sábado, 16 de maio de 2015

GUEST POST: ROSA CHOQUE, PARA QUE HAJA O ENCONTRO

A atriz e produtora cultural Cris Moreira me enviou um lindo texto sobre o espetáculo que estreou. Fica até o dia 17 de maio (amanhã!) no Galpão Cine Horto, em BH. 

A ideia de fazer um espetáculo que levantasse a questão da violência contra a mulher surgiu há um ano, quando eu e Guilherme Théo, um amigo e parceiro de trabalho, nos encontramos para ir a um outro espetáculo que levantava questões importantes sobre as relações trabalhistas. Saímos de lá em busca de um tema tão relevante quanto, para uma possível criação cênica. 
Como mulher, já vivenciei várias formas de violência, desde o machismo estrutural, que me impõe ser mais responsável pelo meu filho do que o meu companheiro e mais responsável pela minha mãe do que meus irmãos, à violência física.
Fora a vivência pessoal, diariamente acompanho notícias de jornal, postagens em redes sociais, blogs e sites que tocam no assunto. Diariamente. Isso fez com que eu, cada vez mais, me aproximasse da temática, buscasse dados, informações. 
A partir disso, nos debruçamos na construção de um rascunho de cena, uma cena de oito minutos, para participação no projeto Cena Espetáculo, do Galpão Cine Horto. A ideia do projeto é selecionar, inicialmente, 12 cenas de oito minutos; dessas 12 são escolhidas quatro para se transformarem numa cena de 15 minutos, e das quatro, uma é escolhida para se transformar em um espetáculo.
Para as duas cenas curtas, eu e o Gui fizemos todo o trabalho de atuação, dramaturgia e direção, contando com a orientação cênica da diretora Cida Falabella, reconhecida por seu trabalho de teatro realidade.
Fomos os selecionados para a criação do espetáculo e estreamos no dia 1 de maio de 2015. No espetáculo, em alguns momentos, invertemos os papéis. A ideia da inversão entre homens e mulheres cumpriu (e vem cumprindo) a tarefa de distanciar a análise viciada do assunto para algo simples, mas instigante -– colocar-se no lugar da(o) outra(o). Outros caminhos surgiram -– a performance, a utilização de depoimentos e cenas que ressaltam o absurdo da cultura machista.
A construção do espetáculo trouxe toda a multiplicidade do tema. As mulheres na nossa sociedade são cerceadas de muitas formas, tão numerosas quanto complexas. Para não nos perdermos e não perdermos o foco, optamos por um recorte do assunto: tratamos das formas de violência a que a mulher está submetida, e da estrutura que dá terreno para que esta violência esteja enraizada e cresça. Além disso, homenageamos ilustres mulheres que se dedicaram a quebrar regras ultrapassadas e ampliar nossa consciência sobre nós mesmxs, como Frida Kahlo, Simone de Beauvoir, Leila Diniz, Rosa Parks e Malala.
Durante a temporada, estamos percebendo, com mais potência, a real importância do assunto. Percebemos que o espetáculo está cumprindo sua função de provocar reflexões e sensibilizar o público para a questão. Ao final das apresentações, pedimos ao público que preencha o nosso cadastro. Todos os dias, várias pessoas nos escrevem, agradecendo, contando suas experiências e propondo mais reflexões (afinal de contas, e infelizmente, não conseguimos atender toda a demanda sobre o machismo em um espetáculo de apenas 55 minutos), e a partir do olhar do público, buscamos suprir outras questões que antes, ou não tínhamos nos atentado para elas, ou não havíamos encontrado espaço para expô-las.
No princípio, o incômodo foi nossa válvula propulsora, hoje, podemos dizer que o contato com o público e a percepção de que essa violência está longe de ter fim, nos move em busca de, não apenas cumprir temporadas com o espetáculo, mas de conseguir atingir o maior número possível de pessoas para que possamos, juntos, refletir e questionar a cultura machista e patriarcal em que vivemos, onde milhares de mulheres são violentadas, espancadas, estupradas e mortas todos os dias.
É importante dizer: o choque que propomos não é de mulheres contra os homens. Não estamos aqui para nos separar. O choque é contra um pensamento que limita a liberdade humana, mas principalmente, a liberdade das mulheres. O choque -– sem violência -– é para que haja o encontro.

38 comentários:

Anônimo disse...

Vcs viram esse artigo bizarro?

"Ativistas pelo machismo promovem boicote contra Mad Max" http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2015/05/15/ativistas-pelo-machismo-promovem-boicote-contra-mad-max-estrada-da-furia.htm#comentarios

Confundiram masculinismo com machismo (tudo bem que são todos machistas mesmo), mas ficou dando a entender que o feminismo é o contrário de machismo. Mas o mais bizarro de tudo é a enquete, que poha é aquela?

Fernanda disse...

Eu assisti esse espetáculo. É simplesmente MARAVILHOSO!!!! Pessoal de BH, assistam! Vale muito a pena! E produtores culturais de todo o Brasil: levem para as suas cidades! É uma peça que PRECISA ser vista. Mesmo.

Jonas Klein disse...

Olá parabéns a criadora da pessoa teatral essa.

Agora quando se pensa no combate a violência contra as mulheres e mais quem quer que seja, e importante que se diga que o machismo estrutural que existe na sociedade e só uma parte da raiz do problema, acontece que o Brasil e um pais onde impera a subcultura do não da nada, por culpa das leis fracas do Brasil e do nosso judiciário bonzinho com todos os tipos de bandidos que existem.

E dentro de um cenário destes por mais com combate ao machismo traga bons resultados ainda sim estaremos longe de viver em uma sociedade onde as mulheres possam se sentir razoavelmente seguras e viver tranquilas. Eu digo razoavelmente seguras, pois uma sociedade totalmente livre de toda e qualquer forma de violência nunca existiu e nem vai existir, apesar de existirem sociedades bem próximas disso.

Boa tarde

Anônimo disse...

Anon das 13:35 eu vi essa matéria e a enquete. Morri de rir com os comentários de mascus desocupados. Só por ter irritado tanto os mascus, vou assistir Mad Max. Faço questão de conferir pessoalmente qualquer coisa que apavore os mascus.

Zero disse...

anônimo 13:35

como diz aqui no RS

"mas que barbaridade!"

a pior parte:

"reclamam que aparece mais cenas de Charlize Theron do que Tom Hardy"..

huuum... eles não gostam de ver Charlize Theron? mas hein?

eu até poderia pensar que é uma propaganda inversa, dos produtores, pra chamar a atenção, mas não duvido que seja opinião real dos caras....

complementando:

Lola e leitoras. quem tem twitter aqui já ouviu falar no perfil Charlton Hauser?

é um desses malucos anti-mulher. ele me bloqueou depois que refutei as groselhas dele e o chamei de batutinha de 30 anos...

Zero disse...

anônimo 13:35

mas a enquete é uma clara trollagem com os fanáticos.

petralha em Hollywood? WTF?

acho que UOL está assustado com seus leitores e quer testar a capacidade mental dos mesmos.

é só ler como piada, sem cunho opinativo e verás.

Macho que é Macho, petralha, Mad Max e Chalize Theron, (como? ou ela é personagem ou é Charlize) é um paradoxo....

é trolada do UOL. kkk

Anônimo disse...

Acho a Charlize Theron é perfeita vou assistir, melhor quanto mais bafafa tiver mais a curiosidade aumenta.

Anônimo disse...

Mad max e a revolta das pirocas curtas

Anônimo disse...

a lola podia falar sobre esse filme né, mas acho filme de menino um saco aquele 300 é uma porcaria só dá pra reparar nos corpos esculturais. O fato da mulher falar mais que homem deixam eles chateados, tá vendo como homem é fresco eu hein.

Raven Deschain disse...

Oq? Charlize Theron, Tom Hardy, depois de ANOS Mad Max e ainda por cima nada de mascu na sala? Lol! Vou ver e muito.

Anon, por favor, defina "filmes de menino" e "filmes de menina".

Sobre a peça: pow, nada maneiro vem pra Curitiba. Aqui somos obrigados a aturar Danilo Gentili que deve ter um quarto no Comedy Club.

Zero disse...

"revolta das pirocas curtas"

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


se fizeram todo esse choro por ela "falar e aparecer mais" imagine se Advogado do Diabo fosse lançado hoje....

lembram que em uma das cenas Keanu Reeves lambe o pé da Charlize? (sortudo do caralho, ainda foi pago pra isso).

imagine eles:

"é um absurdo, submeter um pobre homem a isso, que nojo. lamber pé de feminazi e mimimi mimimi isso é opressão, boicotem (choro e mais choro)"....
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Donatien Alphonse François disse...

"O fato da mulher falar mais que homem deixam eles chateados, tá vendo como homem é fresco eu hein."

Homem não, eles não me representam, bando de otários!
Dizem que gosto não se discute, mas o que eu vejo é que muitos que dizem não gostar dos filmes "300 E 300 A Ascensão de um Império" é por causa do seu discurso de direita, ou seja, Liberdade, propriedade, família e legitima defesa, com um viés de xenofobia. Sem serem filmes feministas, muito menos machista, apresentam duas mulheres fortes, a Rainha Gorgo e a Guerreira Artemísia. Particularmente adoro personagens femininas assim! Mal posso esperar pela Mulher Maravilha em BvS. ^_ ^

Anônimo disse...

Acabei de assistir pessoa no noticiário gente inconformada por uma brincadeira racista entre amigos....fiquei pensando o quanto nós mulheres somos odiadas ja que o imbecil do Rafael bastos não sofreu punição alguma,acho que este ponto deve e tem que ser levantado,como as pessoas se revoltam contra o mínimo racismo mas apóiam abertamente o machismo.

clarice

Julia disse...

Alguém assistiu Mad Max pra ver se é feminista mesmo ou é só frescura desses mascus?

Anônimo disse...

Acabei de ler num site gringo que o diretor de Mad Max já tem roteiro pra mais dois filmes, se esse fizer sucesso. O próximo já tem nome, seria "Mad Max: Furiosa" (Charlize Theron faz a Imperator Furiosa no filme). Prevejo mais choro ainda kkk

Zero disse...

no próprio UOL já tá essa noticia, anexada com a "reportagem" dos frescalhões.

reclamar de ver Charlize Theron na tela, e exigir mais Tom Hardy... quando pensa que já se viu de tudo....

irônico é que esses caras odeiam gays, mas adoram homens e exaltar homens. que bosta kkkkk

um filme só com 2h de Charlize Theron é digno de Oscar já...

Lídia disse...

Parabéns mascus por conseguir fazer publicidade gratuita do filme. Até parece que não pode existir uma única mulher poderosa, influente e de nome em um único filme.
-
E não é o primeiro caso quanto isto acontece. No Hobbit, eu vi vários mascus criticando por além de colocar mulheres importantes, colocar o Legolas, pra ser o que eles mais odeiam. Um sujeito apaixonado, que larga a sua vida e sua posição de destaque, em nome de uma amada que nem retribui o amor dele.
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OFF topic. Já viram este artigo? "Why You Should Hate the “Kings” of Instagram" da Chelsea Samelson http://acculturated.com/why-you-should-hate-the-kings-of-instagram/

Anônimo disse...

Confesso que meu interesse por mad max era nulo. Mas vou assistir, só pra irritar os mascus. E Lidia, estes "reis do Instagram", são uma caricatura do que os mascus consideram "macho alfa"

Ligia Colares disse...

Assisti ao filme ontem, e eu, namorado e amigos concordamos que nao tem nada de ela dar ordem para ele, ou ter mais cenas que ele. Acontece que, por causa da situação, Max se vê montando uma equipe com ela, e assim como ele tem as qualidades dele (ser Mad eh uma delas), ela tb tem as delas, e os dois se complementam. Assim, ela eh uma mulher foda, que com Max faz um estrago danado hahaha! Indico totalmente, nunca imaginei q assistiria um filme desses com personagens femininas tão bem construídas (pq tem mais de uma!). Lola, por favor, fale sobre o filme!

Sobre o post: Cara, n conhecia a peça, mas gostaria mt que viessem aqui pra fpolis. Gosto quando a peça sai do palco e se comunica com o público, com certeza assistiria!

Ligia Colares disse...

Lidia, sou super fã de Tolkien, e posso dizer que uma parte das reclamações do Legolas no filme Hobbit se devem ao fato de ele não estar presente no livro. A presença dele ali deturpou um pouco a historia, e trouxe para o personagem coisas q nao existem. O Aragorn tb foi convidado para participar e nao aceitou, por não ter motivos, ja que ele tb n aparecia no livro. Enfim, so para esclarecer um dos pontos haha

Julia disse...

Olha isso que estava relacionado nas noticias
http://cinema.uol.com.br/noticias/afp/2015/05/12/hollywood-discrimina-mulheres-diretoras-diz-associacao-de-direitos-civis.htm

Julia disse...

Olha, tem muito gay que gosta mais de mulher do que mascus.

Raven Deschain disse...

Neh Ligia? Eu tb ia dizer isso. NADAVÊ aquele Legolas lá. E quanto as personagens femininas eu tb reclamei, não por serem mulheres, mas por simplesmente não existirem no livro. Apesar de achar inclusão legal, bacana, não tinha nada a ver.

Aliás é um absurdo 3 filmes de 3 horas pra um livrinho de 250 páginas, por favor.

Lídia disse...

Pesquisei um pouco num fórum deles(não vou citar nomes) e descobri que desde dezembro, eles já estavam criticando o Mad Max que nem lançou.

Vide este print : http://postimg.org/image/dfvyjrd7h/

E no caso do Legolas, ele é tudo o que um mascu mais odeia. Um como eles chamam "mangina"(sic) que arrisca tudo o que tem em nome da amada.

Vide estes prints(não leiam o quadro dentro de spoiler, se não viram o filme) :

http://postimg.org/image/lbb3cbc7x/

http://postimg.org/image/6e2mbayzh/

OBS : Eu censurei os links que possam levar a sites de ódio e o rosto/nome de todos eles, pois não quero problema

Julia disse...

Pra complementar o link que deixei antes
http://www.buzzfeed.com/maryanngeorgantopoulos/women-directors-share-stories-of-discrimination-in-hollywood

Anônimo disse...

"Julia disse...
Olha, tem muito gay que gosta mais de mulher do que mascus.


Caramba, como tem feminista que se acha progressista, mas que gosta de usar homossexualismo como ofensa depreciativa na primeira oportunidade.

Anônimo disse...

/\ "Feminista progressista" pra Julia é ofensa. Ela é radfem mesmo, daquelas que gritam "misandrica com orgulho", de progressista não tem poha nenhuma, só extremismo radical.

Julia disse...

Aonde usei homossexualiDADE como ofensa?
Apenas afirmei o que muito homem não sabe. "Gostar de mulher" não é o mesmo que gostar de foder bucetas, e é isso que a maioria dos homens quer dizer quando diz que gosta de mulher.

Então reformulando o que eu disse: homens gays gostam mais de mulher do que homem hétero.

Agora pode chorar.

Anônimo disse...

Vc pode tentar remendar, mas seu preconceito enrustido não vai desaparecer.

Se vc não consegue assumir o próprio machismo e preconceito como vai criticar o dos outros?

Zero disse...

a Julia tem razão.

reparem que se desde criança um homem é amigo de varias mulheres e não tem amigos homens, tacham de gay. eu pelo menos vi muito isso.

confundem "gostar" com "atração sexual", o que não me surpreende, já que 90% das pessoas confundem conceitos de macho-homem-masculino, associando "macho" com heterossexualidade.

Anônimo disse...

É tão difícil entender que a Júlia esta querendo dizer que gostar do corpo das mulheres não é gostar das mulheres?

O sujeito pode ser assexuado ou homossexual e ter um interesse sexual nulo(ou próximo de nulo) numa mulher e trata-la com respeito e em alguns casos, admiração. Assim como é possível ser um cara que torra metade do salário com prostitutas e acha que mulher é um lixo que só presta pra sexo e só não agride mulher por medo de consequências.

Anônimo disse...

/\ Fã da Julia outra vez.

Julia disse...

Você pode tentar me acusar mas só consegue provar o quanto é burro.

E eu não tenho fãs, pessoa.
Relaxa aí rs

Zero disse...

bem, eu gosto de você, Julia.

mas não sou seu fake, se é isso que ele quis dizer. kkkkkk

estou até logado com twitter, é um "jênio" mesmo kkkk

Anônimo disse...

O que ela fez mascarar a ofensa de pessoas em uma frase de sentido genérico.

Depois usa de subterfúgios para mudar o sentido da frase conforme convém.

Não tem nem peito pra admitir os próprios preconceitos.

Kittsu disse...

Julia, deu pra entender muito bem sim o que você quis dizer. Esses malucos é que tão colocando chifre em cabeça de cavalo...

Julia disse...

Não tenho peito? Peito tenho até demais. To até pensando em reduzir um pouco e tal.

Brincadeira, morro de medo de cirurgia..

Anônimo disse...

Julia, deu pra entender muito bem sim o que você quis dizer. Esses malucos é que tão colocando chifre em cabeça de cavalo..

É a desculpa que todo preconceituoso usa.

"Não tem nada demais"

Gente nojenta.