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terça-feira, 10 de abril de 2018

GUIA PARA NÃO ALIMENTAR OS TROLLS

Esses tuítes do Cedric viralizaram. Decidi juntá-los para que fique um texto coeso. 
E já deixo minha opinião: não acredito que devamos ignorar os trolls sempre (não é assim que eles irão desaparecer). É preciso sim combater as mentiras e o ódio. Mas, sempre que possível, temos que espalhar o bem, as ações positivas, falar das pessoas de que gostamos e nos inspiram. Portanto, mais importante que denunciar um troll (e nunca inclua o link pra ele, se não você está ajudando a promovê-lo) é divulgar ativistas. E aí, você já espalhou algum texto feminista hoje?

Não alimentem os trolls: um guia Além das Sombras para não dar voz ao discurso de ódio da internet
Aqui é o @cedricgraebin para um textão meio chato, falando sobre bots, trolls e stalkers (ou "motoboys de treta") nas redes sociais que estão propagando discurso de ódio.
Desde que redes sociais como Facebook e Twitter mudaram seus algoritmos para parar de mostrar os posts em ordem cronológica e sim em “ordem de interesse”, essencialmente é isso o que acontece na sua linha do tempo nas duas redes sociais:
Quanto mais reações ou curtidas, comentários, respostas ou compartilhamentos ou "retweets" em uma postagem, maior a chance de que ele apareça em sua linha do tempo, quer você considere ele importante ou não. O motivo desta mudança é bem simples: dinheiro.
Quanto mais visto um post, mais tráfego é atraído para os sites e mais pessoas vêem as publicidades associadas à postagem. Quer dizer: quanto mais chocante, polêmico ou indignante um post ou tweet for, mais dinheiro as empresas responsáveis pelas redes sociais estão ganhando.
E para dizer de um modo mais direto, Facebook e Twitter estão ganhando dinheiro a partir da repercussão do discurso de ódio nas redes sociais.
E, ao divulgarmos, compartilharmos, retuitarmos ou citarmos os tweets de trolls (contas nas redes sociais com o objetivo de causar polêmicas, ofender, xingar e assediar outras), estamos essencialmente dando palanque para a mensagem de ódio dessas contas se espalhar ainda mais.
E essa visibilidade enorme acaba gerando um descompasso entre o movimento real das pessoas nas redes sociais e o que é percebido (ou mostrado) para as pessoas usando estas redes.
Para citar um exemplo bem recente, um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) acompanhando a reação das pessoas nas redes sociais após o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) mostrou que apenas 7% dos posts ou tuítes foram mensagens de ódio ou ataques (vejam, por exemplo, a reportagem da @vicebrasil sobre este estudo). 
Embora o número absoluto destes posts tenha sido baixo em relação ao total de posts mencionando o assassinato, o que percebemos é que eles se espalharam nas redes como fogo em grama seca, por causa do alto número de "retweets", compartilhamentos, reações e respostas, que fizeram os algoritmos das redes sociais interpretarem esses posts como “interessantes” e colocar eles com destaques nas telas de muita gente. 
Uma outra coisa importante que podemos falar aqui é sobre como lidar com trolls, bots e “motoboys de treta” nas redes sociais.
Já falamos um pouco sobre o que são os trolls, mas é bom também descrever os outros dois tipos de contas: bots (de robots) são contas automatizadas (integralmente ou parcialmente) que, em geral, procuram palavras-chave em posts em redes sociais para responder a elas. 
Um jeito fácil de identificar uma conta de um bot no Twitter, por exemplo, é olhar o perfil e ver se as postagens da conta são mais "retweets" e respostas em relação a posts individuais. Se na maioria for retuítes e respostas, provavelmente é um bot ou conta coletando tweets.
A minha experiência com alguns bots nas redes sociais indica que os bots utilizados para a propagação de discurso de ódio em geral propagam um conteúdo para alertar uma conta operada por um troll, o qual então incita a manada de seguidores para o autor da mensagem original.
Existem também os motoboys de treta (ou stalkers), contas operadas por pessoas que, ao verem uma mensagem, compartilham ela marcando um troll famoso e assim atiçam a manada. 
Como lidar com essas contas? Existem duas opções: o bloqueio e o silenciamento. Para bots, stalkers ou “motoboys de treta”, o bloqueio é a melhor opção, pois isso quebra o poder de visualização dos posts (e, por consequência, a cascata de respostas tóxicas que vem logo depois).