quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

GUEST POST: BELEZA PURA

Candida Maria Ferreira da Silva, assistente social, teóloga e, na sua definição, "uma preta beiçuda muito abusada" tem um blog e me enviou este texto maravilhoso que me fez sorrir de orelha a orelha.

Quando essa preta
Começa a tratar do cabelo
É de se olhar
Toda trama da trança
Transa do cabelo
Conchas do mar
Ela manda buscar
Prá botar no cabelo
Toda minúcia, toda delícia...
(Beleza Pura – Caetano Veloso)

bell hooks: Precisamos teorizar o
significado da beleza em nossas vidas
para que possamos educar para a
consciência crítica
O que é beleza? Estamos falando de um conceito antropológico e socialmente construído. Ele não é igual em todos lugares no mundo, nem em todas as sociedades, nem em todas as épocas. Contudo, beleza, também, se tornou uma mercadoria, um item de consumo cada vez mais caro, com a promessa de trazer felicidade, aceitação, poder, ascensão e quem sabe alguns minutos na babel televisiva, no caldeirão das celebridades?
Os padrões de beleza variam conforme os períodos históricos e consequentemente seus modos de produção. E por muito tempo teve um forte recorte de gênero: beleza era, conforme o padrão da época, um atributo desejável para uma mulher e facilitador para casamentos.
Na mitologia grega a beleza foi personificada por uma deusa Afrodite ou Vênus. Entre os egípcios, Hator, entre os hindus Lakshmi, no panteão dos Orixás, Oxum.
A descoberta de outros povos, com outras cores, com outras formações corporais, trouxe estranhamento e perplexidade. Haviam indianos, japoneses, chineses, índios, gente de cor negra, apesar da Antiguidade já registrar o contato entre os povos romanos, judeus, egípcios, gregos, orientais, entre outros.
Mas o padrão europeu prevaleceu como o padrão de beleza, penso eu, muito ligado ao padrão grego. Com o advento do capitalismo a beleza deixou de ser apenas um atributo desejável, divino, transcendente do ponto de vista da estética, para se tornar, como assinalei acima, mercadoria. E que beleza é essa? 
Ela é branca, loira, de olhos azuis ou verdes (preferencialmente), de corpo perfeito (barriga negativa), sarada, com muito peito e muita bunda! Hoje é Gisele Bündchen o padrão de beleza (uma brasileira?) perfeito. Quando eu era garota, Xuxa Meneghel a e suas paquitas eram o modelo perfeito da beleza.
E ser negra na ditadura das loiras era ser feia. Lembro que Zezé Motta foi uma das primeiras atrizes a protagonizar uma personagem fora dos estereótipos que a TV aponta para nós, não lembro a novela, mas, ela fazia par romântico com Marcos Paulo (que seria o Ricardo Tozzi, Cauã Raymond, Marcos Pigossi de hoje) e, pasmem, não era empregada doméstica! Era uma arquiteta, paisagista. Óbvio que o tema preconceito veio à tona e me lembro de uma radialista, hoje em cargo legislativo, que fazia em seu programa comentários sobre novelas e outros temas televisivos. O tema era então o preconceito que a sociedade vinha demostrando com o estranhamento daquele casal interracial. Me lembro como hoje que ao invés de debater o preconceito, a jornalista me saiu com a seguinte pérola: “Zezé Motta é uma negra feia... Eu não a acho bonita!” 
Bem, ninguém estava falando se Zezé Motta era feia ou bonita, o debate era a reação da sociedade ao casal interracial, mas, naquele momento, eu, uma garota, uma adolescente, ouvi isso que repercutiu em mim, porque (feia ou bonita) aquela era a primeira vez que eu via uma atriz negra protagonizando uma história de amor interracial e não ocupando os lugares que a sociedade sempre diz que deve ser de uma preta: serviçal, subempregada, desfrutável, favelada barraqueira. E ela era a negra feia; portanto, como é que podia “namorar” o galã Marcos Paulo, nem que fosse na ficção?
Eu ouvi muitas vezes que devia alisar meu cabelo duro, meu pixaim, meu cabelo Bombril, meu cabelo feio, era o tal de “arrumar o cabelo”, e lá sofri anos (desde pequena), com pasta alisante, henê, ferro e chapinha baiana, óleo alisante, creme alisante... E tudo detonava meu cabelo, porque ele é muito fino e frágil. Então eu estava sempre com aquele cabelo seco, sem vida, quebrado, detonado. Mas, afinal, na ditadura das loiras, brancas, o cabelo precisava ser liso, “bom”.
Ouvia muito também o tal de morena, moreninha, morena jambo, e “até que você é bonitinha”, ou então: “Olha como é exótica!”
Eu não entendia por que os meninos não queriam namorar comigo. Não entendia por que, se rolava uma festa, eles queriam ficar e abusar. Só depois é que eu fui aprender que a “neguinha” é para usar. Mesmo que na festa eu fosse a garota mais linda, tão linda que as meninas ficavam com raiva e os meninos que não queriam me namorar ficavam de boca aberta! Eu tinha um lugar que a sociedade já me marcara para ficar!
Mas foi somente o processo de conscientização sobre a minha negritude, que começou na faculdade, que me trouxe libertação. A primeira transgressão foi usar as tranças nagô (após uma grande briga com minha mãe) e qual foi o meu espanto ao olhar pela primeira vez a minha beleza negra e poder dizer para mim mesma: Meu Deus, eu sou bonita!
A partir daí foram as tranças, meus grandes brincos, colares, pulseiras, batons que valorizavam minha negritude. Quando passava deixava muitas bocas abertas, muitos olhares acompanhando, aquela preta abusada que ousava a não ficar no lugar que “marcaram para ela”.
Mas nossa sociedade também passou por mudanças: negros começaram a ascender socialmente, revistas especializadas tratavam da “nossa beleza”, negras e negros “bonitos” começaram a ter destaque na TV e finalmente as mídias sociais “soltaram o verbo”, nos desprenderam das mídias oficiais, e pretos e pretas “lindas” saíram do anonimato. Ver-se, reconhecer-se é importante! Porque você passa a ser existente, o menino e a menina têm sua boneca, têm seus heróis. As mulheres de meia idade têm uma Viola Davis fazendo uma personagem poderosa, linda, sexy, sem corpo sarado e barriga negativa. Que maravilhosa!
Turbantes, tranças nagôs, cabelos naturais, vestidos coloridos, floridos, com motivos étnicos, brincos, colares, pulseiras, maquiagens... Mas, Candida, isso é a indústria da beleza! Sim, eu sei, mas, ela precisou se ampliar e se render a uma população que até duas décadas atrás não existia.
E fazê-la se render a nós é uma vitória, porque ela tem que dizer: pretos e pretas existem. E existem de várias formas: baixos, altos, gordos, magros, heterossexuais, homossexuais, bissexuais, pretos de vários tons de cor, todos eles trançando seus cabelos, usando seus turbantes, assumindo seus cabelos, fazendo moda, criando tendência, fazendo história nas redes sociais, exibindo sua beleza variada, desafiando a “ditadura da beleza” que a sociedade impõe, até para nós pretos, porque agora tem aquele tipo de preto e preta bonita: o corpo perfeito, os longos cabelos crespos, um rosto “mais fino”...
E você, Candida? Bem, eu assumi meus turbantes, minhas tranças novamente (abusadamente loiras; quem disse que eu não posso ser loira?). E agora meus cabelos naturais e sim, SOU BONITA! Sou uma Candace (rainhas guerreiras africanas), uma Nefertiti (rainha da 18a dinastia do Antigo Egito, esposa principal do faraó Amenófis IV, mais conhecido como Aquenáton), fiz uma selfie em que fiquei a cópia de Nefertiti.
Minhas fotos não têm filtro, photoshop, no máximo eu estou lá com meu batom ou cara limpa, e agora me olho e vejo uma linda mulher. Uma preta com uma história, uma preta com uma alma poeta, uma preta com sua espiritualidade, uma preta que desafiou os “lugares que devia ficar”, uma preta que se descobriu não de fora para dentro, mas de dentro para fora, que desabrochou como uma linda e esplendorosa Flor de Novembro.
Eu não pareço com a atriz A ou C. Nem com a miss D ou E. Nem com a cantora X ou Y. Eu pareço comigo. Elas são bonitas? Não sei, eu as vejo sempre maquiadas, em fotos de photoshop. Você é bonita? Ah, eu sou. Quando eu olho a minha história, que se junta à história da minha mãe, da minha avó, da minha bisavó e de meus ancestrais, eu sou muito, muito bela... Eu sou Beleza Pura! 
E cada preta, cada preto, cada branco, cada pessoa deve descobrir sua Beleza Pura. Porque toda gente é bonita de natureza! E, o mais lindo que se pode fazer é transgredir a ditadura da beleza que se impõe a nós. Transgrida, descubra-se, desabroche e faça sua escolha de quem você é e não do que dizem quem você deve ser!

47 comentários:

Anônimo disse...

Eu sou preta e sei que somos ensinadas desde cedo que nosso cabelo é ruim, a pele é ruim, a existência humana é ruim e reforçar a própria beleza é sim, muito necessário. Só que pra mim existe uma diferença entre reforço e forçar a barra.

Não é uma crítica ao texto diretamente, mas a uma situação que vi hoje. Uma reportagem sobre bonecas tipo barbie, só que negras, com cabelo crespo e roupas que remetem origens africanas. Eu achei legal a boneca em si mas não a reportagem.

A forçação de barra:
"Empresária cria bonecas negras E ELAS SÃO LINDAS!" (assim, em caixa alta)

Eu não vejo muita diferença disso a falar "ela é preta mas é cheirosa" ou "ela é preta mas é bonita". Embora não tenha um "mas" ali na frase, não deixa de haver um racismo implícito na coisa (como se fosse impossível que bonecas negras sejam bonitas).

"Empresária cria bonecas negras" já estaria de ótimo tamanho. E forçações de barra assim, vinda de gente muito bem intencionada inclusive, eu vejo all the fucking time.

Tipo quando o Obama foi eleito. "Obama, o primeiro presidente negro, faz não sei o que". "Obama, presidente negro, foi não sei onde". Nossa, que bom que avisaram que ele é preto né? Mal se nota!

Reparem como mesmo na melhor das intenções é fácil cair na armadilha da segregação.

Anônimo disse...

O risco está a todo instante anônima das 11:57(meu deus coloca a opção de responder nesse site) sobretudo com a questão de relacionar qualquer coisa com a África, por exemplo, na novela da oito, há uma moça linda e negra com cabelo loiro, deixou de ser negra por isso? Não,deixou de bonita por isso? Não, ficou bonito nela, ela tem o direito de usar da cor que bem entender, mas já vi gente lamentando, dizendo que ela deveria usar o cabelo afro, ou seja, se colocar no seu lugar.

Camila Lobo disse...

Que texto inspirador, fantástico, empoderador, entusiasta!

Eu sou preta, mas apenas há pouco tempo tenho querido assumir meu cabelo crespo, minha pele mais escura, minha identidade! Mesmo assim, tenho consciência de que não é apenas o fato de ainda andar com o cabelo escovado e sem roupas com estampas étnicas que sou menos preta. A minha negritude se manifesta no meu comportamento enquanto ser humano, enquanto membro da sociedade que se autoafirma e combate os comportamentos avessos à minha cultura e etnia, ainda que eu seja altamente miscigenada e filha de pai branco, neta de brancos e negros. Penso que se minha pele é escura, minha alma resplandece e se mostra como alguém que se orgulha e enaltece suas raízes. Viva a negritude, viva o afro, viva minha cor!

Mila disse...

Que lindo o seu texto Cândida! Difícil dizer quais os pontos mais importantes e mais legais.
1. A maneira como a beleza impacta na nossa afetividade. Antes do chororô de gente negando, creio que a vivência diferenciada da afetividade da mulher negra tem total ligação com os padrões de beleza e o reforço de estereótipos. A mulher negra é vista ora como objeto sexual na sua juventude, ora como a empregada que está lá para servir. Mulheres negras parecem que não são dignas de viver afetividade com outros, principalmente se o parceiro não é negro, como se estivesse roubando o lugar da mulher branca. Dou o exemplo da Twigga com o Pattinson. Houve muito racismo pq o galã namora uma mulher negra e autêntica e não a mocinha branca Stewart. Um questionamento que reverbera socialmente nas relações entre homens brancos dentro do padrão e mulheres negras.
2. Acompanho muito de perto a questão da volta à naturalidade dos fios de cabelos. Sim, a beleza é mercadológica e certos padrões são revistos quando a indústria sente que pode perder com isso. Excluir mulheres de cabelos cacheados e crespos não se revela mais tão rentável. É com satisfação que hoje não sou relegada a escolher o produto pensado para o cabelo da mulher branca, já tenho uma gama de produtos (tanto a preços populares como produtos mais caros) a escolher. Mas, vale dizer que não tendo o cabelo crespo tipo 4 ainda sou uma privilegiada, mulheres com cabelos mais crespos e pele mais escura não tem ainda tanta liberdade de escolha enquanto consumidoras.

Anônimo disse...

A Candida defende o orgulho de ser negra e de seu cabelo natural, mas usa ele LOIRO. OI? Cabelo natural não seria um cabelo sem quimicas?
No mais, acho que cada um deve usar o seu cabelo da forma que achar melhor. Uma negra de cabelo alisado não é menos negra por causa disso. Significa apenas que ela prefere seu cabelo assim e isso deve ser respeitado. É notória a pressão que as mulheres negras sofrem para usar o cabelo natural. E no fim, a opressão só mudou de froma, mas ainda é a mesma.

Anônimo disse...

Eu não acho a mulher negra menos desejada, ela também é exposta, mas não sei talvez as negras daqui possam informar melhor.

Também já conheci mulheres que eram doidas por asiáticos, mas eu acho que de fato eles não devem ser muito interessantes para as ocidentais.

Eu acho que talvez seria homem moreno dos olhos claros e alto, forte. colocar só moreno é muito vago.

Anônimo disse...

13:35, alguma pesquisa que fundamente isso ou baseado no puro achismo?

Anônimo disse...

A empresa Trottla produz bonecas hiperrealistas destinadas a pedófilos que desejam controlar os seus impulsos sexuais.

O fundador da companhia, Shin Takagi, diz acreditar que as imitações sexy de meninas podem ser uma arma valiosa na luta contra abusos de crianças.

Em reportagem do "Mirror", o próprio Takagi diz lutar contra a atração por crianças

"Deveríamos aceitar que não há como mudar fetiches. Estou ajudando pessoas a expressarem os seus desejos, de forma legal e ética. Não vale a pena viver se você tem desejos reprimidos", afirmou o empresário


ABSURDO!!


http://blogs.oglobo.globo.com/pagenotfound/post/empresa-fabrica-bonecas-hiperrealistas-para-pedofilos.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O+Globo

Anônimo disse...

HAHAHA SÓ PODE SER PIADA GENTE HAHAHAHA

Anônimo disse...

Por que, por que pra algumas pessoas é tão impossível simplesmente calar a boca e ouvir quando alguém fala de racismo? Me diz, anon das 13:35 que provavelmente é um macho hétero branco privilegiado, por que você não pode só calar o cuspidor de achismo barato e ouvir o que uma vítima de racismo tem a dizer? Eu procuro fazer isso o tempo todo e juro que não é tão difícil, sua língua não cai nem seus ouvidos derretem. Tente.

Anônimo disse...

Anônima 13:47, sobre o fato dos homens morenos serem mais desejados que os loiros: http://www.bolsademulher.com/amor/elas-preferem-os-morenos ; Que os homens asiáticos são os menos desejados... tu já viu japonês, sul-coreano, etc... fazendo a limpa nas brasileiras em eventos internacionais? Geralmente são brancos e negros americanos ou europeus, da austrália, nova zelândia.

Anônimo disse...

Anônima 13:47, os ruivos também sofrem preconceito das mulheres!

Anônimo disse...

13:59 não esqueça que japoneses vivem em uma cultura altamente repressora emocional e sexualmente, além de altamente machista, que dificulta a interação e os relacionamentos com as mulheres. Europeus, australianos e neo zelandeses são de culturas que além de MUITO menos machistas estimulam a extroversão e a interação com pessoas desconhecidas. Ah, muitos asiáticos ainda são altamente xenófobos e não se relacionam com mulheres de outras etnias. Nada disso invalida o artigo da Candida sobre o racismo sofrido pelas mulheres negras no Brasil e no mundo. Que tal parar com iuzomismo? O mundo não gira em torno dos ómis.

Anônimo disse...

14:09
Outra pesquisa super útil do instituto as vozes me disseram.

Anônimo disse...

Anônima 14:10

Tu acredita que brancos / negros primeiro-mundistas (nao-asiaticos) precisam fazer algum esforço pra ficar com brasileiras nos eventos internacionais? Se fosse assim, as proprias asiaticas rejeitariam os asiaticos.

Anônima 14:11

A mesma pesquisa das vozes que me disseram, que tinha afirmado antes pra uma feminista rejeitada basta ela conhecer um bonitão (caso da sara winter). To errando direto.

Anônimo disse...

Ué, mas mulher não era tudo interesseira e só gostava do bolso dos homens? Agora elas gostam de homem bonito?

Sejam sinceros. O homem, em geral, se interessa muito mais na aparência que a mulher. Inclusive, vi uma pesquisa (não consigo achar agora) francesa que indicava que as mulheres tendem a escolher parceiros com mais diversidade que os homens, estes tendiam a escolher parceiras mais próximas e uniformes aos padrões de beleza vigentes.

13:59. Vc se esquece do fator cultural ao qual estão submetidos orientais e seus descendentes em geral.

Anônimo disse...

Eu diria que os japoneses são inteligentes, eles sabem que o objetivo final da mulher nunca é o homem, e eles não ficam se humilhando em troca de alguns minutos de prazer. O mesmo não acontece com os sul-coreanos.

Anônimo disse...

14:30, um homem deseja ter uma mulher bonita para que? Isso também é utilitarismo!

Anônimo disse...

14:39, já ouviu falar em seleção sexual? E outra, homem não tem como fingir, esqueceu?

Anônimo disse...

Primeiramente acho a mulher do post e várias outras negras bonitas. Segundo, jamais me casaria com uma mulher que acho feia, quero ter filhos bonitos, sem contar que feia normalmente é mal cuidada que normalmente é uma pessoa sem hábitos saudáveis.

Anônimo disse...

14:46, então homens tb são utilitários, ora essa! Ele também não está usando a mulher seja como status, para clarear a geração, para ter prole "bonita"

Anônimo disse...

No mais, acho que cada um deve usar o seu cabelo da forma que achar melhor. Uma negra de cabelo alisado não é menos negra por causa disso. Significa apenas que ela prefere seu cabelo assim e isso deve ser respeitado. É notória a pressão que as mulheres negras sofrem para usar o cabelo natural. E no fim, a opressão só mudou de froma, mas ainda é a mesma.

Igual ao parto normal/natural.

Anônimo disse...

Normalmente o que noto é que homem pardo(desde os mais claros) ou negro que tem mais fixação por loiras, parecem mesmo querer clarear a prole ou tem essa síndrome vira-lata. Os homens loiros, brancos que conheço a maioria namora com mulheres morenas, pardas(mas normalmente são com as mais próximas do padrão europeu, é verdade).

Alessandra disse...

Difícil o caminho que a mulher negra tem de percorrer para encontrar beleza e orgulho em suas características. Ser negro numa sociedade profundamente racista e desigual exige coragem em alta dose. Precisamos falar, combater, denunciar o racismo diariamemte. Precisamos tirar expressões racistas de nosso vocabulário e ouvir a opinião de quem é vítima dessa praga todos os dias.

Anônimo disse...

15:08, não sei de onde tu tirou que homens querem mulheres bonitas pra melhorar geração, geralmente é porque sente forte atração pra g*zar gostoso e talvez mostrar por aí, muito comum entre os homens feios.

Anônimo disse...

16:04, então vcs gostam de mulheres bonitas para mostrar por aí, logo são utilitaristas, como acusam as mulheres.


Me divirto com as contradições de vocês! Adoro.

Anônimo disse...

Beleza é só um conceito abstrato burrada. Tem branquelos horrorosos e tem preto bonito, tem pretos horrorosos e tem branquelos bonitos.

Mas a maioria da população mundial é feia. Se você nunca foi elogiado pela a sua beleza então você é feio (a).

Anônimo disse...

De uns tempos pra cá eu tenho visto bastante casais negros na rua. É um bom sinal ao meu ver, mostra que negrxs estão se aceitando mais, sem aquele complexo de Cirilo.

Anônimo disse...

Quem fala que mulher negra é pouco desejada são feministas negras complexadas obesas. Basta fazer uma visitinha lá na favela e verá que as negrinhas de corpo razoável são as que mais despertam tesão na galera.

Anônimo disse...

Engraçado 16:27, a dissertação da Claudete Alves diz o contrário. Mesmo entre mulheres de renda menor, as "da favela", ela encontrou que homens negros ainda preferem mulheres brancas que as mulheres negras. Estas são procuradas por homens negros no início de sua maturação e aprendizado sexual, mas são preteridas para relacionamentos duradouros. Também é bom frisar o número de mães adolescentes negras solteiras que existe entre a população mais pobre.

Anônimo disse...

Bonitas preferem os feios? Nem você acredita nisso, mascu das 17:46. Não se iluda, a gatinha da academia nunca vai se interessar por você. No máximo vai dar um bom dia.

Anônimo disse...

Dá-lhe Sara!
Sinta-se acolhida por nós conservadores.

Anônimo disse...

Mascu Sara, a original já deu vexame o suficiente. Você não precisa tentar afundar a coitada ainda mais na lama.

14:16 por que as asiáticas rejeitariam os asiáticos? As japonesas realmente não estão querendo se relacionar, mas é por causa do machismo dos homens, o que os europeus e australianos teriam a ver com isso? Você já, sei lá, tentou manter a coerência dos seus pensamentos e, por tabela, dos comentários que você faz? Porque seus delírios mascuzais realmente não fazem o menor sentido.

Anônimo disse...

So eu que nao acho loiros atraentes... Nem homem nem mulher, acho mais sensual pessoas de cabelos escuros.

Anônimo disse...

o que acha disso Lolita?

http://blogs.oglobo.globo.com/pagenotfound/post/empresa-fabrica-bonecas-hiperrealistas-para-pedofilos.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O+Globo

Mari Taborelli disse...

Zarina colecionava beleza
Colecionou sua tez
Negritude brilhosa de ônix
Cor linda que a natureza lhe pintou
Colecionou seu cabelo crespo
O mais livre, belo e solto da cidade
Colecionou seus lábios
Fartos, irresístives e méleos
Colecionou sua essência
Suas manias, histórias, amores
Por fim, colecionou a sí mesma
E descansou feito uma estrela
Na mais vistosa das costelações

AEPC disse...

Lindo texto!

Laura disse...

Eu acredito que para a classe média a busca pela identidade negra é ainda mais permeada de desafios. Sou uma prova de que dinheiro não embranquece. Sou negra, de pai negro e mãe branca. Desde pequena, minha mãe lutava contra "esse cabelinho rebelde". Estudei nos bons e caros colégios do RJ onde era obviamente a única pessoa negra da minha turma. Eu não achei que era diferente até chegar a adolescência, aquela fase em que todo mundo anseia por aprovação. Apesar de ser bonita, eu fui a última da turma de meninas que teve um interesse amoroso, junto com as meninas gordas e nerds. Com 15 anos, um paquera disse que não mais ficaria comigo porque não queria uma namorada que tivesse cara de empregada. Foi um baque, mas levei a vida em frente.
Mais tarde, na faculdade, entrei em contato com pessoas que moravam nas favelas cariocas. Fiquei abismada e ao mesmo tempo com inveja do quanto as meninas que era marginalizadas pelos brancos no asfalto encontravam seu próprio conceito de beleza. A pobreza e o preconceito empurrou os negros para as favelas, mas pelo menos ali os brancos não ficavam 24hs por dia desmerecendo seus cabelos, suas roupas e sua beleza.
Pouco depois de me formar namorei o primeiro rapaz negro da minha vida (lamentavelmente meus círculos sociais eram formados quase em sua totalidade por brancos). Ele era um rapaz pobre, mas desde sempre lutou muito. Já tinha sido pedreiro, eletricista, office-boy e depois auxiliar administrativo num escritório. Nosso relacionamento acabou pq ele achava humilhante que eu "uma doutora" ganhasse mais que ele, tivesse mais escolaridade e pagasse a conta com mais frequência, apesar disso nunca ter feito diferença para mim.
Também notei, nos meus relacionamentos com pessoas brancas, que as pessoas e principalmente as mulheres costumam olhar a mulher do casal com desdém. Meus últimos namorados, antes do meu marido (que é descendente de japoneses) eram um francês e um grego. Nem preciso falar que onde íamos éramos motivo de cochichos de pessoas que julgavam que uma mulher negra com um estrangeiro só podia ser prostituta. Como se não fôssemos dignas de ter um relacionamento sério com um homem branco e europeu.

Anônimo disse...

As vezes eu acho que os gringos parecem gostar mais de negra que os daqui. Realmente as mulheres fazem isso, elas ficam se perguntando pq essa tem namorado e EU nao... Principalmente se a mulher for feia.

Anônimo disse...

Aí a pessoa faz um texto belíssimo sobre racismo,e vem gente argumentar que "negras não são menos desejadas"... Porra, não leu o texto?? Nenhum texto desse blog? Desde quando ser desejada é ser respeitada? Por que será q homem detesta que olhem/mexam com suas mães e irmãs na rua? Pq ele sabe que isso significa tudo, menos interesse verdadeiro e respeito.

Dan

Gustavo disse...

"O que é beleza? Estamos falando de um conceito antropológico e socialmente construído."

Gente por favor, vamos usar mais ciência para pensar...

Marcia disse...

Gustavo, e você fez diferente? No que citar a ciência acrescentou alguma coisa ao seu comentário ou a reflexão do texto? Tá posando de babaca acadêmico por quê? Para mim, a referência é válida para dizer beleza não é um dado que independe da valoração de quem o mobiliza (conceito sociológico de base individualista, se você quiser ser bem preciosista ou pedante), e os jogos de valores que dão 'alma' e sentido ao conceito estão atribuídos a sistemas culturais (ou seja, variam de grupo para grupo, no tempo e no espaço) - B-A-Bá antropológico nível 1. Dava para ser mais científico? Dava, mas para quê? Isso aqui não é revista qualis A da capes, aqui sentimentos, felizmente, contam muito mais do que os preciosismos acadêmicos e seus mil preconceitos velados de pensamento, que não passam de ignorância profunda.

Aliás, se você não percebeu, de forma bem didática, mas correta, a autora explicitou os dois usos para o conceito no parágrafo seguinte, para alguém que está cobrando precisão científica, seria bom analisar o texto todo, não? Pelo menos onde me formei, mesmo a análise de discurso sobre uma linha, requer compreensão do texto todo.

Mas, no mais, para quê mesmo precisa de mais 'ciência' para pensar o racismo? Se já foi científico justificar a criminalidade pela cor da pele, se já foi 'comprovado cientificamente' que 'negros e indígenas são inferiores aos europeus', se a ciência já foi usada para comprovar que 'negros não são seres humanos'? Prefiro passar distante dessa ciência que não tem tolerância e nem senso crítico. Racismo até rima com academicismo, e juntos eles são pedantes e chatos que só.

O texto é belíssimo, (humilde opinião não científica, ainda bem, dessa leitora) e vale por tudo de bom que ele desperta, pelo relato real de alguém de carne e osso, pela alegria que ele carrega. Não é científico? E daí? Quem se importa? Nem por isso menos importante, nem por isso menos necessário e muito apaixonante. Para mim, ótimo!

Anônimo disse...

"O risco está a todo instante anônima das 11:57(meu deus coloca a opção de responder nesse site) sobretudo com a questão de relacionar qualquer coisa com a África, por exemplo, na novela da oito, há uma moça linda e negra com cabelo loiro, deixou de ser negra por isso? Não,deixou de bonita por isso? Não, ficou bonito nela, ela tem o direito de usar da cor que bem entender, mas já vi gente lamentando, dizendo que ela deveria usar o cabelo afro, ou seja, se colocar no seu lugar. "

Tem essa também. Então eu sou negra, logo preciso usar um "uniforme de negra": cabelão assim, roupa assado, falar assim, me aliar a isso e aquilo, ou seja...................... segregação pura e simples, cada um no seu quadradinho e vamos todos nos TOLERAR.

Lembrando que só se tolera o que não se suporta, senão a tolerância seria desnecessária.

Tudo errado.

Candida Silva disse...

Interessante os comentários, relatos e poema, bom despertar o debate. Cada um deve usar o cabelo que achar melhor, a primeira vez que fiz crespo não ficou legal, mas, dessa vez gostei do resultado. Toda ditadura é horrível, por isso termino o texto incentivando a encontrar sua própria beleza. Sim fiz tranças nagô loiras, porque não? Desejável negras são desde que seqüestradas foram escravizadas neste país e sim a questão da beleza e a "posição social" da mulher negra gera solidão. Repito cada pessoa deve descobrir-se. Não quis fazer um artigo científico, mas, compartilhar uma experiência vivida. No mais cada um encontre seu caminho e sua beleza.

José Carlos Bortoloti disse...

Amei o adjetivo para minha mana Carioca de ébano.... "uma preta beiçuda muito abusada"...

Ela é exatamente assim. suas palavras saem com tanta facilidade que ela se torna, para nós, deliciosamente abusada
Amo Candida ( já sei, sem circunflexo) ela corrige se colocar. Ela escreve sempre assim.. Destila o que lhe via na alma, filtra no coração passa por sua mente genial e nos somos presenteados com textos e até poesias divinas.
Já estou acostumado com ela. Ou viciado nela.
Por isso ela é minha mana de ébano carioca.

Amo esta guria tchê

Parabens por abrir espaço para esta mente brilhante.

Baita braço cá do RS tchê.

Mano Borto
www.epensarnaodoi.blogspot.com.br
@profeborto

Ajk Hassen disse...

Parabéns, minha "Nega Beiçuda", seu texto, suas reflexões são produtos de uma amadurecimento seu, por todas as questões em que vivenciastes desde de muito cedo, que não soma em nada fazer menção dos mesmos neste momento.
Desde que a vi pela primeira vez a mais de 20 anos, me encantei pela sua "BELEZA", não somente a física, mas principalmente este beleza interior que tens... Sempre lhe chamei a atenção da mulher linda que és e, percebo em cada linha deste texto que esta beleza aos poucos foi eclodindo, parabénsssss.
Te amo minha "NEGA LINDA".
Seu maridão,
Acreano Hassen

Gustavo disse...

Márcia, sorry, fui babaca mesmo, não argumentei e não acrescentei em nada, reconheço, deveria ter deixado claro meu ponto, argumentado e feito algo construtivo :) vivendo e aprendendo !