terça-feira, 14 de maio de 2019

PELA EDUCAÇÃO, CONTRA O GOVERNO FASCISTA, VAMOS ÀS RUAS

Design Ativista fez vários cartazes maravilhosos para serem usados nos protestos

Como prometido, o governo fascista declarou guerra contra a educação, principalmente contra as universidades e institutos federais. Isso já era esperado, pois durante a campanha eleitoral Bolso havia elencado os professores como seus principais inimigos (da próxima vez, aprendam: se de um lado temos um professor, e do outro um paraquedista, votem no professor). 
O sinistro da Educação, Abraham Weintraub, outro olavete desqualificado sem a menor condição de ser ministro de qualquer governo, veio substituir o patético Vélez, e já chegou aprontando. Primeiro mirou nas faculdades de Sociologia e Filosofia. Depois anunciou que três universidades -- UFBA, UFF e UnB -- tiveram 30% do seu orçamento anual bloqueado. Não explicou direito a razão, mas disse que era pra punir a "balbúrdia" de instituições que faziam "eventos ridículos" com "sem-terra e gente pelada dentro do campus". Ou seja, o motivo era ideológico. Alguém deve ter avisado o estrupício que ele não podia fazer isso, pois a Constituição Federal não permite, e ele teve que voltar atrás, declarando que o corte seria para todas as instituições federais. 
Em seguida, afirmou que o governo queria dar preferência à educação básica em vez da educação superior. E, no mesmo dia, descobriu-se que o MEC estava cortando R$ 2,4 bilhões da educação básica também.
Junto com seu presidente, ele tentou ser mais didático, usando barrinhas de chocolate para explicar que o corte, opa, ele não gosta dessa palavra, prefere contingenciamento ou bloqueio, não era de 30%, mas de 3,5%. Como ele não pode mexer ou deixar de pagar os salários dos servidores públicos (coisa que eles devem estar salivando pra fazer), cortaram as despesas não obrigatórias, o que inclui água, luz, segurança, manutenção, limpeza, aquisição de materiais. Aí você se pergunta: como uma universidade pode funcionar sem água e energia?
Na explicação, o sinistro que gosta de mostrar cicatriz no ombro disse: "A gente só está dizendo que três chocolatinhos e meio, desses 100... a gente não está falando que está cortado. A gente só está pedindo para deixar pra comer depois de setembro. Isso é segurar um pouco". Ao seu lado, o panaca que ocupa a presidência comeu os chocolatinhos que deviam ser segurados até setembro.
Além disso, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) suspendeu 3,500 bolsas de pós-graduação. Mestrandos e doutorandos que contavam com essas bolsas para sobreviver estão desesperados. 
E, ao que parece, essa total devastação que agrada muito um governo que quer sucatear a educação pública para poder privatizá-la é só o começo. Não estão descartados novos cortes. Para jornalistas e professores, Weintraub oferece uma chantagem: se a reforma da previdência for aprovada, aí, quem sabe, os cortes serão repensados. 
Isso é claramente uma farsa, uma mentira, assim como era mentira a promessa de que, assim que se tirasse a Dilma, a economia automaticamente melhoraria. Recomendo muito esta palestra da professora de economia da UFRJ, Denise Lobato Gentil, que afirma não haver qualquer relação entre a aprovação da reforma e a melhora do cenário econômico. Ela mostra que os donos do poder já colocaram em prática todos os truques da planilha neoliberal e mesmo assim não houve a queda do desemprego nem o crescimento da economia. 
Este desgoverno corrupto e incompetente, que não consegue passar uma única informação, continua investindo pesado nas fake news. Quem faz parte de grupos no Whatsapp está sendo bombardeado por mentiras tentando mostrar que universidades públicas são inúteis, só formam maconheiros e vagabundos, só servem à elite, e são espaços em que o patrimônio é dilapidado, e os alunos, doutrinados. 
Um levantamento indica que após os cortes no MEC, o envio de imagens de estudantes nus cresceu 950% em grupos de WhatsApp em 24 horas. Em outras palavras: Bolso e sua quadrilha estão usando o mesmo expediente que usaram pra fraudar as eleições (disparo de fake news no Whats) para enganar o povo sobre a "imoralidade" das universidades.
Um exemplo eficaz de fake news que viralizou foi a imagem de um prédio completamente pichado atribuído à USP, pra dizer que estudantes alienados e sem valores não têm respeito pelo patrimônio público. Mas a foto não é da USP, e sim de um prédio abandonado no centro de SP, em 2010, que agora já está limpinho. Quando não é uma mentira escancarada como esta, é a utilização de um fato isolado (tipo um aluno que ficou nu durante uma aula durante 20 minutos) para passar a imagem de que este é um comportamento recorrente nas universidades. Nós que somos professores e alunos do ensino superior gratuito rimos quando ouvimos as fantasias que os reaças fazem do nosso dia a dia. Pô, são tantas orgias, tantas drogas, tanto sexo e rock'n'roll, e ninguém nunca me convidou?! (se bem que no meu caso eu costumo realizar abortos em alunas durante a aula, pelo que contam por aí). 
Diante de todos esses ataques, vários reitores já avisaram que as universidades podem fechar já em agosto ou setembro, porque não terão como pagar a luz ou honrar contratos com terceirizados. Um representante afirmou que as instituições tentarão manter o mesmo número de vagas para alunos no ano que vem, mas que dependem de negociações com um sinistro intransigente. Quem é visto como um possível interlocutor é o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes. 
Em muitas cidades está havendo uma grande divulgação do que as universidades fazem de fato. Este é um exemplo, já que não podemos perder pra narrativa de que o ensino superior, responsável por ensino, pesquisa e extensão, deveria ser para os poucos que podem pagar.
Mas não tem jeito: este cenário devastador faz parte de um projeto de governo da extrema direita. Precisamos lutar. Senão, os donos do poder privatizam tudo e transformam as universidades em estacionamentos. Amanhã haverá uma greve nacional. Os locais e horários dos protestos em cada capital estão aqui.
Num momento de tantos retrocessos em que precisamos provar que universidade pública é necessária 
(pense em algum outro país que tenha que provar isso; ainda mais quando estamos falando do Brasil, onde 95% da pesquisa é realizada pela universidade pública), uma greve por tempo indeterminado não parece ser boa opção. É melhor estabelecer datas de protesto. E amanhã será um dia decisivo.
Os estudantes fizeram mobilizações marcantes na semana passada, e acenderam o pavio para uma resistência mais ativa. As escolas particulares também estarão presentes, assim como pais de alunos. Pense: a quem interessa o desmonte da educação pública? 
Vamos às ruas lutar!

8 comentários:

Anônimo disse...

Mais uma vez o Judiciário Brasileiro mostrando o quão parcial e sem credibilidade é. O Vampiro do Temer teve todos os seus crimes expostos e é solto enquanto o Lula fica preso por um "crime" que sabe-se lá se realmente foi um crime.

Anônimo disse...

"(...) da próxima vez, aprendam: se de um lado temos um professor, e do outro um paraquedista, votem no professor (...)"

Aiai Lola, esse Brasil não tem jeito não, do jeito que o povo daqui é não me surpreenderia se Cabo Daciolo se eleger no futuro.

Alan Alriga disse...

Até imagino como séria: Vamos cortar 10% do bolsa família, do salário mínimo, da saúde, educação e segurança pública, MAS DEUS VAI TE DAR 10 VEZES MAIS AMÉM.

Anônimo disse...

Só acho que mainfestações desse tipo precisariam de mais divulgação e planejamento. Em SP no final de semana se falava de uma "greve geral" hoje, dia 15. Imaginei que a causa principal eram os cortes na Educação, porém da maneira que foi feito, não atingiu o objetivo, nem numa coisa nem outra. Não houve greve geral, longe disso, não houve praticamente nada, tudo na normalidade.
Sim, tivemos os protestos e manifestações estudantis (pelo menos isso né!) mas sem a participação e apoio da população.
Poderia ter sido algo muito maior.
A maioria das pessoas só vai saber disso no jornal, numa notícia de 30 segundos.

carol. disse...

Pior é que ontem na faculdade minha professora começou a aula falando que há muitas universidades federais que não cuidam do patrimonio e que há muita bandidagem e tráfico dentro delas,desta forma o governo está tirando o dinheiro da educação como uma forma de acabar com isso.
Aí eu questionei e falei que tirar o dinheiro das universidades não tem sentido nenhum, pois como resolver esses problemas que ela citou se nem dinheiro para oferecer os cursos até final do ano eles têm? Que se o dinheiro nas universidades é mal investido deve ser analisado e resolvido de outras formas.
Após meu comentário ela me cortou e disse que não era para ser discutido política dentro da sala de aula.
Whaaaaatt?? Ela que começou ué.

Fico indignada com uma professora formada e lecionando pedagogia em curso superior com um pensamento desses.

titia disse...

"aí, quem sabe, os cortes serão repensados" - traduzindo, os patos vão ficar sem aposentadoria e sem educação. E ainda tem quem dependa de educação pública achando isso bonito...

carol, creio que sua professora sofre da síndrome do tapa de realidade na cara. A minha família quase toda sofre disso. É uma condição grave em que os classe merdia desse país acham que não são pobres porque "fizeram por merecer", ao invés de simplesmente terem nascido numa família razoavelmente privilegiada. Acreditam que são mais inteligentes, mais capazes, mais tudo que os pobres e por isso não precisam morar numa favela nem lavar chão. Quando Lula foi eleito e começou a investir no povão, quando os pobres passaram no ENEM pras federais, ganharam diploma de doutor e começaram a ocupar vagas de médicos, professores, advogados, etc. os classe merdia que se achavam 'naturalmente' superiores aos pobres perceberam que eles não tem nada de especial, de excepcional. Que se eles não passam fome e tem uma boa casa pra morar, não foi porque fizeram por merecer. Foi apenas porque tiveram sorte.

E quando o enzinho vagabundo foi reprovado no ENEM e o filho esforçado da diarista entrou na federal, aí é que qualquer ilusão de superioridade natural (algo que afeta praticamente todos os brasileiros, e é pior com os ricos) que eles ainda pudessem ter foi por água abaixo. A realidade veio até os manés, sentou um tapa na cara deles e berrou "Vocês não tem nada de especial, seus merdas, vocês são igual a todo mundo, inclusive a esse povão que tanto odeiam!". Daí o nome da síndrome.

Aí eles ficaram putinhos. Quando Dilma foi eleita, os pobres continuaram entrando nas federais e ganhando título de doutor, e aí então os patos se revoltaram e foram bater panela na esperança de tirar os pobres das universidades, dos consultórios e das salas com ar condicionado. O objetivo desse povo sempre foi fazer o pobre votlar à sarjeta e tentar restaurar a ilusão de privilégio natural. Só ver que, durante a eleição presidencial, os candidatos mais apoiados pela classe merdia forma justamente os que tinham como proposta principal ferrar os pobres, vide Amoeba e nazipalhaço. Ciro, Marina, Haddad, Dias, todo esse pessoal não pretendia mexer com as conquistas dos pobres e por isso foram rejeitados.

Resumindo: os imbecis foram de nazipalhaço pra ferrar os mais pobres, esquecendo que eles também são pobres, só ganham um pouco mais que o porteiro do prédio. E agora que a água bateu na bunda deles, que eles perceberam que também vão se ferrar se a corja de acéfalos a serviço dos privatistas conseguir as deformas que querem, é que resolveram se mexer e protestar. Mas boa parte ainda se recusa a combater o governo burrista porque quer a ilusão de superioridade natural de volta. Sua professora, visivelmente, é uma dessas cretinas. Nesse aterro de lixo humano fermentado, também estão os machistas, os enrustidos, os evanjegues e os racistas: tudo merdinha que se acha naturalmente superior aos outros e quer manter essa ilusão a todo custo, inclusive a custo de morte e sofrimento. Tudo lixo que foi de Mijair Boçalnazi pra ferrar com quem consideram inferior e tentar manter a ilusão. Tô na minha só esperando pra ver esses desgraçados quebrarem a cara e cuspir nos cacos depois.

titia disse...

23:52 se o cabo Daciolo fosse eleito o estrago seria menor...

donadio disse...

"se de um lado temos um professor, e do outro um paraquedista, votem no professor"

Há professores e professores, e paraquedistas e paraquedistas.

Eu votaria no Capitão Sérgio "Macaco", que era paraquedista e evitou o plano sinistro do Brigadeiro Burnier, mil vezes antes de votar nos professores Eremildo Viana (notório dedo-duro), no Rui Alberto Duarte (nunca julgado pelo famoso Caso das Mãos Amarradas), ou na Dayane Pimentel (a louca dos cus prolapsados).

Nunca votem em alguém pela profissão dele ou dela. Biografia, propostas, e partido político são os critérios a utilizar.