quarta-feira, 7 de agosto de 2013

"NÃO ME PERDOO PELAS PESSOAS QUE ESTUPREI"

T. me enviou este email:

Procuro de várias formas corrigir os erros do meu passado. Passado que não passou pra mim, na verdade. Passado esse que também temo não ter passado para as pessoas que estuprei. Sim, infelizmente foram pessoas. Minha irmã e meu primo, ambos menores que eu. Faz tempo que aprendi (com a ajuda de seu blog, obrigado) que sim, eu os estuprei. 
Tenho a consciência que sou um estuprador. Fui esse "homem de confiança". Me aproveitei deles enquanto dormiam. E esse meu ato hoje me mata. Não sei como agir. Antes de dormir, penso no que fiz. Desejo intensamente não ter machucado eles a ponto de prejudicá-los em sua vida sexual. 
A minha que nem começou verdadeiramente já está comprometida. Morro de medo de me aproveitar sexualmente de uma pessoa, em qualquer situação. Sou gay, mas romanticamente atraído por homens e mulheres. Acredito, na verdade, que gênero é uma construção totalmente social. Mas minhas crenças nesse momento não importam. 
Não procuro compreensão. Nem sei se deveria me entregar à polícia. Faz tempo o que fiz, mas imagino que tempo não seja suficiente. Acho que só busco o perdão deles. E como não tenho coragem alguma de tocar no assunto, uso este e-mail aberto pra me expressar (eles são leitores). 
M. e G., me desculpem. Só gostaria de saber que os danos que causei não foram tão profundos. 
Eu não sou a vítima. E independente de saber ou não que era estupro o que fiz, eu sabia que era errado. Nunca vai compensar, mas hoje eu tento conscientizar as pessoas dessa coisa devastadora que é o estupro. Falo sempre que posso e reforço que o estupro não é apenas aquele cometido na rua, em algum beco escuro. 
Eu também já fui estuprado por meu pai. Da mesma forma inclusive, enquanto eu dormia. Mas, de novo, não sou a vítima nesse momento. Meus atos não são justificáveis. Perdão, perdão. Perdão a todas as pessoas que já foram estupradas. Eu fui um monstro. Eu sou um monstro.

Meu comentário: Recebi este email em dezembro, e toda semana penso se devo publicá-lo ou não. Não que o T. tenha pedido que o publicasse, mas pedi sua autorização, disse que ele precisava de acompanhamento psicológico, que na minha opinião ele também é vítima, e fiz algumas perguntas. Ele respondeu:
"Fico imensamente feliz de você ter respondido meu e-mail. Te respeito e admiro tanto... É quase como uma mãe, de verdade. Agradeço pela preocupação. Eu fiquei muito tocado com o guest post do 'Homens de Confiança' e descobri que precisava tirar esse sentimento que me incomoda tanto. Eu olho pra minha irmã e penso no que fiz. Bate uma tristeza enorme. Acho que deve fazer dez anos da última vez que a estuprei. Meu primo faz menos tempo. Tudo isso me mortifica. Não consigo ter coragem de falar abertamente com eles. Pensei em tocar no assunto no geral e comentar que as pessoas mudam e que se arrependem do passado. Mas não consigo. Tenho medo de ser repreendido. Já vivo numa prisão mental, condenado por mim mesmo". 
Minha primeira dúvida em publicar este relato é que, supostamente, as vítimas de T. leem este blog. E, por mais que o blog não tenha trigger warnings (avisos de que a pessoa poderá ver algo que desencadeará memórias traumáticas), não gostaria que alguém recebesse um pedido de desculpas do homem que o estuprou através de um blog. 
A outra dúvida tem ligação com o que considero uma contradição do feminismo (e de outros movimentos sociais). Feminismos (porque há vários) são direitos humanos, certo? Tem que ser. Que reaças queiram punir a todo custo, eu entendo. São reaças. Não acreditam na reabilitação de um ser humano, e só querem excluí-lo, de preferência para sempre, de qualquer convívio. Por isso que tantos reaças são a favor da pena de morte. 
Mas, pra mim, feminista não pode ser reacionária. Não pode querer voltar a tempos passados. E nem pode ser conservadora. Tem que sonhar em mudar o mundo. E o mundo é feito de pessoas. Como mudar o mundo, sem mudar as pessoas?
Os grupos feministas organizados que vejo são todos afinados com os direitos humanos. Mas às vezes vejo pessoas feministas, sem estarem atreladas a nenhum grupo, que defendem castração química pra estuprador, que defendem redução da maioridade penal, que defendem pena de morte. Não considero essas bandeiras condizentes com o feminismo. 
Sem ir tão longe, vejo um punitivismo muito forte da parte de várixs feministas. E aqui entram as contradições. Por exemplo, antes da Lei Maria da Penha, homens que agrediam suas companheiras não eram punidos. Eram "condenados" a pagar alguma cesta básica ou fazer algum serviço comunitário e olhe lá. O que era lamentável -- deviam ser punidos. Mas só punir não reabilita muita gente. E, no caso de homens agressores, o que funciona bem são grupos de homens que conversam e tentam analisar as razões de sua violência (sempre ligadas à uma educação que ensinou que ser homem é ser violento, que o único meio de um homem resolver um conflito é através da violência, enfim, é toda a discussão sobre um modelo falido de masculinidade). 
Depois do cara ser punido e aparentemente estar reabilitado (eu acredito que algumas pessoas nunca irão se reabilitar, mas que a maioria vai), a gente perdoa? Ou a gente vai chamá-lo de espancador de mulheres pro resto da vida? É o caso do Netinho. Quando, em 2010, ele tentou ser eleito senador, as mulheres de seu partido, PCdoB, divulgaram uma nota de apoio a ele. 
Eu, que só escrevi um post cheio de dúvidas, fui xingada pelos meus inimigos usuais de defender um espancador de mulheres. Aliás, até hoje os reaças falam isso de mim. Deve ser chato pra eles que meu maior crime seja escrever um post dizendo que eu não votaria no Netinho, mas que acredito em reabilitação, e perguntando até que ponto o que uma celebridade faz é imperdoável. 
Este post aqui que estou publicando vai render acusações de que passo a mão na cabeça de estuprador (além de, óbvio, o alívio dos reaças em ver que o estupro partiu de um homem gay, que, pra eles, são todos degenerados mesmo). 
Estupradores têm mais casos de abuso sexual na infância que a população em geral (aproximadamente 30% dos agressores sexuais nos EUA sofreu abuso quando criança), mas isso não quer dizer que quem foi estuprado vai estuprar. Homens héteros são responsáveis pela vasta maioria dos estupros. Apenas 6% dos estupradores passará um dia sequer na cadeia.
Se uma das duas vítimas de T. tivesse me escrito, será que minha resposta seria diferente? Pode apostar que sim.
Leia mais em Sobre o post do estuprador arrependido.

158 comentários:

Anônimo disse...

É, Lola, é complicado. Tocante, mas ainda não decidi o que penso. Me trouxe um pouco de esperança, sabe? Do tipo "olha, as pessoas mudam!" "conseguimos convencer alguém..."
Ao mesmo tempo, entretanto, é impossível não pensar no mal que ele causou à irmã e ao primo.

Esse arrependimento todo mostra, inclusive, que são homens NORMAIS que estupram, como a gente insiste em falar. Não tem nada de monstros. São aqueles que convivem com a gente e podem, a qualquer momento, nos causar um mal absurdo.

ana beatriz disse...

é exatamente isso, provavelmente a resposta seria diferente se o post fosse escrito por uma das vítimas. entendo a sua posição, lola, mas é sempre difícil lidar com isso, ele pode ter mudado, pode nunca mais querer fazer isso, mas como saber? a melhor solução é procurar auxílio psicológico mesmo, pra saber como lidar com isso, e principalmente como lidar com os parentes que sofreram a agressão.
porque com certeza, as vítimas sofrem bem mais tendo que conviver cotidianamente com seu agressor.
e eles sempre carregarão isso...

A.A disse...

Vou falar na posição de vitima. Eu não perdoaria, não conseguiria perdoar, mesmo que meu(s) estuprador(es) viesse me pedir desculpas, dizendo-se arrependidos.
Sei que as pessoas podem sim mudar e desejaria de coração que a mudança fosse sincera, mas eu jamais perdoaria.
T. me desculpe, não sei como sua irmã e seu primo ficaram com isso e se eles te perdoariam. Minhas lembranças são terríveis, tenho sequelas até hj.
Um dos meus estupradores fez isso com mais uma menina, de 10 anos e estou fazendo de tudo para que ele pague por isso.
=(

Lígia disse...

Nossa, Lola, difícil mesmo decisão publicar ou não esse e-mail.

Não gostaria de estar no seu lugar, não só por ter que tomar essa decisão, mas porque fiquei imaginando aqui o tanto de e-mails difíceis de digerir você deve receber.

Nem vou falar de punição, tratamento psicológico, etc... acho que bastante gente vai falar sobre isso, e eu mesma não tenho certeza do que dizer... Mas fiquei com alguns pensamentos na cabeça o tempo todo enquanto lia o post...

O que o levou a estuprar o primo e a irmã, mesmo sabendo que era algo errado? Fiquei curiosa pra saber. O que lhe fez sentir no direito? O que lhe fez ter vontade de atacar duas crianças que estavam dormindo? Por que mesmo sabendo estar errado prosseguiu? Qual a relação entre ele ter sido vítima de estupro e se tornar um estuprador ele mesmo?

É chocante ouvir o relato de um estupro de uma vítima, mas acho que me chocou ainda mais ouvir um da boca do estuprador.

Lígia disse...

A.A...

Difícil falar, pois eu não passei pela situação...

mas eu acho que eu não perdoaria também.

gostaria de saber como é hoje a relação da pessoa que escreveu o e-mail com o pai, o primo e a irmã (a única coisa que ele diz é que não fala sobre o assunto abertamente, mas não fala nada sobre os outras aspectos da relação).

carol j disse...

Situação complicada. Não sei bem o que pensar e acho importante que esse tipo de questão seja colocada exatamente para a gente ir entendendo os pontos e tentando tomar uma posição.

Nós temos um sistema jurídico, e este sistema considera crime o estupro. Dentro desta lógica, o rapaz do post não pode deixar de ser acusado por um crime, pois o mesmo vale para todo o mundo. O problema é que as cadeias brasileiras funcionam na lógica da punição, não da reparação. Será que não seria mais útil à sociedade ter esse rapaz por aí, conscientizando outras pessoas sobre todo o mal que o estupro causa? Enfim, mas isso é só uma divagação. Não tenho ideia de como é ser vítima de estupro. Provavelmente, eu ia querer que ele fosse preso e respondesse por isso da mesma forma como é previsto por lei que os outros respondam. De todo modo, pelo menos neste momento é fundamental que ele busque auxílio psicológico. Entender que sua ação foi absurda é importante, mas agora ele precisa transformar essa dor em algo mais prático para tomar a decisão de para onde seguir.

Anônimo disse...

Eu, como vítima, não conseguiria perdoar meu estuprador, o que ele me causou não pode ser apagado.

Mas acredito que ele poderia (deveria) mudar, pois isso evitaria mais vítimas e o libertaria do ciclo, no meu caso ele foi abusado sexualmente na infância tb.

Então, embora possa parecer contraditório, nunca o perdoarei no meu íntimo, mas o perdoaria socialmente...

Anônimo disse...

Lola, só passei aqui para dizer que foi simplesmente BRILHANTE a sua avaliação da incompatibilidade entre o feminismo com uma mentalidade reacionária em políticas criminais. Fora o brilhantismo, esse post foi também de extrema coragem, sem medo de críticas que podem ser oriundas até mesmo de outras feministas. Fica aqui o meu sincero aplauso.

Paula disse...

agora, filhinho, vc vai na delegacia e vai se entregar por ter cometido o crime de estupro de vulneravel e vai cumprir a sua pena bunitinho.

vc é um criminoso sim, e tem que cumprir a sua pena. Se vc achar um juiz que tenha enos depsrezo por vc do que eu, vc vai para um prisao legalzinha, com regime semi-aberto, condicional e todas essas regalias que os presos tem.

saindo de la, vc vai encabecar uma campanha de educacao de homens em "como nao se tornar um estuprador"

O trauma que vc causou nas suas vitimas nao deve chegar a 10% desse seu mimimi... e nao vai ser um desabafo seu num blog que vai apagar isso...

Anônimo disse...

Eu já atendi vários estupradores como o que fez esse relato. A maioria deles não tem noção de que o que fez foi estupro, principalmente quando são próximos das vítimas, jovens e não usam violencia física ou a vítima reage ficando paralisada. Eles acham simplesmente que foi sexo. Alguns se sentem desconfortáveis com essas lembranças e dizem que a sensação que têm quando falam disso é ruim, mas não sabem o motivo dessas sensações negativas e desagradáveis. Outros falam desses episódio como falariam de um ato sexual consensual. Realmente existe uma ideia de que estupro é outra coisa completamente diferente do que fizeram. Precisamos começar a fazer um trabalho com crianças ou pré adolescentes explicando o que é estupro, porque para a maior parte das pessoas somente uma parcela muito pequena dos estupros é considerada estupro.

Já acompanhei casos em que o estuprador pede desculpas à vítima, diz como ele civenciou a situação na época e em todas essas situações houve perdão (sim, eu também fico supresa com isso). Foram uns 5 casos assim que atendi. Importante explicar que os que quiseram pedir desculpas foram esses que só depois compreenderam que o que fizeram não foi só tabu ou errado, foi sim uma violência muito maior do que uma "traquinagem". Todos eles tinham menos de 20 anos na época do estupro e 4 deles já haviam sido estuprados mais ou menos com a mesma idade das vítimas. Não sei o que isso significa diante do todo, porque nunca trabalhei esses dados cientificamente.

Infelizmente a imensa maioria dos estupradores nunca consegue fazer essa reflexão. Eu acredito sim em reabilitação, mas não sei se diria que acredito que a maior parteas pessoas se reabilita. Eu acho que a maioria poderia se reabilitar, mas pela minha experiência a maioria não está disposta a fazer isso.

Marina P disse...

Ah, sou a Marina P, no comentário sobre reabilitação. Ando mais quieta, Lola, mas continuo lendo todos os dias.

Lígia disse...

Paula, fico imaginando se a polícia não vai simplesmente mandar ele ir pra casa...

Morgana França disse...

Como é triste ler isso... Mas como é bom também vê-lo arrependido.
Quantos estupradores estão em prisões privados de liberdade física, e continuam com pensamentos e ações maldosas?
Este homem que escreveu o depoimento parece estar muito mais encarcerado do que muito deles. Nossa mente é cruel e nos julgamos sem dó, nem piedade.
O maior sofrimento que ele pode ter, é não conseguir paz todos os dias em que vai dormir. O que é mais torturante do que torturas físicas.
Desejo muita luz para essa família, esse pai, esse homem, a irmã e o primo. Que encontrem alguma forma de reconforto para suas dores, seja com fé, religião, natureza, trabalho voluntário... Que todos possam se perdoar mutuamente, principalmente os dois agressores.

Lígia disse...

Anônimo das 11:48

obrigada pelo seu comentário. esclarece um pouco as minhas dúvidas.

Paulo Tarso disse...

Remedio para estuprador, cadeira eletrica, e devem serem enterrados em pé, em cova reta, para economizar espaço, nem para adubo servem.

Anônimo disse...

T., imagino que você vai dar uma olhada nos comentários então vou falar diretamente com você.
Vi muita gente aqui falando que não perdoaria e gostaria de te dizer que é possível sim você ser perdoado.
Eu tenho lembranças terríveis e traumas que ficaram até hoje, mas eu perdoei meu primo pelo que ele fez, mesmo sem ele ter me pedido desculpas. Perdoar ele foi a coisa mais difícil que já fiz na vida e demorou anos, mas agora consigo viver em paz com ele e com meu passado.
Queria muito conversar com o meu primo sobre o assunto, saber o porquê ele fez aquilo, saber se ele se sente culpado, mas eu não tenho coragem de tocar no assunto. Então, só queria te incentivar a conversar com eles. Claro que eles podem sentir o oposto do que eu sinto, mas se você sente essa necessidade de conversar com eles, acho que vale a pena tentar. Respeitando sempre o limite deles na conversa, claro e não forçando nada.
Não acho que você deva ser punido pelo que fez porque pra mim o ideal não é ser punido e sim ser conscientizado do erro e mudar, e isso você já fez.
Boa sorte e que vocês consigam superar tudo isso, sei que não é nada fácil.

lola aronovich disse...

E qual o remédio para reaças como vc, Paulo Tarso?

Luiz F. disse...

Complicado, complicadíssimo o seu caso.

Primeiro, que se você confessar à polícia seu crime, seu depoimento será considerado apenas uma prova do crime. A polícia vai ter que abrir toda uma investigação do caso e então, seu primo e sua irmã serão obrigados a relembrarem tudo isso que aconteceu. E pode ser que eles já tenham superado isso.
Você já tentou conversar com algum deles? Tentou mostrar seu arrependimento?
Você já está sendo punido. Suas lembranças não te deixam viver normalmente, você tem medo de relacionamentos, enfim. Se você realmente pensa em se entregar, lembre-se que você está no Brasil. Estuprador não tem vez na prisão. Vão te transformar numa princesinha, você vai sofrer tudo quanto é tipo de humilhação. Não há chance nenhuma de você se recuperar na prisão, você só vai sair pior de lá. Se você quer se recuperar, procure suas vítimas e um psicólogo.

Bia G. disse...

Muito triste. Porém, assim como voce, acredito que as pessoas possam mudar, e isso foi um dos motivos que me aproximaram tanto do feminismo.
Nós mesmos mudamos continuamente, há coisas que fizemos que hoje jamais teríamos coragem, seja pelo motivo que for.
Acredito que estupradores possa mudar, principalmente aqueles que foram moldados pela sociedade para achar isso algo normal, e não aquele que faz por problemas psiquiátricos mesmo.

Não podemos perder as esperanças e condenar para sempre uma pessoa por alguns erros. Se ela quer mudar e pede ajuda, quem sou eu para devastá-la emocionalmente, condená-la eternamente?

patricia. disse...

Muito triste ler esse post,Lola.

Tento acreditar na mudança das pessoas, apesar de achar que também não perdoaria no lugar das vítimas. É complicado perdoar. Na maioria das vezes demora, leva anos, às vezes uma vida inteira.

Acho que é importante ele se perguntar se esse perdão não seria mais em benefício dele do que das vítimas. Pelo que ele falou, ele se sente bastante culpado e talvez antes de tomar qualquer atitude ele deva se perdoar primeiro, procurar auxílio de um psicólogo e ver se essa atitude realmente é a melhor a ser tomada, para que ele não acabe tomando uma atitude tão egoísta como o ato de estuprar.

Enfim, não sinto empatia pelo estuprador, mas sinto muitíssimo pela criança estuprada pelo pai e é bem óbvio que ele precisa de ajuda(a respeito de ambas as posições,de vítima e agressor).

Lola, se aqui no Brasil tivesse pena de morte e o Paulo Tarso soubesse que matar alguém na cadeira eletrica/injeção letal custa mais que o dobro que manter alguém a vida toda na cadeia, ele estaria reclamando que o rico dinheirinho dos impostos dele só servia pra matar vagabundo --'

Anônimo disse...

Oi Lola, eu sempre leio seu blog, aprendo muito, muito mesmo, mas nunca comento.
Mas eu queria fazer uma observação sobre o post de hoje. Eu não sei quantos anos ele tinha à época dos fatos. Mas o que ele fez é crime, crime que não está prescrito, ou seja, ele pode ser preso sim (o que eu, honestamente, acho justo). E o e-mail é uma confissão, então existem outras implicações que devem ser consideradas. Eu não sou especialista em Direito Penal, deve ter gente que pode esclarecer melhor.
É isso. Bjocas!
Cris

silvana disse...

realmente é absurdo demais querer que criminosos paguem pelo que fizeram...
para que existir leis ? basta dizer que esta arrependido e pronto,vc pode matar ,roubar,estuprar e cometer atrocidades piores q basta o arrependimento...

sério,to começando a crer que ser feminista é n assumir responsabilidade por nada,agora nem pelo crime que comete,se a pessoa se arrepende e entende o que fez ótimo mas tudo que fazemos tem consequências,então,se o cidadão decide que pode matar ou que for,tem que arcar com o que faz.
tb acho que criminosos devem ser reabilitados mas dentro da cadeia e n livre,leve e solto como se n tivessem feito nada.

e pq um adolescente pode cometer um crime mas n pode pagar por ele?
n sei se viram mas em sp uma familia inteira foi morta e a policia tem quase certeza q foi o filho de 13 anos q matou todos, ainda teve a frieza de ir para escola e depois se suicidou.
e se ele estivesse vivo,o que deveria ser feito na opinião de vcs ,pedir para ele sentir remorso e ficar por isso mesmo?

Felipe disse...

Tb passei por isso. Não tenho raiva da pessoa que abusou de mim, apesar das (muitas e graves) sequelas. Tento não ficar remoendo, sigo em frente, é menos dolorido. Se ele me pedisse perdão, eu perdoaria.

ela disse...

sou feminista, e não me envergonho da minha opinião, estuprador deveria ser morto sim! homens feitos, barbados abusando de crianças não merecem viver.

pedir desculpas é fácil e não irá arrumar o que ele fez. ele pode ser exceção, mesmo assim deveria ser punido

Luiz F. disse...

@silvana

Cada caso é um caso. Se você ler novamente o relato do rapaz, verá que ele diz que foi estuprado pelo próprio pai quando criança. Você não concorda que, no mínimo, ele tenha problemas?
Não tô querendo dizer que isso justifique o ato dele, mas será que é certo simplesmente jogá-lo numa cela junto com bandidos e assassinos, e deixá-lo apodrecendo durante sei lá, uns 10 anos? Porque aqui no Brasil é assim, a pessoa é "jogada", como lixo. Eu acho que ele deveria receber tratamento, mas no Brasil não há a menor chance da pessoa ser presa e sair recuperada. É sempre uma experiência horrível, traumatizante. E a prisão era pra ser, teoricamente, um centro de recuperação, e não de punição.

Thaís B disse...

Acho que a grande questão do T. já foi em parte solucionada, como o Anônimo 12:20 expõe:"(...) o ideal não é ser punido e sim ser conscientizado do erro e mudar, e isso você já fez."
ESSE que deveria ser o objetivo das punições, não simplesmente isolar a pessoa mas mostrar o quão grave foram suas ações e conscientiza-la a não cometer mais. Lógico que se eu fosse a vítima iria desejar com todas as forças que aquela pessoa sofra, não vou fingir que perdoaria, mas só o fato de saber que a pessoa entendeu que foi errado, se arrepende e nunca mais fará algo do tipo me deixaria com menos ódio e com alívio de que não haverá mais vitimas ou eu volte a ser uma de novo.
Não faço ideia do que recomendar ao T. sobre sua irmã e primo, realmente não sei o que é melhor, vai muito do que eles pensam sobre os acontecimentos também. Mas uma coisa eu sei o que falar, e é continuar a tentar conscientizar as pessoas dos mais diversos tipos de estupro. Tente se juntar a alguma ONG ou outra coisa que ajude mulheres vítimas de abuso, ou até mesmo tente criar algo que faça as pessoas verem as várias faces de um abuso.

Nat Muniz disse...

Gostaria só de colocar a minha opinião de que não acredito na figura do 'monstro'. Se nós defendemos uma 'CULTURA DO ESTUPRO' temos que ter em mente que os estupradores são, nada mais, nada menos, que HUMANOS.

Anônimo disse...

Nossa Lola...
Nunca pensei em um estuprador desta forma, sempre achei que fossem uns doentes mentais sem solução, tinha pensamentos bem reaças (mesmo me considerando feminista, my fault!); nunca imaginei que eles pudessem se arrepender, eu sabia de casos de crianças/adolescentes que foram estuprados e que cometiam abusos tb, mas o que nunca passou pela minha cabeça é que eles estariam tão deslocados e agredidos quanto suas vítimas. Achava que como foram abusados na infância (os que se tornavam abusadores) eles acabavam perdendo a noção de compaixão, empatia, etc e acabavam se tornando tão monstros quanto seus algozes; realmente me tocou este depoimento.
Não sei se conseguirei perdoar o meu estuprador, até pq eu não tinha nenhuma relação de parentesco, amizade ou qualquer coisa, e por ter sido na infância (8/9 anos) não consigo me desvencilhar dos traumas causados, mas com esse relato, quem sabe um dia...
Meninxs que comentam no blog e T. não liguem para o que os trolls escrevem, são neandertais, que sabe algum dia eles consigam evoluir pra H. sapiens e realmente falar algo que preste, enquanto isso não ocorre, como diz a Lola: Don't feed the trolls!!

Nat Muniz disse...

Quanto a incompatibilidade entre feminismo e pensamentos reacionários eu não poderia CONCORDAR MAIS. Feminismo e questões de gênero em geral para mim estão diretamente relacionadas com direitos humanos.

E acho que seria interessante se a galera aqui do blog refletisse inclusive sobre a questão do sistema penal, e a idéia de prisão/cumprir sua pena e reabilitação. Deixo claro também que eu não acredito no nosso sistema penal como ele se constitui e muito menos acho que ele cumpre (e acho que HOJE, nem mesmo visa cumprir) a função de 'reabilitação'. Acho que a idéia hoje é muito mais de 'penitência' de 'pagar pelos seus pecados' e principalmente de 'exclusão'. Segundo Bauman "o que interessa é que fiquem por lá'. E isso é bem preocupante, e algo a se levar em conta, quando vemos que aqui nos comentários algumas pessoas acreditam que o T. precisa se entregar a polícia para se "regenerar".

Anônimo disse...

"Vão te transformar numa princesinha, você vai sofrer tudo quanto é tipo de humilhação."


De onde saiu essa criatura, o que esse cara está fazendo aqui, deus do céus?!

@dddrocha disse...

Acho que você está "condenado" pro resto de sua vida, T.
Eu, que passei por muito menos que você causou, não consigo viver um dia sequer sem pensar nisso e querer morrer... imagine sua irmã e seu primo.
Não sei se existe perdão pra isso, como tantos estão dizendo se perdoariam ou não, mas com certeza é umas das coisas mais difíceis de se conviver.
Tenho certeza de que prefiro morrer a sofrer um estupro. É mais digno.
Deixe de pensar em perdão e tente conversar. Muita gente perdoa da boca pra fora e muita gente busca o perdão sem arrependimento. O que precisa acontecer é o diálogo e a consciência da gravidade desse problema para todos os envolvidos.
Mostre o que você pensa, seu arrependimento. Mas antes converse com um psicólogo, até mesmo para entender melhor como ter essa conversa.

Luiz F. disse...

@Anônimo das 15:16

Minhas sinceras desculpas se você se sentiu ofendido com o meu comentário. É minha mania de colocar analogias absurdas em meus textos, mesmo em assuntos sérios. Faço isso desde criança, nas redações do colégio.

donadio disse...

"essas regalias que os presos tem"

É difícil até comentar uma coisa dessa.

Fico pensando como deve ser horrível a vida de uma pessoa que acha, sinceramente, que cadeia é prêmio.

A.A disse...

Como eu comentei, eu não conseguiria perdoar, nem emu primo, nem meu chefe, que me estupraram em épocas diferentes, de maneiras diferentes.
Eu sei que ambos continuam fazendo isso. Um eu vou ajudar a ser responsabilizado. Uma menina de 10 anos o denunciou. A primeiro momento me senti mal, por que uma criança de 10 anos teve coragem de fazer o que eu não tive aos 12, mas agora vou ajudá-la.
O outro(que foi bem mais violento) eu não tenho como provar hoje.

Eu não sei qual foi o "nível" do abuso, e abuso é sempre abuso e ponto.
Não sei como essas vitimas estão. Mas ser responsabilizado é diferente de ser punido, simplesmente por ser punido. Acredito que mais vale o caso do T. que está arrependido, do que um que vai para a cadeia e volta a estuprar.

Anônimo disse...

Penso que ajudaria sim, conversar com as vítimas, pedir desculpas, assumir a culpa e a responsabilidade dos seus atos, sem tentar 'justificar' ou se fazer de vítima.
Penso que ajudaria tanto a você quanto a eles...

Um engajamento maior no combate a esse tipo de violência seria interessante. E é bom deixar claro pras vítimas que você se arrepende, pra não parecer hipócrita e deixar elas com mais raiva.

De qualquer forma, o remorso excessivo também é uma forma de auto-piedade. É difícil se arrepender, e também é difícil de se perdoar. Nesse sentido que um ativismo poderia ajudar.

Sara disse...

Bom podem me excluir, pois acredito sim que quem comete crimes deve ser punido e com rigor, pra mim não interessa se é menor de idade, e tb acredito que tem personalidades psicopatas que não tem a menor recuperação, e para o bem da sociedade, essas pessoas tem q ser mortas, eliminadas, pois se continuam no sistema é apenas com o intuito de trazer desgraças por onde passam.
Pronto falei....

Anônimo disse...

O que o T. fez é MUITO, MUITO grave e provavelmente foi devastador na vida das vítimas. O fato de ter sido violentado pelo pai não minimiza o horror do crime que cometeu. Porém me solidarizo com o fato de ele compreender a gravidade de seus atos e se arrepender verdadeiramente do que fez.

Como feminista, humanista e pessoa que vive numa sociedade (que eu gosto de pensar que é) civilizada, ele deveria passar pelos processos previsto pela lei. Também acredito que pessoas assim tem grande chances de se reintegrarem na sociedade e se recuperarem e para tanto deveriam ser encaminhadas para os profissionais competentes.

Jane Doe

Anônimo disse...

Acho que ele deveria procurar as vitimas, avisar que vai confessar seu crime na justiça e perguntar se elas aprovam sua atitude, pois serão chamadas a dar depoimentos e relembrar o que sofreram. Provavelmente ele não ficará preso, mas enfrentará um longo processo. Em seguida, acho que ele deve se afastar da vitimas, mudar de casa, (se ainda mora com a irmã) e não obriga-las nunca a ter que aguentar a convivência. Ele também deve denunciar o pai agressor, que talvez tenha sido outro estuprador para a irmã. Além disso, acho também que ele deve procurar tratamento psicológico e tentar seguir a vida, que sabe ele entenda que as vítimas tem direito ao que for melhor para elas e talvez isso não seja o perdão, assim como ele tem direito de não perdoar o pai.

silvana disse...

não consigo entender pq nesse país há tanta empatia com o "pobre" marginal,com adolescentes que matam com crueldade, mas o com a vitima n,ela que se foda,que n tenha pelo menos o conforto de saber q seu agressor está pagando pelo que fez,porque o coitado já sofreu na vida...

ele foi abusado mas isso n dá o direito e nem explica ele ter feito o mesmo,outros nunca sofreram nada mas adoram ferrar com a vida dos outros.
o certo é melhorar as condições na cadeia e realmente tentar reabilitar as pessoas e n passar a mão na cabeça deles,deixando passar inúmeras atrocidades que vemos todos os dias com esse mimimi de que tb já foram abusados por alguém e a vítima que entenda o lado do marginal sofredor.

vera disse...

vocês que adoram defender os direitos dos bandidos em detrimento dos cidadãos de bem,será que um simples "I'm so sorry" do hitler já serviria para desculpar as centenas de judeus que ele matou porque quis ,porque não tinha nada melhor para fazer ou pelo complexo de superioridade dele?

a uns atrás no meu bairro,um monstro porque eu não posso chamar de outra coisa,matou e estuprou uma menina de 5 anos,acharam o corpo dela num valão com um cabo de vassoura enfiada na vagina dela. jura que para vocês bastaria ele se desculpar com família dela e dar um pulo no psicólogo???

crime é crime,se a pessoa comete um deve pagar por isso,as coisas já estão ruins existindo leis,imagina senão tivesse.
mas para vocês sempre tem que haver uma desculpa esfarrapada para livrar as pessoas das responsabilidades.

fulano cometeu crime x porque estava bêbado,drogado,porque é pobre,foi a cultura de estupro,por isso e por aquilo,portanto,não tem culpa de nada.

resumindo tudo, para vocês importa muito mais a vida e o sofrimento do bandido do que o da vítima.

Anônimo disse...

SE ELE NÃO FOSSE GAY E FEMINISTA, VOCÊ JAMAIS O TRATARIA COMO VÍTIMA, LOLA.

A SUA COMPAIXÃO SE SUBMETE A CRITÉRIOS POLÍTICOS.

PARA OS AMIGOS, PERDÃO. PARA OS INIMIGOS, PAREDÃO.

Anônimo disse...

Eu sou vítima de uma situação bem parecida. A diferença é que comigo foi por anos seguidos, fui chantageada e ameaçada. Por anos o medo me impedia de ser uma criança feliz. Mas, se ele viesse me pedir perdão demonstrando sinceridade e fizesse tratamento psicológico, eu o perdoaria. Mais por mim do que por ele. Preciso perdoá-lo e me ver livre desse ódio. E só seria capaz de fazer isso se ele pedisse perdão e estivesse tendo acompanhamento para que nunca mais repetisse isso com outras pessoas.

Anônimo disse...

Lola, eu te admiro e muito! Mas eu não gostei o tu fizestes, publicar este e-mail.

Qual a razão? Debater? Criar polêmica?

Não, não sou reacionária apenas porque discordo de tua atitude. Sou feminista e militante não só em três causas sociais, como em um partido de esquerda.

Eu sofri um abuso quando era muito criança por um idoso. E só lembrei na terapia há muito anos. Nunca mais consegui confiar em um homem idoso de primeira. É como quando somos mordidos por um cachorro, sempre teremos receios de uma primeira aproximação, mesmo que tenhamos amor pelos animais.

Apesar de ter sido bulinada por um psicopata ( para mim todo abusador é um psicopata e ponto final), nunca bulinei ninguém nesta vida.

Eu penso que se estas duas vítimas conhecem teu blog, tu deverias tê-los poupado deste evento traumático. Aconselhá-lo que procure ajuda, ok, mas escrever sobre ele, seu "coração partido", foi demais.

Te explico: Depois que fui bulinada, sempre evitei cruzar o caminho de um homem idoso. Sempre me senti incomodada por homens velhos. Nunca senti ternura por nenhum, até conhecê-los melhor e sentir confiança. Assim, se alguém colocasse o idoso que me bulinou ( já deve estar morto, o infeliz) na minha frente, seja em forma de escrita, seja em pessoa, eu ficaria muito entristecida com esta pessoa que fez isso, que o colocou na minha frente.

Tudo tem um limite na vida, inclusive na militância. Se tu desejas ser uma pessoa que ajuda ao próximo, ajude sem mostrar para terceiros. Aconselhe-o, converse somente entre vocês, pois tu não o conheces bem e ele pode ser um manipulador abusivo. Mostrar-se pobre coitado é típico de uma mente doente, ainda mais que ele sabe o que as duas vítimas dele leem, no caso, teu blog.

Não gostei do que tu fizestes. Foi muita insensibilidade tua com as vítimas.

Irei publicar de forma anônima porque não quero esta porcaria de ser humano saiba do meu blog, assim como outros psicopatas como ele.

Por favor, Lola, não faça mais isto com as pessoas que já sofreram e muito.

Detestei tanta insensibilidade!

Thelma disse...

Meio complicado responder um post que já rotulou quem não concordar com a opinião da dona do blog. rsrs

Mas... em todo caso, me arrisco.

Acredito que todo ser humano pode sim ser reabilitado, ter arrependimentos... mas penso que "se arrepender" não significa "absolvição de crimes". Afinal de contas, se todo estuprador falar "me arrependi" e ser liberado de punição, fica fácil...

É muito fácil falar: me arrependo e pedir perdão num blog. Aliás, foi a coisa mais no sense que li nessa semana. Juro que por um momento achei que era zueira.

Reabilitação há, mas crime é crime. NUNCA OUVI FALAR DE UMA MULHER QUE SAIU ESTUPRANDO PQ FOI ESTUPRADA... e espero que nenhum estuprador seja liberado por peso na consciência... aff...

Caro T., vc busca corrigir seus erros e em nenhum momento falou com as vítimas ou buscou alguma forma de sanar traumas. O que vc chama de ERROS, eu vejo como CRIME. E não é lendo o blog da lola e postando historinhas que correções serão feitas.

Agora Lola, me desculpe, mas discordo. Pode ser q motivada por um texto tão terrível, eu fico com a filosofia dos Bastardos Inglórios [pelo menos por este momento]: Um nazista sem uniforme é somente mais um cidadão comum, igual a todos....rsrsrs

NÃO QUER RÓTULO DE ESTUPRADOR, É SIMPLES, NÃO ESTUPRE!

Anônimo disse...

Sou uma comentarista freqüente do seu blog, mas dessa vez prefiro comentar como anônima,

Nunca sofri estupro,mas varias vezes ja sofri pequenos abusos( as famosas forcadas de barra quando ficava com um garoto, o cara querer passar a mão em minha perna, bunda, peitos, querendo transar e eu nao deixei, alias eu era virgem !!! Mas mesmo assim os homens com quem fiquei primeiro me trataram assim e ficavam insistindo pra rolar algo que eu nao queria)
Isso me magoou muito,!!!
Achava que tinha " algo errado" comigo,
Demorei a me soltar, e demorei a encontrar quem nao me tratasse assim.
O único homem que amei , o que fez eu me apaixonar por ele era o sexo, totalmente diferente dos babacas que citei ai em cima: carinhoso, sensual, ousado na hora certa e me fazendo ter vontade de estar cada vez mais com ele.fazendo ate coisas que eu nunca achava que seria capaz de fazer na cama, nao so fiz como queria mais!!!
Demorei 33 anos pra encontrar um que fosse assim, hoje tenho 39 e nao deu certo com esse, mas nunca irei esquecer dele,
Pra que disse tudo isso? Porque o trauma que os outros me deixaram foi enorme!! So me libertei quando conheci esse ultimo, ha cinco anos,
A questao no meu caso, como nao foi estupro, foi um abuso que eu mesma nao deixei prosseguir, disse nao e acabou ali, nem seria " perdoar"
Se eu encontrasse os babacas que me trataram daquele jeito, eu conversaria na boa sobre outros assuntos,mas se fosse pra falar de ficarmos juntos de novo eu diria " lamento muito, mas pra sexo você e um babaca, encontrei outro mil vezes melhor do que você e que nunca precisou forcar a barra pra conseguir o que queria de mim. Alias, tudo o que vc quis de mim poderia ter sido seu, se vc soubesse como fazer e conduzir a situação.mas como vc foi um grosso, so teve prazer comigo- e muito!- quem fez por merecer"
Diria algo assim,
Nao se trata de perdoar, no meu caso, mas de nao sentir mais atracão nem vontade de ficar perto.conversar eu ate poderia, sobre outras coisas,
Agora imagino uma mulher que sofreu estupro?? Se isso ja e difícil pra mim( os abusos que sofri) , imagina estupro,
Eu nao perdoaria e ponto final,embora acredite que algumas pessoas podem mudar e evoluir.
Bjs

Thelma disse...

E mais uma só pra fechar...

Isso é uma confissãoooooooooo de uma crime! Isso deveria ser denunciado na polícia federal para rastreamento do infeliz T. e seus arrependimentos de ter violentado duas pessoas....

Reaça isso? Reaça?

É um estuprador confessando seus crimes. Simples!

Paula Santana disse...

Muito tocante este post Lola em todos os sentidos; eu particularmente, acredito na recuperação e no arrependimento de quem reconhece ao todo o mau que causou e a repercussão que gerou na vida das pessoas que feriu.

Não está escrito em lugar nenhum que pedir perdão é o ato mais simples e fácil que você fará na vida, é esmagadoramente o contrário. T. eu não sei se as pessoas a quem você feriu o perdoarão, mas eu te incentivo a tentar. Se o seu sentimento de arrependimento e cobrança para si mesmo for realmente verdadeiro, você não será desamparado. Deus abençoe a você e a M. e G.

Anônimo disse...

Lola,queria saber se você já assistiu o filme Oz:mágico e poderoso?Se sim,você poderia me dizer o que acha dele?

Julia disse...

Eu já acho que existe sim quem mereça morrer. Psicopatas, por exemplo. Prisão perpétua seria uma opção.. se eu não tivesse pena dos presos que vão ter conviver com o psicopata dentro da cadeia. Psicopatas são erros da natureza que devem ser eliminados. E isso vale pra moleques de 13 anos que matam a família toda e vão pra escola. Fico aqui pensando o que fariam com esse moleque se ele não tivesse se matado..


Julia disse...

Sara, agora que vi que vc comentou quase o mesmo que eu, usei até algumas palavras iguais as suas. Mas foi só coincidência, acho que pensamos parecido em algumas coisas.

Anônimo disse...

"Sem ir tão longe, vejo um punitivismo muito forte da parte de várixs feministas"

Lola, você esqueceu que menos de 2% dos estupros são punidos? Que é o crime mais cometido e MENOS punido do mundo?

Por que fazendo coro com anti-feministas? Ninguém tá defendendo pena de morte não, mas chamar clamores por justiça de "punitivismo"?

Anônimo disse...

Isso me lembra um filme que vi há alguns anos, chamado O lenhador, com o Sean Penn. É sobre um pedófilo, na verdade, mas acaba abordando a questão do abuso sexual de crianças... No filme, o cara tem total consciência de que tem uma doença e sabe o mal que ele poderia causar a uma criança, mas ele não é um monstro, ele tenta se reabilitar e se transformar numa pessoa normal (palavras do personagem). Tem uma carga psicológica bem pesada, mas é interessante ver o lado da pessoa que pratica o ato de abuso.

Eu fui vítima de abuso sexual quando eu tinha 10 anos, por um amigo do meu irmão, que tinha 16. Hoje eu tenho 24 e somente esse ano eu consegui contar (uma parte) do ocorrido à minha mãe. Sentia muita vergonha e tudo aquilo que toda vítima sente... E foi muito graças ao seu blog, Lola, que eu consegui entender meus sentimentos sobre o que tinha acontecido e deixar de me culpar tanto (porque, em algum lugar da minha mente, eu achava que eu tinha provocado, sei lá, que eu não tinha me prevenido). Enfim, quando minha mãe falou com ele, que não queria mais que ele frequentasse a nossa casa (ele ainda tinha o disparate de nos visitar, durante todos esses anos), pelo que minha mãe relatou, ele agiu meio sem entender, como se só naquele momento tivesse caído a ficha da gravidade do que ele fez, disse que queria me pedir desculpas e tal.

Eu nunca conseguiria perdoá-lo e ainda tenho pesadelos até hoje, sonho com vingança, que ele vai preso e coisas do tipo. Mas, sendo o mais racional que eu consigo, eu não acho que simplesmente segregador um estuprador da sociedade seja a solução. Acho mesmo que a maioria dos estupradores são caras normais, muitas vezes, queridos e bem vistos, que podem até ter um bom comportamento, de modo geral. Então, não sei, se fosse hoje em dia, eu denunciaria com toda a certeza, mais por mim mesma. Mas o problema é bem maior e não é só o direito penal que vai resolver ou diminuir o número de casos.

Enfim, só um desabafo. Eu mal consigo falar nesse assunto.

Forte abraço, Lola.

Sam.

Azerfin disse...

Lendo os comentários percebi que tem muita gente que, trocando a causa pelo efeito e caindo no senso-comum, acabou emitindo opiniões errôneas, em relação ao contexto atual, retrógradas e, principalmente, maléficas, falando o que vem à mente, sem nem se questionar, sem se colocar na situação, enfim, de uma forma totalmente inadequada e hostil, que, a meu ver, só piora as coisas.

Fabiane Lima disse...

Tá arrependido? SE ENTREGA PRA POLÍCIA ENTÃO, MEU FILHO!

Mas não, é mais fácil pedir expiação da alma pra feminista boazinha que vai entender e acolher os seus chorumes, né?

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Só você pra ter essa coragem e essa iniciativa de publicar um post polêmico, mas de uma discussão tão válida.
Também acredito em recuperação, mas também acredito que infelizmente há pessoas que tem consciência do que fazem, se arrependem, mas acabam sendo reincidentes.
Também acho que como humanos, é mais fácil ser compreensivo quando a violência não é com a gente.
Podem me considerar reaça por isso, mas sendo extremamente sincera, se alguém me machucasse dessa forma ou a alguém que eu amasse, dificilmente eu perdoaria e até mesmo não machucaria o agressor se tivesse chance, ainda que ele se arrependesse. Acho que isso é humano, oferecer a outra face é muito bonito na bíblia, na vida real, não sei se é bem assim.
Quando não é com a gente, e as emoções não estão envolvidas, é mais fácil compreender.
Enfim. Acho que o rapaz deveria sim procurar um atendimento psicológico e tentar se inteirar de como estão as vidas das pessoas que ele machucou e fazer o possível para melhorá-las, ainda que seja se afastando totalmente.

Vivi disse...

Oi Lola, te admiro muito, gosto muito de seu blog, mas, com todo respeito não achei bacana dar "voz" ao estuprador. Não me interessa saber os motivos do estuprador. O machismo tem toda a sociedade como espaço de propagação de seu ideal, não precisa de um espaço feminista pra interlocução. Ainda mais num blog tão importante como o seu. Estuprador arrependido não deixa de ser estuprador. (principalmente quando nos focamos na vítima)

Outra coisa. Sobre a questão do perdão que vem sendo debatida aqui na caixa de comentários. Sinceramente, acho o debate inócuo. Não se "deve" ou "não deve" perdoar. Não é uma questão moral, o perdão é de foro íntimo, individual que não pode extrapolar para uma discussão coletiva a meu ver.
O que interessa para mim é a responsabilização dos atos desse estuprador. Não se trata de vingança. Queria deixar claro que nem todas as criticas que pensam assim (que ele deve ser responsabilizado) se origina de um sentimento de vingança ou punição. São outras formas de pensar, além da mudança da sociedade, de como lidar com tais situações.

Abraços e espero que entenda as críticas.

Anônimo disse...

Nao serio, nao entendo mais nada...a gente luta pelo fim da cultura do estupro, fica horrorizadoxs com a selvageria que esses abusadorxs fazem e agora a gente vai ficar de mimimi coitado?! Ahhh serio? Nao acredito que li isso no seu blog Lola! Fui abusada varias vezes na infancia e adolescencia algumas pelo meu irmão e serio...nao tenho contato e quero que ele se exploda de verdade, na boa so quem passou por isso sabe o horror que é, a dor, o vazio, a devastaçao, a vontade de se matar de tomar banho ate arrancar a pele, por vezes me machuquei para esquecer as outras dores e vcs vem falar de perdao? De se redimir? Ahhh me poupe...nao desejo pra ninguem mas cade a porra da empatia com as vitimas? Ter empatia com estuprador era a ultima coisa que eu pensei que veria nesse blog que por vezes me resgatou! Passar bem que aqui nao é mais lugar pra mim, isso doeu lá no fundo!

Anônimo disse...

Confessa seu crime e vai pra cadeia, vc já devastou a vida deles, nao é desculpa em um blog que vai mudar.
Se vc quer perdao vai pra cadeia e sirva de exemplo pra alguma coisa boa. Aliás mais de uma: que estupradores podem mudar e que você como um estuprador que foi se entregou pois criminoso vai é preso, e estupro é crime.

Assassino mesmo quando se mostra arrependido é preso, pq nao estuprador?

A dor da sua alma com certeza nao se compara ao que vc fez a eles, pare de fugir da cadeia pq vc ja tem sofrido muito. É o justo.

Joane Farias Nogueira disse...

Não conseguiria perdoar, olhar vc com humanidade. Não consigo, não quero.
Penso no nojo que sua irmã sentiu toda vez que penso em perdão para vc.
Não vou fazer fila para te trucidar, mas não teria como aceitar vc por perto. Nem ia ler esse post nem ia comentar nada. Só entrei aqui para ver o tanto de gente que ia trucidar a Lola. Felizmente isso não aconteceu. Não vou fazer figa nem ficar contente com quem faça isso, mas não espere de mim a mesma piedade que a Lola te deu.
Acredito que vc pode nunca mais fazer isso, mas não consigo apagar o que vc fez.

Anônimo disse...

R.

Olá, sou a autora desse guest post aqui (http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2013/02/guest-post-nao-mexa-em-mulher.html)e também já fui estuprada.

Poucos posts aqui na Lola sobre estupro mexeram comigo e com minhas memórias tanto quanto este.

Me lembrei muito do abuso (estupro?) que sofri nas mãos de um familiar de 12 anos quando eu tinha 5.

Foi muito emocionante ler esse relato, pois eu me identifiquei nele... eu gostaria que ele tivesse sido escrito para mim.

Eu gostaria que esse parente tivesse essa percepção sobre suas atitudes, demonstrasse estar arrependido e me pedisse perdão. Eu garanto a vocês que não seria difícil perdoa-lo. Talvez eu até já o tenha feito...

Eu n sei se ele seria capaz disso pq eh uma pessoa machista. N sei se ele considera a gravidade da coisa, só sei que um dia os abusos cessaram.

Também muito me preocupa que ele seja como o T., que tenha sido abusado também, e reproduziu o comportamento. Será que um jovem de 12-14 anos faria isso espontaneamente? Será que usaria frases como "Pode tirar a roupa, n tem nada demais, pq somos ..." sem ter ouvido nada parecido antes?

Posso parecer ambígua a vista de quem n está na minha pele. Eu sinto raiva dele às vezes. Mas eu também o amo - isto foi uma parcela triste de uma vida inteira juntos.

Neste caso seria muito significativo um pedido de perdão. Talvez apagasse essas sombras do passado...

Mas eu também entendo as comentaristas que n perdoariam seus algozes. Eu n seria capaz, ao menos hoje, de um gesto assim para com o cara que me estuprou em 2008. Principalmente pq eu acredito que ele é reincidente - eu n fui a primeira e nem a ultima, nda me convence do contrario.

T disse...

Me colocando no lugar da vítima, não perdoaria, não importa se ele estivesse arrependido, ou tivesse mudado. Para mim o estupro é uma das piores coisas pela qual alguém pode passar,é terrível e imperdoável, as consequências causadas a vitima que foi estuprada são muitas vezes irremediáveis. O agressor pode estar sofrendo, mas o quanto pior deve ser a situação as vítimas?

Anônimo disse...

A.A

Se vc tem certeza que esse outro mais violento continua agindo e não tem como provar, dê um jeito denunciar o caso para os conhecidos e familiares dele.Uma amiga fez algo assim. O cara a tinha molestado quando pequena e ela não tinha como provar. Ela conseguiu alguns contatos de familiares dele em redes sociais e de pessoas da cidade (que era pequena) e mandou cartas anônimas a partir de outra cidade. O objetivo era incomodar e deixar os outros desconfiados para não deixarem crianças perto dele e evitar que ele fizesse com outras vítimas.

MonaLisa disse...

Eu sou a favor da pena de morte sim. E 30% é um número muito baixo pra dizer que ser abusado é 'justificável' pra ser estuprador.

Não vejo mulheres estuprando homens e dizendo que é pq foram abusadas na infância.

Você deveria se entregar sim ou no mínimo como disseram, sumir do meio de convivência da sua irmã e do seu primo, que devem viver aterrorizados por medo de vc estuprar eles de novo. Eu vivo com isso, com medo do meu irmão, de me estuprar. Você não deve imaginar, eles com medo de te denunciar e serem julgados pela sociedade, além de vc poder atacar eles de novo.

Engraçado, nesse blog, quando os caras fizeram aquele cartaz, Caiu na Rede é estupro, e depois pediram perdão, não vi as pessoas com a mesma empatia (tsc) com esse ai. A sociedade tira sarro com a nossa cara, com essa justiça cretina que não pune estupradores e ainda diz que a culpa foi nossa, e as pessoas aqui ainda insistem na recuperação dessas bestas-feras.

Eu não perdoo 'meus' estupradores, se eles viessem me pedir perdão, eu iria embebedá-los e arrombar com cú deles com um cabo de vassoura. Mas eu sei que sou uma pessoa boa por não fazer isso. E eu também sei que se alguma outra pessoa for estuprada por eles, em parte a 'culpa' vai ser minha pq não denunciei, com eles trancafiados em celas mesmo que sejam tratados como animais, as vitimas e futuras vítimas vão poder dormir em paz pelo menos por um tempo.

Estuprador não tem que ter sono leve e tranquilo, devem dormir com medo de as vitimas os matarem dormindo. Eu não quero saber de recuperação nenhuma dessa gentalha, quero é poder dormir em paz, beber até cair e saber que não tem nenhuma dessa gentalha por perto.

Olha aqui T, o que vc fez com sua irmã e seu primo:

http://www.youtube.com/watch?v=1ikxGnoAsWs

Esse aqui sou contra matar, prefiro que enterrem vivo.

K disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
J.A disse...

Penso na minha experiência. Inclusive escrevi sobre ela em meu blog. Fui abusado sexualmente por meu primo e por muito tempo senti um sentimento por ele que, embora não fosse ódio ou algo do tipo, não era positivo. Em alguns momentos em que ele esteve afundado nas drogas (de tempos em tempos ele vai para a reabilitação), eu pensava comigo mesmo que não me importaria se ele morresse. Não desejava a sua morte, mas me surpreendia por não conseguir sentir nada de específico por ele. Nem ódio, nem nada. Ou será que isso é um sentimento que eu não consigo entender? Enfim...

Faz muitos anos que não o vejo e (e nem quero voltar a ver), mas pensando na história da vida dele (pelo menos a parte que eu conheço), percebo que é impossível que ele também não tenha sido uma vítima em algum momento. Impossível que não tenham existido eventos que destruíram qualquer possibilidade dele de crescer de uma forma saudável.

Não sei se ele fez com outras pessoas aquilo que fez comigo, espero que não. E não sei se surgiu nele algum sentimento de culpa (afinal ele nunca falou sobre isso comigo depois que eu cresci), mas vejo como a vida dele sempre se encaminhou para um abismo e fico surpreso que ele ainda não tenha despencado.

O importante é que hoje ele ser punido não me faria sentir melhor. Agora saber que ele se tornou uma pessoa melhor e que se arrepende do que foi feito, ah, isso com certeza faria muita diferença.

lola aronovich disse...

Pessoas queridas revoltadas com este post: em nenhum momento eu disse que dispenso a punição para quem comete crimes. A punição é importante. Acho que quem comete um crime hediondo MERECE e DEVE ser punido. Mas o lado punitivo não pode ser tudo. Eu acredito na reabilitação de quem comete um crime. Só ser punido não basta; tem que ser reabilitado para voltar a viver em sociedade. E muitas vezes eu vejo pessoas, inclusive pessoas feministas, preocupando-se apenas com o lado punitivo.
Neste caso específico do T, me pareceu que ele fez isso quando era adolescente, com parentes também menores de idade. É horrível, sem dúvida, mas T já parece estar sofrendo bastante. Como algumas pessoas apontaram aqui nos comentários, de repente receber um pedido de perdão de alguém que te fez tanto mal pode ser bom. Pode ser uma espécie de "closure". Também não sei se eu perdoaria se tivesse sido comigo ou com alguém que eu amo. Talvez não.
Outro ponto a se considerar é por quanto tempo essa pessoa merece ser condenada. Não estou falando juridicamente, mas moralmente, pela sociedade. Por nós. Um estuprador não deve ser perdoado nunca? Nem depois de ser legalmente punido, nem depois de estar considerado reabilitado? É difícil de responder, eu sei.
Lutar contra a cultura de estupro é também ver que o estuprador não é um monstro, mas uma pessoa. Ou seja, não são apenas os psicopatas que estupram, e sim um monte de homens (geralmente são homens) que nem sabe que o que fizeram foi estupro. É o que T diz no seu relato -- que ele só soube muito depois que o que ele fez foi estupro.
Minha empatia é com as vítimas, sempre. Mas, sinto muito, pra mim T também é uma vítima.

(Agora com licença que são 2 da manhã e vou dormir, porque acordo daqui a 3 horas e pouco pra voltar pra Fortaleza. Estou em Campina Grande. Linda cidade, esta).

Anônimo disse...

Ele não é um monstro.Mesmo porque monstros não existem. Foi humano. Costuma-se relacionar o termo " humano" à aspectos positivos das pessoas. Sob o meu ponto de vista,porém,ser humano é ser capaz de tudo - de extremos de bondade à Perversidade.
Eu acredito que 99% das atitudes tomadas pelo homem tem em vista o benefício próprio.Um ato de abdicação,um sacrifício,etc.,são atitudes inconscientes de espera de benefícios futuros,uma troca. Os atos de maldade,por outro lado,são,digamos,"exigências":o homem deseja,vai atrás,e toma do outro.

MonaLisa disse...

Se no post dissesse que ele se entregou por vontade própria e cumpriu a pena, eu concordaria com o post.

Mas esse ai pareceu só mais mimimi, uma vez que ele ainda 'mantem' contato com as vitimas, deveria sumir.

Laura Zirtäeb disse...

levante da cadeira > vá até a delegacia mais próxima > confesse a coisa toda > sua irmã e seu primo vão se sentir mais seguros na sua presença, enquanto você implora perdão decentemente, dentro de uma delegacia > pague pelos seus atos como um adulto de dignidade > escreva outro texto depois de cumprir sua pena.

Sara disse...

Que bom JULIA que uma pessoa inteligente como vc, tem pensamentos muitas vezes parecidos com o meu, pois admiro muito vc.

azerfin disse...

(Ixi, o comentário saiu bem cortado, acho que tava muito grande, mas vou tentar de novo.)

Lendo os comentários percebi que tem muita gente que, trocando a causa pelo efeito e caindo no senso-comum, acabou emitindo opiniões errôneas, retrógradas e, principalmente, maléficas, falando o que vem à mente, sem nem se questionar, sem se colocar na situação, enfim, de uma forma totalmente inadequada e hostil.
Primeiramente, o sistema penal não visa o que as pessoas chamam de “felicidade das pessoas pela justiça”, mas sim o ensinamento ao criminoso “do que é o certo e o errado”, para que a pessoa que tenha cometido o delito não volte a cometê-lo, supondo-se que antes ela ignorava isso e que agora tenha compreendido, através da pena, as consequências negativas de seu ato, tanto para a vítima quanto para ele mesmo. Funciona à base daquela velha frase, “Quem sabe o que é certo acaba fazendo o que é certo”.
Ou seja, o sistema penal não pune alguém para satisfazer a vítima, pune alguém para evitar novas vítimas. Esta é a causa; o efeito é o deleite da vítima e da sociedade, que resultaria do fato de que não haveria mais perigo delas serem prejudicadas novamente pelos delitos deste alguém, embora as pessoas geralmente caiam no senso-comum, que diz que é bom que alguém que te fez mal sofra também, uma coisa bem repugnante e falha em inúmeros sentidos.
Isso porque o sistema burocrático que conhecemos atualmente funciona desta forma, seu principal objetivo é a ordem, e que deve ser alcançada de qualquer forma; é assim que funciona política, onde se supõe que a felicidade é alcançada através da ordem como a conhecemos, não através da felicidade propriamente dita.
Então o “perdão”, a supressão da pena, neste contexto, deveria ser concedido no momento em que a pessoa compreendesse as consequências de seu delito e que, por conseguinte, nunca mais o cometesse, e não quando as consequências desta violência na vítima estivessem desaparecidas, até porque estas consequências psicológicas são fixas, vão continuar com você pelo resto da vida, a não ser que você adquira algum problema relativo à memória, e mesmo nestes casos muita gente diria que estas continuariam.
O que mostra que todos esses comentários do tipo “Eu não perdoaria” e “Agora só falta ser preso” estão bem equivocados, porque, neste caso, não se quer nada mais do que ver a pessoa, no caso o T., preso em um lugar extremamente lotado, onde os direitos humanos básicos são desrespeitados a todo o momento e onde ele provavelmente seria violentado sexualmente mais uma vez.
Concordo com a Lola quando ela diz que feminista retrógrada é uma contradição; primeiramente porque é hipocrisia ser conservador em uma parte e liberal em outra: mudanças acarretam mudanças; depois, entre diversos outros motivos, porque quem é feminista deveria saber que o sistema atual é bastante falho e, por isso, não deveria ser conservado, do contrário viveríamos em um Estado perfeito, como tentam nos fazer acreditar, e isso não existe, ainda mais em uma cultura misógina que faz diversas vítimas diariamente e que não sabe acabar efetivamente a criminalidade, só piorá-la.
E também concordo com a Lola quando ela diz que o T. também é vítima, vítima de seu pai, vítima da sociedade machista, vítima de si mesmo. E, quando eu digo isso, não tô dizendo que M. e G. não são vítimas, que não sofreram, pelo contrário, mas é muita ignorância dizer que nesta situação o T. não é vítima, é ignorar tudo o que ele passou e sentiu, todas as culpas, todos os aprendizados.
Espero que ele se perdoe, assim como espero que M. e G. leiam esta postagem e façam sua escolha, de preferência de uma maneira sábia e racional, até porque isto é uma coisa muito subjetiva, e muito particular às vítimas, já que é muito fácil ficar falando “Eu”, “Eu”, “Eu”, sem nem compreender o que se fala. Mas, mais do que tudo, espero que todos os traumas dos envolvidos na situação, T., M. e G., tenham e possam ser enfrentados com sucesso, e que, no fim, de alguma forma, tudo dê certo.

Grão da Noite disse...

Este post me fez lembrar de um episódio que ocorreu comigo. Quando eu tinha uns 15 anos, percebi-me sexualmente excitado ao ver um menino de uns 4 anos de idade, talvez um pouquinho mais velho do que isso. Morávamos no mesmo prédio, ele no 1º andar, eu no último, o 4º. Senti-me extremamente perturbado por aquela atração. Fiquei me achando um monstro. O sentimento de culpa, felizmente, conteve-me de tentar realizar aquele meu impulso, que nunca mais se repetiu. Alguns anos mais tarde, quando me vi imerso numa crise de depressão muito severa, que teve como uma das causas minhas dificuldades em lidar com a homossexualidade, recordei, durante uma sessão de psicoterapia que incluía a aplicação de uma meditação do Osho chamada "Pulsation" (acho que era esse o nome, não me lembro mais direito. Eu tinha 22 anos. Faz 14 anos), recordei que, quando eu tinha 04 anos, uma idade muito próxima da do menino por quem eu tinha sentido atração sexual quando eu estava com 15, fui vítima de abuso sexual por parte de um rapaz de uns 19 anos, cuja família era conhecida da minha há um bom tempo. Meu pai tinha um sítio, e fomos até lá eu, meu pai, o pai desse rapaz e também ele. Chegando lá ele perguntou ao meu pai se ele poderia me levar pra passear pelo sítio. Meu pai consentiu. Ele me levou pra um lugar onde estávamos escondidos por plantas altas, e cometeu o abuso. Não houve penetração, mas houve abuso mesmo assim. Lembro-me de que ele me ameçou, pra que eu não relatasse o fato a ninguém. Eu bloqueei essa lembrança. Só a recuperei aos 22 anos, nessa sessão psicoterápica. Ela esclareceu a atração que eu tinha tido aos 15, por um menino na mesma faixa de idade que eu mesmo tinha quando sofri a violência sexual. Eu nem sei se tenho raiva do abusador. A lembrança do estupro não tem nenhuma carga emocional pra mim. Sei que o fato me traumatizou, pois, se não tivesse me traumatizado, eu não o teria bloqueado na memória. Mas o abusador não me inspira, hoje (na época eu senti muito medo dele), nenhum sentimento negativo. Sentimento nenhum. E não consigo avaliar de que forma e em qual intensidade essa ocorrência repercutiu na minha sexualidade. Torço muito por que ele não tenha feito aquilo com mais nenhuma criança. Que tenha sito, pra ele, um episódio de momento. Uma perversidade súbita que ele concretizou, mas não repetiu. Acho que seria muito importante a pessoa que escreveu o post pedir perdão aos primos. Talvez eles se vejam tentados a repetir a experiência invertendo papeis, como aconteceu comigo. Eu graças a Deus não levei adiante o "efeito dominó". Mas outras pessoas talvez não consigam conter seus impulsos. Além disso, quem perdoa se liberta. É preciso se libertar para seguir adiante. E acho muito louvável o esforço do autor por combater o estupro e as condições que o estimulam de alguma forma, como o machismo. É assim mesmo que devemos fazer pra consertar nossos erros. Buscar o perdão dos abusados também faz parte desse combate, pois contribuirá pra que nenhum deles repita o abuso contra outras pessoas. Além de propiciar uma libertação que pode ser mútua.

Ps: eu não condeno o autor do texto. Talvez eu não tenha tentado nada contra meu vizinho de 04 anos por não ter com ele a mesma proximidade, a mesma intimidade, a mesma facilidade, enfim, que o autor do post tinha com os primos. Eu consigo, em boa medida, me colocar no lugar dele. E também consigo me colocar um pouco no lugar das vítimas, por eu ter sido vítima de abuso também. Acho que devíamos fazer o esforço da empatia, o esforço por nos colocarmos no lugar do outro. Muitos de nós, passando por experiências semelhantes e tendo as mesmas facilidades e oportunidades, talvez tivéssemos cometido os mesmos erros, ou erros até bem piores, dessa natureza, ou de outras.

O tempo das coisas disse...

Lola, chamar seus leitores que discordam de você de revoltadinhos, é muita falta de respeito com a gente, além de ser uma fala um tanto infantilizada, de quem não tem argumento. Você é capaz de debater melhor com seus leitores.


" Lutar contra a cultura de estupro é também ver que o estuprador não é um monstro, mas uma pessoa. Ou seja, não são apenas os psicopatas que estupram, e sim um monte de homens (geralmente são homens) que nem sabe que o que fizeram foi estupro. É o que T diz no seu relato -- que ele só soube muito depois que o que ele fez foi estupro." Discordo totalmente de você, Lola.

O ESTUPRADOR É UM MONSTRO E DEVERIA FICAR PARA SEMPRE NUMA PRISÃO, POIS ESTE JAMAIS CONTROLARÁ SEUS IMPULSOS. NÃO HÁ MEDICAÇÃO PARA PSICOPATIA, PERGUNTE A QUALQUER PSIQUIATRA. Eu acredito na reabilitação de muitos presidiários, de muita gente que é mal caráter, com trabalho terapêutico e medicação, em alguns casos. Mas não em psicopata ( pedófilos e estupradores de adultos são psicopatas)

Todos sabemos o que é certo e errado. Adolescente não é um bebê, não é uma criancinha que está a descobrir seu corpo. Este homem estuprou suas vítimas quando elas dormiam, então ele sabia que estava fazendo algo errado. Não foi um ingênuo. O fato dele ter sido abusado, não justifica ter abusado.

Todo estuprador é um psicopata.

Ele deveria procurar a polícia e sumir da vida de suas vítimas para sempre...E de toda a sociedade!

iacamiaba disse...

Não acredito que uma pessoa que não quer ser repreendida ao falar com vítimas esteja realmente arrependida. Quem está realmente arrependido tem que estar preparado pra ouvir tudo de mais pesado que as vítimas têm a dizer. ELE PRECISA SABER TIM TIM POR TIM TIM O QUE ELE CAUSOU ÀS VÍTIMAS DELE se ele realmente as ama, se ele realmente se importa com elas, se ele realmente quer mudar e se reabilitar!

donadio disse...

"vocês que adoram defender os direitos dos bandidos em detrimento dos cidadãos de bem"

Não consigo entender essa dicotomia. Todo mundo é um cidadão de bem, até cometer algum ilícito. Mas quem diz que alguém cometeu algo ilícito? No raciocínio de vcs reaças, parece que a pessoa já nasce com alguma marca de Caim que a identifica como "bandido". (Será a cor da pele? hmmmm.)

Esses dias uma garota foi estuprada e assassinada no Paraná. A polícia rapidamente prendeu quatro pessoas, que confessaram o crime. Feito o laudo técnico, verificou-se que não havia sêmen de nenhum dos acusados no corpo da vítima. Em resumo, os "bandidos" apanharam da polícia até confessar. É pra evitar essas coisas que é preciso defender direitos humanos, de todos, e não só dos "humanos direitos".

Já pensou se os direitos humanos dos falsamente acusados no Paraná não existissem? Teríamos quatro inocentes presos por um crime que não cometeram, e pelo menos um estuprador e assassino solto e seguro de não estar mais sendo procurado.

MCarolina disse...

Para que um agressor seja perdoado e aceito pela sociedade acho que o primeiro passo é aceitar que cometeu um crime, como o autor do guest post fez, e trabalhar socialmente para diminuir a incidência do mesmo, através de grupos de apoio, campanhas etc. Acredito que essas pessoas ficam "em dívida" com a sociedade, e precisam se esforçar para mostrar que realmente mudaram. Quanto à punição, cabe a Justiça, e queria que todos fossem punidos. Mudar vai de cada um, mas todo crime precisa ser punido, de acordo com a Lei. Quanto à vítima perdoar, ela é que sabe. Acredito que as vítimas tenham todo o direito de não perdoar.Aquela conversa de perdoar para libertar a si mesmo parece lógica, mas não deve ser imposta a ninguém.

Paula Bäumer disse...

O estupro não tem nada a ver com ser ou não ser um psicopata.

É um ato relacionada ao domínio e a submissão da vítima. Já foi tratado historicamente como um "crime contra a propriedade de outro"; é também um dos crimes de guerra mais cometido; Já foi tratado como questão política com o caso de Eldridge Cleaver; na colonização do brasil era chamado de romanticamente de Miscigenação; em alguns países é usado como punição à mulheres fora do eixo convencional; no Brasil ultimamente andam discutindo "reparação" e "reabilitação" com uma tal de "bolsa estupro" onde a vítima é amparada pelo Estado e garante a paternidade de seu filho....

Não existe um caráter patológico nisso. Ele é parte da construção histórica da cultura do estupro.

T. lavou a roupa suja no blog buscando o que? redenção entre as feministas?

Não temos como saber nem se a história é verdadeira. Está dramaticamente e ridiculamente mal contada. Parece até esses novos romances eróticos onde há o homem atormentado e pervertido buscando a redenção pelo amor de uma mulher... hahahahahahaha

Madame TPM disse...

Camila Beauvoir Oi Lola! Não vou chamar de lolíssima pq não concordo com tietagem no feminismo, enfim.

Meu nome é Camila. Desde a época do orkut eu me entitulo Camila Beauvoir, mesmo antes de ler a Simone, algo me puxava pro feminismo. Depois de um tempo entendi o pq. Bem, prazer. Sou a Camila B., muito criticada nos comentários pelas suas amigas fãs do femen.

Não queria ter que voltar a esse assunto, acho bem chato, tive que desativar meu facebook por ter aberto pros meus amigos, família, desconhecidos que fui abusada, e ouvi cada coisa, tipo culpabilização, saca??? E isso é bem chato pra quem foi estuprada. Eu passei por momentos difíceis, vi amigos me culparem, isso que meu estuprador (o primeiro com penetração, um deles) não estava lá (ele teve que casar com uma menina de 14 anos na bahia pq a estuprou e engravidou e o pai da menina o obrigou a casar). E eu imagino um espaço que deveria me dar voz, um espaço feminista que deveria passar o tanto que eu sofri servindo de divã pra um estuprador, de atenuante de culpa e me dói. Eu sinto dor, Lola. Não gosto de você tem tempo. Pra mim você virou uma babaca estrelinha, uma escrota que se acha o ícone feminista e que com uma tocha guia milhares de mulheres. As chamadas TIETES, por você. Nojo.

Tem algo, Lola, que vai além da sua vivência linda com um bofe que te aceita e te ama, tem mais coisa além daquela criança da foto do seu blog. Tem uma parte obscura, que alguém com aquela idade não consegue sorrir, e deitar no travesseiro não é pra tirar foto. Dói. E você deu voz pra pessoa que zoou aquela criança. Com aquela mesma idade que faz a capa, a sua capa do blog. Aquela criança linda e inocente. Tem gente que naquela idade era estuprada, e é pra um desses que vc deu voz. Imagina aquela criança da sua capa se deitando com um homem. Pois é o que eu passei. O que nós passamos. É eu fui estuprada, Lola, e você deu voz ao meu agressor. E eu tenho nojo dele. E depois dele eu tenho nojo de você. Não pq vc tenha me estuprado ou agredido, mas pq eu esperava apoio de vc, e vc me abandonou. Que bom que vc não tem facebook. Vc não tem pq acha que lá rola fofoca. Mas lá eu tive tod0o o apoio do mundo.

Agradeço as minhas amigas, que sabem quem são daquele grupo que é só nosso.

Thomas disse...

Excelente post, Lola.

Thomas disse...

Aliás, deixa eu elaborar. Acredito que estupradores definitivamente devam ter uma pena mais pesada, porém, mais uma vez, é necessário lembrar que estupro é um crime difícil de provar caso não existam testemunhas ou evidências físicas.

Então pra galerinha que acha que basta o cara ir pra polícia e se entregar, tenho péssimas notícias pra vocês. A menos que ele possa apresentar provas de que cometeu os estupros, mesmo se entregando não há a possibilidade dele ser condenado. Se fosse assim, só chegar na delegacia, confessar um crime e ir pra cela, certamente teríamos muitos mendigos confessando furtos para poder escapar de morrer de frio nas madrugadas paulistanas.

Dito isso, acho totalmente válido dar voz ao estuprador. Sempre que vejo um caso de estupro, me pergunto o que aconteceu com o estuprador pra ele ser capaz de desumanizar alguém assim. O que aconteceu na infância dele? Será que ele foi abusado também? O que se passa na cabeça dele? Como ele justifica o crime para si mesmo?

São todas questões muito relevantes. Entender o que aconteceu para criar um monstro nos ajuda a evitar criar novos monstros. Entender o que se passa na cabeça de um monstro e como ele age nos ajuda a ficarmos mais espertos com aqueles com que a gente convive, para identificarmos as características de um criminoso e nos prevenirmos contra ele, evitarmos que ele cometa um crime.

No mais, ler alguns dos comentários daqui foi uma experiência irônica. Acho que não importa o quão feminista e de esquerda você se declare, se você faz parte da classe-média, é fato que possui um desejo quase primitivo de ter a cabeça dos criminosos apresentadas em um prato na sua mesa de jantar, ou de participar de um linchamento de algum ladrão na sua rua, nem que seja só pra dar um chutinho na bunda dele ou filmar tudo com o seu celular. Marcelo Rezende e Datena se orgulham de vocês.

Rê_Ayla disse...

Na boa? Acho surreal ver gente dizendo que o estuprador já está sendo punido, que as lembranças não o deixam viver normalmente, que ele tem medo de relacionamentos, blábláblá. Vitimização de estuprador, sendo este o crime menos punido e mais praticado em nossa sociedade, é foda.

Mimimi... foi estuprado pelo próprio pai e tem problemas? Que culpa as vítimas dele têm disso? Isso justifica ele tê-las estuprado? Ah, faça-me o favor...

Eu, que passei por abusos sérios, porém menores do que um estupro consumado, não consigo viver um dia sem pensar nisso ou me preocupar em proteger-me para que não aconteça de novo... imagina a irmã e o primo desse estuprador! Não sei se existe perdão pra isso (eu não perdôo meus abusadores, o dano que causaram é imensurável), mas com certeza é umas das coisas mais difíceis de conviver.

Tenho certeza de que prefiro morrer a sofrer um estupro. Não tenho NENHUMA empatia por estupradores, mesmo que tenham sido estuprados quando novos. Violência não justifica violência.

Está arrependido? Tem plena consciência do mal que fez? Sabe que cometeu crimes? Entregue-se à polícia, enfrente a punição legal, busque também ajuda psicológica.

Se as suas lembranças não te deixam viver normalmente, imagina das suas vítimas!!! Ah, e afaste-se delas.

Se esse estuprador que está nesse blog confessando seu crime é reabilitável ou não, eu não sei, não o conheço. Mas certamente não deixaria um filho meu conviver perto de um estuprador, esperando que o mesmo tivesse se reabilitado e não fosse repetir o crime novamente, com outras vítimas.

E esse texto, sobre abusadores tendo voz e legitimidade em espaços feministas e libertários, diz bem o que penso: http://feminismoesororidade.wordpress.com/2013/08/08/escreva-julia-escreva/

EU disse...

eu até acredito que ele tenha se arrependido, mas não de forma genuína, porque pra mim arrependimento é acompanhado de enfrentamento da situação, e ele fez isso da forma mais covarde possível. ele invadiu o espaço que suas vítimas tinham de confiança e, de forma anônima, com o apoio de uma famosa blogueira feminista, confessou ter cometido um crime, mas que não sabe o que fazer. se ele está genuinamente arrependido, deveria saber o que fazer: no mínimo estabelecer um diálogo com suas vítimas, respeitar o espaço delas, entregar-se para a polícia ou, no mínimo, sumir da convivência delas. se suas vítimas NUNCA lerem este post, provavelmente vai ficar por isso mesmo, ele numa prisão dentro de sua própria cabeça, suas vítimas seguindo sem saber se, de fato, ele realmente sabe o mal que fez. não, não basta ele se enclausurar em sua prisão mental e ficar por ai, ele precisa abraçar as consequências deste crime que cometeu, e parar de pensar somente em si mesmo, para variar. tá na hora dele pensar em suas vítimas, descobrir de fato o que ele causou nelas. pra mim, ele teve atitudes covardes antes e continua sendo um covarde.

ABOR VENDETTA disse...

Lola, tenho 24 anos, bipolaridade, síndrome do pânico, TOC, delírio psicótico, transtorno de ansiedade, 5 tentativas de suicídio, 1 overdose de droga + remédios, uma overdose com 135 comprimidos de remédios variados, sou ex viciada em cocaína, tive sérios problemas com álcool, tenho problemas de relacionamento, não tenho auto confiança, não tenho auto estima, sofro de uma culpa imensa.

Dos 6 aos 9 anos fui abusada sexualmente por um parente. Toda vez que penso nisso tenho ou quase tenho crise de pânico e pensamentos suicidas, ânsia de vômito, tontura, tremedeira e batedeira. Ele nunca foi denunciado, ainda me culpabilizo, nunca procurei minha família sobre, exceto uma vez, mas rolou algo estranho e nunca mais comentei, tomo 3 remédios por dia, faço terapia desde os 16 anos, já passei por 4 tratamentos diferentes.

Cada dia pra mim é um parto, parece que estou parindo uma bola de espinhos quando tenho que acordar e trabalhar, desde que eu tive consciência do que tinha me acontecido tenho vontade de morrer.

Cada dia pra mim é como pisar no fogo quente, lidar com minhas memórias, com meus pensamentos, cada dia pra mim é um tiro no cu.

Cada dia eu tento confiar nas pessoas, tento me relacionar normalmente com meu noivo, tento gostar do mundo, cada dia é uma frustração.

Tenho evoluído muito com o tratamento, principalmente em relação ao meu noivo, que no começo não conseguia confiar, era difícil pra mim fazer sexo sem lembrar do que passei.

Lola, se viessem me pedir desculpas, no mínimo eu vomitaria na cara do agressor. Lola, temo cada dia pela minha vida, pelas minhas escolhas e pelas pessoas que sofrem do mesmo trauma que eu. Lola, não existe desculpa pra isso.

Paula Bäumer disse...

Thomas,
também trago péssimas notícias a vc: A CONFISSÃO VOLUNTÁRIA E PRATICADA LIVREMENTE VALE COMO MEIO DE PROVA! Também trago outras horrorosas notícias: após a confissão um inquérito é instaurado e as vítimas são ouvidas. Então não é bem assim como vc falou.

Ah! Elaborando melhor tb. Cadeia não é sinônimo de aconchego, calor humano e um local procurado por mendigos em noites frias. Isso foi muito ignorante e preconceituoso da sua parte.

O que aconteceu no passado com o "50 tons de estupros" (T.) no texto não valida nada, não justifica, não vai criar um tipologia de estupradores, não dará a ele redenção, nem vai encaminhar ninguém pro céu.

T. era estuprado por seu pai, logo T. é um estuprador como seu pai. Isso tem um nome na filosofia: TAUTOLOGIA!.

Larissa Pereira disse...

Lola esse e-mail me gera um misto de sensações indescritível. Por pior que seja a dor dele eu me coloco ao lado da sua irmã e de seu primo que estão ai vendo um pedido de desculpas via um blog. Como mulher que foi estuprada eu me sinto completamente incapaz de perdoar meu estuprador. Faço votos de que ele um dia entenda todo o mal que ele me causou e mude a sua vida, mas eu não sou capaz de olhar pra ele e não ver o meu estuprador. O mal que ele me causou não pode ser esquecido.

Acredito no seu arrependimento rapaz, acredito que você tenha tomado consciência das coisas que você fez, da dor que você infligiu (da mesma maneira que infligiram ela a você), mas dentro dos limites da minha humanidade eu não consigo passar por cima de tudo o que meu estuprador me causou, eu só posso esperar que ele não faça mais isso a ninguém.

Se não ser altruísta o suficiente para esquecer e perdoar o que foram os momentos mais dolorosos da minha vida me dá a credencial de reacionária então eu visto essa carapuça Lola.

Hugo de Angelis disse...

Pra mim, o que ele poderia fazer para demonstrar seu arrependimento é se entregar para a polícia e cumprir de 6 a 10 anos de detenção, como diz a lei. Mas há um problema: caso ele vá para a cadeia, voltará a ser vítima de violência.

Um trecho interessante da Wikipedia:

"De acordo com o "código de ética" da prisão, o estuprador é considerado a pior espécie de infrator, ao lado dos delatores. Por causa disso, não podem conviver com o restante da população carcerária e são constantemente ameaçados de estupro e morte. Os presos justificam a repulsa argumentando que eles poderiam violentar suas mulheres, filhas ou irmãs que estão na rua. Em geral, por causa do risco que corre na prisão, o estuprador é colocado em celas à parte. Também não pode tomar banho de sol com os demais presos. De fato, são comuns casos de estupradores mortos e abusados quando colocados em contato com outros detentos."

Pra mim, estuprador tem mesmo que ir pra cadeia e ficar 10 anos pensando no que fez. Se alguém é condenado, essa pessoa devia cumprir sua pena integralmente (a não ser que trabalhe). Mas alguém acha mesmo que um estuprador detento será recuperado sendo constantemente ameaçado de estupro e morte? Entendo a revolta das vítimas de estupro, mas tratar estupradores na cadeia dessa forma vai garantir que ele volte à sociedade verdadeiramente arrependido do crime que cometeu?

Por outro lado, se arrepender é um passo importante, mas não é suficiente para expiar o crime cometido, como quer o autor do guest post. Ele pode falar o que quiser e conscientizar quantas pessoas forem, o dano que ele provocou continua lá. Intacto, na melhor das hipóteses. E ele fez absolutamente nada para reparar ou sequer amenizar esse dano causado em suas vítimas.

O que será que o T. tem em mente para diminuir um pouco o estrago que ele fez? Por mim, acho que o melhor seria pagar o tratamento psicológico e psiquiátrico de seus irmãos e não ele mesmo ir se consultar. Não é suficiente pra apagar essa mancha (aliás, nada é), mas é o mínimo que poderia fazer. Afinal, ele deixou de ser vítima a partir do momento em que se tornou o agressor.

Kappa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiza Red. disse...

Boa tarde, Lola!

Primeiramente, fico feliz que alguém tenha tocado no assunto de punição nesse ponto. Se alguém cometer um assassinato, qual o ponto onde as punições param? Ir para a prisão, cumprir sua pena e se arrepender de seus crimes, ele deverá sempre ser conhecido como 'assassino'?

Acredito, Lola, que todos os seres humanos devem ter direito ao perdão (não digo nem em posição religiosa). Perdoar ou não, porém, cabe apenas à(a) vítima(s). Portanto, T., mesmo que aqui você tenha lido sobre pessoas indignadas que nunca te perdoariam, e outras que lhe propuseram o perdão abertamente, penso que você deve conversar com as vítimas, e saber o que elas pensam sobre isso. O que você fez foi, e é, e sempre será, muito errado, e disso você não pode fugir. Mas conversar com eles vai lhe tirar um peso imenso, independente de você ser perdoado ou não.

Nunca me aconteceu de ter sofrido abuso, felizmente, mas acredito que eu não perdoaria alguém que o fizesse comigo. Mas também, eu não sou sua irmã ou seu primo, e você não é meu estuprador.

Uma coisa que realmente me chateou no seu post, porém, foi como você comentou sobre não ter ido se entregar. Essa não foi a atitude correta, e por mais que eu entenda seu medo, é realmente algo que você deve remediar. Inclusive acho que sua consciencia está tentando lhe dizer isso.

De mais importante, seria você usar o seu acontecido, e sua futura conversa com as vitimas e, preferivelmente, com a policia, para abrir os olhos de muitos outros que não devem ter metade da consciencia que você tem. Ou mesmo que tenham essa consciencia, que chame mais atenção à essas situações para que os esses sejam punidos.

Anônimo disse...

Este seu post, Lola, tá dando o que falar na(s) comunidade(s) feminista(s).

Poxa vida, só eu acho importante desvendar o outro lado?

O lado de quem abusa?

Entender por que um ser humano se acha no direito de abusar sexual e psicologicamente de outro ser humano?

Eu acho importante desvendar o abusador para combater a violência de gênero.

Para isso, infelizmente, teremos momentos de dor no estômago ao ler relato de homens que abusaram de alguém. Sendo que eles se arrependam ou não.

A sociedade precisa de dados para entender a formação desses comportamentos e como teremos que educar meninos para que eles não reproduzam durante sua adolescência e vida adulta. Por isso temos que analisar os estupradores.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Esses dois últimos posts me deixaram um tanto desconfortável.

Primeiro um de uma feminista dizendo que feministas são radicais simplesmente porque defendem a ideia que o melhor caminho pra uma mulher que foi agredida, humilhada, seria romper com esse agressor. Desculpa, Lola, mas what the duck? (como você mesma diz). Sério mesmo que a gente tem que falar que essa não é a alternativa ideal pra não ser chamada de radical? Se for então sou radical e com muito orgulho. Claro que compreendemos que nem todas conseguem, não as maltrataremos por isso, mas né, até preferi nem comentar lá mais.
Agora esse praticamente dizendo que quem se deixa levar pela indignação e não sente empatia por um agressor é necessariamente reaça.
Gosto muito do blog, mas pra mim esses 2 últimos textos me levam a figura do que seria a feminista perfeita para o mundo machista, que fala baixinho, que acha lindo uma mulher agredida receber flores e um pedido de desculpas do agressor, que tem que dar a outra face, não se deixar levar pela indignação.
Nem sei se é por aí mesmo, desculpa o desabafo. Enfim.

vivian disse...

T.

É o seguinte: o que vc fez vc sabe hj que é errado, aliás, MUITO errado.

Do meu ponto de vista, só há um jeito de vc se reintegrar como ser humano: fazendo da luta contra o estupro a sua bandeira. Se tornando uma pessoa ativa na luta contra essa barbárie.

Você tem uma vantagem, você pode conversar com jovens sobre isso, jovens que podem vir a cometer abusos, pois você os entende. Isso é tão difícil, acho até que impossível a nossa sociedade hoje promover esse tipo de diálogo. Mas é fundamental. Você também pode conversar com pessoas que já cometeram esse crime para ajudá-las na reabilitação (afinal, a pena máxima para estupro é 8 anos, um dia esses homens terão que sair e é melhor que saiam aptos para viver em sociedade sem fazer mais vítimas).

Você tem muito trabalho a fazer, leve essa luta em consideração. Talvez para as vítimas a única forma de se sentirem melhor é ver vc impedindo outros homens de criar novas vítimas.

Essa é sua única redenção. Imagino que somente salvando outras pessoas você possa amenizar a dor que sente e também amenizar a dor das suas vítimas.

vera disse...

kappa

você só pode estar de brincadeira,um homem que estupra é inofensivo só porque se diz arrependido?????


donadio

todo mundo é cidadão mas a partir do momento que a pessoa comete um crime ela vira bandido ou não?
não se pode mais dizer que é um cidadão de bem.
e é isso mesmo,defesa ferrenha dos bandidinhos,gente aqui e na realidade achando que basta se dizer arrependido que já está de bom tamanho.
adolescentes extremamente cruéis e perversos que não podem pagar corretamente pelo que fizeram,porque são jovens,inocentes e não sabem o que fazem.
a vítima deles nem pode ter o consolo de saber que foi feita justiça porque ficam nessas casas para menores até a serem maiores de idade e pronto,não importa se destruiram a vida alheia, porque o bem estar do criminoso é mais importante.
impunidade pura.

se a polícia rela a mão no bandido,chove defensores de direitos humanos,curiosamente não aparece ninguém para reclamar dos direitos da vítima.

Helena disse...

T., apesar do seu arrependimento ser um sinal de que há esperança eu duvido que ele valha alguma coisa para suas vítimas. Acho que o seu lugar é na cadeia. Infelizmente cadeia no Brasil é uma merda etc. etc., mas pensasse nisso antes de estuprar crianças.
Por outro lado, se entregar pode trazer à tona lembranças que, pode ter certeza,suas vítimas fazem o possível para esquecer, então acho que você deve consultá-las antes de qualquer confissão.
Sinto muito pela criança que você foi ter sido estuprada pelo pai, e acho que o lugar do seu pai também é na cadeia. Veja bem, se ele tivesse se arrependido e assumido o crime que cometeu (coisa que você cogita fazer, o que é melhor que nada)talvez você não tivesse feito o mesmo com sua irmã e primo e traumatizado os dois a um ponto que só eles podem dizer. Quebre a corrente, T.
Não ficou clara para mim a sua idade, nem a das vítimas. Se você fosse criança quando estuprou eu não sei como me sentiria em relação a isso. Estou supondo que fosse adolescente.

No mais, não cabe a mim dizer se você merece o perdão das suas vítimas ou não (se coubesse eu diria que não). Mas eu acho injusto algumas pessoas pagarem pelos seus crimes e outras não.

Anônimo disse...

Eu acho que se ele está arrependido, deveria pedir desculpas, se entregar a policia.. não é isso que fazemos quando queremos perdão? tentamos mostrar àqueles que ofendemos que sentimos muito, queremos reparar nosso erro. Muito diferente de não fazer nada e deixar por isso mesmo.

E também não concordo com a questão dos direitos humanos, querer matar, torturar, castrar é uma coisa, outra coisa é querer que ele seja preso, o que está previsto na lei. (afinal, é nas prisões que os criminosos passam pela reabilitação e punição que merecem, apesar de o ambiente não ser o ideal, é o que se tem).

Não se pode deixar que alguém fique livre porque "se arrependeu", ou porque "tem problemas psicológicos", ou "tem uma justificativa". No julgamento d o caso tudo isso entraria como atenuante da pena....

E eu acho que perdão é uma questão completamente diferente, é em relação a quem foi ofendido.

Maria Valéria disse...

Lola,

Eu assisti ao filme " o lenhador" que alguem comentou ai em cima,
Sugiro que você assista, ja que publicou este post.
Sou medica mas nao sou psiquiatra, e os conhecimentos que tenho, ate o momento, são de que
1- a criança que foi abusada tem maior chance de se tornar um abusador no futuro.Nao isenta o cara de pagar pelo crime, nem de reprimendas, mas se nao se tratar uma criança abusada ela tem mais risco de se tornar um abusador,
Pelos comentários e conhecimentos que tenho ate o momento, nunca ouvi falar de uma mulher que abusou de alguem,so de homens.Mas nao sou psicóloga nem psiquiatra , alguem da area poderia complementar minha informação,
2- o homem portador desse transtorno ( nao sei o nome correto) que o faz abusar de criancas, por ex( acho que um transtorno de conduta sexual seria um termo apropriado) nao tem cura!!! O maximo que pode acontecer e dele entender que a vontade que ele tem de transar com crianças e " errado" , reprovado pela sociedade , mas que ele tem o impulso e a vontade pro resto da vida, isso ele vai ter , nao tenha duvida.O filme " o o lenhador" mostra isso muito bem. So que o filme se passa nos estados unidos,onde o cara e preso 12 anos, depois solto num regime condicional, recebe visitas semanais de assistentes sociais, psicólogos, nao pode chegar perto de escolas, etc etc, tem um emprego assegurado por um programa de inclusão social do governo assim que sai da cadeia,e a supervisão e muito bem feita.
Eu nao acredito que no Brasil isso seja possível, embora em minha opinião, fosse o ideal, nao temos essa disponibilidade de oferecer ajuda psicológica,acompanhamento e monitoramento desses abusadores.
E dai, o que fazer com esses casos aqui no Brasil!!?? Nao sei responder.
Nao e por acaso que alguns especialistas defendem a castracao química nesses casos- pois se nao ha o que fazer, se nao se controla o impulso, pelo menos se tira o desejo sexual e o cara teoricamente nao iria abusar. Mas essa e outra discussão polemica, que da muito pano pra manga, e nao e permitida por lei aqui no Brasil, nao sei em outros países,
Perdoar o agressor são outros quinhentos, como bem disseram ai em cima, cabe única e exclusivamente as vitimas, e nao por uma questao moral.Porem, esse grau de perdão eu acho difícil um ser humano normal alcançar.!!!
Tem coisa muito menos traumática que isso, de 15 anos atras que nao perdoei, imagina isso!!!
Entendo a revolta de muitos comentaristas com esse post,pois se eu tivesse passado por isso nao ia querer nem olhar na cara quanto mais ler a versão de um abusador dando a versão dele,
Porém, acredito que seja importante que esses casos sejam estudados e que sejam estudadas maneiras de se lidar com eles,para que nao se repitam mais.
Beijos.


Anônimo disse...

Eu sou feminista e sinceramente não tenho uma opinião bem formada sobre essas questões penais. Se por um lado um adolescente de 15, 16 anos já sabe que está fazendo uma coisa errada, moralmente errada e contra a lei, ele deve ser punido da mesma forma que se puniria alguém de 18 anos pelo mesmo crime. Por outro lado, esses criminosos estão sendo punidos de maneira certa? Aparentemente, não. É só ver o índice de reincidência.

Anônimo disse...

Eu não sei se algum dia eu vou conseguir perdoar o meu agressor. Até porque não foi uma vez, uma noite com o julgamento alterado, que ele poderia hoje vir dizendo "me desculpe por ter feito isso", mas quatro anos de violência psicológica, dois estupros e sabe-se lá quantas vezes ele abusou de mim por achar que estava em seu "direito de namorado".

Mas eu entendo que algumas pessoas perdoam os seus estupradores. Não entendo alguém perdoar quem nem pediu perdão, mas algumas pessoas perdoam seus agressores. E da mesma forma que eu não quero ninguém me dizendo que eu tenho que perdoar, não vou dizer pra ninguém que isso é imperdoável.

Vivi disse...

Oi Lola, para além das críticas referentes a este post, e, apesar de eu não concordar em nada da publicação do "lado do estuprador", acho que este post abre discussões interessantes. Como seu blog é muito famoso, acho que o legal seria não acabar a discussão por aqui, quando pensamos no debate feminista. Não compactuo com sua “demonização” pela publicação deste post. Apesar de achar abominável a publicação dele, você e seu bog são muito maiores que isso e sei que exerce um importante papel para as feministas, principalmente as mais jovens.
Dito isso, acho que temos que diferenciar várias discussões que surgem através do post.

1) é legítimo dar voz ao estuprador (agressor/explorador/colonizador/escravizador)? Bom, eu acho que não. Mas independente disso, o achar que é “legítimo” ou “não legítimo” dar voz ao estuprador não necessariamente partem das mesmas premissas como o post deu entender. Quem não acha bacana dar voz ao agressor, não necessariamente é um reaça ou alguém contra os Direitos Humanos como o post sugere (é a leitura que fiz). Temos que ampliar o debate e sabermos que o não dar voz ao agressor pode ser uma tática, postura e coerência feminista em dar voz apenas a vítima. Como dizia o W. Benjamin, “escovar a história a contrapelo”, ou seja, se a história oficial só dá voz ao vitorioso, o papel do critico é justamente dar voz aos oprimidos. Se o cara do post quiser falar da violência que sofreu de qndo foi abusado, que o post tivesse se focado apenas nisso. Fora o importante elemento de sensibilidade e delicadeza que temos que ter ao pensar que as vítimas possam ler isso e não gostar.
2) A questão do arrependimento. Sim, acho possível e desejável. É um debate interessante, mas não necessariamente precisaria do depoimento de um estuprador para levantar o debate.
3) A questão do perdão. Como disse eu acho o perdão algo de foro íntimo. Não se discute se alguém deve ou não perdoar. Não se dita sentimentos. Além de muitas vezes estar ligado ao catolicismo que tem em nós (sem nos darmos conta disso).
4) Sobre a punição ao estuprador. Lola, sinceramente, acho que muitas das feministas estão de acordo que só punição não basta. E querer que ele se responsabilize não é dizer que só isso basta. Se eu soubesse como fazer para solucionar esta praga do estupro já teríamos feito algo. No entanto, não concordo que a tática de dar a voz a ele seja a saída. Enfatizo que acho crível que ele esteja arrependido, acho o mínimo que se deva ter alguém que estuprou alguém. No entanto, trabalhar para que não haja reincidência ou novos estupradores é fortalecer o feminismo. E na minha opinião, dar voz ao estuprador tampouco ajuda nesta batalha. Me incomodou um pouco o post porque sugere (minha leitura) que quem não quer dar voz ao estuprador é o “vingativo”, e não acho que é o meu caso.
Bom, encerro por aqui, desculpe ficar logo e espero que entenda as críticas que vim fazer diretamente ao blog. (vi bastante críticas no facebook de diversa pessoas que desconheço). De todo modo, gosto de seu blog e acho que vc ajuda muito na propagação do feminismo brasileiro, parabéns pelo conjunto do trabalho!

Marina P disse...

Maria Valéria, eu sou psicóloga e trabalho com enfrentamento à violência e já atendi muitas pessoas que foram estupradas e vários estupradores.

Atendi pouquíssimos casos em que as estupradoras são mulheres e talvez umas duas dezenas de casos em que casais heterossexuais estupram juntos a mesma vítima (esses são os casos que mais me chocam). Nunca atendi um caso em que um casal homossexual abusa conjuntamente, por isso falo em casais heterossexuais, ok? A maioria esmagadora dos estupradores é composta.por homens mesmo.

Muitas pessoas deduzem que quem estupra tem um transtorno, mas na área a abordagem que predomina é de que a maior parte dxs estupradorxs não tem transtornos psiquiátricos. Alguns profissionais se opõem a essa forma de abordagem, no entanto, e partem do princípio de que qualquer ato violento é em si a expressão de um transtorno. Pessoalmente e profissionalmente, sou adepta da primeira corrente de interpretação, mesmo porque pensar que todo estuprador tem um transtorno me parece ser uma forma de desresponsabilização (também tem quem discorde dessa minha linha de raciocínio).

Existem muitas pesquisas que apontam que homens vítimas de estupro têm mais chance de se tornarem estupradores. Muitas pessoas ficam indignadas quando falo sobre isso, mas é fato comprovado por diversos pesquisadores. E isso não isenta nenhum estuprador de sua culpa nem deveria ser um atenuante na minha opinião, mas sim mais um fator que aponta para a necessidade de intervenções que visem auxiliar as vítimas a elaborar a violência de que foram vítimas. Desconheço pesquisas desse tipo com mulheres, ok?

Pela minha experiência, a maioria dos homens que estupram não têm muita noção de que estupraram e isso não costuma estar relacionado a uma doença, mas sim a essa cultura de estupro amplamente validada e inclusive ensinada dentro dos lares, passada de geração em geração. Já reparou que todo mundo aqui fala sobre pais, tios, primos e avôs estupradores mas quase não se faz menção a filhos que se tornam estupradores? Bem, isso me aflige, porque os meninos estão sendo expostos à cultura de estupro AGORA mesmo, no momento em que escrevo isso... O estuprador que experimenta um desejo irresistível de sair e estuprar criancinhas indefesas com requintes de crueldads com certeza tem um transtorno, mas ele não representa a maioria dos estupradores. Para essa minoria composta maioritariamente por sociopatas, realmente não há cura e a única possibilidade que conheço atualmente, além do encarceramento e castração química é o autocontrole... nem preciso dizer que autocontrole falha, né?

CONTINUA...

Marina P disse...

CONTINUAÇÃO..

Olha, a grande maioria das vítimas que atendo foi estuprada sem levar um tapa, sem ser segurada à força, sem esses sinais "clássicos" que as pessoas costumam considerar como indicadores de um estupro. Muitos dos casos envolvem um estuprador menor de idade que estuprava como roubava o lanche do colega na escola, achando que aquilo era só algo "feio" e não necessariamente uma violência. Sabe aquela cultura de "boys will be boys" segundo a qual homens fazem isso mesmo e essas ações não passam de desatinos? Eu acho isso um absurdo e me dói até de escrever.... quando comecei a trabalhar com isso eu tinha outra expectativa, sabe? Eu nunca imaginaria que pessoas "normais" e supostamente "de confiança" estuprassem TANTO e tão impunemente. E nunca esperei encontrar tantos profissionais que reproduzem essa logic8 machsita (sim, eles existem e me irritam profundamente!). E não imaginei que fosse encontrar tanta resistência onde trabalho porque todo mês preencho mais de 20 formulários de notificação de violência sexual (a notificação é obrigatória para qualquer profissional de saúde ou educação e quem não faz a notificação pode e deve ser punido por omissão). Essa cultura de estupro é milhares de vezes maior do que muitas leitoras daqui do blog mesmo podem imaginar. Recebo ameaças de vez em quando e elas vêm, quase sempre, desses homens que conseguem ser tão compassivos, generosos, amorosos e gentis em outros departamentos de suas vidas. Não são monstros e isso é o que me choca mais: são homens conhecidos, que muitas vezes tratam a maior parte das pessoas muito bem mas que agem de uma forma terrível, crimimosa, vil, nojenta... quando acontece de caírem em si e perceberem o que fizeram, isso muda a vida deles, mas nem chega perto de ser comparável ao que as vítimas sofreram e isso é complicadissimo... eu gostaria muito que boa parte deszaz situações pudesse ser evitada com ações de conscientização nas escolas explicando às crianças e jovens o que é estupro, como ele ocorre e como evitá-lo. Quando falamos que não temos que ensinar às meninas a evitar estupros mas sim aos meninos comp não estuprar, isso é tão, mas TÃO verdadeiro...!

Bem, desculpe por esse testamento. Poderia falar por horas sobre isso e espero ter colaborado.




Marina P disse...

Foi mal pelos erros mil no meu comentário... estouescrevendo num teclado horrível e estou exausta! : l

Maria Valéria disse...

Obrigada, Marina P!!
Esclareceu muito:)

Anônimo disse...

Querido, primeiro espero que vc se livre de sua angústia e tenha um espírito cheio de paz e iluminado!

Não sei se ajuda, mas também quero compartilhar cm vc que meu primo mais velho (ele tinha uns 13 anos e eu 8) tentou me estuprar,e hoje em dia perdoei ele. não sei se ele se perdoou mas seguiu sua vida.
eu fiz terapia e também aconselho a qualquer pessoa.
O fato de vc ter atingido um nível de consciência de hoje já é um enorme passo rumo ao "Mundo melhor" sem violências, machismo, homofobia... bem vindo a luta!
Beijos e siga em frente!
Capitu (email: capitu92@hotmail.com

Verônica disse...

Lola, acho que ia ser muito legal ler um guest post dessa Marina P. sobre o assunto! Fiquei interessada...

Luiz disse...

Há casos e casos.

Vi uma reportagem intrigante na tv.
O cara é um estuprador. Só que ele não atacava as mulheres logo de saída, ele tinha um faro apurado para perceber mulheres carentes e passava a lábia nelas. Daí, lá pelas tantas, depois de entrar na mente da mulheres, usava a força física e estuprava elas. A mente humana é troço absurdo. Pela lógica, ele não precisaria usar a força, já que ele tinha criado ''intimidade'' com a mulher (elas entravam voluntariamente no carro. Pô, o cara é um total desconhecido mas a lábia é tão forte que conseguia atrair as mulheres para o carro).

Ora, era só continuar no xaveco que provavelmente conseguiria sexo, não precisaria estuprar.

Mas o cara é um pervertido. Então estuprava. Uma mente doentia dessas tem recuperação?

Nesse caso, eu creio que não. O que vocês acham?

Marina P disse...

Luiz, o que você descreveu eu diria que não tem cura até onde tenho conhecimento, ok? Tem um grupo de profissionais em Minas que trabalha com casos de perversão em que o paciente ainda não cometeu nenhum crime (qualquer tipo de crime, não só estupro). Estavam começando a discutir algumas possibilidades de tratamento para esse tipo de paciente, mas era algo que estava no início e tem alguns anos que não tenho contato com esse pessoal. Esse grupo reunia psis: psicólogos, psicanalistas e psiquiatras e nao era um grupo formal, mas sim uma reunião de profissionais que estavam trocando figurinhas, sabe? Pessoalmente, nunca consegui tratar um paciente assim, mesmo porque é muito difícil a adesão ao tratamento e nas poucas vezes em que atendi esse tipo de pessoa eles tentavam, me usar como espectadorade seus planos perversos. É o tipo de paciente que vai a um psi para falar todo tipo de coisa doentia que você pode imaginar usando o pretexto de se tratar. Eu fazia a notificação, mas era complicadissimo porque eles ainda não tinham cometido crime algum e realmente temos pouco apoio legal para lidar com casos assim.

Eu diria que esse tipo de paciente tem uma questão estrutural muito séria e que nao têm recuperação. É triste, mas isso existe sim.

Anônimo disse...

Lola, escrever esse post foi uma agressão. Manter esse post no ar está sendo uma agressão.

É de uma insensibilidade atroz com todxs que já foram vítimas de abuso. E é de uma desonestidade intelectual brava por rotular toda a oposição de "reaça". É de uma insensibilidade atroz dizer que o estuprador é vítima.

E se você tem conhecimento de um crime que foi perpetrado pelo tadinho do T. e não está fazendo uma denúncia, só publicando um texto no seu blog com um "eu te perdoo" papal, isso se chama conivência.

donadio disse...

Os comentários medievais, do tipo "vigiar e punir", até atrapalham a gente opinar sobre o texto.

Bora tentar.

A vivi disse:

"apesar de eu não concordar em nada da publicação do "lado do estuprador", acho que este post abre discussões interessantes"

Bom, se abre discussões interessantes, então talvez valha a pena publicar, não?

Eu fico um pouco espantado das pessoas quererem dizer o que a Lola pode, ou não pode, publicar. Aqui é o blog dela, ela publica o que quiser. Ficar reclamando é um pouco como ir visitar a casa de alguém e ficar querendo mandar na mobília. Eventualmente, a Lola vai publicar coisas que cada um de nós não gosta, ou discorda. Mas se a gente só fosse ler o que a gente concorda e gosta, a gente só leria o que a gente mesmo escreve, né? (Não estou pedindo pra ninguém ler o Reinaldo Azevedo, tudo tem limite. Mas ler o Frei Boff e também o Richard Dawkins - obviamente vc tem que discordar de pelo menos um deles - é razoável e saudável.)

Isso dito, ou escrito, se eu tivesse um blog - e eu não tenho - eu não publicaria. Não "para não dar a palavra a estuprador", mas porque não confiaria em "depoimento" via internet. Sem conhecer a pessoa, vai lá saber se a estória é assim mesmo, ou se é pura invencionice?

Se tivesse certeza de que é como ele diz, publicaria: seria ter um insight sobre a mente de alguém que cometeu um crime gravíssimo, e acho que sem entender como essas cabeças funcionam, não é possível prevenir essas coisas.

Mas viajando na internet vc vê um mundo muito estranho, onde todo mundo já cometeu 17 crimes diferentes, já foi vítima de outros 36, e tem de conviver com 22 doenças mentais que exigem tomar 29 remédios diferentes. Em resumo, o pessoal exagera (assim como, vcs devem ter notado, eu). E sendo assim, talvez esse relato não nos dê nenhum indício sobre a mente de quem estupra. E isso pode nos induzir a entender errado a mente dos estupradores, o que pode ser contraproducente no que toca a prevenir o estupro ou outros crimes. Então, eu não publicaria. Mas eu não sou a Lola, e não mando no blog dela. Aqui sou convidado, e como todo convidado na casa alheia, convém que me comporte direito, me atendo aos limites da boa educação e do bom senso.

donadio disse...

Quanto à polêmica mais importante aqui, se estupradores são todos psicopatas, ou outro tipo de patas, ou se são na maioria pessoas "normais" levadas ao estupro pela "cultura do estupro", me parece óbvio que se só psicopatas estupram, então não pode ser um crime tão difundido assim - e, logicamente, se é um crime tão difundido, então deve estar sendo cometido por pessoas razoavelmente "normais".

Mas eu tenho a impressão de que existe uma confusão entre "estupro" e "cultura do estupro". Essa "cultura do estupro" é uma cultura que facilita e normaliza comportamentos que, no limite, podem chegar ao estupro; mas nem todo mundo que conta piadas de estupro seria capaz de passar a mão numa desconhecida num ônibus (e, aliás, nem todo mundo que seria capaz de passar a mão numa desconhecida num ônibus seria capaz de estuprar; sim, existem graus na degradação). Contar piadas de estupro faz parte da "cultura do estupro", mas não é a mesma coisa que estuprar. Da mesma forma como videogames violentos e filmes do Quentin Tarantino fazem parte de uma cultura da violência, mas provavelmente a maioria das pessoas que jogam videogames violentos, ou gostam de Quentin Tarantino seriam incapazes de levantar a mão contra alguém.

Anônimo disse...

tadinho desse estuprador. ou devo dizer ex-estuprador? nossa, fico comovida e tocada com esse relato.

agora falta o que? virar pastor?

fulaninho, vc é um criminoso.

mas como alguem disse nos comentarios, se ele for na delegacia, se bobear a policia vai mandar ele embora sem tomar as providencias cabiveis.

tenho uma amiga que é vitima frequente de assedio sexual. outro dia um homem a seguiu insistentemente, implorando pra sair com ela. ela viu um policial e o avisou do abuso. o que o puliça disse? "mas tambem, com essa roupa". esse é o mundo em que vivemos.

aline.

Anônimo disse...

lola, eu nunca fui estuprada, mas sempre sofro abusos e assédios na rua e no metro. o ultimo foi dia 5 de agosto. estava saindo do metro, fui empurrar a porta de saida, que é pesada, um cara aproveitou pra dar uma "roçada" na minha bunda.

eu até pensei em fazer um "diario de assedios".

quando fico um mês sem sofrer abusos eu quase comemoro e recobro minha esperança na humanidade. mas quando acontece, passo umas noites dormindo mal.

tenho 38 anos, nao vejo a hora de envelhecer mais, porque acho que so assim essas baixarias vao parar de acontecer.

detalhe: moro no canada.

camila

Anônimo disse...

Achei terrível que ele não se dar conta de que ele destruiu a vida dessas pessoas. Ele se preocupa de ter afetado a vida sexual delas, sem nem abordar questões como confiança, auto-estima, afeto, enfim, todos os aspectos da vida das vítimas que foram destruídos por seu crime bárbaro.

Paula Bäumer disse...

Em tempos tão obscuros, esse post foi muito infeliz e politicamente incorreto...
Existe hj uma bancada evangélica que defende a humanização do estuprador tornando-o "pai" de uma consequente gravidez. Cabe a mãe apenas receber um assistencialismo do governo.
Esta mesma bancada está humanizando um amontoado de células no útero e concedendo direitos superiores ao da mãe [mesmo esta sendo vítima de um abuso].

Diante desse cenário onde a vítima está sendo desumanizada, ver uma feminista defender a humanização do estuprador ou dizer que a punição [que quase nunca acontece no Brasil] não soluciona e quem defender o contrário é reaça, é estranho, muito estranho.

Lola, em tempos de desumanização da mulher, reaça é quem defende a redenção do estuprador q nunca foi condenado e que nunca buscou reparar os danos as vítimas {se é q tem como reparar algo desse nível]...

Reaça é vc. sorry!

Vivi disse...

Donadio.
Eu não dito o que a Lola deve ou não publicar. Eu dei minha opinião, contrária ao post, mas concorda quem quiser.
Só na base de debate e discussão que avançamos o feminismo. Discordar com companheiros da mesma causa, e mesmo assim saber que estamos do mesmo lado, é fundamental!
Diferente do seu comentário, acredito que há espaço aqui para debates..
Se for só p/ rasgar seda e elogios, o debate feminista não me interessa e eu me retiro.
abraço

Luiza Original disse...

Tá arrependidinho, é? Vá até a polícia e se entregue. Assuma a consequência dos seus atos.

indignada disse...

Sou feminista, mas de acordo com vc reaça. Sobre até quando ele deve carregar este estigma ? eu diria a vida inteira! eu nunca deixaria um estuprador de crianças se aproximar dos meus filhos, vc deixaria? perdoaria e deixaria as crianças sozinhas perto dele? Então não venha de hipocrisia!

Kessia disse...

Oi Lola, sou leitora do seu blog a um certo tempo mas nunca achei que eu tinha "cacife" o suficiente pra comentar. Uma amiga querida, que tambem é leitora do seu blog me mandou esse post em especial e desde então pensei muito sobre ele. Com tantos trolls comentando tanta besteira, perdi a vergonha e resolvi comentar. Me desculpe Lola, mas meu recadinho é pra você T.:

Oi T., não te conheço mas fiquei bem comovida com seu desabafo. Passei um tempo refletindo sobre ele e lendo os comentários. Confesso que EU, que não tenho nada a ver com a situação fiquei angustiada, que dirá os envolvidos. Assim queria muito te falar uma coisa: Pare de ler tantos comentários, sabe o que eles influenciam na situação que você relatou aqui? EM ABSOLUTAMENTE NADA! Todo mundo tem uma opinião sobre o assunto, eu tambem tenho a minha. Seu eu fosse uma estupradora arrependida talvez tivesse outra. E se eu fosse a estuprada talvez tivesse outra. Cada ser humano é unico, portanto a mesma situação para seres humanos diferentes pode ter as reações mais variadas possiveis.

Tem gente que se pudesse te esfolaria vivo e tem gente que já te deu perdão, mas nada disso importa a não ser pra você perceber aqui quais podem ser as reações da sua irmã e do seu primo, mas isso só te deixará ainda mais perturbado. É o que a sua irmã e o seu primo acham e pensam o que realmente importa, o resto é o resto. Se você de fato entendeu as consequncias do seu ato e se mostra disposto a fazer o que for preciso para reparar, então vá!
De fato, foi algo covarde ter escrito um post em um blog antes mesmo de ir conversar com os envolvidos, mas acredito que você estava e ainda está muito confuso. Portanto parem de culpar a Lola e o T., eles só fizeram o que achavam certo para o melhor deslinde da questão.
Eu sou concluinte do curso de direito de uma universidade federal, então deixa eu te falar uma coisa T.: Nao adinata eu ou as outras pessoas repertirmos que o que voce cometeu foi um crime, e que você é sim um criminoso porque você sabe disso, alias, você sofreu este mesmo crime entao ninguem melhor que você para saber sobre o estupro e como ser um opressor e um oprimido, ao mesmo tempo. Mas o que eu quero te dizer
estupro é um crime condicionado a representação da vitima. O que isso significa? Em uma linguagem leiga, isso significa que você só sofrerá um processo criminal e uma possivel condenação se a SUA IRMA e o SEU PRIMO quiserem. No estupro é a vitima o centro das atenções, se ela não quiser ninguem tem "querer" no lugar dela, nem mesmo o Estado.
Entao tanto faz você ir em uma delegacia hoje ou amanhã, de qualquer forma, a decisão está nas mãos da sua irmã e so seu primo. Acho que você concorda que é muito mais dgno de sua parte não querer sua irmã e seu primo sofram ainda mais, é muito melhor conversar isso com eles fora da presença de um delegado e de um ambiente hostil de uma delegacia.
Por isso T. pare de aumentar esse sofrimento seu e dos envolvidos e vá de uma vez conversar com os dois, antes mesmo que eles possam ler esse post! Saiba que você pode ser perdoado, mas também saiba que você pode ser condenado por eles a ser o "ser" mais desprezivel que um dia já existiu em suas vidas. Aliás, acho que você ja sabe disso também, então não deixe que sua irmã e seu primo sofram nenhum dia a mais com essa situação pelo seu medo de ir conversar com eles. O que está feito está feito, mas piora a cada dia que você tenta "esconder" isso. Não piore essa situação, encare as consequencias de frente, por piores que elas sejam. Vá T.! Vá....

Desculpe o texto grande, mas era o recado que eu queria deixar.

Aos trolls e demais furiosos, fiquem A VONTADE para falar o que quiserem, o meu recado era para e apenas para o T. e para Lola.

donadio disse...

Vivi,

não acho que seu comentário seja um dos que pretende ditar o que a Lola pode ou não pode escrever. Vc discorda, o que é legítimo, e naturalmente é assunto de debate. Citei vc por que me pareceu contraditório o que vc disse (o post levanta uma discussão interessante, mas seria melhor se não existisse).

Talvez devesse ter separado melhor as coisas, pode ter ficado parecendo que eu estava me referindo a vc no segundo parágrafo, mas não foi a intenção.

Anônimo disse...

Eu fui estuprada durante anos, pelo meu IRMÃO, no começo era muito pequena e não entendia, depois me sentia culpada pelo ocorrido. Nunca contei a ninguém, minha mãe não acreditaria, meu irmão era um "deus" pra ela, tenho que conviver com meu irmão, mas evito ao máximo, com o passar dos anos até fui me esquecendo que ele é meu irmão, sim, tenho nojo, não o amo e se ele morresse não me importaria, meus familiares ficariam tristes, mas eu não me importaria. Agora, se o acho perigoso? Não! Psicopata? Não! Não sei dizer em que momento ele aprendeu ou sentiu a vontade de fazer o que fez, acredito nessa cultura do estupro e sei que ele não acha grave o que fez, pensa que ele era criança e que era uma reação normal.
Se ele viesse me pedir perdão? Não perdoaria, não existe perdão, perdão não resolve, só aproveitaria a deixa pra pedir pra nunca mais vê-lo. Mas prefiro o silêncio, me agride menos, não suportaria ouvir nada dele... Também não desejo cadeia, por que? Porque isso não resolve o problema, não acho que meu irmão tenha sido abusado, mas acredito sim que temos um problema na sociedade. Concordo com a psicóloga de devíamos ter orientação nas escolas e áreas afins, talvez isso tivesse evitado o meu abuso.
Com isso, não quero defender estupradores, odeio muito meu irmão e todos os demais, mas acredito que exista sim um conflito psicológico no estuprador e que também deve ser ouvido e tratado, bem longe das vitimas. Para os que não tem essa reflexão, sim, sou a favor da castração, mas não como algo punitivo e sim preventivo.
Com o meu post,só quero dizer que as situações são muito mais complicadas do que parecem, cada vitima, fica com um tipo de trauma diferente e nesse caso é necessário ver todos os lados do estupro, assim podemos chegar mais próximos de uma solução. O que eu mais desejo? Que ninguém mais passe por esse tipo de situação. No meu caso, só acredito na distância, escolhi viver minha vida, o trauma vai sempre estar no fundo, não tem remédio, não tem solução, eu vou morrer com isso, mas felizmente consegui me acertar comigo mesma, não me culpo, amo meu corpo, as pessoas e assim sigo em frente, não esqueço, não perdoo, mas não me penalizo.

A.A disse...

Eu fui estuprada, mais de uma vez, e nunca pensei em perdoar os agressores(sim, foi mais do que um).
O primo do meu pai, sabia que era errado, até disse para eu não contar para meus pais, por que eles não entenderiam. Com esse não houve penetração.
O segundo agressor, abusou de mim por meses, e eu tinha medo de falar, de reagir. No dia que eu disse NÃO, ele agiu com violência, me bateu, me penetrou, e no dia seguinte, me pediu desculpas dizendo que havia se "excedido". Ele achava que eu queria e só estava dizendo NÃO por charme. Eu imagino que seja isso, por que no meio do estupro ele disse: EU SEI QUE VOCÊ QUER.
O terceiro, "forçou a barra", eu tentei repelir e ele forçou, eu pedi para parar e ele não parava, eu implorei. Ele não ia parar. Ele só parou por que um amigo meu chegou.

Eu gostaria de perguntar o "por que". Esse post não me diz o por que eu fui estuprada, mas eu posso perguntar para o T.: POR QUE? Por que você fez isso? Por que você abusou de alguém que não podia se defender. Por que?

Eu gosto de saber o por que. Isso tira de mim, a culpa que eu sempre me coloquei.
=(
Sei que muita gente não gostou do post, por "dar voz" ao estuprador, mas eu acho que esses posts são importantes, para que percebamos que os estupradores são pessoas comuns. São pessoas COMUNS.

Anônimo disse...

escutar o lado do estuprador é absurdo.
ESTUPADROR, VÁ PRA A CADEIRA.
TÁ ARREPENDIDO que por favor dê o nome e sobrenome aqui

Iza Thomaz disse...

Estupradores são manipuladores, só isso basta. Acorde, você tem responsabilidades demais a esta altura, para soltar absurdos como esse. O que esse suposto estuprador, certeiro narcisista quer e conseguiu foi atrair atenção para si e sua pantomima bizarra, por azar, a atenção que conseguiu foi a pior que poderia ser; um carinho na cabeça e um abracinho apertado. Pelamor, viu.

Vivian disse...

Maria P.

Interessantíssimo esse seu relato.

Penso que a educação contra essa cultura do estupro (e machismos e afins) deveria começar na escola, pq nos grupos que as crianças e adolescentes forma nas escolas eh q se forma muito do seu caráter. E todo mundo que já foi estudante um dia sabe que a imagem de crianças e adolescentes serem um poço de candura passa longe da realidade.

Este teu relato me deixou muito preocupada. Por que urge uma mudança nesse sentido. Neste momento meninos sendo violentados e outros meninos/homens violentando como se não fosse violência, como se fosse normal. Isso me lembra as discussões sobre cantada de rua, as mulheres reclamando que é assédio e os homens reclamando que não podem mais "elogiar" as mulheres na rua.

Se tem uma coisa que me quebra a cabeça é essa diferença na educação de homens e mulheres. Não existe guerra dos sexos, não existe mais diferença entre homens e mulheres, dizem, mas então por que as mulheres e homens ainda são criados como se cada um pertencesse a um planeta? Ora, se temos um mundo em que mulheres odeiam cantadas e homens acreditam piamente que não estão fazendo nada de errado, temos um gravíssimo problema. Num grau ainda mais grave, temos a situação em que homens estupram e acham que estão fazendo algo "normal" e não completamente violento.

Certamente uma das soluções para diminuir a violência de gênero é diminuir a distância entre homens e mulheres já desde a infância, e nisso os colégios tem importância fundamental. Menstruação é um tabu completo nas escolas, masturbação ainda mais, assédio então nem se fala. Homens sequer sabem o que mulheres sentem quando são abusadas, isso está muito errado, tão errado quanto a nossa educação, que todos acreditam ser igual, separa as pessoas na sociedade. Esta sem dúvida é uma grande cegueira do nosso tempo, que nossos descendentes estudarão com muita curiosidade sem compreender coisa alguma do por que ordenávamos as coisas assim.

Bem, pensando em levar esta conscientização as escolas, penso no trabalho que é necessário, você tem alguma noção? Que tipo de estudos e pesquisas preliminares são necessários até que se possa fazer uma proposta formal ao governo, para que uma educação "antiestupro" fosse ministrada em escolas?
O problema está aí, e temos dados e pesquisas que comprovam. Temos que botar a mão na massa e dar um passo adiante. Sozinho esse tipo de coisa não vai se resolver tão cedo.

Adoraria ler um guest post seu sobre este assunto, escreva um com muitas linhas, quero saber tudo que você puder nos passar!

Abraçoss, Vivian

Anônimo disse...

Eu desconfio um pouco desse discursinho de "perdão, perdão", porque já o ouvi de outros homens - que não me estupraram, mas abusaram de mim de forma psicológica - e eles só pediram perdão pra continuar abusando.

Não digo aí que o rapaz esteja querendo manipular alguém, mas tá culpadinho? Se entrega na cadeia. Ou então redija uma carta, e-mail, etc, pras suas ex vítimas, pedindo perdão. Se elas lerão ou aceitarão, aí é com elas - ao menos a sua parte vc terá feito.

Nêmesis disse...

Eu concordo muito com a Paula Bäumer.

Lola, você bem sabe que existe toda uma ideologia que tenta humanizar os estupradores, querendo conceder a eles inclusive "direitos de pai".

E, olha, acho estranhíssimo existir gente que ao ter conhecimento de casos de estupro fique matutando o "porquê" do estuprador ter feito aquilo, como eu li aqui nos comentários. Isso me lembra aquele povo que tenta justificar a misoginia de um homem com o argumento de que "ele teve uma mãe ruim".

Vivi disse...

Ok Donadio entendi.
Eu disse que a discussão é interessante nos seguintes aspectos: o pensar sobre a reabilitação de um estuprador, da questão do perdão, da questão da punição etc..Mas, a crítica principal é: será que não daria para ter proposto estas discussões sem ter dado voz ao estuprador? Para não correr o risco de ferir pessoas? É este meu ponto.

Luciana disse...

Sou favorável a um sistema penitenciário que visa em 1º lugar reabilitar à punição e exclusão, o mesmo vale para estupradores. Excluir, punir, aplicar a lógica de vingança ao estuprador (como para outras pessoas que cometeram crimes) não vai contribuir para diminuir o machismo nem para diminuir a violência, veja prevalência de reincidência de crimes comparando-se sistema penitenciário americano e brasileiro com sistemas de países europeus como a Noruega baseados na reabilitação/ressocialização. Dar voz e Assistência as vítimas de estupro não é um impeditivo para criar programas de reabilitação para o estuprador no âmbito de um sistema penitenciário compatível com os Direitos Humanos, uma coisa não exclui a outra, o estuprador deve responsabilizado pelo crime e para isso precisa conscientizar-se da gravidade do que fez ( o que muitas vezes é encoberto/justificado pelo machismo), assim acho que a a Lola está certíssima e coerente tanto com o feminismo, quanto com os direitos humanos fundamentais. Vc diz que os estupradores tem sido ouvidos e amparados pela sociedade (acredito que se refere ao machismo e culpabilização da vítima), isso não é reabilitação, isto é justificação e alienação,coisas muito diferentes. Infelizmente muita coisa precisa mudar no Brasil para o sistema mudar e isto ser implantado pq a maioria das pessoas são favoráveis a tortura e a pena de morte para “bandido” que é visto como se não fosse gente, sem se preocupar em entender a origem da criminalidade e da mesmo forma, a origem de uma cultura machista que favorece o estupro em que homens e mulheres são submetidos e reproduzem.

Julia disse...

Coincidentemente, na semana passada eu soube da existência de um tópico de 1 ano atrás no Reddit (não frequento lá, mas já ouvi falar que está cheio de babacas e machistas, enfim, como o mundo inteiro está) que pedia que pessoas que abusaram sexualmente de outras contassem seu lado na história. Pelos comentários que sobraram (as confissões foram apagadas) esse tópico deu muita polêmica também.

Vou deixar o link de uma thread em resposta a um estuprador serial que apareceu por lá se confessando (ele confessou que estuprou várias mulheres mas agora estava casado e se dizia arrependido).
http://www.reddit.com/r/AskReddit/comments/x6yef/reddits_had_a_few_threads_about_sexual_assault/c5k055x?context=3

Leiam o comentário da The_Truth_Fairy.


E tem essa outra thread em reposta a The_Truth_Fairy, dessa vez de um homem, que foi abusado pelo avô e que questiona como tantas pessoas apareceram para defender o tal estuprador e criticar o comentário da The_Truth_Fairy.

http://www.reddit.com/r/bestof/comments/x84sl/the_truth_fairy_reacts_to_serial_rapist_im_not/


lola aronovich disse...

Julia, na época eu li essa thread no Reddit. Apesar da repulsa que senti (afinal, vários dos estupradores que comentaram ali NÃO estavam arrependidos), é importante sim conhecer o que se passa na cabeça de um estuprador. Lembro de várias pessoas apontarem a mesma coisa. Não sabia que o tópico havia sido apagado.


Quem ainda não viu, escrevi um post falando sobre as críticas que recebi neste post. Se quiserem levar a discussão pra lá, fiquem à vontade.

Julia disse...

Lola, olha o comentário que esse desgraçado desse Thomas fez às 16h.

Não é o suficiente pra esse imbecil ser barrado daqui, não?

A Paula rebateu o comentário ridículo que ele fez e esse fdp ainda vem fazer mansplaining nesse post (aliás, como sempre) e fica de gracinha dizendo que a Paula não tem neurônios e que é passional.

Não duvido que esse porco já estuprou alguém e por isso achou este post excelente, rolou uma identificação.

lola aronovich disse...

Desculpe, Julia, vc tem razão. Eu só li o primeiro parágrafo que o Thomas Toddy escreveu, que foi isso:

"Paula, eu realmente duvido que basta você chegar na delegacia, confessar um crime e dois amigos seus confirmarem pra você ser preso. Mas eu posso estar errado, né, não sou especialista. Só tô seguindo a lógica, e pela lógica acho muito difícil o T. conseguir dar um jeito de ir pra cadeia por causa de um estupro - que como eu disse, é um crime difícil de provar - que aconteceu há anos."

O resto eu não li, então não vi a agressão. Mas é típico. Ele sempre agride. E vc não é a primeira a me pedir que eu barre tudo que esse exemplo do mansplaining escreve.

donadio disse...

"todo mundo é cidadão mas a partir do momento que a pessoa comete um crime ela vira bandido ou não?"

Vera, pela lei brasileira o aborto é crime. A mulher que faz um aborto comete um crime; ela vira bandida?

Pela lei americana, a prostituição é crime. A americana que se prstitui comete um crime; ela vira bandida?

Pela lei saudita, o adultério é crime. A mulher casada saudita que dorme com outro homem comete um crime; ela vira bandida?

Vc raciocina como se existiesse uma lei absoluta e atemporal, indiscutível. Que lei é essa?

"se a polícia rela a mão no bandido,chove defensores de direitos humanos,curiosamente não aparece ninguém para reclamar dos direitos da vítima."

Ninguém está falando de "relar a mão no bandido". É óbvio que é impossível prender alguém sem algum grau de violência. O que eu questiono, Vera, é tortura: massacrar um ser humano até ele confessar um crime - que ele pode ou não ter cometido. É isso que esse mimimi contra direitos humanos propõe: a promoção do policial a juiz. E isso só pode dar, com o perdão da palavra, merda.

Sem direitos humanos, vc não tem como saber quem é e quem não é "bandido": a palavra da polícia vira lei, é impossível a um acusado demonstrar sua inocência ou as atenuantes e excludentes da situação. Sem direitos humanos, todos nós somos bandidos, sem direito a sequer tentar provar que não somos.

É isso que vc defende? Dar à essa organização machista, racista e reacionária que é a polícia poder de vida e morte sobre todos nós?

E ao dizer que "não aparece ninguém para defender o direito da vítima", você quer dizer o quê? Que o ministério público não manda investigar, que a polícia não investiga, que a imprensa não dá cobertura à investigação? Isso é simplesmente falso, Vera. Quando há um crime, geralmente as vítimas não ficam indefesas; há toda uma série de providências que são tomadas para punir os criminosos. Nem sempre são as melhores providências, e elas nem sempre são tomadas. Mas quando elas falham, com certeza não é por culpa de quem defende os direitos humanos.

E, aliás, defender os direitos dos acusados é também defender os direitos das vítimas. No mínimo, o direito de saber que o verdadeiro agressor é que vai ser punido, não o primeiro pé-rapado, travesti, maconheiro ou prostituta que a polícia pegar para cristo.

Marluce disse...

Nossa! O relato desse cara me deixou muito triste, pelas vítimas! Nem foi detalhista, deu vontade de chorar. Eu não sei perdoar.

Wilma Felinto disse...

Surpreendente o relato e dificílimo de definir o que sentimos... Perdoar? Oi? Acho que não... Mas, mas surpreendente é você ter a coragem de trazer essa outra dimensão da questão, porque queiramos ou não, o monstro ali é da nossa espécie, é um humano. E como sempre Lola, você trouxe a questão com coerência e humanidade. Características que admiro nas suas postagens. É isso que suscita o debate, que nos faz pensar e crescer. Beijão.

Anônimo disse...

Donadio

Agora tive que rir:
"E ao dizer que "não aparece ninguém para defender o direito da vítima", você quer dizer o quê? Que o ministério público não manda investigar, que a polícia não investiga, que a imprensa não dá cobertura à investigação? Isso é simplesmente falso, Vera. Quando há um crime, geralmente as vítimas não ficam indefesas; há toda uma série de providências que são tomadas para punir os criminosos"

Não sou a Vera, mas é isso mesmo o que acontece. O MP não manda investigar, a denúncia (inclusive de prostituição forçada de adolescentes e CRIANÇAS) fica lá mofando, a polícia não investiga (faz mais de um ano que aguardo para ser chamada a depor sobre um BO, a imprensa não dá uma cobertura decente sequer (de uma enorme e esclarecedora entrevista da delegada da mulher da minha cidade, a imprensa destacou em letras garrafais apenas a informação que metade das vítimas de violência doméstica não seguem com suas denúncias, culpabilizando a mulher pela violência sofrida).

São todos exemplos reais do meu cotidiano. Quer argumentar, argumenta por outro lado.

Anônimo disse...

Vou começar como várias pessoas aqui começaram a comentar: Eu sofri abuso sexual na infância e adolescência.

Não é de brincadeira, eu sofri mesmo e por duas pessoas diferentes: o primeiro, por um suposto adulto amigo, ali eu tinha 5 anos de idade; e o outro, por alguém da família, tinha 14 anos de idade.

Eu, pessoalmente, jamais perdoarei esses dois, mesmo que ambos venham me pedir desculpas. Apenas desculpas não repara o mal que eles me fizeram.

Assim como tenho que lidar continuamente com esse histórico de abuso, esses estupradores vão ter que lidar com o meu não perdão e com as demais pragas que rogo diariamente a eles. Não perdoo e as razões que justificam o meu não perdão são tão óbvias que não necessitam de justificativa. É óbvio também que eu não deseje o melhor para eles, eu quero mais, com a licença da palavra, que eles se fodam.

Isso não significa que eu seja radicalmente bom (leia-se, humano) e os meus estupradores radicalmente maus (leia-se, desumnao), ou o contrário. Isso é maniqueísmo. E nos comentários percebo que entra esse estigma maniqueísta, onde tendemos a ver a vida unicamente sob o próprio ponto de vista específico, reconhecendo em si próprio como sendo do lado do bem, afinal possuímos todo o conhecimento necessário para nos justificarmos e entendermos nossos problemas, e mais fácil ainda ver os outros como sendo do mal, pois afinal as atitudes deles não têm justificativa, não conhecemos os elementos necessários para compreendê-los. Se formos forçados a separar a realidade em aspectos duais benignos ou malignos, como classificaremos o grande e o pequeno, o preto e o branco, o masculino e o feminino? Quem será o bem e quem será o mal? Mesmo com as visíveis desproporcionalidade sociais, será sempre o bem o pequeno, preto e feminino? E mal o grande, branco e masculino?

Eu achei interessante esse post, pois sempre é mais fácil se sensibilizar com a vítima. Encobrimos a vítima de humanidade. No entanto, os que oprimem, destituímos a humanidade com extrema facilidade. E como não são mais considerados humanos, tendemos a querer destruí-lo. Com certeza isso seria bem mais simples, mais rápido e mais fácil. Estamos diante de um debate em que o combate a criminalidade se dá por meio da eliminação cabal dos criminosos, como se isso fosse solução. É isso o que de fato queremos?

Em suma: acho que o que o T. e os milhares de estupradores fizeram são mal irreparáveis. O que não significa que não possam se arrepender do que fizeram. Arrependimento é um sentimento totalmente humano. Agora também acho que os mesmos não sejam dignos de perdão apenas por isso. São marcas que os mesmos, tendo consciência de seus erros (o que já é muita coisa, isso temos que admitir, e acho que é a isso que a Lola quer chamar atenção), vão ter que aprender a lidar com isso, assim como nós, vítimas de estupros, temos que lidar com os traumas que passamos por essa violência. Logicamente é muito desproporcional. Não são marcas sentidas em mesmos patamares, mas não significa que sejamos mais ou menos humanos.

vera disse...

donadio

se um adolescente estuprar ,matar,atear fogo em outro ser humanos( caso q eu vi tem um tempo),ele n vai pagar devidamente,pq é um babaquinha menor de idade e inocente demais mimimi,por isso n pode pagar pelo crime hediondo que comete,isso é se importar muito com a vitima,que vai ter a sensação de total impunidade,a vida dela vale menos do q a dele.

e eu tb n falo de tortura,mas tem q ser preso mesmo,sem essa conversa fiada de q só fez isso pq é pobre,é menor de idade ou qualquer desculpa esfarrapada q usem para diminuir a culpa deles.

e em que mundo vc vive para achar q todos os crimes são solucionados? q a policia se importa muito com todos?
quantas mulheres denunciam estupro e fica por isso mesmo?
quantas são assassinadas e o marginal ta livre por ai?
se a denuncia for de uma pessoa pobre,ai é que eles cagam e andam.

vera disse...

tem uns 2 meses que no meu bairro um homem foi morto por 2 fdp covardes ,a familia dele denunciou a policia e cadê eles? estão presos pagando que fizeram?
claro q n ,estão por ai como se nada tivesse acontecido.

Iara De Dupont disse...

Olha,me desculpem,mas está acontecendo uma confusão aqui..

Apesar de parecer nós moramos em um país que tem lei e estupro é crime,por tanto se o rapaz estuprou ele deveria se entregar e ser julgado pela justiça.
Nenhum blog tem esse papel de justiceiro,isso é a lei que faz,não um blog e aqui não é lugar para dizer se aceitam ou não o perdão,o rapaz cometeu um crime e deve ser julgado por isso.

Outra coisa,estupro é CRIME,não é coisa de texto cheio de lágrimas e pedidos de perdão.

E se exigir que a lei se cumpra faz de mim uma reaça,então eu sou uma reaça.Acredito nos direitos humanos,mas para mim eles incluem a lei,não o perdão divino.Não me importa se as vitimas perdoam ou não,elas que sabem,mas a lei tem que cumprir seu dever.

Lamento que minha posiçãos seja considerada de gente reaça,mas fiquei chocada ao ler que pedir o cumprimento da lei é coisa de `feminismo punitivo ´.

Tive a impressão que o blog foi hackeado,porque um mascu poderia ter escrito isso,defender o estuprador,deixando claro que quem pede a punição dele são as `feministas reaças ´.

O que falta no Brasil é cumprir as leis,e não é uma questão punitiva.

E me desculpem se sou reacionária por acreditar que estuprador tem que ir pra cadeia e ao ser solto deve passar por um periodo de observação.E digo mais,se ser feminista inclui perdoar estuprador,justificar seu sofrimento e tal,bom,então bati de frente com alguma coisa,porque eu não me identifico com isso,acredito nas leis e na justiça,lugar de estuprador é na cadeia,não em blog fazendo mimimimimmi

RMFS disse...

Engraçado que há pouco tempo atrás me bateu a mesma reflexão. Eu estava muito indignada com o caso dos ladrões que queimaram a dentista viva por ela não ter dinheiro. Daí fui pedir a opinião de uma amiga advogada e também feminista sobre o assunto, questionando se mesmo diante disso ela ainda seria contra a pena de morte.
Ela me explicou que a pena de morte faria centenas de inocentes irem pra cova, em vista das deficiências ainda enfrentadas pela justiça brasileira. Mas o mais importante foi que ela me explicou que prender, bater ou até mesmo matar NÃO RESOLVE, pois se vc mata 100 monstros desses hoje, amanhã aparecem mais 300 e assim por diante. O ideal é reabilitá-los. Criminosos vão para a prisão e voltam de lá muito piores, em vista das maldades que sofrem e que aprendem a fazer nos outros. Então, se não existir nenhum tipo de reabilitação, mesmo matando os realmente culpados, isso nunca vai ter fim. Uma vez livres, eles caem de paraquedas na sociedade de novo, sem nenhum tipo de preparo e totalmente suscetíveis a cometerem crimes muito piores. A religião muitas vezes faz esse papel de reabilitadora, os que viram verdadeiramente evagélicos saem da vida do crime, mas ainda não existe nenhum programa realmente forte para "reconstruí-los". Depois dessa explicação eu comecei a enxergar a coisa toda por um ângulo diferente, soluções imediatistas não resolvem, é preciso pegar o problema pela sua raiz.

Anônimo disse...

Corrigir os erros pagando por eles vc nao quer neh? Se entregar para a policia e confessar os crimes nem precisa nao neh??? Affffffffffffff

Anônimo disse...

Muito legal esse arrependimento impune. "Oops, foi mal, nem sabia o que era isso, to tisti". Pagar pelo que fez, que é bom, nada. Logo mais vira pastor de igreja também.

Anônimo disse...

O povo burro fala em punir e nem sabe que o objetivo da cadeia no Brasil não é punir, é reformar. Por isto que não há pena de morte e prisão perpétua. A constituição brasileira acredita que qualquer pessoa pode ser reformada se ficar trancada alguns anos pensando sobre a merda que fez.

Se um indivíduo está genuinamente arrependido, não há motivo para ele se entregar para a polícia. E se ele não está arrependido ele nem vai cogitar isso. Então não há motivos para reaçaria em cima do garoto.

Anônimo disse...

Como vítima de estupro e nunca merecedora de desculpas, eu ainda sonho com um castigo a estupradores e pedófilos igual ao que o autor do comentário, Paulo Tarso, descreveu. Cadeira elétrica, enterrar de pé, etc. Radical? Sim. Não resolve o problema? Não. Vão nascer mais do mesmo tipo? Lógico. Mas para quem sofreu esse tipo de coisa ou vê um familiar ou amigo passar pela situação (ou mesmo quem simplesmente se identifica ou empatiza com um desconhecido que sofreu o crime), é a única forma de compensação. Não é uma maneira cristã de punir, mas, enfim, este é um estado laico.

lola aronovich disse...

Aí é que está, anon das 13:19: esses "castigos radicais" não devem ser a única forma de "compensação". Vítimas têm formas diferentes de lidar com a dor. Não são todas que se sentirão compensadas pela pena de morte.

Anônimo disse...

Sou a favor de um feminismo que luta por igualdade de direitos entre as pessoas sem discriminar idade, condição social ou opção sexual.
Sou contra a androfobia, gosto de me relacionar com homens. Namorei muitos e fiz muito sexo, bom, ruim, mediano mas fiz.
Minha luta maior sempre foi por espaço na sociedade, por conta do meu trabalho, pela minha produção. Nunca quis ser dependente, receber mesada de ninguém porque acho que isso tem um preço, uma cobrança implícita, um favor devido que bloqueia e limita o desenvolvimento pessoal.
Foi muito assustador encontrar o mercado de trabalho porque os homens, a grande maioria, fazem um clube do bolinha quando tem mulher por perto. Querem que as mulheres sintam-se eternamente por fora. Sinto falta de outras mulheres que sintam o mesmo que sinto.
Acho que o empenho que se tem dado a questões de natureza sexual se fosse dado para o desenvolvimento tecnológico, econômico, da saúde e educação os crimes dessa natureza poderiam até diminuir.
Eu gosto da Marta Suplicy e acho que esse blábláblá tem provocado mais traumas do que ajudado a resolvê-los.

Anônimo disse...

Que pataquada dar espaço pro estuprador...

Arrependido? Vai confessar e pedir perdão às vítimas e aguentar as consequências.

Me diz, pra quê isso?!

Não sou solidária com esse cara, não mesmo.

Quanto ao Netinho, o problema é que ele sempre fala da agressão que cometeu como uma briga e nunca pediu perdão á mulher que foi agredida e por isso sua 'reabilitação' soa falsa e oportunista porque no momento em que quis ser candidato, foi pra tv se dizer 'arrependido'. Jogou pra galera, como se diz. Ele cumpriu alguma penalidade pela agressão? Acho que não.

Não acredito no arrependimento desse cara. Vá pedir perdão as suas vítimas que devem estar sofrendo em silencio até hoje.

Confessar como anônimo e ficar de coitadinho é fácil. Nunca vai ser punido, nunca vai sofrer as consequências dos atos que cometeu e as crianças estupradas cresceram marcadas pela sua violência.

Priscilla Barreto C. Araujo disse...

Ele só vai ser reabilitado quando passar por um tratamento psiquiátrico, ou fui só eu que reparei na dificuldade dele se controlar qnto a estuprar uma pessoa, e não qualquer pessoa, mas alguém "menor" do que ele?!
O que ele fez foi criminoso, nada tira dele essa responsabilidade e sim, ele deve arcar com ela. Não adianta prender o cara, e não oferecer tratamento, da mesma forma que não acredito ser suficiente oferecer tratamento e não haver nenhuma punição, por mais simbólica que seja. PQ o sofrimento que ele gerou não tem nada de simbólico. É bastante cômodo relatar como se sente culpado, anonimamente, sem admitir sequer pras pessoas que foram vítimas da falta de controle dele, o que ele fez.

Anônimo disse...

Olha, sinceramente, a única coisa que dá pra gente pensar é o que leva uma pessoa a estuprar. Não alguém que é psicopata, não alguém que tem uma doença, uma tara escrota. E sim alguém que não tem o entendimento de que sair por aí enfiando a piroca nos outros sem o consentimento dessas pessoas não é certo.
Dá pra ENTENDER (não perdoar, não aceitar, não passar a mão na cabeça, apenas compreender) os motivos porque as pessoas DOENTES fazem isso. Elas não são normais, a cabeça delas não funciona direito. Mas e do seu irmão que forçou a barra com a namorada mesmo ela dizendo que não queria? E do seu amigo que ficou se gabando porque a guria tava tão bêbada que nem conseguiu "evitar"? As pessoas que vão pro trabalho, assistem tv, fazem faculdade, riem, choram, tem sentimentos, e mesmo assim acham que a indisponibilidade da outra pessoa a recusar, ou a força maior sobre esta pessoa, é motivo para abusa-las? O que pode ser feito pra que se mude esse pensamento escroto, já que parece tão difícil ter empatia? Eu acho que só oprimir, punir, linchar, não vai ajudar. Claro que quem cometeu o crime precisa de punição. De forma alguma esse BABACA que veio escrever essa confissão ridícula e que acha que a vida dele tá muito difícil e veio aqui reviver esse momento traumático para as vítimas, deveria ser perdoado e sair impune. Se as vítimas quiserem perdoa-lo, beleza, mas ainda precisa da punição. Mas como em todos os outros casos, precisamos saber e combater a raíz disso tudo.
Só que crime é crime, precisa ser punido. E senhor T, se você tá lendo: você é desprezível em vir aqui num lugar em que a vítima nem vai saber que foi você que escreveu o post, e só na metade vai entender que é pra elas, ou seja, nem vai escolher se quer ler ou não. Com certeza há maneiras mais maduras de lidar com essa situação.

Lígia

Kim disse...

Vá a policia se entregar e procure ajuda médica.
Sem tocar nas partes delicadas do post, é isso que eu acho que ele deve fazer.

Natalie Wood disse...

eu fui molestada quando criança, durante 3 anos.
mais tarde, ganhei dois irmãos bem mais novos, e cuidava deles praticamente o tempo todo, hoje (eles esão com 9 e 4 anos agora) dizem que tem duas mães, eu e a mãe mesmo.
eu tenho problemas do passado? claro que sim. algum dia molestei uma criança? (existem mulheres que tb abusam, pra quem não sabe). NUNCA... porque sou gente e tenho caráter.
estuprador não é gente, é monstro, tinha que ser morto da forma mais cruel, e feito de mocinha na cadeia muitas e muitas vezes antes. não merece perdão de ninguém... o diabo que carregue se aceitar, pq estuprador não tem lugar nem no inferno.

Anna disse...

Não acredito muito que ele tenha mudado. Porque não perdão pessoalmente? Não é a mim ou a Lola que ele tem que provar que mudou. Eu jà vivi esse terror e por mais que venham a pedir, chorar ou implorar não consigo perdoar. E a minha intimidade ferida? Minha nudez explorada? Meu choro? Quem sofreu mais? A maioria dos praticantes de tal barbarie justificam seus atos dizendo que também sofreu abuso sexual. Se toda mulher retribuir violência sexual com a mesma cruedade a maioria de nós mulheres estávamos de igual monstruosidade com os maniacos sexuais. Para mim nada justifica e perdoar é cedo demas o trauma é para sempre, inesquecível.

Anônimo disse...

Passeando pela internet lendo alguns artigos me deparo com esse.
Tenho 29 anos, e fui violentada sexualmente aos 6 anos por um primo(ironia) e aos 12 molestada por meu pai.
Por muitos anos sofri por causa disso. Aos 14 anos já me embriagava e aos 18 comecei a usar drogas ilícitas.
Sempre me culpei pelo ocorrido e demorou muitos anos para acordar daquele pesadelo.
Tive por anos uma vida promiscua, era iludida e alienada em minha dor.
Em minha família ninguém entendia meu comportamento, pois a vergonha de carregar aquele fardo era imenso.
Aos 20 anos resolvi me internar em uma clinica de reabilitação.
Já tinha uma filha de 4 anos e morria de medo que acontecesse o mesmo com ela.
Foi a duras penas que me reergui e aceitei que aquilo que me fizeram não foi culpa minha...foram anos de terapia, pesadelos e muita leitura.
Fui embora da minha cidade natal para fugir dos meus demônios e afastar minha filha daquela imundície.
Casei, tenho 2 filhas gêmeas e estou bem.
Hoje digo com franqueza que a pessoa que estupra é um ser fraco que se deixa levar pelo instinto animal.
Pessoa com deficiência em seu caráter, desprovida de empatia.
Perdoei meu pai há mais ou menos 5 anos e desde o ocorrido nunca mais vi o tal primo distante.
Perdoar, até onde sei significa "lembrar sem se magoar".
Perdoei pq toda vez q lembrava me doía a alma e a existência, pq percebi que como criança não era responsável pelo q eles sentiam muito menos pelo ato que praticaram, pq eles erraram, se deixaram levar pela fraqueza de seus instintos e não foram homens que honram seus papeis.
Claro que demorei mais de 20 anos para isso...foi um processo difícil e extremamente doloroso.
Hoje, minha filha mais velha tem 13 anos e desde os 5 sabe que existem homens maus q desejam namorar com crianças. Sempre a questionei e ainda questiono.
Acredito que se as mães agissem assim, talvez minimizaria esse tipo de atrocidade.
E tb não confio em ninguém...a gente perdoa mas não vira tapada neh...estupro é ser marcado a ferro na alma.
T. contei um pouquinho da minha historia para vc ter noção de como o estupro impacta na vida de uma criança.
Vc foi violentado e qndo se deparou com o monstro do “poder” se deixou levar...da mesma forma q vc se culpa por ter sido vitima, se culpa por vitimizar.
É difícil dar opinião levada pelo achismo, pois cada pessoa age de uma forma. Mas uma coisa que aprendi na vida é que existem varias formas de pedir perdão...e um bom psicólogo pode te auxiliar nisso e o tempo é excelente companheiro.
Desejo que tudo isso te acrescente como pessoa e que tudo se resolva da melhor forma possível tanto para vc como para sua irmã e primo. Que vcs saiam mais fortes desse drama...afinal o que não nos mata, nos deixa mais fortes.

Anônimo disse...

Gente que não entende a importância da segurança jurídica para uma nação tentando pagar de esperta na internet. Ainda bem que dei unfollow em 80% do meu facebook e só fiquei sabendo de comentários absurdos, de pessoas que parecem incapazes de fazer associações complexas, pela Raquel. Vocês, que não tomaram unfollow e não defenderam julgamentos à lá Inquisição e caça às bruxas, obrigado por provarem que eu não estava errado ao julgar que vocês são sensatos. Não é nenhuma honra isso a vocês, só quero agradecer. ^^ E, para ficar bem claro meu ponto: defender que ninguém seja condenado sem provas ou sem um julgamento justo não é o mesmo que defender um estuprador. Isto parece tão óbvio quanto a conta que fiz em relação à Inquisição: 9 milhões de mortos, 75% destes mulheres; ou seja, 6 milhões e 750 mil mulheres mortas durante a Inquisição. Associação tão complexa assim? Diretos humanos para humanos direitos é um argumento reaça SIM, e dos mais deletérios. Particularmente, acho que estupradores deveriam ser presos por tempo indeterminado : até que um psiquiatra julgue que aquele indivíduo não oferece mais riscos à sociedade. Quantos será que vão assumir essa responsabilidade, ainda mais se houver na legislação uma previsibilidade de culpa a quem a assumiu por qualquer ato cometido por aquele indivíduo, quando em liberdade? Todos os problemas relativos à cultura do estupro e a impunibilidade de estupradores são questões que precisam ser analisadas e medidas urgentes precisam ser tomadas: o que não é o mesmo que voltarmos alguns séculos no tempo. obs: mortes sem contar as da Guerra Santa.

Anônimo disse...

Arrependido!? Só digo uma coisa, fui estuprada na infância e tenho sequelas físicas e psicológicas dolorosas e que jamais poderei descrever a alguém pessoalmente e o pior é ter que ver meu agressor ano apos ano e ainda sorrir para ele. Lamento não querer que ele morra, mas adoraria ter tido coragem de denuncia-lo.
Não tenho palavras para descrever o senhor T.,mas juro que suas vitimas tem sequelas e ninguém que passa por uma experiência desse tipo pode dizer que sinceramente sofreu danos mínimos.

Anônimo disse...

T, fui abusada durante a infância. Por alguém tão próximo quanto você,entre outros "caronistas" da minha vulnerabilidade física e emocional.
Se por acaso vier a ler, T.,por favor saiba que você deu o primeiro passo. Dê outros.
Nunca ouvi arrependimento do "meu" abusador. Mas considero o perdão que pude o fato de vê-lo e não agredi-lo, muitas vezes ajudá-lo à distância, rezar por ele. Sou fraca, humana, e a lembrança ainda me dilacera às vezes, mas ela seria menos dolorosa se eu soubesse que ele entendeu o que fez e estivesse sinceramente empenhado em se modificar.
Não acredite que eles vão deduzir seu perdão. Peça e comece a atuar na direção contrária. Seja voluntário, dê de si, converse com Deus e decida de verdade nunca mais cair nesse erro de novo.Não fique apenas alimentando sua culpa, por favor.
Eu me sentiria melhor e conseguiria virar talvez a página se visse meu irmão agindo assim.

Lenita Minella disse...

Tristeza! Esse foi o meu sentimento diante do post. Tristeza pelas vitimas, que mais uma vez estão sendo culpadas, agora por não poderem ter a bondade suprema de perdoar.
Todos devem repensar seus atos e o arrependimento é uma parte desse processo. todos são humanos e devem possuir seus direitos fundamentais garantidos.
Mas nunca um agressor deve se achar no direito de pedir o perdão para as vitimas, elas precisam se sentir livres para dar ou NÃO esse perdão. Isso só mostra uma atitude arrogante e egoísta, de alguém que novamente se preocupa mais com os seus sentimentos ( remorso) do que os sentimentos de quem fez mal.
Admitiu o erro? Mude. E não espere que a vitima te absolva, faca do seu remorso o incentivo para te lembrar, todos os dias, a importância de ser um ser humano melhor.

Anônimo disse...

Nao sei o que dizer mas voce causo uma dor pra sua irma e seu primo se voce sentiu isso voce deveria cuida da sua irma se preocupa pra que ela nao passace o que voce passo ao invez de se o protetor o exemplo o irmao que tds querem ter e diz pros amigos 'esse e meu irmao' sua irma e seu primo talves perdoe ou nao mas pelo menos tenta mostra arrependimento e pedi perdao e seu pai obviamente nao valia nada porque se torno um mostro como ele so porque voce sofreu nao devia ter os feito sofre pessa perdao a eles e a deus que seu arrependimento seje sinsera boa sorte! Eu nao quero o mal de ninguem e sei como se sentiu e muito ruin ser machucada pela pessoa em que mas confiava!