quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

"POR QUE É TÃO DIFÍCIL LIDAR COM ALGUMAS FEMINISTAS?"

A N. me enviou este email em maio. E eu só respondi em dezembro. Publico agora.  

Lola, você parece tão acolhedora e eu ando meio perdida e triste, me sentindo péssima. Sabe, eu tento muito saber sempre mais sobre feminismo, leio muita coisa, já li livros recomendados, textos, opiniões de feministas mais envolvidas com coletivos e de academia (não sou universitária, não estudei em faculdade -- ainda -- quem sabe um dia eu consiga). E tenho me sentido tão solitária, cada vez mais, nesse meio. 
Nas redes sociais, me esforço muito pra saber mais, pra compreender como ser feminista, mas tem hora que sinto tanta agressividade vinda de meninas que falam sobre o tema e fico confusa, envergonhada, percebo o quanto ainda sou crua e não sei de nada. Eu sei que parece que estou aqui pra reclamar de feministas, e acho que é mais ou menos isso mesmo, é um desabafo. 
Vira e mexe escrevo alguma frase no Facebook, falo algo e aparece alguém pra me corrigir tão agressivamente... Daí meus amigxs que nada sabem e não querem saber sobre feminismo vêm me dizer "tá vendo, feministas são radicais, histéricas, não é a toa que são chamadas de feminazi, daí não gostam..."
Eu li algo sobre sororidade, e entendo que temos que ser unidas, se não estou enganada. Mas o que tenho visto é, por exemplo, se curto uma página feminista no FB e compartilho alguma coisa que me parece boa, acaba aparecendo alguém pra me dizer "não se fala assim, isso aí tá errado, não é por aí". Mas de uma forma tão indelicada, sabe? Eu sei que essa luta não é fácil, muita gente precisa mesmo saber como falar, que termos usar, separar, tomar cuidado com palavras mas, repito, precisam ser tão agressivas? E ainda mais com outra mulher? 
Assim não se angariam simpatias. Acho que nunca, nunca vou saber como falar para "agradar" feministas e nunca vou poder me dizer feminista se não sei termos que posso usar, se falo algo equivocado por não saber mesmo, não por má fé.
Percebo que você, Lola, é tão delicada com as pessoas que procuram seu blog, menos com os "mascus", né? Mas geralmente vc procura esclarecer de forma educada, sem ir pra cima feito um urubu na carniça da ignorância de alguém que tá querendo aprender. Ora, é errando que se aprende ou não? 
Por que precisa ser assim, Lola? Por que algumas pessoas que já são bem mais iniciadas no feminismo tratam outras que estão só tentando acertar, entender, estudar, compreender, com agressividade e desdém? É necessário ser  assim tão impiedosa? Não falo do conteúdo, mas da forma que usam pra criticar. Ressalvo que também vejo meninas muito carinhosas e cuidadosas, como uma chamada Jarid, ela fala com doçura, não é arrogante, não tenta ser "superior", não destrói os outros.
Isso tudo, sei lá, só depõe contra o feminismo, que já é tão incompreendido. Pra que tanta agressividade até com mulheres? Sororidade não seria um princípio pra tratar outra mulher que não sabe direito ainda o que dizer, a forma de dizer, as palavras que se podem usar ou não? Eu vejo isso meio com uma forma de bullying, ou de dizer "eu sei, vc não sabe de nada, sua idiota, não é assim que se fala, não pode falar assim, você é burra". 
Até ando me encolhendo e procurando ficar na minha, não dizer mais nada, nem compartilhar nada no FB, porque parece que tem que passar por um crivo antes.
Adoro seu blog, viu? Obrigada por tudo. Nem sei se vc vai ler isso e levar em consideração.  Eu hoje fiquei meio humilhada. Mas passa...

Minha resposta: Você levanta várias questões interessantes, querida N. Acho que a resposta mais direta a sua pergunta é: porque feministas são pessoas, e às vezes é duro lidar com pessoas. Nem todas as pessoas são legais, e nem por isso a gente sai por aí odiando a humanidade, né? (Quero dizer, a maior parte de nós, não).
Tudo é relativo. Enquanto você me acha acolhedora, muita gente não acha. Muita gente me descreveria como mais agressiva do que vc descreve essas feministas que não te acolheram. E é preciso levar em consideração, sempre, que, se um homem e uma mulher dizem exatamente a mesma coisa, a interpretação de como cada um está dizendo aquilo vai variar. O homem (ao menos o homem cis, branco e hétero) geralmente será visto como assertivo, decidido, com um tom de autoridade; a mulher, como agressiva (este comercial ilustra bem isso). Simplesmente porque não se espera que as mulheres digam muita coisa. 
"Ninguém me ama,
vou virar feminista"
Campanha anti-voto
E mulheres fazerem parte de um movimento revolucionário que combate preconceitos? Um movimento que vem sendo demonizado desde que começou? Aí é que essa mulherada vai ser considerada agressiva mesmo!
Mas creio que a gente tem que saber separar quem não sabe de quem não quer saber e tem raiva de quem sabe. Não podemos tratar todo mundo igual. Alguém que já chega me chamando de feminazi gorda nojenta é diferente de alguém que foi infeliz usando algum termo. E isso se aplica a todos os movimentos sociais. 
Por exemplo (eu sempre dou esse exemplo), quando comecei o blog, seis anos atrás, eu não fazia a menor ideia de que o termo correto é homossexualidade, não homossexualismo. Usava os dois como sinônimos. Várias pessoas me corrigiram. Claro que foi muito mais eficaz a estratégia de quem decidiu explicar ("a gente não fala 'heterossexualismo', não é? Então não se deve usar 'homossexualismo'") do que de quem disse "Sua estúpida, é homossexualidade, burra!"
Mas imagina que aquele "homossexualismo" foi o vigésimo que aquelx ativista viu no dia. Que ela já explicou isso uma pá de vezes. Não é motivo pra perder a paciência de vez em quando? Nunquinha?
Por outro lado, consigo entender bem como é você se sentir aliada numa luta e não ser aceita por ativistas, muitas vezes por causa de picuinhas pessoais. É uma droga isso, mas no feminismo, assim como em tantos outros grupos, também existem panelinhas, brigas de ego, "não fui com a sua cara", invejinhas bobas, disputas de poder, e tudo o mais. Não somos perfeitas. Eu adoraria que todo mundo se desse bem e aprendesse a discordar, mas não é o que acontece. Que eu saiba, em grupo nenhum.
Tem muita gente que, em vez de criticar, debater e concluir que "discordamos nesse ponto" (e tudo bem!), prefere fazer uma fogueira virtual pra queimar quem não gosta. Em vez de falar "discordo de você por causa disso e disso", a pessoa te chama de anti-ética e mau caráter. É uma péssima escolha de adjetivos. É uma péssima maneira de ver o mundo, porque mesmo que, sei lá, uma feminista seja contra pornografia e outra seja a favor, ainda temos um montão de coisas que nos unem. Não é preciso brigar por causa de discordâncias. 
Claro, não tenho paciência com mascus nem com reaças. Sou atacada diariamente por essas criaturas que obviamente já têm uma opinião pré-concebida do que é o feminismo (e do que é "uma feminista"), e nada do que eu disser mudará essa opinião. Não dou a mínima pro que essa gente acha. Eles são inimigos do feminismo (e de todos os outros movimentos que lutam por mudanças), são anti-feministas e, na grande parte das vezes, anti-mulher. Não tenho porque ser educada com esse pessoal que, a julgar pelas ameaças que recebo, quer me ver morta. Não sou uma ativista limpinha e fofinha.
Mas há muito mais gente que não sabe o que é feminismo do que gente que é contra o feminismo, e se tratarmos todo mundo (inclusive feministas que discordam de alguma coisa) como inimigo, só saímos perdendo. Portanto, eu acho que sim, precisamos ser pacientes com quem se esforça para aprender. 
E nada de ficar cassando carteirinha feminista. Quem age assim se põe meio como leão de chácara do feminismo, e isso não existe, porque o feminismo não tem líderes. Apesar de eu ser do meio acadêmico e acreditar que teoria pode ser incrivelmente útil, eu nunca vou decretar que, se você não ler tal e tal teórica, você não pode se dizer feminista. Essa é uma visão elitista do feminismo, que não compartilho. Não vou dizer que se você é dona de casa ou anda maquiada você não pode ser feminista, porque essas são escolhas pessoais, e o que eu quero é derrubar um sistema de opressões.
E talvez eu seja utópica demais, mas sempre vou preferir o amor ao ódio. "Faça amor, não faça guerra". Parece um slogan datado dos anos 60? Pra mim não.

76 comentários:

Sara disse...

N. não desista da luta feminista, ela é muito importante pra todas as mulheres, inclusive pra vc.
Mas assim como a Lola disse, a melhor resposta a sua pergunta, é essa mesma - Somos seres humanos com todos os defeitos e qualidades inerentes a essa condição.
A Lola é quase uma unanimidade entre as feministas, e mesmo assim se vc acompanha o blog ja deve ter visto quantas criticas pesadas ela recebe até mesmo aqui de outras feministas.
Eu tb tenho meu fã club q me odeia, e se dizem feministas tb, e eu acredito q sejam mesmo, mas q tem pensamentos e posições muito diferentes das minhas.
Nunca vamos pensar todas iguais, se depender disso, nossa luta já esta perdida.
Assim como falou a Lola, vamos nos juntar em torno do que nos une, não do q nos separa ok?
Eu creio que se outra mulher acredita e luta pra q exista igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, ainda q essa mulher seja muito diferente de mim em muitos aspectos, devo respeita-la como companheira de luta.
Não leve tão a serio as criticas q recebe, acho q vc deve ser muito jovem ainda, e pode ter certeza q essas criticas devem partir de jovens iguais a vc, quando somos muito jovens nossa sensibilidade esta a flor da pele, e muitas vezes não conseguimos nos expressar como realmente gostariámos, mas isso tudo o tempo resolve, acredite...

T. R. disse...

sim, isso acontece bastante. você entra num grupo e por uma ou outra opinião é capaz de criar o tal lance do "não vou com a sua cara" mas essa questão é tão infantilizada que é até difícil de tentar qualquer entendimento uma vez que a escolha da pessoa diante da diferença ou da falta de paciência é usar a agressividade, como fazem as crianças com dificuldade de expor em palavras o sentimento que lhes cabem, para se sentirem melhor. é total ausência de sororidade quando não se pensa duas vezes ao responder uma questão colocada em tais ambientes, que sugerem alguma proteção. A questão da N é muito importante e a Lola até tem razão quando pensa na questão do Ego, da questão individual de cada feminista para com a sua atuação na causa. no sentido que é mais do que comum vermos tretas ou total isolamento de algumas companheiras e companheiros de luta em seus comentários ou posts. por questões ideológicas, por questões da própria cultura na qual essa pessoa está inserida. O feminismo trata do coletivo entretanto é feito por mulheres individualmente, Simone de Beauvoir numa entrevista disse que a revolução feminista só aconteceria se fosse feita por mulheres, essa união que ela sonhava acredito estar mais perto do que já vivi na minha vida. Dou esse crédito aos movimentos de esquerda, sem essa possível abertura ao progresso moral não estaríamos sequer discutindo essas questões. Vide a invisibilidade total do movimento em comparação ao que vivemos hoje em termos de 15/10 anos atrás. A ausência de sororidade talvez faça parte desse processo incipiente. Bom, estou aqui divagando pela questão porque realmente a acho extremamente válida e me identifiquei bastante com a questão.

Anônimo disse...

N, algumas páginas do facebook, como "Moça, você é machista", "O machismo nosso de cada dia" tem diversas meninas comentando absurdos e se sentindo irritadas quando são repreendidas. Tipo, hoje se discutiu o trote machista de uma universidade e as mensagens eram "foi por que quis, bem feito". Quando o assunto é relacionado a aborto "tem que pagar caro por não ter se cuidado, vagabundas". Ou então só mulher limpar a casa " ah, mas é bom que saiba mesmo" quando o foco nem é esse, é o fato de o homem não precisar saber... ou comentários do tipo: "ai que exagero, que chato, nada a ver isso, isso nem é machismo, é normal. É muito radical isso, credo". Se for esse tipo de comentário, você consegue perceber que parece um troll na página, sempre tentando desacreditar o que é posto em discussão? São pessoas que o tempo todo estão lendo sem refletir, sem entender ironias, às vezes sem conseguir interpretar o texto, tentando fazer o pensamento antigo prevalecer, ao invés de se abrir à possibilidade que a ideia expõe. Sempre que eu leio esse tipo de comentário eu tento explicar, porque, infelizmente, as pessoas lêem pouco e têm pouca prática em entender textos. Mas realmente é decepcionante ver pessoas que estão sempre postando argumentos contra o que está sendo postado. Fico me perguntando por que elas curtem as páginas sobre feminismo se sempre estão comentando coisas machistas, julgando e achando tudo "piti exagerado de mulher". Se for esse o seu caso, veja a situação por esse lado.

Anônimo disse...

A verdade é que há pessoas de todas os credos, cores, orientação sexual, escolaridade whaterver que definitivamente não sabem conversar.

Quer um outro exemplo?
Eu sou vegetariana e conheço alguns vegetarianos que me dão vergonha alheia. Daqueles que se ver alguém com um bife no prato sai derrubando mesa, jogando cadeira e gritando em plenos pulmões "assassino torturador de animais". Definitivamente não é assim que você faz as pessoas refletirem. Isso só deixa todo mundo muito puto da vida!!!

Por outro lado, mas de maneira nenhuma justificando a atitude de quem destratou a moça do gestpost, acredito eu que muitas feministas devem manter a guarda levantada e estão sempre prontas pra briga por serem 24hrs por dia, 7 dias por semana 365 dias por ano atacadas, perseguidas, xingadas, denegridas, humilhadas etc...

Feminismo incomoda muita gente. Muita gente te pentelhando incomoda muito mais...

Jane Doe

Ana Carolina disse...

Esse post é uma espécie de lavagem da alma para mim.

Sou uma joana-ninguém da internet, no sentido de o que importa no cômputo geral o que eu acho, mas desde que me interessei em debater e aprofundar em feminismo (e em ativismos em geral de causas que me são mais próximas) e ir atrás na internet, comecei a ver certas coisas e discursos e me cansar e decepcionar bastante.

Em alguns blogs e espaços, tudo o que NÃO sinto é acolhimento. O discurso utilizado é muito mais agressivo e desagregador do que uma abordagem mais abrangente. Algumas escolhas editoriais, digamos assim, equivocadas. E, em alguns casos, parece que os problemas pessoais das pessoas permeiam o ativismo de tal forma que ele acaba infectado. Fora alguns casos (mas todos estamos sujeitos a isso e sei disso) de infantilidade desnecessária e evidente.

E perceber isso, essa agressividade, esse problema de discurso, me afastou de grande parte dos espaços virtuais. Não tem nada a ver com quem eu sou, com o que acredito, com a maneira que vejo para fazer as coisas.

Tanto que o blog da Lola é o meu blog feminista predileto de longe - gosto muito do seu tom de feminismo maduro e que não teme fazer certos questionamentos importantes.

A Jarid é mesmo fofíssima, gosto também da Feminista Cansada, da Lígia Sena que não fala especificamente sobre feminismo... Enfim. Se alinham mais a quem sou e ao que sou.

Ana disse...

(1)

Minha solidariedade à N. Mas, eu vou ser honesta - eu me identifico com o outro lado da moeda.

Nunca atirei pedras no facebook - eu desvio de debate feminista no FB pra não me estressar. É gente demais junta, numa conversa onde não se ouve tom de voz, não se vê expressão facial... É um terreno fértil para brigar. Meu lugar pra debater sempre foi aqui, e, na maioria das vezes acho que fui razoável. Não digo que sempre fui querida, porque seria mentira. Mas acho -acho- que na maioria das vezes não saí xingando.

Mas meu namorado tem reclamado bastante, porque segundo ele, eu não tenho paciência para explicar as coisas. E querem saber, ele tem razão.

O que eu posso dizer, tendo a minha experiência como base, é que a paciência da gente se esgota com o tempo. Quando eu tinha a recém descoberto o feminismo, era mais fácil explicar as coisas, eu desenhava se fosse preciso. Agora, uns anos depois, depois de explicar 29389747 vezes a mesma coisa, eu acho que estou cansada. Chega um ponto em que você se indigna, porque sinceramente, nós não deveríamos ter que explicar coisas que são basicamente direitos. É 2014 e as pessoas ainda não entendem porque cantada é uma coisa ruim. Sério?

Em minha defesa, eu digo que existem situações e situações. Meu namorado, por exemplo, é uma dessas pessoas que não se presta a ir ao Google e digitar 'feminismo'. Tudo eu tenho que desenhar, como se fosse alguma missão minha na Terra. Esse tipo de 'novato', que não procura nada e quer sempre que lhe expliquem as coisas, torra a paciência (Não estou dizendo que é esse o seu caso, N.!).

Infelizmente pra mim, o feminismo não é uma exceção - ele não conseguia entender a necessidade das cotas para negros até eu explicar. "Se você tem tanta curiosidade, porque não pesquisa??". Ele nunca pesquisou. No fim, eu tive que expor meus argumentos, um a um. A resposta: "Viu, era só isso que eu queria. Porque não disse antes? É tão simples". Poisé, Google também é...

A internet está cheia de debates e textos ótimos, e a pessoa acha que os outros tem que explicar? Ah vá né... O mundo é de todos, todos temos responsabilidade de fazê-lo melhor, e aí tem gente que fica sentada no sofá esperando que algum ativista venha lhe pegar pela mão e lhe convencer a se mexer! Vê se não é pra perder a paciência em algum ponto?

Eu já comentei isso tudo com ele, e nada muda. Eventualmente, óbvio que eu comecei a desistir mais cedo - Quando eu começo um assunto e ele dá pinta de que não sabe nada sobre nada e eu sei que vou ter que desenhar um passo-a-passo, já começo a procurar outra coisa. Eu não tenho paciência infinita - eu sou gente!

Helen Pinho disse...

eu sei o que é feminismo. muita gente sabe. aquela velha e necessário luta para que mulheres tenham os mesmos direitos que os homens. no âmbito particular, social, político, econômico ... isso é falado de muitas maneiras, mas é mais ou menos por aí. bom entender esse conceito e concordar com ela é o único fator que faz de mim uma FEMINISTA. pra ser feminsita tu não tem que gostar de todas as feministas, ou daquela feminista pop, enfim pra ser feminista tu só precisa concordar com a luta. não concordo que o comportamento de uma ou outra pessoa é motivo para tu não participar do movimento. se a luta é justa, aos teus olhos, irá encontrar pessoas nessa caminhada que fecham contigo e compartilham de experiências opiniões similares (não necessariamente iguais). se te xingam no face e tal, coisa boa lá dá pra excluir/deletar/descurtir aquela pessoa e pronto (se fosse assim na "vida real").

Ana disse...

(2)

Eu sei que o caso exposto pela N. é bem diferente da historinha que eu contei. Mas quis expor como alguém pode se desgastar com o tempo, e como @(s) ouvinte(s) pode ter um perfil que dificulta as coisas.

No caso da internet em particular, não temos como traçar um perfil imediatamente. Eu conheço bem meu namorado e passo tempo com ele, eu posso ter razões pra perder a paciência às vezes. O mesmo não ocorre com um comentarista que a gente nunca viu na vida. Mas quer um exemplo de comentário que deixa claro que a pessoa não sabe nada e não se deu ao trabalho nem de pesquisar no Google?: "Eu não preciso do feminismo porque eu acho que homens e mulheres são iguais!11!".

Pronto. Na primeira, segunda, vigésima vez, você até pega a pessoa pela mão e diz, 'oi, eu acho que você devia pesquisar, você está engano por isso, isso e isso'. Na 28394047ª vez, já deu. É difícil ser querida com uma criatura que, mesmo sem saber de absolutamente NADA, quer dar opinião. E não é necessário mais que uns 15 minutos na internet pra achar pelo menos umas 10 pessoas dizendo isso.

Agora mesmo no meu FB tem a foto de uma menina com um cartaz que diz "Não preciso de feminismo, porque os problemas dos homens são tão importantes quanto os meus! E se fazer de vítima não te dá mais poder!". Eu não sei se alguém se deu ao trabalho de ir lá explicar pra ela o que realmente é feminismo e porque ela está errada. Mas mesmo se forem, já é tarde - ela está circulando na internet como piada, numa foto que recebeu o 'Selo Rachel Sheherazade'.

Sinceramente? Eu não tenho pena. Uma menina que diz uma coisa dessas não se deu ao trabalho de ir até o dicionário ver a definição de 'feminismo'. Eu já estive onde ela esteve, sim, mas eu fui atrás de informação - tanto que agora estou aqui. Posso soar esnobe, mas gente, se informar antes de falar sobre algo não é só pra jornalista - É o mínimo que se deve fazer, em QUALQUER debate. Não é uma coisa exclusiva do feminismo!

Ela pode ser mulher, mas eu continuo achando que ela devia, sim, se dar trabalho de se informar. Ainda mais se ela quer divulgar a opinião dela pra um número infinito de pessoas, e de uma maneira tão assertiva - A escolha do cartaz não foi coincidência, ela está parodiando os cartazes "Eu preciso de feminismo porque..." que são tão populares. Ele teve a intenção de ridicularizar o movimento pra todo mundo ver. É claro que ela PODE parodiar o que ela quiser e ter a opinião que ela bem entender. Mas parodiar algo que ela claramente desconhece? Virou piada, e achei merecido. Considerando a postura dela, não acho que transformá-la em piada ao invés de conscientizá-la foi uma resposta agressiva. Bem, espero que ela aprenda. Ela não precisa ser feminista se não quiser, mas falar bobagens já é demais.

--

Enfim. Eu sei que ser gross@ pode ser um tiro no pé, mas não somos nós que devíamos ser educad@s - o mundo que não devia ser machista. E viver num mundo onde ninguém entende isso é incrivelmente desgastante.

Não estou dizendo que provocaste as respostas tortas, ou que falar educadamente não ajude, N. Estou apenas dizendo que, às vezes, é difícil pra nós lidarmos com certos tipos de novat@s e certos comentários. E eventualmente nossa paciência esgota :/

Anônimo disse...

Um minuto de silêncio para quem acredita no feminismo limpinho, cheirosinho hetéronormativo.
sinto muito moças, mas isto não leva a nada, temos um inimigo declarado, o patriarcado, e seus agentes( homem,branco hétero, classe média)
Eu acredito que ficar trocando "figurinha e papel de carta feminista" não e exatamente ativismo , mas esta sou eu, e o que eu sei não e mesmo?! só estou nesta luta há 15 anos.

Anônimo disse...

Anônimo 12 de fevereiro de 2014 12:31: há uma falácia de antiguidade na sua argumentação.

Rosilda disse...

Pode ser que esteja muito equivocada, mas essa moça parece estar esperando uma postura mais "feminina" das feministas, e não sei não, mas talvez esteja confundindo objetividade com grosseria, o que na verdade é muito comum quando se trata de uma mulher falando (se fosse um homem falando, talvez fosse considerado só objetividade mesmo). Acho importante auto-crítica (do movimento) e tal, mas já não tem gente demais dizendo que as feministas são grossas, mal educadas e mal amadas? E também, desculpe, mas essa coisa de "vc é tão legal, Lola, as outras é que são chatas", puxa, tão quarta série... não parece justamente um exemplo do que nos ensinaram sobre o relacionamento feminino desde criança? Nós e o nosso grupinho legal e as outras invejosas e feias? Quero dizer, acho válido rever posturas específicas, mas essa coisa de falar sem citar fatos, situações e descendo a lenha nas outras mulheres sem citar nenhum nome, ao mesmo tempo que elogia a interlocutora dizendo que ela não, ela não é assim... Não é minha intenção ofender ninguém, eu sei que algumas pessoas eventualmente são mais sensíveis e tal, mas acho que críticas são bem vindas em relação a fatos e pessoas específicas, para dar a chance de defesa e até para que eventualmente as pessoas possam rever a própria conduta. Senão, fica parecendo mais do mesmo: porque falar que feministas em geral são grosseiras e cruéis acho que não é exatamente novo.

Bru disse...

Este post foi pra mim.
Eu saí de uma página feminista por conta de brigas. QUALQUER crítica que eu ou outras fazíamos umas ás outras, já vinha um pra dizer "Cade a sororidade?" ou "aiii, ela quer cassar carteirinha de feminista".
Uma vez fiz UMA crítica à Valesca Popozuda, de umas das músicas dela, e já vieram dez me dizendo que eu queria cassar carteirinha e tal.
Uma outra guria falou das cirurgias de prótese de silicone que a Valesca botou e disseram que ela foi transfóbica. Já vi homens lá serem achincalhados lá por serem...homens. Enfim, cansei e saí.

Dora disse...

N. minha solidariedade e não sei se este é o seu caso, mas já sendo a advogada do diabo..

Às vezes vejo uma ‘cobrança’ para as pessoas que estão em algum movimento (não estou dizendo que é o caso de vc N.) . Uma cobrança quase que religiosa, no sentido de que temos que ser verdadeiras deusas de perfeição: inteligentes, ponderadas, calmas, passivas, amorosas, sempre ter resposta e etc.
Como algumas pessoas já disseram, a verdade, por mais óbvio que seja, e que algumas pessoas esquecem é que todas nós somos “gente” como a gente, inseridas neste mundo desigual, individualista, etc, portanto, tão passível de termos defeitos como qq outra pessoa.

Claro que irá ter feministas arrogantes. Mas a pergunta é: por que acharíamos que seria diferente? Feminismo é uma luta “coletiva” para emancipação da mulher, não necessariamente torna a feminista “individualmente” melhor, mais’ boazinha’ etc. Será que não estamos sendo um pouco injustas ao cobrarmos atitudes morais das feministas individualmente? Por que não criticarmos a pessoa arrogante por simplesmente ser arrogante, “apesar” de ser feminista?
Este raciocínio (não estou dizendo que é o caso da N.) de associar características individuais presentes em TODAS nós na sociedade (individualismo, agressividade, arrogância, egoísmo etc) com certos movimentos (no caso feminismo) pode servir para reafirmarmos certo estereótipo do movimento e da feminista como agressiva, mal amada (por ser agressiva) etc.

Não pretendo com isso te ofender N.
Outra coisa, vc acha estas feministas "difícil de lidar", certo? Não duvido de sua experiência. Agora, se vc tb se considera feminista, pronto. Já temos no feminismo outra pessoa como você, que não gosta disso e provavelmente não é arrogante como as outras. Ou seja, o feminismo não são só elas (as difícil de lidar) mas o feminismo é você também gata!

Dora disse...

Só mais uma coisa.

Cara N. por que que em nossa época nos focamos mais nas personalidade, na moral, na feminista enquanto indivíduo? Que tal um enfoque mais na luta política e no debate do feminismo? Na minha concepção, feminismo é uma “luta política e COLETIVA” para acabarmos com o lixo que é o patriarcado que nos mata e humilha. As características ditas “ruins” individuais dessas feministas (não dá para saber de quem vc fala e acusa) são características de todas nós. Quem sabe se através da luta feminista e coletiva, quando vivermos nu mundo mais igualitário não conseguiremos ser menos “difíceis de lidar”? Talvez neste mundo seremos melhores pessoas. Até lá, só a luta política e coletiva nos ajudará. Às ruas e à construção do feminismo N., estamos juntas!

Anônimo disse...

Bru, 12:59, não acho que homens sejam achincalhados por serem homens nessas páginas. Aqui no blog da Lola há homens comentando e eu nunca os vi serem maltratados. Há os imbecis e os mascus que vem aqui e esses são justificadamente achincalhados. O problema é que muitos homens desconhecem a luta feministas e já chegam querendo mandar, dar ordem, achar que assim é melhor que assado, porque "homem tem uma visão mais prática", ou "homem pensa assim e vai mudar", ou então achando que "não tem nenhum privilégio, que a mulherada está fazendo drama", ou "que não é nada daquilo, porque ele não pensa assim", ou então tomando as dores quando algum homem faz algo errado, e colocando todos os homens na mesma bacia, se sente diretamente atingido. Os homens são muito bem-vindos aqui, tanto para apoio, ideias e ajudar a divulgar a causa.

Bru disse...

Anônimo, não estava falando do blog da Lola, estava falando da página que saí! Lá sim, achincalhavam os caras sem razão, não eram mascus, pelo contrário, eram homens querendo conhecer o feminismo, homens que faziam perguntas querendo aprender mais...

lola aronovich disse...

Gente, só aproveitando pra dizer: uma leitora perguntou noutro post se eu recomendo alguma bibliografia feminista. Fiz este post no ano passado, e lá tem um monte de livros de várias correntes. Muitos links. VÃO LÁ!

Anônimo disse...

Bru, eu entendi. Mas eu pergunto, qual o tom deles? Por que eu vejo muitos homens chegando cheios de preconceitos, de razão e prontos a querer apenas discordar. Muitas vezes, a internet dificulta a conversa, porque não sabemos o tom da pessoa. Se alguém chega falando "isso não prova nada, quero dados mais concretos". Eu vou entender como trollagem. Muitas dessas postagens de páginas são auto-explicativas. E o que mais se vê são pessoas duvidando, dizendo que não é bem assim. Eu nunca vi alguém chegar humildemente pedindo para explicarem tal coisa. É sempre num tom sarcástico, de quem não está disposto a ouvir, mas apenas disposto a ver um lado da questão. Não faz sentido falar do silicone de quem seja. O corpo é da pessoa, ninguém tem a ver com isso. Eu também não gosto da valeska, mas se as discussões recaem sobre ela, eu me abstenho. Sei que para alguns ela representa feminismo e para outros, não. E não vou ficar soltando 10 posts explicando por que eu acho até alguém concordar comigo. O feminismo é muito plural. E muitas mulheres se reconhecem nele, mas ainda cheias de machismo. Atacam pessoas e não as ideias das pessoas. Batem o pé por acharem que tal coisa é errada num ambiente em que a maioria discorda e depois se sentem magoados por não terem concordado com eles. Acho que é isso. A internet deu liberdade de todos falarem, mas as pessoas se soltam e esquecem do tom. Ter humildade em perguntar, ser flexível a novas ideias, educação para debater, enfim.

Anônimo disse...

Eu li este texto (em inglês) há um tempo atrás e acho que tem muito a ver com esse debate:

http://feministcurrent.com/8098/feminists-are-not-responsible-for-educating-men/

Acho extremamente desgastante essa obrigação que se espera de que os ativistas expliquem seus pontos, deem ajuda e queiram "angariar" simpatizantes.

Cada um tem que ter proatividade, interesse e procurar saber o que quer saber, oras!

Anônimo disse...

Isso me fez lembrar de uma colega, com quem quase briguei uma vez de tanto que discutimos sobre feminismo. Realmente, é muito difícil, cansativo, exaustante explicar para as pessoas, você desenha com todo o amor e carinho e a pessoa entende Z ou não quer mesmo entender. Lembro-me bem das palavras dela, estávamos comentando sobre o aplicativo Luluzinha (era esse o nome? não lembro), e falei da repercussão que estava tendo por ser o julgamento feminino para o masculino, e que se fosse o contrário seria simplesmente normal e nada mais. Ela discordou de mim, ficou muito brava, que eu estou 'feminista demais', muito 'radical', que mulheres têm o mesmo direito que os homens. Chegou a dizer desse jeito "mulher tá pau a pau com o homem", que ela nunca chegaria num homem numa balada e uns absurdos assim para piores. Sério, aí você para e pensa 'poxa, uma mulher dizendo isso...' As mulheres são machistas e se orgulham, isso cansa, elas não percebem o mal que faz para elas próprias e para os homens também! MULHERES E HOMENS, INFORMEM-SE! NÃO TIRA PEDAÇO!

Outro detalhe que acho interessante também, é que minha mãe sempre foi muito machistóide também, tenho 2 irmãos e ela sempre nos tratou com diferença por eu ser mulher, do tipo eu ter que ser escrava do lar e se eu não lavasse a louça não podia sair com as amigas, enquanto eles não precisavam fazer m* nenhuma por que ia cair a mão. As pessoas que me rotulam de radical atribuem isso a esse fato, que porque minha mãe me tratou assim eu quero "mudar o mundo" (como se já não fosse um motivo bom o suficiente). Eu não saio falando por aí que sou feminista por isso, é cansativo, me sinto fraca, talvez me faltem argumentos bons para abrir os olhos das pessoas, aí sempre fico na minha. É complicado. O machismo está velado mesmo em TUDO.

Ana disse...

@14:01

Dels te abençoe, muito obrigada pelo link, é um ótimo texto e eu estava precisando de algo assim. 10 pontos para Grifinória!

Anônimo disse...

Pra mostrar um pouco o outro lado da moeda: Quando eu comecei a me assumir como feminista em público (na minha universidade basicamente)
o que eu percebi foi que todos começaram a fazer mais perguntas sobre o que eu achava sobre tal e tal ponto, geralmente polêmico. No inicio,
quando eu mesma ainda tava começando a formar uma opinião, e aprendendo, descobrindo fatos importantes para entender a sociedade, eu
gostava de explicar, quase que ensinar aos outros. O que começou a me desmotivar foi que as pessoas sempre acabavam fazendo gracinha,
desmerecendo, ou saíam do "debate" exatamente igual tinham entrado: ou seja, as mesmas pessoas que me pediam opinião, que queriam que eu
explicasse, rebatiam e ignoravam cada coisa que eu dizia.

Exemplo: Lei Maria da Penha. Eu explicava tudo o que tinha aprendido e a pessoa vinha no final dizer "mas eu conheço muito mais homem que
apanha da mulher". "Mas se vale só pra mulher, já nao é de imediato contra o feminismo?".
Diferença de salários: "Mas é porque a maioria das mulheres escolhe carreiras que pagam menos"
Chamar mulheres de vadia: "Mas aí é diferente porque nós não somos vadias, só as vadias de verdade se dão mal, mulheres como nós nao...."

Com o tempo, eu desisti completamente, porque eu aprendi que isso só me desgastava e não mudava nada.

Eu realmente acho que as pessoas tem que ter a iniciativa de procurar saber por si mesmas. Meu namorado mesmo, é de esquerda, sempre
me mostra alguns conteudos interessantes, mas acha que eu tenho que ser babá do feminismo pra ele. O que acontece muito é ele falar algo
ofensivo pra mim, machista, e eu fazer ironia com o que ele falou, pra mostrar que foi machista. Quase sempre ele se sente ofendido
e eu é que tenho que explicar. Por que nós temos que ter a bondade de explicar pra alguem que ta nos oprimindo por que é errado?

Outra coisa inimaginável: comecei a conversar com um professor sobre feminismo, ele rebatia tudo com cliches de "mulheres escolhem
empregos que pagam menos", "mulheres se aposentam 5 anos mais cedo, se o feminismo nao luta contra isso, entao é um movimento hipocrita".
Um detalhe importante e que ele era meu professor, ou seja, havia uma relação de autoridade nos nossos debates. Por fim, ele "mandou" eu
fazer um dossiê mostrando os casos documentados em que a empresa foi obrigada a pagar porque foi constatada diferença salarial entre homens
e mulheres no mesmo cargo, aí sim ele acreditaria no feminismo. OI?!?!?!?! A que ponto a gente chega ne! O privilegio dos
homens é tão forte que eles se sentem no direito de mandar vc pesquisar por eles, só pra eles terem a nobreza de simpatizar com o seu movimento!
Nem preciso dizer que isso foi a gota d'água né! Essa coisa de "atrair gente pro movimento": a gente só vai conseguir atrair quem quer fazer
parte mesmo, e essas pessoas tambem tem que ter iniciativa!

Enfim, não estou dizendo que o seu caso seja como esses que eu citei,
estou só contando algumas experiencias pra que talvez vc também se ponha no lugar das outras feministas, pra que vc tambem tenha sororidade
com elas, pq o mundo e dificil pra nos todas!

Natália

Anônimo disse...

Não discuta sobre coisas que você não sabe bem, não use termos que podem ser ofensivos, se policie, se você quer se tornar feminista algum dia aprenda a se policiar, porque você usar determinados termos, por mais que não seja por mal da sua parte, as pessoas VÂO se irritar.
Em um debate nem todas as pessoas vão ser calminhas, delicadinhas e compreensivas com você igual a Lola, quem está na chuva é para se molhar, então pense BEM se você está disposta a ter uma discussão antes de postar um comentário.
Todo mundo é humano, você é humana e acaba usa termos que desagradam os outros de vez em quando, pois bem, as feministas que perdem a paciência com você também são humanas e acabam levando algumas discussões para o lado pessoal.

Bru disse...

"As mulheres são machistas e se orgulham, isso cansa" (anônimo)

Uma vez o assunto nesta comunidade que mencionei foi exatamente o machismo das mulheres...e deu briga! De um lado, gente dizendo que as mulheres são machistas e tal, do outro gente dizendo que mulher não pode ser machista, afinal não ganha nada com o sistema e quem não concordasse com esta posição, era machista e tava querendo cassar carteirinha.

André disse...

Acho que é uma questão de educação. Se você está na sua casa/blog/facebook, então você tem direito de ser mais agressivo, mesmo que isso, no entender de um terceiro, possa ser contraproducente. Mas se você vai na casa/blog/facebook do outro então não é muito adequado que você seja agressivo, se está cansado e sem paciência então é melhor nem entrar.

pp disse...

Além dessas questões polêmicas do feminismo, ainda tem o problema de umas bizarrices de pessoas que se dizem feministas e fazem apologia à violência contra os homens, o que apenas reforça a imagem equivocada que a sociedade tem das feministas. Vejam esse video que absurdo:

http://vimeo.com/85359263

Anônimo disse...

Querida N.

Pessoas arrogantes, ou que agem de forma professoral, as vezes pedante,sempre vão existir.

Lembro bem dos meus tempos de IRC (olha eu denunciando a minha idade, kkkk - internet discada oi) nem existia espaço para feminismo em si, eram outros assuntos, mas sempre havia o mansplaining, ou aquela pessoa que achava que era autoridade no assunto.

Endosso a fala da Ana, entendo que ela quis dizer; quando vc é nova no movimento vc tem muito gás para desenhar, fazer diagramas..mapas mentais.... mas chega uma hora que vc está cansada e passa a ser mais objetiva ou lacônica,então algumas pessoas confundem isso com "arrogância".

Temos que tomar cuidado para avaliar as atitudes, não as pessoas, e nem transferir singularidade de atos para personalidades e por fim para movimentos.

abçs!

Ass: Marmota veiaca

Renata disse...

Estou com a Rosilda.
Esse papo "essencializa" o mito da feminista grossa e mal amada.
Debates acalorados existem onde a polêmica, controvérsia e tomadas de posição.
Falta de educação é mais velha que a fome e está em todo lugar.
Vamos parar com isso, please.

Renata disse...

Lola, por favor, escrevi "onde a" ao invés de "onde há".
Socorro.

Morgana F disse...

Concordo 100% com a Rosilda!!!!!

RavenClaw~ disse...

Não sou essas "letrada" em feminismo, mas paciência nunca foi uma virtude que eu tivesse. Sou grossa, ríspida e se percebo que a pessoa tá de má fé já mando tomar no cu. O que obviamente não é o seu caso N. Vejo pelo seu jeito de falar. E acho que saber separar os zé roelas dos que querem aprender é essencial. Pq senão fica mesmo essa impressão de q feministas somos todas loucas, histéricas, que precisam de pinto. Normal todo mundo perder a paciência uma hora? Claro. Eu perco praticame te o tempo todo. Mas eu concordo com a guest poster que tem umas pessoas que não tem conversa. Qualquer frase, qualquer perguntinha, já vira um "dá pra pesquisar"? Bom, porra. Dá. Já fiz. Mas continuo com dúvida. Difícil de entender?

Julia disse...

pp, você esta meio atrasadx. Já tem post aqui sobre isso. Essas meninas do pagu funk não se dizem feministas. Elas SÃO feministas. E não se atreva a dizer o contrário só porque elas têm um discurso que não te agradou.
Passar bem.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Post super pertinente né, Lola. Há algum tempo eu também me sinto incomodada ao ler algumas discussões entre feministas. Acho que nos posts do Woody Allen e principalmente no do coletivo PaguFunk tivemos vários exemplos de intolerância e agressividade. De um lado quem não gostou do vídeo falando que as meninas estavam nuas pra aparecer e coisas do tipo, do outro quem gostou, acusando quem não gostou de ser reaça, preconceituosa, alienada... Detalhe que apareceram pessoas que afirmavam ser negras e da periferia que não gostaram do vídeo e pessoas da classe média ou alta aprovando o vídeo. Sinal que as coisas não são tão simples assim.
Mas aí vira uma guerra, uma troca de xingamentos que não chega a lugar nenhum e o debate que poderia acrescentar algo se perde.
Não é porque uma pessoa faz uma crítica a um vídeo que quer dizer que a pessoa tem que ofender quem fez ou ser ofendida se fez uma crítica respeitosa.

Anônimo disse...

Anon das 14:22

Eu não acho que seja por aí. Não dá para pedir para alguém não se expressar sobre determinado assunto, até aprender. Feminismo não é uma ciência exata. Vez ou outra, todo mundo reproduz algum discurso ou conceito baseado em senso comum. Em relação ao feminismo, isso é muito frequente. Feminismo não é ensinado nas escolas, igrejas, na maioria das famílias e nem é muito popular em alguns ambientes acadêmicos. Por mais chato que seja, repetir conceitos e discutir certos assuntos, não dá pra exigir que todos saibam. Isso não significa que as feministas têm obrigação de ser pacientes e boazinhas o tempo todo, só que é preciso ter um pouco de tolerãncia com quem não sabe tanto quanto você.

Maria Valéria disse...



Aquele post " reconheça seus privilégios para poder mudar o mundo, de setembro do ano passado" foi muito esclarecedor pra mim.
Você me explicou,carinhosamente, Lola , porque eu deveria reconhecer meus " privilégios de classe media" .
Certamente, nao foi escutando termos agressivos como " classe media sofre" , " classe media esta de mimimi " , vocês so querem saber de ir ao shopping " que mudei de opinião e entendi a questão do privilégio., mudei de opinião e abri minha cabeça aquele dia, lendo sua resposta a um comentário meu., tão esclarecedora,sem fazer juízo de valor de quem esta perguntando,
Nao e atirando pedras que ninguém consegue mudar o mundo.
Tão ruim quanto um radicalismo qualquer e o radicalismo do lado oposto. Nao gosto de radicalismo nem " pro bem" nem " pro mal" , gosto de gente que sabe conversar e trocar ideias.
Parabéns por ter ajudado tantas pessoas a abrirem a cabeça ( inclusive eu!!) , sem precisar ser agressiva,
Deixa agressividade pros trolls -:)
Beijos

Anônimo disse...

Amo e respeito as Mulheres mas não gosto de feministas por que demonizaram e demonizam continuamente o homem. Pelo que escrevem acho impossível uma feminista gostar de homem mas reconheço que possuem esse direito e eu e muitos homens também temos o direito de detesta-las.

Antonio.

Maria Valéria disse...

Eu tambem acho que nao se pode pedir para " nao expressar opiniões sobre assuntos que você nao domine bem "



Ue, e qual uma das maneiras de aprender sobre algo que você nao domina ?- conversando e debatendo sobre...

Beijos

Anônimo disse...

A arrogancia é grande, querem dizer até quem é feminista ou n.
Mulheres do pagu funk se dizem feministas então é verdade.
Mulheres mais agressivas com homens se dizem feministas então é mentira.
Comico.

Anônimo disse...

Tem outra coisa também. As pessoas não percebem que, assim como na vida real ou fora da Matrix, na internet a gente precisa de educação.

Ninguém vai chegar na casa de alguém, metendo o pé na porta, abrindo a geladeira, chutando seu cachorro e sujando seu tapete.

E convenhamos, o ambiente virtual tem horas que irrita. A gente vê sempre a mesma coisa, as mesmas merdas, explicando, explicando, explicando. Isso cansa. Vida de feminista é trabalho de Sísifo.

Não acho que seja um problema exclusivo das feministas. Acho que é um efeito generalizado de falta de educação pela internet mesmo.

Solange Myu

Júlia Maria Terra disse...

Sinto a mesma coisa!
Eu sou católica e venho tentando ser feminista há bastante tempo, mas confesso que tem sido realmente difícil. O fato de ter uma religião parece já contar como algo negativo, como se, só por sê-lo, eu fosse homofóbica e machista, o que não é verdade, de jeito nenhum. Há várias páginas feministas no FB que hostilizam a Igreja, numa generalização absurda e consigo perceber que são pessoas cujo conhecimento acerca da doutrina católica é mínima,é uma infinita repetição de discursos.
Eu que luto pelas pautas feministas e sinto o peso do mundo que é ser mulher na sociedade machista, muitas vezes acho que o feminismo não me quer; simples assim.
É como se eu lutasse por alguém que na verdade me hostiliza sem me conhecer. Desanima, viu.

LeiDe Mamariquinha disse...

Depois que um dos meus ex explicou melhor sobre feminismo fiquei mal acostumada e agora so namoro boy feminista so pra nao me dar trabalho,sou impaciente,sou impaciente com papai com mamae com titio com vovo com amigo,imagina namorado.

Ja basta essa turma tenho q dividi a cama com ignorante tbm.Haja paciencia.

Explicar explico com um tipo bisavozinha linda vc ta sendo misogina com tal colocaçao sabia ai explico o caminho,mas seu ver que entro pelo ouvido saiu pelo outro digo sua machista deveria ta no museu,mas homem que vem com homexplicanismo,eu rebato mas logo digo bando de misogino,se continua mando ir a merda

Anna Clara disse...

As vezes o medo para quem vc vai perguntar, interfere em como, vc vai perguntar...


=/

Amana disse...

É...
Entendo bem o que a N. diz.
E tem uma coisa tbm: acho que as discussões via internet possibilitaram uma ampla divulgação do feminismo, mas também geram picuinhas desnecessárias.
Sentadxs em nossos computadores, no ar condicionado, tomando um refrigerante, de pernas pra cima, o tipo de discussão que podemos ter com outras pessoas é muito diferente de um cara a cara. Vejo as pessoas dizendo coisas inacreditáveis umas para as outras no FB, por ex., que duvideodó que dissessem para alguém que mal conhecem numa discussão num bar ou na rua, por exemplo. Esse isolamento da internet pode, sim, alimentar falta de noção de um monte de gente.
Além disso, sinto que quem está na área de gênero - militando, pesquisando, atuando - muitas vezes quer defender um determinado ponto opondo-se aos demais. Acho que isso acontece em todas as causas... E aí... Acham inadmissível vc não saber tal coisa, ou perguntar n sei o quê, ou usar um termo/noção de outra perspectiva.
Por fim, tem os contextos. Às vezes a gente entra meio de gaiatx numa discussão. Me aconteceu, outro dia. Estava recém-entrada numa comunidade feminista do FB, um grupo aberto (primeiro contexto, que não percebi). Uma moça postou uma frase sobre as mulheres se unirem no feminismo e se lixarem para os homens, pois o que importa é a união das mulheres, algo assim. Fui discordar, e mal comecei a argumentar tentando levantar alguns problemas para o uso da ideia de "as mulheres" como algo universal e um monte de homem começou a curtir meu comentário (WTF???). Daí, um carinha na vibe "deixa que eu explico o feminismo pra vocês, garotas", usou meu comentário para postar um monte de links bizarros, estilo Rodrigo Constantino pra baixo.
Tentei argumentar mais um pouco, mas vi que ali eu não ia conseguir trocar muita coisa. Muito desgaste, sabe?
Então é também um exercício de escolher interlocutorxs. Como em tudo na vida...
beijos!

Amana disse...

Mas curti o que Rosilda falou. Pra refletir à vera...

Anônimo disse...

Júlia, infelizmente as pessoas têm preconceito com religiões por razões anteriores. Eu acho péssimo, mas acho difícil de superar :-( Fui criada numa família cheia de religiosos fanáticos, que atribuíam tudo a deus. Diziam que eu era feia e pobre porque deus não abençoou, porque eu tinha feito algo errado, mesmo sendo criança. Convivendo com pessoas católicas, via machismo e maldade cercando as ideias das pessoas. Os espíritas achando que você tem que pagar bem caro por algo que você fez numa vida passada. Entende por que fica difícil ver gente religiosa com bons olhos? Pode ser culpa da pessoa que ela tenha essas ideias extremistas, mas a gente sempre fica com um pé atrás de ter que ouvir que mulher é inferior, de acordo com a bíblia, que tem que casar, que homem pula cerca mesmo, que a culpa é da amante. Que se não tiver filho, não é abençoada. Que mulher tem que se sacrificar e se não o fizer, não presta. Que deus deu o dom do julgamento para que religiosos julguem e tentem salvar pessoas. A lista de traumas é grande. Eu entendo que você possa pensar diferente e ter sua crença, mas infelizmente, você é exceção e não regra. Eu quero que mais pessoas se unam ao feminismo, independentemente da crença ou não-crença. Mas não quero que os preceitos dessas pessoas sejam impostos a mim. Se elas seguem, tudo bem.. Sem impor. Do mesmo modo que não imponho meu ateísmo a ninguém.

Amana disse...

Acabei de ler.
Veio muito a calhar:
http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/02/12/dez-dicas-para-nao-ser-um-completo-idiota-na-internet/

Julia disse...

Concordo com o que a anon falou pra minha xará com acento. Se você é católica praticante e não é machista e homofóbica você já está se desviando do caminho. Se liberta de vez. Sai dessa vida.

Anônimo disse...

Vi que bastante pessoas relacionaram 'ser acolhida' com uma possível "sensibilidade feminina". Não acho que sejam a mesma coisa. Muitas vezes fiz comentários aqui que não agradam e fui chamada simplesmente de 'burra'. Se um homem me dissesse isso não o acharia objetivo, mas grosseiro. Concordo com a autora do post, acho que sim bastante hostilidade entre algumas feministas.

vibrannium disse...

To buscando em tds blogs e ate agora nada sobre o deputado ze geraldo, aquele filho da puta com aquele discurso inacreditavel de uma misoginia sem tamanho, e o pior, da tribuna da carara dos deputados, mai alguem viu,??,

Anônimo disse...

Oi, Lola, ajude a divulgar o grupo que fiz no Facebook, com material colhido dentro de grupos secretos da "Real". https://www.facebook.com/PorDentroDaReal

Paula disse...

Júlia, adicionando ao que azamiga jüa falaram, näo confunda criticas à religiäo com criticas aos religiosos. Quando alguem critica o Papa, a ICAR ou a Biblia, vc näo precisa levar para o pessoal...

Helen Pinho disse...

clap clap Rosilda! <3

gostar da lola não faz de ninguém feminista. eu adoro a lolinha. mas se eu só adorar ela e achar todas as outras feministas chatas, histéricas, grosseiras, não entender e ter empatia pelo movimento pela luta não sou feminista, sou só uma pessoa que gosta da lola.

Ana Carolina disse...

Amana:

Sinto muito isso também, dos interlocutores. Às vezes, escrevo textos imensos para certas discussões, mas apago tudo e penso "ah, deixa pra lá". De que adianta o desgaste se a pessoa não vai ouvir? Uma vez rompi minha própria regra, dei uma opinião mais controversa no facebook e pra quê, haja ad hominem pra cima de mim. Acho desgastante e prefiro ficar quieta em certos casos.

N., estive pensando depois sobre terminologias
Ninguém é obrigada a saber nada. Mas é bom saber a origem mesmo para não usar.
Exemplo: para ser mais abrangente e evitar excluir pessoas trans, é comum utilizar-se "pessoas" ao invés de "homens/mulheres". Mas, por exemplo, ao invés de dizer "pessoas morrem por aborto todos os anos", prefiro "mulheres morrem por aborto todos os anos". É uma verdade incompleta, mas PARA MIM, acho melhor enfatizar o "mulheres" para deixar bem claro o peso do gênero nessa afirmativa, a misoginia presente nela. Mas é MINHA justificativa, conhecendo as duas coisas. O mesmo vale para utilizar o x para gênero neutro, alguma vez li uma explicação tão boa contra o uso que parei de usar.

Mas se você usou determinado termo equivocadamente, muito mais válido um "o termo tal significa isso isso e isso", aí você aprende, guarda e usa pra próxima do que um "burra", "ignorante", "xfóbica" ou qualquer coisa que o valha...

Arnold Sincero disse...

Como a dona deste blogue é Vil

Agora usa seus fakes para escrever posts pra falando que ela é melhor queas outras feminazis.

Estou de olho no seus movimento Dolores.

Meu excilio esta me fazendo bem, estou mais viril do que nunca e minha sagaçidade está 100%

Anônimo disse...

Saia da internet e vai pra vida guria, quer aprender sobre feminismo? Frequente os coletivos, leia livros, implemente ações,a vida não acontece nos circuitos de um computador, essa agressividade que você lamenta é atenuada quando o papo é olho no olho.

Bru disse...

Outra coisa que me irrita em algumas comunidades feministas por aí é que ALGUMAS acham que vc sabe menos que você não leu alguma teoria feminista. "Ai, tu não Fulana de Tal, vai pesquisar, tem em pdf!"

Uma vez numa discussão, uma feminista disse "ai, olha, vou te dar uns textos aqui, tem o Bobbio aqui, ele é reaça mas explica algumas coisas boas!"

Odeio

Anônimo disse...

Falam que essas feministas que atacam mulheres que não cabem totalmente no padrão ideológico e libertário delas devem ser questionadas apenas no sentido pessoal, mas essas pessoas levam o seu comportamento pessoal cheio de arrogância, intolerância, preconceito, falta de respeito também no seu discurso ideológico sempre. E ainda decidem por conta própria que uma mulher é feminista apenas porque lançou uma letra de música que elas consideram como feminista. Decidem elas mesmas pelas outras e por todas as mulheres do mundo o que elas são ou deixam de ser. Já apareceu uma feminista mandando a outra deixar a religião dela. E ainda se acham as paladinas da liberdade. Isso acontece o tempo todo nesse blog e na maioria dos blogs feministas. Distorcem várias coisas, inventam especulações a seu favor para que a vítima se torne a culpada e a malvada, dessa aforma agem parecidas com os mascus, como a Rosilda que praticamente acusou a autora do post de estar dizendo que as feministas deveriam ser mais femininas e a autora em nada se referia a isso. Mas inventou essas especulação para deslegitimar a crítica da autora do post e transformá-la em vilã. Teve até uma que falou que a autora do post estava exigindo um feminismo heteronormativo, sendo que a autora do post nunca disse isso. Só especulações para transformar a autora do post na vilã. Um comportamento de gente sem escrúpulos, sim. E isso não vai parar, só tende a piorar cada vez mais neste blog e nos outros.

Anônimo disse...

ok, todo mundo tem uma linda justificativa para ser grosseira, para afastar gente "ignorante", pra "se cansar de explicar e ouvir certas coisas", pra mandar não opinar em coisa que não domina... mas essas justificativas lindas não mudam o fato de que vocês que fazem isso estão SILENCIANDO MULHERES. Não estão silenciando homens, nem mostrando a diversidade do que é ser mulher, nem defendendo o direito de uma mulher se expressar de maneira objetiva e assertiva, vocês estão SILENCIANDO MULHERES. Exatamente como os homens fazem o tempo inteiro, como a direita faz o tempo inteiro, como o mundo faz o tempo inteiro.
Dizer pra uma mulher não opinar, dizer pra uma mulher que ela não entende, então nem dá ânimo de explicar, privar uma mulher de discussões onde ela possa falar e ser ouvida com respeito por quem ela é e PELA SUA VIVÊNCIA, é SILENCIAR UMA MULHER.
Se é vivência que constrói o feminismo, é parte de ser feminista ouvir a vivência de outras mulheres, dividir sua vivência com elas, tratá-las como seres humanos integrais e que já são execrados com ou sem motivos o tempo todo.
O que há de diferente no feminismo se ele criar um espaço EXATAMENTE IGUAL a qualquer outro?

No facebook adoram falar de interseccionalidade, adoram discutir visibilidade de minorias, mas na hora de CRIAR RELACIONAMENTOS SIGNIFICATIVOS ENTRE MULHERES, todo mundo tá cansadinha, com preguicinha. Se é pra ficar no conformismo desse mundinho pequeno de que entende feminismo, e mais especificamente, de quem entende o mesmo feminismo que você, não olhar pro lado, não dar voz a outras mulheres, sua luta serve a quem?

o MEU feminismo não serve só a mim, por isso eu não preciso que ele seja fácil e cômodo.

Anônimo disse...

ontem eu li alguém usar o termo "somos a elite do feminismo", pq, sim, sao meninas ativas. mas me incomodou muito um movimento que, em teoria é libertário, reproduzir os mesmos padrões opressores. O que eu tenho visto, e me afastado, são de meninas que usam o feminismo não como forma de empoderamento, mas sim como forma de ascensão social, mesmo que dentro de um pequeno grupo.

Maria Valéria disse...

Anônimo de 10:41:

Perfeito ! Nao mudo uma vírgula do que você escreveu ;))

Anônimo disse...

Eu acho que quem falou do cansaço de ter que explicar tudo está se referindo às pessoas que vem como um cliente que deseja ser convencido de algo, senão ele não vai comprar. Esse cliente rebate tudo o que você diz, duvida de tudo, se nega a aceitar. Diz que a gente está exagerando, machismo não é tão ruim assim. Toma como exemplo a realidade dela, sem lembrar que o mundo nao é aquele círculo de vida dela. É realmente cansativo explicar coisas para esse tipo de pessoa. Mas assim, ler blogs, tirar suas conclusões e estar disposto a discutir é uma coisa. Não ler, rebater todo argumento com ideias de sempre, isso é bem chato... ninguém percebe que é fácil seguir machismo porque ele já está aí. Vocẽ nasce sob essas ideias. O feminismo está tentando fazer o mesmo. Circular ideias de que as coisas normais não são normais. De fato tem feministas elite, que tem a coragem de dizer que se alguma mulher se sente oprimida pelos pais, é só sair de casa e arranjar emprego, como se todo salário pagasse bem para sobreviver. Esse tipo de elitismo é bem ruim e não serve pra toda realidade.

Anônimo disse...

Enfim, o lado que diz que tem que escutar quietinha está erradíssimo, porque isso é um autoritarismo ridículo. E o lado que quer aprender tem que vir aprender mesmo. Tem diversos blogs e sites. E com leitura e tempo, você começa a ver que sua forma de pensar antiga era machista e começa a mudar os xingamentos, o meio de se referir às pessoas, o modo de julgar, etc...tem que evoluir. Isso leva tempo.

Anônimo disse...

E alguém aqui tem moral pra dizer quem é e quem não é feminista?
Se alguém discorda das idéias da Lola,caso tenha o comentário publicado,o que nem sempre acontece,é chamada de troll e massacrada pelas demais.
Feminismo hoje em dia nem existe.

Anônimo disse...

Arnold, fofo,

Então aproveita e fica bem de olho nos textos da Dolores. Leia todos, assim você aprende a escrever corretamente.

Beijinho no ombro.

Anônimo disse...

UHUUUL, amei anônimo 10:41!
Eicram

Anônimo disse...

Sou ex- feminista e abandonei o barco. Trata- se de pessoas que se acham senhoras da razão e da verdade e te chamam de "nazista","fascistas" e "reaças" se você "ousar" discordar delas no mínimo que for. Vejo é uma guerra de egos dentro do feminismo,numa espécie de competição velada pra mostrar quem é a mais pseudo- intelectual caviar! Prefiro amizades de homens!

Anônimo disse...

Entendo perfeitamente a N. Parece que todo mundo nasceu sabendo. Não espero uma postura feminina das feministas, espero o mínimo de educação de qualquer ser humano. Não ta a fim de repetir algo pela milésima vez? Não responda nada. Pra que dar uma patada em alguém que só quer aprender? Raramente eu pergunto algo, pq sinceramente tenho até medo, vou catar sozinha, pesquisar e sanar as minhas dúvidas. Eu acho que as feministas que já estão há algum tempo nessa luta criaram uma casca... Cansadas de tanto ouvirem piadinhas, cansadas de serem assediadas na rua... Aí você revida, responde, protesta, mostra a palma da mão para parar... E acho que acabam perdendo a mão e agindo assim com quem não merece.

Ex-machista disse...


"Prefiro amizades de homens!"
Depois não reclama se vieram com mimimi que você friendzoned eles...

E não desista de lutar por igualdade pra você e todas as mulheres por tão pouco. Xingam feministas de nazistas o tempo todo. A gente nem liga mais. E eu acho que você é direitista pra ter sido xingada dessas coisas. Feminismo não combina mesmo com a direita.

Rosangela disse...

Eu já sofri dos dois lados. Já perdi a paciência, sobretudo com pessoas que invalidam as queixas e as reivindicações das mulheres, afirmando que feministas deveriam se juntar aos homens e lutar pelo bem comum ao invés de ficar "com picuinha" com eles ou com frases "ai, gente, é só uma brincadeira, onde vamos parar com essa patrulha exagerada?". Aliás, um parênteses: esses tipos de argumentos são usados para invalidar outras lutas, como a luta contra o racismo e a homofobia. Qual negro, gay ou lésbica já não escutou: "ai, gente, agora é tudo racismo, homofobia, nem posso dizer que prefiro seios rosados, que as mulheres deviam se preservar para evitar assédio ou que os gays podem ser gays desde que não rebolem pelas ruas?" Imagine você, enfrentando batalhas cotidianas para lutar contra algo que oprime, ficar escutando esse tipo de coisa? É de foder o cu do palhaço de pano, né? Mas também já aguentei caras de desprezo das minhas amigas feministas e falatório pelas minhas costas porque, depois que vim morar nos EUA, optei por ficar em casa cuidando dos meus três filhos. Ou seja, apoio zero, não quiseram nem sentar para uma conversinha (rs), já saíram me achincalhando. Diga-se de passagem, elas estavam certas, a história é sempre a mesma: enquanto o meu marido trabalhava e crescia na profissão eu fui me anulando e perdendo o bonde da história. Então, hoje eu acho que um dos melhores modelos é o modelo Lola de ser (rs): ativa, certeira em identificar o 'inimigo' e compreensiva com quem comete deslizes mas é bem intencionado. Mas também já consigo compreender a raiva e o desgosto que dá quando a gente luta por uma causa, já está careca de saber como funciona as armadilhas sociais e vem um indivíduo e tasca lá um "ai, gente, eu estou desistindo da minha profissão por opção, o meu marido trabalha e eu cuido da casa e das crianças, nada mais justo!". A mulher que tá na luta quer mais é matar, né não?

jacmila disse...

jacmila

Os comentários anonimos são os mais certeiros
obs: e não fui eu q escrevi nenhum deles. E não sou feminista de carteirinha, não sou fã de ngm nem da dona lola.
Só defendo o princípio da igualdade de direitos e deveres

Verô! disse...

Esse post tocou em algumas questões importantíssimas. Eu devo concordar com a autora do comentário, quando estamos no meio do movimento social, especialmente em eventos que envolvem vários movimentos sociais, respostas agressivas por causa de erros que tem apenas a ver com falta de conhecimento, não por preconceito, são comuns. Eu tenho milhões de exemplos que eu presenciei, vou citar só um para ilustrar.

Uma vez dei um curso de formação continuada para professores da Rede Pública do Paraná. O curso era sobre diversidade nas escolas e todas as pessoas que estavam presentes se voluntariaram para participar, ninguém estava ali por obrigação, eram professores, alguns com anos de prática, que sentiam que podiam contribuir para o fim do preconceito nas escolas, algo infelizmente muito comum. Todo mundo estava ali para aprender e com o coração aberto. No meio da platéia havia também gente do movimento social, gente com mais experiência com isso. Numa das aulas um professor falou "homossexualismo", ele falou como a Lola falava, ou seja, ele simplesmente não sabia porque o termo "homossexualidade" é mais adequado. Nesse momento um monte de gente gritou e alguns responderam o homem com extrema grosseria. Ele ficou super constrangido. Eu pedi silêncio e falei que não admitiria esse tipo de resposta deselegante, disse que todos estavam ali aprendendo e que precisávamos ser solidárixs uns com os outrxs. Eu notei que muita gente não falava por medo desse tipo de reação, as pessoas ficavam acuadas… na outra turma já entrei dizendo que ninguém deveria ter medo de se expressar, que não deveriam temer usar expressões inadequadas e que a única coisa proibida naquela sala era falta de compreensão e grosserias. Foi ótimo! Acho que cumpri o meu papel, nunca me senti tão feliz no meu engajamento como dando aquela aula e ainda aprendi um monte com as experiências daqueles professores.

O que eu quero dizer com tudo isso é que falta sim solidariedade e gentileza nos movimentos sociais, não quero generalizar, mas alguns militantes são intolerantes com os erros de neófitos. Isso afasta muito possíveis aliadxs. As vezes a pessoa está super a fim de fazer algo e fica com medo de dialogar. Como eu me esforço para ser gentil com todos - óbvio que as vezes erro, mas eu tento muito - já cansei de receber e-mails de conhecidos querendo tirar dúvidas sobre o universo LGBTT pois as pessoas que me conhecem sabem que eu não vou tacar pedras se elas escreverem "homossexualismo". O preconceito as vezes é fruto de pura ignorância - no sentido de ignorar, não de ser ignorante - se não contribuímos para informar as pessoas com generosidade e delicadeza, como queremos lutar contra preconceitos?

Hoje estou afastada da militância por milhões de razões, e uma delas é justamente a apontada pela moça desse guestpost.

Canceriana demais disse...

tava lendo os comentários e lembrei de um link que pode ajudar todo mundo que se revolta com o tratamento que algumas feministas estressadas usam pra explicar o que estão cansadas de repetir mil vezes:

lmgtfy.com/?q=feminismo

Anônimo disse...

As pessoas são diferentes pq tem temperamentos e criações diferentes. Isso não evita que as mulheres de forma geral se revoltem com o machismo cada vez mais naturalizado no mundo. APenas algumas tem MUITO mais pacieência do que outras.
Se você entra numa discussão feminista querendo provocar as feministas, não espere um tapinha amigável no ombro. Toda hora, todo dia tem machista entediado que vai tirar um sarro em grupos/páginas/blogs feministas, inclusive organizando avalanches de churrio.

Anônimo disse...

Só eu acho que, uma vez em contato com o feminismo, é impossível renunciar a essas ideias? Não consigo imagina uma ex-feminista.

Sara disse...

seu comentário foi perfeito ANON 17.53HS, quando tomamos consciência do machismo que somos submetidas desde que nascemos, não ha outra alternativa, tb não acredito em EX-FEMINISTAS, o q existe é gente que nunca foi, e não tem informação nenhuma, e vem aqui na tentativa de criar constrangimentos, nada mais.

Na disse...

Um post muito interessante, entendo o fato de que as pessoas as vezes se cansam de tanto explicar a mesma coisa, porém compartilho do espírito utópico da Lola, me cansa mais do que explicar, tentar entender tantas atrocidades cometidas pela machismo, sim, acho mais revoltante a realidade da opressão do que a pessoa não esclarecida, e falo por mim tb, sempre tive visões feministas mas somente há uns três anos me declarei como tal, e ainda tenho diversas dúvidas e questionamentos, passo meus dias me monitorando e monitorando o mundo. Se desapegar de mitos e imposições é um exercício salvador e as vezes desgastante. Durantes as manifestações do ano passado eu já tinha ido em uma e tinha ficado abismada de maneira negativa, decidi não ir mais, porém pelo fb vi a marcha das vadias organizando de irem, pensei: nesse caso acredito na causa, então vou. Fui junto com uma amada amiga que ainda não entende bem o feminismo, uma amiga curiosa e sempre disposta a aprender, fomos mais cedo pois pensei que teria uma conversa, sei lá pensei que fosse legal conhecer pessoas que apesar de diferentes de mim compartilhavam em tese da minha maneira de ver o mundo. Não vou falar que a experiência foi péssimo pq lá conheci três garotas maravilhosas que estavam tão deslocadas como eu. Sabe, me sinto deslocada em ambientes machistas nunca imaginei me sentir lá sim. sem querer meter pau mas já metendo vou contar só um caso que me chateou muito lá: um cara visivelmente embriagado passou e começou a perguntar várias coisas idiotas sobre o estatuto do nascituro, uma moça de maneira bem educada e paciente começou a responder, em um determinado momento essa minha amiga resolveu falar alguma coisa, a moça que até então estava calma e paciente só respondeu já virando as costas para ela: não tenho paciência para falar com vc. Sério, cada um fala com quem bem quiser, mas perai, não devemos esquecer quem a sociedade oprime, sei lá, posso estar errada mas converso com vários homens sobre o feminismo mas meu amor profundo é qdo a conversa é com uma mulher, melhor ainda é qdo consigo desenhar e de que em algum modo isso a faça pensar e quem sabe como eu, um dia ela possa mudar!