segunda-feira, 25 de maio de 2015

EU, MAIS OU MENOS BRANCA

Terça retrasada no final da tarde voltei de uma linda mesa sobre opressões e escrevi um simples tuíte:
Exemplo de reaça
Pouco tempo depois, montes de reaças no Twitter (esses são fiéis, acompanham tudo que escrevo, apesar de estarem bloqueados) passaram a ridicularizar o que eu havia dito. Mas, né, dane-se o que reaças falam e pensam. Só que algumas horas depois várias feministas negras (eu não conhecia a maioria que apareceu, nem elas me seguiam no Twitter) também passaram a zombar do que eu havia escrito. Pior: estavam furiosas.
As perguntas que elas faziam entre elas, não para mim, eram do tipo: Como assim, a Lola se identificar negra? Ela não é argentina? Ela não é judia? Ela não tem olhos azuis? Ela não tem cabelo liso? 
(As respostas seriam, respectivamente, sim, não, não -– meus olhos são verdes -–, e não, mas não entendi por que qualquer uma dessas características seria incompatível com alguém ser negro).
Pelo menos duas moças foram ainda mais longe: uma disse que queria me dar uma chinelada na boca por eu haver escrito aquele tuíte, outra, “tremendo de raiva”, disse que torcia para não cruzar comigo novamente na rua ou na universidade, porque sua vontade era de "meter uma mãozada nas fuça dela".
Não compreendo essa violência. Por que querer me bater? Por uma mulher negra (a moderadora da mesa) ter me identificado como negra? Por eu ter ficado feliz com isso? Ou por eu querer escrever sobre o assunto no meu próprio blog?
No meu tuíte eu sequer me identifiquei como negra. Disse apenas que fui identificada como uma, e que fiquei feliz. Por que não ficaria? Deveria ficar envergonhada? Deveria ter interrompido e corrigido aquela mulher negra, a moderadora da mesa, quando ela disse com orgulho, no fechamento do simpósio, de que havia lá três mulheres negras? Se eu tivesse feito isso, aí sim é que seria racismo, a meu ver.
Fui perguntar pra ela depois: “Você me identificou como negra?” E ela respondeu que sim. 
Eu na Casa TPM, em 2013
Ela disse que o fato de eu prender meu cabelo e que a melanina debaixo dos meus olhos dava a entender que eu era negra. Eu não entendi direito, confesso (brancos não têm olheiras? E ultimamente venho prendendo o cabelo porque a menopausa deve estar se aproximando e eu morro de calor). Conversamos um pouco, e eu disse que não me via como negra, mas também não me via como branca. E que já fazia tempo que eu queria escrever sobre essa minha identidade.
Toda a minha vida, eu me identifiquei como branca. E, pelo que sei, fui identificada como branca também, já que nunca sofri racismo. Mas aí comecei o blog, e vieram várias reflexões. Em primeiro lugar, eu também havia comprado aquela ideia de que na Argentina não havia negros. E não é verdade
Uma mulher que se identifica como
afro-argentina
Argentina também teve escravos negros. No tempo da colônia, um terço da população era negra. Mas esse povo foi dizimado  em guerras e epidemias de febre amarela. Enquanto os negros sumiam, os imigrantes europeus (brancos) desembarcavam. Nos anos 1920, mais da metade dos habitantes de Buenos Aires era formada por estrangeiros (meus avós ucranianos entre eles). Hoje, pouquíssimos argentinos se identificam como negros. Em 2013 foi criado um dia nacional do afro-argentino justamente para que mais gente possa ter orgulho de se reconhecer como tal. 
A linda que fez o meu cartaz e eu em
João Pessoa, 2013
Segundo que, com o blog, eu me tornei uma pessoa mais pública, mais ou menos conhecida dentro do mundinho na internet. E vi que montes de pessoas cismavam com meu cabelo. Pra elas, eu não ter cabelo liso era sinônimo de desleixo, feiura e falta de higiene. Dezenas de vezes me mandaram alisar e pentear o cabelo (como se, poder ser cacheado, estivesse despenteado). Antes disso, eu nunca tinha tido qualquer problema com meu cabelo. Gosto dele!
Daí passei a perceber que muitos dos meus inimigos não me identificavam como branca (já li que só superherói tem inimigos, mas, sei lá, eu já tive que fazer quatro boletins de ocorrência contra misóginos que me ameaçam e me difamam, então sim, eu tenho inimigos). Num fórum mascu que também é neonazista, eu sou às vezes chamada de macaca, e sempre de parda. 
Mestiço, tela de Portinari
E desde que comecei a palestrar (sobre gênero), tenho percebido minha relutância em me ver como branca. Aliás, até antes. Em várias crônicas de cinema, se eu tenho que falar da minha cor, está sempre lá: “mais ou menos branca”. Nas palestras, eu uso o exemplo da raça pra dizer por que os homens não podem ser protagonistas no feminismo: “Seria como se eu, que sou mais ou menos branca, quisesse liderar o movimento negro”. Eu não conseguia dizer “sou branca”.  Sempre saía assim, “mais ou menos branca”.
Minha mãe e meu pai na década de 80
Em pelo menos uma dessas palestras, cerca de um ano atrás, em Curitiba, uma senhora, negra, veio falar comigo depois pra dizer que, com esse cabelo, com essa minha cor, já estava na hora de eu repensar minha identidade racial. Naquele dia eu dei duas palestras em Curitiba e, depois da segunda, saí pra jantar com os alunos da UFPR que haviam organizado o evento, todos uns amores, super politizados, um papo excelente. 
Eu em Campina Grande, PB, 2013,
posando com leitoras queridas
Contei pra eles o que a mulher negra havia me dito, falei das minhas inquietações. Disse que, quando estive na Paraíba, depois de três dias de praia, eu havia “mudado de cor”. Essa foto, ao lado de mulheres brancas, pra mim é incrível. Eu não estou branca! Um dos estudantes que estava lá era negro, e perguntei pra ele se ele achava que eu deveria me identificar como  parda. Ele respondeu, com muito entusiasmo: “Claro!” A visão dele era que quanto mais gente se assumisse preta e parda, melhor pra luta. 
Ronaldo Fenômeno se declarou branco
em 2005
Aconteceram vários outros incidentes, e não vou narrar todos, porque o texto já está gigantesco. Mas, assim, quando fui renovar minha carteira de identidade, em fevereiro, aqui em Fortaleza, eu vi que a funcionária colocou para minha raça -– parda. Isso não vai na carteira, e creio que não é perguntado. Mas num dos itens os responsáveis têm que colocar a raça, e eu fui vista como parda. Só que, uns quarenta dias depois, quando fui depor numa delegacia, a escrivã escreveu branca pra mim. 
Minha mãe e eu no último natal
Fui conversar com minha mãe sobre isso. Sei que na família do meu pai são todos brancos. Meus avós, ucranianos, judeus, migraram da Ucrânia para a Argentina antes da primeira guerra. Mas da parte da minha mãe, eu não sei nada. Nunca conheci os pais dela, a irmã, nada. Nunca vi fotos. Minha mãe sempre foi muito misteriosa nesse sentido. Perguntei pra ela se havia algum antepassado negro na nossa família. Ela disse que não -– “Índios sim, negros não”.
Em março, dividi um quarto com uma blogueira negra bem conhecida e querida. Não vou citar o nome porque não quero envolvê-la na confusão. Não sei como começamos a falar sobre o assunto, mas ela disse que quando ela está de turbante ninguém duvida da sua negritude. Porém, quando ela está com o cabelão (lindo) dela, sempre vem gente dizer que ela não é negra, que a pele dela é clara. E ela concorda que, por não tomar quase nada de sol, fica com a pele descolorida mesmo. Mas o pai dela é negro. 
Até um tempo ela se identificava como mulata (hoje essa é uma palavra não aceita, pois vem de mula), depois como parda (mas muita gente do movimento negro defende que a pessoa parda deve se identificar como negra, que “parda” é um agrado ao mito da democracia racial). 
Aliás, um parênteses aqui, mais um: já participei de várias mesas em que havia um ou mais representante LGBT, um ou mais representante negro, e uma ou mais feminista. E quase sempre tem um momento em que a pessoa negra conta a história de quando “percebeu” que era negra, e não morena ou bronzeada ou mestiça. De quando se assumiu negra como identidade política, de luta, de combate às opressões. De quando passou a ter orgulho de ser negra. Essa é uma narrativa que nos aproxima bastante, porque feministas de toda cor também falam de quando se descobriram feministas. 
Mas voltando a essa feminista negra com quem dividi um quarto: no meio do nosso papo ela disse que nunca me viu como branca, principalmente por causa do meu cabelo. A dica que ela dava a qualquer pessoa que quisesse se identificar negra era: saiba se você tem antepassado(s) negro(s) na família antes e quais são.
Meus avós ucranianos com
minhas tias no colo em
1922, antes do meu pai nascer
Eu acho que não tenho. Mas só ter parentesco negro pode não ser suficiente. Mês passado, no curso de extensão sobre gênero, literatura e cinema, pedi pra turma ler um artigo da Sandra Azêredo, "O que é mesmo uma perspectiva feminista de gênero?". Ela narra que, no início da década de 80, quando foi fazer doutorado na Califórnia, explicou pra sua orientadora (a festejada Donna Haraway) que, no Brasil, há preconceito de classe, não de raça. Naquela época, Sandra ainda acreditava nesse mito. Mas passou a refletir sobre sua vida, e lembrou-se que, quando era criança, alguns colegas confundiram sua mãe parda com uma empregada doméstica. 
Em 2009 uma estudante (à esquerda) se
declarou parda e entrou na UFSM por
cotas. Uma comissão tirou-lhe a vaga,
pois não viu a aluna como parda
O artigo gerou uma discussão riquíssima na classe. Dois rapazes disseram que sabem que têm a pele escura, e por isso gostariam de se identificar como negros, mas têm o cabelo liso de índio e nenhum outro fenótipo negro. Portanto, sentiriam-se mal se entrassem no movimento negro, porque não gostariam de “roubar protagonismo”. E eles não estão sozinhos. Esses dias vi um comentário parecido numa rede social:

Neymar, numa entrevista aos 18
anos, disse que não era preto
É complicado determinar quem é negro e quem não é. Negro é quem a polícia vê como negro? Negro é quem é vigiado ao entrar numa loja? Quanto mais escuro, maior a discriminação e o preconceito contra essa pessoa, isso sabemos (é o que se chama de colorismo). Mas no caso desses meus dois alunos, quem decide se eles são negros? (eles mesmos, certo? Já que no Brasil a raça é autodeclarada).
Para muitos, o ex-presidente Lula é
mestiço ou não branco
Voltando a mim, que este post quilométrico é todinho sobre mim, sobre uma problematização minha da minha identidade: aquele mero tuíte da semana retrasada gerou uma revolta e tanto. E até agora não entendi o porquê. Não tenho o menor interesse em ocupar um espaço que não me pertence. Se nunca quis o protagonismo no feminismo, vou querer muito menos no movimento negro. Além do mais, identidade tem muito a ver com um sentimento de pertencimento. E obviamente não foi isso que senti como resultado do meu tuíte. 
Fui chamada até de racista por ter ficado feliz por uma negra ter me identificado como negra! Evidente que ser identificada como negra não faz de mim negra, assim como ser chamada de racista não faz de mim racista. Eu sempre lutei pelo fim de todos os preconceitos, pois considero que o combate ao racismo não cabe apenas aos negros, mas a todos (tal e qual o combate ao machismo e à homofobia é um dever de toda a sociedade, não só de mulheres e LGBTs).
Minha identidade racial agora é uma que eu percebi que venho adotando faz tempo: mais ou menos branca. Talvez um dia, quando ninguém estiver olhando (no Censo do IBGE, por exemplo, ou quando eu não tiver mais blog), eu seja realmente audaz e me diga mais ou menos preta.   

290 comentários:

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Anônimo disse...

Lola, creio que o problema foi você ter ficado FELIZ com isso. Ser negra num mundo desigual e racista não é feliz. Elas se ofenderam porque a vida de uma PESSOA VERDADEIRAMENTE NEGRA não é feliz, por esse motivo.
E você deveria entender que ~agressividade~ delas é a reação do oprimido. Será que AGORA você entendeu?

lola aronovich disse...

Não posso nem ficar perto da internet esses dias porque, além das aulas, tenho duas palestras gigantes pra preparar (uma delas sobre um tema de que nunca falei, e é pra quinta de manhã já). Então sem chance de responder.
Mas olha, anon, eu, ao ser identificada como negra por uma negra, deveria ter ficado chateada? Entendo que negrxs levem uma vida sofrida, cheia de racismo e discriminação -- nunca sofri isso na pela, mas vc não precisa ter vivido algo para saber que aquilo existe. Mas não é só isso. Por exemplo, sou mulher. E apesar da vida de mulher ser difícil (mais pra algumas que pra outras), tem muita coisa que me faz ter orgulho de ser mulher. Ou seja, eu não associo "ser mulher" apenas com opressão e misoginia. Acho que nossa identidade vai além disso, além do preconceito que enfrentamos.
E sobre a agressividade, não entendo mesmo. Não entendo e não concordo. Uma feminista ameaçar outra? E se elas deixassem o discurso de lado e viessem me bater (sendo que uma delas já cruzou comigo na rua e na universidade)? Estaria justificado porque é a reação do oprimido? Sou contra o ódio em qualquer militância.

Anônimo disse...

Lola o que acontece com vc acontece comigo tb!!! Eu não me reconheço branca, pois meu pai é negro, minha avó é negra, minha outra vó indígena, e um avõ português e outro negro,
Ah minha mãe é a mistura de uma negra com um português, mas é loira dos olhos claros...
Só que todos insistem em classificar-me como branca, e branca nessa terra só a Xuxa...
Meu cabelo não é uma coisa nem outra nem liso nem encaracolado, às vezes é loiro as vezes não...(química pq natural ele é castanho claro) meus olhos são castanhos e eu coloco parda em todas as pesquisas que pedem pra designar a cor...
E sim pra quem pergunta, eu já sofri preconceito, afinal como é ter um pai negro casado com uma branca???
É idiota mas ja aconteceu comigo...
Mas não seria justo eu me achar "negra" o suficiente pra exigir protagonismo na luta racial... Vamos simplificar Brasil é terra de Não-Brancos!!!

Gabriela Moura disse...

Parabéns, Lola, tens visto o teor racista de comentarios de pessoas que "concordam" com teu texto?
Dizer que eu me incomodo com vc pois eu nao sou feliz é bem tipico de gente que acredita que preto nasceu pra estar sempre por baixo.
Não estou aqui pra te ofender, pq isso nao melhoraria a minha ou a tua vida, nem agregaria nada novo, nem seria diferente das ofensas de machistas escrotos contra vc.
Estou aqui para falar que vc, assim como grande parte das pessoas brancas (sim, vc é branca, sorry for that), bate o pé pra fazer prevalecer a vossa vontade assim na terra como no céu, realmente cagando e andando para pessoas NEGRAS, que vivenciam o cotidiano de um NEGRO: sempre sob a mira de uma arma, sempre sob o olhar de suspeita de seguranças de espaços de luxo, sempre sob o deboche de universitarios brancos, sempre sob o olhar desacreditado da maioria.
O minimo que vc deveria era respeitar a comunidade negra em vez desse texto sem pé nem cabeça, vexatório, abusivo. Para de usar pessoas negras como justificativa para o fato de que sim, voce é racista.

Raven Deschain disse...

Óia. Eu, como parda ou negra, enfim, te leio como branca. Uma vez comentei aqui que tive um namorado que era branquérrimo. Uma folha de papel. Dava pra seguir as veias na pele dele. Mas ele tinha cabelo crespo. Crespo de verdade. Usava black power. Nunca, nunca, nunca vou ler ele como negro, só por causa do cabelo crespo. Mas jamais.

Agora o meu irmão (o que foi chamado de macaquinho) tem a pele mais escura que a minha e o cabelo liso. De índio. Aí ele não é negro por causa do cabelo também?


Pois eu concordo que quanto mais gente se assumindo negra e sentindo orgulho disso, melhor.


Anon, entendi seu ponto. Mas a luta não tá aí pra isso? Pra desconstruir o racismo e criar uma sociedade mais saudável pra todos? Sou negra e muito feliz, obrigada. A sociedade é uma merda. A quantidade de meninos que morrem pela cor de suas peles é uma merda. A quantidade de meninas que são estupradas pelo mesmo motivo tb é uma merda. Mas se não posso me sentir feliz na minha pele, o me faria feliz? E não. Revolta nenhuma justifica essa agressividade. Chinelada na boca? Tapa na fuça? É assim que o movimento negro tá resolvendo suas diferenças? Pq se for, estou me declarando japonesa e fim.

Raven Deschain disse...

Só um adendo: Rihanna é preta e tem olho verde. É crime?

Quando fui pra Cabo Verde, a coisa mais comum lá é preto de olho claro... Não vejo como cor de olho torna alguém branco. Olho preto ou castanho torna alguém preto?

Anônimo disse...

"e branca nessa terra só a Xuxa",,Discordo totalmente, quer dizer então que só pessoas loiras são consideradas brancas?Se tem cabelo e olhos castanhos não é mais?Seria Mel Liboa, Alessandra Negrini, Lavinia Vlasak entre outras ..pardas? Tambem não concordei com o que a outra blogueira falou pra voce Lola..que basta ter um negro na familia pra se considerar negro. Sou loira, olhos claros, mãe branca, pai pardo e avó mulato..minha irmã tem a pele bem branca mas cabelos pretos..sempre somos consideradas brancas em qualquer lugar do mundo. Acho que seria muita falta de bom senso nos considerarmos negras só por ter negros na familia..no fim do dia o que conta é a cor da sua pele e não a do seus parentes.

Anônimo disse...

Lola,

Ter cabelo enrolado não nos faz pessoas negras. Ter mais melanina que o branco mais branco não nos torna pessoas negras. Ter, sabe-se lá, um tataravô negro por parte da família de sua mãe nunca te fará menos branca.

Minha família, por exemplo, está no Brasil há mais de 400 anos. Desde lá nos misturamos bastante com descendentes de índios. Isso não me faz indígena ou menos branca. Sou branca.

Seus pais são brancos. Você nunca será negra.

Anônimo disse...

Quanta ridicularidade desse humor involuntário de vocês que fumam desse crack pós-modernista. Qualquer pessoa no mundo real sabe identificar facilmente pessoas negras e pessoas brancas, assim como todo mundo sabe identificar muito bem mulheres e homens. São classes de pessoas distintas por características físicas bastante perceptíveis. Vocês tem certeza que lidam com questões políticas do mundo real? Auto identificação de raça, sexo, gênero ou o que quer que seja, não significam nada fora dessa bolha internética em que vocês compartilham dessas drogas alucinógenas pós-modernas. Eu posso me identificar como o Bill Gates, mas é óbvio que isso não me dá direito de acesso à fortuna dele, nem ninguém vai acreditar que eu sou ele (o pior que pode acontecer é me internarem num sanatório se eu insistir demais nessa ideia maluca). Mas pessoas privilegiadas que não sofrem determinadas opressões na nossa sociedade se identificando como se fossem da classe oprimida é bizarro demais em comparação com quem realmente afirma ser o Bill Gates. Que fetiche sadomasoquista cruel, sem empatia nenhuma pelas pessoas realmente oprimidas. O que vocês tem a ganhar dizendo que são de uma classe de pessoas que sofrem uma opressão que CLARAMENTE não sofrem NA PELE? É pra se sentir menos parte da classe opressora? Que forma tosca, irresponsável e desonesta de lidar com questões sérias como exploração, classes oprimidas, etc. Pra não dizer coisa pior... Enfim: parem com esses delírios absurdos achando que estão enganando alguém com todas essas mentiras desonestas, no máximo vocês só se enganam e estão fazendo papel de palhaço de circo. Que vergonha alheia!

Anônimo disse...

Pessoal do crack pós-moderno inventa qualquer desculpa furada pra justificar os delírios dos próprios fetiches identitários. Coisa deprimente... Apenas parem!

Anônimo disse...

Lola, também acredito que o problema tenha sido dizer que ficou "feliz".
Eu sou negra e não consigo te ver como branca, mas também não consigo te ver como negra (eu e o resto do país).
O que realmente me incomoda é ver pessoas lidas como brancas se dizendo negras só para fazer festa ou dizer que vivenciam a negritude, mas na hora do enfrentamento da opressão essas pessoas passam rapidinho para o outro lado.
Muitos racistas também evocam um antepassado negro para dizer que não são racistas, e isso me dá nojo.
Por esse motivo entendo a revolta das feministas negras, a gente cansa de ser oprimida e ver pessoas que não sentem na pele um décimo do que sentimos usando esse artifício para dizer que estão do nosso lado, quando na verdade não estão.

Não é o seu caso, Lolinha. Acompanho seu blog há anos e sempre te vejo na luta por equidade. Espero mesmo que essa onda de ofensas não te faça mal.
Daqui da minha humilde posição de mulher, negra e iniciante no feminismo, quero te mandar meu abraço virtual e dizer que mesmo se você fosse um avatar azul, eu te veria como aliada.
Um beijãooooo para você!

Camila D disse...

Mas a Lola não disse em nenhum momento ser negra! Que gente mais implicante, mds!!!

Anônimo disse...

Reclamar do colorismo e bater na Lola: saudades, lógica!

Anônimo disse...

(sou a anonima do primeiro post) Lola, não existe só a opção
1. ficar chateada
2. ficar feliz

Vc sabe bem disso.
Não há motivos pra ficar nem feliz nem chateada. Só quieta, mesmo. Eu gosto bastante de vc, mas acho que as vezes tem que ter humildade pra reconhecer quando erra em vez de ficar na defensiva.
Vc acha que alguém mudou o mundo pacificamente? Elas tem o direito de se revoltarem. Ngm muda o mundo com essa ~paz~. Quer que elas aguentem desaforo caladas? Elas sofrem e tão vendo uma mulher que não sofre racismo falar que é bom. Pode elogiar pessoas negras, deve, até pq são lindas mas não achar bom ser considerada uma. E elas Tem que revoltar sim, é a reação delas e não adianta pedir sororidade.

Anônimo disse...

Concordo plenamente com as moças do twitter que reagiram contra essa apropriação racista. É insulto mesmo, pura falta de respeito e de vergonha na cara!

Talá disse...

Mas Lola, é como quando a gente diz pra um homem que existem coisas que o feminismo defende que só sendo mulher pra entender, pq a gente é que sente na pele. Neste ponto eu entendo que a sua fala pode ter sido ofensiva para muitos no movimento negro. E acho que a sua postura está muito na defensiva. Entendo que responder xingamentos é desnecessário, não existe diálogo aí, porém para aqueles que estão se posicionando de maneira cordial e com argumentos coerentes, um pouco mais de empatia seria bom.

Anônimo disse...

Então, o Laerte Coutinho não pode ficar feliz por ser lidx como mulher!

Será que é assim que deve ser? De verdade, não consigo entender... mas acho ótimo problematizar o assunto.

Tinúviel disse...

Bom, gente, podem jogar pedras se quiserem, mas eu, do alto da minha brancura cor-de-neve, sempre vi a Lola como parda. SEMPRE.

Ademais, tenho a seriísima impressão de que se ela viesse pro sul e caminhássemos de braços dados por qualquer lugar (sonha, neam), todos ou a imensa maioria dos meus conterrâneos pensaria assim e ainda seria capaz de cometer algum ato discriminatório contra ela... não precisa ser tããão mais escuro assim pra sofrer preconceito por aqui.

Então acho que muito disso que está sendo discutido é questão de parâmetro, não?

Anna disse...

tambem sou mais ou menos branca e, como me interesso pela causa negra, acabo lendo muitos blogs militantes. me incomoda essa postura agressiva dos militantes negros contra os não-negros no movimento. ate por que o que é realmente um negro? eu tenho antepassados negros, mas não posso passar nem perto da causa por que sou mais ou menos branca, embora venha tambem de um passado de pobreza, embora sinta a ancestralidade africana nas minhas veias. é estranho. tudo é tipo como apropriação do que não é meu.

Anônimo disse...

Não, não pode. E ele não visto como mulher nem aqui nem na China. Mulher não é maquiagem, vestido e cabelo comprido.

Se manquem!

Esses xis patéticos no lugar das vogais você já sabem onde devem enfiar...

Anônimo disse...

Não, não pode. E ele não visto é como mulher nem aqui nem na China. Mulher não é maquiagem, vestido e cabelo comprido.

Se manquem!

Esses xis patéticos no lugar das vogais você já sabem onde devem enfiar...

Anônimo disse...

Independente de qualquer coisa, somos pessoas!

Mas já que a discussão é o foco, é simples:

Brancos tomam sol e ficam vermelhos.

Mestiços tomam sol e escurecem.

Negros tomam sol e nada muda.

Lola tu é mestiça e teu marido branco.

Camila D disse...

Eu acho foda o movimento feminista negro, trazem questões mt mais profundas e pertinentes, e que afetam toda a sociedade.
Mas não entendi esse negócio que aconteceu com a Lola. Qual a moral das ameaças sendo que ela não disse nada maldoso, e nem em um milhão de anos eu a veria como racista!
Pq eu sei o que são pessoas racistas, e tenho pavor disso. Sou branca, mas da parte da minha mãe temos antepassados negros e escravos, não muito longe de nós. E minha mãe dizia que a avó paterna branquérrima e ultrarracista odiava mais ela por ser parda do que uma pessoa "negra de verdade".
Minha avó, que é escura, de cabelo pichaim, é uma das pessoas mais racistas e preconceituosas que já conheci. Se gaba pelos netos terem "embranquecido" por causa da mistura com descendentes de italianos e alemães.
A família do meu namorado tb é meio racista. Quando se reúnem eu ouço comentários do tipo "negra ordinária", ou "tinha que ser coisa de preto", e nesses momentos eu não consigo ficar perto deles, pq aquilo me afeta de uma forma que não sei explicar.
Posso ter pele branca, mas isso não me deixa menos mal ou deixa de me afetar quando ofendem outro igual por causa da cor da pele. Não sofri preconceito NA PELE, mas sofri muitos outros que me fazem ter empatia por toda minoria oprimida, e o fato de algumas pessoas não se sentirem satisfeitas por isso não me impede de me sentir na luta, mesmo que eu SAIBA que o protagonismo não é meu. Nunca vou falar pelo movimento feminista negro, mas tb jamais vou virar as costas ou desqualificá-lo, pq ele me afeta tb.

Anônimo disse...

"Mas olha, anon, eu, ao ser identificada como negra por uma negra,"

O nome disso é token
Lola, apenas pare.

Anônimo disse...

Camila D, você cometeu uma série de equívocos nesse seu comentário, mas vou citar apenas um: sua avó negra não é racista, ela apenas foi convencida pelo racismo estrutural que ser negra é ruim.
E já deu no saco esse negócio de meter o pau no movimento negro, toda vez que há uma reação.
Quem leva pedrada de todos os lados tem que oferecer o quê? Flores?

Claro que pode ocorrer alguns enganos, como atacar a Lola (que, a meu ver, não merece tais ataques), mas olha, a minha vivência de mulher negra me mostra que toda vez que me atrevo a questionar qualquer coisa que me ofenda, sou taxada como agressiva, barraqueira, etc.

Lamento dizer, mas isso é racismo.

Raven Deschain disse...

Camila, meu avô era preto e racista. Odiava pardos. Dizia que era um branco sem vergonha. Nem preto nem branco, não dava pra saber.

Hahaha era engraçado na época, eu era criança. Hj entendo que na vdd ele era um véio racista e provavelmente achava que eu e os meus irmãos éramos "brancos sem vergonha".

Anônimo disse...

kkkkkkkkkkkk que tosca essa classificação de quem só queima, quem escurece ou quem não muda no sol. quer dizer que uma pessoa branca que escurece no sol ou que primeiro fica vermelha e depois escurece no sol não é branca? é branca sim!

eu conheci uma menina branca de ver as veias verdes na pele que disse que a pele dela não ficava vermelha no sol e logo escurecia. muita gente não acreditou nisso que ela disse, mas independente disso ser verdade ou não ninguém tinha dúvidas que ela é branca.

Anônimo disse...

"Claro que pode ocorrer alguns enganos, como atacar a Lola (que, a meu ver, não merece tais ataques), mas olha, a minha vivência de mulher negra me mostra que toda vez que me atrevo a questionar qualquer coisa que me ofenda, sou taxada como agressiva, barraqueira, etc.

Lamento dizer, mas isso é racismo."

Isso tá mais pra deslegitimação pelo fato de você ser MULHER do que pelo racismo em si, embora este não possa ser descartado.

- homem negro reclamando: vitimista
- mulher negra reclamando: histérica
- mulher reclamando: histérica
- mulher: histérica

Mulheres também deslegitimam umas às outras, já que fomos socializadas dessa forma. Vide o que acontece com a exclusão do ativismo lésbico por exemplo.

Laryssa disse...

Nada justifica a agressividade contra a Lola, o fato de não acharem que ela seja negra não é razão para ameaças.

A minha família é extremamente miscigenada, negro, branco, índio... eu sou parda clara tipo vc Lola, com cabelos ondulados, já aconteceu de dizer que não sou branca e as pessoas afirmarem que negra também não sou, teve uma época da minha vida que me considerava negra, quando criança eu tinha a pele mais escura de sol e por não me achar branca... Mas como meu pai é branco como uma folha de papel e minha mãe é parda, percebi que sou afrodescendente sim, pois as avós da minha mãe se casaram com homens negros e um deles tinha mistura com índios e era negro do cabelo liso liso,entretanto eu não sou negra,não sei o que é ser discriminada por minha cor da pele, nem ser considerada menos bonita por conta da minha cor etc.

Anônimo disse...

A rigor, a humanidade inteira é afrodescendente. Por mais clarinho do olho azul que fulano seja, o pezinho na África é biológico e não social e está mais do que determinado pela ciência.

O que não dá é pra tolerar esse token-ism de conveniência ao mesmo tempo em que se ignora o que ativismo e ativistas têm a dizer.

As consequências disso costumam ser nefastas justamente por desqualificar a vivência alheia, reduzindo-a ou até mesmo eliminando como coisa irrelevante.

A "explicação" dada no post basicamente fala por si só.

Anônimo disse...

É impressão minha ou mulheres estão sendo silenciadas nos comentários deste blog? Por que textos machistas e de "trolls" homens permanecem e textos de mulheres estão sendo deletados?

lola aronovich disse...

O post não tem absolutamente nada a ver com Laerte. Não vou permitir que xinguem aqui uma pessoa super talentosa e que é aliada há tantos anos. E o único motivo pra isso é a transfobia escancarada de vcs.
Incrível! Se não concordam com 100% do que a pessoa diz ou faz, ela automaticamente vira racista, misógina, narcisista, whatever...

lola aronovich disse...

Vc é anônima, anon das 13:31. Não tem como ser silenciada. Vc já se silencia por si só.
É muito fácil vc, anon, atacar uma pessoa de verdade.

Anônimo disse...

Anon 12:52
Vcs libfems são insuportáveis com esses termos pós-modernos. "Token", hahahaa. My ass pro seu americanismo, bando de reaças neoliberais (pleonasmo)! Qualquer mongoloide sabe que Lola não é nem negra, mas tb não é branca, muito menos a Sinhá que vocês estão falando que ela é. Vocês são loucas, dia desses vi uma blogueira negra identificando a Nanda Costa como negra (NUNCA!) e no outro havia uma que era parda pra negra, com cabelo mega crespo, dizendo que tinha dúvidas se era parda, quando qualquer um que olha pra ela já a identifica como negra na hora. hahaha Sério, como já falaram, parem com o crack pós-moderno que tá feio. Vcs pós-modernos (incluindo a Lola) são desonestos, infantis, mimados, desocupados, um bando de maconheiros universitários. Desconhecem a história até mesmo da causa que defendem. Lola é parda. Cor de olhos não tem nada a ver com pele. Olha, bebê negro de olho azul: http://sorisomail.com/img/12967453759.jpg
Lola, você não precisa usar seus olhos como desculpa pra não rever sua identificação racial. Vâmo desconstruir (aff, Derrida, odeio esse termo pós moderno, mas ainda tô tentando encontrar um termo substituto).. Mas como eu ia falando, vâmo desconstruir esse racismo internalizado aí, Lola! Parece que pra vc é uma ofensa ser chamada de parda. Depois radfem que é racista...
Quanto aos VERDADEIROS blackfaces, os transsexuais, nem com socialização feminina: podem rebocar a cara de maquiagem, encher as unhas de esmalte, botar silicone, salto e outras coisas que nos oprimem que qualquer pessoa no mundo (inlcusive libfems hipócritas que fingem acreditar que vcs são mulheres) vão os reconhecer como machos até o ultimo dia do resto de suas vidas. Pode passar 70 anos, vocês vão pra tumba com o nome de batismo gravado na lápide pra todo mundo ver. Qualquer dúvida quanto ao gênero de um transsexual, perguntem a uma criança. Crianças não mentem nunca!

Anônimo disse...

Recado acima falando de "token" é para anon das 12:55 não 12:52.

Marisa disse...

Até que ponto chega a loucura de feministas e militantes, ignoram a natureza, biologia, a cor real da pele pela ideologia furada.
Daqui a pouco, se alguém se identificar como um bicho qualquer, todos vão se obrigados a aceitar, senão será preconceito contra espécies, ninguém vai poder dizer que a pessoa tá ficando louca.
Minha bisavó era negra mas isso n faz de mim negra, sou mais branca que papel.
Quero muito ir para a Coreia do Sul, então vou me declarar coreana e eles vão ser obrigados a me deixar entrar no país e me tratar como coreana, como se eu realmente tivesse nascido lá... Doideira demais.

Gle disse...

Tô até agora procurando o que tem de racista nesse tuíte. Não achei, midisculpem.

Fiquei feliz num concurso que fiz neste final de semana, pois tinha que interpretar um texto onde o título era: Racismo.

Sábado estava conversando com uma amiga Paulistana (que mora a 9 anos em Blumenau) sobre os preconceitos que ela vivenciou. Ela não é negra, deve se encaixar como "parda". Ela me contou que foi em uma loja comprar um celular e o atendente perguntou se ela era "daqui". Ela respondeu que era de SP e ele perguntou se ela já estava empregada, pois seria muito difícil ela conseguir emprego aqui. Obviamente ela ficou chateada com a situação e saiu de lá. Durante a nossa conversa, ela me disse que sofreu bastante preconceito aqui, não tanto pela cor, mas por "ser de fora".

Estive em SP há umas duas semanas e notei algumas nítidas diferenças do sul, entre elas, a que mais se destaca é justamente a mistura de raças. Aqui em SC acredito que 80% da população é Alemã ou Italiana. A mídia tem divulgado que mandaram para SC um ônibus com haitianos e eu nunca vi tanta gente falando mal disso. É tanto preconceito que eu tenho até medo de perguntar porque eles tem tanta rejeição assim dos Haitianos.

O fato é que ninguém precisa ser negro para ver e entender que existe o preconceito. Podem caçar minha carteirinha, mas eu vou continuar sendo branca e apoiando vocês e a luta pela igualdade.

Anônimo disse...

"eu deveria ficar chateada?"
nossa, vc é uma mulher madura e inteligente mas tá se fazendo de boba pra ficar na defensiva.

Eli disse...

Lola, seu cabelo não é cacheado, é ondulado, por isso todo esse rolo com o cabelo. Acho que toda ondulada passa por isso: somos identificadas com cabelo liso ou enrolado dependendo da pessoa. Já vi um colega meu dizendo "Mas pera, eu sempre achei que o cabelo da Eli era enrolado!" e alguém respondeu "Ele é liso!" rsrsrs

Dependendo do cabelo ondulado e do volume que ele tem, nós passamos por essa obsessão da sociedade por alisamento. Eu, mesmo tendo o ondulado mais fraco que existe, já quis alisar o cabelo.

Só estou falando sobre isso, porque nós somos apagadas. O cabelo ideal é liso mas também existe o ideal de cabelo cacheado perfeito, com os cachos super definidos. Se você não tiver nenhum desses dois, se você tiver o cabelo ondulado, se você tiver o cabelo crespo, você não é boa o suficiente, é mal cuidada, e deveria fazer alisamento/relaxamento.

Raven Deschain disse...

"crianças não mentem nunca".

Hahaha

Hahahahahahaha

Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahhahahahahahah

Vc não tem muito contato com crianças neh?

Anônimo disse...

Ô povo que gosta de genitalizar a vida dos outros e esparramar ofensas na internet, pena que não têm coragem de bater no Olavinho com a mesma força.

Lola, Laerte e outros que têm coragem de caminhar ao nosso lado: TAMO JUNTO!
Se vocês cometerem algum deslize, estaremos prontxs (sim, com X) a avisá- los, mas NÃO vamos encará- los como inimigos.

Pronto, podem me xingar.

Anônimo disse...

Eu como vc lola quando não torro no sol tenho a pele branca,mas quem mora no norte/nordeste vive torrando no sol pq nessa área o sol incide por mais tempo no ano além de fazer bem mais calor(graças a deusa),então não sei qual cor seria a nossa , acredito que muitos tem essa duvida pq aqui no Brasil somos uma mistura de raça muito LINDA,e viva a nossa diversidade!

Anônimo disse...

Acho engraçado essa maluquice toda para definir cor no Brasil.
Pergunta para um sueco o que eu, a Lola e todo mundo aqui é: ele vai dizer "POC". People of color.
Para ser branco tem que ter um conjunto de características caucasianas. O amigo da Raven nunca seria considerado branco nos Estados Unidos ou na Europa, justamente pelo cabelo.
A família inteira é negra e você saiu branquinho? POC.

Claro que isso é fora do Brasil. Aqui, o que vale é a quantidade de melanina, mesmo. É a diferença entre ser liberado na batida e ser mandado encostar o carro (e seja o que Deus quiser).

Anônimo das 12:45, sabemos sim onde enfiar o x: no seu cu.

lola aronovich disse...

Essa de que "se vc não sabe se uma pessoa é homem ou mulher, pergunte a uma criança" deve estar na moda, porque já vi em vários lugares. É muito ridículo! Usar criança pra justificar um preconceito CONSTRUÍDO (como todos os preconceitos, aliás) como transfobia.


E pro pessoal que veio aqui xingar e dizer que "estou provando do meu próprio veneno" porque escrevi que "qualquer discordância vc vira racista, misógino etc", só queria explicar que estou falando de gente que combate preconceitos, não gente que os espalha, tipo reaças. Reaças são preconceituosos em praticamente tudo que dizem. Não é questão de "uma discordância". Aliás, eu me preocupa quando tenho algum ponto de convergência com reaças.

Anônimo disse...

Difícil. De acordo com as definições do IBGE, a categoria mais apropriada para quem não se identifica com os extremos de branco e negro seria parda.
De qualquer forma, minha recomendação é: PAREM DE INVENTAR EXTREMOS EM UM PAÍS MISCIGENADO COMO O BRASIL. No Brasil, é IMPOSSÍVEL definir estritamente a identidade étnica de VÁRIAS pessoas devido à miscigenação, que é uma condição HISTÓRIA do país. O encontro dessas etnias muitas vezes traduziu-se em aparências físicas misturadas, que não possuem traços dominantes de uma determinada etnia. Existem pessoas que simplesmente não podem se categorizar de maneira rígida devido justamente à ausência de uma predominância étnica específica na sua estética.
Hoje em dia, nós temos um movimento negro que nega a realidade histórica do país e sonha que a sociedade brasileira é polarizada entre brancos e negros. Isso é mentira. Para esse povo, tudo que não for negro, é branco, tudo que não é branco, é negro. Isso não faz sentido.

Anônimo disse...

Chateada que negros estão te chamando de racista, lola? Achei que eles entendem bem desse assunto... ou eles estão errados?

Anônimo disse...

Sou o anom das 13:58. Corrigindo: é uma condição HISTÓRICA, não HISTÓRIA.
Perdão pelo erro.

lola aronovich disse...

Sim, sim, silenciando comentários negros... Isso já aconteceu numa caixa de comentários onde a discussão era sobre radfems vcs trans. Alguém deixou um comentário que não dizia nada de mais, nem me xingava muito, assinado por uma transativistas. Como o nome tinha link pro blog dela, e como não falava nada de mais, deixei. Uns dias depois, ela fala no Twitter dela que alguém falsificou um comentário no nome dela (e ela sugere que fui eu!) e me cobra pra eu descobrir o IP. Blogspot não tem como descobrir IP, é dificílimo.
Ou seja, se eu deixo um comentário me xingando assinado por uma feminista negra, pode ser falso. Se eu não deixo, estou silenciando. Não tem como fugir.
Uns me acusam de ser racista por eu ter ficado feliz por ser identificado como negra, outros dizem que sou racista por parecer que não fiquei feliz ao ser identificada como negra... Enfim.

Mila disse...

As pessoas estão ficando cada dia mais loucas. Agora para ser negro, LGBT, feminista ou o que quer q seja é preciso o que, passar por um concurso? Tem comissão julgadora pra avaliar se vc merece ou não ser um grupo discriminado?


Eu me considero mestiça. Na minha família materna, as pessoas são negras e eu sofri com o colorismo por parte deles tb, por ter a pele e cabelos mais claros. Externamente, eu era identificada como pessoa negra. Então, passei por um não-lugar, "um não branco" e um "não-negro", e isso foi benéfico para mim pois aprendi a não apoiar os extremos.
É claro que negros mais escuros ou mais claros vão passar por situações diferentes. Os mais claros tendem a ser melhor tolerados, os mais escuros, a serem segregados. A meu ver, negar o colorismo não ajuda em nada a luta contra o racismo.

Anônimo disse...

A tal feminista negra que te ameaçou com violência...não seria melhor fazer um B.O.? Afinal de conta ela disse que já te viu pessoalmente. Acho que você deveria considerar isso.

Camila D disse...

Claro, minha avó não é racista. Vc poderia dizer da mesma forma que brancos racistas não são racistas pq foram convencidos de que negros são inferiores etc.
Não meti o pau no movimento negro, não tenho motivos, muito pelo contrário.
O prob são algumas pessoas que afirmam que outra disse uma coisa que ela não disse. Blz?

Camila D disse...

Exatamente Raven, e faz todo sentido dizer que pardos são brancos sem vergonha, já que todo mundo decide a cor da pele antes de nascer né kkk
Tem que rir pra não chorar.

Anônimo disse...

O que tem gente chamando eufemisticamente de "miscigenação" e celebrando e romantizando como "linda diversidade do povo brasileiro" é o resultado do estupro de índias e negras por homens brancos e outras tentativas de embraquecimento da população do país. Isso é racismo também...

Anônimo disse...

Eu meio que entendo a reação da galera negra (do movimento ou não). Claro, coloco "meio que" porque eu com a minha cor de maria mole dificilmente vou entender perfeitamente. Peço perdão aos colegas caso eu fale bosta. Vou tentar me manter como branca falando de brancos.

Eu faço um curso de humanas que é cheio de branquelo classe média que quer "negar" sua branquitude. É branco com pintura indígena, é branco usando simbologia afro, é branco se vestindo com roupas "exóticas" super caricatas... E declarando: "não sou branco! sou brasileiro!" ou mesmo se declarando como negro porque adora um batuque, saca? Aquilo lá é um poço escroto de apropriação cultural. No meio acadêmico é festa nonstop. Até já vi galerinha branca que dá rolê em terreiro de vez em quando cometer o desrespeito de fingir que tava incorporando exu numa festinha de samba só porque tinha batuque e cachaça. Muito inapropriado.

Claro que a apropriação cultural aqui no Brasil é menos rigidamente delimitada do que nos Estados Unidos, mas ainda assim, tem muito branco que finge que não tem privilégio e ainda rouba a identidade dos outros pra se fazer de progressista.

E isso cabe numa crítica importante que já vi nos blogs gringos a respeito de brancos usando coisas "de negro": o mundinho racista vai achar lindo o branco usando tal ou tal coisa. Mas quando o negro usa é marginalizado, se pede que ele "embranqueça". No meu caso, entrei numa religião afrobrasileira, e minha religião comigo era exótica, interessante, até meio "cult", pegava bem. Mas com a minha colega negra causava aquela reação meio "aff, que primitiva".


Voltando: o negócio é que o movimento negro provavelmente tá cansado de pessoas sem noção que "declaram apoio" apagando seu privilégio. Esse pode ter sido o caso. Não acho que você tenha merecido, claro, Lolinha, e acho que entendo por que você ficou feliz. E certeza que suas intenções são boas. Só pegou mal porque pegar a identidade + privilégio parece injusto. -- Oooooooooooou eu posso estar exagerando e romanceando igual fazem os brancos alienados que eu critiquei lá em cima. Não sei :(

Ah sim: mascu acha que todo mundo no "bostil" é pardo, menos as loiras de cu rosa - embora, pra garantir, seja melhor trazê-las do leste europeu.

Thomas disse...

Entendo completamente a felicidade da Lola. Ser negro é muito mais legal, pois negros são muitos mais legais. Eu compreendo totalmente qualquer branco que tenha algum antepassado negro perdido e se agarra a isso pra se considerar negro. Negros são mais legais.

Eu mesmo, analisando objetivamente, sou todo mestiço. Meu pai é branco, a família inteira do meu pai é branca de ascendência judia europeia. Minha mãe é negra, a parte da minha família do meu avô materno é toda negra. Mas a minha avó materna e toda a família dela são basicamente índios misturados com brancos.

Eu sou todo misturadão. Mas jamais, nunca, never, sequer passou pela minha cabeça me considerar "pardo", "mulato", "meio branco", "meio índio". Lembro quando eu era praticamente um bebê e vi uma luta do Mike Tyson. Aquele negro maravilhoso violento demolindo todo mundo que botavam na frente dele. Naquele momento eu pensei: quero ser preto igual esse cara.

Não sei quanto a ser mulher negra, mas posso dizer que ser negro é muito bom. Andar por aí sabendo que todo mundo que olha pra você concluí que você tem um pau grande é extremamente empoderador.

lola aronovich disse...

Pensei em fazer BO, porque é uma ameaça bem séria. Se um mascu de Fortaleza com nome dissesse que me vê com certa frequência na rua ou universidade, eu ficaria temerosa. Essa moça eu ACHO que já foi minha aluna num curso de extensão, vários anos atrás. Não tenho certeza porque sou péssima pra nomes e rostos. Pelo pouco que sei, ela é radfem, e já tem tempo que ficou revoltada por eu combater a transfobia tão característica de algumas vertentes. Aí ela foi alimentando o ódio, a ponto de "tremer de raiva" por eu escrever algo que ela discorda.
É preocupante sim esse tipo de reação. E pior é que ela (e outras feministas) não viram o tuíte dela como uma ameaça, só como uma discordância. Discordar é uma coisa, xingar é uma coisa, ameaçar fisicamente é bem outra!

Thomas disse...

Ah, enquanto aos ataques que a Lola sofreu de outras feministas: acontece isso em praticamente toda ideologia, né. É ridículo. Veganos atacam veganos. Feministas atacam feministas. Muçulmanos matam muçulmanos. Assim fica difícil ter esperança na humanidade. A Lola é feminista, está jogando no mesmo time que todas as outras feministas, todas buscam basicamente a mesma coisa e, ao invés de deixarem as diferenças de lado e se concentrarem no que têm em comum, ficam de treta.

Eu sou pessimista em relação ao futuro da humanidade mesmo. Mas a única coisa que me dá alguma esperança é ver torcida organizada. Aquela galera é unida pra caralho. Qual foi a última vez que vocês viram a Gaviões da Fiel espancando outro corinthiano? Simplesmente não acontece. Não importa que tipo de corinthiano você é, pra eles o importante é que você seja corinthiano.

As feministas deveriam tirar como exemplo esse excelente comportamento moral das torcidas organizadas e se unirem contra o inimigo em comum, senão a causa de vocês nunca vai chegar a lugar nenhum.

Camila D disse...

Kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Idem.

Gle disse...

Lola só pode ter super poderes para aguentar tanta gente louca.

Camila D disse...

E mais, ameaçá-la por isso. Eu não quero dar chinelada na cara de quem me contesta, até pq isso não vai fazer a pessoa repensar o que disse, ou mudar seja o que for. Só mostra que eu seria ignorante demais ao querer bater em alguém que não fala só o que meus ouvidos querem ouvir.

Raven Deschain disse...

Hahahaha que merda.

"Qual foi a última vez que vocês viram a Gaviões da Fiel espancando outro corinthiano? Simplesmente não acontece. Não importa que tipo de corinthiano você é, pra eles o importante é que você seja corinthiano."

Concordo.

Anônimo disse...

HAHAHAHAHAHA
Camila e o mito da negra racista!

Diga lá, qual o poder que uma mulher negra tem para ser racista, além de apenas reproduzir falas preconceituosas feito um papagaio?
Racismo é uma estrutura acima de tudo, política, e sua avó nessa estrutura faz parte da parte afetada. Ficou escuro?

E outra: falsa simetria é uó, viu?

Raven Deschain disse...

Magina que maneiro Camila?

Eu seria verde igual a Gamora.

Gle disse...

Acho que deveríamos montar um time de futebol só de minas feministas. Aí pra entrar pro feminismo tinha que montar uma torcida feminista! E ninguém poderia brigar, okay?

Depois disso, todas as lutas feministas viveram felizes para sempre. FIM.

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

Raven Deschain disse...

Ai que saco. Agora além de "repeodutor do machismo" em vez de machista é "reprodutor de racismo" em vez de racista.

No fim é tudo a mesma coisa. Etimologicamente falando, é claro.

Raven Deschain disse...

O problema, Gle, é que a Gaviões pode até não brigar entre si. Mas vivem espancando palmeirense. Eu não quero precisar espancar ninguém.

Uns mascus talvez...

Anônimo disse...

Anom das 14:20

Ninguém está romantizando porra nenhuma aqui, jovem.
O fato é que a diversidade EXISTE, se ela é linda ou não, depende da opinião de cada um. Mas a interação e reprodução de diversas etnias é UM FATO HISTÓRICO, goste você ou não. A ética desse encontro não foi colocada em discussão EM NENHUM MOMENTO.
Portanto, leve sua falácia para BEM LONGE daqui.

Zero disse...

ainda bem que não temos uma palheta de cores muito grande.

imagine se houvesse pessoas azuis, verdes e lilás?

chamar de Barney seria racismo.

(deixando claro que isso é apenas uma brincadeira que não há a menor necessidade de agressividade).

Anônimo disse...

As origens da decantada democracia racial brasileira foram lembradas naquilo que têm de sórdido e agressivo pelas debatedoras da Segunda Mesa da II Ciad, que discutiu gênero e equidade na África e na Diáspora.

O assunto remete ao papel das mulheres negras e indígenas nos tempos coloniais, e a uma missigenação que teve como base a reprodução forçada: sempre homem branco, mulher negra, ou homem branco, mulher indígena, lembrou a pesquisadora brasileira Wania Sant’Anna. "Para nós o debate dos princípios de equidade não podem dispensar a revisão histórica desse período", cobrou.

Sueli Carneiro, do Instituto da Mulher Negra - Geledes, apontou que o estupro colonial de negras e indígenas pelos brancos portugueses está na base da cultura nacional, de uma forma em que a violência sexual é romantizada e a desigualdade é erotizada. E a relação subordinada das mulheres com seus senhores tornou-se pilar da decantada democracia racial no Brasil.

Matriarcado da miséria

O Brasil é o país com maior população de origem africana no mundo, com 87 milhões de afrodescendentes, segundo uma das pesquisas mencionadas. É uma população que descende das mulheres traficadas da África, que no período colonial tiveram papel de reprodutoras da população escrava e de trabalhadoras braçais, e que ainda hoje são submetidas a condições perversas.

"São mulheres empobrecidas", diz Sant’Anna. "Não falo que são mulheres pobres, porque sua situação é decorrente de ações externas a elas". Um indicador arrepiante da forma como a população negra feminina é fustigada no Brasil é uma estimativa de vida com diferença de mais de quatro anos em relação às mulheres brancas, decorrente da diferença de qualidade de vida garantida a uma ou a outra.

Para Sueli Carneiro, o Brasil se faz de dois países racialmente apartados, em que as desigualdades estão presentes em todos os indicadores sociais, um fato que a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as mulheres, Nilcéia Freire, mostrou na mesma mesa temática. E quando a pobreza é vista sob a perspectiva de gênero, lembrou Carneiro "há um verdadeiro matriarcado da miséria".

As causas estão, segundo ela, em duas espécies de contratos sociais, um deles "ostensivamente neutro" garante a hegemonia masculina.
Outro estabelece uma sociedade organizada racialmente, na qual o estatus de branco e não branco é demarcado de alguma maneira. Segundo Carneiro, vivemos em sociedades multi-raciais com uma branquitude dominante.

http://www.ciranda.net/Miscigenacao-pelo-estupro?lang=pt_br

Vinícius Dias dos Santos disse...

É a famosa "mente descontinua" que o Dawkins fala: a incapacidade/dificuldade de não pensar em termos binários.

Todo mestiço/mulato/pardo sofre preconceito dos dois lados, embora seja uma falsa simetria, sim, já que no mundo real você toma chute é de cima.

É a mesma coisa com os bissexuais no movimento LGBT, embora o movimento surpreendentemente não tomou rumos tão radicais. É um fenômeno que deveria ser estudado.

O lance é que biologicamente raça não faz sentido, mas a construção social da raça, separação de pools genéticos artificialmente, acaba acontecendo com o racismo e valorações sociais. Então os radicais do movimento negro tem uma certa razão.

O lance é que o escravismo foi brutal e rompeu identidade demais. Você não é uma pessoa com descendentes da Nigéria, da Angola ou do Moçambique[1]. Com uma certa genealogia, como no caso de imigrantes brancos ou judeus. Com uma linguagem que seus avós mantiveram e você aprende pra manter tradição. Então o colorismo/racialismo acaba entrando nesse vácuo que deveria ser sobre etnia.

[1] Dá pra tentar fazer isso com história, já que Portugueses não tinham aviões percorrendo todo o continente. Mas é muito abstrato pra política de identidade.

Gle disse...

Raven, no Coletivo que participo me deram o adjetivo de ~mediadora de conflitos~, então acho que nem os mascus teriam o "privilégio" de serem espancados por mim :P

Anônimo disse...

muito interessante esse post,
sou parda, me identifico como negra, e vivo na argentina (sou comentarista habitual, mas por esse comentário conter informações pessoais prefiro não me identificar).

com um professor da universidade (que é branco judeu), conversamos muito sobre isso, e ele contesta essa teoria que os negros foram dizimados com doenças e guerras, como uma narrativa que vai bem ao ideário argentino de ser uma nação branca. a estratégia funcionou tanto que uma professora argentina que viajou para palestrar no exterior, foi retida no aeroporto sob suspeita de que estaria com passaporte falso, uma vez que era negra e o passaporte argentino.

eu acho que existem as categorias biológicas, que tem a ver com os genes que vc herda, e com o fenotipo que herda, mas tem também uma categoria social. já estive na áfrica e tenho um tom de pele muito diferente, e até a textura do cabelo, mas me identifico como negra pela vivência social.

certa vez uma colunista negra falou que haviam dois candidatos negros disputando a eleição: além da marina, o pastor everaldo. comentei isso com um colega e ele achou bastante estranho. mas claramente o pastor não é branco. se me permite o palpite, esse é o seu caso. desculpa a comparação com everaldo.

existem uma infinidade de matizes, mas entendo que branco e não branco (negro) são experiências sociais. aqui na argentina a coisa é tão maluca que eles chamam os indígenas de negros. e os indígenas são o alvo do preconceito e da invisibilidade aqui. o que não significa que não sejam racistas com os negros como gostam de pensar. eles gostam de pensar que como aqui "não tem negros", não podem ser racistas. mas eles sabem direitinho o que é racismo e são racistas pra caralho!

mas acho que entendi porque as meninas ficaram putas, ainda que não concorde. às vezes rola esse comportamento meio condescendente de celebrar a negritude só porque você tá muito longe de ter a vivência social de um negro. podem ter achado que tava rolando isso e não uma inquietação séria a respeito da identidade.

Anônimo disse...

"Incrível! Se não concordam com 100% do que a pessoa diz ou faz, ela automaticamente vira racista, misógina, narcisista, whatever..."

Ou radfem

radscum disse...

Ah, mas vai tomar no cu!
Lola insistindo nessa merda de "convergência com mascu" até hoje, coisa ridícula. Sério que você vai ficar comparando Feminismo RADICAL com Masculinismo? Paciência zero. Ainda por cima é caluniosa, se essa mina que você diz fosse mesmo Feminista Radical, ela jamais teria te ameaçado. Pode caçar carteirinha dela que é libfem.
Nunca pensei que você fosse tão desonesta, Lola. Jogo baixo, difamou (e difama) o radfem, agora difama negras. Uma parda destilando racismo. Vou começar a repensar a teoria de que não existe mulher machista, negro racista e afins. Pode reparar como toda vez que você faz um tweet criticando radfem, a maioria dos que curtem ou dão RT são homens. Me desculpe, mas você está sendo conivente com masculinistas sim. Até mesmo quando você apaga nossos comentários, mas não apaga os dos mascus. Peço desculpa para as negras em nome de todas as mulheres brancas comentaristas daqui que se recusam a rever seus privilégios. Bem "convergente" com reaças. Nem me surpreendo, de libfem eu espero tudo. Libfem não merece nem título de feminista. Libfem defende estuprador.

Anônimo disse...

25 de maio de 2015 13:33

desculpa aí macho mas vc nem disfarçou mto bem dessa vez

Mila disse...

Tem coisas que não dá pra confundir: uma coisa é alguém não se sentir confortável com sua identidade, outra é aculturar e exigir como seu.
A história da negritude está repleta de brancos "roubando" as criações negras e se apropriando delas. Aconteceu isso no mundo da música (desde o blues até os atuais funk e rap) e ocorre em outros setores.
Cito um exemplo desse movimento de "assumir os cachos". A mídia vêm tratando isso como moda e coloca brancas "descoladas" como exemplos das dicas sobre cuidados. Só achamos mulheres negras nos cabelos 4. O movimento de não às químicas é uma afirmação política tb.
Já somos tão pouco representadas midiaticamente que até uma característica tão nossa (cabelos cacheados e crespos) vemos modelos brancas.
Thomas, não é que seja ruim ser mulher negra. O ruim é ser objetificada. Mulheres de todas as etnias são objetificadas, imagina as mulheres não-brancas (latinas e/ou negras, por exemplo). Some a isso toda a carga colonialista das mulheres não-brancas que eram tidas como seres inferiores e escravas sexuais dos brancos europeus. Isso, infelizmente, não ficou lá na época do Brasil colônia. Tem gente que ainda pensa "branca pra casar, mulata pra fornicar e preta pra trabalhar".

Anônimo disse...

Sempre te vi como mestiça (acho essa palavra, pardo, ridícula). E não tem nada demais ser mestiça. E olha que sou simpatizante de Alita (ergo, representante de tudo que não presta, segundo vcs)

Anônimo disse...

"Usar criança pra justificar um preconceito CONSTRUÍDO"

Nananinanão, não senhora! Não tem nada de preconceito construído. Criança não tem preconceito nenhum, eles sequer sabem o que é papel de gênero. Brincam com brinquedos de ambos os sexos se não tiver nenhum outro. Se eles sabem diferenciar gato e cachorro, pq não saberiam diferenciar macho e fêmea, querida?

Anônimo disse...

Essa bucha que vc chama de cabelo pode ser tudo, menos de índio.

donadio disse...

Lola, eu tenho visto com alguma frequência pessoas que não são negras - que nunca seriam consideradas negras - se "identificarem" como "pardas".

E eu tenho a impressão de que esse tipo de coisa irrita quem sempre foi considerado negro. Uma vez vi alguém dizer, "daqui a pouco ser preto vai estar na moda, e aí só os brancos vão conseguir provar que são pretos".

É como nem pra ser negro direito um negro prestasse, sempre vai ter um branco pra ser negro melhor do que ele.

Acho que a bronca vem por aí. E como a tendência hoje em dia na internet é ficarmos todos loucos, nos odiando uns aos outros e torcendo para que o sujeito tenha câncer no pâncreas porque ousou discordar da nossa sagrada opinião, acaba resultando nessas agressões toscas que você recebeu.

Ou talvez tenha um pouco de anti-semitismo nisso também, sei lá. Já vi gente de movimento negro dar opiniões grotescas do tipo "o tráfico negreiro era monopolizado por judeus".

Anônimo disse...

Só acho que os comentários do Thomas foram os mais lúcidos até agora.

B. disse...

"Ai que saco. Agora além de "repeodutor do machismo" em vez de machista é "reprodutor de racismo" em vez de racista. "

Eu amo a Raven. Realmente, tá um saco isso.

Anônimo disse...

Libfem das 15:11
Desculpa se ofendi vocês, viu?
Você acha que a Lola é sinhá, mas não é, meu bem. Conforme-se. Ver radfem sendo comparado com mascu já nem me ofende mais. Ah, e adoro quando vocês são transfóbicas "sem querer", pois se eu fosse mesmo um macho e tivesse um pau entre as pernas, não teria muita diferença dos seus amiguinhos de saia. Eu seria XY assim como eles. "Macho" é uma palavra que só nós podemos usar, meu bem. Coerência mandou lembrança pro teu feminismo liberal hipócrita. "Sua transfóbica enrustida!

Anônimo disse...

"bucha que vc chama de cabelo"
"chupeta de baleia"

Mas é muita falta do que fazer. Fico imaginando a pessoa que escreve isso rindo como um retardado, pensando "nossa agora mitei". Melhor se matar fera, que vida de bosta a sua hein.

Anônimo disse...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA tá muito engraçado isso. É tudo tão ridículo que só resta rir...

Agora tá tendo até briga de radfems (é hilário demais quando uma tenta tirar a legitimidade de radical da outra e começa logo chamando de libfem)

Anônimo disse...

Alguém aí falou dos judeus.

Eu conheço uma judia. Ela, às vezes, explica algumas coisas do povo dela. Ela é loira, olhos azuis. Mas não se considera branca caucasiana, porque o fato de ser judia pesa demais em como ela se vê e como as outras pessoas a veem. Caucasianos, historicamente, nunca foram perseguidos ou discriminados. Judeus podem ser branquinhos e loirinhos, mas são discriminados por outros brancos.

O buraco é bem mais embaixo.

donadio disse...

"Criança não tem preconceito nenhum, eles sequer sabem o que é papel de gênero."

Você já foi criança?

Olha, eu aprendi que menina era quem usava saia, cabelo comprido e batom muito antes de saber que elas não tinham pênis.

E sim, a Rita Pavone me deixava confuso. XD

Preta Mudiwa disse...

Lola,
Eu, como mulher negra e militante me sinto bastante ofendida pelo seu post e, antes de qualquer coisa, é imprescindível que você ouça o que estamos reivindicando ao contestarmos suas afirmações. Para isso é preciso que você reconheça sua posição de sujeito: uma mulher branca, pertencente a uma classe privilegiada. É deste lugar que você pronuncia o seu discurso e você precisa reconhecê-lo, assim como todos os privilégios decorrentes dele. Quando você diz que nosso alvoroço é decorrente de um “simples tuíte”, você minimiza nossas demandas e anula as contradições presentes em suas declarações. Como assim você não compreende nossa violência? Ela não é fruto de uma neurose ou perseguição a alguém que falou algo irrelevante. Ela corresponde a nossa demanda identitária concreta e vem à tona como resultado de um processo profundo de entendimento de nossas posições de sujeito: mulheres negras subjugadas por uma sociedade racista, classista e machista. Essas construções são concretas e as vivenciamos cotidianamente. Elas não veem à tona depois de uma tarde de sol na praia ou após um elogio em uma conferência (até porque o elogio a uma mulher negra é quase uma exceção, considerando-se que vivemos em uma sociedade racista). Elas andam na contramão da carnavalização que o seu discurso faz a respeito das identidades. Sim, você é branca, principalmente porque ser negra não se resume a ter o cabelo enrolado ou preso por conta da menopausa. Você se alegrar por ser reconhecida como negra não é elogio algum. Você não é negra e para concluir isso basta olhar atentamente para a sua linhagem – ucranianos, judeus – e para o seu fenótipo. Se você não se sente branca aqui não é ‘terra de ninguém’ e não usamos slogan do tipo: “junte-se a nós” caso você não seja branca. Se você não é branca, essa crise identitária é sua e não te dá livre acesso a ser negra. Vivemos em um país que historicamente construiu uma série de significados estigmatizantes para a comunidade negra e lutamos diariamente para rompê-los e nos ressignificarmos. O seu discurso não ajuda em nada, principalmente porque você não é negra. Esse protagonismo é nosso!

lola aronovich disse...

Raven, querida, eu jamais te expulsaria daqui! Vc é fundamental para manter a sanidade nessa caixa de comentários!

Anônimo disse...

Preconceitos étnicos e religiosos não são a mesma coisa que preconceito e discriminação racial. Todos eles existem e têm pontos de ligação, mas não são o mesmo tipo de preconceito, sabe?

O povo gosta de confundir tudo mesmo, pelo visto nessa caixa de comentários. É uma confusão generalizada.

Anônimo disse...

E mais, ameaçá-la por isso. Eu não quero dar chinelada na cara de quem me contesta, até pq isso não vai fazer a pessoa repensar o que disse, ou mudar seja o que for. Só mostra que eu seria ignorante demais ao querer bater em alguém que não fala só o que meus ouvidos querem ouvir.

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É, mas quando pessoas mais machistas postam aqui, já vi muito "queria dar na cara" ou "enfiar uma faca no c...".Isso também é lamentável

Anônimo disse...

Não sou racista mas pra mim cabelo crespo é um equivoco da natureza. Se tivesse, usaria raspado (como muitos negros, felizmente, estão optando). Se fosse mulher, alisava.

Mas, td bem, cada faz o que quer da sua vida.

Anônimo disse...

Putz. Agora, a Lola é BRANCA. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Lola, você é branca? KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Esse pessoal enlouqueceu de uma vez?
Estão a chamar a Lola de BRANCA. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

No Brasil, ser negro tem a ver com o tom da pele. Quanto mais escura, mais negro (é o senso comum).

Muito diferente da Europa e principalmente EUA. Lá, pessoas de pele clara mas sem traços caucasóides são chamadas de negros ou no máximo 'mixed races' mas nunca de branco.

Samara disse...

Desde quando EUA = resto do mundo, ô inteligência ?

Eu hein...

Leonardo Zamprogno disse...

Caralho, como existem pessoas BURRAS no mundo! Sim burras! Não é porque você é negra, militante, mulher, o que for, que te dá direito de ser contraproducente dessa forma...PORRA! quer brigar com alguém, vai brigar com o Bolsonaro, com o Danilo Gentili, ou com o monte de branco fdp que se diz negro para passar no vestibular com cota...esses sim realmente prejudicam o movimento de vocês...a Lola, além de não precisar de se passar por nada, sempre foi de esquerda, sempre escreveu ótimos textos sobre os temas mais variados expondo sempre uma opinião válida sobre as lutas diárias da mulher no mundo e por causa de um comentário besta como"ai que bom, ela me chamou de negra", vocês vem com isso tudo?! Porra!!! mas ela pode sim ser vista como negra! e qual o problema disso? como alguns aqui falaram, existem sim negros de olhos azul, bem como existem negros de cabelos lisos. Detalhe que ela estava participando de um debate sobre racismo numa universidade...e vocês, o que estão fazendo em prol da luta diária de vocês? estão só na internet resmungando contra uma pessoa mestiça que diz se identificar como negro? Vocês são todas BURRAS demais!

Anônimo disse...

Quando a pessoa fala não sou racista/ preconceituosa/ machista/ homofóbica/ etc; mas.... é certeza que nada de bom ou proveitoso vem depois desse "mas". É uma chance perdida dessa pessoa ter ficado quieta e ter poupado as outras de seus preconceitos de bosta que só seriam úteis debaixo da terra.

Carlos Eduardo disse...

Por isso que eu gosto de ler esse blog de vez em quando.

Eu sou homem, branco, hétero e de classe média alta. Aqui é único lugar onde, por ter essas características, eu sou, praticamente, considerado um deus.

Acho bem divertido.

Anônimo disse...

Digo isso, porque, no mundo normal, lá fora, sou apenas uma pessoa comum.

Raven Deschain disse...

Lola, daí sim. Hahaha

\o/

Podem me chamar de fake a vontade.

Anônimo disse...

Quando a pessoa fala não sou racista/ preconceituosa/ machista/ homofóbica/ etc; mas.... é certeza que nada de bom ou proveitoso vem depois desse "mas"
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_ Vc me lembrei agora do caso do jogador Sheik, que postou uma foto em rede social dando um selinho num amigo.

No outro dia, a torcida do corinthians foi protestar com uma facha escrito: "Não somos homofóbicos. Mas viado aqui não"

Anônimo disse...

Lola, para de apagar as fontes de diversão do seu blog, poxa! O que você considera "sanidade" é a chatíssima normalidade higienizada profundamente corroída pelo tédio dessa sociedade...

Anônimo disse...

Difícil, né, Lola?

Eu acho tão excludente o posicionamento das pessoas. Parece que no fim a luta virou um clube e só entra quem tem autorização. Até um simples tuíte vira esse pandemônio.

Eu sou filha de uma mulher indígena do olhos castanhos e cabelo encaracolado com um homem branco, loiro e de olhos azuis. Meus avós paternos são brancos, portugueses. Meu avô materno é negro. Minha vó materna, indígena.

Eu tenho um tom de pele um pouco escuro, olhos verdes, cabelo encaracolado e castanho claro, meus pelos são loiros. Nunca fui identificada como negra, mas a julgar pelo meu tom de pele e ascendência, também não sou branca.

Pra todos os efeitos me identifico como parda, porque mesmo que a realidade social seja desfavorável a identificação negra, há sim uma miscigenação racial no Brasil que está dificultando bastante as coisas nesse quesito.

Me solidarizo com tua problemática e achei a reação das pessoas um BOCADO extremada.

Abçs

Carol F. disse...

Interessante esse post, eu tinha te identificado como parda pelas fotos, mas depois você li sobre você ser descendente de ucranianos, em um post disse que estava em um ônibus nos EUA no qual aconteceu uma briga e que a polícia falou com você talvez porque você fosse a única pessoa branca do local, aí vi que não e não pensei mais no assunto.
Isso me lembrou uma ex-colega de trabalho que para mim sempre foi claramente negra e disse que nos anos 80 não pôde se juntar a um grupo do movimento negro porque acharam que ela não era negra o suficiente.
Eu acho muito complicado você decidir o que outra pessoa é, quando ela mesma se percebe como outra coisa em questão de raça cor só cor de pele.

B disse...

Nossa, isso de POR SER BRANCA não poder ser boa é nada menos que racismo. Se atribuo a alguém um defeito inerente à sua raça, sou racista. Claro que ninguém -- ao menos por enquanto, e se não forem além das ameaças de dar tapa na boca -- morre por esse racismo, mas entristece ver que a diferença entre o reça racista e o militante negro é a contingência histórica de um ter poder e o outro não. Queria só ver Lola, se depois de feminista chamar homem e trans de piroco (piroca é pênis, acho difícil isso derivar de "peruca"), negar misandria e racismo inverso. O que eu digo é que misoginia é de longe mais poderosa e danosa que misandria; que negros sofrem infinitamente mais com o racismo do que brancos que tolerem chilique de militante doidinho. Agora, ódio é ódio. Os movimentos sociais precisam de muita crítica, pois muitos de seus militantes, em potência, parecem não ser tão diferentes dos detentores do status quo.

Anônimo disse...

No Brasil, o verdadeiro pai de todos os preconceitos é o classismo.

Ter dinheiro te absolve de todos os seus "pecados" e redime todos os seus "defeitos".

E digo isso, sendo de direita. Achar que um sistema econômico é o mais benéfico não me impede de ver a realidade.

Juba disse...

Acho que nos faz falta um nome, uma identidade étnica. Para mim, que tenho antepassados negros três gerações para trás, sou marrom, e tenho traços mais caucasianos que negros, cabelo nem lá nem cá, como fica? Não sou branca. mas não sou negra. Passei por pouquíssimas situações de racismo, sempre quando bronzeada, ou seja, me identificaram negra apenas nesses momentos. Usufruo de privilégio branco? Sem dúvida. Mas, pombas, branca eu não sou. Temos um nome?

Lala disse...

Hahahahaha uma descendente de europeu de olhinho azul se achando a negona
amiga, assim não dá pra te defender.

e mais: se fosse um negro, com tatatataravô branco, que se visse como branco você ia dar o maior chilique

Anônimo disse...

Toda vez que o movimento negro aponta para um branco que ele ou ela está fazendo BLACKFACE, a reação é sempre a mesma.

Anônimo disse...

"Eu, como mulher negra e militante me sinto bastante ofendida pelo seu post e, antes de qualquer coisa, é imprescindível que você ouça o que estamos reivindicando ao contestarmos suas afirmações."

- é preciso PEDIR para o opressor 1. reconhecer que existe uma demanda, 2. que ele ou ela ao menos ouça essa demanda. Confere.

"Para isso é preciso que você reconheça sua posição de sujeito: uma mulher branca, pertencente a uma classe privilegiada. É deste lugar que você pronuncia o seu discurso e você precisa reconhecê-lo, assim como todos os privilégios decorrentes dele."

- posicionar o opressor na perspectiva da questão, confere.

"Quando você diz que nosso alvoroço é decorrente de um “simples tuíte”, você minimiza nossas demandas e anula as contradições presentes em suas declarações. "

- opressor diminuindo a demanda do oprimido, confere.

"Como assim você não compreende nossa violência? Ela não é fruto de uma neurose ou perseguição a alguém que falou algo irrelevante. Ela corresponde a nossa demanda identitária concreta e vem à tona como resultado de um processo profundo de entendimento de nossas posições de sujeito: mulheres negras subjugadas por uma sociedade racista, classista e machista."

- opressor se fazendo de desentendido/desinformado, querendo que o oprimido lhe explique o porquê da coisas para daí, quem sabe, dar-lhe uma nesga de consideração, confere.

"Essas construções são concretas e as vivenciamos cotidianamente. Elas não veem à tona depois de uma tarde de sol na praia ou após um elogio em uma conferência (até porque o elogio a uma mulher negra é quase uma exceção, considerando-se que vivemos em uma sociedade racista). Elas andam na contramão da carnavalização que o seu discurso faz a respeito das identidades."

- lembrar ao opressor que certas coisas passam longe de um ~estado do sentir~ e que é inaceitável anular a vivência do grupo oprimido, confere.

"Sim, você é branca, principalmente porque ser negra não se resume a ter o cabelo enrolado ou preso por conta da menopausa. Você se alegrar por ser reconhecida como negra não é elogio algum. Você não é negra e para concluir isso basta olhar atentamente para a sua linhagem – ucranianos, judeus – e para o seu fenótipo. Se você não se sente branca aqui não é ‘terra de ninguém’ e não usamos slogan do tipo: “junte-se a nós” caso você não seja branca. Se você não é branca, essa crise identitária é sua e não te dá livre acesso a ser negra. Vivemos em um país que historicamente construiu uma série de significados estigmatizantes para a comunidade negra e lutamos diariamente para rompê-los e nos ressignificarmos. O seu discurso não ajuda em nada, principalmente porque você não é negra. Esse protagonismo é nosso!"

- colocar o opressor no seu devido lugar: confere.

Mais didático, impossível.

Marina disse...

Acho que a emenda saiu pior que o soneto. Lola sempre demonstra adorar praia, vive em uma cidade ensolarada e por isso é bronzeada, mas já postou várias fotos de quando era nova e é evidente que é branca. Não existe isso de "mais ou menos preta", "mais ou menos branca".

Nyu-chan disse...

"A dica que ela dava a qualquer pessoa que quisesse se identificar negra era: saiba se você tem antepassado(s) negro(s) na família antes e quais são."

Até que grau? Porque eu sou branca, no entanto os meus tataravós e bisavós por parte de minha mãe são negros e índios, mas eu sou branca por ter puxado o meu pai, descendente de europeus.

Então não entendi muito bem a ideia da moça.

Mas no Brasil temos regiões onde ser negro ou branco é relativo. Um dos exemplos que dão é o que é negro na Bahia e o que é negro em um estado do sul (Não lembro qual é agora).

-Nyu-chan

Talá disse...

Lola, tem muitos comentários super coerentes (e educados) de pessoas do Movimento Negro que vc nem se dá ao trabalho de responder. Só está respondendo aqueles que são agressivos. oras, esses nem precisam de resposta, já entendemos que tem gente reagindo de foram desproporcional. Ok. Agora seria maravilhoso se vc respondesse os comentários que tem realmente algo a dizer (li vários até agora).

anon A. (radfem) disse...

"Isso tá mais pra deslegitimação pelo fato de você ser MULHER do que pelo racismo em si, embora este não possa ser descartado.

- homem negro reclamando: vitimista
- mulher negra reclamando: histérica
- mulher reclamando: histérica
- mulher: histérica"

Então... Seria mais isso aqui:
- homem negro reclamando: raivoso
- mulher branca reclamando: histérica
- mulher negra reclamando: histérica e raivosa

Pessoas negras sofrem um esteriotipo proprio quando decidem reclamar da opressão que sofrem. Se uma pessoa for grosseira, ela será vista com piores olhos se for mulher, e ainda piores se for negra.

Anyway, compreendo e apoio as feministas negras nesta questão. Considero que "identidade" é irrelevante se ela não descrever a realidade. Isso se aplica se você se considerar negra e não sofrer racismo, ou se se considerar mulher e não sofrer machismo. Sendo que por racismo e machismo aqui eu quero dizer a opressão diária e cultural, não um comentário aleatório de vez em quando. As cotas raciais foram feitas para ajudar negros pois eles são prejudicados pela sociedade. Se alguém se considera negra mas não é prejudicada por isso, não faz sentido ela ter acesso a cotas (me refiro ao caso da UFSM). Realidade é mais importante que identidade, simples assim.

Mas mesmo apoiando a causa delas, não apoio as ameaças de violência, isso não ajuda em nada. Só servem para a pessoa que está com raiva desabafar, enquanto prejudica o próprio movimento.

Anônimo disse...

Ótima resposta, bom para refletir...

anon A. (radfem) disse...

*não apoio aquelas que fizeram ameaças de violência

Acho que a frase ficou melhor assim. Apoio totalmente as outras, que são a maioria, mesmo se algumas estiverem sendo 'grosseiras'.

Anônimo disse...

Bom, se você descende de ucranianos e índios, você é mestiça, não é preta, porque não possui ancestrais negros. A palestrante que te definiu como negra, errou, porque não conhece sua história familiar, sequer sabia que tinha ou não ancestrais negros, ou de outra etnia. Sou mestiça, me identifico e sempre fui identificada como parda. Filha de pai branco, descendente de holandeses, portugueses e italianos, e mãe méstiça, descendente de índios, portugueses e africanos. Não quero e não vou me identificar como negra só porque o movimento negro quer, não me sinto negra, e não me sinto branca, sou parda, minha pele é parda clara, meus traços são finos e meus cabelos são encaracolados, é o que eu sou.

Anônimo disse...

Blá blá blá, negro racista.
Blá blá blá é tudo a mesma coisa.

... disse a parda.

Anônimo disse...

Lucy

lola vc é mestiça

e o @zero é o q?
cade o gostoso do @zero?

rsrs

Camila D disse...

Não entendo bulhufas de futebol, mas seria bem melhor pro movimento se as feministas fossem mais unidas, independente do "segmento".

Anônimo disse...

Logico que ela tem nego no sangue, olha o cabelo crespo dela só um retardado nega isso.

lola aronovich disse...

Talá, quais comentários super coerentes e educados que tem aqui? É como eu disse no post: tem muita gente que fala de mim, mas não fala comigo. E não quer dialogar, quer só insultar. É gente que, por sei lá qual motivo, já me detestava antes deste post, e vão continuar me detestando. Acho que não vale a pena argumentar com essas pessoas. Eu gostei do comentário da Preta Mudiwa, e gostaria de respondê-lo. Mas REALMENTE falta tempo. Por favor, leia o segundo comentário na caixa. É meu, falando de tudo que preciso fazer. Eu passei o fim de semana escrevendo, ilustrando, linkando, agendando posts para que eu não tenha que me preocupar com isso entre hoje e sábado (que é quando terei algum tempo de respirar novamente). De hoje a sábado, só aulas, viagens, palestras que ainda preciso preparar (e são palestras longas, de uma hora cada; uma delas é sobre um tema, família e gênero, do qual nunca falei antes, preciso preparar MUITO, porque ainda por cima é a palestra de abertura de uma conferência importante, e não quero fazer papelão). Tenho que me dedicar a isso.

Camila D disse...

De mim vc nunca ouviu isso. Mas de qlq forma, não baseio meu comportamento no dos outros, tipo "se fulana fez pq eu não posso?"
Não quero pendenga com feminista nenhuma, a propósito, e entendo o ponto delas. Mas isso não faz diferença pq eu sou branca né.
Falo mais nada. Vou voltar pros estudos que eu ganho mais.

@vbfri disse...

Tenso.
Uma pessoa considerou Lola "negra" e a galera caiu matando geral na Lola.
Galera, vcs entenderam que foi OUTRA pessoa que falou que a Lola era negra, né?
Tipo, dia desses me compararam com a Scarlett Johansson e eu tô toda boba até agora, porque a considero linda de viver e nem em um milhão de anos sonharia em ser comparada a ela.
--
Entendo que varixs negrxs se sentiram ofendidos, consideram que a Lola não xs representa...
Mas eu gostaria de saber no que ELA agrediu a cor de alguém?
--
Ok, concordo que não consideraria a Lola negra.
--
E eu estou batendo a cabeça contra a mesa por ter que admitir que concordei com alguma coisa que o Thomas-Toddy falou...
Ou o mundo amanheceu do avesso hoje ou, sei lá.
Mas isso aqui, resume:
"Ah, enquanto aos ataques que a Lola sofreu de outras feministas: acontece isso em praticamente toda ideologia, né. É ridículo. Veganos atacam veganos. Feministas atacam feministas. Muçulmanos matam muçulmanos. Assim fica difícil ter esperança na humanidade. A Lola é feminista, está jogando no mesmo time que todas as outras feministas, todas buscam basicamente a mesma coisa e, ao invés de deixarem as diferenças de lado e se concentrarem no que têm em comum, ficam de treta."
--
Gente. Foi o Thomas-Toddy que falou isso. Vocês têm noção?
O mascu troll da vez falou isso e eu tô aqui, com cara de besta.
--
Hoje o dia tá esquisito.
--
Mais amor, pfv.

Raven Deschain disse...

Liga não, Camila. Essea anônimos não vêem o nome de quem comenta e acham que somos todas a mesma pessoa.

Ironia neh? Já que os anônimos são eles.

Taty disse...

De novo esse mesma ladainha,gente o BR é miscigenado enquanto houver esse ódio nada vai pra frente.Só existe uma raça: a humana.
Sou morena marrom e tive uma filha branca e daí?agora vão discriminar a menina?nas veias dela corre sangue indígena,negro e alemão.
Ás vezes uma pessoa é branca mas na árvore genealógica tem pessoas negras,pardas,azuis,vermelhas,indígenas,etc.

Raven Deschain disse...

Ué e por ser parda não posso falar sobre essas nomenclaturas babacas?

Vc tá silenciando a irmã, anon???? Ah seu(sua) racistx safadx!!

Huashua anonimato é piada.

Mas já que vc é foda, me explica aí qual a diferença entre cachorro e cão...

@vbfri disse...

Taty,
Meu cabelo é loiro-quase-castanho e meu olho é azul.
Meu avô paterno (e, por conseguinte, o meu sobrenome) é libanês (mas nasceu aqui). Ele, que é, também, descendente de sírios, se casou com uma Guimarães. Minha avó paterna é bem loira com olhos azuis.
Minha mãe é descendente de alemães. Loira tb. Olhos azuis. Também.
Por escolha dos meus pais, não tenho meu sobrenome materno, alemão.
Sou menos descendente de alemães, então, do que a minha irmã, que possui ambos sobrenomes?
Sou menos descendente de árabes? De portugueses (Guimarães)?
Tenho o rosto largo da minha avó Guimarães (que também tem sangue Espanhol). As sobrancelhas grossas do meu avô, pai do meu pai. A cor exata dos meus olhos parece com a do meu avô alemão.
Meus cabelos são ondulados, parecidos com os do meu pai, a mistura da minha avó-Guimarães com meu avô libanês.
Em minhas veias corre sangue misturado.
Minha pele pode ser branca. Mas eu sou a mistura de, pelo menos, 4 nações (Síria, Líbano, Alemanha, Portugal e Espanha).
Eu nasci no Brasil. Sou brasileira. Sou descendente de imigrantes.
Pelo meu sobrenome, transito livremente pela comunidade árabe da minha cidade.
Eu sou a mistura de povos e nações. Se me chamarem de "árabe" (designação básica de praticamente todos os que vieram do oriente médio), será verdade? Pelo meu sobrenome, sim. Pela cor da minha pele, não.
Se me chamarem de "alemoa" (termo comum no sul do Brasil), será verdade? Pelos meus traços, sim.
Se me chamarem de portuguesa ou espanhola, também tenho esse sangue na minha árvore genealógica.
E se me chamarem de brasileira? Essa será a minha maior e verdadeira identidade.
Mas eu me orgulho de ter tanta mistura.
...
Mas, uma coisa é verdade... Nunca senti preconceito por causa do meu tom de pele. Não sei o que é ser negra.
...

Anônimo disse...

Nossa, sei bem como é isso.

Também passo por questionamentos assim. Minha mãe é negra, assim como meus avós maternos e tios e tias, mas meu pai é branco, e eu me considero parda (minha pele é clara) meu cabelo é crespo, olhos castanhos.

Já me identifiquei muito como negra, mas confesso que já fui muito repreendida por amigas negras que eu tenho, exatamente por me considerar negra. Desde então me identifico como parda.

Eu também nunca fui alvo de preconceito por causa da cor da minha pele, minha mãe sim. Ela conta que um dia ao passear comigo em um carrinho, quando eu era bebê falaram pra ela :- Nossa, que lindo o neném da sua patroa! Ao que ela respondeu, que não que eu era filha dela mesmo.

Amo o meu sorriso que sei que herdei da minha mãe, assim como os olhos, e os cabelos. E aqui em casa, quando sei que não vou ofender ninguém, me identifico como negra sim.

Anônimo disse...

Nós somos miscigenados e é isso que nos torna um povo tão único e especial, intrigante e maravilhoso.Tenho a utopia de que todos os ódios se dissolvam e finalmente possamos nos abraçar como verdadeiros irmãos e irmães de uma nação singular que é o BRASIL.O que falta para as pessoas hoje em dia é poesia e ter esperança de dias melhores em que possamos de novo ser a nação do bom humor, do riso fácil, da cordialidade. ASS anon da cerveja

Anônimo disse...

Acessem o forum "vnn Brasil", lá vcs encontrarão as respostas sobre antropologia e raça.

Carlos

Ingrid Bezerra disse...

A minha mãe é negra, o meu pai é branco (com mistura apenas de índios) e eu tenha a pele que costuma ficar MUITO branca quando passo muito tempo sem grande exposição solar. Mas quando eu pego sol eu fico igualzinho aquelas fotos da Lola em que ela está bronzeada. Os meus traços são mais puxados para os do meu pai. Mas meu cabelo e meus olhos são pretões e o cabelo não é liso. É igualzinho ao da Lola, só que gigante.

Eu sou vista de várias formas. Quando estou branquela as pessoas me identificam como branca, quando estou bronzeada as pessoas me identificam como parda (já fui chamada de encardida uma vez quando eu era pequena).

Tenho e tive muitos contatos com estrangeiros caucasianos sem nenhuma mistura. E na boa, quando eu olho para eles, me acho muito diferente deles. Eu não tenho aquele nariz tão pontudo, aquele rosto fino, aquele cabelo liso, aquela pele sensível que fica vermelha a toa. Então, de tanto me comparar com eles, eu não consigo me identificar como branca, e nem muitos brasileiros que se dizem brancos (mas são iguais a mim). Para mim os gringos é que são brancos. E só, e quem parece com eles. Na verdade é até difícil eu ver alguém como branco aqui no Brasil, ter até tem, mas sempre identifico como alguém misturado.

Os gringos tem muita curiosidade sobre como eu me identifico. Tá aí uma coisa que eu não sei responder ao certo, então eu sempre digo: Sou miscigenada <3 :* Pra mim está bom assim. Queria me identificar apenas como miscigenada e ponto.

Negra eu não posso ser. Ninguém nunca me identificou como tal, e eu também não vejo uma negra autêntica quando olho no espelho. E olha que eu sou 100% apaixonada pelo povo negro (Especialmente os meus amigos Africanos lindos <3). Sou muito mais próxima da cultura negra do que da branca no quesito música, crenças, adereços, decoração, coisas que eu acho bonitas. Mas sei que negra eu não sou.

Eu também não consigo identificar a Lolinha como negra. Acho que ela pode até ser parda, ou branca. Mas negra eu não consigo ver. Mas uma mulher negra a identificou como negra. Então nem foi ela própria que o fez. Talvez ela realmente esteja parecida com uma negra no dia, isso depende da ótica.

E eu não entendo também a revolta do pessoal porque ela ficou feliz em ser identificada como negra por uma negra. Quer saber, eu entendo essa felicidade que a Lola se referiu. Não é felicidade pela opressão que os negros sofrem mas talvez por ter sido identificada com um povo bonito, forte na luta, forte na história, entre outras qualidades. Eu também ficaria feliz.

A agressividade eu achei horrível. Cruz crédo. Se fosse comigo eu ficaria apavorada, de verdade. Desnecessário tanto ódio, tantas ameaças, tanta baixaria. Acho que um diálogo seria mais eficaz para uma entender o lado da outra de maneira civilizada e chegar a um consenso. Tá até parecendo que estão lidando com homens machistas tarados... eu heim...

Boa noite.

Beijos a todas as lindas <3

Anônimo disse...

Nossa, eu ri muito lendo esse texto. Um debate tão sério tá virando piada, é isso? Daqui a pouco vão dar o ultimato se baseando na tonalidade das pregas.Enfim, fiquem aí discutindo o sexo dos anjos e se desunindo cada vez mais, os racistas de plantão agradecem.

Anônimo disse...

Pronto como se diz aqui no NE "agora lascou", vamos criar uma tabela para classificar o quão negro a pessoa é. Movimentos importantes acabam por perder a credibilidade por causa dessas "picuinhas".

Zero disse...

p/ Lucy (que deve ser troll)

se não foi apagado tem um comentário meu aqui.

"e o zero é o que?"

verde.

Anônimo disse...

Viu só, eu acertei!

Eu sabia que tu era verde Zero. Agora confirma aí que você tem olhos cor de rosa pra ficar mais amor.

:)

Anônimo disse...

Acho que o problema foi que Lola se expressou mal no tweet. Ficou com um tom de "Ah, que legal, agora faço parte do clube das negras!", isso porque foi identificada como negra por uma que é de fato (e que teoricamente tem autoridade para falar do assunto). Então eu consigo entender a revolta das negras.

Imagine uma pessoa se fantasiando de indiana para ir a uma festa, só porque ela acha os trajes indianos legais. Não tá nem aí pra apropriação cultural e acha que não tem nada demais se trajar como se fizesse parte daquele grupo. É meio o que acontece quando Lola - que é branca, no meu entender - se sente feliz por ter sido "aprovada" como negra, ainda que nunca tenha pedido por essa "aprovação".

Claro, isso não justifica as ameaças e certas expressões usadas nas respostas. Mas a revolta da comunidade negra é bastante cabível sim.

Anônimo disse...

verde o q @zero?

verde escuro ou aquele verde que brilha no escuro q so o palmeiras tem?

Anônimo disse...

Nessa história, se a Lola tivesse ficado triste por ser identificada como negra, ela estaria errada. Ela ficou feliz - e também estava errada. Sinceramente, o único jeito de ela acertar nessa situação teria sido ficando calada. Percebo que, atualmente, essa vem sendo a única conduta possível se você quiser viver em paz. Mal sei como a Lola ainda consegue manter esse blog. Eu desisti de comentar até em grupos e páginas do faebook porque uma vírgula fora do lugar pode causar perseguição, exposição, desrespeito e perda de amizades.

lica disse...

Lola, penso que uma forma mais ou menos boa de saber se você é negra vem do seu próprio comentário: nunca sofri preconceito na pele.

Então pronto, suas dúvidas sobre identidade racial são pessoais e não políticas e relacionadas ao movimento negro.

Acho bem fácil de entender o porque de as pessoas negras terem ficado insatisfeitas com essa 'apropriação'. E você não costuma ser aberta à ouvir e absorver a opinião de outras pessoas, a mudar de opinião frente a novos argumentos. Mas é óbvio que os xingamentos e ameaças são absurdos. Realmente não posso entender como grupos oprimidos podem semear ainda mais ódio no mundo.

Anônimo disse...

Experimente falar o contrário pra ver se não dá na mesma. Belo dia fui eu, loura de olhos verdes dizer que não tinha "nenhuma gota de sangue negro" e fui sumariamente escrachada e acusada de racismo sob a desculpa de que todos vivemos dá África e termos sangue negro. Essas malucas cheias de ranço são uma praga se espalhando. Quero mais é distância porque é impossível estar certa
A nós brancas cabe apenas pedir perdão e ser acusadas.

Anabanana

Fê Cardoso disse...

Olha.... sou obrigada a admitir que foi um ótimo exemplo.
Hahahahahahhah

Anônimo disse...

Eu acho engraçado nestas discussões sobre identidade racial, pessoas com ascendência africana não se considerarem negras, huahuahauhauuahahhua.

"Ain, eu sou branca, mesmo tendo avó/avô negra/o"!

Fia, acorda, o fato de você não ser lida como negra (pois provavelmente, não parece), não quer dizer que você é branca.Você é latina, mestiça;

Não ser negro não te torna automaticamente branco.

É o caso da Lola: olha, Lola, eu sempre achei estranho, você que viveu nos EUA ter continuado a se ler como branca. No mínimo, você deveria ter voltado tendo a certeza de que branca você não era. Pois, nem de longe você é negra. Mas, você também não é branca (na minha leitura pessoal, de pessoa afrodescendente: negra de pele claríssima, mas com traços fortíssimos de negra!).

Tá na hora do povo brasileiro começar a levar a sério a questão da mestiçagem. São pouquíssimas pessoas nesse país que são brancas de verdade. E não ser branco não deveria ser um problema. Nem solução. Nem porra nenhuma. Não deveria fazer diferença...

Maria

Fê Cardoso disse...

Jura que vc acha que é considerado um deus por aqui?

Raven Deschain disse...

Maria obrigada por existir nessa caixa de comentários! *-*

Fê Cardoso disse...

Também fiquei DE CARA!

anon A. (radfem) disse...

Queria ver mais opiniões de feministas negras... A maioria dos comentários parece ser de pessoas que sabem nada ou muito pouco de opressão racial (e eu não vou sair dando discurso sobre isso, sou branca, no sentido de nunca ter sofrido opressão pela minha cor de pele, então isso seria roubar protagonismo).

O motivo principal do problema parece ser o "feliz". Mas daí chega um monte de gente falando "Era para ela ter dito que ficou chateada?!". Ou então que era para ter ficado calada. Sinceramente, existe meio termo, se o twitter tivesse sido "Uma negra me considerou negra, não sei se sou negra mesmo, talvez parda, mas gostei de me compararem com um grupo que admiro!", ou qualquer outra coisa mais neutra, duvido muito que teria dado o mesmo problema. Do jeito que ficou, parece mais "Eba! Ganhei mais uma label para a minha coleção!", vindo de alguém que não sofre opressão por realmente ter essa 'label'.

lola aronovich disse...

Ha ha, verdade! O cara dizer que é visto como um deus nessa caixa de comentários... Hilário! Fico imaginando como ele deve ser tratado no mundo real (eu não posso falar muito. Se bem que no mundo real sou tratada super bem, todo mundo é simpático e educado. Já na internet...).

anon A. (radfem) disse...

"E não ser branco não deveria ser um problema. Nem solução. Nem porra nenhuma. Não deveria fazer diferença"

O problema é que se não existe brancos, no sentido de uma raça vista como superior, não é possível analisar opressão racial. Não haveria nada a ser combatido, pois todos seriam vistos como iguais, mesmo existindo preconceito racial e desigualdade na prática. Isso torna impossível analisar o racismo estrutural. Não importa se nos EUA brasileiro é POC, aqui brasileiros de pele clara tem 100% de privilégio branco! Você se identificar como negro não faz teu privilégio sumir.

A mesmíssima questão acontece em relação a todo e qualquer homem poder se identificar como mulher. Se as pessoas privilegiadas podem se identificar com o oprimido e assim se eximir de seus privilégios, então não existe opressão, nem privilégios. Não haveria nada para ser analisado ou combatido.

Zero disse...

ah, é tu Ingrid. kkkkkkk

essa dos olhos rosa.

agora me liguei.

você é "Lucy" também?

Fê Cardoso disse...

Essa questão de raça é bem complicada. Sou descendente de índios e espanhóis por parte de mãe e italianos por parte de pai mas tenho uma puta cara de árabe! Provavelmente é resultado de alguma invasão.... uma vez me disseram que se fosse pra alguns países europeus provavelmente sofreria preconceito por conta dessa semelhança. Quando fui perguntada sobre minha cor ao responder um formulário, respondi "não sei, acho que caramelo".

Acho que entendo um pouco a revolta em relação ao comentário da Lola mas gente.... em nenhum momento ela se identificou como negra! Ela FOI identificada, e por uma mulher negra (por razões que considerei muito bestas, por sinal, mas enfim).... o quê ela deveria ter feito? Discutir? Bater o pé? Ela mesma disse pra palestrante depois que não se identifica como negra! A revolta se deve ao fato dela ter ficado Feliz? Ela deveria ter ficado revoltada? Não entendo...

Panthro disse...

Eu tenho uma bisavó negra, mas nasci cor de rosa. De que raça eu sou?

A verdade é que a idéia de raça é errada por si só. Ela foi uma construção social e muito da tosca. Tanto que as pessoas vêem diferenças entre suecos e italianos e não vêem diferença entre "negros". Acho que é parte daquele lance de considerar a África, o segundo maior continente do mundo, como um país homogêneo.

Mas embora raça seja um idéia tosca, o racismo tá aí, firme e forte, porque as pessoas conseguem ser ainda mais toscas. E enquanto nos EUA o racismo está ligado à origem (Nos EUA, Mariah Carey é uma cantora NEGRA), no Brasil ele é ainda mais ridículo: Vai pela aparência mesmo. Quanto mais traços associados à negritude, mais discriminado vai ser.

Aí chega ao absurdo de irmãos serem tratados diferentemente, porque um nasceu mais claro que o outro. Qual é a lógica que um racista usa pra explicar uma coisa dessas? Não usa, são racistas, não têm lógica.

Fora que o negócio pode ser ainda mais complexo: Tenho uma amiga que é umbandista e é discriminada por isso. Afinal, a umbanda e o candomblé mal têm o status de religião no Brasil, a agressividade contra os praticantes é absurda, não existe nenhum respeito pelo sagrado que se tem com outras religiões não cristãs, como o budismo. Obviamente a origem disso é racismo.

Mas como chama quando um cristão negro discrimina essa minha amiga branca por ter uma religião de negros?

Enfim, acho que a coisa toda é complicada. Existe uma cultura negra que mal e mal sobreviveu no Brasil apesar de todos os esforços pra se extingui-la, existe a questão da aparência e existe a questão da origem. E na prática é tudo isso misturado. Então é como se você pudesse acumular mais e mais tons de negro. Ou se alisando o cabelo ou fazendo uma cirurgia pra afinar o nariz estivesse mais próximo da branquitude.

É um mundo de gente doida mesmo.

Mas se alguém dissesse que eu sou negro, eu ia mencionar que provavelmente o traço veio da minha bisavó. Não vejo porque teria vergonha. Era minha bisavó.

Zero disse...

não quero dar uma de se achar muito, mas quem disse que se acha um deus?

não é ninguém se passando por mim né?

foi deletado o comentario?

Nyu-chan disse...

Maria, senti uma carapuça me servindo aqui. Essa é uma questão que eu pouco questionei de "eu sou branca apesar de ascendentes negros e índios" porque as pessoas sempre me consideraram branca, e por isso sempre pensei por esse lado: a minha aparência fala mais que minha descendência.

E o fato que o Brasil é mestiço, mas parece que fingimos que não somos. É uma coisa que eu gostaria de debater, de conversar e tirar duvidas, uma vez que essa abordagem (de sermos mestiços) nunca está nos debates, afinal somos considerados negros, brancos, índios ou orientais.

Agradeço por ter aberto esse pensamento.

Sabrina disse...

Eu sou descendente de negros, de alemãs, italianos, portugueses, sou misturada sim, mas não tem como eu falar que sou negra porque minha pele é branca, tá parecendo que é crime falar que é branco.
E eu tb pouco me lixo por ser descendente de italiano, alemãs, portugueses.
Essa história de apropriação cultural é ridícula, vi um grupo de feministas negras no facebook dizendo que mulheres brancas n podem usar turbante, oi??????
Quer dizer, foram elas que inventaram os turbantes para dizer quem pode usar? E como é que fica os árabes e indianos que também usam??
Eu queria usar uma roupa indiana, é linda, tenho bijuteria inspiradas no estilo indiano, qual é o problema, pelo amor de Deus??????
Tá tudo misturado aqui e se for por esse lado, nem comer direito vão poder, o que não falta é alimentos, pratos diferentes, vindo de várias partes do mundo.
Daqui a pouco, vão expulsar brancos do samba, um ritmo africano, porque branquelos estão se metendo?? Olha a baboseira, puta merda.
Quem quiser se apropriar da cultura africana, italiana, alemã ou portuguesa, fiquem a vontade, to me lixando.

Sabrina disse...

E se todo mundo for se declarar miscigenado, as cotas para negros já eram.

Ingrid Bezerra disse...

Zero, eu não sou a Lucy.

Eu comento assinando sempre, e sempre com o meu nome real que é Ingrid Bezerra.

Fê Cardoso disse...

Tá lá pra cima Zero.... Não se passou por você. O cara deve ter uma vida bem triste pq apesar de ser um privilegiado (como ele diz) precisa vir aqui pra se sentir considerado um deus.

Vitória disse...

Acho que o problema é que exatamente esse, rótulos, separação racial, a família do meu pai é de negros com portugueses índios e muita coisa, predominou o negro, enfim, a da minha mãe é indio, polaco, e algumas outras descendências e nao tem negros, ja ouvi que sou morena, mulata, india e mimimis, me auto rotulo como marrom, que é a minha cor queimada, nos lugares que nao tomo sol """""sou branca""""" ( as partes que nao tomo sol são brancas) enfim, quando não tomo sol sou marrom bem claro, bege, meus olhos são puxados como índios, e meu cabelo é cacheado quase crespo, (a família da minha mãe TODINHA tem cabelo liso, e a do meu pai, tem de tudo) enfim, nao me rotulo por raça porque afinal, brasil nao tem uma raca determinada, somos todos misturados e mimimis, entao me considero de cor marrom, com descendência africana a alemã, mas nao parda, nem negra e muito menos branca, fim .

Anônimo disse...

Lucy

meu king @zero,é vc que teve duas namoradas na vida?
e se sim faz tempo q vc terminou com a ultima?

nao sou troll

Anônimo disse...

Desnecessária tamanha agressividade. Não acho que a Lola tenha errado. Vejo, sim, um exagero e uma reação agressiva desproporcional da parte dessas mulheres.

Raven Deschain disse...

Sabrina, apropriação cultural existe (lamento informar) e sim, turbante é cultura de gente de cor. Ou por acaso árabes e indianos são brancos pra vc?

Apropriação não só existe como tá firme e forte. Culto aos cachos (com modelos brancas), rap e funk (cantores brancos), vestimentas (o próprio turbante).

Vc mesma tá se dizendo branca, fia. Que merda poderia saber sobre apropriação?

Anônimo disse...

Acho q deveriam denominar uma nova raca chamada brasileira, a q nao é negra, nem indigena, nem branca, nem chinesa, nem japonesa, mas q é tb tudo isso junto. Ou seja, no Brasil fica meio dificil de definir raça. No maximo conseguimos definir cor de pele.
E gente, cabelo crespo ou ondulado nao quer dizer necessariamente q a pessoa tem ascendencia nebra. Existem brancos puros, europeus, com cabelos cacheados

Fê Cardoso disse...

Pra mim dizer que somos da raça brasileira é o mesmo que dizer "não sou feminista, sou humanista". Meh... :/

Aurora disse...

Lola, faz uns dois anos que venho acompanhando seu blog e nunca comentei, mas resolvi fazer isso agora porque vi uma militante do movimento negro te ridicularizando e não concordei. Eu não sou esquerdista, mas sempre me considerei feminista por achar que mulher deve trabalhar, ter prazer no sexo, dirigir carro, estudar, etc etc. Mas também tem muita coisa no movimento que eu não concordo e que não tem necessidade de ficar falando nesse momento, mas mesmo assim acompanho diversos blogs, dentre eles o seu (que é o preferido rs) e páginas no facebook. E eu tenho lido em muitos blogs de feministas negras que elas tem muito mais a ensinar a feministas brancas porque elas aprenderam o feminismo na prática e não na academia, e que já trabalhavam antes das feministas brancas de classe média começarem a reivindicar isso, também que feministas brancas tem o pensamento próximo de homens brancos, e que são racistas também. Eu que tô meio de fora de tudo isso, sinto que há uma competição pra ver quem deve ter mais voz dentro do movimento e isso que aconteceu com você meio que confirmou o que eu tenho visto. Sabe, na maioria dos países, se você não tiver os quatro avós brancos, você é considerado não-branco e mesmo se for loirinho de olho azul pode sofrer preconceito igual a quem tem a pele escura. E pro seus avós serem considerados brancos, eles precisam ter os quatros avós brancos também. Já li por ai que neonazistas calculam a "porcentagem de sangue negro" de uma pessoa com base nisso. Nunca fui nos EUA, mas de acordo com as palavras de uma amiga que morou lá: uma gota de sangue negro já basta, e é isso que levam em conta, e não a cor da pele. Ela é da sua cor e se considera negra justamente por essa experiência que teve lá. Fica parecendo que membros dos movimentos negros estão excluindo afrodescendentes de pele clara, o que não é certo, porque se um trineto de escravo que é negro sofre com as consequências sociais da escravidão, um trineto de escravo que tenha a pele clara vai ser afetado por isso também, em escala menor, mas vai e isso deve ser levado em conta também. Eu mesma já conheci uns dois casos de pessoas de pele clara que tiveram um filho negro, fiquei curiosa quando vi isso pela segunda vez e comentei, e me disseram que ambos tinham um dos avós negros, e que o filho puxou algum deles. Alguns portugueses, espanhóis e italianos tem a pele muito morena também, mas continuam sendo da etnia branca. Enfim, eu não vejo nenhum problema em uma pessoa de pele clara que tem ancestrais negros se considerar como tal. Acho muito bacana resgatarem isso mesmo com todo preconceito existente, mas outras pessoas enxergam uma pessoa que faz isso como alguém que quer roubar o lugar dos outros. Lamentável resumirem a questão racial a uma coisa superficial. Sei que muitos não vão concordar com o que eu disse, e não expus minha opinião procurando aceitação e aprovação dos outros, até porque não preciso disso, só queria que refletissem e vissem um ponto de vista diferente.

Anônimo disse...

Lola, quando comecei a ler o seu blog, pela foto, juuurei que você era negra, mesmo com olhos azuis e com esse sobrenome europeu.A medida em que fui lendo o seu blog e soube que de negra vc só tem a aparência mesmo, fiquei um tanto frustrada e demorei a te enxergar com branca, pois pelo menos por foto, você se parece muito uma mulher negra.
Acho que em um país racista, em que todo mundo é levado a desejar ser branco(vide clareamento e alisamento de cabelos),uma pessoa branca ficar feliz por ter sido confundido com uma negra não deixa de ser algo louvável.
Sou uma mulher negra e sua postura não me ofendeu em nada.

Náy

Sabrina disse...

Raven

Tá serto, árabes, indianos e africanos são todos negros.
Pra elas, somente negros podem usar turbante, logo eles estariam excluídos.
Eu não disse que n existe apropriação cultural, quis dizer que reclamar por isso é ridículo, o mundo deveria ser todos, sem essa palhaçada de raças, "isso é minha da minha raça ninguém pode tocar", miscigenação não existe só aqui, é palhaçada demais reclamar de uma coisa dessas.
Cadê a explicação lógica para um branco não poder cantar rap e funk?
Qual seria a música de branco? Nem sei, então, um negro tb n poderia cantar? Fala sério.
Essa da modelo poderia ser racismo, mas n sei, só negras tem cabelo cacheado?
Por que diabos não posso usar turbante??????

Anônimo disse...

Náy

Tá de sacanagem né? A loucura tá grande, no máximo podem dizer que ela é parda, mas estar bronzeada n quer dizer nada, ela é branca mesmo.
Daqui a pouco, se dizer branca será racismo.

juliê. disse...

Não, moça, tenta entender. Ela ta dizendo que como mulheres não são machistas, só reproduzem o machismo, negros não são racistas apenas reproduzem.

E o pessoal foi agressivo pq ta cansado dessa situação. Eu tento sempre me manter calma, mas não cabe a mim (branca) e nem a vc (igualmente branca) questionar a resposta de pessoas negras. Pq elas tao cansadas e a gente não vive o que elas vivem pra dizer o que deve ou não ser feito

Raven Deschain disse...

Meldels do céu gente. Off topic, mas vcs viram oq tá rolando no Qatar, nas construções pra Copa de 2022? Um operário morre por dia! E ngm fala nada.

Anônimo disse...

"o problema tá no fato em que você não deveria ficar FELIZ em ser identificada como negra" "mas era pra eu ficar chateada??"
NÃO EXISTEM SÓ DUAS REAÇÕES!!! o certo seria se você não tivesse ficado nada, normal, enganos acontecem, ser negra não é uma ofensa mas também não é pra ficar felizinha pq te identificaram como negra, quero ver você ficar feliz quando a polícia te perseguir por ser negra

juliê. disse...

Moça, nao se trata de apoair, mas de falar pelo movimento!
é que nem o feminismo: sera que um homem entende plenamente o que é sair na rua e ter medo constante de ser estuprado? Sera que um branco entende plenamente o que é não ser representado na mídia?

Que falta de respeito! Tenha mais solidariedade pelo movimento, não pode Cair com essa arrogância toda!

Anônimo disse...

Como boa pessoa brasileira e com os olhos acostumados à miscigenação, sempre achei que o branco-típico seria o caucasiano mesmo, aquela brancura pressão baixa de quem não toma sol. Por essa razão, jamais me considerei branca. Meu cabelo é crespo e minha pele é morena, não o "moreno" que se usa quando alguém se refere a negros, mas morena mesmo, como se eu fosse moça da praia. Bronzeada o ano todo. E às vezes eu até tomo um solzinho porque esse meu tom de pele, se a pessoa se enfurna demais longe do glorioso Astro-Rei, acaba ficando em um tom amarelo-esverdeado. Meia hora depois, já estou com a cor renovada para o próximo ano.

Nos EUA eu sou lida como "latina", na Europa eu sou lida como "brasileira" porque brasileiro tem cara de brasileiro e eu sou brasileira a lot na aparência, no Japão geralmente sou lida como "brasileira" também e aqui eu sou "branca".

Eu posso não ler a mim mesma como "branca" só que isso nem de longe faz de mim negra, até por todo contexto social atrelado a essa condição na socidade que nos interessa, a nossa.

Embora bem tecnicamente eu seja afrodescendente (não só como a humanidade toda, como já disseram antes de mim, mas por linhagem dos avós em algum momento na genealogia familiar) não me atreveria a disputar cota com alguém, só pra citar um exemplo. Nunca sofri preconceito por ser lida como branca, nunca tive oportunidades diminuídas por ser branca. Por ser mulher, TALVEZ.

E também não me causaria espanto algum se o ativismo negro começasse a me questionar caso eu contestasse essa leitura branca, sobre a qual não tenho controle algum diga-se.

Faltou humildade, respeito e colocar-se no seu devido lugar diante do clamor de tantas pessoas, ativistas negras, mostrando que algo não estava certo ou era aceitável. Não é o opressor que define o que é ou não racismo, o que é ou não machismo, simples.

Ana disse...

Ô povinho para reclamar, é cada besteira pqp!
Agora quem não é negro, pode se declarar negro para ajudar a causa??? Se basta se declarar isso ou aquilo ignorando a cor da pele, estão putos por quê?
Vi outra besteira no facebosta, feminista reclamando do bonequinho que diz qual banheiro é de mulher e qual é de homem, tiraram sei lá de onde, que o nossa na verdade era um boneco com capa e não vestido, isso é uma puta opressão, sério, essa merda muda o quê, atrapalha em quê?
Acho que o mundo inteiro está praticamente misturado, exatamente como vai se impedir que um se aproprie de algo da cultura do outro? O que tem de absurdo nisso? Quanto mais misturado melhor. Eu adoro a cultura japonesa, então como eu estou longe de ser uma japonesa, não posso seguir a moda deles, aprender o idioma, comer comida japonesa, ouvir música japonesa, ver filme japonês?
Eu adoro, to nem aí, para mim isso é procurar motivo para reclamar.

Anônimo disse...

"NÃO EXISTEM SÓ DUAS REAÇÕES!!! o certo seria se você não tivesse ficado nada, normal, enganos acontecem, ser negra não é uma ofensa mas também não é pra ficar felizinha pq te identificaram como negra, quero ver você ficar feliz quando a polícia te perseguir por ser negra"

Quer ser negra na internet mas não quer:

- ganhar menos que mulheres brancas
- comprar uma mísera calcinha com uns 3 seguranças de olho em você
- ser fetichizada como "mulata tipo exportação"
- ser barrada em shopping center com seu filho não-negro, porque babá tem que estar uniformizada
- não conseguir pegar táxi depois de certo horário
- ser aleatoriamente escolhida para averiguações policiais, todas as vezes
- ser chamada de preta fedida, de macaca
- novo xingamento da moda: cotista
- ter que provar duas vezes a capacidade de uma pessoa branca na mesma função

Assim é molezinha, quero também.

Anônimo disse...

"Nos EUA eu sou lida como "latina", na Europa eu sou lida como "brasileira" porque brasileiro tem cara de brasileiro"
Curioso. Meu marido e branco de cabelos bem lisos e qdo jovem ficou um ano em londres estudando. Ele spre me disse q os ingleses diziam q ele era marrom, o q eu achava estranho pois pro padrao brasileiro ele e branco. Pois bem, esse ano estivemos em londres de ferias. Em notting hill entrei em uma loja de casacos . O vendedor, típico branco ingles, perguntou se eu era brasileira. Disse q sim e perguntei como ele sabia, ele disse q foi pela cor, brasileiros são marrons. Detalhe: eu tb sou considerada branca no Brasil. Ou seja, nem mesmo os brancos brasileiros sao brancos

Anônimo disse...

kkkkkkkkkkkkk isso tá hilário, militante é tudo sem noção mesmo.
querem igualdade mas agora querem separar coisa de negro e coisa de branco. bela igualdade, vão querer viajar em ônibus separado por cor de novo?
quase todo mundo no Bostil é misturado mas alguém ficar feliz por ser comparado com negros é afronta.
quando convém, todo mundo vem da África, quando n, aí é branco se metendo em coisa de negro.

Ingrid Bezerra disse...

Eu penso muito nisso aí que a Raven disse sobre apropriação.

Por causa disso eu até penso bastante quando estou moldando algo na argila, porque acho que por mais que eu goste de cerâmica Marajoara ou de alguma etnia Africana eu não me sinto no direito de me apropriar destes traços e reproduzi-los na minha arte. Eu utilizo o meu próprio traço que é bem mais honesto no quesito de não estar me apropriando. E continuo gostando dos traços Africanos, mas ao invés de reproduzi-los, eu compro as peças Africanas feitas pelos próprios Africanos. Assim eu fico com a consciência tranquila e fico feliz em valorizar o que realmente foi feito pelo Africano.

Agora, é bem difícil aplicar isso em tudo. Porque por exemplo, eu não sou cigana, mas tenho vontade de produzir umas saias ciganas para mim. Eu ainda não tenho noção se ficarão muito parecidas com as originais (na primeira oportunidade eu comprarei as originais, sem intuito de copiá-las, só para obtê-las mesmo), mas isso eu farei. Saias ciganas, eu farei e usarei, mesmo eu não sendo cigana. E aí, será que estou me apropriando nisso também?!

É bem difícil separar essas coisas de apropriação tão perfeitamente. Em algumas coisas eu consigo, em outras é bem difícil.

Sem contar que eu quero também fazer uma bata Africana pra mim, mas só por causa do simples fato de elas não existirem no meu tamanho (eu sou uma pessoa minúscula).

Eu vejo a apropriação mais nitidamente quando são esses casos que a Raven citou. Porque até parece mesmo que brancos estão mesmo tomando posse de todo um estilo. E vejo após isso os negros mentores deste mesmo estilo não serem tão valorizados quanto os brancos inseridos no estilo negro.

Ingrid Bezerra disse...

Mas como então seria definida a Elke Maravilha, que usa cabelos artificialmente encrespado e adereços Africanos junto ao seu corpo?!

Seria ela uma apropriadora das coisas negras?!

Visto que ela é Russa, branca, e diz que o seu visual é inspirado na cultura Afro.

Alessandro disse...

Juro que acompanhei no twitter, li e reli o post, e não vi nada de racista no que a Lola escreveu.

Gostaria que explicassem bem mastigadinho ONDE que está o racismo. Sério, quero aprender. Talvez até para tomar mais cuidado no futuro, pois ler nas entrelinhas nunca foi o meu forte.

E por fim, a minha opinião é que violência desqualifica qualquer argumento. Se apelou para violência, não importa o que você diga ou escreva, deixarei de entender como um argumento vindo de alguém inteligente. Violência é o motivo de não termos evoluído mais como seres humanos.


Anônimo disse...

Pelo seu raciocinio teriamos de ter segregacao racial na cultura, pois haveria coisas de branco e coisas de negros. Entao um branco nao pode usar uma bata ou um turbante pq e roupa de negro? Entao uma negra nao pode usar calça jeans, porq e uma roupa criada pela cultura branca? Isso e ridiculo. Cultura e algo universal, nao tem dono. Querer separar culturas e proibir misturas é apartheid

Denise Marinho disse...

Poxa, Camila... Muito legal isso tudo que você falou. Não é pq uma pessoa nao sofra o preconceito x q nao possa se incomodar por quem sofre. Pq isso é ruim para todos, não é? Achei vc a evolução, sinto falta de nos vermos como sociedade, não somente como grupos distintos.

Anônimo disse...

Daqui a pouco vao querer processar a Elke por apropriacao indebita de cultura

Denise Marinho disse...

Mas se um homem entende (até onde é possível para ele), imagina como é difícil para a mulher viver essa situação o tempo todo, ele tratará as mulheres de outra maneira. Não é isso que queremos? Que mais pessoas tenham consciência e empatia pelo outro? de que adianta tentar esclarecer as pessoas se já se parte da premissa do "nunca será"? Contraditório e contraproducente. Pra mim, quanto mais pessoas tiverem sensibilidade de se colocar no lugar do coleguinha melhor, seja quem for!

Anônimo disse...

Dessa voz a Lola deu um tiro no próprio pé. Foi tentar massagear o ego do movimento afro com esse negócio de "Ooh, ser negra é o máximo!!! Atóron" a reação foi inversa, só serviu pra ser mais odiada.

Zero disse...

p/ Lucy

nunca tive namorada alguma e não sou de SP.

você me confundiu com alguém, sinto muito mas não sou eu não.

Anônimo disse...

Amanha vou jogar fora meus CDs de samba, pois essa cultura nao me pertence. Tb jogarei fora os CDs de fado, pois nao tenho ascedencia portuguesa e os de tango pois nao sou argentina . Nao farei mais acupuntura, por motivos obvios. Eu me livrarei ainda das gravatas do meu marido, pois esse acessorio foi criada pelos europeus. Jeans é coisa de americano, vai pro lixo tb. Pra me adequar acho q vou ter de viver igual a indio: pelada e numa oca. Assim estarei de acordo com minha cultura e nao me apropriarei da cultura de ninguem.

Denise Marinho disse...

TE AMU!
Estamos, meu marido e eu debatendo este post, e eu estava falando isso: ser misturado é o lance do brasil. Essa é base para qq discussao ou construção de pensamento.

As ofensas que fizeram a Lola estão doendo em mim. Como um oprimido pode oprimir tanto? Será q tanto sofrimento q a gente passa não poderia ter gerado uma maneira mais inteligente de acessar as pessoas?

Meu marido é branco e loiro. Se for pensar por essa lógica de branco vs preto sem cinza no meio, ok. Mas a família toda dele é nordestina, então, já não poderia ser tão bom, pq ser nordestino é ruim. Mas tem holandês na família, então é bom. E onde fica a pessoa e a história dele nisso? E o fato de viver em sao paulo? Mas e o fato de ter nascido num lugar onde a casas bahia nao entrega? Não dá para definir. Tem que somar e entender.

Não acredito que dê para definir as coisas tão nitidamente no brasil. E acho isso o máximo. Brigar pra ver quem é mais negro? Qual a relevância disso para se construir um futuro num país onde a definição de etnia é tão vaga? Será que é por esse caminho que devemos ir?

Meu caso já é mais intrincado: sou de família italiana. Mãe italiana, pai brasileiro, negro, pernambucano. Nunca tive contato com a familia dele, só com a dela. Quando criança eu aprendi a fazer macarrão e molho, só vim conhecer acarajé depois de adulta. Estampa colorida, turbante? NEM MUÓRTA. Mas também tive a influência nordestina do meu amado pai e adoro isso! A pimenta, o sotaque, as pessoas... Não sei que cultura negra é essa que as pessoas dizem que eu não tenho, mas definitivamente isso não me faz menos negra. Então enho q desprezar toda a minha historia de vida? Pq tenho q escolher só um lado? Passei por todo tipo de preconceito e comentários cretinos, vindos de todas as partes. Curiosamente, depois que minha auto afirmação negra se consolidou, o tratamento em relação a mim mudou também.
Balotelli feelings? COM CERTEZA!

Entendo que a Lola tenha essa coisa indefinida dentro de si, por isso a alegria em ser identificada como negra. Pq ela tem essa questão. Minha mamma tem, ela se diz parda, pq a mãe era negra, neta de escravos, mas você olha e diz que é branca-italiana-louca.
Olhando para a história da Lola, só posso dizer uma coisa: é brasileira! Hahahaha! Ótimo! Isso diz q ela tem uma origem familiar muito diversa que não se apresenta em totalidade na sua aparência. Bora conhecer a pessoa, agora?

Onde moro tem muito nigeriano. Eles e elas são LINDOS. Meu deus. Quanto estilo, quanta autoestima. Eles andam com o peito aberto e a cabeça alta. O negro brasileiro tem uma expressão corporal bem diferente.

E o que dizer da cosulesa da frança no brasil? Vão chamá-la de branca enrustida também?

Tenho profunda antipatia pela militância negra brasileira, pq o que vi até agora é muito maniqueísta e despreza a nossa história como país e como indivíduos. A cor da pele ou a textura do cabelo não dizem tudo sobre uma pessoa.

Anônimo disse...

Denise Marinho disse tudo e mais um pouco.

MrDissidiaFan disse...

Anon das 13:33

"Mongoloide" não é só um termo ableísta, como é um termo racista também.

Rayane Maurell disse...

Você é BRANCA!!! lide com isso, e esse texto é uma vergonha, você ofende todas nós negras.

MrDissidiaFan disse...

Aliás, ao anon que disse "rindo como um retardado", você também é ableísta.

Não se combate um preconceito com outro, especialmente porque bullying ableísta existe e eu e muit@s outr@s pessoas já sofreram, aliás.

Eu sou autista e me ofendo seriamente com esse termo "retardado". Racismo/ableísmo/homofobia/machismo/etc são tudo a mesma merda.

Denise Marinho disse...

Mas Raven, será q essa apropriação é ruim ou é fruto da globalização, simplesmente pq rap é muito legal e turbante é bonito?

O lance dos cachos acho uó, pq é sim uma característica predominantemente negra que (por ser brasil), tem mta gente branca (mais clarinha, vai), com cabelo cacheado. Eu penso q se tiver algo q negros e brancos façam, oq vai para a televisão é o branco. O rap só ganhou legitimidade depois dos beastie boys. Isso me deixa bolada, pq só mto tempi depois caras como Grandmaster
Flash foram reconhecidos. Mas isso faz muito tempo e tem muito branco fazendo rap bom.

Me ajuda a esclarecer isso, por favor. Tem muita coisa que eu não entendo!

Denise Marinho disse...

Tb não achei. Eu entendi que ela ficou feliz pois alguém a definiu de alguma coisa, já que ela tem essa questão interna de "branca escura"( hahaha, adoro essa expressão).
O chato é q tem um monte de gente café com leite q é posts de lado, ja q nao é nem branca nem preta o suficiente.
Aí eu acho isso baixo astral, viu?

Denise Marinho disse...

Ofende não. :p

Anônimo disse...

Meninas, alguém pode me explicar o que são libfem? Eu realmente não conhecia essa denominação e tudo que eu vi achei meio confuso, qual a diferença para outros segmentos do feminismo, tipo radfem?

Anna disse...

um pouco de poesia nessa hora: "não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas." trecho de maos dadas, de carlos drumond de andrade

Anônimo disse...

Eu acho que não precisava ter ficado feliz nem chateada. Se quisesse falar sobre o ocorrido e até escrever um post sobre, poderia ter feito de outro jeito... Por exemplo: hoje participava de uma palestra e uma das palestrantes (negra) me identificou como negra. Nunca consegui auto-definir a minha cor/raça e por isso sempre me identifiquei como mais ou menos branca. Preciso escrever sobre isso...

Anna disse...

nossa, como tem de post ditando o que a Lola deveria sentir e escrever, ditando o que seria certo, o que seria errado e até afirmando que ela deveria ter ficado calada por que nao vivenciou a questao do modo correto! caracules! se a experiencia foi dela, so ela sabe o que sentiu e como escrever sobre isso, nao?

Anônimo disse...

Falam como se a polícia só ficassem atrás de negros, brancos também são parados , a real é q basta ser pobre pra se fuder. Sou branca e já entrei em várias lojas em q percebi q um funcionário me seguia, estão lá p verem se alguém rouba, menos paranóia.

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