domingo, 13 de abril de 2014

SOMOS TODXS ADELIR, A LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

Ato no Rio de Janeiro na sexta, dia 11

Nani e eu no Direito da UFPR
Eu queria ter me envolvido no Somos Todxs Adelir, mas só deu pra me manifestar no Twitter. Infelizmente, a semana passada, como tantas outras, foi de correria intensa (passei mais de dois dias em Curitiba, e, mesmo que tudo tenha sido ótimo, a viagem de volta foi absurda -- doze horas desconectada do mundo em aeroportos e aviões). 
Ato em João Pessoa
Pedi pra uma especialista que eu adoro escrever um guest post, mas ela também estava ocupada demais, inclusive com o ativismo (além das mil e uma atividades de uma professora universitária).
Ato-denúncia no Ministério Público de Santa Catarina, em Florianópolis
Pelo pouco que acompanhei, o ato #SomosTodxsAdelir foi um sucesso estrondoso, com mobilização, protestos, vigílias em 22 cidades ao mesmo tempo (ou trinta, segundo outras fontes).  
Para quem está boiando -- e é até aceitável que esteja, pois violência obstétrica é um tema bastante novo --, o que aconteceu foi que em Torres, RS, no dia primeiro de abril, no meio da madrugada, Adelir Carmem Lemos de Góes, 29 anos, foi retirada de sua casa à força, por policiais armados, e levada para um hospital. 
Adelir e o marido deixam hospital com
o bebê
Lá, foi submetida, sem a presença de seu marido cigano (embora ter um acompanhante seja direito garantido pela lei federal 11.108/2005), contra sua vontade, a uma cesariana. A decisão judicial para este ato de violência foi para "proteger a vida do nascituro", o que mais uma vez abre o precedente perigoso de que o corpo de uma mulher não pertence a ela, e sim ao "bem comum", ao Estado, ao público.
Isso tudo num contexto de incrível desrespeito à autonomia das mulheres: em que não apenas temos uma das legislações mais arcaicas do planeta em relação ao direito ao aborto, como ainda somos ameaçadas com uma aberração do nível do Estatuto do Nascituro; em que somos recordistas mundiais em cesáreas, sendo que a Organização Mundial de Saúde recomenda que só 15% de todos os partos sejam através dessa intervenção cirúrgica; em que uma em cada quatro brasileiras já sofreu violência obstétrica.
Ato em João Pessoa
Adelir grávida, em foto no seu FB
Antes do dia 1/4, Adelir já havia passado por duas cesáreas, ambas contra a sua vontade. Para que não fosse forçada a mais uma, buscou a doula Stephany. Um dia antes, as duas estiveram num hospital para que Adelir fizesse exames, que constataram que ela e o feto estavam bem. 
Adelir assinou um termo de responsabilidade e foi para sua casa, mas não adiantou. Uma juíza, baseada na avaliação de apenas uma médica, emitiu o mandato para que Adelir (que já estava em trabalho de parto) fosse forçada a ser levada ao hospital sofrer uma cesariana
Ato no Largo de São Francisco, em SP
Uma violência sem tamanho! Ela não pôde escolher onde ou como faria seu próprio parto. Foi tratada como uma incubadora, nada mais que isso.
Ato em Recife
Ato em Porto Alegre
Além das vigílias no Brasil, houve também protestos em outros países. A notícia de que não respeitamos mulheres que optam pelo parto natural pega mal pacas pro Brasil.
Ato em Viena, Áustria
Toda essa mobilização fez com que a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a Secretaria de Políticas para as Mulheres, e o Ministério da Saúde lançassem nota se solidarizando com Adelir. 
Ato em Nova York
É o mínimo. Mas é muito pouco. Quais mudanças essa solidariedade do governo vai gerar nas políticas públicas dos direitos reprodutivos das mulheres? Haverá a alteração de rumo das ações de um governo que, mesmo presidido por uma mulher, não está fazendo um governo voltado para as mulheres?
Ato em Salvador
Parabéns às ativistas, que conseguiram se mobilizar com tanta rapidez e habilidade. Vocês mostraram que, se depender da nossa luta, o Brasil não continuará ostentando o vergonhoso título de campeão de cesáreas e de violência obstétrica.
Pessoas assistem ao documentário O Renascimento do Parto durante ato em SP

105 comentários:

Maria Valéria disse...

Lola,
Vou abreviar minha opinião aqui porque ja a emiti em outro post
1- segundo uma amiga GO, nao havia contra - indicação ABSOLUTA de parto normal para esta gestante, e a mesma poderia sim, ter procurado uma segunda opinião,
Os riscos alegados ( ruptura uterina e cabeça derradeira ) existiam, sim, mas eram aumentados , nao absolutos nem certeza que aconteceriam.Outro GO poderia ter assumido o parto natural, se assim o quisesse.( conforme minha amiga GO explicou )
2- a juíza e o promotor de justiça NAO SÃO MÉDICOS.Eles recebem um pedido constando " risco de vida pro bebe e pra gestante " , entao acho que ambos nao tiveram outra opção.poderiam ter consultado uma segunda opinião medica ou ter pedido uma junta medica ? podiam, desde que houvesse tempo para isso,Nao sei o que estava escrito no laudo da medica que motivou a juíza a mandar forçar a cesárea.Vai que estava escrito " ou opera em 2 horas ou morre " ...!?? Eu nao sei o que estava escrito,mas sei que se o juiz recebe um pedido desses vai atender.nenhum juiz vai querer ser acusado de receber um pedido e um laudo medico desses, nao atender e deixar a pessoa morrer.se o juiz nao e medico , o que ele vai fazer alem de confiar no laudo que recebeu ? Se tiver tempo,ok, pode pedir segunda opinião...e se nao tiver tempo?.
3 - esta claro que o modelo de ensino de GO deve mudar.eu aprendi exatamente isso que se falou pra essa mãe,quando estava na faculdade.se no resto do mundo se ensina de um jeito e no Brasil se ensina ou se faz de outro, caso de se pensar em mudar algumas coisas, ne ?
Abraço !!

Anônimo disse...

Lola, dizem por aí que vc é a rainha de todas as taras ideológicas. Isso é verdade ?

Anônimo disse...

Na boa, muitas vezes dá tiros no pé. Esse X que colocam botar no meio das palavras é motivo de piada. Ajuda e muito aqueles que acham que feministas não é para se levar a sério.

Anônimo disse...

Sawl

Sei que não tem a ver com este importante tema, mas, achei linda a história de coragem e garra dessa mulher tão admirável que sofreu tantos preconceitos na vida:

http://revistaglamour.globo.com/Na-Real/noticia/2014/04/turca-que-foi-de-um-casamento-forcado-ao-titulo-de-prefeita.html


Sawl - Always the rebel

lola aronovich disse...

Taras ideológicas? O que seria uma tara ideológica, ser um olavette? Assinar a Veja?
Não sou rainha de nada não. No feminismo não tem monarquia. A gente deixa isso pra Tradição, Família e Propriedade.


Colocar x numa palavra é motivo de piada entre reacinhas. Entre gente mais séria, entre estudiosos, é motivo de debate e pesquisa.

Luiza disse...

Lola, fiquei tão feliz de ver esse tema retratado aqui! Eu já passei por dois partos, já tive doula, já me informei muito e acho um absurdo essa situação brasileira de tantas cesáreas e desrespeito com a gestante. A sociedade nos impõe que temos que ser mães e o sistema nos impõe que deve ser através da cesárea. É muito triste mesmo, a mulher não tem o direito de escolher sobre o próprio corpo, não pode escolher o modo como vai receber seu filho! Isso afeta o modo como vemos nós mesmas, a confiança que temos em nós, a força que somos capazes de encontrar. A sociedade está com os valores muito trocados, perturbados... As prioridades estão todas invertidas e quem quer fazer diferente é considerado louco. Espero que, com muita luta, consigamos mudar esses dados e dar maior poder de escolha a quem vai parir.

Ana Carolina disse...

Sororidade mais linda de se ver é isso aí :)

Anônimo disse...

Mas Lola, por que não quer aceitar nossa homenagem ? Vc não vai fazer essa desfeita pra nós vai ?

Ah, eu não aguento, vou ter que falar (não era pra falar ainda).

Têm uma galera organizando uma homenagem (provavelmente vai ser na frente da UFC) para te entregar a coroa de Rainha de todas as taras ideológicas.

Vai ser um ato muito bonito e sincero e espontâneo. Coisa chique, organizada mesmo.


PS: Por favor, não publique essa msg, ok ?

LOVE GÓTIC disse...

Não vi violência. Ninguém aqui teve acesso ao pré natal da gestante em questão. Quantas aqui fizeram o pré natal e foi dito: faz cesária ou vai presa? Faz normal ou vai presa? Tragêdia anunciada se evita não se testa. Relatei um caso e vou relatar novamente. Gestante grávida de gêmeos, cesariana foi indicada para o sétimo mês. Não acataram a ordem mêdica e no oitavo mês a gestante entrou em coma irreversivel, os bebês retirados por cesariana em estado grave ficaram um mês internados. Hoje o pai, o vagabundo que falou que não era para fazer cesariana hoje nem olha na cara dos filhos. E os pais da mulher tão processando o médico dizendo que ele deveria ter obrigado ela a tirar os meninos no sétimo mês. Isso aconteceu num hopital do interior do Maranhão. Qual é a culpa do médico? Tentou salvar mãe e filhos. O benefício era mútuo. Se fosse só para salvar os meninos ele nem teria dito os ricos deixaria ela ir até entrar em coma. Mas foi dito RISCO DE MORTE MATERNA. SENDO MINHA FILHA EU ENTRARIA NA JUSTIÇA PARA CESARIANA OBRIGATÓRIA. Ê muito fácil opinar sobre vidas se as suas não estão em risco.

@dddrocha disse...

Gente, não tenho certeza, mas li em algum lugar que a juíza era 'brodi' da médica/médico (não sei ao certo).
Daí a razão pra rapidez da decisão judicial, porque isso jamais seria levado a um juiz com tamanha eficiência.

LOVE GÓTIC disse...

Agora que todos se salvaram estão contra a cesariana. E se a gestante tivesse falecido? Iriam estar a favor de quê? E se o bebê tive falecido o que diriam? As vezes planeja-se parto normal durante 9 meses e na hora do parto as coisas mudam. Minha irmã ficou foi 72 horas num trabalho de parto dificilimo. E insistiam em parto normal. É justo? Ninguém é igual a nínguém. Não é só a mãe que sofre durante o parto. Já esturam a biologia dum parto? O útero se contrai empurrando o bebê por um canal estreito. Nunca ouviram dizer que a criança as vezes entra em sofrimento?

Carlos Eduardo disse...

"Colocar x numa palavra é motivo de piada entre reacinhas. Entre gente mais séria, entre estudiosos, é motivo de debate e pesquisa."
.

Como assim ? Vc está insinuando que reaças não podem ser sérios, nem estudiosos ?

Preconceito!!!! Isso é reaçofobia!!Vamos combater todos os preconceitos!

Anônimo disse...

Cara, sobre violência obstétrica. Assim como várias pessoas, não engoli nesse caso. Achei feio o pessoal que a atendeu dizem que foi tudo pra salvar o bebê e a mãe que se exploda. Mas onde já se viu uma pessoa expor a vida dela e do bebê desse jeito!?
Para mim essa moça é uma legítima analfabeta funcional, totalmente incapaz de entender a palavra RISCO. Não acho um bom exemplo para um caso de violência obstétrica pois é muito fácil ver o erro dessa moça inconsequente.
E acho muito fácil pessoas virem da internet e dizer: 'ah, mas nao era risco, nao tinha isso no exame'. Alguem fora os envolvidos na situação viram os exames? não.
Péssimo exemplo de mártir para um caso sério de violência contra a mulher.

Bruno disse...

Os exames comprovaram que se estava diante de um caso de parto pélvico, apresentando sérios risco para o bebê.
A paciente teve a segunda opinião que pediu, mas como esta foi dada por um médico do mesmo hospital ela não quis acreditar e quis voltar pra casa.
(Imagina a situação, você está numa emergência, com risco de vida e pede uma segunda opinião! Não contente com isso, põe em dúvida a honestidade do segundo médico que teria agido não como manda a profissão mas sim por coleguismo!)

Bom, como o hospital não podia manter internada a paciente contra a sua vontade, permitiu que ela saísse assinando termo de responsabilidade. E fez o correto. A paciente pode sim dispor do jeito que quiser do seu corpo, pode se atirar na frente de um ônibus se quiser, mas não pode dispor da vida da criança que carrega no útero.

O Ministério Público foi chamado pois uma de suas funções é zelar pelo interesse de incapazes, neste caso, o nascituro. O MP não poderia permitir que a negligência da mãe pudesse por em risco a vida em potencial do nascituro apenas para satisfazer um capricho de ter o parto por ela idealizado. Agiu corretamente o magistrado ao deferir a medida. Aliás @dddrocha, antes de sair insinuando levianamente qualquer interesse escuso do juiz, saiba que existem magistrados de plantão para pedidos emergenciais como este e tem sim muitos juízes que trabalham duro e corretamente.

Eu sei que para muitas mulheres o parto é idealizado, é um momento mágico e tal. Mas as pessoas precisam entender que muitas complicações médicas podem surgir, é um momento muito delicado e com muitos riscos. Essa coisa de "fez a cesárea contra a vontade, eu queria de outro jeito" não tem cabimento. Quando o mais indicado for a cesárea, então faça-se a cesárea e ponto. É uma questão técnica, não há que se falar em escolha. Quem sofre um TC não escolhe ser submetido a uma neurocirurgia. É evidente que ninguém queira passar por isso, assim como nenhuma mulher deseja que haja complicações em seu parto, mas são coisas que acontecem. Na vida nem tudo acontece como queremos.

Amanda Lima disse...

@love gótic mãe e bebê não estavam em risco, e não somos nós que estamos dizendo, são os exames feitos no dia em que ela entrou em trabalho de parto. A médica mentiu que ela estava de 42 semanas, quando está claro no laudo que ela estava de 40 semanas. O perfil biofisico do feto foi 8/8, ou seja, perfeito.
O que aconteceu é que a médica ficou brabinha por que uma mulher 'ousou' contraria-la com argumentos cientificos contra a cesárea desnecessária e pasmem, ligou pro marido que é advogado, que entrou em contato com a juiza, tambem amiga do casal. Como juiz nenhum faz nada de oficio, enviaram a denuncia pro MP que, sem base teorica nenhuma sobre parto e, se achando o salvador do nascituro, foi lá e enviou o pedido pra juíza, que emitiu a ordem.
Sou advogada aqui do RS e trabalho com direito de familia, criança e adolescente e lei maria da penha. Tu sabe quando se consegue uma liminar em menos de 12 horas? NUNCA! Tive um caso que o pai levou os filhos no dia de visita, não trouxe de volta no dia combinado e ficava ligando pra mãe dizendo que tinha matado um dos filhos e mataria o outro, e depois mataria ela (que ja havia sofrido violencia e estava 'protegida' por uma medida protetiva). Sabe quanto tempo demorou pro juiz emitir um mandado para que os oficiais pudessem ir na casa dele buscar as crianças? QUINZE HORAS! Sim, e isso com um time de advogadxs na porta do gabinete dele pedindo por favor para que ele olhasse pra aquele caso que era de vida ou morte.
Ou seja, o que aconteceu nesse caso:
*um preconceito sem tamanho pela familia ser cigana, ou seja, incapaz de decidir (na visão da médica)
* a raivinha da médica por ver uma mulher que havia estudado sobre a gravidez e sabia o que estava acontecendo com o corpo dela e não ia permitir uma cesárea desnecessária;
*O corporativismo (por falta de palavra melhor) da juiza, do advogado marido da médica e do promotor, que fizeram tudo andar muito rápida
*após emitida a ordem, a utilização de DEZ POLICIAIS pra arrancar uma mulher de casa, ameaçando o marido desta e recusando leva-la pra outro hospital, por que ela sabia o que iria ocorrer naquele
*por fim, o desrespeito a uma lei federal sob a alegação que o pai não estava preparado para entrar, quando na verdade a médica não queria testemunhas de que não havia meconio no bebe e ele estava perfeitamente bem (como mostram os niveis dele ao nascer);

Amanda Lima disse...

ah, e esse caso dos gêmeos está extremamente mal contado. Mulheres não são bombas relogio prontas a explodir, e arrancar gemeos com sete meses do utero é praticamente uma sentença de morte para eles, pela prematuridade do sistema. Qual foi a causa do coma da mãe?

Raven~ disse...

Love Gotic, desculpe, mas ser retirada de sua casa mediante ordem judicial, escoltada por policiais, por não fazer algo que absolutamente não é crime, é... Ahn... Violência. Okay. Deu certo. Todo mundo tá bem. Que bom. Mas invertendo auas perguntas, e se tivesse dado errado? E se ela ou o bebê tivessem morrido por intervenção cirúrgica desnecessária? E se houver mesmo esse laudo, conforme o que a Dra Maria Valeria informou afirmando que ela poderia sim, fazer tranquilamente um parto normal, então que raios? O que essa médica pensou?


Reaçofobia. Gostei. Huashua.

Sou reaçofóbica.


Lolaaa *-*. Vc com essa bata tão linda e eu não fui te ver. Vc acredita que esqueci? Cheguei em casa, fui dormir e acordei dez da noite pensando, meldels em que ano estamos? =( Azar meu.

@dddrocha disse...

Bruno, não insinuei.
Falei que li em algum lugar. Aprende a ler antes de insinuar.

Graciema disse...

Não ver violencia nisso é só...cegueira. Tipo, mulher é incubadora e médico é Deus. Só isso. Nada demais.

Repetindo: nascituro NÂO TEM DIREITOS. Tem expectativa de direitos.

Bruno, claro, faz todo o sentido: Essa coisa de "fez a cesárea contra a vontade, eu queria de outro jeito" não tem cabimento. Quando o mais indicado for a cesárea, então faça-se a cesárea e ponto. É uma questão técnica, não há que se falar em escolha. A gente tem 90% de cesárias nos hospitais particulares exclusivamente por questões técnicas, é claro. Ops...esqueci. Não se pode questionar deus, digo, o médico.

Julia disse...

Bom ver que repercutiu no mundo todo. Tomara que se converta em conscientização e mais respeito a mulheres mães.

E..
Estamos falando de violência obstétrica e como mulheres são desrespeitadas até na hora do parto e aparece um infeliz pra reclamar de x. Você sabe onde se pode colocar esse x né? Tua opinião aqui é mato. Rala.

Julia disse...

Impressionante como reaças, machistas e escrotos em geral se preocupam tanto com a credibilidade do feminismo. Até me emociona.

Pena que nenhuma feminista se preocupa com a opinião de vocês.

Leiam meus lábios: a opinião de vocês vale nada.

Ok?

Mas não deixam de ser uns fofos S2

Amanda Lima disse...

@bruno a Adelir postou o resultado dos exames e, primeiro, o bebê não estava pélvico e sim podálico. Bebês nascem nessa posição, mesmo que você ache que não. Como bem colocou a Maria Valéria, existiam sim riscos, mas não absolutos. O risco de ruptura uterina por ela ter cesáreas anteriores era de 1,5%, por exemplo.
Tanto estavam bem mãe e bebê que esse foi nascido mais de 12 horas depois da primeira consulta e nasceu absolutamente perfeito, com apgar 8 e 10. Quando sofrimento não?
Ah, e se estamos falando em hipoteses, suponhamos que ela tivesse morrido após a cesárea. Quem iria ser responsabilizado? A juiza, a medica, o MP? É facil de se falar quando as nove camadas cortadas e os cem pontos são dados no corpo de outro.


@dddrocha você está certo. Já foi confirmada a amizade entre os envolvidos (juiza, advogado marido da Go e MP). Inclusive, está tudo na denuncia a corregedoria do RS.

Maria Valéria disse...

O que me faz pensar que a atitude de acionar o MP e mandar escolta policial foi exagerada é um FATO: o bebê nasceu BEM, chorou, etcetc
Que raio de sofrimento do feto é esse em que o bebê nasce saudável e chorando ?
Eu nunca vi.
Se tivesse nascido roxo, sem chorar, com parada respiratória, apgar5/6 etcetctc eu ainda poderia concordar com a atitude, mas se nasceu bem, em minha opinião a atitude está no minimo equivocada...
Eu nao Sou GO e conversei com alguns que conheço,
Esse assunto divide opiniões entre os próprios GO ' s mas estou mais inclinada a concordar com a colega com quem conversei.

Anônimo disse...

Ótimo post, Lola!
Estive no ato dia 11 aqui na minha cidade. Só fiquei um pouco triste porque esperava que este caso pudesse unir mais o ativismo contra a violência obstétrica ao feminismo "stricto sensu"(e vice versa).
Fui na sexta-feira lutar pela autonomia plena da mulher sobre seu próprio corpo. Mas fiquei estarrecida ao ouvir de pessoas que "meu corpo minhas regras" só vale se a mulher levar em consideração também "o direito do bebê"(sic) (no caso, por exemplo, em que a mulher - depois de ter sido esclarecida e ter informações reais sobre riscos - prefira uma cesárea ao parto normal, sendo que o PN em relação a uma cesárea eletiva é sabidamente mais benéfico para o bebê).
Foi exatamente este argumento do "bem-estar do bebê" que foi usado pelas médicas e a juíza no caso da Adelir...
Lutar pela autonomia do corpo da mulher é lutar pelo direito de mulheres poderem fazer também escolhas diferente das que eu faria.

Enfim, mas este meu incômodo pode ter sido uma questão pontual, de algumas pessoas, não necessariamente o movimento como um todo. Mas que eu fiquei com a sensação de que o diálogo com o feminismo precisa ser mais intenso, isso eu fiquei!

Laura disse...

Gostei muito de saber que além da falta de ética e respeito da médica, também houve com a tal juíza.
Estou vendo muita bobeira escrita nesses comentários de quem leu só matéria e jornal. No perfil da Adelir tinha lá os exames, muitxs médicxs se pronunciaram contra (tecnicamente) essa médica que queria garantir seu dimdim da cesárea.
Uma médica chamada Melania Amorim explicou mto bem no perfil do Facebook dela o por que a médica do hospital foi muito anti ética em enganar a todos com essa história de que todo mundo ia morrer. E justamente essa alegação é que leva pessoas comentar (aqui inclusive) q a médica salvou a vida de alguém. Sem contar que esse alguém é o bebe, a mãe não tem direito nenhum sobre seu próprio corpo.
Agora além de fazerem aborto escondidas, as mulheres terão que fazer PARTO NORMAL NA SURDINA! Aff..

Rita de Cássia disse...

Toda gestante tem o direito a informações e optar sobre seu parto. O parto normal tem muitas vantagens.
Se não há risco para mãe e o bebê, a escolha do parto normal é seu direito.
Em 2008 foi divulgado pelo Ministério da Saúde índices de cesarianas no Brasil, sendo uns dos mais altos do mundo, o triplo do que a Organização da Saúde recomenda.

Joseph Diniz disse...

Tudo o que eu quero saber é: caso tivessem respeitado a decisão da mãe, dona de seu corpo, e ambos tivessem morrido devido a escolha da mãe, qual seria a reação?

A - Comemorariam a liberdade que foi dada a mãe sobre o seu corpo.

B - Processariam a equipe médica por omissão.

Apenas isso.

@dddrocha disse...

Valeu pelo esclarecimento, Amanda.

PS: sou "ela"

Maria Fernanda Lamim disse...

serio que tem gente aqui que acha que mandar policia pra escoltar mulher em trabalho de parto, nao leva-la ao hospital que ela queria e ainda por cima negar a mesma o direito (garantido por lei) de um acompanhante NAO e violencia? gente, bora exercitara empatia ai,ne? se fosse vc parindo, ce ia achar super de boa?

e outra, li mais de uma opiniao embasada, inclusive de medicos, que os riscos eram relativos. em que pesem esses riscos, a propria Adelir assinou um termo de responsabilidade ao sair do hospital, portanto nada justifica a medica ter acionado a Justica. Ou melhor, duas coisa justificam: arrogancia e preconceito.
estive no ato do Rio e espero sinceramente que medica e juiza sejam punidas. chega de violencia obstetrica!

Maria Fernanda Lamim disse...

ah, e reacofobia: amo/sou

Marina P disse...

@Raven, eu também não fui ver a Lola porque o trabalho não deixou... Achei que fosse conseguir ir na que era mais tarde, mas nem nessa deu. Talvez nas férias calhe de um dia eu estar numa cidade onde ela esteja.... kkkkkkk...

Marina P disse...

Eu nunca passei por um parto nem nunca engravidei mas estou naquela idade em que muuuuitas das minhas amigas estão tendo filhos. Quase todas têm plano de saúde e falam que é praticamente impossível achar um GO que faça parto normal. Minha colega de trabalho conseguiu achar um (só 1) que fazia parto normal pelo ´plano dela aqui em CTBA mas na hora do parto o GO não atendeu as ligações dela, a secretária disse que ele estava almoçando e todas as vezes em que o marido dela ligou pra ele ao longo do dia havia uma desculpa(ela chegou ao hospital lá pelas 11 e o bebê nasceu antes das 17 horas). Resultado: conseguiu que o bebe nascesse com parto normal e foi atendida por um GO que estava no plantão e que a criticou do início ao fim do parto por ela estar "dando trabalho"....

Alguém aqui teve facilidade de encontrar GO que faz parto normal em plano de saúde?

Maria Fernanda Lamim disse...

ah, outra coisa que pensei tb: mandam escolta policial na casa da mulher que quer parir, mas e na casa de medicos que fazem barbeiragens e arriscam a vida de mulheres e bebes, conseguem agir rapido assim? nao me refiro ao erro honesto, qq profissional pode errar. mas em casos de negligencia, nunca vi a policia ir na casa domedico no mesmo dia...

Luiza Bairros disse...

Que alívio ler o post da Lola. Achei que era só eu que viao absurdo que fizeram com a Adelir.

Até então não tinha visto nenhuma opinião igual a minha.
Tanto no jornal, quanto aos cartas do leitores ao jornal e até uma página de esquerda no face.. Todos estavam apoiando o que fizeram com Adelir.

Eu vejo o que ocorreu como machismo ( ainda que a médica e a juíza fossem mulheres) pois o corpo da mulher não é considerado dela, é de todos, do estado, dos homens, menos dela. Somos consideradas meras incubadoras de bebê, ninguém percebe que somos seres humanos que comos tais merecemos respeito.

A situação também demonstra o status dos médicos na so ciedade. Eles são deuses. Tem o direito de decidir pelas pessoas e todos concordam. A médica em questão simplesmente não aceitou ser contrariada. E o pior de tudo, todos aplaudem.

Maria Fernanda Lamim disse...

Marina P, no Rio tb e cadavez mais dificil encontrar um GO que faca parto normal pelo plano. estou gravida de 7'meses e dei muita sorte de ter tido a indicacao do meu...

Valéria Fernandes disse...

Luiza, vários textos expressaram apoio a Adelir. Mesmo sites feministas que, em outros momentos, não pareciam se importar com Adelir. Houve inclusive um texto muito lúcido no Correio Braziliense de uma aluna da UnB:http://apalinodia.wordpress.com/2014/04/11/o-parto-roubado/ Estou divulgando, por1ue é muito bom e por me sentir meio que orgulhosa, já que foi uma ex-aluna minha quem escreveu.

Eu também escrevi. O texto está no meu blog.

Mas, claro, faltava o texto da Lola pelo peso que ela tem na blogosfera feminista. Fico muito feliz em vê-lo publicado.

Raven~ disse...

Então Marina, a tapada aqui esqueceu... XD

E respondendo a sua pergunta, eu fiz pn mas foi pelo plano de saúde militar. Todos os go que me atenderam afirmaram que ali não fazem cesárea a não ser em caso de vida ou morte. Pelos gastos imagino. Mas nem precisei. Meu filho nasceu em 3 horas. ^^

Anônimo disse...

Moro em outro pais e estou gravida. Apesar da minha realidade ser bastante diferente da realidade da Adelir, esse caso dela mexeu bastante comigo. Me doi ver como o parto cesariano eh levado com tanta levianidade no Brasil. Me doi ver como os medicos GO no Brasil marcam cesarias do mesmo jeito que um dentista agenda uma obturacao no dente de uma pessoa com carie. Cesarias eh uma intervensao cirurgica! Os ricos de uma cesaria deixar sequelas pra mae e pro bebe sao cinco vezes maiores do que um parto normal. A recuperacao para a mulher que eh submetida a ela tambem eh mais longa. Isso e mais uma lista interminavel que nao acaba mais.

Fazer um parto normal contudo, eh bem mais cansativo para os medicos do que fazer uma cesaria. Em menos de meia hora um medico faz um parto cesaria; ja um parto normal pode durar 12/ 16 / 30 horas... as vezes mais que isso. A razao deles preferirem a cesaria nao sao os ricos para a mae, muito menos o stress do bebe - eh cansativo para o medico ter que ficar de olho na paciente durante todo esse tempo! Por isso eles preferem a cesaria e ajudam a criar e manter essa cultura da cesaria na sociedade...
Mas nao culpo soh os medicos... culpo o jeito que o proprio Sistema de Saude do Brasil conduz toda a gestacao de uma mulher. Nunca estive gravida no Brasil, mas moro no Reino Unido e a minha percepcao eh de que as coisas acontecem de maneira bem diferente por aqui.

Para comecar, o profissional que cuida do seu pre-natal ate a hora do parto nao eh um medico. Eh uma ‘midwife’, ou uma ‘enfermeira parteira’ (chame como quiser!). E nao, nao eh uma mulher sem conhecimento cientifico que eles tiraram la do meio da roca – midwifes tem curso universatario proprio pra profissao; elas fazem residencia medica em hospitais; elas conduzem no minimo quarenta partos normais supervisionadas por uma senior midwife antes de serem graduadas; elas tambem tem que fazer residencia nos pre-natais, e sabem pedir e examinar exames, e sabem acessar se esta tudo indo bem naquela gravidez ou se elas precisam encaminhar a gestante para algum tipo de specialista. Basicamente, elas sabem o que estao fazendo e sabem muito bem conduzir um parto normal com seguranca, e se sentirem o menor risco/ necessidade, serao as primeiras a pedirem uma opniao de um medico GO para juntos eles possam aconselhar a parturiente quais sao as melhores opcoes para ela e pro bebe.

Acho que esse sistema de ter um profissional que nao eh medico, mas que sabe conduzir um parto, eh muito mais efetivo para o sistema de saude como um todo. Pensa... eh melhor para os medicos pq acabarao lidando com os casos mais serios que talvez precise de algum tipo de intervencao; eh melhor para os hospitais que podem fazer uma melhor distribuicao dos medicos para as areas/ lugares em que eles sao mais necessarios; eh melhor para o governo e para os planos de saude que economizariam mais ja que partos naturais sao mais baratos que partos com intervensao cirugica; eh melhor para a mae e para o bebe ja que teriam menos chance de serem induzidos a uma cirurgia totalmente desnecessaria que poderia acarretar a riscos maiores para ambos.

Para mim me parece uma situacao que todo mundo sairia ganhando... mas deve ter $ algum $ motivo $ muito $ excroto $ para que $ isso $ nao $ aconteca $ no Brasil.... nao vejo outra explicacao!!!!

ps- Recomendo o documentario "The business of being born" -> https://www.youtube.com/watch?v=KvljyvU_ZGE que fala sobre como isso tb eh um problema serio nos estados unidos que tb enfretam indices altissimos de cesariana - logico que a gente ganha deles nesse aspecto tb, ne? :P mas da pra seter uma bela nocao daquilo que eh, e daquilo que poderia ser...

Love Gótic- disse...

Amanda você teve acesso aos exames? Com que objetivo uma equipe médica iria se expor em rede nacional forçando uma cesariana? Juiz não assina ordem judicial de olhos fechados. havia risco em potencial. muitas mulheres idealizam parto na água e na hora evolui para cesariana e aí? O médico vai insistir em fazer parto numa banheira só porque a mãe quer? A mulher é dona de si claro, mas havendo uma outra vida em jogo entra outras pessoas inclusive o judiciário.

Love Gótic- disse...

Não se consegue liminar em menos de 12 horas? E como é que obrigam o Estado a internar pacientes graves em UTI ou CTI? O paciente espera um mês? Quando crianças estão sendo espancadas por pais usuários de drogas o juiz determina a retirada dessas crianças para o mês seguinte? Para o ano que vem?

Love Gótic- disse...

Maria Valéria nem todo bebê que nasce chorando e com a pele corada é sinal de saúde. O que determina a saúde do bebê não é a aparecia nem a potencialidade do choro. Há casos em que bebes nascem chorando e com o teste do pezinho encontra-se anormalidades.Se fosse se basear nisso não recomendariam teste do pezinho para todos os bebês
independente da cor da pele ou da potencialidade do choro. Eu não chorei quando nasci e no entanto não apresento nenhuma anormalidade

Fernando disse...

O que eu acho lindo, e que deve ser uma das coisas que mais irritam as feministas, é que com os fatos da natureza não tem mimimi.

Você não pode dizer que o câncer de mama é uma "construção social machista" ou que o parto é "uma forma de opressão do patriarcado".

Se você é uma mulher e gerou um filho com crânio maior do que abertura óssea da sua bacia, lamento mas a Natureza, Deus, o Destino, o que for, apontou o dedo pra você e a condenou à morte no dia do seu parto.

Aliás, vocês sabiam que as suas tataravós entravam em trabalho de parto com a consciência de que aquele podia ser o último dia de suas vidas?

Maria Fernanda Lamim disse...

Love Gotic, meu pai trabalha no judiciario e ve, diariamente, casos como o que vc citou (criancas espancadas, pacientes graves precisando de UTI) demorarem a ser resolvidos, colocando vidas em risco. e a sotuacao que eu citei (erro por negligencia medica que nao foi punido simplesmente ) aconteceu na minha familia. portanto, continuo me perguntando: como e qie nesse caso, onde so havia uma mulher quetendo parir, arrumaram uma escolta policial??
e torno a perguntar : ainda que vc ache que cesariana e a coisa mais segura do mundo (nao e), vc nao.ve violencia em escoltar uma parturiente, negar a ela o direito de rscolher o hospital e a companhia do marido (direito assegurado por lei)? se fosse com vc, vc ia achar ok?

Maria Valéria disse...

Love gótic

O teste do pezinho nao avalia a vitalidade do bebê na hora do nascimento , ele avalia doenças genéticas que se nao tratadas a tempo podem causar sérios problemas para o bebe : anemia falciforme,hipotireoidismo neonatal , fenilcetonuria, e talvez tenha outras doenças que nao me recordo aqui pq não faço mais pediatria.
O teste do pezinho Nada tem a a ver com a saúde do bebê no período neonatal, deve ser feito sim, mas o resultado so sai alguns dias / semanas depois,
Se o bebê nasceu chorando , corado,sim, o primeiro sinal de que ele está bem.
Claro que irão examinar, fazer o teste do pezinho tambem, mas o fato de nascer chorando e corado ja mostra num primeiro momento que nao esta indicado internação em UTi neonatal, por ex.
Abraços :))

Maria Fernanda Lamim disse...

Fernando, me explica aqui uma coisa: pq APENAS no Brasil 52% dos bebes sao maiores que a bacia da mae (ja que vc diz que e so por isso que se faz cesarwa, nao por interesse dos medicos), enquanto nos outros paises o indice e de15%? isso tb e um "fato da natureza" contra o qual nao podemos argumentar?
e olha, toda mulher qd vai parir sabe muito bem que pode morrer. inclusive em consequencia de uma cesarea. ou isso nunca aconreceu?

Anônimo disse...

Muito interessante este blog, gostei muito da maneira com que a escolha do parto foi abordada neste blog, leve, porem demonstrando a importante e relevancia da abordagm de tal tema parabens. Luciana

Relicário disse...

Não sei bem o que pensar desse caso, sinceramente acho que tem mais caroço nesse angú do que vem sendo veiculado. Acredito que para juíza a situação foi apresentada de forma que era difícil, pra não dizer impossível não conceder a liminar, eu tive três cesáreas, e sempre, SEMPRE ouvi de todos os médicos que consultei que era praticamente impossível um parto normal na minha terceira gestação, e que o risco era altíssimo depois de duas cesáreas. Eu sei que fui submetida há pelo menos a uma cesárea desnecessária, a primeira. No entanto, se um parto normal depois de duas cesáreas é seguro, então o que deve ser modificado é a formação de nossos médicos, sinceramente juíza não é médica, promotor também não, e eu também não sou, sei não se iria negar a liminar num casos desses, complicado.

Paula disse...

seguinte.. esse papo de "o parto é meu, o filho é meu" é complicado...

filho näo é propriedade de ninguem, näo vivemos na India, os pais säo responsáveis pelos filhos e nao donos.

uma mulher quando decide levar uma gravidez a termo (ou no Brasil, quando näo consegue fazer um aborto quando näo quer) tem SIM certas responsabilidade visando a saude e o bem estar do filho que vai nascer.

mulher grávida nao pode fumar, beber, abusar do sal, tomar certos tipos de chá, comer frutos do mar e diversas outras coisas (tipo fumar crack, mas isso é assunto para outro post).

Parto é um trem complicado. Já matou e ainda mata muita gente. Tanto que quando alguma coisa é muito dificil a gente fala que "é um parto".

As mulheres com certeza TEM QUE ter o direito de ter o parto como quiserem, mas isso nem sempre é possivel... aí quando as coisas saem errado dizem que foram oprimidas.

Eu li em algum lugar que as mulheres modernas perderam muito a "habilidade" de parir por conta do uso do vaso sanitario, já que näo urinamos e nem evacuamos de cocoras, tornando a pelvis mais fraca...

Eu nem sei se foi a médica que pediu a liminar que realizou a cirurgia, acho que nao..
Ela deve ter visto uma mulher ignorante que meteu na cabeca que queria parto normal sem condicoes para tal, viu uma tragedia anunciada e fez o que pode para impedir.
Ela podia ter lavado as mäos e passado o caso para o proximo plantonista e que se dane a mäe... mas näo... se indispös com a cidade inteira... e hoje tanto a mäe como a bebe estäo bem...

Graciema disse...

Pra governo do povo que está defendendo a médica e a juiza (o que honestamente, me deixa estarrecida...não os reacinhas de sempre, mas comentaristas que vejo aqui usualmente sendo pessoas basicamente decentes), sim temos os resultados da ultrasssonografia. Estão anexos á petição à Secretaria de Direitos Humanos que o Instituto Ártemis fez, e a médica simplesmente MENTIU na sua requisição ao MP. Mas claro, médico é deus. Ele sempre age no melhor interesse do paciente, sempre. Inclusive ao violar vários dos seus direitos, como é neste caso.

A proposito, sim, espera-se liminar por mt tempo, inclusive em situações urgentes. Meu sogro mesmo teve de esperar 3 dias pela liminar para ser atendido no Hospital de Base aqui em Brasília, com câncer e fígado perfurado (na biopsia, inclusive). Essa liminar só saiu tão rápido porque tem conchavo ai.

E é triste ver que é considerado normal no Brasil uma mulher ter menos direitos que um cadáver viu.

De resto, não existe parto sem risco. Nenhum. Nem normal, nem cesárea. A maior parte das mulheres que conheço tem consciência disso. Só que a escolha dos riscos a serem corridos DEVE ser do paciente, não do médico. E se nossos GOs fossem tão bons assim, o Brasil não teria, ao mesmo tempo, indices de morbidade materno-infantil tão altos com tantas cesarianas. Não tá na hora de questionar tanto os médicos quanto o modelo de atenção ao parto não?

Anônimo disse...

Não entendo essa obsseção com o parto natural, porque a mulher necessariamente tem que sofrer as dores de um parto natural se pode optar por um procedimento mais prático?

Anônimo disse...

Claro que se a mumher quer natural, deveriam respeitar. Mas também não entendo essa coisa de parto natural....

Teremoto e furacão também são naturais,e nem por isso deixam de ser ruim. Anti contraceptivo e coca cola sõão artificias, e todo mundo gosta, né?
Sair uma melancia pela minha vagina, se eu tenho outras maneiras de fazer isso, não obrigada.

Bruno disse...

Um dado interessante: a maioria das cesáreas eletivas é feita por livre escolha da mulher ou decisão conjunta da mulher e do médico. As demais são por questões técnicas, o que aproxima o Brasil da média mundial. É dizer: se a maioria das mulheres não escolhesse a cesárea e esta fosse feita só por questões técnicas, o número de cesáreas não seria tão alto no Brasil.
Fonte (porque é muito fácil tirar dados do além): http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1413-81232008000500017&script=sci_arttext

Sobre a atuação da juíza. Primeiro, onde foi comprovado que ela já conhecia a médica? Segundo, partir daí pra afirmar que a juíza agiu só pela suposta amizade com a médica e não segundo manda a sua profissão já é um pouco temerário não? Graciema, não sei se você trabalha no ramo, mas o fato do seu sogro ter esperado três dias por uma liminar não quer dizer que a sua experiência pessoal se repita em todos os casos. Isso é um argumento falacioso. Já despachei com um juiz que me conseguiu uma liminar em 4 horas (contando nesse tempo ouvir o MP) pra tirar da cadeia um devedor de pensão alimentícia que já tinha pago a pensão (ele perdeu os comprovantes e a mulher percebendo que por isso, sendo esperta, podia receber de novo moveu outra execução contra ele). Em outro caso consegui uma liminar em duas horas pra bloquear um bem para pagamento de uma dívida. Como você pode ver, nessa ultima a situação nem era tão emergencial assim. Por isso repito: antes de acusar levianamente o judiciário é bom conhecer um pouco.

Caroline Silva disse...

Boa tarde!!
Concordo com a Maria Valeria em seu último comentário referente a atitude da juíza. Acredito que se tivesse tempo ela poderia pedir uma segunda opinião sobre o caso da parturiente, não sabemos o que estava escrito no laudo que chegara a ela. Apesar de eu ter acompanhado várias mulheres gritando e chorando de tana dor no parto normal, eu sempre quis ter dessa forma. Fiquei quase 12 horas em trabalho de parto, dilatação de 3 dedos e meu bebê fez bradicardia, só então me levaram pra cesária de emergência. Foi super tranquila a cirurgia e a pós cirurgia também, não tenho o que reclamar. Então, se eu fosse ter outro filho, optaria pela cesária sem problema nenhum, como diz o comentário acima, pra que sofrer as dores do parto se pode optar por um procedimento mais prático?

Maria Valéria disse...

Graciema,

Gosto dos seus comentários ,
Mas vou discordando seu ultimo num ponto :
Se a medica MENTIU no laudo que encaminhou ao MP, a culpa nao e da juíza...ela nao e medica pra saber se a outra mentiu!
Se um engenheiro assinar um laudo dizendo que se nao botar uma viga de concreto a mais no meu prédio ele vai cair,minha primeira reação vai ser acreditar no engenheiro...OU pedir segunda opinião de outro profissional,
Abraços ;))

Lily disse...


Para o anonimo que perguntou porque as mulheres tem que sofre as dores de um parto natural se pode optar por um procedimento mais pratico, vc sabia que eh possivel ter um parto 'natural' indolor? Sim, com ajuda de anestesias - epidurial - eh possivel que uma mulher tenha um parto natural sem dor.

Sim, a epidurial pode trazer consequencias negativas para a mae e para o bebe - ela tb eh a anestesia usada na cesariana. Porem, eh um procedimento bem menos invasivo que o parto cesariano - que eh uma cirurgia! - ou seja, nao eh nada mais pratico...

Alias, eu menti... eh um metodo mais pratico para o medico sim.., porem nada mais pratico para a mulher q vai ter q ficar sofrendo com a os pontos e todos os aspectos negativos da recuperacao de qq ato cirurgico.

Ana Carolina disse...

Paula:

Acho que você deveria procurar mais informação.

Se a grande maioria das mulheres ocidentais utiliza vasos sanitários e então supostamente "tem a pelve mais fraca", então por que os índices de cesarianas na Europa ou EUA são muito menores do que os brasileiros? Ou esse é um problema majoritariamente de mulheres brasileiras?

E "mulher grávida não pode beber, fumar, etc". Tecnicamente, ela pode. Não tem absolutamente nada impedindo-a, apenas recomendações médicas de que ela NÃO deveria fazer isso sob risco de prejudicar o futuro bebê. Ela não vai ser presa porque tá com um cigarro na boca (aliás, depois da Adelir, corre-se o risco, né?). Ela não vai ser criminalizada se por acaso beber demais e isso afetar o filho de alguma forma. Vai ter de conviver com as consequências de outras formas (cuidando da criança posteriormente, etc), mas não existe coerção alguma. É no máximo moralmente equivocado.

Graciema disse...


Sobre as cesáreas eletivas, em parte. Há dois pontos ai. O primeiro é o padrão da experiencia de parto (a)normal no Brasil, cheio de intervenções dolorosas, no mais desnecessárias, um troço absolutamente indigno. Te falo da minha experiencia particular, que pelas pesquisas recentes, infelizmente não foi apenas uma experiencia ruim minha, mas de pelo menos 1/4 das brasileiras ao parirem. Se a opção é uma cesárea, rapida e uma atrocidade de parto normal com epsio, amarrada, com fome, com sede, com ocitocina, manobra Kristeller, sozinha, sem poder se mexer...te surpreende que muitas mulheres escolham a cesárea?

E esse percentual de brasileiras fazendo cesarea vai contra as disposições da WHO nesse quesito. A ONU aconelha um maximo de 15%. A biblioteca Cochrane fala bastante sobre esta, e outras questões: http://cochrane.bireme.br/portal/php/index.php.

O outro ponto é que a escolha de comum acordo da gestante e do médico, aparentemente, é menos de comum acordo que se imagina. Alguns médicos dão motivos que nao são indicação de cesária como se o fossem. Por exemplo, mecônio, circular de cordão, cesariana prévia, 40 semanas de gestação, unhas compridas do bebê, bacia da mãe estreita...ignorar que há uma assimetria de poder entre a gestante e o médico é fechar os olhos para isso.

Não estou dizendo que as gestantes DEVEM ter parto normal. Há indicações reais de cesariana, que é uma cirurgia maravilha, que salva vidas. Sou a favor do direito de escolha das mulheres, seja por cesária, seja por parto vaginal. Nenhuma dessas escolhas a torna menos mãe. Mas a escolha (informada e consciente) tem de ser da mãe, não do médico. Ignorar a assimetria de poder nessa relação é fechar os olhos para o contexto maior.

Em resposta ao anônimo fofinho ao contra o parto vaginal: é claro que a recuperação de uma cirurgia de grande porte nem dói né? Só o parto normal.

Sobre o conhecimento prévio da médica e da juíza, sim, há dados sobre isso. Bem como a mentira da médica sobre a idade gestacional na ultrassonografia. E Valeria, tô falando da médica aqui, não da juíza. Ela não tem mesmo como avaliar isso. Na minha opinião, o erro dela foi só o de violar os direitos de Adelir em prol do 'nascituro', que tem expectativas de direitos. A petição para a comissão de direitos humanos está aqui: http://artemis.org.br/wp-content/uploads/2014/04/jean.jpg

E Bruno, tente ser menos arrogante. Não sou advogada. Mas tão pouco estou falando do nada (vivo no Brasil, sabe?). Conheço vários advogados, e eles me disseram que uma liminar com essa rapidez é incomum sim. Você me relatou dois casos...de quantos? Ainda mais protocolada a noite. E o Judiciario, de um modo geral, é leeeeeeeeeeeeeeerdo. Principalmente para quem não tem dinheiro para pagar um bom advogado (se for seguir a tabela da OAB, quase ninguem)

Anônimo disse...

Eu já não tinha vontade nenhuma de ser mãe. Quando vi esse caso, passei a praticamente abominar a ideia da maternidade, de engravidar e parir. Pena que a droga do meu útero não colabora desaparecendo. E depois vem um bando de Pollyanas me dizer que é lindo... ahan, tô vendo a lindeza desse caso.

Raven~ disse...

Tb achei esquisito esse negócio de "meu filho, minhas regras". Se eu não sou propriedade de ninguém, o meu filho mto menos. Mas enfim...


Ri do cara ali que disse que nossas crianças são cabeçudas.. Huashuahs

Julia disse...

Fernando, a natureza é bem clara mesmo.
Mulheres geram, mulheres parem. Mulheres decidem. Decidem quando vão engravidar, se vão levar a gravidez adiante, quantos filhos vão ter, onde e como. Apenas quadrúpedes não conseguem entender essa lógica simples.

E eu nunca havia pensado em quantas mulheres deram a vida pra parir imbecis como você. Pena que não existe ainda o aborto retroativo. Será uma das melhores invenções da história da medicina. O interessante é que mulheres que parem mas quem "dá a vida" é um deus homem.
Que curioso, não?

E da próxima vez que comentar não seja um mentiroso e não venha pagar de esperto aqui. Você é apenas um idiota.

Anônimo disse...

Vocês querem ver os resultados dos exames? Fácil, acessem o blog: "cientista que virou mãe" que tá lá escancarado pra quem quiser ver, a grande mentira da médica. Podem sapatear o quanto quiserem, ela errou e esse erro dela poderia ter custado muitíssimo caro. Quanto a alguns aí falando "pra que parto natural mimimmimimim?" que tal pesquisar no google, ou no blog da Melania Amorim? Ou ali mesmo no da "cientista..." Quem sabe talvez depois disso vc entenda. Eu acho engraçado, eu to grávida, se eu falo que vou fazer cesária todo mundo acha lindo, se eu falo que quero PN todo mundo fala que eu sou louca, primeiro que a escolha é minha, não de médico, segundo que eu cag* se me acham ou não louca. Esse negócio de cesária é uma máfia, esses GO querem cobrar o olho da cara de "taxa de disponibilidade" que eu não sei pra que se cesária eletiva é marcada conforme o gosto do médico e se vc quer PN eles ficam te assombrando, já falaram pra uma amiga que por causa do tamanho do pé dela ela não iria ter dilatação!!! E ainda sim tem gente ignorante falando besteira aqui...fala sério.

Camila B.

Gabi disse...

Esse caso ilustra bem a insanidade que chegamos no Brasil. É fato que no país se fazem cesarianas em excesso (70% na rede privada qdo a recomendação da OMS é de 15%). Também é fato que é uma violência surreal tirar uma mulher de casa, escoltada pela polícia da forma como foi. Dito isso, fico

Anônimo disse...

Mimimi elevado a n potência, é a única coisa que consigo pensar sobre esse assunto. Milhares de mulheres desassistidas têm seus filhos sozinhas dentro de um quarto de empregada apertado ou no meio do mato e ninguém alça a voz. Agora, porque a senhorinha é assistida e tem um parto feliz, cai todo mundo de pau. Quando vão voltar os partos em casa em que morrem mãe e filho que nem mosca, hein?

Maria Valeria, se você fosse GO e o caso estivesse na sua mão, você esperaria ad infinitum pelo parto normal da parturiente em questão?

Letícia Penteado disse...

Por favor não falem como se a juíza tivesse tomado a única decisão possível neste caso. Escolhas não lhe faltaram; faltaram, sim, à Adelir. Aliás, foi para isso que ela foi chamada, né? Para privar Adelir de suas escolhas.
E a partir do momento em que ela ingressou na história, ela passou a ser a única pessoa que de fato as tinha.

Se e juiz não tem capacidade técnica para verificar a informação do laudo e não tem tempo para buscar alguém que, com competência, a verifique, o mais seguro seria quedar-se inerte, porque o que não dá é para atirar antes e perguntar depois, entrar em modo "search and destroy".
Não te cabe presumir que a gestante é uma imbecil deslumbrada, nem que a doula a enganou. Trata-se da vontade de uma mulher adulta, lúcida e informada. A ESCOLHA dela deve ser levada em consideração. O seu preconceito não deve prevalecer sobre a vontade da maior interessada na sua decisão. Isso seria, no mínimo, antiético, autoritário e paternalista.
O meu problema não foi a outra parte não ter sido ouvida (foi um decisão liminar), foi ninguém mais ter sido ouvido, numa questão que a douta juíza não tinha competência técnica para avaliar sozinha. Ninguém ter nem tentado ouvir mais ninguém, porque "não ia dar tempo. E daí a gente sai entrando de sola por via das dúvidas.
Juízes são responsáveis por suas decisões, pelos riscos que assumem e os que não assumem em seus gabinetes. É por isso que ganham o que ganham, é por isso que têm SESSENTA DIAS DE FÉRIAS no ano (porque, né, é um nível de estresse que os demais seres humanos, pedreires, policiais, faxineires, sequer são capazes de vislumbrar. É por isso que eles têm independência funcional, vitaliciedade.
A preocupação com a repercussão não deve nunca vir antes da preocupação com a justiça do que se manda, ou fica-se como juiz caseiro de futebol, apitando para o time da casa por medo da represália da torcida. Considero isso inadmissível. Achei que era precisamente para nos proteger da arbitrariedade da turba enfurecida que esse sistema existia. Não para institucionalizá-la.
E eu acho muita graça desse "ah, não tinha o que fazer, não dava para ir lá", quando, sempre que se quer, se dá jeito para tudo no mundo dos doutores. Quando todo mundo sabe que não existe "não" para o juiz. Especialmente em cidade pequena. Até mesmo para ordem de condução DE MADRUGADA. E a Constituição que pegue fogo.
Muitas vezes acompanhamos situações urgentes em que temos que aguardar até amanhã porque o juiz não vai poder decidir só com o que está nos autos.
Mas neste caso pôde. Porque ela tinha que fazer isso, né? Coitada dela. Tenho certeza de que a cesárea desnecessária doeu mais nela que na Adelir e na Yuja. Só que não.
E digo mais: acho o fim esse papinho de "não gostou vem aqui e faz melhor". Se você não gosta de ser criticade pelas decisões que toma, então, o que você está fazendo aí, numa função púlblica? Porque não só é meu direito criticar como é meu dever, como cidadã, fiscalizar o seu trabalho. Afinal de contas, você trabalha para a sociedade de que faço parte.
Digo o mesmo que digo para os obstetras que dizem que não têm tempo nem disposição para acompanhar partos madrugada adentro: se você não queria isso, não deveria ter escolhido essa linha de trabalho. Se não está feliz, há um mundo de outras profissões aguardando você aqui do lado de fora.

Letícia Penteado disse...

Parabéns, DOUTOR Octavio Noronha, da 1ª Promotoria de Torres, RS, por me lembrar o porquê de eu ter me desiludido completamente com o Parquet.
"Segundo Noronha, não aceitando a decisão da mãe, a médica procurou o Ministério Público, que acionou a Justiça. A juíza Liniane Maria Mog da Silva determinou que a gestante fosse encaminhada de volta ao hospital, se necessário, com o apoio da polícia. “O pedido foi feito para proteger a criança”, ressalta o promotor. “A lei assegura o direito a vida da criança”, completa ele."
Segundo a nossa Constituição Federal, "O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis."
Pergunto onde está a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis quando, ao arrepio de cláusulas pétreas da nossa Constituição referentes ao direitos humanos mais básicos, como:
-"ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei" (art. 5º, II); e
-"ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante" (art. 5º, III);
aliás, pisoteando a própria dignidade da pessoa humana, fundamento da nossa lei máxima, expresso no inciso III de seu artigo 1º;
o senhor moveu o juízo a cometer uma atrocidade, uma truculência, com uma mulher em pleno trabalho de parto, usando para tanto um argumento desonesto, equiparando o nascituro à criança nascida viva, como se o "direito à vida" (vida que apenas se supunha - e equivocadamente - em perigo), que sequer assiste em sua plenitude o ser ainda não nascido, fosse suficiente para anular o direito líquido e certo da mãe de ver-se minimamente respeitada como pessoa, de ver a inviolabilidade de seu domicílio e seu corpo preservada, sua privacidade mantida.
Onde fica a ordem jurídica quando se criam, no vão querer de DOUTORES, direitos que não existem para sufocar os que existem de fato, achincalhando a lei maior do Estado que se pretende de Direito?
Onde fica a democracia quando uma mulher é arrancada de sua casa pela polícia, em pleno trabalho de parto, no meio da madrugada, e cirurgicamente violentada COM O AVAL DAS PRÓPRIAS INSTITUIÇÕES QUE AÍ DEVERIAM ESTAR PARA DEFENDÊ-LA DESSE TIPO DE ARBITRARIEDADE? Desse nível de barbárie?
Que direitos sociais podem ser defendidos quando o próprio defensor dos direitos sociais esvazia a humanidade da mulher em favor da humanidade em potencial do nascituro?
Que direitos individuais indisponíveis podem prevalecer quando são apartados de seus sujeitos à força, sob o golpe de um bisturi?
As pessoas vão culpar a polícia que cumpriu o mandado. Vão culpar a Juíza que deu a ordem. Vão culpar a médica que foi procurar o senhor. Mas eu e Vossa Excelência - e muitos outros - sabemos que você é a pecinha fundamental desse imbróglio. Que, sem você, a juíza não poderia agir, porque não age de ofício. Sem você, a médica não teria o que fazer, para onde correr com sua ignorância briosa e mal-intencionada. E. claro, a polícia, infeliz cão de guarda do judiciário, jamais teria sido acionada.
A DEMOCRACIA SANGRA, DOUTOR OTÁVIO. E o senhor foi a faca. A juíza foi a mão. E a médica a cabeça. E formou-se esse Frankenstein horroroso, brutal, machista. Esse monstro ditatorial que faz prevalecer a vontade de uma cidadã sobre o corpo de outra, liminarmente. Liminar satisfativa, diga-se de passagem.
"Tragam-me o corpo" a médica disse, afiando a faca. E Vossa Excelência instou a Exma. Magistrada a mandar buscarem o corpo. Porque para todes es DOUTORES era só um corpo. Um corpo e nada mais
Vergonha, Doutor Octávio. Vergonha de você. Vergonha por você. Vergonha pela instituição que o senhor representa. VERGONHA.
http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=522215
"Mãe e filho passam bem". Aham. Certeza. Afinal só o que importa é o pulso, as pupilas reativas, a respiração ritmada, né?

Maria Fernanda Lamim disse...

Bruno:

é verdade que muitas mulheres acabam escolhendo a cesarea sem necessidade real. mas isso tb se deve ao fato de que há toda uma cultura cesarista no Brasil, que busca convencer as mulheres de que elas nao sao capazes de parir, ou de que um parto normal é uma experiencia muito perigosa e dificil. Eu mesma desde que engravidei ouvi isso aos montes...por essa razao, muitas mulheres acabam ficando com medo, se sentindo incapazes e escolhendo a cesarea. Ainda por cima, muito medicos "vendem" a cesarea como algo muito simples e seguro, o que nao é! É uma cirurgia, com todos os riscos que isso envolve. Mas muitos seduzem a paciente colocando a coisa como se fosse só obturar um dente, como bem disse a Graciema.

E anonimo que defendeu que a cesarea é mais "pratica" do que ter "uma melnacia saindo da sua vagina": cortar SETE camadas da sua barriga tb não é "bolinho". entendo que se faça qd necessario, em situaçoes de risco para mae e bebe, mas a toa, por "praticidade"? E ja ficou provado tb que para o bebe nascer de parto normal (respeitando seu tempo e sua maturidade) é infinitamente melhor.

Na verdade, muitas maes e muitos bebes vem tendo problemas em consequencia de cesareas, e a cirurgia continua sendo vendida como "pratica, rapida e segura", como "nada demais". Ou pior ainda, como nesse caso da Adelir, a ideia é vendida como "salvar" mae e filho (quando nem sempre é; muitas as vezes, as coisas correriam bem em um parto normal tambem!)

alias, isso é outra coisa que eu vejo...quando ocorre morte materna, sequela ou morte do bebe em uma cesariana, todos dizem que foi "fatalidade", que "acontece"; quando é de parto normal "ah tá vendo??? se tivesse feito cesarea não tinha acontecido isso!"

nao podemos mais aceitar essa imposição sobre nossos corpos e sobre nosssos bebes.

tania_barreto_07@hotmail.com disse...

Concordo com a Carolina, nos temos o direito de escolher como queremos o nosso parto desde que a nossa escolha não afete ao outro por que mesmo estando dentro de nós fazendo parte de nossa vida teremos que pensar por ele também, se há sofrimento fetal a cesárea é a melhor opção, se tudo está transcorrendo tranquilamente o parto natural, ou até mesmo o parto normal com analgesia “aquele que a mulher recebe anestesia quando sente muito desconforto da dor” o parto normal é maravilhoso tanto para a mãe como para o bebe por que ele nasce por vias normais e não será arrancado, e a recuperação será maravilhosa e nesse caso a Adeli teve o cuidado de procurar uma doula para acompanhá-la e daria perfeitamente para ter seu filho de parto normal até pelos dados colhidos uma vez que ela estava com 40 semanas e não 42, quanto à médica o que a afetou foi o ego.

Anônimo disse...

Alguem me explica oq uma doula faz, por favor ? Serio mesmo. Ela necessariamente tem que ter alguma formacao na area de saude ou pode ser qualquer pessoa que fez um curso sei la aonde ? Porque pelo que estou vendo nos depoimentos, ( " ela estava acompanhada de sua doula em casa " ) doula tambem avalia se um parto é de risco ou nao e a presença dela é garantia de um parto natural sem riscos, oq deveria ser responsabilidade de um medico GO ou de uma enfermeira obstetrica.

Anônimo disse...

Lily, conheço mulheres que ja fizeram cesarias e parto normais com e sem anestesia. Minha mae, por exemplo, preferiu mil vezes a cesaria do que o parto normal. Ela odiou ter pn, sentiu muita dor. Uma amiga minha chorava de medo de cesaria e teve o parto normal e foi tudo bem. Sem generalizoes.

Cleide disse...

Acho interessante a nossa participação nesta luta, somos mulheres e devemos sim lutar em favor das nossas escolhas, mas também devemos avaliar as complexidade de cada caso.

Cleide Moriano

Maria Valéria disse...

Pra quem me perguntou se eu fosse GO e o caso caísse na minha mão, se eu atenderia a vontade da mãe,

Olha fica difícil dar uma resposta definitiva , ja que NAO SOU GO e nao tenho o mesmo conhecimento técnico de um GO ,essa pergunta ta muito hipotética...rsrs.
Formei minha opinião falando com uma amiga GO de confiança,
Mas se um caso desses caísse na minha mão,e eu achasse que havia risco de vida , e o paciente nao quisesse fazer o que eu recomendei, bem, o que EU faria: pedir uma segunda opinião e / ou chamar uma junta medica,
Alias , a junta medica pode e deve ser usada para alguns casos em que o paciente nao concorda com sua conduta, e pode ser requisitada tanto pelo profissional que atendeu como pelo próprio paciente.
isto que eu faria,

@dddrocha disse...

"De qualquer modo, seja qual for a posição de cada um nesse debate, é preciso pactuar que há algo muito errado com os sistemas de saúde e de justiça de um país quando a única solução encontrada é arrancar uma grávida de sua casa no meio da noite e forçá-la a fazer uma cesariana. Há algo muito grave acontecendo com os representantes desses poderes quando defendem que uma violência como essa é legítima."

Texto super lúcido de Eliane Brum:
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/04/14/opinion/1397481297_943876.html

Fernando disse...

Pois é Júlia, as mulheres têm essas escolhas, mas se você reler o texto vai ver que eu não falava de nenhuma delas.

A escolha que elas NÃO têm, e que você esquece de mencionar, é a de não morrer de parto complicado. Para isso, elas precisam de ajuda externa, geralmente na forma de um profissional qualificado.

Como médico eu fico pasmo com a arrogância das pessoas que pensam que são indestrutíveis, que pensam que por sua "força", "garra", "fibra" etc estão imunes aos infinitos males do corpo.

Por isso que as pessoas ficam destruídas quando recebem notícias de doença - vivem pensando serem imortais, mas nada como a recusa do seu próprio corpo em sustentar a vida para ensinar a humildade.

Acham que têm controle sobre tudo o que acontece com o corpo, mas no fim ele sempre acabe te traindo. Nem a pessoa mais poderosa do mundo tem o poder de controlar a própria respiração.

Vocês deviam era refletir e aprender a valorizar mais a vida.

Anônimo disse...

Sabe,Letícia, se eu fosse a juíza em questão eu teria feito igualzinho. Já pensou se, por uma infelicidade, em não acolhendo o pedido da médica a parturiente perdesse a criança, ou esta ficasse com sequela irreversível do parto, ou a própria parturiente tivesse um problema sério durante o parto ou pós-parto? Eu é que não ia me arriscar a aí sim, ser interpelada pelos meus pares da rejeição do pedido da médica e do hospital. E desde quando uma cesariana é tortura ou tratamento degradante??? Graças a Deus, tudo correu bem, e não sei bem por que estamos ainda discutindo esse assunto. Nós podemos sim, recusar tratamento médico. É só não ir ao hospital, não ir ao médico, não tomar os remédios. Sempre que vou ao hospital por uma emergência eles querem me dar um coquetel de remédios que rejeito prontamente e não acontece nada. Saio do hospital como entrei e fim de papo. Desta vez, a teimosia da parturiente não foi considerada porque envolvia um pai e um filho além da vida e bem-estar desta mulher, QUE ESTAVA DESASISTIDA. Quisera que todas tivessem a sorte dela. Tenham a santa paciência...

Anônimo disse...

Fernando, concordo 1000% com você.
Fiz duas cesárias, tive minha quota de sofrimento, filho na UTI por ter passado da hora de nascer (não por culpa minha, mas porque o médico não chegava e eu queria parto normal tb.) mas não tenho do que me queixar. Fiz corpo mole depois do parto, me recuperei totalmente depois de 15 dias e amamentei por 2 1/2 anos cada filho.
A D. Adelir está tendo visibilidade e atenção por causa de um simples parto. Espero que ela aproveite bastante os 15 min de fama.

PS.: Não ligue para a esquerda raivosa que povoa esta caixa de comentários. A Lola tolera inclusive xingamentos porque você sabe, existe uma coisa chamada liberdade de expressão, mesmo que a expressão não passe de esperneio inofensivo.

Maria Valéria disse...

Mesmo nao sendo GO, ainda assim sei que na maioria dos casos, a cesárea nao é o melhor para a mãe nem para o bebê.( exceto os casos de indicação ABSOLUTA de cesárea).
Eu nao sou nem tão a favor nem tão contra as casas de parto.ou melhor,sou a favor,desde que exista dentro delas um médico para intercorrencias que as obstetrizes nao podem atender,
Uma amiga teve parto natural na austrália,num hospital , ( ou casa de parto ), com parteira.
Com participação do pai e tudo,o tempo todo,
Na hora H correu tudo bem mas ela nao expeliu a placenta.
O que foi feito ? Chamaram o medico GO, unicamente para curetar e retirar a placenta,que ela nao expeliu,
O resto ficou por conta da parteira.e muito bem feito,segundo o relato dela e da mãe dela.
Nao acho boa idéia dizer que " qualquer coisa chama uma ambulância " visto que por experiência própria mesmo pra conseguir uma pra transferência urgente e uma lástima, demora .
Melhor o medico ja estar lá .
Por que o modelo poderia ser esse ? Porque deixa o parto ser do jeito que e melhor pra gestante.chama o medico so se precisar.
E libera os GO ' s pra atenderem consultório , outras cirurgias que eles tem que fazer, ou mesmo pra ficar em casa,viajar,comer...etcetc.GO tambem e gente, apesar de eu escutar muito " meu GO viajou " ... Ue,pessoas viajam e GO tambem !
Deixa o GO pro plantão , num número suficiente escalado e libera o resto pra fazer o que tem que fazer,
Impossível um profissional estar disponível 24h/ 7d, embora muita gente diga ' mas ninguém ta pedindo isso' , na pratica nao e isso que escuto,
Esse modelo que minha amiga recebeu de assistência na Austrália se nao me engano e praticado em vários países da Europa e funciona...por que nao aqui ?
:) bjs e ótima noite.

Maria Fernanda Lamim disse...

Maria Valeria, concordo totalmente com vc a respeito desse modelo australiano. Nao e preciso medicalizar todos os partos...é melhor para todos, gestantes, bebes e medicos que o GO só seja solicitado em caso de necessidade mesmo, e que esse ja esteja proximo. Uma vez assisti a uma palestra de um GO humanizado que defendia exatamente isso o que vc colocou. Como gestante, é tambem a minha opiniao. :)

Letícia Penteado disse...

Pô, anônimo das 21:50, até parece que algum dos pares da juíza a iria interpelar caso ela decidisse o que quer que fosse. Até parece que ALGUÉM iria culpar qualquer pessoa que não a própria mãe, Adelir, caso algo desse errado. Ninguém iria sequer se lembrar da médica, da juíza, do que fosse.
A notícia iria ser da louca radical do parto que matou o próprio bebê no afã de ter um parto normal.
De boa, eu acho que a sua colocação até seria cabível em tese se não fosse tão impossível na prática. E se não fosse absolutamente imoral um juiz se pautar, em seu convencimento, pelo que outras pessoas vão pensar do julgamento dele, ao invés de se concentrar em fazer justiça no caso. É como eu disse, daí fica que nem juiz caseiro, apitando para o time da casa por medo da represália da torcida. Se no futebol não é admissível que se ganhe no grito, como poderia sê-lo na vida real? Entende?
Olha, raros são os magistrados que falam publicamente contra a decisão de outros magistrados. EVER. Infelizmente. Todos eles ficam se cobrindo, como se o livre convencimento viesse antes da Constituição. "eu discordo, mas sua excelência deve ter tido seus motivos"

Letícia Penteado disse...

E cesárea é só uma cirurgia quando a gente a escolhe, ou necessita dela. Quando é realizada em você contra a sua vontade, estamos falando de uma suma violação do seu corpo, uma lesão corporal gravíssima, de um momento roubado que JAMAIS poderá ser devolvido, seja à mãe, seja à criança, isso sem nem falar em todos os riscos aumentados devido à não passagem pelo canal vaginal, etc. etc. etc.
Eu nunca passei por uma cesárea, com o respectivo pós-operatório quando não queria isso, nem teria que ter passado por isso, para vir falar aqui que não é nada demais. Não conheço esse sofrimento para desdenhar dele. E me parece enorme, daqui de onde estou olhando.
Não é só um parto, ou só uma cesárea, gente. Tem muito mais coisa envolvida. Tem o direito de escolha da mulher. Meu, você não abre um cadáver para tirar um órgão para salvar a vida de outra pessoa sem prévio consentimento! Isso quer dizer que hoje a vontade de uma mulher VALE MENOS QUE A DE UM CADÁVER. Olha lá a lei de transplantes.
Eu sou ativista da humanização do parto, dessas doidas que distribuem panfletos na rua, mas... sinceramente? É irrelevante, neste caso, o debate parto/cesárea. O que é relevante é o pisoteamento da autonomia da mulher sobre seu corpo. Eu estaria tão indignada quanto se fosse uma mulher querendo fazer uma cesárea eletiva e sendo impedida disso (e olha que, neste caso, haveria maior amparo legal).
Mãe e bebê vivos e saudáveis é o mínimo que se espera num nascimento. E não TUDO ou SÓ o que se espera. O evento do nascimento pode ser muito mais do que isso. Ou pode simplesmente não ser traumatizante para a mãe. Pode não ser um ato de violência comparável a um estupro. Só que institucionalizado, com direito a escolta policial.
Quem é que banca se a Adelir tiver depressão pós-parto? Ou síndrome do estresse pós-traumático? Quem é que banca se houver dificuldades na amamentação originadas dessa cesárea? Ou alergias? HEIN?
Ou se a criança passar meses com "cólica" chorando a noite toda por conta do estresse da mãe durante o nascimento (sim, porque, naquele momento, o sistema bioquímico da mãe e do nascituro são um só), ou por trauma do evento do nascimento? Quem é que vai passar a noite toda acordada, enlouquecendo, pirando, relembrando, passando mal? Daí é quem pariu Mateus que o embale, né? "Ninguém mandou".
Será mesmo que só o que importa é mãe e bebê estarem bem? Será que é justo calar o sofrimento de uma pessoa falando isso para ela, como se ela reconhecer o horror pelo qual passou privasse de significado o nascimento da própria filha? Gente, isso é muito cruel. Vamos tentar um pouco mais de empatia?
Não basta ela ter passado por tudo isso, ao insurgir-se contra o horror que sofreu, ainda está sendo humilhada novamente, estigmatizada de forma completamente insensível - "que aproveite seus 15 minutos de fama". Que isso?
Parece a mulherada sendo estuprada na Índia e sofrendo represálias por denunciar. Povo, nós temos que nos unir. Por favor. Se não por solidariedade, então por individualismo. Porque hoje é ela, amanhã pode ser você. Ou alguém que você ama. Respeito aos direitos humanos é fundamental, básico e mínimo. Mulher é gente. Não incubadora.

Julia disse...

Anon 22:30, deixa de ser invejosa! Quer ser famosa também? Pendura uma melancia no pescoço e sai na praça. Só uma pessoa muito pequena fica com inveja de uma mulher que foi obrigada a parir pela polícia. Você é tão ridícula quanto o tal de Fernando.
Mas adorei o "esquerda raivosa". Vou usar como pseudônimo. Bjus

Letícia Penteado disse...

E olha, Fernando, desculpa, mas e o auê que é conseguir fazer uma transfusão de sangue num paciente testemunha de jeová? Consegue-se sim, vira e mexe, mas não é a maioria dos casos e todo mundo sabe que você entra para atuar se abrindo para um processo posterior bem feio.
DIREITO de não morrer no parto não é DEVER de não morrer no parto. Você não tem como valorizar algo que não te pertence. E algo que te é imposto independentemente da sua vontade não te pertence. Verdade que o nosso ordenamento jurídico não aceita o suicídio, mas o fato é que a escolha consciente dessa mulher não poderia ter sido ignorada. Leia o lindo artigo da Eliane Brum (fantástica como de costume) a respeito.
Mesmo porque, a opinião de que, neste caso, a cesárea melhor resguardou esse "direito" é, no mínimo discutível.
Se preciso usar o argumento de autoridade, eu li pareceres nesse sentido de nada menos que cinco médicos com extensa experiência na área, completamente indignados com a posição adotada por essas obstetras, apontando como fundamentos para suas opiniões a revisão da cochrane e até mesmo a ACOG (que, como você deve saber, é super consevadora), além de outros estudos. Para mim pareceu de melhor tamanho e mais atualizado que só um rezendão da vida, mas, enfim, que é que eu sei, né?

Julia disse...

Fernando, você veio cantar de galo aqui. Dizer que mulheres morrem no parto blá blá blá num post que fala sobre uma mulher que foi obrigada a fazer cesárea pela polícia. O que você esperava? Que alguém aqui agradecesse a lembrança?
Baixa a sua bola que você pode até ser médico mas não é deus. Aliás, eu não respeito muito o conceito de deus então isso já não te serviria pra porcaria nenhuma

Anônimo disse...

Bom, Maria Valeria, a Australia é país de primeiro mundo. Uma parente tem cidadania australiana, se curou de uma endometriose horrível lá, ao descobrirem que era alérgica a soja, que causava a doença.
Já ouvi falar dessa tendência de o ginecologista acompanhar a gestação mas não o parto, que ficará sob a responsabilidade do plantonista no hospital. Hmm não se se concordo com isso: tratar o parto hospitalar como uma emergência. O fato é que qualquer coisa pode acontecer, tanto que é costume desejar uma boa hora às gestantes....Também acho engraçado fazer do parto uma superprodução cinematográfica, quase um épico. Na minha opinião, parto, quanto mais rápido melhor. Acho que é porisso que a cesária faz tanto sucesso, vez que a humanidade está tão distanciada dos métodos naturais, inclusive dos insucessos que, do primeiro choro ao último suspiro, nos cercamos de inúmeras artificialidades.
Bjs


Maria Valéria disse...

Anônimo 01:52 ,

Eu entendo quem prefere que o o GO que fez o pre natal faça seu parto, natural alias que prefira fazer com alguém que ja conhece e confia,
Porém nao vejo como isso seja possível e viável se defendemos o parto humanizado ( e nao indústria de cesáreas) por uma simples lei da física : o GO nao pode estar em dois lugares ao mesmo tempo !
E o consultório , ele desmarca pra ficar 12 hs tocando parto ? E o descanso ? E seus compromissos ? E outras cirurgias que ele tem agendado ? E se houver dois partos de gestantes que ele acompanha ? E viagens ?
Etcetctc
Por isso defendo que seja feito por obstetriz , doula e auxílio de GO quando preciso. Todos esses plantonistas,evidentemente,
Ninguém consegue estar disponível 24 h / 7d
Beijos :)

Ana Carolina disse...

É irrelevante, neste caso, o debate parto/cesárea. O que é relevante é o pisoteamento da autonomia da mulher sobre seu corpo. Eu estaria tão indignada quanto se fosse uma mulher querendo fazer uma cesárea eletiva e sendo impedida disso (e olha que, neste caso, haveria maior amparo legal).

THIS.

É um tanto quanto irrelevante a discussão de parto normal/cesárea, se no caso a cesariana era de indicação absoluta (não era, mas não é o caso).

Mas o horror kafkiano de ser levada de casa contra a vontade, na calada da noite (e azar que mandados judiciais só possam ser cumpridos de dia), por policiais armados, para ser deixada numa mesa de cirurgia sem acompanhantes e ter sua barriga aberta contra sua vontade parece passar batido.

E o que é pior, como o texto da Eliane Brum destacou, médicos REFERENDANDO A CONDUTA ACIMA.

Autonomia do corpo feminino? Azar o seu, você é só uma incubadora de bebês sem vontade e sem direito a voz.

donadio disse...

"Há casos em que bebes nascem chorando e com o teste do pezinho encontra-se anormalidades."

Ah, tá.

Se fizer cesariana não vai ter fenilcetonuria. Que mais a cesariana previne? Síndrome de Down, autismo, catapora?

Anônimo disse...

Oi queridas comentaristas deste blog maravilhoso de utilidade pública!

Letícia Penteado, Dra. Maria Valéria, Marina P, Graciema e outras maravilhosas já falaram tudo! Muita informação, questionamentos pertinentes e dedos na ferida do sistema burro!


Só queria acrescentar um ponto a discussão, que para mim foi gritante desde o princípio (acompanho o cientista que virou mãe diariamente e nem lá, berço da discussão sobre violência obstétrica - outro blog maravilhoso e indispensável, como o da Lola, vi comentários neste sentido:)

Alguém tem alguma dúvida de que tudo isso só aconteceu porque a querida Adelir é pobre - de dinheiro, pois de espírito é muito mais rica do que muita gente endinheirada por aí-????

Sério, isso pra mim é obvio e ululante... se ela não fosse pobre nada disso teria acontecido!!! Quantos casos já foram divulgados, depois desta atrocidade, de mulheres que tiveram VBA2C, e até VBA3C, inclusive parindo bebês pélvicos nesta condição??!! Qual a característica em comum entre essas mulheres que pariram como queriam?? DINHEIRO


MERDA DE PAÍS!!!

A Adelir foi considerada louca, inconsequente, burra e INCAPAZ DE DECIDIR, apesar de gozar plenamente de suas faculdades mentais, simplesmente por sua condição financeira!! Poxa vida!!
Ou vocês acham que se ela fosse "classe média" (odeio esta classificação, mas para fins de compreensão da leitura) pra "cima" haveriam nove policiais armados na porta dela?? Sério gente...

Fico louca, revoltada!

E sim, mulheres, especialmente as pobres, terão de se esconder para fugir de cesáreas, pois a empáfia médica e preconceito social destes profissionais - além do gritante machismo - imperam soberanos neste país!!

Laura

Letícia Penteado disse...

Muito pertinente, Laura. Eu acho que você tem toda a razão.

Renata disse...

Agora ferrou tudo: se junta o poder médico com o o jurídico e daqui a pouco você vai ser obrigada a operar a sua vesícula, a fazer histerectomia ou operar as hemorroidas através de liminar na justiça! Com direito à escolta policial.
Seria cômico, se não fosse trágico.

Maria Valéria disse...

O que acho engraçado são as generalizações, tanto para o " bem " como para o " mal "
Explico : se sempre se pensa no menor risco possível e no melhor para o paciente,queria saber por que tem tanto cirurgião plástico que faz plástica de abdômen, pálpebras e mamas tudo de uma vez so,quando sabem que o risco de fazer todos os procedimentos ao mesmo tempo e infinitamente maior,e repudiado pela sociedade de cirurgia plástica,
Ou tambem queria saber no que pensou o cirurgião plástico que ao ver minha irmã no consultório dele ( ela foi lá pra pedir uma depilação definitiva a laser), ' ofereceu ' uma lipoaspiracao pra ela, que e bem mais magra que eu e devia ter IMC menor que 20 na época.
Eu sou médica, nao concordo em generalizar que todos os médicos são ruins , que so pensam no retorno financeiro .Mas tambem nao vou defender um cara que faz uma plástica com 3 procedimentos ao mesmo tempo, quando se sabe que isso e errado, ou defender um cara que ' se oferece' pra fazer lipoaspiracao numa pessoa magra que nem foi lá pra pedir isso.
Muitos são comprometidos e pensam no paciente, e muitos não são .
Alias, o Brasil e campeão de cesárea e de cirurgia plástica desnecessária.

Anônimo disse...

#Amanda Lima e colegas "indignados"::::
1) voce é médica obstetra?
2) Voce teve acesso ao prontuário e examinou fisicamente a gestante no fatídico dia?

Se a resposta for SIM a ambas as questões, tudo isso é motivo de discussão. Caso contrário, não. A decisão foi feita com laudo médico.

Temos atualmente no Brasil um fenômeno que se espalha - acoplado a facebook e blogs - onde as pessoas lêem um pouco do assunto e acham que sabem sobre ele.
O mesmo que eu ler "arquitetura e Construção" e começar a dar palpites em construção de prédios. O mesmo que comprar "Raça e Cia" e começar a atender a cachorrada da vizinhança como veterinário. O mesmo que uma doula opinar sobre parto. Convenhamos, um curso de final de semana não capacita nem pra fazer pão. Um curso de 4 anos não capacita um enfermeiro a atuar como médico, como muitos alegam que capacita.

Cada um no seu quadrado!!!!!!

Anônimo disse...

# Paula:

Disse tudo!

Mas aqui são todos médicos obstetras, não é mesmo?

Mas, peraí….. por esta lógica, se o filho é da mulher e ela poderia matá-lo, então ela pode faze-lo agora??? Voces estão sendo ilógicos e sem a menor noção do que dizem.

Anônimo disse...

Clap, clap, clap Laura!!! Adorei o seu comentário! É exatamente esse o "problema" da Adelir e que ninguém parece se dar conta.
Se ela, já sendo rica de espírito e de informação, ainda o fosse de grana, nada disso teria ocorrido. Teria contratado seu GO humanizado, pago um hospital com quarto pra parto humanizado e ponto.
Merda de país é esse!!!

Anônimo disse...

Está cheio de informações médicas erradas aqui...

O laudo do Ultrassonografia diz 40 semanas. É obrigacao dos médicos saberem que a idade gestacional nao pode ser calculada por Ultrassonografia tardia! Somente pela primeira ou pela data da ultima menstruação. Coloca-se a idade gestacional nos demais ultrassons para comparar o tamanho e desenvolvimento do feto. No facebook da doula ela dizia que a gestante estava com 41 semanas e 5 dias. É de uma deslealdade intelectual imensa e vontade de enganar o povo médicas como a Melânia usarem esse argumento.

Muitos falaram em indicações ABSOLUTAS como se não existissem indicações relativas! Tudo deve ser individualizado. A Adelir tinha uma serie de indicações relativas.

Sobre conseguir liminar judicial rapidamente, já vi paciente conseguindo vaga para internação em CTI menos de 12h.

O termo de responsabilidade assinado nao vale nada judicialmente.

Eu acho que de a mulher quiser correr riscos, o problema é dela. Mas há que se pensar em um mecanismo legal que nao tesponsabikizr terceiros por eventuais insucessos. Eu tenho certeza absoluta de que se o parto normal desse errado, iriam questionar a médica o motivo de nao ter feito cesarea. E o fato da mae nao querer nao quer dizer nada, pois nesses casos alegam que o paciente é leigo e na verdade ele não compreendia os riscos.

Dars

Anônimo disse...

Dars, é isso mesmo. Este caso daria um ótimo esquete no filme O Fantasma da Liberdade de Buñuel!

Cheers!

Anônimo disse...

Dars,

Seu comentário foi simplesmente PERFEITO.

Ela tinha indicações relativas de cesariana, e o termo de consentimento nada vale em uma ação de porque o hospital a liberou. A médica foi extremamente responsável na sua atuação e merece apenas os parabéns da sociedade e a tranquilidade do sono dos justos, mesmo com a gritaria: salvou 2 vidas.
Só poderia dizer a ela: "os cães ladram e a caravana passa".

Este país não vai pra frente neste aspecto, pois qualquer discussão saudável parto normal x cesariana vem o RANÇO raivoso de ativistas (precisava de "ativista" pra isso?) onde qualquer discussão fica embaçada e enviesada. Elas são iguais a sindicalistas do PSOL, quem tem que lidar com sindicalistas do PSOL sabe do que estou falando. Não existe diálogo.

Acusam os médicos de "não estudarem" (só pode ser paródia, né?), acusam mulheres de terem passado por cesarianas pois ela escolheu errado o obstetra, que o mesmo a induziu a isso, acusam, acusam , acusam. Estudar que é bom, nada.

Será que elas sabem do estudo (e tem outros) sérios mostrando que cesariana eletiva diminui o risco de morte perinatal comparada ao parto normal? Comparam a cesariana realizada de emergência, em mulheres hipertensas, aquelas eletivas, e colocam um número elevado de "riscos", quando na verdade estes riscos nada tem a ver com a cesariana em sí - exceto se o centro cirúrgico se localizar no Congo, em meio ao campo e refugiados.

Acordem, pessoal, acordem! Este tipo de ranço na discussão não leva a nada, só a mais ranço.

Anna Maria

Maria Valéria disse...

Vou ter que concordar com parte dos comentários do Dars e da Anna Maria
1- quanto ao cálculo da idade gestacional

2 - assinar " termo de responsabilidade " ou " alta a pedido " nao exime mesmo o medico de responder processo depois.deveria mesmo ter um dispositivo legal de proteção ao medico para casos como esse.assinou, é isso mesmo que quer fazer ? Ok, foi avisado, se nao der certo nao reclame depois,

Mas discordo em alguns pontos :

1- se a indicação de cesárea era RELATIVA, e não ABSOLUTA, nao vejo por que acionar o MP nem pedir escolta policial.

2- se o bebê nasceu bem, sem sofrimento,reforça mais ainda a minha crença de que acionar MP nao era necessário ( o sofrimento fetal PODERIA Ocorrer, mas nao ocorreu) - ok, podem dizer que nao ocorreu porque foi feita cesárea e nao PN? dai entramos em outra polemica que nem me sinto capacitada a ficar discutindo aqui.no entanto,pelas razoes que citei, entendo que poderiam ter preferido fazer a cesárea, mas que nao precisava ter obrigado a gestante a fazê-lo. e o direito a segunda opinião ?

PS : eu nao acho, como muitos estão dizendo aqui, que a medica acionou MP " porque se sentia deus, porque era arrogante , etc" . acho bem difícil algum medico tomar uma decisão drástica dessas pensando no mal do paciente.Ela deve ter pensando em salvar a criança e em se proteger legalmente. E nao " em ferrar a paciente " ( ainda que a atitude tenha sido equivocada, em minha opinião )
Ainda sobre ' considerar a mulher uma incubadora de bebês sem direito a dispor do próprio corpo '
Bem, eu tenho uma opinião pessoal sobre isso
- sou favorável a legalização do aborto,desde que seja feito no primeiro trimestre da gravidez, ou quando o embrião ainda nao tem sistema nervoso, nao sofre dor, etc.
Nao deixaria morrer um feto de 40 semanas ou me arriscaria a deixá-lo viver em estado vegetativo,acho bem diferente uma situação da outra.!!!
Enfim, mas essa parte da minha opinião me parece irrelevante, porque pelos dados que o caso apresenta esse bebe NAO estava em sofrimento.
Abraços.:)

Maria Valéria disse...

PS : sobre alta a pedido, ou termo de responsabilidade :

Em 2007 , um amigo meu deu ' alta a pedido ' para um paciente, com ' termo de responsabilidade' e tudo.
Este rapaz foi parar em outro hospital e acabou morrendo lá, no mesmo dia ou no dia seguinte.
Conclusão ?
A família processou meu amigo, o outro hospital,e até meados de 2012, quando ele me falou a respeito do caso, estava pedindo a bagatela de 600 mil reais por danos morais.
Eu nao sei o resultado do processo, ainda , mas sei que fazer o paciente assinar nao garante nada, ele ( ou familia ) processam depois e quase sempre o juiz leva o processo adiante.Principalmente quando tem óbito na jogada,
E meu amigo em 2012 gastando cerca de 50 mil com advogado.
Abraços .

Anônimo disse...

Se um documento assinado não está valendo porra nenhuma, então é hora de começar uma discussão sobre isso e interrogar os juízes sobre o porquê disso. E não tirar is direitos das pessoas, ora bolas.

Anônimo disse...

se o termo assinado por um paciente nada vale perante a lei, precisamos mudar a lei, e não ficar com esse mimimi eterno.
Esta moça e mais meia duzia já tiveram seus 15 minutos de fama, eternizados no novo orkut (facebook).
Vai lutar pra mudar a lei, assim nenhum médico se vê obrigado a usar este tipo de medida.

Maria Valéria disse...

Uma coisa que me desestimula bastante a vir aqui nesse blog são os comentários agressivos.
a discussão estava muito boa, até ler os dois últimos.
1 - não tem ninguém aqui de 'mimimi', somente relatei fatos reais
2- ' vai lutar pra mudar a lei'... simples, né?
3- segundo algumas pessoas da área do direito com quem conversei, a lei nesse caso não vai mudar:
- o paciente está doente, vulnerável, e pode alegar que não entendeu o que estava escrito e assinando;
-o paciente pode alegar que foi coação, que foi forçado a assinar no momento que estava fragilizado, entre outros.
- o paciente vai dizer que é leigo e que não entendeu
resumo: não pode sair do hospital? Não pode. Ninguém vai amarrar ninguém e forçar a ficar lá, mas se o paciente sair , registra- se no prontuário como fuga, e que o profissional médico não deu a alta.Ponto final.
ante de postar comentários agressivos, tipo 'médicos de mimimi , vão lutar pra mudar a lei', seria interessante saber por que a lei é assim e o que pessoas da área do direito têm a opinar sobre o assunto( sobre esse ponto da alta a pedido não ter valor legal, não vi ninguém da área do direito opinar até agora nesse post), criticar médicos assim ficar muito fácil...
bj Lola!!

Letícia Penteado disse...

Uma coisa que eu acho interessante de dizer é que não creio (e daí é crença pessoal mesmo) que prospere a noção de que a médica teria sido processada se fosse parto normal e algo tivesse saído errado. Não teria dado nada nem para a médica, nem para a juíza (se ela tivesse sido acionada e tivesse negado a liminar). Toda a culpa recairia sobre "a louca" que quis parto normal. Especialmente ela não sendo, como a Laura apontou, uma mulher rica. Ia ficar "a ignorante radical que matou a próprio filha". Se pá ia ter até representação do MP por infanticídio.
Só mastigando isso aqui com meus botões.

Letícia Penteado disse...

Ah, e Lola, gostaria de agradecer o seu post a respeito do caso.
Há pouco usei-o como prova de que o feminismo dá importância para as pautas envolvendo a maternidade SIM, ainda que muito do feminismo as rejeite.
Ver a causa da humanização ser apoiada num blog que é uma das maiores referências do feminismo da atualidade é de lavar a alma.
Muito, muito obrigada.

Anônimo disse...

Caso não tenham lido ainda ( e principalmente para quem ainda acusa a Adelir e o marido de irresponsabilidade), fica aqui o link do blog Cientista que Virou mãe, em que o casal conta sua versão da história:
http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2014/04/uma-conversa-com-adelir-e-emerson-eu.html

Caroles

Anônimo disse...

Curiosa, agora em novembro, para saber a quantas anda o caso da Adelir. Algum passo foi dado para a justiça ser feita, ou os (ir)responsáveis pelo sofrimento da Adelir e sua família continuam de boa?