterminador é a mesma coisa: alguém vai tentar matar John. Alguém vai defender John. Claro que agora John já está bem grandinho e sabe se defender sozinho, o que tira bastante da graça, porque a gente sabe que ele só vai morrer se não tiverem acertado o cachê do Christian Bale pra pelo menos mais um filme.
Antes de prosseguir com alguns spoiler mais sérios, queria resolver minhas dúvidas existenciais:
a) Por que a Bryce Dallas Howard, que faz a mulher do John, está sempre maquiada? Eu me lembrei de uma leitora que questionou por que a Julianne Moore não tava usando sutiã em Ensaio sobre a Cegueira. O mundo acabou, mas continua sendo fundamental que as mulheres andem arrumadas.
b) Por que tem uma hora que T4 fica tão “I love the smell of napalm in the morning”, tão Apocalypse Now? É um tanto revisionista, já que os caras com helicópteros que jogam napalm são os bonzinhos, a Resistência. Os americanos no Vietnã estavam resistindo a quê? Em contrapartida, T4 apresenta uma menininha com boina, cabelo afro e estrelinha. Parece a maior comuna. Espero que ela tenha alguma relevância nas 145 sequências que virão aí, porque até agora ela entrou muda e saiu calada.
c) Quando eu imaginava a Resistência no futuro, não pensava que eles estariam tão bem equipados, cheios de helicópteros, metralhadoras e napalm. Pelo menos se a gente for se guiar pelas breves cenas futurísticas do primeiro Exterminador, não era assim. Bom, T1 passa imagens de 2029, e T4 se passa em 2018: de repente uma década depois a Resistência esteja em frangalhos?
d) Por que diabos o filme guarda o governador da Califórnia como máquina mortífera? Olha só, o Schwarzza é um modelo obsoleto de ciborgue desde o segundo filme da série. Coloquem o modelo de cristal líquido! Esse sim é um modelo avançado. Agora, esses de esqueleto de metal já pareciam ultrapassados em 1984!
e) Dá pra comparar a evolução dos efeitos especiais e da maquiagem se a gente se lembrar do Schwarzza em T1 com metade do rosto em carne viva. Na época todo mundo achou duca, hiper bem-feito, mas eu não consigo passar a cena pros meus aluninhos sem eles morrerem de rir e gritarem “Palha!”. Hoje a maquiagem no rosto do Marcus parece ótima. Será que daqui a vinte anos já estará tão ultrapassada que garantirá a alegria de todos os adolescentes?
E agora alguns spoilers de verdade. T4 não faz nenhum sentido. Fala a verdade: esse programa que domina o mundo é o Windows, não é? Senão, vejamos: a Skynet tem Kyle Reese, pai de John, entre seus prisoneiros. É só matá-lo que, talvez, quem sabe, John imediatamente desaparecerá. Ahn, por que não exterminar Kyle na hora? Eliminar John tampouco parece ser a coisa mais complicada do mundo. Há várias oportunidades, que as máquinas ignoram. Pra matá-lo, elas têm mesmo que atrai-lo pra sua sede, onde há montes de armas nucleares prontinhas pra serem detonadas? Nessas horas eu esperava que aparecesse na tela do cinema a mítica mensagem que ocupa a tela do meu computador: este programa executou uma operação ilegal e será fechado.

14 comentários:

Anônimo disse...

Quero muitoooo ler a sua crítica sobre o filme A Mulher Invisível!

Anne disse...

Concordo com tudo! Assisti ao filme na segunda-feira e achei o John Connor um chaaaato. Até dormi um pedaço do filme, pra desgosto do marido que achou ótimo.
=^.^=

Mica disse...

Pois eu adorei o filme. Mas eu sou fã, não conto. Amei os dois primeiros filmes, gostei do horrendo T3 (gostei em termos, mas deixa quieto), sou fã total e completa da série Terminator: The Sarah Connor Chronicles (e fazia resenha lá no Teleséries sobre ela, se alguém tiver interesse), então não havia como não gostar de T4.
Gostei muitíssimo do John Connor do Christian Bale. Ele é exatamente como eu imaginava que o Connor seria. E eu gostei principalmente dele estar sujeito a uma cadeia superior de comando, o que casa perfeitamente com o que Kyle Reese disse em T1: a resistência só conseguiu chegar à vitória graças à esperança que Connor deu à humanidade, a força para acreditarem que podiam vencer. Connor era um líder, mesmo sendo comandado, ele era a voz da esperança, e com o extermínio do Comando Geral, ele acabaria assumindo a resistência, pois no fundo ele era a voz que calava no coração dos humanos que lutavam.

Quanto a birra com os modelos (Arnie, os outros mais obsoletos), bem, o filme se passa em 2018, muito antes dos modelos com pele humana. Pelo que eu me lembre, os modelos com pele humana foram criados quase à época de serem enviados para o passado (em 2027), e foram criados justamente para infiltração e principalmente para conseguirem passar pela viagem no tempo, já que apenas tecido vivo atravessava. Ou seja, em 2018 os modelos líquidos e afins estão há anos de serem criados. Na verdade, até a própria aparição do T800 completamente formado foi um pouco prematura na minha opinião.

E para finalizar, sem dúvida nenhum Sam roubou o filme para si. O cara esteve fantástico. Até me dá dor no coração saber que ele não estará nas sequências (mas poderei assisti-lo em Avatar, então fico mais conformada).
O interessante é que mesmo Marcus se encaixa na história, pois é verdade que Sarah (ou Reese) jamais falaram de um humano meio máquina, mas isso é porque Reese nunca sentiu necessidade de falar dele para Sarah (afinal, o cara já estava morto na ocasião que Resse volta no tempo) e ela nunca soube de Marcus. Mas ele existiu, foi a arma secreta da Skynet, o único modelo da espécie e se extinguiu ao dar a vida por John. Ele sempre será lembrado por aqueles que o conheceram, mas não havia necessidade deles mencionarem-no nos filmes anteriores, já que ele está morto há muito tempo quando as viagens no tempo começaram.

Ah! E tem Anton Yelchin (acho que é isso) como Kyle Reese. Eu gostei do piá fazendo um Kyle ainda novo, mas não consegui realmente desvincula-lo da imagem de Checov de Star Trek :-( Ficava esperando o sotaque estranho...

Gabriela Martins disse...

Eu vi os dois filmes há muito tempo atrás e só me lembrava do básico. Como filme de ação eu achei muito bom, embora com algumas ressalvas.

Mas ler críticas como as suas contaminam a gente, realmente... No bom sentido, claro. Notei que as personagens femininas do filme não fazem porcaria nenhuma. A esposa do Connor só aparece pra mostrar o barrigão, como lembrete de "ó, tô grávida"; a piloto de caça salva o robozão e mais nada (e dá-lhe roupa de couro justa); a velha de cabelo branco prometia e tá lá só de enfeite; e a Star é fofa e mais nada. Nem a achei tão carismática quanto outras pessoas.

Enfim, por mais que as peças se encaixem bem na série, senti que este virou um filme de ação padrão, como todos os elementos no lugar certinho pra funcionar. É como sair pra comer no McDonalds: vc sabe o que te espera e só. Faltou algo que fizesse a diferença, uma pitadinha de tempero, sei lá. Ainda mais quando me lembro do segundo filme e da Linda Hamilton musculosa...

lola aronovich disse...

Anônimo, e eu até que queria ver A Mulher Invisível! Mas não chegou aqui. É bom?


Anne, o JC é chato mesmo. Enfim, acho o T4 melhor que o T3, mas sem comparação com o T1 e T2. (se alguém de teoria de teatro chegar aqui, vai pensar que tô falando do Pavis).

lola aronovich disse...

Mica, do Sarah Connor Chronicles eu não vi nada. Mas eu me considero bem fã dos primeiros dois filmes. Principalmente do segundo, que pra mim é um dos melhores da década de 90. Sobre o John Connor, não acho que a culpa do personagem ser tão rasinho seja do Christian Bale. Mas tampouco acho que ele traz alguma coisa. E é muito estranho ver que o JC não é o comandante da Resistência, já que todos os filmes só falam disso. Os filmes só existem em função da sua figura como salvador. Ah, os modelos obsoletos... O T800 seria avançado demais pra 2018. Gostei do Anton, mas o maior furo do roteiro é não inventarem uma desculpa pras máquinas não liquidarem seu personagem de uma só vez.


Gabriela, ah, que bom que minhas críticas te contaminam! É verdade que as personagens femininas de T4 (ao contrário de uma personagem forte como a Sarah no 2) não fazem grande coisa, mas convenhamos: os homens também não. A mulher do John pelo menos é médica. E a que vira namorada do robozão se arrisca pra salvá-lo. Mas eu tb fiquei de cara com “a velha de cabelo branco”. Como que uma atriz do nível da Jane Alexander aceita fazer um papelzinho desses? Pode ser que nos próximos filmes ela tenha alguma importância, imagino. E a Star também, né? Deve existir algum motivo pra incluírem essas duas personagens tão desperdiçadas.
E eu lembro do “OHHHH” coletivo no cinema quando a Linda Hamilton musculosa apareceu em T2...

Vitor Ferreira disse...

Eu nem vejo esse tipo de filme. Morro de sono. Os antigos clássicos eu vejo. Mas os atuais, apesar dos efeitos especiais melhores, normalmente são umas cópias mal feitas.

Gabriela Martins disse...

Bom vc falar sobre a namorada do robozão, porque achei totalmente sem sentido o beijo final q eles trocam. Tipo, parece q foi só pra constar, já que o romance dos dois não foi bem desenvolvido. Se fosse pra ter um beijo, acho que teria q ser depois de algum dos momentos de grande tensão (quando ele a salva ou após ela soltá-lo). Se bem que eu acharia melhor se não tivesse beijo nenhum, enfim...

Lendo mais críticas sobre o filme, descobri que ele foi bastante tesourado pra poder pegar a censura "13 anos em diante". Daí algumas partes estarem tão mal-alinhavadas.

Abraço.

Gabriel disse...

Lola, com toda a humildade possível, digo que faltou uma análise, digamos, mais tridimensional da história (pra tonar simples, faltou vc analisar uns lados que envolvem inclusive o processo histórico em geral). Por exemplo, vc acha estranho JC não ser o lider supremo só pq nos outros filmes ele era mais beatificado (mas no 3 vemos que a esposa assume quando ele morre). Veja, o que é dito nos outros filmes é de acordo com o que os personagens pensavam do futuro (inclusive Kyle, que vai começar a idolatrar JC muito mais a partir de agora, já que ele ainda estava sendo iniciado na Resistência).

Mas voltando ao ponto, pq é perfeitamente normal que JC não seja o lider supremo? Isso se deve ao fato que ainda haviam várias pessoas que dominavam a humanidade e que se achavam no direito de determinar como as coisas deveriam ser (pense bem, mesmo sabendo do futuro, JC não se torna o messias do dia para a noite, ainda havia muita gente poderosa para ser derrubada, é a velha classe dominante que os livros de história contam, aquela que continua rica e poderosa mesmo que o regime de Estado mude). Ou seja, o fato do final de T4 (matar a cúpula da Resistência) é a transição perfeita para que JC se torne o lider que você viu pintado nos 2 primeiros filmes, pois seus rivais morreram e ele ainda pôde fazer essa profecia no rádio, quem foi com ele viveu, que foi com a cúpula morreu. Há também uma reflexão sobre o personagem andróide/Humano que deve ser feita, mas vai ser grande como essa, portanto farei em outro post.

Gabriel disse...

Continando. Sobre o personagem Andróide/Humano.

Se você entendeu o que quis dizer no último post, T3 e T4 são momentos de transição para que o futuro previsto em T1 e T2 se concretize.

Pois bem, sendo um momento de transição (isso é bem demonstrado no comentário da Mica, quanto ao fato dos T-800 serem é avançados para aquela época, aquele Scharzenneger devia ser um protótipo ainda, inclusive), as máquinas ainda não conseguiam compreender e copiar bem o padrão de comportamento humano.

Aí entra o personagem Andróde/Humano. Como é dito lá, ele é o auge das experiências para fazer uma cópia humana capaz de enganar até os próprios humanos, veja que se a intenção fosse apenas infiltrar e achar JC, ele seria descartado logo após atrair JC para a base. Mas ele também continha informações vitais sobre o comportamento humano, de forma que foi "programado" para voltar e assim fornecer essas informações (que com certeza vão servir para aperfeiçoar a inteligência artificial da Skynet).

Mas o lado humano do personagem se manifestou (senso crítico ao ver o lado bom da humanidade, quando, por exemplo, Star dá um band aid pra ele) e acabou fazendo o plano fracassar parcialmente (pois, paradoxalmente, JC e Kyle sobreviveram graças a ele).

Perceba, as partes que você estranhou são justamente os processos transitórios para consolidar o futuro descrito em T1 e T2. Por isso, T4 foi bastante exitoso (e acabou melhorando a história de T3).

Agora, toda a expectativa que tínhamos em T3 voltaremos a ter em T5.

Paula Adriana disse...

Terminator 4 é só mais um BlockBuster de ínicio de verão americano, mas, Sam Worthington carrega o filme nas costas, além de ser lindo e talentoso.

Orpit disse...

Gostei bastante de sua crítica. Fiz uma em meu blog, concordo com suas colocações.
Minha crítica é sobre uma parte mais técnica do filme.

www.cinemaescrito.com.br

Vitor Icewall disse...

Sugiro assistir o 1 e o 2 novamente, para depois dizer que o T4 nao faz sentido!

Nada contra a elaboração da review e sua opiniao, mas o T4 é um filme exelente que busca CADA detalhe dos primeiros Terminator!

De uma olhada na mulher mais velha, nos humanos q aparecem durante 1 segundo no filme em uma sala na skynet (provavelmente humanos por tras), pega toda a história de Reese e tudo mais...

Sobre não matar o Reese, creio eu, q o Connor nao deixaria de viver até 2029 (ano q reese foi enviado para o passado)! Se nao houve a necessidade de Kyle Reese ir pro passado ainda, o Connor iria continuar vivendo até lá...

Pra skynet, é melhor atrair o Connor com o pai, do q lhe dar mais 15 anos de vida!

:D

Adorei o filme!

FONSECA VIDEO disse...

num entendi , como pai do jc esta mas novo que ele no filme ???