domingo, 4 de janeiro de 2015

RETROSPECTIVA 2014 E TUDO QUE QUERO EM 2015

Gente querida, com toda a confusão das ameaças no final do ano, nem deu pra fazer a retrospectiva pessoal de 2014. Fazer retrospectiva do ano passado já no ano novo tem um ar de atraso, né? Mas é bom pra eu me lembrar. 
Não vou falar muito do bloguinho porque costumo escrever sobre isso no aniversário do Escreva Lola Escreva, no final de janeiro. No fim do mês ele completa sete anos de vida, e aí eu dou uma recapitulada de tudo que aconteceu.
Vi um monte de gente implorando pra 2014 acabar logo, sugerindo que foi um ano péssimo. Mas pra mim não foi não. Todos os anos são bons. A vida é bela. 
Por mais rotineira e exaustiva que minha vidinha possa me parecer às vezes, eu a amo. É tudo que tenho e, se dependesse de mim, gostaria de viver mais mil anos exatamente como estou agora. Só queria que o mundo mudasse, se tornasse mais tolerante, menos preconceituoso.
Minha saúde não está grande coisa. Explico: não é que eu sinta qualquer tipo de dor ou cansaço, é só que, fazendo todos aqueles exames de rotina, eu noto que a idade vai chegando. Até os 45, por aí, tudo estava bem. Agora, pela primeira vez, a glicemia está acima do normal (122, enquanto deveria estar abaixo de 99). Continuo com esteatose (gordura no fígado), diagnosticada há quase três anos. A partir de agosto, comecei a tomar suco de frutas e verduras todas as manhãs, e diminuí muito o chocolate (até cheguei a parar totalmente com o vício durante um mês). Estou me sentindo melhor por causa do suco. Mas não cheguei a fazer exercícios físicos, como deveria ter feito. 
Eu espero que, no meu próximo exame de sangue (o último foi em junho), meus indicadores já estejam melhores. Sei que muitxs de vocês disseram que eu devo procurar uma nutricionista, e até concordo. Mas minha última consulta com uma nutricionista, em 2013, foi traumática. A mulher nem olhou pra minha cara e já foi me passando uma dieta, sem nem se preocupar com o que eu como ou deixo de comer. Eu interrompi, disse pra ela que não iria comer aquilo (banana e peixe, por exemplo, são coisas que eu detesto), que aquilo nunca daria certo pra mim, e ela não quis nem saber.
Eu tenho plano de saúde da Unimed, e se tem duas especialidades médicas que os planos de saúde praticamente não cobrem são nutricionista e endócrino. Isso porque esses são os "médicos de dieta", tão procurados que não compensa pra eles atenderem via convênio. E eu acho um absurdo pagar uma nota em plano de saúde (R$ 800 entre o maridão e eu, sendo que a faculdade colabora com menos de 200) e ainda ter que desembolsar 200 ou 300 reais para uma consulta particular. 
Só pra ter uma ideia, pra conseguir marcar com uma nutricionista pelo plano de saúde em 2013, as pacientes tinham que passar por uma triagem. Precisavam ir à sede da Unimed, serem entrevistadas por uma enfermeira, para só daí marcar uma consulta semanas depois. A primeira consulta foi com uma nutricionista bacana, mas a segunda (e última) foi com a médica totalmente impessoal. 
Acho que minha alimentação está entrando nos trinques por causa do suco verde. Antes eu não tomava nada de café da manhã, e hoje minha primeira refeição é este suco feito com couve, limão, maçã, gengibre e mamão, e às vezes cenoura, maracujá, abacaxi, espinafre, hortelã, e acelga. Sem açúcar nem adoçantes, sem coar, com um litro e meio d'água. Eu e o maridão tomamos o suco (dá uma jarra cheia no liquidificador), ele mais do que eu. Muitas vezes eu substituo a refeição da noite por um copo de suco. 
E estou gostando tanto que até levamos o liquidificador e alguns ingredientes pras nossas férias em dezembro, para que o suco não parasse. Portanto, há mais de quatro meses que faço e tomo suco todo dia. Isso tem que estar me fazendo muito bem, ou senão não há justiça: eu substituo um monte de chocolate por frutas e verduras, e não há diferença? Acho que vai dar. Vamos ver o próximo exame.
Um problema talvez mais sério e que preciso resolver logo é que estou com ovários gigantes, principalmente o direito. Minha ginecologista (eu gosto dela, embora prefira a gastro, que nunca me dá bronca) é a favor de tirar tudo, útero e ovários. Eu concordo, porque nunca usei nem usarei esses órgãos mesmo, e não terei a menor crise de me "sentir menos mulher" por removê-los, já que nunca quis ser mãe (sei que muitas mulheres têm essa crise, e respeito). 
Porém, numa pesquisada rápida na internet, constatei que tirar esses órgãos (principalmente sem haver um motivo certeiro pra isso) pode encurtar a expectativa de vida de uma mulher em vários anos. Claro, ainda precisarei pesquisar mais e conversar com ginecologistas e cirurgiões pra decidir o que fazer. Alguma de vocês já passou por isso? Meus ovários aumentaram muito de tamanho nos últimos tempos e, apesar dos exames, a gineco não sabe bem o que é, se são cistos ou o quê. E eu nem saberia que meus ovários estão enormes se não fossem os testes, porque isso não interfere na minha vida. 
Mãe, gata Isabel, maridón
Ah, outra coisa: meus dentes não estão bem. Comecei um tratamento em novembro. 
Eu preciso "consertar" tudo isso. Já que não vou viver mil anos, queria ao menos chegar aos 80. E chegar tão bem quanto minha mãe está chegando (em maio ela se torna octogenária, com ótima saúde. Eu, pelo jeito, puxei meu pai. Na questão dos dentes, certamente puxei meu pai, grrrr!). 
Além da questão da saúde: em 2014 eu queria ter publicado outro livro, mas não deu tempo nem de escrevê-lo. Vamos ver se dá este ano. Não será fácil, já que, neste primeiro semestre, pegarei quatro disciplinas, fora a disciplina de Estudos de Gênero em Literatura e Cinema (aberta a todxs vocês aqui do Ceará: começa em março, terças, no horário do almoço, na UFC, grátis; quem quiser se inscrever, envie um email pra mim: lolaescreva@gmail.com). 
Consegui publicar alguns artigos acadêmicos, mas tenho que publicar mais, publish or perish. A UFC (e não sei se outras universidades federais também) está dificultando cada vez mais a progressão funcional dos docentes. Eu sou professora-adjunta 3 e creio que, com meu currículo, não terei grandes dificuldades para chegar a adjunto 4, em março de 2016. O problema será a progressão de adjunto para associado, em 2018. Falta bastante até lá, lógico, mas preciso me programar desde já. Eu queria muito fazer um pós-doutorado em gênero, talvez no exterior, ano que vem ou em 2017. Mas depende de conseguir licença, e estou num departamento com outros 45 professorxs que também têm seus projetos. 
Eu sabia que, em 2014, os convites para palestras iriam diminuir, por causa da Copa do Mundo e das eleições. E, de fato, diminuíram, mas nem tanto: em 2013 participei de 52 eventos, entre palestras, mesas-redondas, debates etc. Em 2014, foram 38 eventos, distribuídos entre onze cidades (Fortaleza, Florianópolis, Redenção, CE, Curitiba, Brasília, São Paulo, Londrina, Maringá, Araraquara, Bauru, Marabá, PA) e cinco estados. Também dei mais de 25 entrevistas para veículos de comunicação diversos. 
No ano que passou ganhei muito bem e guardei um montão, mas menos que em 2013. Os gastos foram maiores: fizemos uma reforma na casa (ainda precisamos fazer outra) e trocamos de carro. Na realidade, a troca foi no ano retrasado, mas como somos os piores vendedores do mundo, levamos meses pra vender nosso modelo 2007; assim, ficamos com dois carros durante os primeiros meses de 2014, e contabilizei a diferença do valor (oito mil reais; compramos um Uno 2012 com 7 mil km) este ano. 
Não posso reclamar nada da minha vida amorosa (eu e Silvinho caminhamos para um quarto de século juntos; bodas de sei-lá-o-quê em agosto) e nem financeira. Pra quem estava em dúvida (eu estava) se valia a pena se mudar de Joinville pra Fortaleza, agora em 2014 eu e maridão ganhamos o triplo que em 2009. 
Os primeiros planos são que a gente se aposente quando eu tiver 55 anos e ele, 65. Em 2022 ou 23, se der. Mas não sei, no fundo a gente gosta de trabalhar. 
Bom, vamos a mais um ano excelente! E vocês, pessoas queridas? Como foi seu 2014 e o que vocês exigem de 2015? Contem aí!

sábado, 3 de janeiro de 2015

GUEST POST: MEU DESPERTAR PARA A EMPATIA

O G. me enviou este texto:

Queria te contar um algo que aconteceu comigo num domingo recente. 
Sabe, eu sempre li seus relatos e guest posts, e desde muito tempo eles foram me moldando, abrindo meus olhos para o preconceito machista enraizado na sociedade. Muitas vezes tento ficar atento às opiniões dadas das pessoas ao redor, publicidade, comentários e piadinhas. Mas até então eram só palavras, nada de ações perceptíveis. 
Apesar de ler sempre o seu blog, não sei se sou frio demais, mas minha empatia não chegava à alma, simplesmente eu lia, me emocionava às vezes, me impressionava às vezes, mas tudo isso não estava perto de mim. Pareciam as notícias de um jornal. Somos frios e apáticos porque estamos acostumados a ler isso todo dia. Tá, até aqui parece que eu sou um babaca, mas calma, eu tive a minha experiência e é ela que quero te contar. 
Sabe, sou um rapaz cis, branco, homossexual, tenho namorado, amigos, tudo lindo e ótimo. Isso me garante (às vezes) um pouco de paz quando preciso sair sozinho para ir ao centro da cidade, ou voltar -- sou estudante universitário numa cidade grande. Mas como gay, meu principal temor é a homofobia das ruas. Morrer apanhando. Isso me faz ser muito ansioso quanto a minha segurança. Minha casa parece um presídio, com grades e grandes muros, mas mesmo assim já foi assaltada. Eu sou um completo medroso em questão de segurança.
Bom, mas a situação que aconteceu no domingo foi completamente diferente pra mim. Não foi homofobia. Eu tinha acabado de almoçar com meu namorado num restaurante, e estávamos voltando cada um para sua casa. Como moramos em bairros diferentes, cada qual pega um ônibus diferente, num ponto diferente. E por ser domingo, os ônibus são mais demorados. Bom, fui eu então ao ponto mais próximo esperar o ônibus, como já tantas vezes havia feito: ficar sozinho no ponto de ônibus, escutando música com os fones de ouvidos, aguardando o horário. 
Normalmente eu sempre faço algo para me distrair, já dancei no ponto de ônibus sozinho, já cantei embromation, e nesse dia eu fiquei observando os carros que paravam no semáforo da esquina, onde o ponto de ônibus é localizado. Sempre um casal, uma velhinha, uns caras, motos, ônibus. Sou tentado a observar pessoas também por que gosto de escrever, então fico imaginando o que cada pessoa pode estar fazendo ou pra onde está indo. 
Mas normalmente não encaro diretamente as pessoas que estão dentro dos carros. Observo sem ser observado. E quando elas se viram para me olhar, desvio o olhar. Só que numa dessas, um cara, dentro de um carro preto, óculos raiban, parou no semáforo, logo na minha frente, e ficou me encarando. Até aí, ok, nada de mais, porque eu também o observava. O semáforo abriu e ele dobrou a esquina. Mas algo me chamou a atenção e logo imaginei que esse tiozinho daria a volta no quarteirão e voltaria para me encarar. Me levantei e olhei a rua ao lado para ver se ele não tinha estacionado por ali, mas não -- graças a deus. 
E aí ele realmente voltou. Veio devagar para pegar o semáforo fechado. O vidro do carro estava fechado. Eu, claro, sabia que era ele pelo vidro da frente. Olhei o vidro, virei o rosto, fiquei escutando minha música. Não ia encarar porque eu já sabia o que ia acontecer. Pensado e feito. Ele abaixou o vidro do carro preto e disparou: "Quer dar um passeio?" Eu, de olhar desviado, virei, tirei os fones de ouvidos e gaguejei: "Não." Voltei com os fones de ouvidos, desviei o olhar e fitei o horizonte, paralisado, com um medo que eu nunca tinha sentido antes. 
Tentei permanecer imóvel, tentando não ouvir o que ele dizia, focando na música que tocava, e tentando não me descontrolar, não virar o rosto. Mas e se ele apontasse alguma arma? E se ele descesse do carro? E se acontecesse algo? Meus olhos já estavam marejando com esses meus pensamentos quando o sinal abriu e ele novamente dobrou a esquina. Então saí do transe, pronto para, caso ele estacionasse o carro, sair correndo na outra direção, para qualquer lugar longe dali. Mas ele não estacionou, seguiu e foi. E eu fiquei ali, com meus mais novo medo, perguntando "O que foi isso? O que aconteceu? O que eu fiz?". 
Como um estalo me vieram as várias vozes dos guests posts lidos no seu blog com aquele mesmo temor. As cantadas na rua, aquele julgamento alheio, a história da menina que tomou o ônibus e o motorista não deixou ela sair. Senti na pele o que todas vocês, mulheres, sentem. Esse medo de não poder ficar em paz, em segurança, esse medo de que não existe segurança. Isso me foi tão impressionante, um caso tão banal perto dos já lidos pelo blog, que eu achei que compartilhar isso poderia até mesmo despertar a ira da mulherada: "Como você ousa comparar essa sua historinha com as outras bem mais sérias que aconteceram com a gente?" 
Mas bem, isso que me aconteceu me provocou realmente essa empatia que me faltava, esse sentimento de que pode acontecer com qualquer um, qualquer uma, e que isso é um grande mal a ser combatido. Não sei o que eu poderia fazer para ajudar o feminismo, mas sei que, se mesmo antes eu já me considerava um feminista, hoje, depois de ter passado por isso, me considero feminista mais que nunca. Só não sei como posso fazer minha parte nisso, pois refletindo depois sobre o acontecido, não sei como seria se eu tivesse nascido mulher. Acho que, com certeza, seria bem mais corajosa.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

POR TRÁS DE UM GRANDE HOMEM

Em 2012, por coincidência, imagino, foram lançados dois filmes sobre um dos maiores diretores de todos os tempos, Alfred Hitchcock: 
Hitchcock, com Anthony Hopkins (que não tem a menor semelhança física com o cineasta), e The Girl, com Toby Jones (que também já interpretou Truman Capote, na mesma época que Philip Seymour Hoffman ganhou o Oscar pelo personagem). Nenhum dos dois filmes é grande coisa, mas ambos reforçam a ideia de que Hitchcock era, digamos, inadequado com as mulheres. 
"Inadequado" é eufemismo pra não dizer que ele era misógino mesmo. É conhecida a lenda de que ele mandou repetir inúmeras tomadas com Tippi Hedren (mãe de Melanie Griffith) sendo torturada por aves enlouquecidas no fantástico Os Pássaros, até que a atriz tivesse que ser hospitalizada. Foram cinco dias de filmagem para uma cena que dura dois minutos, cinco dias jogando aves no rosto de Tippi, e um trauma pra toda a vida.
Os Pássaros, inclusive, é um filme bem machista, em que o herói defende a casa enquanto as três mulheres da sua vida (mãe, irmãzinha e namorada) apenas gritam, choram e entram em pânico. Pra piorar, o ataque nunca explicado das aves parece estar ligado à aparição da moça. (Mas eu sigo amando o filme de paixão).
O desdém com que o diretor tratava Tippi está bem demonstrado em The Girl. Já Hitchcock, o filme, pega leve na misogina de Hitchock, o homem na vida real. Tirando o fato do diretor empunhar a faca na clássica cena de Psicose em que Norman Bates mata seu objeto de desejo, ele é apenas estranho, meio nerd, desajeitado com as mulheres, e obcecado pelas famosas loiras que ele contratava. 
Alma, sua esposa durante mais de meio século, é interpretada por Helen Mirren. A melhor cena do filme, aliás, é um discurso feminista dela. Nesse monólogo, Alma rebate à acusação de que não o apoia o suficiente (minha tradução): 
“Devo te lembrar que eu tenho tido responsabilidade em todos os aspectos do filme até agora, como tenho feito em cada filme que você fez nas últimas três décadas. E na primeira vez que você mostrar o filme, serão minhas anotações que você vai querer. Eu comemoro com você se as críticas são boas e eu choro por você se não são. 
"Eu organizo suas festas e aturo suas fantasias românticas com as atrizes. E quando você estiver promovendo seu filme pelo mundo todo, eu estarei ao seu lado, ou, melhor, ligeiramente atrás de você, sorrindo sem parar para a imprensa mesmo quando estou pronta pra cair de cansaço, sendo graciosa para as pessoas que olham através de mim como se eu fosse invisível porque tudo que elas podem ver é o grande e glorioso Alfred Hitchcock”. 
Sim, é aquele velho clichê do "Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher". Mesmo que esse "grande homem" não tenha sido tão grandioso assim na sua vida pessoal. 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

UM REVEILLON COM MUITO APOIO E UM ÓTIMO INÍCIO DE ANO

Pessoas queridas, desejo a todas nós um lindo começo de ano, e todo um 2015 feliz e feminista!
Vinho, manicotti, mãe, euzinha
Ontem tivemos uma ceia tranquila e intimista, e foi muito bacana. Como minha mãe fez toda a ceia de natal, foi nossa vez de retribuir com o reveillon. Eu e o maridão preparamos manicotti de ricota e espinafre (pode chamar de panqueca mesmo, ou se quiser ser mais chique, de crepe), receita que tirei deste blog adorável que sigo há anos. Só adaptei a receita um pouquinho e acrescentei bacon, porque estava com medo de que só com ricota ficasse meio insosso. 
Mas foi desnecessário, eu acho. Dava pra ser um prato totalmente vegetariano (minha mãe praticamente virou vegetariana de uns anos pra cá, e o maridão tá no caminho). 
De sobremesa, um gigantesco pavê de chocolate, que ainda está entre nós. Mas esquecemos de tirar foto.  
Bom, como hoje é um dia levinho, vou publicar uma nota de apoio que recebi do Coletivo Feminista Ana Montenegro, de São José do Rio Preto. Agradeço muito o carinho e a força que recebi aqui nos comentários do blog, em emails e em dezenas de tuítes. Super obrigada, gente! Sei que posso contar com vocês.
NOTA DE APOIO A BLOGUEIRA LOLA ARONOVICH
O Coletivo Ana Montenegro vem por meio desta prestar seu total apoio a blogueira Lola Aronovich, do blog Escreva Lola Escreva, perante as ameaças que vem sofrendo nos últimos tempos. 
Lola possuí um blog de conteúdo feminista em que fala sobre igualdade entre os gêneros. Nunca, em suas publicações, foi possível verificar qualquer discurso de ódio contra homens (que chamam misandria) ou a ideia de que as mulheres sejam superiores. Lola parte de um feminismo classista (ou interseccional, como passaram a chamar ultimamente), onde a igualdade e a compreensão da opressão histórica contra as mulheres é elucidada. 
Não preciso do ambientalismo
porque não culpo todos os
humanos pelas ações de poucos
#NemTodosOsHumanos
Sua simples exigência por igualdade culminou, nos últimos anos, em uma perseguição a blogueira que também é professora. Ameaças de atentados contra sua casa, contra sua integridade moral e a sua integridade física têm ocorrido com frequência e, nos últimos dias, com tamanha violência que levaram Lola a fazer um boletim de ocorrências. O ódio dos mascus sanctos (como se denominam os mascus que decidiram iniciar uma cruzada contra as feministas) ultrapassa qualquer compreensão. 
A ideia da igualdade feminina afeta de maneira intensa homens misóginos que, fruto de uma sociedade essencialmente machista (e com muito orgulho, vide algumas páginas virtuais), odeiam a ideia de que mulheres sejam também seres humanos. Esses homens pregam ódio a todo tipo de mulher, tidas como inferiores e, com relação a feministas, desejam criar uma caça as bruxas. Falam em estupro corretivo, tortura e assassinato de feministas e tomam todas como misândricas. 
Há, de fato, correntes de um feminismo definido como radical que creem que para acabar com o machismo basta que se acabem os homens. Essa não é a compreensão do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro e nem o que Lola expressa em seu blog. O machismo faz parte de um artefato cultural que prejudica mulheres e homens. Ambos tornam-se machistas e ostentas discursos ofensivos e depreciadores ao gênero feminino. Romper com o machismo exige o rompimento de tantas desigualdades presentes na sociedade capitalista em que vivemos e que se beneficia de maneira intensa da manutenção das exclusões. 
Não desejamos nada senão uma sociedade em que homens e mulheres sejam tratados da mesma maneira, com respeito e igualdade. Não desejamos nada senão o fim de um sistema de destrói tantas vidas todos os anos, em todo o mundo. 
Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente!
FORÇA LOLA, ESTAMOS COM VOCÊ. 
‪#‎SomosTodasLola‬

Publico também um email do psicólogo Eduardo, recebido na véspera de natal. Só porque achei muito fofo:

"Você provavelmente foi uma das pessoas mais importantes para minha formação, e nós nem conhecemos pessoalmente. Sei que você recebe muita ameaça, xingamento, comentários de desaprovação, como também acredito que deve receber muito elogio, mensagens de apoio e de agradecimento. Eu quero ser desse segundo tipo. Gente como você é mais do que importante, é fundamental e necessária nesse mundo tão louco que a gente vive. 
"Obrigado por escrever, por passar pra frente seu conhecimento e sua sensibilidade. Você escreve sobre casos espinhosos, recebe e-mails de gente que muitas vezes está desesperada e solitária, e eu nunca vi um posicionamento seu que não fosse coerente, delicado e sincero na medida para sempre ajudar e orientar quem te procura. Você é o tipo de pessoa que eu queria ter na minha família pra ficar batendo papo até altas horas depois da ceia de natal. Obrigado por tudo. Boas festas!"