quinta-feira, 22 de agosto de 2013

GUEST POST: ABUSADA PELO MEIO IRMÃO

A A. me mandou este relato em fevereiro. Na realidade, exatamente no mesmo dia que recebi este da D, com temática tão parecida.

Sei que existem muitos relatos de abuso no seu blog, não sei se deveria estar compartilhando isso, por te fazer perder tempo lendo isso.
Tenho 17 anos. Sou filha de um segundo casamento, e desde muito pequena fui abusada por um meio irmão, por parte de pai, que é apenas três anos mais velho do que eu. Até mesmo minha psicóloga não considerou um abuso. Pelo fato das idades serem próximas, ela julga como "brincadeira sexual" -- o que me deixou pior, porque eu nunca consenti nada e ele fez coisas sérias. 
Não me lembro de quando essas coisas não aconteciam. Mesmo ele sendo criança, me chantageava, dizia que o nosso pai ia ficar muito brabo comigo se soubesse, e eu me sentia suja e envergonhada. Ele ameaçava contar para todos. Cresci com medo e culpa por ser menina. Sozinha no meu quarto, eu brincava que era menino e às vezes ficava muito chateada por não ser. Imaginava que se fosse um, essas coisas não aconteceriam. E mais, imaginava que se eu fosse homem, eu protegeria minha irmã, como os meninos que via na TV.
Quando tive noção do que acontecia, por volta dos 8 anos, tive muito medo. Pode imaginar uma criança de 8 anos acordada a noite toda pensando em como fez algo errado? Eu pensava que era uma pessoa muito má, muito impura. Que angústia eu sentia!
Quando eu tinha dez anos nós fomos à praia, pai, mãe, irmãos. Ele me abusou enquanto meus pais dormiam à tarde. Aconteceu que depois ele teve de ir para cidade mais cedo. Então, no meio da noite (mais uma insônia por culpa) eu criei coragem e contei para meus pais. Minha mãe logo me afastou dele e tudo que nos ligava, exceto claro, meu pai, que é o homem que ela ama e convive conosco.
Anos se passaram, e chegou minha adolescência. Tenho quase 18 anos e só beijei um cara porque estava bêbada (ok, eu sei que não deveria ter bebido por ser menor de idade) e não tinha noção de nada. O cara tem 25 anos e me beijou quase desmaiada, por sorte ele não fez mais nada. O fato é que não consigo me aproximar de rapazes sem pensar que eles são cruéis, e que apenas querem transar comigo, ou que são legais e nunca vão prestar atenção em mim, com este corpo horrível ou sendo a pessoa sem graça e insegura que sou. 
Não vejo o sexo como algo bom e não sinto vontade ou curiosidade, sinto nojo. Também sofro de bipolaridade, há um tempo andei me cortando e fui levada ao psiquiatra e à psicóloga. Não sei se por causa do abuso da infância, espero que não, mas com ajuda do seu blog e dos tratamentos, hoje eu não me culpo por ser mulher e até gosto.
Há uns meses que eu consegui um emprego, mas não me dei bem. Estava no meu quarto, sozinha, chorando em silêncio, quando meu pai entrou. Todo compreensivo, ele perguntou o que foi. Eu disse que não era nada, afinal é meu primeiro emprego e eu não quis parecer preguiçosa, mas ele insistiu e então eu disse. Ele ficou muito, muito brabo e começou a me chamar de gorda, bunda mole, feia; no auge da conversa disse que eu deveria me suicidar. Disse que eu era uma pessoa horrível e mal agradecida. 
Lola, não consegui aguentar em silêncio e acabei jogando na cara dele o que o filho dele fez e que além de tudo largou os estudos, e eu nunca fui mal na escola. Nunca vi meu pai tão enfurecido, parece que eu o havia ofendido. Ele então falou uma frase que cortou meu coração, que me feriu demais: “Tu sabia o que tava fazendo. Não se faz de vítima, que tu não é!”
Minha mãe, que estava próxima, soltou um gritinho de susto pelo que ele disse e se calou. Ela não depende dele pra nada financeiramente, mas respeita a imagem do “homem da casa”, e não ousou me defender.
O que mais me machuca é o machismo do meu pai. Ele defende o filho homem e me culpa. Ele me olha com raiva, como se a culpa fosse minha que o filho dele foi afastado da nossa casa. Como se eu fosse uma oferecida com menos de oito anos de idade.
Eu sei que o rapaz, mesmo sendo mais velho, era criança na época e isso me consola um pouco. O que não me consola é meu pai o defendendo e não mostrando a ele que o que fez foi errado. Ele criou um abusador. Tenho medo que meu meio irmão faça isso com outras pessoas. Porque meu pai deixou a imagem de que é isso que um homem faz. A sociedade colocou na cabeça do meu pai que um homem defende outro. Que um homem “macho” abusa a própria irmã se ela “deixar”.
A sociedade machista fez minha mãe acreditar que não pode discordar do meu pai porque ele é homem. A sociedade colocou na cabeça da minha família que apenas eu sou problemática, porque nunca mandaram meu meio irmão a um psicólogo. Nunca tentaram conversar com ele, tratá-lo, fazer com que ele veja que fez coisas horríveis e que nunca deve fazer isso com ninguém. Não, ele é um homem normal e meu pai tem muito orgulho dele! 
Eu sou puta por ter sofrido abuso quando criança, e o meu abusador é um homem normal por ter me abusado ainda jovem. Mais um caso de "ele não sabe que me abusou".
O que me traumatizou, o que corrompeu minha infância, o que trouxe danos a minha vida, mais do que o próprio abusador, foi o meio que o criou, o incentivou e ainda ME culpou por isso!

Minha resposta: Que história horrível, A.! Consigo imaginar o tamanho da sua raiva. Acho que vc faz uma excelente análise da situação quando fala do machismo do seu pai, que vê o que seu meio irmão fez com vc como algo normal e saudável, mas te vê como culpada por ter permitido o abuso. É uma hipocrisia muito grande o que essa sociedade nos vende, né? Sexo como algo fantástico e essencial para os rapazes, e sujo e pecaminoso para as garotas. Se os rapazes não insistem em fazer sexo eles não são másculos, e se as garotas permitem, elas não são puras. Incrível que ainda exista gente com esta mentalidade hoje, em pleno século 21. 
Querida, uma das primeiras coisas que vc precisa fazer é mudar de psicóloga. Vc não tem dúvida de que o que aconteceu foi um abuso, e sua psicóloga quer te convencer que foi apenas uma brincadeira sexual? Como assim? A pequena diferença de idade entre vc e seu irmão sem dúvida é um atenuante, mas sua psicóloga tem que te fazer superar o abuso, não negá-lo. 
Pelo menos, quando vc se encheu de coragem e relatou o abuso aos seus pais, a sua mãe acreditou em vc e te separou do seu meio irmão. A gente cansa de ver casos em que os pais não acreditam, chamam a filha de mentirosa... Mas é mesmo chocante que seu meio irmão não faça terapia. É bem aquilo que a gente vive denunciando: ensine o cara a não estuprar, não a mulher a não ser estuprada. Seu meio irmão foi só um estuprador que aprendeu que tudo bem abusar da meia irmã durante anos a fio, e que, quando tudo foi descoberto, viu que não foi punido. É, terapia pra quê, nesse caso? Nem precisa! Argh. Vc tem razão. Com esse tipo de aprendizagem, é capaz que ele estupre novamente.
E não sei se vc pode ter uma conversa franca e direta com seu pai dizendo como a atitude e as palavras dele te machucam, ou se talvez vc precise da ajuda de uma psicóloga (uma que acredite no teu abuso, lógico) para intermediar esse diálogo. Mas acho que vcs precisam conversar, e seu pai tem que saber que ele está agindo de forma desumana, ainda mais com a própria filha.
Com sua mãe vc parece ter diálogo, então fale com ela. Se ela gritou ao ouvir as palavras duras e injustas do seu pai, ela está ciente da besteira que ele falou. Ela também vai ter que conversar com o seu pai. 
Espero que vc consiga se reconstruir.

33 comentários:

Tales Gubes disse...

Sei que não há espaço para ficar contente com essa história, mas fico um pouco aliviado de ler que os problemas da situação foram reconhecidos e com força: tu sabe que a psicóloga e que o pai estão errados e não está disposta a aceitar isso. Aos meus olhos, isso demonstra que tu tirou dessa situação horrível uma força para enxergar o mundo de forma mais nítida e para saber o que é um caminho que tu está disposta a percorrer.

Fica aqui o desejo de que tua vida se liberte dessas pressões e influências negativas. O passado a gente não apaga, mas se ele não ficar batendo na nossa porta todo dia (por meio de um olhar, por exemplo) a coisa toda já fica mais tranquila...

Anônimo disse...

Outro monstro.Se posso de dar um conselho, não pare de estudar e nem de trabalhar, ok, a primeira experência não deu certo, tente outra, ou outras, mas não fique sem uma atividade, ocupe sua mente, e mantenha seu irmão longe, bem longe, é um monstro, como o outro lá, se deixar chegar perto ele vai te lançar uma conversa fiada, dizer que foi vítima de abuso, etc cm o fim de manter o poder que tem sobre t, é assim que esse tipo de animal age.Logico, a sociedade violenta que temos permite a criação e desenvolvimento desses monstros, mas não se engane, ele é um bicho feroz que precisa ser afastado e segregado para não machucar outras pessoas, e se possível castrado para não abusar das filhas.

Anônimo disse...

Esses posts sobre abusos têm me deixado perturbada. Quando eu era pequena, eu e minha irmã fazíamos essas "brincadeiras sexuais" (até eu ter uns 10 anos de idade e ela uns 8, 9 anos). Acho que ninguém forçava nada, mas lembro que eu trazia mais a vontade de brincar do que ela (talvez por ser mais velha). Nenhuma de nós é lésbica, as duas são muito bem resolvidas em suas vidas sexuais e hoje somos melhores amigas, moramos juntas, conversamos muito, mas nunca falamos sobre isso. Mas tenho medo de por algum motivo ter traumatizado ela, não sei. Por isso fico perturbada com esses posts, me fizeram pensar nisso, que não passava pela minha cabeça há tempos... isso é incesto? Éramos crianças, não sei...

Anônimo disse...

Que maravilha!!! Até q enfim um post relatando as consequencias verdadeiras do abuso familiar.

Tava horrível aqueles estupradores arrependidos-perdoados mais falsos que uma nota de 15 reais.


Menina autora do post, Força, lute pq o q seu irmão fez e o babaca do seu pai tenta te culpar, NÃO DEFINE QUEM VC É !!!

VC É UMA GUERREIRA, É MELHOR E MAIOR DO QUE TUDO ISSO QUE TE FIZERAM.

Claudia disse...

Uma pergunta para os psicologos, se tiver algum por aqui: os ultimos guest posts sobre abusos por parte de familiares relataram que os psicologos encararam o fato como algo normal. E normal mesmo para a psicologia? Estas "brincadeiras sexuais" sao comuns entre irmaos?

patricia. disse...

Querida, mude de psicóloga.Jogos sexuais são quando crianças da mesma faixa etária participam JUNTAS, ou seja, nenhuma das duas está ali forçada e não costumam oferecer riscos a integridade física de nenhum dos envolvidos.
O que você sofreu foi abuso,sim! E sua psicóloga deveria estar te oferecendo suporte, ao contrário de minimizar o abuso sexual por conta da idade do seu irmão.

Concordo com o anonimo das 10:57.Ocupe sua mente, tente se envolver em outras atividades. Sofri de depressão e no meu caso ajudou bastante!

Anônimo disse...

Lola, sou assistente social num serviço de atendimento à crianças com transtornos de comportamento/conduta.O que a literatura fala e que vemos na prática é que crianças (pq o irmão da autora do guest post ainda era criança) ainda não tem a personalidade formada e por isso não devem ser rotulados como estupradores. Isso não quer dizer que a vítima tenha que deixar de considerar um abuso o que foi feito, até pq existem sim crianças que na mais tenra idade já mostram traços de psicopatia 9eu mesma já atendi crianças com vários indícios de psicopatias); mas o que chamo atenção é para termos uma noção crítica que esta criança de antigamente pode ter se transformado em um adulto não-abusador. Falo isso até pela questão da discussão da maioridade penal: muitas pessoas defendem que seja como em alguns estados dos EUA onde se uma criança de 06 anos cometer um crime ela vai pra cadeia como um adulto!!Caberá ao psicólogo saber trabalhar os traumas causados na infância em uma criança feita por outra criança...Ou seja: é muito peculiar!!

Anônimo disse...

Claudia não sou psicologa, sou assistente social, mas pelo q sei há diferenças. Crianças brincam de médico por exemplo, de papai-mamãe, de casinha, e com isso há a descoberta da sexualidade; também é muito comum um mostrar o orgão genital para o outro para ver as diferenças..Isso é considerado normal quando ambos tem o mesmo objetivo. é diferente quando um subjuga o outro á sua vontade, chantageia, ameaça, envolve algum tipo de violência.

patricia. disse...

Claudia, é normal a criança ter curiosidade sobre o seu corpo e o corpo do sexo oposto e muitas crianças chegam a 'experimentar' com coleguinhas durante a infância, mas são considerados jogos sexuais apenas o que é consentido entre as duas crianças, se uma das duas foi forçada ou sofreu algum tipo de coerção, até aonde eu sei, é considerado abuso,sim!

Sou estudante de psicologia e acho que alguém formado e com experiência na área de sexualidade na infância pode te responder bem melhor do que eu, mas espero ter ajudado:)

Esse matéria que saiu na Revista da Folha fala sobre sexualidade infantil(de uma forma bem geral e mais voltada para orientar os pais),talvez te esclareça algumas dúvidas: http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/sexualidadeinfantil1.html

Anônimo disse...

Nao entendi pq meu comentário (sobre eu e minha irmã) foi censurado.

Mariana silva disse...

É uma pena, no seu relato ainda se vê muita culpa, pelo tom que vc escreve... incrível como ensinam as mulheres a se culparem por tudo que acontece de mau.

Moça, te desejo tudo de bom... trate-se e veja a sua vida, é o bem mais precioso que temos... e não deixe seu pai te derrubar. Uma vez meu pai me disse coisas como "Você não é capaz" e etc, eu disse em tom de voz firme: não vou deixar que vc abale minha auto estima. É só a gente, por dentro, não deixar mesmo. Sei que parece dificil falar assim, ainda mais em se tratando de uma menina jovem como vc e mais suscetivel a opinião alheia, mas resista. Mesmo que fique triste, depois diga a si mesma que vc é sim capaz.

Anônimo disse...

Sabe o que me dá vontade quando leio esse e outros relatos de pessoas que ofendem, espancam, abusam das mulheres que vem aqui dar queixa? De descobrir onde é, juntar uma turma e fazer um "esculacho" na porta da casa dessas pessoas. Igual ao que estão fazendo com criminosos da Ditadura militar, que vão pra porta da casa da pessoa, fazem pichações tipo "Aqui mora um torturador" e levam um auto-falante pra contar pra todo mundo. Nesse caso, o do pai que ofendeu a filha e deu razão pro filho abusar dela, ir pra porta da casa dele e pichar "Aqui mora um homem cúmplice com o abuso sexual do filho". Queria ver a cara dele diante da reação dos vizinhos.

Anônimo disse...

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lola aronovich disse...

Anon das 12:07, vc tá falando sério, trollando, ou só sendo babaca mesmo? Quando vc diz "Até q enfim um post relatando as consequencias verdadeiras do abuso familiar", espero que vc saiba que está desqualificando outras formas de lidar com abusos. Isso é mostrar empatia pelas vítimas? Apenas as consequências mais comuns do abuso são verdadeiras? Tente pensar um pouco.
E "aqueles estupradores arrependidos" foram um só. E eu (e muita gente) acredito que o arrependimento dele não foi falso.
O pior é que vc repete o negócio de que o abuso que a pessoa sofre não define quem ela é... que é justamente o que tem sido dito em todos os outros posts.
Reflita, tente pensar um pouco fora da caixinha.

lola aronovich disse...

Anon, vc disse: "Nao entendi pq meu comentário (sobre eu e minha irmã) foi censurado".
Na realidade ele não foi censurado. Ele foi enviado diretamente pra caixa de spam (e não tenho a menor ideia porque o Blogspot faz isso com alguns comentários). Obrigada por avisar, assim posso ir à caixa de spam e liberar o comentário.

Renato K. Silva disse...

Concordo com os outros que comentaram, só queria te desejar muita força e felicidade, além de elogiar a consciência que já tem de tudo o que sofreu e sofre, localizando quem são os verdadeiros culpados.
Tudo de bom e mantenha-se firme e forte como demonstrou.
Ah, troque de psicóloga também, sei o mal que faz fazer terapia com quem não te ajuda a superar os problemas e traz mais ainda.

Sara disse...

A. sua história é terrível, a única coisa coisa boa é sua lucidez em perceber exatamente a situação em que vc se encontra, achei que a descrição que vc fez de todos os envolvidos em sua família foi muito justa, isso por si só, já pode te ajudar para que vc não se perca em sentimentos de culpa que não tem nenhuma razão de ser.
É revoltante quando vemos que esse tipo de situação se repete em muitas famílias, e pra mim o que vc esta passando é mais um fruto podre dessa sociedade patriarcal extremamente injusta com as mulheres.
É nessas horas A.que sinto toda a dimensão da necessidade que o feminismo faz em nossa sociedade, me desculpe se não concordo com o conselho da Lola, mas acho que seus pais e esse crápula do seu irmão machista já tomaram suas posições e pouco farão no sentido de te ajudar querida, é triste mas o único conselho a ser dado em ocasiões assim, é que vc tente se proteger dessa influência ruim que sua família tem te passado, se for dependente deles ainda, aproveite para estudar, se formar e sair o mais rápido possível dessas condições.
É revoltante demais as injustiças que vc esta sofrendo por parte deles, espero que conserve sua sanidade e saia desse meio o quanto antes.

Anônimo disse...

anon de 11:21,

Converse com ela sobre isso. Pergunte claramente, afinal vocês são melhores amigas.

Anônimo disse...

Incrível como tem profissional da área da saúde pra falar bobagem.

Descoberta sexual em condição de isonomia é bem diferente da situação relatada.

Sou super a favor de terapia, mas é por causa de profissionais ruins que muitas vezes a criatura acaba ficando pior ... que tristeza!

Nat Muniz disse...

"Até q enfim um post relatando as consequencias verdadeiras do abuso familiar" foi um comentário apenas MUITO INFELIZ.

Acho que as pessoas ficam tão angustiadas em ver outras formas possíveis de lidar com situações de abuso que ficam até aliviadas quando vêem um que é do jeito que 'acham que tem que ser'. Conforme a Lola disse, não existe forma correta de lidar/reagir a um abuso. E nem tem manual dos sentimentos que se tem em relação ao abusador.

Nat Muniz disse...

Bom.... Galera tá aí demandando uma relação saber/poder né...

Detesto jogar essa cartada do "saber". Mas de fato, minhas opiniões estão atravessadas por ele (este saber).

Sou psicóloga recém formada. Já trabalhei com casos de abuso infantil.

É difícil falar o que "a psicologia" acredita, pois a psicologia é bem heterogênea. Dentro da abordagem ético política na qual eu me apoio e dentro tmb das minhas vivências e discussões na área eu acredito que tem um peso muito grande para algo ser considerado como abuso, ele ser ENTENDIDO pelo sujeito que sofreu o abuso como abuso.

Me explico: se a autora do post fizesse exatamente as mesmas brincadeiras com o irmão, e isso não tivesse causado angústia/sofrimento e ela não compreendesse isso como um abuso, provavelmente não seria considerado um abuso.

Como ela vivenciou isso com angústia e culpa, sentindo-se pressionada (a GRANDE questão do consentimento) e VIVENCIOU a situação como um abuso. Daí falamos em abuso.

É importante dar valor a como cada pessoa vivenciou a situação.

Por isso que acontece algumas vezes de alguns abusos considerados "leves" terem um peso MUITO GRANDE para uma pessoa, e outros que nos parecem chocantes não repercutirem de forma muito traumática para outra pessoa.
É muito importante a significação que cada sujeito dá para o suas vivências. Por isso que não existe abuso, objetivamente falando, MAIOR do que outro. É tudo muito subjetivo.


Anônimo disse...

heloooooo, DONA LOLA, eu disse que era falso o ARREPENDIMENTO/PERDÃO não o seu post!!!




Agora não acreditar na mudança dos irmãos/pai daqueles posts é ser troll?É a minha opinião. Pq não pode ser respeitada assim como respeito a sua?

Por favor....

Anônimo disse...

Olha só, só pode postar quem está de acordo?

Não estou entendendo, não ofendi ninguém e nem fiz comentários nos posts passados. Só li e não concordei.

L. G. Alves disse...

A minha mãe é machista. Foi "criada" dentro de uma família machista. Nunca conseguiu sair disso. Eu nasci dentro desta sociedade machista e NUNCA tive educação em casa ou fora de casa (na escola, quero dizer) que ensinasse a pensar diferente. OK. Mas eu não precisei de toda uma educação para saber que haviam coisas erradas ali. Eu não concordava com elas. Eu me revoltei contra elas e me revolto. Eu discordo e até brigo. Então eu fico pensando nesta parte do post "A sociedade machista fez minha mãe acreditar que não pode discordar do meu pai porque ele é homem. " Não pode discordar porque a sociedade fez a cabeça dela? Ah, discordo, sabe? A sociedade tenta me influenciar todo o tempo, mas há momentos em que você PRECISA se manifestar e ESTE foi (defender a filha e dizer umas poucas e boas para este sujeito que se diz pai) um deles. Eu teria sambado na cara dele de salto 15. Olha, tenho uma mãe megera e desequilibrada, uma versão feminina deste tal "pai", portanto uma criatura que abre a boca para dizer este absurdo: "Ele ficou muito, muito brabo e começou a me chamar de gorda, bunda mole, feia; no auge da conversa disse que eu deveria me suicidar. Disse que eu era uma pessoa horrível e mal agradecida. " NÃO vale nada. Indigno de receber o nome de PAI.

Anônimo disse...

o pai dela é um verme,acho até q é pior q o irmão.
acho q nat muniz está certa,o que para uns é uma situação horrível para outros não é e no caso desse post com certeza foi terrível.

Julia disse...

OFF TOPIC

Lolaaaaa,
passou agora na novela das 9 uma mulher que provocou um aborto e faleceu no hospital. Uma das médicas disse "o aborto é uma das principais causas de morte de mulheres no Brasil. Das mulheres pobres, porque as ricas fazem em clínicas caríssimas".

E um médico religioso (muçulmano) que se recusou a atender a paciente foi punido e ouviu que um médico não pode se recusar a tentar salvar a vida de um paciente.

Essa novela é ruim pra caramba, mas parece que consertaram a merda que fizeram da outra vez.

Anônimo disse...

hj vi um caso de estupro na tv,o lixo do pai começou a seduzir a filha com 14 anos e dizendo q era tudo normal,pq eles eram parentes distantes??? ela morava com a mãe.
hj ela tem 17 e isso só foi descoberto pq a madrasta dela viu os 2 transando,expulsou ela de casa e ficou ameaçando a garota.
dai ela contou tudo para a irmã dela q denunciou a policia.

pai é parente distante onde???
a madrasta ao invés de ficar revoltada com o lixo,desconta na garota???
ela foi iludida pelo lixo mas será q n percebeu nada de errado até agora? será q ouvia das colegas q elas tb transavam com os pais,irmãos para continuar achando certo?pq se n fosse pelas ameaças da madrasta a coisa ia continuar.

Fabiana disse...

Gente,
Concordo com a Cláudia. Estou meio assustada com a quantidade de pessoas falando que seus piscólogos dizem que não foi abuso.

Existe alguma deliberação do conselho nacional de psicologia nesses casos?

Se não, não seria interessante a sociedade civil propor um posicionamento?

Acho muito perigoso o discurso desses profissionais!

Marina P disse...

Sou psicóloga e ando chocada com o que xs autores de guest pists têm falado sobre alguns de meus colegas de profissão por aqui! Eu já fui criança e tive algumas experiências com amigas, tomando banho de banheira. Todo mundo estava afim, ninguém ameaçou ninguém e era comum a gente (3 amigas) se juntar pra fazet nossa "brincadeira da banheira". Éramos vizinhas, dormíamos na casa umas das outras e nossa amizade era super saudável. Isso é relativamente comum, esse tipo de experiência. Brincar de médico, toques consensuais, etc. É experimentação, faz parte. Agora, isso é completamente diferente do que a autora do guest post relata. Fico péssima de pensar que os profissionais não estão conseguindo diferenciar uma coisa da outra. É como confundir estupro com relação sexual prazerosa, afetuosa e consensual entre um casal que está bem um com o outro. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!

Alguém falou que teve contato com a irmã. Isso é incesto sim, mas o fato de ser incesto não quer dizer que tenha sido abuso. Incesto é o termo que se usa para falar de contato sexual entre pessoas que têm parentesco, btanto por laço de sangue quanto por afinidade (pais adotivos e seus filhos, por exemplo). Algumas pessoas têm contato sexual incestuoso consentido durante a infância como forma de experimentação e outras mantém relações também na vida adulta. É um tabu. Como muitos abusos acontecem dentro das famílias muitas pessoas pensam que todo incesto é abuso, o que nao de verdade. Não dá pra analisar a situação sem ter dados ou sem te conhecer realmente, mas pelo qud você falou parece que era consensual e que você era somente a que buscava mais esse contato. Se está em dúvida, converse com sua irmã.

Anônimo disse...

Essa "psicóloga" deveria ter o registro profissional CASSADO. Não tem cabimento negar tamanha violência, mas fazê-lo no contexto de atendimento a vítima de uma estupro é criminoso!!!!

Apoio total ao ESCRACHO (Anon. 22/ago 14h29) ao progenitor: atit
ude dele caracteriza abuso psicológico. É um alívio saber da postura da mãe desde quando soube dos abusos.
Thata

Liana hc disse...

A. não desista de arrumar um emprego e de investir na sua educação. Independência financeira ajuda muito, e também te dá uma ocupação para a mente, você tem a possibilidade de crescer em outras áreas da sua vida, de conhecer novas pessoas, se distrair, ter projetos, fazer planos. Ficar dentro de casa remoendo as coisas não ajuda em nada. Você não pode mudar o passado, mas você pode decidir que rumo a sua vida vai tomar de hoje em diante. Esse poder você tem.

E procure um bom profissional. A terapia serve para te ajudar a lidar com esses problemas, e não para te causar novos. Vale muito a pena, você não precisa lidar com isso sozinha. Ter pessoas de confiança para desabafar é muito bom, alivia um pouco o peso. E abre caminho para que você tenha uma perspectiva mais positiva do seu presente.

Barbara O. disse...

Esta questão do estupro / abuso / brincadeira sexual merece uma postagem de uma psicóloga, Lola!

Elaine Pinto disse...

"Esta questão do estupro / abuso / brincadeira sexual merece uma postagem de uma psicóloga, Lola!"

Concordo! Já é a segunda postagem seguida sobre o assunto em que um profissional da área dá uma opinião controversa sobre uma situação de abuso (pra não dizer completamente equivocada mesmo). Seria legal uma análise de um/a profissional séria/o a respeito.