segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

CRÍTICA: O LOBO DE WALL STREET / Melhor filme da safra

Vou falar com todas as letras: O Lobo de Wall Street (veja um trailer) é o melhor filme da safra do Oscar 2014, e talvez o melhor filme de 2013, ponto. 
Ok, quem sou eu pra falar? Não vi quase nada até agora, mas vi 12 Anos de Escravidão, Trapaça, Gravidade, Blue Jasmine, Álbum de Família, Clube de Compras Dallas, Walt nos Bastidores de Mary Poppins, Frozen, e Capitão Philips, e posso dizer: nenhum chega perto de Lobo
As memórias de Jordan Belfont já tinham inspirado um filme antes, em 2000, O Primeiro Milhão (trailer), mas aquele era um drama. Lobo é comédia. Jordan, interpretado magistralmente por Leonardo DiCaprio, foi mais um corretor de ações que ficou rico fazendo algo ilegal. Ele se vangloria de ter ganhado 49 milhões de dólares aos 26 anos de idade.
Jordan constantemente fala conosco ao narrar, e seu tom é sempre cínico. A ironia está presente tanto na narração, deixando claro que ele tem o controle (ele pausa a cena, muda a cor do seu carro, essas coisas), quanto na edição. Por exemplo, Jordan fala pra gente, sobre sua primeira vez com sua linda segunda esposa (a australiana Margot Robbie, agora uma estrela): "Comi ela pra c*ralho...por onze segundos". 
Ou quando Jordan insiste em ir com seu iate pra Mônaco, apesar do capitão alertar pra uma tempestade. Relutante, o pobre capitão, um empregado do ricaço, diz que a tempestade poderia causar a quebra de alguns pratos. E Jordan: "Pratos! O que são pratos?!" Corta pro maior maremoto já visto desde Mar em Fúria.
Uma das cenas mais memoráveis é o encontro no iate entre Jordan e o agente do FBI que quer pegá-lo. A cena, brilhantemente atuada por Leo e um tal de Kyle Chandler lindão, é um tentando enganar o outro, ao mesmo tempo que faz algumas perguntas sinceras (tipo: o agente não se arrepende de ser classe média e andar de metrô ao invés de ser um corretor de ações com um iate pra chamar de seu? Resposta, de acordo com minha interpretação: não. O agente é o único personagem de Lobo com alguma moral. E ele aparece pouco). Esse encontro é um dos muitos diálogos incríveis do roteiro.
Leo está espetacular na sua quinta colaboração com o consagrado Martin Scorsese. 
Leo é um grande ator, não há o que dizer. Ele é o filme, e não consigo imaginar outro em seu lugar. Não que algumas pessoas não tenham tentado: ficam imaginando o Christian Bale. Por quê? Sei lá, deve ser porque Bale interpretou (maravilhosamente) um outro filme importante sobre yuppies (ninguém mais usa esse termo, né? Significa young urban professionals), drogas, e anos 80 -- Psicopata Americano
Olha como o mundo é pequeno. Bret Easton Ellis, autor do romance Psicopata Americano, cara que manja tudo dos anos 80, disse num tweet que Lobo é o melhor filme de 2013 (somos dois). E Bale está em Trapaça, filme divertido (pero no tanto) que muitos dizem parecer com uma obra do Scorsese (só que Trapaça tem dois excelentes papéis para mulheres, coisa que Lobo não tem. E Trapaça não tem drogas! E é sobre os anos 70). 
Bale e DiCaprio vão se enfrentar agora na corrida do Oscar pra melhor ator, se bem que a única concorrência pro Leo é McConaughey. Não sei se alguém lembra, mas, originalmente, sabem que foi contratado para interpretar o lendário Patrick Bateman nas telas? Ele mesmo, DiCaprio. Foi a diretora Mary Harron que insistiu em ter Bale.
Por incrível que pareça, não há tantos filmes sobre esse período de excessos, sobre os anos Reagan/Thatcher, a chamada década perdida. Há Wall Street, Cobiça e Poder, que adota um tom moralista que Lobo obviamente não tem. Comparado a Jordan, Gordon Gekko parecia um homem com escrúpulos. E tem À Procura da Felicidade, que transforma todos os milionários em gente de bem. Poderia se chamar O Capitalismo é Lindo.
Lobo oferece vários papéis minúsculos que o pessoal chama de cameo: Matthew McConaughey, ainda magérrimo, como o mentor de Jordan em Wall Street (e principal concorrente do Leo no Oscar; McConaughey está tão marcante nos cinco minutos que aparece que ele quase foi indicado a ator coadjuvante por esse tempinho; aliás, a música que você vê neste trailer foi ele que inventou), e é o diretor Spike Jonze (cujo filme Ela concorre ao Oscar) que faz o chefe de Leo -- aquele que lhe promete sexo oral se ele vender dez mil dólares em ações.
E há uma série de participações formidáveis: 
Rob Reiner (diretor de Harry e Sally) como o pai de Jordan, o sexy Jean Dujardin (alguém se lembra que ele abocanhou um Oscar há dois anos por O Artista?) como o banqueiro suíço (um dos poucos personagens fora o do Jordan que nos possibilita conhecer alguns de seus pensamentos), Jon Bernthal (o policial Shane em Walking Dead) como o fisiculturista e traficante durão que mora com a mãe, e tantos outros.
E, lógico, tem o Jonah Hill, merecidamente indicado ao Oscar de coadjuvante. Jonah faz o melhor amigo de Jordan, e é tão desprezível quanto ele, senão mais, já que ele não tem muito carisma. 
O filme é longo demais (três horas!), sem dúvida, mas as primeiras duas horas passam voando. Eu não saberia o que cortar. Bom, talvez toda a sequência do mordomo gay, se bem que ela é engraçada. Talvez o joguinho entre Jonah Hill e Bernthal, que leva à prisão do cara? Não tenho certeza. 
Uma das sequências mais hilárias de Lobo, instantaneamente clássica, acontece quando Jordan e seu melhor amigo tomam algumas pílulas vencidas. É de rolar de rir. Certo, a cena de Jordan com paralisia cerebral se arrasta, quase literalmente, mas reduzi-la seria reduzir as risadas. É um grande momento da comédia. Certo, é bem sádico da nossa parte. Estamos rindo de alguém que tá quase morrendo. Mas ele que se dane.
Não diria nem que Lobo é o filme mais amoral dos últimos tempos. É imoral mesmo. A mensagem é que o sistema todo funciona pra que essa galera (homem, rico, hétero, branco -- acho que, entre dezenas de personagens, contei dois negros com falas no filme todo, ambos serviçais) leve vantagem. Pra que esse 1% possa explorar e extorquir os 99% restantes com completa impunidade.
A grande ironia de Lobo (e do capitalismo como um todo) é que, na vida real, Jordan passou uns meses numa penitenciária de luxo, jogando golfe, e saiu dela pra publicar um livro contando suas anedotas (livro transformado em dois filmes) e pra dar palestras motivacionais de vendas. E sabe quem são os maiores clientes de suas palestras? Os carinhas que ele roubou. Pelo menos o "homem médio", os carteiros e encanadores que ele roubava no começo, antes de pescar peixes maiores. Até parece que os espectadores das palestras condenam Jordan! Eles querem é ser como ele! 
O filme faz sim apologia às drogas (pense na energia maníaca de Trainspotting, mas sem bebês mortos ou amigos morrendo de Aids, ou seja, sem o lado ruim) e prova que o crime compensa. 
Pra quem, como eu, pensa que todos os corretores de Wall Street são vigaristas, que o capitalismo é uma fraude, bom, Jordan nunca seria um modelo de vida pra mim. Mas pra outras pessoas... É como o monólogo do Alec Baldwin em O Sucesso a Qualquer Preço: pode ser visto como inspiração para alguns e como exploração para outros (adivinhe de que lado eu estou? Mas não nego a força da interpretação do Alec).
Eu só não me revoltei com Lobo porque estava me divertindo demais pra isso, e porque adoro Scorsese, adoro Leo, adorei o ritmo frenético. Mas depois que o filme acabou, fiquei indignada, num nível menos macro e mais micro, mais pessoal. Pô, não existe justiça mesmo! Nem divina, nem terrestre! Os personagens de Lobo vivem bêbados, transam sem camisinha, contraem mil e uma DSTs, cheiram mais cocaína que o Scarface, misturam drogas, mal dormem... e não morrem! Nenhuma overdosezinha sequer!
Enquanto isso, euzinha, que definitivamente não levo uma vida de excessos -- meus únicos excessos são o vício em chocolate e o fato de passar horas diante de um computador -- tenho problemas no fígado. Justiça, cadê você?
Depois de ver Lobo eu consumi 300 gramas de chocolate de uma só vez. Só de revoltada.

Como esta crônica ficou gigantesca, aqui está a outra parte, mais relacionada a questões de gênero. 

45 comentários:

Flávia disse...

Também adorei O Lobo de Wall Street Lola e concordo totalmente com a sua crítica, é de longe o melhor filme de 2014 e do Scorsese com o DiCaprio.

A impressão que eu tive que Leo e o Johan Hill além de ótimos se esbaldaram no filme, completamente à vontade nos personagens. Mas nenhum dos dois leva o Oscar, o Matthew McConaughey acabou de levar o SAG junto com o Jared Leto.

O Christian Bale está concorrendo também merecidamente e assim como não dá pra pensar em nenhum ator no lugar do Leo em Wolf, também não conseguiria fazer isso em Psicopata Americano, o Christian entregou uma das atuações mais incríveis que eu já vi. Mas eu tinha ouvido falar que em Psico o Oliver Stone que dirigiria o filme e o Leo que já estava para assinar o contrato achou que seria muito chocante para o público depois de Titanic. Dizem que o Christian não suporta o Leo porque já perdeu um monte de papéis pra ele, inclusive o Don Cobb de A Origem.

Eu assisti American Hustle um dia depois de Wolf e apesar de ser um filme inferior e como a crítica Ana Maria Bahiana diz, um Scorsese light, eu gostei, e tem 2 personagens femininos muito bons, ao contrário de Wolf que se colocar uma boneca inflável no lugar das atrizes não vai fazer muita diferença.

Achei um absurdo a montadora do filme não ter sido indicada ao Oscar, a Thelma Schoonmaker, que conseguiu fazer um filme de 3h passar voando praticamente.

Anônimo disse...

Lola, quantos spoilers!!! Ainda bem que eu assisti o filme sexta passada, senão teria ficado muito brava!!!
Concordei muuuuito com você. Apesar de toda a desigualdade e do tratamento desprezível dado às mulheres no filme inteiro (que espero que você aborde na sua próxima crônica), eu não conseguia parar de rir. O filme é incrível!
Coloque um aviso de spoilers pelo bem de quem ainda não assistiu!!!

Talita disse...

Ainda essa semana quero começar uma maratoninha pra ver alguns filmes do Oscar, agora estou super empolgada pra esse!!!

Lola, AMO suas criticas de cinema, li seu livro tão rápido e fiquei com vontade de ficar relendo infinitamente ;)

Anônimo disse...

Achei que vc fosse comentar a participação feminina no filme e o fato de ter passado batido pela mpaa praticamente.. Os comentários q li desde que o lobo estreou envolvendo o machismo no filme me fazem não querer vê-lo..

Kittsu disse...

MUIÉ! eu assisti um filme chamado "relação explosiva" (2012) ontem e achei muito comédia. Na minha opinião, deve ser alguma espécie de humor nao-intencional que só quem é envolvido com ativismos sociais (seja a favor, seja contra) consegue sacar na totalidade. morri de rir por quê em muitas falas rolaram umas identificações do tipo "porra, eu tenho certeja que eu já falei isso!". Acho que abordou QUASE TODOS os assuntos possiveis para ativismo (animais, feminismo, racismo, queer, ecologia). E ainda conseguiu ser politicamente correto sendo completamente politicamente incorreto (isso é possível!?). achei demais.

Anônimo disse...

Os personagens do filme não respeitam as mulheres mesmo, nem as mulheres nem ninguém. De fato, eles não respeitam os clientes, os passageiros de avião, a polícia ou qualquer lei (nem as da natureza). Mas tô contigo Lola. Amei o filme, só que, ao contrário de vc não me revoltei com o final. Já sou revoltada com a vida real que está muito bem retratada. Eles poderiam ter feito um filme com final moralista, o bem vencendo o mal. nesse caso, seria só mais uma bobagem moralista dedicada a nos mostrar que o bem sempre triunfa. Assim, voltamos a nossa vidinha acreditando que vamos encontrar a redencao no fim do tunel. Achei muito bom e nao duvido nada que tenha muita gente que queira ser como o cara, mas isso é problema das pessoas, nao do filme.

Paula disse...

poxa, só eu que achei esse filme uma merda??

confesso que ele ganhou a minha antipatia logo nos primeiros 5 min, entre "essa aí é quem tá com o meu pau na boca dela" e o cara cheirando cocaína do c* de outra mulher...

quase saí so cinema quando rasparam o cabelo da secretária!

achei o filme simplesmente mais do mesmo: a vida de drogas, sexo depreciativo e muito dinheiro a custo do fracasso alheio é ótima até vc ser pego...

eu já tinha visto isso em Madame Hollywood (filme bem melhor, diga-se de passagem)...

Vitor Ferreira disse...

Lola, sabe Quero Ser John Malkovich? Trapaça deveria ser chamado Quero Ser Scorsese. Mas é totalmente sobreatuado e sem a mesma coragem que Scorsese tem. Os excessos que esses ambientes retratados tem, David O Russell transferiu pras caretas, perucas e berros dos atores. E justamente quando ele tenta fazer algo como Scorsese, o dito cujo dá-lhe um belo tabefe na cara mostrando como é que se faz de verdade.

Mas aí tem a famigerada campanha monstruosa de marketing, que vende gato por lebre, e entre tantas, fez a Academia acreditar que Crash é melhor que Brokeback Mountain.

Eu não cheguei a amar o filme pela minha total falta de simpatia ou empatia por qualquer ser daquele filme. Sabe quando você quer que todos eles se explodam? Foi minha sensação. 12 Anos de Escravidão continua sendo meu filme favorito da temporada.

Já o Kyle, Lola, fez fama fazendo seriados de TV. Fez Early Edition e Friday Night Lights, e ano passado fez Argo (foi um dos agentes do FBI ou CIA, não lembro mais). E Jonah eu achei exagero ser indicado ao Oscar. Daniel Brühl merecia mais.

Aninha disse...

Mais um entrou para lista do que eu quero assistir.

Beatriz Alencar disse...

O filme parece ser muito bom, mais vindo de Scorsese não tem como ser ruim!

Lola se puder escreva sobre o favorito a Melhor Filme - 12 anos de escravidão e o favorito a melhor animação - Frozen.

lola aronovich disse...

Bah, Vitorzinho, o Jonah Hill tá ótimo! Eu não vi Rush, nem sei se quero ver, mas a indicação pro Jonah foi super merecida.
Eu revi Trapaça depois de ver Lobo e admito que o filme caiu muito no meu conceito. Prefiro mil vezes o ritmo de Lobo. Não sei, não achei Trapaça tão Scorsese-wannabe assim como todo mundo tá falando, só achei que não é um filme que entrará pra história de jeito nenhum. Acho que ele tá correndo o risco de não ganhar nenhuma estatueta, já pensou? Acho que 12 Anos vai ganhar filme, e Cate vai levar atriz mesmo, e possivelmente, Lupita melhor atriz (porque a Jennifer acabou de ganhar). Mas pra ator, dane-se o Actors' Guild, tô cada vez mais achando que o Leo ganha.
Mas sabe, depois de ver Lobo e Trapaço, fiquei pensando porque Trapaça pegou essa vantagem toda sobre Lobo, que é um filme tão melhor. E acho que é pelo lado moral, não acha? Trapaça tem personagem punido, tem personagem que se arrepende, tem todo um lado moral. E Lobo não tem nada disso.
Ah, eu quero um Kyle Chandler pra mim! Lindo! Creio que me lembro dele vagamente em Argo, mas nunca vi essas séries, então pra mim ele era um completo desconhecido mesmo.
Ah, ontem vi aquele filme que vc não conseguiu ver, HER. Não curti muito não. Certamente é o filme mais superestimado do ano. O Rotten Tomatos dá nota 94 pra ele. Pelamor! Definitivamente eu não entro no hype pelos filmes do Spike Jonze...


Ih, Beatriz, eu teria que ver 12 Anos de novo, porque acho que foi o primeiro ou segundo filme do Oscar que eu vi... Frozen eu achei bonitinho, mas não tenho tanta paciência pra escrever sobre animação. Vou ver se arranjo um tempinho.

Vitor Ferreira disse...

Melhor ator é a categoria mais embolada. McConaughey ganhou tudo até agora, então tá na dianteira. Mas Leo tem aquele voto sentimental, pois nunca ganhou, e por estar ótimo no filme. E tem Chiwetel, já que a Academia tá numa fase de premiar negros, desde Halle e Denzel. Os três talvez se anulem (tipo 2003, com Daniel Day-Lewis, Nicolas Cage e Jack Nicholson) e dê uma zebra (Adrien Brody, nesse exemplo de 2003), e, sei lá, Bruce Dern vença.

O que me irrita em Trapaça é ser um filme frouxo, sem "balls" (pau-molice, na gíria modernex brasileira). E o ritmo é meio lento pro tipo de enredo. Mas AMEI a trilha sonora 70's. E o único personagem que faz a "coisa certa" é o que se lasca no fim. Então a moral do filme cai por terra, pra mim. No quesito o mundo é dos escrotos e mais espertos, Lobo se saiu muito melhor ao articular a mensagem.

A vantagem dele acho que é o marketing mesmo. E por Russell estar na moda, desde The Fighter e Silver Lingings.

Não sei se você notou, mas o Jordan verdadeiro aparece no fim do filme, anunciando o Jordan do filme (DiCaprio) antes de uma palestra. Ele parece muito mais com, sei lá, Scott Baio do que com o DiCaprio.

Early Edition é um seriado 90's, quando o Kyle era novinho (passava na Record ou na Band, acho), em que todo episódio ele recebia um jornal do dia seguinte e tinha que evitar algo ruim de acontecer, um crime, acidente, ou coisa do tipo.

Fiz um esforço e terminei de ver Her ontem. Confesso que pelo menos o fim eu achei menos constrangedor que o resto do filme. Sei lá, qualquer pessoa que começa a manter um relacionamento amoroso com um computador que raciocina e se emociona (???!!) deveria ser um doido varrido delusional completo amarrado na corrente ou pelo menos ficar questionando sua sanidade.

Mas Lola, ontem também vi um filme MUITO absurdo chamado Movie 43 (Para Maiores, no Brasil). Ele é tão horroroso que você não consegue parar de ver. O filme tá virando cult desses de tão ruim, e por reunir um elenco mega-estelar, que sabe-se lá por que aceitou embarcar nessa furada. Tem Kate Winslet, Hugh Jackman, Halle Berry, Richard Gere, Naomi Watts, Emma Stone, Dennis Quaid, Julianne Moore e mais um monte de famosos.

helena marenz disse...

Eba! Vou ver Lobo bem longe de uma barra de chocolate, rs

Anônimo disse...

Olá Lola!
Coincidentemente, assisti ao filme ontem. E achei fantástico. Gosto do Leonardo DiCaprio desde minha adolescência, e considero que a cada ano, vem evoluindo como ator. A interpretação foi frenética! Ele toma a tela. Eu, honestamente, nem me liguei que o filme durava três horas, acredito que pelo ritmo mesmo.
Sobre o que você cita no fim da crônica, eu cheguei a ler rapidamente em algum lugar antes de ver o filme, que houveram críticas a respeito da maneira como os yuppies foram retratados, como se fosse algo positivo, e que não deveria ser assim. Eu discordo. Não considero que o filme faz uma imagem positiva daquele universo. Ele faz a imagem do que é, e é isso. E é da maneira que você colocou, não é justo mesmo. E quem disse que capitalismo é justo :) Justamente por isso, o mundo que eu quero é outro, rs.
A verdade é bem essa, muita gente enriqueceu daquele jeito, fraudando, cometendo ilícitos, e gastando o dinheiro da maneira mais ególatra e hedonista possível. Sendo escroto de maneira geral, e com as esposas, tendo esposas troféu, tendo amantes, usando drogas a rodo, e, considerando que através do dinheiro, se fica acima de qualquer coisa. A cena do iate demonstra isso.
Aguardo a discussão sobre gênero, que a partir desse filme, dá mesmo pano pra manga.

Abraços,

M.

Ana Carolina disse...

Adorei sua crítica! Deu vontade de assistir!!!

Vitor Ferreira disse...

Falando um pouquinho sobre questões de gênero, do alto da minha posição semi-leiga sobre o assunto, não achei o filme em si machista. Machista é o ambiente em que aqueles indivíduos vivem, e com muito pouca presença feminina, que se resumia a aquilo mesmo, esposas troféu que vivam de gastar fortunas com grifes, spas e afins, secretárias e prostitutas. Não há outra forma de se retratar esse universo. A não ser que queiram maquiar a realidade, à la Walt Disney em Saving Mr. Banks.

Não acho que o filme condene exatamente o capitalismo e todo aquele consumismo, ele deixa pra cada um tirar suas conclusões. Vai dos valores de cada um. Com certeza gente como eu vai achar aquilo tudo deplorável, enquanto outros vão achar o máximo, sonho de consumo. Tem gente pra tudo, né? Tem quem considere Donald Trump e Roberto Justus verdadeiros gurus.

LeiDe Mamariquinha disse...

Nao vi o filme mas pelo o que comentam deveria ser sincero,dizer na cara dura sou misogino mesmo.
Por que tem criaturas que de tao alienadas acha q isso é o certo.Fas desses comediantes como Gentili e cia.


O problema é que sempre sempre mulheres sao retratadas assim,nao sao filmes exceçao.

Anônimo disse...

Leo di Caprio vem fazendo muitos filmes bons atualmente.

Por que você faz poema? disse...

QUem é voce?
Ninguem, realmente.
Cresceu, mas ainda nao tirou o poster de Dicaprio do quarto.

lola aronovich disse...

Quem sou eu? Meu nome é Lola, tá no perfil. Tenho 46 anos, então nunca tive poster do DiCaprio no quarto. Quando Titanic estreou eu já tinha 30 anos. Mas gosto muito do trabalho do Leo desde, sei lá, Aprendiz de Sonhador. Não considero o Leo muito bonito. Talvez ele tenha uma beleza convencional, mas não é marcante. Talvez ele fique mais atraente com a idade... Mas o que importa é que ele é um ótimo ator. E merece um Oscar!
E por que estou respondendo seu email? Porque estou fazendo 1001 coisas ao mesmo tempo e li assim: "Ninguém, realmente, cresceu..." Agressivinho vc, né?

Juliana disse...

Mas o DiCaprio é talentoso desde novinho. Ele fez um filme cabuloso que ele se envolvia com drogas e se prostituía no filme,Diário de um adolescente, quando tinha mais ou menos uns 14 anos e se saiu super bem.
Mas daí só ficou conhecido por Titanic e Romeu e Julieta, mas engraçado que as atrizes que fizeram par romântico com ele também são extremamente talentosas. Só porque o ator foi uma estrela teen não quer dizer que ele não tenha talento.
Sobre a beleza do DiCaprio se ele dependesse para continuar em Hollywood, ele tava fodido, porque ele não tá lá envelhecendo muito bem não.
Poxa Lola, num morre ninguém no filme? Então não vou ver. XD

Anônimo disse...

Não vamos citar a misoginia no filme e o fato das mulheres terem sido usadas como objetos apenas para mostrar a falta de escrúpulos por parte dos homens?

Podem não ter muitos filmes nessa linha de yuppie, mas filmes mostrando homens pisando em mulheres vemos aos montes. Vale também lembrar as críticas dos injustiçados por Jordan que veem o homem ganhando dinheiro com isso tudo (tem até um vídeo no yt com o Leonardo promovendo o trabalho dele como palestrante) e do fato de ter tido uma classificação etária menor do que por exemplo um filme com cena de sexo oral em uma mulher (tipo aquele com a Evan discutido um tempo atrás). Uma das mulheres que participou de uma das cenas de orgia escreveu um texto que por exemplo continha o fato do seu ''teste de elenco'' ter sido feito em frente ao elenco principal do filme (mesmo quem mal apareceu como o matthew).

Mariana disse...

Oi, Lola!

Não estava planejando assistir a esse filme, apesar de todo o bafafá. Vi o trailer e achei que seria puro machismo e misoginia, mas é assistível então?

E tem também esse artigo aqui, o que você acha? "Can We Talk About The Rape Scene In The Wolf Of Wall Street?" http://groupthink.jezebel.com/can-we-talk-about-the-rape-scene-in-the-wolf-of-wall-st-1491757854

Letícia disse...

Lola, esperava ver você conetando sobre Capitão Phillips. Apesar da coisa de negros x brancos, o filme conta uma história real.

Luan Crespo disse...

Lola! Adoro suas críticas/crônicas de cinema! Me divirto muito lendo e discutindo mentalmente com você sobre os filmes...Ainda não vi O Lobo, mas vou certamente vou conferir.

Julia disse...

Eu também to achando que esse filme é meio machista. To tentando evitar a fadiga e ainda não assisti.

Vou esperar sair o post sobre relações de gênero no filme.

Anônimo disse...

Me desculpe mas achei o pior filme da minha vida. Podia contar a história do cara mas sem tanta pornografia explícita. Se eu quisesse ver pornografia alugaria um filme pornô e não iria no cinema com a minha família. Péssimo, de mau gosto Várias pessoas deixaram o cinema no meio do filme. Vcs acham q só pq tem gente famosa é bom e tem que aplaudir. Horrível.

Roxy Carmichael disse...

ainda não vi, mas pelo trailer não me deu vontade. justamente pelo ritmo, da combinação montagem assim vertiginosa, roteirinho-respostinhas-na-ponta-da-língua. mas gosto da parceria leo/Scorsese (menos de gangues de ny), especialmente em the departed. personagens femininas nunca foram o centro das narrativas dele, e não vejo o menor problema nisso, scorsese se especializou em retratar comunidades bem masculinas, espécies de famílias só de homens que problematizam lealdade, camaradagem, não necessariamente baseadas em consaguinidade, com foco em organizações criminosas e ele faz isso muito muito bem com sagacidade e até certa sensibilidade assim mais durona, eu particularmente gosto muito disso. das (poucas) mulheres de Scorsese eu gosto muito de sharon stone em casino. mas o negócio é que esses filmes sobre wall street e seus lobos meio que não despertam muito meu interesse, ainda que ache super válido, relacionar crime aos ricos, diferentemente do brasil, que quase nunca as questões sociais/econômicas são problematizadas desde o lugar dos ricos. é sempre aquela coisa dos pobres de matando entre si, como bárbaros completamente desconectados da sociedade.

dos filmes do oscar só vi mesmo álbum de família. não tive tanta vontade de gravidade, me dá certa agonia isso de filme de gente a deriva no mar, no espaço, no teleférico da estação de esqui, nem de trapaça. 12 years a slave talvez, mas ando muito sensível com esse cinema de tortura (ainda que nesse caso justificada em função de retratar escravidão)

Cristiane disse...

Quanto moralismo criticar o "excesso" de pornografia do filme.
A ironia do Scorsese tá todinha lá, inclusive no excesso em tudo: o filme é longo demais, eles falam palavrão o tempo todo, usam drogas demais, transam demais, são machistas demais - lógico! os yuppies algum dia não foram??
Os personagens são imorais, como disse a Lola, porque são mesmo.
Ou alguém acha que um cara que fica milionário vendendo ações de empresas que não valem nada pra trabalhadores tem alguma moral?
Ah, por favor.
Já dizia o Veríssimo que ironia é uma das coisas mais difíceis de serem compreendidas.
Quem sou eu pra discordar.
Mas Lola, também achei fiquei pensando: pô, ninguém vai ter uma overdose? Ou pegar AIDS? Ou bater o carro bêbado? Nada? Nadinha? ;))
Abração pra ti.

Anônimo disse...

Olá,

pra começar, fiquei espantado com a consideração do filme simplesmente como uma “comédia”. Imaginei que o rótulo ia ser problematizado ao longo do seu texto, no entanto, pelo contrário, ele foi reafirmado, com menções a cenas “de rolar de rir”. Classificar um filme “Hollywood” como comédia é sempre arriscado e pode ser redutor. A mim, parece certo que o filme tem cenas de claro tom cômico, mas isto compõe sua atmosfera como um todo que, conforme bem apontado por você, é narrado por Jordan em uma ironia, pernosticismo, superioridade, cinismo quase insuportáveis. Ou seja, tudo o que vemos está filtrado pela opinião do nosso asqueroso personagem-narrador, inclusive as ditas cenas cômicas, que são engraçadas desde o seu (de Jordan! para não haver mal entendidos) ponto de vista, estão associadas ao seu conceito de humor, de felicidade, de sucesso, de amor, de sexo: de sua visão de vida, enfim.

As cenas são risíveis? É claro (em minha experiência pessoal com o filme, ri pouco, mas não passei incólume ao senso de humor de Jordan). Mas, neste filme, uma pergunta trágica é importante: por que rimos de algo que o ricaço sem escrúpulos acha engraçado? O filme, magistralmente, não responde, mas causa a incômoda identificação do espectador com aquela figura socialmente repugnante. O poder de influência de Jordan, no fim das contas a qualidade que lhe permitiu brilhar no mundo business, de tão bem representado no filme atinge o espectador que, mesmo diante do ridículo do mundo financiado pelo dinheiro infindável (seus excessos, seu superficialismo), se sente atraído por sua lógica. Na minha opinião, o maior poder crítico do filme está nessa ambivalência, onde nós, cidadãos de classe média de um país nas beiras da economia mundial, namoramos a promessa de felicidade capitalista, mesmo diante da degradação que ela implica.

Anônimo disse...

(...) continuando

Gostaria de me arriscar a estender a análise a uma questão na qual você não entrou, mas que parece ser cara a você e à maior parte dos seus leitores: a discussão de gênero, que também está relacionada ao mesmo problema do “foco narrativo”.

Discordo plenamente de quem viu no "Lobo" um filme machista. Isso é tão inocente quanto vê-lo como apologia ao capitalismo ou às drogas.
Pra tentar me explicar, vou recorrer a uma obra bem conhecida dos brasileiros: o "Dom Casmurro", de Machado de Assis. A crítica mais usual reconhece entre os vários pontos de genialidade deste livro um construto textual onde Bentinho conta sua história com o objetivo de aliviar a sua barra e mostrar que foi vítima das circunstâncias, apesar disso seu tiro sai pela culatra e, ao fim do relato, seu interlocutor fica com a forte suspeita da culpa do personagem-narrador e ainda reconhece nele marcas de dissimulação, indiferença, machismo.
A estrutura parece familiar? Não me interessa aqui aprofundar a comparação, mas acho que ninguém acharia absurda a conclusão de que, neste aspecto, o efeito da narrativa em primeira pessoa de Jordan é semelhante a do nosso Bentinho.
Se é assim, voltamos ao fato de que nossa visão sobre os fatos é mediada por Jordan, logo, vemos tudo de sua perspectiva extremamente machista. Portanto, não haveria outra maneira para as mulheres aparecerem em seu relato. Do contrário, estaríamos de frente com uma falha de incoerência do enredo ao se considerar o “todo” da obra.
Ora, na visão de Jordan e dos seus iguais as mulheres surgem como objeto, completamente desumanizadas: são vistas como parte do mundo dos negócios que gerenciam, funcionando continuação do trabalho, no alívio da tensão pelo sexo, por isso não valem mais do que a masturbação (aludida em uma das primeiras cenas), as drogas ou os jogos bizarros propostos por Jordan nas comemorações.

Penso que a questão poderia ser bem complexificada se fosse analisado o modo como o filme trabalha as relações de Jordan com suas duas esposas (inclusive um dos pontos centrais para a discussão de gênero parece estar no conjunto de cenas em que acompanhamos o pedido de divórcio de Naomi), mas o espaço/tempo não permite a discussão.

Anônimo disse...

(...) encerrando

No fim das contas, pra mim, o grande feito do filme é conseguir transformar toda a afirmação da opulência primeiro-mundista, rica, masculina e branca (matéria do livro do Jordan real) em sua própria destruição diante do espectador. Na urdidura do filme de Scorsese, a mesma estrutura em que Jordan conta a sua história, depõe contra si.

Vitor Ferreira disse...

Anon 08:45, me desculpe, mas retratar um ambiente em que se abusa da promiscuidade e drogas sem usar do que você chama de "pornografia" é simplesmente maquiar uma realidade, censurar. Vender gato por lebre. E basta só ver o trailer pra saber que tipo de filme Lobo é. Se você se ofende tão facilmente com esse tipo de conteúdo, vai ver só filme bíblico ou desenho da Disney então. Existe a faixa etária também pra saber que tipo de conteúdo o filme pode ter.

Roxy, eu também quase não assisti por detestar esses tipos humanos do filme. Mas como sou cinéfilo, acompanho premiações, escrevo um blog (que anda meio abandonado), admiro Scorsese e DiCaprio, e trabalho na área, me vi meio que na obrigação de vê-lo.
E tenho essa mesma opinião sua. Pelo menos é interessante ver que há uma mentalidade que difere da nossa em relação à criminalidade.

Edegar Belz disse...

Desculpe minha ignorância, mas como você (e tantos outros que comentaram) já assistiram o filme antes da estreia?
Moram todos nos EUA?

lola aronovich disse...

Edegar, já ouviu falar de internet? (mas não espalha: baixar filme na internet é ilegal).

Edegar Belz disse...

Que beleza de resposta.
Imaginei que fosse pirataria. Apenas me recusei a acreditar que alguém que parece ter alguma cultura se utilizasse dessa prática sem pudor algum.
Além de estar colaborando com a pirataria, suas críticas sobre filmes ainda não lançados no cinema a incentivam.
Depois, como reclamar de nossos políticos, se até os pequenos formadores de opinião, como esta blogueira, admite e incentiva o mal feito?

Julia disse...

Baixar é ilegal?? Achei que só copiar e distribuir fosse ilegal..

Então eu sou uma criminosa???
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Julia disse...

Eu to com esse filme baixado, mas estou com uma preguiça de assistir.. ao mesmo tempo que eu quero assistir.

Alguém pode me indicar um filme feminista pra eu me desintoxicar depois? É sério.

Obrigada.

sigarofalo disse...

Oi, Lola! Sendo objetiva: por favor, coloque o nome dos filmes entre aspas! Sigo seu blog pelo meu feed e ele não diferencia itálico, quando encaminho para alguém sem html no e-mail isso acontece também. Como gostamos muito do seu blog, coloca entre aspas que fica mais fácil pra gte! Valeuz! :-)

Anônimo disse...

Olá, Lolíssima!

Adorei a resenha e quero muito assistir!

Junior disse...

Assisti no fim de semana e odiei o filme. Não achei nem 30% da graça que as pessoas estão achando. Achei longe, arrastado, não sei se é porque o tema ficar rico a qualquer preço já me causa nojo só de pensar, mas o filme parece uma refilmagem de catch me if you can, + cinismo e drogas.

Bruno Rosa disse...

vi o filme ontem, e tem personagem que morre de overdose sim.

é um ótimo filme, mas ainda prefiro Gravity pro Oscar.

Marcos Silveira disse...

Respeito a opinião de todos, fui assistir em Caxias do Sul, plateia com 50% de ocupação, sai antes da metade, eu e mais umas 20 pessoas. Desculpem mais em minha opinião é uma bosta.
Marcos Silveira

Natascha Fox disse...

Lolinha, achei muito bom o filme, mas confesso que a última hora se arrastoooou. Muitas reviravoltas, já não aguentava muito. Confesso que me aborreceu o que na hora me pareceu apologia as drogas, mas agora vejo de outra forma. Acho que não poderia ser de outra forma, porque eh assim que o personagem narra a própria vida(imagino que no livro). E no fim não dá uma sensação de nojo em releção a ele? Mas claro, pode ter gente que se deixa impressionar. Pra mim foi um retrato muito claro da podreira capitalista. Bjinhos

Valentina disse...

El lobo de Wall Street, película de inútil larga duración que, por eso mismo, de pronto, ofrece secuencias que la salvan del desastre.

Pasados los momentos de genialidad narrativa (como la conversación del corredor de bolsa, en su yate, con los detectives a los que él busca sobornar), otras secuencias de la trama son reiterativas, aquellas son más lentas que el paso de un buey y algunas sufren de excitación innecesaria.consultoria medicina pediatria medicina medicina dermatologia veterinaria veterinaria veterinarian online especialista abogado españa abogado colombia abogado mexico abogado españa derecho psicologia medicina psicologia derecho psicologo Hay repetida sobreexposición de algunos acontecimientos secundarios que disminuyen el dinamismo dramático del argumento. Por ejemplo: para indicar que hay una orgía de drogas y sexo, podrían bastar pocos minutos para entender por dónde anda la procesión. Pero no es así.