segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A ACUSAÇÃO DE ABUSO DE WOODY ALLEN

É irônico, mas sabe sobre o quê eu tinha planejado escrever hoje? Sobre o excelente filme dinamarquês A Caça, que concorre a melhor filme estrangeiro, e que trata de uma falsa acusação de abuso infantil. Ainda vou escrever sobre a obra, mas não hoje.
Hoje tenho que escrever sobre a carta aberta (aqui, em inglês) que Dylan Farrow, hoje com 28 anos, escreveu sobre ter sido sexualmente molestada por Woody Allen quando criança. E é muito difícil, porque já recebi e publiquei dezenas de relatos de mulheres que foram estupradas, muitas delas quando crianças. Eu sempre acredito na vítima, e detesto quando alguém diz que é mentira, ou que eu que inventei o relato. Como se pessoas não fossem estupradas todos os dias e eu precisasse criar histórias!
Por outro lado, acredito também na presunção da inocência, no velho “inocente até ser provado culpado”. Sou contra linchamentos. É óbvio que é muito difícil comprovar abuso, e as estatísticas estão aí pra provar (apenas 3% dos denunciados por estupro passam sequer um dia na prisão). Estupro é um crime impune. É um crime em que rotineiramente se duvida da vítima. E a enorme maioria das acusações de estupro são verdadeiras. A estimativa do FBI é que somente 2% das acusações são falsas. Mas nem por isso podemos condenar sem investigação, sem julgamento, alguém acusado de estupro. Seja ele quem for.
Dylan adolescente com Mia
Também tem outra coisa: não sei até que ponto acredito em verdade absoluta. Algo muito comum em casos de abuso sexual infantil é que a pessoa se lembra de flashes. A mente tenta barrar o que é difícil demais de aguentar. Em muitos, muitos casos de abuso infantil, a pessoa adulta não tem certeza se aquilo aconteceu mesmo. E, assim como é possível apagar memórias, também é possível criá-las. 
Dylan, Mia e Tam em 1992
É possível que uma pessoa acredite tanto numa história que, pra ela, aquela é a verdade. Não quer dizer que esteja mentindo. Pra ela, não é uma mentira. Ela acredita. Mas nem por isso necessariamente aconteceu. (Nisso eu tenho um exemplo muito próximo: minha mãe. Nada a ver com abuso, mas ela cria fantasias sobre momentos do passado que eu acho que nunca aconteceram. Não digo que ela é mentirosa, porque ela acredita no que está contando). 
Então, sobre o caso Woody Allen, eu acompanhei muito tudo isso. Estava vivíssima em 1992, quando o escândalo estourou. Na época não havia internet, mas li tudo que podia, inclusive o longo artigo de Maureen Orth na Vanity Fair, totalmente pró-Mia. Sim, porque foi uma guerra violenta entre Woody e Mia. Começou em janeiro de 92, quando Mia encontrou, sem querer, fotos íntimas de sua filha adotiva Soon-Yi no apartamento de Woody, em Manhattan. 
Eu tento me colocar no lugar de Mia. Eu a admiro. Primeiro que ela fez algo que pouca gente, famosa ou não, faz: adotar crianças em situações de risco que ninguém mais queria. Ela adotou crianças miseráveis de vários países: Soon-Yi quando tinha sete anos, na Coreia, filha de prostituta e que havia vivido na rua antes de ir pra um orfanato; Moses, que tinha paralisia cerebral; duas crianças cegas, e por aí vai. Tem gente que encara isso como uma muleta emocional e vê as adoções com cinismo, e não entendo porquê. Acho absolutamente louvável. 
Bom, aí você é Mia, uma estrela de cinema desde pequena, filha de atores, ex-esposa de ninguém menos que Frank Sinatra e do célebre maestro Andre Previn, e está num relacionamento pouco convencional com um dos diretores de cinema mais conhecidos e respeitados no mundo, Woody Allen. O relacionamento é pouco convencional porque eles não habitam o mesmo teto, nem são legalmente casados, mas estão juntos há doze anos e fizeram treze filmes (filmes que devem muito do sucesso não só ao talento de Woody, mas ao de Mia). 
Aí você encontra fotos íntimas do seu parceiro (que tem 57 anos) com a sua filha de 19 ou 21 (não há registros confiáveis de quando Soon-Yi nasceu). Como assim? É lógico que isso é horrível e inaceitável. E ver a atitude pública de Woody, como se não tivesse havido nada de errado, é chocante. Na época, ele disse à revista Time: “Não vi qualquer dilema moral”.
Um dos erros de Woody foi justamente esse -- sua falta de senso moral. Ele nunca se arrependeu, e parece que nunca se deu conta, de que envolver-se com Soon-Yi, filha de sua companheira, era mais que uma traição. E que pros seus outros filhos, pros irmãos de Soon-Yi, isso tinha potencial para destruir uma família, o que de fato aconteceu. Se nem pro público Woody pediu desculpas, é claro que não pediu pra Mia, nem pras crianças. Essa arrogância, que ele mantém até hoje, com certeza piorou tudo. 
Woody provavelmente começou o relacionamento com Soon-Yi dois anos antes de Mia encontrar as fotos. Em 1990, um fotógrafo flagrou os dois de mãos dadas enquanto assistiam um jogo. A foto (ao lado) só foi publicada depois, no meio do escândalo (o paparazzo comprou um apartamento com ela), mas rumores surgiram numa coluna de fofocas. Woody conseguiu convencer Mia que não tinha nada com Soon-Yi. Até ela encontrar as polaroides comprometedoras em janeiro de 92. 
Eu li a biografia de Marion Meade, publicada em 2000, The Unruly Life of Woody Allen. Se o livro não é exatamente pró-Mia, ele é bem anti-Woody. E apresenta uma pesquisa que parece ser consistente. Meade conta que Mia, compreensivelmente nervosa, ligou para Woody e gritou: “Fique longe de nós!” E foi para casa. “Vinte minutos depois de Mia encontrar as fotos, todo mundo na família já estava sabendo”, diz Meade. Woody também foi lá pouco depois, quando as crianças estavam jantando. Ele não falou nada, não se desculpou, só ficou perto da parede. Um a um, os filhos de Mia se levantaram da mesa e levaram o prato pra comer no quarto. 
Por incrível que pareça, o relacionamento de Woody e Mia não acabou naquele dia. Durou meses ainda,  meses de muitas brigas e discussões. Woody conta que Mia ligava pra ele várias vezes por dia, a qualquer hora da noite, e o ameaçava. Ela entregou a ele um cartão de Valentine's Day, em fevereiro, com a foto da família e agulhas espetando cada coração, enquanto uma faca (com o cabo coberto por uma foto de Soon-Yi) cortava o seu (imagem ao lado). 
Apenas 2 ou 3 meses antes, em dezembro de 91, Woody tornou-se o pai adotivo de Dylan, então com 6 anos, e Moses, 13. Para que isso fosse possível, Mia teve que escrever uma carta recomendando Woody como pai. Porém, algumas coisas a incomodavam: Woody brincava de por a cabeça no colo de Dylan e a encorajava a colocar o polegar dele em sua boca. 
Ronan e Mia em foto recente
Mia achava que a proximidade de Woody com Dylan era anormal, e Woody achava que a proximidade de Mia com Satchel era anormal (Satchel, hoje Ronan, é o único filho biológico de Woody e Mia. Em novembro do ano passado, a Vanity Fair requentou as acusações contra Woody, e Maureen Orth perguntou a Mia se Ronan era filho de Frank Sinatra, ao que Mia respondeu “Possivelmente”). 
Devido às reclamações de Woody e Mia, em 1990 tanto Dylan quanto Ronan foram avaliados por psicólogos, e passaram a fazer terapia. Woody também teve sessões com a Dr. Susan Coates (dois anos depois, Dr. Coates disse no tribunal que entendia a preocupação de Mia em relação a Woody e Dylan. Segundo a psicóloga, “Eu não via como algo sexual. Mas eu via como algo inapropriadamente intenso que excluía todo mundo”). 
O dia 11 de julho de 1992 marcou o aniversário de 7 anos de Dylan, e Mia convidou muita gente, incluindo Woody, para a festa na sua casa de campo em Connecticut. Mia havia pedido a Woody para “não monopolizar Dylan”. Mas chegou um ponto na festa em que ele levou Dylan para brincar no lago. Mia ficou furiosa. 
Ele dormiu no quarto de hóspedes, como de costume. Ao acordar, encontrou em sua porta um bilhete de Mia dizendo: “Molestador de crianças em festa de aniversário! Moldou e então abusou de uma irmã. Agora se empenhando na irmã mais nova. Família enojada”. 
Porém, o dia fatídico, o dia em que Dylan descreve em sua carta, foi 4 de agosto. Esta é a versão de Mia do que aconteceu neste dia, na sua casa de campo, segundo o que foi publicado em 1992 na Vanity Fair (minha tradução):
“Woody foi a Connecticut visitar seus filhos, e Mia e Casey [uma amiga] foram fazer compras, levando duas das crianças adotivas mais recentes -– uma menina vietnamita cega chamada Tam, 11, e Isaiah, um bebê negro de 7 meses nascido de uma mãe viciada em crack. Enquanto eles estavam fora, houve um breve período, talvez 15 minutos, em que Woody e Dylan desapareceram de vista. A babá que estava dentro da casa procurou por toda parte por eles, mas não conseguiu encontrá-los. A babá fora da casa também procurou e concluiu que os dois deviam estar dentro em algum lugar. 
Quando Mia voltou pouco depois, Dylan e Woody estavam em casa, e Dylan estava sem calcinha. (Allen disse depois que não havia estado sozinho com Dylan. Ele se negou a entregar amostras de cabelo e impressões digitais à polícia de Connecticut a menos que fosse assegurado que nada que dissesse poderia ser usado contra ele). Woody, que odiava o campo e trazia seu próprio tapete de banheiro para evitar germes, passou a noite no quarto de hóspedes perto da lavanderia próxima à garagem e foi embora na manhã seguinte. 
Naquele dia, 5 de agosto, Casey chamou Mia para relatar algo que a babá lhe havia dito. No dia anterior, a babá de Casey estava na casa procurando uma das crianças e ficou surpresa ao entrar na sala de TV e ver Dylan, no sofá, usando um vestido, e Woody ajoelhado no chão a segurando, com o rosto dele no colo de Dylan”. 
Assim que Mia perguntou a Dylan sobre isso, a menina contou que ela e o pai foram ao sótão e que, se ela ficasse quieta, ele a colocaria num filme e a levaria a Paris. Quando, segundo Mia, ele tocou “na parte íntima” de Dylan, Dylan disse a ele: “Isso dói. Eu sou só uma criança pequena”. 
No mesmo dia, Mia levou Dylan ao pediatra, que perguntou onde era a parte íntima que seu pai havia tocado, e ela apontou para o ombro. No dia seguinte elas voltaram ao pediatra, e Dylan contou o que havia contado a Mia. O pediatra examinou Dylan e disse que ela estava “intacta”, mas que ele precisaria, por lei, reportar o caso à polícia. Mia ficou desesperada. Ela não queria que aquilo vazasse.
Não sei se vocês conseguem imaginar o circo midiático que teve início. Todo dia tinha notícia fresquinha sobre Woody e Mia. Era como se toda a imprensa fosse um tablóide sensacionalista. Diziam que Mia tinha tentado suicídio. Que Woody a queria de volta. Que Mia quebrou uma cadeira em Soon-Yi. Que Woody não gostava de Ronan e o havia chamado de “bastardinho”. Que Mia gostava demais de Ronan, e por isso não dava atenção a Dylan. 
Que Soon-Yi era retardada (vejo até feministas, vinte anos depois, repetindo isso, tirando a agência de uma moça de 19 ou 21 anos. Recomendo que vejam o documentário Woody Allen em Concerto, de 1998, onde Soon-Yi aparenta ser espirituosa e inteligente. Quem a vê como “a vítima com problemas cognitivos de quem uma figura paterna tirou proveito” não deve entender como Woody e Soon-Yi estão casados há 16 anos). Que o casamento entre Mia e Woody já tinha acabado quando Mia encontrou as fotos. Era todo dia uma nova revelação pra acabar com a reputação dos dois (e claro que não podia faltar o repertório de piadas racistas contra Soon-Yi).
Como a carreira de Woody não foi encerrada naquele momento, é um milagre -- de cada dez cartas que chegavam às redações, nove eram contra ele. Por mais que Mia tenha ficado com fama de ex-esposa histérica e ressentida (fama esta reforçada pela declaração do advogado de Woody dada ontem, “É trágico que após vinte anos uma história inventada por uma amante vingativa volte à tona depois de ter sido completamente rejeitada por autoridades independentes. A culpada pela agonia de Dylan não é Dylan nem Woody Allen”), Woody ficou com a amoralidade de trocar a parceira pela filha dela, 37 mais jovem que ele, e com a suspeita de ter abusado sexualmente de Dylan, sua filha de 7 anos. Essa suspeita estará no seu obituário quando ele morrer.
No entanto, em 1992, o caso foi investigado durante seis meses pela prestigiosa Clínica de Abuso Sexual Infantil do hospital Yale-New Haven, que já havia investigado cerca de 1,500 casos similares. Foi o promotor do caso que escolheu a clínica. Os psicólogos falaram com Dylan e as outras crianças inúmeras vezes, e entrevistaram Woody para traçar um perfil psicológico e decidir se ele era um pedófilo. 
As duas perguntas principais que um trio de três psicólogos, duas delas mulheres, tinham que responder eram: Dylan foi sexualmente abusada? Ela estava falando a verdade? De acordo com Meade, “Na opinião dos especialistas, as respostas para as duas perguntas eram não. Não havia evidência física de abuso sexual e, portanto, nenhuma chance de Woody haver sexualmente molestado sua filha. O relato de Dylan parecia ser as fantasias de uma criança emocionalmente vulnerável vivendo com uma família perturbada, uma resposta ao stress que ela não podia suportar.” 
Mesmo diante dessa conclusão, o promotor resolveu seguir com as investigações. Ele preferiu não fazer uma acusação formal para evitar um julgamento traumático para a criança. Foi uma declaração no mínimo estranha (algo como "acredito que você seja culpado, mas não quero processá-lo, e não te darei a chance de ser inocentado"), e o promotor foi brevemente suspenso.
Woody nunca foi condenado por nada, mas perdeu o processo em que pedia a custódia de Dylan, Moses, e Ronan. O juiz, que chamou Woody de “insensível e não confiável”, determinou que o cineasta não poderia visitar Dylan, e que Moses deveria decidir por ele mesmo se queria vê-lo (Moses não quis. Hoje, ele é um fotógrafo de 36 anos que não mantém contato com Mia, e que voltou a falar com seu pai e com Soon-Yi. Ele contou ao documentarista Robert Weide que o que se passou naquela casa em 1992 foi uma “lavagem cerebral”). Ronan iria ver seu pai em três visitas semanais supervisionadas, mas elas não continuaram por muito tempo.
Pra mim, o que pega mesmo é o timing. Se o abuso sexual tivesse ocorrido antes, em 91, por exemplo, eu não hesitaria em acreditar que aconteceu. Mas agosto de 92 foi no meio do escândalo. 
Como disse Woody ao programa de TV 60 Minutes, em 92: “Vamos ser racionais. Tenho 57 anos. Não é ilógico que, no meio de uma briga amarga e mordaz por custódia, eu vou dirigir até Connecticut, onde ninguém gosta de mim e onde estarei numa casa cheia de inimigos, e de repente, durante a visita, eu escolha esse momento da minha vida para me tornar um molestador?”
Woody e Dylan nunca mais se viram ou se falaram depois daquele dia.
O relato de Dylan Farrow é triste e chocante, e eu, como feminista que luto todos os dias para combater a cultura de estupro, fico feliz que suas palavras tenham atraído tanta atenção. Espero que este caso marque o começo de uma nova era em que o senso comum não duvide da palavra da vítima. Mas vamos fazer isso sem linchamento do acusado. Todo caso precisa ser investigado e julgado antes que haja uma condenação.


Estátua de WA na Espanha
UPDATE: Uma semana depois, Woody também publicou sua versão no NYT. Não gostei nada do que ele escreveu. Mais uma vez, ele se mostra insensível em relação a ter traído Mia com a filha dela, Soon-Yi. Eu repito o que disse nos comentários: mesmo sem a acusação do abuso de Dylan, apenas o envolvimento de Woody com a irmã de seus filhos já teria sido suficiente pra que eles ficassem com raiva dele pro resto da vida. 
E, mesmo 22 anos depois, o máximo que ele concede é que sentiu-se "culpado que por ter [s]e apaixonado por Soon-Yi [e colocado] Dylan numa posição de ser usada como peão de vingança".
Só que antes ele diz, no trecho menos convincente de seu artigo: "estava nas deliciosas etapas iniciais de um novo relacionamento feliz com a mulher que eu viria a me casar".
Primeiro que este "novo relacionamento" muito provavelmente já havia começado dois anos antes, e depois que -- como assim, feliz?! WTF?! A família destruída, choro e desespero todos os dias, ameaças, escândalos, e Woody estava feliz? Duvido muito que houvesse a menor chance de alguém envolvido no escândalo (ele, Soon-Yi, Mia, qualquer uma das crianças) estar feliz durante aqueles meses infernais de 1992 e 93. 
Ele, óbvio, tenta jogar toda a culpa em Mia. Está bem claro que Mia não lidou bem (aquele cartão de Valentine's diz muito) e ainda não lida bem com a traição de Woody. O que é compreensível: o cara estava transando com a filha dela, uma jovem que ele conhecia desde criança. E ele não teve nem coragem de contar isso pra Mia. Ela teve que descobrir através de fotos íntimas! E ele teve (tem ainda) a pachorra de considerar aquilo a coisa mais normal do mundo (o pior é que ele declarou, numa entrevista pra Vanity Fair de 2005, que foi sorte Mia descobrir as fotos, que aquilo foi "pra melhor"!). 
Mas eu não compro a versão dele de que Mia mandou Dylan fazer a acusação, nem em 92, nem agora. Não creio que foi algo planejado. Creio que a fantasia do abuso (sim, desculpe, sigo acreditando que não houve abuso, e isso não quer dizer que eu pense que todos os abusos sejam fantasiados) surgiu no meio daquele ambiente de raiva e confusão. Woody é injusto porque, assim como o diagnóstico da clínica de New Haven atesta que não houve abuso, o mesmo diagnóstico inocenta Mia de ter fabricado a acusação (a conclusão da clínica não conclui se a afirmação de Dylan é por causa do stress, ou se ela foi influenciada ou instruída pela mãe). 
A única novidade que vi no que Woody escreveu agora foi que o cenário que (segundo ele) Mia criou pro abuso foi um sótão, sendo que Woody é claustrofóbico, e que a inspiração dela veio da canção de Dory Previn (cantora e ex-esposa do segundo marido de Mia) "With my daddy in the attic" ("com meu pai no sótão"), que está no mesmo disco da música-mensagem "Beware of Young Girls" ("Cuidado com mulheres jovens"), que Dory escreveu após Mia "roubar" seu marido, André Previn (juntos, Mia e André adotaram Soon-Yi). As duas canções que linquei são bem tenebrosas. 
Outra coisa que me espantou no artigo foi Woody cobrar integridade de Mia. Ele a traiu com a filha dela! É muito patético, muita cara de pau. Ele termina o texto dizendo que será a última vez que se pronunciará sobre isso.
A maior vítima dessa história toda, no entanto, é Dylan. Espero que ela fique bem (aqui ela rebate o artigo de Woody).

294 comentários:

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Anônimo disse...

“Isso dói. Eu sou só uma criança pequena”.
PORCO NOJENTO. E ainda tem quem defenda esse sujeito. Se ele não fosse o cineasta famoso que é, tenho a certeza que ninguém duvidaria da pobre criança que foi abusada por esse criminoso.

Anônimo disse...

Lola, assim como vc acompanhei o caso na época e me lembro muito bem do escândalo. Primeiro, por ele trocar a mulher pela filha e depois esse caso do abuso. Também tenho desconfianças pq o escândalo estourou no meio de uma briga judicial já mto feia. Li a carta da menina e fiquei muito tocada. Para mim, é evidente que ela acredita no que diz e que, portanto, foi sim vítima de alguma forma de abuso. Resta saber se por parte da mãe, do pai ou dos dois. Algumas coisas na carta dela me chamaram atenção. Qdo ela diz que ele teria usado o caso com a irmã para encobrir a história. Achei meio viagem, mas quem sou eu para dizer como ela deve se sentir? De qualquer forma, fiquei pensando também pq voltar a essa história agora. Antes dessa carta a Mia Farrow já vinha se manifestando e retomando o caso. Fiquei me perguntando se o final do Blue Jasmin não tocou algum ponto sensível dela. Enfim, muito triste tudo isso

Anônimo disse...

Na minha opinião, como homem e pai, o que fica de tudo isso: pobres crianças, deram o azar de serem filhas e filhos de um casal de pessoas perturbadas, tanto ele (Woody) quanto ela (Mia). O resultado é isso que se viu, um monte de acusações trocadas, baixarias, violência psicológica e verbal e no meio disso tudo os filhos então pequenos.
Infelizmente, não há como se chegar a uma conclusão sobre quem está mentindo, tamanha a confusão criada pelos pais. O fato de Woody ter ficado com a filha dotiva de Mia pesa muito contra o que ele diz, mas isso não significa que ele tenha abusado da própria filha. Realmente fica complicado acreditar que nom meio do furacão ele tenha ido até a casa de campo de Mia e abusado da filha, em meio a um "campo minado" de pessoas que não gostavam dele, mas de outro lado sabemos que abusadores de crianças não tem qualquer empatia, compaixão, freio, eles vêem uma oportunidade e não se controlam...falta de autocontrole que levou, Woody, inclusive, a se permitir apaixonar-se pela filha adotiva, décadas mais nova, da própria esposa. Eu, no lugar dele, jamais me permitiria dar vazão a uma paixão pela filha adotiva da minha esposa e mesmo que começasse a ficar interessado nela, me afastaria totalmente, sob qualquer pretexto, para nem deixar isso começar. Ele fez o contrário e levou adiante. Vai entender, eu não entendo. Mas é inegável que foi feita uma investigação profunda e nada foi encontrado contra ela, o que me leva a concluir que foi mais um caso de alienação parental. Sei lá, volto ao que disse antes: é tudo tão confuso e BIZARRO que não há como se chegar a uma conclusão.

André disse...

Esse lance de presunção de inocência não vale para a banda New Hit?

Ricardinho. o das batatas. disse...

Lolinha! só pra ficar claro: tudo isso é bastante baseado no que você acompanhou em 91 e, principalmente, nessa biografia que você cita. certo?

um beijo! eu agora tenho uma gata!!! :-D

Dri Caldeira disse...

Lola, acompanhei todos os acontecimentos como vc e vejo as coisas com quase todos os mesmos olhos q vc. Faltou um detalhe q me parece de suma importância: uma das poucas testemunhas de defesa do cineasta Roman Polanski, no caso do estupro acontecido em 1980,no EUA, ESTUPRO ASSUMIDO POR ROMAN, e que o levou à condenação e ao banimento de pisar em solo americano,foi PASMEM Mia Farrow. Esse detalhe mostra que Mia carece de critérios sobre o que realmente é certo e errado. E Woody tá pagando um preço bem alto pelo maior defeito dele, de ser um filho de uma puta frio e até calculista. Mas ele é metódico, jamais iria molestar uma criança sexualmente não somente por causa da briga q já se instaurara, mas pq ele terminava a pós produção de Husbands And Wives e pra esse cara frio, o trabalho em primeiro lugar.

Anônimo disse...

Tá, deixa ver se eu entendi o tom do texto. A Lola está em cima do muro, tentando encontrar veracidade nas palavras de uma criança abusada.

É só eu que me sinto extremamente incomodado com o fato de Wood Face, digo Woody Allen, ter se relacionado sexualmente com uma filha adotiva? Sério, por que isso é relativizado? Se ela fosse a filha legítima, aí sim seria um escândalo, mas como é adotiva, tá de boa?

Pois eu aposto que se ele não fosse a pessoa famosa e tida como "brilhante" por seu trabalho, ninguém, nem por um minuto, duvidaria do abuso. Mas né? Aquela coisa, o cara é tido como um gênio, as pessoas adoram babar ovo em seus filmes idiotas e então, vamos duvidar da menina, da família e da carta aberta onde ela conta o que houve. Claro, vamos duvidar da vítima, tal qual fazem os delegados com mulheres vítimas de estupro.

Se é assim, vamos ouvir o pessoal da banda New Hit. Afinal, podem ser alegações de adolescente histéricas, rejeitadas pelos ídolos, né?

"Não vamos duvidar da vítima, mas sem linchamento moral contra o acusado". Sei. Como ele é uma celebridade, coisa e tal, o peso da acusação é diferente. Mas se fosse o pedreiro da escola abusando de uma criança, acho que ninguém teria dúvidas da palavra dela. Fala sério, hein, Lola??

Caio Borillo

Ricardinho. o das batatas. disse...

Lolinha!

só pra ficar claro: os fatos que vc relata aqui são baseados no que foi noticiado em 91 e, principalmente, na biografia que você leu e citou. certo?

ah! a gente adotou uma gatinha! ela morava num posto de gasolina. linda! :-D

Anônimo disse...

Tá...o cara TRANSA com a filha adotiva da esposa, que tanto poderia ter "19 ou 21 anos" ou ser menor de idade. Tirava fotos dela pelada. E ainda resta dúvida se ele abusou da outra menina??? Gente, mudem o nome dele por um minuto apenas, não é o "famosão" Woody Allen, mas sim o João da Silva , que transa com a filha da namorada e ainda abusa da outra menina. Alguém iria duvidar que o cara é um canalha ???
Leiam os posts anteriores, inde as meninas perguntam se "foi ou não estupro" ...a grande maioria das pessoas concorda que foi estupro, sim, só que quando o cara tem um nome desses, muda a opinião da turma???

Fabi disse...

Óbvio que não é invenção da menina, nem que ela realmente acredita em uma mentira. Acredito plenamente no que ela diz e imagino a dor que sente uma vítima ver seu agressor aclamado, cultuado, endeusado. Nojento.
O fato de o abuso ter ocorrido no meio da crise familiar não retira a credibilidade do depoimento. Foi estupro. Ato de poder, praticado por um ser arrogante que queria provar que nada iria acontecer com ele. E, infelizmente, ele acertou.

Dri Caldeira disse...

Em tempo: DYLAN NÃO MENTIU. Ela pode ter sido induzida ao erro quanto à quem a molestou, mas ela não está mentindo.

Anônimo disse...

Sofri abuso aos 3 anos.
Não lembro do fato. Somente depois de velha, o fato veio a tona pois me descobri vagínica. Minha mãe comentou sobre o acontecido: ela chegou em casa após o trabalho e eu contei pra ela chorando que a empregada havia tentado colocar o dedo em minha vagina. Minha mãe demitiu a mulher e me levou ao pediatra. Fisicamente intacta, não procurou psicólogos para saber se aquilo traria problemas futuros.

Às vezes um abuso não deixa rastro físico e temporariamente nem psicológico. Às vezes a sementinha plantada na infância só vem a despertar na fase adulta, quando já é tarde demais.

Eu nunca duvido de uma vítima sexual. Seja ela uma menina de 5 anos ou uma mulher de 35.

Enfim, era só um desabafo de como uma vítima se sente toda vez que ouve coisas do tipo "o SUPOSTO abuso", "mas as roupas dela provocaram", "acho que ela está inventando"...
Dói. Apenas isso. Dói.

Marina disse...

Fiquei com uma dúvida..pelo q eu li da carta, não foi só em uma ocasião que ele a violentou - "For as long as I could remember, my father had been doing things to me that I didn’t like. I didn’t like how often he would take me away from my mom, siblings and friends to be alone with him. I didn’t like it when he would stick his thumb in my mouth (..) Tô loka?

Iaiá disse...

Lola,

Poxa, te admiro muito, mas você parece meio desesperada para defender um ídolo. Você diria tudo isso do Polanski também? Não acho que o Woody Allen corra o menor risco de um linchamento. Pelo contrário, ele é o gênio que estão sempre defendendo e a Dilan é a louca, a histérica, a pessoa marcada para sempre como vítima, não do pai abusador, mas da mãe louca e da própria histeria. Só não esperava que você quisesse ajudar a enfatizar esses papeis, o gênio e a menina perturbada. E ajudasse a colocar em dúvida a palavra da vítima.

Quanto ao relacionamento com Soon Yi, ela podia ter dezenove anos quando começou, mas ele era padrasto dela desde que ela tinha sete anos. Ou seja, ele representava alguma espécie de figura paterna para uma criancinha de sete anos de idade. Anos depois, esse relacionamento se transforma. Eu não entendo como.

Também fico triste com o questionamento do momento da denúncia. Existe momento certo para se denunciar? Não acredito que esse é um fator determinante, como você mesma declarou, para você acreditar ou não na vítima.

Anônimo disse...

Dri, a Mia confirmou no twitter q pelo menos agora não é mais amiga do polanski quando lhe perguntaram. Se bem me lembro o Woody tbm assinou aquele abaixo assinado para Polanski sair solto, isso significa alguma coisa ou só vale quando a Mia faz? Mas continuem chamando o Polanski pra discussão q não tem nada a ver com ele só pra sair do tema


E Woody tá pagando um preço bem alto pelo maior defeito dele, de ser um filho de uma puta frio e até calculista. Mas ele é metódico, jamais iria molestar uma criança sexualmente

Incrível o q acontece quando pessoas pensam q conhecem celebridades a ponto de saberem o q fariam ou não..

RAQUEL LINK - me falaram que ia ter bolo disse...

OLha, sei la, eu não sei se de fato ele fez, mais que ele tem comportamentos estranhos ele tem, afinal, o cara vai la é meio padastro da sonn y, afinal era meio que casada com a mãe dela, e tem um caso com ela? estranho..

quem faz isso, pode fazer outras coisas? mas concordo tbm que o timing é meio esquisito, ele ir na casa da ex mulher, no meio da confusão, só pra isso? seria uma obsessão bem louca, se for o caso

Anônimo disse...

Sou o Anônimo das 14:02h e cometi alguns erros de digitação na pressa, mas o texto está compreeensível. Só queria fisar apenas uma corração, que acho a mais importante: "Vai entender, eu não entendo. Mas é inegável que foi feita uma investigação profunda e nada foi encontrado contra ela..." eu quis escrever "...encontrado contra ELE...". Obrigado!

lola aronovich disse...

Anon das 14:21, o cara se envolver com a filha da esposa é imoral e totalmente errado, mas não é crime. Achar que por fazer algo imoral (envolver-se com a filha da esposa) ele definitivamente cometeu ou vai cometer um crime (abusar sexualmente da filha de 7 anos) é a sua conclusão. Se não fosse o Woody Allen, se fosse o João da Silva, a gente simplesmente não estaria falando de algo que aconteceu 21 anos atrás.


Ricardinho, seu comedor de sushi! Saudades. Esse é o seu comentário? Quero saber sua opinião sobre o caso. Sim, o que escrevi é baseado na matéria da Vanity Fair (100% pró-Mia) de 1992 e no livro The Unruly Life of Wood Allen, a biography (em que a autora Marion Meade claramente não gosta do Woody).
Vcs já não tinham uma gatinha pra fazer companhia pro anão do banheiro?

lola aronovich disse...

Caio e André, no caso New Hit, além do testemunho das vítimas, foram feitos exames que comprovaram o estupro. Tem violência comprovada. E não é só vc que se escandaliza por Woody ter um caso (que depois virou casamento) com Soon-Yi. Foi um escândalo. Mas ela não era filha dele, nem filha adotiva dele, nem enteada, nem nada. Ele nunca dormiu uma noite no apartamento de Mia e as crianças em Nova York, e elas não iam pro apartamento em que ele vivia. Ele e Soon-Yi mal se falavam, pois ela não gostava dele, e ele não fazia nenhum esforço pra ser sociável. Eles só passaram a conviver quando ela tinha pelo menos 17 anos e passou a ser mais simpática (os relatos são de que ela tinha ambições de ser modelo e atriz, tanto que ela foi extra num filme com Woody). Eles passaram a ir ver jogos juntos. Maior sacanagem trair a esposa, ainda mais com a filha da esposa! Mas daí a concluir que ele é um molestador de crianças vai uma certa distância.

lola aronovich disse...

Dri, não gosto muito dessa linha de raciocínio, isso de "se Mia não falou disso e disso, ela é conivente", ou whatever. O irmão dela foi condenado por pedoflia, é um fato. Mas isso não tem nada a ver com Mia. E nem acho que ela tenha a obrigação de falar sobre isso. Sobre Mia e Polanski, eles trabalharam juntos em O Bebê de Rosemary, em 68, antes de Charles Manson matar Sharon Tate, em 69, e muito antes do estupro, em 77. Mia e Polanski ficaram amigos antes de todas essas tragédias. Não me lembro de Mia ter defendido Polanski em 77. O que aconteceu com certeza é que ela defendeu Polanski em 2002, e COM RAZÃO, diga-se de passagem. A revista Vanity Fair publicou uma matéria escandalosa dizendo que, no dia do funeral de Sharon Tate, Polanski estava alegrinho num restaurante, paquerando e acariciando uma modelo. Pô, vc vai enterrar sua esposa amada (e grávida) assassinada brutalmente na sua casa, e vc tá por aí, paquerando outras? Se Polanski já não tivesse uma péssima reputação pelo estupro, essa matéria serviria pra arruinar qualquer boa reputação de qualquer um. Então ele processou a revista. Mia foi uma de suas testemunhas, porque ela esteve com ele antes do funeral. Ele provou que não estava sequer em Nova York no dia, muito menos naquele restaurante com aquela modelo. Ou seja, calúnia completa. Polanski ganhou 50 mil libras com a ação. Acho que chegou a abrir algum precedente, pois, por não poder entrar nos EUA, e com medo de ir pra Inglaterra, ele depôs de Paris.

Lygia disse...

Lola, se vc tivesse recebido a carta de Dylan como guest post, falando de um homem comum (não-famoso)... A presunção de inocência na sua resposta (e nos comentários do post) seria dessa forma também?

Anônimo disse...

Se a a carta da Dylan fosse um guest post no blog ninguém duvidaria da versão dela dos fatos, mas como esse caso é de um cineasta de filmes queridos temos que dar uma volta no relato e ponderar se é ou não verdade, mostrando 100 lados? Tipo quem coloca a cara no colo de uma criança? o polegar numa boca? E é claro que ele não iria na TV falar que era verdade.. Quantos pedófilos admitem o que fazem? Nunca vou entender como ele ainda conseguiu anos mais tarde adotar outras filhas sendo que foi acusado bem publicamente de pedofilia



E o Woody pode não ser o pai biológico ou adotivo da Soon-Yi mas era querendo ou não uma figura paterna na vida dela desde que ela era criança. Se a gente for seguir essa linha pensamento se hoje você se relacionar com um homem com um filho de 8 anos tudo bem daqui a alguns anos você e e o filho dele ficarem juntos.. A situação do Woody era ainda mais nojenta porque ele tinha filhos em comum com a Mia. Tanto que Ronan tuitou um feliz dia do cunhado no dia dos pais

Anônimo disse...

Apenas para estabelecer a verdadeira cronologia, pois vemos que muita gente confunde tudo, às vezes até dizendo que Soon-Yi é "filha adotiva de Woody Allen":
- Soon-Yi é filha adotiva de Mia com Andre Previn, marido dela antes de Woody Allen;
- Por volta de 1980, Woody e Mia iniciam sua relação amorosa;
- Nessa data (1980), Soon-Yi tinha 8 anos;
- A relação entre Soon-Yi começa em 1991, quando ela tem 19 anos e Woody Allen tem 56 anos;
- Mia Farrow descobre tudo em 1992 e separa-se de Woody, que vai viver com Soon-Yi e com quem está junto até hoje, após se casar formalmente em 2005;
- Perguntado sobre isso anos atrás, ele diz: "What was the scandal? I fell in love with this girl, married her. We have been married for almost 15 years now. There was no scandal, but people refer to it all the time as a scandal and I kind of like that in a way because when I go I would like to say I had one real juicy scandal in my life."
Cada um que faça o seu juízo. Eu pessoalmente acho muito questionável ele se permitir, com o tempo (entre os 8 e os 19 anos de Soon Yi) enxergar a enteada como mulher e não como filha. Mas daí a dizer que ele abusou da outra filha, quando as autoridades investigaram e concluíram que isso não ocorreu...não sei. Cada um faça o seu juízo.

eu e apenas eu disse...

é realmente complicado, alegações de estupro ainda mais tão longe no passado são quase impossiveis de se provar. mas por outro lado não podemos simplesmente aceitar a palavra da 'vitima', tem de haver um processo, a culpa tem de ser provada e como faz isto nestes casos? ela fala uma coisa e como disseram ela realmente pode acreditar nisto e não estar mentindo. Ele nega, houve uma intensa investigação e como é que fica ?

Anônimo disse...

Hummm...vejamos: se ele teve a coragem de assumir um relacionamento com a filha adotiva, por que ele não iria achar errado molestar a outra?
Eu acredito totalmente que ele é sim um pedófilo nojento, com cara de tarado!E me impressiona você, Lola, defender esse sacripanta!Você sempre defende as mulheres, mas não vai defender uma que foi abusada só porque o agressor é o Woody Allen?
Só porque é um diretor de cinema os outros duvidam.
Eu me arrependo dos filmes desse velho nojento que eu assisti!Antes eu não sabia de todas essas acusações.
E outra: as acusações iriam continuar depois de tanto tempo só pra continuar desmoralizando o "brilhante" diretor de cinema?(sim, porque pra cadeia ele não foi e não vai)!

Usagi disse...

Caramba, Lola, estou chocada com seu posicionamento. Duvidando da palavra de uma criança inocente, defendendo que ela pode ter inventado um estupro! Logo você, que recebe inúmeros depoimentos e sabe bem como toda nossa sociedade conspira de forma a sempre duvidar dos relatos de abuso das mulheres. Defendendo esse homem que casou com a própria filha adotiva, que muito provavelmente a abusou e manipulou desde pequena. Homem nojento. É obvio que ele abusou da Dylan. Ninguém correria o risco de se expor dessa forma que ela se expôs se não tivesse certeza. Olha, muito decepcionada com os rumos que seu blog vem tomado. Já quase não o leio mais, agora então devo largar mão de vez.

Anônimo disse...

"Algo muito comum em casos de abuso sexual infantil é que a pessoa se lembra de flashes. A mente tenta barrar o que é difícil demais de aguentar. Em muitos, muitos casos de abuso infantil, a pessoa adulta não tem certeza se aquilo aconteceu mesmo. E, assim como é possível apagar memórias, também é possível criá-las."

A senhora não esperava que um abusador sexual admitisse, esperava?

Realmente, psicólogos bem treinados podem manipular a mente de alguém para apagar memórias ou colocar memórias do que não aconteceu.

Uma das piores coisas é alguém sofrer abuso sexual e não poder desabafar, pois sempre aparece alguém para duvidar. De vítima, a pessoa passa para suspeita. O melhor é não fazermos julgamentos, em absoluto, e respeitar a dor das pessoas.

Usagi disse...

Gente, eu tô me lixando pra quantos anos a Soon-hi tinha quando a relação dos dois começaram. Também tô me lixando pro fato de quem é o verdadeiro pai adotivo dela. Esse cara é um manipulador de mulheres. Ele casou com a enteada, 30 anos mais nova que ele. Ele é um porco! Tenham um pouco de empatia e parem d e defender esse babaca!

Anônimo disse...

Estou muito confusa. "[não] podemos condenar sem investigação, sem julgamento, alguém acusado de estupro. Seja ele quem for", era justamente por isso que sempre me referi à 'suposto abuso'. Mas comecei a frequentar o blog e depois de muita leitura entendi que não se poderia duvidar das vítimas e que nunca é um 'suposto abuso'. O que você quer dizer, Lola? Afinal pode-se falar em 'suposto abuso' ou não?

Eicram

André disse...

Lola, a presunção da inocência vai até o julgamento e, embora o julgamento ainda não tenha terminado, já ocorreram protestos massivos (linchamento?) contra a banda.

Marina P disse...

Lola, passei aqui rapidinho mas mais tarde comento melhor e com mais calma. Olha, eu tenho um entendimento completamente diferente do seu em relação ao Woody Allen. Já vi e tratei de algumas pacientes que são casadas com seus abusadores há anos... pode não ser o caso, mas vários casamentos começaram dessaforma. Não há nenhuma prova de que isso tenha acontecido com a Soon-Yi, mas acho natural que esse elemento seja levado em conta na hora de analisar a carta da Dylan. Sei que o relacionamento do Woddy Allen com a Soon em si não é crime (pelo menos não temos dados suficientes para concluir isso) mas ele faz piscar muitas luzes vermelhas de alerta, pelo menos pra mim.

Eu senti você bastante em dúvida e respeito seu posicionamento, mas acheio ele tão cauteloso em comparação ao usual que me deixou um bocado frustrada. Também não sou a favor de linchamentos e acredito que todos devem ter direito a defesa, mas parece que há uma boa vontade extra extra grande quando se fala do Woody Allen. E em vez de acreditar na vítima ou pelo menos partir do pressuposto de que ela fala a verdade, muita gente presume que o abuso não aconteceu e a situação se inverte. Voltamos a ouvir o discurso que é nosso velho conhecido e segundo o qual a vítima foi manipulada, suas lembranças não são reais, etc. Pode ser que isso tenha acontecido? Pode. Mas pode ter acontecido com qualquer pessoa que relate uma situação de abuso sem achados físicos (que é a maioria, pela minha experiência). Então repetir que pode ser que não tenha havido nada acaba soando como uma forma de deslegitimar o relato, ainda que não seja essa a intenção. Enfim... É minha forma de entender. Quero ver a leitura das outras pessoas pra ver se as pessoas pensam muito diferente e ter acesso a outras leituras.

Anônimo disse...

Não tem porque se preocupar com pessoas linchando ele. Woody Allen continuou a ser um dos maiores diretores mesmo depois q esse drama veio a tona décadas atrás. Não tem porque se preocupar tanto com o acusado de pedofilia, ele está até concorrendo ao oscar! Roman Polanski não ganhou também mesmo depois de condenado? Esses homens sempre saiem por cima

Anônimo disse...

Fiquei muito incomodada com essa postagem, estou me sentindo confusa. Parece muito, muito distante de tudo que falamos quando se trata de um guest post.
Falsas memórias - como são conhecidas a incorporação de memórias que são registradas pelo cérebro, mas não ocorreram na realidade concreta - são bem comuns em casos traumáticos (sexuais ou não) e é realmente difícil identificá-las, quando se consegue identificá-las.
Mas isso serve para todos os casos. No entanto essa é a primeira vez que vejo isso ser levantado. Em nenhum guest post foi considerado essa possibilidade (ou foi e eu não vi?). E acho que precisamos nos basear na decisão da justiça (que no caso do Wood não o considerou culpado), mas aí a vê-la como isenta de erros é ingenuidade. Não são poucos os casos de condenações/absolvições injustos.
Mas o que incomoda mesmo é que tudo isso seja pensado quando se fala de Allen, mas não quando falamos de sujeitos que não conhecemos. Eicram

lola aronovich disse...

Anon das 15:10, obrigada pela cronologia. De fato, muita gente confunde os casos. Só esclarecendo que provavelmente o caso entre Woody e Soon-Yi começou em 1990, já que a foto que ficou famosa dos dois de mãos dadas é desse ano. E outra, eles se casaram formalmente em 1997, não 2005. Por isso estão casados há 16 anos. Mas eu acho impressionante que AINDA HOJE ele ache que um caso que por pouco não arruinou sua carreira e que o alienou dos seus filhos não tenha sido um escândalo. É ridículo, falta de simancol total. Mesmo que ele realmente tivesse se apaixonado por Soon-Yi, o que já é questionável (se envolver com a filha da mulher, uma jovem que vc, quase 40 anos mais velho, conhece desde que ela tem 8 anos?!), havia outras formas. Podia ter terminado com Mia antes, dado um tempo, daí depois namorar Soon-Yi. Seria bem ruim de qualquer jeito, mas compare com Mia vendo fotos da filha nua na casa do marido...

lola aronovich disse...

Lygia, se eu tivesse recebido a carta da Dylan, minha resposta não teria nada a ver com "prenda o cara, que é um pedófilo e merece morrer". Eu sempre acredito na vítima. Ano passado recebi um email, que ainda não publiquei mas vou publicar, de uma moça dizendo que a irmã adolescente acusou o pai de tê-la estuprado na infância. Minha resposta é uma pra irmã, seria outra pra própria vítima, e seria ainda outra se um pai, desesperado por estar sendo acusado no que ele acredita ser injustamente, me escrevesse. Porque são pessoas diferentes.


E gente, Woody não é meu ídolo não. Ídolo, pra mim, só Chico e os Beatles (os quatro juntos; individualmente, não sei se idolatro algum deles). Woody Allen é um grande cineasta que já tem seu lugar garantido na história por pelo menos 8 obras-primas que fez. Roman Polanski é outro. Mas, como pessoas, nem os conheço (quer dizer, Polanski já esteve em minha casa), e tenho quase certeza que devem ser insuportáveis, arrogantes, egocêntricos. Do Woody eu nunca nem gostei da persona dele, da imagem pública que ele mantém, que é a mesma que a gente vê nos protagonistas de seus filmes -- um cara neurótico, hipocondríaco, egoísta, que fica falando de si o tempo todo. Mas tem muito filme dele que é legal. E Iaiá, tem muita gente querendo o linchamento do Woody. Uma das coisas que mais li ontem foi "pena que morreu o Philip Seymour Hoffman, e não o Woody".

lola aronovich disse...

Marina, bem, é verdade, Dylan diz "desde que me lembro", mas ela cita apenas o que teria acontecido no dia 4 de agosto, e foi em cima disso que ele foi investigado. Ela cita algumas outras atitudes que a faziam sentir-se desconfortável, como Woody por o dedo na boca dela, e deitar-se com ela na cama.


Anon das 15:05, vc pergunta: "Quem coloca a cara no colo de uma criança? O polegar numa boca?" Ahn... eu já coloquei a cara no colo de uma criança, e algumas crianças já colocaram a cara no meu colo. Beijar barriga de criança, quem nunca? E tem mais, a gente não tá falando de "qualquer um", a gente tá falando do pai com a filha! Meu amado pai me cobria de beijos, e não havia nada de sexual nisso.


Pessoas queridas, agora vou parar de responder porque estou atolada de trabalho. Mas continuem com o debate aí!

Mari R disse...

Crianças abusadas não vêm com um carimbo na testa. Ás vezes não há marcas físicas e elas podem confundir datas e ser imprecisas em relação aos fatos. Ás vezes abusos são sutis, como acariciar partes intímas quando está com a criança no colo. Como se prova isso? Significa que não aconteceu? Que a criança imaginou ?

Não sei bem até onde a imprensa é uma fonte confiável. Principalmente em um caso como esse. O que eu sei é que hoje, com 28 anos, a Dyllan não mudou de ideia. É óbvio que havia algo no relacionamento dela com o pai que a incomodava. A pisicologa descreveu como anormalmente intenso... Esse é um adjetivo que dá margem a várias interpretações. Nenhuma delas muito normal...

Anônimo disse...

Dylan foi abusada quando criança, não há como duvidar do seu relato. É triste observar que sempre duvidarão da vítima, da acusação que ela faz contra o agressor. É muito difícil conseguir uma condenação em casos de abuso sexual e isso não seria diferente para um homem poderoso como Wood Allen. Não se deve duvidar da vítima, nunca. Seria ingenuidade acreditar que o comportamento estranho de Allen com a menina, fosse natural, carinho. Fui molestada sexualmente na puberdade e o meu agressor utilizou da mesma justificativa: "era carinho, gostava muito dela". E todos duvidaram de mim quando acusei. Deve ser muito doloroso para Dylan ter que assistir a impunidade de Allen e ela ser tachada de mentirosa, ou estar "fantasiando coisas" assim como as crianças fazem. Dylan já perdeu demais com toda essa violência e ainda querem dar o privilégio da dúvida para Allen, privilégio de todos os agressores sexuais. Por favor, Lola, Allen não precisa desse privilégio, ele já possui vantagens demais. Ele não foi condenado? Claro que não foi, ele é um homem poderoso. Nessas situações, é muito mais fácil acusar e condenar Mia de ser uma ex-esposa invejosa e vingativa, do que manter-se frente a frente aos fatos e sim, enxergar que o grande gênio, cineasta é sim um AGRESSOR SEXUAL, com o privilégio da riqueza, da fama e de uma suposta genialidade.

Dri Caldeira disse...

Lola, à despeito da tragédia q passou e do tratamento nojento q sofreu por parte da mídia americana no assassinato de Sharon Tate, Polanski confessou q manteve relações com a modelo, e pediu desculpas à ela no documentário sobre sua vida. E a moça era menor na época, contra a vontade dela. Qdo. ele venceu o Oscar de melhor diretor p/ O Pianista, em 2002, numa entrevista pra uma dessas revistas de celebridades, eu preciso procurar com calma, Mia diz q realmente o ajudara além do que ele merecia no caso do estupro. Eu desacredito dela nesse ponto, as histórias dela vão se modificando com os anos. E não acho q ela seja conivente com o abuso de Dylan, ela somente acusou Woody tendo estado várias outras pessoas próximo da menina e pronto. Mia chegou a ser acusada de abuso tb por um dos filhos, só q não abuso sexual. A história foi investigada nos anos 90, mas foi pouco investigada. Mia tb acusou John Farrow de abuso. É uma acusação recorrente na vida dela. Mas a menina foi sim abusada e somente se preocuparam com Woody, nenhuma outra pessoa foi investigada. Continuo reafirmando, Woody é frio e calculista e talvez tenha abusado das crianças, só q não sexualmente.

Anônimo disse...

Colocar a cara no colo ou o dedo na boca de uma criança pode ser algo não tão inocente, e claramente não foi se tá na carta de Dylan, não sei por que defender isso

Anônimo disse...

Off topic ,Entrevista do sanctu Emerson Eduardo Rodrigues Setim

Juliana disse...

Postei algo similar ao que você escreveu, Lola, e fui acusada de não ser feminista o suficiente. Como já estou ficando velhinha tive preguiça de responder que ser feminista o suficiente, seja lá o que isso seja, não deveria implicar condenar pessoas sem provas, até quando essas pessoas são "imorais" como o Woody Allen.

Eu também acho muito suspeito o abuso ter ocorrido no meio da disputa, acho mais suspeita ainda a tal fita com o depoimento de Dylan (existe mesmo?) não ter sido gravada na íntegra pela mãe e nem entendo como a sua primeira reação ao saber de um estupro é gravar uma entrevista com a sua filha, mas isso é especulação minha.

A verdade é que a maioria das pessoas assume que por ele ter se envolvido com soon yi, logo, ele estuprou Dylan. Ele é definido como estuprador por não ter nenhuma culpa, não aparentemente, de ter trocado Mia pela enteada. Mas por pior que isso seja isso não o transforma em estuprador de crianças de 7 anos.

O caso foi investigado por um prestigioso grupo de médicos em uma época em que a opinião pública norte-americana mandaria o woody allen para a cadeira elétrica. Mas mesmo não tendo sido considerado que existiam provas suficientes e que a menina havia fantasiado, 20 anos depois ainda querem jugá-lo pelo mesmo crime.

Eu não entendo...E sobre Dylan, sinto muitíssimo pelo sofrimento que ela vive. No final das contas, ela é vítima de memórias, reais ou fabricadas...

lola aronovich disse...

Dri, vc está confundindo as coisas. Vc está confundindo Polanski ter estuprado Samantha, uma menina de 13 anos, em 77, com o que a revista inventou, em 2002, sobre ele e o funeral da Sharon Tate. São dois fatos sem relação.
E também não confunda abusos. Estamos falando de abuso sexual. Toda a carta de Dylan gera em torno de abuso sexual. Por favor, não diga "Dylan foi abusada, só não se sabe por quem". O único acusado é Woody Allen. Porque estamos falando de abuso sexual.


Anon das 15:59, sim, é fato que ricos e poderosos não são condenados. Aliás, em se tratando de estupro, pouquíssima gente é condenada. Mas isso também não significa que todos os acusados de abuso são culpados e devem ser presos sem julgamento. Dylan foi levada a um pediatra por Mia um dia depois do suposto abuso, e nada foi detectado. Depois uma clínica experiente em tratar abusos sexuais investigou o caso durante 6 meses, e concluiu que não houve abuso. Woody Allen passou no detector de mentiras também. E tudo isso no meio de um turbilhão de emoções, no meio do fim de um relacionamento de 12 anos. Não sei, são várias evidências em contrário. Mas pra mim o timing do abuso é tudo.

Anônimo disse...

"Mas isso também não significa que todos os acusados de abuso são culpados e devem ser presos sem julgamento."

Vou guardar essa citação para o próximo guest post que aparecer por aqui.

Anônimo disse...

Força pra ti, Anônima das 14:37...


=/

Anônimo disse...

Eu fui abusada quando criança e inclusive já tive um guest post publicado aqui. Diante disso, quero dar minha visão dos atos (que eu conheci por esse post, somente sabia por alto da acusação de abuso contra Allen).

Eu sou a favor da presunção de inocência para estupradores, para qualquer suspeito de crime, pq é um valor democrático muito caro. Não acharia problemático um advogado de defesa levantar a hipótese da pessoa abusada ter consolidado memórias falsas, afinal é o trabalho dele. Problemático seria um delegado usar essa hipótese para não investigar ou um promotor para não levar a tribunal. Essa hipótese da defesa seria confrontada com a retórica da acusação, provas testemunhais, exame de corpo de delito, etc. Até aí acho tudo muito normal.

Agora eu acho estranho, dentro de um movimento social, essa hipótese surgir assim. Tudo bem, não é um guest post, em que o foco seria consolar a provável vítima. Mas as garotas do New Hit não enviaram um guest post. Se é pra falar de abuso na infância sendo contado depois de adulta, a Xuxa também não enviou um guest post. Essa hipótese não foi cogitada na ocasião.

Pelo que eu entendo de feminismo hoje, existem motivos muito claros para o mote "nunca duvide da vítima" (dentro do movimento, nos tribunais é outra história). Nós sabemos que a taxa de subnotificação é grande, e a taxa de falsas denúncias é pequena. Então, presumir que a vítima está falando a verdade nos ajuda a estarmos certos na grande maioria dos casos. E existe um custo diferente entre duvidar de uma vítima que está falando a verdade e acreditar em uma falsa acusação de estupro.

Friso novamente para os trolls não me enxerem, isso não deve ser o raciocínio da justiça. Teve um caso horrendo de um rapaz que foi condenado injustamente por estupro (preciso falar que era negro?), foi estuprado na cadeia e acabou infectado por HIV. Coisa muito, muito triste, e eu jamais apoiarei algo assim. Aliás, exatamente por ter sido estuprada é que eu não torço para que estupradores passem por isso. Não desejo pra ninguém.

Mas no feminismo, o objetivo é apoiar a vítima, tanto psicologicamente, quanto dar força para que ela denuncie. No caso de uma pessoa que está deliberadamente mentindo, o que perde o movimento em acreditar nela? Ela provavelmente já ia denunciar mesmo, e estaremos dando atenção a quem não precisa.

Agora imaginem uma pessoa que é de fato vítima tendo sua palavra questionada dentro do movimento feminista, talvez um dos poucos lugares onde ela teria apoio? É de matar! Quando se é vítima, dói muito quando as pessoas duvidam ou minimizam nossa experiência. Eu passei por isso com amigos não envolvidos com o movimento, e tive sorte de encontrar apoio irrestrito dentro dele (apenas trolls me culparam, mas isso eu já esperava).

Acho que essas são as principais razões das feministas nunca duvidarem da vítima. A Dylan escreveu uma carta em que ela se diz vítima, deveria ser nosso dever acolher essas palavras (se ela está se lembrando de coisas que não aconteceram, paciência, mas essas acusações podem dar um trigger na cabeça de vítimas com histórias similares). O posicionamento da Lola nesse caso é no mínimo atípico.

P.S.: tem um caso de abuso que eu ouvi falar, não lembro se era midiático ou próximo a mim, que eu achei mais plausível a versão de que não foi um abuso. Mas eu 1- Jamais deixaria de apoiar a possível vítima se ela viesse até mim 2- Jamais escreveria sobre minhas dúvidas quanto ao ocorrido para não correr o risco de causar danos psicológicos em quem estivesse me lendo, seja a pessoa em questão ou outra que se identificasse com o relato.

Iaiá disse...

Mas, Lola, se ele não é seu ídolo, eu estou boiando no sentido desse post. É mostrar que as vítimas podem estar mentindo ou fantasiando? Sim, elas podem, mas isso acontece em número tão pequeno e a sociedade sempre acreditar nisso é um problema tão grande, que não faz sentido publicar uma coisa assim. Não acho que seu texto defenda um "pobre e acuado" Woody Allen, mas prejudica vítimas de abuso. Coloca em dúvida a palavra de uma, e essa dúvida se estende a todas.

Falando do Oscar da Cate Blanchett, se antes eu ia de Amy Adams no bolão, agora vou de Cate com certeza. Acho que vou até mandar um Woody Allen no roteiro. Bem mais fácil a Academia querer mostrar como está se lixando para casos de abuso do que querer punir alguém.

Job Mendes disse...

A declaração do W. Allen, que o anon das 15:10h postou, mostra claramente que ele adotou aquele discurso do "não mandamos no nosso coração...siga o que seu coração diz...o coração manda" para justificar a sua relação com a Soon-Yi.
O que é bastante questionável, pois ele tinha então 45 anos quando conheceu a Soon-yi em 1980, quando essa tinha 8 anos. Acho que ele era adulto o suficiente para evitar, entre 1980-1991, a ideia de parar de vê-la como "filhinha menor da sua companheira" e passar a vê-la como "futura esposa".
Claro que isso não quer dizer que ele tenha, necessariamente, abusado da outra filha. Mas que dá indícios de comportamento, no mínimo, pervertido, dá.
Me parece que a maior dificuldade que as pessoas tem em acreditar em Dylan é a própria Mia Farrow, que sempre teve na sua vida uma conduta narcisista, meio megalomaniaca, típica daquelas crianças que batem o pé no supermercado e faz a família passar vergonha, berrando: "EU QUERO ISSO AGORA!!!". Traiu o Previn, traiu o Allen, defendeu o Polanski contra uma acusação de abuso e depois, quando aconteceu um abuso na sua família, voltou atrás, e desde a separação de W. Allen adotou uma postura típica de "mulher abandonada vingativa", usando de todos os meios possíveis para execrar o Allen mesmo tendo havido uma investigação sobre o assunto, que concluiu não ter havido abuso.
Sei lá, antes que me xinguem, eu não estou defendendo o Allen, só divagando. Na minha opinião, lá no fundo, acho que ele tem até cara de ser pervertido mesmo e muito provavelmente deve ser, o caso com a Soon-Yi do jeito que mencionei ali em cima me diz que é bem possível que ele tenha abusado da outra filha. Mas não podemos deixar de enxergar que este caso foi investigado pelas autoridades e teve até pareceres de clínicas especializadas em abuso e a conclusão foi a de que isso não ocorreu. Muito confuso mesmo. Já dizia Voltaire: "É melhor correr o risco de salvar um homem culpado do que condenar um inocente". Penso, penso, mas não chego a uma conclusão nesse caso.

dehlia m.s. disse...

Post perfeito, Lola! Eu estava aqui com várias páginas da internet abertas tentando juntar as informações. Afinal, também conheço o caso e embora não houvesse internet na época acompanhei pela imprensa impressa. Memória juntava um fato a outro na tentativa de escrever algo sobre os fatos e tua postagem veio como uma luz. Valeu. Concordo integralmente com você.
Beijão da Deh

Anônimo disse...

Tá bem claro pra todo mundo, que vc Lola está defendendo ele.
Se fosse com uma outra pessoa, estaria criticando, mas como vc gosta dos filmes dele, a gente tem q pensar, visualizar os fatos, perguntar de novo e deixar isso rolar eternamente...
errou mto Lola, mto, esse tipo de posição que me faz ficar confusa em qual grupo feminista entrar...

Anônimo disse...

http://www.thedailybeast.com/articles/2014/01/27/the-woody-allen-allegations-not-so-fast.html
Esse texto é um estudo completo da situação e deixa muito difícil de acreditar que houve abuso sexual.

Padraic disse...

Dois argumentos contra Allen que aparecem profusamente entre os comentários, aqui e alhures, são "quem transa com a filha adotiva da companheira só pode ser culpado em caso de denúncia de abuso" e "se fosse o Fulano de Tal ninguém o defenderia".
O primeiro argumento aproxima o cidadão comum chegado a um linchamento do cinismo do prisioneiro que obriga o colega de cela mais fraco a assinar os seus crimes de cárcere - ninguém questiona, pois é bandido mesmo. Ainda tem a vantagem de economizar em trabalho policial: réu confesso, caso encerrado. Sei que me alongo, mas vale lembrar o caso do inocente condenado à morte que acabou com tal pena no Reino Unido, http://en.wikipedia.org/wiki/Timothy_Evans. As provas pareciam incontestáveis, a confissão estava ali, mas...
Ainda reforçam o primeiro argumento as estatísticas sobre condenações em casos de estupro, e é mais que compreensível o desespero militante ao ver o depoimento das vítimas posto em questão, mas o caminho é um só: melhorar as investigações, nunca considerar um relato verdadeiro a priori. Parafraseando o Churchil, in dubio pro reu é a pior doutrina, tirando todo o resto. Não são poucas, entretanto, as ativistas que advogam que o relato da vítima seja considerado prova cabal.
O segundo argumento é a cínica aceitação de que o Fulano de Tal possa ser julgado pela opinião pública, condenado por indícios, pela acusação. É a aceitação de que certas acusações são tão graves que eliminam o direito de defesa. Cinco minutos de reflexão desapaixonada, no entanto, levam à óbvia conclusão: caso o suspeito seja condenado dessa forma, sendo inocente, e tenha havido o crime, por mais satisfeitos que andem o público e a justiça, com o exemplo raro e o bom desempenho, um criminoso terrível continua solto. Fazer justiça requer cuidado, paciência, doses cavalares de dúvida - nada mais avesso às paixões ideológicas ou de outro tipo.

Helena disse...

Acho que o que está pegando é... o que define o "abuso"?

Se o woody colocou o dedo na vagina na criança.. pode ser que nao "detecte" em qualquer exame, mas é abuso. Ele merece ser preso? Hm, eu acharia que sim, pelo menos um tempo.

O woody tirou fotos da Soon-Yi pelada, que foram achadas qdo ela tinha 19 anos. Se o woody e a mia começaram a ter um relacionamento qto a Soon-Yi era bem pequena, creio que é dificil acreditar que Woody nao abousou dela em alguma parte da infancia. So que a Soon-Yi acabou criando um sentimento a partir do abuso. :/

Eu acredito na Dylan. Pra que ela mentiria depois de todos esses anos? Se fosse algo que a mae plantou na cabeça dela, acho que ela se afastaria tanto da mae qto do pai quando adulta.
Ela não duvida do que aconteceu, ela não acha que foi só uma imaginação. O que ela tem a ganhar trazendo o escandalo a tona agora se ela no fundo achava que poderia ter sido só imaginação?

Como li em outro lugar: "Por que é muito mais facil acreditar que a Mia é uma mãe horrivel traída, que plantaria memorias na cabeça da criança, do que o Woody um pedofilo nojento?"

:/

Fernanda disse...

Eu tenho apenas uma pergunta pro pessoal mais especialista do blog:

como é possível provar quando o abusador toca a vagina da vítima, faz sexo oral nela, toca seu clitóris, pede para que ela toque seu pênis, se masturbe diante dela...? Não é pergunta retórica não, é sério. Como se faz para provar esse tipo de abuso? O hímen está intacto. Mas a criança foi abusada. Ela não tem recursos linguísticos nem emocionais para descrever o que aconteceu. E aí, como é que a gente sabe que houve ou não abuso?

Anônimo disse...

Anônimo disse...
http://www.thedailybeast.com/articles/2014/01/27/the-woody-allen-allegations-not-so-fast.html
Esse texto é um estudo completo da situação e deixa muito difícil de acreditar que houve abuso sexual.


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Um texto muito parcial feito por um amiguinho do Woody que tem até foto dele no background do twitter. Aham, vamos usar isso como prova e ignorar o relato da vítima

Sara disse...

Acho muito difícil fazer um julgamento desse caso.
Respeito o trabalho artístico tanto da Mia como do Woody, mas isso de maneira alguma deveria influenciar quem vai julgar o caso.
Acho muito complicado a relação de Woody e Soon, pelo fato de ele ser um padrasto para ela, mas ainda assim respeito essa relação, deve haver sentimento entre eles, se estão juntos ha tanto tempo.
Só que justamente por Woody ter concretizado essa relação é que a possibilidade de ele realmente ter molestado a Dylan fica maior.
Pois pra mim cria um tipo de "modus operandi".
Por outro lado a separação de Woody e Mia foi bem traumática, tb me lembro que os todos os tabloides do mundo exploraram essa história a exaustão.
É bem obvio que Mia deve ter influenciado sua filha Dylan muito negativamente contra Woody, afinal não é nada difícil que Mia tenha nutrido os piores sentimentos por seu ex marido por causa de Soon, afinal é a velha história, união monogâmica é indissolúvel, esse pacto não pode ser quebrado ainda mais com uma filha como parte de um triângulo.
Num ambiente onde prevaleça tanto ódio assim não é difícil imaginar
que essa mulher Dylan tenha traumas e lembranças ruins do pai, ao ponto de fantasiar perversões.
Mas não me arrisco a fazer julgamentos.

Sara Marinho disse...

Eu acho tudo isso muito estranho, e honestamente, eu acho que Dilan fala a verdade...
É frequente que homens ricos e/ou considerados atraentes, quando acusados de estupro, se defendam e sejam defendidos sob o argumento que não precisariam estuprar alguém para conseguir sexo... Bem, não precisariam, mas não é simples assim, acho que a maioria dos estupradores não monta um plano infalível para não ser pego, só vai lá e faz o que tem vontade.
O Woody Allan usa um argumento do tipo "eu não seria tão burro", mas quando as pessoas cometem crimes, na maioria das vezes, não é algo tão planejado.

E não duvido que Woody e Soon se relacionavam a mais tempo do que se estipula, Mia deveria ser uma megera maldita de mãe se Soon simplesmente entrou nesse relacionamento assim, ou Soon foi manipulada, por Woody Allan, para uma possível relação desde bem jovem.

Bem, eu acho esse homem um monstro.

Imaginem se uma mulher famosa traísse o marido se relacionando com o enteado uns 30 anos mais jovem, a carreira dela estaria arruinada.
Talvez nem fosse preciso tanto, muitas vezes basta trair o marido com qualquer um, que ele nem conheça, e isso vir a público, para a carreira de uma mulher famosa ser muito abalada.

dehlia m.s. disse...

Logo baixo do que escrevi a primeira vez às 16:58, um anônimo acusa Lola de ser defensora de Woody Allen em razão dela gostar dos filmes dele. Pelo que consta, o tal anônimo escreveu sem sequer conhecer o conteúdo desta postagem. Pois, no último parágrafo Lola encerra assim:
"O relato de Dylan Farrow é triste e chocante, e eu, como feminista que luto todos os dias para combater a cultura de estupro, fico feliz que suas palavras tenham atraído tanta atenção. Espero que este caso marque o começo de uma nova era em que o senso comum não duvide da palavra da vítima. Mas vamos fazer isso sem linchamento do acusado. Todo caso precisa ser investigado e julgado antes que haja uma condenação." ONDE SE ENCONTRAM AS PALAVRAS DE LOLA EM DEFESA DE WOODY ALLEN? Por favor, antes de escrever, leia, né?

Antonio Luiz M. C. Costa disse...

Minha posição é parecida com a da Lola:

1) Não tenho certeza alguma sobre a história. Casos de memórias inventadas e piamente acreditadas existem. Casos de testemunhos verdadeiros menosprezados também. Mesmo que a maioria das acusações do gênero sejam verdadeiras, há dúvidas razoáveis e "in dubio, pro reo". É legítimo desconfiar da versão de Woody Allen, mas promover um linchamento virtual dele e de quem o admire é antiético.

2) Seja qual for a verdade, isso não deveria fazer diferença alguma no que se refere a julgar a obra cinematográfica. O que há de bom ou ruim nela nada tem a ver com os erros ou mesmo crimes do autor. Isso vale também para Richard Wagner (antissemita), Heidegger (nazista não arrependido), Althusser (assassino da própria esposa, num suposto surto psicótico), Orson Scott Card (homofóbico) e assim por diante.

Letícia Penteado disse...

Este é um dos pontos em que eu discordo de você, Lola. Para mim faz, sim, o MAIOR sentido DO MUNDO que um pedófilo escolha justamente o momento em que está se sentindo acuado, ridicularizado e humilhado para transferir isso para uma vítima. Para mim, diante da oportunidade, ele se descontrolou.
Dylan disse que ele usou seu caso com Soon Yi para encobrir o abuso dela. Para mim isso faz muito sentido também. O caso podia ser moralmente reprovável - mas, como você mesma disse, não era criminoso e, ao mesmo tempo, era um escândalo suculento para a imprensa, o único de proporções que rivalizariam as do abuso. Fixar-se nisso, chamar atenção para isso - e para a "fury of the woman scorned" (a fúria da mulher rejeitada) seria, sim, uma excelente política de controle de danos. Aliás, coisa escrotíssima e machista, essa, já que bem sabemos que, ainda que se diga que no inferno não há fúria como a da mulher rejeitada, é a fúria do HOMEM rejeitado que estupra, mata e espanca, mas não tem coisa mais aceita pelo patriarcado que a histeria das mulheres.
Dylan diz que desde que consegue se lembrar, ele fazia com ela coisas de que ela não gostava. Que se escondia dele. Que ninguém sabia, porque ele sabia fazer escondido e que ela nunca disse para ninguém porque não sabia dizer se aquilo era ou não normal. Ela relata o acontecimento de 4 de agosto em particular não porque ele seja o único caso que ela tenha percebido como abuso, mas porque foi tão fora da casinha que foi a primeira vez em que se sentiu legitimada consultar a mãe a respeito da normalidade do ato. E porque é o ato que não poderia ser interpretado de qualquer forma que não fosse sexual, não sendo mais uma questão de 'impressão' dela, da mãe dela. Como se fosse irrelevante a sua 'impressão' sobre algo que te incomoda nesse nível.
Eu fico com a sensação, depois de ler o seu comentário no post da Nádia sobre o Allen receber a premiação por conjunto da obra, de que você já tinha uma opinião formada e que essa sua opinião coloriu as lentes através das quais você leu o relato da Dylan. Afinal, esse papo de que "pode ser que ela tenha inventado o abuso, mas não necessariamente ela está mentindo" é muito estranho de se ler no seu texto.
Esse tipo de coisa me parece ser usada quando a pessoa quer achar um meio-termo entre defender o acusado de estupro e acolher a vítima. Porque assim você pode falar que não acha que ele seja culpado, mas também não acha que ela esteja mentindo. Eu não teria problemas com esse seu posicionamento, que me parece tão logicamente válido quanto cômodo, se não me parecesse ser justamente esse um dos pilares da cultura do estupro - o descrédito da mulher. A mulher mente, mesmo quando acha que está falando a verdade; quando não é mal-intencionada, é "louca", é histérica...
Eu achei muito tocante no testemunho da Dylan ela falar que via a cara dele em todo lugar e se apavorava. Que o sucesso dele potencializou a dor dela. Eu já ouvi isso de outras pessoas tiveram ou têm que conviver com seus abusadores - que ver as outras pessoas interagindo com eles como se não fossem os monstros que eram com elas era humilhante, porque aumentava a sensação não só de impunidade, mas de impossibilidade de punição, de que o cara era intocável, de que a palavra dele valia mais que a dela, de que ele sempre sairia por cima, etc. E esse posicionamento reafirma isso.
Minha opinião não vai privar ninguém de sua liberdade, não vai sequer manchar o bom nome do celebrado diretor. Woody Allen usufruiu do benefício da dúvida por mais de vinte anos. Quanto a mim, eu agora tenho a única prova de que preciso para me posicionar a respeito: o relato da vítima.

Anônimo disse...

Oi Lola,

concordo muito com a Iaiá, não entendi de fato qual o sentido desse post, que tipo de reflexão ele busca?
Eu não acompanhei o caso na época, mas o fato do cara ter se casado com a filha adotiva da esposa quase 40 anos mais nova a qual conhecia desde os 8 anos, pode não ser crime, mas é no mínimo muito doentio e nojento. Além do mais ninguém pode imaginar como essa relação começou, como foi que ele a abordou, enfim, tenha medo.

Mas de qualquer forma, o que me chama atenção é a forma como está sendo abordada a carta de uma vítima de abuso (e a Fernanda questionou muito bem em relação a isso). Independente da identidade do suspeito, o que buscamos no seu blog Lola, é outro tipo de posicionamento, é apoio e não a presunção de inocência do algoz e a dúvida da vítima, então é bastante confuso ler o seu texto, e pelo que eu li nos comentários é até doloroso pra algumas mulheres que já sofreram abuso e sofreram também com a culpa e a dúvida das outras pessoas.

Eu particularmente acredito na Dylan, não acho que ela inventaria tudo isso e manteria por tantos anos, e a sua indignação com Hollywood é totalmente compreensível.

bjos

Letícia Penteado disse...

Em tempo: sobre o relacionamento de Soon Yi e Allen, casar, ou ficar casado, para mim, não quer dizer que não houve abuso anterior, ou que o relacionamento não é abusivo. Aliás, o casamento até pouco tempo extinguia a punibilidade do estupro aqui no Brasil, algo que eu sempre considerei profundamente machista - "se o 'valor' da mulher, sua 'honra' estiver preservada, não há 'prejuízo'", parecia ser a mensagem.
Quanto a Soon Yi ser inteligente, ou o que for, já vi mulheres brilhantes e poderosas fora de casa sofrerem relacionamentos abusivos dentro dela. Infelizmente, inteligência e vivacidade não são suficientes para nos livrar de nossas vulnerabilidades emocionais.
Isso quer dizer que o relacionamento com certeza é abusivo? Não, claro que não. Mas não é o papel passado, os filhos, os dezesseis anos de união que me provarão que com certeza não é...
E, apesar de a gente dizer "só porque ele fez algo reprovável, não quer dizer que ele faria algo criminoso", o fato é que o ato imoral que ele cometeu - e sua irredutibilidade em relação a ele, como você bem notou - denota uma perigosa falta de empatia. O tipo de falta de empatia que leva uma pessoa a tratar outras como objetos para a satisfação de seus desejos. O tipo de falta de empatia que invariavelmente está presente em alguém que comete ESSE tipo de crime. Afinal, o crime e a imoralidade em questão têm muito em comum. Ambos envolvem relacionamentos sexuais com mulheres muito mais jovens, inexperientes e menos intimidadoras para ele, ambas em posição de "filha" (eu acho que Soon Yi tinha essa posição sim), ou, digamos, de subordinação filial...

Anônimo disse...

As pessoas realmente são o que elas tem.Como se trata de uma figura poderosa e influente,Allen tem o benefício da dúvida.Se fosse um ajudante de pedreiro,já teria sido preso e espancado na cadeia.

Anônimo disse...

Só eu que acho o timing da acusação totalmente compreensível? Enquanto a família existe feliz e sem problemas, a criança tem ainda mais reservas para falar de algo que, embora ela não entenda, ela sabe que é errado, que é desagradável e, principalmente, que colocará o pai em problemas. Além disso, a mãe não está procurando por nada, embora pelo que pareça ela já ache estranho e "anormal" a relação do pai com a filha.

Aí a família começa a desmoronar, por um motivo ABSURDO de que o pai está mantendo relações com a outra filha. E me desculpem, não interessa quantos anos e se ela não era legalmente adotada, o Woody Allen foi a figura paterna da Soon Yi por mais de 10 anos. Não me peça para encarar a relação com normalidade. É LÓGICO que diante dessa descoberta você começa a repensar TODAS as atitudes do seu marido com seus filhos. A relação que ela já achava "anormal" torna-se extremamente suspeita. dessa forma, a criança se vê em um ambiente em que pode se abrir.

Não estou dizendo que foi isso que aconteceu, mas, por favor, lançar desconfiança sobre o momento que a acusação veio à tona me parece totalmente descabido.

Costumo gostar muito dos seus posts, mas me parece que a admiração pelo diretor afetou até mesmo você, Lola. Eu era muito nova em 92, então não pude acompanhar nada disso. Mas não consigo me ver tendo nenhuma reação que seja diferente a que eu tive com os integrantes do New Hit, por exemplo. Não vamos linchá-lo, mas premiá-lo, idolatrá-lo e agir como se o abuso não fosse uma possibilidade é estarrecedor.

Panthro disse...

Que a garota é vítima, não tenho dúvidas. Se de abuso sexual ou alienação parental é que é o problema.

Anônimo disse...

Eu só acho q se é pra fazer o advogado do W. Allen vc pode arrumar argumentos mto melhores, Lola. Dizer q eles não passaram mais de 15 min sozinhos? 5 minutos seriam maus q suficientes pra ocorrer abuso. "Ah, mas a pediatra não encontrou marcas." Sabemos q há várias maneiras de se cometer contato inapropriado/abuso sexual sem deixar marcas. Ou vamos retroagir no entendimento agora e dizer q estupro é só com penetração? Achei q pelo menos essa discussão já estivesse superada

Anônimo disse...

Interpretação de texto passou longe. Lola em nenhum momento defendeu Woody Allen, só fez um apanhado de várias notícias e várias interpretações para o caso, e atentou para não cairmos no linchamento, o que concordo com ela (e não é pq é W. Allen. Sou contra o linchamento de qq um). De qq forma sempre acredito na vítima até que o acusado prove ser inocente.

Anônimo disse...

Coicidência que no caso do Woody Allen possa existir dúvida na acusação de abuso contra ele.Quando o acusado é um zé ninguém a certeza é plena.
Até tu Lola?

marina. disse...

eu acho importante lembrar que a soon-yi não é filha do woody allen. ela é filha do pevin.

Anônimo disse...

Tem países pelo mundo onde o estuprador tem que casar com a vítima para não ser preso.

Então, né? É hipocrisia dar o benefício da dúvida só pq é o Woody Allen e linchar os pedófilos que não são famosos, nem cineastas.

Se vcs conseguem separar obra de autor, fico feliz pela frieza de vcs.

Mas pra mim, não dá. A carta da menina diz que até a Mia perguntou se ela estava mentindo e ela disse que não. Criança nenhuma inventa algo de tal gravidade. Eu sei porque não inventei e tenho plena certeza do que houve comigo e sei que os cretinos não foram prejudicados em nada!!

Continuem assistindo os filminhos dele. Continuem com essa amnésia moral. Porque na próxima notícia de abuso sexual e estupro, vou fazer questão de vir aqui lembrá-los que vcs defenderam o Allen e foram imparciais com ele.

Anônimo disse...

Marina:

Acho importante lembrar que a gente sabe que ela é filha adotiva.

Só por causa disso, tá ok tirar fotos nuas dela e depois casar com ela??

Nat Muniz disse...

não afirmo 'oh, certamente ocorreu'. mas queria fazer alguns comentários. 1. exame 'físico' para comprovar abuso só serve em caso de penetração. e acho que todos sabemos muito bem que abuso não se refere apenas a penetração.

2. eu sou psicóloga, e já trabalhei com psicologia e justiça. vou frisar aqui, NÃO EXISTE isso de um 'psicólogo especialista' atestar se teve ou não teve abuso. isso não apenas NÃO É POSSÍVEL, pois somos psicólogos e não detentores da verdade, como também não é desejável que a nossa função seja essa.

Caroles disse...

Eu acredito na Dylan até que se prove o contrário. Nesses casos eu não presumo a inocência de quem está sendo acusado, eu presumo que a vítima está dizendo a verdade. Que o abuso aconteceu. Lola, o Woody não está correndo nenhum risco de linchamento. Bem pelo contrário, está homenageado e idolatrado como sempre, até mais esse ano, aliás. Quem está sendo linchada é a Dylan, que tem todo dia suas memórias e seus traumas questionados... e a mãe dela, que é vista por muita gente como uma mulher histérica e perversa que implantou uma história horrível na cabeça da filha de 7 anos (história que depois de 22 anos de terapia ainda não mudou nem foi desmascarada como mentira). O que eu penso que cabe aqui é a velha discussão "separar autor e obra"... de resto, acredito na Dylan.

Nat Muniz disse...

Dito isso, acho que é importante frisar que, de fato, abuso é algo MUITO difícil de se comprovar. Então, na prática, jamais saberemos.

E mesmo a visão de quem acompanhou tudo em 92, é a visão que a pessoa teve daquilo que foi disponibilizado na grande mídia. os fatos não são puros, nunca, isso n existe. então se a gente escolhe divulgar uma informação que fala de um momento desequilibrado da mia, constrói-se um imaginário dela como amante vingativa histérica desequilibrada. Se resolvemos destacar outra fala, constrói-se um imaginário popular do Allen como depravado. Enfim.

Caso seja verdade, fico muito satisfeita que ela tenha feito a carta, que não esteja silenciada. Pois é sempre tão comum que as vítimas de abuso sejam silenciadas. Principalmente quando o abusador ocupa uma posição de poder.

Nat Muniz disse...

Mais um comentário: sigo apreciando a OBRA do woody allen. Uma obra qualquer não deixa de ser boa ou ruim pq a pessoa que a produziu fez coisas ruins.

Entretanto não o aprecio enquanto pessoa. Não o admiro, não o cultuo.

Anônimo disse...

Lola,

Diante de tudo o que você falou, o que mais me surpreendeu foi isso aqui: " Dylan foi levada a um pediatra por Mia um dia depois do suposto abuso, e nada foi detectado".

Você, que já cansou de explicar aqui mesmo nesse blog que abusos e estupros não ocorrem apenas se houver penetração, é muito difícil entender porque para o caso do Allen você usa o mesmo álibi dos machistas.

Marina P disse...

"...como é possível provar quando o abusador toca a vagina da vítima, faz sexo oral nela, toca seu clitóris, pede para que ela toque seu pênis, se masturbe diante dela...? Não é pergunta retórica não, é sério. Como se faz para provar esse tipo de abuso? O hímen está intacto. Mas a criança foi abusada. Ela não tem recursos linguísticos nem emocionais para descrever o que aconteceu. E aí, como é que a gente sabe que houve ou não abuso?"

Fernanda, eu não trabalho como perita mas recebo encaminhamentos de casos de suspeita de abuso ou em que o abuso já foi constatado e o abusador já está preso. Quando há suspeita geralmente a criança passa por avaliação comperitos, que podem incluir profissionais de várias áreas como Pediatria, Psicologia, Psiquiatria, Assistência Social, etc. O profissional psi costuma atender a criança por um tempoe, quando na há achado físico, o laudo técnico elaborado pode ganhar mais peso, mas é uma das piores provas que se pode ter, porque facilmente pode ser questionado. As provas testemunhais devem ser consideradas pelo magistrado e nela se incluem o testemunho do acusado, da vítima e de terceiros, sendo que o de terceiros costuma ter mais peso embora em crimes de caráter sexual que são realizados de forma escondida e oculta o testemunho da vítima ganhe mais valor.

A dificuldade é grande quando a vítima é uma criança, porque se espera uma certa quantidade de conteúdo fantasioso em seu relato e ela pode ser influenciada por adultos, o que costuma causar reserva em vários magistrados. Atualmente existem muitos trabalhos e tecnicas na área de Psicologia do Testemunho visando evitar a revitalização da criança, garantir a qualidade da prova testemunhal produzida e reduzir a invalidade dos relatos e a absolvição dos réus.

Isso quer dizer que o próprio testemunho e os laudos e relatórios de peritos podem ser provas suficientes para ganhar um caso.

O trabalho que eu faço é de acompanhamento de casos enviados pelo MP. Basicamente eu atendo toda e qualquer situação que o Ministério Público encaminha, maz a minha função é clínica, voltada para o tratamento dx paciente e não para perícia. O máximo que acontece é dos documentos que eu elaboro servirem como elementos para ajudar a embasar o andamento que o MP dá a alguns processos.

Caso algum profissional tenha mais capacidade e conhecimento nessa área, por favor me corrija se eu tiver sido imprecisa, ok?

Anônimo disse...

Não vejo sentido em contar toda a história da família, vc não estava lá e saber de fofocas não é relevante. Fossem eles uma família feliz ou uma família em meio a uma batalha qualquer coisa podia acontecer em termos de abuso, até onde eu sei eles não tem hora. E como já falaram, nem todo tipo de abuso deixa marcas. A carta da Dylan, hoje uma mulher adulta, devia ser o bastante mas parece ser melhor cogitar flashes e mentiras da mãe enquanto isso acreditamos no pai com a história de cartão com agulha e bilhetes deixados na porta. Adoraria saber se fosse ao contrário, se fosse Mia sendo acusada de abusar sexualmente de uma criança e fugindo com o enteado se a carreira dela teria sobrevivido e todo o auê teria sido empurrado pra debaixo do tapete. Pelo visto abusos não acontecem quando há diretores famosos envolvidos porque ai todo mundo acha que seguir tabloide é conhecer a família

Marina P disse...

Revimitização e não revitalização.

Lygia disse...

Letícia Penteado, vc falou tudo que eu senti lendo este post!
Obrigada!

Luh disse...

Pelo relatado acredito que a mãe -mia- sugestionou a filha - dylan- que houvesse ocorrido abuso. Mesmo que não tenha sdo intencional, creio que foi isso que ocorreu. O fato de allen ter ficado com sua filha adotiva muito mais nova fez com que ela suspeitasse de um abuso ( o bilhete prova isso) e com o ódio por causa da separação ela passou a desejar inconscientemente que tivesse ocorrido algum abuso pra que ela pudesse acabar com woody allen de vez. Então, mesmo que tenha sido sem querer, ela sugestionou sua filha que passou a crer de fato que tivesse sido abusada. Isso acontece, mesmo sendo incomum. Leiam a respeito do caso "escola de base". Há entrevista com a criança -procurem no youtube- confirmando a ocorrência de abuso. Mais tarde, entretanto, se comprovou que a história era falsa.

Fernanda disse...

Eu também vi o filme A Caça, entendo o lado da dúvida. Mas olha, Lola: pelo menos neste filme a menina tenta se retratar vááááárias vezes. Ela não condena o suposto abusador. Ela não o rejeita. Ela gosta dele e demonstra pena por tudo o que ele está passando. E, mais uma vez: tenta desmentir a história pelo menos umas 3 vezes. Mas aí já é tarde demais, ninguém acredita no desmentido.

A Dylan conta a repugnância que tem pelo Woody Allen. Não desmente a história hora nenhuma. Pelo contrário, conta do martírio que foi se ver como mentirosa durante todo esse tempo.

Estou com as outras que apoia a vítima. Também não acho que haja nem um milímetro de reação de linchamento neste caso, pelo contrário, o cara é pura glória.

Marina, obrigada pelas explicações, me esclareceu muito. Se entendi bem, a coisa está evoluindo para que o próprio testemunho da vítima seja a maior prova nesses casos. Ainda bem.

Anônimo disse...

Bem, que é possível criar falsas memórias na infância até acho que sim, mas porque justamente nas situações de abuso sexual é que essas hipóteses SEMPRE são insinuadas?? imagino que para alguém que já sofreu abuso e teve seu relato posto em dúvida deve ser muito dolorido ler este tipo de coisa. E é justamente por isso que tantas vítimas preferem ficar caladas. E como alguém já falou também não entendo essa necessidade em preferir acreditar que Mia tenha sido uma péssima mãe e desequilibrada do que sequer admitir que Allen possa sim ser um abusador. Qual a necessidade de defender com unhas e dentes um homem adulto contra uma criança de 7 anos na época?? E também acho que depois de mais de 20 anos e imagino que muita terapia a Dylan continua acreditando na sua história, então porque nós não podemos acreditar?

Anônimo disse...

Gostei muito do que uma analista e conselheira jurídica (Lisa Bloom) disse sobre o caso (Seis razões pelas quais Dylan Farrow é altamente verossímil, em inglês):
http://nakedlaw.avvo.com/crime/six-reasons-dylan-farrow-highly-credible.html?utm_source=hootsuite&utm_campaign=hootsuite

Quem puder, leia.

(Confesso que não queria ler a opinião da Lola sobre isso, ela sempre me decepciona quando os "grandes nomes" do cinema são manchados)

Ana disse...

Anon das 16:51: assino embaixo.
Em um espaço feminista duvidar da vítima é, no mínimo, uma crueldade.
E também repito o que outrx comentarista afirmou " "Por que é muito mais facil acreditar que a Mia é uma mãe horrivel traída, que plantaria memorias na cabeça da criança, do que o Woody um pedofilo nojento?"

Anônimo disse...

Leticia Penteado, obrigada por me representar. Voce escreveu exatamente o que eu penso, mas nao conseguiria ser tao brilhante qt voce! Lola, vc é como tantas de nós, erra, só espero que tenha humildade pra perceber que VOCE tb tem uma carga enorme de patriacardo enraizada em VOCE! Duvidar da vitima e se posicionar em cima do muro foi lamentavel! Boa noite!

André disse...

Se ele for uma pessoa decente me parece que seria difícil que tivesse cabeça para abusar da filha durante a confusão do divórcio. Mas se ele for um crápula não parece inverossímil a versão da vítima. Duvidar da versão da vítima já indica um prejulgamento incompatível com uma suposta imparcialidade.

@dddrocha disse...

Achei que o texto tentou, mas não conseguiu ficar imparcial.

Um engano: Woody nunca foi e nunca será um grande diretor, só fez filme pra comedor de leite com pera pagar de cult. Tirando a Lola, só conheço gente muito mané que paga pau pros filmes dele.

Outra coisa, essa coitada já sofreu demais pra ainda ser questionada. As vítimas tem uma necessidade de botar isso pra fora e serem levadas a sério.

Helena disse...

Outro artigo interessante que fala sobre esse suposto "plantar memorias na cabeça de crianças"

http://overland.org.au/2014/02/woody-allen-and-the-history-of-false-memory-syndrome/

Anônimo disse...

Poxa, Lola, que posicionamento decepcionante.

Não vou dizer que você está defendendo o W. Allen, mas claramente está dando a ele um tratamento diferenciado, ao passo que está usando argumentos frequentemente refutados aqui para "ponderar" o caso. Isso torna seu texto muito contraditório. Tanto que até o título do post é ambíguo.

Linchamento, você diz? Como assim, Lola? Se ele vem gozando de prestígio esse tempo todo, enquanto Dylan vem enfrentando a vida toda a descrença alheia e as consequências psicológicas desse drama?

Presunção da inocência??? Mas Lola, ele é considerado praticamente uma vítima nesse caso! Cadê a sociedade rejeitando seu trabalho? Cadê ele perdendo contratos? Cadê ele sendo preso?

Comprovação do abuso??? Lola! A gente vive tocando nessa tecla aqui. Não preciso nem comentar o quanto essa parte do seu texto me chocou.

Memórias inventadas??? Isso é o fim da picada!

Sinceramente, Lola.

Olha. Eu tenho a mesma idade da Dylan. Sofri abuso na mesma idade que a Dylan. Minhas memórias se organizam de maneira semelhante às relatadas por Dylan em sua carta (no caso dela, o trenzinho; no meu, certas revistinhas em quadrinhos - as quais igualmente não consigo ler até hoje). Obviamente muita coisa da minha memória vem em flash, também não sei quando os abusos começaram e pode ser que alguns detalhes tenham sido preenchidos pela minha mente ao longo do tempo. Mas te garanto que eu não seria capaz de inventar tamanho horror, tamanho inferno. Não seria capaz de gerar esse mal-estar que eu carrego até hoje. Eu tenho flashes bastante vívidos.

E tem mais, eu também vivi (em escala muito menor, claro) o drama de ver meu abusador sendo considerado um homem acima de qualquer suspeita. Isso dói demais.

Repense, Lola, por favor. Não precisa odiar a obra dele, tampouco sair condenando o cara. Mas não questione a verdade da vítima. Muito mais produtivo seria você, inclusive como professora de literatura, refletir profundamente sobre esse lance de separar ou não pessoa física de sujeito criador.

Anônimo disse...

Sei que não é a hora, mas só queria lembrar do pessoal falando num outro post que "moral" é igual bunda, cada um tem a sua... Que se você tem sua moral, viva de acordo com ela e deixe os outros viverem como queiram... qnt contradição.

No mais, bem intensa a carta. Sinto por ela.

Thayná disse...

Lola, nunca comentei no seu blog. Mas diante desse post de toda repercussão que eu venho acompanhando nos últimos dias, me achei no dever de partilhar minha opinião.
Seu blog me ensinou a não duvidar da vítima. Quando vejo você questionando o depoimento de uma menina de vinte e poucos anos, sobre o que aconteceu quando ela tinha 7 anos, fico uma tanto confusa.
Dizer que a'prestigiosa Clínica de Abuso Sexual Infantil do hospital Yale-New Haven' descartou a hipótese de abuso é basicamente afirmar que a menina inventou ou foi coagida a admitir o abuso.
Não podemos esquecer, porém, que estamos falando de um caso ocorrido há duas décadas. Em 94 O.J. Simpson matou a mulher e um amigo dela e foi considerado inocente. Em vinte anos, os estudos psicológicos de vítimas e abusadores mudaram. Ou deixaram de tratar de maneira diferenciada as celebridades.
Ao decorrer dessas últimas "alegações", dois dizeres me chamaram atenção.
1 - "Desde que eu me lembre, meu pai fazia coisas comigo que eu não gostava. Eu não gostava de como muitas vezes ele me levava para longe da minha mãe, irmãos e amigos para ficarmos sozinhos." Me parece que não acorreu um só abuso como o relatado no texto.
A menina se sentia incomodada com o que o pai fazia desde muito nova.Abuso não é igual a penetração/violação. Abusos acontecem de diversas formas.

2- Durante uma entrevista a VanityFair, ano passado , Dylan disse que " Durante seus anos na faculdade, Wood Allen tentou entrar em contato com ela. Ele a enviou um pacote (com destinatário falso) com fotos dos dois. Dizendo que "Eu acredito que você queira algumas fotos com nós dois, e eu quero que você saiba que eu ainda penso em você como minha filha. Assinado: Seu pai." Para muitos, isso pode parecer como um esforço de reconciliação. Para mim, parece uma carta de um pedófilo para uma vítima.

eu e apenas eu disse...

eu tenho uma sobrinha de 5 anos, e por incrivel que pareça ela não gosta de mim, desde pqna, nunca fiz nada contra ela, sempre me portei de forma impecável na sua presença e sempre houve respeito nas vezes que fiquei sozinho com ela, mesmo assim ela não gosta de mim. Isto não é um talvez e nem um exercicio de imaginação é um fato, ela não gosta de mim, não sente-me confortável na minha presença, o que fez eu durante os anos a me afastar um pouco dela.

Agora, se acontecesse da minha irmã ter um fortissimo desentendimento comigo, qq palavra dita por ela poderia influenciar minha sobrinha.

Eu imagino na situação de uma familia disfuncional, estas sensações e sentimentos podem ser intensificados de forma exponencial. Não estou defendendo o WA, apenas trazendo mais um fato a discussão.

A força com que pais ressentidos podem influenciar seus filhos contra os ex é muito grande, com certeza muitos devem conhecer um ou outra história parecida.

Na ocasião deveria ser investigado mais a fundo.

E agora uma reflexão: E se decidem que nada aconteceu, há duas possibilidades, a criança inventou e/ou foi influenciada e nada aconteceu de verdade (ou simples abraços e beijos foram distorcidos para abusos), como a criança porta-se? a ilusão é desfeita ou ela pode alimentar esta ilusão por anos e anos, deixando-a cada vez mais complexa e resentida?

Ou a criança estava certa, o abuso aconteceu (seja sexual, seja de abraços e beijos improprios?) e apesar de todos os esforços não foi encontrada nenhuma evidencia. como ela vai lidar? com a frustração de ver o culpado inocentado (seja numa acusação real, como numa implantada), como a criança lida com isto e as marcas desta impunidade/'impunidade' ?

Line disse...

Estou acompanhando essa história há alguns dias e há várias coisas que eu gostaria de falar sobre ela, mas acho que os comentários daqui (que estão ótimos!!!) já tocaram na maioria desses pontos. No entanto, gostaria de fazer um contraponto em relação a dois trechos do teu texto que me deixaram incomodada. Primeiro: Lola, não entendi por que tu trouxeste à tona a declaração da Mia Farrow sobre o pai biológico de Ronan, que possivelmente é o Frank Sinatra. Não sei se tive a impressão errada, mas me pareceu que tu citaste isso apenas para insinuar que Mia é mentirosa, talvez uma enganadora. Além disso, não vejo nenhuma relação entre essa situação e o tema central do texto, que é a acusação de abuso sexual cometido por Woody Allen. Enfim, acho que esse comentário sobre a paternidade de Ronan foi desnecessário e extremamente infeliz. Em segundo lugar, não concordo quando dizes que é absurdo algumas feministas afirmarem que Woody Allen tirou proveito de Soon Yi. Quando falamos que é bizarro e imoral um homem se envolver com sua enteada, que é muito mais nova que ele (e que, diga-se de passagem, ninguém sabe ao certo que idade tem), não estamos tirando a agência dessa mulher, estamos apenas apontando o óbvio: que se trata de uma relação doentia, entre uma moça e um homem muito mais velho que representava uma figura paterna quando ela era criança. Não estamos dizendo que Soon Yi é incapaz, mas que a conduta de Woody Allen é nada menos que reprovável.

Anônimo disse...

Não estou duvidando da vítima, mas... Não estou defendendo o agressor, mas... A Lola já começa o texto se justificando de porque, desta vez, a dúvida será plausível...

"não é que eu estou dizendo que a vítima está mentindo, só pode acontecer dela acreditar que a própria mentira seja verdade". Tentando amenizar o fato de que vai dizer que a vítima está mentindo.

Concordo com o que a maioria dos comentaristas disseram: não entendi qual o objetivo de postar num blog feminista um texto que reforça o senso comum, questiona a versão da vítima de abuso, da voz ao cara que tem toda a mídia já o eximindo e acusando a Dylan.

Achei muito bom um comentário sobre o fato de que quando o movimento feminista acredita na vítima, SEMPRE, corremos um risco bem pequeno de estarmos errados. Com isso, representamos um porto seguro dessas pessoas e incentivamos a denúncia.

Poxa, já há toda uma estrutura social pra desacreditar as vítimas de abuso sexual, nós não podemos fazer parte disso. Mesmo que o acusado seja alguém tão famoso quanto o W.A.

Eu ficaria feliz se a Lola refletir com os comentários e eventualmente possa dizer que mandou mal nesse post. Acontece com todo mundo...

Anônimo disse...

Oh, Lola, eu vou digerir o texto - e os comentários - antes de comentar, mas olha... Que o título 'tá estranho, isso 'tá. Quando eu li "UM RELATO DE ABUSO CONTRA WOODY ALLEN" ficou parecendo que o Woody é que foi abusado, e eu levei um susto.

Anônimo disse...

E outra... acho bem mais provável que os psicólogos foram manipulados, não a Dylan. Mesmo que inconsciente.

Já pensou atestar a culpa de pedofilia do famoso Woody Allen, Teria que ser bem corajoso.

sobre o muro disse...

a questão não é duvidar da vítima, mas como isto se sustenta numa acusação? será apenas a palavra dela, sem direito de defesa?

Woody Allen, deve ser condenado com base na carta?
Quem abusou da xuxa deve ser condenada apenas com o testemunho dela?
E a nadadora Joanna Maranhão?
Padres pedofilos devem ser condenados com base nos testemunhos das crianças?
Michael Jackson e as várias acusações e insinuações que recebeu ?
Qual a diferença destas situações?

pelo pouco que vi o caso da joanna é parecido em algumas coisas com o da Dylan. Idade parecida, figura de poder, acusados bem posicionados e sem nenhuma outra acusação.

Talvez as mulheres que lidam com este problema, possam comentar melhor a questão da reincidencia no caso da pedofilia, o fato de nunca terem aparecido mais nenhuma acusação pode ser usada como prova de conduta? pq, ao dizerem que ele é um predador é dificil acreditar que ele nunca tenha tentado mais nada contra ninguem ...

O que obviamente não descarta a possibilidade de uma investida dele.

Anônimo disse...

Na minha opinião, o caso não é simples, mas eu concordo com a Lola. Esquecendo a fama dos atores da trama, eu penso dessa maneira:
- criança acusa alguém de abuso: eu acreditaria na criança.
- abuso não é detectado, eu ainda acreditaria na criança.
- meses de investigação acontecem, com especialistas envolvidos que dizem que a criança está mentindo. Ai eu começaria a duvidar, mas sem nunca poder afirmar que era mentira e apoiando a criança na medida do possível. Pra mim foi assim que a lola se posicionou.

Óbvio que o cara não ia ser condenado nesse caso. Mas a opinião da Lola é compreensível, ainda mais depois de 20 anos do caso.

Se o caso nunca tivesse sido investigado. Se a opinião pública tivessem sempre sido a favor do cara. Se a criança nunca tivesse sido levada a sério. E ai depois de 20 anos ela escrevesse uma carta assim, eu não duvidaria dela nenhum pouco. Até porque, não teria nenhum benefício pra ninguém que ela fosse desacreditada.

Mas não foi o caso. Levaram a sério as denuncias dela, fizeram uma investigação e não constataram o abuso. Passou-se 20 anos. Nós não conhecemos nenhum dos dois. Então a única coisa honesta que podemos fazer é ficar em cima do muro mesmo.

Anônimo disse...

Só eu interpreto da seguinte maneira?: Não se está duvidando da palavra da vítima. Não ficamos sabendo dessa história ontem e está todo mundo defendendo o famoso/rico/influente diretor. A JUSTIÇA investigou e inocentou. Sim, a justiça pode falhar, a justiça pode ser corrompida. Mas ele foi investigado e inocentado. Essa é a questão.

Anônimo disse...

Nossa,tanto nojo desse cara,pra mim não dá pra separar as coisas,filme dele nunca.
O que eu fico besta é de todo mundo apoiar o casamento com a filha(sim,ela era pra ser respeitada com filha/enteada) e mais,eles ADOTARAM DUAS MENINAS.
Com que finalidade essa adoção?
Porque ninguém nunca lembra dessas meninas a merce desse pedófilo,cadê a polícia pra investigar?
Não entendo esse mundo blindado onde pseudo geniais cultuados podem tudo,em nada fica a dever a prefeitos que compram meninas virgens.
E daí que ele faz filme bons?Não podemos viver sem eles?
Achei o texto bem tendencioso,embora eu tenha descoberto coisas incríveis aqui,que num futuro bemmmm próximo possam me livrar de um marido violento(verbalmente),mas hoje me ameaçou fisicamente e eu fiz a Lola e chamei pra dentro.No caso de abuso sexual infantil(fui vítima),acho que esse massacre em cima da Mia e as passadas de mão na cabeça do infeliz,só irão fazer propaganda de abuso.Eu me sinto,exposta,humilhada e totalmente indefesa.Talvez como as filhas dele.

Anônimo disse...

Lola, o seu pai te levava pra um canto pra por a cabeça no seu colo? Ele te enchia de beijos longe das outras pessoas da família e pedia segredo?

Ele colocava o dedão na sua boca?

É bem fácil de perceber a diferença entre uma relação amorosa de pai e filha e uma relação estranha. Um pai amoroso não faz carinho escondido. Não pede segredo.

E principalmente não força a filha a receber carinhos que ela não gosta. Allen fez coisas ruins à Dylan por um bom tempo.

Anônimo disse...

Só um detalhe: W. Allen jamais foi inocentado, porque não houve julgamento.

p.bernardes disse...

poxa Lola, acompanho sempre seu blog, e nunca comento, mas fiquei estarrecida ao ler seu texto.
eu fui abusada sexualmente pela empregada da minha mãe, quando tinha entre 2 e 4 anos de idade, e me lembro de tudo o que aconteceu. TUDO. todos os detalhes.
quando me abri aos familiares, meus pais não me acolheram de inicio, só hj começam a compreender. o meu irmão deixou de falar comigo, porque ainda duvida de mim.
eu também tenho que aguentar gente duvidando de mim, usando argumentos como "mas vc era só uma criança de 3 anos, será que você lembra mesmo?". vc imagina o que é passar por isso TODAS as vezes que conta sobre o acontecido? ter que provar que não é loucura??
é quase como dizer a uma garota que foi estuprada ao sair de uma festa, bebada, que talvez ela esteja enganada, foi só uma impressão. cultura do estupro Lola!?
eu sei que não inventei. ninguém me contou. eu lembro. por isso acredito na carta da Dylan.
por favor, Lola, JAMAIS questione ou culpe uma vítima de abuso. só quem sofreu sabe a dor que sente quando alguem tenta desacreditar. não colabore com essa cultura que tentamos combater incansavelmente. muito triste tudo isso...

Anônimo disse...

Importante ressaltar que ele não foi inocentado.

E mais importante ainda: parem de tratar a justiça dos EUA como a justiça do Brasil. Países diferentes possuem legislações/ jurisprudências/ etc completamente diferentes.

Joana disse...

Tristeza. É por isso que tantas e tantas não querem denunciar. Se minha filha tivesse me relatado um abuso e eu tivesse lido esse texto, não faria a denúncia, afinal crianças fantasiam. A não ser que ela estivesse sangrando, deixaria para lá, afinal dedo na boca, dedo ali, dedo acolá, ficar sem calcinha, cabeça no colo... tudo fantasia infantil.
Antes eu lia mas até me questionava se vivíamos mesmo uma cultura do estupro. Quando me convenci que sim, leio este texto.
Agora tenho certeza, vivemos numa cultura do estupro. E é melhor calar a falar. Afinal, podem ser fantasias.

Anônimo disse...

Lola, vc já reparou que vc ameniza/suaviza/coloca dúvida na vítima justo cm pessoas que vc admira? Como o Woody Allen, Polanski e Nelson Rodrigues?
Diferentemente de tantos outros que vc condena aqui?

Uma pergunta honesta mesmo, se vc não ficar ofendida em responder. Vc acha que tem um minimo de possibilidade de vc estar sendo influenciada pelo que vc sente por eles? pela admiração?

Anônimo disse...

A presunção de inocência é um direito de todos, mas não entendi pq vc escolheu isso como sua principal tese no texto (e em vários tweets).

Se a intenção era comentar sobre casos no qual há uma falsa acusação, então pq não falar sobre quem isso realmente afeta: as vítimas que são duvidadas e são obrigadas a passar por dezenas de peritos e psicólogos até que se acreditem nelas?

Ou então sobre os caos onde havia sim falsa acusação, mas ela vinha por causa de outro elemento: racismo (Emmet Till e tantos outros)

Pq o Woody Allen não sofreu "linchamento". Sim, a sua vida será pra sempre ligada a essa história. Mas receber um "Lifetime Achivment Award", uma nomeação ao Oscar e morar em um luxuoso apartamento na Quinta Avenida, não é ser linchado.

Se era pra ler um texto em cima do muro e simplesmente um apanhado dos fatos que aconteceram, poderiamos ir em trocentos blogs e reportagens que fizeram isso. Não acho que o seu texto não foi feminista, mas acho que faltou dar a Dylan o apoio e a sensibilidade com que vc demonstra com os seus Guest Posts.

Gigi La Roux disse...

O negócio é ser famoso mesmo heim! Pra mim ta bem claro que ele se aproveitou do escândalo do divórcio pra concluir um abuso que já vinha ocorrendo há bastante tempo - segunto o relato da vítima - justamente para no caso de ser acusado a esposa ser desacreditada como a chifruda vingadora e manipuladora de criancinhas. Quem garante que os tais bilhetes ameaçadores foram feitos pela Mia e não por ele mesmo pra justificar a "histería" da mulher traída? Capacidade para montar uma trama dessa a gente bem sabe que ele tem, afinal estamos falando de Woody Allen!
E esse texto é apenas mais uma mancada da Lola que provavelmente nem vai aprovar esse comentário.

Anônimo disse...

sobre a presunção de inocência, fica esse texto:

"And Woody Allen cannot be presumed to be innocent of molesting a child unless she is presumed to be lying to us. His presumption of innocence can only be built on the presumption that her words have no credibility, independent of other (real) evidence, which is to say, the presumption that her words are not evidence"

http://thenewinquiry.com/blogs/zunguzungu/woody-allens-good-name/

memorias disse...

p.bernardes, sinto muito pelo que aconteceu. mas eu já li vários estudos que dizem que a memoria de uma criança só se firma depois dos 4 anos. aqui algumas coisas sobre isto http://brazil.skepdic.com/memoria.html

não duvido que vc vivenciou estas experiencias e as considera reais, porém existe uma possibilidade delas não serem, da mesma forma que não há um consenso final de que a idade limite é por volta dos 4 anos, é possivel que com algumas crianças aconteça antes ou depois.

talvez o trauma fortaleza a fixação das memorias, mas não querendo desmerecer o que lhe aconteceu e sua dor. nesta idade é muito mais fácil uma memoria ser implantada.

Então para fins de julgamento acaba não sendo prova, mas obviamente pode ser o estopim para uma investigação e juntamente com a colheita de outras provas ser considerado.

Infelizmente qdo acontecem casos espaçados por vários anos, não existe mais a chance de colher estas provas e tudo fica mais dificil de provar.

Só um adendo, a comparação com uma moça estuprada ao sair de uma festa ou bebada, não se sustenta já que seria muito mais fácil colher provas físicas. o problema aqui é a memoria de uma criança..

este caso não se aplica com a da Dylan, já ela era bem mais velha e portanto o processo de memoria já estava bem solidificado, o que não impede o sugestionamento ...

mas continuo em cima do muro, apos a colheita de provas não acharam nenhum indicio de que pudesse ser verdadeiro, ou ele era um mestre na dissimulação ou é grande a chance de não ter acontecido ..

porém dylan sofreu e ainda sofre, por isto

Anônimo disse...

ironia ou nao, até o titulo ambiguo do post parece colocar woody allen como vitima.


maria

pro dylan disse...

sobre as fotos, a traição é feia, mas não é reprovavel. tem de ver em q momento as fotos foram tiradas, de qq forma pelo que deu a entender do texto ele não convivia com Soon Yi, para mim me parece uma dose exagerada de moralismo.

Diferença de idade não prova nada, existem milhares de homens mais velhos com mulheres mais novas e estatisticamente eles não são abusadores por causa disto. eu conheci minha atual esposa quando tinha ela tinha 20 anos e eu tinha 42, ou seja 22 anos de diferença.

O fato de existirem mulheres abusadas, ou infelizes em seus relacionamentos não quer dizer que este relacionamento seja assim, pelo contrário tudo indica que este é uma relacionamento feliz.

E

Se ele tivesse fotos dela criança;
Se a relação tivesse começado muito antes;

E com certeza esta relação influenciaria muito a relação com Dylan, não vejo como não afetar

mas pode não ser convencional, mas neste ponto concordo com ele, é uma tempestade em copo dagua, ele parece que fez tudo certo - na medida do possivel - nesta situação em especial ou seja o relacionamento com a Soon Yi.

Já sobre o resto eu acredito na Dylan, mas não acredito na Mia

Anônimo disse...

Essa história de abuso me lembra daquele caso (diferente) do Michael Jackson com aquele Jordan Chandler. Evan Chandler, o pedaço de fezes em forma humana que aparentemente obrigou o filho a fazer o testemunho incontestável contra Jackson (basicamente colocou o garoto pra falar que o Michael passou a mão nas partes íntimas dele, ou algo parecido) além de ter destruído a carreira de Jackson conseguiu embolsar 15 fucking milhões de dólares. O tal Jordan só foi confessar que a história toda era uma mentira depois que o Michael morreu! Algumas pessoas acham que aquilo foi um hoax e a mensagem era falsa, mas olha que conveniente: 5 meses depois da morte do Michael e após a mensagem ser publicada Evan Chandler se suicidou!

Apesar de serem casos muito diferentes, eu acho totalmente válido ficar com um pé atrás principalmente nesses escândalos envolvendo pessoas famosas. Não se trata de desmerecer depoimentos sinceros; eu até acredito que a grande maioria das denuncias de abuso sejam verdadeiras, mas existe maldade em todo lugar. Já viram Prison Break? É uma conspiração tão grande que chega ser inacreditável, mas um dos motivos da pena de morte ser desencorajada hoje em dia é o risco de executar uma pessoa inocente. Pra mim a Lola foi totalmente coerente nesse post: passaram-se 20 anos e ainda não se chegou a conclusão nenhuma. É muito mais sensato ficar em cima do muro nesse caso.

Moses disse...

um detalhe que muitos estão esquecendo, Moses que inicialmente se afastou de Woody no turbilhão de acusações, se reaproximou dele e falou em manipulação.

o caso não foi a julgamento pela ausencia de provas.

tudo indica que ele é inocente. mas isto não apaga o sofrimento de Dylan

sobre quem reclama se fosse um pedreiro tudo seria diferente, realmente o dinheiro fez diferença aí, principalmente pelo trabalho mais minucioso das autoridades. algumas acusações seriam desmontadas e ao mesmo tempo mais culpados seriam punidos se as autoridades fossem sempre minuciosas.

Anônimo disse...

Olá Lola, parabéns pela postura.
Tinha 17 anos em 1992, e me recordo do que foi o caso na época. Toda essa história me parece um deja vu daquele tempo.

Você falou de timing e isso me recordou um caso diferente, já comentado aqui, de quando interpretaram uma frase do Gerald Depardieu em uma entrevista, onde sua declaração de ter presenciado um estupro aos nove anos de idade, foi traduzida erroneamente pela revista Times como de ter participado de um estupro. Graças ao erro o ator perdeu o favoritismo que tinha em uma indicação ao oscar e consequentes trabalhos em Hollywood.

A polêmica sobre Woody Allen, não coincidentemente volta a tona novamente ás vésperas do Oscar, depois dele ganhar um Globo de ouro com um filme e ser alvo de uma homenagem.

Esse é o timing da situação. Não é muito diferente das vésperas de uma campanha política. O que veremos é um embate visceral sobre a verdade, um repúdio ao diretor que provavelmente respingue na premiação do oscar, e depois de alguns meses, esquecimento pois a polêmica terá servido ao seu papel.

Seria perfeito que o caso fosse reaberto e levado a uma conclusão definitiva, ainda mais que agora Dylan fala por conta própria e reabriu a questão. Infelizmente creio que será uma polêmica com ciclo de vida definido e um desfecho previsível que nada soluciona. Mantendo pra sempre a certeza de tantos e a dúvida de alguns. Tal previsibilidade inclusive, é lastimável e presta um tremendo deesperdício não somente á principal vítima, quanto a toda mulher vítima de abuso.

Esse caso é uma cilada. Uma armadilha sob medida para as feministas, passional demais, visceral demais, difícil de evitar. Mas cá estamos, revivendo os anos 90.

RavenClaw~ disse...

O anon da meia noite tocou num ponto importante. Não duvido da Dylan. Duvido da Mia. Ela acha fotos da filha recém saída da adolescência, pelada no apto do marido/namorado/whatever, não se separa dele, e aí em seguida adota duas meninas com esse cara? Tipo... Why?

Fernanda disse...

Uma outra pergunta pros especialistas (Marina, conto com você! rs...)

Nos casos de suspeita de abuso, é feito um estudo ou análise do perfil do abusador? Porque deve haver sintomas recorrentes, não...? Um padrão de comportamento?

E olha, um anônimo mandou esse link, honestamente, após a leitura, acho quase impossível duvidar. Trata-se da análise de uma analista legal (Lisa Bloom) enumerando seis razões pelas quais a Dylan não está mentindo. Recomendo vivamente a leitura. Segue de novo, pra quem passou batido (obrigada Anônimo):

http://nakedlaw.avvo.com/crime/six-reasons-dylan-farrow-highly-credible.html?utm_source=hootsuite&utm_campaign=hootsuite

Marina disse...

Gente, parem de comparar com o caso New Hit!Uma coisa não tem nada a ver com aoutra, existem provas materiais do caso New Hit, exames, amostras, não apenas o relato de um criança que veio de um lar desajustado, como é o caso do Woody!Inslucive foram adolescentes que forma abusadas, não crianças de 7 anos! Só parem!

Anônimo disse...

Comecei a me informar sobre o feminismo não tem muito tempo, coisa de três anos então certamente tenho muitas coisas ainda para ler e conhecer. Então peço ajuda de vocês: por gentileza, qual é a corrente feminista que defende estupradores e fala em *supostas vítimas* de abuso sexual infantil? Obrigada.

Anônimo disse...

Vcs vivem em outro planeta,para se prender uma pessoa precisa de provas,é a lei, mas para vcs basta alegar q foi abusada q o cara tem que ir preso na hora.

Anônimo disse...

http://www.thenation.com/blog/178203/choosing-comfort-over-truth-what-it-means-defend-woody-allen Seria um post como esse que eu esperaria do seu blog, Lola. Li o post ontem e ainda estou estarrecida, decepcionada e me sentindo como outras pessoas aqui já falaram, pessoalmente agredida. E você continua twitando notícias como "Toda a família ficou sabendo 4 horas depois do acontecido" Mia Farrow é louca? uma mentirosa? uma histérica? Eu tenho 32 anos, e a lembrança só apareceu aos 19 anos, quando decidi ter minha primeira relação sexual e até hoje nunca falei disso com ninguém(e não consigo nem detalhar, mesmo sabendo que vou publicar esse comentário anonimamente) Você falou falou falou, o título do post chega a ser um insulto, e esqueceu de dar importância ao que realmente importava, porque o único fato novo de tudo isso é a carta da Dylan e você tratou essa carta como um mero detalhe. Ainda tentando entender o porque desse post...

Jacqueline disse...

Lembremos o caso da escola Base de SP.

Anônimo disse...

Acho triste demais ver a palavra da vítima recebendo descrédito até aqui. Lembra a minha própria história.

Nasci e morei com meus pais em uma cidade pequena até hoje no interior do estado de São Paulo e antes mesmo do meu nascimento havia uma pessoa morando em nossa casa, uma cuidadora por falta de termo melhor mas que ajudava a pessoa que emprestou seu útero para me colocar no mundo, foi uma gravidez difícil ao que consta. Essa mulher abusava de mim. Não sei dizer quando começou, posso supor que foi quando bebê ainda mas eu me lembro com assombrosa clareza dos infames banhos prolongados que ela insistia em me dar. Nesses banhos, ela passava sabonete nas minhas partes íntimas anteriores e posteriores e como ardia muito, ela dava beijinhos para sarar e vocês imaginam como eram esses beijinhos? Bem lá dentro? Pois é, eu lembro. E eu chorava muito para não tomar os banhos, porque ardia. Com quatro anos, no dia do meu aniversário a minha genitora biológica me bateu porque eu não queria tomar banho antes da festa. Apanhei, tomei o banho, fui molestada nesse dia também e nas fotos da festa está lá a minha cara de criança mais feliz do mundo, ao contrário. Eu lembro de tudo, absolutamente tudo. Quatro anos. E não foi a última vez que isso aconteceu.

O abuso sexual cessou aos seis anos de idade, quando meu pai flagrou um desses momentos. Isso porque meu pai nem chegou a ver os tais beijos mas viu algo que considerou impróprio e veio falar comigo, quando contei tudo. Ele e minha mãe se separaram, naquele tempo não existia divórcio ainda e a questão da guarda se arrastou por muito tempo, até porque preferencialmente ficava com a mãe (ainda que fosse uma mulher conivente com os abusos, como no meu caso) mas felizmente acabei ficando aos cuidados do meu amado pai e da minha avó paterna, as duas únicas pessoas do mundo que nunca, em momento algum, me fizeram a mesma pergunta que fizeram à filha de Mia Farrow: "Tem certeza que isso aconteceu mesmo?".

Qualquer vítima de abuso sexual, seja ele infantil ou não tem condições de saber o que essas palavras significam e porque uma hora nós simplesmente paramos de tocar nesse assunto.

Cada pessoa, cada psicólogo, pedagogo, familiar, conhecido que duvidou da minha palavra me estuprou também. Minha mãe, que tinha condições de saber o que acontecia naquele banheiro e defendeu aquela babá-monstro com unhas e dentes me estuprou também, porque quem defende estuprador é um estuprador por omissão. Fiquei tão traumatizada com tudo que não tocava na minha área genital nem para a higiene, vivia com problemas nisso mas nunca fui a um ginecologista em toda minha vida, embora tenha sido examinada por uma pediatra naquela época. E eu berrei muito, não queria ser tocada. Seis anos anos, e eu lembro até dos brincos que a médica usava. Permiti uma vivência sexual aos 29 anos uma vez somente e foi muito frustrante, não me relacionei com mais ninguém em bases sexuais, seja homem ou mulher. Por essa razão, não namorei nem casei. E hoje em dia já sou uma senhora. O trauma, a lembrança e o descrédito, tudo ainda está vivo na minha mente e no meu corpo sem viço mesmo com tantos anos de terapia e medicação, e aí eu pergunto: Eu sou mesmo doente ou o mundo que é doentio?

As vítimas de abuso sexual certamente podem responder essa. As pessoas que não falam em suposto estupro também. As que levantam dúvidas sobre a palavra de uma criança molestada dentro de sua própria casa, não.

Anônimo disse...

Woody não foi inocentado porque não foi acusado. Se não foi acusado é porque o promotor entendeu que não havia provas suficientes. Não acho que nem a Lola nem ninguém esteja deixando de dar crédito ao depoimento da menina. Tanto foi dado crédito - inclusive na época - que a mãe levou ela ao médico, a justiça foi acionada e uma equipe de psicólogos foi chamada para avaliar o caso. Foram esses psicólogos (e não a imprensa, a justiça ou a Lola) que disseram que os depoimentos dela poderiam conter fantasias (que eles não sabiam dizer se era induzidas pela mãe ou pelo momento difícil que ela estava passando). Claro, você sempre vai poder desconfiar da equipe indicada pela justiça. Mas não acho que dá para comparar esse caso com o de milhares de menina que sofrem abuso e são, desde o primeiro momento, tratadas como doidinhas, como mentirosas ou como culpadas. Dylan nunca foi tratada dessa forma. As declarações dela sempre foram tratadas, por princípio, como verdadeiras (e depois reavaliadas).

donadio disse...

"A estimativa do FBI é que somente 2% das acusações são falsas. "

Para a gente entender direito o que significa "somente 2%", vamos pegar os dados do FBI (do FBI mesmo, não atribuídos ao FBI por um site que não dá nenhum link para a suposta fonte): a cada ano, cerca de 80.000 estupros são denunciados nos Estados Unidos (aqui: http://www.fbi.gov/about-us/cjis/ucr/crime-in-the-u.s/2012/crime-in-the-u.s.-2012/tables/1tabledatadecoverviewpdf/table_1_crime_in_the_united_states_by_volume_and_rate_per_100000_inhabitants_1993-2012.xls). Isso quer dizer que, se 2% dessas denúncias são falsas, cerca de 1.600 pessoas são falsamente acusadas de estupro nos EUA, todo ano. Mil e seiscentas pessoas! Mil e seiscentas pessoas inocentes, acusadas de um crime que não cometeram! Mil e seiscentas pessoas inocentes, falsamente acusadas de um dos piores e mais brutais crimes que existe, e que acarreta as mais pesadas conseqüências para quem é acusado.

Outra coisa: de novo segundo o FBI, 40% das denúncias de estupro tem como conseqüência o indiciamento de alguém (http://www.fbi.gov/about-us/cjis/ucr/crime-in-the-u.s/2012/crime-in-the-u.s.-2012/offenses-known-to-law-enforcement/clearances). De onde sai então o número de que "apenas 3% dos denunciados por estupro passam sequer um dia na prisão"? A matemática não bate: o site que diz isso se baseia no suposto fato de que "60% por cento dos estupros não são denunciados". Mas se 60% dos estupros não são denunciados, então 40% são denunciados. E se 40% das denúncias de estupro resultam em indiciamento, então 16% (40% de 40%) dos estupros como um todo, denunciados e não denunciados, resultam em indiciamento. E o sistema legal dos Estados Unidos não é como o nosso: estupro é inafiançável, e não tem "Lei Fleury" para poupar réus primários; se alguém é acusado de estupro, responde pelo crime na cadeia (ou foragido). Como então apenas 3% dos estupradores enfrenta cadeia?

E mais, se o FBI diz que apenas 2% das denúncias de estupro são falsas, como então consegue indiciar apenas 40% dos acusados? Ou os números não batem, ou o que isso quer dizer é o seguinte: em 40% dos casos o FBI se convence de que o acusado é culpado, e passa o caso para a promotoria, e em 2% dos casos o FBI se convence de que o acusado é inocente, e portanto arquiva o caso, sem enviar à promotoria - ou seja, sobrariam 58% dos casos, em que aparentemente o FBI não consegue esclarecer se o crime ocorreu ou não, e portanto onde as denúncias podem ser tanto verdadeiras como falsas.

Quanto a depoimento de crianças, lembrar o caso da Escola Base (aqui, as imagens: https://www.google.com.br/search?q="escola+base"&client=opera&hs=0bM&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=reTwUs_3KNLfkQfut4GIDQ&ved=0CDIQsAQ&biw=1024&bih=629).

Crianças talvez não mintam, mas elas fantasiam um bocado. E aprendem rápido a identificar o que os adultos querem que elas digam.

Anônimo disse...

O título do post é bem revelador. Tadinho do Woody,né?

Alguém escreveu no Facebook hoje: "Quando se presume a inocência de um molestador, presume-se também que a vítima não é inocente".

É pra se pensar.

Cultura do estupro manda beijos - forçados.

Matheus Boni Bittencourt disse...

Na verdade, na verdade, me parece que isso está se resumindo a uma palavra:
SENSACIONALISMO

A mídia corporativa estadunidense está faturando muito com esse caso.

No caso do Polanski houve alguma comprovação, que resultou em condenação, cumprimento da pena (dizem que fugiu pouco antes de cumprir tudo, mas não tenho certeza). Não vai deixar de ser considerado molestador para o resto da vida. Isso me perturbou porque eu gostei dos filmes dele que eu vi, mas o talento como cineasta não exclui que seja um indivíduo cruel, machista e desequilibrado.

No caso do Woody Allen, como você acertadamente mostrou, falta comprovação. A presunção de inocência significa que PODE ter acontecido, mas que não há provas. Concordo com a sua avaliação de que a conduta dele foi imoral, mas não necessariamente criminosa.

A exploração midiática da briga de Mia e Woody está gerando uma explosão de histeria linchatória. Há gente que não aceita que o ônus da prova é da acusação, e, o pior de tudo, o linchamento agora se estende a todo mundo que, tal como você, Lola, lembra que existe presunção de inocência. Surgem aquelas frases datenísticas, dizendo que a pessoa é "defensor do bandido". Coisa que quem defende direitos humanos é de praxe. Ora, você pode ACHAR que aconteceu mesmo, ou não aconteceu abuso sexual.

Abraços

Anônimo disse...

A parte triste é que eu já esperava um post assim vendo sua posição na época que Polanski foi preso mesmo o estupro tendo sido bem claro no caso dele. Não sei porque defender tanto quem nem precisa de defesa. Woody continuou com a carreira de sucesso. Quem se recusa a trabalhar com ele hoje em dia? Ele até mesmo adotou duas meninas após todo esse drama!

E quem basicamente chama a Dylan de interesseira falando que ele é rico e temos que ficar com um pé atrás, vocês são não prestam. Ela não tem nada a ganhar com isso, ela não vai levar ele a um tribunal ou ser indenizada. Ela apenas quer que sua história seja ouvida porque seu abusador está concorrendo a seu milésimo oscar. Ela até perde com isso porque seu nome vai mais pra lama e vai ter um zilhão de defensores fãs do homem querendo atacá-la. E citar irmãos que pararam de falar com Mia mas se esquecer dos que pararam de falar com o Woody e ficam do lado de Dylan é golpe baixo

Anônimo disse...

Corra da Lola, corra.

Terceira vez que te vejo passando pano pra estuprador.
Acho que tá na hora de você rever o seu feminismo.
E tá na hora de você parar de prestar esses desserviços. Se for pra escrever bosta, é melhor que você não escreva nada.

SEU FEMINISMO NÃO ME REPRESENTA.


Att, Priscilla Carriel.

Anônimo disse...

"Também tem outra coisa: não sei até que ponto acredito em verdade absoluta. Algo muito comum em casos de abuso sexual infantil é que a pessoa se lembra de flashes. A mente tenta barrar o que é difícil demais de aguentar. Em muitos, muitos casos de abuso infantil, a pessoa adulta não tem certeza se aquilo aconteceu mesmo. E, assim como é possível apagar memórias, também é possível criá-las.

É possível que uma pessoa acredite tanto numa história que, pra ela, aquela é a verdade. Não quer dizer que esteja mentindo. Pra ela, não é uma mentira. Ela acredita. Mas nem por isso necessariamente aconteceu. "

Rafinha Bastos faz uma "piada" com estupro e é um monstro que merece ser apedrejado.

Woody Allen abusa sexualmente uma menina de 7 anos, que fala desse abuso desde os 7 anos e não podemos ter certeza do que aconteceu.

Por um momento achei ter entrado em um blog masculinista.

Hamanndah disse...

lola, a foto dela com Wood, que ilustra seu post, não mostra uma criança feliz em estar nos braços do pai. Ela, definitivamente, não estava feliz no momento em que foi batida a foto.

Quanto á afirmação de Wood, que não teria coragem de abusar de uma criança numa casa "cheia de inimigos", sabia que, em uma festa ou almoço e família, um de meus tios me mostrou uma revista pornô - eu tinha 11 anos - e a casa estava cheia. Eu não falei nada e imagino que, na epoca, se tivesse falado, eu iria enfrentar o bombardeio que uma criança de 7 anos enfrentou. Barra muito pesada para ela. Acredito nela porque vejo na sua foto adulta o retrato de uma sobrevivente de abuso. Sei disso porque sou uma e reconheço isso.

Lola, certamente, o seu pai nunca levou o dedão dele á sua boca, como brincadeira, não é isso? Não é uma brincadeira muito estranha?

Hamanndah

Ana Carolina disse...

Uma das coisas que mais me marcou nos últimos anos, quando me descobri na família, foi, diante de certo relato de abuso, não acreditar na vítima. Motivos: a vítima tinha motivos DE SOBRA para inventar uma situação de abuso para fazer o circo pegar fogo (é uma história longa e pessoal, mas dentro dessa coisa chamada CONTEXTO, duvido da suposta vítima mesmo). Sei lá, fiquei muito marcada pela incoerência, em "eu deveria acreditar na vítima", mas dentro daquele contexto, não consigo.

lola aronovich disse...

Oi, gente. Muitos comentários agressivos aqui (fora os que não aprovei, me chamando de hipócrita e mentirosa pra baixo e desejando a minha morte). Quer dizer, não basta querer linchar qualquer pessoa acusada de um crime sexual, tem que querer linchar também qualquer pessoa (principalmente se for uma feminista!) que lembra que presunção de inocência é um princípio básico dos direitos humanos. E por "linchar" eu quero dizer se recusar a ouvir o outro lado (que tem direito de defesa), se recusar a ver alguns fatos importantes (desculpe se, pra mim, tem importância a opinião de uma equipe de psicólogos que já havia lidado com 1,500 casos de abuso sexual infantil e que foi recrutada pela promotoria e que, após 6 meses de investigação, concluiu que não houve abuso), se recusar a considerar o contexto (tanto o contexto da acusação ter vindo no meio de um escândalo, como o contexto atual: agora, 21 anos depois, a acusação está vindo no meio do quê? Por que voltou? Sejamos críticxs e questionadorxs com tudo: qual o único fato novo que a matéria da Vanity Fair de novembro de 2013 trouxe? A sugestão de que Ronan seria filho de Sinatra, não de Woody. Se não fosse essa sugestão, que gerou manchetes ao redor do mundo e basicamente lançou Ronan como celebridade, a matéria não seria publicada. Alguém me perguntou, nos comentários, por que falar de Ronan. Porque ele e Mia, e não Dylan, são os participantes mais frequentes nessa história).
Não estou defendendo Woody, não estou nem aí com o Globo de Ouro nem com o Oscar (e imagino que Woody não esteja nem aí também). Mas por que Dylan decidiu falar agora, citando, em sua carta, tanto o Globo de Ouro como os atores que participaram do último filme de Woody (filme que eu, aliás, achei plágio de Um Bonde Chamado Desejo)? Pelo que entendi, a cronologia da acusação atual é a seguinte: matéria da VF em novembro de 2013, trazendo o escândalo pra uma nova geração (que talvez nunca tenha ouvido falar em Woody Allen ou Mia Farrow, talvez nunca tenha visto algum filme deles, e que não estava viva ou em situação de acompanhar um escândalo há 20 anos); homenagem do Globo de Ouro a Woody; Mia e Ronan twittando contra Woody durante o Globo; indicações ao Oscar; publicação do artigo "Not so Fast", em defesa do Woody, no final de janeiro no Daily Beast (um artigo bem nojentinho, inclusive citando o novo nome de Dylan, mas com refutações importantes; afinal, se vamos apresentar um escândalo de duas décadas atrás pra uma nova geração, vamos apresentar também a refutação? Ou não pode?), publicação da carta aberta de Dylan num blog do New York Times (cujo blogueiro é amigo da família Farrow, assim como o documentarista do artigo do Daily Beast é amigo do Woody). É isso, né?

lola aronovich disse...

A outra pergunta é o que se espera com essas acusações. Aliás, há mais de uma pergunta: o que a família Farrow espera, e o que nós que estamos discutindo o caso esperamos. Porque não vão reabrir o caso. Judicialmente, não há mais caso. O promotor da época, hoje aposentado, já disse que o caso preescreveu em 97, pelas leis americanas. É marcar Woody para sempre? Ele já estava marcado para sempre. Como eu disse, isso estará no obituário dele. O cara tem quase 80 anos e pena pra conseguir patrocínio pra filmes baratos (no contexto dos EUA). Mesmo "Maridos e Esposas", um grande filme, o último dele com Mia, lançado no ano do escândalo, foi um fracasso de bilheteria. Aí, pra fazer filme hoje, o cara tem que fazer propaganda turística do país, como é o caso do embaraçoso "Para Roma com Amor". E não é por causa do escândalo que ele pena pra arrecadar dinheiro, é por causa do que é a indústria do cinema hoje (que não abre muito espaço para filmes testados e aprovados, os blockbusters).
Mas, pra gente, o que vale tudo isso? É sério que vcs querem fazer uma fogueira virtual pra queimar feministas que creem que, por mais que Woody seja um grande fdp como pessoa, não houve abuso sexual? A gente vai estender essa fogueira virtual pra "Essa feminista GOSTA de alguns filmes do pedófilo, vamos queimá-la!" É ridículo. Repito sempre: vamos aprender a discordar. Só porque discordamos não quer dizer que você é nojenta e asquerosa e merece morrer, ou que tudo que vc já escreveu ou vai escrever não tem mais nenhum valor. Ou que vc não é feminista. Porque fica parecendo que a sanha punitivista funciona assim: ok, não posso fazer nada contra o Woody, nem boicotar seus filmes eu posso, já que não via seus filmes mesmo, mas posso, como feminista, tacar pedra em feminista que não acha que Woody é pedófilo. Não parece uma estratégia interessante. E se vc for fazer isso em nome da sororidade, menos ainda.

carol disse...

Padraic, gostei bastante do que vc disse e, se me der licença, vou te citar. =)

Anônimo disse...

E a sororidade para com a vítima, Dylan, que tem a sua palavra desacreditada desde os sete anos de idade, cadê?

Anônimo disse...

. Só porque discordamos não quer dizer que você é nojenta e asquerosa e merece morrer

hipocrisia mesmo,várias vezes vc e outras feministas fazem um linchamento virtual com quem n concorda com suas idéias,primeiro dizem q nem é mulher,depois a pessoa vira mascu,depois é de homofóbico, racista para baixo.
isso é que aprender a discordar...

Anônimo disse...

O que irrita é a hipocrisia mesmo. A politica de dois pesos/duas medidas.

Mas, vamos esperar o próximo guest post de alguma vítima de abuso, para ver se o acusado também terá a tal "presunção de inocência".

Anônimo disse...

Olha,

Mesmo que não seja comprovado que woody allen abusou (Penetração) da filha adotiva aos 7 anos de idade, ele cometeu um crime que magoou muito a familia e a ex esposa. Isso foi monstruoso: Fingir que levava a Soon pra assistir basquete e iniciar um romance ali com ela. SAbe? zuadão!

Antes de todo o escandalo Mia ja reclamava com a psicologa do contato excessivo entre Dylan e Woody, oq não foi considerado um pouco anormal na época. Claro que depois que ela encontrou as fotos, tudo fez sentido pra ela e ela percebeu que talves Woody Alen estava maliciosamente proximo demais de Dylan. è fato que talves o abuso não ocorreu, mas a atmosfesra que rondava entre a criança de 7 anos e Woody era estranha e podia tr acontecido.

Se foi algo inventado, não foi do nada, entendeu?

lola aronovich disse...

Algumas de vcs perguntaram por que escrever sobre isso. Ué, não entendo: se minha opinião não vai combinar com a da maioria das feministas, então eu não devo falar nada? Ao mesmo tempo, tava todo mundo me perguntando "O que vc acha da carta da Dylan?" Se eu não falo, aparecerão dezenas de teorias da conspiração dizendo "E do Woody a Lola não fala". Então eu não tenho escolha. Minha única escolha é ser honesta e dizer o que eu penso. Agora, sinto se o que eu penso não representa o que vc pensa. Isso acontece. Vc vai encontrar, na sua vida, um monte de gente que vai discordar de vc em algum ponto. Eu não tenho que representar o que vc pensa. Vc mesma deve representar o que pensa.
Também discordo de que este caso seja representativo de todos os casos de abuso sexual infantil. Porque não é mesmo. Dylan foi escutada. Ela teve uma mãe (e irmãos, e avó etc) que ficou do seu lado desde o começo. Ela teve acesso a pediatras e psicólogos. Foi feita toda uma investigação psicológica e policial. Nisso tudo ela, como membro da elite, teve privilégios que meninas de outras classes sociais não têm. O horror é que tudo isso foi público, no meio de um escândalo, num circo midiático, por seus pais serem celebridades (nessas horas, isso definitivamente não é um privilégio). E hoje, Dylan está sendo ouvida também. Ou vcs acham que é toda vítima de abuso que consegue publicar seu relato num blog do New York Times? A maior parte das respostas que li acredita em Dylan, dá todo o apoio a ela. E não estou falando só de feministas, mas no geral mesmo. Eu acharia fantástico se toda sobrevivente que denunciasse seu abuso fosse tão ouvida e recebida. Torço para que as pessoas que estão empatizando com Dylan agora se empatizem com todas as outras vítimas.
O título do meu post tá uma droga mesmo, admito. Não consegui pensar em nenhum bom título, e aí fui com esse, e nem percebi o duplo sentido (que parece que Woody é que sofreu abuso) na hora.
E sobre quem tá vendo "dois pesos, duas medidas", me aponte um post meu (ou guest post) em que eu peço que alguém seja preso sem investigação, sem provas, em que eu defendo pena de morte ou castração pra estuprador ou whatever. Tem gente me confundindo.
Os guest posts sobre estupro vêm das vítimas. Não têm nome. Não têm nome nem das vítimas, nem dos acusados. Se o caso aconteceu recentemente, eu sempre peço pra pessoa denunciar, e dou o apoio que posso dar. E que, infelizmente, não é muito. É ouvir, acreditar, e publicar para que outras pessoas ouçam.

Anônimo disse...

Mas, vamos esperar o próximo guest post de alguma vítima de abuso, para ver se o acusado também terá a tal "presunção de inocência".

Perfeitamente. Na próxima vez que uma mulher relatar aqui sua suposta história de horror, vamos todos parar um pouco para refletir primeiramente se ela está ou não mentindo. Se não haveria um interesse oculto aí, em denunciar essa história para um blog de grande circulação, uma questão de timing talvez.

Caso ela tenha alegadamente bebido ou usado drogas, vamos frear o julgamento e pensar se aquilo realmente aconteceu ou se é uma fantasia, uma fantasia tão real que a suposta vítima até acredita que seja verdade mas que não é. Afinal, as drogas e o álcool tiram o discernimento das pessoas, não é mesmo?

Se ela foi supostamente abusada quando criança, paremos um pouco para pensar que crianças fantasiam, são manipuladas, inventam coisas, acreditam até em Papai Noel!

E nunca, jamais podemos esquecer que é errado promover o linchamento público de pessoas e que todos têm o direito a um julgamento justo, pelo Judiciário, e que até condenação final transitada em julgado em todas as instâncias a presunção é de inocência.

Aproveitemos esse momento de profunda reflexão e ponderação para avaliar que diabos de feminismo é esse que protege tanto estupradores. Opa, eu disse diabos. Isso não é ponderado. Peço desculpas por qualquer coisa, afinal, como mulher, sou sempre culpada de alguma coisa não é mesmo?

Nat Muniz disse...

Parem de endeusar a figura do 'especialista'. Pelo amor de deus. apenas parem.

Nat Muniz disse...

concordo que é diferente, de fato, abrir espaço para uma pessoa relatar suas experiências pessoais de abuso aqui no blog. é outra coisa. é oferecer para essa pessoa um espaço de fala, de acolhida.
é dizer: conte sua história, estamos aqui para te ouvir.
não é a mesma coisa que comentar um caso que tem mil e uma informações (deturpadas ou não) na mídia.

Anônimo disse...

Lola, foi a mesma coisa nos posts pró Polanski, parece que pra vc se se passou um tempo e o caso não tem como ir pra frente, temos que parar de falar do assunto. Parece que voce não ve que talvez Dilan não queira carregar o pobre pai pra uma fogueira ou pra uma delegacia, já que isso nem é mais possível, e sim colocar o seu caso pro mundo ouvir. Pode ter sido um escândalo na época mas não mudou em nada a vida dele. E por favor não vamos falar que o pobre diretor tem que penar pra conseguir financiamento, parece seu argumento de que o Polanski pagou a pena porque não pode mais pisar na meca do cinema

Não estou defendendo Woody, não estou nem aí com o Globo de Ouro nem com o Oscar

Sério?? Voce não faz bolão todo ano? Não faz posts sobre o assunto? Tanto que sua primeira reação domingo foi perguntar se isso tiraria o favoritismo da Cate. Vamos fingir agora que essas premiações e homenagens não significam nada? parece que diretores famosos nunca estão errados, temos que separar o ídolo da pessoa, só porque ele fez annie hall não significa que é incapaz de cometer crimes

lola aronovich disse...

Anon das 11:29, surpresa pra vc: já fazem isso com os guest posts de vítimas de abuso publicados aqui. O tempo todo. Aliás, dizem que eles nem existem, que sou eu que os escrevo. E duvidar da vítima o tempo todo é o que a sociedade diz. E eu já expliquei sobre isso de mentira, está no post. Vc está se esquecendo que os guest posts que publico não têm nome da vítima ou do acusado. Quase sempre é só um desabafo da sobrevivente. Muitas vezes a pessoa está se dando conta pela primeira vez que aquilo que aconteceu foi um abuso. Ontem recebi email de uma moça, adulta, que conta que foi pra casa de um cara, que ela deixou claro que não queria transar com ele, que ele aceitou e logo em seguida passou a despi-la e fazer sexo com ela, tudo isso enquanto ela dizia não, não, não, e chorava. E aí ela me pergunta: FOI ESTUPRO? Quer dizer, as pessoas não sabem o que é estupro. Se eu publicar o post dela e a minha resposta, não vai ser pra prender um estuprador. Eu aconselhei a moça a denunciar o cara que a estuprou. Eu não sei o nome dele, e não me interessa o nome dele. Mas é aquele negócio: por mais que ela suspeitasse que foi estupro (se não ela não teria me mandado um email), ela sabia que não seria levada a sério porque foi pra casa de um cara que mora sozinho. Mas, vai, continue usando esse caso da Dylan pra todos os casos de estupro.

Ana disse...

Lola, eu não acho que você mereça certas críticas que estou lendo. Tenho uma posição bem contrária a sua, mas respeito demais o seu trabalho como feminista, tudo o que você tem feito para tanta gente ao longo desse tempo.
Apenas acho que a carta da Dylan merecia um acolhimento como o de qualquer outra vítima de abuso. Ok, você acha que o W.A. de alguma forma está sendo prejudicado injustamente. Eu não acho. E,sabe, eu gosto dos filmes dele, provavelmente continuarei assistindo, da mesma forma que li (e adorei) Céline e Knut Hamsun, que apoiaram os nazistas, e tantos outros escritores e diretores de cinema que tiveram condutas odiosas na vida pessoal. Acho que é mais difícil aceitar a diferença entre a pessoa e sua obra quando estamos assim, próximos. W A está vivo, e tal, mas não tem jeito. Se formos julgar a arte pela medida do comportamento pessoal do artista, estaremos bem reduzidos.
É isso. Acho que o WA não precisa defesa. Ele já foi absolvido, está aí ganhando prêmios e fazendo sucesso.
Já a Dylan, quem é que sabe a vida que ela levou até agora e a que poderá levar daqui para frente?

lola aronovich disse...

Ah, uma outra coisa, que bastante gente disse: falta de prova física de que uma menina foi abusada não diz muita coisa. É verdade. Inclusive, há várias formas de abuso sexual. Outro dia uma leitora narrou aqui nos comentários que, quando criança, foi a uma banca de jornal e o cara se masturbou na frente dela. Ele não a tocou. Mas, pra mim, isso é abuso sexual! Se um cara senta uma criança na sua frente e se masturba, é abuso, não é? Enfim. Não haveria qualquer prova física num caso desses.
Ah, palavra de psicólogos que analisaram o caso durante seis meses não vale nada. Bom, aí eu não sei. Eu acho que vale mais que a minha palavra ou a sua, que só estamos acompanhando o caso através da mídia. Não vale mais que a palavra da vítima. Mas faz parte de uma investigação.
Ah, dizer que um cara não abusaria de sua filha no meio de uma casa cheia, no meio de um escândalo, no meio de uma batalha judicial, é irrelevante. Pedófilos são monstros (? Pensei que a ideia toda fosse dizer que eles não são monstros, são pessoas comuns) imprevisíveis que vão estuprar a qualquer momento. Pra mim, como disse no post, este é o ponto crucial: o timing do abuso.
Nenhuma dessas refutações sozinhas é profundamente relevante. Mas juntas, elas são. Pelo menos pra mim.

Laila disse...

Tive a sensação que o texto tá colocando dúvida no depoimento da vítima. aff...

Dri Caldeira disse...

Lola, o bom de tudo isso é q essa história não caia no esquecimento. Sob todos os pontos de vista, para evitar futuros linchamentos morais, físicos, para que nada seja decretado como verdade sem ser investigado, seja para o bem ou para o mal de quem respeitamos. Nessa história toda, só quem não tem perdão é Dylan. Essa foi condenada e julgada por quem abusou dela. E isso me enfurece demais, pq se perde tempo com a briga da Mia e do Woody e não se investigaram outras pessoas tb. E essa é minha opinião, q não é a mesma da Lola e eu tô satisfeita com as explicações dela. Bando de gente mais inútil q fica se escondendo no anonimato pra defecar bobagens.

Juba disse...

Lola, confesso estar bem chateada.

Perito por perito, o caso Nardoni também tinha um dizendo que o pai era inocente. E sem evidências físicas, fica a palavra de um contra a do outro, sim. Não existe psicólogo capacitado a abrir a mente da pessoa, selecionar uma memória e mandar para o perito avaliar como se fosse uma nota de dinheiro para saber se é falsa.

Concordo em não se fazer linchamentos, mas com o caso Polanski foi a mesma coisa, muita relativização. E lá não tinha esse monte de argumentos que dariam o benefício da dúvida. E acho, sim, coerente se prender um idoso por pedofilia/estupro. Se o que o sistema jurídico e penal do país tem isso a oferecer, que seja isso. Por esses dias mesmo uma menina pequena que conheço foi abusada por um idoso de 85 anos, muitas vezes.

Acho que você pode bem separar autor e obra, mas a relativização nos casos mostra mais uma junção que uma separação, em que a simpatia pela obra se estende para a pessoa. Talvez você não se tenha dado conta. Quem te lê todos os dias, percebe.

O título ficou mesmo muito ambíguo, um prato cheio para análise de discurso crítica, ou até para análise do discurso freudiana... Não é melhor trocar?

Juba disse...

Ah, Lola, sobre o timing: acho que é o menos relevante. A frase de que se fosse no momento "x" vc acreditaria que houve abuso, mas no "y" não, chocou-me bastante. Quer acredite no WA, quer acredita na Dylan. Nenhum de n'so estava envolvido na dinâmica daquela família, nenhum de nós é pedófilo. Poderia ter sido feito por vingança, para relaxar (como quem fuma, por exemplo) diante da pressão, como continuação de um hábito já antigo e até como "presente de aniversário". Assim como poderia não ter sido feito. E, se não foi, nem acredito que tenha sido vingança de Mia, o choque pode ter sido extremo ao descobrir um relacionamento sexual onde deveria existir um de pai e filha, e o medo pelos outros filhos poderia ter gerado suspeitas. Mas ainda estou ao lado da vítima.

Iaiá disse...

Não acho que o problema aqui seja desejar que o Woody Allen não seja condenado sem julgamento, sem direito a defesa. Concordo que não devemos odiá-lo e longe de nós desejar a morte dele. Não desejo a morte nem dos pedófilos confirmados.

O que acho que incomodou tanta gente foi a dúvida colocada em cima da vítima com base naquelas mesmas perguntinhas sacanas que estamos tão acostumadas a ouvir. Por que ela só falou disso naquele momento? Por que só voltou a falar agora, perto de premiações importantes? Por que o promotor não seguiu em frente, se era verdade? Por que ele dirigiria para tão longe e abusaria dela numa casa cheia de gente? A Lola deixa claro (não?) que acredita que a Dylan criou essas lembranças na sua mente. E a explicação está por trás das respostas a essas perguntas, do “timing” do abuso.

Acho perfeitamente compreensível a Dylan falar disso agora. Imagino quantos prêmios eu conseguiria ver meu abusador receber antes de explodir. O que eu acho muito mais improvável é você namorar doze anos uma pessoa e não conviver com os filhos dela.

Nat Muniz disse...

Lola, eu não quis dizer que a palavra dos psicólogos não valem nada.

Quis dizer que ninguém, nem psicólogos, tem o poder de extrair uma verdade última da ocorrência ou não do abuso.

Tem toda uma discussão sobre isso na psicologia, inclusive sobre os efeitos de se buscar uma extração de uma 'verdade' de uma criança pequena (com o controverso 'depoimento sem dano')

O que eu estou propondo é que apenas não acatem coisas como 'ah, o perito disse isso e aquilo' como verdade última sobre qualquer caso.

Psicólogos responsáveis e éticos que trabalham na produção de laudos e outros documentos a respeito de casos de abuso e etc sabem que não se diz no laudo 'aconteceu o abuso' ou 'não aconteceu o abuso' ** . É errado, é antiético. Não podemos ter esse poder. Entende?

**(diz-se sim coisas como, 'a criança disse isso e aquilo')

Iaiá disse...

De resto, concordo que não sabemos (provavelmente nunca saberemos) a verdade sobre esse caso, concordo que não devemos condenar ninguém, muito menos nossas amigas feministas que discordam de nós nesse ponto. Leio este blog todos os dias há anos e vou continuar lendo. Estranho seria chegar aqui todos os dias e concordar sempre com o que você diz, Lola.

donadio disse...

"Coicidência que no caso do Woody Allen possa existir dúvida na acusação de abuso contra ele.Quando o acusado é um zé ninguém a certeza é plena."

Bom, quando os acusados foram os quatro de Curitiba - quatro zés ninguéns, pés-rapados, pobres diabos por excelência, eles foram inocentados por quê, exatamente? Dinheiro para comprar testemunhas não tinham, obra artística para serem festejados menos ainda.

E outra coisa. Vivemos numa sociedade desigual. Essa desigualdade não vai desaparecer por mágica. E um ricaço ser judicialmente linchado não vai contribuir em nada para inocentar pés-rapados. Ao contrário, se o Woody Allen pode ser condenado sem provas, que dirá então o zé-ninguém.

lola aronovich disse...

Anon das 11:58, ninguém tem que parar de falar no assunto. Estamos falando no assunto, certo? Milhões de linhas estão sendo escritas pra falar do assunto, e eu acho ótimo. Quero mais é que casos de abuso venham à tona. E, again, tomara que esta empatia toda que Dylan está recebendo se estenda a outros casos de vítimas anônimas. Mas ela falou agora pra corroborar a matéria da VF, os tweets de sua mãe e irmão. E, bom, está no seu direito. Totalmente. E não sei se vc está de má fé ou não sabe interpretar um texto. É claro que eu gosto do Oscar, adoro Oscar, faço um bolão há 28 anos. Eu quero dizer que não estou nem aí se esse escândalo prejudica as chances do Woody no Oscar. Eu tô me lixando pro Woody no Oscar. Não gosto de Blue Jasmine, não estou torcendo por ele. Vai, vc entendeu. E o negócio sobre a Cate Blanchett foi uma pergunta que muita gente fez (inclusive, tem link pra essa matéria no post de domingo). É uma questão totalmente menor (se as chances dela diminuem), e creio que seu nome só veio à tona porque Dylan a citou (a meu ver, injustamente. Do jeito que as pessoas fazem associações erradas, daqui a pouco vão estar dizendo que Cate apoia pedófilos, ou que Cate é pedófila).
Onde que eu disse que Woody não errou? Eu o acho um crápula por ter traído Mia com a filha dela, uma moça que ele conhecia desde criança. Eu o acho um crápula por nunca ter entendido como essa traição foi terrível pra Mia e pros filhos, como destruiu qualquer ligação que ele poderia ter com os filhos. Vamos tentar hipotizar (existe isso?): se todo o escândalo (Mia encontrando fotos nuas da sua filha no apê de Woody, ela descobrindo um relacionamento que provavelmente já tinha dois anos) tivesse acontecido SEM A ACUSAÇÂO DO ABUSO SEXUAL DE DYLAN, a reação da família teria sido muito diferente? Mia não morreria de raiva de Woody (com razão) até hoje? Muitos dos filhos não teriam cortado relações com Woody? Todo o escândalo deve ter sido muito traumático pras crianças. E a culpa disso tudo foi de Woody. (Talvez Mia pudesse também ter maneirado um pouco em não expor as crianças a todos os detalhes de um caso sórdido desses).

lola aronovich disse...

A gente só está falando disso tudo porque aconteceu com um cara super famoso. Se ele não fosse famoso, não estaríamos falando nisso. Portanto, é absurdo dizer "Ah, vc só acha isso e isso do caso porque o cara é famoso". SIM, todos nós só temos qualquer opinião sobre o caso porque o cara é famoso, porque se não fosse, sem chance que um caso de 21 anos atrás estaria na mídia. Mas, já que estamos hipotizando, e se o acusado não fosse Woody Allen? E se fosse um cara qualquer que, por milagre, estivesse sendo discutido na mídia? Bom, primeiro que não somos nós que julgamos e condenamos ou absolvemos alguém. Não somos nós que investigamos. Nós só damos nossa opinião, que não afeta em nada o caso. Mas se fosse assim: um casal está no meio de um divórcio hiper tumultuado e traumático. O cara vai pra casa da mulher, uma casa cheia de crianças e babás, em que todo mundo está com raiva dele e o vigia. O cara consegue esconder a filha durante 10 minutos num quarto e abusa dela. Mais tarde, a babá vê o cara (que é o pai da menina) com o rosto no colo dela, e acha estranho. A mãe pergunta pra menina se algo aconteceu, e ela conta que foi molestada no quarto. A mãe a leva pra um pediatra, que não comprova abuso físico. A mãe dá queixa, e abre-se uma investigação. A promotoria escolhe uma clínica reconhecida para analisar o caso. O caso é investigado durante 6 meses e conclui-se que não houve abuso. Bom, e aí? A gente pode mandar esse cara pra cadeia sem provas? O testemunho da menina é suficiente? Num caso exatamente assim, um cara nunca seria condenado.
Com licença, agora, que preciso trabalhar. Continuem comentando, de preferência, sem atacar alguém só porque vc tem uma opinião diferente. E não tenho nem post pra hoje ainda... (Posso publicar post? É que publico post todo dia. Mas tem gente que vai dizer que estou querendo mudar de assunto).

lola aronovich disse...

Pode ser, Juba, o título tá horrível mesmo. Vc tem alguma sugestão?
E sim, não estou dizendo que a acusação de abuso foi vingança da Mia. Não acredito nisso. Acho que é mais nessas linhas que vc escreveu: "o choque pode ter sido extremo ao descobrir um relacionamento sexual onde deveria existir um de pai e filha". Isso não vale só pra Mia! Vale pras outras crianças da família também.
Vcs já assistiram A CAÇA? É um filme muito bom, e tem muito a ver com o que estamos falando.

Murilo Cleto disse...

Só vou dizer uma coisa. Nenhum outro texto da internet conseguiu ser tão equilibrado e, ao mesmo tempo, tão bem fundamentado quanto esse publicado pela Lola.

Não existe, aqui, nenhuma absolvição do Woody Allen, como estão dizendo. Pelo que vi, metade das críticas ao texto é de quem não leu. A outra metade é resultado exclusivo de desonestidade intelectual mesmo, o que não é nenhuma novidade no chorume que frequentemente escorre por aqui.

Se vivemos a cultura do estupro - e ela é real -, também vivemos a da condenação.

O triste relato da Dylan merece, sim, ser problematizado, assim como quaisquer outros. Agora, problematizado não significa ser descreditado. E em nenhum momento o texto faz isso.

Parabéns pela abordagem, Lola.

Abraços,
@MuriloCleto

donadio disse...

"And Woody Allen cannot be presumed to be innocent of molesting a child unless she is presumed to be lying to us."

Que coisa mais profundamente desonesta.

É claro que se pode, aliás se deve, presumir a inocência de todo acusado, até prova em contrário. Isso não significa presumir que a vítima está mentindo. Significa simplesmente admitir que sem conhecer os fatos é impossível julgar.

Querer que a "palavra da vítima" tenha valor de prova significa total insegurança jurídica para todos. E quando não há segurança jurídica, quem se ferra não são os poderosos, são sempre os de baixo.

Anônimo disse...

Pessoas que falam que a palavra de Dylan foi desacreditada desde que ela tinha 7 anos, qual parte do "houve uma investigação" que vocês não entenderam? Se ela houvesse sido desacreditada ele sequer existiria. Na época, boa parte da mídia estava CONTRA o WA. Não é porque o resultado não foi o que vocês acham justo que não houve atenção à palavra da vítima.

Além disso, uma coisa é ouvir e acolher o relato de uma vítima, outra coisa é considerar o relato como fato e exigir punição com base nisso apenas - se a vítima está sempre certa e para ser vítima basta a acusação pra que serve um julgamento?

donadio disse...

"Lola, certamente, o seu pai nunca levou o dedão dele á sua boca, como brincadeira, não é isso? Não é uma brincadeira muito estranha?

Cansei de morder o dedão do meu pai, da minha mão, dos meus tios, quando era criança. Foi muito legal, e não teve nada de abuso.

Os EUA estão virando uma sociedade completamente doente; há alguns anos li uma professora primária americana relatar como morria de pena dos pequenos alunos quando caíam e se machucavam e choravam. Ela tinha vontade de pegá-los no colo para consolá-los, mas não podia - porque poderia ser considerado abuso sexual. É esse o tipo de inferno em que queremos viver?

Helen Pinho disse...

sobre a postura de Woody Allen sobre seu relacionamento com Soon-Yi "ele disse à revista Time: 'Não vi qualquer dilema moral'" é um indício bastante claro que o moral dele, não está muito alinhada com a da sociedade em geral, deixando margem para que talvez ele também não considere crime ou violência, algum comportamento sexual com a filha de 7 anos, que não envolve necessariamente penetração. mas é apenas uma reflexão.

sobre como pessoas continuam encarando o casamento de woody allen e soon-yi “não deve entender como Woody e Soon-Yi estão casados há 16 anos" eu particularmente não concordo que por um casamento ser duradouro e atualmente aparentar ser saudável, que esses fatos excluam a possibilidade de ter começado com uma relação abusiva. e nesse caso acredito que pode ter sido sim fruto de uma relação abusiva. afinal ele tinha 57 ela entre 19 e 21, ela filha da mulher com quem ele mantinha um relacionamento estável. me parece evidente que a pressão sobre Soon-Yi é incomparável, assim como incomparável sua experiência e maturidade para lidar com uma situação dessas.

finalmente para mim o que é mais relevante é a discusão sobre violência sexual em geral. não pretendo crucificar ou santificar woody allen, até mesmo porque passou muito tempo, legalmente não será feito nada (nem sei se poderia ser feito), vidas foram destruídas e muitas pessoas machucadas e isso não tem volta. mas vejo esse caso como uma porta para se discutir o quão a violência sexual é vista como um crime de segunda classe, como a vida d@s acusadores é muito mais exposta, marcada e defastada do que a do acusado, de como a sociedade não liga realmente para uma acusação de violência sexual. nesse caso em que a acusação envolve pedofilia vejo que a comoção é bem maior, mas quando se trata de mulheres adultas a difamação e as acusações são em cima da vítima. bom por tudo isso não concordo com a afirmação "como a carreira de Woody não foi encerrada naquele momento, é um milagre", pois crimes sexuais não são denunciados muitas vezes, pois a condenação é rara e a condenação social ainda mais rara, numa avaliação geral acho super comum que ele não tenha sido destruído profissionalmente e que continue sendo ovacionado mundiamente.

não tenho certeza de que ele é culpado ou inocente, mas acredito que no geral as pessoas não estão preocupadas em saber isso, pois o crime que ele pode ou não ter cometido não é importante. claro que isso não vale para o "nosso nicho de vida", mas no geral acho que é assim que as pessoas veem.

Anônimo disse...

Lola, o que eu entendi do título é que você não quis, justamente, questionar a vítima - talvez usando frases como "Woody Allen acusado de abuso". Isso daria margem para a interpretação de que uma acusação, afinal, é apenas a palavra da Dylan, mas talvez não seja a verdade. Só que o efeito parece que foi o contrário, e o título está mesmo ambíguo e estranho.

Felipe disse...

Sinceramente, não sei em quem acreditar. Acho que, depois de tanto tempo, as pessoas deveriam tocar suas vidas e superar os problemas. O que adianta ficar remoendo tudo isso? Se na época que o suposto abuso ocorreu nada foi provado, mesmo depois de todas as investigações, qual o sentido em trazer o episódio à tona novamente?

Anônimo disse...

kkkk Ai Lola demorou,mas vc acabou dando um tiro no próprio pé.Adorei.

Juba disse...

Lola, sobre o título, não me ocorreu nada genial. Sugiro "Sobre o caso Woody Allen" ou "O relato de Dylan". Como eu disse, nada genial, mas evita ambiguidade.

alguém disse...

Lola,

quando você presume a inocência do acusado, você está duvidando da vítima. Não acho que exista um meio termo.

O que a Dylan tem a ganhar com essa carta, além de se livrar de um peso horrível nas costas dela? Nada. Nada vai acontecer com Woody Allen. Ele tem amigos pra financiar seus filmes, ele tem gente que assim como você está disposta a dar a ele o benefício da dúvida. Ele não pode ser preso por esse abuso nem nada.

Muitas vezes as lembranças só vem anos depois, e no caso da Dylan, ela mantém a mesma história de quando tinha 7 anos. Isso não me parece indicativo de que ela esteja mentindo.

Como vítima de abuso por um parente também, me sinto enojada e decepcionada com esse post, Lola. Não, não desejo que você morra, nem mesmo que tenha problemas graves por esse texto, nem ao meu agressor desejo nada disso.

Mas seria muito bom que você parasse para refletir sobre esse texto, e sobre o que é mais importante para você.

Juba disse...

Lola, sobre a condenação, ou não: é diferente dizer "nao há provas suficientes para que seja condenado", "não há provas suficientes de que seja culpado" e "não acredito que houve abuso". Me refiro ao seu último, ou penúltimo, comentário. São coisas diferentes ;)

Pedro disse...

Olá, nesse caso, é impossível que nós, localizados a km's de distância dos fatos, tenhamos certeza absoluta. É irresponsável afirmar categoricamente que o w. Allen é culpado ou inocente, como algumas pessoas estão fazendo. Até agora, só há uma vítima, a Dylan. Seja qual for a verdade, ela sofreu um abuso inaceitável. Ou foi violentada sexualmente pelo pai, ou sofreu alienação parental por parte da mãe. A Dylan não mentiu, ela realmente acredita que foi abusada sexualmente, eu tenho certeza absoluta disso. A questão é saber se ela foi abusada sexualmente pelo Allen ou foi induzida a acreditar. Às pessoas que não creem na possibilidade de uma criança ser induzida a realmente acreditar que foi abusada sexualmente, posto um artigo da ex-desembargadora Maria Berenice Dias, uma notória defensora das minorias (principalmente mulheres e gays) e dos direitos humanos: http://www.mariaberenice.com.br/uploads/1_-_s%EDndrome_da_aliena%E7%E3o__parental,_o_que_%E9_isso.pdf O artigo não é muito longo, possui apenas 4 páginas, mas para as pessoas com pouco tempo, sugiro que vão direto à página 2, onde a desembargadora relata a possibilidade da criança ser induzida a acreditar que sofreu um abuso sexual.

Anônimo disse...

Pois é, donadio, o q será desse mundo se pais não puderem colocar a cabeça no colo das filhas, o dedo na boca delas mesmo que isso as deixe desconfortáveis ou até mesmo tocá-las nas partes íntimas? Enfim será o fim mesmo!

Pare de querer comparar uma acusação de pedofilia com uma professora não poder consolar um aluno, a Dylan obviamente pela carta que ela escreveu, hoje com quase 30 anos, NÃO se sentia confortável com isso. Pouco importa a sua relação com seu pai ou tio, o caso dela claramente foi diferente. Como uma comentarista mais acima disse vários pedófilos vem com essa de que não era abuso, era só ''carinho''

Anônimo disse...

Lola, também acho um desfavor ao feminismo este post. Você como uma blogueira famosa tem responsabilidade com o que escreve e propaga.
Se vc nao sabe de verdade o que aconteceu (nunca saberemos), pq dar a "presunção de inocência" pra ele? Ele não está sendo linchado, a Dylan e a Mia que estão sendo linchadas. As vítimas que são linchadas, as vítimas que tem a sua acusação duvidada. O status quo é dar a "presunção de inocência" (o que muitas vezes é camuflagem para "inocência simplesmente por ser homem") para qq homem, simplesmente por ser homem. Pq não dariam pra o Woody Allen?

Como disse outra pessoa aí, por favr, não desqualifique as opiniões contrárias as suas como pessoas que querem sua morte troll etc.Vc sempre faz isso com opiniões contrárias. Eu não quero sua morte, nem nada de ruim. Eu só quero que as vitimas sejam respeitadas. Pra isso, acabar com a cultura de duvidar da vítima é essencial. Neste sentido, este post é um desfavor e desrespeito para tantas vítimas de estupro que tiveram que engolir que estavam mentindo.
Se fosse em outro espaço da mídia tudo bem, mas em um blog feminista acho que foi desnecessário.
Coincidentemente vc tem dois pesos duas medidas para artistas que vc gosta. Muitos já te disseram isso, seria justo que vc como pessoa que influencia as meninas jovens pensar sobre isso. É um critica severa, mas com respeito a pessoa que vc é e ao seu blog que ajuda tanta gente.

.h disse...

Lola e leitores, gostaria de pedir que explicassem o que quer dizer "ficar ao lado da vítima"? Acreditar incondicionalmente? Dar apoio?
(Peço desculpas se para a mairia de vocês isso é claro)

André disse...

Acho muito pouco relevante o fato do primeiro pediatra não ter encontrado indícios de estupro. Não entendo porque insistir nesse ponto, dado que nem todo abuso deixa marcas e os pediatras erram até em casos de caxumba.
Outra coisa é o instituto especializado. Não sei o teor dos relatórios que eles geraram, mas, como já foi dito, nenhum psicólogo ético deve afirmar com muita certeza se algo ocorreu ou não a uma criança.

Keli disse...

Lola publique esse que errei o nome, é o relato da anonima 04/02 -9:15 que me chocou...

Eu ia comentar, mas ai eu li o comentario da anonima 9:15, e nao consegui mais, chorei, chorei de nojo, de medo do mundo, dessa vida. tenho uma filha de 4 anos, meu Deus, larguei tudo pra cuidar dos meus filhos e nao me arrependo, nunca! posso nao ter profissão, ser chamada de amelia, de dona de casa, limitada, do que for, mas EU NAO ABRO MÃO de cuidar dos meus filhos pessoalmente ate quando eu puder, e prepara-los para ser um ser humano decente, que respeite as mulheres, saiba onde é seu lugar no mundo! Estou chocada, chocada demais! Como UMA MAE pode permitir um abuso desses? COMO?

Lola, quanto ao post achei desnecessario, o titulo é ambiguo, achei estranho sua posiçao, nunca a vi questionar um relato, enfim, espero ver luz nesse tunel. grande beijo.

Keli

Anônimo disse...

Alguém já reparou que,em todas as fotos que estão no post , a Dylan não está sorrindo em nenhuma das fotos onde o Woody Allen está junto?

predileção por novinhos-a partir dos 18 disse...

"Os EUA estão virando uma sociedade completamente doente; há alguns anos li uma professora primária americana relatar como morria de pena dos pequenos alunos quando caíam e se machucavam e choravam. Ela tinha vontade de pegá-los no colo para consolá-los, mas não podia - porque poderia ser considerado abuso sexual. É esse o tipo de inferno em que queremos viver?"

Aqui não são poucos os profes q não encostam um dedo sequer em aluno, além de falar o estritamente necessário pra evitar as tais más interpretações.

Qto ao W.A=figura extremamente narcisista, conseguiu a esposinha ideal, deve ajoelhar-se aos seus pés todo dia e será sua enfermeira particular. Machismo Total

obs: tb quero mas aí sim rolaria o verdadeiro linchamento...

Laura Dias disse...

Querida Lola,
comento com a intenção de acrescentar, jamais menosprezar a história da possível vítima.
Tenho 23 anos, e, portanto, em 92 tinha apenas 2! Tive conhecimento dessa história toda por esses dias, portanto não tenho um conhecimento profundo, e posso até ter uma visão equivocada no momento.
Toda essa enrolação para dizer que, após ler teu post, me veio à cabeça a SAP,Síndrome da Alienação Parental. Esse assunto foi tema de uma novela há pouco tempo, e tem tomado espaço no meio do Direito de Família. Como tu mesma disse no post,as acusações se deram no meio do caos da separação pela traição. Uma traição, e o fim de um relacionamento, muitas vezes, gera raiva, nojo, tristeza e muitas vezes o desejo de vingança. A Síndrome da Alienação Parental poderia "explicar" este caso - não estou afirmando que foi o que aconteceu, mas senti necessidade de expor sobre o assunto, pois a SAP é recorrente nesses casos - A síndrome da alienação parental ocorre a maioria das vezes por parte da mulher (a maioria, e não todas), e tem a intenção de destruir o vínculo do filho(a) com o outro genitor. O alienador é quem cria na cabeça da criança as histórias - chamadas de "falsas memórias" - e induz a criança a acreditar em uma coisa que na realidade não aconteceu. O alienado acaba sendo a criança, que leva até o fim o que foi implantado em sua cabeça pouco a pouco pela parte "revoltada" com a dissolução da relação.
Em casos absolutamente extremos, é implantado na criança a falsa memória de abuso sexual. É muito complicado para um juiz (em termos de Brasil) detectar até onde existe a SAP e até onde efetivamente ocorreu o abuso. São necessárias perícias médicas, psicológicas, depoimentos de testemunhas, enfim, é uma situação delicadíssima, pois se trata da vida de uma criança, e dependendo de uma decisão pode mudar para sempre seu destino.
Eu não duvido que o que aconteceu foi algo parecido com o que relatei, mas também não duvido que o abuso tenha ocorrido de fato...
Fiz questão de comentar só porque é muito fácil acusar, julgar, cuspir no outro, e muitas vezes não ter um conhecimento um pouco mais amplo e ver as coisas de um outro modo. Eu mesma que trouxe um outro modo de olhar, depois de ler as últimas notícias sobre esse assunto, já estou com nojo da cara do Woody! Veja só como é o ser humano....
Enfim, Lola, espero ter acrescentado alguma coisa. Esse assunto (a SAP) é muito interessante. Disse mais acima que a maioria dos casos ocorre com a mulher na parte "ativa", mas existem também muitos casos de homens. Inclusive dentro do casamento, e não só na dissolução.. são pequenos exemplos do dia a dia que, se tornados repetitivos e com intenção de destruir a relação mãe/filho(a) ou pai/filho(a) estará se caracterizando. Como aquilo de "teu pai disse que ia ligar e não ligou"; "teu pai disse que vinha e não veio"; ou até mesmo casos onde a mulher não confia e não acredita que o pai da criança seja capaz de cuidar e quando precisa deixar com alguém prefere deixar com a família inteira menos com ele...
No Brasil, a SAP não é crime, mas é regulamentada pela Lei 12.318/10 e se fizeres uma busca rápida de jurisprudência, pode constatar os inúmeros casos existentes...
Deixo um beijo e um pedido: escreva Lola, escreva!!!

Patty Kirsche disse...

Gente, presunção da inocência não quer dizer que se está duvidando da palavra da vítima. Do mesmo jeito que ser julgado inocente é diferente de não ter cometido o crime. A gente chama o elemento de suspeito ainda que tenha testemunhado o crime por mera questão de conceder a chance de defesa num processo judicial. A Lola não está defendendo o criminoso, só está falando sobre questões envolvidas em processos.

Marina P disse...

Lola, eu acho que você tem direito à sua leitura, mas achei estranho o seu posicionamento, só isso. Acho normal que isso aconteça de vez em quando, levando em conta as polêmicas que sempre acontecem aqui no blog. Não sei de todos as outras pessoas que comentaram, mas acho que não falta sororidade na minha postura. Consigo compreender os argumentos seus e de outras pessoas que pensam parecido, mas continuo pensando como antes e suponho que com vc seja a mesma coisa. Ás vezes, num debate, a gente reavalia a postura, às vezes reafirma.
Assim como você, acho que às vezes o que pensamos vai contra uma tendência geral dentro de um movimento e as críticas são imensas, mas faz parte do processo. Eu e, suponho, muitxs de nós que adoramos o blog já tivemos nosso ponto de vida atacado aqui e já fomos acusadas de não ser feministas... eu tento fazer um mea culpa quando isso acontece e aprender o que tiver que aprender, quando é o caso.

Sempre me posicionei contra o Woody Allen e sempre boicotei seus filmes, desde criança. Aliás, tenho dificuldade pra separar a pessoa da obra em diversas situações e em alguns casos isso é muito imaturo da minha parte embora em outras eu acredito que seja adequado. Eu tenho direito de criticar o posicionamento de outras pessoas assim como elas têm direito de criticar o meu. Eu já sabia isso na teoria, mas em diversos espaços eu fui aprendendo a fazer isso na prática. Acho seu posicionamento estranho, mas sei, por coisas que você já escreveu, que você acharia alguns dos meus posicionamentos igualmente inconsistentes e contraditórios. Isso não significa, claro, que o que você escreve perde o valor ou que você é uma pessoa "nojenta e ssquerosa". No máximo isso quer dizer que, assim como todo mundo, você emite opiniões dificeis de engolir às vezes. Novidade: todo mundo faz isso! Tem pessoas muito agressivas mas tem várias que estão só discordando mesmo. Se não fosse pela existência do blog e sua disponibilidade em mantê-lo, teríamos um espaço a menos para discutir temas como esse.

Fernanda, infelizmente não tenho muitos elementos para responder sua pergunta de forma satisfatória, eu atuo mais com as vítimas e mesmo assim na área de Saúde e não na Justiça e nem sou perita. O que eu sei é porque acabamos tendo um pouco de contato com essas áreas. Sei que existe sim um trabalho dos psicólogos nesse sentido, mas não sei exatamente como ele acontece. Eu já acompanhei abusadores, mas de forma clínica e não com intuito de fazer perícia. O Ministério Publico encaminha os abusadores raramente, porque o foco é a vítima.

Anônimo disse...

Patty Kirche, "presunção da inocência " num mundo ideal seria o que vc disse. Num mundo onde não houvesse desigualdade estrutural sim, este termo seria isento de manipulações. Na prática, no caso de abuso sexual, vejo este termo sendo usado (pois é um termo bacana idealmente) para desacreditar na vitima de abuso sexual sim.
Se existe uma cultura onde se desacredita na vitima primeiro, para depois investigar, e se somente 2% são acusações falsas, será que a presunção da inocência não está sendo manipulada não?

Anônimo disse...

Lola, dessa vez eu discordo de você. Muito, muitíssimo, mesmo.
Sei lá, acho que você poderia não ter escrito o texto, poderia não ter escrito nada sobre isso. Porque a verdade é que você tem uma responsabilidade, como pessoa pública (ah, o lado azedo do sucesso, heheheh), que recebe aqui diariamente dezenas, ao menos, de vítimas buscando acolhida, uma forma de ajuda, alguém justamente pra quem se pergunta: "será que foi estupro/abuso?". E você escreve esse texto, dando margem a tantas interpretações de que você não seria tão acolhedora assim. Então, olha eu me metendo diretamente na sua vida, observe: o texto dá a impressão de que você desacredita a vítima. E ponto. "Ah, mas as evidências..." As evidências que se explodam. O fato é que você escreve diretamente que uma pessoa adulta que diz claramente que foi vítima de abuso sexual pode não estar falando a verdade. O resto é contexto e argumentos. Não me preocupa essa ser sua opinião, todos temos direito de pensar como quisermos, preocupa-me é você não ter percebido o quanto expressar essa opinião pode fazer as outras vítimas que andam por aqui se sentirem menos acolhidas.
Mas enfim, olhe agora eu parando de me meter na sua vida, talvez seja eu apenas arrumando um jeito educado e elaborado de dizer que acho que você pisou na bola e que não gostei do texto. Não gostei, mas continuarei te acompanhando e gostando muito de você, uma pessoa que nunca vi pessoalmente e com quem nunca conversei, porque mantenho em mente o conjunto da obra. Abraços... CM

Dora disse...

Sobre a "presunção da inocência " no caso específico de estupro. Como conciliar uma postura feminista de "nunca duvidar da palavra da vitima de estupro" com "presunção da inocência "?
Não cai por terra este ideal feminista de não duvidar (já que o patriarcado duvida e a estatística mostra que seja mais provável que seja verdade que invenção de estupro)?
Se utilizarmos este presunção da inocência, como fica o que discutimos até agora sobre as vitimas de estupro sem provas concretas, onde era a palavra de um contra outro?
Não que eu não acredite totalmente neste principio da presunção da inocência, mas acho que está sendo mal usado isso aí..(em detrimento do machismo nosso de cada dia enrustido)

Anônimo disse...

Coitado do Woody.

Anônimo disse...

Woody em 1976 para a revista people:

"I'm open-minded about sex. I'm not above reproach; if anything, I'm below reproach. I mean, if I was caught in a love nest with 15 12-year-old girls tomorrow, people would think, yeah, I always knew that about him." Allen pauses. "Nothing I could come up with would surprise anyone," he ventures helplessly. "I admit to it all."

Resto, incluindo escrever cartas p uma menina de 13 anos:

http://defamer.gawker.com/the-internet-digs-up-woody-allens-creepy-child-loving-1515815185

Ulisses Adirt disse...

Nossa... mais de uma década adorando os filmes do Woody Allen e eu nunca soube de um décimo de toda essa história. Obrigado, Lola.

Anônimo disse...

DECEPCIONANTE!

Só isso que posso dizer.

Aprendi muito com seus posts, Lola. Aprendi demais mesmo. Mudei minha visão sobre muita coisa, venho diariamente lutando para não ser machista, venho ouvindo mais, lendo mais, aprendendo demais com as mulheres à minha volta.

Aí vem você proteger a presunção de inocência do Woody Allen. E se fosse um Zé da esquina? Estariam todos aqui debatendo o furor da mídia contra o pobrezinho?

É muito decepcionante, é um tapa na cara dos leitores que tanto aprenderam com você. =\


Odilon Ferraes

lola aronovich disse...

Realmente fica parecendo que algumas feministas, por não poderem fazer muito em relação a Woody Allen (já não viam os filmes dele mesmo, então nem tem o que boicotar), ficam buscando quem efetivamente linchar. Alguém mais próximo. E nada melhor do que uma feminista que não ataca o Woody do jeito que outras acham que ele deve ser atacado. O bom dessa fogueira virtual é que pode ser estendida ao seu bel prazer. Começa queimando feministas que creem que, por mais que Woody seja um grande fdp como pessoa (pelo fato indiscutível que traiu a esposa com a filha dela, Soon-Yi), defendem presunção de inocência (um princípio básico de direitos humanos). Depois baixam-se os padrões pra qualquer feminista que GOSTE de algum filme dele. Em seguida, escava-se os quase 80 anos de vida do Woody Allen, onde se podem encontrar mil e uma coisas condenáveis, como uma piada de estupro de 1971, e condena-se a feminista que não condenar a piada. E por aí vai. Podemos fazer uma fogueira virtual permanente só com temas relacionados ao Woody!

Ou podemos aprender a discordar. Podemos criticar sem dizer que quem não concorda comigo merece tiro e rajada de fuzil. Podemos criticar sem dizer que uma pessoa é nojenta e asquerosa e mau caráter e merece morrer, ou que tudo que ela já escreveu ou vai escrever não tem mais nenhum valor. Ou que aquela feminista não é feminista.
Sei que tretas e ataques são muito mais divertidos que críticas, mas depois fica estranho falar em sororidade quando se tem esse modo de dialogar.
Eu não compactuo com a sanha punitivista que vejo em muitas ativistas. Até porque quem tem esse modus operandi não o usa só com agressores machistas. Usa também com pessoas discordantes. Não é meu estilo.

Anônimo disse...

Lola, este seu jeito de desqualificar pessoas que te criticam é muito triste. Sei que tem gente que te xinga de nojenta e tal, mas as criticas aqui, a maioria, não são estas. Vc parece ignorar e não querer debater, prefere se ater nos trolls para não debater o caso. Beleza, tem os que te xingam, tb não gosto destas pessoas. Mas, daria para debater com quem te critica tb, sem colocar tudo n mesmo saco e desqualificar?

Anônimo disse...

Me desculpe Lola, mas quem lincha, quem pune, que violenta, quem ataca não são as feministas que acreditam na Dylam. Mas quem ataca, violenta e lincha é este machismo desgraçado que mutila, mata e ainda duvida da vítima.
Do fundo do coração espero que vc reveja isso e que pense o quanto de machista vc está sendo neste caso, ainda mais quando ataca feministas, ao invés do genial Woody Allen. Isso dói mais ainda para quem já foi estuprada.

Anônimo disse...

Lola,

Não aceitar críticas contrárias é exatamente o que você está fazendo.

Estou acompanhando o post, os comentários e sua reação no Twitter, e acho que você está sendo equivocada com relação ao que você vem construindo há anos. É só a minha opinião. Não te odeio, não acho que você seja menos feminista por causa disso nem nada do tipo. Mas acho sim que você anulou tudo o que disse antes com esse post e a sua reação.

Era muito fã do Woody Allen, mas não consigo nem ver uma foto dele mais depois dessa coisa toda. Não acho que nem você nem ninguém deveria fazer o mesmo... só estou compartilhando.

As pessoas te enviam testemunhos porque confiam em você. Porque acreditam sim que seu blog seja um refúgio, e que elas possam contar com alguém que acredite nelas.

Você pode reforçar o seu ponto sobre a presunção de inocência, mas pense em todas as pessoas que estão te lendo e quebrando essa confiança que tinham em você. Pense nas outras que estão lendo e podem usar o seu texto para justificar que a presunção de inocência pode ser usada em todo caso, que, mesmo sem esse argumento, já favorece o abusador na maioria imensa das vezes.

Você acha que a consequência de publicar sua opinião vale menos que posicionar sua visão a respeito? Então não há diferença entre o que você escreveu e uma piada de estupro do Rafinha Bastos, com a diferença que ninguém se "refugia" no Rafinha quando é vítima de abuso sexual. Sua opinião foi mais importante que as consequências dela.

Mais uma vez, repito que é somente uma opinião, assim como você expôs a sua. Os leitores do seu blog confiam em você - que tal fazer o exercício contrário e pensar que o que estamos dizendo pode fazer sentido também?

Abs.

lola aronovich disse...

Presunção de inocência é básico, e não significa que se duvida da vítima. Por isso existe toda uma investigação, depois um julgamento. Dora, vc faz uma boa colocação: "Como conciliar uma postura feminista de 'nunca duvidar da palavra da vitima de estupro' com 'presunção da inocência'?" É complicado mesmo. Primeiro que eu acho que, individualmente, não se deve duvidar. Mas quem investiga e julga não somos nós, somos? Tem todo um sistema (machista e patriarcal) que é responsável por apenas 3% dos denunciados por estupro passarem um dia na cadeia. Os outros 97% não são condenados, não vão presos. Mas, por causa desses dados assustadores, vamos determinar que acusou, prendeu? Eu acho que não. É como vc pergunta, "Como fica o que discutimos até agora sobre as vitimas de estupro sem provas concretas, onde era a palavra de um contra outro?"
Só a palavra da vítima não basta pra prender alguém. E eu não gostaria que bastasse, sinceramente. Porque, por mais que pouquíssimas denúncias de estupro sejam falsas, elas existem. Eu certamente não gostaria de ser acusada de pedofilia e ser presa em seguida, sem chance de defesa. Por isso que eu digo que o caso de Dylan é atípico: pra começar, ela denunciou (a maior parte das vítimas não denuncia). Teve o apoio da mãe e dos irmãos, houve uma investigação policial, houve uma junta psicológica avaliando. Ela FOI ouvida (coisa que poucas são), e está sendo ouvida agora (ou vc consegue publicar uma carta num blog do New York Times?). Mas já houve uma investigação, e não foram encontradas provas. Só a palavra dela. Como fica, judicialmente falando? Se vc pudesse mudar o sistema judicial, vc mandaria pra cadeia um acusadx quando só tem a palavra da vítima, mais nada, nenhuma prova, depois de uma exaustiva investigação? Sim? Por quanto tempo? Eu não sei como responder isso. Não sei como aumentar o número de estupradores condenados sem abrir mão de princípios básicos de direitos humanos. Acho que isso rende uma excelente discussão. Tentarei falar disso quando falar de A CAÇA. Mas o que vcs acham? Como conciliar?


Já respondi, anon das 6:26, o que aconteceria se fosse um Zé da Esquina, e não um cineasta consagrado. Procure meus outros comentários neste post.

lola aronovich disse...

Não, anon das 7:03. Estou aceitando críticas contrárias (elas estão sendo publicadas aqui, não estão? pelo menos as educadas), estou lendo as críticas, e hoje, mesmo estando sem tempo nenhum, respondi um monte. Quantos comentários eu escrevi? Devem dar uns dez posts, sem brincadeira. Agora, "aceitar críticas" não significa ter que concordar com elas, certo? E não, vcs não sabem de tudo que sou atacada. Vcs não fazem nem ideia. Tem um monte de ameaça, um monte de ofensas, é só que eu não publico. Hoje fui atacada até por um mascu e uma feminista (acho que é, nunca tinha ouvido falar) com o mesmo "argumento": que defendo o Woody por "corporativismo judeu". Quer dizer, eu não sou judia, e fora isso, a religião do Woody não tem a menor importância neste caso, ou tem?
Está no meu post: eu sempre acredito na vítima. Mas também acredito em presunção de inocência. Se vc acha que esses dois princípios são irreconciliáveis, se vc acha que isso quebra a confiança que as pessoas que me mandam relatos têm em mim, talvez vc possa me dizer como conciliar esses dois princípios, porque, a meu ver, não se pode abrir mão de nenhum deles. Veja o comentário da e pra Dora e meta-se no debate, por favor, em vez de falar que não aceito críticas.

Dora disse...

Oi Lola, obrigada pela resposta. Apesar de discordar totalmente de sua opinião neste caso, eu concordo com o que vc comentou. Uma postura feminista para mim é: individualmente SEMPRE acreditar na vitima, embora isso não isente a necessidade de investigação. É isso que vejo aqui. Ninguém está querendo que ele vá preso (mesmo pq não vai) sem investigação. Entretanto, numa cultura machista, soma-se o fato de a própria investigação ser bastante tendenciosa (somado a todos os dados desfavoráveis para a vítima). Concorda? Ainda mais vindo de um homem tão poderoso como ele (não bastasse ser homem).
Por isso que eu pessoalmente acredito na Dylan 100%. Quero uma investigação sim, e isso é a “presunção de inocência”. Apesar de que sempre pensarei que esta investigação poderá ser bastante tendenciosa.
Lola, eu acho que o que as pessoas ficaram decepcionadas com vc pelo fato de que o seu texto dá entender que vc tende a acreditar mais no Woody Allen que a vítima, ao contrário de sua postura com outros casos. Dá entender que vc concorda com a “presunção de inocência” (até aí ok), mas também INDIVIDUALMENTE, acredita que a vitima esteja inventando (ou fantasiando).

Ana disse...

Lola, a questão que você coloca é realmente a mais difícil. Como conciliar a presunção de inocência com o fato de que é dificílimo provar abuso. Eu acho que no caso do W.A, as evidências eram tão grandes então, apesar de não haver provas, ele foi impedido de ver a menina livremente, não foi isso? Acho que é alguma coisa. Pelo menos afastar o agressor (ou possível agressor) da vítima, preservá-la e apoia-la no que ela necessite, psicologicamente.

Anônimo disse...

Ihhhh Lola! Resumindo: toma um banho de sal grosso porque estão querendo caçar sua carteirinha de feminista, rsrs... alguns grupos do face estão bombando com esse assunto - acho ótimo, pq gera discussão e da discussão nasce a luz ;)

Mas vejo que faltou interpretação de texto, boa vontade ou talvez seja só vontade de espezinhar mesmo. Gente louca!

Beijos, Lolita! Foi o melhor texto que eu li sobre o assunto (e eu sou feminista, viu?)

Luh disse...

http://www.jornalopcao.com.br/posts/ultimas-noticias/apos-ser-preso-injustamente-estuprado-e-contrair-aids-na-prisao-homem-tenta-indenizacao-do-estado

Anônimo disse...

A verdade eh que tem mta "feminista" que na verdade eh mulher histérica e tomada de ódio que quer ganhar tudo na base do grito. Uma pena, Lola. Que você não deixe de expor suas opinioes por conta de gente que acha que ganha na ofensa e argumentando como um ditador

lica disse...

Sabe Lola, de acordo com o que conhecemos de você através do blog, acho que esperávamos alguma coisa ao menos ponderando porque, apesar de as investigações não terem concluído abuso (mais que PRESUMIDA a inocência, está julgada a inocência), Dylan poderia estar falando a verdade.

1) Eu consigo ver vários motivos. O que parece ser tão relevante para você, o tal do timming, pra mim gera dúvidas pelo fato que você narrou: Mia ficou desesperada porque o pediatra disse que era obrigado por lei a denunciar... Quer dizer, ela armou um falso desespero pelo exame virar denúncia se tornar pública?
2) E o momento agora, pra mim seria muito catalisador o fato do abusador estar sendo aclamado e concorrendo a mais um Oscar.
3)As investigações, em geral, são tendenciosas a favor dos homens, e mais ainda de homens famosos.
4) havia todo um comportamento inadequado do Woody em relação a Dylan, e a questão estranhíssima de o WA conseguir ver a Soon- como mulher mesmo ela sendo como uma filha adotiva pra ele desde os 8 anos.

Eu não vejo como você (do que conhecemos da sua postura pelo blog) pode concluir que há mais chances de a investigação estar correta.... Em todo o caso, tivesse ponderado pelo lado da vítima e de uma possível investigação equivocada, sua opinião controversa a da maioria dos seus leitores poderia ter sido mais bem recebida...

Acho que a grande maioria de nós sente muito pelos ataque pessoais e gratuitos que você sofre constantemente. Creio que se fosse possível, muitos topariam dividir esse fardo com você. Inclusive e talvez principalmente, as pessoas que estão aqui hoje discordando.

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