sexta-feira, 9 de agosto de 2013

SOBRE O POST DO ESTUPRADOR ARREPENDIDO

O post que publiquei anteontem, que começa com o relato de um estuprador arrependido, que diz ser um monstro, e continua com uma crítica ao punitivismo excessivo de muitas feministas, está me rendendo uma porção de críticas. E isso que eu não tenho Facebook, então só estou acompanhando o que chega até mim. 
Tipo: tem uma leitora anônima exigindo que eu não me auto-intitule feminista nunca mais. Outra, esta querida e com nome, dizendo que eu deveria entregar a confissão dele à polícia. Outra, esta não tão bacana, torcendo para que eu seja estuprada, aí sim eu aprenderia a empatizar com as vítimas.
E há muita gente que se sentiu mal em ler o post. Transcrevo aqui o email que recebi ontem da C.

"Fui estuprada por volta dos meus 7 anos de idade por um parente, muito parecido com essa história que o T. contou. Por muito tempo me perguntei se ele sabia o que tinha feito, se ele tinha passado por algo parecido e por isso tinha feito aquilo. Foi só por volta dos meus 18 anos e com a ajuda das minhas amigas feministas que finalmente aceitei que o que ele fez comigo foi horrível, injustificável, imperdoável.
Você diz que é coisa de reacionário só se preocupar com a punição do estuprador. Você diz que o feminismo deve reabilitar essas pessoas e não excluí-las. 
Você diz que um pedido de desculpas poderia ajudar a vítima a ter um encerramento. Diz também que nunca passou por isso. Pois bem, sou alguém que passou por isso. E tive muita sorte de encontrar pessoas que nunca duvidaram da minha história, mas conheço muitas que foram postas em dúvida, muitas que veem os amigos sendo amigos do estuprador. E acho que posso falar em nome delas que nós queremos excluí-los, nós não queremos um pedido de desculpas, nós não nos importamos com o bem estar de nossos estupradores.
E te digo que você não tem o direito de me dizer que eu não posso querer o mal do meu estuprador. Eu não tenho obrigação nenhuma de perdoá-lo ou de querer a reabilitação dele. Você não pode excluir a mim, minhas amigas ou qualquer outra mulher do movimento por querer isso. Você não pode nos rotular de reacionárias.
Enfim, não sei se esse cara está de fato arrependido ou não, mas pouco importa se ele não consegue dormir à noite e está mal com o que fez. Porque tenho certeza que suas vítimas passam por coisas bem piores. 
O que eu sei é que senti um nojo tremendo de ler esse seu post, mas não falo nada disso pra te atacar. 
Assim como você não pode decidir as posturas feministas, eu também não posso. Mas acho que você deveria pensar melhor na hora de falar sobre um assunto tão traumático quanto esse, algo pelo qual você não passou e portanto não entende, tenho certeza de que não fui a única que ficou mal com as suas palavras. Coloque as vítimas à frente da consciência pesada e do mal estar do estuprador."

Sinto muito pelo que você passou, C. Eu particularmente não duvido das vítimas. Empatizo com elas. Inclusive, já publiquei mais de quarenta guest posts de leitoras narrando o abuso que sofreram, e outros oitenta textos meus falando sobre estupro, ora por um viés mais teórico, ora através da análise de algum caso mais famoso, ora através da crítica de obras de ficção. Tem machista que diz que sou obcecada pelo tema. Deve ser porque toda mulher tem uma história de horror pra contar.
E este nem foi o primeiro texto que publico de um estuprador. Em dezembro publiquei um de uma estupradora que tinha dúvida se o que ela havia feito foi estupro (sim, foi, na minha opinião). 
Creio que há gente que não entendeu bem o que escrevi. Eu não disse que feministas são reacionárias. Eu disse que não podem ser. Pra mim, reaça é aquele que, entre outras coisas, é contra os direitos humanos. Aquele que adota como slogan "direitos humanos para humanos direitos". Aquele que quer castração e pena de morte para estuprador. Aquele que aplaude a ação policial que matou 111 presos no Carandiru em 1992 (entre eles, decerto, alguns estupradores). Aquele que, como Bolsonaro, acredita que no massacre "perdeu-se a oportunidade de matar mil lá dentro". 
Aquele que defende a tortura. Aquele que defende a redução da maioridade penal, primeiro para 16 anos, daqui a pouco para 6 anos. Você é feminista e tem essas posturas? Acho que você deveria repensá-las.
Eu não disse que o feminismo deve reabilitar pessoas. O sistema penal deve reabilitar pessoas. O feminismo, como parte dos direitos humanos, deve acreditar na reabilitação das pessoas. A minha pergunta é: o punitivismo é tudo que queremos? Punir resolve? 
Punir faz parte da pena, e em nenhum momento estou abrindo mão da punição. Mas, como citei no exemplo da violência doméstica (que ninguém rebateu), punição não é suficiente. Atenção: apontar que só punição não basta não equivale a desprezar a punição. Estupro é o crime que menos rende condenações. Poucos casos são denunciados e, entre os que são, apenas 2% terminam em condenações penais. Eu quero punição de estupradores. Mas quero também reabilitação.
Sobre o caso específico do T., tudo que tenho dele são dois emails, numa conta com nome fictício, que provavelmente foi criada só pra se comunicar comigo. Pode ser que ele não esteja arrependido. Pode ser que ele nem estuprou alguém. As pessoas inventam histórias na internet (e fora dela também). Mas tenho como regra crer no que os leitorxs me escrevem. Não tenho tempo nem vontade de investigar ou duvidar de cada email que recebo.
Minha interpretação dos emails de T. é que ele abusou de sua irmã e de seu primo quando eles eram crianças, e que T. também era menor de idade quando isso aconteceu (ele se identificou com este guest post; faz dez anos da última vez; ele não começou sua vida sexual). Semana passada recebi dois emails que me chamaram a atenção: um de uma moça que, quando tinha cinco anos, foi bolinada pelo irmão de oito. Ela queria saber: foi estupro? Outro de um rapaz que, tempos atrás, quando tinha doze anos, abusou de uma prima muito menor. Devo recomendar que este rapaz se entregue à polícia?
Eu não publicaria jamais o relato de alguém que se orgulha de ter estuprado uma pessoa (ou um animal). Mas pra mim é válido o relato de um homem que se arrepende do que fez, que sofre com isso, que foi ele mesmo vítima de abuso na infância, e que aprendeu, através de blogs feministas como o meu, que o que ele fez foi estupro. Porque boa parte dos estupradores nem sabe que estuprou.
Não existe céu feminista. Não tenho a menor intenção (nem poder) de cassar carteirinha de alguma feminista. Em momento algum eu disse como vítimas de estupro devem se sentir ou agir. Entendo perfeitamente uma vítima que não perdoe nunca quem a estuprou, e que nutra sentimentos de vingança por ele. Mas esse sentimento pessoal é um pouco diferente de concluir que a reabilitação não importa. Ou de exigir pena de morte e castração para todos os estupradores. E, novamente, se você pensa assim e é feminista, tudo bem. Mas não considero esse tipo de pensamento condizente com a defesa de direitos humanos. 
Se me permite uma comparação, acho que esse punitivismo excessivo (ou seja, a preocupação apenas em punir, não em reabilitar) tem algo em comum com a reação de quem lê um post do qual discorda e, por conta dele, decreta que tudo que está num blog, incluindo todos os posts passados e futuros e a índole da autora, não presta. Vivo repetindo: vamos aprender a discordar. Há uma distância entre criticar um post e chamar alguém de mau caráter ou lixo humano. Já fui chamada disso noutras ocasiões por feministas que discordaram de mim em algum ponto. 
muita gente que discorda sem agressões, lógico. Li críticas de que estou querendo substituir punição por arrependimento, e que quero "cristianizar o feminismo". Arrependimento, perdão e culpa não são sentimentos exclusivamente religiosos. Eu sou ateia, fui ateia durante 90% da minha vida, fui criada sem religião (nem batizada eu sou, e admiro muito meus pais por essas decisões), e tenho esses sentimentos. Associar perdoar, se arrepender, se culpar apenas com cristianismo equivale, pra mim, a dizer que ateus não têm valores. Se pegamos valores tão comuns e os tacharmos de religiosos, não vão sobrar muitos valores pras pessoas não religiosas.
Ah, outra coisa: várias pessoas nos comentários mencionaram O Lenhador, com Kevin Bacon. Vi o filme já faz um tempinho (trailer aqui e aqui) e ele é bastante perturbador, assim como qualquer obra (ou post) que foca num personagem que cometeu um crime hediondo. Porque não tem jeito: focar nessa pessoa é humanizá-la, e o que mais queremos é considerar estupradores, pedófilos, assassinos uns monstros. Assim não precisamos pensar muito no que eles fazem. São monstros. Pessoas "normais" não estupram nem matam. É triste que qualquer estatística desminta esse senso comum.
O Lenhador é sobre um pedófilo que sai da cadeia após doze anos cumprindo pena. Ele tenta reerguer sua vida, mas as suspeitas das pessoas são sempre muito fortes. E eu acho isso justificável. Abusadores muitas vezes são criminosos recorrentes. Se eu fosse mãe, detestaria ter um pedófilo perto da minha casa e das minhas crianças (mesmo que seja um pedófilo que se mostre arrependido e que já pagou pelos seus crimes). 
Mas, pensando no cara: se ele foi punido e está aparentemente reabilitado, não seria errado persegui-lo? Distribuir folhetos em sua vizinhança dizendo que ali mora um pedófilo, pichar sua casa, ameaçá-lo de morte -- tudo isso não vai contra os direitos humanos desse cara? Ou ele não merece direitos humanos, porque direitos humanos devem ser apenas para humanos direitos? 
É complicado, e é essa reflexão que quero propor. No caso de um pedófilo que foi condenado, cumpriu pena e saiu, acho bem razoável proibir que ele tenha qualquer contato com crianças. Em O Lenhador, o personagem interpretado por Kevin Bacon tem uma casa bem em frente a uma escola. Aí não, né? É possível passar a vida sem grande interação com crianças, e pra mim parece certo exigir isso de um pedófilo. Mas e se ele tiver filhos? 
Difícil! O que eu sempre tento fazer aqui no blog é provocar reflexões. Fazer pensar. Provocar. E, se possível, abrir a cabeça. A minha também. 

199 comentários:

A.A disse...

Lola,

Eu comentei no outro Post, que eu, como vitima, gostaria de ter uma explicação de por que aquilo aconteceu.
Não perdoaria, não conseguiria. E arrependimento é diferente de punição.
Foi um post que machucou sim, mas acho importante mostrar que estupradores não são monstros, são pessoas COMUNS.

Bia G. disse...

Lola, desde o primeiro post a compreendi. Concordo com você, e é claro, óbvio que uma vítima tem todo o direito de nunca perdoar, querer todo o mau do mundo para o estuprador.
Mas, acredito que as pessoas mudam, e mudam mesmo, ainda mais porque como você bem fala e todas as feministas sabem, estupradores são pessoas de confiança, não só aqueles que te atacam sem você conhecer. Eles foram educados a cultuar o 'macho', ser macho, ser violento, ter sua vontade atendida. E olha, se eu mudei, se eu era machista, não via machismo em piadas machistas, se não entendia muito do porquê de minha tia apanhar do marido e não fazer nada, de termos que esconder uma arma em casa porque ele poderia matá-la...
São tantas coisas. Mas as pessoas mudam, e eu acredito nisso. E todos devem ter uma segunda chance, para ele mesmo e para o mundo.

Abraços!

Anônimo disse...

Vi algumas amigas feministas criticando fortemente o seu post, Lola, e fiquei pensando muito sobre isso. Tenho um comentário pra fazer, mas não sei se estou confundindo tudo e se estou falando bobagem, pois nunca passei pela dor de um abuso como esse.

Enfim, fiquei pensando no caso (apenas um exemplo) de uma pessoa que sequestra alguém (com qual "finalidade" não importa. Digo isso porque tem casos de adultos que sequestraram crianças e as deixaram numa sala por anos sem nunca tocar nelas, deixaram "apenas" presas). Mas no final esse alguém consegue sair. Faz todo sentido a família, os amigos e a própria pessoa que foi sequestrada morrerem de ódio do sequestrador. Agora, como o resto da sociedade deve lidar com o criminoso? Devemos colocar em prisão perpétua todo ser humano que faz mal a outro ser humano? Devemos deixá-lo sem emprego e sem qualquer forma de seguir com a sua vida mesmo depois dele ter cumprido a sua pena?

Não acho que as vítimas e as pessoas relacionadas as vítimas devam sentir pena, compaixão, pegar na mão das pessoas que lhe fizeram mal e falar "eu te perdôo e só quero o melhor pra você". Óbvio, isso não faz o menor sentido. Mas o resto da sociedade tem que ser racional, senão vamos começar a cortar as mãos dos que roubaram e levar pra cadeira elétrica os que assassinam sem antes olhar pra qual sociedade nós vivemos, que é cheia de segregação, racismo e machismo.

Eu não tenho dó nem compaixão por um estuprador, mas também não quero que a vida dele acabe (nos muitos sentidos da palavra), pois não sou a favor da pena de morte. Acho que ele deve cumprir pena e que sua vida talvez deva ficar mais restrita depois que cumprir esta pena (como no caso de um pedófilo não poder chegar perto de crianças.. não sei bem, mas acho que faz sentido).

Pensei nisso hoje de manhã, se acharem que eu só falei idiotices, me falem por favor! :)

FC.

Anônimo disse...

É a vítima que deve ter nossa empatia, mas se acreditarmos que não existe reabilitação, que as coisas não podem mudar, então o quê?

Melhor desistir... Para que insistir em um movimento que não fará a menor diferença?

O estuprador do post anterior não é um coitadinho. Honestamente, se eu fosse as vítimas ia querer vingança. Um cara como ele, jamais seria preso. Nem se confessasse... Então é preferivel que esteja consciênte de seus erros, em vez continuar praticando o ato.

Leila Marina disse...

Como mãe eu tenho certeza que punição é sim importante. Não existe educação sem punição. Quem decide a pena nunca é quem quebrou a regra. Existem autoridades pra isso.
No caso do estuprador arrependido, é bom saber que ele não faria de novo. Se ele era menor durante e o crime e não poderá sofrer as penas da lei o mínimo que ele deveria fazer é pedir desculpas para as próprias vítimas e elas decidirem o q fazer... se ele tomou a dignidade, o corpo, a confiança das vítimas pra si sem nem pergunta-las... ele deve dar a sua cara a tapa pelo menos pra elas...


Uma criança que estupra a outra deve ser punida, como criança que é e nunca pela polícia. não vamos ser falaciosos e achar que apenas a polícia é capaz de punir, existem outras autoridades, principalmente os pais e a família. os adultos devem perceber a gravidade da situção e estabelecer alguma punição sim, mesmo que seja para m garoto de 13 anos, não pode passar impune.

isbab disse...

Lola, você não tem noção o quanto seus últimos posts foram decepcionantes.
Eu acredito em direitos humanos, eu acredito em reabilitação, etc. Mas porra, eu não sou obrigada a perdoar alguém que me estuprou. A "dor" dele é só um reflexo mínimo do que eu passei, não é nem metade. O remorso sempre faz parte da vítima, mesmo não sendo culpa dela. Não é ele o coitadinho. Isso não me faz menos humana. Eu não tenho que ter empatia por alguém que causa dor física e psicológica em outras pessoas e, não bastasse isso, tenta se vitimizar, como se fosse ele o abusado.
Se ele se sente culpado, pq ele não se denuncia? Afinal, é esse o conceito principal de punição e reabilitação.
Bullshit.

Angélica disse...

Lola, eu acho que qualquer leitor usual do seu blog sabe (ou deveria saber) o quanto você empatiza com as vítimas de abuso sexual, sabe do seu feminismo, da sua luta, do seu engajamento. Agora, o seu blog trata de diversos assuntos com diversos enfoques, então achei corajoso e justo da sua parte publicar o guest post do estuprador arrependido. Eu o li algumas vezes e não encontrei ali indício nenhum de 'empatia exagerada' da sua parte para com ele, apenas a empatia que é naturalmente sua para com seres humanos, e novamente, quem conhece suas posturas poderia imaginar que você se posicionaria dessa forma.

Acho que humanizar os criminosos é algo válido, para não comrrermos o risco de incorrer em erros semelhantes aos que criticamos. Pena de morte para estupradores? Castração? Sinceramente, no que isso ajudaria a acabar com a cultura de estupro em que nós vivemos? Só geraria mais ódio, mais violência. Quem quer mudar de verdade os conceitos arraigados da sociedade em que vivemos não deveria deixar de olhar todos os lados da situação, inclusive o do criminoso.

Naturalmente não estou falando daquele lado escroto 'ela estava pedindo por isso se vestindo daquele jeito', o lado que só reafirma a podridão do pensamento reinante. E sim o lado que nos faz lembrar que também estamos lidando com seres humanos, que podem (e devem!) se arrepender dos erros que cometem.

Imagina se o T. estiver realmente arrependido do que fez, e ainda assim só encontrar ódio, violência e intolerância direcionados a ele? Sinceramente, acho maior a chance dele incorrer novamente nos mesmos erros, ou se matar. Nenhuma das duas coisas é solução pra nada.

Pra mim, quando a gente lê o post dele e só consegue pensar em 'monstro, lixo, merece a morte!', não estamos pensando muito diferente do reaça que diz isso sobre um menor infrator, ao defender a redução da maioridade penal. E deveríamos. Nós, como feministas, de esquerda, que tanto atacamos a homofobia, o racismo, que já pensamos tão diferente do senso comum em tanta coisa, deveríamos fazer isso agora também. É assim que se mudam as coisas de verdade.

Vivi disse...

Lola, eu entendi sua posição, mas ainda não concordo. Neste post, vc ainda dá a impressão de que quem não concorda com este post é de alguma forma contra os Direitos Humanos. Vc, a meu ver, não pode qualificar todas as críticas à vc como pessoas que são contra aos DH e que são excessivamente punitivas. Não podemos nos ater a críticas de mascus ou de quem tem vertente fascista. Não querer dar voz ao estuprador (num espaço feminista) é ser contra direitos humanos? Vc acha isso? Poxa,as feministas que vi que discordam de vc acreditam na reabilitação, não querem somente punir, acreditam que tem que ter tratamento psicológico, mudança da sociedade etc etc...mas, mesmo acreditando nisso o foco das críticas que eu vi, e inclusive concordo, e que vc não menciona é: é legítimo dar voz ao estuprador num espaço feminista? Mesmo que ele tenha estuprado sem saber (nem todo machista se vê machista, nem todo explorador se vê explorador ou racista etc..), e tenha se arrependido, vc concorda que tem o direito de ter voz num espaço feminista? É essa a crítica principal Lola, e sinto muito, mas não vejo este debate neste post idem.Abraços

Juliana Laet disse...

Como fazer uma discussão sobre x oprimidx sem compreender o opressor? Buscar conhecer a forma como esse opressor se formou como opressor é lutar contra ele. Discutir o sistema carcerário também. É essa sociedade com todos esses dispositivos de punição, dentre outros vários fatores, que forma estupradores e machistas. Se fazer uma discussão feminista é deixar tudo isso de lado, então ela é muito rasa. Se não entendo nada do machismo, como posso condená-lo?
O fato é que seu texto mostra uma situação muito, muito comum. Num ambiente familiar, uma pessoa que foi abusada pelo próprio pai, reproduz esse abuso. Temos aí uma relação de poder, primeiro do pai contra o filho, depois do filho contra a irmã e o primo. E isso não quer dizer que ele seja um monstro, um animal que deve ser morto por fazer uma coisa dessa. Infelizmente, esses são os casos mais comuns de abuso sexual e não os estupros no beco escuro, como muita gente já sabe. E para mim, o texto dela traz exatamente essa discussão: o estuprador pode estar ali do seu lado, ser uma pessoa em quem vc confia, uma pessoa "normal", e como é que nós estamos lidando com isso? Condenando apenas e punindo? Excluindo-o da sociedade ou tentando compreender as bases dessas relações de poder que se constroem nesses ambientes a fim de modificá-las para que situações como essas parem de acontecer?

O único problema que eu vi em postar aquele post foi a escolha do espaço para lançar uma discussão dessa por conta da pluralidade de leitorxs que vc tem. Levar um relato desse para uma sala de aula em uma universidade, por exemplo, seria mais adequado. Gerou tantas críticas sem sentido talvez por uma dificuldade de interpretação de quem leu.

Laura Müller disse...

Aquele momento que alguém que você admirava publica um texto de um estuprador "arrependido" e vem falar que estupradores também são vítimas e devem ser reabilitados para sociedade... To em choque,abriu ferida...

Realmente se vê a diferença nos cometários de quem passou pela dor de ter seus direitos roubados,seu corpo violado e agredido e os de quem acham que entendem a brutalidade disso...Realmente só quem passou por isso sabe a dor que é.Eu quero que o desgraçado que me estuprou se exploda!!! Ele tá solto, quem me garante que não estuprou outra mulher? O que Lola não percebe,é que um estupro nem sempre atinge só quem foi estuprada. Eu coloquei a boca no trombone, o que aconteceu comigo mexeu com toda minha família, escola e amigos próximos. Vi amigos que ao irem me visitar e ver meu estado,saiam chorando,vi vizinhos se solidarizando, vi minha mãe chorando a noite,minha irmã confusa por não entender bem o que era um estupro, foram anos e anos até eu realmente superar, as sequelas permaneceram. Perdi anos escolares,por mal conseguir me concentrar,perdi momentos de minha adolescência por querer me isolar, perdi descobertas naturais por antecipar algumas. Ainda acha que um estuprador que se diz arrependido merece perdão? Será que ele se arrepende ou são os fantasmas do que fez que não o deixam em paz? O cara confessa um CRIME e recebe compreensão porque não tinha noção que aquilo era um estupro? E ainda acham que "só punir" é modo reaça de pensar... Um estuprador sabe que aquilo é sexo,sabe que se a pessoa não consentiu, mesmo que não consiga reagir,é sexo e é estupro!!! Se arrepende porque sabe a merda GRAVE que fez,cometeu UM CRIME!

Ao meu algoz: enfia a porra do teu arrependimento no cu! Espero que isso te atormente o resto dos teus dias na terra,espero que fantasmas do que me fez ronde teu sono todas as noites,espero que sinta a dor que sinto ao lembrar do que me fez!!

A Lola: Espero que jamais passe por algo assim,espero que acorde desse transe louco que tu anda experimentando, espero que entenda que feminismo é sororidade,que estuprador é estuprador,que mesmo que ele tenha sido vítima outrora,ele ainda é um estuprador, um criminoso. Sei que o sistema prisional piora quem entra lá,que é desumano as condições de algumas cadeias, mas não é por isso que temos que tentar reabilitar, dando oportunidade a alguém que sequer deu oportunidade de defesa a alguém, dar chance de reabilitação a quem tirou todos os direitos de outra pessoa.Eu creio na reabilitação de traficantes,de ladrão de galinha,de batedor de carteira... mas assassinos,pedófilos e estupradores não...quero eles presos,trabalhando pra pagar sua estadia na cadeia. Lola,tu me feriu,tu me machucou,me decepcionou,me envergonhou. Espero que você se reabilite...magoaou milhares de mulheres e agradou milhares de estupradores.

Aline disse...

Por favor, leia até o fim e pense a respeito. =)

Chamar de 'reacionário' ou de 'excesso de punitivismo' querer a castração química de estupradores é uma conduta bastante incoerente.

Eu fui vítima de violência sexual aos 8 anos de idade e o cara só não chegou a consumar o ato sexual à força porque eu consegui escapar. Era uma pessoa da qual ninguém JAMAIS suspeitaria. Esse trauma me perseguiu durante o resto da minha infância e adolescência e ainda hoje me coloca em situações desagradáveis. As cicatrizes não fecham. E meu estuprador não conheceu punição alguma.

O que isso me faz pensar? Que, além de vivermos em uma sociedade machista pra caralho, ele teve chances de fazer o mesmo com outra criança. E outra. E mais outra. E ninguém sabe quantas outras mais.
Pedofilia e estupro são crimes originados de distúrbios sérios e que ainda exigem muito, mas muito estudo para tentarmos chegar a uma reabilitação de fato para esses criminosos. Enquanto isso, eles continuam por ai. Os estupradores ainda protegidos pelo patriarcado.

Quando digo que quero a castração dessas pessoas, não é somente pelo sentimento de 'justiça sendo feita através da punição'. É porque acredito que isso livrará outras pessoas de passarem pelo que eu passei, de carregarem essa dor pelo resto da vida, de sentirem impotência e vontade de chorar cada vez que uma amiga ou amigo passa pelo mesmo. Não desejo isso a ninguém.

Se o sujeito não consegue controlar seus impulsos sozinho, pois que o controlemos por ele. Até que (se isso for realmente possível)sejamos capazes de ensinar essas pessoas a se controlarem por conta própria.

Enquanto não sabemos como fazê-lo, não é justo que o número de vítimas continue aumentando só porque tem gente querendo acreditar na boa vontade do agressor.

Sofia disse...

Faz tempo que te acompanho, Lola, e hoje fiquei impressionada com sua postura: meu respeito por você só cresceu.
Por vezes eu, passeando por aqui, me perguntava se não havia certo radicalismo nas posições que encontrava.
E com esses dois posts vc me provou que não, não tem radicalismo nenhum.
Poxa, nem sei como expressar o profundo respeito que você me inspirou com sua atitude corajosa.
É muito fácil confundir justiça com vingança, e quanto mais pessoal o crime, mais fina é a linha que divide uma coisa da outra. Mas é preciso que ao menos a sociedade seja capaz dessa separação, de perceber que a o criminoso deve pagar sua punição, mas também deve passar por uma reinserção na comunidade. Do contrário, não haveria sentido em manter cadeias, seria muito mais simples matar a todos.
Mas todos sabemos que isso seria horrível, inumano. Logo, é hora de abstrair da raiva, da vingança, e buscar soluções para convivência porque é um só planeta e estamos trancados aqui dentro.
Por fim, sem a intenção de desmerecer a dor de ninguém, mas é muito fácil dizer: "vc não entende, não pode opinar", mas que isso não leva ninguém a lugar nenhum. Por acaso um bom juiz então tem que passar por todas as desgraças humanas para poder julgar corretamente?

liatadaiesky disse...

Oi Lola,
Comento muito pouco aqui, embora leia todos os seus posts e tenha até comprado seu livros! (rs).
Mas essa polêmica realmente me chamou. Entendo perfeitamente a reação de repulsa (e até raiva) que algumas mulheres estão tendo ao seu post, em especial as que já foram vítimas de estupro.
A verdade é que o "olho por olho, dente por dente" sempre (ou quase sempre) será a reação da vítima de um crime desse tipo. Sei pelo menos que seria a minha.
Mas acho que a sociedade como um todo tem sim o dever de ser mais racional. Se leis existem hoje é porque não queremos (de modo geral, e sem levar em consideração nossos danos pessoais) que a vingança seja o sentimento propulsor da "justiça".
Em relação à questão do estupro em si, sabemos que é grande a quantidade de homens que estupram mulheres; a maioria dos casos ocorre dentro das famílias; há sim uma cultura de estupro na nossa sociedade. Então, se eu não procuro "entender" (veja bem, eu disse entender e não aceitar) o estuprador como eu irei transformar a sociedade em que vivo. Precisamos sim de educação e conscientização para acabar com essa cultura. E por isso, acho muito pertinente colocar esse relato num blog feminista, pq como feminista quero que essa realidade mude e se não a entendo não consigo transformá-la. Infelizmente (ou felizmente) apenas a punição (que é importante e necessária) não consegue transformar uma sociedade... e disso acho que estamos todos já cansados de saber.
Bem, é isso que penso...

lola aronovich disse...

Sim, Vivi, na minha opinião é legítimo dar voz a um estuprador arrependido, e foi isso que fiz no post passado. Eu falo disso por cima neste post quando digo que eu jamais publicaria um post de um estuprador que se orgulhasse do que fez. Este é o segundo post que publico de um estuprador arrependido (o primeiro foi de uma estupradora). Em ambos, eles só descobriram que o que fizeram foi estupro com a ajuda de blogs feministas. Menos de 2% de todos os meus posts sobre estupro "dão voz" a um estuprador. Acho uma reflexão interessante, porque insisto: a maior parte dos estupradores não sabe que estuprou. Isso faz parte da cultura de estupro.


Laura, quanto a tudo que vc sofreu e sofre não há discussão. Um estupro é um crime hediondo. E vc tem a opinião de que estupradores não merecem reabilitação. Que só mencionar reabilitação para estupradores já é praticamente um crime!
Só que não são todas as vítimas de estupro que pensam como vc. Nos comentários do outro post havia vários relatos de vítimas dizendo que gostariam de entender por que o estuprador agiu como agiu, e que sentiriam-se melhor com um pedido de desculpas. Não diga a elas como elas devem agir. Eu não estou te dizendo como agir. Estou pedindo uma reflexão.
Mas vc não quer refletir. E tudo bem, Laura, vc já deixou claro que blogueiras que agradam milhares de estupradores tampouco merecem reabilitação.

vanessa disse...

Eu entendo a Lola, e entendo quem discorda. E discordo de quem está discordando.

VOCÊ que foi estuprada NÃO precisa perdoar ninguém. Não é dever fazer coisa alguma com relação ao agressor. É uma questão sua. Só sua. Que só quem passou por uma situação análoga pode começar a entender.

E não é isso que está sendo discutido aqui. A discussão é sobre a sociedade e a imagem do estuprador. O estuprador é uma pessoa normal. Não é nenhum monstro. É uma pessoa normal que vive na mesma sociedade patriarcal que todas nós. Entende?

Você enquanto vítima, pode perdoar. pode não perdoar, pode querer que o cara morra. Pode. Mas nós, enquanto sociedade não devemos olhar para essa situação da mesma maneira. Nós devemos tentar mudar a situação. Devemos reabilitar essa pessoa para que outras mulheres não passem pelo mesmo que você. Devemos mudar a sociedade para que ela não exija que homens sejam predadores. Nós enquanto sociedade devemos humanizar vítimas e agressores, pois são humanos. E humanizar a vítima é acreditar nela, é acolhê-la, e ajudá-la, é apoiá-la, e fazer com que ela se sinta segura de novo. E humanizar o agressor é puní-lo, é reabilitá-lo, é ensinar que aquela que foi estuprada é uma pessoa como ele e que, assim como ele, parte do pressuposto de respeito.

Só quando a gente entender que é o marido, o filho, o sogro, o cara absolutamente normal que estupra é que poderemos evitar isso. Poderemos entender, enquanto sociedade, que vivemos em um estado de sítio para um sexo e num estado de constante afirmação para o outro.


O ponto todo é que não estamos falando de algo pessoal, e sim de algo social. De todos.

Anônimo disse...

Lola, a verdade é que vc feriu muitas mulheres, leitoras, que te admiravam mesmo sem concordar sempre com suas opiniões. As criticas que vc está recebendo (das suas leitoras) não é porque elas discordam de vc, não é porque elas são contra os direitos humanos, nem porque não acreditam na reabilitação de pessoas. As criticas são porque vc não teve sensibilidade para com a dor do outro. A dor quem sofreu um estupro. Vc não calculou o quanto o seu blog e a sua figura se tornaram um apoio pra tantas leitoras e publicou um texto sem pensar em quantas de nós sairíamos machucadas, sem dormir mais alguns dias, angustiadas, sangrando... Todos nós erramos, acho que vc pode pensar na possibilidade de ter errado dessa vez. Fique bem.

Anônimo disse...

lola, para de se fazer vitima e ESCUTA as criticas. nem toda critica é sem razao, nem toda critica é perseguiçao. pessoas que te defendem quando falam mal de voce estao magoadas, feridas, se sentindo silenciadas com as suas acusaçoes. escuta oq as pessoas que foram vitimas, ao contrario de voce, estao dizendo. o sistema penal nao é rigoroso com estupradores, eles nem sequer sao condenados. pq nunca ha provas suficientes. pq a vitima nao consegue provar que nao consentiu. nao da pra tratar situaçoes desiguais da mesma forma sem acabar em injustiça. o sistema penal é duro com gente pobre que comete crime contra o patrimonio. o sistema penal nao é nada duro em relaçao à violencia contra a mulher. veja a banda new hit, que esta solta e faturando com shows. veja o daniel do bbb, que processou a globo e vai ganhar uma indenizaçao. a nossa sociedade é permissiva com estupros (exceto os do maniaco do parque, que sao apenas metade dos casos, ou menos ainda). entao defendermos medidas duras nao é excesso de punitivismo, muito menos ser reacionario. para de forçar a barra e comparar vitimas de estupro com o misogino do bolsonaro.

Anônimo disse...

Lola,
Sofri vários abusos sexuais, em diferentes épocas da infância e adolescência , por pessoas diferentes, inclusive por um tio-avô, que era bem próximo da família.
Posso dizer que apenas um episódio me deixou abalada permanentemente. Nem na terapia consegui falar. To mencionando aqui por alto, mas é algo que detesto ter que lembrar.Foi um estupro horrível. Tenho ódio até hoje dele. Não gostaria de nenhum tipo de contato com ele. Mas se eu viesse a saber que ele teve arrependimento, isso me aliviaria um pouco sim. Então achei seu post super válido. Mas ao mesmo tempo entendo as companheiras feministas que tem sentimentos diferentes e que se sentiram magoadas e ofendidas com seu post.
Beijos
E escreva Lola escreva!

Vivi disse...

.
Lola, obrigada pela resposta, entendi seu ponto, mas continuo discordado. Só um adendo. Como vc pode ver nos comentários Lola, mesmo vc não tendo a intenção vc deu a impressão para muitas de nós que discordamos de vc que de que quem discorda do post é contra os Direitos Humanos ou é excessivamente punitivo. Pois vc só foca este ponto.
E não é bem assim. Aliás, antes mesmo das críticas ao 1º post você mesmo já tocou no assunto das pessoas que são contra os Direitos Humanos, e isso antes mesmo de receber as críticas. O que eu quero dizer com isso? Que vc, mesmo sem intenção acaba desqualificando suas interlocutoras. Me desculpe, mas é esta impressão que tive nos dois posts..Abraços e mesmo não concordando em nada nestes post, seguimos nossas lutas companheiras!! Discordando com sororidade, honestidade e abertas para o debate!

Anônimo disse...

Bom, Lola, eu entendi a sua posição e argumentos desde o outro post e percebi pelos comentários que nem todas as vítimas de abuso se voltaram contra você. Teve inclusive um comentário muito interessante de alguém que foi vítima de abuso quando muito criança e que disse que, por pouco, ele não ultrapassou a barreira e tornou-se abusador (ou não, ele tem muitas dúvidas).
Eu entendo a dor das pessoas que vieram apedrejar, mas essa dor está impedindo o raciocínio. Eu conheço esse ódio a quem te fez tão mal, sei o que é passar noites imaginando uma vingança, vibrei com a menina do Kill Bill quando ela ela mata o FDP, mas...entendo o post que você publicou. Além disso não está clara a idade do rapaz na época, as diferenças de idade...

Anônimo disse...

Enfim, as pessoas se revoltam, é normal, mas muitas estão lendo o que não está escrito.

Fenix Vermelha disse...

Perai. Estamos falando aqui como se a sociedade fosse suuuper cruel em relação aos estupradores. Isso quando quase nenhum é punido! É a vítima que é desacreditada, ridicularizada por policiais machistas, têm a sua conduta dissecada, passa por humilhan exames de corpo de delito, tudo isso para nada, e ainda tem que passar o resto da vida convivendo com piadas tipo Rafinha Bastos, junto com sequelas em sua vida afetiva e sexual. E o estuprador? Na imensa maioria das vezes, continua com ficha limpa e sua vidinha normal. Provavelmente fazendo outras vítimas. Olha o cara do guest post! A única coisa que o pune é a própria consciência. Não é, e é provável que jamais seja, a sociedade que o está punindo exageradamente. Então de que mundo cor de rosa vocês estão falando? Quando a justiça e as leis funcionarem, quando as mulheres realmente tiverem direitos iguais, aí falamos sobre punição injusta. Mas em tempos de "bolsa estupro", tenham dó!
Lola, não acho.que você seja ruim pelo seu posicionamento. Só Poliana demais. Algo que devia chamar a atenção é que as pessoas que estão criticando foram, em maioria, vítimas, assim como eu fui aos 19 anos. Isso não sinaliza alguma coisa? Sei que o feminismo deve ser um movimento plural, mas sempre o vi como um espaço seguro para vítimas de estupro, talvez o único. Um espaço de empatia, livre de julgamentos. Empatia que sempre foi.um dos trunfos do seu blog, onde eu me identifiquei com tantas outras vítimas, sofri com elas. Agora, empatizar com estuprador justo aqui, quando já há toda uma sociedade fazendo isso? Sabem, culpabilizaçao da vítima e tal? Sei que você não é de voltar atrás com suas opiniões, Lola, mas queria muito que esse blog voltasse a ser um lugar seguro. Porque foi assim que me senti na primeira vez em que estive aqui, e foi aqui que descobri o feminismo. Abraços.

Maria Valéria disse...

Lola

Eu li seu post e entendi o debate que vc quis proporcionar.
Eu sou uma das pessoas que viu filme " o lenhador" e consigo compreender o ser humano que esta por trás daquele monstro que o personagem de Kevin Bacon.
So que eu nunca fui estuprada , nem fui abusada quando criança,
Entao, o que algumas pessoas estao dizendo aqui e verdade: so compreende uma dor quem ja passou por ela.
Se eu tivesse sofrido isso, eu jamais teria coragem de ver esse filme, nem ia querer que me falassem sobre ele.

So para fazer um paralelo, a pessoa que mais me feriu e mais acabou com minha auto estima foi uma mulher, que tinha sido minha " amiga" da época da faculdade, numa manha de 1995 , ou seja, 18 anos atras,
Sem entrar em detalhes, que ela fez a mim foi tao feio, tao baixo, que ate hoje fico remoendo aquela cena., carreguei por anos o trauma do que essa ex " amiga " me falou e me fez naquele dia,
E muitos anos depois, embora perceba que ela se mostre arrependida pela maneira como agiu comigo,e fico feliz por ela ter se arrependido, nao me interessa a amizade dela nunca mais,nao quero conversa, nao quero contato, nao quero fingir que nada aconteceu,
Eu desejo sim que ela se arrependa pro resto da vida pelo que me fez,Nao desejo mal, nao desejo desgraças, nao desejo problemas pessoais, mas que ela carregue a culpa pro resto da vida,
Entao, você ve, que meu problema com a ex amiga foi infinitamente menor do que de quem sofreu estupro,mas mesmo assim fico remoendo ate hoje, e se alguem publicasse um post da dita cuja dizendo que estava arrependida, etc etc, eu ia querer voar no pescoço de quem postou e do dela tambem,
Imagina se fosse um caso desses( estupro), se eu tivesse sofrido disso talvez fosse querer voar no seu pescoço.
Entendeu?!!
Entendo e compartilho da dor de quem sentiu que vc mexeu numa ferida, ao mesmo tempo que compreendo a sua intenção , que nao foi ruim, nem de magoar ninguém, e compreendo a necessidade do debate,
Enfim, compreendo os dois lados :)
Beijo.

lucia disse...

pode me chamar de reaça que pouco me importa.
quero que estupradores,assassinos e pedófilos se danem! nunca sofri violência desse tipo mas estou farta de sempre aparecer gente defendendo esses fdp,eles não tem o minimo de respeito pela vida dos outros,pelo que a gente vê nas notícias estão cada vez mais frios e cruéis mas o resto da sociedade deve respeitar os direitos dessa cambada.
ninguém sabe que matar ,sentir vontade de transar com crianças,transar com outra pessoa sem que ela queira é errado?

n sou a favor de pena de morte mas por mim ficavam presos até morrer. e se n tivesse tanta impunidade,acho que revoltaria menos,pq mesmo q um criminoso seja preso,é só pagar de santinho na cadeia para sair mais cedo por bom comportamento.

Anônimo disse...

sou mulher,hj tenho 23 anos e eu beijei na boca meu irmão quando tinha uns 8 anos e ele 6 e ele me beijou uma vez tb,sei q foi errado mas isso é considerado estupro?

Anônimo disse...

Lola,

Senti-me ferida, pois o arrependimento do tal fulano foi pouco... se ele realmente estivesse arrependido que se entregasse as autoridades competentes...
Ele não sofreu foi preso.. mesmo após cometer o crime. Isso é monstruoso.
É como arrepender-se de matar alguém, a pessoa não volta por arrependimento... há necessidade de punição via sistema carcerário.. não estou falando de morte ou tortura.. mas prisão sim!
Crime é crime... e ele deveria estar nas grades e depois de sair sim, passar por reabilitação.. mas ele deve ser preso, pois é criminoso.

Rebecca souza disse...

LOla,eu nem vou entrar na discussão toda,mas,eu acho que vc deve coragem e uma coragem enorme de publicar este post.EU fui violentada quando criança,não chegou a ser a violência completa em si,mas,só os diversos abusos,e o fato que era uma violência que na cabeça do estuprador tinha um motivo(eu , de minoria étnica,e tinha que ser ``purificada`´),mas sabe,eu ,Rebecca,nunca desejei o mal para ele,não digo que perdoou,mas,eu consegui ir além disso,respeito quem não consegue,pq uma isso é uma situação diferente para cada pessoa,porém,não é pq não concordo com tua opinião que irei desqualificar tudo que vc escreveu e que tando já me ajudou,convivi com dois homens que foram estuprados por mulheres,um,era meu ex namorado,que foi estuprado dos 5 aos 9 anos por uma secretaria do lar(até te contei isso por email)e outro foi um amigo que foi violentado com 15 anos,e não venham me dizer que pela idade dele,não foi violência ,pq foi da mesma forma,lembo que no post da estupradora,um monte de feminista,veio aqui defende-la,dizer que não era violência,mas,e ai teremos que ter empatia pq são mulheres?pq o que elas estão fazendo é só reflexo do patriarcado?Pq para mim,uma mulher que estupra uma criança de cinco anos é tão Fdp que um homem que estupre.Deste do post da quebra das imagens(que eu também não concordei)tenho me assustado por com algumas opiniões de feministas,quer dizer que todas temos que ter uma só opinião?e quem discorda automaticamente é traidora?Então o feminismo não é acredita na mudança das pessoas?Pode parecer muito Pollyana,mas,eu acredito em mudanças.e acho que como já falaram aqui o principal desse post foi para amostrar que machuca,mas,estupradores não são monstros,são pessoas comuns,que em algum momento por alguma razão se viram no direito de destruir e macular a vida de alguém.

Sara disse...

Eu sou uma tremenda de uma jararaca Lola, não tenho empatia nenhuma por criminosos, e acho melhor eles serem bons religiosos e rezarem muiiiito pra que nunca dependam de mim, pois se isso acontecer estão bem lascados.
Acredito sim que deva existir reabilitação pra crimes menos graves, e que não causem muitos danos a vida das pessoas, mas com criminosos que não dão defesa matam, mutilam, estupram, sinto muito se não sou uma feminista muito cheirosa, mas pra mim pena de morte é pouco, a reparação de uma punição exemplar pra mim é o mínimo que se pode esperar humanamente falando.
Sinceramente admiro quem tem o desprendimento de pregar a favor de reabilitação de bandidos irrecuperáveis, eu estou a anos luz dessa iluminação toda.

Marcela. disse...

Lola, hoje descobri que sou reaça de acordo com sua opinião "Reaça é aquele que quer castração e pena de morte para estuprador." Se isso é ser reaça, então eu sou. Se eu fosse estuprada e tivesse a chance de matar o estuprador, mataria sem qualquer remorso. Jamais perdoaria. Jamais. É a primeira vez que discordo totalmente de uma posição sua. Não há crimes mais hediondos do que o estupro e a pedofilia. É a pior das torturas. A pior das humilhações. Chamar a vítima ou as possíveis vítimas, já que como você sabiamente sempre diz "Toda mulher tem uma história de horror para contar" de reaças foi total falta de sensibilidade de sua parte. Imagine um escravo que foi humilhado ou viu seus semelhantes sendo humilhados pelo Senhor, pelo opressor. Você chamaria esse escravo de reaça por ele desejar matar esse senhor, ou desejar que o crime dele seja punido com a morte, ou castração para não estuprar mais as escravas? A vítima é reaça, Lola?

Anônimo disse...

Lola, fui estuprada várias vezes desde que tinha 5 anos até a idade adulta. Por pessoas diferentes, amigos, desconhecidos e parentes. Já senti muito ódio, já sofri muito, mas só consegui ficar em paz quando eu decidi parar de sentir ódio e trazer para meu ativismo feminista discussões que promovam essa reabilitação, não só a punição.

Eu concordo contigo. O rapaz que deu o depoimento contou algo que fez quando ainda menor, que só depois entendeu como estupro e que se arrepende. Eu sinto muito pelas pessoas que ele estuprou, sei a dor que é. E também sinto muito por ele.

Não concordo com as pessoas que estão te criticando e vim aqui para dizer isso, embora eu prefira não me identificar.

Beijos.

Pablo disse...

Perfeito. Você faz um trabalho importantíssimo de não propagar o rancor, o ódio, a revolta, a absoluta "lei de talião" que vigora (me parece) no discurso feminista. Há dor, há revolta, deve haver maior punição, mas isso não pode ser o ponto final. Parabéns.

Wellington Fernando disse...

Vivemos dentro de uma cultura do estupro, fato. Por isso, muitos estupradores acham que não cometeram qualquer violência. Mas imagine que um estuprador desses, por acaso, encontre um blog feminista e descubra que sim, aquilo que ele sempre achou que não era 'nada demais' foi, na verdade, uma forma de violência sexual. Se esse estuprador tiver o mínimo de empatia, é possível que ele primeiro compreenda o que fez e depois se arrependa. E o arrependimento, o complexo de culpa e o remorso, além de serem uma punição por si só, podem mudar profundamente este estuprador e impedi-lo de voltar a ter tais atitudes.
Acho que todos nós somos vítimas da cultura do estupro: tanto a vítima quanto alguém que se arrepende profundamente do mal que um dia causou. O que precisa ser banido, na minha opinião, não é o estuprador, mas sim o estupro.
E ao contrário desse draconianismo quase cristão, eu acredito que uma punição eterna não seja a solução. Devemos saber diferenciar vingança de justiça. Podem me chamar de romântico ou de sonhador, mas eu acredito que um sistema que recupera seres humanos é muito mais eficiente e eficaz do que aqueles que simplesmente os pune e os segrega.

Belo post. Achei bastante reflexivo e profundamente humano.

Patrícia disse...

O pior é ver que das diversas críticas que você recebeu só serviu para fazer se sentir uma mártir. Infelizmente você não fez o mais importante: refletir onde você provavelmente errou. Faça isso, então escreva justificativa melhor que essa.
Mas, o mundo é um lugar muito estranho mesmo. Quem sabe você não poderia escrever também sobre a facilidade que algumas feministas se solidarizaram com o estuprador (me deixou perplexa). Talvez elas também não não saibam que elas estão sendo complacentes com o estupro/estuprador. Afinal, o que isso tem a ver com direitos humanos? Mesmo que algumas pessoas tenho feito críticas horríveis que inclusive fere os direitos humanos. Ainda assim, você poderia cogitar que se errou ou não. Ao menos isso.

Maria Julia disse...

Lola, você fala como se a menina que mandou o email fosse a favor da diminuição da maioridade penal, da tortura etc.

"Você é feminista e tem essas posturas? Acho que você deveria repensá-las."

Qual a necessidade dessa provocação?

Fora que ninguém saiu falando que devemos perseguir pedófilos (por exemplo) que saíram da cadeia. Agora, perdoá-lo? Ou ainda, levar em consideração o relato de um estuprador que se arrepende, mas não se entrega pra polícia? Não faz nada além de mandar um e-mail anônimo?

E vc volta a dizer que "é válido" o relato dele, pq "se arrepende" e pq "foi vítima de abuso na infância". É como se esse abuso justificasse o que ele fez.

E digo mais: milhares de mulheres sofrem abusos todos os dias, e não é por isso que elas se tornam abusadoras de outras pessoas. Não é por terem uma vida de merda que homens estupram ou batem em mulheres. É porque são homens e, em nossa sociedade, homens detém poder sobre o corpo das mulheres.

Obviamente, a discussão vai mais além do fator 'punitivo'. Eu nem nunca pensei em castração química e essas coisas, agora, falar que o agressor também é uma vítima?

Isso é trazer o relativismo do opressor para dentro dos espaços feministas. E não ter esse relativismo é um dos princípios da auto-organização das mulheres. Somos contra os direitos humanos por isso?

Anônimo disse...

Entendo os dois lados. Não vi problema nenhum na Lola publicar o guest post do estuprador, ele percebe hoje que cometeu um erro (gravíssimo) muitos anos atrás, se arrepende e não sabe qual a melhor forma de proceder. Não vi problema nisso, porém nunca fui vítima de estupro.

Por outro lado acho muito perigosa essa história de "estupradores não são monstros, são pessoas normais que devem ser compreendidas e reabilitadas." Que eles são pessoas comuns, nossos parentes, nossos amigos, não só um estranho num beco escuro, qualquer um que sabe um pouquinho sobre feminismo ou sobre as estatísticas já sabe. É a segunda parte do discurso que é preocupante, principalmente na nossa cultura do estupro. Na nossa sociedade onde mulheres ouvem isso todos os dias como forma de serem desestimuladas a denunciar o estupro que sofreram. "Ele fez isso, mas ele é uma pessoa boa, tenta entender, não foi por mal." Não é questão de ser contra direitos humanos, mas como já foi dito no próprio texto, uma parte baixíssima dos estupradores são punidos, acho um pouco perigoso a gente começar a reproduzir um discurso tão próximo do que contribui para esse fato.

Anônimo disse...


Quando vejo nos comentário as pessoas falando de 'radicalismo', sinto que a 'empatia' pelo estuprador é uma apatia de pensamento. Com tanta vontade de entender o estuprador esqueceram de ter qualquer empatia com as mulheres que 'radicalizaram' (ou simplesmente ficaram ofendidas) e compreender a raiva delas.
Mas eu não sei se as mulheres já estavam esperando por algo que justificasse a conduta do estuprador. Uma pessoa que passa algum tempo refletindo sabe que todos o criminosos são humanos. E que há problemas sociais antes de haverem os crimes. Não é por isso que lutamos? Para eliminar as causas da violência contra a mulher? Seu post não contribui, pois se uma pessoa precisa ler o depoimento de estuprador num blog feminista para compreender o que é o estupro é uma questão social está com problemas sérios. Então, além de não contribuir, ainda expôs vítimas como eu, a uma versão estendida do estupro. Sinceramente, eu não tenho nenhuma vontade de saber que um estuprador é humano. Isso eu já sei. Meu estuprador foi criado num ambiente machista. Estuprador é uma pessoa da minha família. Meu estuprador disse que se arrependeu. Meu estuprador disse que estava envergonhado. Meu estuprador chorou. Meu estuprador se justificou. Meu estuprador disse que tinha bebido. Meu estuprador disse que não faria isso outra vez. Nada disso mudou o fato de que ele me estupro. Mas minha família disse: "Ele se arrependeu; ele fez pois havia bebido; ele nunca fará isso novamente." Foi uma segunda violência.

Patrícia disse...

Outra coisa horrível que percebi nos comentário é que há um comentário sobre as pessoas que fora estupradas e suas interpretações do depoimento do estuprador. Como se dissesse as pessoas que sofreram violência, que foram estupradas não estão aptas a falar contra o post, pois elas sofreram violência e não tem como julgar a situação sem refletir seus sentimentos sobre o assunto. Não preciso dizer que é absurdo. Retirando as críticas que incluíam o desejo que você fosse estuprada ou coisa parecida, você mereceu a críticas pelo post. Disso não tenho dúvida. E se alguém falar que as leitoras foram compreensivas com o post da mulher que estupro, então devemos ser compreensivas com este também, estão ambos errados. Não era para passar a mão na cabeça da primeira, nem com o segundo. Alguns comentários me fizeram pensar que as mulheres (inclusive as feministas e, pasmem, inclusive algumas vítimas) sofrem de algo semelhante a síndrome de Estocolmo. Talvez seja o fato de algumas pessoas ainda se sentirem culpadas, ou pela sociedade ainda as culpá-las. Não sei. Eu passei muito tempo fazendo terapia. Mesmo sabendo que a culpa não era minha, ou pelo mesmo dizendo isso, eu continuava me sentindo culpada. E eu percebo que muitas mulheres foram abusadas e não sabem que foram abusadas. Mas sabem que são culpadas. Se sentir culpada é algo curioso. Ainda mais quando não é culpada pela acontecido. O estuprador arrependido sabe a culpa que tem. Eu não sei qual a minha. É do estuprador? É. E eu não acho justo dividir com ele. Mas eu não fui apenas vítima da violência. O estuprador teve um momento de satisfação. Fez algo que ele quis fazer e gostou do que fez. Porém a culpa? É justo dividir o sentimento de culpa com o estuprador? E dizer que elas se equiparam? O estuprador arrependido se sente culpado. É culpado. Eu sou culpada? Eu sinto culpa.

Camila disse...

Em 2 semanas eu fiquei sabendo de dois homens que foram espancados depois de agredir mulheres, ambos os casos em Minas, uma inclusive aconteceu dentro de uma ocupação na camara municipal de BH, foi cometido por 'militantes' de esquerda.

Ao saber disso, já tendo li o primeiro post do T. (estuprador), questionei um amigo de militância sobre a validade deste atos, espancar estes homens, além de expressar a revolta, tem qual efeito na redução do assedio contra as mulheres? Será capaz de criar um efeito em cadeia de medo para estes homens?

Eu realmente acho que não, pq o universo de atuação que isso ocorre esta longe, muito longe, de corresponder ao universo de mulheres agredidas (em casa, por parentes e amigos, em festas, bares, ruas, etc, etc).

Mas tbm não acho errado um homem deste levar uma surra, é a reação diante anos de impunidade, se a educação não é eficaz, se a grande parte da sociedade (mídia, governo, corporações) não esta interessada em acabar com o machismo e a violência, não podemos esperar até que o governo mude de postura.

Creio que devem existir duas frente, uma de educação anti-machista, com fóruns e debates, educação nas escolas, e em todas as esferas da sociedade. E outra de defesa das mulheres, defesa das militantes. Pq a violência contra mulher, é uma arma política, uma arma da polícia para tirar as mulheres da rua, e contra isso a reação deve ser imediata.

A recuperação pode ser sim possível, mas atualmente, quem vai faze-la? vamos esperar uma mudança do sistema prisional? Não dá!

@dddrocha disse...

Lola te compreendo perfeitamente e discordo das acusações.
Não vi, em momento algum, você fazendo apologia ao estupro ou achando o estuprador lindo. As pessoas precisam interpretar melhor o que leem. Não concordo com todo o post, mas entendo sua posição e também entendi que não estava me obrigando a agir ou pensar de determinada forma. O povo é muito radical, sabe. Vamos ponderar, gente.

gonnabeallright disse...

Lola, já viu o filme "A caça"? É alemão e trata disso.

felipe disse...

lola achei seu blog por acaso e estou gostando,embora não concorde com algumas coisas.
eu estou passando por uma situação bem ruim que tem a ver com estupro,para mim estupro era só se tivesse sexo,mas pela nova lei,só de passar a mão em alguém sem permissão já é abuso.

eu tenho 16 anos e na minha sala tem umas periguetes,que do nada começaram a passar a mão na minha bunda,falam várias putarias,dizendo que sou gostoso,queriam me pegar,n sei por que disso,mas reparei que pelo menos dentro da sala só fazem isso comigo.
eu n gosto dessa palhaçada,elas n fazem meu estilo,detesto garotas desse tipo e mesmo se fizessem n ia gostar do mesmo jeito,tento desviar delas,já xinguei as garotas e graças a isso,agora estou com fama de gay,pela opinião geral eu devia estar adorando a situação.
já devia ter agarrado elas e outras putarias que n vou falar aqui,está um inferno.

pensei em ameaçar ,dizendo q vou
denunciar elas por estupro,mas do jeito q a coisa está, tenho certeza vão rir ainda mais da minha cara,me infernizar ainda mais,me zuar ainda mais de frutinha,boiola,gayzinho.
to percebendo q estupro feminino n existe,só é abuso se partir de homem.

Anônimo disse...

não sei como vc aguenta, se fosse vc processava logo lola http://ask.fm/HaileyKaas/answer/62945760835

L. G. Alves disse...

Eu quero castração e pena de morte para estuprador então pode colocar o rótulo na minha testa, se quiser. Sou "reaça", então. Posso mudar de opinião? Com certeza, mas duvido que seja hoje ou amanhã. "O estuprador do post anterior não é um coitadinho" Correto. Não é e nunca será.

Luana Tolentino disse...

Lola, como sempre lúcida e coerente!
Estou com você!
Luana

lola aronovich disse...

É o modus operandi dela, anon das 23:44, o que ela faz com todos os desafetos. E ela não desiste. Além de eu ser transfóbica por não querer jogar os livros da Germaine Greer na fogueira, sou racista por não concordar que, sei lá, a expulsão de um negro sem uma perna da Marcha das Vadias DF foi um ato racista. Chamar alguém de quem se discorda de mau caráter fala muito da maturidade de quem está tentando ofender.
Pronto. Essas poucas linhas devem render combustível pra mais umas cinco páginas de insultos de um dos meus muitos hate clubs. Feliz em poder ajudar.


Filipe, ninguém tem o direito de tocar em alguém sem consentimento. O corpo é seu. E uma das violências do machismo é dizer que "homem que é homem" tem que pegar todas as mulheres, porque se recusar alguma, sua orientação sexual será posta em xeque. Lembre-se que isso não tem nada a ver com feminismo. Isso é machismo. O feminismo combate essa visão. Então diga claramente a essas meninas que te passam a mão que vc não quer isso, e dane-se se elas ou mais alguém te chamarem de gay. Primeiro que gay não é insulto. Depois que quem está seguro da sua sexualidade não dá a mínima pro que os outros pensam ou dizem. O que essas meninas estão fazendo é bullying, e isso é totalmente errado. Nada de violência verbal ou física da sua parte, ok? Porque no momento que vc fizer essas coisas, vc deixa de ter razão. Fale com a direção da escola e denuncie o bullying.

felipe disse...

obrigado por responder lola,eu nunca bati nelas,mas uma hora eu n aguentei e mandei tomar naquele lugar mesmo.
vou tentar falar com a direção mas tenho medo q eles se lixem achando q é brincadeira de adolescente.
e eu n tenho nada contra gays,o problema é ficarem me infernizando de graça todo dia.

Maria Fernanda Lamim disse...

Lola, eu entendi seu ponto de vista e tb não vejo problemas em publicar o texto do cara. Em momento nenhum vc defendeu ele. E concordo que por essa lógica de "olho por olho, dente por dente", todo mundo acaba cego.

sem falar que vc já mostrou muita empatia e solidariedade a vitimas de abuso neste blog.

esse e um assunto no qual as pessoas tendem a reagir de forma muito emocional. e é compreensível. mas é aquela questão: se não pudermos falar abertamente sobre quem comete esse tipo de crime, sera que vamos conseguir conscientizar outros abusadores em potencial- e assim evitar que se tornem de fato abusadores? afinal, muitos deles não tem consciência de que o que fizeram (ou querem fazer) foi estupro. será que ler um relato como esse não conscientiza alguém sobre esses atos? não sei se estou sendo Pollyanna, mas juro que penso assim...

Fenix Vermelha disse...

Senti vontade de acrescentar mais um ponto (sim, ainda pensando nisso, estupro é assunto que me afeta profundamente): ao contrário de você, Lola, não entendo o feminismo como sinônimo de defesa dos direitos humanos. Entendo como defesa dos direitos das mulheres, ponto. Posso simpatizar e me engajar na defesa de outras minorias, até não-humanas como a causa animal, ou não me engajar, mas isso não me faz mais ou menos feminista, faz?
E mais que isso: desde quando estuprador é minoria? Eu os vejo como a face maia perversa do patriarcado, isso sim. Enpatizar com eles vai contra o que eu entendo como feminismo.
E para quem disse que estupradores não são monstros, e sim pessoas normais que convivem conosco, já que a maior parte dos estupros é cometido por pessoas de confiança, esse argumento é tão errado. Pessoas normais não machucam outras pessoas dessa forma. O próprio infeliz do depoimento disse que não sabia que era estupro, mas sabia que era errado. Ele só não sabia dar nome ao que fez, no que isso muda as coisas? Tenho certeza que meu estuprador também não sabe que me estuprou, já que eu estava muito bebada, desmaiada, e tantos homens vêem isso como "oportunidade", porém também tenho certeza de que ele sabia que fazer aquilo era errado, vi isso na cara dele quando acordei com ele em cima de mim. Ele era sim, "pessoa de confiança". Não, ele não é uma pessoa normal, que vive no meio de nós sem que desconfiemos (até que a merda aconteça, diga-se de passagem). Eles sao sim monstros, lobos em pele de cordeiro que vivem entre nós se passando por pesssoas normais. Ao cara do depoimento: vá se tratar. Obviamente você é doente, tem algum transtorno comportamental sério, precisa de psicólogo e psiquiatra. Não vá importunar suas vítimas com pedido de desculpas. Meu estuprador me procurou por um bom tempo para se descupar por ter "passado dos limites", mas jamais permiti contato nem por telefone. Sinceramente, estava e estou cagando para os sentimentos dele. Não me importa.Quatorze anos depois, ainda fantasio em desfigura-lo de porrada, deixar a cara dele feito molho de tomate e meter um cabo de vassoura no rabo dele. Se está mesmo arrependido, aqui vai minha opinião: sua necessidade de perdão é egoísta. Você só está pensando em apaziguar sua consciência, em se sentir melhor. Não é admirável, não é bonito. Se quer fazer algo por suas vítimas, simplesmente deixe-as em paz. Não imponha a sua presença. Se sabe que um deles estará em algum evento familiar, não vá. Se chegou na casa de parentes e os encontrou por acaso, vá embora. Se mora na mesma casa, mude-se, de preferência para bem longe. Só posso imaginar o quanto deve ser difícil para eles, ter que engolir sua presença. É o minimo que pode fazer.

Fenix Vermelha disse...

Maria Fernanda Lamin, não se iluda achando que esses caras não sabem que o que estão fazendo é errado. Claro que eles sabem, ao menos que sofram de uma doença mental bem grave. O cara do depoimento já sabia, ele só não sabia que nome dar, ou talvez não soubesse que era crime, e que ele poderia ser preso, mas disse que sabia que errou. Eles sabem. Negar isso é ser Poliana, sim, vamos encarar.

Cafeina disse...

Lola, você ainda não entendeu que o seu post causou muito desconforto em várias pessoas? Só das que eu tenho contato direto, blogs e tuiters que sigo, dá pra contar em dezenas.

Você quer suscitar um debate? Então tenha EMPATIA com as vítimas de abuso sexual ANTES de começar um debate. Desqualificar quem poderia te criticar como "reaça" nos dois textos está só somando ofensa à injúria.

Nós estamos esperando um pedido de desculpas. Não digo que você seja mau caráter por conta das posições políticas que você tem - há as que eu concordo e as que eu discordo. Mas se recusar a perceber que seu post foi uma agressão para as outras pessoas, uma agressão que se soma a toda a agressão da cultura de estupro, e uma agressão tanto pior por vir de um site feminista, um lugar supostamente "seguro" onde não esperávamos ver isso: isso sim é falta de caráter.

lola aronovich disse...

Cafeina, eu entendi que causou desconforto. Estou vendo isso nos comentários daqui. Como não estou acompanhando as dezenas de blogs e tuiters que vc segue, só vejo o desconforto nos comentários daqui mesmo.
Vc está dizendo que não tenho empatia por vítimas de abuso sexual. Sério, vc disse isso com todas as letras. Escrevo faz 5,5 anos sobre abuso sexual. Acho que um pouquinho de empatia eu tenho.
"Nós estamos esperando um pedido de desculpas". Nós quem? Tem uma associação de feministas querendo cassar minha carteirinha? Eu admito que estou errada quando acho que estou errada. Por exemplo, só pra lembrar do caso mais recente: quando elogiei um cartum que dizia "monarcas têm pau pequeno", e várias pessoas me disseram que rir de qualquer parte do corpo de uma pessoa é errado. Eu concordei, mudei de opinião, pedi desculpas. Mas se eu discordo do que está sendo dito, não vou mudar de opinião só porque tem gente que quer que eu mude de opinião. Este post "Sobre o post do estuprador arrependido" é uma resposta.
Falta de caráter é não concordar com vc? Tô sem paciência pra esses ataques. E sim, são ataques. Dizer que eu não tenho caráter JUSTAMENTE POR DEFENDER MINHA POSIÇÃO, que é bastante coerente, é um ataque. Não tem nada de crítica construtiva aí. É coerção. E olha, comigo não, avião. Tô bem cansada de levar pontapé e ter que me comportar como o Dalai Lama.


Às pessoas que estão me mandando emails de apoio, agradeço. Mas estou sendo atacada publicamente, então gostaria que o apoio também fosse público. Obrigada.

Anônimo disse...

eu sou estudante de psicologia e acho importantíssima essa humanização do abusador. digo isso porque trabalho todos os dias em mim mesma essa capacidade de empatia. PORÉM esse não é o espaço certo pra fazer essa humanização da forma como foi feita. poderia ter feito um debate a partir de um filme mesmo, algo que não seja DIRETAMENTE ligado à história de horror de alguém. pra mim o erro do seu post foi ter humanizado um abusador de algumx leitorx que voce tem, que talvez não quisesse enfrentar sua história de abuso de forma tão romantizada, que talvez o veja como um monstro. foi o desrespeito com as vítimas do T. que mais me chocou. não era ele que deveria permitir a postagem da história, e sim elas. elas decidem se querem que esse pedido de desculpas anônimo seja tornado público, elas decidem se há perdão, se há punição, se há reabilitação. elas, e não você. você forçou algo que não te cabe, agiu como a mamãe que obriga os dois irmãos a se enfrentarem e se abraçarem depois de uma briga, só que forçou o enfrentamento de algo muito mais sério e nocivo que isso.

Anônimo disse...

Sou contra pena de morte, contra diminuição da maioridade penal, e totalmente contra ao massacre do Carandiru (já que esse fato foi citado), por diversos motivos.
Mas vejo os estupradores de uma forma bem diferente. O post também me causou certo incômodo, e concordo com a resposta enviada pela menina.
Nunca fui estuprada, nem abusada sexualmente. Então não falo com experiência própria. Mas minha companheira já foi, há alguns anos, e isso a atormenta cotidianamente. Já tentou suicidar-se várias vezes, tem muita dificuldade em se relacionar com pessoas que ainda não conhece, mais dificuldade ainda pra criar intimidade, mesmo com amizades. Às vezes começa a chorar do nada e a única coisa que diz que sente é medo, e nada que eu diga, consegue acalmá-la. E assim ficamos abraçadas, desoladas. Eu que nunca passei por isso, sinto na pele o ódio por esse homem.
Ela nunca conseguirá se livrar disso, essas lembranças, esse medos e inseguranças vão persegui-la pelo resto da vida... Assim como todas as vítimas de estupradores.
Por isso eu sou a favor de pena de morte pra eles, castração química, o que seja. Que ele fique marcado pra sempre. Assim como sua vítima.
Se pudesse, eu mesma matava esse cara, cortava seu pênis fora, o que pudesse. Aliás, é a única coisa em que consigo pensar quando abraço minha companheira tentando acalmá-la...
Se isso é ser reacionária, me aceito enquanto uma.

Anônimo disse...

Li e entendi perfeitamente o que estava escrito. E por isso digo: Lola vc já sabia que ia render e mesmo assim quis mostrar o "outro lado", e eu acho isso válido, como forma de reflexão e aprendizado. É importante debater e refletir. Parabéns, siga assim!

Anônimo disse...

Acredito que esse post toca em várias questoes bastante profundas mas quero destacar a questão do círculo vicioso, quando alguém que sofreu abuso se torna um abusador(lembrando q nem todos os abusadores sofreram abuso e nem toda a vítima se torna abusador). Reduzir a quantidade de vítimas pode evitar um número maior de estupradores, abusadores e pedófilos, porém é preciso mais do que isso para combater a violência sexual. Não concordo com a opinião desses especialistas que realizam trabalhos de reabilitação de criminosos sexuais (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130520_recuperacao_criminosos_mdb.shtml)Acredito que a reabilitação desses criminosos sexuais é muito difícil e a ciência ainda não tornou isso possível de forma eficaz. Penso que a reabilitação da vítima deve ser prioridade, e que o tratamento adequado a vítima naturalmente reduz a probabilidade de uma vítima se tornar abusador(como foi o caso do post).

Me solidarizo com todas aqui, principalmente com as q sofreram abuso. Que vcs encontrem toda a paz, apoio,serenidade e consolo.

Luna
Abraços

Camila B. disse...

Quando Mascu começa a te idolatrar é que tem algo errado aí...

Luana disse...

Eu cresci em uma família classe média baixa de direita. Tenho curso superior, mas não sou intelectual, nem tão politizada como muitos aqui.

Até encontrar esse blog não tinha parado para pensar em muitas coisas. E acho que esse "não pensar" é a regra e não a exceção. Tem muito estuprador que não sabe que estuprou. Que acha que foi brincadeira de criança, que no fundo a mulher gostou , que não tem nada de mais transar com alguém bêbado e forçar a barra com a namorada... Eles não pensam em si mesmos como estupradores.

Eu não entendi o post anterior como uma tentativa de fazer as pazes entre vítima e estuprador, nem de minimizar o sofrimento da vítima.Mas um modo de mostrar um caso em que a ficha caiu. E violência sexual entre familiares e conhecidos é uma coisa que precisa ser muito falada. Até a exaustão, até potenciais estupradores pensarem duas vezes antes de fazer qualquer coisa. E isso só vai acontecer se souberem claramente que é errado ou se tiverem medo da exposição e da punição.

Como bem disse alguém nos primeiros comentários, é lógico que todas as vítimas tem direito de querer punição severa e terem muita raiva,mas a sociedade não pode agir igual. Se castrarmos 1 milhão de estupradores, a cultura do estupro fará surgir outros em maior número.

Liz Santiago disse...

Lola,
Não sei onde as pessoas leram que por um estuprador "confesso" relatar arrependimento, e você ter publicado essa mea culpa dele, automaticamente você tenha dito para a sociedade tentar perdoar um estuprador. Que associação bizarra!
Quem acha que uma vitima de crime sexual deve ao menos cogitar perdoar ou refletir sobre o ato do seu estuprador, deve comer muito cocô, e não li isso em nenhum dos posts.
Que os leitores do seu blog que já sofreram violência sexual se sintam profundamente desconfortáveis eu ler as palavras de um estuprador e questionem o espaço concedido em um blog feminista, eu entendo.
Alias, essa revolta me lembra muito a reação de comunidades judaicas a qualquer obra (livro, filme- hello, "A queda") que se debruce sobre a vida de Hitler, afinal como humanizar um genocída?
O problema é que todos os crimes por mais bárbaros que sejam, são cometidos por seres humanos. A própria natureza já tratou de humaniza-los. Uma parcela ínfima desses criminosos é realmente psicopata, doente literalmente e incapaz de sentir culpa, ou arrependimento ou empatia pelas vitimas. É OBVIO que não se pode exigir essa compreensão de uma vitima, ela já foi machucada suficientemente e merece acima de tudo paz para recobrar sua saude emocional. Mas a reflexão cabe à sociedade em geral. Como a maioria dos criminosos não sofre de alguma doença que os distingue das demais pessoas, e nós vivemos em uma cultura do estupro, qualquer ser humano pode se tornar um estuprador. Não vejo perigo em humanizar essa figura, e sim na negação dessa condição comum que nos une. Ninguém aqui defende reabilitação para criminosos como uma via alternativa a punição. Pelo contrario, os crimes sexuais devem ser punidos com mais freqüência e rigor, mas a natureza e forma da punição tem que ser revista. Tanto com o recrudescimento penal para crimes dessa natureza, como medidas de monitoramento após o cumprimento da pena; não sei.
Dizer que falta empatia da Lola para com as vitimas é meio absurdo. É uma questão de equilíbrio, duas vezes em que ela tentou apresentar a questão da perspectiva oposta foi atacada, sendo que todas as outras vezes ela cedeu espaço para que as vitimas se expressassem.

Anônimo disse...

A mesma Lola que desce a porretada quando alguém diz que "as mulheres deveriam se ter cuidadado para não serem estupradas, é perigoso beber até cair na rua... " , agora publicando post de estuprador arrependido....

Quer dizer então que a meninas depois de desabafarem aqui, depois de sofrer nas mãos de pessoas nas quais confiavam, são obrigadas a ler isso??

É, sinto muito por vcs meninas, muitas vezes chorei e sofri com vcs. Hj choro novamente pq no fundo, no fundo, ningguém se importa.

Zebra disse...

1. É possível encontrar o cara mesmo que ele tenha um email fictício;
2. Vc diz que ele pode não ter cometido crime nenhum. Porém, ele pode sim ter cometido outros crimes e não estar contando pra vc.
3. O mais sensato seria ter entregado esse email às autoridades. Uma investigação é no mínimo necessária diante de uma confissão de um crime assim.
4. Mesmo que ele tenha deletado o tal email fictício, é possível chegar até ele (obviamente, vai depender da boa vontade da polícia e seus hackers).
5. Faço coro com as feministas: foi desnecessário dar voz a um estuprador.
6. Apesar de discordar de alguns posts seus, ainda acredito que o seu blog é essencial para o feminismo brasileiro e, portanto, não deixarei de lê-lo. Entretanto, eu sugeriria que você, ao receber emails como este, não tomasse uma decisão sozinha. Querendo ou não você faz parte de um movimento e eu acho no mínimo sensato pedir a opinião de outras companheiras feministas antes de postar algo assim (repito, só nesses casos de confissões de crimes).

Anônimo disse...

Entendo o lado de todo mundo, e vi que muita gente leu mas não entendeu direito os dois textos. E já partiu pro ataque, como se a Lola defendesse os estupradores.
Gente, ninguém tá defendendo os estupradores.
Ela postou isso pra causar reflexão, e não vejo problema nenhum que seja num blog, em pleno século XXI!
Entendo as vítimas de estupro, também já fui vítima. Mas não dá pra distorcer dessa forma o que foi dito.
A Lola defende os direitos humanos, e foi isso o que quis dizer ao se referir às pessoas que desejam a morte dos estupradores como reacionários.
Ela não pediu em nenhum momento para perdoarmos ele, ou para que as vítimas perdoassem.
Mas para enxergarmos além do âmbito pessoal, para ver que "PERA AÍ, então existe uma fagulha de esperança na humanidade". Não são só monstros que estão soltos por aí. Tem gente que comete um crime e se arrepende, tem gente que erra e se arrepende. E se ele procurou ajuda AQUI, é um sinal de a luta tá gerando resultados. tá gerando reflexão. Tem gente se dando conta de que é estuprador. Ele tem que ser punido ( e talvez já esteja sendo pela própria consciencia)?? SIM, ele tem quer ser punido.
E por que não reabilitado também, pra que nunca mais cometa esse tipo de crime?
Qualé a das feministas ULTRA MEGA RADICAIS querendo o linchamento da Lola? Cadê o respeito galera? Não conseguem debater sem agredir?

Anônimo disse...

como uma pessoa que já sofreu abuso, só digo que considero uma coisa essencial dos espaços feministas é que eles sejam seguros. Publicar um post como esses dois últimos e ignorar todo um público que te segue que também foi vítima de estupros e o provável desconforto que esse relato causaria neles, é meio falta de empatia sim.

nina disse...

Entendo alguns pontos. Mas, nascida numa sociedade com 2000 anos de cristianismo, acho bastante ingênuo achar que seus valores não são cirstãos apenas porque seus pais te criaram sem religião.

Anônimo disse...

Estou contigo, Lola. Não vi problema em mostrar "o outro lado". É importante para entender o que gera um estuprador: muitos foram também abusados. E não vejo problema nenhum em levantar a discussão.

O que me deixou puto nessa história foi a reação de algumas pessoas em seus blogs por aí: como se por causa dessa postagem você tivesse automaticamente deixado de ser feminista; que agora seu blog virou um lixo, que nada mais aqui presta. Tiraram sua carteirinha de feminista e agora você é inimiga das mulheres rs.

Poxa, pessoal! Vocês não sabem o que é discordar não? A gente deve ler, refletir, criticar. Ninguém é obrigado a concordar com tudo e a Lola nunca disse pra concordarem e certamente nem espera isso.

Um eventual "deslize" (na opinião de alguns) desmerece todo o trabalho da pessoa? Sei lá, vocês deixaram de ler Platão devido à misoginia dos livros dele? Não sabem "filtrar"?

Lola, receba meu abraço virtual.

Ricardo

Anônimo disse...

Lola, li o outro post, li esse, li os dos que estão te atacando publicamente. Eu já tive uma experiência ruim. Mas ainda assim, consigo enxergar do seu ponto de vista e fiz um grande esforço para compreendê-la, mesmo por já ter conhecimento do seu blog há muitos anos. E só digo que estou DO SEU LADO e, ao contrário do que andei lendo por aí, não encontro justificativa para excluir seu blog da minha lista. Abrir a cabeça nunca é fácil, mas quando a gente consegue... vale a pena. Obrigada por essa chance.

Feminista da Direita disse...

Estuprador arrependido ? Rararara! É a mesma coisa que aquele cara que espanca a mulher depois trás flores e pede desculpas.

Eu me considero feminista e SOU contra a esquerda e o comunismo (sao movimentos extremamente machistas, muito o contrario do capitalismo, que liberta. Oras vejam bem, no capitalismo posso ser empresaria e o que eu quiser.)
Eu me considero feminista e SOU a favor da diminuicao da maioridade penal. Oras se o moleque de 15 anos tem idade pra estuprar e matar deve ser punido com a mesma severidade dos seus atos. Fico impressionada como o cara de 17 anos estupra e vai fazer "serviços comunitários"? Isso ê OFENSIVO para as vitimas

Eu me considero FEMINISTA e SOU a favor da castracao química de um estuprador.

Eu com certeza sou MUITO MAIS FEMINISTA QUE MUITAS AQUI porque eu realmente quero a mulher livre para ela ser o que ela quiser. E no comunismo e todo esse papo de direitos humanos (que sim DIREITOS HUMANOS DEVEM SER PARA QUEM É DIREITO, LÓGICO)
Por isso sou feminista de coração, mas nao posso participar de nenhum movimento, pois o feminismo atual e principalmente o brasileiro (que defende funk carioca) NAO É FEMINSMO

Anônimo disse...

Liz Santiago, concordo com você. Muito sensata a forma como você escreveu.

Anônimo disse...

A empatia NÃO é com o estuprador, a empatia é com a próxima vítima!!!
Uma próxima vítima que pode NÃO existir, que pode NÃO acontecer.

Eu queria que não tivesse acontecido comigo. Todos os dias eu quero isso.
Não entendo porque não me mataram, porque me deixaram viver. Eu queria ter morrido naquele chão de banheiro. De fato eu fiquei lá, minha vida parou lá. Aos nove anos.

Achei que em algum momento da vida eu ia achar sentido em continuar viva. E eu olho pra minha filha, hoje, e nem isso me dá esse sentido. Eu continuo achando que eu MERECIA que tivessem me matado, nem isso eu recebi, nem a dádiva de ir embora dessa vida.

Então, eu não tenho empatia com estuprador, eu tenho empatia com as próximas vítimas, para que elas não tenham nunca que passar por isso, para que ELAS não tenham que morrer em vida. Para que elas não sejam zumbis se arrastando na face da terra, vivendo os últimos dias da vida que não acaba nunca.

Isso é algo que me dá uma pontinha minúscula de conforto: saber que um estuprador, qualquer um, não vai nunca mais fazer isso, saber que alguém se salvou, porque eu não me salvei.

Anônimo disse...

Eu, na infancia, fui abusada por tres pessoas diferentes, os abusos seguiram por anos. Todos os abusadores eram mais velhos que eu, mas nenhum deles tinha mais que 15, enquanto eu tinha entre 6 e 12. Todos muito proximos, de modo que me identifiquei com as vitimas do tal estuprador. Mas ate hoje convivo com dois deles e sei que nenhuma pena é aplicavel, por maiores que tenham sido as sequelas na minha auto estima e vida sexual. Meu unico alivio é saber que as pessoas mudam, que na epoca essas pessoas podiam não saber o mal que estavam me causando para saciar a propria curiosidade, mas que hoje talvez saibam, tenham se arrependudo e nunca mais façam isso. O post, ppr mais que tenha aberto uma ferida grande, me aliviou, mostrando que talvez eles saibam o que fizeram comigo.

A.F. disse...

Lola diz que contraditórias com o feminismo são as feministas que não se importam em defender os sagrados "direitos humanos" duzomi e querem punição para estupradores e afins.... mas não é contraditório com o feminismo viver se preocupando com uzomi e protegendo os "direitos humanos" duzomi, direitos esses que são negados às mulheres, que em última análise são direitos construídos contra e em oposição aos direitos das mulheres!

Por que você acha que estupradores são tão protegidos pela sociedade e somente uma quantidade insignificante deles sofrem algum tipo de punição? Por que as vítimas de esturpadores que ficam com a culpa no fim da história? Porque os homens tem o direito de estuprar e a sociedade machista protege de todas as formas possíveis os estupradores.

Essa sociedade machista nunca vai fazer o que a Lola tanto teme (e o que as feminisas "malvadas e contraditórias com os direitos humanos duzomi" tanto querem). A sociedade machista nunca vai deixar de se importar com os "direitos humanos" duzomi e punir consistentemente os estupradores, muito menos com a morte. Isso seria o contrário do que defende todo o sistema de leis que os homens criaram pra se proteger. Isso seria a total auto-destruição da sociedade machista, seria seu suicídio.

Mas contraditório com o feminismo é não proteger os sacro-santos "direitos humanos" duzomi e não gastar todas suas energias em defesa de uma suposta reabilitação de estupradores. Pois, segundo a Lola, é contraditório com o feminismo se preocupar com o bem-estar e a proteção das mulheres e demais vítimas dos homens e não vale a pena buscar punição real para os estupradores, sem fazer reverência aos sagrados "direitos humanos" deles... mesmo que essa punição dos estupradores beneficie objetivamente todas as mulheres e as demais vítimas deles.

É esse tipo de "feminismo" que é totalmente contraditório pra mim, esse "feminismo" que faz o mesmo que a sociedade machista: coloca uzomi em primeiro lugar, sempre.

Anônimo disse...

O que é foda é ler esses comentários de vítimas que não percebem que só punindo excessivamente o seu estuprador (pena de morte, castração química e afins) elas não estariam ajudando em NADA a sociedade, não estariam evitando futuras vítimas. Tu quer que ninguém mais sinta o que tu sentiu? Matar/castrar/prender para sempre não é a solução então. Mas se for só vingança pelo gostinho do sangue, aí sim, pode ser a favor de morte de estuprador a vontade.

Patrick disse...

Lola, nas últimas décadas a nossa sociedade passou por um forte processo ideológico de "endireitamento". Mesmo pessoas auto declaradas de esquerda e militantes não estiveram imunes a esse processo*. Constato isso diariamente nos ambientes que frequento: sindicato, partido político, movimento social, ... A rigor, difícil é encontrar alguém como você, coerente em todos os sentidos e sempre pronta a questionar e se questionar, mantendo-se distante de qualquer zona de conforto. Minha admiração só cresce a cada dia.

* exemplos que encontro no meu dia-a-dia vão da estrutura de poder público, com o nosso governo federal quase sempre à direita dos nossos desejos, ao amigo simpatizante do PSTU que acha um absurdo, já que ele tem carro, ceder uma faixa da avenida com exclusividade para ônibus.

jacmila disse...

Muito esquisito, contraditório, revoltante a dona Lola tratar bem um suposto/anônimo estuprador - pq não vai mostrar a cara nunca, convenhamos - e ter me tratado com agressividade num dos post, e logo eu q não minto e ainda quero mostrar a cara! Minhas suspeitas, agora confirmadas, é q tem gente, como a dona Lola, q prefere os homens mascus, estupradores, assediadores sexuais e/ou morais a mulheres "cis" - putz esse termo químico nos torna ainda mais irrelevantes...chocante tb é pensar q nem a castração química pode conter a perversidade humana...

Paulo Tarso disse...

No Brasil, um condenado por estupro, um pedófilo, pega no máximo doze anos de prisão pelo seu crime, e dos doze anos, devido as reduções absurdas de pena, ele fica no máximo 4 anos atras das grades. e quando fica, não trabalha, apenas come e dorme.

Anônimo disse...

Lola, estou de acordo com esse post.
Na verdade, me irritou muito saber que um monte de feministas que se dizem militantes dos direitos humanos começaram a soltar esse tipo de coisa....

Anônimo disse...

Outra coisa.. achei interessante o post do cara ter sido publicado. Como muita gente aqui disse, tem muito estuprador que nem sabe que o que fez foi estupro.
Isso vindo da voz de um próprio pode conscientizar outros a pararem de estuprar, já que só as vítimas abrindo a boca não adianta.. triste, mas a verdade.

jacmila disse...

No meu trabalho convivo com 5 pessoas do genero masculino. Todos machistas. Um deles resolveu me assediar moralmente e isso já dura 4 anos. Se eu decidir abrir processo ele vai contar com o apoio dos e das machistas e de todo um sistema escroto e serei eu a ruim da estória. Então tenho q lidar com minha raiva, o meu nojo disso tudo indo pra psiquiatra, mexendo na terra - nas enxadadas fantasio q estou dando na cabeça deles. Ou seja, quem sofre na mão desses psicóticos é q tem q se virar pra administrar a corrosão do ódio enquanto eles estão dando risada num boteco qualquer.

Agora imagina no caso do estupro literal, o ódio misturado com a sensação de impotência diante da impunidade dessas figuras.

Mas eles podem ser perdoados...é só escrever pra dona lola, elogiá-la e mostrar - por palavras e sem mostrar a cara - arrependimento.

E nós é q somos "reaças". Ha vá!

Td bem a dona lola não querer fomentar o ódio no blog dela mas...impunidade e abraço?!

Anônimo disse...

Lola, leitoras e leitores:

Com toda essa história polêmica do arrependimento do estuprador, eu pensei muito e percebi que sou vítima de severa agressão psicológica por parte do meu namorado e me vi presa a uma relação completamente torturante e preciso de ajuda para conseguir sair desse martírio.

Fiz um blogue relatando o que eu sinto, o que acontece aqui dentro de casa, pedindo ajuda para conseguir sair dessa relação.

O endereço é http://violenciapsicologica.wordpress.com/ e eu agradeço às pessoas que possam me dar auxílio, uma vez que já não possuo contato com amigos ou familiares.

Estou numa situação horrível, apavorada, sem ter idéia de como sair desse relacionamento e seguir a minha vida.

Preciso muito de apoio de todas vocês.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Esse assunto é mesmo difícil. Nessa madrugada de insônia acabei assistindo um episódio de Law and Order SVU e o tema era exatamente um adolescente de 13 anos que havia estuprado um menino e três meninas, todos mais novos que eles. As vítimas não estavam dormindo, ele as convencia a fazer coisas com ele e no momento em que elas pediam pra parar ele não parava. O estranho é que ficava claro que o menino não achava mesmo que tinha estuprado, ele havia repetido o que tinha aprendido nos filmes, nas músicas e na cabecinha dele a negativa das vítimas fazia parte do ritual sexual, mulheres dizendo não quando queriam dizer sim, esse tipo de coisa. No episódio todo mundo fica muito perdido, ele acaba sendo encaminhado pra uma instituição psiquiátrica, mas não demonstra ter problemas psiquiátricos ou ser uma pessoa ruim, uma criança que estava confundindo o que era certo o que era errado, bom ou ruim.
Enfim, é um assunto muito complicado. Acho que dar voz a esse rapaz foi importante porque temos mesmo que saber o que leva uma pessoa a fazer esse tipo de coisa, de outra forma não teremos nem como tentar evitar que esse tipo de coisa acontece.
Mas entendo a raiva de quem passou pelo trauma, principalmente por ser chamado de reacionário por simplesmente reagir emocionalmente a algo que lhe fez mal. Quem passou por isso não tem mesmo que gastar tempo tentando ter empatia ou pensando na reabilitação de agressores se isso não faz bem. E nesse ponto, Lola, na minha opinião acho que você continua errando em insistir nisso. Mas enfim, como você disse, não tem como concordamos em tudo.
Abçs e bom fim de semana.

Anônimo disse...

Lola, concordo com nossxs companheirxs feminisas. Sou homem, então talvez entenda menos ainda a dor que é passar por um estupro, já que este comportamento agressivo e machista vem de relações de gênero que tornam apenas meninos jovens mais suscetíveis a tal, já que mulheres são abusadas insistentemente em qualquer fase de suas vidas, por ainda serem tidas como vulneráveis.

Acho muito desagradável dizer publicamente que deve existir uma reabilitação para estupradores e pedófilos, sem nem ao menos pesquisar se existem meios efetivos para que isso aconteça. Isso sim é comportamento reacionário. Sou psicólogo e posso dizer que atualmente ainda não existem meios terapêuticos para "reabilitar" estas pessoas. Não há tratamento para este tipo de caso, como faremos então? Reabilitaremos de qual forma? Arriscaremos o fato de que existem elevados índices que levam a crer e o abuso ocorrerá novamente mesmo depois de uma "correção"?

Agora irei mais longe. Que tipo de direitos humanos é esse que só é viável depois de uma "reabilitação" e "correção" para interação social? Isto não é Direitos Humanos, Lola. Esse tipo de coisa é o que faziam décadas atrás nos hospícios, quando jogavam pessoas socialmente inaceitáveis em um buraco e as deixavam lá para serem "corrigidas", ou pra ao menos não incomodarem mais. Na situação que tu escreveste a lógica "direitos humanos para pessoas direitas" é tão gritante quanto. Pense no filme Laranja Mecânica, está aí o tipo de "cura" viável para este tipo, falando de forma metafórica.

Não se iluda, Lola. Existe diferença entre instigar discussões e instigar discussões sem fomento para o que se propõe. Se me apresentarem de forma aprofundada técnicas efetivas que não distorçam o Self do estuprador e que não o tornem robôs por não fazerem nada além de reprimir seus desejos, pensarei de forma crítica na tua proposta.

Enquanto isso não acontece, estuprador tem que ser punido sim e precisa ficar afastado de possíveis vítimas. Direitos humanos é fundamental sim, mas sociedade é complexa demais pra ser ingênuo e achar que direitos é para todxs. As relações são bem mais complexas que esse discurso, Lola. Por isso que, quando se fala em direitos humanos levanto a bandeira para aqueles que ainda não os têm. Não levanto a bandeira para aqueles que já têm direitos até demais, como os estupradores, que como tu bem disse saem impunes na maioria dos casos.

Liz Santiago disse...

Vejam como a discussão descambou para um território perigoso. "Os direitos humanos devem ser levados em consideração de acordo com as circunstancias" "direitos humanos para quem é direito" ? Isso é trollagem?
Por mais difícil que seja é preciso entender que os direitos humanos, direito à dignidade da pessoa humana, é talvez o único direito absoluto que existe. Todos os outros podem ser relativos, até mesmo o direito à vida. Mas sinto muito informar, os "monstros" aqui citados, também tem direito a ter sua dignidade respeitada, ainda que diante de uma punição. E quem discorda deveria refletir um pouquinho sobre o quê está incitando aqui nos comentários e depois entrar numa maquina do tempo e fazer uma visita a um gulag.

Louise disse...

O estupro no Brasil é tal banal que já estamos dando voz ao estuprador e à sua "dor". Fico imaginando mesmo qual deve ser a dor de quem estupra, uma dor terrível, uma dor que marca a vida do estuprador para sempre e o deixa traumatizado! E coitado, se engravidar da dor ainda vai ter dificuldade para abortá-la.

Falando sério, vejo que as pessoas se apropriam de modo bem inconsequente dos discursos da Criminologia Crítica. Falam o tempo inteiro em "reinserção", sem se questionarem se todos os crimes são iguais, se causam os mesmos danos e nas mesmas proporções,se crimes perversos e que não têm suas causas ligadas à desigualdade e à marginalização são realmente passíveis de serem evitados pela ressocialização ou reinserção do criminoso...

É por pensamentos assim que a lei Maria da Penha está praticamente morta. Aqui no Rio, os juízes teimam em "conciliar" casais em que o homem já tentou esfaquear a mulher na frente dos filhos, já a estuprou seguidas vezes etc. Tudo em nome do "não punitivismo" e aí dá no que dá, mulheres mortas por seus companheiros, mesmo após terem feito a devida denúncia às autoridades competentes, e o desestímulo às demais mulheres de procurarem ajuda do Estado.

Obs: Lola, sugiro-lhe que pesquise para descobrir quanto tempo um estuprador fica atrás das grades por cometer um crime tão grave. Acho que você jamais ousaria chamar feministas de "punitivistas" se tivesse dimensão do que está acontecendo hoje no Brasil com aqueles que praticam o mais abjeto dos crimes contra um ser humano.

Pri disse...

Eu só acho que as pessoas estão distorcendo o que foi dito nos dois posts!

Em nenhum momento a Lola está defendendo o estuprador, ou minimizando a dor da vítima nem pedindo para que todos os estupradores sejam perdoados!

A grande questão é que uma pessoa que faz qualquer tipo de atrocidade ou maldade nunca poderá reconhecer seu erro, se arrepender e tentar recomeçar a vida? Então porque já não sentenciá-la a pena de morte, já que a punição com prisão por alguns anos não tem serventia nenhuma?

indignada disse...

foi feminista, fui estuprada, não acredito em recuperação de pedofilos, acredito que se eles morrerem melhor, sou reaça por isto? ok

é uma conversa muito bonita de que temos de perdoar, por mim eu mesmo matava com minhas mãos

Anônimo disse...

Com relação à questão de aqui ser um ambiente seguro para vítimas de estupro, acho que uma boa solução seria utilizar realmente trigger warnings no início dos posts, assim individualmente se decidiria sobre ler ou não determinado post. Eu, por exemplo, quando percebo pelo título ou início do relato que vai ter uma descrição de estupro, não leio. Dessa forma a Lola e quem mais se interessar continua discutindo assuntos complicados e angustiantes, mas sem machucar alguém sem a intenção. E o que eu digo não tem nada a ver com "os incomodados que se retirem" e sim com garantir a segurança dxs leitorxs, e ao mesmo tempo preservar discussões como essa, que acho sim importantes.

Henrique Fragoso disse...

Oi, Lola.

Duas perguntas:

1) No caso de psicopatas que cometem estupros, você considera possível reabilitá-los, inclusive através do perdão?

2) Ao considerar a hipótese do rapaz que lhe escreveu não estar arrependido, você considerou a possibilidade de estar interagindo com um psicopata?

Desde já agradeço sua atenção.
Abraços.

Luci Araújo Beauvoir disse...

Compreendo o que a Lola tentou dizer, mas francamente: colocar o estuprador como vítima, Lola?

Confesso que mesmo sendo uma ferrenha defensora dos direitos humanos, e acreditando na reabilitação dos indivíduos, eu não consigo ter empatia pelo estuprador. Não tenho a menor compaixão por alguém que violenta sexualmente uma mulher, uma criança, um jovem. Não sei, terei que reler várias vezes este comentário da Lola, porque desta vez ela ultrapassou todos os limites, incluindo do bom senso.

Nestas horas eu lembro de Dogville, de Lars von Trier, e do quanto estou mais próxima da personagem Grace (interpretada divinamente pela Nicole Kidman) do que gostaria, porque meu humanismo também é falho, tem limites.

Thomas disse...

Ótimo post, Lola. Nem li os comentários mas presumo que mesmo você tendo explicado e justificado todos os seus pontos, ainda vai ter uma legião de pessoas que vai escolher ignorar tudo o que você disse e continuar com o hate sem sequer refutar o seu post.

Anônimo disse...

Lola,
depois de todas as pessoas que passaram por abusos e estão sofrendo com este post, você ainda acha que está conseguindo ajudar na ‘reabilitação’ do estuprador?

Vale a pena fazer as suas leitoras que foram abusadas passarem por tal sofrimento ao ler a palavra do estuprador, por uma suposta ajuda para reabilitação dele? São perguntas sinceras.

Anônimo disse...

Olá Lola,

Já deixei comentários ontem (eu que nem comento com frequência) e voltei hoje para dar uma olhada nos comentários, percebo que algumas pessoas continuam revoltadas com a postagem e continuam fazendo uma leitura completamente diferente da minha. Então que quero dizer que para mim foi interessante sim ver esse post publicado e que eu gostaria muito de saber que algumas daqueles pessoas que abusaram da criança que eu fui, da adolescente (o médico, o vizinho...) fizessem um exame de consciência, que se arrependessem. Eu sonhei muito com vingança, hoje tenho mais de 40 anos, muita terapia e estou mais leve, consigo pensar e não ter só ódio me alimentando. Não critico essas pessoas, mas elas não podem decidir o que você pode ou não pode publicar ou tirar a sua carteirinha de feminista. Meus parabéns, querida Lola, você é muito corajosa. Eu não tenho coragem nem de assinar o meu comentário hoje, conheço gente demais que vem aqui e eles não precisam saber certas coisas sobre mim, seria um sofrimento desnecessário para quem amo.

Marcela. disse...

Primeiro quero dizer que adoro o blog. Você escreve muito bem e já me fez refletir bastante sobre inúmeros aspectos. Mas hoje, pela primeira vez, quero dizer que discordo completamente de você quando diz que: "Reaça é aquele que quer castração e pena de morte para estuprador" e "O feminismo, como parte dos direitos humanos, deve acreditar na reabilitação das pessoas". Nem sempre é possível acreditar nessa reabilitação, Lola. No Brasil não vivemos um momento em que há excesso de punição para estupradores. Muito pelo contrário! Para começar, a maioria das vítimas nem denuncia. As poucas que denunciam costumam ser desacreditadas. São julgadas e condenadas pela mídia, sociedade, delegados, promotores e juízes pelas roupas que vestem ou pela forma como se comportam. Nas raras vezes em que o estupro é provado, quantos criminosos são presos? Dos que são presos, quanto tempo cumprem de prisão? Quantos voltam a cometer o mesmo crime? Enfim, desnecessário falar que "quem deseja a pena de morte ou a castração de estupradores é reaça". Enfim, quantos homens, antes de sair de casa, ou, PIOR, antes de voltar para casa, temem sofrer um estupro? Quantos? E quantos homens temem ser punidos por terem passado a mão ou forçado um beijo numa balada? Quantos homens brancos e de classe média serão minimamente reprimidos pelos estupros que cometem? Quantos? E, aprendi com você: "Toda mulher tem uma história de horror para contar" Enfim, não me considero radical, mas não dá para ter empatia por estupradores, ainda que arrependidos. Não dá para chamar de reacionária uma mulher que não perdoa e que quer a pior pena possível para o mais cruel dos algozes, o mais cruel dos torturadores. Lola, o problema não foi o debate, mas a forma como ele foi proposto. Para que colocar depoimento de estuprador arrependido num blog feminista? Imagino a quantidade de leitoras que já foram estupradas e, diante da nossa realidade atual profundamente machista, sequer tiveram a coragem de denunciar... Imagino que elas gostam do blog justamente porque se sentem acolhidas e compreendidas... (como você, aliás, sempre fez e vai continuar fazendo. Prova disso é a quantidade de posts sobre o tema, sempre dando a palavra para a vítima.) Mas... para que usar a palavra "perdão"? Por que chamar de reacionárias as mulheres que, diante da impunidade praticamente absoluta que vivenciam no Brasil, sendo julgadas e condenadas pelas roupas e enfrentando o machismo da mídia, da polícia, da família e do judiciário... apenas reagem. Apenas desejam. Só isso: um desejo. Colocar essas mulheres na posição de radicais, de reaças ou contrárias aos direitos humanos apenas por DESEJAREM que os estupradores sejam punidos de forma menos civilizada? Qual a distância entre esse desejo e a realidade brasileira? É imensa. Num debate real sobre uma possibilidade real de pena de morte, a coisa seria bem diferente. Mas essa não é a nossa realidade. A realidade é que estupro é um crime universal. A realidade é que não há lugar seguro nem dentro nem fora de casa. A realidade é que a vítima é sempre vista com desconfiança por todo mundo. A realidade é que a impunidade é praticamente a regra pois são muitas as autoridades que acham que "puta não é gente". A realidade é que todas todas todas todas todas todas todas todas as mulheres podem ser a PUTA DA VEZ. Diante da realidade, considero justo e legítimo que uma mulher deseje que estupradores sejam punidos de forma nada civilizada. É só uma reação. Quase um instante de legítima defesa diante da ameaça constante não apenas de estupro, mas, acima de tudo, de impunidade e de injustiça.

lola aronovich disse...

Anon das 13:59, o sofrimento das vítimas não tem nada a ver com a reabilitação de estupradores. São coisas independentes. Mesmo com punição e ressocialização dos estupradores, muitas vítimas continuarão sofrendo. Punição e reabilitação não servem para atenuar o sofrimento das vítimas. Atenuam só o sofrimento da sociedade, que ganha se um estuprador deixar de estuprar.
Meu post não foi sobre um estuprador em particular. Foi uma discussão do punitivismo, de como isso não é condizente com os direitos humanos e, consequentemente, com o femnismo. Punitivismo que, como se pode ver em alguns comentários, está vivíssimo entre muitas feministas. Concordo 100% com o Allan Patrick: temos sofrido um "endireitamento" ideológico muito forte nas últimas décadas, mesmo entre as pessoas de esquerda. Que uma feminista não possa trazer à tona o tema da reabilitação mostra bem isso.


Pra quem tá dizendo que tem mascus me apoiando (tipo o Thomas Toddy), acho que vcs não têm a menor ideia do que seja um mascu. Acho que o Thomas é um machista garden type variety, não um mascu. Mascus são reaças: defendem pena de morte e/ou castração (e nada de castração química, castração no facão mesmo) pra estupradores (pra outros criminosos, tipo ladrões, mascus defendem cortar a mão). Claro que mascus só acreditam que existe estupro em vielas escuras à noite, cometido por um monstro psicopata desconhecido. E claro que mesmo assim eles vão culpar a vítima (o que ela estava fazendo andando na rua à noite?!). E claro que mascus gostariam que feministas, esquerdistas e defensores dos direitos humanos fossem condenados à morte também. Eu não vou cometer a indelicadeza de comparar ninguém com mascus, mas podem ter certeza que eles continuam me odiando (e ameaçando) com todas as forças e que eles não têm o menor carinho por quem fala em reabilitação de criminosos.

Anônimo disse...

Mas uma vez falando dos extremos. Mesmo que algumas pessoas tenham tido que os mascus apoiam você, há sim machistas te apoiando agora. Quero dizer, homens que toda vezes que falamos em cultura dos estupro se sentem ofendidos como se estivéssemos falando deles em particular. E não de um problema social. Mas, Lola, qual o motivo de não postar meus comentários. Eu não fui desrespeitosa com você. Eu apenas disse que você terá que lidar com o ocorrido daqui para frente e que discordava da ferramenta que você usou para abordar o tema.

Vivi disse...

Oi Lola, desculpe, não tenho como concordar com a frase do Patrick inserida neste post. Sobre “ temos sofrido um "endireitamento" ideológico muito forte nas últimas décadas, mesmo entre as pessoas de esquerda. Que uma feminista não possa trazer à tona o tema da reabilitação mostra bem isso. “
Pois volto a dizer, as pessoas que não concordam com o post não estão dizendo que não concordam com reabilitação, não estamos dizendo que isso não deva ser discutido, por favor, não coloque as palavras em nossa boca!
O que estamos dizendo é: para se discutir reabilitação e punitivismo, é preciso “dar voz” ao estuprador em um blog feminista (que pessoas que foram estupradas irão ler?) . Será que não poderemos discutir reabilitação de outra maneira que não agrida as pessoas que foram estupradas? É esse o ponto da crítica.

Patty Kirsche disse...

Puxa, Lola, que bafão, hein?

Bom, eu fiz um curso rápido sobre violência de gênero este ano e percebo que foi uma experiência extremamente enriquecedora. Nele eu tive contato com mulheres que trabalhavam nos mais diversos pontos de atendimento a vítimas de violência. Foi ali então que soube da existência de pessoas que trabalham com agressores. Também conheci profissionais que têm verdadeiro asco de trabalhar com o agressor, que pensam que não se deve "cuidar" do agressor e coisas assim.

Eu acho que é natural ter raiva de estupradores, eles fazem uma ferida eterna em suas vítimas. Mas do mesmo jeito que existe alguém capaz de representá-los legalmente, existem pessoas que trabalham na reabilitação deles.

Imagina um estuprador em terapia? Não deve ser bolinho pra quem está atendendo. Eu já fiz coisas ruins e sinto remorso, também precisei falar em terapia sem escutar julgamento. Eu creio que o que mais incomoda no post é o fato de que estupradores quase não respondem pelos seus crimes. Então o desequilíbrio é na verdade social. Foi o que eu senti no curso. Existe uma insatisfação geral com a invisibilidade das vítimas, então por isso os agressores deveriam ficar invisíveis também. Mas alguém tem que trabalhar com agressores, se não a gente vai entrar num clima de pena capital.

Agora, com relação à Lola, nunca soube que ela tivesse algum compromisso de não trabalhar com agressores. Não acho que seja ofensivo publicar um relato dum estuprador arrependido. Eu também fui vítima de violência sexual como tantas aqui, mas apenas optei por não ler porque não me interessa. Mas pode interessar a alguém que queira entender os mecanismos de estupradores, até mesmo pra tentar atuar evitando que eles cometam estupros. Mostrar como funciona a mente dum criminoso não significa dar apoio a ele.

Feminista da direita disse...

Agora virei mascus porque desejo de coração que todo estuprador perca o Pinto.

Anônimo disse...

Parem de tentar enganar a si mesmas achando que enquanto os homens puderem e não sejam severamente punidos por isso, não vão mais estuprar. É muita culpa cristã passar a mão na cabeça de estuprador e perdoar seus crimes. Isso não torna vocês pessoas melhores, talvez no máximo vítimas melhores, porque eles não vão parar de estuprar nem estão realmente arrependidos. Se estivessem fariam alguma coisa para parar seus crimes contra as mulheres, contra as crianças, contra a natureza e contra os animais (e até mesmo cadáveres, que muitos deles estupram). Não existe até o momento nenhuma trégua para as vítimas dos estupradores, quanto mais reparação.

Para esses seres podres, insensíveis e destrutivos só tenho uma coisa a dizer: Estuprador morto não estupra!

Anônimo disse...

Oi Lola... Primeiro, desculpe postar como anonima... Primeira vez que faco isso, mas hoje tera que ser assim. Quando eu tinha uns 6 anos (nao tenho ideia exata), sofri abuso sexual do meu avo. Mais de uma vez. Na epoca, eu sabia que era algo errado, mas nao tinha muita nocao da gravidade. Aos 6 anos fui estimulada sexualmente e isso antecipou de forma nada natural varias etapas. So percebi o quanto tudo o que aconteceu foi grave quando estava entrando na adolescencia. Quer dizer, so tive plena consciencia nessa idade. Porque antes disso eu ja mostrava sinais de depressao. Mas mais uma vez, so na minha vida adulta, ao fazer terapia, percebi que o que eu tive, com uns 7 anos de idade ja era depressao com crises de panico. Entendi muitas das coisas que passei e que senti. Entendi o tamanho do estrago. Falei para a minha mae, apenas quando minha avo faleceu (ele era pai do meu pai). E para o meu pai eu so tive coragem de contar quando eu estava gravida da minha primeira filha, e para deixar bem claro que ele nao chegaria perto da minha filha e que, a partir daquele momento, eu nao conviviria mais com ele de forma alguma.

Bom, Lola, porque falo tudo isso... Porque eu, apesar de ter sofrido abuso, entendo perfeitamente o que voce fala. O que mais me deixou furiosa sempre foi ele nunca ter demonstrado nenhum tipo de arrependimento. Acho, sinceramente, que na cabeca dele, o que ele fez nao teve nenhum tipo de consequencia. Ele sempre foi uma pessoa ruim, inclusive para o meu pai. Sempre o torturou psicologicamente. E, ha uns 3 anos atras, tive a confirmacao do que eu ja desconfiava: de que ele ja havia abusado de outras meninas da familia. So que na epoca que tudo isso aconteceu, nao se falava tao abertamente dessas coisas. Nao tinha tanta reportagem na televisao a respeito. E, para falar a verdade, tambem nao sei se isso faria alguma diferenca. Com certeza ele deveria ser punido pela justica. Agora, mesmo considerando que ele tivesse sido preso, cumprido pena sera que sem o arrependimento, sem a exata nocao do que aconteceu e por que aconteceu ele mudaria? Certeza que nao. E provavelmente continuaria a fazer o que sempre fez.

Agora, teria feito uma diferenca imensa para mim, saber que ele se arrependeu. Se ele realmente sentisse o que me causou. E o que causou a outras pessoas. O arrependimento dele nao traria de forma alguma aquele pedaco da minha infancia que me foi roubado de volta. O arrependimento dele nao me faria chamar ele de vovo e querer que as minhas filhas fosse abracar o bisavo delas. O arrependimento dele nao me faria querer conviver com ele novamente. Mas me traria um pouquinho de paz. E ai, eu quero deixar claro mais uma vez, que isso nao tem nada a ver com nao querer que a justica fosse feita. No meu caso, por razoes que voce conhece tao bem, nada foi feito a esse respeito e ele tambem nao esta mais aqui nesse planetinha. Mas saber que ele por algum momento parou e pensou no que fez e sinceramente se deu conta do quao terrivel foi, me faria bem. Entao, sinceramente, achei muito interessante da sua parte a publicacao desse post. Porque foi alguem que se arrependeu. E parece sentir mesmo isso.

Fenix Vermelha disse...

Anonimx das 5:28, não é que o problema não tenha jeito, só não vejo como possa ser simples assim. Então a gente diz: "fulanx, isso que você faz não é sexo, é estupro", e aí ele percebe o erro, chora, se arrepende, não consegue mais dormir e pede desculpas, e então pronto, reabilitado? Que inocência de muita gente aqui! Desculpem, mas esse discurso "perdoai-vos, eles não sabem o que fazem", eu acho sim que ouvi em alguma missa.
A solução que vejo é educar as gerações futuras. Não sei se tem jeito para a nossa, não. Nem para as que vierem logo depois. Enquanto houver machismo, haverá estupro, e a gente sabe o quanto o machismo está longe de ser erradicado. Ou vamos fazer coro com quem diz que não há mais razão para feminismo hoje em dia, já está tudo resolvido? Basta avisar os coitadinhos que sexo não consentido é estupro, porque tadinhos, é só falta de informação?
Faço coro com x anonimx de 12:08. Quero saber que reabilitação milagrosa é essa.
Louise, super concordo com você.
Lola, quando o Thomas concorda com você e te aplaude, acho que é hora de repensar.
E para quem diz que o objetivo do post é só reflexão, que ninguém tá pedindo perdão para o cara, olha, eu não sou analfabeta funcional. Entendi isso, li e refleti. E concluí que não acredito nesse cara, que esse arrependimento é só para apaziguar a própria consciência, egoísta como todo estuprador é. Que eles são a pior face do patriarcado, protegidos por todo o machismo, que é a maioria! Então pq justo aqui seria espaço adequado para mimimi de estuprador?
Essa é a minha conclusão. Tenho direito a ela, ou sou obrigada a ser boazinha? Como ensinam toda mulher a ser.
E dizer que nós, que fomos vítimas de estupro, estamos reagindo emocionalmente, isso é tão, tão clichê. Isso sim é ser reaça. Há quanto tempo as mulheres são tachadas de emocionais, instáveis, hormonais, irracionais, histericas? Cadê a novidade, gente? Desqualificar vítimas é inovador? Caiam na real, não é a primeira vez que fazem isso comigo, nem com outras vítimas aqui, pode ter certeza. Figurinha repetida, bah.

lola aronovich disse...

Henrique, não sou psicóloga, não sei como reabilitar psicopatas. Mas, como disse no primeiro post, não acredito que todas as pessoas possam ser reabilitadas, e psicopatas, imagino, talvez estejam entre essas pessoas. Mas reabilitar é fazer com que a pessoa possa conviver em sociedade sem agredir outras pessoas. Isso não tem nada a ver com perdão. Não acho que perdão reabilita alguém. Talvez arrependimento seja um caminho para que o criminoso possa querer a reabilitação. Perdão é algo de foro íntimo, que às vezes pode causar mais bem pra vítima que pro criminoso, principalmente em caso de estupro dentro da família (como é o caso do T). Terça que vem vou publicar o guest post de uma moça que foi estuprada durante vários anos pelo irmão. É um post antigo (de fevereiro) que estava na fila aguardando publicação. No mesmo dia recebi dois emails de mulheres que, quando crianças e adolescentes, haviam sido abusadas pelo irmão. Tenho me comunicado com uma delas, que agora está reconstruindo sua vida e está muito bem (enquanto o irmão está péssimo). Não posso explicar o depoimento dela, mas acho que ele fala tudo, de um modo muito tocante e, ao mesmo tempo, didático. E mostra que vítimas têm jeitos diferentes de lidar com a dor. Não existe uma fórmula pronta.
Sobre sua segunda pergunta, eu já respondi no post. Não tenho vontade, tempo ou habilidade de investigar quem me manda emails. Eu acredito no que me dizem. No email mais inacreditável que já recebi, de um mascutroll que se tornou uma mulher trans, eu consultei algumas pessoas para ver se a história poderia ser verídica. Mas foi a única ocasião em que fiz isso.
E não é de hoje que as pessoas duvidam do que publico como guest posts. Tem quem ache que é tudo produto da minha imaginação fértil -- inclusive os comentários! Tipo: vc, Henrique, não existe. Vc sou eu. Mascus pensam que todos os 40 guest posts de leitoras que foram abusadas sexualmente são meus. Se vamos duvidar da veracidade de um guest post, vamos duvidar da de todos. Eu prefiro acreditar em todos.
Acho que T. não teria por que me escrever se não estivesse arrependido. É um anônimo -- o que ele quer provar? Pra quem? Até parece que ele é a única pessoa que abusou da irmã. Seu arrependimento me pareceu muito real.

Anônimo disse...

Vejo nos comentários muitas mulheres que não conseguiram superar a dor psicológica do estupro. Depois de muitos anos de terapia, e hoje bem resolvida com o meu passado, posso dizer que esse enfrentamento que muitas encontraram no post pode ajudar na superação. Se você enterra um problema lá no fundo, ele continua a existir. Se você se coloca frente a ele, vai doer, vai machucar, mas cicatriza. Cicatriza de verdade.

Espero que todas vocês que sofreram com o post encontrem amparo pra entender e seguir em frente, realmente. E que encontrem paz com o passado.

Lola, entendo seu post e suas intenções, mas de boas intenções o inferno está cheio.

jacmila disse...

Bem melhor do q falar em reabilitação de estupradores - e ficar acusando de reaças mulheres q foram estupradas e preferem a não existência desses criminosos - é pensar em educação. Em casa e na escola. E são duas instituições hiper conservadoras, a família e o sistema público de ensino brasileiros. Faço a minha parte: meus dois filhos não reforçam a cultura do estupro. Como arte educadora procuro focar no empoderamento das estudantes, só q @s "colegas" não gostaram e um está me assediando moralmente sob os aplausos velados dos demais. Um deles, evangélico, chegou a dizer com todas as letras: "cala a boca" e "os homens são superiores".

Gostaria de militar mais para e com o feminismo mas enquanto os grupos e pessoas como a Lola ficarem medindo nível de esquerdismo ou pendor para adulação e, na prática sororidade manda lembranças, desse jeito não dá gosto me dizer feminista não. sorry.

Fenix Vermelha disse...

Ok, Lola, arrependimento real, até aqui acompanho e concordo. Mas arrependimento com que objetivo? Ter noites de sono tranquilas? Egoísta, egoísta, egoísta esse desgraçado.
Você não é psicóloga e nem eu, então que tal umx leitxr psicólogx ou psiquiatra se habilitar para escrever a respeito? Se basta falar para o estuprador que ele é estuprador, ou para o machista que ele é machista, mandar todo mundo ler o blog da Lola e pronto, resolvido? O que pode ser feito? Acreditar em algo que nem conhecemos, sabemos ou vemos não é muito diferente de ter fé em Deus. É a seita da reabilitação, oremos? Se essa reabilitação existe (não falando de psicopatas, e sim desses que vocês tacham de normais), alguém explica como isso funciona? Ou vamos ficar nos achismos?
Lola, parece que você está tão orgulhosa pela alma que "salvou", que ficou cego para todo o resto. Amém.
E eu era tão sua fã.

Anônimo disse...

Lola um tio meu abusou-me tres vezes na minha infancia/adolescencia. Dois pequenos abusos , puxou minha calcinha, mostrou revista porn, mas o 3 foi pior, mesmo sem me tocar. Mostrou o penis para mim, a noite, estavamos sozinhos. Eu nada disse fui para meu quarto e me tranquei morrendo de medo que ele invadisse o quarto a noite. O medo foi como um estupro.

covivi com este homem a vida inteirna minha casa.

uma vez um desconhecido criticou a ausencia de crinho minha para com ele e eu fiquei REVOLTADA COM A CRITICA INJUSTA

COMO POSSO SER OBRIGADA A SER CARINHOSA COM UMA PESSOA QUE NAO ME ESTUPROU PORQUE DEUS/MEU ANJO DE GUARDA ME PROTEGEU

ELE NAO FORCOU A PORTA DO MEU QUARTO MAS PODERIA TE-LO FOITO. MEUS PAIS TINHAM VIAJADO

Entenda lola o quanto as mulheres molestadas devem terem se sentido molestadas com sua solidariedade a este cara

pense nisso. admita que errou chamando-o de vitima

VITIMAS FORAM O PRIMO E A IRMA. QUANDO ELE OS MOESTOU MESMO QUE O PAI TAMBEM TENHS FEITO ISSO ELE DEIXOU DE SER VITIMA E SE TORNOU VILAO E VILAO NAO MERECE PASSADA DE MAO NA CABECA

LOLA, ALGUEM CLONOU SEU PERFIL?

Fenix Vermelha disse...

Sem falar que, para passar por reabilitação, esses agressores teriam que ser PRESOS primeiro. Isso acontece? Heim?
Isso não é antecipar a discussão?
Por que discutir como punir, se punir, reabilitação e afins, em um cenário em que essas pessoas nem são responsabilizadas pelos crimes que cometem? Tem tanta, tanta coisa para resolver primeiro. No dia em que as vítimas forem atendidas sem piadinhas ou discriminação, que não forem mais culpabilizadas pela violência sofrida, que as leis se cumpram e os criminosos sejam responsabilizados, ou seja, que os direitos humanos DAS VÍTIMAS forem respeitados, aí quem sabe dê para falar dos direitos dos estupradores sem mexer na ferida de quem sofreu violência.

Fenix Vermelha disse...

Jacmila, exatamente. Educar as gerações futuras, sim, pode ser a saída. Lenta, sim, mas realista.

Lily - Marília de Lucca disse...

Como uma pessoa que tem contato muito íntimo com uma vítima de abuso sexual, eu leio o post da Lola e, ao contrário do esperado, concordo com cada palavra.
Criminosos tem sim que pagar perante a lei e perante a sociedade (especialmente suas vítimas) por seus atos. Mas não se pode desumanizarr essas pessoas. Elas precisam de tratamento, de carinho, porque eu acredito que o amor salva. E amar um estuprador não é falar "ok, tá tudo certo. Vem jantar lá em casa no domingo". Amar é reconhecer que não vivemos numa sociedade em que usamos "olho por olho".
Como alguém que se diz a favor dos direitos humanos, nega o direito de tratamento e reabilitação de um criminoso?
Como alguém que se diz contra maus tratos e tortura fala que não liga pra condições de vida de de uma outra pessoa?
Para mim, essa postura "estupradores que tenham todo sofrimento do mundo porque não são gente", é tão incoerente quanto gene que prega que pobre ladrão tem que se foder sendo que nossa sociedade trabalha duro todos os dias para formar pobres ladrões.
Vivemos, sim, numa cultura de estupro, portanto, a cada dia, homens são ensinados a estuprar. Como simplesmente culpar alguém por ter sido feito algo independente de sua escolha?
Esses homens precisam ir pra cadeia, precisam sim!
Mas isso não significa que não precisamos ter compaixão com a condição que se encontram. Precisamos ter um mínimo de senso crítico pra parar, olhar pra eles e perguntar:" porque você é assim?" E tentar achar respostas de como mudar a vida desses homens e dos que virão.
Isso não quer dizer que, se você é vítima de um estupro, você tem que ir lá bater um papinho com o canalha. Mas que você tem que aceitar que tem gente que trabalha com isso, na reabilitação de gente podre, que, por mais podre que seja, ainda é gente e tem direitos iguais aos seus.

donadio disse...

"Realmente só quem passou por isso sabe a dor que é"

Laura, isso me deixa extremamente desconfortável. Se isso é verdade, o que vc está dizendo é que a experiência humana é essencialmente incomunicável. E nesse caso, talvez fosse melhor desistirmos de viver em sociedade.

Nós aqui no Brasil, não passamos por uma guerra desde 1945, e por uma guerra em nosso território desde 1923. Isso invalida o horror que nós sentimos pelo que está acontecendo na Síria? Invalida a reflexão que nós eventualmente fizermos sobre o que está acontecendo lá?

Algumas pessoas aqui já foram estupradas. Outras, entre as quais eu, nunca foram. Nenhum de nós nunca foi assassinado, o que significa que nenhum de nós realmente sabe o que é ser assassinado. E no entanto todos nós consideramos o homicídio o crime mais grave que existe, ou não?

Eu acredito na empatia. Acho que, se não houvesse empatia, se não fôssemos capazes de entender a dor dos outros e nos solidarizar com ela, não haveria vida social possível. Acho que grande parte dos males que nos aflige é causada pela falta de empatia. E acho que negar a possibilidade de empatia, que é o que a sua frase faz, é aceitar que esses males - entre os quais o estupro - são inevitáveis.

******************

Estes dias li este artigo (em inglês) sobre o estupro do ponto de vista legal:

http://lawweb.usc.edu/centers/clhc/events/feature/documents/Rubenfeld.pdf

Gostei bastante, e recomendo. Uma das coisas que ele enfatiza é que o estupro costumava ser considerado pela legislação um crime contra a honra, o que não é mais o caso. E que, não sendo mais considerado um crime contra a honra, continua a ser considerado um dos crimes mais graves que há (o que evidentemente precisa ser), sem que se tenha ainda chegado a uma conclusão sobre o porquê ele precisa ser considerado assim.

Uma coisa que esse artigo não diz é que, embora o estupro não seja mais considerado um crime contra a honra pela lei, ele provavelmente ainda é considerado como tal por muitos de nós leigos. Receio que seja esse o subtexto de opiniões tais como "ser estuprada é pior do que morrer". De fato, há não muito tempo atrás, talvez ser estuprada fosse mesmo pior do que, ou tão ruim quanto, morrer. Tempos em que só havia três possibilidades para a mulher: a maternidade, que requeria o casamento, o celibato, como freira ou tia solteirona, e a prostituição. Tempos em que o estupro acabava com ambas as duas possibilidades mais ou menos positivas, o casamento e o celibato, e forçava a vítima a escolher entre a prostituição e o suicídio.

Pôr uma pedra definitiva sobre esse tempo significa também, entre outras coisas, deixar de ver o estupro como um crime contra a honra, e, consequentemente, deixar de ver a vítima de estupro como uma pessoa desonrada. Já é tempo. Mesmo se isso signifique que devemos ter uma visão menos apocalíptica do que o estupro significa do ponto de vista psicológico.

Anônimo disse...

Queria dizer que eu fui vítima de abuso, mas nunca deixei de acreditar que é pelo perdão, e não pelo esquecimento (vale salientar!), que podemos ser pessoas melhores.
Su atéia e creio que essas virtudes são para qualquer um!
Todos temos direito a tratamento, a ter possibilidades de mudar, a ter gente qualificada pra nos proteger da raiva do mundo com trabalho e empenho.
Eu não quero dizer que sou "super sussa" com meu estuprador. Não quero nem vê-lo!
Mas nunca desejei "todo mal do mundo" para ele, mas que ele pudesse encontrar quem tivesse disponibilidade emocional, profissional para ajudá-lo a se curar dessa doença social que é o machismo e a misoginia.
O ódio nunca é a solução e o amor é saber que gente é gente e precisa de cuidado, porque sem ele, todo mundo é um monstro em potencial.
No post eu não me revelo porque, apesar de meus amigos saberem, minha família ainda não sabe e tenho medo da reação deles, mesmo que já tenham passado dez anos.
Obrigada por tudo!

Li disse...

Lola, olhando os dois lados da coisa, acho que todos podem crescer com a polêmica do post.

Te dei razão pelo que você escreveu, e dou mais ainda agora. Mas uma critica que foi feita a você, e que é válida, é que quando você defende seu ponto de vista, em váááários temas, você tende a desqualificar as pessoas que venham a ter opinião contrária.

Acho que é uma característica da sua escrita e do seu modo argumentativo, mas talvez seja bacana tentar identificar isso quando for escrever os próximos textos.

Nesse post específico, você poderia pedir desculpas pra quem achou que você abordou o tema de forma insensível e tenha se magoado ou reaberto feridas.

abço

jacmila disse...

"Lola, parece que você está tão orgulhosa pela alma que "salvou", que ficou cego para todo o resto. Amém.
E eu era tão sua fã."

Nunca fui fã e agora menos ainda.

Fenix Vermelha disse...

E antes que alguém defenda que grupos de apoio a agressores (tipo AA - agressores anônimos) são a solução, gente, conversem com qualquer pessoa que conhece de perto ou já participou de um grupo assim, que essa pessoa vai te explicar: esses grupos só funcionam para quem quer ser ajudado. O que já é meio caminho andado para uma reabilitação. E aí, quem vai convencê-los de que estão errados e de que precisam de ajuda? Como? Só falando?
Olha, meu pai é alcoólatra. Há muito, muito tempo. Isso já causou infinitos problemas para ele mesmo, para a família e todas as pessoas que o amam. Hoje, inclusive, a bebida o deixou doente. Alguém já tentou convencê-lo dê que ele tem problema? De todas as formas, podem ter certeza. Os irmãos já até o obrigaram a experimentar sessões do AA, mas ele saiu de lá convencido de que nada daquilo tinha a ver com ele, aquelas pessoas "doentes". Já frequentei muita reunião do Al-Anon para aprender a lídar com isso, e vi que isso é bem comum.
Onde quero chegar? Não estou comparando alcoólatra com estuprador. Nem dizendo que estupro é vício. Estou falando da eficácia dê qualquer grupo de apoio. Como qualquer terapia, a pessoa tem que querer ajuda para ser ajudada. Tratamento compulsório, como a Lola defende (todos eles deveriam ser obrigados a participar desses grupos)... bem, não é por aí.

Anônimo disse...

Não tem relação direta com o assunto, mas achei interessante porque aqui também o suposto 'monstro' é encarado:
http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2013/08/09/mino-sobre-arendt-falta-quem-pense/

E vejam como a Arendt foi vista depois de descrever 'o monstro'
Leila

Anônimo disse...

Li,

mas a Lola pediu desculpas!
Leila

Anônimo disse...

Fui vítima de estupro quando criança, por um homem da minha família. Demorei muito tempo para conseguir até mesmo entender o que tinha me acontecido. Isso me afetou e afeta até hoje. Nunca tive coragem de contar para ninguém. É algo que me machuca até hoje, minha vida é mais difícil por causa disso. E jamais perdoarei a pessoa, embora eu seja obrigada a conviver com ela. Mas entendo perfeitamente o que a Lola escreveu e concordo com ela. Me desculpe as outras vítimas, mas uma coisa é aquilo que você sente, e outra é a justiça. Minha vontade, sinceramente, é de fazer todo o mal possível ao meu estuprador,fazer com que ele seja estuprado também.Queria poder machucá-lo como ele fez comigo. Mas essa é a minha vontade, racionalmente sei que não seria certo. É por isso que existem leis, e elas devem, na minha opinião, se basear sempre nos direitos humanos. É doloroso isso, mas o código de Hamurábi e o olho por olho dente por dente não deu e não tem como dar certo.

lola aronovich disse...

Ahn, Jacmila, vc já deixou quantos comentários aqui hoje? Passou o dia todo aqui. Vc não tem nada melhor pra fazer não? Noutro comentário vc disse que sua vida é bela e perfeita, então não tem carências. Olha... Não tá parecendo não.
Um tipo meio temeroso de fã é esse: a que é tão obcecada por vc e te adora tanto que, se vc não tiver tempo e por isso deixar de responder um email dela, ela se tornará sua maior inimiga. True story, né, Jacmila? E para de dizer que irá mostrar sua cara na próxima palestra que eu der em Floripa. Parece ameaça, hein?


Li, compare o tom do post com o tom dos comentários agressivos daqui, e veja quem está desqualificando quem. Eu fico impressionada com as pessoas atacando que juram que não é ataque! Aí, quando eu não permito a publicação do comentário, vem dizer: "Meu comentário não era agressivo". Não, né? Imagino o que seja uma mensagem agressiva pra essa gente -- uma enviada pelo Unabomber?

Clarice disse...

Lola, o assunto é delicado, mas enquanto nós, feministas, fugirmos dele - como as pessoas que estão te criticando e distorcendo completamente o post inicial tem feito - não sairemos do lugar. é preciso sim pensar no estuprador, não com dó ou o vitimizando, mas como autor de um crime. infelizmente o direito penal NÃO previne. doce ilusão imaginar que uma sociedade que tem pena de morte, castração química, prisão perpétua etc é livre de estupradores. não é nem nunca será.
parabéns pela coerência e coragem.

Samy disse...

Olá Lola,

Vejo pelos comentários que a opinião esta bem dividida eu compreendo os dois lados. Entendo as pessoas que foram violentadas, a dor que elas sentiram e que elas não são obrigadas a perdoar. Mas concordo plenamente com a Lola.
Em nenhum momento foi dito que a vítima deve perdoar, não é justo com ela, mas como sociedade deve se agir com a razão, a vítima tem todo direito de desejar a morte e todo o mal para o seu estuprador. O objetivo deve sim ser a punição, sou contra a pena de morte, mas acho que deve ser punido sim com um tempo justo de prisão para um crime hediondo. Mas não vi você em nenhum momento do texto falando o contrário, caso alguém tenha visto me sinalize nos comentários. O estuprador deve sim um ficar bom tempo preso mas também é necessária a sua reabilitação, afinal deveria ser essa a função da prisão não é? Punição e a ressocialização do preso. Pois de nada adiantará 30, 40 anos preso se a pessoa sair e trazer sofrimento para uma nova pessoa. E para reabilitar devemos sim entender a mente do algoz, sim sabemos que é o machismo mas para tratar a consequência devemos tratar da causa. Não vejo em nenhum momento do texto uma culpabilização da vítima e sim apenas uma tentativa de aumentar o debate. E em relação a reabilitação não é para o agressor dormir mais tranquilo não, é para que ele não faça outra vítima!
Como muito se falou que só pode falar quem já passou, eu já fui violentada também e NÂO perdoei pois não é minha obrigação e quanto a falar que todo estuprador sabe que estuprou não sei se é verdade, se eu por muitos anos não sabia que tinha sido, achava que era minha culpa já que todo mundo me chamava de vagabunda e fui eu que ocasionei... Só fui aprender de verdade com o feminismo e será que o estuprador que não deve nem se lembrar do que fez comigo, tomou consciência em algum momento que foi estupro? E se meu estuprador se arrependesse ficaria mais tranquila sim!!! Pois saberia que ele não iria fazer com outra pessoa mesmo ainda desejando a sua punição.
Vejo muitas pessoas falando em castração para agressores sexuais mas aí eu teria que concordar que estupro é simplesmente sexo MAS NÃO É! Quem abusa não é apenas para obter prazer sexual é pelo poder, pela humilhação da outra pessoa. Portanto um criminoso sexual que sofra a castração continuará abusando pois não são todas as agressões sexuais que necessitam de penetração.
Abraço Lola

Renata Velloso disse...

Eu penso assim. Concordo com a Lola em relação ao punitivismo, a necessidade de pensarmos em reabilitação e contra a lei do "olho por olho, dente por dente".

Por outro lado acho que não é esse o espaço para dar voz a um "estuprador arrependido" que não teve coragem nem ao menos de falar com as suas vítimas e se desculpar. Que espécie de arrependimento é esse?

A minha visão é que ele quis pagar de bonzinho num blog feminista pra conseguir ser perdoado a distância. Quer ser compreendido sem dar a cara pra bater.

Achei bastante covarde. Pra que isso, pras pessoas que ele prejudicou e não tem coragem de encarar leiam e compreendam o seus motivos? Pela reação das pessoas que foram abusadas parece que isso não vai rolar....

Samy disse...

E é muito traiçoeiro essa questão de escolher para quem são os Direitos Humanos. Quando se usa a expressão Direitos pra humanos direitos ou “cidadão do bem” você corre sério risco de uma hora estar do outro lado pois tudo vai depender da visão de quem está julgando...

Anônimo disse...

Eu prefiro ignorar a pessoa q abusou de mim - não houve conjunção carnal, ele era alguém "da família", de maior e bem mais velho q eu, gostaria q ele tivesse sido punido.
Me chocou ver relatos com os dizeres "meu estuprador".
Não pretendo ter contato nem pena nem perdoar. Não perdoaria 'socialmente' e manteria uma mágoa interna. Ele q se exploda!


Maaaasss ficaria satisfeita se soubesse q ele se arrepende e nunca mais fizesse novas vítimas.

Lola, entendo seus posts, entendo a discussão que vc quis levantar, estou do seu lado, mas um aviso cairia bem para pessoas q não lidam bem com essas lembranças.

E bola pra frente.

Fael disse...

Será que a questão é direitos humanos? Acho que o problema foi a insensibilidade de Lola ao publicar o guestpost do estuprador. Se os comentários sobre 'olho por olho' surgiram não é o problema central. Simplesmente jogar um post de estuprador numa blog onde muitas mulheres vem buscar apoio é o problema. Já se discutiu tanto a cultura do estupro que isso era desnecessário. Esse é o problema na minha opinião. Acho que há outras pessoas que concordam comigo.

Anônimo disse...

@Fael e demais

Já se discutiu tanto sobre a cultura do estupro, mas somente entre as vítimas. Percebe?

Acho q o post de T. é meio q um feedback.
De q adianta estarmos num clubinho dos excluídos sem fazer diferença?
E não é legal saber q estamos fazendo a diferença não só para geração futura?
Se estamos em processo de mudança, não vai ser de uma hora pra outra q a mudança vai ocorrer e quem já errou perdeu bonde e deve morrer.

Anon de 17:19

donadio disse...

"Chamar de 'reacionário' ou de 'excesso de punitivismo' querer a castração química de estupradores é uma conduta bastante incoerente.

Eu fui vítima de violência sexual aos 8 anos de idade e o cara só não chegou a consumar o ato sexual à força porque eu consegui escapar. Era uma pessoa da qual ninguém JAMAIS suspeitaria. Esse trauma me perseguiu durante o resto da minha infância e adolescência e ainda hoje me coloca em situações desagradáveis. As cicatrizes não fecham. E meu estuprador não conheceu punição alguma.

Quando digo que quero a castração dessas pessoas, não é somente pelo sentimento de 'justiça sendo feita através da punição'."

Aline, me desculpa, mas vc está sendo incoerente. Seu estuprador não foi punido. Isso apesar de haver uma pena (de cadeia) bem clara para estupro (ou tentativa de) no Código Penal. Se a pena do Código Penal fosse de castração química, ele também não teria sido punido. Por que o que faltou não foi a pena estar estabelecida no Código Penal. Foi outra coisa.

O que coíbe a criminalidade não é a severidade da pena, é a certeza da punição. E esse é o problema com o estupro em particular. A pena não é pequena (só é menor do que a de homicídio, e equivale à de chantagem e extorsão mediante sequestro). Mas a certeza da impunidade é ainda maior. Seu estuprador não foi preso por causa de toda uma série de dificuldades que existem em acusar um estuprador. Nenhuma das quais vai ser eliminada estabelecendo uma pena de castração química. Seu estuprador ficaria tão impune quanto... só teria escapado de uma pena mais pesada.

Josiane Caetano disse...

Lola, toda esta história lembrou-me um chefe de cozinha que sempre dizia "vc pode servir a comida mais maravilhosa do mundo, mas se um dia servir algo estragado, o restaurante será lembrado apenas por esta refeição" Na minha opinião, dar voz a um estuprador foi esta comida podre (não acho que eles mereçam perdão, criminosos que causam dores irreversíveis não merecem piedade) mas desqualificar o seu blog e todo trabalho maravilhoso que vc tem feito DIARIAMENTE é muita injustiça! Sinceramente, gostaria que todos os estupradores e pedofilos NÃO vivessem em sociedade, mas respeitar opiniões diferentes da minha é muito importante para reflexão, mesmo que eu não concorde com elas.

Anônimo disse...

Anon 17:38

Podemos discutir a cultura do estupro de várias maneiras. E falamos da cultura do estupro sim por parte das pessoas que praticaram o estupro. Não é novidade nenhuma. Não é primeira vez que eu vi isso. Só é a primeira vez que eu vi um guestpost de um estuprador.
Vi vários post que servem como feedback. E para ter uma real dimensão disso não poderia se reduzir a um.
Não estou para negativar todo a trabalho anterior de Lola, nem para dizer que os futuros serão ruins. Estou dizendo apenas que esta maneira foi desnecessária. Não estou censurando o assunto. Mas achei de péssimo gosto publicar o relato do estuprador. Sou contra esse tipo de coisa. Acho que relatos como esse não ajudam. Não como você fazer uma pesquisa, relatar, mensurar etc. Um simples relato isolado desses fere mais gente que ajuda a maior parte das vítimas.
É uma página na história de Lola que sempre fez um ótimo trabalho. Eu estou aqui para dizer que há outra maneira. Essa foi muito infeliz. Machucou muitas pessoa. Meu risco de passar por isso é quase nulo. Não passei por isso na infância ou adolescência. Eu só posso imaginar como essas mulheres se sentiram. Por isso acho importante falar do problema que tem origem na maneira que a mulher é vista na sociedade etc. sem ferir as vítimas ou as mulheres que tem que pensar possibilidade disso acontecer toda vez que pegam o metro ou andam numa rua pouco movimentada. Acredito que isso foi brutal para a maioria leitoras do blog. Não acho que Lola seja insensível ao estupro. Acho que ela quis mostrar como funciona a cabeça de um agressor. Mas fez isso de uma maneira infeliz.

Fael

Rê_Ayla disse...

Acho que ninguém, em sã consciência, discorda de que o sistema prisional não reabilita criminosos, que não é o ideal, que os criminosos saem de lá piores do que entraram e que tal sistema deve ser reformulado, ele próprio sendo reabilitado e revisto.

Porém, crimes devem ser punidos com rigor. Fim. E, na vida real, não são. Especialmente os crimes contra as mulheres não são punidos... E elas, as vítimas, acabam sendo as culpabilizadas quando o crime é estupro.

No entanto, precisamos compreender o caráter intrínsecamente patriarcal de, diante de um caso de violência contra mulher, ignorar a mulher vítima e usar esse caso para debater outras questões.

O patriarcado faz isso todo o tempo: todas as lutas são mais importantes que as das mulheres. É isso que, sem querer, você, Lola, acabou fazendo ao publicar o relato do estuprador arrependido e, agora, ao publicar este seu texto.

O melhor texto que li com críticas ao seu posicionamento é este: http://feminismosemdemagogia.wordpress.com/2013/08/09/combatamos-o-punitivismo-na-esquerda-combatendo-o-machismo-dela/
Recomendo a todos que leiam.

LI disse...

Lola,
Eu sei que o tom dos cometários são horríveis... deve ser muito difícil lidar com tanto ataque pessoal.
Inclusive eu acho contraditório a pessoa ser feminista e tratar você e outros comentaristas de maneira tão agressiva.

Imagino que você deva ter ficado triste esses dias. Mas não fique! Muita gente reconheceu a importância e coragem sua nesse post.

Eu quis fazer um comentário meio a parte, pegar o gancho. É claro que sua forma de escrever nunca vai agradar todo mundo. E que esse negócio que as vezes parece uma 'desclassificação do interlocutor' é um jeito de se expressar, uma elemento de persuasão. Cada um tem o seu. Só apontei essa questão, no caso de você refletir e achar a observação válida.

off-topic, a capa da Elle desse mês diz :o novo feminismo - sucesso, liberdade e Louboutin. Sim podemos tudo.
http://elle.abril.com.br/revista/sumario

Luh disse...

Sério mesmo que eu não entendo a revolta com o pist da Lola. Nem é a primeira vez que ela publica um post de um estuprador. Não vi desrespeito nem falta de empatia às vítimas.

Se eu sofresse essa violência sei que não perdoaria pois sou extremamente rancorosa. Mas essa é uma questão pessoal. Outra questão é como o estado, sociedade e até as feministas devem tratar um criminoso, seja criminoso sexual ou não. A pessoa por mais que demonstre arrependimento, por mais que siga um caminho contrário ao crime deve passar o resto da vida sendo condenado por todos pelo seu erro? Acho que não.


Além disso, ser a favor de castração e pena de morte não torna ninguém um reacionário mas não se pode negar que essas são bandeiras da direita conservadora. Os ativistas de DH normalmente se opõem veementemente à pena de morte. Eu sempre achei um absurdo saber de casos de estupros nas prisões mesmo que os etuprados fossem houvessem também cometidos crimes sexuais. Antes achava que as feministas concordassem comigo. Pelo visto, estava errada. É uma pena.

Iara De Dupont disse...

Eu gostaria muito de ver algum psiquiatra falando sobre o assunto,poque até onde eu sei estupradores e pedofilos são doentes ,e as chances de cura são minimas.Existem muitos trabalhos sobre isso,depois que eles são soltos a maioria volta a cometer o mesmo crime,porque não tem controle.E também acho importante falar sobre castração quimica e tirar o peso da palavra,é um processo simples,sem dor e muitas pessoas se surpreenderiam ao saber que em alguns lugares são os criminosos que pedem para serem medicados antes de deixar a prisão,porque sabem que não vão resistir.Nada é cortado,são apenas injeçoes trimestrais,que diminuem a libido.É uma alternativa a ser pensada,porque as mulheres e crianças continuam nas ruas e parece que ninguém se preocupa com elas...

Fenix Vermelha disse...

Anon das 17:19, mas como ressocializar de forma eficaz? Sem que se coloque em risco potenciais vítimas? Aliás, quando o criminoso sequer é punido?
Eu não tenho resposta para isso. Se alguém tem, sem nenhuma ironia, gostaria que explicasse a respeito. Porque da forma como vejo, o machista terreno de hoje já perdeu o bonde, sim. Tente convencê-lo de que ele está errado. Ele não vai ouvir, e vai debochar de voce. Tente dizer para um Danilo Gentili que não, o cara que se aproveita dê uma "gostosa" dormindo não é um gênio, como ele disse no caso Monique do BBB, e sim um criminoso. Você será o chato politicamente correto, sem senso de humor. Imagina então mudar a opinião de quem se sente no direito de estuprar.
Concordo com o Donadio quando ele fala da impunidade. Talvez não tenha sido clara, mas não sou a favor de pena de morte, castracao quimica, prisão perpétua (exceto no caso de quem fez isso comigo, esse eu queria jogar no moedor de carne, mas acho que ninguém está contestando meu direito a isso, fora o fato de que, mesmo se pudesse, não seria capaz de concretizar, não é minha natureza). Tampouco seria útil ouvir um perdão. Bastaria que não houvesse impunidade. E que as vítimas fossem tratadas com respeito. Ok que seria perfeito se desse para reabilitar todo mundo na prisão, que perfeito não ter que se preocupar com reincidência. Mas não vejo como isso possa ser feito! Amaria ver, mas não vejo!
Quanto a ouvir o outro lado, não vi utilidade. Como já se falou tanto por aqui, eles estão no meio de nós. Consumados ou em potencial. Não creio que nunca tenham ouvido um por aí. E quando isso acontece, é a pior parte do meu dia. O cara que fala palavrão na rua, o colega de trabalho que comenta "quem nunca?" diante da repercussão do caso BBB, os caras que almocam com você no trabalho e param para avaliar e debater sobre o corpo de cada mulher que passa, o moleque na balada que te chama de orgulhosa porque você não quis nada com ele, lista infinita. Quem não conhece um cara assim? E mulheres iguais a mim, que foram violentadas por um "homem de confiança"? Pô, a gente conviveu com os caras, em muitos casos a vida inteira! Mesmo que analisando retroativamente, depois do ocorrido, a gente sabe quem ele é, como ele pensa, E O QUANTO ELE PODE SER DISSIMULADO. Então não, ler o relato desse arrependido aí não me acrescentou nada, só foi uma péssima experiência, desnecessária. Sugeriram não ler esse tipo de post, mas eu não sabia que era isso que eu iria ler. Li o título e imaginei outra abordagem. Se soubesse, não teria lido.
Lola, foi com a Jacmila, mas como ela reproduziu uma frase minha ao te irritar, por favor, permita que eu responda. Não sou stalker, muito menos desocupada (quem dera), então fica fria, você não é o John Lennon e não precisa ter medo de mim. Amiga, amiga. Estou sim comentando desde ontem porque esse assunto me abala. Muito. Tampouco caí de paraquedas aqui, sou sua leitora diária (ou quase, também tenho vida) há uns quatro anos. Já deixei um monte de comentários elogiosos, mas costumo assinar com nome e sobrenome. Se não faço isso hoje, é porque pessoas importantes para mim não sabem que fui estuprada, e nem queria saibam, principalmente meus pais, porque só vai fazê-los sofrer. Então não estou aqui para te trollar. Nem para desmerecer todo o bem que você já fez. Mas essa estória do chefe de cozinha contada pela Joseane Caetano, infelizmente, é parcialmente verdade no meu caso. Não é que eu vá desmerecer o "restaurante" para sempre. Mas é que meu estômago ainda está doendo daquele estuprador arrependido ao molho pardo que comi aqui esses dias. Tem um sal de frutas aí?

S. disse...

Estou bem chateada com tantos comentários negativos, Lola, muitos sem a menor educação... putz, fico cada vez mais decepcionada com o feminismo, de forma geral, sério mesmo, mas não só por causa desse episódio. Isso não vem ao caso, de qualquer forma...

Talvez valesse a pena editar o post só para deixar um "trigger warning" - na verdade, todos os posts com a temática de violência sexual poderiam ter esse "aviso", como em alguns outros blogs que já vi. Acho bem interessante (sei que as pessoas reclamariam da mesma forma, mas fica a sugestão).

RMFS disse...

Lola, fiquei pensando sobre as perguntas que colocou no post....no caso de duas crianças, uma bolinando a outra, seria abuso também?
Existe abuso numa situação em que os dois sujeitos não sabem o que está acontecendo?
Pesquisei agora e achei a página da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco onde abuso sexual é definido como ato "em que o agente abusador já tem experiência, e visa sua satisfação sexual." No caso de 2 crianças não há experiência e nem satisfação sexual mas sim curiosidade....claro que não deixa de ser errado, mas seria errado a ponto de ser um crime tb?

Anônimo disse...

Lola, a polemica desse post chegou para mim por um colega, que já saiu dizendo que você estava justificando estupradores. Puxa, que perigo é escrever em tempo de mentes curtas, hein? Não vi nada de mais em teu primeiro ou segundo post. Lembro de ter acompanhado um grupo de apoio a vítimas de estupro ou violência doméstica e o profissional de saúde que acompanhava o grupo, muito lúcido e cuidadosamente, lembrou às mulheres ali que muitas eram "reincidentes" em namorar homens violentos. Ou seja: após terem um abusador na cadeia, acabavam iniciando novos relacionamentos também violentos.

Ora, claro que isso não faz deles vítimas ou delas culpadas pela violência que sofreram. Mas para qualquer pessoa que estude o tema sabe-se que em caso de estupro (e não estou também tendo em mente o estupro de beco escuro e sim esse mesmo: o doméstico) é necessário tratamento à vitima E ao agressor. Há questões de gênero, de estima, de poder... muita coisa envolvida além de sexo. Claro que o agressor precisa ser punido mas ele também precisa de reabilitação. Ora, por mais duro que seja admitir, ele também é um ser humano.

Eu também Lola, uma vez me escapei de um estupro. Foi há muito tempo, eu era meio menina ainda, e convidada para a casa de um amigo de repente me vi correndo dele e sendo machucada para fugir de um estupro. Mas por luz, sorte, susto... consegui lutar e sair da situação. Talvez isso me dê uma perspectiva que outras mulheres que tiveram essa terrível agressão mais cedo, ou não tiveram chance de lutar, não têm. Ora, todas nós empatizamos com as vítimas. Mas a questão não é essa: a questão é discutir o estupro em todos os ângulos - e ver isso como problema social.

Te parabenizo pela coragem e te desejo força para lidar com os ataques (parece que isso você tem de sobra). Pense que aqueles que tem bom senso conseguem ler e ver tuas intenções, conseguem separar os argumentos. As vítimas estão magoadas, é compreensível. Mas boa parte dos ataques é de quem não lê até o fim opiniões diferentes das suas. Então fica aqui meu apoio anônimo, pois sendo profissional da área de saúde não posso me expor.

ANINHA disse...

Lolinha, quando li o primeiro post, a primeira coisa que pensei foi que não queria estar na tua pele.
Situação difícil, viu?

Mas uma coisa que penso muito é que a razão primordial da polícia, das penas, das prisões e afins é proteger a sociedade.

Se o cara está (aparentemente) reabilitado, se já se arrepende do que fez e (aparentemente) não fará de novo, qual é a rezão de prender ele??? Bem sabemos que as prisões são verdadeiras escolas do crime. Então, prender pra que???

Não acho que perdoaria se fosse uma vítima. Entendo a dor que deve causar a leitura de um texto como esse. Mas é importante ouvir os dois lados!

Beijo pra vc. E parabéns pelo blog (de novo)

Luci Araújo Beauvoir disse...

Eu estou com medo, confesso!

Depois de saber que sou reacionária, por não sentir a menor empatia pelo estuprador, e por querer que este pague pelo crime cometido, agora leio uma defesa cega, que humaniza o estuprador, o coloca quase como vítima, e todxs aqui sabemos que ele é o algoz.

A bandeira feminista que defendo diz que a culpa do estupro é do estuprador, não da vítima. A bandeira feminista que eu defendo pede a punição destes crimes sim, porque ou punimos os culpados pela violência sexual contra as mulheres ou vamos ter que aplaudir grupos como New Hit que saíram ilesos depois de estuprar as duas jovens dentro do ônibus.

Eu defendo os direitos humanos.Creio que as pessoas mudam.Creio na reabilitação em muitos casos, mas não estamos falando de ERROS.Estamos falando de violência sexual.E isto, companherxs, deveria ao menos tornar este discurso menos imparcial.É preciso escolher um lado, e como feminista, anarquista, eu defendo a vítima.Eu defendo a mulher, não o estuprador.

Não importa se o T foi abusado na infância, isto não pode em nenhum momento justificar o crime que ele cometeu.Para mim, este discurso de arrependido, que não tem tido uma vida sexual desde então, por temer relacionar-se, é balela.Conversa típica de pedófilos e abusadores...

A Lola citou o filme "O lenhador", pois bem, quero saber a opinião dela sobre dois outros casos:

O primeiro, é o do pedófilo que foi humanizado no filme "Pecados Íntimos" (tem uma cópia do filme no Youtube).

O segundo caso, é o da Grace, do filme Dogville, que foi humilhada e abusada pelos moradores da cidade fictícia, idealizada por Lars Von Trier.

Sobre a resposta da Lola, eu quero dizer que até tentei compreender o que ela se propôs a fazer no outro post.Entendi isto.

A minha crítica foi tão somente a defesa da Lola ao estuprador, a quem ela chamou várias vezes de vítima. Sim, Lola, esta sua afirmação foi como uma facada em meu coração feminista. Você não apenas falou que meu estuprador (mexeu com uma, mexeu com todxs) tinha direito a voz, você o chamou de vítima.Você faz ideia do peso destas suas palavras? [...]

Luci Araújo Beauvoir disse...

Continuando [...]

Quando você afirmou que ele foi abusado na infância, Lola, e que deveria ser visto como vítima, você inconscientemente o liberou da sua responsabilidade.Você legitimou seu ato.Legitimou seu crime.Falei inconscientemente, porque creio no seu feminismo.E acompanho seu blog há tanto tempo que não acredito que você tenha feito isto diretamente.Você nem deve ter parado ainda para refletir nisto, mas basta reler seu texto (eu mesma tive que reler umas 7 vezes, só depois disto é que tive coragem de vir aqui desabafar.Sim, este é um desabafo de uma feminista ingrata demais com o patriarcado para ver uma companheira de luta enveredar por um caminho contrário às suas lutras.


A sua fala no outro post, e neste aqui, Lola, pareceram não apenas concordar com minha leitura de seus comentários, mas também evidenciaram que sim, você humanizou o estuprador tal qual a bancada evangélica faz ao impor às mulheres a aberração e um retrocesso como o "bolsa estupro".

Não, definitivamente, Lola.Meu estuprador não tem os mesmos direitos que eu, porque ele abusou de mim, ele retirou de mim não apenas minha dignidade.Ele arruinou minha vida.

Eu fui abusada ainda no início da adolescência, Lola.Passei anos de minha vida me culpando pelo que aconteceu (eu havia bebido, tinha usado drogas, estava com uma roupa que deixava meu corpo a mostra), e a sociedade me disse que a culpa era minha por todos estes fatores que detalhei.

Eu passei um bom tempo de minha vida tentando me recuperar da culpa, da vergonha (lembro que a única coisa que eu queria era morrer, arrancar minha pele), eu sentia NOJO de mim, do meu corpo.Não conseguia me olhar no espelho.Passei anos deprimida, calada, nunca contei para ninguém o que me aconteceu naquela noite, por medo, vergonha e por não querer relembrar tudo aquilo que havia acontecido.Lembrar é viver duas vezes, não é o que dizem?

O meu estuprador, Lola, sabe que me violentou.Sabe que destruiu a vida de uma garota.Só consegui voltar a me envolver sexualmente com alguém depois de anos de terapia.E as marcas que ficaram em meu corpo são ínfimas comparadas as marcas que carrego no meu íntimo.

Sou ateia, não acredito em deuses, e sinceramente, Lola, quando releio casos parecidos com os meus, eu me sinto novamente violada.Este caso, exposto em seu blog, mexeu comigo. Sinto muito se você acredita que meu feminismo não limpinho, que quer mais que meu estuprador morra, sofra, se foda, que sinta na pele tudo aquilo que vivi, é reacionário. Sinto muito se você não consegue perceber o quanto você nos magoou.

Estou contando aqui algo que nunca revelei para ninguém, e provavelmente serei abordada na rua, no meu perfil, mas não ligo.Há algo maior que isto.É por isto que luto, é por isto que me indigno.

Enquanto mulheres forem culpabilizadas pela violência sofrida, e enquanto os estupradores forem tratados como se merecessem direitos humanos, eu sei que não serei uma mulher livre.Sei que minhas companheirxs não serão livres.

Estamos todxs em constante perigo.Vivemos numa sociedade que propagada a cultura do estupro, e não quero que o feminismo, que sempre defendeu meus direitos, inverta o significado de direitos humanos.Não é querer direitos humanos apenas para humanos direitos.Trata-se tão somente de justiça.

Para finalizar, sabe aquela cena do filme "A pela que habito"? Pois é, eu concordo plenamente que o estuprador merece ou morte ou vaginoplastia, só assim terei certeza que outra mulher, outra criança, outro adolescente não será vítima destes cretinos.Sou menos humana por pensar isto? Talvez meu humanismo realmente contenha falhas, e eu admito isto.

Desculpe pelo desabafo, mas é que você mexeu mesmo com minhas feridas.

Luci A. Beauvoir.

Mari disse...

Lola, imagino que você deve estar de saco cheio das criticas e ofensas que você vem recebendo e eu entendo o seu ponto de vista, mas como muitas outras não concordo com você, enfim, nada do que eu disser vai mudar a opinião de ninguem, mas eu só queria explicar uma coisa, as pessoas que te atacaram estão magoadas sabe? As suas palavras ja ajudaram e confortaram muitas pessoas (eu inclusa) e muita gente tem muita admiração por você (eu também inclusa), e quando você fez um post em que dizia ter empatia por um estuprador (eu sei que foi na melhor das intenções) essas pessoas que se sentiam acolhidas por você nesse espaço feminista se sentiram traídas! Foi como ter uma amiga que sempre estava do seu seu lado independentemente de qualquer coisa, virar pra você e dizer que sente empatia por alguém que destruiu a sua vida, que essa pessoa que fez essa coisa terrível com você merece uma segunda chance, e ninguem quer ouvir isso!
Sei lá, acho que foi a forma como você fez isso, com um post real de um estuprador, mas enfim, saber que até as pessoas que fazem coisas horríveis são humanas e merecem reabilitação é importante sim! Mas acho que isso deveria ser dito de outra forma por que esse espaço que você criou é muito freqüentado por vítimas de violência, acho que faltou um pouco mais de cuidado com elas.

M disse...

Lola, não falo sobre isso com quase ninguém, mas meu avô é um estuprador.

Quando descobri me senti horrível, o único alívio foi saber que ele nunca tinha feito nada com a minha mãe. Odeio ele desde então. Às vezes penso se ele algum dia se arrependeu, e o fato dele estar preso agora (por estupro) responde a pergunta.
Aí penso: e se ele se arrependesse?
Eu, que nem fui vítima dele teria o direito de negar?

Acho que este é o ponto. Todo mundo á altruísta, até aparecer um agressor arrependido. Tem muita gente falando que você está 'humanizando o agressor'. E por acaso ele não é humano? Se tem sentimentos de arrependimento, se está ~~se colocando no lugar~~ da vítima?
Nunca fui vítima de estupro e espero nunca ser, penso nisso todos os dias andando à noite na rua.
Não aceitaria as desculpas de alguém que me estuprou, "desculpa" você fala quando pisa no pé de alguém na rua. Mas acho que desumanizar esta pessoa, ignorar seus sentimentos (assim como um agressor faz com a vítima) e marcar um "estuprador" na testa dela pelo resto da vida é inválido. Quem deve perdoá-lo ou não é a vítima.

Rafaela Mourão disse...

Lola,

eu fiquei surpresa pelas reaçoes tão ruins do post do estuprador arrependido. Sim, nunca fui estuprada, nunca sofri nenhum tipo de violencia que mudasse completamente a minha vida. Mas eu fico feliz em ver que um estuprador percebeu seu erro, se sente mal por isso, pq isso indica que ele não fará isso de novo, que uma outra mulher nao passará por esse trauma. e também foi bom, para mim, ver algo alem do estuprador maligno, eles sao os homens que cruzamos na rua todos os dias. Acho que o texto foi tão polemico, pq ele saiu do "senso comum" do feminismo, não eram somente os haters normais falando mal do post, mas varias outras feministas. ele incomodou, e eu acho isso otimo, pq se a nossa cabeça nao muda com o tempo, não evolui, daqui a 30 anos, podemos nos tornar os coxinhas de hoje.

amei a parte do "vamos aprender a discordar". acho isso a essencia para vida.

Obrigada Lola.

T. disse...

Um mito comum apontado para sobreviventes de estupro e abuso é que é preciso "perdoar" os estupradores a fim de começar a nos curarmos. Estupro sempre é transformado em como a vítima reage a ele. Como CONSTRUÍMOS NOSSO CARÁTER a partir do trauma. O que nós APRENDEMOS.

Foda-se tudo isso.

É um ato de auto-respeito e auto-preservação não perdoar. O que acontece quando uma mulher decide perdoar seu estuprador? Ela se "cura" e agora é capaz de "amar" de novo.

O que significa se curar e amar de novo? Estarmos dispostas a nos colocar em situações com os homens onde vamos ser fodidas. Toda esta metodologia é sobre como fazer as mulheres voltarem para os relacionamentos com os homens. É uma parte fundamental da heterossexualidade compulsória. Nós pegamos o que aprendemos sobre a natureza dos homens, o que eles fizeram para os nossos corpos e subvertemos isso. Dizemos a nós mesmas que foi um incidente isolado. Que foi um homem mau. Nós ignoramos a realidade do que a classe de pessoas conhecidas como homens estão realmente fazendo para mulheres em todo o mundo. Veja só, o estupro foi apenas uma dificuldade individual a ser superada. Uma curva difícil que a vida jogou no nosso caminho. Não é um resultado de um sistema de classes sexuais que designa as mulheres como alvos.

O conflito mental com o qual vivemos após o fato, o transtorno de estresse pós-traumático, as lembranças, a incapacidade de lidar com certos aspectos da vida. O desligamento completo de certas partes da nossa mente então se torna o NOSSO problema. Sobreviventes de estupro têm que viver com esses sentimentos de "Se apenas eu tivesse ____", então eu estaria bem. Quando perdoamos os homens que saíram de seus caminhos para nos machucar estamos traindo a nós mesmas, estamos deixando sermos as únicas a serem culpadas por aquilo que é o resultado natural da exposição ao trauma que altera a vida. Perdoar o agressor é culpar a vítima. Perdoar o agressor é criação de um sistema em que os homens que não são punidos recebem um passe livre para continuar seus crimes. Perdoar o agressor coloca a ênfase de volta nas escolhas das mulheres.

As únicas pessoas que precisamos perdoar somos nós mesmas. Deixe de lado sua raiva de si mesma por ter confiado em pessoas não confiáveis. Deixe de lado sua raiva de si mesma por ser ingênua. Perdoe a si mesma por não saber o que fazer em uma situação. Perdoe a si mesma por dissociar. Perdoe a si mesma por não lutar. Perdoe a si mesma por não procurar as autoridades competentes. Perdoe a si mesma por procurar as autoridades competentes. Perdoe a si mesma por fazer escolhas insensatas. Deixe de lado a culpa por fazer escolhas em situações extremas, sem toda a informação do mundo disponível para você.

Porque você realmente merece o perdão em sua vida e aqueles que a machucam não.

Roxy Carmichael disse...

numa sociedade ideal este crime nao seria tao sistemático e o sistema por sua vez nao seria tao conivente. os criminosos seriam punidos de forma justa e seriam reabilitados. as vitimas receberiam todo o apoio e haveria investimento pesado em educaçao para que esse tipo de crime fosse cada vez mais raro. mas o que acontece hoje é que é um crime sistemático, a vítima é criminalizada, o criminoso nao recebe qualquer tipo de punição, entao é completamente compreeensível que esse abismo entre o ideal e o real provoque esse tipo de reaçao. nao acho que a soluçao passe por castraçao ou pena de morte, mas acho que passa por um sistema jurídico um pouco mais sério e mais... justo.
quanto ao caso em questao, uma confissao anonima num post e thats all???concordo com alguem que disse que isso foi pra aliviar consciencia mais que qualquer outra coisa. tb concordo com a sugestao de sumir do radar das vitimas.

Jornal Sud Mennucci disse...

Já fui chamado de radical muitas vezes, porque sempre me envolvo em polêmicas e discussões. Sou da extrema-esquerda e sinceramente deixei de acreditar em muitas coisas, mas nunca no ser humano, e nunca deixarei de acreditar. Pode parecer um posicionamento ingênuo, mas não é. Porque ingenuidade é acreditar que haverá um rompimento real com a cultura do estupro pelas vias legislativas - como ser a favor da pena de morte em casos de estupro. Levantar esta bandeira, entre outras, é perigoso e nada mudará a condição de oprimida da mulher, ou então ajudar menores vítimas de abuso. Para haver uma mudança de fato na sociedade precisa agir para isso. Tem que mexer em valores engessados em nossa cultura. E só conseguiremos fazer isto em grandes proporções quando agirmos para isto. Escolher como alternativa ALÉM da punição a reeducação do agressor é acreditar no ser humano e estar colocando uma ação "preventiva" no meio. Somos todxs produtos de uma cultura de valores, desconstruir estes valores não é fácil, não é mole, mas se pararmos nesse "não é fácil", nesse "não é mole", e não agirmos para uma mudança de fato, continuaremos na mesma. Daí os reaças batem palmas.

Anônimo disse...

@Fael
Entendo seu ponto.
Entendo q algumas vítimas não estão e talvez nunca estarão prontas pra o confronto.
Acho q uma questão central na sua fala é:
"Estou dizendo apenas que esta maneira foi desnecessária. Não estou censurando o assunto. Mas achei de péssimo gosto publicar o relato do estuprador. Sou contra esse tipo de coisa. Acho que relatos como esse não ajudam. "

Talvez para a (grande?) maioria tenha sido desnecessário, doloroso, mas não para todxs.
Ou vamos silenciar as vítimas q se sentiram reconfortadas com esse relato? Vms tb acusá-las de serem cúmplices com a cultura do estupro?

@Fenix Vermelha
Eu não se como esses criminosos podem ser ressocializados.
No caso de T., ao que parece, freqüentar/conviver espaços/pessoas feministas deu certo. Mas acho que não existe uma receita de bolo.

Nem eu nem a Lola falamos que não se deve ter punição para esse crime.
Sobre esse caso em específico, não sabemos dos dados necessários para dizer se ainda é passível de inquérito. (Qnd ocorreu? Ele era menor de idade? Isso influencia no processo? Alguém do Direito por aqui?)
Achei um absurdo ler aqui nos comentários e no Feminismo sem Demagogia (no post q foi linkado aqui) q a Lola estaria sendo cúmplice do crime!!!!

Minha leitura do guest-post foi sobre mudança e não sobre culpa (pq inegavelmente o cara é culpado - e ainda por cima confesso) ou perdão (como já disse, não perdoei/perdoaria quem abusou de mim e a Lola já falou diversas vezes que o perdão é de foro íntimo, por isso ela tb não entra nessa questão); para mim, jogou luz no sentido de ser possível haver trincas dentro desse universo machista.

Sofri abuso, adoraria ver o indivíduo q me abusou (e recuso a chamá-lo de "meu estuprador", pois isso é algo q eu definitivamente não quero como meu) atrás das grades. Mas, pensando em termos de sociedade, ficaria mt mais satisfeita sabendo q ele se conscientizou e largou tal prática do que ouvir relatos de outras vítimas dele (de novo, não extirpo o cumprimento da pena pelo crime q ele cometeu).

Qnt a ser doença ou não, acredito que para alguns seja (como o cara q abusou de mim, então, infelizmente, não tenho esperanças q ele mude), mas em outros casos não, é pura cultura do estupro que pode ser mudada a partir de um novo discurso, mentalidade e prática.

Anon das 17:19

RMFS disse...

Cara Luci Araújo Beauvoir
Não ouso questionar o seu sofrimento como vítima nem achar que vc deve ser a melhor amiga da pessoa que te violentou, nem perdoá-la, afinal de contas ele é um criminoso, mas vou te explicar o que a Lola quis dizer, sob o meu ponto de vista.
“Eu defendo os direitos humanos.Creio que as pessoas mudam.Creio na reabilitação em muitos casos, mas não estamos falando de ERROS.Estamos falando de violência sexual.”
Sua afirmação aqui me fez entender que você não acredita na reabilitação quando o caso é violência sexual, correto? Bem, foi isso que entendi. De qualquer forma, vou relatar um caso que contei no post do estuprador , não sei se vc leu, mas vou repetir:
Eu fiquei muito indignada com o caso dos ladrões que queimaram a dentista viva por ela não ter dinheiro em sua conta bancária. Se vc não sabe do caso, a mulher só tinha 30 reais na sua conta bancárias. Os caras levaram ela para sua casa, amarraram-na e tacaram fogo na coitada...horrível, monstruoso, assustador.... Daí fui pedir a opinião de uma amiga advogada e também feminista sobre o assunto, questionando se mesmo diante disso ela ainda seria contra a pena de morte.
Ela me explicou que a pena de morte faria centenas de inocentes irem pra cova, em vista das deficiências ainda enfrentadas pela justiça brasileira. Mas o mais importante foi que ela me explicou que prender, bater ou até mesmo matar NÃO RESOLVE, pois se vc mata 100 monstros desses hoje, amanhã aparecem mais 300 e assim por diante. O ideal é reabilitá-los. Criminosos vão para a prisão e voltam de lá muito piores, em vista das maldades que sofrem e que aprendem a fazer nos outros. Então, se não existir nenhum tipo de reabilitação, mesmo matando os realmente culpados, isso nunca vai ter fim. Uma vez livres, eles caem de para-quedas na sociedade de novo, sem nenhum tipo de preparo e totalmente suscetíveis a cometerem crimes muito piores. A religião muitas vezes faz esse papel de reabilitadora, os que viram verdadeiramente evagélicos saem da vida do crime, mas ainda não existe nenhum programa realmente forte para "reconstruí-los". Depois dessa explicação eu comecei a enxergar a coisa toda por um ângulo diferente, soluções imediatistas não resolvem, é preciso pegar o problema pela sua raiz.
Exterminar todos os estupradores do mundo garantiria o fim dos estupros?
Exterminar todos os criminosos do mundo garantiria o fim da criminalidade?
Punir severamente essas pessoas vai garantir que elas não voltem a cometer esses crimes?
Não, nada disso garante. É preciso investigar e entender o motivos delas fazerem isso. Eu acredito que não existe violência completamente gratuita, o ser humano que é violento com alguém é motivado por atos violentos que sofreu no passado. Então, procurar entender o que leva homens a se transformarem em estupradores é uma alternativa que precisa ser pensada. São simplesmente tarados? Sofreram também violência sexual? Se não, qual tipo de violência eles sofreram.
Todo ser humano nasce inocente e ingênuo, ele é corrompido pelo meio em que vive. O que esses caras viram ou sofreram para serem corrompidos a esse ponto? Entender a ORIGEM do problema. E, uma vez que já cometeram esses crimes, o que fazer para transformá-los em pessoas confiáveis? Punir não basta, se não, todo criminoso que fosse para a cadeia voltava “consertado”.
Então Luci, talvez a Lola estivesse fazendo um convite para refletirmos em cima desse pensamento que falei, algo do tipo: “Ei, psiu, eles são seres humanos, agem motivados por emoções e experiências anteriores, se fizeram isso é porque tem algum motivo por trás”.
Respeito o seu sofrimento, o seu ódio e nem acho que tenho o direito de tentar te convencer de nada. Mas, mantenha esse questionamento em mente e amadureça-o. Talvez a sua reação inicial seja se ofender e responder que eu não sei o que estou falando. Talvez eu não saiba mesmo, mas sugiro que você reflita sobre o que eu disse e tente responder essa indagação: “O que leva uma criança que nasceu normal como todas as outras a se transformar em um criminoso hediondo?”

Anônimo disse...

@Roxy

Acho que vc resumiu bem a situação!

Anon de 17;19

Clara disse...

Lola,
hoje vim aqui pra te dar um abraço. Imagino que você não tenha andado muito feliz com os ataques que vem recebendo, então queria vir prestar minha solidariedade.

Você, amiga (se me permite dizer), é a única feminista 100% sensata que eu leio. E olha que eu leio muitos blogs feministas. Você é a que eu concordo sempre. Você abriu meus olhos para o feminismo e para tantas outras coisas. Te considero quase uma mãe.

Então, como estou me sentindo no espaço de uma amiga, vou fazer aqui uma mea culpa também. As vezes, Lola, só as vezes, eu estou sendo obrigada a concordar com os mascus, olha que terrível. O que eu estou vendo nas suas críticas, pra mim, é pura e simplesmente um foda-se ao T porque ele é homem. Só porque ele é homem e não porque ele é estuprador. Porque se fosse pelo estupro, a condenação teria vindo antes, no post da estupradorA que você publicou uns tempos atrás. Ai, eu sou quase obrigada a concordar com os mascus, algumas pessoas estão defendendo mulheres só por serem mulheres e linchando os homens só por serem homens. Mesma coisa que aconteceu quando duas pessoas resolveram se masturbar com imagens católicas no meio do maior evento católico do mundo. Tão inventando desculpa pra feminista e falhando em aceitar um homem que está realmente arrependido, porque eu também acreditei no T.

Eu sinceramente, ao ler esse post, me imaginei na pele da mãe do T. Eu não sei que idade ele tinha, mas, sei lá, pelo relato, eu imaginei algo como meu filho de 13 anos estuprando a minha filha de 10. E, olha, eu não tenho nem ideia de como agiria numa situação assim. Porque a mãe deve amar esse menino e essa menina. Eu tenho certeza de que continuaria amando meu filho mesmo que ele fizesse uma barbaridade dessas. Eu não iria querer que ele fosse pra cadeia e iria tentar de tudo pra reabilitar ele, enquanto moveria mundos pra diminuir o trauma da minha filha. Eu não sei, acho muito difícil julgar crianças e adolescentes, ainda mais os da minha família.

T, se você estiver lendo isso e se seu arrependimento for realmente sincero, procura ajuda. Procura ajuda pra você e pra sua irmã. Talvez valha a pena você falar com seus pais, mas você sabe melhor isso do que eu.

Bom, o que eu quero dizer, Lola, é que existem visões e visões. O seu blog é plural e você também está de parabéns por isso. O estuprador é humano e isso choca mesmo. O estuprador poderia ser o seu filho. Isso é realmente muito forte. E você também está de parabéns por enfrentar esse assunto.

Infelizmente, agora, além dos mascus, você vai ter que lidar com outras feministas querendo pautar o seu blog. Uma chatice sem fim. Boa sorte.

L. G. Alves disse...

"Todo ser humano nasce inocente e ingênuo, ele é corrompido pelo meio em que vive." Gente, que ingenuidade!Tive até pena desta pessoa.

Anônimo disse...

Lola, achei a discussão toda incrível. É assustador como os direitos humanos são colocados de lado dependendo da situação. Gostaria de sugerir o documentário "A ira de um anjo", ele mudou a minha percepção de mundo de uma forma que eu não sei se consigo descrever. http://www.youtube.com/watch?v=8Bp-cgUQpbk

att,
Ci

Kendra disse...

Vou fazer coro à Vivi "mesmo vc não tendo a intenção vc deu a impressão para muitas de nós que discordamos de vc que de que quem discorda do post é contra os Direitos Humanos ou é excessivamente punitivo. Pois vc só foca este ponto."
Eu entendo o ponto, Lola, eu entendo. Eu acredito em reabilitação, eu acredito que até mesmo que as pessoas que abusaram de mim poderiam não te-lo feito com orientação.
Ok.
A questão aqui é outra. É o problema de se dar voz ao estuprador, por um simples motivo: eles já tem voz demais.
Sabe, a gente já tem cultura de estupro. Já tem que aturar acusação da vítima. Em muitos casos, tem que conviver com agressor. Eles tem voz suficiente. Muitas vezes, pra muitxs de nós, esses espaços feministas (como o seu blog) são os poucos espaços onde temos voz. Os únicos espaços onde não temos medo de falar oq aconteceu, ou como nos sentimos.
Mas então, vemos um caso de arrependimento. Ok, eu sei que é importante não transformar estupradores em casos de monstros míticos que pulam dos arbustos em ruas desertas. Mas eu vou dizer sem medo de ser feliz: eu não ligo pros sentimentos deles.
Sério, não consigo. Não consigo ligar pro sentimento de uma pessoa que foi incapaz de ligar pro sentimento de alguém a ponto de estupra-la.
Entao veja, eu senti o mesmo que muitas vítimas quando li aquele post: aquela sensação de quem é forçado a abraçar e fazer as pazes com alguém que lhe fez mal.
Sabe quando vc tem um relacionamento abusivo e o seu parceiro te manda flores e faz declarações públicas e todo mundo de olha como uma cretina por não perdoar? "Mas ele tá arrependido!!" é essa a sensação. Só que pior.
Então, não. Me desculpa, Lola, mas seu tom defensivo só me deixa sentindo pior. Eu honestamente não conheço nenhuma vítima, pessoalmente, que queira matar ou castrar o agressor. Nem perdoar. Não queremos saber - só queremos o direito de seguir em frente e nunca mais ter que ver o desgraçado na frente.
Então, não, não quero saber do arrependimento do cara. Que bom pra ele. Tomara q nunca mais faça isso, tomara que o arrependimento esteja sempre ali pra ele.
Mas eu me recuso, me recuso, a ficar com pena ou perdoar ou ter qualquer sentimento a respeito. Eu me reservo o direito de sentir raiva dos que me fizeram mal. Esse é um dos poucos modos que tenho pra me ajudar a sempre lembrar que a culpa não é minha. De que eu não cometi crime algum. Eu não vou deixar ngm tirar de mim isso.
Eu não tenho que ouvir a voz dos agressores em espaços feministas, eu já ouço eles todos os dias - como se arrependem e como se doem e como os sentimentos DELES são importantes. Eu me recuso a ver um deles invadindo os espaços em que me sinto segura.

Anônimo disse...

Lola, você viu que fizeram um post sobre vc numa page sobre despenalização do aborto?

Copiei o link só da imagem pq você não tem facebook.

O nome da página é a que assina a imagem.

https://fbcdn-sphotos-a-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/539615_406056446167628_1866408365_n.jpg

Fael disse...

Anon das 17:19

Se há esse número tão grande de pessoas que se sentiram reconfortadas pelas palavras do estuprador arrependido, ainda não acho que é o suficiente para fazer superar o fato das vítimas serem poupadas de tal relato.

Ainda não vejo necessidade de tal publicação. Abrir uma publicação para um relato de estuprador trás a tona a própria fragilidade das mulheres em relação ao mundo dos homens. Quando o estuprador é de fato condenado pela sociedade. Se eles respondem pelo crime, o que é raro, ainda assim as vítimas são tidas como facilitadoras do crime que sofreram.
Não é novidade para ninguém que há pessoas que cometem crimes e se arrependem. Sabemos que a questões sociais são causa e o efeito é o crime. Por isso Lola não contribui e ofendeu. Embora algumas mulheres tenham dito que ela foi corajosa. Para mim ela não fez nada de novo. Aliás, fez o que já havia sido feito da pior maneira.
Eu realmente não espera ver isso no blog feminista. Fiquei decepcionado. Achei que esse tipo de mídia servia para dar voz as vítimas. Parece que as mulheres dão voltas no movimento. Quando menos espera um avanço, um parte faz da um passo atrás. Mas isso acontece em todo movimento social. Eu não posso dizer mais do que isso. Pois eu só posso imaginar o que seja. Conheço pessoas (homens e mulheres) que foram molestados quando criança também. Eu realmente prefiro resguardas meus amigos de um flashback desse tipo. Eu realmente gostaria que seus violadores tivessem a punição dentro da lei. Nada mais, nada menos. A vítima tem que ser reconhecida como vítima, e dada sua dignidade. Coisa que não acontece. Estou com eles e não com Lola. Seja lá quais boas intenções ela tivesse. Hoje eu me deparei com uma triste realidade, percebi que conheço mais pessoas do que eu imaginava. Fui pensando quantas amigas minhas são maltratadas por namorados (e até por namoradas), quantas familiares minhas também. Não tem nada que eu possa fazer que seja o suficiente. Mas ficar dos lado dessas pessoas é o principal. Cara, é muito duro esse mundo para mulheres e crianças. Se forem pobres e negras nem se fala...
Bem, é só isso mesmo. Acho que até me repeti. As críticas foram feitas.

Maria Valéria disse...

Para Iara Dupont, que perguntou se estupradores são recuperáveis

Eu sou medica, mas nao sou psiquiatra.Vou colocar aqui os conceitos que sei, e algum profissional da area pode me complementar , se quiser

Bem, ha casos e casos.
O caso de um homem que tem uma vontade irresistível de fazer sexo com criancas , por exemplo: eu nao sei o nome correto da doença que ele tem, mas eu acredito que seja um transtorno de conduta sexual.
Esse cara, como mostra bem o filme " o lenhador" tem o impulso, sabe que e errado, mas nao conseguia se controlar : o que aconteceu? Foi preso, cumpriu pena por 12 anos e depois foi solto ,com reabilitação e inclusão social, com a condição de receber visitas supervisionadas de psicólogo e assistente social, e de FICAR LONGE DE CRIANCAS,o que inclui, claro, ficar num raio de 500 metros longe de escolas( estou chutando a distancia, porque nao lembro de cor)
Eu acredito que exista esse tipo de personalidade : que tem um desvio de conduta, que sabe que nao e certo, e que se esforça pra melhorar e nao fazer de novo, porque sabe que e errado,
E acredito que esse tipo de caso posso ser reabilitado sim, e que queira ser tratado.
Teve uma psicóloga que comentou o outro post, a Marina P, e seria interessante ela vir opinar aqui tambem, ela vai explicar isso melhor do que eu,
Porém, tem outros casos que sabem muito bem o que estao fazendo e que nao tem remorso, entre eles se inclui psicopatas por exemplo.Nem todos os psicopatas estupram, mas acredito que alguns estupradores sejam psicopatas.E psicopata nao e aquele cara que te mata com uma serra elétrica,necessariamente,mas sim aquele que nao tem qualquer sentimento ou empatia por outra pessoa e passa por cima de tudo pra atingir seus objetivos ( se estuprar for necessário, ele o fará, sem duvida)Para psicopatas, nao ha tratamento e nao ha cura,mesmo porque eles nao tem interesse algum em serem tratados.Na cabeça torta deles, passar por cima de tudo e todos pra atingir seus objetivos e plenamente justificável, e eles são extremamente inteligentes. E manipuladores.
Falei de psicopatas so para dar um exemplo, embora eu nao acredite que a maioria dos estupradores seja psicopata, porque o índice dessa doença ( psicopatas) e baixo, e se fosse assim nao teria tanto estupro no mundo...portanto nao são so psicopatas que estupram, e nao são somente aqueles que tem transtorno de conduta sexual( nem sei se esse o nome correto) , pois são minoria,A grande maioria dos estupradores são pessoas " normais" ( que tem problemas psicológicos nao tenho duvida, mas nao um transtorno psiquiátrico que seja o causador do comportamento) e para esses que são grande maioria nao sei se tem cura,reabilitação ou tratamento,
um psicólogo saberia responder melhor do que eu
Eu acredito em reabilitação , se for em um caso parecido com o do filme " o lenhador" , porém,nao acredito que no Brasil exista estrutura para fazer essa supervisão, esse monitoramento da distancia entre o cara e criancas , tratamento e inclusão social.
No caso especifico desse personagem do filme, ele arruma uma namorada e tenta refazer sua vida, longe de criancas, que ele mesmo esta disposto a fazer e reconheceu ser necessário.Para um caso como o dele, em que ele tenta retomar uma vida sexual normal, nao seria injusto a castracao química e impedi- lo de ter uma vida normal?
Detalhe: no filme, ele sabe que se molestar mais uma vez uma criança, nao terá escolha,sera prisão perpetua,entao tudo isso influencia e pesa.
São países diferentes , leis diferentes e realidades diferentes, se comparamos com o Brasil.
Eu nao tenho opinião totalmente formada sobre castracao química,no Brasil e proibido,mas a principio eu acho justo que fosse usada para casos graves ou reincidentes.
Alguem sabe informar se em outros países ela e permitida??

Um abraço

Anônimo disse...

Infelizmente sou obrigada a fazer esse comentário de forma anônima.
Queria prestar a minha sororidade a sua tentativa de propor um projeto de mundo, não apenas um projeto de feminismo.
Levou alguns muitos anos de academia, alguns anos de feminismo e alguns anos de maturidade enquanto ser humano pra compreender o que você quis dizer com o seu post.
Agradeço a sua coragem de dar a cara a tapa visando um projeto de feminismo mais humano.

Ana Carolina disse...

Tava acompanhando os comentários até certo ponto, mas daí perdi. Vi a polêmica fora daqui também, fiquei pensando se compensava comentar, se compensava dizer alguma coisa, apesar de ser só mais uma voz na multidão de bits.

Primeiro: eu entendo o argumento de quem se chateou com o post por dar a voz ao estuprador. Concordo mesmo. Cada pessoa reage de um jeito ao trauma e ver um post com gatilho tão forte é demais para algumas. Talvez tenha faltado um trigger warning, sei lá.
EU, PESSOALMENTE, gostaria de ouvir as desculpas do meu abusador, que ele dissesse que sente muito e que sabe que estava errado e onde errou (e nunca fazer de novo com mais ninguém). Mas queria muito mais do que isso que a máscara de bom moço dele caísse pra sociedade, que as pessoas soubessem a pessoa baixa que ele é. É uma forma de vingança, sim, admito, mas também um desejo de justiça. Mas outras pessoas não pensam dessa forma. Tudo bem, cada um cada um.

Onde chegamos ao segundo: só que essa é a forma *pessoal* de lidar com o problema, não a *social*. Ninguém vai sair por aí matando o estuprador. Quem deve punir é o estado, é a lei. A nossa luta tem de ser para que os agressores sejam PUNIDOS, pela lei, não castrados, esquartejados, enforcados em praça pública. A minha luta social não é por vingança, é por JUSTIÇA.

Uma coisa que me marcou demais aqui no blog foi o caso New Hit: todo mundo aqui concorda que os sujeitos tem de ser PUNIDOS. Sério. Todo mundo concorda. Aí me lembro que uma moça defendeu o direito constitucionais dos estupradores terem defesa técnica e pra quê, quase a enxotaram daqui aos pontapés. Aquilo me incomodou demais, porque exigir a aplicação da lei não é menosprezar a vítima e nem faltar ao respeito com sua dor. É o óbvio dentro do estado de direito: toda pessoa, por pior que seja seu comportamento, é um ser humano e merece, sim, ser tratada pela sociedade como tal. É duro de admitir, mas dentro de cada estuprador tem um ser humano. Reconheço que quando estupraram não consideraram as vítimas seres humanos. Claro que sei disso. Só que se a gente escolheu viver em sociedade, se escolheu viver no estado de direito, a punição deve levar em conta a dignidade humana. Como A VÍTIMA merece ser tratada em toda sua dignidade - por uma polícia que a acolha, por uma sociedade que não olhe torto para ela, que reconheça que a culpa não é e nunca foi dela.

Não acredito em direitos humanos para algumas pessoas e para outras não - porque no dia seguinte as "para outras não" somos nós.

carolina disse...

lola, seu blog é maravilhoso. pessoas cometem erros. eu, você, o estuprador, a vítima, todo mundo. todos trocamos de papeis o tempo inteiro na vida, dependendo da situação. todo mundo precisa é de TERAPIA para SUPERAR o passado e seguir em frente, não importa em que posição esteja. manda todo esse pessoal cheio de ódio no coração para a terapia, que nem a mayra dias gomes. hoje em dia ela não tem mais ódio, mas pena do estuprador. isso é SUPERAR UM TRAUMA. lola, seu papel não é ser mãe nem melhor amiga de ninguém. é propor um DEBATE SÉRIO sobre o assunto, respeitando todas as pessoas. o relato publicado foi perfeitamente razoável e não houve nada de desrespeitoso nele, não há discurso de ódio, nada. o ódio está em quem fala contra vc. o problema é de quem fala contra vc, não seu. essas pessoas precisam resolver seus traumas com ajuda profissional. e vc está cumprindo seu papel político. seu blog é um blog político. vc não fez nada de errado. keep up the good work. não desista. nunca. por favor.

estamos com vc. #teamlola

michelle disse...

Lola,

Achei seu primeiro texto bem ambíguo na questão do perdoar. Creio que você poderia ter sido mais clara nas distinções vítima e sociedade, reabilitar e perdoar, por exemplo.Porém, o que vejo na maioria dos comentários é um extremo e chato caçar carteirinha de feminista. Ah, "peloamorné" falar que você apoia o estuprador, que você prefere o algoz à vítima é totalmente descabido, pra não dizer bem burro ou malicioso(linha tênue). Dá pra discordar VEEMENTE do seu texto sem apelar pra isto.

Anônimo disse...

Galera,

Leiam sobre justiça restaurativa!!

http://pt.wikipedia.org/wiki/Justi%C3%A7a_restaurativa

Abraços!!

Grão da Noite disse...

Quando você falou que histórias que têm cometedores de crimes hediondos como protagonistas os humanizam, lembrei-me do assédio sexual de que fui vítima em 2011. Em meados de 2011 fui convidado por um superior hierárquico a secretariar uma comissão que apuraria as razões por que um servidor estava prestes a ser exonerado, por insuficiência de desempenho no estágio probatório. Pra redigir a portaria que institui a comissão, este homem foi ao gabinete em que trabalho, para redigir comigo o documento de instauração. Minha chefe estava de férias e minha colega de trabalho, por alguma razão de que não me lembro mais, também estava ausente. Enquanto eu digitava o documento que ele me ditava, uma de suas mãos transitaram por partes do meu corpo sem meu consentimento. Eu fiquei perplexo. Nunca tinha passado por aquilo, e, enquanto acontecia, senti-me congelado. E ao mesmo tempo pensava: "Se eu denunciar este homem, o braço direito da chefe maior da instituição, quem é que vai acreditar em mim? Vai ser minha palavra contra a de alguém muito mais poderoso...". A investida daquele homem foi interrompida quando o motorista da minha chefe entrou. Nunca fiquei tão feliz por ver G., o motorista do carro funcional que minha chefe costuma usar no trabalho. Pois bem. Comissão instaurada, tivemos que ir para a cidade (interior do Estado) onde a apuração seria feita. E nisso acabei ficando na casa dos pais do meu assediador. Havia outros servidores (eu e mais duas servidores, ambas psicólogas). Meu assediador disse que eu poderia ou dormir no quarto com ele, e eu sabia muito bem o que isso significaria, ou poderia dormir num quarto sozinho. No mesmo instante pedi pra ele me levar ao quarto onde eu dormiria só. Era o mínimo que eu poderia fazer pra demonstrar que não tinha gostado nem um pouco de ser assediado. Mas, lá na casa dos pais dele, eu consegui perdoá-lo. A experiência o humanizou para mim. Havia muitas fotos de família pelas paredes, inclusive das filhas, já adolescentes, do meu assediador, além de fotos dele com a esposa, de quem senti muita pena. "Será que ela sabe que ele é assim?", me perguntei. "Se sabe, tudo bem. O que vale numa relação, para mim, é a transparência. Se ela sabe, há um pacto, se não, há enganação por parte dele". Lá eu percebi que ele é um bom sujeito. A família, muito humilde, só melhorou de vida porque ele ascendeu no serviço público. Um irmão dele, artista plástico, cometera suicídio há alguns anos, e antes disso padeceu com o alcoolismo. Fiquei me perguntando se a causa do destino trágico do irmão dele não teria sido a homossexualidade, que a família não aceitava. Eu acho que não teria conseguido perdoá-lo pelo assédio se não o tivesse conhecido mais intimamente. No final das contas, já estava sentindo pena dele. Deve ser uma pessoa muito perturbada, mais um dentre muitos homens que criaram a aparência de que são heteros por medo da rejeição da família e porque é conveniente pra ascender na carreira. Depois descobri que ele vinha assediando outros servidores, e que um deles abriu um processo administrativo contra ele. Como vivemos num país onde a impunidade é muito comum, não acredito que ele seja punido. Mas torço por que o processo administrativo o contenha. Mas, a par disso tudo, conhecê-lo melhor me libertou do meu ressentimento contra ele. Perdoar não é um gesto de grandeza para com quem a gente perdoa, mas para com a gente mesmo. Fiquei muito feliz por ter me percebido liberto daquele sentimento negativo que cheguei a nutrir contra ele. As vítimas de estupros fariam um enorme bem a si mesmas se se libertassem de seu ódio por seus estupradores. Não é por altruísmo que devemos nos esforçar por perdoar, mas por amor próprio.

Liana hc disse...

Lola, é muito bom que haja esta abertura.

Acredito que a ênfase do assunto como um todo deve sempre residir na fala e no empoderamento das pessoas que foram vítimas, nas campanhas de conscientização e no bom funcionamento do aparato legal. Como tão bem, há anos, tem sido debatido aqui no blog.

E abordar a visão do agressor é também uma via possível, até para ajudar a desmistificar o assunto. Faz parte da necessária reflexão, de que aquele sujeito que parece tão "normal" e "inofensivo" pode ser um agressor. É preciso botar uma cara, uma história aí, para que possamos (nós, a sociedade) aprender que esse problema é mais complexo do que a clássica cena do sujeito escondido num beco escuro ou achar que a saia é que era curta. Nem que seja para ler e achar patético ou mentiroso esses relatos, porque aí vai do direito de cada um.

É normal que muitas pessoas que foram vítimas se sintam incomodadas com relatos assim, e faz parte da história de cada um, mas não é um impeditivo para que esse tipo de abordagem seja feita, desde que o agressor não fique, mais uma vez, numa posição privilegiada, o que não acho que tenha sido o caso.

Valéria Fernandes disse...

Depois ver todo o quid pro quod ocasionado pelo post da Lola na sexta-feira, tive que reler o texto "NÃO ME PERDOO PELAS PESSOAS QUE ESTUPREI" e decidi deixar meu comentário. Primeiramente, registro que posso não concordar com tudo o que foi escrito, até hoje discordo veementemente daqueles vários post da Lola defendendo o Polanski (*quase deixei de seguir o blog por causa deles*), mas que este post em questão não manifesta nem desprezo pelas vítimas, nem apoio aos estupradores. Posso ter lido errado? Posso, sim, mas tenho a palavra da autora dizendo que, sim, eu li da maneira correta. Por que duvidar dela?

Não sou nem tão democrática quanto a Lola, JAMAIS publicaria certos comentários ofensivos e sem noção que ela permite aqui neste blog, deletaria tudo depois de ler a primeira linha; não sou tão crente na humanidade quanto ela, que tenta ver o melhor na maioria das pessoas; não tenho a metade da paciência que ela tem com gente que visivelmente está agindo de má fé. Admiro a Lola por várias de suas qualidades e acredito que ela é muito importante na blogosfera feminista. O que percebi nesse incidente todo, além da necessidade de marcar território, de acusar, de execrar, além da legítima dor de quem já sofreu violência, uma nítida vontade de promoção por parte de algumas pessoas, pois basta ler o texto original para ver que, bem, a Lola não está defendendo estuprador algum. Fora, claro, que 99% dos textos em que ela toca no assunto estupro é para dar voz às vítimas, denunciar a sociedade patriarcal que legítima e promove a cultura do estupro e tudo mais. No entanto, basta um texto para que ela se torne uma defensora dos direitos masculinos? Sei, não, acho que há muita coisa mal explicada nessa polêmica toda.

De minha parte, considero justiça algo diferente de vingança. Não acredito que a última torne a vida de ninguém melhor, mas não me mexeria para impedir que uma vítima de estupro pudesse levar a sua adiante. Nunca fui estuprada, mas como mulher sei que sou provável vítima potencial e, neste momento, carrego dentro de mim outra vítima em potencial. Sou a favor da prisão perpétua, e se engana quem acha que este tipo de pena não admite condicional em muitos casos; sou a favor dos trabalhos forçados nas prisões; sou contra a prescrição de pena e que a vítima possa retirar a queixa. Crime é crime, merece punição; perdão é algo pessoal. Você quer perdoar? Direito seu, acredito mesmo que o perdão liberta MAS o crime não pode ser anulado com isso. Gostaria que nosso sistema de justiça tivesse penas mais duras para vários crimes e mais variadas para outros. Mexer no bolso seria ótima medida em muitos casos. Agora, acredito veementemente que punir não dispensa tentar recuperar e, sim, muitos agressores são recuperáveis.

Faltou para o texto inicial a recomendação de que, caso o sujeito tenha cometido os crimes sendo maior da idade, ele precisa se entregar à justiça. Crime é crime. Agora, toda essa história me passa a idéia de que ele era menor de idade quando estuprou seus parentes. Se era, é inimputável. Há formas de compensar? Talvez, mas isso não anula a dor das vítimas e elas não são obrigadas a perdoar, especialmente se o agressor não pediu perdão, não expôs seu comportamento e mesmo o que ele mesmo passou. É isso.

lola aronovich disse...

Obrigada pelo apoio, Liana e Valéria. E tantxs outras!
Obrigada mesmo.

Natália Pacheco disse...

Oi, Lola. Sobre o estuprador arrependido: não sei o que pensar sobre isso, mas concordo quando diz que ele deveria procurar ajuda psicológica.

Mas também acho que ele deveria se entregar a polícia. E que é papel seu relatar esses e-mails a polícia para que o caso seja investigado (presumindo que a polícia vá fazer alguma coisa). É muito bonito ele se arrepender, mas não adianta nada se não assumir as consequências dos seus atos, porque ele destruiu a vida de duas crianças. E a justiça, onde fica?

Tenho medo de parecer reacionária, não gosto de gente assim e não quero ser desse jeito, mas você mesma disse que crimes devem ser punidos e independente do importante papel da reabilitação do criminoso, esses crimes em particular não receberam punições. E isso não é certo.

Maria Valéria disse...

Valeria

Não sou nem tão democrática quanto a Lola, JAMAIS publicaria certos comentários ofensivos e sem noção que ela permite aqui neste blog, deletaria tudo depois de ler a primeira linha

ASSINO EMBAIXO.

Yuki Tsukihime disse...

Sério que tem gente dizendo que a Lolinha não tem empatia pelas vítimas de estupro?!! É incrivel como uma simples ventania é capaz de derrubar um castelo de cartas que você levou anos para construir... Olha, Lola concordo com QUASE tudo que você disse... Por mais que eu me considere um tanto "misantrópica" (Tenho motivos), eu acredito que as pessoas não nascem más (A sociedade as torna assim, apesar de certas coisas serem da "natureza", como a competitividade, etc...) e que podem mudar (Se quiserem)... Concordo com prisão perpétua, mas acho que pena de morte, castração química, entre outros, não passa de uma "malhação de Judas" desnecessária... Como matar um estuprador irá impedir o surgimento de outros casos de estupro enquanto filmes pornôs ou mesmo filmes e livros de outros gêneros, apresentam como "normal" , excitante ou até mesmo românico, fazer sexo com a outra pessoa negando?! E sinceramente, Lola, você feriu sim a sensibilidade das vítimas... A diferença entre elas e os VERADEIROS reacionários (Falar coisas como "direitos humanos para pessoas direitas" ou "bandido bom é bandido morto" não faz de ninguém, necessáriamente, um reacionário, mas que isso são bordões utilizados a esmo por eles ninguém pode negar), é que os reacionários fazem em prol de um falso moralismo, enquanto as vítimas reclamaram porque você mexeu com um desejo, por vezes exagerado e cego, de se vingar e de punir o agressor... Não perca seu tempo discutindo esse tipo de coisa com quem tem alguma mágoa ou rancor, já que essa pessoa em questão o que menos quer é ver alguém que até pouco tempo era um ombro amigo de repente "dançar com o inimigo" e o que mais quer é matar o tal inimigo com requintes de crueldade... É insanidade misturar sentimentos pessoais com leis, com ética, etc... Sem falar que o próprio Ex-estuprador que mandou um e-mail para a Lola TAMBÉM FOI VÍTIMA DE ESTUPRO, e provavelmente também tem esses sentimentos de vingança e acabou por “descontar” em gente inocente... E mais, se não fosse o fato de você não tivesse nenhum dado além do e-mail (que provavelmente é falso), você deveria sim denunciar, se tivesse a certeza de que ele não “pagou sua dívida com a sociedade” e de que ele não cometeu o crime enquanto ainda era de menor...

Ana Luiza disse...

Lola, minha admiração e respeito por vc cresce a cada post. Parabéns pela coragem, coerência e ética. E obrigada pela contribuição à reflexão, debate e conscientização da causa feminista e dos direitos humanos. Por favor, não pare esse belíssimo (e árduo, imagino) trabalho.

Anônimo disse...

Um grande problema de quase todos os movimentos sociais, e o feminismo não é diferente, é que se dizem defensores da liberdade e igualdade, mas vivem numa ditadura em que vociferem ferozmente ou até agridem quem tem opinião contraria. Ex: rasgaram o cartaz e expulsaram um cara que foi na marcha das vadias protestando pacificamente contra o feminismo, mas defendem a intromissão agressiva da mesma marcha na JMJ, inclusive com penetrações de crucifixo. Falta coerência.

Anônimo disse...

quer falar sobre o punitivismo excessivo no feminismo? fale sobre o punitivismo excessivo no feminismo. não precisa divulgar história de abuso dos outros nem dar voz ao abusador de leitorxs que você tem. monte de gente dizendo "eu não vi problema nenhum no post", que bom pra você. mas a sororidade foi pro lixo, né? monte de vítima dizendo que abriu ferida e você justificando o post com 'nunca sofri estupro e não vi problema nenhum'. a partir do momento que fere as pessoas que você se propõe a defender, é preciso repensar sua postura também.

Nat Muniz disse...

Gente.
Acho que seria interessante tentar separar a posição em relação a um assunto 'sou contra a pena de morte', e a reação subjetiva a uma agressão 'se eu for violentada vou desejar que o sujeito morra'. são coisas diferentes.
Acho que quando a Lola fala de um 'ser reaça' ela está se referindo ao primeiro, e não ao desejo de vingança da pessoa que é vítima de alguma violência específica.

Anônimo disse...

Fui eu que comentei no outro post sobre o filme O lenhador (que, por sinal, é com o Kevin Bacon e não com o Sean Penn, haha).

Eu também tinha falado, do ponto de vista de vítima, que não acredito que punir é a única solução pra diminuir os casos de estupro. E eu continuo concordando com vc nesse post, Lola. Eu entendi bem o que vc quis dizer, que punição não exclui reabilitação nem deve ser vista como medida isolada e suficiente pra combater o problema, que - na maioria das vezes - está inserido em um complexo contexto cultural. Eu acho mesmo que muitos estupradores não sabem que agiram como estupradores (o que, obviamente, não torna a conduta deles menos censurável ou punível), assim como muitas vítimas também podem não saber que foram estupradas.

Claro que têm pessoas que realmente apresentam distúrbios mentais ou orgânicos e que, em virtude disso, tornam-se capazes de violentar outras pessoas. Mas não dá pra generalizar, não é? Eu fiquei muito surpresa com esses ataques aqui, não por estarem discordando, mas porque li muita gente falando como se todos os estupradores fossem psicopatas. E um dos assuntos mais debatidos nesse blog é justamente a tal cultura de estupro! Então, se existe uma cultura de estupro é porque o problema não é só do direito penal nem só da psicologia/psiquiatria. Portanto, a solução não pode, igualmente, ser SOMENTE punição.

E, falando isso, eu reafirmo que não perdoaria o cara que me abusou na infância, mas isso não me impede de entender que o problema não se resume a uma escala pessoal. Então, se eu estou me propondo (e eu disse SE, porque ninguém é obrigado) a discutir o estupro como um problema cultural que afeta uma coletividade, especialmente mulheres, eu devo estar aberta a analisar o contexto como um todo. Acho que isso inclui discutir as circunstâncias e os motivos que levam estupradores a agir como tal. São todos monstros, são pessoas comuns? Qual o perfil de um estuprador, afinal? Acho que esses questionamentos ajudam a propor soluções.

Até eu cansei de ler tanto ataque desnecessário. Porque dá perfeitamente pra pessoa discordar e debater de maneira saudável, sem vir com generalizações ofensivas.

Força, Lola.

Sil disse...

Desculpa, apenas acho que não seria exatamente um blog feminista a dar voz a um estrupador... compreensível, não?

Patricia Mara Maciel disse...

Lola, gostei de você ter publicado o texto do estuprador arrependido e, sim, acredito que ele tenha se arrependido. E acredito que ele tenha se reabilitado. Só não concordo quando você diz que punições como aplicar castração química é ferir os direitos humanos. Sabemos que a esmagadora maioria dos estupradores volta a estuprar mais e mais. Não acredito que apenas educação resolva isso. Há quem diga que um estuprador continuaria estuprando mesmo sem ter ereção, usando outros objetos. Mas também é fato que quase todos os estupradores usam o pênis para estuprar. Penso que ferir os direitos humanos é deixar de aplicar a castração para resguardar os direitos do estuprador e, com isso, permitir que ele faça mais vítimas. Isso é ferir os direitos humanos das vítimas. Apesar de você defender que para ser feminista tem que ser contra a castração química em estupradores, me considero feminista e sou a favor da castração DEFINITIVA dos estupradores. A vida dele vai seguir. Isso não é uma tortura. A vida dele não vai ser pior só por falta de sexo. Muita gente não pode fazer sexo por causa de uma doença. E não é a falta de sexo que as mata. Aliás, meus gatos são castrados e vivem muito bem. Você pode e deve acreditar em reabilitação, mas não pode ser ingênua a ponto de acreditar que todos os estupradores podem se arrepender e se reabilitar, quando a realidade diz o contrário.

Julia disse...

Fenix Vermelha, adorei seus comentários. Concordo com você.

Teve gente que falou aqui em respeitar a dignidade do estuprador. Difícil falar em respeitar a dignidade de estupradores quando a nossa é desrespeitada todos os dias. Parece que tem muita gente que acha que feministas e mulheres em geral tem que ser para-raio de merda.

A merda bate na gente e não temos nem o direito de sentir ódio por quem a joga na nossa cara.

Desejo de vingança a uma pessoa que te fez mal é coisa muito natural do ser humano, mas nós somos mulheres, somos feministas, temos que ser superiores, oferecer perdão e a outra face.. hahahahaha
Dêem um tempo!

Mas pelo visto tem muita gente que acredita que o ser humano nasce bom, inocente e ingênuo. Ingênux é quem pensa assim, né?
Acordem pra vida!

Jane disse...

Nossa, boa parte das reações que tenho visto às suas reflexões mais parece um problema sério de interpretação de texto ou apenas má fé. Acho que o timming é perfeito pra vc assistir ao'Hannah Arendt'. Você vai entender.

Força e muito amor, Lola

Anônimo disse...

o texto dele poderia ser de um dos meus irmãos. o mais velho abusou sistematicamente do mais novo e eu tenho lembranças de abuso também, mas jamais consigo me lembrar qual dos dois ou se os 2 fizeram isso comigo. é um bloqueio brutal. Passaram-se 26 anos e eu não perdoei nada. acho que alguém que faz isso e realmente se arrepende não consegue conciliar a vida. não pode suporta-la pois isso é algo extremamente cruel, abominável mesmo. Quem se arrepende não consegue viver com o peso do que fez. E o que fez não tem perdão. E duvidar do quanto prejudicou suas vitimas já mostra ao meu ver que essa pessoa não olha verdadeiramente para os outros, vê somente a sua dor e tortura. Bom, não sinto qualquer empatia por estupradores se isso me faz alguém menos humana então sou. Sobre o filme o lenhador, não é abertamente apontado que ele tenha abusado (diretamente) de qualquer criança (lembrando que vincular e adquirir materiais pedofilos é pedofilia e alimenta essa industria podre). e no caso do estuprador “arrependido” não restam duvidas. Ele procurou as pessoas que feriu? Pediu perdão a elas? Não, buscou essa pseudo redenção aqui... que pode até abrir espaço para uma discussão importante ao feminismo etc mas não muda nada na vida das vitimas. O político é mais importante que o pessoal? Quem decide?

Ju disse...

Concordo com Jane sobre a parte da má fé na reação de muitxs. Acho que nesse segundo post suas intenções ficaram bem claras mas o que tenho visto são feministas fazendo praticamente uma campanha contra você online, sabe, é o dia inteiro falando disso! Acho que na cabeça delxs você é a feminista rainha do Brasil e chegou a hora de te destronar.
Uma coisa é discordar e desgostar do texto, outra é querer colocar seu blog todo na fogueira

donadio disse...

"Nossa, boa parte das reações que tenho visto às suas reflexões mais parece um problema sério de interpretação de texto ou apenas má fé."

É, tem muito strawmen por aqui. Li os textos da Lola, não vi em nenhum lugar ela dizer ou insinuar que estuprador não tem de ser punido, ou que alguém tem obrigação de perdoar quem quer que seja. As pessoas lêem o que querem ler, ou talvez o que têm medo de ler, sei lá. Ou pode ser que essas idéias apareçam em algum comentário, eu não vi, mas tb não li todos.

Também tem gente reclamando de strawmen onde não tem nenhum. Tipo, "ninguém está sendo contra os direitos humanos". Bom, sim, nem todas as pessoas que criticaram a Lola, nem mesmo entre as que foram agressivas ou criticaram o que a Lola não escreveu, se posicionaram contra os direitos humanos. Mas pelo menos algumas pessoas fizeram exatamente isso. Cito a Vera, por exemplo:

"vocês que adoram defender os direitos dos bandidos em detrimento dos cidadãos de bem"

"se a polícia rela a mão no bandido,chove defensores de direitos humanos,curiosamente não aparece ninguém para reclamar dos direitos da vítima."

Exatamente a ideologia dos "direitos humanos para humanos direitos". Notável também a banalização da tortura, que virou "relar a mão no bandido".

Anônimo disse...

Não vou me alongar, mas sobre reabilitação de pedófilos, ela não é possível pelo mesmo motivo que não se pode "reabilitar" um hétero ou um gay. Não é transtorno de personalidade e sim orientação sexual, especialmente quando a pedofilia é manifestada de forma exclusiva (a pessoa só tem atração sentimental e sexual por crianças, lembrando que a pedofilia funciona por faixas etárias).

Lembrando apenas que 1. nem toda pessoa que abusa sexualmente de crianças é pedófilo, 2. nem todo pedófilo algum dia chega a tocar nessas crianças de forma inapropriada.

O pedófilo GOSTA de crianças. Dizer que pedofilia causa estupro seria o mesmo que dizer que alguém estuprou uma mulher por culpa da sua heterossexualidade. Não tem nada a ver, até porque nenhum estupro tem a ver com sexo e sim com poder sobre o outro, e aí tanto faz se é homem, mulher, criança, velhinha, cachorro etc.

Anônimo disse...

É ilusão falar-se em reabilitação, isso não existe, para ninguem, a prisão é só punição e assim deve ser.

Anônimo disse...

Já que você resolveu considerar os direitos humanos do estuprador, Lola, sugiro fazer o mesmo quando fizer apologia ao aborto no seu blog. Pense nas vezes em que publicou que fetos não passam de amontoados de células e passe no youtube para dar uma olhadinha em ultrassons feitos com 20, 24 semanas para ver amontoados de células chupando dedos e sorrindo. Pense se deseja para o Brasil uma lei semelhante à do Canadá em que não existe limitação do tempo gestacional para o aborto e no qual estão sendo tomadas medidas para coibir o aborto em massa de meninas por pais que não as desejam, tão somente pelo sexo. Pense nos direitos humanos das vítimas do direito que você defende com unhas e dentes também, e não só nos direitos humanos dos estupradores.

Pedro disse...

Tu é muito foda Lola. Realmente é incrível a quantidade de comentários que eu vejo em blogs feministas no estilo "castração pra estuprador já". E eu também acho que isso não é condizente com o feminismo e (óbvio) com os direitos humanos. A raiva e o desejo de vingança que uma mulher sente em relação ao estuprador é uma coisa; como o Estado deve punir (e tentar reabilitar) o estuprador é outra.

morena-flor disse...

Eu fui vítima de estupro e concordo com a Lola. Só começo meu comentário assim pq vi muita gente questionando a posição da Lola porque ela não sofreu abuso. Como se ela não pudesse empatizar (como ela sempre fez) e mensurar esse sofrimento... Eu descobri o que é estupro, descobri que fui estuprada através desse blog e acho uma idiotice as pessoas dizerem que a Lola está ditando a forma como as vítimas tem que se sentir. Ela não fez isso! E ficou muito claro... Só quem ficou cega de raiva não viu, mas ela inclusive repetiu isso no texto. Acho um grande serviço exibir a opinião de um estuprador. Claro que não é fazer disso uma rotina, afinal esse não é um blog confessionário de estuprador. A Lola publicou MUITOS relatos de vítimas e dois relatos de pessoas que estupraram. Acho que dar visibilidade a essa noção quase desconhecida que estupradores não são monstros, estão em todos os lugares, desmistifica o estupro. Não acho que perdoar o estuprador seja "cristianizar" o feminismo. Eu tento todos os dias perdoar e esquecer o que passei e nem sou cristã, sou candomblecista. Acho isso saudável pra mim e acho saudável pra quem sofre, mas isso acho que cada uma que decida por si. Acho que odiar e sentir raiva é mais prejudicial pra quem sente, porque como sabemos o estuprador pode estar livre e leve. Eu não quero um pedido de perdão, não quero nenhum tipo de contato com ele, só quero esquecer, superar isso tudo...
E, sim, eu acredito em reabilitação. Acho que além de punir é necessário ensinar a essas pessoas valores éticos. Mesmo que algumas não tenham interesse em aprender. Não sou a favor de castração, pena de morte, nem nada do gênero. E concordo quando a Lola diz que ser contra a reabilitação como política pública (veja bem, não como sentimento individual) é coisa de reaça. Acredito na regeneração, mesmo que eu, como vítima, não queira nunca mais vê-lo, nem regenerado.

Marina P disse...

Só consegui vir comentar aqui agora. Ao psicólogo que disse que não existe reabilitação, informo que está enganado e que muitos colegas de profissão trabalham com casos semelhantes. Sabemos, nós que trabalhamos com enfrentamento à violência, que existem diversos transtornos que podem estar associados em vários casos, mas a imensa maioria dos estupradores não é sociopata e nem irrecuperável. Alias, se fosse o tipo de crime que determinasse quem é recuperável e quem não é, poderíamos queimar todos nossos livros de Psicologia, né? Psicologia se faz no caso a caso; o que pode ser generalizado são alguns mecanismos, mas não a forma como se apresentam em todas as pessoas.

Marina P disse...

Por favor, gente, quem não estudou Psicopatologia e nunca trabalhou na área pode ter opinião sobre o assunto, mas não pode afirmar o que dá pra fazer e o que não dá como se fosse uma verdade absoluta. Sério! Existem diferenças imensas entre sociopatas e pessoas "comuns" que cometem crimes. Isso pode não resolver em nada o sofrimento das vitimas, mas ainda assim é um fato e não dá pra um profissional bem informado negar isso!

Marina P disse...

Pedofilia exclusiva e bem diagnosticada não pode mesmo ser transformada, assim como não existe a cura gay. Mas, assim como foi dito, nem todos que estupram crianças são pedófilos (no sentido cientifico e não corrente do termo). A imensa maioria é de não-pedófilos, de pessoas que se relacionam sexualmente com adultos mas que em algumas situações abusam de crianças. Existe uma diferença entre a forma como o leigo e a mídia usam esse e outros termos e a forma como são usados por profissionais da área e isso está prejudicando bastante as discussões por aqui e a compreensão do tema. Muita gente fazendo falsas equivalências entre situações completamente diversas do ponto de vista clínico embora semelhantes ou iguais do ponto de vista jurídico ou das vitimas.

Tô ficando realmente mal de falar tanto sobre esse assunto, embora perceba que existe necessidade. Parece que estou defendendo a cura de alguma coisa, mas é exatamente o oposto disso. Se a gente parte do pressuposto de que são todos doentes, vamos responsabilizá-los como, gente? Por mim todos têm que ser punidos, presos e enfrentar consequências por suas ações. Se sofrem de algum transtorno, devem ser tratados concomitantemente. Chega a ser deprimente ter que reafirmar isso! São pessoas e precisam ser responsabilizadas por seus atos. Ou tudo que temos debatido sobre cultura de estupro não existe e o que existem são psicopatas estupradores que são essencialmente ruins desde sempre?

Anônimo disse...

Esta é a primeira vez que vejo reabilitação, pedido de perdão e arrependimento serem tão atacados.

É bem oque você falou Direitos Humanos pra Humanos Direitos, a maioria quer vingança.

TE acusarem, esquecerem de tudo que você já escreveu, porque você publicou um relato de uma pessoa que cometeu um crime e que está arrependido simplesmente não faz sentido.

Você vir aqui e ainda justificar, ser mais uma vez atacada faz menos sentido ainda.

Respeitar opiniões diferentes, realmente é difícil.

Espero que você consiga relevar. E não se deixar oprimir, por esta agressividade das pessoas.

Anônimo disse...

Eu tô decepcionada, só isso.
Já mostrei esse blog para uma amiga que tb foi estuprada. Imagina se no dia que apresento o blog ela vê um estuprador tendo espaço?
Não estou falando de direitos humanos, punição nem nada.
Só que pra gente que já sofreu esse horror, a gente quer é ter um espaço pra falar, pra compartilhar, pra ouvir, ler, ser ouvida, aprender.
A gente quer é dividir a dor e não ver criminosos relatando fatos...

LeoJandre disse...

Bom, primeiro quero apoiar sua liberdade de expressão. O blog é seu e vc posta o que vc quiser.
Segundo quero elogiar sua coragem e fidelidade aos seus princípios Lola.
Terceiro, eu acho que direitos humanos são inalienáveis e para todos os humanos. Dito isto, creio que mulheres e homens devem ter os mesmos direitos. Mas minha opinião pessoal é defender a pena de morte como juridicamente válida para crimes como corrupção e estupro, sabendo que é polêmica e que é inconstitucional. Pode me chamar de reacionário, mesmo sendo essa uma opinião pontual sobre um problema específico, e ignorar todas as minhas outras posições éticas. De qq forma eu defendo seu direito a livre expressão e o meu à livre opinião. Buona fortuna.

Luciana disse...

Lola,

Você já assistiu ao filme "Secret Life"? Um filme muito bem feito e que gera um bom debate sobre o assunto.
.
Maiores informações no site da omelete: http://omelete.uol.com.br/series-e-tv/matthew-macfadyen-polemiza-com-papel-de-pedofilo-em-telefilme/#.Ug0t8dK1HOw
.
Eu baixei este filme, pois não saiu em dvd, foi feito para a tv.

Um abraço,

Luciana

epintula disse...

Sabe, Lola? Eu geralmente gosto muito do que escreves.
Nesta equação do estúpro, não estou em nenhum dos elementos, porém fiquei muito decepcionado com teus comentários sobre o e-mail do tal "T." e, mais ainda com teus comentários aqui neste teu "mea culpa".

Já viste o filme "M", traduzido pro português como "M. O vampiro de Dusseldorf"? Tem completo no youtube.

No filme há um brilhante questionamento sobre o que tentaste apresentar em tuas letras, em relação à punição/reabilitação.

Eu resolvo a questão com uma lógica simples: à vítima não é dada a opção de "reabilitar-se da condição de vítima". Não existe esta opção. Assim, não pode haver esta opção para o criminoso. Fim. - falando-se de crimes contra a vida, quaisquer que forem.

Se tu usurpa de outrém o direito humano desta pessoa, automáticamente estás abrindo mão do teu direito humano. Isto é óbvio. Se crês que podes passar por cima do direito alheio, não crês neste direito; e portanto não podes exigí-lo. Simples assim.

Eu acredito na reabilitação! Eu acredito no arrependimento e na capacidade (de alguns) de não repetirem erros. Mas, quem errou contra a vida alheia, infelizmente, não merece esta bênção! Mesmo ela sendo possível, viável, comprovável cientificamente. Não é uma questão de testar a capacidade de reabilitação de alguém. O criminoso perde o direito de exercer esta habilidade. Só isso.

Bruna Okkerse disse...

Alguém comentou que pedofilia/estupro ainda é um disturbio psicológico desconhecido. Outro alguém disse que acredita na reabiitação de ladrão de galinha, batedor de carteira, etc, mas que não acredita na reabilitação de assassino, estuprador e pedófilo. Concordo. Lola, você acha que é justo com as vítimas e potenciais vítimas de um estuprador lhe dar o benefício da dúvida em nome do seu suposto arrependimento? Quantas vezes um ser humano pode dizer que se arrepende? É claro que há estupradores que nem sabem que são estupradores. Mas infelizmente não sabemos quem estupra porque é sádico e quem estupra porque não sabe que é errado. Não acredito na estupidez dos "direitos humanos para humanos direitos", contudo, às vezes escolhas devem ser feitas, do tipo, "dos males o menor", e é melhor que um pedófilo/estuprador seja castrado, tenha seus movimentos monitorados e que a comunidade saiba quem é ele do que só acreditar na punição da cadeia e no seu "arrependimento". A vítima do estupro precisa conviver com isso o resto da vida, ela, de certa forma, estará presa para o resto da vida, porque não dar ao seu algoz uma punição à altura. Você mesmo falou que não se sentiria à vontade de deixar seu filho com um estuprador. Acho que nem você mesma acredita em arrependimento. E quer saber, quem já foi vítima de violência sexual sabe que não interessa se o estuprador está arrependido, a dor nunca vai passar. Nunca. O erro do seu post não foi enxergar T. com ser humano. Aliás, essa reflexão você fez muito bem. Eu acho que quando a gente enxerga o outro como humano, por mais escroto que tenha sido a atitude, fica mais fácil de entender e prevenir. Seu erro foi dar voz ao estuprador. Eles já tem espaço demais... Se direitos humanos fosse uma coisa palpável, tipo um objeto, a quem você daria, ao estuprador arrependido ou a uma vítima, ainda que não fosse a vítima dele, enfurecida, cheia de ódio, querendo vingança? Há certos crimes, Lola, em que arrependimento não resolve. Não cura a dor e não evita novas vítimas. Espero que você nunca passe por isso. Mesmo. É uma dor tão grande, tão grande, que quando a gente lê um post como o seu, dá vontade de chorar com as lembranças impossíveis de apagar brotando na memória. Você tem empatia, mas não entende. Eu espero que nunca entenda...

jacmila disse...

Bruna: assino embaixo do seu comentário.

Matheus Boni Bittencourt disse...

O assunto é delicadíssimo!

De fato, temos uma investigação criminal deficiente no Brasil. As delegacias da mulher tem compensado um pouco o tradicional constrangimento das vítimas de estupro que vão denunciar. Antes das delegacias da mulher, muitas vezes a denúncia equivalia a uma punição da vítima, pelo enorme constrangimento e despreparo policial.

A questão da reabilitação é mais complicada. A prisão não foi feita para tornar uma pessoa melhor, na verdade seu efeito costuma ser o inverso. No máximo, a prisão foi usada para "re-integrar" ao mercado de trabalho, por meio de aprendizado profissional (educação e trabalho). Como há crimes e crimes, criminosos e criminosos, é difícil tratar a coisa de uma maneira simples. Acredito sim, na capacidade de decidir tomar outro rumo na vida. Deve-se dar apoio a quem busca uma "segunda chance", incluindo a assistência psicológica e treinamento profissional. Claro que é mais fácil falar isso em relação aos ladrões e traficantes, que em relação a estupradores, torturadores, corruptos, pistoleiros...

No caso dos crimes contra a liberdade sexual, há duas coisas importantes: a) garantir direito da vítima à assistência médico-social; b) tornar mais eficiente a investigação criminal, para que as provas sejam reunidas e apontem o culpado.

É importante não ser extremista. Nem a bravataria reacionária do "direitos humanos para humanos direitos", nem o romantismo do abolicionismo penal absoluto. O abolicionismo é ótimo em suas críticas aos limites da punição, que apontam a insuficiência da pena de prisão e a necessidade de descriminalizar algumas condutas. Mas não é aplicável ao conjunto de crimes tipificados. Concordo em descriminalizar a produção, comércio e uso de drogas. Concordo em privilegiar as penas alternativas para os delitos de baixo potencial ofensivo.

Não posso concordar com esse raciocínio antipunitivo em relação ao estupro, tortura, sequestro, homicídio, latrocínio, tráfico de armas, escravidão, corrupção, sonegação, pedofilia e genocídio. Em relação a estes crimes, sou "punitivista", como gostam de dizer. E não há "violação dos direitos humanos" aqui. Não estou propondo torturar os culpados, nem suspender a presunção de inocência, nem execução sumária. Basta aumentar o tempo de prisão e aperfeiçoar a investigação criminal.

Anônimo disse...

Nunca fui estuprada ou abusada (graças aos deuses) mas só de vero quanto de mulheres próximas á mim que passaram por isso e se analisar que algumas vezes o sexo normal é algo desconfortável (e vc pensa que então o estupro é mil vezes pior do que aquela transa que vc está tendo) o sentimento de ódio por aqueles que cometem estupro é hediondo. Não podem ser perdoados, não podem ter chance de defesa...me chama de reaça ou punitivista: sou mesmo. Acho que a lei da tortura medieval seguida de pena de morte deveria existir...ou você acha MESMO que aqueles homens que estupraram a turista na van se arrependerão algum dia?(citando um exemplo) Já parou para pensar o que eles falavam ou humilhavam ela durante o estupro, Lola? Ah você nunca foi estuprada...
Eu também não..mas não é porque eu não fui que defenderei essa laia maldita ou irei querer ouvir o que eles tem á dizer supostamente para se "defender". Eles não pensavam nisso quando estavam lá metendo na vitima e gozando não é? Ou você em sua inocência acha que, quando eles relembram a cena do estupro que cometeram, não ficam excitados? Ficam.
Por isso não podem ser perdoados e tem que ser punidos...uma lei severa vai gerar o medo neles, logo aprenderão a pensar e controlar seu impulso de querer estuprar alguém.

E se uma lei severa surgir, estupradores serão condenados e assim as chances de crianças, mulheres ou até mesmo mulheres e jovens que não foram estupradas, não correrão o risco de sê-lo. O maior medo da minha vida é ser vítima de um estupro, logo eu desejo a morte torturante á todos os estupradores para assim não se correr o risco.

As vítimas que tentam humanizá-los, perdoá-los são pessoas não fortes, mas fracas: pessoas incapazes de conseguirem vingar-se deles, de se tiver a chance, torturá-los da mesma forma com a qual foram torturadas. O que essas mulheres serão? Mulheres que quando o marido abusar das filhas dela, ficaram omissas e aceitaram na boa, para que assim o marido não se divorcie delas.

Você só fica em paz com seu algoz se conseguir fazê-lo sentir o mesmo inferno que vc sentiu.
A pessoa não acredita nisso porque acredita que se perdoar vai ter vaga garantida no céu.

Enfim...é possível sim você sentir a dor de uma pessoa que sofreu tal violência: pense, tente se imaginar na cena...ou melhor: veja alguns vídeos de estupro que estão espalhados na internet...veja bem a expressão do estuprador e os gritos da vítima. Vamos ver se você ainda vai pensar no lado do estuprador..

Fica a dica.

Sophia disse...

Lola, olhe só que curioso... Mixed feelings: fiquei com nojo quando li o guest post do estuprador. Mas também fiquei com a sensação de "pô, se for verdade, que bom que o cara percebeu o tamanho do seu erro e que não fará isso de novo".

Mas isso é a vida dos estuprados M e G. Agora vamos voltar à minha vida: eu quero mais é que meu estuprador se f#d@!!!!! Se eu encontrá-lo na rua novamente (ele é um "homem de confiança") provavelmente cuspirei na cara dele. E olha que eu sou uma lady, então imagine o tipo de sentimento que esse fdp desperta em mim. Na verdade, minha vontade é de picá-lo inteiro usando um alicatinho de cutícula, para demorar bastante, até que não sobre nenhum pedacinho.

Quero que ele se exploda e, toda vez que me lembro dele (que, felizmente, não são muitas) torço para que esteja levando uma vida infeliz e miserável. Não estou nem aí se ele se arrependeu ou não.

Então, a minha conclusão: é fácil se emocionar com o arrependimento do estuprador de outra pessoa. Mas pode esperar todo o sentimento reacionário do estuprado para com o seu estuprador. Exigir qualquer coisa além disso não é ser feminista, é não ser humano. É um sentimento de revolta simplesmente incontrolável. Não acho que se possa cobrar essa moderação das pessoas estupradas, sejam elas feministas ou não.

Socialmente falando, ainda bem que não são as próprias vítimas que julgam seus agressores. Se não, não tenho a menor dúvida: haveria muitos estupradores condenados à morte lenta por alicatinho de cutícula.

augustus pablo disse...

nojo de ser homem.

Anônimo disse...

Já passei por isso, uma pessoa próxima, em quem eu confiava, fazem mais de 3 anos e até hoje vejo imagens, pq n foi apenas uma vez, foram várias, creio eu que alguém que jamais passou por isso não tem como entender, a sensação de se olhar no espelho e sentir nojo, de não conseguir ser tocada, de ter q passar por isso sozinha, já que até a policia duvida de vc, diz q não pode fazer nada pq a pessoa era menor de idade, durante muito tempo senti um ódio extremo, queria ele morto sim, pq a maioria volta a cometer o delito. Eu não acho justo q a mulher tenha que conviver com isso enquanto a pessoa está lá, livre p fazer td novamente, ou vc acha q ele se arrepende do q fez?? Pq qnd eu fui à delegacia ele msm me disse, vai, ou vc acha q vão fazer algo? Acha msm q é estupro se a pessoa é namorado,marido?? Infelizmente o nosso país e extremamente machista ainda, e os homens acham q nós mulheres somos objetos, pertences, eu não consigo perdoar, já fiz tratamento psicológico, já tomei remédio p depressão, já pensei em suicídio (o q graças a Deus hj n penso mais), e nada, nada, nada melhorou isso, nada completou esse vazio, hj conheci uma pessoa incrível q me entende e me apóia, mas n curou, ainda n, e nem sei se vai, agora se os meus direitos humanos foram completamente ignorados, tanto por ele quanto pela polícia, pq devo eu ser obrigada a perdoá-lo? pq n posso eu pensar q ele morto seria bem melhor? eu acho q certas pessoas n mudam, se mudam ou n n sei, ACHO q não, mas cada vez q imagino ele sofrendo o q eu sofri por quase um ano me sinto melhor sim... Isso não é ser ruim, eu n acho q isso me tornou uma pessoa ruim, pelo contrário, hj eu estudo e luto com toda a minha força para ajudar pessoas q passam pelo q eu passei, pq n tinha ngm lá p mim, e nem q seja só uma q eu possa ajudar, já vai ser uma vida salva, pq se eu n tivesse saído a tempo desse relacionamento hj eu estaria morta, sorte q mtas mulheres não tem... não peço que ninguém entenda o q eu sinto, até pq eu n entendia até passar por isso, mas é horrível, e machuca demais, só espero q a nossa sociedade compreenda que mulher n é um simples objeto em poder do homem, que somos iguais.

Arthur Aleks disse...

Concordo plenamente contigo, amigo. Acho, ao mesmo tempo porém não "entretanto" que todo esse tópico do estupro é muito completo. Acho que capar ou prender é como colocar de castigo no quarto uma criança que fez algo errado, ao invés de mostrar-lhe o que fez, trazer frente a ele quem sofreu com seus atos para pedir à vitima que reviva, o que ocorreu e então pedir ao culpado que se explique. E é a segunda opção, ou algo próximo a ela, que deveria ser feito.

Anônimo disse...

Fui vítima de abuso de um primo e de um pediatra, e posso dizer que achei bacana o relato do estuprador. Não acredito muito nas pessoas ou em reabilitação, mas é bom ver algo que nos dê um pouco de esperança. Nenhum abuso que sofremos é apagado, mas só de saber que ele não fará novamente, que ele talvez possa conscientizar um amigo numa conversa, que algum outro abusador possa entender o que fez lendo o relato, já é bom. Já é um a menos por aí.