Meu nome é C., tenho 18 anos e comecei a acompanhar o blog recentemente. E sendo sincera, só tenho a agradecer! O blog me ajudou a ver muitas coisas e refletir acerca de muitos assuntos e me fez entender melhor o feminismo. Aliás, me fez descobrir que eu sou feminista. Lendo alguns posts eu me dei conta de que sou feminista desde os meus nove ou dez anos e nunca tinha me dado conta disso.
Meu desabafo: consigo contar nos dedos quantas pessoas não fazem careta quando digo que não gosto do meu pai, ou quando assino meu nome usando só o sobrenome da minha mãe. É fácil contar nos dedos por que na verdade não é preciso nem contar, já que todos fazem careta para isso. A maioria acha que é brincadeira e dá um sorriso amarelo e aqueles que realmente levam a sério acham que eu sou louca ou ingrata.
A verdade é que o meu próprio pai acha isso. Meu pai. O homem mais machista, preconceituoso e grosseiro que já conheci.
Ele sabe perfeitamente como segurar um garfo e o jeito certo de servir vinho, mas jamais usa as palavras ''por favor'' e ''desculpe''. Ele não sabe pedir, só mandar. Também não tem humildade suficiente para se desculpar com os outros.
Meus pais se separaram quando eu era muito nova e até hoje eu me sinto imensamente grata por isso, outro motivo pelo qual as pessoas me olham torto, já que para alguns, divórcio é errado e uma família só funciona perfeitamente com a figura de um pai e uma mãe.
Outro motivo pelo qual eu me sinto extremamente agradecida é por ter sido criada pela minha mãe e por ter morado com ela minha vida toda. Apesar disso, quando eu era criança meu pai me visitava com alguma frequência e pelo pouco que eu lembro, nossa relação era boa.
O problema foi eu ter crescido. Meu pai sempre foi intolerante, do tipo que não gosta de ser contestado. Para ele, sua opinião é a única certa e tudo tem que ser feito do seu jeito. E eu sempre fui de contestar, nunca abaixei a cabeça para o que ele dizia.
Algumas discussões ele provoca de propósito e sempre na frente de outras pessoas. Ele sente prazer em me atacar, em me provocar, em me diminuir, e faz questão de mostrar que é ele quem sempre dá a palavra final, claro. Se eu entro na briga, ele fica furioso, se eu ignoro, ele também se irrita. E se eu digo ''ok, ok, já chega, não vamos brigar'' ele fica ainda mais irritado e normalmente grita (ele pode gritar, sempre, mas não tolera que gritem com ele), que ''quem diz quando já chega é ele''.
Meu pai (tenho nojo de chamar ele assim, chamo-o pelo nome, sempre) parece se vangloriar de mostrar para todos como ele é grosseiro e rude com a própria filha e faz questão de me humilhar em público sempre que pode ou sempre que tem a sua autoridade questionada.
No começo desse ano eu comecei a trabalhar na mesma empresa que ele e em um certo dia, estávamos terminando de almoçar no refeitório, junto com mais outras três pessoas e ele começou com seus comentários irônicos e sarcásticos querendo me provocar.
Eu logo de cara cortei o assunto dando uma resposta atravessada, que ele obviamente não gostou e rebateu dizendo que eu ''andava com saudades do peso da mão dele'' (coisa que ele adora dizer, sendo que eu não me lembro de ele ter me batido uma vez sequer, apesar das ameaças frequentes).
Eu logo de cara cortei o assunto dando uma resposta atravessada, que ele obviamente não gostou e rebateu dizendo que eu ''andava com saudades do peso da mão dele'' (coisa que ele adora dizer, sendo que eu não me lembro de ele ter me batido uma vez sequer, apesar das ameaças frequentes).
Além de ser o homem mais machista que conheço, ele é tão ignorante sobre o mundo ao redor que acha bonito se vangloriar disso. Um dia uma colega de trabalho contou sobre uma discussão que ela teve com o marido. Meu pai, depois de ouvir o relato, disse que se uma mulher dissesse para ele o que ela disse ao marido ele ''metia a mão na cara sem dó nem piedade''.
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| Desculpe, ter orgulho da sua estupidez não é uma virtude |
Meu pai diz que não é racista e diz abominar o racismo, mas um dia me disse no refeitório da empresa, na frente de duas pessoas negras, que eu havia feito um ''servicinho de negão''. Também zombou da religião de um dos colegas de trabalho na frente dele.
Meu pai tem uma visão distorcida da realidade. Na visão dele, ele é o ser perfeito, tudo tem que ser do jeito que ele quer, ele é mais inteligente do que todos, a opinião dele é a única que importa, todos devem fazer o que ele manda, ele pode cagar na cabeça de todos e o mundo gira ao redor do umbigo dele.
Meu pai me chamou de vagabunda, vadia, me humilhou, fez o possível para me diminuir na frente dos outros e para me sentir mal. Meu pai me ensinou o significado de ódio. E o que mais me incomoda é que mesmo que eu siga em frente, nunca vou esquecer isso, ainda vou carregar o sobrenome do filho da p*ta e ainda vou me lembrar de cada uma das coisas terríveis que ele me fez passar. E o pior de tudo, é que ele não vai mudar e nem se arrepender disso, porque na visão dele ele sempre fez tudo certo e como gosta de dizer ''ele vai dormir todo dia de consciência limpa...''.
Meus comentários: Querida C., infelizmente, só porque alguém é da família não quer dizer que é uma pessoa boa. Às vezes, por causa da proximidade, somos capazes de influenciar essa pessoa. Muitas vezes, não. Creio que quase todo mundo tem algum parente preconceituoso.
Eu admiro muito e até certo ponto invejo (uma inveja do bem) quem tem uma família unida e quem se dá bem com todos. Não é exatamente a minha realidade. O que eu posso fazer, como adulta, independente e autônoma, é me afastar de familiares que não me fazem falta.
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| Eu e meu amado pai |
Pra ser franca, conheço mais feministas que adoram seus pais que feministas que odeiam seus pais. Mas há de tudo, lógico. Só o relacionamento com o pai ou a mãe não é determinante para fazer alguém ser ou não feminista.
Mas certamente a visão de esquerda e pró-igualdade do meu amado pai teve muita influência por eu ser como sou.




























































