sexta-feira, 3 de julho de 2015

GUEST POST: FILHA DE UMA SUICIDA

Meu olhar de espanto e tristeza para a sociedade

Samantha, de quem tanto gosto, me enviou este belo relato:

Já contei aqui na Lola a história da minha mãe. Naquele post, eu enfoquei em como mulheres ajudaram a minha mãe a se recuperar de sua última crise e como hoje ela está bem. Mencionei algumas de suas tentativas de suicídio, mas não foquei nisso, por não ser o tópico do post. 
Lendo o post sobre as dez coisas que podem evitar suicídios, senti um certo mal estar. 
Não sei se chego ao ponto de dizer que o post não foi empático ou que culpabiliza os suicidas pela causa de novos suicídios, mas senti falta de um grande ponto: a questão de como a sociedade trata e acolhe quem tentou se matar e sobreviveu. E isso, para mim, é determinante, muito mais determinante do que instalar redes nas pontes ou diminuir dosagens de remédios em caixas.
Isso porque se a sociedade não trata bem um sobrevivente, por mais forte que ele seja, ele vai sucumbir de novo. Ou chegará próximo a isso. E aqui começo a minha história.  
Trago, novamente, minha perspectiva pessoal. Quando eu tinha 10, quase 11 anos, minha mãe cometeu sua terceira tentativa de suicídio. Deixo claro sem medo nem vergonha, que não era um "call for help". Minha mãe tentou se matar dando um tiro na cabeça e ninguém consegue explicar como ela sobreviveu e sem sequelas, salvo uma pequena cicatriz na bochecha. 
As duas primeiras tentativas me passaram despercebidas: na primeira eu era um feto, na segunda, tudo foi abafado pela família. Agora, como esta teve uso de arma de fogo, polícia foi envolvida, ações foram tomadas e minha mãe foi obrigada a se tratar. Nada foi escondido. 
Eu sei o que levou a minha mãe a tentar se matar. Eu vi seu desespero todas as vezes, eu vi o efeito rebote da medicação que ela foi obrigada a interromper, eu vi ela se apavorar por estar sozinha, debilitada, doente e com o tratamento pela metade. Não era de hoje que ela perdia o controle consigo mesma e comigo. O tentar se matar foi uma forma de dar fim a uma cadeia de sofrimentos, causada pela separação com o meu pai, pelo sentimento de impotência e pela insegurança, além da depressão que sempre a acompanhava. 
Mas ela sobreviveu. 
Enquanto minha mãe sobrevivia e era tratada por um psiquiatra, eu morei com uma tia. Não perguntem sobre meu pai: ele realmente não estava muito interessado em mim naquela época. Havia um processo judicial rolando (minha tia queria a minha guarda definitiva), visitas com assistente social e todo o cenário de horror que uma criança de 11 anos não deveria ter de suportar. Eu não soube das coisas da melhor forma. Minha tia acreditava na verdade nua e crua, e me contou tudo sem muito tato. 
Durante dois anos, minha vida foi esse carnaval horroroso. E claro, a vida seguiu. Fui para uma nova escola, onde, por óbvio, a diretora foi informada dos acontecimentos recentes na minha vida familiar. E aí o horror começa: minha mãe deixou de ser uma pessoa e se tornou uma "suicida". E eu deixei de ser uma criança e me tornei a "filha da suicida". A escola, completamente anti profissional, contou esta história para pais, que contaram aos alunos. E rolava o boato de que eu e minha mãe mataríamos todo mundo em um surto de loucura, afinal, éramos loucas. E eu ainda tomava Prozac aos 11 anos, ou seja, só podia ser uma completa demente. 
Foi assim que pais, professores e alunos me recepcionaram. E eu nem era a suicida em si, era apenas a filha de uma. Pais proibiam os filhos de andarem comigo. Professores praticavam e eram passivos no bullying contra minha pessoa. Crianças me atazanavam, me humilhavam, riam do meu choro, me atormentavam apenas por saberem que eu estava obviamente fragilizada e um pouco dopada por conta de remédios. 
Por ser a filha de uma suicida, fui humilhada, agredida, isolada, odiada, maltratada. Professores sem preparo reclamavam do meu cabelo, do meu descuido, da minha apatia e do meu sofrimento. Colegas de 11 ou 12 anos riam de mim, me isolavam e os poucos amigos que tive, se afastavam porque os pais não gostavam que eles andassem com a "filha de uma louca". Fui reduzida a nada e isso, até hoje, deixou marcas em mim que não consigo apagar. Até hoje tenho poucos amigos, tenho medo, me sinto inconveniente, errada e não dialogo de forma aberta com as pessoas. Até hoje me sinto quebrada e muito diferente da menina que fui aos 8 anos, quando eu era apenas uma criança e não uma louca em potencial.
E isso não foi o suicídio da minha mãe o responsável: foi a sociedade, essa linda que os suicidas devem cogitar antes de pensar em se suicidar, de acordo com aquele texto. 
O destino da minha mãe tampouco foi muito melhor. Em um momento de insanidade ela perdeu sua casa, sua filha, sua vida e foi obrigada a se mudar para uma cidade que detestava e a ser vigiada constantemente. Durante anos ela, uma contadora genial, trabalhou como doméstica, afinal, suicidas não merecem empregos de confiança. 
Durante anos, ela teve de esconder sua vida, seus problemas, pois, ao conseguir um emprego de contadora, ninguém podia saber que ela tinha tentado se matar, senão o que iriam pensar? Por muito tempo ela lutou contra a idade, o cansaço, o efeito dos remédios. Evitou se relacionar amorosamente, porque assustava potenciais namorados ao relatar que ela já havia tentado se matar. 
Minha mãe luta insistentemente contra as suas doenças e contra sua vontade de morrer. Ela é uma suicida recorrente e todas as suas tentativas foram letais (ela sobreviveu por pura sorte). Ela é uma pessoa admirável, forte, sagaz, inteligente, humana e muito, muito especial. Mas é uma pessoa estigmatizada. Encontrou paz na solidão, com os seus gatos e suas flores, e vive assim desde então. 
A sociedade não acolhe bem um suicida sobrevivente ou os parentes de uma. Muitas vezes minha mãe preferia ter morrido e eu, muitas vezes, preferia ter tido a coragem de me matar. Se não o fiz, foi com muito esforço e força de vontade. Nem eu nem minha mãe recebemos acolhimento e compreensão de outras pessoas que não fossem nossas famílias. 
Aos 12 anos, depois de ter apanhado na hora do recreio na escola e ter tido meus segredos expostos sem motivo, me lembro que me escorei na janela do meu quarto no oitavo andar e olhei para baixo. Eu estive prestes a pular, mas pensei que hoje não. Amanhã talvez, mas hoje não. 
Volta e meia, quando me sinto irremediavelmente quebrada, olho para a janela e ainda penso sobre o assunto. Mas sempre deixo para amanhã. Afinal, meus dias seguintes tendem a ser um pouco menos piores que o anterior e haverá um dia que esse sentimento não vai mais existir. Assim espero. 
Assim como espero que minha mãe seja plenamente feliz. 

104 comentários:

Anônimo disse...

tb tenho esse ''probleminha''... sabe como resolvo..... finjo ser outra pessoa, arranco de mim todos pensamentos infelizes, assumo outra personalidade. funciona. tente. e claro evito ficar sozinha , sempre tenho amigos outros converso com estranhos nas salas de bate papo, mas nunca só . experimente!

Anônimo disse...

Claro que funciona, psicólogo e psiquiatra pra que? É só vc fingir que é outra pessoa, bem simples, coisa de gênio. Afinal é só um "probleminha" rs

Anônimo disse...

"Nem eu nem minha mãe recebemos acolhimento e compreensão de outras pessoas que não fossem nossas famílias."

Tu apenas descobriu a realidade prematuramente, qualquer outro motivo que fosse parecido com esse, as outras pessoas o tratariam igualmente.

Tu ainda pode contar com tua familia, eu em momentos criticos, apenas 1 primo meu me estendeu a mao, pois so assim que tu conhece as pessoas de fato.

Anônimo disse...

Fiquei emocionada com essa história. Me tocou. Eu tinha uma colega na universidade que a mãe se matou se jogando do prédio. Ela não falava muito no assunto, e ninguém puxava esse assunto porque era íntimo. Ela nunca foi estigmatizada em nosso meio, mas acho que isso foi uma sorte, ainda mais quando existem histórias desse tipo.
Como já disse Garcin (personagem da peça de Sartre "entre quatro paredes") o inferno são os outros. E muitas vezes são, mas também podem ser incríveis. Espero que essa garota conheça pessoas boas para cercá-la, porque ela com certeza é uma pessoa boa. Só de olhar o problema da mãe com tamanha sensibilidade e sem rancor, já afirmo que é alguém que merece muito respeito.

Jonas Klein disse...

Olá Samantha

Ate meio difícil de comentar o que você escreveu, agora que equipe mal formada a da escola onde você estudou, o pior o que ainda com certeza deve ter muitas crianças hoje passando por tudo que você passou na escola.

Quanto a sociedade sem comentários, apenas muito lamento.

Uma pergunta meio indiscreta, você passa por tratamento psicológico atualmente? pois não diz nada sobre isso no texto, e acho você precisa de ajuda profissional tanto quanto sua mãe.

Samantha disse...

Jonas,

Sim, eu passei por tratamento psiquiátrico na infância, com direito a dois psiquiatras e uma psicóloga e uso de medicamentos controlados, o que aumentava o bullying que eu sofria na escola. Eu tomava moderadores de humor para ser minimamente funcional, ou seja, poder estudar, ir na escola, tentar viver um pouco. Na época era essencial: havia todo o cenário na escola e eu tinha de lidar com o fato de não morar com a minha mãe, com o descaso do meu pai e, claro, com visitas controladas com assistente social. Eu via minha mãe uma vez a cada quinze dias, porque as visitas eram dividas entre um domingo para ela e um domingo para o meu pai.

Minha tia agiu pensando no meu bem estar, mas mesmo suas ações sendo bem intencionadas e tenham funcionado, tudo foi traumático. Ela acreditava (e tinha razão) que se não tomasse medidas drásticas, minha mãe não terminaria o tratamento. Tendo em vista meu estimado pai e seu plano de nos despachar de volta para Santa Catarina (onde morávamos, sendo que toda minha família mora no Rio Grande do Sul) duas semanas após minha mãe começar a se tratar, a ação judicial que ela moveu para destituir o pátrio poder foi uma forma de obrigar todo mundo a parar de fazer merda.


Se não fosse o tratamento e o uso dos remédios na época, eu certamente teria enlouquecido ou teria tentado me matar. Era muito difícil. Esse texto é minha perspectiva pessoal de como é ser a filha "da suicida", mas nem chego perto de imaginar o que a minha mãe passou na época. Ela não fala muito sobre isso. Só tenho noção pelo que eu via dela na época e pelo que vi quando voltei a morar com ela. Ela também não conta como isso foi no passado.

Eu voltei a morar com a minha mãe aos 13 anos, mas, mesmo assim, os tratamentos foram mantidos, embora tenham sido abrandados. Isso foi até os 17 anos, quando me mudei para a capital.

Até um mês atrás, eu ainda fazia psicoterapia, sem uso de remédios (até porque não se adequam bem ao meu caso atual), apenas para evitar uma possível crise de depressão e, claro, lidar com outros problemas que vieram depois desse momento. Parei porque me mudei, então estou na busca por médicos no Rio de Janeiro e que eu possa bancar. Psicoterapia é algo caro e no meu caso é o tratamento indicado. Hoje não é mais essencial para minha sanidade, mas é algo que me faz bem.

Anônimo disse...

Mais um caso de violência absurda contra mulheres cometido por menores:

http://tribunadoceara.uol.com.br/noticias/segurancapublica/cinco-suspeitos-de-praticar-estupro-coletivo-em-capistrano-sao-detidos/

Vão se calar mais uma vez?

Anônimo disse...

Toda a minha solidariedade a você, Samantha. Espero que um dia vocês possam superar isso.

Um ponto importante que me chamou atenção no post foi a diretoria da escola ter avisado os pais dos alunos nesta situação. Alguma pedagoga poderia dizer porque as escolas fazem isto? Estudei em uma única escola a vida toda e a minha melhor amiga Joana sofreu muito bullying por ser adotada. Os pais explicaram o fato a coordenadora que contou para os pais que contaram para os filhos que criticavam a pobre da Joana. É necessário contar detalhes íntimos das famílias para todos da escola?

Isto foi ha 30 anos, achei que hoje havia mais privacidade quando um casal de amigos que tambem adotou uma criança disse que estão passando pela mesma situação. E em ambos casos as crianças passariam por filhos legítimos dos pais devido às características físicas.

Acho que a coordenação deve sim saber de fatos como estes, que podem explicar comportamento da criança. Mas é mesmo necessário contar para todas as famílias da escola?

Maria Lia.

Anônimo disse...

Uma perguntinha, Samantha. Você apanhou de seus colegas na escola?

Gente, que absurdo...

S. disse...

Eu não gostei daquele texto sobre como não se matar, só quem pensa em se matar que sabe como é, o desespero que dá e a gente ainda tem que se preocupar com a sociedade "maravilhosa"? É piada.
A sociedade só sabe dizer que somos covardes, fracos, egoístas, queremos chamar atenção...

Anônimo disse...

Pode até funcionar, mas você não acha essa técnica trabalhosa demais? Acho que fingir a longo prazo acaba fazendo mais estrago porque você tenta não ver o problema de frente. Eu realmente acho que funciona dependendo do grau de tristeza e apatia pela vida. Só não acho que dá para levar essa situação por muito tempo.


Brisa

Anônimo disse...

A vida é dura pra todo mundo. Essa é a condição humana, muito antes do capitalismo existir. Algumas pessoas resistem, outras não. Essa é a natureza humana, somos todos diferentes. Mas numa coisa somos iguais: homens e mulheres, bichos e plantas, estamos todos no mesmo barco. Todos somos seres que vão morrer. A questão é o que fazemos com nossas vidas. Uns enfrentam os desafios e vencem. Outros tentam e fracassam. Mas muitos nem sequer tentam, apenas passam a vida reclamando e culpando os outros pelos seus problemas (os homens? o capitalismo? o mundo? Deus?? que diferença faz? o importante é que a culpa seja dos outros!)

Passei por aqui por acaso e fiquei impressionado com o ódio ao mundo que muitas pessoas aqui alimentam. Daí resolvi dar esse toque, talvez ajude alguma pobre criatura perdida que frequente esse espaço. Resumindo, NÃO IMPORTA O QUE OS OUTROS FIZERAM. IMPORTA AQUILO QUE VOCÊ FAZ. E ainda de lambuja vou dar uma dica: o segredo é aquilo que você dá valor. Você pode se fazer uma pessoa forte, ou você pode se fazer um ser miserável e digno de pena. É só escolher. O trabalho é o mesmo!

Escolha seu caminho e assuma a responsabilidade por tudo que te acontecer. Assuma a total responsabilidade por cada uma das suas decisões, mesmo que uma delas lhe custe a vida. Apenas assim sua vida será plena. Apenas assim você será senhor(a) do seu destino.

(Ou então deixe que outros escolham por você. Se der errado, você terá a quem acusar! Não vai te fazer feliz, , você será um(a) fracassado(a) e ressentido(a), mas pelo menos a culpa será de outra pessoa...)

Enfim, não percam tempo me insultando, nem se justificando ("ah, vc fala isso por que não sabe o que eu sofri...", todos nós sofremos, e quem não passou ainda passará), pq não vou mais voltar aqui. Tenho muito o que fazer antes de morrer. Aproveitem suas vidas, ela é uma só e passa rápido. Buscar a morte é buscar nada, por que ela vai te achar de qualquer maneira. Beijos pra vocês, e felicidades - pra quem conseguir encontrá-la!

Anônimo disse...

Cara autora,

Primeiramente, muita força pra você,sua mãe e todos os que sofrem deste tipo de problema no mundo. Já tentei me matar duas vezes, hoje estou bem, mas fui estigmatizada e rejeitada pelo mundo e a família.
Não entendo como as pessoas tem tanta capacidade de odiar e fazer mal.
O próprio machismo, racismo, classismo, capacitismo.. Meu deus, por que odiar quem é negro, pobre, mulher, trans, deprimido, surdo, ou o que seja ? Por que fazer os outros seres humanos sofrerem e muito?
Existem tantos discursos de direita, de esquerda, de gente culta,ignorante, que sabe ou não sabe de um determinado assunto, mas, me pergunto, será que se a gente parar para pensar que se fosse com a gente, ia ser uma merda e que a gente não deveria fazer com o outro o que não gostamos que façam conosco e um pouco de bom senso, 99% dos problemas do mundo seriam resolvidos.
bjs
Carolina H

Anônimo disse...

Verdade. O suicídio está muito ligado à palavra covardia. Falta de empatia total com o sofrimento alheio. Afinal, fique feliz porque você não tem câncer. É para acabar com os pequi de Goiás...
Tenho dois conhecidos homens que têm a ideia de se matar jogando avião contra montanha. Isso bem antes daquele piloto da Alemanha fazer aquela coisa. Quando vi a notícia do avião lembrei imediatamente deles e pensei qual seria a perspectiva dos dois vendo a notícia. São pessoas que levam uma vida normal ao observador de longe, mas com pessoas mais próximas dá para perceber a depressão.
Engraçado que os dois gostam de Coldplay (eu também gosto). Não sei se é inferência minha ou se a ciência explica: todas as pessoas que eu conheço e que são depressivas curtem o som. Eu estou falando de depressão e não de ideação suicida. Nem
Todas as pessoas com depressão pensam em suicídio. E nem todas as pessoas suicidas estão naquele clássico quadro depressivo que qualquer um enxerga de longe. Isso é sem preconceito, viu gente?! Talvez seja o ritmo da batida, as notas musicais ou o som do piano que tem o poder de separar ossos da medula. Só sei que mexe por dentro mesmo.
Quanto a esses meus conhecidos me parece que a ideação é com avião mesmo. Não fico tão preocupada porque até agora nenhum deles chegou perto de um curso de formação de pilotos. Mas se vierem a fazer eu ficarei muito temerosa...


Brisa

Samantha disse...

Pessoal,

Na verdade o assunto foi "superado" sempre dentro do possível. Minha mãe está bem, mora sozinha, tem seus gatos, trabalha. Claro que ela não é a mesma pessoa que era antes de tudo isso acontecer, mas acredito que ela tem uma vida tranquila. Ela tem recaídas, essa última foi particularmente difícil, mas ao menos no geral, depois dessa tentativa há 15 anos, ela nunca mais atentou contra a própria vida.

Eu estou bem. Claro, eu não sou completamente "normal", sou ansiosa, me boicoto, demorei anos para concluir minha faculdade por conta de alguns problemas emocionais decorrentes de tudo isso, mas consegui estudar, me formar, trabalho, tenho hoje alguns amigos queridos, um namorado maravilhoso. As marcas ficam, mas elas não definiram meu futuro.

Para quem me perguntou da escola: eu ainda acho o que fizeram o fim da picada. A diretora tinha que ser avisada da situação, afinal eu era uma pré-adolescente com problemas, que tinha de tomar remédios em determinadas horas, que não ia render tão bem quanto o resto da turma e, claro, para evitar que meus parentes me procurassem na escola sem autorização. Só que isso devia ter sido repassado aos professores e deu. Não tinha porque avisar pais de alunos: eu não era um perigo para ninguém. Eu só era uma pessoa triste e introspectiva, mais nada. Mas, há dezesseis anos atrás, o preconceito era ainda maior, então não duvido que alertaram os pais com medo que eu ou minha mãe matassem alguém.

Sim, eu apanhei de colegas na escola. Em público, na hora do recreio. Não foi nada agressivo demais, não cheguei a ir para o hospital, foram tapas. Mas né, foi humilhante. E todo mundo achando aquilo normal...

Anônimo disse...

Quanto comentário a là "depressão é mimimi". Gente, vão se informar, ninguém controla depressão, isso é doença. Lamentáveis e covardes são os comentários de vocês.

Raven Deschain disse...

Eu não gostei daquele texto. Achei sim que ele culpabiliza o suicida.

E como filha de uma "louca" tb, toda a minha solidariedade, Samantha. =) Abraço e beijo.

Anônimo disse...

Qualquer um que já pensou em suicídio detestou o texto. Como se a gente já não se sentisse culpado o suficiente. Não quero dizer que exijo ou espero que todo mundo seja cor de rosa, gentil e compreensivo comigo: conviver com alguém com problemas desse nível nunca é fácil e muitas vezes é desagradável. Mas prum texto que se propõe esclarecedor, cuspir rancor atrás de rancor com quem se suicidou e tentar emendar o final com um "aiiiin, muito mais revolucionário é viver", como se o motivo da gente querer se matar fosse uma rebeldiazinha à toa, foi foda.

Anônimo disse...

Raven, eu sempre acho que se um dia for a Curitiba vou te ver no meio da rua ;)


Meu bairro tem muitos casos de suicídio. Não sei é o mais endêmico da cidade porque tem aquela história ( não sei se é lenda) de que não se noticia suicídio que é para outras pessoas não irem no mesmo embalo. Outras pessoas com já ideação, obviamente.
Lembro do primeiro caso que vi. Foi minha vizinha de muro com apenas 14 anos. Estava a poucos meses dos 15, que na época eram muito mais valorizados do que hoje. Ela se enforcou "DO NADA". Não era aquele quadro clássico de abulia, apatia e tristeza. Era uma menina super alegre. Passava em frente à minha casa todo dia para ir à padaria. Foi um choque muito grande. Ela não deixou cartinha ou outra coisa. O punk é que os jornalistas-amadores-vizinhos-especuladores falaram tanta merda. Que ela tinha se matado por um romance proibido dentro da família; que ela estava grávida; e que não sei mais o quê. Difícil ouvir essas baboseiras.
Aquele texto de suicídio foi realmente muito ruim. Mas sei lá, ao menos eu acho que o suicida deveria deixar cartinha. Deixar uma explicação por mais que pareça tudo muito óbvio.
Acho que penso assim por causa do caso da minha vizinha. Eu era criança e não assimilei bem aquilo.
Com certeza ela estava sofrendo, mas os pais dela sofreram demais. Ninguém espera sepultar um filho tão jovem, sabendo que ele quis a morte sem saber o motivo. E passar a vida corroendo o coração com perguntas que não podem ser respondidas. Os pais ficaram desesperados atrás dos colegas de classe para ver se eles sabiam alguma coisa.
Essa semana mesmo estava lembrando dela toda serelepe no meio da rua...até na semana do suicídio.
Foi a decisão dela ir sem "despedidas", mas dói um tanto...


Brisa

Raven Deschain disse...

Provavelmente Brisa. Curitiba gosta de se achar cidade grande mas é uma província! Hua hua

Mônica de Freitas disse...

É, eu já passei por uma coisa dessas.
Tenho uma síndrome chamada de Síndrome de Asperger, que é como um autismo, só que brando, de modo que me permite ser uma pessoa normal com minhas peculiaridades. Como usar preto. Quando eu era pequena, eu apenas usava preto e só me sentia bem usando preto, se eu usasse uma roupa, sapato ou acessório de qualquer outra cor, eu pirava. Por isso já foi difícil achar uma escola que me aceitasse usando roupa preta e não uniforme.
A questão é que minha mãe tinha que contar para a diretora do meu problema pra que ela soubesse que ia ser difícil a minha convivência no meio acadêmico, porque sou extremamente antissocial, solitária, enlouqueço em ambientes barulhentos, enfim. Porém, não sei como, um colega da minha sala descobriu que eu tenho Síndrome de Asperger e resolveu contar para todo mundo. Só que as palavras que ele usava era "louca" "demente" "doente mental" "retardada".
Então eu passei a sofrer bullying dos meus colegas, não só fiquei isolada, porque eu já era por conta própria, mas as pessoas faziam piadinhas estúpidas como falar em linguagem de retardado comigo, me obrigavam a olhar nos olhos deles (outra peculiaridade que eu não consigo olhar diretamente nos olhos de alguém). E eu simplesmente não ligava para isso, eu era bem indiferente, porque aquilo não me afetava. E eles ficavam com mais raiva de mim, porque na cabeça deles, eu tinha que sucumbir, chorar e desejar morrer, mas eu nunca fiz isso.
Teve até uma vez que uma PROFESSORA falou pra mim: "Como pode ser tão insensível? Você não é normal."
Resumindo tudo: minha passagem por aquela escola foi para pegar meu diploma e poder entrar em uma faculdade, porque nada tirei proveito da minha vida escolar.
E mesmo assim desenvolvi depressão, ansiedade generalizada e síndrome do pânico. Eu morro de medo de sair de casa, não consigo manter laços de amizade por muito tempo, dos poucos amigos que tive na escola, me afastei de todos eles quando conclui minha escolaridade. Meus relacionamentos amorosos nunca passaram de um semestre.
Me identifiquei com a Samantha quando ela disse que quis se matar, mas deixou para amanhã. Há alguns anos quando eu estava muito ruim, eu também pensava em me matar, mas não tinha coragem, hoje não penso mais em me matar, mas tem vezes que tenho vontade de largar tudo e me trancar em casa sozinha.

Anônimo disse...

"Eu realmente não ligava pra isso, não me afetava", maaaas "desenvolvi depressão, ansiedade generalizada e síndrome do pânico". Acho que te afetou mais do que você admite pra si mesma, moça.

Anônimo disse...

Meu namorado tentou se matar 5 meses atras (nos conhecemos a 2).
Ele, atualmente, faz o acompanhamento com um psicoterapeuta e um psiquiatra.
As vezes vacila e esquece de fazer o acompanhamento das receitas e fica 2, 3 dias sem o remédio. Essa semana ele ficou 4 dias sem. Fico absurdamente preocupada com ele. Não sei como ajudar, além de fiscalizar e chamar a atenção dele. Alguma dica?

Taty disse...

Lola,gostaria muito também que houvesse um post sobre como mulheres tem coragem de matar grávidas pra roubar o bebê,como aconteceu recentemente com a Patricia Xavier e eu já vi vários casos no investigação discovery.Essas pessoas são doentes mentais ou psicopatas ruins mesmo?

Anônimo disse...

/\ Seu sem caráter, a Lola já escreveu em posts anteriores que ela ganhou uma bolsa do SANTANDER UNIVERSIDADES pra viajar pra China com FINS ACADÊMICOS. Vai chorar no cantareira, vai.

Anônimo disse...

Anon das 14:48, tem vários aplicativos pra celular lembrando a hora de tomar remédio, só pesquisar. E você pode ligar pra ele todo dia perguntando se ele já tomou o remédio, pedir foto da cartela, etc, é só pedir com bom humor, dizer que vc se preocupa com ele.

André disse...

Aí o pessoal começa a querer discutir formas de tornar a escola um ambiente menos hostil e os malucos de sempre aparecem para boicotar.

Quem sou eu? disse...

Anon da 14:48, se faz só 2 meses que vc está com seu namorado, seria bom considerar se vale a pena ficar com alguém assim. Desculpe a sinceridade mas já passei por situação parecida e achava que podia "salvar" meu namorado da depressão e dos pensamentos suicidas, no final quem quase ficou depressiva fui eu, inclusive passei a ter ataques de pânico. E cada vez que tentava sair da situação ele ameaçava se matar, se cortava... Foi muito difícil, por isso pense bem no que vc vai ter que enfrentar, nós mulheres temos a tendência em querer cuidar dos outros e acabamos por nos deixar em segundo plano. Já faz mais de 3 anos que nos separamos e estamos inclusive em países diferentes, mas até hoje eu tenho medo dele aparecer e me matar e depois se suicidar. Infelizmente vc não vai ter nenhum poder em livrar ele desses problemas, e se ele já não cuida da medicação, parece não se preocupar muito com isso. Desculpe me meter, mas não gostaria que ngm passasse pelo o que passei.
Maria

Anônimo disse...

se alguem posta um comentário com a historinha da lola pedir doação para abrir processo pq não tem $$ é deletado, ela está mentindo mesmo, se viaja tem $$ pra processar.
a verdade ´=e que ela gosta de se fazer de vitima pra ganhar atenção.

Anônimo disse...

/\ Historinha? Se está no próprio post que ela escreveu, ela não tem nada pra esconder. Ela viajou porque ganhou uma BOLSA pra viajar com FINS ACADÊMICOS. Seu zé-mané, vai aprender a ler, ela já falou disso em posts anteriores. A verdade é que tu é um otário, analfabeto funcional, desonesto, sem caráter, mentiroso, preguiçoso, que gosta de manipular informações e se fazer de vítima. Se mata vai.

Anônimo disse...

AQUI SÓ PRA QUEBRAR TUA CARA: https://www.santanderuniversidades.com.br/bolsas/paginas/top-china.aspx USA O CTRL+F AÍ

Vem falar agora que ela tá gastando $$ pra viajar, vem. Você devia se envergonhar, mentiroso sem caráter e além de tudo preguiçoso porque não checa as fontes. Típico cérebro de ervilha dos reacinhas.

Anônimo disse...

vcs são muito otárias mesmo, vão lá lamber o rabo da lola. continuem sendo enganadas.
bjs

Marix disse...

Mônica de Freitas, sabia que na Universidade Federal do Rio Grande do Norte tem um professor de filosofia, genial, que tem síndrome de Asperger? O nome dele é Cláudio Ferreira Costa. Di

Mod disse...

Para uma perspectiva masculina das questões de gênero: www.reddit.com/r/direitosdoshomens/

Nelia disse...

Samantha, sua mãe é depressiva clínica ou entrou nessa espiral de depressão por vivenciar problemas emocionais sem encontrar apoio?
Eu pergunto isso porque, como vc deve saber, há pessoas com tendência à depressão por motivos de "ligações químicas" alteradas no cérebro. Acrescentando-se fatores ambientais do mundo moderno (estresse, má alimentação, etc) a depressão tem se tornado uma epidemia mundial.
Mas tendência à depressão não leva, necessariamente, à tendência ao suicídio.
Outras pessoas entram em nesses estados depressivos após algum trauma violento, do qual não se recuperam por não terem um acompanhamento psicológico.
A psiquê humana é muito complexa e cada indivíduo reage de forma diferente aos acontecimentos da vida. O que quero dizer é se as pessoas, ao perceberem sinais de depressão em si próprias ou em alguém próximo, tivessem uma atitude despojada de preconceitos, e procurassem ajuda profissional, muito sofrimento seria evitado.
Enquanto uns “capiroto” dizem que é mimimi e frescura, aqueles que se importam costumam dizer para quem está numa crise ”Vai passar, não esquenta”, achando que estão dando apoio.
Quando se quer ajudar um depressivo, temos que procurar entender o que ocorre com a pessoa, mas ela mesma não pode nos dizer porque também não se entende. Por isso a ajuda profissional é fundamental.
Além de medicamentos a pessoa depressiva necessita psicanálise, e até num atendimento multiprofissional, visto que hoje existem até estudos dizendo que a alimentação e estilo de vida modernos nos predispõe mais à depressão. Algo a ver com produção de cortisol em excesso pelo estresse e por alimentação tóxica.
Imaginem no que resulta todos esse fatores aliados a um trauma emocional e mais, com a “ajuda” de nossa sociedade tão pouco empática. Só pode resultar em desastre.
Enfim, falta informação para o público em geral e sobra preconceito.

Marix disse...

Maria (Quem sou eu?), te entendo perfeitamente. Também passei por situação parecida. Meu ex-namorado teve síndrome do pânico no último ano da faculdade (último ano meu e dele). Acontece que me matei cuidando dele, ele tinha medo de ficar sozinho, de almoçar sozinho, ele precisava de companhia pra tudo (e eu sempre fui muito independente, sempre gostei de ter meus momentos sozinha e minha individualidade, então pra mim foi um baita sacrifício). Perdi aulas pra ficar com ele, me ferrei no semestre, ajudei ele a acabar o TCC dele só que não consegui terminar o meu. Acontece que ele tomou os medicamentos, fez psicoterapia, teve meu apoio e se curou, está bem. Mas depois que ficou mal, super sobrecarregada, desestabilizada, atrasada na faculdade fui eu. E quando então precisei da ajuda dele, ele estava muito ocupado com os projetos de futuro dele para me ajudar. Foi uma super lição pra mim para não me sacrificar tanto pelos outros.
E outra, cuidado, por que tem muito homem que usa o papo do coitadinho depressivo pra atrair garotas e depois abusar emocionalmente delas.
É muito comum a mulher se colocar na posição de cuidadora, até porque, no mais das vezes, somos socializadas para isso. A boa menina, a mulher valorosa é aquela que cuida do marido, cuida dos filhos, cuida da mãe, cuida do irmão doente, cuida dos animais abandonados, cuida de todos, exceto de si. A sociedade valoriza o cuidador apenas como um instrumento.

O ideal seria que o cuidador também tivesse um amparo psicológico, pois é uma carga muito, muito grande nos tornarmos responsáveis pela vida, saúde e bem estar de alguém com quem temos uma relação afetiva. Uma coisa é quando a pessoa é enfermeira ou técnica em enfermagem, que recebe um treinamento especial para a função e não tem vínculo afetivo envolvido.

Minha dica para as garotas, ainda mais as novinhas, de 18, 25 anos: cuidem de si! Não queiram ser mãe, não queriam ser salvadoras dos seus namorados. Uma coisa é apoiar, outra é bancar a salvadora, ainda mais quando vocês estiverem sozinhas e sem apoio psicológico.

É tão sério e importante o acompanhamento e apoio ao cuidador que no caso de doenças como Alzheimer, que precisam de um cuidador constante para o paciente, há vários grupos em hospitais e postos de saúde para dar apoio e orientação ao cuidador da pessoa com Alzheimer.

Anônimo disse...

Ui não tenho argumentos então vou mandar elas "lamberem o rabo", sou foda mesmo, pena que ainda to na 5ª série.

Anônimo disse...

Essa "perspectiva masculina" das questões de gênero, ela luta contra o machismo também ou prefere ficar de teoria da conspiração contra feministas? Porque o machismo também oprime os homens mas nunca vejo fórums de "direito dos homens" falarem disso. Não dá pra levar a sério um movimento assim.

Jonas Klein disse...

Quem sou eu? isso que você disse para aa Anon da 14:48, e verdade pura.

Quanto a isso "nós mulheres temos a tendência em querer cuidar dos outros e acabamos por nos deixar em segundo plano."

Pois é, essa tendência que as mulheres tem de querer cuidar dos outros e se deixar em segundo plano e uma adicçao conhecida como dependência emocional ou co dependencia dependendo da situação, sugiro que você pesquise no Google sobre isso, pois vai ser útil para você e todas as pessoas que fizerem o mesmo.

"mas até hoje eu tenho medo dele aparecer e me matar e depois se suicidar."

Você já penso em fazer um curso de defesa pessoal e se for possível comprar uma arma? isso faria você se sentir muito mais segura e ate confiante em si mesma.

Apesar de que se o seu ex, não sabe onde te encontrar e não tem como descobrir, não tem com o que você se preocupar, mas se mesmo assim você esta preocupada acho bom você procurar um psiquiatra.

Desculpe eu me meter, eu só estou tentando ajudar...

Mudando de assunto, uma coisa que ajuda uma coisa que eu sei que ajuda muito no combate a depressão, e a atividade física, pois libera no organismo uma substancia que faz pessoa se sentir alegre.

Observação eu não sou psiquiatra, mas o que aprendi lendo sobre questões psiquiátricas foi isso.

Anônimo disse...

O anônimo das 15;05, Marix e Quem sou eu? Responderam muito bem. Qual o motivo da tentativa de suicídio do seu namorado? Acho que pode dizer muita coisa...

Acho que a sua preocupação necessita de um pouco de cautela. Ninguém gosta de ser sufocado com perguntas e fiscalização. A paciência não deve suportar muito tempo. Fora que fica um ar de desconfiança ( às vezes legítimo) sobre o suicida. E ele vai perceber isso. Enfim... Já falaram muito bem sobre. Só quis complementar mais um pouquinho

anon A. (radfem) disse...

Acho bizarro que muito provavelmente teriam te tratado melhor se sua mãe de fato tivesse conseguido se suicidar...

Suicida que conseguiu se matar = assunto proibido, ninguém pode comentar nada
Suicida que não conseguiu se matar = a 'fofoca do dia', ou as vezes até 'piada do dia', e todos menosprezando a pessoa por ser 'louca'

E depois a sociedade reclama se um suicida tenta se matar novamente...

Um conhecida minha tinha problemas psiquiátricos que a levavam a ter alucinações pesadas. Numa dessas alucinações, ela se jogou pela janela porque achou que seria morta. Ela sobreviveu, mas com praticamente todos os ossos do corpo quebrados e não se sabe se ela poderia voltar a andar. E isso virou a 'fofoca do dia' sobre a 'louca que falava sozinha'.

Anônimo disse...

" Vai passar, não esquenta"

Oh preguiça com essa frase. Pior é que as pessoas realmente pensam que estão ajudando com essa pérola motivacional.

Brisa

Anônimo disse...

Também pensei em suicídio durante um perído horrível da minha vida e sei como é. Meu apoio pra você, Samantha. Também me revoltei com aquele texto, quer dizer, não devemos nos matar pra não prejudicar a sociedade-a mesma que trata nossos problemas como frescura, que nos cala a tapa quando pedimos ajuda, que nos tortura quando estamos fragilizados, que nos joga no lixo se não correspondermos às suas expectativas? Dá licença, mas não. De jeito nenhum. A sociedade pode ir pros décimos quintos dos infernos. E quem escreveu aquele artigo pode ir se lascar.

Anon das 12:50 pegue o livrinho barato de auto ajuda clandestino de onde você tirou esse papinho e idiota e enfie no rabo.

Anônimo disse...

Verdade Anon A.
O tratamento dispensado ao suicida e ao que tentou, mas não conseguiu é diferente.

Brisa
Talvez se a mãe dela tivesse morrido a tratariam bem. Acolheriam a coleguinha que vai crescer sem mãe own. Talvez as mães das outras crianças convidassem a Samantha para festinhas, cinema e outras coisas para ela não se sentir só (?).
Professores a ajudariam mais e protegeriam dos outros.

Isso são só inferências, mas muito provavelmente seria assim.

Já no caso do suicida não conseguir êxito ele fica altamente estigmatizado. "-a pessoa está se sentindo tão inutil e não consegue nem se matar?"
Diriam algumas pessoas fazendo piada da situação.

Sonhando com um mundo mais empático!

anon A. (radfem) disse...

@Mônica de Freitas

Passei por situações bastante similares na escola por também ter Asperger. No meu caso, só fui saber que tenho Asperger depois de velha, mas isso não impediu de receber bullying de colegas por ser 'diferente' (e GNC, ter Asperger aumenta as chances de uma mulher ser GNC), então até dos meus pais eu sofri bullying por ser 'insensível'. No final, eu não sei se receber essa diagnóstico mais ajuda ou atrapalha na adolescencia...

Arícia Salvi disse...

Samantha, me passa seu e mail. Tenho uma amiga psicologa no rio, ela é ótima. Quem sabe a gente acha alguém pra vc continuar seu tratamento? Meu e mail é aricia.salvi@gmail.com

Mod disse...

O objetivo deste subredit, direitosdoshomens, é contribuir para a construção de uma sociedade igualitária em que todos/as se possam exprimir sem sofrer preconceitos relativos ao seu género, uma sociedade que não ignore os direitos humanos de homens e meninos.

Muitas vezes "machismo" é uma expressão que é usada (ou abusada) como sinónimo para qualquer coisa masculina, um mesmo comportamento observado em homens e mulheres pode ser apontado como sendo machista no caso dos homens e ser considerado aceitável no caso das mulheres. Somos contra os preconceitos e a descriminação, incluindo as deste tipo.

Carol F. disse...

Não postei no post sobre ensino em casa mas eu acho que muitas vezes vale a pena porque o ambiente escolar pode ser agressivo demais, muito mais que outros ambientes. Parece que tudo de ruim fica mais forte na escola, que por serem crianças e/ou adolescentes os alunos não tem absolutamente nenhum respeito ou preocupação com o bem estar dos outros, e normalmente contam com a conivência de professores e funcionários.
Uma vez no meu trabalho uma colega saiu chorando e descobrimos que o pai dela tinha acabado de cometer suicídio. Nos oferecemos para ajudar no que precisasse e ninguém ficou falando no assunto. Não acho que as pessoas do meu trabalho eram especialmente simpáticas ou educadas, só não eram super toscas.

Anônimo disse...

Realmente, em 2 meses de relacionamento eu já percebo que será complicado. Oficialmente não somos namorados mais. Atualmente estabelecemos uma relação sem rótulos, pq ele me puxava demais pra vida dele (altera toda minha rotina para fornecer dedicação exclusiva a ele, nas refeições, nas idas ao mercado). Então, resolvi acabar o namoro, maaaaaaaaaaaas, continuamos juntos. Isso as vezes me preocupa. Será que é a vontade de cuidar e a ilusão de que vou 'cura-lo'? Tenho depressão, passei por turbulências familiares durante a infância (pai abusivo e violento), tive um histórico de bullying na escola, fiz terapia durante anos, fui uma adolescente rebelde, cresci com vários complexos, assisti minha mãe morrer de câncer aos 50 anos, mudei de cidade, de vida... consegui, aos poucos, reverter tudo. Nos entendemos bem por que consigo imaginar o tamanho da dor dele e ele da minha. MAS as vezes, acho que meu carinho, afeto, dedicação não serão suficientes para ajuda-lo. Tenho medo da dependência mutua e de piorar seu estado de saúde.

(Anônima 14:48)

Ingrid Bezerra disse...

Minha solidariedade a você Samantha. Espero que a sua vida se torne cada vez mais maravilhosa e cheia de mordomias, porque é isso que pessoas que passaram por problemas bizarros merecem.

Fiquei perplexa com essa escola e essas pessoas que te fizeram se sentir pior do que você estava. É mesmo, antigamente (que não é tão antigamente assim, né) as escolas não tinham o mínimo de ética. Estudei em uma escola cristã horrível que fazia muitas coisas horríveis com as crianças, que se fosse hoje, geral seria preso (e com muitíssima razão).

Eu lutei contra depressão a minha vida toda. Também tentei suicídio, umas duas vezes, aos 9 anos e 12. As motivações eu não consigo dizer, me sinto péssima e envergonhada. As minhas tentativas não foram totalmente letais como a da sua mãe. Aos nove anos eu me envenenei com o intuito morrer, mas a minha mãe pegou no flagrante antes de eu terminar tudo o que eu queria ingerir. Minha mãe nunca entendeu bem essas coisas, ela achou absurdo da minha parte e me bateu muito. Aos 12 foi a mesma coisa, só que não deu certo, não surtiu efeito. Eu cheguei a fazer o mesmo que você relatou, me debrucei na janela...

Eu não tenho mais depressão com frequência, apenas algumas crises. Eu fiz um tratamento muito bom com a Dr.ª Maria Bacelar (Uma ótima psiquiatra do Rio de Janeiro, e fiz tratamento Psicológico por 4 anos). Mas eu nunca nunca nunca me dei com remédios, eles me ajudavam no tratamento da depressão, mas pioravam e muito a minha saúde. Foi sofrido e difícil no início, eu tinha que ser acordada por alguém para comer, porque se não, eu não conseguia.). Consegui parar com os remédios e melhorei muito muito até terminar, então depois eu decidi que faria o possível para não ter que tomá-los novamente. Hoje, como já estou muito bem apesar de algumas poucas crises que tenho, eu me trato com homeopatia.

Fico imaginando e espantada com essa rotina de remédios que você tinha.

Samantha, espero que um dia tu fiques completamente bem. Isso me dói o coração. Ainda bem que pelo menos os remédios você não precisa mais.

A minha família inteira é viciada em remédios psiquiátricos, acho muito triste. É uma prisão.

Sua experiência como filha de uma mulher suicida muito me chocou! Agora estou até pensando em um menino próximo da minha família que a mãe dele se matou. Ele ficou rolando de casa em casa de parentes, é tudo o que eu sei. Agora estou pensando que ele deve ter sofrido muito com essas coisas da sociedade também.

Eu escondo da maior parte das pessoas do meu dia a dia que eu tive/tenho depressão, porque assim que a gente falta isso as pessoas começam a buscar defeitos na gente procurando justificativas de características, causas e até tratamento da doença. As pessoas dizem: "Ah! Então é por isso que você é quietinha, sabia que tinha algo errado", ou "você fica muito quieta no seu canto, por isso fica depressiva" ou o que eu mais odeio: "eu vou te ajudar, faça isso isso isso. Você precisa sair, ir numa balada!".

Boa noite

Anônimo disse...

O cara é um babaca, mas mandar alguém se matar em um post como esse é muita insensibilidade.

Donatien Alphonse François disse...

Anônimo 17:51

"Será que é a vontade de cuidar e a ilusão de que vou 'cura-lo'?"

Com certeza é sim. No seu lugar eu me perguntaria: O que estou ganhando com esse relacionamento? Todo relacionamento é baseado na troca voluntária, se trata de dar e receber, se só uma das partes está ganhando algo, então alguma coisa está errada, avalie se isso vale a pena para você. Aparentemente você se importa mais com ele que consigo mesma e ele, de acordo com que disse, me parece muito egoísta.

"MAS as vezes, acho que meu carinho, afeto, dedicação não serão suficientes para ajuda-lo."

Desculpe a franqueza, mas quem não se ajuda a si mesmo, nem com todo apoio do mundo consegue resolver seus problemas.

Ariel disse...

Vamos falar de coisa boa, vamos falar de Top Therm... ops

Virada Feminista em São Paulo, sabadão agora, no Centro Cultural da Juventude (Zona Norte)

Mais informações:

https://viradafeminista2015.wordpress.com/

http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2015/07/1651507-sabado-frio-e-chuvoso-tem-virada-feminista-e-show-de-toquinho.shtml

Beijas de Luz

Anônimo disse...

A mulher que matou a grávida para roubar o bebê não é uma psicopata assassina, é apenas uma vítima reprodutora passiva do machismo.

Monachopsis disse...

Admiro a empatia da autora com a mãe. Sou filha de bipolar, também comi o pão que o diabo amassou nesta mesma idade, mas não consigo ter este olhar de ternura com minha mãe, mesmo sabendo que seus surtos derivam de uma doença mental. A cicatriz é tão funda, que o racinal compreende, mas o emocional permanece ressentido. E lá se vão anos e anos de terapia.
Além disso, pensei muito em suicídio na adolescência. Sentava no parapeito da janela do apartamento que morava no 9o andar e pensava: me jogo, não me jogo. Por conta disso, hoje só moro em andar baixo. Andar alto me trás aquele sentimento novamente.
Grata pelo belo artigo.

Samantha disse...

Obrigada pelo apoio gente. Amo ceis tudo. E pode deixar que vou entrar em contato para pegar indicações de médicos.

Nelia, minha mãe na verdade possui outros problemas clínicos e a depressão é apenas um sintoma das muitas doenças que ela manifesta. Ela já foi mal diagnosticada no passado.

Ela teve uma vida traumática e isso certamente desencadeou a doença. Contudo, se ela toma os remédios direito, ela fica muito bem e nem tem necessidade de psicoterapia. Atualmente ela vai no psiquiatra uma vez por mês e toma mais ou menos três remédios, para controlar a paranoia, a depressão e ansiedade. Eu vou em algumas consultas com ela para saber se está tudo certo ou falo com o médico dela por telefone; a última recaída que ela teve, ocorreu porque ela abandonou o tratamento sem falar um ai para ninguém, afinal, ela jurava que tava bem e que não precisava mais.

Eu sou o contrário: depois que passou minha crise, remédios se tornaram desnecessários e o que eu preciso é de psicoterapia. A minha mãe em contrapartida fez psicoterapia só nos primeiros anos, depois ficou só nos remédios com total anuência do psiquiatra, que conhece o caso dela desde os primórdios.

Essa doença não tem critérios.



normalidaderealidade disse...

Samantha, espero mesmo que você esteja melhor. O suicídio, per se, vira show (uma vez uma garota pulou do décimo andar da universidade onde estudo. antes da polícia veio um cameraman de um programa sensacionalista), mas o sobrevivente... Se discute se é covardia ou coragem, se é certo ou errado e, finalmente... se é louco. Filosofia e psicologia populares pululando por todos os cantos.


[Olha, esse trecho era pra ser uma resposta à filha de um bipolar mas... Saiu um desabafo. A verdadeira mensagem pra Monachopsis é: sinto muito pelo que você passou. É complicado mesmo. Tenho uma visão, semelhante à sua, do meu pai. Então... compartilho de um sentimento semelhante. Abraços.]

Eu sou bipolar. Logo depois do diagnóstico, li relatos de filhos de bipolares, esposos de bipolares, namoradxs de bipolares, amigos de bipolares, eu criei um horror intenso do que "eu era". Eu passei a viver hipervigilante - tentando me "segurar", pra adiar o dia no qual eu ia "perder o controle" e destruir tudo e magoar a todos que amo.

Sinto que as coisas ficaram mais estranhas depois que eu fui diagnosticada e tratada (por um período complicado de ideação suicida). Na minha família ou com outros mais chegados, os meus sentimentos passaram a ser medidos em miligramas. "Já tomou seu remédio?" ou "Conta isso pro seu médico" eram as respostas pra tudo. Passei a me sentir "quebrada" e incoerente. E aí... volta a ideação suicida. Cada vez pior. Fui me desintegrando, deteriorando. Fiquei "mais louca" por "medo da loucura" e pelo estigma que qualquer outra coisa.

Becx disse...

Calar só se for a sua boca. Fora isso, nunca.

Anna disse...

Ótimo post! <3

Não sabia daquele texto, enfim de fato tosco, só quem passa por isso sabe como é, tentar viver diariamente não querendo estar viva, sonhando em morrer, tendo esses pensamentos constantes, sofrer... Realmente melhor ficar quieto do que fazer um post tentando fazer a pessoa se sentir ainda mais culpada. Não sei como as coisas se passam em outros países, mas no nosso as pessoas não estão nem um pouco preparadas pra falar sobre suicídio, o que você ouve ainda é muito ignorante pra dizer o mínimo.

Sófia disse...

Oi Samantha, também tenho um irmão que já tentou suicídio. Pulando do segundo andar de nossa casa. Tivemos sorte pois na época a casa estava em construção e tinham várias ferragens, pedaços de madeira pontiagudos, dentre outros que provavelmente ocasionaria uma séria lesão nele. Bom ele fez isso umas 3 vezes. Tentou uma vez com uma faca cortar o pescoço tb, e uma vez saiu de madrugada sozinho escondido (com 14 anos) e só conseguimos encontrá-lo no outro dia.

Todas as tentativas dele fracassaram ainda bem. Meu irmão não queria mais viver e o que eu achei mais triste foi vê-lo sendo dopado de medicações cada vez mais fortes que o deixavam irreconhecíveis.

Sabe aquela pessoa que vc olha e pensa, -nossa cara quero ser como vc quando crescer pq você é foda mesmo?- pois é esse era o meu irmão, sempre extremamente talentoso em tudo que fazia, tocava violino, piano, cantava, desenhava, escrevia, tudo isso extremamente bem. Muito inteligente já jovem deixava mitos impressionados e fazia "amizades" facilmente.

Eu vi meu irmão parando de cantar, e de tocar seus instrumentos, vi ele não conseguir mais escrever nada (coisa que ele fazia tão bem que uma vez chegou a escrever um livro de 50 páginas a mão) e essas supostas "amizades" que ele fez sumiram, NUNCA e digo seguramente nenhum "amigo", colega, ou qualquer outro ligou ou veio ver ele, nem quando ele foi internado, nem quando ele voltou pra casa, nem nada.

A sociedade não apoia mesmo. A pouco tempo rodava uma imagem do facebook que falava algo parecido com "Não gosto de pessoas com problemas e etc" eu sentia que era assim que todos faziam (família, colegas, etc). Era uma situação muito estranha, tentar tocar nesse assunto com os outros parecia um martírio, percebi aos poucos que as pessoas não gostam de ouvir que vc tem alguém em casa com algo e precisa de ajuda, e precisa de desabafar, mas parei, as pessoas claramente faziam cara de paisagem, ou me respondiam mau quando eu tentava falar desse assunto.

Percebi que quando falaavam - Oi como vai o seu irmão? - não queria saber a verdade, só queriam que eu falasse uma mentira e dissesse que ele estava bem, pq se eu começasse a falar que ele estava tentando morrer, que ele tinha chegado ao fundo do poço e ngm sabia pq e que qualquer ajuda era bem vinda, as pessoas fugiam.

Logo, percebi que minha família (eu minha mãe, pai, e outro irmão) somos uma ótima equipe, e que infelizmente tivemos que nos virar sozinhos com o que vivenciávamos. Após alguns tratamentos (16 nos de tratamento) meu irmão convive com isso, com essa doença, as pessoas sumiram mesmo, nossa casa virou um reduto de loucos para os outros, que constantemente perguntam como meu irmão esta, e eu respondo que bem obrigada, como sempre. Ele ainda tem surtos, porém bem menores, as vezes ameaça alguém aqui em casa, faz muito barulho e tem muitos movimentos que faz repetitivamente com as mãos e pés, ou grita, e etc, mas ainda semana passada chorei muito.

Apesar do meu irmão não ter conseguido ainda formar no ensino médio, semana passada ele saiu comigo e meu outro irmão fomos em um local que tinha um piano, e ele pediu para tocar, e tocou uma música até o fim..Não sei explicar a emoção que eu senti, choro só de lembrar.

Sófia disse...

Admiro muito ele, saiu do fundo do poço, ignorou o preconceito e a distanciação da sociedade e conseguiu vencer, apesar de tudo, ele ainda toma muitos remédios, molha a cama a noite, e não consegue fazer certas coisas sozinho, mas ele me ligas as vezes para dizer que me ama muito, e só isso basta para que eu nunca perca essa admiração.

A sociedade é uma merda mesmo, nos somos hipócritas, egoístas, preconceituosos..Mas o pior que continuamente assistimos a igrejas ganhando milhões com pessoas alienadas, e etc, mas esquecendo de se solidarizar pelo próximo, pelo próximo que esta doente, pelo próximo que não tem o que comer, precisamos uns dos outros sempre.

Samantha, você é ma guerreira assim como a sua mãe. We are the champions!!! Apesar de todas as pedras nos vencemos e seguimos tocando a vida. Parem povo de pensar que um problema é só de um. Vivemos em sociedade e devemos ser solidários com o próximo.

Marix disse...

(Anônima 14:48) (Quem sou eu?)

O fato de você não querer d 'rotular' seu relacionamento (seja namoro, ficada) não muda nada, ele tem traços de que vai ser abusivo. Para poder ajudar de verdade alguém que está depressivo, você tem que estar muito bem, muito forte e segura, o que não é o seu caso.
Essa sua relação aí vai sugar todas as suas forças e te deixar um trapo. Apesar de vocês provavelmente terem alguns momentos bons juntos, a matemática final não vai ser boa. Se em dois meses você já sente que o cara te suga, te exige mais e mais atenção (mais inclusive do que vc pode ou gostaria de dar no momento), e se você já se sente incomodada com isso, então você pressente que não tá certo isso. Escuta essa voz de lucidez de dentro de ti, e se afasta dele. Cuida de ti, e deixe que ele aprenda a cuidar dele. E aprenda a não se sentir culpada por isso. Os maiores erros que tive no meu namoro foi fazer coisas que eu não queria mas que eu fazia pq me sentia culpada (uma culpa q era inculcada ou pelo meu namorado ou pelo papel de 'boa mocinha' que eu me prestava a fazer). Você não é mãe desse guri para dar todo esse amor incondicional e cheio de sacrifícios que ele precisa.
Pensa em ti, querida. Ouve tua intuição, e os conselhos que todos estamos te dando aqui e se afasta desse rapaz.
Preserva o seu espaço, a sua intimidade, a sua sanidade.

Anônimo disse...

Suicídio é um tabu no Brasil (falo do Brasil porque é o país em que eu vivo), o povo brasileiro só sabe falar de suicídio como um pecado, uma covardia, egoísmo, etc. São sempre essas palavras prontas, cheias de falácias, de julgamentos, preconceitos, clichês, futilidades, auto-ajuda de quinta categoria.
É preciso mais solidariedade, compreensão e empatia com os suicidas.

Anônimo disse...

Moça das 14:48 "As vezes vacila e esquece de fazer o acompanhamento das receitas e fica 2, 3 dias sem o remédio. Essa semana ele ficou 4 dias sem."

O cara não faz esforço para tomar os próprios medicamentos que fazem bem para a saúde dele e a responsabilidade é sua de ser a babá-enfermeira dele e ainda corre o risco de se sentir culpada se não exercer essa função? Ah sai dessa. Manda ele baixar algum aplicativo para lembrar a hora de tomar o medicamento. O esforço para melhorar a própria vida deve vir aciam de tudo a partir dele.

fernanda melo disse...

Só tenho a dizer que sinto muito por tudo que te fizeram. Desejo tudo de bom que a vida( e quem sabe Deus se você acreditar) te recompense por todo esse mal. Existe gente boa no mundo. E não os homens de bem como dizem mas pessoas capazes de se colocar no lugar do outro. Todaa temos dores e cicatrizes mas sobrevivemos. Viva por si e por aqueles que mesmo sendo poucos seja. diferentes da maioria. Quando a gente diz que acredita que o mundo pode mudar soa utópico eu sei mas não dê ouvidos a gente amarga e sem esperança. Abraços

fernanda melo disse...

Só tenho a dizer que sinto muito por tudo que te fizeram. Desejo tudo de bom que a vida( e quem sabe Deus se você acreditar) te recompense por todo esse mal. Existe gente boa no mundo. E não os homens de bem como dizem mas pessoas capazes de se colocar no lugar do outro. Todaa temos dores e cicatrizes mas sobrevivemos. Viva por si e por aqueles que mesmo sendo poucos seja. diferentes da maioria. Quando a gente diz que acredita que o mundo pode mudar soa utópico eu sei mas não dê ouvidos a gente amarga e sem esperança. Abraços

fernanda melo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Samantha disse...

Anônima do namorado,

Pessoas com esse tipo de problema, tendem a se boicotar. Não vou afirmar que o seu namorado não faz por mal porque não o conheço, mas no meu caso:

1) minha mãe já interrompeu a medicação no passado, por achar que estava bem. O retorno da doença veio com tudo. A última recaída dela foi quase fatal e, exatamente por medo que ela não tomaria a medicação a contento, o psi dela a fez tomar por intravenosa nos primeiros meses. Pode ser uma boa coisa para o seu namorado: sai da consulta, vai na farmácia, toma a injeção e não se preocupa com medicamento por 30 dias.

2) minha mãe também não fazia o tratamento direito por boicote. Eu mesma já me boicotei meu tratamento por achar que não mereço ser feliz. Seu namorado pode estar passando por algo assim.

Donna Nyckynha disse...

No passado tbm passei pela situaçao de ter um namorado nada bem consigo.A pessoa que ajuda tem de ser forte e ter jogo de cintura.Nao é pra qualquer um(os insensíveis,sem paciência)
Eles são muito sensíveis nesse estagio.
É complexo,nao é algo simplorio.

Fabiano disse...

Eu acho engraçado que o texto fala dos problemas que passam as pessoas que tentaram suicídio e a falta de empatia em geral, e um monte de gente dizendo para se afastar de alguém que tentou suicídio, que vai destruir a sua vida etc.

Quem sou eu? disse...

Acho que tem uma grande diferença entre vc ter uma pessoa querida (mãe, irmão, companheiro(a) ou amigo(a) de longa data) e fazer de tudo para ajudá-los a superar esse problema, outra coisa é vc conhecer uma pessoa há 2 meses e entrar numa relação super conturbada e que provavelmente vai ter grande impacto na sua vida, por livre e espontânea vontade. Na época que conheci o rapaz ele me contou seus problemas mas eu não tinha ideia do que teria que enfrentar, se pudesse voltar atrás nunca teria me relacionado com ele, talvez como amiga só. E isso deixou sequelas até hj, por isso aconselho que se ainda não há maior envolvimento, vá atrás de resolver suas próprias dores, que pelo o que vc mencionou não são poucas (anon 14:48). Empatia é muito importante, mas amor próprio tbm!

Anônimo disse...

Esse "fabiano" ou é muito tonto ou está de má fé. Uma coisa sim é ter empatia com quem sofre de grandes problemas, outra é embarcar no inferno alheio e se destruir junto, principalmente de alguém que conheceu há apenas 2 meses e que ainda se sabota.

Fabiano disse...

Não entendi porque o anon das 13:41 colocou meu nome entre aspas rs.

É fato que ninguém é obrigado a ficar junto de ninguém, e existem relacionamentos complicados, pessoas que manipulam emocionalmente o outro.

Mas o suicídio é um assunto complexo. Eu penso que qualquer um está sujeito a isso. Todo mundo já deve ter tido em algum momento a vontade de desaparecer.Mas nem toda pessoa que tentou suicídio se encaixa no perfil de uma pessoa manipuladora ou que vai se tornar um fardo. Pode ser realmente um quadro depressivo, que com o tratamento adequado pode desaparecer completamente.

Por isso critiquei como as pessoas já definiram com poucas linhas de um comentário, o perfil psicológico de uma pessoa. Nenhum psicólogo ou médico super experiente seria leviano a esse ponto.

Anônimo disse...

Tenho depressão e, como consequência, também tenho TOC e fobia social. Ter depressão é muito dificil porque a maioria das pessoas não acredita ou acha que é uma "frescura minha" quando eu lhes conto sobre a doença, geralmente elas acham que eu estou querendo chamar atenção.

Anônimo disse...

E quem aqui estava bancando ser médico ou psicólogo, as pessoas pelo que eu vi estavam se referindo a um caso de uma mulher que se envolveu com um cara há dois meses e que não tem obrigação nenhuma de ser enfermeira dele apesar de ser solidária com a situação dele.

Anônimo disse...

E quem aqui estava bancando ser médico ou psicólogo? As pessoas pelo que eu vi estavam se referindo a um caso de uma mulher que se envolveu com um cara há dois meses e que não tem obrigação nenhuma de ser enfermeira dele apesar de ser solidária com a situação dele.

Anônimo disse...

Para a autora do guest post:

o seu pai ficou omisso nisso tudo ? houve algum pedido de desculpas pela omissao dele ?
Como é a relacao de voces dois hoje ? Voce conseguiu perdoa-lo?

Anônimo disse...

Sei perfeitamente como deve estar se sentindo. Eu e meus três irmãos mais novos fomos criados pela nossa avó, que dependia de nossas tias loucas, solteironas, recalcadas e neuróticas pra sobreviver. Nossa mãe biológica - uma prostituta machista cujo único filho que considerava era o G., por ser homem - se matou quando eu tinha nove anos, se jogando na frente de um carro. Fomos assunto no colégio a infância inteira, até por volta dos meus treze anos os pais do alunos e os professores nos tratavam como se fossemos a coluna da Fabiola Reipert, tamanha a sede por fofocas.
Depois de adulta, minha irmã mais velha enveredou pelo mesmo caminho da nossa famigerada mãe, com a diferença de que veio a óbito por aids, não sem antes ter tentado o suicídio arrancando o tubo de oxigênio quando estava na cama, durante a fase terminal. são coisas que eu também não consigo superar, não consigo ter paz e nem me tornar independente e sair do círculo de pobreza que me enlouquece e que me faz querer me juntar a outras pessoas com o mesmo drama. Nem a droga do diploma de Filosofia me ajuda a compreender o mundo, a sociedade e a mim mesma a me tornar independente e superar tanta infelicidade.

Donna Nyckynha disse...

tenho bipolar na familia e queria enteder mais a cabeça deles

Donna Nyckynha disse...

Algumas vezes penso pra que serve as escolas se elas nao estao preparadas pra todos.Essa é a realidade!

Proveito social? so 10% em minha vida.proveito social em minha vida so veio da rua.

É nessas situações q penso em homeschooling

Anônimo disse...

Fabiano, eu acho que é realmente complicado falar com poucas informações. Se eu tivesse num quadro desses gostaria que não desistissem de mim mesmo nos meus momentos de insanidade, de total falta de amor próprio e tudo o mais. Reli tudo que escreveram para ver se não me faltou nada.
1) já disse ali em cima que eu acho importante saber qual o motivo da tentativa de suicídio. Depressão é muito genérico. Às vezes tem um fator desencadeante maior para dar cabo à própria vida. Às vezes não. Um conhecido meu, por exemplo, cortou os pulsos (valendo) porque a namorada terminou com ele. Aí eu acho furada se envolver emocionalmente...
2) quem são as pessoas com as quais o namorado pode contar para ajudá-lo? A família dá total apoio ou ignora? Os amigos? Ele está sozinho nessa? Infelizmente não se encontra em toda esquina pessoas dispostas a ajudar.
3) ele tentou se matar em uma situação de luto ou perda importante?
4) ele pode estar exigindo da anônima tempo e dedicação por outras situações associadas: fobia, pânico, ansiedade extrema. Vai saber... E tem mais: depressão também se manifesta por agressividade. Não é fácil aturar, mas é preciso entender.
5) a Samantha também falou sobre o boicote. Vai ver ele não acredita mais em si mesmo. Quase sempre a pessoa não tem vontade, não tem ânimo. Não tem força para tomar um remédio (olha que simples! Tomar um remédio!). E a gente acha que ela não está querendo ajudar aff

Enfim, anônima das 14:48, isso são tudo conjecturas e especulações porque quem sabe mesmo é você sobre o que se passa. Algumas pessoas deram uns alertas super importantes sobre a ajuda ser quase um fiasco e sobre abuso emocional que talvez possa permear essa história.
Que você tenha sabedoria para tomar uma decisão. Não é fácil escolher desistir ou não desistir de alguém.
Boa sorte para vocês dois!

Brisa

Panthro disse...

Eu acho tão retardado isso. Todo mundo acredita em diabetes, todo mundo acredita em infarto cardíaco, todo mundo acredita em câncer, mas cérebro é o único órgão do corpo completamente imune a doenças.

Eu culpo a falta de um conhecimento mínimo de biologia. E a falta de inteligência, porque se fizesse o raciocínio que eu gastei menos de 3 linhas pra escrever, concluía que doença é doença e o doente não pode ser responsabilizado. E a falta de empatia, porque se não soubesse de nada disso, entenderia que é zoado ser estigmatizado.

Bastava ter pelo menos um dos três pra não se comportar como um perfeito babaca. Infelizmente tem gente que não tem nenhum dos três. Fazer o que? As pessoas não escolhem ser babacas. Esse é só o melhor que elas conseguem ser. É uma pena, de fato.

De resto, busque tratamento e informação. Depressão é um problema bem sério, suicídio é a décima principal causa de morte no mundo. Homicídio é só a décima sexta. A chance de suicídio é especialmente grave quando você tem transtorno afetivo bipolar ou tem depressão severa e começa um tratamento. Porque a depressão severa normalmente é tão pesada que a pessoa não tem ânimo nem pra se matar. Então tem que ficar mais atento no início do tratamento ou quando vai fazer ajuste de medicação.

De resto, é muito importante ter um suporte. Eu aconselharia um acompanhante terapêutico, mas custa dinheiros, então você pode improvisar com um amigo. Você precisa aprender a reconhecer quando está tendo ideação suicida, que é quando você fica imaginando como seria morrer ou fugir ou desaparecer (é tudo a mesma coisa, é gatilho pra suicídio). Percebeu, chama o suporte pra conversar, sair, fazer alguma coisa. Mesmo que você esteja sem vontade de nada, a pessoa tem que te acompanhar, pra gerar um estímulo qualquer. A tendência de quem está deprimido é diminuir os estímulos, porque tudo cansa, já que existe uma depleção pesada de neurotransmissores. Sem dopamina = sem capacidade de manter foco sem se sentir terrivelmente cansado. Só que os estímulos são necessários pra não entrar num círculo vicioso. Então faz o que puder. É tipo eu com a minha gastrite: preciso comer de 3 em 3 horas e dói quando eu como. Então como o quanto consigo. Tem que fazer a mesma coisa: vai até onde dá. De resto, melhoras. Quem tem depressão crônica é como quem tem diabetes, é fazer acompanhamento pro resto da vida. Mas se você conseguir descobrir um remédio numa dosagem que funcione, dá pra levar a vida razoavelmente. O problema é que até descobrir é uma luta.

Nessas horas eu me sinto um pouco culpado de ter abandonado a neuroquímica. Eu queria trabalhar justamente com fármacos pra depressão, mecanismo de ação de ISRS. Só que eu curtia muito comer, então na hora de escolher entre carreira de pesquisador e alimentação, acabei sendo egoísta.

Panthro disse...

Ah, gente, uma coisa importante: Não confundam depressão episódica com depressão crônica, tá? Depressão episódica tem um motivador externo. Costuma ser aguda e durar pouco tempo. Como ela é muito forte e muito rápida, pode levar a suicídio.

Depressão crônica já é outra coisa: Existe um problema na produção, na recepção ou na recaptação de neurotransmissores no cérebro. É crônico, dura toda a vida da pessoa. Nesse caso, ela não tem nenhum motivador externo, embora motivadores externos piorem a situação (afinal, toda a realidade é percebida pelos sentidos e transformada em sinais bioquímicos no cérebro, então ele não vive num aquário). Da mesma forma, o transtorno afetivo bipolar, que é causado por uma resposta exagerada dos mecanismos de estabilização do humor. Então a pessoa está deprimida e começa a se animar, se anima demais, fica em mania, e depois dá crash e volta pra depressão. Também o ambiente influencia, mas a pessoa pode estar em mania no meio de um enterro ou cair em depressão depois de ter conseguido um emprego. Não existe vínculo direto, mas a pessoa vai tentar sempre racionalizar, então pode dizer, por exemplo, que está com medo do que vai acontecer com a responsabilidade do emprego e ser essa a razão pra depressão. Mas se ciclar e for pra mania, o raciocínio se desfaz e a pessoa acha que vai arrasar e conseguir várias promoções. Então a racionalização às vezes mais atrapalha do que ajuda. De repente é melhor só entender que está em depressão e esperar passar do que ficar buscando motivo. Se aceitar como se é biologicamente tira um peso muito grande dos ombros que é a cobrança de se enquadrar num conceito de normal que nem faz sentido quando cada pessoa tem um conjunto de genes único.

Panthro disse...

Quanto ao tratamento, tem outra coisa também: Tem efeitos colaterais. Alguns são sobre o corpo, alguns são sobre a mente. É um remédio pra mente, né, era de se imaginar. Mas uma coisa que as pessoas não consideram é que tudo o que as pessoas conhecem são elas mesmas. Meu pai, por exemplo, tem transtorno afetivo bipolar. Quando eu era criança, ele não se tratava, fez várias loucuras. Hoje ele sabe que tem um problema. Então, não tem conta em banco, porque sabe que na mania vai sacar todo o dinheiro. Quando ele prevê que está vindo uma crise, já avisa meus irmãos. E tá vivendo uma vida normal, casou de novo, tá trabalhando, tá socialmente inserido.

Só que quando ele começou a tomar os estabilizadores de humor, ele se sentia péssimo. Porque ele tinha enormes variações de humor, certo? Só que isso era a vida dele. Era o que ele estava acostumado como normal. Com o remédio, ele se sentia como se as emoções dele estivessem embotadas. Como se tudo tivesse ficado meio cinza, como se o mundo tivesse saído de um Pollock pra um Monet. Então ele se sentia como se estivesse dopado, sem saber que isso era como todas as outras pessoas se sentiam. Isso fez com que ele largasse a medicação diversas vezes, simplesmente pra sentir alguma coisa. Então nem sempre é sabotagem.

Anônimo disse...

Autora do post, parabéns pela sua inteligência e sensibilidade. Espero que vc e sua mãe fiquem bem. Quando alguém começa a falar merda de sobreviventes, meu sangue sobe na hora.
Sofia, fiquei muito sensibilizada com a história do teu irmão. Vocês merecem o melhor, sempre.


Dan.

Donna Nyckynha disse...

Com o remédio, ele se sentia como se as emoções dele estivessem embotadas. Como se tudo tivesse ficado meio cinza, como se o mundo tivesse saído de um Pollock pra um Monet. Então ele se sentia como se estivesse dopado, sem saber que isso era como todas as outras pessoas se sentiam. Isso fez com que ele largasse a medicação diversas vezes, simplesmente pra sentir alguma coisa. Então nem sempre é sabotagem.


era isso aqui q queria saber.mas nesse caso deve ser a bipolar menos grave...pq a grave...

Anônimo disse...

Sofia, fiquei muito sensibilizada com a história do teu irmão. Vocês merecem o melhor, sempre. [2]

Brisa

Anônimo disse...

anon 03/07 12:50
Você quem não deveria escrever tro-lo-ló senso comum idiotizante. Isso aí podemos ler em qualquer revistinha.
Que m**** de comentário inútil, puro julgamento moral / moralista equivocado e sem qualquer compreensão de todo o contexto, nem o mínimo de interesse. Quando não se tem algo útil a acrescentar, melhor calar-se. Infelizmente esse discursinho a-histórico sobre o indivíduo, a-psíquico, torna-se um senso comum cada vez mais disseminado - e que só presta pra pseudo-superiores passarem pseudo-lições de "moral" e inflarem seu ego ("baba na minha 'evolução', na minha 'superação', no meu 'desprendimento' etc.). Tanto quanto a sociedade, o indivíduo, guardadas as devidas especificidades, precisa ser compreendido conforme sua HISTÓRIA: nós somos - também, visceralmente - a nossa história, principalmente considerando as fases de desenvolvimento desde o nascimento (vide A.Miller).
Thata

Anônimo disse...

Panthro,
Ontem mesmo eu estava lendo o jornal "The Guardian" sobre depressão. Esse jornal é bem eurocentrico, preconceituoso às vezes, mas leio porque é um inglês mais fluido que faz com que eu melhore no idioma.
Li há um tempo atrás sobre uma rede social que eatavam querendo implementar no Reino Unido para dar apoio às pessoas que tem depressão, se isolam etc e tal. Funcionária em pequenos grupos e cada grupo seria encabeçado por um especialista na área da psique e funcionamento cerebral. Não seria no nível de conselho de boteco. Não consigo lembrar o nome projeto. Nem o encontrei novamente. Só lembro que o símbolo era um elefante. Acho que para mostrar que ninguém vive só.
Enfim, ontem tava lendo mais algumas matérias. Talvez o conhecimento sobre depressão mude. Dois estudos, um britânico e outro alemão, foram feitos e perceberam que os antidepressivos não alteraram muito a situação em relação aos que estavam no grupo placebo. Até hoje o tratamento é baseado na teoria EMPÍRICA de que há uma problema com neurotransmissores. Tomara que consigamos avançar de algum modo na compreensão da doença.
Eu já me contentaria se chegássemos a exames bioquímicos quantitativos sobre os neurotransmissores. Seria ótimo ir a um laboratório num dia que você não está se sentindo muito legal e saber se de fato está tudo bem no cocoruto. :)
O link da matéria eu não guardei. Mas se alguém se interessar é só dar uma googlada!

Brisa

normalidaderealidade disse...

@Donna Nyckynha

...Tá a fim de conversar sobre isso? Podemos trocar umas ideias.

E... uh... eu entendo esse lance de largar medicação, mas isso faz necessário um acompanhamento médico constante, e consciência de que nem todos os remédios para o mesmo transtorno vão ter os mesmos efeitos. Quando digo acompanhamento não é pra "obrigar" ele a se medicar, e sim pra achar o tratamento certo. Alguns causam embotamento emocional sim, são conhecidos por isso, mas não são todos.

[E não tem "menos grave". Se atrapalha a vida da pessoa, ela não precisa estar em estado de psicose pra merecer atenção.]

Panthro disse...

Brisa, é um pouco pior do que você imagina. 30% dos pacientes depressivos não reage a nenhum tipo de medicação. E as medicações que existem foram descobertas por acaso, a sensação de bem-estar era efeito colateral de um outro tratamento. Em alguns casos até se sabe como a medicação age, como os ISRS, que fazem com que a serotonina secretada por um neurônio não seja imediatamente reabsorvida e fique mais tempo na fenda sináptica. O que ninguém sabe é porque isso diminuiria a depressão. Não se sabe nem se é a serotonina que provoca o bem-estar ou se ela vai agir sobre um segundo sistema. As pesquisas que existem sobre neurociência são muito incipientes, porque é um sistema muito mais complexo do que o sistema muscular ou digestivo. Cada pequena parte do sistema nervoso faz uma coisa ligeiramente diferente, então conhecemos pouquíssimo dele. Eu mesmo não acredito no modelo serotoninérgico.

Quanto à terapia de grupo, é uma das mais efetivas que existe. Uma coisa comum à todas as doenças mentais é a sensação de isolamento que as pessoas têm, por serem uma minoria. No caso de doenças emocionais, especificamente, isso piora muito os sintomas, porque o aumento da ansiedade costuma piorar todos os casos de vício, depressão, paranóia, síndrome do pânico... Ansiedade é um gatilho pra um monte de coisa. Então, quando as pessoas entram nestes grupos e conseguem dividir suas experiências com gente que passou pelas mesmas coisas, dá uma sensação de pertencimento que é muito positiva. Fora que você pode trocar pequenas receitas que toda pessoa desenvolve pra lidar com uma situação que ninguém sabe o que fazer. Por exemplo, um amigo meu tem trigêmeos e mora num prédio. Era impossível colocar 3 carrinhos de bebê no elevador pra descer com as crianças e às vezes a mulher dele estava trabalhando e ele estava sozinho com as crianças ou vice-versa, não tinha como levar dois e deixar um esperando. Ele então comprou um carrinho de supermercado e forrou com mantas, como se fosse um berço. Esse tipo de solução caseira só quem passou pelo problema sabe e pode dividir com outras pessoas, então os grupos são muito úteis.

Só que eu acredito que você sempre deve ter uma pessoa com formação em Psicologia presente pra fazer mediação. Embora o psicólogo não saiba como é ter a doença, ele sabe os tipos de defesa que as pessoas costumam ter e é importantíssimo pra agir como facilitador pra que as pessoas se expressem sem deixar que uma pessoa domine o grupo ou se sinta excluída. Então se essas comunidades tiverem esse suporte, acho uma ótima idéia.

Panthro disse...

normalidaderealidade, eu diria que tem menos grave, sim, mas não é porque seu caso é leve que você vai querer que piore pra procurar tratamento, né? Você não deixa seus dentes terem canal antes de tratar cárie. Então, seja leve ou grave, seja com terapia, com medicamentos, com auto-hipnose ou com o que você achar, busque tratamento. Cada pessoa vai reagir melhor a uma coisa diferente. Mas você tem que buscar o que funciona pra você quando estiver fora de uma crise pra se proteger quando a crise chegar.

normalidaderealidade disse...

Sim, @Panthro, esse foi mais ou menos o meu ponto.

Se a pessoa sofre, se a pessoa precisa de ajuda, se isso atrapalha a funcionalidade dela, não se pode pensar que "ah, podia ser pior". Tem quem seja completamente não-funcional, e tem quem funcione no dia a dia mesmo com dificuldades, mas tratamento é importante e não tem pra quê esperar piorar.

Panthro disse...

Isso aí :^)

Panthro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Samantha disse...

A todos que comentaram aqui: obrigada pelo apoio e por compartilhar suas histórias. Espero que tudo fique bem.

Para quem perguntou sobre meu pai: meu relacionamento com o meu pai, até meus 24 anos, foi muito conturbado. Eu o responsabilizei mais pela omissão nessa história toda, afinal na época ele estava começando uma nova vida, com outra pessoa e um novo negócio. Ele não tinha tempo nem desejo de lidar com uma filha-problema ou com o suicídio da ex. Foi só quando minha tia colocou as cartas na mesa que ele começou a se mexer.

Hoje nos damos bem, mas eu não o vejo como pai. Tenho carinho por ele, gosto dele, perdoei ele, entendi ele, mas o vejo mais como um amigo de quem gosto, do que com alguém com quem posso contar. Isso deu paz a ambos então estou bem com isso.

Mas vejam bem, não culpo só meu pai pelo o que ocorreu a minha mãe. Meu pai tem suas parcelas de culpa? Tem. Ele não acreditava em psiquiatria, fez ela interromper dois tratamentos anteriores e mesmo vendo indícios de que as coisas não estavam bem, deixou ela sozinha comigo em uma cidade onde não tínhamos um familiar por perto. Mas existe gente bem mais responsável que ele por isso, e que sequer sente culpa ou o mínimo de empatia pelo que aconteceu. Essas pessoas eu não perdoei até hoje.

Anônimo disse...

Samantha, procura o Ipub, que é o instituto de psiquiatria da UFRJ. Eles têm triagem, se não me engano, todos os dias. Fica em Botafogo, ao lado do Shopping Rio Sul.
É uma instituição pública, então preço não é uma questão.
Beijos, se cuida.
Mariana

Marix disse...

Donna Nyckinha, sei que em alguns centros de saúde e hospitais universitários há grupos de apoio para familiares e cuidadores de pessoas com depressão, toc, bipolaridade. Veja no centro de saúde do seu município se existe algo nesse sentido. Caso não houver, procura na internet, acho que há grupos e pais e companheiros de pessoas bipolares. É muito importante que o cuidador também receba apoio, troque experiências, ajuda a se fortalecer e entender melhor o que se passa.
Uma vez navegando pela internet encontre o blog de uma moça bipolar falando sobre como ela lidava com isso no dia a dia, infelizmente não lembro o nome do blog. Mas procura no google por grupos de apoio, blogs, fóruns de discussão, tem muita coisa boa.
O cuidador também tem que ser cuidado.

Donna Nyckynha disse...

sabe,ate q ta tudo tranquilo com meu primo.ele expos coisa depressiva uma vez esse ano so, entao acho q o litio ou algum remedio nao va ser 100%.Acho q ele tomou jeito depois de duas fortes crises(a ultima, ano passado) e nao abandonara os remedios.É um garoto responsavel,assim espero e é assim a imagem q passa.Ele nao quer mais aquele inferno q é a hospitalizaçao.

Anônimo disse...

Aos que não reagem com a medicação para depressão sugiro pesquisar sobre a estimulação eletromagnética transcraniana. http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol29/n2/pdf/90.pdf
Há algumas outras indicações, além de indicado para depressão.Lívia

Anônimo disse...

Ler Julio Cabrera ninguém quer, né?

Marcia Baratto disse...

Samantha, um abraço e dois beijos carinhosos para você. Fiquei bem, bela guerreira.

Nelia disse...

Samantha, pesquise sobre o papel da alimentação e intoxicação ambiental na depressão e ansiedade. Verá que existem outras ações que podem ser tomadas que auxiliam o tratamento tradicional. E quanto a deixar de tomar as medicações, essa é uma armadilha em que muitos caem ao se sentirem bem. Quem tem depressão tem que se conscientizar que manter o estado de bem estar é um caminho e não a reta de chegada. Portanto, chegou no bem estar, mantenha (continue se medicando e consultando seus médicos). E não faça assim: estou bem, posso parar com tudo.
No mais desejo a ti Samantha e à sua mãe muita força nessa caminhada que é a nossa vida.

Anônimo disse...

Quem sou eu?, Jonas Klein, Maria, Marix, Brisa,
Todos que me deram conselhos e falaram para me afastar: vocês estavam certos.

Então, nas últimas 3 semanas vivi com meu ex como recém-casados. Ele fazia questão que eu fosse para casa dele. No começo ele me falava que estava conhecendo outras meninas coisa e tal e eu meio que controlava o ciúme já que não tínhamos nada 'oficial'. Depois conversamos e ele mudou. Ficou extremamente mais carinhoso. Parou de paquerar outras. Começou a fazer planos futuros e tal. Sempre amigos, mas sem status de relacionamento. Essas coisas. Mas não é que depois de tudo isso ele, por ‘respeito’, me diz que voltou a procurar a ex por sexo. Ex essa que, segundo o próprio, foi graças a mim que conseguiu se afastar, graças a mim que conseguiu jogar as coisas dela fora, graças a mim que passou 4 meses sem falar com ela.
Quando ele me contou tudo isso, optei por acabar o relacionamento (amizade, seja lá o que isso for), pois estava vendo que ele era manipulador (eu, ex)... que era um comportamento doentil. Então ele me ameaçou. Ameaçou me bater, ameaçou me botar para fora de casa (estávamos na casa dele). Fiquei apavorada com medo de sofrer alguma violência física e de tanto implorar para voltar pra casa ele me levou de volta. Não sem antes ficar 15 minutos parado a minha porta esperando que eu fosse falar com ele (coisa que não fiz). Nunca senti tanto medo, tanta vergonha, tanto arrependimento, nunca passei por tamanha humilhação.

Só posso agradecer as palavras de todos e os conselhos e lamentar que não tivesse lavado a sério antes.

Anonima 14:48