quinta-feira, 4 de agosto de 2016

TODA SOLIDARIEDADE A JÚLIA, MÉDICA, CANTORA, HUMANA

Ontem de manhã a Fernanda, que tem um blog sobre espiritualidade, saúde e direitos humanos, me enviou um email pedindo para que eu escrevesse um texto sobre uma pessoa muito especial.
Eu acompanhei o caso da Júlia por cima. Vocês devem ter acompanhado mais do que eu: um médico debochou do português de um paciente, e Júlia, que também é médica, escreveu uma resposta chique (sem citar o médico), que viralizou. Em vez de todo mundo aprender com este caso, o que várias pessoas repulsivas decidiram fazer? Perseguir Júlia. É sério. E, óbvio, como Júlia é negra, o racismo veio à nota na maioria dos ataques.
Pedi pra Fernanda escrever um guest post, e ela fez este belo texto que publico abaixo. Mas quero deixar toda a minha solidariedade a Júlia. Que você continue sendo esta pessoa tão forte e humana que é. 

A Júlia foi um dos presentes que eu ganhei do Facebook no início desse ano de 2016. Na primeira postagem que eu vi dela, ela dizia que não se vende, nem como médica, nem como artista. Porque ela é múltipla assim: o amor dela se expressa em voz e arte, se expressa em humanidade na prática médica, se expressa na capacidade maravilhosa de escrita que torna um prazer acompanhar suas postagens, se expressa em um firme posicionamento social e político, se expressa em transbordamentos da pessoa que é feliz em si mesma, e que vive um relacionamento lindo e saudável, e que agora carrega um bebezinho na barriga.
A Júlia faz poesia em prosa sobre as pequenas coisas de que a vida é feita. Os atendimentos como médica de família do SUS rendem textos de chorar de emoção, de beleza. Tipo esse:

O OLHO DO FURACÃO
"Oi doutora, bom dia. Estou sentindo dor nos seios. Já tem uma semana. Ficam sensíveis. Ontem achei que estavam inchados. E tem uma mancha aqui embaixo desse, olha só. To preocupada."
"Você tá tomando algum remédio diferente nesses últimos dias?"
Estava. Dois antidepressivos e um remédio pra conseguir dormir. Usava há 10 anos. Tinha olheiras enormes, uma aparência cansada, sofrida.
"E além da dor nas mamas, sente mais alguma coisa?"
"Não."
"Sua depressão melhorou com os remédios?" Eu já sabia a resposta. Estava na cara dela.
"Então... tudo começou com uma crise de pânico há mais de dez anos. Na época, muita pressão no trabalho e em casa."
"Que tipo de pressão?"
"Meu marido bebia muito e me batia. Pegava faca e passava a noite me ameaçando."
"Que situação difícil, Samantha."
"Não. Mas isso já resolveu. Separei e casei com um homem religioso que não me dá esses problemas."
"Atualmente a convivência em casa, como está?.."
"Ah, pelo menos é melhor do que naquela época."
"Esse tipo de situação é comum na sua família?"
"Que situação?"
"Esses problemas que você me contou?"
"Quais?"
"Bebida, violência?"
"Não. Já acabou. Ficou no passado."
"Entendo. Mas já aconteceu com mais alguém? Alguma irmã? Sua mãe?"
"Você conhece elas?" Perguntou com cara de assustada.
"Não."
"Meu pai bebia muito e batia na minha mãe. Batia na nossa frente. Meus irmãos todos bebem muito. Meus cunhados, também... Sabe, doutora. Fugindo um pouco do assunto, eu tinha muita mágoa da minha mãe por que ela nunca cuidou de mim com carinho de verdade. Tudo que eu aprendi foi comprando essas revistas de adolescente pra entender o que era menstruação, como engravidava, as mudanças no meu corpo. Ela me deixava bem largada. Mas hoje eu procuro dar muito amor pro meu filho. Não quero q ele sinta isso que eu senti. Tem hora que eu acho que eu até sufoco ele."
Ela levantou-se, eu a examinei e voltamos a conversar.
"Samantha, não vejo nada grave mas mamas, aparentemente. Eu queria que você usasse esse medicamento e se a dor persistir, quero que você volte aqui pra gente avaliar juntas se precisaremos repetir o exame que você fez, ok."
"Ok, doutora. Só isso?"
"Não... eu queria te dizer só mais uma coisinha. Essa conversa longa que tivemos sobre sua tristeza, sobre a sua vida, não era curiosidade minha. Eu quis saber por que essas tristezas também nos causam muita dor. Dor que nenhum exame explica. Acho que é importante tentar entender que buraco é esse que você tá querendo preencher com remédio, com cigarro... não acho que tá funcionando. Eu sugiro que você tente outros caminhos, também."
Olhos marejados, disfarçando a tristeza:
"Qual?"
"Eu estou aqui quando você precisar, mas, talvez, nesse telefone aqui você encontre um caminho ainda mais eficaz. E vamos tentando. Se não for esse, tentamos outro."
Era o telefone de um centro de psicanálise muito sério e que atende a preços populares.
"Mas eu tô aqui todo dia, tá, Samantha."
"Muito obrigada, doutora."

Aí esses dias, nessas polêmicas da internet, apareceu aquela foto, do jovem médico com um receituário escrito “não existe peleumonia nem raôxis”, se referindo à forma de falar de algum paciente. Polêmica criada -- muito justamente --, a Júlia escreveu dia 29 de julho essa doçura no Facebook:
EXISTE PELEUMONIA.
Eu mesma já vi várias. Incrusive com febre interna que o termômetro num mostra. Disintiria, quebranto, mal olhado, impíngi, cobreiro, vento virado, ispinhela caída. Eu tô aqui pra mode atestá. Quem sabe o que tem é quem sente. E eu quero ouvir ocê desse jeitinho. Mode a gente se entendê. Por que pra mim foi dada a chance de conhecê as letra e os livro. Pra você, só deram chance de dizê.
Pode dizê. Eu quero ouvir.”

Meus olhos enchem de lágrimas só de ler de novo. Assim, sem críticas nem ataques, sem referências diretas ao episódio infame. Só mostrando o que ela sempre mostra -- a medicina praticada como a gente gostaria que fosse sempre.
Pegou tão mal pro médico que dia 31, esse domingo, ele foi até procurar o paciente em casa pra pedir desculpas e publicar no Facebook. 
Enquanto isso, o post da Júlia viralizou, virou notícia, e junto com as novas milhares de pessoas que se maravilharam com o ser humano que ela é, chamou atenção de pessoas que começaram a atacá-la. 
Nesse último domingo ela compartilhou o que estava acontecendo, com prints da postagem de um médico, e os comentários inacreditáveis. 
No dia seguinte, contou que o seu post foi apagado pelo FB e sua conta bloqueada por algumas horas. Na postagem apagada, ela dizia: "Não citei nomes, não julguei. Apenas dei testemunho de como nós, médicos de família e comunidade, tratamos nossos pacientes. Agora à noite, recebi a ligação de uma prima me dizendo que um homem do Sul havia postado ofensas racistas contra mim. Meu coração chega a doer só de pensar que esse é o mundo que minha filha ou meu filho viverá. Estou em choque."
Desde então, ataques de um lado, pessoas públicas e sociedades médicas manifestando apoio (aqui a Jandira Feghali), mais reportagens sobre o desdobramento da história, e um coração de recém mãe bem em frangalhos. 
Eu, só mais uma seguidora cheia de admiração, preocupada de ver uma pessoa de coração tão lindo sendo submetida a esse tipo de absurdo, discriminação baixa, ódio infundado, logo me percebi lembrando da Lola -- a Lola, que nesses anos todos de luta e de blog foi essencial no despertar e na caminhada de tantas pessoas, na minha inclusive --, e que convive diariamente com trollagem infinita. 
Eu acordei pensando: a experiência da Lola pode servir pra Júlia. Quando a pessoa é especial e transformadora pro mundo, ela gera muita incomodação -- aquela incomodação do medo de perder privilégios, de não poder mais se sentir nata da sociedade.
Espero de coração que a luta e a resiliência da Lola sirvam de inspiração para a minha querida Júlia. Espero que o amor de tantas pessoas que se solidarizam chegue ao coração dela e a fortaleça. Espero que se feche cada vez mais o cerco em cima das pessoas que disseminam o ódio. 
Espero que o bebê dela cresça num mundo gradativamente melhor, à medida que vamos acordando e tornando o mundo mais amoroso e inclusivo, para desespero dos que acham que o politicamente correto tá deixando o mundo muito chato. Eu torço, eu espero, eu faço o que posso para ver esse mundo… fazemos, todos e todas nós, de mãos dadas.

41 comentários:

Marcia disse...

Julia lindona! Muito amor para você, sua bondade é emocionante. Infelizmente, para muitas pessoas que odeiam (e nada como racismo para ensinar as pessoas a odiar) tanta luz, tanta felicidade em ser o que você é, e tanto carinho em lidar com os outros incomoda. Incomoda por que essas pessoas que odeiam não são capazes de nenhum desses gestos, desses sentimentos, nem como elas mesmas.

Um abraço e dois beijos bem carinhosos, tomara que esse post chegue até você.

Anônimo disse...

Alguém sabe se o machinho branco, médico, babaca que debochou do paciente sofreu ataques parecidos? Acho que todo mundo sabe a resposta. Com certeza não.

Anônimo disse...

13:56, talvez porque escravizaram pessoas brancas e criaram uma "ciência" chamada eugenia pra atestar a sua superioridade? Patéticos demais. Ou talvez porque criaram o nazismo? Note que eles são a maioria dos corruptos ladrões que mantém essa país na merda e mesmo assim não são punidos. Impossível não achar que esse tipo de gente não presta. Eu admito que tenho preconceito com essa gente. Aí me aparece um deles debochando de um paciente branco elitista porque escreveu errado? Dá nojo.

Anônimo disse...

E digo mais... esse médico só podia ter vindo do Rio Grande do Sul que foi colonizado por africanos que receberam terras do governo. Essa gente é nojenta. Mamam nas tetas do governo desde 1900.

AEPC disse...

Gente, eu tinha ouvido falar muito por alto desse caso... Não sabia dessa história, e nem sobre a existência dessa mulher.
Que mulher linda!! Radiante!!
Fico triste de ver como o brilho, o amor e a luz são odiados no nosso mundo...
Mas muito feliz quando descubro que existem pessoas de luz, e com coração maravilhoso assim! E ainda por cima, médica...
Parabéns! E obrigada por existir!

Anônimo disse...

Que textinho fofo e lindo, de uma sensibilidade ímpar, realmente.

O episódio do médico me entristeceu um pouco. No começo, confesso que não achei nada demais ele rir daquilo, afinal, ele também não tinha citado no nome do paciente, correto?
Mas acontece que o post dele chegou aos ouvidos da família desse paciente e ele se sentiu mal por ser ridicularizado (ainda que sem essa intenção, creio eu). De fato, pegou mal.
Mas ele se desculpou imediatamente e pessoalmente. Acho que ele realmente se redimiu e aprendeu com o seu erro.

Alícia

Jan Ribeiro disse...

Júlia, que gesto mais lindo nesse texto. Fico triste em perceber que as pessoas acham que ignorância é uma escolha voluntária. Precisamos dessa sua clareza e perceber que as pessoas não têm o mesmo ponto de partida e isso pode persegui-las pelo resto da vida. É maravilhoso ver uma mulher como você numa função comumente ligada a pessoas brancas e elitizadas. Semeie sempre esse amor ao próximo querida. #Ubuntu

Anônimo disse...

Esse (pseudo) pedido de desculpas desse "médico" só me faz ter mais nojo dele.

B. disse...

Maravilhoso o post e maravilhosa a Julia! Todo meu apoio a ela! ♥
Tenho uma dúvida sincera e deboísta. Como ela pode ser considerada negra? Eu nem ao menos consigo vê-la como parda. Sei bem que cor de pele é auto declarado, mas... fico confusa. Alguém legal e bacana teria como me explicar?

Beijinhos para todos!

Ass: uma leitora antiga!

Anônimo disse...

Kkkk puta merda... vocês aqui adoram rir de quem escreve algo errado, SE discordar de vocês, claro.
Agora pagam de bonzinhos, hipocrisia é foda!

Anônimo disse...

Que mulher cheia de luz!!! Desejo toda a força do mundo para ela!
Também não consigo ver uma negra, não vejo diferença entre ela e a Lola... Se ela, com essa aparência foi julgada dessa forma, imaginem só se tivesse a pele bem escura, como a minha...

Anônimo disse...

Desistam feministas. Vocês representam um número bem pequeno de mulheres que querem um mundo mais humano. Não tenham dúvidas de que um bilhão de outras mulheres cairiam aos pés do médico debochado.

titia disse...

Meu apoio e admiração pra Júlia também, que é uma pessoa incrível, um diamante no meio do cascalho. Pois é, gente que por qualquer besteira se coloca no panteão do Olimpo, acima de reles mortais e com direito de pisar nos "inferiores" quanto quiser, se borra todo de medo e indignação quando vê alguém que prefere continuar sendo humano e solidário. Eles detestam se verem como são, um bando de arrogantes patéticos que acham que uma coisinha qualquer (um diploma, uma conta bancária, um pau, um baixo índice de melanina) lhes torna superiores ao resto da humanidade. Olha aí o mascu 02:06 pra provar.

22:27 é menos o fato de que vocês escrevem errado e mais as merdas que vocês esrevem. Ah, o fato de vocês quererem pagar de sábios PhDeuses escrevendo "problema" também é muito engraçado. É muita burrice prum porífero só.

titia disse...

Ops, merda de corretor automático que nunca comparece quando eu preciso. Errata: "poblema". É assim que os mascus escrevem enquanto querem se passar por PhDeuses. E sim, é hilário.

Anônimo disse...

Tudo o que titia queria é um caralho pra chamar de seu, de qualquer homem que pro ventura conseguisse. É foda ser baranga, pobre, burra e, ainda por cima, chata.

titia disse...

Mamãe, eu quero, mamãe, eu quero, mamãe eu quero mamar! Dá a chupeta dá a chupeta, dá a chupeta pro mascu não chorar! HUAHUAHUAHAHUA peraí 08:39 , eu vou lá perguntar a uma criancinha da pré-escola como eu devo te responder. O quê, Luisinho? Ah, ok. Faz o seguinte tira o caralho que tá no seu rabo e empresta pro Serge Renine! Gostou? Foi o Luisinho quem sugeriu!

Fala sério, gente, esses mascus tão cada dia mais imbecis. Acho que vou criar uma conta pra trocar mensagens automáticas com o Luisinho, assim eles ganham as respostas que merecem e eu nem preciso gastar meu cérebro pensando em como responder do jeito que esses idiotas merecem.

Marcia Baratto disse...

titia, só para constar:

Para mim você é deslumbrante! - Por que linda é a mulher que luta.
Para mim você é brilhante e genial! - Por que inteligência é melhor medida pela vontade de mudar o mundo, do que pela covardia de mantê-lo injusto.
Para mim você é riquíssima! - Por que ter humor para oferecer, em tempos de tanto ódio, só para quem muita riqueza de alma.
Para mim você é divertidíssima! - Agora sério, parei com a poesia mais ou menos, tô rindo horrores com a dica do Luisinho!

Beijo na alma, aquele abraço carinhoso, dois beijos estalados na bochecha e nunca, por favor, pare de ridiculizar o machismo. O humor é uma arma muito poderosa, que só as verdadeiramente sábias e corajosas sabem usar.

Anônimo disse...

Não canso de ler a resposta dela. Simples, direta, emocional, racional, inofensiva e poderosa o mesmo tempo. Esse nível nao é pra todo mundo, por isso (também) os ataques.
Quanto ao médico, não tem como saber se ele se arrependeu ou não, então prefiro não falar mal dele, diretamente. Entretanto, ataco o que a atitude dele representa, que é o preconceito naturalizado.

Dan

Marcia Baratto disse...

Dan

Ainda que o 'arrependimento' seja fake (parece que não é, gosto de ter esperança na humanidade) o gesto de pedir desculpas é válido. Nos ajuda a defender que o preconceito naturalizado é inaceitável.

A resposta da Júlia é fenomenal, de uma doçura sem fim, aquele refresco nesse mar de ódio...

Anônimo disse...

odeio vcs feminazis ki pemsan

são melhores , suas

ridiculas mal amadas lesbicas.

vcs n si pasam de um bando de

esquertista safado q kerem

transfoma o brazil em um paises comunista

criem vergonha na cara

suas otarios

#bolsonaro2018
#mitobolsonaro2018

Anônimo disse...

11:17 que idioma você usa? Português não é.

Marcia Baratto disse...

Anônimo das 11:17, vai tomar um calmante para essa azia e aproveita para ler no dicionário a palavra: 'contradição'.

Por acusar alguém de falta de amor, depois que você começou o texto admitindo que odeia... ih... Só acho que o ridículo mal amado aqui é você. E aí fica a minha dúvida: será que secretamente você também deseja ser comunista, mas se considera um 'esquerdista safado', sem vergonha na cara?

titia disse...

Nhoo, brigada Marcia Baratto! Também admiro muito você, que está aí na luta, respondendo sempre com graça e inteligência às babaquices dos trolls. Admiro muito a sua paciência pra responder esse bando de mascu mal amado com dados fundamentados e toda essa educação, confesso que meu pavio é curto e eu nem me esforço pra ser paciente com vagabundo, já vou logo esculhambando mesmo. Você pra mim também é uma mulher linda lutando do seu jeito próprio que a gente conhece. E o Luisinho fica muito feliz de saber que você aprova a resposta dele :). Beijos e abraços pra você também e vamos juntas nessa luta pra fazer do mundo um lugar melhor.

Problema não, 11:17, a gente também não ama você...

Anônimo disse...

Isso é Internet, se debocha de tudo.

Não há absolutamente nada errado em se debochar do português ruim de alguém com baixa escolaridade, a piada (com ou sem graça) quase sempre é válida.

Sejam mesmo hipócritas e finjam que nunca zoaram o português ruim de alguém, se esquecendo ou não se importando com as causas do analfabetismo.

O médico não fez nada de errado. Não havia qualquer necessidade da médica ficar doída e postar uma resposta. É direito dela é claro, e os ataques racistas são injustos, mas.... isso é Internet!

Aparentemente criaram a regra de que só se pode debochar dos que possuem nível intelectual, ou sejam brancos, ou sejam homens, ou sejam héteros, ou sejam conservadores. Pessoas com o inverso dessas características não podem ter piadas feitas a seu respeito.

BLH

Marina disse...

Que mulher linda! Que ser humano maravilhoso!! Que ela tenha muita força para passar por esse momento e que o bebê venha cheio de saúde!

titia disse...

BHL acho que até uma anta entende que o médico metido a sabe tudo assumiu o risco de ser criticado tornando pública a zoação com o paciente. Sabe aquele velho ditado, quem fala o que quer ouve o que não quer? Bom, ele vale pra internet agora também. Quer zoar uma pessoa por causa da ausência de educação que impossibilitou que ela falasse um português correto de uma forma que a zoação pode chegar ao conhecimento da pessoa e fazê-la se sentir humilhada? Faça, mas esteja preparado pra ser chamado de babaca até o dia de são nunca.

Anônimo disse...

A questão não é nem essa, é que a médica tentou, veja só, dar uma lição de moral no cara. Pessoas que fazem piadas não querem saber de chatos hipócritas heróis dando lição de moral. Elas só querem rir.

Dá a impressão até de que a falta de conhecimento do idioma é algo pra se orgulhar. Vixe.

BLH



Marcia Baratto disse...

BLH, não acho. A Médica mostrou uma outra interpretação possível do que fazer com os 'erros de português' de um paciente. Afinal, o serviço de médico paga para tratar das pessoas ou fazer revisão ortográfica e dar aulas de português também está no contrato?

Só acha que é lição de moral quem lá no fundo ficou foi incomodado com o carinho que a médica é capaz de demonstrar para outras pessoas, gente que vomita ódio (não tem nada de zoeira nos comentários contra Júlia, é ódio puro) e que no fundo se doí por que não recebe tratamento carinhoso assim de ninguém. E vamos comentar, quem conseguiria?

Não dá amar os trolls (com exceção daqueles fofinhos da série animada da década de 1970).

Anônimo disse...

Eu adoraria poder me consultar com essa doutora.

Já tive consultas com outros médicos e sempre senti falta de uma coisa: empatia. Ele nunca tentava entender realmente qual é o problema. Só dizia que era virose e receitava um antibiótico qualquer ou me entupia de exames caríssimos sem nem escutar direito quais são os sintomas. Inclusive teve um que me mandou tomar um remédio o qual eu tenho alergia, mesmo eu o tendo informado disso.

Paola disse...

Essa Júlia é uma linda, por dentro e por fora! Só isso q tenho a dizer...

donadio disse...

"Kkkk puta merda... vocês aqui adoram rir de quem escreve algo errado, SE discordar de vocês, claro.
Agora pagam de bonzinhos, hipocrisia é foda!
"

Moleque, eu rio de quem eu quiser. Eu não sou médico, não fiz um juramento de não divulgar nada a respeito dos meus pacientes. Ninguém é meu paciente, ninguém vem a mim na expectativa de contar coisas íntimas e tê-las tratadas como segredo profissional. Erre seu português, babaca, e eu debocharei de você infinitamente, por que você é um canalha que se pensa muito sabido, mas não deve saber quando usar crase, nem a diferença entre "por que" e "porquê".

Anónimo disse...

Todo ser humano eh capaz de fazer maldade, vai ver na africa se nao tem maldade , mulher fazendo maldade eh oque nao falta,homem tbm, criança tbm, soh oque tem que mudar eh a EDUCAÇÃO E RESPEITO APRENDIDO DESDE PEQUENOS.
Bjos

Anônimo disse...

(Viviane)
Além de comovida com a sensibilidade da Júlia, tão rara no meio médico, eu gostaria de desenvolver um ponto mencionado por ela: "as dores que não aparecem em nenhum exame". Entendo isso como prova da importância de se ter psicólogos na equipe mínima das unidades de saúde. Às vezes, eu acho que também a Psicologia é uma profissão meio elitista (muitas pessoas não sabem o que é o trabalho do psicólogo), mas pode contribuir muito para a saúde das pessoas.

titia disse...

BHL nem todo mundo é ignorante em português correto porque passava a aula no facebook ou no banheiro medindo o pinto com os coleguinhas ao invés de prestar atenção (que é obviamente o caso dos mascus). Tem gente que é ignorante em português correto porque por algum motivo de força maior (por exemplo, precisa trabalhar precocemente pra não morrer de fome). O próprio alvo da zoação é uma dessas pessoas que queria estudar mas teve que abandonar a escola e trabalhar pra família não morrer de fome. Além disso, como o donadio falou, médicos tem obrigação de manter sigilo profissional, como os padres e psicólogos. E eu já disse, o médico se expôs a ser contestado e chamado de babaca quando postou essa foto em público.

Anônimo disse...

Tá confirmado então m o problema n é ridicularizar quem escreve errado , é o alvo do deboche ficar sabendo, realmente vcs são superiores ao médico. ..

donadio disse...

"Tá confirmado então m o problema n é ridicularizar quem escreve errado , é o alvo do deboche ficar sabendo"

Não, moço. O problema é ridicularizar uma pessoa com a qual você tem uma relação de confiança, quando você trabalha numa profissão que tem um código de ética que proíbe isso.

Todos nós vamos ao médico por que o médico, em tese, sabe mais do que nós. Se entendêssemos mais de medicina do que o médico, nos automedicaríamos, que fica mais barato e mais prático. Mas parece que há uma tendência entre alguns médicos a achar que o paciente tem obrigação de ser um grande sábio. Um, por exemplo, criticou a vinda dos médicos cubanos fazendo uma lista de nomes populares de doenças e dizendo que os cubanos não teriam condições de entender os autodiagnósticos da população brasileira. Parece que ele se considera uma espécie de super-balconista de farmácia, cuja única função é indicar o remedinho adequado, enquanto o diagnóstico cabe ao paciente. Outro se enfureceu com a paciente que tinha dor de cabeça, dizendo "nunca ouviu falar de paracetamol?" Esse parece que acredita que não só o diagnóstico, mas também a escolha do tratamento são atribuições dos pacientes. Médico pra quê, então? Pra receber salário e posar de bacana?

De uma forma geral, parece haver uma ideia de que o paciente precisa fazer alguma coisa, além de, se for o caso, pagar, para "merecer" ser atendido pelo discípulo de Esculápio. Então vamos deixar uma coisa bem clara. Quem escolhe a profissão de médico, escolhe uma profissão de serviço. Trabalha para servir aos outros, independente de quem esses outros são. Tem que tratar e respeitar gente sabida e ignorante, rica e pobre, bem vestida e mal vestida, inteligente e burra, bonita e feia, simpática e antipática, mansa e brigona, de esquerda e de direita, ateu e crente, católico e budista, honesta e desonesta, policial e bandido, gente que gosta de sertanejo e gente que gosta de música clássica. Tem de tratar gremista e até mesmo, por absurdo que pareça, respeitar colorado. E parte desse tratamento e desse respeito é tratar tudo que o paciente diz, inclusive seus erros de português, como segredo profissional, se não for assunto de direito penal.

Não gosta? Não quer? Tem nojinho? Pede pra sair, ninguém é obrigado a ser médico.

Anônimo disse...

Eu ia postar um comentário, mas o Donadio é muito lindo e maravilhoso e já escreveu tudo que eu queria. BLH: leia os comentários do Donadio e aprenda. Apenas aprenda. E por favor, pare de escrever merda. Vc está envergonhando a si mesmo. Tá feio.
Hanna

Anônimo disse...

Eu sou pardo (pai branco e mãe índia), mas ultimamente tenho sentido pena dos brancos, do jeito que a coisa anda, eles serão as vítimas do futuro.

Unknown disse...

Eu aguardo o dia que seremos melhores, que viveremos em um mundo que saiba respeitar as diferenças.
Acredito que estamos no caminho, lentamente, mas avançamos.
Então, continuemos o trabalho, para que as próximas gerações cresçam num mundo com mais amor.

Renata C M Santos disse...

Eu aguardo o dia que seremos melhores, que viveremos em um mundo que saiba respeitar as diferenças.
Acredito que estamos no caminho, lentamente, mas avançamos.
Então, continuemos o trabalho, para que as próximas gerações cresçam num mundo com mais amor.

Anônimo disse...

Faz séculos que não comento aqui; nesse post resolvi dar minha opinião :

Eu não sou ninguém pra julgar se o " arrependimento " do colega médico é sincero ou se é,e o fez por orientação de advogados, para fazer média e ficar bem na fita .
Só que como alguém ai em cima disse, acredito que todo pedido de desculpas é válido,

Não estou em condições de julgar o colega porque não o conheço . Acredito que só o tempo vai dizer se ele se modificou ou não. Não é só pedir desculpas e falar que mudou, não é só um ato isolado, Ele precisa rever os valores que aprendeu durante a vida dele. Valores esses que devem ter sido passados por: pais, família, amigos, escola e até mesmo ( pasme ) professor universitário.

Pode soar estranho, mas quando você faz um curso universitário, tudo o que os seus professores dizem vira lei . Eles são vistos pelos alunos como deuses ou semideuses, ou pelo menos eu os via assim, aceitava tudo que vinha deles sem questionar .
Ao longo dos anos e da profissão fui percebendo que estava equivocada em muitas coisas,e fui abandonando posturas / valores que estavam equivocados para ter outros mais saudáveis . E é isso que vai determinar se o colega vai se modificar. Se ele vai rever a postura e os valores ou se vai ficar só nas desculpas e continuar fazendo tudo igual .

Gosto de uma frase de Ganymedes José, que está em um de seus livros de histórias infanto - junenis: " pedir desculpas é um ato de transformação, é só quando compreendemos o erro que somos capazes de modificar a postura perante o mundo " ( adaptado, não lembro as palavras exatas ) .


De resto, exceto pela pretendo processo penal ( não, o médico não tem obrigação e nem pode relatar nada - nem homicídio, nem aborto, ...- EXCETO violência , negligência ou abuso sexual contra MENORES DE IDADE - nesse caso, a não notificação caracteriza negligência e é passível de punição ) , exceto por esse detalhe o comentário do Donadio está perfeito : " Não gosta ? Não quer ? Tá com nojinho ? Pede pra sair , ninguém é obrigado a ser médico " . Assino embaixo ,

Maria Valéria .