sábado, 29 de agosto de 2015

GUEST POST: "NUNCA TIVE A CHANCE DE DAR MEU CONSENTIMENTO"

Recebi este relato da B.: 

Meu nome é B. e acompanho seu blog desde 2012. Foi um marco muito grande na minha vida, no sentido de me descobrir como feminista e de identificação com outras pessoas.
Por isso, pensei em te escrever sobre algo que aconteceu há dois anos na minha vida e que ainda me afeta, na realidade. Fiquei bastante tempo pensando em como escrever esse email. Então, vamos lá.
Era uma vez uma garotinha de 17 anos, uma pessoa alegre, cheia de sonhos, determinada, com alguns objetivos muito bem definidos. Era uma vez eu. Eu queria descobrir o mundo, conhecer outros países, mudar de cidade, fazer uma graduação, um mestrado, um doutorado... Até esse ponto, considero que eu fui muito bem-sucedida na minha "missão". Passei um ano fazendo intercâmbio em um país bem diferente durante o ensino médio, voltei, mudei sozinha pra outra cidade, fiz cursinho e depois de um ano consegui passar numa ótima universidade pública. Tudo ia bem.
Isso era 2013, no meu primeiro semestre de faculdade. Mas aí, durante esse ano, comecei a sentir muitas coisas ruins (angústia, medo, desesperança), que evoluíram para um quadro de depressão grave em 2014. Eu comecei a ter crises de choro inexplicáveis, que pareciam ataques de pânico. O ano de 2014 destruiu aquela pessoinha alegre que eu era: eu me isolei, sair da cama era um esforço tremendo, fiquei agressiva, perdi meus objetivos, me descobri infeliz no curso. Os pontos mais difíceis foram no segundo semestre do ano passado e agora em 2015. Eu pensava em me matar o tempo todo, e cheguei a tentar me cortar três vezes.
O primeiro semestre desse ano foi terrível. Não conseguia mais ir pra faculdade, acabei trancando quase todas as matérias, passava muito tempo dormindo ou só deitada. Passei por várias experiências desagradáveis com psiquiatras/ psicólogos, até que comecei a fazer acompanhamento com uma psicóloga maravilhosa.
Pois bem, depois de toooda essa história... Foi com essa psicóloga que eu consegui investigar melhor o que estava, e ainda está, acontecendo comigo. E o que eu acho mais estranho é que o fato surgiu de uma maneira acidental na conversa. Talvez tenha sido meu inconsciente, não sei. Bem, o que aconteceu foi lá no meu primeiro semestre de faculdade. É bastante comum na universidade acontecerem "happy hours", que são basicamente aquelas festinhas no campus mesmo, no espaço público. 
Em maio de 2013, fui em um desses happy hours com uma colega. Bebi duas cervejas e, não sei porquê, fiquei totalmente alterada. Hoje eu suspeito que tenham colocado alguma coisa na minha bebida. Depois disso eu fiquei fora do ar por umas 3 horas, acho. Só lembro de alguns flashes. Eu mal conseguia ficar em pé, alguém me pegou pela mão, me colocaram dentro de um carro, esse alguém me penetrou, me acharam passando mal no estacionamento. Continuei bem mal até ir embora com essa colega. No dia seguinte, quando eu acordei, isso voltou na minha cabeça e, quando eu fui no banheiro, tinha sangue na minha calcinha. 
Fiquei bem assustada, passei na farmácia e comprei a pílula do dia seguinte. O fim de semana foi horrível, porque eu viajei pra uma formatura e não podia conversar com ninguém. Voltar pra faculdade na segunda foi pior ainda, porque na festa meus colegas de curso simplesmente estavam achando muito engraçado meu estado, e eu não fazia ideia de quem fez aquilo. Eu "resolvi" que não ia deixar isso me afetar; decidi na minha cabeça que eu tinha transado com um desconhecido e era isso.
Sabe, Lola, até hoje, depois de muito e muito trabalho, ainda me questiono se isso foi um abuso. Mas quando essa pessoa passou e me puxou, eu nunca tive a chance de dar meu consentimento. Eu não tinha capacidade nem de lembrar meu nome. E hoje eu entendo que apesar da "decisão" que eu tinha tomado, de não deixar isso me afetar, o que aconteceu mexeu muito com a minha cabeça. Meu estado de negação fez com que meu choque voltasse das formas que te contei ali em cima. 
A forma como eu passei a me relacionar com homens também mudou completamente; durante esses dois anos, eu quase não disse "não" pra sexo. Hoje posso afirmar que não queria de fato ter estado com 80% das pessoas com quem estive. As coisas se tornaram muito mais uma questão de "tá, vai logo" do que realmente vontade. Sem contar que depois disso, comecei a sentir muita dor durante as relações e nunca falava nada. 
Ainda é bastante difícil encarar o que aconteceu. Foi depois que isso surgiu na terapia que eu comecei a melhorar. Estou bem mais saudável do que há alguns meses atrás, e estou começando a me sentir otimista apesar de alguns dias ruins. É engraçado como renomear as coisas muda os efeitos delas sobre a gente. O que eu estou sentindo agora é um misto de medo, desconforto e alívio. 
Eu conheci um cara muito bacana recentemente, que eu sei que me respeita totalmente, mas estou com muito medo de me relacionar com alguém. 
Parece que eu finalmente estou voltando a ter consciência do que eu sinto e retomando minha capacidade de agir sobre isso, depois de muito tempo apática. Não sei como vai ser daqui pra frente, mas fico feliz só de eu conseguir pensar em um "pra frente" pra minha vida.  
Ninguém deveria passar por isso, de verdade. Eu tenho chorado por mim e por todas as mulheres que sentiram isso, e espero que todas recebam a ajuda necessária pra superar. Acho que a gente nunca volta a ser quem era antes, mas isso talvez seja simplesmente relacionada a mudanças na vida.
Bem, Lola, era isso... Desculpa pelo tamanho do texto e se eu tiver gastado muito do seu tempo. Mas senti que seria bom te escrever. Seu blog é um dos únicos lugares em que eu sinto que há espaço para tolerância e não a propagação desse ódio tão característico dos movimentos atuais.

Meus comentários: Que horror, B. Espero que você hoje tenha consciência de que você foi estuprada. E é definitivamente muito difícil deixar algo assim "pra lá". Sabemos também que é incrivelmente difícil denunciar. Denunciar quem, pra quem? Se até quando uma vítima tem provas ela é desacreditada... E isso segue acontecendo nas universidades (e não só nas brasileiras). E é preciso denunciar, fazer barulho, falar com os coletivos feministas da sua faculdade. 
Porque não é nada aceitável que alguém te leve pra dentro um carro -- te carregue, como você sugere, porque você mal tinha sequer condições de andar --, faça sexo não com você, mas em você, e te deixe no estacionamento. Isso é estupro. E é provável sim que tenham colocado algo na sua cerveja. Se você visse como tem "guias" na internet sobre como dopar meninas e mulheres para depois estuprá-las... 
Admiro sua força e sua decisão consciente de "resolver" que aquilo não iria te afetar. Mas, infelizmente, como você viu, não funciona assim. O trauma permanece, a dor reaparece, o corpo cria mecanismos pra se "desligar", para que você não sinta essa dor... Claro, as pessoas têm maneiras diferentes de lidar com isso, mas uma experiência traumática não é chamada de traumática em vão.
Ainda bem que você está fazendo terapia e que hoje você passa por um novo momento na sua vida. Mesmo assim, querida, você sendo feminista, é bom fazer parte de um coletivo e conversar sobre o que pode ser feito pra que isso que aconteceu com você não aconteça de novo, com outras alunas. Agora que você não está mais apática, talvez ajudando outras colegas você possa se sentir melhor. Fique bem, linda!

87 comentários:

Anônimo disse...

Desejo tudo de bom para vc B,vc não é a única,não está sozinha.Eu te compreendo e por mais que um tipo de gente nojenta sempre arranje motivos para culpar a vitima,vc não é culpada de nada.

Anônimo disse...

B., desejo que você se reencontre com a mulher cheia de planos que você foi um dia e siga em frente, numa versão mais forte. Não há razão pra se esconder ou se envergonhar, deixe esse espaço para o seu algoz.

Jonas Klein disse...

E lamentável isso que aconteceu com você B, e espero que você se recupere por completo disto.


Agora só para esclarecer uma coisa aqui, o que ter aconteceu, se encaixa na figura jurídica do estupro de vulnerável, e que ninguém nunca te ensinou a lidar com uma situação destas, eu + ou - sei que passou pela sua cabeça naquele dia, apesar de você não saber quem te estupro, se você tivesse denunciado a policia naquele mesmo dia, a policia teria como descobrir sim quem te estupro, exame de corpo de delito e toxicológico estão ai para por tudo as claras.


E Lola vamos com calma ai com este troço de "Denunciar quem, pra quem?" que você não nasceu ontem e de desinformada você não é. Você sabe disto, mas não custa lembrar que o silencia das vitimas e uma das coisas que os estupradores mais querem.

Anônimo disse...

É um absurdo mas isso ainda ocorre... como a Lola disse não fizeram sexo com vc mas em vc... e isso é o que dói mais...
Já aconteceu algo parecido comigo, eu não havia bebido e a pessoa tinha nome e endereço...Um dia por estar dentro de um carro e por ter beijado o motorista ele se achou no direito de "tentar" - e conseguir- algo comigo... bem mais enfim...
Isso afeta nossas vidas pra sempre, não eu não denunciei, eu simplesmente continuei convivendo com essa figura e nunca nunca contei pra ngm - ou quase ngm...
Quando vc expõe algo assim o julgamento alheio é sempre a favor do cara e nunca a favor da vitima... eu ainda não consigo dizer não pra sexo de maneira facil como deveria ser... as vezes me acho "mentirosa" ou uma "mentira completa" qdo comparo meu desempenho profissional com os outros homens... mas sigo tentando ser forte a cada dia... mais e mais...

Anônimo disse...

Ahhh e o jonas fala como se fosse simples a parte do denunciar pra quem.... mas sério tenha um pouco mais de empatia...
Violaram seu corpo, riram de você, literalmente te usaram e vc quer que uma pessoa reúna forças e vá denunciar.
Durante a denuncia SOMENTE a sua conduta é questionada... sim isso ocorre... me perguntam pq entrei no carro qdo conto o que houve comigo... dai eu digo entrei pq conhecia o cara, beijei ele e isso dá direito pra ele tentar algo...

Sempre existe será que vc não provocou? Será que não entendeu errado? A culpa é sua vc bebeu, deu mole... etc e etc...

Jonas Klein disse...

Anon 13:40


Se você não tem nada para acrescentar fica quietinha que ai não fica tão feio assim para você mesma, ai quem esta querendo ajudar mesmo pode fazer o seu melhor.

antes que eu esqueça de dizer, procure controlar o seu ciúmes.


Bjs Bjs e Bjs para você.

Anônimo disse...

Jonas e seu bom mocismo besteirol.

Anônimo disse...

Daí o conto é sobre uma menina que não deu consentimento e foi estuprada (resumindo porcamente)... Outra vai e comenta que ocorreu a msm coisa com ela...

E daí o que acontece: Fica Quietinha kkkk

Sim... Homens entendem mais de violência contra a mulher do que as mulheres #SQN

Anônimo disse...

Tu denunciou? Aposto que nao! Qualquer tipo de irregularidade tem que DENUNCIAR!!!

Anônimo disse...

Viram os adolescentes que estupraram meninas de 5 e 7 anos?

Anônimo disse...

Pra homem o não da mulher não vale, e se ela não gostar dele a culpa é dela.

Anônimo disse...

Um cara falou num post desses no FB que se estupro não tivesse relação com machismo, teríamos lésbicas estuprando lésbicas. Não que elas não façam isso mas a proporção é ínfima.

Anônimo disse...

O não da mulher não vale mesmo, eu estava lendo uma pesquisa sobre sexo,e se a mulher não quisesse sexo anal 49% dos homens tentavam fazer com que "elas gostassem". O não da mulher não vale, ela não pode dizer não. Uma mulher que passar por cima das vontades masculinas é rebelde digna de punição.

Maria Ariadna Arantes disse...

Universidade é praticamente sinônimo de estupro.
Essa é uma história. Cada universidade tem 10 dessas por ano......
----- no mínimo ----- no mínimo 10 estupro de vulnerável por unidade de ensino superior.

O ditado popular já diz "cu de bêbado não tem dono".
Entorpecente ministrado involuntariamente não deixa prova de crime.

Eu defendo que os cursos preparatórios, escola pública ou privada, cursinhos, tenha uma matéria especial para as mulheres, sim separado dos homens, que eu chamo de Manual de Sobrevivência Universitário e nesse mesmo horário os homens devem estar em outro curso tratando das demandas psicológicas e sociais que os homens sofrem para obter o coito a qualquer custo, um curso para tratar da supervalorização da sexualidade que cria todos os traumas e comportamentos violentos típicos dos homens.

Pelo menos essa é a minha opinião.

Dani disse...

Nossa, Jonas, vindo comentar em uma página feminista e mandando uma mulher ficar quietinha vc está ajudando muito, ein. Sinto te dizer, mas ficou feio foi pra vc e não pra moça que estava contando sobre a sua experiência única e singular.

Bjs Bjs e Bjs para você.

Aliás, esse Jonas sempre me pareceu um fake, né?

Anônimo disse...

VIXE já reparei nisso, esses omis tem uma fixação no reto e no pênis, tudo gira em torno disso reparem.
Teve até uma pesquisa que disse que em sampa 43% dos omis não fazem sexo oral com frequência mas 75% recebem e 35% dos que fazem tem nojo de fazer, preciso dizer mais algo? em contra partida duvido que um gay tenha nojo de chupar um pau, os homens são tão machistas que parecem ser homossexuais.
E Eu quero ver um homem aparecer aqui e dizer o contrário, assumam que vocês só se amam.

Sobre o texto só posso dizer que é muito ruim essa sensação de impotência, nosso corpo sempre invadido como se fosse público, os homens não gostam de mulheres, não procuram entende-las.
toda vez que se fala sobre esse tema é um chorume vindo por parte de homens, é vergonhoso.

Maria Ariadna Arantes disse...

Eu concordo com a Dani, o Jonas Klein está "parcialmente" errado.
Estupro de vulneráravel não é tão fácil assim de provar.

Fácil dizer "ele colocou alguma coisa na bebida" mas não tão fácil de provar que foi ele quem colocou a "coisa" na bebida e que não foi a vítima que intencionalmente ingeriu a substância recreativa. Fácil alegar entorpecimento e considerar estupro, díficil negar que ambos estavam entorpecidos e fizeram um ato impensado não criminoso. O consentimento é uma via de mão dupla. O entorpecimento dos sentidos é uma via de mão dupla. As consequências negativas é uma via de mão dupla. O homem pode ter um envolvimento sexual completamente alcoolizado ou drogado e ser obrigado a pagar pensão alimentícia por 20 anos ou até pior, contrair uma doença perigosa como hepatite C, sífilis ou HIV.

O humorista e meu amigo Laerte Coutinho, bissexual, desenhou dezenas de charges com esse conteúdo. Ele sai homem de casa, vestido de macho, usa álcool e drogas, acorda mulher ao lado de um homem gordo e peludo. Essa sacada genial do cartunista Laerte mostra essa via de mão dupla do entorpecimento dos sentidos.

A alegada vítima de artigo da Lola declara que tomou apenas duas unidades de bebida alcóolica mas o homem que manteve relações sexuais com ela não pode ser acusado de estuprador. Era uma festa, todos usavam entorpecentes recreativos (legais ou ilegais) e todos estavam sujeitos a um comportamento errático e não consensual, pelo menos não em consenso com os seus valores sociais em condição de não entorpecimento. As festas universitáris servem para isso, entorpecer os valores e permitir um comportamento não aceitável em condições normais.

Pelo menos essa é a minha opinião.

Anônimo disse...


eu li uma frase de um homem: se ela geme não é estupro, é assim que os homens veem mulheres.

Anônimo disse...

pq alguém faria fake de ariadna?

Natasha disse...

Jonas, entra para dentro do teu cu e some! E tem feminista q diz q é misandria repudiar e ficar longe dessas merdas.
N tem empatia nenhuma, estão pouco se fudendo para mulheres.
Imagina só, foi estuprada , chegou a ficar depressiva por isso e mesmo assim a trouxa n foi denunciar??! Q absurdo, n é machos de merda? Culpa é dela.
COMO N TEVE FORÇAS PARA SER HUMILHADA MAIS UM POUCO NA DELEGACIA?
N são todas as delegacias q tratam com descaso mas é contar com a sorte para n tentarem jogar a culpa na mulher.
Esses lixos estupradores deveriam ser castrados.

Maria Ariadna Arantes disse...

Natasha

Por isso foi criado a DDM - Delegacia da Mulher - que em alguns lugares também atende o público idoso. Eu já tive a oportunidade de acompanhar uma amiga na DDM e lá só tem mulheres da recepção até a delegada. O problema da mulher não é caminhar até a delegacia e sim provar o que ela está alegando. No caso de violência doméstica ou estupro na rua é claro os vestígios da violência. No caso do estupro de vulnerável existe a sombra da interpretação do "entorpecimento" e do "consentimento". Um homem hétero vai em uma balada gay, bebe demais e outro homem homo penetra o bêbado. Ele jamais vai conseguir provar em um tribunal que não houve consentimento. O mesmo caso da mulher. Fácil ir até a DDM, fácil conseguir apoio da delegada e intimar o acusado. Díficil provar a alegação de estupro em um tribunal.

lola aronovich disse...

Ai, "Ariadna", tá meio evidente que vc é um mascu. Tem até vídeo de mascu no seu perfil.
E aí, gente, deleto ou não os comentários do mascu?
3 comentários querendo dizer basicamente o mesmo: "cu de bêbado não tem dono, os dois estavam bêbados, os dois fizeram sexo, não houve crime nenhum".


Ah, aproveitando! Hoje saiu uma reportagem na ISTOÉ sobre o Marcelo Valle Mello, "O criminoso da internet". Mascus em rage nível 10.

Anônimo disse...

Falando em estupro, ontem mesmo eu tava com um pessoal da faculdade em um boteco qualquer. Papo vai, papo vem, até que um dos rapazes começou a contar uma história de quando ele e a namorada foram pra uma festa, tomaram todas e voltaram pra casa bêbados. Nisso ele queria sexo e ela dizia que não tava afim, que tava mal e não tinha clima. Ela ''apagou'' de tão bêbada e ele aproveitou da situação pra fazer uma ''rapidinha'', e contou a situação como se fosse uma coisa super normal, nada demais. As meninas que ouviram isso acharam cômico e riram muito, eu fui a única que me senti incomodada e nem olhei pra cara desse sujeito desde então.

anon A. (radfem) disse...

"O homem pode ter um envolvimento sexual completamente alcoolizado ou drogado e ser obrigado a pagar pensão alimentícia por 20 anos ou até pior"

Casos de mulheres entorpecendo homens para ficarem grávidas contra a vontade deles são super comuns, mesmo.

"Um homem hétero vai em uma balada gay, bebe demais e outro homem homo penetra o bêbado."

Esse caso aí então, mega comum.

"Fácil ir até a DDM, fácil conseguir apoio da delegada e intimar o acusado."

Super fácil, um passeio no parque.


Sem ironias agora: Você está defendendo estupradores. Você está defendendo que não dá para acusar alguem de estupro se ele também estava bêbado. 'Boa noite cinderela' é crime. Embebedar ou drogar alguém até a pessoa não ter mais noção de si mesma para estuprá-la é crime. Esse argumento aí do 'ambos estavam bêbados!' mascus também adoram falar, mas o fato é que a questão não é 'estar bêbado', mas sim a pessoa estar sem conciência dos próprios atos. E o que não falta é homem que bebe só um pouco enquanto faz uma garota perder a conciência. Tá cheio de cara que faz isso de proposito e ainda recomenda para os amigos.

Na boa, se um cara ficasse bêbado e matasse outro cara, também bêbado mas inconciente, você me viria com esse papinho de 'ambos estavam errados'? Ia achar que o assassino não merece punição?

anon A. (radfem) disse...

@Lola
Se você decidir apagar os comentários do mascu eu gostaria que mantivesse o meu comentário-resposta. Tem gente demais, lamentavelmente incluindo mulheres, que concordariam com o que ele falou.

Jonas Klein disse...

Bom agora que sobrou um pouco de tempo da para responder aqui.

Dani

A anon 13:40, embora de uma forma sútil, ela só me atacou pessoalmente, e citou o caso dela, e olha que ela nem diz que foi mal atendida na delegacia, mas naturalmente teve que contar como foi que tudo ocorreu.

ai eu dei uma resposta indelicada com foi indelicado o comentário dela...


Maria Ariadna Arantes

quanto que você disse as 16:10

Juridicamente nem vem ao caso se quem abusou da B foi quem deu o entorpecente para ela, ficando comprovado que a B estava sem condições de saber ao certo o que estava fazendo de forma consciente e fisicamente afetada também, ai para os tribunais já fica configurado o estupro de vulnerável.

Logo o que define se foi estupro o não e o contexto em que tudo ocorreu.

Na parte das DDM, concordo com você, o atendimento a mulher vitima hoje em dia já melhorou muito, mas ainda precisa melhorar mais....


14:14, Natasha

Eu não vou nem perde o meu tempo dando resposta direta para vocês, pois o que vocês querem mesmo e atenção, mas comigo vocês não vão conseguir isso.

Anônimo disse...

Oi,
sabe, lendo o texto do post da B, uma coisa me chamou a atenção. Isso de, num momento de depressão, de trauma e tal, fazer sexo desse jeito. como ela diz, não teria dado pra 80% dos caras que trepou, se não fosse o contexto.
Me identifiquei, de certa forma. Não só por mim, mas vejo em várias meninas próximas também. Sempre em situações complicadas (trauma, luto, depressão, abuso).Como se a situação se resumisse assim, ah, é isso que você quer? toma. Ou como disse a B, tá, vai logo.
Não que eu não sentisse vontade, claro, mas, tem a mesma lógica do que ela disse.
Parece complexo, não significa q não houve vontade de fazer sexo, nem que não tenha sido prazeiroso, mas esse detalhe de não dizer não pra sexo me soou familiar de um jeito ruim.
Lola, você sabe de alguma explicação pra isso? Se existe alguma coisa pra ler, sei lá...

Abraços,

Anônimo disse...

Eu já presenciei um estupro desses em uma festa da faculdade. A garota evangélica era virgem e não teve chance, acho que foi uns 5 ou 6 caras que penetraram a menina. No outro dia todo munda dava risada da história só porque a menina era crente. Ela saiu da faculdade e nunca mais a vi. Algumas pessoas filmaram com o celular, não sei o que fizeram com o vídeo.

Anônimo disse...

/\ Provavelmente se matou.

Raven Deschain disse...

B., não se questione mais. Isso só causa mais angústia. =( Foi abuso.

Sinta-se abraçada.

Marta disse...

Eu fiz mestrado na NCSU Raleigh, fui recebida por um comitê da universidade que entre outras coisas explicaram a prevenção de estupro dentro do campus. No kit de recepção havia uma cópia do filme Silencing Mary e do documentário Raw Deal: A Question of Consent. No começo desse ano lançaram outro documentário chamado "The Hunting Ground" relatando um dos casos que aconteceu na época que eu estava lá. Eu fico pensando se dentro de uma universidade de um país tão organizado e com uma justiça tão rápida e dura como os EUA acontece isso, imagine como deve ser em zona de guerra, na área do estado islâmico, entre os refugiados da Síria e aquelas meninas do Boko Haram.

Anônimo disse...

Esses meninos que namoram e tudo mais fazem isso com meninas bebadas pra dos ter uma desculpa, tbm reparei que o nao de uma mulher não vale, se ela diz nao é pq ta fazendo doce, então é so insistir mais um pouco. Esse fake de ariadna do bbb fiquei confusa se era gay fa dela ou mascu, mascu deve ser fa de travesti, afinal elas nao tem buceta, mascu misogino no fundo tem um horror a vaginas e se fazem coisas com ela é no intuito de machucar.

Anônimo disse...

Ano 1996 e eu estava entre amigos e foi assim que pensei, pessoas conhecidas há mais de dez anos, eu havia rompido um namoro de quatro anos, foi meu primeiro namorado e resolvi aceitar o convite de uma amiga de longa data para irmos a um show e seria em um camping, aceitei por conhecer bem quem estaria lá e fomos no carro de outra amiga. A tal "amiga" que me convidou disse que um amigo dela era e sempre foi apaixonado por mim, me paquerava, eu sempre soube, mas era comprometida, tratava bem, com respeito e distância, porém sem ser grosseira e devido rompimento nem pensava em ter outro relacionamento, namoro, disse isso para ela, parecia não dar atenção, só mencionou para que eu tentasse convencê-lo, pois ele já sabia do fim do meu namoro e estava bem empolgado, nem dei importância, pois o cara não era criança, estava na faixa dos 30 anos e imaginava que ele teria o mínimo de bom senso. Chegamos no show, assisti, conversei com pessoal, bebemos umas cervejas, rimos muito e o tal cara disse precisar conversar comigo, pedi que pudesse falar, mas disse ser particular, fomos para um canto perto do palco e ele se declarou, fui sincera, havia rompido com meu namorado tinha poucos meses e não estava preparada para outro relacionamento, deixei bem claro que meu sentimento por ele era de respeito e amizade, nada mais e por isso me mantinha distante para não confundir as coisas, mas, pareceu não compreender, disse que um dia iria me conquistar, custe o que custar. Fizeram uma fogueira, o pessoal com o violão, conversamos, a amiga do carro e a outra resolveram ficar por lá e montaram a barraca no camping, eu como estava com sono e havia bebido mais umas cervejas resolvi dormir e disse que as aguardaria. Quando acordei, estava com o cabelo cheio de vômito roxo, sem minha calça e calcinha e o tal "apaixonado" do lado, eu berrei para ele sumir de lá, porém disse que não fez nada, mentira, pois havia preservativo na barraca e disse isso, conversei com minhas "amigas" e elas disseram não acreditar em mim, pois o cara era legal, boa gente, sangue bom. Fui embora de ônibus sozinha do camping e uma semana depois voltei com meu ex e ficamos por mais 6 anos, acredito que fiz isso para me sentir segura, pois nosso relacionamento não era dos melhores, um tempo depois uma das tais amigas quase foi violentada pelo indivíduo. O problema é que naquele tempo não tinha Maria da Penha, mesmo em delegacia da Mulher não iriam acreditar em mim, pois todos eram muito mais amigos deles do que meu. Hoje sou casada com uma ótima pessoa e depois do fim definitivo do meu relacionamento anterior nunca mais namorei ou tive relacionamento apenas por segurança.

Anônimo disse...

Eu queria ate mandar um depoimento de uma menina mulçumana pra Lola, ela ia ser forçada a casar com um homem e ela tem 11 anos, ela fugiu e gravou um vídeo falando tudo. Mas a esquerda apoia o islã, eu nao apoio esses nojentos, eu tenho horror ao isla pq eles usam a religião pra cometer crimes ha séculos.

Lux Noahide disse...

Em zonas de guerra obviamente são piores os acontecimentos. Mas e quem disse que uma universidade não é uma zona de guerra? Na universidade você não aprende ética e moral, você aprende ou ciências exatas ou humanas, o último segue uma determinada agenda política dependendo do ponto de vista do professor. Em universidades os jovens com pouca formação de consciência tendem a agir como animais, logo estupros mesmo feito coletivamente é algo normal, infelizmente, e as vítimas tem medo de denunciarem, porque a maioria desses jovens tem status elevado, seu poder econômico influencia na decisão do colegiado. A única forma de mudar isso é criar uma consciência coletiva, treino de autodefesa, agir com rigidez se necessário. Eu diria não ir em festas em tudo, porque em última análise não se encontra pessoas interessantes em festas de campus, mas apenas os mais desagradáveis, nojentos tipos de seres, que seria melhor nunca ter conhecido.

Anônimo disse...

Sou afirmo que o patriarcado é insustentável.
MULHERES, SOCORRAM-NOS, POR FAVOR!

E a todas as pessoas que lutam pela causa feminista, desejo muita força: quando cada um de vocês olha para o abismo, o abismo olha pra dentro de cada um de vocês!

ASS: homem hétero cisgênero de SP

Anônimo disse...

Falando em cu, eu vi os crentes enjoados falando que anal hetero nao era pecado so o gay, esse povo so usa a religião quando convém. Nao acredito em religião por causa disso é so um escudo pra o preconceito para que continuem oprimindo os outros. Desculpa fugir do tema mas não resisti é muita hipocrisia. Eu queria deixar minha solidaridade a moça eu fico mt triste, tbm vi esse caso das meninas que foram estupradas no ônibus escolar.

Vicky_ disse...

Tipo, essas festas são cheias de frat boys brasucas? O_o Meio que a maioria já sabe.
E pare de trollar por aqui, você é pior que o Jonas, bendito, por que não ensina auto defesa às crianças que sofrem bullying? É assim que se acaba com o bullying e se aumenta a compreensão no mundo, não?

Anônimo disse...

A diferença de força entre homem e mulher é anulada por uma arma de fogo
Em caso de estupro sempre existe a possibilidade da vingança

Abraham Lincoln tornou todos as pessoas livres
mas Samuel Colt as tornou iguais

Em defesa do porte de arma de fogo para mulheres

Anônimo disse...

Quem sabe a moça do post não procura um coletivo feminista na sua faculdade ou um grupo de estudo sobre gênero. Acredito que em um ambiente assim ela se sinta acolhida e possa superar seus traumas. Desejo sinceramente que vc supere essa situação e tenha sempre em mente que a culpa em nenhum momento foi sua e sim dessa pessoa sem escrúpulos.

Anônimo disse...

Misógino e vc anon das 19:13, a Ariadna tem vagina sim. Ela não é travesti e sim transsexual.

Anônimo disse...

A esquerda não apoia o Islã, ignorante das 19:17. Ela apoia a causa Palestina e é contra a islamofobia (que ao contrário da "cristofobia", existe; pesquise sobre islamofobia na Europa e EUA). A esquerda é contra todo tipo de opressão, desde islamofobia quanto opressões institucionalizadas pelas religiões. Mas as muçulmanas tem seu próprio feminismo, disso aposto que você não sabia. Porque não apoia o feminismo delas, ao invés de vir cobrar da Lola pra resolver o problema dos outros países? O feminismo islâmico tem páginas no face, blogs, canais no youtube, crowdfundings. Aposto que vc nunca nem clicou em uma dessas páginas, mas quer cobrar dos outros. Hipócrita.

Lux Noahide disse...

"A esquerda é contra todo tipo de opressão", essa frase é muito vaga. Que tipo de opressão? A opressão pode ocorrer de várias maneiras, desde a opressão do oprimido ao opressor, a situação pode ser invertida. Eu acho que a 'esquerda' deveria se concentrar em assuntos mais importantes do que defender por exemplo a agenda teológica de religiões. Da mesma forma a melhor maneira dessas 'muçulmanas' se libertarem do jugo que recai sobre elas, seria se apartar de suas famílias e das ideologias que seguem, porque é bem conhecido que feminismo e religiões patriarcais provenientes do Oriente não se encaixam. Ao invés dessas mulheres tentarem ir por um caminho 'moderado' e tentar lutar por uma independência que não existe, uma independência 'virtual', por assim dizer, elas deveria seguir o rumo extremo de se tornar irreligiosas, esquecer o que aprenderam de alienação patriarcal e ir para o caminho novo do feminismo.

Kittsu disse...

Gente, que absurdo... é até dificl acreditar em como tem gente PODRE e maldita nesse mundo... que inferno, viu, que inferno...

Jonas Klein disse...

Anon 19:47

Olha arma de fogo ate nem precisa, uma mistura de artes márcias bem treinadas e academia também já elimina esta questão da diferença de força, além disso no caso da moça do post ela anda com uma arma iria salvar ela, além disso nem sempre uma mulher iria poder anda armada, por mais que porte de arma fosse permitido, arma deve fazer parte da estratégia de defesa das mulher e não ser única forma de defesa.

Agora uma coisa que importante e as mulheres tomarem muito cuidado com o que bebem especialmente em festas, em festa o mais seguro e as mulheres beberem só o vier ate elas em uma garrafa lacrada de fabrica. E ter moderação com a bebida, pois álcool em excesso além de fazer mal, põem as mulheres e um risco alto de sofre todo tipo de abuso possível.


Anônimo disse...

Para o pessoal falando "beba com moderação; beber muito faz mal". Eu bebi duas latas de cerveja. Preciso de muito, mas muito mais que isso pra ficar bêbada. Eu conhçeo meus limites. Mas, nesse dia, com duas latas eu fiquei fora do ar. O que me faz pensar que o cara sabia da minha falta de discernimento: hm, que tal o fato de que eu nem conseguia ficar em pé?
E, Jonas, acredito que o debate sobre porte de arma não tem muito cabimento aqui. Uma pessoa intoxicada tem muito mais chances de dar um tiro no próprio pé do que no abusador.
E, para todos vocês que me desejam recuperação e abraços, meu sincero agradecimento <3

B.

Julia disse...

Ta vendo, pessoal? Homens não estupram e nem dopam mulheres para forçar sexo com elas inconscientes. Eles apenas realizam o desejo da umazinha bêbada que quis sexo. O fato de vc estar apagada e precisar ser arrastada é um mero detalhe que faz do homem apenas mais generoso. Estupro não existe, é só um mal entendido.

Julia disse...

Eu acho que a moça do post poderia convidar todos os rapazes que estavam na festa, dopá-los e cortar o pênis de cada um com uma faca.. cega. O culpado vai estar no meio.. aos outros vc depois justifica depois dizendo que não tinha nada que ter bebido.

Natasha disse...

Eu acho que a moça do post poderia convidar todos os rapazes que estavam na festa, dopá-los e cortar o pênis de cada um com uma faca.. cega. O culpado vai estar no meio.. aos outros vc depois justifica depois dizendo que não tinha nada que ter bebido.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Quem mandou beber????????? kkkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

Porra, anon das 21:08. A moça não decidiu alegremente "beber além da conta", mas colocaram alguma merda SEM ELA SABER na bebida dela. Que não deixou ela simplesmente "alta": coradinha e rindo à toa. Sabe quando você não consegue ANDAR? Então, nesse estado. Se você vê uma pessoa nesse estado e "não sabe da sua falta momentânea de discernimento", tu precisa de tratamento. O cara SABIA que ela não tinha como dar consentimento, SABIA que ela não conseguiria oferecer resistência física nenhuma, SABIA que ela não conseguiria se lembrar direito do que aconteceu, SABIA que ia ter gente escrota igual você pra colocar a culpa nela mesmo se ela tentasse denunciar. O cara é um ESTUPRADOR na definição da palavra, um CRIMINOSO por consequência e um FILHO DA PUTA pra ter esse sangue frio; não esse mocinho boa pinta que você tá tentando fazer passar. Ainda que ela mesma tivesse decidido se entupir de álcool, NÃO JUSTIFICA conduta criminosa. Afinal, vamos inocentar quem rouba de gente distraída "por que não prestou atenção, pra início de conversa?", quem mata por motivo fútil "por que provocou, pra início de conversa?"? https://www.youtube.com/watch?v=A0L4V5BWITM
https://www.youtube.com/watch?v=8hC0Ng_ajpY
Fica a dica, mascuzão.

Odara disse...

Não interessa, podia ter ficado de quatro de tanto beber porque quis! Não é pra ser estuprada!
NADA justifica o estupro@

Anônimo disse...

"Eu acho que a moça do post poderia convidar todos os rapazes que estavam na festa, dopá-los e cortar o pênis de cada um com uma faca.. cega. O culpado vai estar no meio.. aos outros vc depois justifica depois dizendo que não tinha nada que ter bebido."
Uma salva de palmas pra Júlia. É o que eu vou retrucar agora quando vierem com conversinha de "aiiin, mas não devia ter bebiiiiido"

Vicky_ disse...

Falam que ela bebeu muito pra isso, que ela bebeu pouco pra isso, que ela deu muita confiança pros caras, que elas ignorava os caras, que devia usar um revólver estando inconsciente. Mandar eles se fuderem ninguém quer.
Parem de dizer que arma é solução, krl. Pesquisem sobre o que acontece com mulheres que tentaram atirar em estuprador. (Isso para não dizer o pensamento coxinha de vocês)

Tive nó na garganta lendo o guest, força, meu!

Odara disse...

B,
Tudo de bom pra você querida!
Achei muito importante o seu relato. Para alertar outras jovens e para refletir.
Esse negócio de não dizer não para sexo, não como em um caso de estupro mas como você descreveu depois, é uma postura que eu acho frequente.
Uma anônima já pediu e eu faço coro:
Lola,
Será que tem algum estudo nesse sentido? Das mulheres acharem que tem que dizer sim mesmo sem estar muito afim....

Jonas Klein disse...

B

Lendo de novo o meu texto eu vi que cometi um erro:

"além disso no caso da moça do post ela anda com uma arma iria salvar ela,"

Eu escrevi muito rápido a frase errei, o certo e isso:

"além disso no caso da moça do post ela anda com uma arma NAO iria salvar ela,"


Foi mal desculpe. Agora tem uma coisa aqui você diz que "Eu bebi duas latas de cerveja." se você pegou as latas fechadas ai a não tem como alguém naquele local ter posto nada na sua cerveja, ai foi alguma coisa que deu em você, mas provavelmente não foi por causa da cerveja.

Raven Deschain disse...

Pra quem acha que a delegacia da mulher é uma maravilha:

http://lugardemulher.com.br/a-ineficiencia-da-delegacia-da-mulher-parte-i/

Anônimo disse...

Sobre essa questão de não dizer não pra sexo, quem percebeu isso foi minha psicóloga. Ela disse que, em geral, mulheres que passaram por situação de abuso seguem dois polos: o de se fechar completamente pro sexo ou o oposto, de se abrir muito (sendo que há variações nesse espectro, é como se fosse uma daquelas linhas de extremos). Não sei se há literatura sobre isso, ela disse que foi uma coisa percebida com a experiência dela. Mas posso perguntar e informar pra vocês depois!

B.

Anônimo disse...

Jonas,

É o que eu fico me perguntando também. Eu realmente, realmente não sei o que aconteceu nesse dia. É um dos fatores que me fazem ficar pensando se foi abuso ou não. "Foi minha culpa ter bebido ou não?" Esse tipo de coisa. Mas, cada vez mais, ainda penso que não justifica o que fizeram.

Odara disse...

Obrigada B.
Mas eu não sei se isso acontece só como consequência de um grande abuso....acho que pode ser uma coisa até mais comum. Não sei se deu pra entender a minha dúvida. Acho que as pequenas violências de todo dia, a auto estima minada desde sempre, a imposição da superioridade do querer masculino....sei lá, acho que muitas mulheres se sentem meio obrigadas a dizer sim bem mais do que gostariam.

lola aronovich disse...

B., querida, é isso mesmo que sua psicóloga te disse. São dois comportamentos muito comuns pra vítimas de abuso sexual: se fechar completamente pro sexo ou não ser muito seletiva por um tempo. É super comum mesmo.


Júlia, apesar dos extremos, gostei da sua "solução". Porque é a mesma justificativa que as pessoas dão quando uma mulher é estuprada -- quem mandou beber demais?


E agora com licença que vou moderar a caixa de comentários por um tempinho, porque mascus sanctos decidiram vir deixar suas barbaridades aqui. Queridas, podem comentar, que eu libero os comentários depois.

Anônimo disse...

Ai meu jesusinho, esses mascus. Sério, pessoal, vocês são tão ridículos que os comentários de vocês nem me afetam mais. De tudo que poderia talvez me fazer sentir culpada, o que vocês pregam nem entra na lista. "Instigar os homens": vocês são tanto os seres superiores que pregam ser que nem conseguem controlar supostos instintos, né. Isso faria de vocês o quê, mesmo? Ah é, seres não evoluídos (aquilo que vocês tanto e tanto criticam). Melhorem.

B.

Anônimo disse...

oi b! aqui também sou b, hehe. todo meu apoio pra que tu consiga superar isso. sabe que eu fui estuprada duas vezes na vida e só consegui admitir isso pra mim mesma e a muito custo ano passado. e a primeira vez foi em 2007. aliás, a história é relativamente parecida, tirando que eu era menor de idade, tomei um porre (certeza que ninguém colocou nada na minha bebida) e só lembro de flashes da perda da minha virgindade. sempre abafei isso. veio a tona vendo uma encenação grotesca no cqc de meninas bêbadas em que os caras passavam as mãos nelas quando a amiga pedia pra que eles ficassem um pouco ali com ela enquanto ela chamava um táxi. já passei por vários psicólogos e psiquiatras, como já relatei em outros posts, porque realmente o que mais me abala não foi isso, e sim o que desencadeou um comportamento bizarro, compulsivo e doente da minha parte (não livrando a culpa do agressor), bullying e anorexia. mas bem, o que eu queria dizer é que com o tempo (pelo menos pra mim), o admitir pra si mesma e o se enxergar como uma sobrevivente ajuda bastante. tu não tá sozinha, querida. somos milhões, com histórias diferentes e ao mesmo tempo parecidas, e um dia nós vamos superar isso, ou deixar que não nos abale e nos tire a força. tudo de melhor pra ti, sempre, se quiser conversar sobre alguma coisa pode deixar nos comentários algum código - haha - que a gente se acha pela internet. não gosto de me identificar ao contar essas coisas. beijo.

queen b

Jonas Klein disse...

B foi você que comentou sem assinar as 22:02?

Eu concordo com o que Odara escreveu as 21:39 fica como minha resposta...


B

Sobre isso "o de se fechar completamente pro sexo ou o oposto, de se abrir muito (sendo que há variações nesse espectro, é como se fosse uma daquelas linhas de extremos)."

Eu tenho uma tese para isso, a mulher que sofre um abuso sexual, e passa a se abrir para o sexo, de forma inconsciente ela esta adotando uma medida preventiva para evitar sofrer outro abuso, se abrindo para o sexo, e como se de forma inconsciente ela pensasse "se o cara me convidar para sexo eu aceito de cara, ai o sujeito nem vai ter porque me estuprar, pois já aceitei transa com ele", já a mulher que se fecha para o sexo, ela tem um medo "mesmo que inconsciente" tão grande de sofrer outro abuso, que ela já nem dispõem ter relação sexual.

Também isso depende do quanto a mulher vitima gosta de sexo, pois uma mulher que quando foi abusada, já tinha bastante experiência sexual e gosta muito de sexo, acho que dificilmente porque sofre um estupro, vai querer ficar o resto da vida sem sexual como ela estava acostumada a ter.

Eu sei que eu estou dizendo pode ser um absurdo, mas o que me veio na cabeça.

Cão do Mato disse...

Jonas, pelo amor de Deus, muda a foto do seu perfil... Esse casaco que você tá usando parece aqueles agasalhos Adidas dos anos 70! Toda vez que eu olho pra sua foto eu tenho a impressão de estar vendo um vídeo das Olimpíadas de Munique...

lola aronovich disse...

Ok, fato histórico! Primeira vez que concordo com o Cão do Mato ever! Sim, Jonas, sua foto me lembra algum atleta da Olimpíada de Munique... É uma coisa bem retrô mesmo!
Não sei se vc viu, Jonas, mas hoje o site de ódio voltou ao ar com o seu nome. Ficou poucas horas com seu nome, mudou pro nome do Emerson, e agora que saiu a matéria da ISTOÉ, Marcelo quer incriminar meu marido, Silvio. Ou eu. Ou eu e ele. Muitas ameaças de morte renovadas. A raiva que ele tem do maridão é impressionante... Só ciúme explica.
Agora não sei em quem está o site de ódio porque lembrei que aquilo lá tá cheio de vírus, então não vale a pena entrar lá.
Espero que Marcelo volte pra cadeia em breve. E continuo nada preocupada com as ameaças. São as mesmas que ouço há mais de 4 anos.

Odara disse...

Olimpiada de Montreal é ótimo!
Kkkkk. ...
Anos 70 e tantos, quem tem menos de 40 vai ter que pesquisar.

Odara disse...

Ixi...é Munique!
Foi ainda antes?

Jonas Klein disse...

Bom dia...


Sobre a minha foto de perfil, eu vou troca-la brevemente quando eu for no estúdio e fizer outra foto.


Lola quanto ao site de ódio, quando se acessa URL principal assim como a dos posts, ele redireciona você para outro site onde só tem um vídeo detonando o tal do Emerson, o conteúdo nojento daquele blog não esta aparecendo nada, enquanto estiver assim eu não estou preocupado, o Marcelo e o Emerson que se matem no meio da rua brigando se eles quiserem.

Raven Deschain disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

É muito fácil dizer que as mulheres islâmicas tem seu próprio feminismo em sua zona de conforto das classes A/B com curso superior em um mundo ocidental e deixá-las pra lá se resolvendo com o feminismo delas que está a anos de distância em desvantagem do feminismo ocidental.

Anônimo disse...

Essas "amigas" companheiras de farras e bebedeiras podem ser perigosas, quando um cara desses te faz mal, estupra ou até mesmo te agride por ser rejeitado por vc essas "amigas" sempre ficam do lado deles. E pior é que se vc ficar ao lado delas em algum momento apesar de todo mal que ela lhe fez, elas podem até depois perdoar o bandido e se vc se intrometer na situação esse bandido pode até te matar e essa "amiga" ir ao seu enterro de mãos dadas com o bandido. Cuidado.

Vicky_ disse...

Sorry, ser a favor do tal "Feminismo Islâmico" é ridículo para mim. Quero ver casais lésbicos sobreviverem em meio aos homens maravilhoso líderes dessa religião, que elas tanto defendem. Seria um festival do horror.
Ler parte do Alcorão Online foi tão horrendo quanto ler a Bíblia na infância. Islâmismo uni judaísmo e cristianismo numa única doutrina que consegue ser tão ruim quanto os dois.

Quando eu era "iniciante" em feminismo reclamei que não podia entender como uma mulher achava que usar uma burca é "exercer a liberdade", levei pedrada nos comentários, ironicamente. Os poucos homens islâmicos que conhece, ricos ou pobres, eram terríveis, poetas quando de boca fechada.

Contra o racismo e xenofobia que o pessoal do ocidental médio sofre → OK
Defender mais uma religião patriarcal → Tão de brincadeira?? O mundo precisa de MAIS uma???

Anônimo disse...

Vicky_, você está se referindo a uma interpretação diferente do Islam, e é justamente isso que as feministas muçulmanas querem mudar. Ao invés de o ocidente apoiar, prefere criticar, sempre apoiado em pré-conceitos. Pois saiba que elas já conseguiram diversos avanços na área, deixo como exemplo essa palestra aqui do TED www.youtube.com/watch?v=FETryXMpDl8 E se vc quiser se informar mais, abrir a mente e não ficar nos mesmos pré-conceitos de sempre, deixo esse artigo básicão também, coisa que vc acha com uma pesquisa de 10 segundos no google https://en.wikipedia.org/wiki/Islamic_feminism Porque né, vamos sair do senso comum.

Anônimo disse...

Anon 15:02, sabe o que é mais fácil ainda? Criticar o feminismo delas, diminuir suas ações, enquanto a gente aqui, além de não faz nada por lá, não se informa sobre o movimento delas e só repete o mesmo senso comum de sempre. Apoiar mesmo que virtualmente, com curtidas no Face, visitas aos blogs, crowdfundings, isso ninguém quer, e essas mesmas pessoas que criticam não se movem um centímetro pra ajudar.

Anônimo disse...

Muitos homossexuais sentem falta de deus nas suas vidas, excluídos que são das igrejas homofóbicas e receiosos de entrar em movimentos mais tolerantes como a umbanda. É uma questão de identificação, alguns se identificam mais (tem mais fé) com a história de Jesus, outros se identificam com as práticas da umbanda. A diferença é que os segundos podem exercer sua religiosidade sem sofrerem preconceito dos adeptos da umbanda, já os primeiros encontram dificuldades de aceitação em comunidades cristãs tradicionais. Assim, muitos optam por criar comunidades/igrejas cristãs alternativas que aceitam homossexuais assumidos. Então assim como os homossexuais religiosos, as mulheres muçulmanas também tem o direito de continuar com sua fé, ao mesmo tempo que lutam pelos seus direitos. E o que elas fazem é defender uma reinterpretação do Islã, à semelhança das igrejas cristãs que agora aceitam homossexuais. E sim, nessa reinterpretação também está incluída a questão dos homossexuais no Islã. Está incluído a questão do hijab, a questão de mulheres como líderes religiosas, a questão do aborto, etc. É só se informar sobre o assunto, não dói.

Anônimo disse...

E gente, sentir "falta de deus" não é algo que se escolhe, ok. Eu mesma trabalho com Ciência e fui ateia por boa parte da minha vida, virei agnóstica, e agora sou deísta porque sinto sim falta de deus. É algo que não consigo explicar, e também não vou entrar em detalhes porque não estou aqui pra converter ninguém. Muitos ateus permanecem ateus pro resto da vida e são felizes assim, que ótimo pra eles! Eu não consegui, mas se pudesse ter escolhido, preferia ter continuado atéia, é muito mais fácil viver assim. Os homossexuais religiosos não tem culpa se sentem falta de deus, não é porque eles são cristãos, judeus, muçulmanos etc que apoiam a homofobia. Eles não renunciaram as suas crenças porque acreditam em um relacionamento pessoal com deus, porque isso faz BEM pra eles, de um ponto de vista psicológico. Vocês precisam parar com isso de demonizar as escolhas PESSOAIS das pessoas quanto a religiões. Demonizem a religião (ou a interpretação tradicional dela), está ok. Mas daí a generalizar que é impossível ser feminista/homossexual e pertencer a uma vertente religiosa? E se essa pessoa for adepta de uma outra interpretação? Religião não é algo único, existem várias vertentes, assim como o próprio feminismo. E ter fé não é algo que se escolhe.

Vicky_ disse...

Sério que você pensa que não pesquisei? Li textos em português e inglês, vi um ou dois filmes sobre, pesquisei, e continuo não apoiando.

Antes que falem, sou Deísta, não Ateísta. Foi ateísta por menos de três semanas. Sou a favor de espiritualidade, mas contra religiões. (Não considero budismo e umbanda como religiões, mas como filosofias de vida, digamos, admiro ambas)

Anônimo disse...

Agora só para esclarecer uma coisa aqui, o que ter aconteceu, se encaixa na figura jurídica do estupro de vulnerável, e que ninguém nunca te ensinou a lidar com uma situação destas, eu + ou - sei que passou pela sua cabeça naquele dia, apesar de você não saber quem te estupro, se você tivesse denunciado a policia naquele mesmo dia, a policia teria como descobrir sim quem te estupro, exame de corpo deMe delito e toxicológico estão ai para por tudo as claras

Meu filho isso é o que ela deveria fazer, mas o senhor é tão obtuso que não percebe que a moça tentou reprimir o que aconteceu com ela, que tinha bebido muito, não estava com A CONSCIÊNCIA em seu melhor estado? Também não entendeu que a vida real passa longe do CSI?

Rafael Cherem disse...

Lamentável, lamentável que nem nos momentos de diversão as mulheres não podem baixar a guarda.Péssimo mesmo.

Mila disse...

Esse é o problema de homens com o discurso do "not all men". Queremos até confiar que a gente vai poder tomar uma cervejinha como um universitário comum e que os nossos amigos vão tomar conta da gente caso passe da conta. Mas não é assim, o fato é que vivemos com receio de fazer coisas banais do dia a dia.

Carlos disse...

Tô vendo o pessoal discutir se ela bebeu demais ou se colocaram alguma coisa na bebida dela, mas o fato é que isso não faz diferença (exceto como agravante): Mesmo que ela tivesse decidido beber um pouco mais naquela festa e ficado bêbada, isso não eliminava a necessidade de consentimento. Ficar bêbada não autoriza alguém a fazer com ela o que quiser.

Carol Pirlo disse...

B.,
Toda a minha soliedariedade para você. Só quem passou por uma situação de abuso sabe a barra que é. É de lascar ter gente que pense que é tudo uma maravilha, que o processo é ok e que é fácil denunciar, mesmo com delegacias para mulheres.
Já devo ter dito isso antes, mas só denunciei por insistência de uma amiga que é advogada e se prontificou a ir comigo numa delegacia. Pq eu acreditava - ainda acredito em alguns momentos - que eu fui a culpada. O meu estuprador foi uma pessoa que eu conheci no tinder, então eu fiquei com medo de toda a culpabilização que os outros iam me atribuir: eu fui me encontrar com ele de livre e espontanea vontade, eu não deveria ter sido inocente e acreditar q ele não iria fazer nada, eu facilitei. Além de tudo isso o sujeito tem 2 metros de altura, é dono de academia e me ameçaou fisicamente se eu contasse algo pra alguém.
Denunciei cheia de dúvidas e vergonha e ainda assim com medo de ser agredida, de ser somente um mal entendido, que de alguma forma eu insinuei que queria contato sexual. Hoje o processo tá rolando e já pensei em desistir pq é uma burocracia e um sofrimento enorme.

Anônimo disse...

O cara deve ter bebido também, talvez nem se deu conta do que fez, lógico que não retira a responsabilidade e a conduta dele é fartamente explicada pela cuktura do estupro.

Anônimo disse...

B., sei que o que aconteceu com você foi horrível, mas saiba que eu sempre estou e estarei aqui pra você. Espero que voltemos para as nossas atividades antigas. Te amo, N. <3

Anônimo disse...

Mulheres tambem sentem nojo de sexo oral em homens,mais devido terem aprendido que devem satisfazer aos homens em(quase)tudo que querem acabam se acostumando e ate passam a gostar.Homeens não aprendem que deve satisfazerem as mulheres em quse nada,sexualmente falando,isso é mais facil para eles(nao todos) além de não fazer nem a metade do oral que a mulher faz neles podem hostilizar o orgao feminino,como por exemplo dizer que é fedido,e ate fazer piadas com isso.Para as mulheres e´mais dificil falar essas coisas,muito menos fazer piadas dizendo o que sabem:que penis tambme fede.


Lilian

Anônimo disse...

Lola gos
to muito de seu blog e é a primeira vez que comento.Admiro muito seu trabalho.


Lilian

Anônimo disse...

A todos que mandaram mensagens expressando solidariedade, muito obrigada! Discutir isso de forma mais aberta tem sido fundamental.
Queen b, acho que seria legal se a gente pude se entrar em contato! Como a gente faz pra se achar?
E N., não consegui te identificar haha. Será que sou mesmo a pessoa que você conhece?

B.