quinta-feira, 25 de setembro de 2014

#SOMOS TODAS MULHERES DE QUEIMADAS: Relato de uma feminista que acompanhou o caso do estupro coletivo

Nem a Paraíba, nem o Brasil. Não esqueceremos

Hoje, dois anos e meio após um crime dos mais bárbaros, será julgado o principal acusado. 
Eu e todas as mulheres (feministas ou não) que conheço, e muitos homens, ficamos horrorizadas com o que aconteceu em Queimadas, cidade paraibana de pouco mais de 40 mil habitantes. Durante uma festa de aniversário, vários homens presentes vestiram máscaras, simularam um assalto, e estupraram cinco convidadas. Duas delas reconheceram os homens e foram assassinadas. 
Sete dos dez criminosos
Na época, escrevi um post sobre o caso, "Estupros como presente de aniversário", até hoje um dos mais lidos do blog. No dia seguinte, ainda arrasada com a crueldade, escrevi outro. Porque este caso é daqueles de perder fé na humanidade, ou pelo menos em metade da humanidade. Afinal, foi premeditado. Dez homens (sete adultos e três adolescentes) participaram dos crimes. DEZ HOMENS! Nenhum parou pra pensar que opa, estuprar não está certo. E não eram estranhas. Eram conhecidas, amigas!
Graças à pressão das feministas, nove dos dez criminosos já foram julgados e condenados, com penas que variam entre 26 e 44 anos de prisão para os adultos, e de até 3 anos para os adolescentes, que depois serão reavaliados. Hoje, no 1o Tribunal do Júri em João Pessoa, às 14h, é o julgamento do principal acusado, Eduardo Santos, que foi quem teve a ideia de "presentear" o irmão com estupros. 
O texto que publico abaixo, apesar de estar em primeira pessoa em alguns momentos, não foi escrito por uma só mulher, e sim por vários movimentos feministas da Paraíba. Essas ativistas não pararam de se mexer para alcançar justiça desde que o crime aconteceu, em fevereiro de 2012. Em homenagem à luta delas e às vítimas, e em nome de todxs nós que nos chocamos com a barbaridade, vamos divulgar a tag #SomosTodasETodosMulheresDeQueimadas.
Eis o texto dessas incansáveis guerreiras:

Sentar e escrever sobre o caso de Queimadas é uma tarefa no mínimo difícil para mim. Há dois anos, recém-formada do curso de Direito e ingressante nas fileiras do movimento feminista, me deparei com um crime de tamanha barbaridade que mesmo hoje custo a acreditar.
A casa da barbárie
Em 12 de fevereiro de 2012, na cidade de Queimadas no interior paraibano, dez homens premeditaram o estupro coletivo de cinco mulheres, culminando na morte de duas delas. Estes homens se organizaram com mais de uma semana de antecedência para planejar uma festa de aniversário onde simulariam um assalto e estuprariam as mulheres presentes. Este estupro foi organizado como um “presente” do principal mentor e dono da casa onde ocorreu o sinistro, Eduardo Pereira, a seu irmão Luciano Pereira.
Uma típica cena de terror. Durante a suposta festa, alguns dos presentes saem para comprar qualquer coisa; e retornam enquanto supostos assaltantes invadem usando máscaras de monstros. Foi só colocar o planejado em prática: havia sido comprado uma variedade de instrumentos para viabilizar a tortura: cordas, “enforca-gatos” etc.
As vítimas fatais: a professora Izabella
e a secretária Michelle
Ao retornarem e simularem o assalto, os criminosos -- criminosos sim porque todos eles já foram sentenciados, resta apenas o júri do mentor -– separam as vítimas dos demais “convidados”: os maridos de duas das vítimas e as mulheres dos envolvidos nos crimes. Ligam o som alto e a barbaridade acontece. Uma das vítimas se finge de morta/desmaiada e vê sua irmã ser violentada sucessivamente e depois ser raptada para ser assassinada a quilômetros dali. Duas das mulheres -– Izabella Pajuçara e Michelle Domingos -- reconhecem os agressores, e o mentor, o suposto autor, que vai a júri hoje, decide matá-las e assim o faz.
Luciano, o aniversariante, e seu
irmão Eduardo, o mentor de tudo
E como o objetivo deste texto não é trazer detalhes do caso (e podem acreditar que existem milhares de detalhes mais bárbaros do que estes poucos que mencionei), a questão é dizer que ouvir estas histórias minuciosamente, muitas vezes ouvir das próprias vítimas ou dos agressores, não foi a pior experiência que vivi em relação a este caso. O que nunca vou esquecer, e acredito que as companheiras do movimento feminista também não, é o rosto de pavor permanente das mães de Izabella e Michelle, bem como de seus familiares.
O corpo de uma das vítimas foi
deixado ao lado da igreja
O mais aterrorizante é que ainda haja em Queimadas manifestações de violência simbólica às vítimas e suas famílias. A primeira vez que ouvi falar do crime, soube dele como se as mulheres fossem prostitutas. Elas não eram. E nem cabe aqui dizer o óbvio de que tal informação é irrelevante. Prostitutas são mulheres, e portanto sujeitos de dignidade humana. Ponto.
Contudo, esses discursos justificadores da violência permanecem. As famílias das vítimas relatam que ainda ouvem que as “meninas” mereceram isso “porque eram metidas e não davam cabimento pra cara nenhum”. Então, vejamos. Nesse caso as mulheres merecem ser estupradas por serem prostitutas ou excessivamente castas!
Simona Talma, cantora do
Rio Grande do Norte
Nós, mulheres organizadas na Paraíba, desde que iniciamos nossa atuação no caso entendemos que assumir a luta das mulheres em Queimadas é gritar para os poderes públicos e para a sociedade brasileira que a cultura de estupro e a violência contra às mulheres é um problema de todas nós. Por isso, reivindicamos pela celeridade do julgamento do caso junto à Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) que investigava a aplicação da Lei Maria da Penha no Brasil em 2012. A intervenção da CPMI foi crucial para o apuramento rápido do caso.
Dessa forma, se comparado com outros casos, o caso de Queimadas já ruma para seu desfecho: seis dos dez homens se encontram sentenciados e os três adolescentes cumprem medidas sócio-educativas, restando apenas o júri do mentor Eduardo. A condenação desses homens pelos seus atos de violência e pelo machismo não apaga a dor nos nossos corpos e vidas, mas justiça é o mínimo que podemos exigir diante dessa monstruosidade.
Ana Alice Macedo, estuprada e
morta aos 16 anos, também em
Queimadas, PB
Infelizmente, nem todos os casos tem um desfecho “rápido”. No mesmo ano de 2012, na mesma cidade de Queimadas, houve o sequestro e estupro da adolescente e agricultura Ana Alice Macedo. O júri do acusado ainda não foi marcado. 
Se, nacionalmente, a mídia não deu publicidade ao caso, o papel dos movimentos feministas foi de mostrar ao mundo o nosso repúdio. Por isso, e tendo em vista que a auto-organização das mulheres é uma das poucas saídas para o enfrentamento da violência, estamos realizando uma campanha nacional nas redes sociais ao afirmarmos que somos todas e todos mulheres de queimadas. Além disso, hoje, dia do júri, realizaremos um ato de protesto e memória na capital da Paraíba, João Pessoa.
A juíza do caso
Um caso extremo como esse que nos deparamos é um exemplo nítido que ainda é preciso reivindicar do Estado o fortalecimento da rede de enfrentamento de violência: aumento no número de delegacias especializadas e casas abrigo, formação do Poder Judiciário para o tratamento adequado desses casos, o esforço em implementar uma educação não-sexista, assim como o cumprimento da punição de estupradores e assassinos de mulheres. 
Enquanto termino esse texto corrido, vejo na sala ao lado outras companheiras fazendo cartazes para o ato. Num deles leio: “o problema das mulheres sempre foi dos homens”. Digo mais: o problema das mulheres sempre será de toda a sociedade. A condenação dos estupradores e o desfecho deste filme do mais requintado horror nos deixa o ensinamento de que estupro coletivo jamais poderá se caracterizar como presente, já que as mulheres são sujeitos históricos e políticos, que desde a Revolução Francesa nunca mais cessaram de lutar de forma organizada. 
Enquanto existir violência contra as mulheres, construiremos enquanto militantes feministas a reivindicação de direitos entre mulheres e homens. Preencheremos as fileiras da luta social, popular e feminista de forma organizada, tendo como horizonte um mundo em que seja possível a verdadeira igualdade e a solidariedade entre os sexos, com a mesma força com que desejamos uma realidade livre de desigualdade entre classes, raças e etnias. 
Por fim, pedimos a solidariedade de todas e todos nesta emocionante campanha, que vem sendo realizada por intermédio das redes sociais. A nossa tarefa é, portanto, espalhar a hashtag #Somos Todas E Todos Mulheres De Queimadas [tudo junto] aos quatro cantos deste mundo. Deste modo jamais as mulheres de Queimadas terão as suas histórias e os seus gritos de resistência silenciados. 
Não esqueceremos: os estupradores não passarão!
Enquanto uma mulher for estuprada, seremos todas mulheres de Queimadas!

31 comentários:

B disse...

Na boa gente, desculpaí, mas quando o assunto é esse ato horrendo, sou a favor da redução da maioridade penal. Agora o cara estuprou as mulheres, participou deste ato horrendo e o "coitadinho" vai só cumprir medidas socioeducativas? putz

Anônimo disse...

"As famílias das vítimas relatam que ainda ouvem que as “meninas” mereceram isso “porque eram metidas e não davam cabimento pra cara nenhum”. "

Eu queria saber o que essa gente quer da vida. Se faz A não tá certo, se faz B também não. Sério, quer o quê?

E olha, se fosse comigo eu faria justiça com as próprias mãos. A coisa mais fácil é arranjar uma arma. Minha dignidade primeiro, a vida dozomi estuprador depois.

Belle disse...

A tristeza é tão profunda que a # além de política é algo pessoal e emocional também... Sinto-me como se eu própria tivesse sido violentada, violada, invadida... E a gente chora por saber que a luta ainda é tão longa e árdua e que ainda vai custar a vida de tantas... Quem será a próxima? Queria levar uma mensagem de otimismo mas não consegui...

Cheio de Luz disse...

Sou mulher ,e , me entristeço diante desta barbárie na Paraíba; saber que há homens capazes de articular e consumar um "estupro coletivo" seguido de homicídios,pela primeira vez me deparo com isso ;então me pergunto como nós mulheres podemos falar pelas vítimas,pois,se não mostramos nosso repúdio diante da violência à mulher, cada vez mais tendenciará a aumentar; entendo que numa roda de colegas ao expor o acontecido e promover um debate...reflexão; também é militar pela causa.Já que a mídia abafou; é hora de divulgarmos por todos canais de comunicação possível,também me sinto de Queimadas;boa iniciativa Lola!

Anônimo disse...

O triste disso tudo é saber q esses monstros logo serão libertados. No máximo ficarão uns 5 anos de fato na cadeia e poderão fazer novas vítimas.
A justiça no Brasil, mesmo qdo feita, deixa ainda o gosto amargo da injustiça.

Michele disse...

Lola, lembro-me deste triste e trágico episódio como se fosse ontem. Dá vontade de chorar lendo o post. Machismo mata, sem mais.
:(

normalidaderealidade disse...

Não tem nem o que dizer quanto a isso... São tantas, tantas, tantas mulheres, dói demais. De Queimadas, de Juarez, de Curitiba, São Paulo, interiores e rincões de todo o Brasil, de todo o mundo... Fica a revolta e fica a saudade.

Bruna Giorjiani disse...

Lola, ainda que eu seja militante feminista e sempre muito informada, não me lembro de ter ficado a par desse caso. Enquanto lia seu texto, arrepios percorreram meu corpo e uma dor atingiu meu peito de maneira que não posso realmente descrever.
É de uma monstruosidade este crime, de uma barbaridade. Pior é que, como mostra o próprio post, mesmo em um caso tão absurdo e violento, ainda criminalizam as vítimas. COMO PODEM FAZÊ-LO? COMO ESSE SISTEMA PATRIARCAL E MACHISTA PODE CEGAR A HUMANIDADE DAS PESSOAS DESSE MODO? quanta tristeza me inunda e, por outro lado, quanta força pra lutar contra isso. Somos todas as mulheres violentadas, discriminadas, inferiorizadas, estigmatizadas...

Gle disse...

Revolta! Nojo! CADEIA!!! É no mínimo isso que esses caras merecem.
Eu acho que perderia a cabeça se estivesse diante de uma situação dessas e provavelmente teria morrido, como as meninas. Aliás, se tivesse tentado defender as garotas e morrido, a "culpa" seria minha, né? Bem como a "culpa" foi delas ¬¬' Sociedadezinha de merda, viu!

#SomosTodasMulheresDeQueimadas

Anônimo disse...

Desde quando ocorreu este crime em 2012, sempre ao ler algo sobre isto fico extremamente revoltada. É aquele momento que vemos que a humanidade não tem jeito. Quanta maldade, horror, todos monstros!

Elaine Pinto disse...

Esse crime me deixou de cabelo em pé. Acho que nunca havia chorado tanto ao ler um noticiário. Porque eu fico pensando em como alguém se transforma numa pessoa (ou melhor, em dez pessoas!) que planeja algo tão asqueroso assim. A reação dos habitantes na cidade (que eu não tinha conhecimento) foi apenas a cereja podre que faltava. É de perder a fé na humanidade, para sempre.

Anônimo disse...

Diva

Pra mim estes ditos "homens" não passam de verme de esgoto, de LIXO da pior qualidade.
Se dependesse de mim estes canalhas seriam castrados e passariam o resto da vida condenados em uma cela do tipo solitária, e ainda seria muito pouco pelo que fizeram com estas mulheres e com as famílias delas!!

Fernanda disse...

Lembro que chorei, chorei de verdade ao ler esta noticia.n Eu fui vitima de abuso, é um atrocidade. A dor que estas mulheres sentirão é inigualável. Ainda vinda de uma pessoa conhecida,que se dizia amiga. Eu não consigo imaginar na dor, e da dor da família que ouve estas injustiças o tempo todo. Inclusive conheci o blog da Lola neste caso.
Doí só de lembrar.Mas tem que ser lembrado para lutarmos sempre para que nunca mais aconteça.

Jonas Klein disse...

"Não sei se comentário foi enviado se não foi, lá vai uma copia do texto"

E lendo sobre caos sede violência sexual, e que eu cada dia me convenço mais que a única forma de combate esse tipo de crime de modo eficiente e:

1 - dar as crianças (especialmente aos meninos) uma educação rígida no que se refere a ensina-los sobre as regras de conduta no que se refere ao comportamento sexual (ensina a ter respeito) e orienta-lós sobre as consequências da violência sexual para as vitimas e para eles, e ai quando isso não adianta, vai que esta nos próximos parágrafos.

2 - leis duras, ou seja prisão perpetua e castração com física de estupradores.

3 - preparação das mulheres para reagirem quando forem vitimas de tentativa de estupro ou qualquer outra forma de violência, pois respeito quando não adianta impor pela palavra o jeito impor pela violência mesmo (e triste mas e assim que as coisas funcionam), Krav mega assim como artes marciais são excelentes quando se trata de defesa pessoal.

4 a conscientização das vitimas, a denunciarem imediatamente caso sofram algum tentativa de estupro (se for consumado o ato ai nem se fala), pois eu mesmo já disse nesse blog que sem denuncia, ai não adianta nem ter pena de morte para estupradores, pois sem denuncia não a processo e sem não tem punição, o que incentiva a pratica do crime.

Isso tudo e importante que seja lembrado sempre, pois estupradores assim como com qualquer tipo de criminoso não adianta usa outra linguagem, pois a única linguagem que marginal intende e a do medo e da violência.

Anônimo disse...

Lola, quer ver uma mulher de verdade? Aqui está: http://www.ijreview.com/2014/09/181199-female-fighter-pilot-becomes-first-say-hey-isis-bombed-woman-nice-day/

Gil disse...

Com a vida maluca que levamos, infelizmente acabamos esquecendo alguns casos, inclusive um tão cruel como esse. Hj lendo sobre o assunto aqui no Blog, a indignação da época voltou com td, e a pergunta que não cala: como são capazes de tamanha crueldade? Até quando a nossa sociedade vai aceitar que homens se achem donos dos corpos da mulheres e parem que culpar as vítimas?

A nossa luta está longe do fim, ainda temos muito a fazer.

Mallagueta Pepper disse...

Como é mesmo aquele lance de que só é estuprada mulher que veste minissaia e vai pros becos escuros?

Pois é, né... Depois vem mascuzinho retardado falando que cultura do estupro não existe, mimimi, é tudo invenção de feminazi, nhenhenhe, uzomi tb sofre, blábláblá...

Anônimo disse...

Lola, desculpa a intromissao, mas queria saber em quem voce vai votar nessas eleiçoes. Bjs

Anônimo disse...

Lola, veja só o "brilhante" comentário postado no site do jornal Folha de São Paulo:
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"Os rapazes são o futuro imediato. As garotas, o futuro do futuro, são as futuras mães."
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Bene ontem às 06h55 na reportagem Alunos tem de estudar e nao encher a cara.

Verô! disse...

Eu devo dizer que na minha opinião as penas no Brasil são muito curtas, um crime como esse deveria resultar em prisão perpétua, inclusive para os menores que participaram. Vermes como esses caras são um risco constante para a sociedade como um todo, especialmente para as mulheres. Eu não acredito em recuperação para pessoas que chegam à um nível tão grande de crueldade.

Sara disse...

Por ter sido vitima de ameaças machistas, o meu feminismo se funda principalmente contra a violência doméstica e outros tipos de violência como estupros por exemplo, cometidos contra a mulher.
Carreguei cartazes na marcha das vadias, lembrando esse caso q tb me fez perder a fé na humanidade.
O problema é q só vejo a violência contra a mulher aumentar, e pior não ser punida.
Entre muitos outras críticas q tenho a esse governo q ai esta, a complacência com a injustiça em nome dos tais direitos humanos é o q mais me mortifica e me causa desesperança de uma melhora.
Desculpem se ofendo a sensibilidade dos leitores aqui, mas vermes imundos como esses lixos q arquitetaram e executaram esse crime nem pena morte mereciam, e sim serem linchados.
NUNCA vou concordar que quem é capaz de matar (QUE NÃO SEJA EM LEGÍTIMA DEFESA), e estuprar, tenha sua vida e dignidade humana preservada, enquanto suas vítimas estão em uma vala qualquer.
Estou farta até o último fio do meu cabelo, de ver assassinos de mulheres, não pagando por seus crimes, ou quando pagam é um tempo irrisório, e voltam pras suas vidas, se casam, tem filhos , envelhecem, enquanto isso só deixam o sentimento de absoluta injustiça e dor nas familias de suas vítimas.

@dddrocha disse...

Estou muito emocionada com o post, é como ver os noticiários de 2 anos atrás.
O mundo é muito ruim para as mulheres... me sinto violentada o tempo todo.
Que a pouca justiça seja feita.

Mirella disse...

** meu comentário pode ter efeito de gatilho, fica o aviso antes de continuar a leitura**

"castração com física de estupradores"

isso seria extremamente inútil. não se estupra por atração sexual incontrolável, se estupra por sentimento de posse, por demonstração de poder e por se achar que tem direito, que o corpo da mulher é um objeto à disposição.
fora que não se estupra somente com o corpo, com um pênis. a violação de um corpo não é feita, necessariamente, através de um outro corpo. um homem castrado poderia estuprar qualquer pessoa com um cabo de vassoura, com as mãos ou qualquer outro objeto à disposição.
o que precisa ser destruída é a cultura de estupro e as mulheres precisam ser empoderadas. quem estupra não é um monstro. são pessoas comuns, como vemos nesse caso de Queimadas e em milhares, milhares de outros. estes homens precisam ser educados, para que não se cometa o crime, e punidos, depois de cometê-lo - e mesmo assim, educados também.

**
sobre a reação ao ataque, a própria Lola já postou aqui que isso assusta sim o estuprador. por isso é necessário empoderar as mulheres para não aceitar abusos. precisamos aprender a reagir, a nos defender (inclusive umas às outras).

Luiza somente Luiza disse...

A fábrica de monstros precisa ser explodida.

Sara disse...

Como posso acreditar em justiça de um governo q apoia extremistas que mataram , sequestraram e torturaram essa mulher Samira Saleh al-Naimi

http://www.independent.co.uk/news/world/middle-east/isis-publicly-execute-leading-lawyer-and-human-rights-activist-in-iraq-9756197.html

Patty Kirsche disse...

O que é a misoginia, né? Dizer que as moças mereceram ser estupradas e mortas porque eram "metidas". Quer dizer, homens sentem raiva de mulheres que não querem se relacionar com eles. A gente não tem o direito de escolher no imaginário público. Não adianta, enquanto não mudar a cultura, coisas horríveis assim acontecerão.

Death disse...

As familias das vitimas tem mostrado reconhecimento ao movimento feminista pela mobilização, é algo significativo.

thais alves disse...

Esses homens são uns demônios, é tanta ruindade. Espero que apodreçam na cadeia.

Fernanda disse...

A sentença foi dada, e um alívio imenso ver que o mentor pegou mais de 108 anos, uma pessoa assim não pode conviver em sociedade. Quanto ao que a Mirella falou, realmente castração química não adianta, estupro é relação de poder, agora, educação, nessa sociedade pautada em hierarquias, em dominação, acho bem difícil. Precisamos sim é que as mulheres se mobilizem, andem juntas, peçam justiça. Parabéns a Marcha das mulheres que desde o começo acompanhou o caso.

Evelyn Perez disse...

Não precisa reduzir a maioridade penal, apenas em casos de crimes hediondos, o que é o caso. O problema é que o Brasil protege até nesses casos. Triste.

Jonas Klein disse...

Anônimo das 18:15,

"Lola, quer ver uma mulher de verdade? Aqui está: http://www.ijreview.com/2014/09/181199-female-fighter-pilot-becomes-first-say-hey-isis-bombed-woman-nice-day/" não entendi direito o que você quis dizer, você esta insinuando que as mulheres que não pilotam aviões de guerra não são mulheres de verdade não são mulheres de verdade??? ou coisa assim???

eu se tivesse uma filha ate gostaria de ver ela vira piloto de avião, mas de avios de civis, nada de anda atirando bomba nos outros e ainda ariscando a ser explodida por um míssil antiaéreo.