quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

GUEST POST: TARADO NO ÔNIBUS E O DESCASO DAS INSTITUIÇÕES

Não sei se vocês lembram, uns meses atrás, de dois blogs que foram amplamente denunciados (de um jeito meio errado, porque eles foram divulgados à exaustão -- tem que denunciar sem divulgar). Eles mostravam fotos e vídeos de caras que, além de bolinarem mulheres dentro de ônibus, filmavam e fotografavam o abuso.
O abuso de passageiras no transporte público é um enorme problema. É revoltante que alguém tenha que passar por isso. Em alguns países são reservados vagões de metrô para mulheres, assim como no Rio, que destina vagões de trem e metrô exclusivos nos horários de maior movimento. Mas, sem fiscalização, eles não funcionam, e qualquer um entra.
É ridículo que tenha que haver uma segregação desse tipo porque o machismo determina que o corpo da mulher é público. Uma mulher sozinha é vista como uma mulher disponível. Igualmente absurdo é que programas de TV considerem um pesadelo desses uma fonte de humor.
A G. me enviou este relato revoltante. Fiquei orgulhosa dela, porque ela fez o que muita gente deixa passar. Mas fica a pergunta: o que fazer?

Pego a mesma linha de ônibus três vezes por semana e, praticamente, atravesso a cidade dentro dele. O transporte público em São Paulo, como todos sabem, deixa muito a desejar e, mesmo no meio da tarde, horário em que costumo tomar o coletivo, ele segue cheio até o ponto final no terminal.
O caso é que, alguns dias atrás, presenciei uma situação horrível! 
No meio das pessoas, um homem ejaculou, sem pudor nenhum, na perna de uma moça que estava sentada ao meu lado! Isso mesmo, ele ejaculou! Não tenho palavras para descrever quão indignada fiquei. Tanto ela, como eu, não tivemos uma reação imediata. Na verdade, demoramos um pouco para entender o que havia acontecido; tempo suficiente para o tarado deixar o ônibus correndo e fugir. Na ocasião, ofereci-me para acompanhar a moça até a delegacia mais próxima e fazer uma queixa, mas ela estava muito transtornada e só queria voltar pra casa o mais rápido possível. Eu não insisti.
Lembro que fiquei muito mal no trabalho, pensei em ir até a delegacia sozinha, mas me faltaram forças. Acabei deixando a história de lado, um pouco por acreditar que nada mais poderia ser feito. Acontece que voltei a encontrar o mesmo maníaco no ônibus. Gelei e me arrependi muito de não ter feito nada. Eu estava sentada e ele parou do meu lado, com o casaco enrolado no braço, escondendo a mão, na altura da cintura, exatamente como na primeira vez que o vi. Foi terrível! Pensei em pegar o telefone e chamar a polícia, mas como iria ligar com o tarado tão próximo? Minha reação foi virar de lado, em direção a ele e encará-lo nos olhos, descaradamente. Ele percebeu que eu o havia reconhecido e desceu no ponto seguinte. Fiquei aliviada momentaneamente, mas sei que esse tarado deve ter pegado o ônibus seguinte e agredido outra mulher!
Para minha surpresa, eu não fui a única a reconhecê-lo. A senhora que estava sentada ao meu lado também se lembrou dele e me contou um episódio parecido, no qual ele ejaculava em uma menina que estava dormindo. Isso quer dizer que é uma violência frequente! Conversei com várias outras mulheres dentro do ônibus, descrevi-o fisicamente para que, a partir de então, todas ficassem mais atentas. Desci do ônibus com a certeza de que devia procurar ajuda e denunciá-lo. Eis que começa outra novela...
Por sugestão de uma das passageiras, liguei para o disque-denúncia (181), número que aparece gigante atrás de todos os ônibus municipais da cidade. Falei com a atendente, que antes mesmo de ouvir minha história, disse que não poderia fazer nada para me ajudar. Eu retruquei perguntando qual era, então, a utilidade do disque-denúncia. Segundo ela, serve para tráfico de drogas, pirataria, maus tratos contra animais, idosos, crianças... E violência contra a mulher? Não, para isso tem o 180, foi o que ela sugeriu.
180 é o telefone da Secretaria de Políticas para as Mulheres, que trata de violência doméstica. Bem, não custava tentar. 
De cara, também, a atendente desconversou e pediu para que eu acionasse a polícia civil, telefone 197. Tentei umas cinco vezes e todas as ligações caíram. Então, resolvi ligar para a prefeitura e falar com a SPTrans, liguei 156. A resposta foi: “Você tem que ligar é para a polícia militar, tirar uma foto do suspeito e fazer boletim de ocorrência”.
Lola, socorro! Que burocracia absurda é essa? É por isso que milhares e milhares de maníacos continuam se aproveitando de nós! O caminho da justiça é tortuosíssimo, me sinto completamente só e desprotegida, de mãos atadas mesmo.
No ônibus, as mulheres falaram que eu devia ter gritado, pedido para o motorista fechar as portas e chamado bastante atenção para que o depravado tomasse uma surra dos outros homens do coletivo e, assim, aprendesse a lição. Já me sugeriram que carregasse minha própria “arma”, no caso um canivete suíço. Medo de São Paulo e da violência em que a cidade está submersa. Será mesmo que justiça só com as próprias mãos? Claro que não, não acredito nisso.
No dia seguinte, ainda passei numa delegacia de polícia militar, e ouvi algo do tipo: "Mas nesse ônibus não tinha nenhum homem, não? Para dar uma sova nesse maluco!?". E nem pediram informações da linha ou do suspeito, agiram como se nada mais pudesse ser feito. Vou ter que passar pelo constrangimento de encontrar com o tarado mais uma vez a caminho do trabalho e fotografá-lo para ligar para a polícia.
O que mais me incomoda é o descaso dos órgãos públicos. É tudo muito devagar e, no fundo, todos só querem empurrar o problema para a instituição vizinha. Será que não há mesmo uma solução para um problema que nos atormenta com tanta frequência?

186 comentários:

Anônimo disse...

Eu sou a favor de que existam ônibus, vagões de metrô e trem, exclusivos para mulheres, e antes que homens venham com o mimimi, existem banheiros separados entre homens e mulheres não ? porque não não trasportes coletivos, já que a presença de homens nestes ambientes incomodam bastante a nos mulheres.

Lorena.

Lívia Pinheiro disse...

Gente, é muito linda e muito digna essa história de não querer fazer justiça com as próprias mãos. Sem ironias. Mas diante da situação apresentada, o que é melhor? Deixar esse estrupício continuar fazendo isso ou fazer a única coisa que a situação permite que pode ensinar-lhe uma lição - uma boa coça? E antes de me xingar, pense com força que vc será a próxima que poderia não ter sido. Quando a justiça simplesmente não funciona, existem somente duas opções: ser omisso ou tomar uma providência que DEVERIA ter sido tomada pelas autoridades. Sabendo que o troço vai se repetir, eu acho a primeira opção indiscutivelmente mais nojenta que a segunda.

Anônimo disse...

Eu amo o feminismo, mas tem alguns dicursos que eu não engulo, como por exemplo o de " devemos ensinar os homens a não abusar"
Vamos acordar, eles não vão aprender nada, a maioria abusa mesmo, o foco do feminismo deve ser na emancipação e questões da mulher.

Sou a favor sim de trasporte publico separado entre homens e mulheres,acho que esta e sim uma luta feminista, assim como sou favorável a outros espaços exclusivos para mulheres, devido ao incomodo que a presença de homens me causa, e que eu vejo que causa a maioria das mulheres também, mas isto não vem ao caso agora.

Anônimo disse...

O que deve haver, são leis mais firmes nas questões de defesa da mulher.

Fabiola disse...

Que horrível, olha quando a justiça nos abandona, o que nos resta é agir por nossa conta mesmo. Minha amiga me contou um relato que acho que também vale aqui.

Ela estava no ônibus e em uma parada entraram 3 adolescentes de uma escola, 2 meninos e uma menina, e um cara mais velho. Como não havia lugar p sentar todos ficaram em pé. E uma senhora pegou a mochila da garota para segurar.
A minha amiga notou que o homem que entrou ficava encarando muito a menina, que era muito bonita. Em um momento o cara foi para o fundo do ônibus, mas antes ele parou na menina e relou nela, sério, de pau duro ele relou na bunda da menina, que coitada, sem ação apenas travou toda. Minha amiga, que tbm é feminista, olhou aquilo indignada, ela falou que esperou uns 5 seg p ver se mais alguém tinha vista, mas ninguém sem manifestou então ela soltou um "FILHA DA PUTA!!!!". Todos olharam assustado, mas o cara não sacou que era com ele, e ela gritou de novo " FILHA DA PUTA VOCÊ AÌ". O cara já veio todo folgando, "é comigo é?" e ela começou a xingar ele, e o que o cara respondeu: "isso é falta de homem...vai cuidar da sua vida". Típico! Minha amiga, lindamente retrucou: "Se homem que vc se refere é nojento e criminoso igual a você então prefiro ficar sem mesmo." Nesse momento o motorista parou o ônibus e foi ver a confusão, e minha amiga soltou um "esse cara estava estuprando uma adolescente aqui, isso é atentando ao pudor". O motorista falou com o cara que ou ele descia ou iam todos p a delegacia. O Cara falou que desceria, mas virou para a minha amiga e disse: "sua desgraçada vadia" e ela novamente dando um show: "Sou desgraçada mesmo, vou desgraçar com a sua vida!!"
No ônibus todos olhavam p ela assustados, la foi até a menina e falou que ela precisava gritar quando isso acontecesse, que ela tinha de aprender que mais homens virão e que ela tem de defender, e que seja arrumando barraco, pq só somos ouvidas quando gritamos. A menina toda chorando agradeceu. Assim ficou um climão até ela descer, mas uma senhora falou com ela "Parabéns! Você fez o que é certo!" e o Motorista tbm falou "Que bom que existe pessoas assim".
Apesar da ação da minha amiga,casos de homens assim são muito comuns. Acho que tem de agir no grito mesmo, fazer barraco, todos esperam que nos calemos, mas não dá mais p fingir que a violência não existe.

Anônimo disse...

Eu não consigo ser a favor da segregação. Me parece forma de emendo, não de resolução. Acho que a longo prazo, só piora.

Precisava, mesmo, é que o sistema de justiça não ignorasse completamente esse tipo de crime.

Mariana disse...

Quando eu acho que o mundo não poderia ficar pior, ele vai e me dá um tapa na cara com esse tipo de história.

Mas pior que não é de hoje, nunca foi. Minha avó tem 83 anos. Ela foi enfermeira na sua juventude e pegava ônibus todos os dias para chegar ao hospital e ela conta que, naquela época, cerca de 1950, ela e uma colega chegavam no hospital muitas vezes com o uniforme sujo desse tipo de abuso. Nada elas podiam fazer porque nem viam quem fazia isso.
Um dia, diz minha avó, a amiga dela se revoltou e ficou o caminho todo mais atenta que o usual e quando notou um cara com o pênis de fora, passou o canivete no peru dele. Diz ela que o motorista disse "bem feito" pro tarado, largaram ele numa rua qualquer e seguiram viagem.

Camila Ueno disse...

Acho absurdo não podermos contar com ninguém. Da primeira vez, devido ao constrangimento ou por ter sido pega de surpresa, até podemos ficar caladas, mas acredito que fazer um escândalo é válido. Uma vez quando eu era adolescente, um velho asqueroso começou a se esfregar em mim. Não tive dúvidas: dei-lhe uma cotovelada e falei alto ' saia daqui '. Ele ficou sem ação. Não esperava que a menininha pudesse fazer aquilo. Saiu meio cambaleante e desceu no próximo ponto. Se ninguém nos defende, temos que arrumar meios de fazermos por nós mesmas.

Lígia disse...

Nossa, mas Lorena, os banheiros são separados pra preservar a privacidade de quem usa. No ônibus, ou no metrô, pessoas civilizadas estarão simplesmente sentadas umas do lado da outra, vestidos, indo trabalhar, passear etc.

Me parece o mesmo raciocínio de quem é a favor do porte de armas. Se há violência, que cada um tenha uma arma pra se proteger. Se há homens que se acham no direito de fazer o que quiser dentro de um ônibus, que se separem os homens das mulheres.

Não seria melhor se não houvesse violência? Se não houvesse esse tipo de abuso dentro dos homens.

Não consigo ser tão pessimista em relação à humanidade a ponto de achar que homens e mulheres não consigam dividir o mesmo espaço de maneira pacífica.

Claro que entendo a existência de vagões separados, como há no Rio, pois existe o abuso e é preciso dar alguma proteção às mulheres. Mas essa deve ser a exceção, um paliativo. Na minha opinião, isso não deve ser algo institucionalizado e generalizado.

lola aronovich disse...

Concordo plenamente com vc, Fabiola. Tem que fazer barraco. E nessas horas precisa haver companheirismo entre as mulheres. Todas passamos por isso, pô! O pior a fazer é se calar. A gente sabe que é perigoso falar, que muitos desses caras podem reagir violentamente. Mas tá simplesmente muito fácil pra eles. Quer dizer que é só descer do ônibus, pegar um outro ônibus, e começar tudo de novo com outra mulher?
E não só no transporte público. Sentou um cara ao seu lado e começou a se masturbar no cinema? (o que é super comum). Levante-se e grite. Grite bem alto: tem um cara se masturbando aqui do meu lado! Na maior parte das vezes eles são grandes covardes, e vão embora rapidinho.
E hoje em dia que tanta gente tem celular com câmera, tire fotos, grave. Não podemos nos deixar intimidar!

aiaiai disse...

G, Lola e comentaristas: tem que fazer barulho! G, por favor, coloque aqui nos comentários qual é a linha e o horário para que a SPTrans tenha alguma informação para começar a fazer algo. E, todos os demais, vamos usar tuiter e FB para divulgar isso.

Fazer justiça com as próprias mãos é horrível. A violência só vai servir para nos igualar ao abusador.
Segregar ônibus é um absurdo, pessoas. Como assim? O que nós queremos é igualdade, não segregação. Né?

Anônimo disse...

A igualdade so estará presente quando o estado e a sociedade equiparar os desiguais. Mulheres por ter menos força fisica que os homens, deveria ser autorizadas a andar com splay de pimenta e armas de choque, e até a ter porte de arma, as que teriam o devido treinamento logico .

Lígia disse...

Ah, e deixa eu contar uma história...

Morei um ano em Washington DC, entre 2009 e 2010...

Uma vez, andando de metrô, coisa que eu sempre fazia, eu estava de pé, num vagão bem cheio, de frente para a janela. Vi pelo reflexo do vidro que o homem ao meu lado estava com o pau de fora, e passando a mão nele.

Não tive coragem de olhar diretamente, vi só pelo reflexo mesmo, e tive a impressão de só eu tinha visto aquilo.

Me afastei e fiquei observando pra ver se ele não vinha pra perto de mim, mas de novo, sem olhar diretamente.

Eu fiquei chocada e, por muito tempo, achei que era coisa da minha imaginação. Sabe, é mais fácil você achar que viu coisas do que acreditar que isso acontece dentro de um vagão lotado do metrô (e olha que nem dá pra dizer "só no Brasil mesmo"... eu estava na capital dos Estados Unidos!).

Mas, conforme o tempo foi passando, fui tendo certeza de que realmente aconteceu.

E sabe, eu que me considero feminista, desprovida de pudor no que se refere ao sexo e à sexualidade, não consegui reagir. Fiquei ali, com vergonha, como se eu a errada fosse eu por ter visto que o pau do cara estava pra fora, e não ele por estar com o pau de fora.

Anônimo disse...

Não seria melhor se não houvesse violência? Se não houvesse esse tipo de abuso dentro dos homens.
-
Sim seria lindo, mas você confia nisto ? e o que vemos com frequência, ou vemos abusos e mais abusos por parte deles ? sinto muito mas eu não acredito mais na " boa vontade dos homens" devemos nos posicionarmos contra os abusos e a violência contra nos, de forma firme, e não com fantasias românticas, eu também gostaria que houvesse empatia neles, mas não há, equem peca por omissão, peca duas vezes.

Lorena.

Anônimo disse...

O que eu vejo como regra nos homens, e que eles abusam quando veem a oportunidade, são poucos os que tem nível de humanidade e empatia suficiente para enxergar na mulher outro ser humano.

Lígia disse...

Lola, me dá sua opinião sobre uma coisa (outras opiniões são bem vindas também).

Eu e meu namorado somos professores particulares de Inglês.

Recebi a indicação de duas alunas que queriam fazer aula, mas o horário delas não batia com o meu. Passei o contato do meu namorado, porque sabia que aquele horário ele podia.

Mas elas agradeceram a indicação, e disseram que preferem ter aula com mulher.

Não questiono o direito delas. Preferem mulher, ok, tomara que encontrem uma boa professora.

Mas não sei, fiquei pensando sobre a coisa toda, e não sei o que pensar, que opinião ter sobre o assunto.

Eram apenas aulas de Inglês. Ele dá aula para várias mulheres, assim como eu dou aula para vários homens.

Sei lá.

Lígia disse...

Lorena, não precisa simplesmente contar com a boa vontade do ser humano.

Olha a via crucis pela qual a autora do post teve que passar e ainda assim não conseguiu fazer a denúncia.

Talvez um sistema mais ágil de denúncia, por exemplo, não seria bastante eficiente para coibir a violência do que simplesmente separar todos os homens de todas as mulheres?

Anônimo disse...

Meu vocês usam a palavra segregação com muita facilidade, segregação seria se um gênero fosse a pé, e outro tivesse direito ao trasporte, o que não e o caso, mas sim eles terem os espaço deles ,e nos o nosso, qual o problema nisto ?

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Mais um exemplo de descaso de violência contra a mulher. A sociedade e nós mesmas não somos preparadas pra lidar com isso, a maioria das pessoas é criada com esse pensamento de que se um cara te assediou é porque você provocou, estava vestida de um jeito provocante, no máximo reduzem a situação dizendo que o cara que fez é um doente, um tarado, uma rara exceção, como se fossem pouquíssimos a fazer.
Já passei por situações parecidas, já vi amigas minhas passarem e, somos tão despreparadas, que na maioria das vezes ficamos perplexas e não fazemos nada.
Se você é assaltada ou tem um carro batido, você sabe o que tem que fazer, te orientam e estimulam a denunciar, quem tá perto pára pra ajudar. Vêem como mais grave mexer na propriedade privada de alguém do que no próprio corpo feminino.
Aliás, cheguei a ler nos comentários de um outro post um babaca dizendo que uma vez uma mulher passou a mão na bunda dele e ele não ficou de mimimi com essa história de "o corpo é meu" e que ele até achou engraçado e querendo que as mulheres também ajam assim diante de uma violência estúpida e frequente. Muitos querem que a gente veja violência sexual, como algo que acontece mesmo, que tem que ser relevado, levado na brincadeira.
Não podemos nos calar, mas é duro quando parece que há quase uma pressão geral pra que nada seja feito.

Anônimo disse...

Desculpem a indignação, mas o abuso masculino e regra, não exceção, vamos encarar os fatos, antes que nos, uma filha ou pessoa querida nossa sofre este trauma.

Marcela disse...

Quando eu tinha uns 20 anos, um cara também se masturbou do meu lado no ônibus. Ele colocou uma pasta entre o meu banco e o dele e começou a se masturbar. Eu fiquei catatônica, era muito bobinha. Se fosse hoje, eu teria dado um escândalo!
Também já vi uma moça falar com o motorista, descer do ônibus e chamar um policial que estava numa viatura. Ela e o policial entraram no ônibus e ela falou, bem alto: "É ESSE AÍ! Esse tarado estava mostrando o pau pra mim!". Nossa, o cara começou a falar que ela era maluca, xingou, e o policial o tirou do ônibus. A moça foi muito sagaz!
Infelizmente, Lola, conheço muitos casos parecidos. É muito triste e revoltante.

Julia disse...

Já aconteceu comigo quando eu tinha 15 anos. Eu fazia curso normal, o uniforme é bem tradicional aqui no RJ e um puta fetiche masculino.

O ônibus que eu voltava pra casa era sempre super lotado e eu mal passava dos degraus da porta. Nessa situação um filho da puta ADULTO começou a roçar em mim e eu senti que ele estava com uma ereção. Senti um nojo enorme, mas sempre fui muito tímida e não sabia o que fazer.

A única coisa que me ocorreu no momento foi tentar me esquivar e já tava quase sentando em cima do motor do ônibus. O imbecil do cara ria e olhava pra minha cara como se me desafiasse a falar, mas eu fiquei com muito medo da reação de todos (principalmente de acharem que a culpa era minha por estar de saia e tal).

Resultado: consegui sair do ônibus no meu ponto e fiquei me sentindo um lixo. Quando finalmente cheguei em casa e liguei pra minha mãe estava aos prantos.

É a pior sensação que se pode ter na vida de ser usada dessa forma. Não tive dúvidas quando aconteceu outras vezes na vida de gritar bem alto e acabar com a palhaçada.

É bem como a Lola disse: esses caras são muito covardes. Se vc fizer escândalo eles param. Mas quem prepara a gente pra ter esse tipo de reação, né? Ainda mais quando vc é adolescente e insegura! :/

Tales Gubes disse...

Discordo que separar (ônibus, metrôs etc) seja uma solução adequada. Acredito muito nessa proposta do "se ver algo, fale algo". Ao meu ver, é assim que as coisas se tornam realidade: através da visibilidade. Não conseguiu ser ouvida nos órgãos públicos? Liga pro jornal. Joga nas redes sociais. Parece-me que ação só acontece quando as pessoas que têm poder de ação estão contra a parede.

Ana Cristina Oliveira disse...

o pior é que mesmo que você filme ou tire fotos e leve na delegacia, os pm's, policia civil e afins não vão fazer nada. No máximo eles vão preencher um b.o. é falar pra vc um monte de abobrinha...

Se vc realmente fizer o vídeo divulgue-o em todos os canais possíveis.

Apesar que eu acho que um caro desses devia apanhar feio no busão... aliais se todo cara que faz uma merda dessa sofresse uma agressão, todo dia teríamos casos de caras que foram agredidos em busão, por mulheres (que é melhor ainda), ai, quem sabe, talvez rolasse alguma atitude da justiça brasileira pra nós proteger melhor.

Não sou muito a favor da violência não, mas, nesses casos parece que é a única solução...

Marina P disse...

Off topic:

Lola, você já leu o livro "Eu nem imaginava que era estupro", da Robin Warshaw? Eu nunca tinha ouvido falar nele mas encontrei em uma ponta de estoque e comprei. Fala muito sobre todos esses estupros que muitas vezes não são considerados estupros nem pelo agressor e nem pela vítima. è mesmo muito bom e há relatos de diversos casos. Você quer uma cópia? Posso enviar!

june_miller disse...

Já percebeu quando Lola conta casos como esse o mascu desaparece rapidinho? Quero ver algum deles falar que existem "falsas denúnicias" porque: eles sabem que isso existe aos montes, casos como esses são raramente denunciados e se são, é mais difícil ainda acontecer algo com o criminosos.

Anônimo disse...

Eu e meu namorado somos professores particulares de Inglês.

"Recebi a indicação de duas alunas que queriam fazer aula, mas o horário delas não batia com o meu. Passei o contato do meu namorado, porque sabia que aquele horário ele podia.

Mas elas agradeceram a indicação, e disseram que preferem ter aula com mulher"
-
Depois de todos estes casos de abusos, você acha que elas estão erradas ? sinto muito mas nenhum homem e de confiança, eu não deixaria uma filha minha ter aulas particulares com homem nenhum.

Vocês viram o caso de um padre que abusava de duas irmãs menores no Rio ? Pois o pai das meninas ao descobrir, ficou mais preocupado em extorquir dinheiro do tal padre, e não em denunciar e cessar com os abusos.
Da para confiar ?

lola aronovich disse...

Marina P, já ouvi falar da Robin Warshaw, mas nunca li nada dela. Claro que me interessa! Se vc pudesse me enviar uma cópia, eu ia adorar. Me manda um emil?


Ligia, se uma empresa decidisse contratar um professor de um determinado sexo, poderia ser visto como discriminação. Mas com aluno particular, acho que é visto como preferência. Eu já dei muita aula particular de inglês, e imagino que um ou outro aluno já tenha deixado de ter aula comigo porque preferia uma professora mais jovem, mais bonita, mais magra, com sotaque britânico em vez de americano, ou que preferia ter aula com um professor.
Agora, se essas meninas preferiram ter aula com uma mulher por medo de ter um professor abusador, é péssimo, mas acontece. Eu discordo das comentaristas dizendo que homens assim são regra e não exceção. Acho que a maior parte dos homens não é assim (mas vai uma distância enorme de pensar que só um ou outro é assim, que é só um pervertido individual, como se o sistema não criasse esses caras). Tem que confiar. Imagina, eu ficaria revoltada se uma menina não quisesse ter aula de xadrez com o Silvo por ele ser homem. Mas infelizmente muitos homens fazem coisas erradas e isso faz com que homens (numa rua escura à noite, por exemplo) passem a ser suspeitos. É como uma experiência que fizeram numa universidade americana. Era sobre grosserias na rua. O estudo mostrou que, pras mulheres, um cara que faz isso queima o filme dos homens em geral.

Carolina disse...

Gente, sei que não tem nada a ver com o post, mas estão chovendo comentários ignorantes e preconceituosos no G1, numa matéria sobre um menino de 6 anos que se identifica como menina. Tentei responder alguns, mas tá impossível :(

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/02/pais-de-menino-de-6-anos-que-se-ve-como-menina-denunciam-escola.html

Luiza disse...

Ao contrário de algumas opiniões aqui, a presença de homens não me causa incômodo ou nojo ou sei lá o quê. Tampouco acho que abusadores são a regra, não a exceção.

Só que eu sou adepta do minha-mão-fez-contato-com-o-seu-queixo/nariz. Ou, como diria minha avozinha, quem faz o que quer...
Veio com sacanagem pra cima de mim, vai ter sorte se sair com todos os dentes.

Uma vez, a única que aconteceu comigo, eu entrei no metrô e todos os acentos estavam ocupados, mas não tinha ninguém em pé, eu fui a primeira. Atrás de mim entraram dois caras. Um sentou no reservado, do lado que eu estava em pé, e o outro, ao invés de ficar de frente pro amigo, ficou atrás de mim. E eu só de olho. Se encontasse em mim, o cara iria levar uma pra nunca esquecer.

Eu andei muito tempo de metrô em São Paulo em horário de pico, e nunca me aconteceu nada. Adoto a estratégia de entrar e olhar nos olhos de quem estiver em volta - geralmente todo mundo olha quem entra, mesmo. Olho nos olhos e estou sempre de cara fechada e alerta.

Nunca tenham medo de reagir. Dificilmente um covarde desses vai levantar a mão pra te agredir depois de ser acusado em alto e bom som.
E agora, falando por mim e APENAS por mim, mesmo que apanhasse. Eu bateria também, e muito. Antes um roxo por alguns dias do que minha dignidade perdida.

SeekingWisdom disse...

Olá Lola e pessoal,
sempre quando o assunto envolve compartilhamento do espaço público o discurso separatista ferve na caixa de comentários, incomoda-me bastante.

Em um post mais antigo em que falou de violência choveram relatos de invasões, abusos e estupro - muitos deles em transportes públicos. É revoltante que esse crime seja tão comum e tão raramente punido pelos órgãos públicos. Eu entendo a medida de algumas cidades com os vagões exclusivos, mas isso corresponde a um paleativo mais maléfico que benéfico. Se queremos que as pessoas aprendam a viver em sociedade com respeito mútuo a segregação é um veneno, pois aumenta o preconceito e a hostilidade entre os grupos.

Além disso, aparentemente poucos aqui estão atentos a um importante paralelo: homens também são abusados (geralmente por outros homens, apesar de haver exceções). Ou seja, separar resolveria parte do problema. Parte porque não estamos vulneráveis apenas no transporte coletivo e parte porque a integridade física de outras pessoas ainda está ameaçada.

Segurança pública funciona assim, já perceberam? Eu segrego a cidade, regiões ricas e pobres por vários mecanismos. As regiões ricas são dotadas de patrulha comunitária, seguranças particulares com guaritas nas ruas e, algo que me enfurece, até ruas (em tese públicas) fechadas para outsiders. Olhando um pouco mais para o comportamento íntimo, as pessoas trancam suas casas, constróem muros impenetráveis ao olhar dos gananciosos (mas permissivo ao olhar das câmeras mecânicas que captam intrusos audaciosos), usam carros blindados.

O paradigma desse comportamento é que ele restringe a própria liberdade de quem fez tudo por segurança. E ainda temos uma política do terror para fomentar o desejo por esses ítens de encarceramento privado.

Quer dizer: que merda de mundinho é esse?

Outro fator importante é que há algumas medidas importantes em termos de estruturação dos espaços públicos que poderia inibir esse tipo de violência. A superlotação de metros e ônibus é degradante, por exemplo. Ainda que não houvessem abusos (e eles tendem a aumentar com a lotação) é estressante e indignante você ficar comprimido contra as pessoas com dificuldade para se apoiar em qualquer coisa. E acho que campanhas educativas tem seu valor. Somente com educação podemos mudar a cultura de opressão.

E parabéns a todxs que se erguem diante de uma situação dessas! Acho que é outra atitude importante para coibir a violência.
Por fim queria reforçar a importância de valorizar o espaço público pois somente quando a sociedade o reconhece é que ele pode ser estruturado para melhor atendê-la. Vamos pensar em medidas menos egoístas para fazer a diferença realmente.
Abraços,
Phillipe.

Lígia disse...

Obrigada, Lola!

Realmente, existem diversos motivos para elas não quererem ter aula com homem.

Já ouvi de vários alunos coisas como "ah, professor homem é mais desencanado" ou "professora mulher é mais certinha"... É óbvio que isso é baseado no estereótipo mas, enfim, cada um tem o direito de escolher.

Interessante a idéia do "queimar o filme", mas concordo com você, é péssimo que elas tenham medo que um professor homem vá ser um abusador.

Pensei também em alguma questão religiosa ou social, como, sei lá, não pegar bem ficarem duas meninas sozinhas em casa com um homem...

Enfim, são coisinhas que fazem a gente pensar.

Lola, você é uma fofa, obrigada pela sua pronta resposta!

Maria Izabel Ribeiro disse...

Que nojo desse cara e desses malditos homens que praticam esse tipo de ação! O pior de tudo é que ficam impunes! Como se fosse uma situação normal... e é isso que acaba acontecendo, vira uma situação rotineira onde se é comum explorar/desrespeitar sexualmente nós mulheres!

Mayara disse...

Assim como a Julia, eu também fiz o curso normal. Tive que usar o uniforme tradicional, que como ela mesma disse, é um fetiche para os homens, pelo menos aqui no Rj.

Uma vez, voltando da escola com as minhas amigas, um garoto levantou a minha saia! Nossa, eu fiquei muito sem graça, todas as minhas amigas riram, eu acabei rindo também, mas eu tinha ficado muito constrangida... Ele não tinha o direito de fazer aquilo, eu hein!


Renato disse...

se as mulheres pudessem portar armas livrement essas coisas não aconteceriam, mas o pessoal da esquerda insiste em confiar no estado pra tudo. tá aí o que acontece

Anna D disse...

Não sei o que anda acontecendo por aqui ultimamente, mas a maioria dos comentadores anônimos parecem trolls disfarçados de feministas. Meu, onde já se viu que separar homens e mulheres em diferentes vagões é a solução para o abuso sexual que acontece em transportes coletivos. Educação e mudanças culturais sim podem surtir efeitos, mas são questões a longo prazo. Separação de gênero no vagão é uma medida de rapidez, e pode ser adotada em situações e locais em que é urgente a resolução desse problema. BANHEIRO é diferente de ÔNIBUS e METRO, considerando-se o que você faz lá também. Outra coisa absurda também é dizer que mulher é fisicamente mais fraca que o homem, e por isso deveríamos andar armadas. Faz favor né! Ter que andar armadx já é um absurdo por si só, querer autorizar essa prática a um determinado gênero me parece bastante sexista. O que deve ser combatido é a violência, que nesse caso vem de encontro a toda uma formação cultural de que a mulher é domínio público. Não acho que deve se autorizar armamentos por proteção, mas armas brancas podem ser muito úteis e aconselháveis a nós mulheres, que estamos mais suscetíveis à violência sexual.

Por último, queria relatar um caso que aconteceu comigo muito parecido. Moro em uma cidade e faço curso em outra aqui perto, cerca de uma hora de viagem com o ônibus metropolitano. Uma manhã peguei esse ônibus e fui renovar minha matrícula. Estava com minha mãe, ela sentada na janela e eu no corredor. Estávamos distraídas, conversando, quando um homem se aproximou e começou a fazer pressão no meu ombro. No começo não percebi nada estranho, achei que ele estava apenas passando e, como estava com bolsa ou mala, acabou encostando em mim sem querer. Mas aquilo começou a me incomodar, porque a pressão não cessava e resolvi olhar para ele. Percebi que a pressão que estava sentindo era do pênis dele sobre mim, dentro das causas, mas ainda numa espécie de masturbação. No momento que eu olhei ele se afastou. Minha primeira reação foi me retrair, ter medo, reação esta compartilhada pela minha mãe, que se encolheu e parou de falar. Depois, eu que já havia visto os blogs nojentos de abuso em transportes coletivos e ajudado a denunciá-los, pensei que deveria fazer alguma coisa, resistir. Esperei então, pois tinha quase certeza que ele voltaria a se esfregar em mim. E passou alguns instantes ele voltou a mesma posição anterior. Nesse momento falei bem alto "Moço!" e ele nada, mas se afastou, mas eu continuei a lhe chamar (quase gritando) até que se virasse, sem olhar para minha cara, e disse "por favor, pare de se esfregar em mim". Ele não esboçou reação alguma, mas pelo menos se manteve afastado. Todas as pessoas em volta estavam prestando atenção, mas não demostraram nenhuma reação. Não sei o que teria acontecido se ele começasse a me xingar, mas eu estava preparada. Acho que fazer um escândalo é mesmo a melhor solução nesses casos, apesar de que acredito que poucas pessoas apoiariam a vítima.

Renata disse...

Ai gente vocês feministas não aprendem, como assim, já ir chamando o cara de tarado, no máximo ele é "suspeito de taradisse". Onde está o direito de defesa, a presunção de inocência, o contraditório. Quem disse que a menina não provocou, hein, hein? E se ele tem uma coceira insuportável no pau, ou se tem ejaculação espontânea na perna dos outros, como saber?? POdia ser seu pai, seu tio, seu irmão e vocês ai acusando o pobre coitadinho.

E claro, imagina gritar no ónibus, pedir para o motorista fechar as portas. Idade média isso aqui agora?? Cada o direito de ir e vir? Realmente vocês me decepcionam.

E claro vai fazer B.O. (melhor não filmar porque o "suspeito" ainda pode te processar por uso indevido de imagem, e se ele for rico bem capaz de ganhar) e espera (sentada em cadeira bem confortável) a justiça fazer alguma coisa.

Pronto, mascus e legalistas, já livrei o trabalho de vocês.

Aninha disse...

Não acho a ideia de segregação de ônibus positiva.

Pensa bem - você é mulher, tá no ponto e o ônibus que precisa não passa de jeito nenhum. Aí você entra no primeiro que passar, que não é segregado e sofre um abuso.

Dirão: também, quem mandou ir para um veículo não segregado? Tem mesmo é que sofrer...

Que é o que acontece no Rio... se mulher sofre abuso no vagão comum, tem que ouvir dessas, como se fosse culpada.

Luiza disse...

"se as mulheres pudessem portar armas livrement essas coisas não aconteceriam..."

Ninguém tem que portar arma livremente.

Eu sou, sim, a favor do porte. Mas, com um grande MAS aqui, com bons testes psicológicos e muito treino prático. Gente andando por aí com arma a torto e a direito não ajuda nada. A infeliz pode mirar no tarado e acertar em mim. Yay. Não.

Carol disse...

Gente, acabo de ter uma ideia de como uma mulher que passe por uma situação assim, pode tirar uma foto do cara sem ele perceber! Não sei se na prática dará certo, mas não custa tentar!

1- Pegue o seu celular como se fosse atender uma ligação ou ligar para alguém.

2- Discretamente abra o recurso da câmera/filmadora.

3- Coloque o celular no ouvido (se mantendo na mesma altura que o cara) e comece uma conversa falsa do tipo "Alô, mãe, tô chegando daqui a 15 minutos".

4- Cuidado para não cobrir a lente da câmera com o dedo.

Ele não vai se esquivar ou fugir se não perceber a sua real intenção. Com a foto/filmagem dele em mãos vai ser bem mais fácil fazer a denúncia :)

Habib disse...

Interessante que, como sempre, a culpa é do patriarcado... que sequer existe. E a prova disso é que se qualquer homem tivesse presenciado a cena, teria partido pra porrada com o infeliz, mesmo que a vítima da ejaculação alheia nem fosse sua conhecida.

A burocracia que a "mulher" enfrenta é a mesma que QUALQUER PESSOA que teve o celular roubado ou a carteira batida por um pivete enfrenta. Não é exclusividade de vocês.

O esperma que jogaram, pode lavar quando chegar em casa. Mas e a carteira com todos os documentos e cartões? Alguém já parou pra pensar nisso? Senso de prioridades, alguém?

Até em casos de assalto à mão ARMADA (que eu acho que deve ser mais grave do que atentado ao pudor, mas só acho!) existe burocracia e descaso, e vocês reclamando porque "não vão pegar um cara que se masturbou no bonde".

E querem culpar o patriarcado que não existe.

Assim como a cultura de estupro que não existe. Pelo menos, não no Brasil, onde estupradores são odiados até mesmo pelos seus colegas prisionais.

E é por isso que o feminismo já perdeu. Porque luta contra o que não existe. Podem pegar o tarado do bonde, porque vão ter mais 2 na semana que vem pra fazer isso com as nossas mulheres, filhas etc. Enquanto vocês não entenderem que OS HOMENS NÃO SÃO OS CULPADOS, vai ficar nessa.

Girassol disse...

Ela tinha que ter feito um escandalo quando viu essa coisa nojenta! armar barraco mesmo

lola aronovich disse...

Ok, gente, prometo que é a última vez que publico um comentário do mascutroll esfiha, o Habib. Mas esse eu não podia deixar passar.
Renata, vc até que fez um bom trabalho resumindo o que os machistas vão dizer no caso, mas vc não tem a criatividade de um Habib (nem eu tenho!). Sério, aposto como vc não pensou no "Um cara ejaculou na sua perna? Grande coisa! É só lavar! É pra isso que serve água e sabão! Muito pior é ter o celular roubado (exclusividade dos homens)!"

Moema L disse...

Isso é revoltante.

Para que serve os números de denuncia se quando precisamos ninguém pode fazer nada?

As vezes eu queria ser mais corajosa, sei lá, queria em um momento como o que você passou gritar na frente de todo mundo, pedir ao motorista que trancasse as portas e fosse até a delegacia, mas tenho quase certeza que simplesmente não faria, eu nem sei porque, medo talvez.

Minha mãe passou por uma situação semelhante só que a uns 20 anos atras (para você ver, parece que as coisas não mudam)ela disse que ficou tão assustada que desceu do ônibus. O tarado ficou e ela morrendo de medo foi embora.

Me aperta o coração pensar que eu posso vir a passar por isso e o medo me congelar.

Eu sei que é bobo pensar que alem do medo da violência, eu tenho medo de sentir medo.

parabéns pela sua atitude,você se esforçou ao máximo para que algo pudesse ser feito.

Anônimo disse...


Aninha disse...
Não acho a ideia de segregação de ônibus positiva.

Pensa bem - você é mulher, tá no ponto e o ônibus que precisa não passa de jeito nenhum. Aí você entra no primeiro que passar, que não é segregado e sofre um abuso.

Dirão: também, quem mandou ir para um veículo não segregado? Tem mesmo é que sofrer...

Que é o que acontece no Rio... se mulher sofre abuso no vagão comum, tem que ouvir dessas, como se fosse culpada.

28 de fevereiro de 2013 13:21
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Pontos de parada separados resolveriam isto, simples de resolver.

Vini disse...

Será mesmo que vagões/ônibus exclusivos para mulheres é uma solução? Sou homem, e já fui abusado! Em ônibus, banheiro público (!), metrô... as histórias se repetem.
O medo que nos toma ao sentirmos um homem se esfregando em você, ou se achar na liberdade de exibir seu membro simplesmente porque você é gay, ter medo de usar mictórios afim de evitar o abuso...

Moema L disse...

Habib você é otário assim mesmo ou esta se esforçando mais hoje?

Serio mesmo que você acha que alguém ejacular na perna de outra pessoa dentro de um ônibus é igual ao roubo de um celular/carteira? Com a diferença que é só lavar e não existe prejuízo? É isso mesmo?

Se a cultura do estupro não existisse quem sabe você não achasse tão insignificante o que esse cara fez.

Sinceramente o ser humano me surpreendi e não é no bom sentido.

Mayara disse...

Agora eu entendo porque a Lola aprova alguns comentários dos macus! É pra gente poder rir! hahaahahha

Habib, vc é ridículo! ¬_¬


Anônimo disse...

Bora ejacular na perna do Habib!

SeekingWisdom disse...

Ai Lola, ia te perguntar agora porque ainda permitia esse boçal dar pitaco aqui! Respondi a última palhaçada dele dizendo que deveríamos protestar contra o exame de virgindade - já que ele não é prova absoluta de que houve sexo. Pois é gente! Estamos perdendo nosso tempo protestando enquanto os cidadãos de bem ficam à mercê da irresponsabilidade do Estado.

<3 Renaaata <3; ri demaaaais com o suspeito de taradice.

Ah, mas quem falou aí da foto está dando uma arma muito poderosa para essas mulheres vingativas. O que não vai ter de homem honrado sendo acusado de taradice no busão com foto e tudo não é brincadeira, essas meninas más!

Vamos ficar felizes gente. O patriarcado já acabou (ou a ilusão feminista sobre ele) e já podemos voltar pros nossos respectivos lugares naturais: moças pra cozinha e moços pras minas de carvão!

Phillipe.

André disse...

Quem atende esses 18X da vida são as mesmas pessoas que nos atendem quando ligamos para a NET, TIM, etc. Interessante que a resposta padrão seja perguntar se não tinha outros homens no ônibus para dar uma surra no safado.

Vivi disse...

Também acho que devemos tentar reagir sim, me emociona estes relatos de mulheres que xingam, esculacham estes nojentos.
Entretanto, devemos ter em mente que só isso não basta, e tb sabermos que -dependendo da circunstância- isso não é viável.
Eu entenderia que algumas mulheres sentiriam medo (e se só tiver vc e o cara no ônibus? e se vc for muito pequena e novinha e o cara um grandalhão? e se o cara te ameaçar? e se vc tiver que descer do ônibus numa rua vazia depois de xingar o cara? etc etc).
É complicado, pois em uma sociedade onde se mata por 7 reais (o caso de restaurante de Santos) nem sempre a atitude ideal leva a solução do problema.
A tática de entrar no lugar, já olhar fixamente para os homens com cara de brava eu faço sempre. Pode, talvez, prevenir e deixar claro que estamos de olho nestes nojentos.
Bjos

Bruno S disse...

Quanto mais leio histórias assim, mais tenho certeza que boa parte da saída estará em constranger o cara, chamando atenção aos demais presentes. Registrar e divulgar o agressor também ajuda a evitar reincidência.

Acredito que o cara que comete esse tipo de abuso, o faz na certeza de passar despercebido dos demais e de deixar a vítima constrangida demais para reclamar.

Acredito que boa parte da imobilidade das pessoas (vítimas, testemunhas, poder público) com tais agressões acontece porque o ato acaba sendo visto mais como uma atitude inconveniente do que como um abuso criminoso.

Vejo a reação (com o devido cuidado para não se expor a maiores agressões) como uma forma de intimidar o abusador. Ninguém quer ser visto como o "tarado do ônibus".

lola aronovich disse...

Phillipe, vc não está a par das últimas pesquisas. Segundo o Instituto Mascu As Vozes Me Disseram, não é que o patriarcado não existe mais. ELE NUNCA EXISTIU. Tudo invenção das feminazi.

E o Habib já escreveu mais 4 ou 5 comentários...

Lord Anderson disse...

Habib


"qualquer homem tivesse presenciado a cena, teria partido pra porrada com o infeliz, mesmo que a vítima da ejaculação alheia nem fosse sua conhecida."

bem foi um homem que fez o abuso, foi um homem que montou um site para divulgar a gravação, foram muitos homens que mandaram a gravação e visitaram o site, então desconfio, só desconfio, que sua afirmação esta errada.

"Podem pegar o tarado do bonde, porque vão ter mais 2 na semana que vem pra fazer isso com as nossas mulheres, filhas etc. Enquanto vocês não entenderem que OS HOMENS NÃO SÃO OS CULPADOS, vai ficar nessa."

ué, mas se os homens não são culpados, se o patriarcado não existe, como tem certeza que vão surgir mais dois abusadores?

e se não existe cultura de estupro, pq pessoas como vc sempre estão dispostas a minimizar violencia sexual contra as mulheres?

pq acha que não tem nada demais um homem jogar esperma numa mulher que não conhece num espaço publico?

e se não existe machismo oq ele canalhas como esse a sentirem-se no direito de tratarem mulheres como objetos dessa maneira?

ichigo hime disse...

"E querem culpar o patriarcado que não existe.

Assim como a cultura de estupro que não existe. Pelo menos, não no Brasil"

Habib, go home, you're drunk.

Priscila disse...

Pois é, Lorena. Bora segregar homens e mulheres no transporte coletivo.

Porque, né, andar de ônibus é IGUALZINHO a fazer xixi, né mesmo?

Não dá pra fazer xixi sem abaixar as calças, do mesmo modo como, evidentemente, não se pode entrar e sair de um ônibus sem fazer o mesmo. Óbvio.

Se tem banheiro separado, qual o problema de ter vagões separados no metrô, filas separadas no banco, um muro separando as áreas feminina e masculina em todas as praias brasileiras, não é mesmo? De preferência proibir mulheres e homens de andar do mesmo lado da calçada, aí sim fica perfeito!!!

Sério, você é um gênio.

Só que não.

Vanessa disse...

Gente, sou mulher e óbvio q já teve homem esfregando ereção em mim dentro do ônibus e do metrô.

Agora para e raciocina: Quantos não fizeram isso? Todas as vezes que você andou de ônibus todos os homens fizeram isso?

Não?

Bom, então colocar todos os homens como tarados em potencial é o que? Preconceito.

Óbvio que o fato de que uma situação dessas é absolutamente terrível, a gente se sente mal, estamos sendo agredidas. Quanto à isso não há discussão.

Agora coloca esse pensamento assim: Você foi assaltada por um rapaz negro. Portanto todos os negros devem ser mantidos separados de você? Não. Isso é preconceito e não é pelo fato dele ser negro, é pelo fato de que você está assumindo que todas as pessoas com as mesmas características são assim.

Se nós lutamos por uma sociedade igualitária, temos que ter a noção de que essas situações são causadas pela atual sociedade de opressão. Enquanto as mulheres forem objetos que servem ao prazer alheio, bom, seremos objetos que servem ao prazer alheio na rua, no ônibus, na fazenda ou numa casinha de sapê.

Renata disse...

Nossa Lola, lamentável da minha parte ter esquecido a parte do "lavou, tá limpo". Tem também aquela outra lol

Perséfone Tenou disse...

Li seu post, assim como alguns outros q me chegam através de compartilhamentos de amigas no facebook, e preciso dizer para a moça que relatou esta coisa horrível. Infelizmente, se não fizermos escândalo, botarmos a boca no trombone, segurarmos o pervertido e mantermos ele preso no lugar tempo suficiente para fazê-lo aprender a lição, isso nunca chegará ao fim. Quem deveria nos proteger está atado a burocracia de tal forma que jamais poderia nos socorrer, por isso eu digo que sim, façamos "justiça com as próprias mãos", não em um nível de morte, mas apenas de fazê-lo passar por humilhação semelhante a qual todas essas mulheres passaram. até hoje nunca sofri com nenhum tipo de assédio, mas acredito que se passasse por uma situação dessas, não me conteria, gritaria e faria um escândalo tamanho que todos a minha volta veriam e o pervertido seria desmascarado.

Frank disse...

Eu acho que leis mais firmes, aplicadas, e com suas aplicações divulgadas na mídia já começaria a resolver MUITO esse problema.

Não sou a favor de vagão separado, se for usar a mesma lógica do banheiro, vai ter que ser tudo separado, acho extremo.

Não se deve criar espaços segregados só pq uma parte da população se comporta de maneira abusiva, essa parte deve ter a devida punição.

Mas assim, até aí sou homem, não sei exatamente o quão séria é essa situação

Renata disse...

Tem também aquela outra "ah, vocês feministas querem me convenver de que as mulheres tem o mesmo apetite sexual do homem, se fosse eu no busão e uma gostosa tocasse uma siririca pra mim, me sentiria lisonjeado" lol

Patty Kirsche disse...

O que acontece é que o abuso sexual no transporte público é violência contra mulheres, logo, recebe o mesmo descaso que qualquer outra. Ora, se em caso de estupro, a vítima é sempre responsabilizada, é claro que nesse tipo de abuso acontece a mesma coisa. Só que se um bando de gente resolvesse encher esse cara de porrada, apareceria um monte de gente pra dizer que os direitos dele não tinham sido respeitados. Mas não vou negar que dá vontade de fazer justiça com as próprias mãos se ninguém se importa. Eu já vi gente dizendo dentro do metrô que a vítima estava gostando do tarado se esfregando nela. Não dá pra esperar ajuda.

Anônimo disse...

O comentário do Habib ganhou prêmio de mais imbecil do mês. Parabéns!
Eu ri (de verdade) achei muito engraçado...

Anônimo disse...

Habib, muito obrigada pelo seu comentário.

Se eu passar por uma situação de abuso como a retratada no texto e fraquejar em tomar uma atitude drástica, vou lembrar do que você escreveu.

Se o cara sair SÓ capado vai sair no lucro.

selena disse...

que nojo! ja q as autoridades n querem fazer nada,da proxima vez tem q fazer um escândalo para esse lixo levar uma surra mesmo.

pedro disse...

esses tarados são assim pq as mulheres estão cada vez mais promiscuas.

certo dia ,eu estava sentado no onibus e um cara deu uma encoxada na mulher e ela ao invés de se afastar ficou se esfregando no pau dele,até q o cara gozou na saia dela.
ai a vagaba saiu rapidinho do onibus parecendo(fingindo estar) envergonhada.

Rob disse...

Vish!Brasil virando Afeganistão.

lola aronovich disse...

Só tô publicando o comentário deste pequeno mentecapto, o Pedro, porque ele comprova exatamente o que a Renata previu no seu hilário comentário. Vidente vc, né, Renata? Pedro, fico na torcida para que vc também seja encoxado por um barbudão num ônibus. E, se ele ejacular na sua perna, não tem problema. Podia ser muito pior: ele podia roubar sua carteira. Mas se alguém te roubar é só porque as vítimas de ladrões estão cada vez mais desatentas.
Vc é asqueroso, Pedro.

Anônimo disse...

só um adendo... o mesmo ocorreria com qualquer outra violência não física... pode ser um xingamento, ameaça, etc...

Lola, o que vc acha dessa notícia (http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/02/28/pais-denunciam-escola-por-proibir-filho-transgenero-de-usar-banheiro-das-meninas.htm) eu realmente não sei o que pensar.....

Anônimo disse...

Esqueça o humorístico da globo, o presidente "prático" do brasil são os robertos marinhos.

Anônimo disse...

"O que eu vejo como regra nos homens, e que eles abusam quando veem a oportunidade, são poucos os que tem nível de humanidade e empatia suficiente para enxergar na mulher outro ser humano."

Não, isso é exceção, não a regra. Você acha mesmo que metade da população comete crimes sempre que vê oportunidade?

Ronaldo disse...

Priscila, teu comentário tá PERFEITO!

Moço Ocupado disse...

Uma das minhas fantasias de um mundo diferente é um no qual qualquer pessoa passando por essas situações em transporte público e outras situações de aglomeração, imediatamente reune toda sua força e raiva e dá uma joelhada no saco do indivíduo, daquelas de quebrar os ovos do sujeito e destruir o funcionamento do órgão.
Se tiver um pouco de treino, como o mané vai dobrar ao receber a joelhada, já manda um gancho no queixo para ele desmaiar e facilitar o trabalho de apreensão do meliante pelas autoridades (in)competentes.

Assim, o culpado sofre punição imediata e proporcional e a vítima se sente aliviada e talvez até aumente sua auto-estima com o grande aplauso que receberá das pessoas ao redor.

Liz Portugal disse...

Gente e isso é mesmo uma porcaria, já estive em situação parecida no ônibus da firma em que eu trabalhava, o cara se sentou do meu lado, com uma blusa no colo e ficou tentando me tocar sem que ninguém percebesse e o pior foi que, depois de eu acusá-lo, ninguém me apoiou, acharam que eu estava acusando em falso, que o colega de trabalho deles não faria isso.

Obs.: Li o comentário do habbid e achei que ele estava sendo irônico. Sério isso?

Hugo disse...

"Gente, é muito linda e muito digna essa história de não querer fazer justiça com as próprias mãos. Sem ironias. Mas diante da situação apresentada, o que é melhor? Deixar esse estrupício continuar fazendo isso ou fazer a única coisa que a situação permite que pode ensinar-lhe uma lição - uma boa coça? E antes de me xingar, pense com força que vc será a próxima que poderia não ter sido. Quando a justiça simplesmente não funciona, existem somente duas opções: ser omisso ou tomar uma providência que DEVERIA ter sido tomada pelas autoridades. Sabendo que o troço vai se repetir, eu acho a primeira opção indiscutivelmente mais nojenta que a segunda."

Lindo, tomara que alguma das suas frases vire um lema do próximo linchamento público.

Você deveria entender que muitas vezes essa "justiça com as próprias mãos" vai bem além de uma surra.

Caroles disse...

É bem triste, mas eu, por exemplo, tenho muito medo de falar quando coisas assim acontecem, comigo ou com outras pessoas. E o meu medo é bobo: tenho medo de ser xingada. Já vi mulheres reagirem a esse tipo de coisa e serem humilhadas, e eu não tenho disposição nem saúde mental pra isso. Acabo aceitando calada, mesmo sabendo que é a coisa errada a se fazer :/

Anônimo disse...

Lola, na boa, voce poderia parar de publicar os comentarios do Habib? Ele é profano, nao merecia ter lugar aqui não!

ODIAVEL! VC É ODIAVEL HABIB! Seu nojento!

Anônimo disse...

"se as mulheres pudessem portar armas livrement essas coisas não aconteceriam..."

Ninguém tem que portar arma livremente.

Eu sou, sim, a favor do porte. Mas, com um grande MAS aqui, com bons testes psicológicos e muito treino prático. Gente andando por aí com arma a torto e a direito não ajuda nada. A infeliz pode mirar no tarado e acertar em mim. Yay. Não.
--------------------------------------
Ou a infeliz pode mirar em você. Tem muita mulher criminosa por aí também. Porte de arma tem que ser rigidamente controlado mesmo.

Anônimo disse...

Lola, penso em um meio termo LEGAL entre o selvagem "fazer justiça com as próprias mãos" e o ineficaz "comunicar as autoridades".

Dispõe o artigo 301 do Código de Processo penal que "Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito".


Ou seja, o pessoal do busão poderia pegar o meliante sim, mas não para dar uma sova como alguns sugeriram (inclusive a omissa polícia). Mas sim para prende-lo. Prendendo-o, deve-se chamar a policia, que não poderá se recusar a conduzi-lo a Delegacia e lavrar a ocorrência. É bom também chamar um advogado para garantir que as autoridades façam seu trabalho.

Pode dar trabalho, mas é eficaz. E é claro que para isso é preciso gente disposta a confrontar e enfrentar o criminoso, bem como se limitar a prende-lo, sem violentá-lo. Pois daí virariam justiceiros. E justiceiros são igualmente criminosos.

Rafa L.

Anônimo disse...


Meu vocês usam a palavra segregação com muita facilidade, segregação seria se um gênero fosse a pé, e outro tivesse direito ao trasporte, o que não e o caso, mas sim eles terem os espaço deles ,e nos o nosso, qual o problema nisto ?


Estados Unidos e Africa do Sul segregaaram tambem, negros e brancos tinham seu proprio espaço. O que acha de colocar bebedores separados tambem?

GLStoque disse...

Adorei a história do policial perguntar se não tinha homem nesse ônibus. kkk! Hilário!

Não sei se sou eu, mas as pessoas acham mesmo que homens são heróis, né? Que homens defendem as mulheres. Que homens acham errado bater em mulher e acreditam na história de que em mulher não se bate nem como uma rosa. Que homens são seres superpoderosos que só por serem homens, sabem brigar e bater em qualquer um. Que homens são sempre fortes e destemidos. Que homens não tem medo. Que homens são tudo de tudo.

Onde essas pessoas viram esses homens? Novamente, não sei se sou eu, mas costumo ver muito mais mulheres brigando pelas coisas do que homens. Porque no geral, ninguém briga. E homem não precisa brigar porque as pessoas costumam respeita. Então, quem tem que brigar é mulher. E quem eu mais vejo brigar são elas.

Mesmo que besta, a pergunta do policial deveria ser, não havia outras mulheres no vagão? Porque elas se solidarializariam (correto?) ou pelo menos com uma probabilidade maior.

Nunca gostei dessa coisa de: queria ver se fosse um homem? ...chama fulano para ele. Se cicrano estivesse lá para me defender... e essas coisas.

Nunca vi homem herói.
Nem meu pai.

Anônimo disse...

Absurdo ver que as autoridades dão tão pouca importância para casos como esse! Já tive amigas que sofreram com casos parecidos, é realmente nojento e repugnante.

R.B. disse...

Anônimo Anônimo disse...

Bora ejacular na perna do Habib!

28 de fevereiro de 2013 14:03

kkkkkkkkkk eu ri alto!! Uma vez um cara pos a mão na minha mão, eu etsva descendo do ônibus, tinha doze anos, e o chamei de tarado... ele riu e nunca mais o vi, graças a Deus, porque eu sempre pegava o ônibus no mesmo horário, vai que ele volta e faz coisa pior né?
Acho que tem que ter alguma reação sim, nem que seja olhar feio pro cara, pra ele perceber que vc não aprova aquilo, pq se denuncia depois, tem muitos que dizem ah, ela nao falou nada porque tava gostando, enfim... tem que ter reação.

Sara disse...

Esse post é só mais entro outros vários aqui na Lola que demonstram o quanto nossas autoridades estão preocupadas com a violência q sofremos cotidianamente, NADA...
Me desculpem mas tenho chegado a conclusão q devemos procurar outros mecanismos de nos defender dessa violência toda, eu ja encontrei o meu, pelo menos para a que me afligia, (pena q não posso publica-lo rrssss)e não foi ir na delegacia denunciar.
Ou gritamos e fazemos escandalo, ou levamos canivete como a avó da
Mariana e por ai vai, pq nossa justiça e nossas autoridades tão se lichando pelo jeito...

Anônimo disse...

Essa sugestão de legalizar porte de armas para mulheres é um bom argumento para usar contra os caras que não cansam de repetir que homens são mais fortes e mais agressivos por causa da testosterona, que o homem é o predador e a mulher a presa e bla bla bla. Afinal, eles mesmos justificam o argumento. E gente, esse papo de que TODO homem é um monstro sem empatia... menos né

Ana disse...

Coincidência incrível, assisti hoje mesmo ao filme Cairo 678, que trata, dentre diversos outros temas, de assédios sexuais perpetrados contra mulheres dentro do transporte público e nas ruas, e do descaso das autoridades e da população em geral quanto ao assunto.
Resumindo bem preguiçosamente, a solução encontrada por uma das protagonistas para se proteger foi andar com um canivete e machucar o órgão dos caras que a assediavam no ônibus. Uma lesão leve, mas que certamente os deixava assustados.
Achei muito interessante a reflexão de uma outra protagonista, ao dizer que ferir os agressores não é correto, porque as torna tão agressoras quanto eles.
Concordo com ela, mas também acredito que, enquanto estivermos jogadas à própria sorte, é o que nos resta fazer. Um spray de pimenta (ou de gengibre) me parece a melhor solução), pois pode inclusive ser usado a uma certa distância. Canivete requer treinamento, e se o agressor conseguir desarmar a vítima destreinada, pode inclusive usá-lo contra ela.

Enfim, assistam!

Henrique Freitas disse...

Pego ônibus direto e nunca vi nada disso acontecer. O pior é pensar que pode ter acontecido no ônibus que eu estava e a vítima, por medo, não se manifestou.

Concordo com todas que disseram que tem que fazer escândalo mesmo. Tarados são o tipo mais covarde de homem que existe, eles só praticam agressões contra mulheres porque julgam elas frágeis e medrosas. A partir do momento que uma mulher reage, eles já se sentem acuados. Se tiver homem por perto então aí que eles fogem mesmo.

Só de pensar que minha irmã e minha namorada podem um dia sofrer esse tipo de agressão, já dá raiva.

Anônimo disse...

Existe um monte de material pornográfico focado nisso (assediar garotas em transportes públicos), principalmente do Japão, estranhamente (país onde várias linhas de metrô tem vagões específicos para mulheres, teria essa medida na verdade aumentado o interesse por esse tipo de coisa?).

Anônimo disse...

Impressionante como as pessoas tem um discurso mas na hora que lhes doi rasgam no ato.O Feminismo é contra ou a favor de discriminação baseada em genero ?
se for contra discriminação baseada em genero deve ser contra vagões reservados a determinado sexo.

E tenho dito.

Daktaklakpak disse...

"Sal, cal, e alho
caiam no teu maldito caralho. Amém.
O fogo de Sodoma e de Gomorra
em cinza te reduzam essa porra. Amém
Tudo em fogo arda,
Tu, e teus filhos, e o Capitão da Guarda."

-Singelo poema de Gregório de Matos.

SeekingWisdom disse...


Renato disse...

"se as mulheres pudessem portar armas livrement essas coisas não aconteceriam, mas o pessoal da esquerda insiste em confiar no estado pra tudo. tá aí o que acontece"

Gente anotem aí, estamos fazendo tudo errado, o negócio é cada um ter uma arma e viver pelo pacto da não agressão sabe? Sem Estado para atazanar a vida da gente enriquecendo com nossos impostos.
Estamos todxs erradxs esse tempo todo e não havíamos percebido! Não precisamos do feminismo, o anarcocapitalismo resolve todos os problemas do velho patriarcado, como pude ser tão cego?!?!?

Phillipe

Thaís disse...

Infelizmente, Lolinha, o escândalo que você aconselha é muito difícil.


Dia desses estava no ônibus parado em um sinal. Olhei para o lado e 9h da manhã, com várias pessoas passando ao redor (inclusive crianças), vejo um cara com o pau para fora se masturbando publicamente, com todas as janelas de seu carro aberta, na primeira fileira em frente ao sinal, se exibindo para as pessoas.

Eu simplesmente travei. Me senti fraca, inferior, incapaz.
Isso me atormentou profundamente.

Meu feminismo queria colocar a cabeça pela janela e gritar coisas, palavrões, fazê-lo se envergonhar.

Mas eu apenas me limitei à fingir que não vi e aguentar calada aquela cena horrenda durante o resto da semana, passando pela minha cabeça :(

Carolina Brandão disse...

Pois é, a justiça realmente é muito lenta. Uma vez, eu estava voltando de uma festa com umas amigas e estávamos a pé em uma avenida movimentada que corta santos-são vicente (sp) e lá costuma ser ponto de prostituição de travestis. Acontece que um carro com um grupo de moleques começou a mexer conosco e, quando retruquei, eles jogaram ovos e até uma pedra contra nós e aceleraram. Pegamos a placa e fomos na delegacia da mulher no dia seguinte, fazer um BO. O que ouvimos da delegada? "Ah, mas vocês estavam andando sozinhas a essa hora da noite nessa rua? Não sabem que é perigoso?"
Pois é. Minha vontade era de responder que se eles fizessem o trabalho deles direito, eu poderia sair de casa a hora que eu quisesse, sem me preocupar com esse tipo de agressão ridícula.

Natali disse...

Quase nunca comento, apesar de nao perder nenhum post, mas este assunto do ônibus me deixa aflita e nervosa demais para nao comentar: somente me sinto segura de verdade dentro de qualquer transporte publico quando estou acompanhada do meu marido ou de algum amigo, irmão etc. Nunca sento na janela se um homem esta no corredor, nao entro em metro cheio depois que uma amiga foi abusada dentro do metro, um cara pegou nos seios dela e ainda sussurrou horrores no seu ouvido. Ou seja, como nao ser a favor de transporte publico so para mulheres, mesmo como medida temporária de segurança, até que um processo longo de educação, cultura, campanhas publicas e muitos étcs sejam colocados em pratica? Nosso dia a dia e uma loucura, cheio de cuidados com lugar que andamos, roupa que vestimos, medos absurdos, cantadas horrorosas nas ruas, eu tenho reagido com muita braveza na rua, me antecipo a qualquer gracejo e coloca uma cara de fúria, antes que saia da boca do sujeito qualquer palavra. Somos incomodadas em tantas e tantas ocasiões, os exemplos sao tantos ao longo da nossa vida, que sinceramente , cansa demais as vezes! Por isso seria bom entrar em um transporte so com mulheres, seria um cansaço a menos no dia a dia...

Thainá disse...

É assustador como essa violência é rotineira. Lola, eu moro em Juiz de Fora ha pouco tempo, mas sou natural do Rio de Janeiro, onde sempre morei. Certa vez no metrô voltava da faculdade em pleno horário de pico (onde as pessoas mal conseguem de mover), conversava com uma amiga, apesar de imóveis ela estava na minha frente, quando descemos em uma estação de integração com outra linha veio a surpresa: meu vestido estava completamente sujo de semen. Ninguém viu, nem a minha amiga que estava posicionada a minha frente, e eu sinceramente não senti nada, estava tão cheio, não senti nenhum esbarrão diferente do habitual. Me senti violentada, completamente humilhada, submetida aos olhares curiosos e a risadas de pessoas que pasmen conseguem achar alguma graça disso. Pedi ajuda aos guardas no metrô, fui levada a um banheiro (dos funcionários) onde pude me limpar minimamente, fiz boletim de ocorrência, mas fui tratada com imenso descaso. Essa experiência horrível me deixou mais atenta em locais públicos, e bem menos tolerante a esse machismo latente, hoje em dia não aceito nem cantada de rua, paro e respondo TODAS, também não aceito que o vagão feminino seja utilizado por homens nos horários de pico, sempre reclamo aos guardas nas estações.

Anônimo disse...

Já me aconteceu coisa parecida num trem lotado. Estava lendo um livro e sentou um cara do meu lado no banco. Eu percebia que ele tava se mexendo demais, de repente ele colocou o tico pra fora e desceu do trem. Eu não sabia o que fazer, fiquei um tempo pensando que aquilo era algo surreal, pois nunca tinha visto nada semelhante. Olhei ao redor e parecia que ninguém mais tinha visto. Se fosse hoje, eu teria dado um soco na cara do tarado, mas eu era bem jovem na época.
E hoje eu daria um soco bem dado nas fuças do tarado porque tenho certeza de que não receberia nenhum apoio das outras pessoas dentro do trem. =/

Liana hc disse...

"Ejaculação pública não autorizada na sua perna?! A Esfiha tem a solução!! Lavou, tá nova, filha." Morre, diabo.

-

Quando eu estava na escola e depois na faculdade, eu sempre ficava com a mochila nas costas dentro do ônibus. Tinha gente que reclamava por causa do espaço que ocupava quando o ônibus estava cheio. E eu dizia em alto e bom som que eu aprendi a fazer isso para me proteger dos babacas abusadores, porque desde criança eu tinha que lidar com isso. E que quando acontecia ninguém nunca fazia merda nenhuma para ajudar. Além de correr o risco de a vítima ser xingada de puta se falar alguma coisa. Por isso eu não estava nem aí se alguém ia ficar chateadinho com a minha mochila nas costas.

Eu também botava um broche com pontas afiadas na parte de baixo da mochila. Se algum cara tentasse passar a mão na minha bunda ele iria se machucar primeiro. Ou então a mochila ficava bem baixa de modo que nem desse para passar a mão. Quando eu ia sentada perto do corredor a minha mochila (ou bolsa) ficava no ombro para servir de escudo. Se não tivesse ninguém em pé, e fosse homem que estivesse ao meu lado, eu colocava a mochila virada para ele.

E também fecho a cara quando entro no ônibus e olho bem nos olhos das pessoas. Melhor passar por antipática. Só de encarar feio já ajuda porque a maioria não passa de um covardão mesmo.

Karoline disse...

Acho muito perigosa essa ideia de vagões exclusivos pra mulheres. Quando você determina que aquele vagão é pras mulheres e que é naquele vagão que as mulheres devem estar pra se sentirem seguras, você está afirmando que todos os outros são de domínio masculino. Portanto, não vai poder reclamar se sofrer assédio/abuso/estupro num vagão "masculino".
Deveríamos mesmo exigir mais segurança, câmeras, medidas punitivas por parte das autoridades, etc. Enquanto isso não acontece, temos que fazer o que já foi dito aqui: nos defendermos sozinhas. Fazer escândalo, spray de pimenta, arma de choque ou até violência física, se você souber que dá conta. Tudo pra chamar atenção para o problema.
Creio que ainda tem muita gente que pensa que isso é coisa isolada. Se eu for medir apenas o que presenciei pessoalmente, posso acreditar que é coisa rara. Mas não é. O que acontece é que a maioria das vítimas não sabe como ou tem medo de reagir. Não podemos deixar isso perdido no silêncio.

Renata disse...

Impressionante como as pessoas tem um discurso mas na hora que lhes doi rasgam no ato.O Feminismo é contra ou a favor de discriminação baseada em genero ?
se for contra discriminação baseada em genero deve ser contra vagões reservados a determinado sexo.

E tenho dito.

<<> e tenho dito

Renata disse...

Impressionante como as pessoas tem um discurso mas na hora que lhes doi rasgam no ato.O Feminismo é contra ou a favor de discriminação baseada em genero ?
se for contra discriminação baseada em genero deve ser contra vagões reservados a determinado sexo.

E tenho dito.
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Argumento tão rídiculo quanto dizer que quem é a favor das cotas nas universidades é que é racista. E tenho dito

Moema L disse...

@ Thais

Eu te entendo,tenho muito medo de congelar como você mesmo contou. No fundo eu quero gritar, dar um escândalo a plenos pulmões mas eu sinto que vou travar, e isso me perturba, tenho medo de não conseguir reagir ou de reagir e acabar sendo humilhada pelos outros.

Um medo de sentir medo.


É depois tem babaca que diz que quando alguém é estuprad@ e não "reage" é porque estava concordando.Congelar não deixa de ser uma reação.

BEATRIZ disse...

Lola ou alguém sabe me responder se uma situação parecida com essa acontecesse comigo e eu estivesse com um canivete e machucasse um cara desses o q pode acontecer comigo? Seria legítima defesa e tudo bem ? Ou além de tudo eu teria q responder algum tipo de processo?

BEATRIZ disse...

Acho q seria muito bom se pudéssemos andar com um spray de pimenta. Seria menos traumático usar o.spray primeiro assim já saberiam q o cara fez alguma coisa errada. O q a gente pode fazer tbm levar na bolsa uma agulha e quando percebermos uma situação assim machucar o cara quero ver se ele vai ter coragem pra reagir e explicar o pq do acontecido....

Anônimo disse...

Sou homem, e uma vez aconteceu isso comigo. Eu devia ter uns 18 ou 19 anos, estava sentado no ônibus, e do nada veio um gay já bem coroa, tipo uns 50 anos, parou ao meu lado de pé e começou a roçar em mim. Eu realmente senti um nojo tremendo daquilo... na mesma hora falei pra ele sair dali com ignorância mesmo. Falei que se ele encostasse em mim novamente, ia ter problemas. Ele se afastou. Foi a única vez que tive essa experiência desagradável.

Discordo dessas ideias de segregação... se for assim, então, tem que criar um vagão só pra gays também.

MAs aí vão dizer... "nem todos os gays são abusadores". Sim, eu concordo... nem todos os homens o são, também.

Mordred Paganini disse...

Amigos e amigas (principalmente amigAs):

Apresento-lhes, o Taser!!!

http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-467766337-lanterna-tatica-police-choque-taser-bat-recarregavel-_JM

Custa 50 merréu no mercado livre, mas o prazer em dar 5000 volts de choque em um tarado misógino filho da puta não tem preço. Aproveitem enquanto não é proibido!

Mordred Paganini disse...

Ah, e não sou a favor de transporte exclusivo para as mulheres.
Tipo, não poderia mais andar na companhia de homens? Como assim?

Rafael Rodrigues disse...

Na boa, não vai adiantar denunciar. Mesmo que você consiga que te levem a sério, ele nem será chamado. Mesmo que seja, não será punido. E mesmo que punido seja, serão cestas básicas.

Realmente o discurso do "eduque para que não abusem" e "não faça justiça com as próprias mãos" é lindo, mas em casos como esse só resolve se a mulherada começar a fazer escândalo no busão e algum homem de bom caráter moer (moer mesmo) esses malucos na porrada. Da terceira ou quarta vez que ele ficar bem dolorido, desiste. Pelo menos dos coletivos.

Thaís disse...

Moema, exato!

Se me contassem isso, eu diria que seria a primeira a sair gritando, a fazer barraco. Mas não é simples assim.

Parece até que esquecemos como falar. Passamos tanto tempo tentando fazer nossos pensamentos voltar a fazer sentido que quando vemos a pessoa já fugiu, a oportunidade já passou.

Por isso sou contra condenar a vítima, nunca é simples assim.

Anônimo disse...

Começar a se organizar entre as pessoas do ônibus. Combinar bem combinado. Nesses esquemas de agredir estuprador, até os homens são parceiros. Quando o tarado aparecer, cair todo mundo em cima dele. Sem dó nem piedade. A polícia vai vir rápido. Quando chegar, ninguém sabe, ninguém viu, ele caiu sozinho enquanto tentava bater punheta.

Valéria Fernandes disse...

Acredito que muitas mulheres têm histórias de assédio em transporte público (*ou cinema*) para contar, e não precisa ser jovem e/ou bonita (*dentro dos padrões propagandeados*), basta ser mulher. Eu passei por situações assim, na época, adolescente ou pouco mais, a vergonha me impediu de me mexer. "E se for impressão minha?" engraçado, mas medo de apanhar nunca tive, tinha medo do escândalo e isso é pior... Aconselho a não se calar. Acredito que hoje, não me calaria e ajudaria outras mulheres nesta situação.

Não sou a favor de segregação em transporte público, ainda que entenda a sua existência. Não vejo homens como heróis nessas situações, aliás, é mais fácil acontecer como no filme Cairo 678. De qualquer forma, e peço desculpas a quem acha que isso é uma selvageria (*e é, de certa forma*), sou a favor de dar uma surra nesse tipo de tarado antes de entregá-lo para a polícia, ou até porque a polícia nada fará.

Excelente a história da enfermeira do canivete. Bem Cairo 678. :P

Anônimo disse...

Anônimo, vc não pode comparar abusos sofridos por homens com os sofridos pelas mulheres, que são imensamente mais frequentes. E a reação imediata que vc teve mostra bem a diferença de uma situação p/ a outra, a maioria das mulheres que escreveram aqui não reagiram por medo. E vc não sabe se seu abusador é gay mesmo. Tem homens héteros que abusam de outros homens. Eu tb não gosto da ideia do vagão exclusivo, me parece que dessa forma se está colocando o foco do problema na mulher e não no homem. Como quando alguém pergunta p/ a moça o que ela estava fazendo andando de noite na rua. Já passei por pelo menos umas três situações humilhantes em circular. Em ônibus de viagem intermunicipal mais duas vezes. Numa dessas vezes o sujeito me beijou antes de sair correndo do ônibus (na bochecha, mas foi muito nojento). Esse assunto particularmente me deixa com bastante raiva. Eu não estou mentindo. Ando de ônibus um bocado. Passei a adotar um comportamento mais agressivo e cauteloso depois de tudo isso. Aquela história da Índia foi extremamente chocante, mas o que me deu mais raiva foi o fato de o assunto ter morrido tão rapidamente e não ter gerado uma discussão mais séria aqui no Brasil. Ragusa

Anônimo disse...

e do nada veio um gay já bem coroa, tipo uns 50 anos, parou ao meu lado de pé e começou a roçar em mim. Eu realmente senti um nojo tremendo daquilo
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Tava demorando para um machsitinha mimimi vim atacar minorias ,"mais um caso de homem branco hétero oprimido" querendo desviar o foco das questões femininas para os homens, homens homens ,sempre os homens, coitadinhos não.

Augusto disse...

E como uma mulher trans entra em um ônibus ou metrô segregados?

Augusto disse...

Se fosse assim, deveria existir vagão para brancos, já que negros têm mais tendência à criminalidade (baseado nas desigualdades sociais existentes).

Proteger os brancos seria uma solução? Talvez, mas um tanto racista. Se criminosos geralmente são negros, isso é por causa da nossa sociedade desigual e racista, que deixou-os desfavorecidos e, por isso, cometem assaltos e roubos. Vai separar vagões para protegê-los? É o mesmo caso.

Separar mulheres geram muitos problemas também. O que é mulher? Feminina? Ou um transexual(mulher para homem) poderia entrar no metrô? E ainda esses metrôs, geralmente, são rosas. Quer coisa mais ridícula?

Mordred Paganini disse...

Enfim, acabo de adquirir um taser.(meninas, sério! Comprem! Foram os 50 reais mais bem gastos da minha vida)

Nunca sofri este tipo de assédio em ônibus (ao menos que eu tenha notado), mas acho que foi sorte. Como qualquer mulher livre de abuso, o que tive foi apenas sorte. (no meu caso, livre em coletivos, porque outros aconteceram)

Se acontecer, serão 5000 volts no filhote de estuprador. Parece que 5 segundos são suficientes para paralisar uma pessoa.

Será que que se forem 10 segundos ou mais, tenho a sorte de provocar uma parada cardíaca?

Bem, acho que não teria a coragem, mas fica a ideia...

Augusto disse...

Minha opinião: deveria haver metrôs pró direitos humanos, nos quais haveria seguranças, botões de segurança... Não só mulheres, mas gays, travestis, crianças, pessoas que não seguem fenótipo típico e idosos são vítimas de agressão.

Anônimo disse...

Esse anonimo das 19:50 ta parecendo o Fábio do mingau chorando as pitagas da vidinha sofrida dele kkkk, eles devem estar vendo muita novela mexicana kkkk

yulia2 disse...

uma vez eu vi um cara se bronhando no onibus....

quando desci, falei no ouvido dele:

seu nojento!

SeekingWisdom disse...

Olha Ragusa, vou discordar da primeira parte de seu comentário.
Acredito que homens sejam menos abusados, mas não tenho certeza se a frequencia seria tão menor assim. Temos uma preconpeção aí.
Dando uma olhada rápida pude ver que os casos de abusos de meninos são tão alarmantes quanto o de meninas.

Veja essa notícia:
http://hypescience.com/vitimas-de-abuso-sexual-do-sexo-masculino-tem-mais-dificuldade-de-lidar-com-o-trauma/

também encontrei a page do pesquisador q conta com a metodologia (ainda n avaliei com critério nenhum dos dois):

http://www.jimhopper.com/male-ab/

Estamos falando de meninos, mas pelos relatos meninas adolescentes são bastante vulneráveis também né.

Não sei como seria a violência contra homens adultos, mas é verdade que o machismo inibe que os homens e garotos reportem seus abusadores.
Encontrei esse capítulo sobre a violência contra homens:
http://www.scribd.com/doc/26239325/CAPITULO-V-VIOLENCIA-CONTRA-HOMENS

Não estou aqui tentando simetrizar as coisas. Acredito que as particularidades da violência podem ser bastante diversas, mas ela tem se tornado úbiqua e isso é preocupante.

Deixo mais um:
http://subvertidas.blogspot.com.br/2012/07/violencia-contra-o-homem.html

Com todo o resto que escreveu concordo e assino embaixo! Inclusive não respondi ao anônimo pelo tom discriminatório de sua mensagem.

Abraços, Phillipe.

Anônimo disse...

Sempre soube dos relatos apenas pela tv, mas mesmo morando em uma cidade do interior na época, passei por uma situação muito constrangedora. Eu tinha por volta de 14 anos e voltava para casa de ônibus, não estava lotado, mas, devido ao horário, estava cheio. Estava próxima ao cobrador e havia um senhor que estava me deixando muito nervosa, já que ele ficava se movimentando a todo momento, tentando encostar em mim, não senti em nenhum momento ele me tocar, já que eu também me movimentava inquietamente, mas, acredito que em alguns momentos surgem "anjos" e eu só tenho a agradecer pois esse dia, esse "anjo" me ajudou novamente. Simplesmente uma moça percebeu o incoveniente e de modo delicado me chamou fazendo gesto com as mãos, nesse momento fui até ela, pediu então que eu ficasse na frente dela e sempre que suas sacolas tocavam em mim ela respondia que não precisava se preocupar que era ela. Bom, ela desceu antes de mim, mas, antes de descer ela ainda me disse que era para eu deixar que tocasse em mim somente quem eu quisesse. Isso faz 14 anos e lembro de maneira tão carinhosa do seu cuidado e de suas palavras, já que levo isso para vida. Nós mulheres temos SIM que defender outras mulheres, ajudar, apoiar! Beijos, Mi.

Mordred Paganini disse...

Phillipe

Já acompanhei (e fui eu quem descobriu, aliás) um caso de abuso contra um menino.

Não apenas pela minha experiência, mas também considerando o quanto estudei, o abuso de meninos segue exatamente a mesma lógica que o abuso contra mulheres ou crianças.

A vulnerabilidade é o fator chave.
Abusadores de menores não necessariamente são primariamente atraídos por crianças (na verdade, apenas uma minoria dos que abusam de crianças são pedófilos, no sentido psicológica da coisa).

Enfim, meninos são tão vulneráveis quanto meninas e representam certa de 1/3 dos casos de abusos.
Meninas são mais vitimizadas em função do agravante "ser mulher".

Mas enfim, ao menos na maior parte do mundo, isso só vale para meninos pequenos.
Homens adultos muito raramente são vitimizados e quando o são, se dá em uma situação de alta vulnerabilidade: prisões.

yulia2 disse...

Impressionante como as pessoas tem um discurso mas na hora que lhes doi rasgam no ato.O Feminismo é contra ou a favor de discriminação baseada em genero ?
se for contra discriminação baseada em genero deve ser contra vagões reservados a determinado sexo.
__________________

somos contra a violência sexual
e o abuso.
o abuso é muito mais frequente de homem pra mulher.
já que vcs não querem ser ensinados a não estuprar e abusar
e usam o famigerado discurso de que homem é assim mesmo bla bla vcs é que evitem então vamos evitar com vagões separados.

yulia2 disse...

certos homens adoram justificar estupros abusos....

mas falou em seprara vagão ficam possessos....

mas ora, vcs são os mesmos que pregam que deriam ter escolas separados por sexo, não entendo...

Felipe Barreto disse...

Habib

"O esperma que jogaram, pode lavar quando chegar em casa. Mas e a carteira com todos os documentos e cartões? Alguém já parou pra pensar nisso? Senso de prioridades, alguém?"


Que sujeito doente.

Tu quer mesmo minimizar a humilhação que uma mulher sofreria caso algum tarado ejaculasse em cima dela, argumentando que a mesma pode, posteriormente, tomar um banho e se livrar do sêmen?

E ainda faz uma analogia estúpida, demente, comparando um ato ignominioso de ejaculação não consentida, com a perda de documentos pessoais.

Documentos podem ser recuperados, através de requerimentos de segunda via. Mas a humilhação, o trauma, de ser tratada como um lixo por um tarado qualquer, não podem ser dissipados com facilidade. Muito menos com uma simples lavagem de roupa.

Tu é tao doente que é capaz de minimizar a importância da dignidade de um ser humano. Creio que se alguém pretender defecar ou urinar em cima de uma mulher, sem o consentimento dela, tu vai lembrar a todos aqui que não será nada de mais, pois ela poderá se lavar depois.

Vai se tratar, sujeito.

Maíra disse...

Já dei aulas, especialmente particulares, para muitas meninas que passaram a preferir profissionais mulheres depois de ouvirem bobagens de (maus) profissionais homens.
Claro que esse comportamento é uma generalização boba, já que ser um bom profissional não tem nada a ver com sexo, mas algumas meninas diziam ficar mais à vontade com uma professora e preferiam procurar por uma mulher a procurar por um professor homem e bom profissional.

vivian disse...

movimento FORA HABIB!!!!!!!!!!!!!

movimento FORA HABIB!!!!!!!!!!!!!

movimento FORA HABIB!!!!!!!!!!!!!

movimento FORA HABIB!!!!!!!!!!!!!

movimento FORA HABIB!!!!!!!!!!!!!

lola, se tu publica o que o habib posta, espero que publique minha opinião sobre isso!

abraços,

vivian disse...

lola, estou estarrecida com a notícia de que os evangélicos vão assumir a comissão de direitos humanos. nada pode ser pior, que tristeza.

Anônimo disse...

Triste ://

Marina disse...

Lola, acabei de te mandar um mail; depois me confirma se recebeu, ok?

Anônimo disse...

"Bora ejacular na perna do Habib!"
Politicamente incorreto, mas... KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!!

Rodrigo disse...

Não entendi porque zoaram o cara que falou que um coroa roçou nele. Qual o problema? Homem também é vitima as vezes, não na mesma proporção, ÓBVIO, mas pode acontecer, por que não? Em nenhum momento ele desqualificou o sofrimento das mulheres, nem fez graça, muito menos ficou de mimimi, apenas contou um relato que aconteceu com ele. Muito pelo contrário, me pareceu que ele quis dizer "Eu sei como é escroto isso", o que é muito diferente de "Isso que vocês passam não é nada". E já vi umas duas pessoas ironizando o post dele. Tem gente que pega pesado demais às vezes, hein?

Anônimo disse...

O grande problema é o vitimismo e as leis brandas no Brasil. Infelizmente, aqui no Brasil, não há penas proporcionais ao crime. Então, assassinos, estupradores, pedófilos, não são condenados de forma proporcional ao crime que cometeram. Pelo contrário, há um monte de regalias para presidiários, se tiverem um "bom comportamento", cumprem apenas 1/6 da pena. O politicamente correto trata o criminoso como vítima a sociedade.

Chega! Hora de mudar isso. Vamos imlmenetar a lei da proporcionalidade. A lei do "2 olhos por 1". Assassinos devem ser condenados à morte, estupradores e pedófilos castrados e estuprados também ("dois olhos por um": estuprou, será castrado e será estuprado). Assim que vamos resolver. Tratando bandido como bandido, e não como uma vítima da sociedade.

Lívia Pinheiro disse...

Mas eu entendo, Hugo. O que é diferente de me importar, DADAS AS CIRCUNSTÂNCIAS.

É um tanto ridículo ter que explicar que ver uma surra como única possível solução para o problema não significa que eu quero que a surra os mate. Mas sim, a surra virar um linchamento é um risco que se corre, e dado que absolutamente nada é feito, ou se apela a isso, ou deixa-se tudo como está. Que conveniente que vc não tenha que se preocupar em deixar tudo como está, não é? É tão fácil agir com humanidade assim...

Eu só acho bem curioso que venha me criticar dizendo que não vê a hora da minha frase virar um lema do próximo linchamento público. Fica feio, sabe, pq quem está torcendo por um linchamento é vc (e só para mostrar como vc está certo e eu sou uma monstra sem coração, olha como vc é magnânimo).

Então, eu não espero que surras virem linchamento. Espero que o estrupício vire gente depois da surra. Isso enquanto esta medida bárbara for a única solução possível para o rol infindável de absurdos que circundam situações assim.

Enquanto isso, tomara que nenhuma situação dessas ocorra na sua frente. Porque, ocorrendo, vendo o que é, tendo empatia o suficiente com o ser humano afetado, não tendo sangue de barata, e constatando que absolutamente ninguém irá fazer coisa alguma - exceto, talvez, dar uma risadinha e balançar os ombros - há sérios riscos de vc cair do salto, esquecer a sua aura de superioridade moral, e sentir na pele por que, quando a justiça inexiste, só a porrada funciona.

Caroline disse...

É a primeira vez que comento um post Lola, justamente pq esse é um assunto que me incomoda mto. Já passei por situações bem parecidas com as descritas acima, dentre elas uma vez no metrô senti q um senhor tentava se apoiar em mim d maneira q a mão dele encostava na lateral da minha coxa, me afastei duas vezes e ele continuou, na terceira dei um super empurrão nele e xinguei, o fdp não teve reação nenhuma, não me xingou, nem agrediu, simplesmente saiu do meu lado.
Então percebi meninas q esse perfil de tarado é bem frouxo, então reajam e armem um barraco! sou super a favor de divulgar fotos desses exploradores, já que a polícia não faz nada, a sociedade vai fazer, pq com ctza eles tem mãe, esposa, irmã ou filhas e elas podem não desconfiar disto!

Cyberia disse...

Durante a faculdade, andei muito, muito de ônibus. E tendo que ir e voltar em horário de pico, era "daquele jeito". Sinceramente já passei tanto por isso (em menor e maior grau) que deu até pra guardar dados estatísticos e concluir: Não existe raça, nem idade, nem posição social pra abusador. O abuso sexual é "super democratico", você pode ser um abusador seja lá quem vc for! :(

No pior dos casos, é triste lembrar mas eu congelei totalmente. É realmente aquela coisa: por um bom tempo, eu DUVIDEI do que estava acontecendo. Não que fosse discreto, NÃO, mas o cérebro parece que simplesmente se recusa a acreditar que algo tão absurdo, tão nojento, possa ser mesmo realidade e não "impressão sua"! Bom, mas não era, infelizmente. Naquele dia sai do ônibus tremendo e segurando as lágrimas. Nunca mais isso saiu da minha cabeça e nunca mais andei sossegada em ônibus nenhum, minha postura agora é sempre defensiva, como se ônibus fosse território inimigo ou sei lá... :( Espero q nunca mais aconteça, mas se acontecer, espero ter forças pra fazer alguma coisa...

André disse...

Thaís,

Se esfregar ou ejacular em estranhos é um horror, devia dar cadeia. Mas por que tanto nojo com relação a masturbação mesmo quando o cara está a uma distância segura de todo mundo?

Luciana Barbosa disse...

Deviamos arruinar a reputação do facebook com esse fato.

POR FAVOR Leiam, curtam e compartilhem este artigo! É muito importante acabar com a impunidade do sexismo online.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1238556-o-facebook-tem-algum-problema-com-as-mulheres.shtml

luana disse...

Pros babacas que tão dizendo que não tem nada de mais. E se um cara ejaculasse em cima de você? Tudo bem, né? Sem problema, só lavar.

André, vale a pergunta pra você também. Ou melhor, pergunta pra sua mãe o que ela ia achar. Se ela disser que tudo bem, eu entendo sua posição, mesmo não concordando, claro.

Anônimo disse...

Estes criminosos tem que ser punidos com rigor! Os homens de verdade também precisam se mobilizar (ou seja, pegar um sujeito desse e deixar um mês no hospital)!

Imagina se separam os vagões? Seria deprimente. A única coisa boa no transporte publico é a presença das mulheres. O perfume, a beleza, a gentileza, os olhares...

Garotas, mesmo que por esmola, não façam isso aos vossos pobres vassalos...

Gabriela Ribas disse...

Querida Lola,

Leio o bloguinho tem um bom tempo, e confesso, que foi a primeira leitura feminista que eu fiz, e que me incentivou muito a continuar e me aprofundar mais na luta! Agradeço à você por ter me feito mais feminista!

Então, fiquei absolutamente chocada com esse post, que me fez lembrar de uma história um pouco menos chocante do que essa, mas tão assustadora quando.
Hoje tenho 18 anos e o feminismo já me empoderou bastante frente aos constantes abusos que estamos expostas, mas, na época, eu tinha 14 anos e nenhuma coragem.
Meus pais moram em cidades diferentes desde os meus 10 anos. E sempre fui de uma cidade à outra de ônibus e, na maior parte das vezes, sozinha. Isso não era problema pra mim, até que um dia, me vi sentada ao lado de um homem. Eu nunca me sentia completamente confortável ao lado de homens, mas não sabia explicar o porque, na época. Este homem me pareceu bastante simpático e queria conversar, mas eu não me senti confortável com a ideia e desconversei logo, fingindo estar com sono, o que me levou a um cochilo. Acordei com aquele homem com a mão na minha perna. Fiquei completamente desesperada, mas sem saber o que fazer. Fingi que continuava dormindo, e me movimentei, pra que ele tirasse as mãos de mim, o que foi efetivo. Aquele momento foi absolutamente assustador. Logo depois, ''acordei'', me levantei e fui sentar em outro banco, tentado fazer com que este (nojento) homem não se aproximasse de mim novamente.
Depois disso, não fiz mais nada (por medo), e nem contei essa história pra ninguém, exceto hoje.
Acho que finalmente, consegui superar o que me deixava calada quanto à essa história.
E, também, gostaria de te dizer o quanto te admiro e o quão empoderador o feminismo foi pra mim!
E vamos continuar sempre forte nas nossas lutas!
Beijos feministas e bom dia! (:

F. disse...

Quando eu tinha 14 anos, peguei um ônibus muito lotado, para acompanhar um amigo ao dentista.Um sujeito atrás de mim começou a se esfregar, eu era tímida, medrosa(ah, se fosse hoje), congelei e fiquei sem reação, envergonhada e enojada, lembro que olhei pro meu amigo com a expressão desesperada, lágrimas querendo sair, ele pegou a pasta que carregava e deu um safanão no homem.
O desgraçado ainda deu uma risadinha, mas pelo menos se afastou.Ônibus cheio, vários notaram, ninguém fez nada, e na hora da "pastada", muitos ainda riram.Realmente, situação muuuuito engraçada, só que não.Puxei a cordinha e desci ali mesmo, tivemos que caminhar algumas quadras até o destino.
Por causa desse dia, criei trauma de subir em ônibus cheio, sempre que precisava pegar algum, deixava passar quantos fossem, até finalmente vir algum em que eu pudesse sentar.Isso me fazia perder tempo, e às vezes até anoitecer em paradas.
Uma comentarista falou que usava a mochila bem baixa, eu comecei a fazer isso também depois desse dia, regulava as alças pra que ela ficasse bem lá embaixo, tapando minha bunda, ou então, amarrava um moletom bem grosso na cintura, tudo isso pra me sentir um mínimo segura ao subir num ônibus(ou enfrentar qualquer multidão onde houvesse certa proximidade de corpos).
Gostei de uma dica que li uma vez, de levar sempre um broche consigo, e se algum nojento tentar se esfregar, dar uma alfinetada nele.
Agradeço a comentarista que deixou o link do taser, estou pensando seriamente em adquirir um e deixar na bolsa.

André disse...

Luana,

Eu não disse que não ficaria incomodado com a situação. Mas não penso que meu incômodo (ou da minha mãe) deva ditar as regras do que pode ou não pode ser feito em público. E se meu pai ficar incomodado com a amamentação em público, vale o mesmo raciocínio?

Anônimo disse...

Estava lendo uns comentários e vishhh

Concordo com vcs no sentido de que algo deveria ser feito mas generalizar não dá, né ?
Nem todo homem é assim e lendo alguns comentários dá para ver claramente que algumas leitoras tem ódio de homem... e isso minhas caras é igual aos blogs que pregam misoginia, também não está certo.

Transporte coletivo apenas para mulheres ?
Já pensaram que com isso, vcs estariam influenciando no direito de ir e vir de uma pessoa ?

Ao meu ver a principal questão é a falta de respeito aqui.
Por isso peço a algumas, antes de vieram com paus e pedras criticarem os homens, generalizando a todos, olhem para sí e tenham bom senso.

Grato,
Rafael

Anônimo disse...

Minha mãe pega ônibus bem cedinho (05h00) para ir trabalhar (ela gosta de chegar antes para tomar café sossegada na padaria) e sempre comenta de uma vez que uma moça, de vestido, estava sendo constantemente encoxada por um bonito. Ela ia para lá, ele ia atrás. Mamãe percebeu e falou bem alto: "Filho, de vc quer ficar se esfregando, se esfrega na porta pq tá incomodando a moça!" Foi o suficiente para o cretino descer do ônibus mais pálido que um fantasma e se borrando de medo de tomar uma surra. Ela sempre diz para nós que não devemos aceitar nenhum tipo de abuso e, que por mais vergonhoso que pareça ser, o errado é quem está assediando e não a gente.

Anônimo disse...

E sobre abuso de homens em transportes públicos, um amigo (que tem 22 anos, mas parece ter bem menos; ele é muito baixinho e tem cara de menininho) estava em um daqueles bancos que ficam escondidinhos no final do ônibus, indo para casa, lendo material da faculdade. Então chegou um cara de terno, parou do lado dele, tirou o pau para fora e começou a mexer e olhar para a cara dele. Meu amigo ficou aterrorizado e não conseguiu fazer nada. Quando ele me contou a história, o detalhe que deixou-o mais estupefato era o cara estar usando uma aliança de casamento. Sabe, um cara casado, bem vestido... Abuso não tem a ver com desejo sexual, tem a ver com relação de poder.

Augusto disse...

"A única coisa boa no transporte publico é a presença das mulheres. O perfume, a beleza, a gentileza, os olhares..."

Machista.

Depois querem que separem vagões, SOS.

Viu, o que é ser mulher não é bem definido na nossa sociedade.

Augusto disse...

Separar vagões é como separar banheiros. Isso só piora as coisas com outras minorias discriminalizadas.

Augusto disse...

http://www.rededemocratica.org/images/rede2/mulheres_metro.jpg

Repare a cor do Metrô. Isso é uma piada. Se isso é feminista, não sei o que não é ser.

Hugo disse...

"Eu só acho bem curioso que venha me criticar dizendo que não vê a hora da minha frase virar um lema do próximo linchamento público. Fica feio, sabe, pq quem está torcendo por um linchamento é vc"

Você precisa aprender uma coisa ou duas sobre ironia, Lívia.

Ainda continuo a pensar que essa história de fazer justiça com as próprias mãos é errada. É claro que eu não quis dizer que toda surra vai levar a um linchamento, mas sempre há uma possibilidade. Depois que a coisa começa, pode sair do controle facilmente.

Sair por aí distribuindo surras não iria resolver absolutamente nada. O que é preciso é exigir ação das autoridades, exigir mudanças, tentar diminuir a burocracia. É um processo demorado e frustrante, mas, uma vez alcançado, vai trazer benefícios duradouros - ao contrário de dar uma sova em um tarado qualquer, o que, além de poder causar a morte de alguém, é tentar secar o oceano tirando gota por gota.

Anônimo disse...

Engraçado, quando um homem vem aqui falar que foi assediado por um cara no ônibus todo mundo ridiculariza! Imagino que, se uma mulher postasse algo como isso em um blog machista, teria resultados parecidos. Sério, vocês deviam ter vergonha de vocês mesmas. Só porque casos como este são menos frequentes (o que é discutível, já que esses tendem a ser ainda menos relatados) não quer dizer que sejam menos humilhantes e terríveis.

Anônimo disse...

o anônimo das 5:09 começa super bem tratando da desproporcionalidade das penas - que, sem dúvida, é um problema neste país. mas aí cai em outro excesso. eu proponho o seguinte: assassino por motivação torpe e sem chance de defesa da vítima - 30 anos sem condicional. reincidente - pérpetua. reincidente e com requintes de crueldade - pena de morte por injeção letal (a única que aprovo). estupradores: pena de 2 a 20 anos de cadeia, com ou sem condicional, levando-se em consideração: ameaça, violência, terror etc. reincidentes - pérpetua.

André disse...

Augusto,

Vagão separado no metrô ou no trem, ou separação no ônibus (mulher na frente e homem atrás) pode ser uma solução temporária, claro que não é ideal. O que eu penso que poderia ajudar seria uma campanha de solidariedade para que as pessoas mais experientes (geralmente mulheres mais velhas) e mais fortes (geralmente homens) tomassem as dores de quem está sofrendo o abuso. Não dá para esperar que tenha polícia em todo lugar, e quando a gente é mais novo ou mais fraco existe uma grande possibilidade de travar perante uma situação dessas.

Elaine Telles disse...

André,
amamentação e masturbação são iguais né?
Você tem problemas, vai se tratar.

SeekingWisdom disse...

Pessoal,
simples mal interpretação do ocorrido em relação ao relato do anom 19:50.
Ele não foi ridicularizado pelo relato e sim pelo tom discriminatório do discurso. Eu mesmo, que reconheço que esse tipo de violência não é exclusividade das mulheres, não o respondi exclusivamente por isso.

O relato do Anom 10:10 foi completamente diferente. Ele não simplesmente diz que o abusador é um "gay coroa" q ia "encontrar problema". Então anom 10:51, embora eu concorde que esses casos não devem ser ridicularizados (até porque só aumenta a subnotificação), não tenho certeza de que foi o motivo aqui. No resto concordamos.

Anon 10:10. Concordo com você absolutamente. Abuso tem haver com relação de poder.

(ah, se vcs permanecerem no debate poderiam usar um pseudônimo? Facilita a comunicação).

André, que história é essa de comparar amamentação com masturbação?? Um é um ato sexual e o outro tem o objetivo de suprir a necessidade do bebe, nada sexual.
Sou contra ver sexo em toda nudez, mas para por aí neh.

Ledo engano achar que é necessário contato físico para imprimir violência simbólica. Se alguém, em público, começar a se masturbar na sua frente te comendo com os olhos vai achar isso normal?!?
Aí vc vai dizer que essa pessoa pode se masturbar em público desde que não olhe pra ninguém? Quem vai fiscalizar, deus?
Credo Lola, André também é mascu?

Phillipe, impaciente.

André disse...

Elaine Telles,

Na minha opinião não são iguais, mas minha opinião é um tanto influenciada por um moralismo burguês que considera a amamentação uma coisa bonita e a masturbação uma coisa suja. Mas o ponto principal e se devemos pautar o que as pessoas podem fazer pelo incomodo subjetivo sentido por terceiros?

SeekingWisdom disse...

AFF, violência simbólica foi transformada em incômodo subjetivo!

Phillipe, incomodado!

Henrique Freitas disse...

André,

Cara, tenta entender. O problema não é a masturbação. O problema é a masturbação em público.

A amamentação em público é aceita porque as pessoas entendem que um bebê tem necessidade de se alimentar constantemente para manter a saúde. E nesse caso, as mães sempre procuram ir num canto mais afastado para amamentar o bebê.

Esses casos de masturbação em público não são para saciar o desejo sexual do indivíduo, pois ele poderia muito bem fazer isso em casa. Isso é fetiche ou perversão ou seja lá o que se passa na cabeça dessas pessoas. Ninguém é obrigado a ver isso, que configura até como crime de atentado ao pudor previsto no Código Penal.

André disse...

SeekingWisdom e Henrique Freitas,

A masturbação é tão natural quanto a amamentação, e esta última também tem aspectos sexuais envolvidos, inclusive para o bebê, mas eu não considero que tenha uma equivalência. Se você verificar, o comentário que eu questionei foi o que qualificava como nojento um cara se masturbando dentro do próprio carro. Ele não estava no ônibus ou metrô, como muitos comentaristas descreveram antes e eu não questionei. Entenderam a diferença?

SeekingWisdom disse...

Pois é gente, comprem um carro. Dentro dessa sua propriedade privada e transparente vale qualquer negócio.
Já comentei mais de uma vez sobre essa dificuldade das pessoas de identificarem e respeitarem o espaço público, sua fala é só mais um indício forte de que esse conceito se perdeu.

Phillipe, indo masturbar no caminho para o trabalho.

Anônimo disse...

Há alguns meses atrás eu andava de ônibus todos os dias e pelo menos duas vezes (hoje só ando quando preciso uma vez que consegui carona para ir trabalhar).
No ônibus que eu voltava para casa do trabalho certa vez havia um homem que estava descaradamente encoxando uma mulher por trás, esta estava em pé ao meu lado e nós estávamos bem próximas do assento da cobradora (era uma mulher).
Eu não havia percebido o que estava acontecendo até que um homem que estava do outro lado da roleta do nada deu um tabefe na cabeça do sujeito. Então ele começou a xingar ele de sem vergonha, tarado, e mandou ele sair do ônibus.
O homem deu um jeito de passar por todos que estava de pé e ir para o fundo (estava super lotado o ônibus, muito lotado) mas não desceu.

Uma semana depois no mesmo ônibus vi o tal do sujeito de novo Lola, e como já sabia o que ele fazia, tratei de ficar longe e observar. O filho da mãe começou a encostar em uma menina de uns 17 anos, ela estava em pé segurando no cano que fica no teto e ele atrás dela. Nota: não tinha ninguém do lado dela, havia espaço para ele sem ser ATRÁS dela.
Achei que iria ficar vendo a cena de abuso até que a menina deu um berro: TEM COMO VOCÊ DESENCOSTAR?
Eu ri muito por dentro Lola, e admirei ela. O homem abusador saiu e foi para o fim do ônibus.
Eu não sei onde ele mora mas já vi ele na avenida que leva ao meu bairro no mesmo ponto várias vezes. Eu gostaria de tirar uma foto mas não sei se tenho coragem.
Ah, isso me fez lembrar que havia colado em um poste neste mesmo ponto (e em um outro mais para baixo da avenida e no bairro ao lado do meu, segundo minha amiga que reside lá e viu) um aviso com uma foto de outro sujeito que, como dizia na descrição "Perseguia mulheres nos pontos de ônibus" e que era para as mulheres tomarem cuidado. Alguém teve mais coragem que eu. E não, não era o mesmo homem de quem eu falei no início.
Eu gostaria de ter mais coragem para reagir frente a um caso de abuso comigo/outra pessoa Lola. Porém fui criada para nunca reagir e só o fato de mexerem comigo na rua me deixa sem reação (por mais que eu os xingue mentalmente de todos os nomes mais feios que vem na minha cabeça).
Vivemos no medo e ao invés de nos protegerem, somos ensinadas a tomar cuidado. O aviso no poste era de uma mulher solidária, provavelmente, querendo alertar outras do seu gênero para que se previnam.

Isso me revolta Lola, só hoje ouvi 'elogios' na rua 3 vezes. TRÊS. Só no horário de almoço. Um estava em um caminhão e fez psiu e me mandou um beijo, depois foram 3 pedreiros que quando eu passei entoaram um coro de "Huuuuu, eu quero você como eu quero" e depois um carro parou ao meu lado e falaram algo, como não liguei tacaram uma bolbinha (daquelas que explodem ao cair no chão) perto de mim e foram embora.

Estou CANSADA disso Lola, CANSADA. Devo começar a reagir? O que eu devo falar nestas ocasiões? Não tem como sentir medo.

Beijos!
Bia.

Jana T. disse...

Gente, não sei se alguém já sugeriu, mas...
se uma pessoa se masturba em lugar público e tem testemunhas ou é pega em flagrante isso configura atentado ao pudor... acontecia aqui em Porto Alegre algo parecido: um cara encurralava alunas de cursinho na rua e se masturbava na frente delas... um dia uma polícia se caracterizou de aluna e prendeu o cara em flagrante...
fica a dica.

Rodrigo disse...

Continuo sem entender qual seria o tom discriminatorio do discurso do anonimo dos 19:50. Classificar o abusador como gay? Mesmo que o cara nao seja gay mesmo, nao vi problema nenhum nisso, e olha que sou chato com questoes relacionadas a homofobia. Mas enfim

Anônimo disse...

SOu o anônimo das 19:50. Claro que o cara era gay... se não fosse, não ia ficar se esfregando em mim, oras. Nunca vi homem heterossexual ficar se esfregando em outro homem... a gente sente nojo, de ficar se esfregando em outro homem, isso sim. Óbvio que o cara era gay.

Anônimo disse...

E aqueles caras que ficam olhando pros nossos decotes???? Nossa, que saco! Isso é muuuito mais comum, eu acho. Sempre que estou sentada, mesmo com decote pequeno, vem um cara e encosta do lado pra ficar olhando. Alguém comenta?

Anônimo disse...

Cretinos assim gastam ar alheio.
O negocio é gritar, fazer barraco, dar AQUELA cotovelada com toda sua força, usar uma taser, um canivete, seja oq for, pra mim tudo isso é válido.
Esses lixos nunca vão aprender a não abusar, portanto, já que os órgãos responsáveis pela segunça não estão fazendo oq deveria ser feito, nós mulheres temos que aprender a se defender SIM, seja como for.

Carol B.

jacmila disse...

G., Bia, e tantas outras moças: só quando um desses miseráveis levar várias tesouradas nos bagos talvez as autoridades (in)competentes acordem. E pelo q constato dos depoimentos, a situação piorou. Na época q eu andava mto de onibus, em SP e Bsb, nos anos 70 até os anos 90, o q testemunhei e sofri não chegou nessa ousadia absurda, nojenta, nauseante q vcs relatam aqui. Estou chocada, revoltada, com mta vontade de dar tesouradas bem dadas nos testículos desses...vermes? não, não quero indignar os vermes. Tem várias estratégias q já falaram, usaria todas, do berro à faca. O q não pode mais é ficar quieta, paralisada: chega!

Anônimo disse...

Phillipe (seekingwisdom), sou psicóloga, trabalhei num centro de referência de combate a homofobia por 2 anos. Acompanhei casos de rapazes que foram abusados. Escutei da boca deles seus relatos. Não minimizo a situação de forma alguma (como alguns revoltados comentaram aqui). Sei que os abusos existem. Hoje trabalho num centro de referência não especializado de assistência social. Não sou leiga no assunto. Os dois primeiros links que vc postou são sobre abuso sexual de meninos nos EUA e as informações são de que os abusadores geralmente são menores de idade tb. O terceiro link é sobre violência, não especificamente sobre abuso sexual. O ultimo link é sobre violência doméstica contra homens (que corresponde menos de 5% da violência doméstica geral (incluindo a violência contra crianças e adolescente), 80% dos casos de violência doméstica, são de homens contra mulheres. Suas indicações não me convenceram. Ragusa

Anônimo disse...

Anônimo que foi abusado: Gays são bastante abusados por homens heterossexuais. Pare de falar asneira que vou achar que vc veio aqui trollar. Ragusa

SeekingWisdom disse...

Ei Ragusa,
entendo que você não tenha minimizado o sofrimento de quem passa pelo abuso, mas certamente você:

"que são imensamente mais frequentes"

Para afirmar algo desse gênero realmente seria necessário maior cautela. É difícil estimar números sobre qualquer tipo de violência e mesmo sobre outros assuntos como, por exemplo, o aborto - que vou usar para ilustrar.

A luta pela legalização do aborto é algo que muito me interessa e leio bastante sobre as questões bioéticas e o impacto da legalização sobre a morte de mulheres around the world. É um assunto sempre complicao porque o número de pessoas que nunca parou para pensar no assunto e se inflama só de ouvir a palavra aborto é imenso. É muito difícil descontruir os estigmas da mulher que aborta numa sociedade de valores cristãs.
Um dia me deparo com a seguinte estatística: 200 mil mulheres morrem no Brasil por ano em decorrência da criminalização do aborto.
Quase caí pra trás! Comecei a rever números desesperadamente para tentar entender como podia ter me escapado tamanha fatalidade. Resultado: descobri que houve erro na transmissão da informação e que 200 mil por ano seriam o número de mulheres que passam por procedimentos médicos em virtudes de complicações de um aborto (induzido ou não). Faz mais sentido. Afinal estima-se que quase 1 milhão de abortos induzidos acontecam no Brasil. Se a estatistica fosse verdade, significaria que 22,8 mulheres morrem a cada HORA no país! A título de comparação nossa estimativa de violência de gênero é que 1 mulher morre a cada 2 horas.

Enfim, fiquei chateado com a divulgação dessa informação errada. Chateado porque ela serve de antipropaganda e de combustível para os críticos contrários à legalização. Chateado pois promove a contrução de outro estereótipo. Informação é importante.

Eu tinha afirmado que concordava com você (e continuo achando isso) que os homens devem ser vítimas menos frequentes. A questão é que não existem estatísticas seguras que quantifiquem esse tipo de abuso (nem para mulheres achei) e afirmar categoricamente que eles são imensamente menos frequentes acho errado.
E oh, questiono bastante esses casos de violência doméstica contra homem, em 5%. Violência doméstica apresenta uma série de características específicas que aprisionam a vítima em uma situação de violência sistemática. Não é levar tapa da mulher! Não é isso! Assim 5% pode estar até superestimado.

Os links não conseguem nem convencer a mim sobre a violência que acomete os homens, na verdade. O que eles conseguiram, é colocar em dúvida o "imensamente". Criar um estereótipo que subestima a violência contra qualquer grupo contribui para a invisilidade e perpetuação dessa violência. Vamos manter a cabeça aberta?

Abraços e obrigado pela resposta (e desculpe, em contrapartida, pela réplica gigante)

Phillipe

Carlinha disse...

Passei pela mesma situação num ônibus em Curitiba (minha cidade), mas no caso o tarado tentou ejacular na passageira ao meu lado. Minha reação: comecei a gritar e a fazer um escândalo absurdo. O motorista parou o ônibus e trancou as portas até que a polícia militar chegasse e prendesse o safado. Então, esse é meu conselho a passageira: grite, faça escândalo e não deixem o tarado sair do ônibus até que a PM chegue no local. Boa sorte!

jacmila disse...

" Acredito que as particularidades da violência podem ser bastante diversas, mas ela tem se tornado úbiqua e isso é preocupante."

http://www.dicionarioinformal.com.br/ubíqua/

Se é pra usar palavras difíceis, acentua direitinho.

jacmila disse...

Neste post, como em vários outros, aparecem comentaristas mascus disfarçados com um discurso intelectualóide, enquanto isso os doentes com pinto continuam a exibí-lo nos espaços públicos, a cultura do estupro continua e tudo o mais.

E ainda aparece quem defenda a masturbação em qq tempo e lugar, qdo der vontade, que "libertário", hein?

Comparar amamentação em público com masturbação em público? Dá pra entender a abissal diferença?

Por que será q algumas tantas pessoas com pinto tem a compulsão de exibi-lo em funcionamento nos espaços públicos? Lanço algumas hipóteses:

- por deboche, despeito, ódio, desprezo, misoginia enfim;
- é o "poder" q lhes resta, pois são uns pobres coitados.

E as pessoas empeniadas aqui será q qdo testemunharem estes absurdos, vão se mobilizar em defesa das vítimas?
tenho cá minhas dúvidas.

MonaLisa disse...

Que horror. Fosse comigo, eu teria passado a mão na porra e enfiado na boca dele.

Não deixem mais esses nojentos fazerem isso, comecem a dar bolsada, fazer escandalo. Eu ando com uma agulha de costura, só um rasgo e a dor é imensa.

Se eu presenciasse isso, ele estaria lascado.

Anônimo disse...

Henrique, se sua irmã e sua namorada usam transporte publico com frequência, elas provavelmente JÁ sofreram esse tipo de agressão. Infelizmente.

Anônimo disse...

"E as pessoas empeniadas aqui"
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

empeniadas


Morri.

Anônimo disse...

No Rio realmente não existe fiscalização nos vagões, mas, por experiência própria de quem trabalha no horário de pico, não há um homem que entre. E raramente, quando um entra, escuta um coro de mulheres e sai na mesma hora.

lady disse...

Eu não formei essa opinião "ontem", antigamente eu era bem contra a separação de vagões por uma questão ~ideológica-pedagógica-educativa-fé na humanidade-dever do Estado-políticas públicas de segurança~ PORÉM na primeira vez que senti um pau duro roçando em mim absolutamente contra a minha vontade em plena Linha Vermelha de São Paulo, reclamei em alto e ótimo tom e as pessoas ao meu redor fizeram exatamente NADA (tive eu que descer) passei a achar uma ideia maravilhosa um vagão exclusivamente feminino em cada trem e metrô e que nem todo sectarismo é uma coisa ruim.

jacmila disse...

Mto a se pensar no teu comentário Lady. Depois de uma dia de trabalho ter q passar por essa humilhação, esse trauma -pq isso fica impregnado na nossa memória, e esses lixos sabem mto bem disso - claro q a alternativa da separação - e nem digo segregação - é um alívio. E foi esse o primeiro comentário deste post, o q já dá a dimensão do problema. Outra coisa deprimente são as pessoas em volta se fazendo de omissas, covardes. Estão num onibus, na rua, nos espaços públicos mas encerradas em seus mundinhos privativos. Ver uma adolescente ser abusada no onibus e não fazer nada, qta covardia! Vc não paralisou, reagiu e fez bem. Pena q estava rodeada de covardes.

MonaLisa disse...

Curioso é que a maioria dos relatos das meninas aqui que passaram por isso e não reagiram era quando eram mais novas.

O que explica a obessessão desses nojentos em fazer delas as vitimas em potenciais.

Por isso, esse blog deveria ser leitura obrigatória pra todas as mulheres, inclusive meninas que estão na escola.

Eu era muito julgada por minhas atitudes extremas e graças a seu blog, Lola, vejo que não estou sozinha.

Obrigada, Lola. ^^

Mordred Paganini disse...

Ser vulnerável te expõe ao abuso.

Abusadores não escolhem vítimas por tesão, mas por vulnerabilidade.

Só que a nossa sociedade cria mulheres para serem absolutamente vulneráveis.

E além disto, temos as crianças, naturalmente vulneráveis.

Abusos sexuais, violência doméstica, escravidão...Quem são as maiores vítimas? Mulheres e crianças!

O que devemos fazer frente a isso?

Buscar nossa força, ajudar outras mulheres a não serem mais vulneráveis, proteger mulheres que ainda não encontraram a sua própria força e proteger nossas crianças.

É uma atitude que precisa estar no coletivo!

E esse um dos motivos pelo qual sugeri o taser.
Imaginem se os tarados dos ônibus começassem a ser eletrocutados!
Imagine um caso desses por semana em São Paulo?
Claro que isso renderia mais frutos do que simplesmente separar vagões.
Alguém aqui mesmo já reparou que a separação poderia "dar licença" aos abusadores quando a mulher precisasse estar em espaços compartilhados!

Anônimo disse...

claro que existe sexismo do estado neste caso pois se uma mulher passar a mão num homem no ônibus ela vai ser prontamente executada em praça publica diferentemente do que aconteceria com um homem que receberia uma salva de palmas .

Anônimo disse...

"E esse um dos motivos pelo qual sugeri o taser.
Imaginem se os tarados dos ônibus começassem a ser eletrocutados!"

Vamos supor que estamos dentro de um ônibus e o tarado se esfrega no meu corpo. Aí eu uso o taser de contato nele. Se alguém estiver encostado nele, vai receber o choque também? Ou eu, caso ele esteja encostado em mim?

Anônimo disse...

ja roçaram no meu ombro e eu tb demorei a acreditar q alguem era capaz de fazer isso, fiquei com medo de fazer uma acusaçao injusta, constrangida com a situaçao. meninas, NAO FAÇAM ISSO. FAÇAM ESCANDALO. NAO TENHAM VERGONHA. quem tem que se envergonhar, é o estuprador.

depois dessa vez, passei a andar com ponta seca de compasso espetada no bolso e tesoura na mochila.

se eu tivesse uma filha hoje, COM TODA CERTEZA daria um taser pra ela. quanto mais cedo, melhor. e nao ia mandar usar com moderaçao, nao! tem q descarregar choque no filho da puta até ele morrer. menos um estuprador no mundo, ja vai tarde.

eu comecei a ser assediada com 9 anos, com minha mae AO MEU LADO. eles nao respeitam ninguem.

Cora disse...


as mulheres precisam aprender a se defender!! enqto a vergonha e a culpa acompanhar a mulher em agressões sexistas, o machismo vence. é necessário interromper esse ciclo vicioso. é necessário ensinar às meninas, às moças e às mulheres que elas podem e devem se defender de homens! é necessário ensiná-las a reagir, a levantar a cabeça e dizer NÃO! dizer NÃO A TODA E QUALQUER ATITUDE MACHISTA. dizer NÃO e virar as costas e simplesmente ir embora. por isso é muito importante a independência emocional e econômica. e por isso a resistência dos homens ao trabalho da mulher. mulher dependente é mulher limitada, sem escolha.

a vida do machista deve ser tornada difícil. suas atitudes, reprováveis. enqto for tranquilo ser um idiota machista/misógino, os homens continuarão. enqto rirmos de piadas machistas, os homens continuarão. enqto aceitarmos atitudes machistas, os homens continuarão. enqto não reconhecermos atitudes machistas, os homens continuarão.

a mulher pode e deve dizer NÃO.

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qto ao “tarado”, o caminho é dar visibilidade a esse tipo de agressão. gritar mesmo. estamos com a razão. o errado é o cara. é ele q tem q ficar constrangido, incomodado, envergonhado. não nós.

a vergonha do agredido é a principal arma do agressor. e essa arma deve ser retirada dele.

se o ônibus estiver vazio, pode ser perigoso gritar com o cara diretamente, apesar desses tarados em geral não serem fisicamente violentos. mas, se a vítima for criança ou adolescente, ele pode se sentir impelido à agressão. então o negócio é sair do lugar e falar com o motorista ou com o cobrador. chamar a atenção para si e para o q está acontecendo.

mas jamais aceitar ou ficar envergonhada. jamais de encolher. quem tá errado não somos nós.

considero muito importante q as crianças sejam ensinadas sempre a se defenderem.

(não deixa de ser irônico q a violência contra a mulher – incluindo aí o estupro – seja o único caso de violência em q é exigido da vítima q ela reaja sob pena de ser considerada responsável pela agressão q sofre. isso diz muito sobre nossa sociedade.)

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eu sou muito respondona. uma amiga disse q qq dia ainda serei agredida na rua ou no ônibus, pq qdo eu vejo alguma coisa indignante acontecendo, eu falo!! sou dessas q compra briga. no trânsito, já cansei de bater boca com motorista folgado. já comprei briga de pessoas em reclamação de loja, serviços... às vezes eu me controlo e fico quieta, só pra não parecer muito chata, mas essas pequenas injustiças ou desrespeitos me incomodam e eu falo mesmo.

já reagi a assalto, inclusive. não recomendo pra ninguém, evidentemente, mas o cara chegou gritando, empurrando e colocando a mão na minha bolsa. na hora nem pensei, mas não cedi. caímos e ficamos brigando no chão, até q ele me soltou e foi embora. sei q tive uma baita sorte do cara não estar armado, mas reagi sem pensar, claro!

de qq forma, depois do susto, me senti muito bem.

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mulheres, não tenham medo de reagir à violência machista. fortaleçam-se e reajam.

por isso o trabalho da Lola e de todas as ativistas feministas é muito importante. dar força e voz às mulheres. somente isso, a força da mulher, acabará com o machismo.

Bruna F. disse...

Abri o link do vídeo do metro e encontrei esse outro aqui: http://www.youtube.com/watch?feature=fvwp&v=0PlRQnp6v1w&NR=1 "Mulheres desatentas são gravadas no metro". Revoltante!! Em nenhum momento da reportagem a jornalista critica o comportamento machista. O próprio título sugere que a culpa é das mulheres!!Inacreditável! Uma entrevistada que diz que se acontecesse com ela, ela iria partir pra cima. E o comentário da jornalista é: a reação das mulheres nem sempre é a mais adequada. Claro, ela tem que ficar quieta e fingir que não está acontecendo nada de errado. É isso que a cultura de estupro ensina...