quarta-feira, 16 de abril de 2014

COMO O FEMINISMO SE TORNOU SERVENTE DO CAPITALISMO, E COMO RETOMÁ-LO

Já faz um tempinho, me deparei com este artigo de Nancy Fraser no The Guardian, que começa dizendo: "um movimento que começou como uma crítica à exploração capitalista acabou contribuindo com ideias-chaves para sua fase neoliberal mais recente". 
Apesar do texto ser meio complicado, acho que ele traz críticas pertinentes, e pedi pro meu querido Flavio Moreira traduzi-lo. Muito obrigada mais uma vez, Flavio!

Como feminista, sempre considerei que ao lutar pela emancipação das mulheres eu estaria construindo um mundo melhor -– mais igualitário, justo e livre. Recentemente, porém, comecei a me preocupar com o fato de que os ideais pioneiros das feministas estivessem servindo a propósitos bem diferentes. Preocupa-me, especificamente, que nossa crítica ao sexismo esteja agora fornecendo a justificativa para novas formas de desigualdade e exploração.
Em uma cruel guinada do destino, temo que o movimento pela libertação das mulheres tenha se imiscuído em uma perigosa ligação com os esforços neoliberais para a construção de uma sociedade de livre mercado. Isso explicaria como aconteceu de as ideias feministas, que outrora faziam parte de uma visão de mundo radical, estejam cada vez mais sendo expressas em termos individualistas. 
Onde antes o feminismo criticava uma sociedade que promovia o carreirismo, hoje ele aconselha mulheres a "fazer acontecer" [referência ao livro da bilionária Sheryl Sandberg]. Um movimento que antes priorizava a solidariedade social agora celebra as mulheres empreendedoras. Uma perspectiva que antes valorizava o “cuidado” e a interdependência agora encoraja o avanço individual e a meritocracia.
O que está por trás dessa virada é uma gigantesca mudança na natureza do capitalismo. O capitalismo administrado pelo estado do pós-guerra deu passagem a uma nova forma de capitalismo -– “desorganizado”, globalizante, neoliberal. A segunda onda do feminismo surgiu como uma crítica do primeiro, mas tornou-se subserviente ao segundo.
Com o benefício de uma visão retrospectiva, podemos agora ver que o movimento para a libertação das mulheres apontou simultaneamente para duas possibilidades de futuro. Num primeiro cenário, prefigurava um mundo em que a emancipação de gênero caminhava lado a lado com a democracia participativa e a solidariedade social; num segundo cenário, prometia uma nova forma de liberalismo, capaz de dar às mulheres, tanto quanto aos homens, os benefícios da autonomia individual, aumento das escolhas, e avanço pela meritocracia. 
A segunda onda do feminismo, nesse sentido, foi ambivalente. Compatível com qualquer das duas diferentes visões de sociedade, estava suscetível a duas elaborações históricas distintas.
Da forma como vejo, a ambiguidade do feminismo se resolveu nos últimos anos em favor do segundo cenário, liberal-individualista –- mas não porque fôssemos vítimas passivas das seduções neoliberais. Ao contrário, nós mesmas contribuímos com três ideias importantes para esse desenvolvimento.
Uma das contribuições foi nossa crítica à “renda familiar”: o ideal da família composta por um homem-provedor de uma mulher dona-de-casa estava no centro do capitalismo de estado. A crítica feminista a esse ideal agora serve para legitimar um “capitalismo flexível”. Afinal, essa forma de capitalismo sustenta-se fortemente no trabalho remunerado da mulher, especialmente o trabalho de baixa remuneração nas áreas de prestação de serviços e de manufatura, desempenhado não só por jovens mulheres solteiras, mas também por mulheres casadas e mulheres com filhos; não somente por mulheres de uma só raça, mas por mulheres de, virtualmente, todas as nacionalidades e etnias. 
À medida que as mulheres entram em massa nos mercados de trabalho em todo o mundo, o ideal de renda familiar do capitalismo de estado está sendo substituído por uma norma mais nova, mais moderna -– aparentemente sancionada pelo feminismo -– da família de renda dupla.
Não importa que a realidade que subjaz a esse novo ideal seja níveis de renda comprimidos, diminuição da estabilidade de emprego, redução dos padrões de vida, um aumento drástico no número de horas extras, intensificação da dupla jornada –- agora, frequentemente turnos triplos ou quádruplos -– e aumento da pobreza, cada vez mais concentrada em famílias em que a mulher é a chefe-de-família. 
O neoliberalismo tenta dourar a pílula ao elaborar uma narrativa de empoderamento feminino. Ao invocar a crítica feminista da renda familiar para justificar a exploração, ele atrela o sonho de emancipação feminina ao motor da acumulação de capital.
O feminismo também deu uma segunda contribuição ao ethos neoliberal. Na era do capitalismo de estado, criticávamos, com todo o direito, uma visão política constrita que focava tão intensamente a desigualdade de classe que não conseguia enxergar injustiças “não-econômicas” tais como violência doméstica, agressão sexual, e opressão reprodutiva. Ao rejeitar o “economismo” e politizar o “pessoal”, as feministas ampliaram a agenda política para contestar as hierarquias de status cujas premissas se baseavam em construções culturais de diferença de gênero. 
O resultado deveria ter sido uma expansão da luta por uma justiça que incluísse tanto a cultura quanto a economia. Mas o resultado real foi o foco unilateral na “identidade de gênero” à custa das questões cotidianas. Pior ainda, a virada do feminismo em direção às políticas identitárias harmonizou-se impecavelmente com um crescente neoliberalismo que queria nada mais do que reprimir qualquer memória de igualdade social. De fato, nós tornamos absoluta a crítica do sexismo cultural no momento exato em que as circunstâncias requeriam atenção redobrada para a crítica da economia política.
Por fim, o feminismo contribuiu com uma terceira ideia para o neoliberalismo: a crítica ao paternalismo do estado de bem estar social. Inegavelmente progressista na era do capitalismo de estado, essa crítica tem, desde então, convergido para a guerra do neoliberalismo contra o “estado-babá” e, mais recentemente, em sua cínica adoção das ONGs. Um exemplo notável é o “microcrédito”, o programa de pequenos empréstimos para mulheres pobres no sul do planeta. 
Lançado como alternativa empoderadora, de baixo para cima, em oposição aos burocráticos projetos estatais, impostos de cima para baixo, o microcrédito é apregoado como sendo o antídoto feminista para a submissão e pobreza das mulheres. 
O que não se percebe, entretanto, é uma coincidência perturbadora: o microcrédito floresceu no exato momento em que os estados abandonaram os esforços macroestruturais de combate à pobreza, esforços que os empréstimos de pequena escala não têm condições de substituir. Nesse caso também, então, uma ideia feminista foi recuperada pelo neoliberalismo. Uma perspectiva destinada, originalmente, à democratização do poder estatal de forma a empoderar cidadãos agora é usada para legitimar a mercantilização e a retração do estado.
Em todos esses casos, a ambiguidade do feminismo se resolveu em favor do individualismo (neo)liberal. Entretanto o outro cenário, mais solidário, ainda pode estar vivo. A crise atual oferece a oportunidade de recuperar essa linha mais uma vez, reconectando o sonho da libertação da mulher à visão de sociedade solidária. Para isso, xs feministas precisam interromper essa perigosa ligação com o neoliberalismo e resgatar nossas três “contribuições” para nossas próprias finalidades.
Primeiro, podemos romper a ligação espúria entre nossa crítica da renda familiar e o capitalismo flexível, e militar por uma forma de vida que descentralize o trabalho assalariado e que valorize as atividades sub-remuneradas, incluindo -– mas sem se limitar ao –- "trabalho cuidador". Segundo, podemos interromper a passagem de nossa crítica ao “economismo” para as políticas identitárias, e integrar a luta para transformar a ordem presa às premissas dos valores culturais machistas com a luta por justiça econômica. 
Por fim, precisamos cortar a falsa ligação entre nossa crítica da burocracia e o fundamentalismo de livre mercado, e reclamar para nós o manto da democracia participativa como forma de fortalecer os poderes públicos para conter o capital, pelo bem da justiça.

79 comentários:

Anônimo disse...

Lola, alguém mudou a imagem do seu blog. ao invés da sua foto quando criança tá aparecendo uma imagem de um jogo japonês ou algo do tipo (duas garotas correndo de biquini, pra ser mais exata).

Anônimo disse...

Lola,desculpe fugir do assunto, mas queria saber a sua opinião(se possível, claro) sobre esse assunto que me interessou muito. http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2014/04/surra-de-bunda-abre-exposicao-de-arte-e-divide-opinioes-de-fas-de-museu.html

Jessica disse...

Bom... Você elencou 3 pontos que, teoricamente, são muito interesssantes. Mas e na prática? Qual sua sugestão pra que haja a aplicabilidade real e material desses pontos ?

Porque sempre encontramos críticas nesse sentido, de que o feminismo foi assimilado e etcs. No entanto, ninguém se propõe à prática. Talvez porque seja justamente a prática é que não problematizam e nem se traçam estratégias -práticas!

mimimi disse...

eu acho muito mimimi, a luta contra o capitalismo é uma luta perdida, o capitalismo está aí e nada irá substitui-lo, o que devemos fazer é integrar juntamento ao capitalismo o apoio aos menos desfavorecidos. Todo mundo quer ganhar dinheiro e esta mentalidade não irá mudar, pelo menos nas proximas centenas de anos, a questão é como ganhar dinheiro sem destruir o próximo ou minimizar os danos. É possivel integrar o capitalismo com consciencia social, não é fácil, mas é infinitamente mais fácil do que tentar destruir o capitalismo (e substituí-lo sei lá pelo o que) e com efeitos maus mais rápidos e práticos

Anônimo disse...

Muito bem. Seu eu trabalhar para ter meu proprio dinheiro e não depender de macho, estou validando o capitalismo explorador de mulheres. Era so o que me faltava mesmo.

A solução é o que? er uma fazenda de agricultura biologica onde todos tenham direito a arar a terra e comer?

Sério: adoro o blog, mas tem hora que da no saco.

Luluzinha

Daniel disse...

Oi, primeiro queria apontar um erro na tradução. Identity politics não é idenfitificar políticas, mas sim políticas identitárias. Isso faz toda a diferença!
Segundo, essa crítica também pode ser feito a outros movimentos sociais, como os gays. Há muitos estudos na américa do norte sobre homonormatividade e como o movimento gay se assimilou e acabou produzindo "corpos dóceis e dometicados" para o consumo.
O problema com o assimilacionismo enquanto estratégia política é que reenforça e cria diferenças com base em marcadores sociais como sexo, genero, raça, classe social, entre outros. O que nos leva a questão: assimilar significa, necessesariamente, renegar certos corpos e identidades acesso ao sistema, então como lutar para que ninguém seja renegado? Será que isso é possível dentro do capitalismo? E caso não seja, será que é ético ou deveria ser o foco do feminismo ou outros movimentos sociais como os gays, lutar pela assimilação de alguns poucos com a consequente renegação de outrxs?

Anônimo disse...

Eu acredito que o texto se refira à onde de "libertários"(liberais quase que clássicos, mas como liberal nos EUA é esquerda eles tomaram esse nome)e me desculpe, eles não se apoderaram de nada. Essas idéias datam antes das duas grandes guerras e me corrija se eu estiver errado, o feminismo naquela época não existia.

Se qualquer outra coisa as primeiras feministas os copiaram.

Anônimo disse...

tem quer ser meritocracia mesmo,chega de cotas.
daqui a pouco vai ter cota para drogados.
melhorar o país como um todo para quê? é só dar esmola com bolsa familia,cota disso e daquilo.

Anônimo disse...

Eu só tiro duas conclusões dessa história toda.

1- As pessoas nunca estão satisfeitas.

2- E na hora do estado desapropriar sua casa/terra em benefício do bem comum e cobrar os impostos atrasados, aí ninguém quer ser comunista.

Anônimo disse...

Lola, acho que não tem muita solução. O feminismo se expandiu muito dentro do capitalismo. A partir do momento em que vc luta por igualdades de direitos dentro de uma certa institucionalidade, é dentro desta institucionalidade que seus direitos vão florecer. É meio como dizer que se o símbolo de sucesso para homens é o êxito profissional, para mulher vai ser o mesmo. e da mesma forma que o sucesso profissional só afeta alguns poucos homens o mesmo acontecerá com as mulheres, que vão acabar ralando na fábrica sem que seus serviços "tradicionais" sejam assumidos ao menos em parte pelos homens. Nao vejo muita saída não, a não ser uma mudança mais ampla na institucionalidade, o que é bem mais difícil. Gabi

Marina disse...

Bem complexo mesmo o texto, mas não sei..Me parece que o que ocorre é mais uma metamorfose do capitalismo para se adequar
ás "novas ideias", uma vez que não é mais viável negá-las, do que o caracterizar como a autora faz -"feminismo se resolveu nos últimos anos em favor do segundo cenário (nova forma de liberalismo)".
O que eu quero dizer é que me parece que trata-se mais de uma apropriação do sistema capitalista da alguns ideais feministas, como forma de sobrevivência e adaptação, do que uma "guinada à direita" do movimento feminista...Não sei..para refletir.

Anônimo disse...

Eh mulherada. Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.

Se eu trabalho pra ser independente valido o sistema que explora as pessoas. Se eu vendo colar de miçanga na praia, sou uma a toa na vida..

Agora as feministas tem que resolver TODOS os problemas do mundo. Racismo, elitismo, homofobia, se eu comer picanha, ja esotu validando a exploração de animais. Se eu xingar uma mulher de machista, ja não sou solidaria a causa, porque tenho que entender que ela foi reprimida pelo sistema patriarcal. Se eu tiver empregada, sou uma safada que explora a mão de obra de uma negra pobre. E agora, como boa feminista, tenho que salver o mundo do sistema capitalista.

Com o perdão da palavra, tem hora que é foda.

Lia38

Anônimo disse...

Penso que é muita ingenuidade por parte de muitas feministas achar que se o sistema econômico mudar, a opressão de gênero vai sumir.
Concordo que o capitalismo se beneficia muito da exploração não só do trabalho feminino mas de toda a exploração a qual somos submetidas.

Mas daí achar que se o capitalismo sumir, vamos todas ser automaticamente tratadas com respeito e dignidade... na boa, é muita cegueira!!!


Jane Doe

Anônimo disse...

Anonimo das 13:32. Vc está errado. O feminismo já existia no século XIX e não apenas na luta pelo sufrágio.

Anônimo disse...

Distribuição de renda não é esmola, mascu. Deixa de ser burro.

Patty Kirsche disse...

Muito legal o texto. Eu vejo com grande preocupação essa tendência a se cobrar das mulheres que "trabalhem" e ganhem dinheiro, como se trabalho doméstico não fosse trabalho. É preciso mexer na caixa preta do trabalho doméstico, onde homens frequentemente não querem entrar porque é conveniente encontrar tudo pronto.

Anônimo disse...

Agora que vocês estão acordando?

Anônimo disse...

O meu problema com essa história de capitalismo/comunismo/burguesia vs. Feminismo é que as mulheres começam a excluir umas as outras. "Ah vc não é feminista porque trabalha para o capitalismo". O que que tem? Porque é feminista não pode ser uma grande empresária, uma CEO? Isso não é uma conquista pras mulheres também? Entram nesse binarismo burro de burguesiaXproletariado ou sei lá e esquecem que muito já mudou desde o Marx... e que o capitalismo englobou as mulheres. Isso não é bom?
Pra mim isso vira a mesma história de vc ser padrão ou não: se vc é feminista não pode ser padrão, não pode fazer a unha, não pode ir na academia... e agora aparentemente se vc é feminista não pode querer ganhar dinheiro! Se vc é bem sucedida, sua carteirinha é cassada!

Anônimo disse...

Nessas horas me lembro de várias discussões das minhas aulas de filosofia, sobre como o capitalismo se apropria de movimentos e ideias revolucionárias e esvazia seu conteúdo. Isso certamente vem ocorrendo com o feminismo, pois a ideia de que as mulheres devem ser e fazer o que quiserem pode muito bem ser confundida com a ideia de que no mundo deve ser cada um por si e que todos têm oportunidades iguais. Quando o que ocorre é justamente o contrário: assim como no nosso mundo as oportunidades não são iguais para mulheres e homens, as oportunidades também não são iguais para x operárix e o patrão, que é dono dos meios de produção. Ser feminista e apoiar o capitalismo é contraditório, não apenas porque é contraditório querer igualdade de gênero e não querer igualdade social, mas porque é contraditório acreditar que não há oportunidades iguais para homens e mulheres, mas que há oportunidades iguais para um trabalhador e um burguês. Assim como a sociedade é estruturada de forma que as mulheres tenham menores oportunidades, ela também é estruturada de forma que a classe trabalhadora tenha menores oportunidades. Afirmar uma coisa e negar a outra é hipocrisia.

Anônimo disse...

É... Está aí a origem das "feministas de direita".

tanaka disse...

Caraca, tá rolando uns comentários bem toscos aqui na pagina da Lola, que triste, gente que nem leu o texto já atacando o comunismo ou falando que o capitalismo/liberOtários é a solução.

O capitalismo absorveu muitas feministas, hoje em dia é comum encontrar mulheres feministas qe se dizem capitalistas.

Feminazi Satânica disse...

Muita coisa me incomodou nesse artigo, começando pelos equívocos históricos.

Ora, o feminismo da "primeira onda", aquele que teve como destaque a luta pelo sufrágio universal no século XIX (mas que não era a única pauta dele), tem claras origens no liberalismo, muito mais do que no marxismo. No ocidente, incluindo o Brasil, as feministas pleiteavam o direito ao trabalho, o direito à educação, o direito ao divórcio. Ou seja: muitas causas ligadas às liberdades individuais. É preciso levar em conta que o liberalismo dos séculos XVIII e XIX era, naquele contexto, um ideário bastante progressista sim.

Existe muito desconhecimento sobre o feminismo da primeira onda. Muitas pessoas acham que ele foi apenas a luta de algumas mulheres da elite por direitos políticos, excluindo outras pautas importantes, o que é uma inverdade. A luta pelo direito à educação, pela autonomia, pela independência financeira foram sim essenciais para a nossa emancipação. Sendo que muitas dessas pautas continuaram presentes nos feminismos de segunda e terceira onda.

E não é pq o feminismo em sua origem está ligado ao liberalismo ou pq algumas feministas contemporâneas ainda se identificam como liberais, que sua importância diminui. Não existe monopólio sobre o feminismo, sendo ele um movimento plural que possui adeptas em diversas frentes.

Podemos sim discutir o que é mais sensato, e como marxista continuo acreditando que um feminismo à esquerda é o mais coerente. Mas vamos fazer isso sem desmerecer o trabalho das mulheres que vieram antes, que estavam inseridas em determinado contexto histórico e se articularam da melhor forma que conseguiram.


www.osatanaz.wordpress.com

B. disse...

"Se eu trabalho pra ser independente valido o sistema que explora as pessoas. Se eu vendo colar de miçanga na praia, sou uma a toa na vida..

Agora as feministas tem que resolver TODOS os problemas do mundo. Racismo, elitismo, homofobia, se eu comer picanha, ja esotu validando a exploração de animais. Se eu xingar uma mulher de machista, ja não sou solidaria a causa, porque tenho que entender que ela foi reprimida pelo sistema patriarcal."

Concordo com a Lia, nestes pontos...

Anônimo disse...

Tem outras coisas que são assimilações do feminismo pela cultura hegemônica, que acabam por desvirtuá-lo. Exemplo: em vez de se lutar contra a objetificação dos corpos dos mulheres, objetifica-se tb os dos homens, transformando-os tb em mercadorias pra consumo (em capas de revistas, por exemplo, ou em novelas que são mais assistidas quando o galã aparece de peito nu). Ou seja, em vez de buscar a igualdade nivelando por cima, nivela-se por baixo, com uma tentativa de igualdade que é ruim pra todo mundo.
Enfim, acho que tem ver com o debate da Fraser.
Juliana

Renata disse...

Anônimo das 16:36, adorei seu comentário.

Anônimo disse...

Engraçado como critica o captalismo ,mesmo vendendo os livros no site....

Anônimo disse...

Deixa eu ver se entendo?!
As feministas não querem empreender nem participao da competitividade capitalista, mas querem autonomia financeira em uma sociedade utópica.
Não querem um padrão de família tradicional, com um provedor, afastando a imagem patriarcal do núcleo familiar, mas querem que o homem que representa isto continue trabalhando, feito um burro de carga, tendo mais da metade fe seus rendimentos tributadis pelo estado paternalista, e leis feministas, e que isto seja revertido automaticamente para elas, ou seja o estado gigantista tomando o lugar do homem nas famílias.
E isto mesmo?
Melzinho na chupeta, querem também?

Anônimo disse...

Uma nação desenvolvida, se preocupa em gerar renda, não e distribuir para muitos, o que poucos produzem.

bruna disse...

"agora as feministas tem que resolver todos os problemas do mundo"
concordo plenamente. e é mais uma coisa que faz as feministas ficarem como cara de chatas na mídia. eu me considero feminista, mas não suporto esse mimimi esquerdista o tempo inteiro. só posso ser feminista se for de esquerda?
acredito que não precisamos ter um posicionamento político entre direta e esquerda, mas sim um posicionamento político feminista. precisamos aplicar os nossos ideais à qualquer que seja o regime político em vigor. NÃO INTERESSA se é socialismo, comunismo, capitalismo ou anarquia. temos que ser respeitadas em QUALQUER regime.

Julia disse...

Anon18:24 Então deixemos que os poucos fiquem com muito. É mais justo não? Cadê aquele estudo que constata que parte da riqueza do mundo está na mão de 83 pessoas? Já vi reaça dizendo que não há problema algum nisso, então nada mais me surpreende. Certeza que esses asnos esperam logo logo serem o 84 nessa lista..

Julia disse...

Anon 18:20, quando era melzinho na chupeta só pra vocês não aparecia ninguém pra reclamar, né?
Seu lugar de provedor, o maior bife, mandando e desmandando porque tem o $$, sendo servido...

Mulher na família tradicional sempre trabalhou feito burro de carga, porém sem hora pra chegar e sair, sem férias e sem salário mas você nem se lembrou de citá-las.
Fiquei chateada.

Náy disse...

Adorei o post(como sempre).Eu já tinha estudado sobre isso em uma aula na faculdade e foi um tema que me deixou bastante instigada.Adorei os comentários da Patty Kirsche e da Julia.

Paula disse...

concordo com a Bruna... o ideal feminista deve caber no sistema político que for... seja no capitalismo ou no socialismo..

e tb concordo com o comentário da mimimi: inteligente não seria combater o capitalismo, mas adaptá~lo a uma situação de auxílio aos mais desfavorecidos... como a própria Europa faz...

eu moro na Alemanha e gosto do sistema daqui, apesar de muitas vezes sentir saudade da eficiência americana... ter 40% do seu salário subtraído em impostos (sendo que esses 40% fazem falta SIM) é muito difícil, principalmente quando vc sabe que tem um monte de desempregado intencional que vive eternamente de ajuda social e ganhando mais que eu...
mas ter bons direitos trabalhistas, direito a férias remuneradas (os alemães sim, eu não :( ) e bons serviços públicos amenizam bem isso....

Anônimo disse...

(...)que valorize as atividades sub-remuneradas, incluindo -– mas sem se limitar ao –- "trabalho cuidador"(...)

Concordo 100% com esse trecho do texto mas eu faria um adendo - o trabalho de cuidador deve deixar de ser uma obrigação moral e social exclusiva da mulher.
Acho que a parte mais importante dessa frase é "SEM SE LIMITAR" ou eternamente seremos parte da equação mulher= reprodutora e única cuidadora, sem chance de desenvolvermos qualquer outra atividade além dessa.


Jane Doe

Anônimo disse...

Pra minha vida o ideal é: meu marido trabalha muito, é bem sucedido, ganha bem e sustenta a família. Eu trabalho meio expediente, ganho pouco ( médico x professora infantil), no outro turno dedico-me a minhas filhas, suas atividades extra escola e, lógico, a mim(academia, massagem, terapias, etc). Tenho uma funcionária para o lar, óbvio, com carga horária dentro da lei. Gosto de ler, de fazer doações mensais à instituições de cuidado, e de curtir a vida, decidindo juntos o que fazer com o dinheiro. Não há disputa de poder na minha casa, há papéis estabelecidos e o dinheiro que ele ganha é nosso. Pra mim assim tá tranquilo e vejo que muitas almejam isso. Tem algum problema aí? Ah, não voto em PT.

Anônimo disse...

"querem que o homem que representa isto continue trabalhando, feito um burro de carga, tendo mais da metade fe seus rendimentos tributadis pelo estado paternalista, e leis feministas, e que isto seja revertido automaticamente para elas, ou seja o estado gigantista tomando o lugar do homem nas famílias."

nossa, cara, deu uma pedra nos rins aqui tanta interpretacao erronea de texto e conclusoes de doido

pega o doido

Nane disse...

Desigualdade de gênero é injustiça.Desigualdade social e econômica também são injustiças.Ao capitalismo muito interessa essas desigualdades.
Você pode até ser feminista capitalista, mas não acho coerente. Nem justo.

Agora, o outro lado da questão:
Estou inserida no capitalismo.Preciso sobreviver nele ( e dele?). Vou trabalhar intensamente ,sob as condições que me são possíveis, para adquirir independência financeira.Porque a outra opção seria ser dependente do
marido e estar subjugada a ele!

Anônimo disse...

Óbvio que você tem uma funcionária para o lar e não vota no PT!!!!

Anônimo disse...

Eu concordo. Nada a acrescentar, é isso.

Anônimo disse...

Gents, só pra lembrar, liberalismo econômico é uma coisa e liberalismo político é outra!

Anônimo disse...

É verdade!!!! Esses esquerdistas deviam era ficar calados, sem escrever seus livros e sem trabalhar!!! Deviam todos ocupar terras e produzir o próprio alimento!!! Tão contraditórias as pessoas de esquerda que são remuneradas por seu trabalho!!!!

Marina disse...

Anônimo das 18:20, não, não é isso.. Vc entendeu td errado, volte 10 casinhas e leia o texto novamente.

Anônimo disse...

Algumas leitoras estão reclamando que, de acordo com o post, se trabalharem para ganhar seu dinheiro estão pró-capitalismo. E sugerem que não restaria soluções.

Bem, há aí uma confusão que precisa ser fortemente criticada. Mulheres sempre trabalharam muito. Mesmo donas de casa trabalham sem parar. Educar filhos, cuidar de parentes doentes, cuidar da casa, olhar pelos vizinhos, manter laços simbólicos com parentes é trabalho. Parte importante do feminismo (e das leitoras do blog) desvaloriza esse trabalho.

Além de desvalorizar o trabalho já desvalorizado das mulheres de classe média, esse tipo de visão não enxerga que boa parte das mulheres sempre trabalhou. Durante os três séculos de escravidão no Brasil, as mulheres negras eram um contingente de trabalho bastante grande. E nem vou entrar no século XX.

O ponto de vista a partir do qual se fala é o ponto de vista da mulher já inserida no mercado de trabalho. Em geral, ele se valoriza ao desvalorizar ou desconhecer outras mulheres e é incapaz de reconhecer tanto o trabalho das donas de casa, quanto o trabalho das mulheres pobres. Ou seja, é discurso feminista, mas prática machista e segregadora.

O que acontece é que ou você luta para que o teu trabalho expanda o capital e a exploração do trabalho, ou você se engaja em lutas para que o trabalho crie solidariedade, cuidado, atenção, engajamento, responsabilidade. Nesse caso, espero não ofender se digo que as donas de casa ainda tem muito a ensinar para o feminismo.

Anônimo disse...

Excelente observação.

Eu considero que em essência, o liberalismo trouxe contribuições relevantes para o progresso do humano. Já que estamos falando de apropriação, eu acho que o liberalismo acabou apropriado por conservadores e degringolou. A igualdade no liberalismo original era um ideal; nas mãos erradas, virou um fato consumado inquestionável que, por via do argumento da remuneração à produtividade, passou a legitimar desigualdades (a la reaça: mulher recebe menos porque produz menos porque as oportunidades são iguais).

Nane disse...

E se levar um pé na bunda? Ta preparada pra viver com pouco?

Ta-chan disse...

"Anônimo disse...

Uma nação desenvolvida, se preocupa em gerar renda, não e distribuir para muitos, o que poucos produzem.
16 de abril de 2014 18:24"

MEU G-ZUIZZZZZZZZZZ AMADO!!!!
Essa pessoa ai acredita que ser dono dos meios de produção é produzir!!!!
Eu não sei se rio ou se choro com essa...

Uns dias atrás, eu estava dando uma olhada num grupo do Faceboock, e vi uma feminista dizer que estava se fudendo pra classe trabalhadora.Parece que a moça tem muitas companheiras comentando aqui hoje...Difícil ter sororidade nesses momentos.

Gustavo disse...

Lola, uma dúvida básica, fugindo do tema:

Qual é a postura do feminismo sobre o "feminino"? Existe? É uma construção? (Imagino que não seja tão preto ou branco assim).
Você tem algum texto sobre isso?

Anônimo disse...

Meio mimimi esse comentário, hein? Tipo que saco ser ética o tempo todo.
Se você explora sua empregada mulher e negra, você explora mulheres e negras. Se não explora, não explora!! Não é simplesmente ter empregada que define a exploração. Mas a maioria das pessoas têm "funcionários do lar" em condição exploratória sim. Comer animais por sua vez é um hábito que tem origens em práticas religiosas e foi absorvido: pro catolicismo é tudo ok, porque animais não tem alma; os hindus tem varias restrições em razão de acreditarem que todo ser vivo faz parte do processo de evolução da consciência humana. Sinceramente, como de tudo, mas quando vejo filmes como A Guerra dos Mundos, penso em como deve ser chato ser considerado alimento e como talvez nossa percepção de consciência seja equivocada. No fim das contas, é um assunto tratado com muita irracionalidade, pesquisas influenciadas por ideais de ambos os lados...

Meu ponto é: não confunda as coisas por preguiça. Não há um complô contra você. Mas pagar miséria à faxineira é exploração e não é a mesma coisa que não se sensibilizar com o veganismo. Afinal, não há consenso sobre o que seria efetivamente a alimentação natural e saudável, mas há consenso sobre não ser necessário explorar pessoas para que façam sua faxina.

Ta-chan disse...

". Nesse caso, espero não ofender se digo que as donas de casa ainda tem muito a ensinar para o feminismo.

17 de abril de 2014 10:21"

Maravilhosa sua colocação!

Algumas pessoas deveriam imprimir seu comentário, e ler varias vezes ao dia, como se fosse um remédio anti #CMS.

Renata disse...

Concordo também com o comentário Anônimo das 10:21.

donadio disse...

"state-organised capitalism" não deveria ser traduzido por "capitalismo de Estado"; são dois conceitos bem diferentes.

Carlos Eduardo disse...

Lola Barrichello.

Gloria Steinem alertou para isso na queda do Muro de Berlim.

donadio disse...

"1- As pessoas nunca estão satisfeitas."

É por isso que elas são pessoas. Se estivessem satisfeitas, seriam bois ou carneiros, não pessoas.

donadio disse...

"só posso ser feminista se for de esquerda?"

Não, né? Você pode ser "feminista" e ser de direita. No problem.

Aonde começa a ficar mais difícil é quando se tenta juntar três coisas: feminismo, direita, e coerência. De uma forma geral, pelo menos um desses itens tende a dançar...

donadio disse...

Ah, e a anônima das dez e vinte um matou a pau...

Posso ser você quando eu crescer, anônima?

Flavio Moreira disse...

Eu gostaria de comentar a respeito, mas estou sem tempo. Mas aqui (http://www.viomundo.com.br/denuncias/privataria-avanca-sobre-a-agua-que-voce-bebe-e-a-previsao-do-tempo.html) tem um artigo que dá uma ideia sobre que tipo de capitalismo precisamos combater. Acho que está claro que não há como eliminar o capitalismo, mas precisamos, sim, fazer de tudo para que ele não seja tão desregrado a ponto de relegar os mais básicos direitos humanos à categoria de mercadoria.
Acho que ninguém está proibido de ser rico. O problema é se tornar "imundamente rico" (filthy rich), à custa da grande maioria das pessoas.

Julia disse...

Anon 10:21, sabemos muito bem que dona de casa trabalha. Mas é trabalho não remunerado. E não reconhecido (e não são as feministas que não o reconhecem).
Mas não podemos negar o que geralmente ocorre com quem depende de outras pessoas financeiramente, o que é o caso das mulheres que são donas de casa. No fim pode ser que dê merda.

Além disso, o papel de cuidador da casa e crianças ainda é visto como exclusivo da mulher e muitas não se encaixam nele.
Quando o trabalho da dona de casa começar a ser pago essa conversa vai ficar mais interessante.

Só mais uma coisa.. esse discursinho como o seu raramente ouvi de mulheres donas de casa, geralmente são reaças que querem que as mulheres permaneçam (ou voltam) e um estado de dependência e submissão muito cômodo a eles de alguma maneira, apesar deles serem burros de carga que trabalham de sol a sol e mimimimimi

Não é o seu caso, é?

donadio disse...

"Acho que está claro que não há como eliminar o capitalismo"

Para mim, não está nada claro.

"mas precisamos, sim, fazer de tudo para que ele não seja tão desregrado a ponto de relegar os mais básicos direitos humanos à categoria de mercadoria."

Desculpa, mas isso é que realmente é impossível. Se houver dois capitalistas, e um deles "relegar os mais básicos direitos humanos à categoria de mercadoria", o outro vai ser derrotado e posto para fora da concorrência. O capitalismo nivela por baixo.

Você vai dizer algo como "para isso existe o Estado", talvez. Mas as fronteiras nacionais não seguram mais nada, e o Estado que "relegar os mais básicos direitos humanos à categoria de mercadoria" vai se tornar poderoso às custas dos que tentarem pôor freio à acumulação desregrada...

Portanto, melhor tentar acabar com o capitalismo do que colocar remendo no que não tem como ser remendado.

Flavio Moreira disse...

Daniel e Donadio, obrigado pelo toque em relação aos problemas de tradução - vou pesquisar melhor da próxima vez.
Donadio, quanto ao que eu disse sobre o capitalismo, não vou dizer nada parecido com "para isso existe o Estado" por algumas razões: uma porque não sou cientista político, pesquisador ou historiador; acho muito difícil entender as relações entre todos os -ismos do espectro político e nessa seara sou mais ouvinte/leitor (como na maioria das coisas) do que opinador. Duas, apesar de tudo o que já vi/li sendo dito e discutido a respeito do combate ao Capitalismo, não vejo avanços. Cada vez mais vejo - e pode ser somente a minha (limitada) percepção ou talvez eu só esteja lendo as fontes erradas de informação - grandes corporações e instituições financeiras literalmente devorando toda e qualquer iniciativa de se tornar o mundo um lugar melhor para todos. Quando se lida com o poder colossal do dinheiro, ou do poder econômico que dobra nações, por exemplo, como se pode reagir?
Não pretendo desistir da luta, mas no curto e médio prazo, qual a solução? Como você espera acabar com o capitalismo?
Eu gostaria de acreditar, por exemplo, que se nós tivéssemos um governo justo, nosso maior investimento seria em educação básica, na formação de cidadãos conscientes de seus direitos, não somente de seus deveres; com acesso a informação de qualidade e incentivo ao pensamento crítico para que eu pudesse morrer com a certeza de que o futuro que desenhamos para as próximas gerações seja bem melhor, mais igualitário e solidário do que o presente que estamos vivendo.
Eu não tenho respostas prontas (aliás, quaisquer respostas, prontas ou não) e estou aberto a toda e qualquer argumentação que mostre que há, verdadeiramente, maneiras factíveis e eficientes de acabar com o capitalismo.
Gosto de ler seus comentários e admiro bastante sua argumentação, mas não sei se você de fato tentou colocar na minha boca uma fala que não é minha - o que seria no mínimo desrespeitoso, já que você não me conhece - ou se foi só um recurso de retórica. De qualquer forma, estou sempre aberto a aprender.
Abs

Anônimo disse...

Sejam mais coerentes! Não querem que a mulher seja dona de casa pra não ser subjugada ao marido. Mas se a mulher trabalha fora e contrata outra mulher pra cuidar do seu filho ai ela está explorando??? Vcs querem o que? Não posso pagar 3.400 reais por dois filhos em colégio integral! Pago impostos altos e nada pra mim sai de graça! Gostaria de ter mais sucesso e ganhar bem mais, inclusive geraria mais empregos domésticos e na minha micro-empresa! Vcs tem um ranço de quem é rica! Tenho amigas q são grandes médicas, advogadas, arquitetas e executivas de empresas, bem como tenho amigas que são mães em período integral porque querem (e porque podem=sustentadas pelo marido). Tenho amigas enfermeiras e professoras que ganham uma miséria e pensam em mudar de profissão! Vcs querem dizer a mulher que ela não deve crescer, é isso? Ao mesmo tempo em que condenam a mulher que é dona de casa, acusam de ser dependente? Gosto muito desse blog em termos, pra algumas coisas acho um desserviço. Ah, não voto no PT. Já votei, me decepcionei com as falcatruas e agora chega. Só é feminista se for pobre e de esquerda? Se for pra academia todo dia e andar com cabelo escovado não pode? Sou mulher de classe media e trabalho meio período porque quero e porque posso (marido é renomado na área dele e ganha bem). Tenho uma baba que fica com meus filhos de 2 anos pra eu ir trabalhar. Pago dois salários mínimos. Tem gente com formação superior ganhando isso.

Anônimo disse...

O que é ser anti-capitalista na prática dentro do capitalismo? Não vejo isso. Sou micro-empresária, tenho uma loja de roupas, e gero 4 empregos de vendedoras, e 2 empregos no lar. Gero principalmente muita renda em imposto pra um governo que não me dá nada em troca. Sou a favor dos direitos das mulheres, ou seja, da igualdade de gênero. Mas como votarei na Direita, sou empresária e tenho funcionárias formais no lar, sou exploradora e não posso ser feminista, é isso? A propósito, quando eu era mãe período integral (e não gerava 6 empregos) também era criticada, me perguntavam o tempo todo: e se vc se separar, como vai ser sua vida financeira? Quando eu era assalariada numa empresa, me questionavam: vale a pena ganhar tão pouco, sem ter perspectiva de crescimento e enquanto isso deixar seu filho pequeno numa escolinha o dia inteiro? Aí eu viro empresária, com muito custo, muita burocracia, muito imposto e pouco lucro, ainda vem uma "feminista" criticar pq estou colaborando com o capitalismo? Peraí! Quais são minhas opções? Deixar de lutar pra ganhar dinheiro? Ser pobre e morar numa favela pela mim não é opção! Gosto de conforto, seja através do dinheiro meu ou do meu marido, tanto faz. O único pecado é o dinheiro fruto da corrupção, coisa que nossos governantes, inclusive os esquerdistas, fazem muito bem. Vamos lutar por uma vida melhor pra todos e não uma contra as outras. Gostaria de comentários, se possível.

Anônimo disse...

1- As pessoas nunca estão satisfeitas."

É por isso que elas são pessoas. Se estivessem satisfeitas, seriam bois ou carneiros, não pessoas.


Viajou legal.

Na verdade, seriam só pessoas satisfeitas.

Estar satisfeito não altera o DNA ou a espécie de ninguém.

Sara disse...

meu feminismo não tem nenhuma conotação ideológica.
Quero apenas viver em uma sociedade em q as regras morais, econômicas e sociais sejam iguais para todos os sexos.

Anônimo disse...

Sara, sua linda! COmo sempre, foi no ponto principal. Que se dane se você vota no Maluf, o que eu quero é um salario igual. Estou falando isso no fFEMINISMO. Claro que se o assunto fpro outro e vc me falar que vota no maluf, vou ter um treco. Mas acho que se o femonismo quiser lutar contra tudo e contra todos, fica dificil. Foco gente.

E anonimo das 10h45, acho que foi pra mim que vc disse que era o comentario mimizento porque disse que tenho empregada, né?

Seguite: não falei que exploro, falei que tenho ( 2 horas por semana. assim pode?). So isso. E se você acha que é tão simples essa coisa de ter empregada ou não, dê uma olhada nos outros posts sobre isso aqui no blog, vc vai ver que o assunto é complexo, e por isso mencionei aqui.

Lia38

Roxy Carmichael disse...

o feminismo é plural porque as mulheres e suas realidades são plurais. isso não quer dizer que cada um luta pelo seu, e pronto, opressão de gênero resolvida. muitas aqui parecem acreditar nisso e vão dar com os burros n'água. aliás já tão dando, sinto informar. acho uma tristeza sem fim porque essa postura só nos afasta de uma autonomia real numa democracia realmente participativa. eu não vejo problema na mulher dizer: eu quero resolver o meu, foda-se a vida da mulher negra e pobre, isso não é culpa minha. agora, só não se autointitule feminista, porque vc tá não só ignorando, como contrariando o direito da maior parte das MULHERES do seu país. quem enche a boca pra falar isso por acaso já ouviu falar no termo FEMINIZAÇÃO DA POBREZA? sugiro que se informe pra nunca mais dar esse vexame de entender opressão de classe social e opressão de gênero como duas instancias totalmente independentes. algumas feministas (especialmente as dos países do sul num contexto pós-colonial) criticaram há um tempo a monopolização do movimento pelas mulheres WASP (brancas, classe média, carreiristas), porque as primeiras falavam em nome de todas enquanto os direitos pleiteados correspondiam a uma parcela muito limitada do grupo das mulheres, e pior, esses direitos podiam se chocar com os de outra parcela, parcela essa inclusive MUITO mais extensa.
eu não vejo problema algum em trabalhar e ter uma funcionária que trabalha na sua casa que é devidamente respeitada e tem seus direitos trabalhista integralmente garantidos. acho a profissão de empregada doméstica digníssima. mas essa não é a questão. é nossa obrigação como FEMINISTAS lutar para que as mulheres tenham OPÇÕES. e TODAS elas precisam disso. porque senão entra na cretinice da meritocracia: eu estudei, me formei, fiz cursos de idiomas, consegui com muita luta um trabalho foda que me permite agora pagar alguém pra trabalhar pra mim. ou então eu me casei com fulano que tem grana e me banca. como se o primeiro fosse uma questão de mérito (o que realmente nao deixa de ser, mas com TODAS as ressalvas do mundo, porque as oportunidades não são NEM DE LONGE iguais), e o segundo de casualidade (vc tem grana e se move num meio de grana e as relações afetivas são extremamente endogâmicas nas classes sociais, é muito difícil pessoas de classe social distintas de relacionarem, muitas vezes essas pessoas sequer se cruzam nas nossas cidades).
se queremos autonomia pras mulheres, é pra TODAS, se é pra algumas, NÃO É PRAS MULHERES, é prum grupinho quer sonha em fazer parte do clubinho VIP e cagar pro resto. então nesse caso, eu particularmente voto muito mais por lutar para que o estado forneça serviços de qualidade (desde maternidade, até creches e escolas) e para uma mudança de consciência de HOMENS e MULHERES de que o trabalho doméstico e cuidador é responsabilidade dos dois adultos que habitam uma casa e não do gênero feminino( seja a moradora ou a empregada terceirizada), do que pagar uma empregada, me dar bem enquanto não faço absolutamente nada para que TODAS possam escolher como eu escolhi.

Feminista capitalista disse...

Os posts de Março e Abril estão fantásticos,melhores do que nunca! Queria ter comentado todos eles,mas não tenho tempo nem pra dormir direito,quanto menos comentar frequentemente (quem lê até pensa que sou super ocupada hahahaha!) Tudo bem que se eu usasse eu tempo livre pra fazer comentários ao invés de ficar assistindo bobeiras no youtube,eu provavelmente comentaria mais ao invés de só ler,mas isso não vem ao caso rrsrss.


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Quanto a este texto ele é difícil mesmo,vou ter que ler de novo,porque definitivamente não entendi a o que a autora quis dizer ou sugerir quando critica o fato de que hoje a renda familiar é dupla e de que o feminismo permitiu as mulheres desenvolverem um ‘carreirismo’; usando este termo com uma conotação negativa.

Primeiro que, usar uma palavra tal qual “carreirista’’ para determinar a ambição feminina que o feminismo permitiu,quando este termo raramente é usado pra descrever homens, por si só não é uma atitude patriarcal,machista por parte da autora? Pra mim, ela escorregou nesse comentário aí.

Segundo, numa sociedade e num tempo em que os estereótipos de gênero ainda estão super vivos e continuam a ser levados muito a sério (ou por acaso paramos de vestir as garotas de cor de rosa?) se não estimularmos o sonho da independência,da ‘ambição carreirista’, de uma carreira a ser seguida e amada,o sonho de trabalhar e se realizar também através dele, de descobrir uma vocação e se amar o que faz,tal qual isso é estimulado no sexo dito ‘dominante’,pra que enfim garotas aprendam a se ver desde o nascimento como seres próprios, desvinculadas do sexo masculino, o que é que vai sobrar pra nós?

O ideal de nos casarmos e alimentarmos a fantasia do príncipe encantado(que geralmente é sapo)?
Sendo que em pleno 2014 este ideal continua fortíssimo,pelo menos na sociedade brasileira e ainda tem um grande peso em nossas vidas? A autora gostaria que todas nós exercêssemos papel de donas-de-casa com muito orgulho e um sorriso no rosto, sendo que n[os já exercemos este papel durante o patriarcado todo e onde ele nos levou?
A dependência,a servidão!


Sei que essa não foi a intenção da autora (não pode ter sido!) mas a impressão que me deu, é que ela sugere (ainda que sutilmente) que o mundo era melhor em 1935 quando as poucas mulheres que trabalhavam ou eram desquitadas, ou eram jovens e solteiras, porque as típicas casadas eram sustentadas com orgulho pelo marido, será que se nos prestássemos a esse papel, teríamos mais tempo pra solidariedade ao próximo e o tiro não sairia pela culatra(como ELA parece acreditar) e o mundo então seria menos capitalista? alguém me ilumina aí.

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Achei de péssimo gosto a imagem onde a garota segura uma placa que diz “When someone tells you they got rich through hard work ,ask them, ‘whose’? ’’

Quem acredita plenamente nisso, deve acreditar em estereótipos ultrapassados, é justamente essa imagem da classe alta como necessariamente vilã e sem caráter que me causa certa antipatia a alguns tipos de discurso da ‘esquerda’.

Quem reza por essa cartilha só deve ter conhecido pessoas ricas através das telenovelas.

Feminista capitalista disse...

Quanto ao debate sobre capitalismo, um pouco do que penso é o seguinte,acho que o capitalismo selvagem,ultrapassado,comandado exclusivamente pela minoria homem-hétero-branco do tipo aquele presente nos EUA,onde alguns se tornam as pessoas mais ricas e esbanjadoras do mundo,num baita luxo enquanto outras moram em trailers minúsculos e casebres nojentos caindo aos pedaços,merece sim nossa atenção e nossa crítica por razões mais que óbvias, há algo de muito errado aí.

Porém, por outro lado o capitalismo pode ser também uma arma em nossas mãos, a medida que nos permite nos ‘igualarmos’ aos homens e assumirmos o poder frente a nossa própria vida, através do dinheiro.
Eu não amo o dinheiro, e não gosto de consumismo exarcebado, eu tmabém não acho que o capitalismo seja algum dia, ou foi,ou sob qualquer hipótese será o herói do feminismo, mas convenhamos que antes da existência da produção em massa, e da participação feminina se fazer necessária no mercado de trabalho,a nossa própria existência nunca foi melhor do que agora,talvez tenha sido pro gênero masculino, agora nós nunca estivermos tão empoderadas. Sei que isso não é graças ao capitalismo, mas assim como ele serve pra nos denegrir serve também pra nos ajudar, nos conceder poder e frente a isso eu jamais poderia me concentrar apenas no lado negativo dele, ponto pra nós.


Ah, pra mim feminismo tem muitíssimo a ver com valores democráticos, com a liberdade acima de tudo e muito com o ‘ser liberal’; sei que vão me apedrejar por isso, mas nesse sentido, ao contrário da maioria fica muito difícil pra mim ver-se como feminista e anti-capitalista, quando levo em consideração que os países onde as mulheres mais tem liberdade em suas mãos,mais levam vidas pró-feministas, onde o machismo é mais fraco, e onde os direitos humanos são mais respeitados são justamente aqueles que são capitalistas, ao passo que os que se intitulam
anti-capitalistas são justamente campeões em mentes retrógradas,conservadoras e injustiças e barbáries.


Além do que, países anti-capitalistas,costumam ser por natureza totalitários,anti-democráticos e o poder fica totalmente concentrado na mão do governo, onde uma ínfima minoria passa a decidir o destino de uma grande maioria,e todos os aspectos de sua vida ;praticamente igual a ditadura militar, sendo que essa, olha só que ironia, era capitalista. Ou seja, a falta de liberdade desses regimes realmente me incomoda.


Outra coisa, eu gosto que o governo se faça presente, preze pela responsabilidade social, e esteja no controle de muitas coisas, mas eu odiaria viver numa sociedade onde nossas opções são mais limitadas e o governo esteja no controle de absolutamente tudo, não considero a iniciativa privada de todo maléfica, apesar dos apesares, acho que em muitos aspectos ela ajuda, por isso não me oponho ao capitalismo, e sim ao capitalismo selvagem, de adoração e endeusamento as empresas.
Além do mais, eu adoro,todo o avanço cientifico e tecnológico que o capitalismo proporcionou.


Podem de me chamar de ingênua, mas eu acho que o capitalismo não exclui a responsabilidade social, só o capitalismo selvagem e retrógrado.


Outro detalhe, me incomodam discursos do tipo ‘ Não existe feminismo dentro do capitalismo’, ou ‘Só existe feminismo se existir socialismo’; pois que eu saiba seja qual for o modelo econômico, os homens continuam no topo, com o poder quase todos pra eles, tanto que ao contrário do feminismo esses grupos e partidos de apoio total ao socialismo costumam ser liderados por homens, tendo as mulheres como coadjuvantes tal qual na sociedade atual. Portanto acho ingenuidade acreditar que o fim do capitalismo automaticamente significaria o fim do machismo.


Que eu me lembre, o principal objetivo do feminismo é,antes de mais nada: A mulher como protagonista na destruição do patriarcado e na morte da misoginia. E que eu saiba o patriarcado já existia muito antes do capitalismo e consequentemente antes do comunismo e socialismo,até antes da anarquia.


Marina P disse...

"Blogger Sara disse...
meu feminismo não tem nenhuma conotação ideológica.
Quero apenas viver em uma sociedade em q as regras morais, econômicas e sociais sejam iguais para todos os sexos."

Sara, faço das suas as minhas palavras. A mulher é oprimida no mundo inteiro, em países com diferentes tipos de governo, ditaduras, sistemas políticos e econômicos. Sinceramente, pra mim esse raciocínio segundo o qual só é realmente feminista quem é de esquerda é de uma ingenuidade e simplificação imensa (mas sei que muitxs acham a minha posição igualmente simplista e ingênua!).

Também tenho muita dificuldade em entender porque várias pessoas de esquerda estão sendo rotuladas de direitistas quando criticam alguma coisa desse governo, por exemplo... Parece que se você não for esquerdista radical, seu feminismo não vale nada, isso quando ele é considerado ser feminismo de verdade.... Deve existir uma cartilha do que pode e do que não pode guardada a sete chaves que eu ainda não li...

Anônimo disse...

Queridas comentaristas e Lola:

Com o único intuito de acrescentar fontes para esta discussão superinteressante, deixo aqui um link:


http://www.anovademocracia.com.br/no-2/1410-so-a-mulher-proletaria-pode-combater-a-opressao-femimina


É sobre uma das faces do feminismo, o Movimento Feminista Popular, que - pelo nome - já dá pra ver que se situa mais a esquerda. Este movimento relaciona diretamente a opressão feminina à luta de classes, e afirma que as duas são inseparáveis (ao menos para as mulheres pobres, já que as "burguesas" tem mais oportunidades econômicas e sociais de se emancipar do que as "proletárias").

Quero deixar bem claro que isto não é um ataque às feministas que se intitulam capitalistas (aliás, a última comentarista deu um show de argumentos - com os quais não concordo integralmente, mas respeito sua retórica bem construída) é apenas um bom texto - na verdade, entrevista - que fornece contextualização histórica e boa argumentação que complementam o post da Lola. Quem é de esquerda vai gostar mais, é claro.

aqui uns trechos da entrevista com a professora Elba Ribeiro, formada em ciências sociais, pra deixar com vontade:

"Quando a mulher cozinha, lava, passa, cuida dos filhos e dos idosos da família, e executa uma infinidade de outras tarefas domésticas, garante a reprodução da força de trabalho para as classes exploradoras na forma de trabalho gratuito, não pago. Os salários podem ser mantidos em níveis baixíssimos, uma vez que o empregador não precisa desembolsar nem um tostão para garantir seu empregado alimentado e vestido no dia seguinte deixando seus filhos cuidados em casa. É assim que o capitalista explora o operário de duas formas: na fábrica, com pouca paga, e em sua casa, através da exploração do trabalho não pago da mulher."

"No caso da mulher trabalhadora da cidade e do campo, a exploração é dupla, pois o ingresso da maioria esmagadora das mulheres na produção não foi acompanhado de nenhum benefício que as alivie do trabalho doméstico.

Ao contrário, nas classes exploradoras, a mulher compra esse alivio das mãos das mulheres proletárias e camponesas, explorando-as como babás e empregadas domésticas. A libertação da opressão sexual é também comprada pela mulher burguesa e latifundiária, com sua emancipação econômica. Desta forma, as mulheres das classes dominantes são as únicas que podem atingir a mesma condição do homem de sua classe, nos marcos do sistema capitalista."

"A tese da libertação feminina historicamente aparece como uma tese burguesa, defendendo como contradição principal a luta entre homens e mulheres em geral, camuflando a raiz da opressão da mulher (que é a propriedade privada e a família monogâmica). Esta tese se desmascara cada vez mais como feminismo burguês, que, com sua proposição de "união de todas as mulheres" independentemente de sua classe social, divide o movimento popular, afasta desta luta as mulheres das classes exploradas. O feminismo burguês, na verdade, opõe-se ao desenvolvimento do movimento feminino sob o ponto de vista de classe, sob a direção e condução do proletariado."

Não acho que este post foi uma crítica às mulheres que trabalham, não se sintam atacadas! É uma crítica ao sistema, e não às pessoas que o reproduzem, particularmente. Não é culpa de ninguém fazer o que pode, dentro das possibilidades que a vida lhe apresenta, para ter uma vida digna. Porém, acho que cabe, no mínimo, a reflexão e também assumir seus privilégios de classe e a responsabilidade por atitudes antiéticas (pagar pouco às mulheres pobres é sim opressão, não tem outro nome. Desculpe.).


Respeito o posicionamento político de todas as colegas, apenas desejo incrementar a discussão! Vale a pena ler a entrevista na íntegra.

Um abraço

Anônimo disse...

Nem eu disse que você explora, mas até aí, você também não disse que leu o que eu escrevi com atenção.

Anônimo disse...

Calma!!!!! É isso mesmo. Mulheres são sufocadas, criticadas não importa para onde corram, e é isso que o feminismo deve combater! Por isso tão complicado amarrar feminismo a ideologia política, por exemplo, ou questões ambientais. Porque como alguém falou aí, não vi comunismo ou socialismo trazendo igualdade de gênero: todas as ideologias incorporam o machismo em sua prática.

E essa questão do emprego vive voltando à tona. O problema obviamente não é ter empregados (exceto talvez para os anti-capitalistas). Eu sou empregada de alguém. Adoro. Não tenho coragem de ser empresária no Brasil, muito sofrido. Mas eu adoro ser empregada porque tenho bom salário e bons benefícios. Então é isso, e isso não pode valer só pra mim porque sou branca e tive boas oportunidades de estudo. O empresário justo tem em mente o bem estar de quem presta serviço a ele, pois é em troca de bem estar que o serviço é prestado. Se essa relação é respeitada, tudo certo. Agora, normalmente, quando se fala em empregados domésticos, essa relação não é respeitada, pois a preguiça fala mais alto que a justiça (a pessoa não pode pagar o justo mas se recusa a fazer faxina no fim de semana então paga "o que pode"). Às vezes há o respeito sim, e não necessariamente você está sendo julgada por ser empresária e ter empregados domésticos. Talvez você esteja mesmo gerando 6 bons empregos.

Anônimo disse...

Não vi ninguém aqui com ranço de quem é rico não. E condenar dona de casa? Oi? Também não. Sua babá trabalha em tempo integral para cuidar dos seus dois filhos? Desculpa mas se você publicou quanto paga é porque quer opinião e a minha é de que 1400 reais por mês é muito pouco. E o comentário "tem gente com formação superior" ganhando isso mostra bem o que você pensa de quem não tem. Você acha que cuidar de duas crianças pequenas é uma tarefa inferior, e que por isso, 1400 reais é uma beleza.

Também não entendo sua conta. A mensalidade da escola em tempo parcial dos seus filhos é muito menos que 1000 reais por criança? Porque só assim vale mais a pena gastar 1400 com babá a 3400 pelos dois filhos em tempo integral na escola.

Anônimo disse...

Oi, Lola. Gostaria de te indicar um livro: "O Individualismo: Uma Perspectiva Antropológica da Ideologia Moderna" (Louis Dumont), Editora Rocco.

donadio disse...

"Achei de péssimo gosto a imagem onde a garota segura uma placa que diz “When someone tells you they got rich through hard work ,ask them, ‘whose’? ’’

Quem acredita plenamente nisso, deve acreditar em estereótipos ultrapassados, é justamente essa imagem da classe alta como necessariamente vilã e sem caráter que me causa certa antipatia a alguns tipos de discurso da ‘esquerda’."

Olha, o problema é que ninguém enriquece através do "próprio trabalho". Até por que não existe algo que possa ser chamado de "próprio trabalho". Eu aqui digitando bobagens nos comments do blog da Lola... talvez eu pudesse, sei lá como, ganhar dinheiro com isso (talvez se a Lola me destinasse uma percentagem dos milionários estipêndios que os mascus acham que ela recebe do PT). Mas eu dependeria ainda assim da internet, da eletricidade, do transporte, das tarefas domésticas que alguém tem de fazer enquanto eu digito bobagens aqui... sem essas coisas, o "meu" trabalho simplesmente não existe. O trabalho de cada um depende do trabalho de todos os outros, nós vivemos em sociedade, não numa selva, por mais que o capitalismo fantasie as relações profundamente sociais que mantemos um com os outros como relações ecológicas entre feras selvagens que se entredevoram umas às outras.

Então, para concordar com a garota da placa... "whose"?

donadio disse...

"o capitalismo selvagem, ultrapassado,"

Não me parece que o capitalismo selvagem esteja ultrapassado. Ao contrário, me parece que está cada vez mais na moda... na verdade, eu tenho às vezes a nítida impressão de que o século XX terminou e o XXI se recusa a começar, de maneiras que estamos de volta ao XIX.

Cml disse...

Eu sou de Direita e Feminista. E agora, Lola? Vai roubar minha carteirinha? 0u vai reconhecer que ideias Feministas não dependem de uma soh variável dentro do espectro político?


Quando você se foca em pautas que o Feminismo abrange, se sai bem... Mas, na boa, quando tentar falar de política, estuda antes.

Fica aí uma dica de leitura pra ver se a arrogância dos Feministas Esquerdistas diminui:
http://www.buzzfeed.com/kevintang/why-feminists-shouldnt-police-other-womens-clothing-choices

Isso não vale soh pra roupa. Agora me vê o pedaço do lado Direito da torta! ;)

Anônimo disse...

Nem li muito pois o título já está errado. O feminismo vai levar ao fim do capitalismo, ou seja, a humanidade vai desmoronar.

Anônimo disse...

Olá, Lola!
Estou realizando minha monografia sobre o tema da mulher na economia brasileira. Acredito que algumas questões importantes devem ser ponderadas na luta feminista e anti-capitalista. Em primeiro lugar precisamos ter em conta que o estágio de desenvolvimento dos países centrais que trouxeram uma quase equalização dos rendimentos entre homens e mulheres foram fruto da exploração que essas economias desenvolvem nos países da periferia capitalista. Não sei qual a sua área de estudos, mas eu enquanto estudante e futura economista gosto de me apropriar da teoria marxista da dependência, que discorre sobre a condição de subdesenvolvimento irreversível na América Latina enquanto o povo (leia-se a classe trabalhadora, excluindo as burguesias disso) não apoderar-se de fazer por sua própria conta uma revolução social.
Bom, venho postar aqui porque achei o texto extremamente interessante, e caso vc tenha alguma leitura feminista que vá no sentido do que eu estou escrevendo, ou se quiser trocar figurinhas, eu estou interessada. Debater a questão da mulher no mercado de trabalho é bastante delicada no sentido do que o próprio texto coloca, pq se não tivermos cuidado entramos numa ilusão de igualdade de gênero esquecendo da opressão que o capitalismo exerce. Enfim, muito bonito uma executiva de cor branca, empreendedora, panfletagem ideológica pura. Vamos falar mais sobre as negras faveladas que sofrem todos os dias por serem mulheres e pobres.

Anônimo disse...

Sim, o capitalismo deu mto certo com milhões morrendo de fome pelo mundo. Produzindo alimentos mais do que suficientes pra alimentar toda a população do planeta. Tem que ser uma pessoa mto alienada ou mt cruel pra defender um sistema que causa a morte de milhões. Morte por fome e por falta de outros direitos básicos, como saúde e moradia. Que horror!