terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

GUEST POST: "MEU PAI É O HOMEM MAIS MACHISTA QUE CONHEÇO"

Recebi este email da C.:

Meu nome é C., tenho 18 anos e comecei a acompanhar o blog recentemente. E sendo sincera, só tenho a agradecer! O blog me ajudou a ver muitas coisas e refletir acerca de muitos assuntos e me fez entender melhor o feminismo. Aliás, me fez descobrir que eu sou feminista. Lendo alguns posts eu me dei conta de que sou feminista desde os meus nove ou dez anos e nunca tinha me dado conta disso.
Meu desabafo: consigo contar nos dedos quantas pessoas não fazem careta quando digo que não gosto do meu pai, ou quando assino meu nome usando só o sobrenome da minha mãe. É fácil contar nos dedos por que na verdade não é preciso nem contar, já que todos fazem careta para isso. A maioria acha que é brincadeira e dá um sorriso amarelo e aqueles que realmente levam a sério acham que eu sou louca ou ingrata.
A verdade é que o meu próprio pai acha isso. Meu pai. O homem mais machista, preconceituoso e grosseiro que já conheci.
Ele sabe perfeitamente como segurar um garfo e o jeito certo de servir vinho, mas jamais usa as palavras ''por favor'' e ''desculpe''. Ele não sabe pedir, só mandar. Também não tem humildade suficiente para se desculpar com os outros.
Meus pais se separaram quando eu era muito nova e até hoje eu me sinto imensamente grata por isso, outro motivo pelo qual as pessoas me olham torto, já que para alguns, divórcio é errado e uma família só funciona perfeitamente com a figura de um pai e uma mãe.
Outro motivo pelo qual eu me sinto extremamente agradecida é por ter sido criada pela minha mãe e por ter morado com ela minha vida toda. Apesar disso, quando eu era criança meu pai me visitava com alguma frequência e pelo pouco que eu lembro, nossa relação era boa.
O problema foi eu ter crescido. Meu pai sempre foi intolerante, do tipo que não gosta de ser contestado. Para ele, sua opinião é a única certa e tudo tem que ser feito do seu jeito. E eu sempre fui de contestar, nunca abaixei a cabeça para o que ele dizia.
Algumas discussões ele provoca de propósito e sempre na frente de outras pessoas. Ele sente prazer em me atacar, em me provocar, em me diminuir, e faz questão de mostrar que é ele quem sempre dá a palavra final, claro. Se eu entro na briga, ele fica furioso, se eu ignoro, ele também se irrita. E se eu digo ''ok, ok, já chega, não vamos brigar'' ele fica ainda mais irritado e normalmente grita (ele pode gritar, sempre, mas não tolera que gritem com ele), que ''quem diz quando já chega é ele''. 
Meu pai (tenho nojo de chamar ele assim, chamo-o pelo nome, sempre) parece se vangloriar de mostrar para todos como ele é grosseiro e rude com a própria filha e faz questão de me humilhar em público sempre que pode ou sempre que tem a sua autoridade questionada.
No começo desse ano eu comecei a trabalhar na mesma empresa que ele e em um certo dia, estávamos terminando de almoçar no refeitório, junto com mais outras três pessoas e ele começou com seus comentários irônicos e sarcásticos querendo me provocar. 
Eu logo de cara cortei o assunto dando uma resposta atravessada, que ele obviamente não gostou e rebateu dizendo que eu ''andava com saudades do peso da mão dele'' (coisa que ele adora dizer, sendo que eu não me lembro de ele ter me batido uma vez sequer, apesar das ameaças frequentes).
Além de ser o homem mais machista que conheço, ele é tão ignorante sobre o mundo ao redor que acha bonito se vangloriar disso. Um dia uma colega de trabalho contou sobre uma discussão que ela teve com o marido. Meu pai, depois de ouvir o relato, disse que se uma mulher dissesse para ele o que ela disse ao marido ele ''metia a mão na cara sem dó nem piedade''.
Desculpe, ter orgulho da sua
estupidez não é uma virtude
Mas ele não tem só orgulho do seu machismo, não sente só orgulho em dizer que ''mulher só atrapalha a vida dos homens''. Ele também se orgulha da sua homofobia e racismo. Enche a boca para chamar os homossexuais de ''anormais'' e fazer algum comentário maldoso.
Meu pai diz que não é racista e diz abominar o racismo, mas um dia me disse no refeitório da empresa, na frente de duas pessoas negras, que eu havia feito um ''servicinho de negão''. Também zombou da religião de um dos colegas de trabalho na frente dele.
Meu pai tem uma visão distorcida da realidade. Na visão dele, ele é o ser perfeito, tudo tem que ser do jeito que ele quer, ele é mais inteligente do que todos, a opinião dele é a única que importa, todos devem fazer o que ele manda, ele pode cagar na cabeça de todos e o mundo gira ao redor do umbigo dele.
Meu pai me chamou de vagabunda, vadia, me humilhou, fez o possível para me diminuir na frente dos outros e para me sentir mal. Meu pai me ensinou o significado de ódio. E o que mais me incomoda é que mesmo que eu siga em frente, nunca vou esquecer isso, ainda vou carregar o sobrenome do filho da p*ta e ainda vou me lembrar de cada uma das coisas terríveis que ele me fez passar. E o pior de tudo, é que ele não vai mudar e nem se arrepender disso, porque na visão dele ele sempre fez tudo certo e como gosta de dizer ''ele vai dormir todo dia de consciência limpa...''.

Meus comentários: Querida C., infelizmente, só porque alguém é da família não quer dizer que é uma pessoa boa. Às vezes, por causa da proximidade, somos capazes de influenciar essa pessoa. Muitas vezes, não. Creio que quase todo mundo tem algum parente preconceituoso. 
Eu admiro muito e até certo ponto invejo (uma inveja do bem) quem tem uma família unida e quem se dá bem com todos. Não é exatamente a minha realidade. O que eu posso fazer, como adulta, independente e autônoma, é me afastar de familiares que não me fazem falta. 
Eu e meu amado pai
Espero que quem ler o seu relato não venha com as teorias malucas de sempre, aquelas de "feminista odeia o pai". Eu sou feminista desde criança e sempre amei meu pai e tive um relacionamento maravilhoso com ele nos nossos 25 anos de convívio. E até hoje, quase 22 anos após sua morte, a saudade aperta. 
Pra ser franca, conheço mais feministas que adoram seus pais que feministas que odeiam seus pais. Mas há de tudo, lógico. Só o relacionamento com o pai ou a mãe não é determinante para fazer alguém ser ou não feminista.
Mas certamente a visão de esquerda e pró-igualdade do meu amado pai teve muita influência por eu ser como sou.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

ESQUEÇA O PADRÃO, VIVA A BELEZA

Segunda passada recebi um email muito simpático da jornalista Ana Carolina Pinto, que estava fazendo uma matéria para o site do jornal Extra. Ela queria um depoimento meu sobre um assunto que eu nem estava a par.
Era sobre Vanessa, uma adolescente de 14 anos, 1,61m de altura e 70 quilos, moradora da zona rural da pequena cidade gaúcha de Canguçu. Instigada pela mãe, Vanessa se inscreveu para participar da seletiva do Garota Verão. Ela desfilou diante de um público de 3 mil pessoas. Não venceu o concurso, mas foi muitíssimo aplaudida. 
Assim que me informei sobre o caso, respondi a Ana: 
"Vanessa é linda e foi corajosa em participar de um concurso que só reforça um único padrão de beleza. Mas não creio que deveria haver concursos de beleza para menores de idade. O problema nem é o concurso de beleza em si, e sim com a sociedade, que julga as mulheres somente pelo lado estético o tempo todo. 
Dilma na posse: comparada a um
botijão de gás
"Assim como julgam Vanessa, de apenas 14 anos, julgam Dilma, uma senhora de 67 anos que não foi eleita para ser miss, e sim para governar um país. Então fica a lição de que, se você é mulher, não há data de validade para que seu corpo pare de ser avaliado. Começa quando você nasce e acaba só quando você morre. 
"A mensagem de Vanessa parece ser 'levante a cabeça e seja feliz, independente da sua forma física', e eu concordo totalmente com essa mensagem. O chato é que seja preciso uma adolescente desfilar de biquíni num concurso de beleza para passar essa mensagem. Se essa mensagem fosse óbvia para todo mundo, talvez concursos de beleza nem existissem."
Além da minha opinião, o jornal publicou também as excelentes palavras de Daniela Lima, coordenadora do coletivo feminista Jandira:
"Ainda hoje, nós acabamos achando que se empoderar é ser reconhecida num espaço que serve ao desejo do homem. Num primeiro momento, acho muito importante que as mulheres reais se vejam representadas por uma mulher real, já que isso é empoderador. 
Garota Verão 2014
"Mas não podemos separar essa representação de seu contexto: um concurso de beleza. Então, existe uma subversão muito importante para todas nós do padrão de beleza. Mas essa subversão ainda é feita através de uma estrutura de dominação. Talvez seja o momento de questionar a própria estrutura, que permite a objetificação da mulher e o julgamento do seu corpo em espaço público. Vanessa deu um passo muito importante, agora precisamos continuar caminhando".
Concordo totalmente com Daniela. E o Secretário de Cultura de Canguçu lançou uma nota bacana na página da Prefeitura no FB, onde a foto de Vanessa recebeu onze mil curtidas:
"Devido à repercussão desta postagem e aos questionamentos que recebemos optamos por esclarecer alguns pontos. A candidata Vanessa Braga participou de um desfile realizado em Canguçu (RS) no dia 18 de janeiro. Vanessa não foi a vencedora oficial, mas seu exemplo serviu de inspiração para milhares de pessoas que curtiram, enviaram mensagens de apoio à candidata e se sentiram, de alguma forma, representadas. 
"Apoiamos a diversidade de pensamento, o questionamento aos padrões estéticos tradicionais e a ruptura de conceitos machistas e conservadores. Da mesma forma, repudiamos toda e qualquer manifestação de ódio ou preconceito externada nesta publicação. Canguçu, um município para todos e todas.”
Creio que podemos dizer que a atitude de Vanessa fez um evento medíocre e desnecessário ter um pouco mais de importância. 
Um dia antes, no domingo, aconteceu o concurso de Miss Universo. Eu nem teria ficado sabendo se ele não tivesse entrado nos Trending Topics do Twitter. Não falei nada do concurso. Me limitei a dar RT nesses dois tuítes que achei engraçadinhos:
Porque, mesmo que
algumas mulheres
não mereçam ser
estupradas, é o que
todas querem
Mas, óbvio, isso não impediu que o lixo da internet (rapazes que parecem não ter saído da quarta série e que têm como missão na vida fazer stand-up bullying contra feministas e demais ativistas sociais) usasse imagens minhas para tratar do concurso. Este tuíte foi apenas um entre vários que chegaram até mim.
Alguma dúvida que essa gente que ataca feministas (que lutam contra a opressão das mulheres) é a mesma que acha que mulher só serve pra ser decorativa, e que qualquer mulher fora do padrão de beleza não deveria sequer existir? Alguma dúvida que essa galera zoa também Vanessa e qualquer menina que desafie a ditadura do padrão único?
Ao mesmo tempo em que esses rapazes (atenção: não adolescentes, e sim adultos que ficaram presos no primário) tiram sarro da menina gordinha que ousa entrar num concurso que não foi feito pra ela, eles também riem dos concursos em si. Todas as participantes, segundo eles, são burras como uma porta. Todas são interesseiras que só querem sair na Playboy ou descolar um marido rico, enfim, tirar algum proveito da sua beleza (dãã, elas estão num concurso de miss, que mede centímetros da cintura e dos seios, não QI).
Não é incrível? Machistas não criticam instituições, não criticam a Playboy ou toda uma indústria de entretenimento para adultos que os atende. Eles criticam as mulheres que participam dessas instituições. São elas as putas, as vadias, as que vão envelhecer logo e não terão mais nada a oferecer, as que querem sugar seu dinheiro. 
Feministas são o contrário: criticamos o sistema. 
Mulheres fazem protesto na Urca
contra gordofobia
Feminista não critica participante de concurso de beleza. Feminista critica o concurso, os padrões impostos por esses concursos, a influência que esses concursos têm sobre meninas jovens, a imposição de um padrão único de beleza, a ideia de que mulheres devem ser avaliadas por sua aparência, e ainda por cima competir entre si para o deleite do patriarcado. Quem critica participante de concurso de beleza são os machistas.
Mas quer misoginia mais confortável do que essa? Olha que lindo: o machistóide ataca as mulheres que estão fora do padrão e por isso não têm como participar de um concurso de beleza (não querer parece não ser uma opção), e ataca as mulheres que participam, porque ser bela, pra eles, equivale a ser ignorante, fútil e interesseira. Só aí o cara já atacou todas as mulheres do mundo. De lambuja, ainda ataca as feministas, que são nada mais nada menos que defensoras de mulheres. Além disso, faz questão de comparar feministas com participantes de concursos, para reforçar o falso estereótipo de 160 anos de que feministas são feias e peludas. 
Tem mais: o machista pode relaxar e atacar e avaliar todas as mulheres sem ele mesmo ser avaliado. Ou seu rosto está escondido por trás de um avatar, ou ele sabe que aparência física só é realmente importante para mulheres. Sim, óbvio, a beleza convencional ajuda a todos, inclusive aos homens, e sim, óbvio, homens fora do padrão também são xingados de feios horrorosos (é só ver que, na mesma semana, Edu Testosterona exigiu nudes de ruivas e foi parar nos TT do Twitter, com muita gente condenando sua aparência; um clássico "feitiço contra o feiticeiro", pois a carreira inteira de Edu consiste em xingar mulheres fora do padrão).
Porém, não dá pra embarcar na lenga-lenga que isso é igual pra homens e mulheres, porque evidentemente não é. Pra homens, não existem termos como barangos, mocreios e dragões. Homens são julgados pelo que fazem e pelo que têm, não pelo que são. Um homem pode se destacar de diversas formas, enquanto uma mulher, independente do quanto ela se destaque, sempre será avaliada por sua aparência.
Quer um exemplo? Na quinta saiu o obituário num jornal falando de uma das escritoras mais populares da história da Austrália, Colleen McCullough. Além de publicar bestsellers, McCullough também foi neurocientista. Seu obituário, que descreve sua vida, começa com: "McCullough, autora que mais vendia livros na Austrália, era um charme. Sem atrativos físicos, e certamente acima do peso, ela era, de qualquer jeito, uma mulher calorosa e irônica. Numa entrevista, ela disse: 'Nunca me preocupei com roupas e o interessante é que nunca tive problemas em atrair homens'."
Você consegue imaginar um obituário assim para descrever algum homem? Não, e não é porque escritores fora do padrão de beleza estejam em falta. É apenas que isso não é considerado importante para um homem. Ele será avaliado pelo seu talento. Já McCullough, que nunca foi candidata a miss, não teve escolha. Como era mulher, as matérias sobre ela tinham que falar sobre sua aparência. 
Recebo com certa frequência emails de meninas jovens, de doze, treze anos, que estão desesperadas. Uma era insultada por desconhecidos na rua. Outra foi escolhida numa eleição informal a menina mais feia da escola. Só repetindo: essas meninas têm 12 e 13 anos. E se tivessem 14, 18, 30, 45 ou 80 também não seria aceitável. Mas com 30, 45 e 80 já nos gostamos mais, nos aceitamos, e temos força para dizer um belo de um "Vai se danar, seu babaca" pra quem insiste em julgar sua aparência. Com 12 ou 13 é bem diferente. Queremos pertencer. Ainda estamos tentando entender como o mundo funciona. E não compreendemos a misoginia. Levamos pelo lado pessoal, sem saber que você está sendo avaliada por ser mulher, não por ser você.
Mas eu digo pra essas meninas: não aceitem ser colocadas nessa passarela. Não aceitem ser julgadas. Vocês não estão num concurso de miss. O mundo não é um concurso vitalício de miss a céu aberto, como a sociedade quer fazer você acreditar. Se alguém te julga, dê de ombros. Aquela opinião simplesmente não deveria ser relevante pra você. Tipo, quem morreu e o nomeou deus? Dane-se o que ele pensa. Só quem tem que gostar de você é você mesma. E você tem todo o direito de gostar dos seus seios, da sua barriga, das suas coxas, do seu nariz, por mais que estejam fora do padrão. 
E se você não gostar, paciência. Arranje outras qualidades em você pra gostar. Goste-se por ser divertida, por ser inteligente, por ser boa atleta, por ser uma excelente amiga. E não acredite nunca quando te disserem que você morrerá sozinha. Volte ao obituário da McCullough (pra alguma coisa ele tem que servir) e leia a parte em que ela afirma que, embora não fosse bonita, nunca lhe faltou homem. Porque tem um montão de gente que não se deixa guiar pela ditadura da beleza. Tem um montão de gente que vai se apaixonar por outras qualidades suas. E mesmo aqueles que gastam tanto tempo e energia te chamando de dragão devem sentir um tesão muito enrustido por você, ou eles gastariam seu tempo e energia em coisas mais úteis que insistir que não te desejam.
E sabe o que mais aconteceu na semana passada? A fantástica atriz Viola Davis ganhou o prêmio do sindicato dos atores para melhor atriz numa série dramática, por seu trabalho em How to Get Away with Murder (eu vi quatro episódios e achei tudo, menos a atuação de Viola, bem fraquinho). Ela foi a terceira atriz não branca a ganhar este prêmio. E ela fez um belo discurso de agradecimento. Agradeceu por aceitarem que uma personagem "sexualizada, misteriosa, problemática, pudesse ser uma mulher afro-americana de pele escura e de 49 anos que se parecesse comigo". 
No final, ela agradeceu a todas as pessoas que a amam exatamente como deus a fez, e especificou que essas pessoas eram seu marido, sua filha de 4 anos, e sua mãe. Podia ter me colocado na sua listinha também, Viola. Mas, sinceramente, precisa mais? 
Pra mim, já basta ser amada pelas pessoas que me amam. E por mim mesma. 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

POR QUE USAR O TERMO MACHISMO E NÃO SEXISMO?

Na caixa de comentários de um post sobre um mascu maluquete, surgiu uma discussão interessante, que gostaria de trazer pra cá. 

"Estou aprendendo sobre feminismo. Eu tenho uma pergunta. Por favor, levem a sério, pois não é trollagem. A pergunta é: por que usar o termo machismo? As feministas estrangeiras usam o termo sexism ou sexist (sexismo/sexista). Ao conversar com uma amiga minha sobre isso, ela disse que o termo machista em si é sexista, pois denota uma característica negativa inerente ao homem/comportamento masculino e que usar esse termo é como dizer que comportamentos sexistas são inerentes aos homens. O termo sexista denota que qualquer um, homem ou mulher, pode ter comportamentos inadequados quanto ao gênero de outra pessoa. 
Ela também explicou que este termo cria uma certa igualdade ao tratar de assuntos de gêneros e junto a essa explicação me deu um breve briefing de como/por que o feminismo busca a igualdade também para os homens. Então a pergunta final é: por que não usar o termo sexismo ao invés de machismo aqui também, visto que muitas das reivindicações e correntes do feminismo brasileiro são idênticas às correntes do feminismo 'gringo'? Isso criaria mais igualdade na tratativa de gêneros e não daria aos anti-feministas um motivo para dizerem que 'feministas odeiam homens'. Estou aqui apenas para aprender." (Anônimo)

"Entendo o seu ponto, e vejo bastante feminista brasileira preferir o termo sexismo a machismo. Eu pessoalmente prefiro o termo machismo. Inclusive, ele é usado nos EUA também, só que geralmente relacionado a um sexismo mais específico, latino, por exemplo. E já vi muita gente em fóruns em inglês não entender o que é sexism ou sexist. Eles confundem com "sexy". Sério! Ok, claro que são pessoas ignorantes, mas ainda assim... 
"Sexismo é uma doença social", diz
cartaz de militante americana
Discordo de que machismo só se aplica a homens. Mulheres também podem ser -- e muitas são -- machistas, assim como homens podem ser -- e muitos são -- feministas. O termo machismo pode ter se originado no comportamento masculino, mas hoje ele significa algo maior e mais complexo que não é inerente ao homem. Às vezes eu uso o termo sexismo aqui, mas acho um pouco estranho, não estou acostumada com ele. O que vocês acham, pessoas queridas?" (Lola)

"Nossa, achei muito interessante essa discussão sobre os termos machismo e sexismo. Bastante relevante o ponto que anônimo levantou. Nunca havia pensado por este lado e não conhecia muito bem essa discussão. Eu achei pertinentes, Lola. Se for só uma questão de costume, acho que vale a pena tentar se acostumar ao sexismo, até porque se tem gente que confunde hoje com "sexy", tem gente que acha bonito falar que é machista." (Anônima)

Neste cartaz não poderíamos
trocar machismo por sexismo
"Sobre machismo x sexismo. Machismo seria algo que impõe a opressão/submissão/desqualificação feminina. Sexismo é diferenciar por gênero, colocar as pessoas em caixinhas e querer moldá-las de acordo com o gênero. 
As duas formas de opressão acontecem aqui, mas o termo machismo já é de uso comum. Não temos que nos adequar a conveniência de quem se incomoda com o feminismo. E não temos que copiar as gringas em tudo também." (Julia)

Machista de direita e de esquerda
"A nossa língua portuguesa, apesar de dividir tudo em gêneros com suas flexões, é absolutamente machista. Que mal tem de deixar machismo como sinônimo de preconceito e ignorância? A maioria dos homens o são mesmo (às vezes, os feministos são os piores, só que enrustidos).
Deixa, como demarcação mesmo, daqui a pouco vai ter gente querendo 'resignificar' a palavra machismo (não sei como os mascus ainda não adotaram essa estratégia).
Temos que considerar a questão do costume também. Tem gente que nem sabe o que é machismo ou misoginia direito, sexismo então..." (Death)

Este cartaz seria machista,
sexista, ou ambos?
"Adorei a opinião da Julia sobre sexismo e machismo! E sim, odiaria uma resignificação da palavra machismo, melhor deixar como está. Só esticando um pouco o que o anônimo falou, eu já vi algumas feministas dizendo que mulher não pode ser machista, que por sermos vítimas do patriarcado, é impossível dizer que mulher é machista, é errado, justamente por ser uma característica própria dos homens. Discordo muiiiiiito, mas fica aí o pensamento." (Julianatsume)

"Também prefiro a permanência da palavra machismo pra denotar o sistema de opressão patriarcal. Entretanto, talvez sexismo seja bom, dentre outros motivos, pra acabar com a constante associação que se tem de que o feminismo é o contrário do machismo." (Anônima)

Não posso ser a mulher da sua vida
porque já sou a mulher da minha
"Sobre a utilização de sexismo ao invés de machismo: eu sempre preferi machismo pois entendo que sexismo estabelece uma falsa simetria, como se fosse possível as mulheres também oprimirem os homens só pelo fato deles serem homens. No meu entendimento, sexismo implica existência da opressão pelos dois gêneros, o que, sabemos, não acontece em nossa sociedade." (Ana A)

"Machismo não existe em inglês simplesmente por que deriva de macho, uma palavra latina e estranha àquele idioma. E não tem nada a ver ficar moldando termos nossos pra se adequar à realidade de uma outra cultura." (Kittsu)

Diferenças de capas de pessoas
do ano: homens vestidos,
mulher nua
"Sexismo parece ser algo mais amplo que machismo. É a divisão por gênero. Se a pessoa nasceu com um gênero X, será criada de um jeito, mas se nasceu com um gênero Y, será criada de outra forma. A priori não tem nada a ver com opressão de um gênero sobre o outro e sim com separação, divisão. 
Porém, como nossa sociedade é patriarcal, se estabeleceu que quem nasce sob o gênero dito masculino pode oprimir quem nasceu sob o feminino, e aí a isso chamamos de machismo." (Anônimo)

"Existe o termo sexismo e ele também é usado, principalmente no meio acadêmico ou em comunicações formais. Entretanto, o grosso da população mal sabe o que é machismo. Feminismo, acham que é uma coisa totalmente diferente do que é. E sexismo nunca viram, nem comeram, nem ouviram falar." (Panthro)

"Em meu trabalho eu uso o termo machismo definido como um determinado modelo de masculinidade latina, sendo que sexismo e misoginia são algumas de suas características.
Quanto a sexismo, eu uso a definição do Allan Johnson: preconceito de sexo." (Patty Kirsche)

"Eu te amo" não é igual a
"eu teu amo". Adorei!
"A Patty falou de uma coisa interessante, que diferenciaria o machismo do simples sexismo: a misoginia. Eu sei que outras meninas tinham falado a mesma coisa, mas ela colocou mais na forma de equação pro robô aqui entender. Machismo = sexismo + misoginia. Você pode ter sexismo sem misoginia e misoginia sem sexismo, mas quando rola o c-c-c-combo, aí é machismo. Vale a pena manter a diferenciação." (Panthro)

Exemplo de machismo:
buscas no Google
"Eu sou o anônimo que iniciou o debate sobre machismo e sexismo. Entendi alguns pontos e inclusive o sentido de usar a palavra machista, mas continuo concordando com a minha amiga de que machismo é um termo que denota uma característica negativa masculina. Eu entendo que mulheres também podem ser machistas, mas é exatamente o que alguém falou, o termo parte do radical macho, e é nesse ponto que vejo como sendo algo ruim atribuído a todo um gênero (mesmo que essas atitudes ruins possam ser praticadas por outro gênero). 
Alguém também disse que não existe opressão feminina sobre o gênero masculino, eu discordo totalmente. Existe sim, só que é algo que não fica em evidência e também é algo mais raro de ocorrer, mas criar essa falsa divisão entre 'homem mau' e 'mulher frágil' na minha visão mais atrapalha do que ajuda o movimento.
Quanto a resignificar o termo machismo não foi a minha intenção ao levantar esse debate, acho que mesmo que o termo sexismo fosse mais usado, ainda sim o termo machismo não perderia seu significado." (Anônimo)