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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

FÓRUM PRA DISCUTIR NO MÍNIMO TRÊS CASOS

Lolinha instigando caixa de comentários

Gente querida, várias pessoas têm sugerido que este bloguinho tenha um fórum para debates. Bom, pra começar eu não sei fazer isso, e considero que já temos um fórum, que é a caixa de comentários. Pode não ser o ideal –- há vantagens e desvantagens em responder diretamente abaixo de um comentário específico; e o blog não aceitar comentários anônimos barra bastante gente que ora não gostaria de se identificar, ora não sabe fazer uma conta no Google para poder comentar. Porém, dentro das limitações, vamos admitir que as caixas de comentários andam bem movimentadas. Os debates têm sido excelentes. A única coisa que atrapalha, por supuesto, são aquelas pragas chamadas trolls. Sugiro ignorá-los. Sei que muitas vezes sou a primeira a alimentar os trolls, mas vocês acompanham os comentários ofensivos e maníacos que tenho deletado.
Quero abordar, ou melhor, quero que vocês abordem, três tópicos interessantes. O primeiro é um que muita gente boa me enviou ontem, pelo Twitter. É esta notícia aqui, de um britânico que deu esteroides à esposa, sem ela saber, para que ela engordasse, ganhasse pelos e, consequentemente, desistisse de sair de casa. Ele executou seu plano durante três meses, entre novembro do ano passado e janeiro deste ano, e parou quando sua filha o flagrou amassando os remédios. Ele pegou de pena um ano de cadeia, que será cumprido em condicional. Discutam se a sentença foi justa, por que cargas d'água alguém faria uma coisa dessas, e como você reagiria se seu parceiro (juntos há 17 anos!) fizesse algo assim.
O outro caso mal chegou à blogosfera brasileira (ou eu que ando ocupadíssima e desatenta?), mas movimentou legal a mídia americana. Jill Filipovic, uma blogueira feminista bem conhecida, uma das editoras do Feministe, teve uma surpresa na sua última viagem de avião. Quando sua bagagem passou pelo raio-x do aeroporto, o funcionário ou a funcionária (não se sabe, pois é confidencial) deixou um bilhete referente ao vibrador que encontrou lá: “Get your freak on girl” (alguém traduz?). Jill fotografou o bilhete, pôs a foto no seu twitpic, e escreveu duas linhas: “Acabei de abir minha bagagem e encontrei este recado do TSA (Transportation Security Administration). Acho que eles descobriram um 'item pessoal' na minha mala. Uau”. Ela também disse que riu muito com o bilhete.
A foto foi vista por mais de 130 mil pesssoas, e óbvio que chegou rapidinho aos ouvidos da Administração de Segurança, que decidiu demitir @ funcionári@. Jill não gostou dos rumos que o caso tomou. Ela não queria que ninguém fosse despedido, e sim que houvesse uma discussão sobre a falta de privacidade que todos que viajam de avião pelos EUA vêm enfrentando desde o ataque às Torres Gêmeas.
Sabem o que este caso lembra, não? Aquele acontecido outro dia em Porto Alegre, em que um guarda mandou uma mensagem para uma moça que ele tinha parado numa blitz no trânsito. O sujeito também foi despedido. O que mais há de semelhante nos dois episódios? Ah, o de sempre: leitores culpando as mulheres. Quem mandou Jill ter um vibrador, afinal? E dedurar um empregad@ num emprego tedioso, que só estava querendo se divetir um tiquinho? Essas feminazis castradoras!
E aí, haveria diferença se o bilhete fosse deixado por um homem ou por uma mulher? Como vocês se sentiriam se acontecesse com vocês?
A terceira notícia é esta, de uma mulher que era constantemente agredida e estuprada pelo marido. Ela gravou uma dessas ocasiões, e a justiça foi feita: ele passou seis anos preso. Quando saiu, já separado, ele exigiu uma pensão da ex-mulher (a mesma que ele abusava), e o juiz concedeu, alegando que o salário dela era muito maior que o dele. Como a lei atual diz que uma vítima só escapa de pagar pensão ao seu agressor se ele tenta matá-la, a ex-mulher agora tenta mudar a lei. Dá pra acreditar numa coisa dessas?
Conversem aí, que eu apareço pra ler tudo depois, quando tiver uma pausa minúscula na minha longa e frenética sexta-feira. Peço que vocês sejam gentis, como quase sempre são. E que os trolls mantenham distância. E, caso algum infeliz provocar, finjam que ele não existe. Depois eu deleto os comentários ofensivos que eles costumam deixar. E, claro, vocês não precisam só falar desses três assuntos. Essa foi apenas uma sugestão. A caixa de comentários é de vocês. Portanto, falem do que quiserem! Tipo: já faz vários dias que ninguém elogia meu cabelo ou meus olhos verdes. Obrigada.