sábado, 19 de janeiro de 2013

GUEST POST: MEUS GRITOS DE NÃO

Fernanda, que está morando na Holanda, me enviou um relato fascinante sobre sua revolta e transformação.

Sou mais uma leitora assídua que nunca comenta, mas o respeito às tuas ideias fica aqui registrado (nem todas as ideias). Só suficiente para perder a paciência quando você não posta logo. Sou uma mulher de 30 anos que resolveu voltar a ser estudante e outras cositas mais. Hoje, refaço meus princípios de vida, e no blog tenho encontrado voz para minhas indignações.
Lembra daquela cena de Planeta dos Macacos - A Origem em que o Cesar grita "no"? Eu sei bem o que isso significa. Na verdade ele queria gritar esse "não" bem antes. Se prestarmos atenção em algumas cenas anteriores, sua respiração se acelera, a coleira aperta, o quarto já não é grande o suficiente, mas o "no" não sai e fica apenas um nó aflito, engasgado e revoltado por ser o lado mais fraco.
Eu também ensaiei esse "no" várias vezes. Na verdade eu o desejei desde a minha infância, que ao contrário sua, minha cara Lola, foi reprimida por um pai extremamente machista, preconceituoso, autoritário e por aí vai. A gente (eu e meus irmãos) tinha que driblá-lo para ser feliz, brincar, encontrar a família e amigos. Criança é mesmo sensacional nessas coisas. Era cada esconderijo, plano astuto, adrenalina a mil!
Meu primeiro “no” ao machismo/autoritarismo/crime foi tímido. Aos 14 aninhos, no ônibus do interior para a capital onde passei a estudar. O clássico abuso à garotinha que tentava dormir. Eu, apavorada, mas tentando bravamente disfarçar, disse timidamente e retirando aquela mão nojenta sobre mim: “Limite-se a ficar no seu lugar”. Chorei o resto da viagem, além do medo de ele me perseguir com aquela cara de ódio que ficou.
Não foi a única vez. Alguns anos se passaram, anos, obviamente, não isentos de cenas toscas de autoritarismo masculino. Tudo aquilo me transformava. “Não, não podia ser”. Essa frase martelava minhas idéias e por volta dos 18/19 anos, a vida moldava uma mulher que definitivamente não atendia àquelas exigências. Mesmo sem contatos fortes com ideias feministas, sem pessoas que me guiassem por um caminho de liberdade, com um MUNDO TODO a me dizer que eu deveria me conformar que a vida era assim, tudo isso só fazia minha rebeldia explodir.
A cena do ônibus iria se repetir no mesmo ônibus, a viagem agora era de volta da capital ao interior onde iria visitar minha família. Aqui o criminoso não encontraria mais tanta ingenuidade e impunidade! É Lolinha, berrei mesmo! Abri o bocão, acendi as luzes, xinguei, acordei o ônibus todo, exigi providências e não iria trocar de lugar como a rodomoça havia me sugerido. 
Agora, me pergunte quantos dos meus conterrâneos me defenderam? Quantos quiseram saber o que acontecera? Pessoas que me conheciam, que conheciam minha família, que se diziam nossas amigas, ficaram acuadas, acovardadas diante do tal doutor, respeitável demais para ir pra cadeia. Ele saltou no meio da escuridão e quem foi parar na delegacia e nos holofotes da cidade fui eu, inclusive com ameaças de processo! Sem falar nos comentários ridículos: Por que você viaja sozinha? E à noite? (Vou te poupar do resto).
Mas todas essas experiências e muitas outras que viriam me dariam forças para dizer o próximo “no”. Aqui eu já lia o movimento feminista, mas andava longe de vivê-lo. Sabe, Lola, tudo é muito bem feito. O sistema nos engana direitinho. Chega um determinado ponto que a sede por liberdade e igualdade não passa de sonho distante. Meu meio era todo hierarquizado e no poder estava sempre um homem. As piadas, as músicas, os casos na minha família e ao meu redor, a mídia e as histórias de vida estavam todas juntas para me dizer que era assim e pronto. Eu costumava dizer que não conhecia um único exemplo de casal em que eu olhasse e dissesse: assim, eu gostaria!
Casei com um homem que se dizia intelectual, formador de opinião, professor, e das humanas, hein! E me vi num emaranhado de emoções. Nossa, eu me pergunto como é que eu, toda metida a rebelde, independente e com certo potencial de crítica, me deixei levar assim tão fácil! Novamente, eu repito, o sistema é bem feito e dá tapas na nossa cara. Então vem a vergonha de dizer pra família, o desejo incontrolável de querer que dê certo, a não aceitação que foi um terrível engano. Que aquele que deveria ser teu companheiro, é teu agressor. Aquele que te prometeu amores sem fim, é teu opressor. Bem aqui descobri que não era tímida, descobri que só fui “tímida” na presença do meu pai e do (ex)marido, descobri que ser oprimida é diferente de ser tímida. Minha espontaneidade e autoconfiança eram inexistentes.
Resultado disso foi a anulação do meu eu, da minha opinião, do meu desejo. Eu simplesmente não existia, não poderia ter opinião contrária, não poderia ter talento ou ser melhor que eles em qualquer outra coisa. É ridículo, não é? Ainda dói e me constrange lembrar tudo, mas se o meu relato de alguma maneira ajudar alguém a dizer também seu “no”, então valerá a pena. Em meio à violência eu gritei o grande “no” da vida, gritei apenas, pois fisicamente era mais frágil, mas tive certeza que seria a última vez. E foi.
Tudo passa se você quiser que passe. Nunca mais fui a mesma. Assumi minha identidade e tomei as rédeas da minha vida. Aceitei que posso perfeitamente ser feliz sozinha, e, se não quero ficar sozinha, meu critério de seleção tornou-se mais rigoroso. Ser feliz e mais nada era/é meu lema, e meus princípios aos poucos estão se reformulando.
Não fiquei só. Ainda gosto de fazer muitas coisas só, simplesmente porque eu amo minha companhia, mas interajo bem em sociedade. Meu atual namorado é muito do que eu desejo (não vou dizer que é tudo que eu desejo, né), e por causa dele fui apresentada a um novo meio onde homens fazem atividades domésticas, cuidam das crianças e não desejam ofuscar suas mulheres.
Infelizmente, ele não é brasileiro e optamos (depois de pesar e pensar bem) em eu vir morar na Holanda com ele. E quero deixar bem claro que não tem nada daquilo de desprezar o Brasil. Particularmente, não sou patriota, nem vou com a cara de fronteiras. Por mim, o mundo seria uma zona só! Mas o fato é que eu nasci e me desenvolvi num meio machista, autoritário e violento. Eu simplesmente não conhecia outro meio. A TV não me mostrava outra realidade. Respeito e igualdades só vinham juntos nos meus sonhos e livros. Mas eu quero dizer que isso existe sim!
Encontrei o que queria num lugar um pouco mais distante. Sinto muita falta da minha família e amigos, mas a experiência do multiculturalismo aqui é única. Talvez eu ainda volte para o Brasil, só que até lá quero absorver o máximo de tolerância e ideais de igualdade possíveis. Sabe aquelas lutas sociais no Brasil pela liberdade de opção sexual, aborto, eutanásia, prostituição, tolerância às drogas leves (tolerância, porque descobri recentemente que não é exatamente legal)? Pois é, isso tudo já é uma realidade aqui há anos! Você sabe a sensação de sair na rua, não importa o quão justa ou decotada seja sua roupa e ninguém, eu disse NINGUÉM te incomodar? 
Imagina que eu cheguei com todos os clichês sobre imigrantes (maltratados, sofrem preconceitos, sem oportunidades) ainda mais sobre a mulher brasileira (vai ser barrada na migração, vão pensar que foi fazer programa, foi se aproveitar no estrangeiro), vim realmente preparada para responder grosso. NUNCA precisei! Outro dia o site da universidade veio ilustrado com a foto de duas garotas com vestidos de noiva se beijando. Pirou? Depois de um ano eu ainda me deslumbro com tudo isso, mas sei que nada é perfeito.
Minha integração aqui está quase completa, falta uma última provinha. Vou precisar recomeçar algumas coisas, mas agora quem decide sou eu. Decidi inclusive que vou voltar pra universidade e estudar o que mais gosto. Vou me preparar para fazer mais pelas mulheres e crianças. 
Termino meu relato com o Cesar novamente: “Cesar is home” (Cesar está em casa). Não me refiro à Holanda ou ao Brasil. Cesar se sentiu em casa quando ele pôde ser ele mesmo, ainda que isso o separasse daqueles que diziam ser sua família e amigos, ou mesmo do que dizem ser o lugar mais confortável para nós. Eu estou em casa e, atualmente (felizmente) me sinto assim em vários lugares. Só preciso ter a liberdade de ser eu mesma.

52 comentários:

Sophia disse...

Eu me identifiquei bastante com o post. Eu que sei o quanto fui/sou oprimida. Passei a infância toda dentro de um consultório de psicologia, por que minha mãe insistia na possibilidade de que eu só podia ser louca "ela não para quieta um instante só, não se comporta na mesa, não tem paciência pras bonecas...". Meu pai sempre foi um homem bastante opressor, totalitário, lembro de ter batido o pé uma única vez, firme de que queria cursar faculdade em outro estado e morar sozinha, levei um tapaço na cara "por que filha minha só sai de casa casada". Meus avós, que sempre foram presentes em minha criação me obrigaram de certa a forma a aprender cozinhar, lavar, bordar e tricotar; por que aquilo seria esperado de mim pelo meu marido. Uma realidade não tão absurda visto que eu fui criado numa cidade do sertão e numa cidade do interior litorâneo do nordeste, onde ainda hoje as 'prendas' femininas, são consideradas virtudes. Mas, nunca foi aquilo que eu queria. Aos 18 eu comecei quase uma vida dupla, adoraria ter contado a todo mundo, mas quem entenderia naquele contexto? Se eu contasse o quanto tinha uma vida sexual ativa, ou como eu queria mesmo era estudar e não me casar quem me apoiaria? Foi um caminho árduo, por que é difícil vencer quando as pessoas que você mais ama quer sua derrota. Mas, eu me formei, doutorei, consegui tudo por que ansiava e não me arrependo. Por mais difícil que seja ser chamada de depravada pela própria mãe, eu nunca seria feliz vivendo os medos e as expectativas dela. Eu precisava do meu horizonte, de minhas próprias lutas. Se sofro preconceito? Muito. Piadas indevidas, cantadas constrangedoras. Ontem mesmo eu ouvi a pérola "No dia que um homem te pegar de jeito, você deixa de ser feminista", minha resposta tem sido única "vários já me pegaram, e muitos ainda pegarão, nem por isso deixei de acreditar em nada"

Anônimo disse...

Diga não a sociedade machista ocidental patriarcal vai viver a liberdade das sociedades matriarcais africanas e asiaticas e abandone toda tecnologia criada pelos homens malvados...

se fizer isso aposto que em 6 meses volta com o rabo entre as pernas...

Sara disse...

Tb me senti identificada a muitos trechos desse post Fernanda.
Tb aprendi aos poucos e devagar a dizer "NO" ainda tenho mais a aprender.
Tb concordo com vc no que diz "que o sistema nos engana", mas tb aprendi a sabota-lo, sem nenhuma dor na conciência.
É muito bom ter um espaço como esse da Lola, e poder ter acesso a uma experiência tão rica como a sua.

suelen disse...

fiquei deprimida agora,mais uma prova de como o mundo é machista e nojento.

Liss Spinardi disse...

Não sei aonde vc mora na Holanda. Eu também moro aqui desde o inicio de 2008. Morei um ano em Amsterdam e atualmente moro em Rotterdam (duas das maiores cidades daqui). Só posso dizer uma coisa, quando eu tinha só um ano que morava aqui eu tbm achava a Holanda um país livre de preconceitos. Essa ilusão se foi já faz uns 3 anos. Assim que vc passa a lidar com holandeses todos os dias vc descobre o quão preconceituosos eles realmente são. A diferença é que o preconceito deles é bem mais enrustido e eles não falam tão abertamente sobre o que lhes incomoda. Quanto ao sexismo, é sim bem menor do que em outros países, mas a Holanda ainda está longe de ser completamente livre de sexismo...

Anônimo disse...

vc é uma mulher de sorte.

eu moro no canada (onde começou a marcha das vadias, pra quem nao lembra), e sou vitima de assédio sexual e tentativas de intimidaçao dos homens com certa frequencia. criei um diario do assedio, onde marco a data das agressoes. dia 5 de dezembro fui vitima de assedio no metro, tive que chamar os seguranças, que me escoltaram pra que o individuo nao me abordasse mais nem me seguisse. consegui comemorar 1 mês sem sofrer assedio (U-HU!). mas infelizmente nao cheguei aos dois meses. ontem, 18 de janeiro, fui vitima novamente, dentro de uma biblioteca. e la vou eu de novo chamar segurança. nao fico mais calada nao. apesar de falar fluentemente o idioma, na hora de expressar a raiva, indignacao e revolta é dificil, da vontade de sair xingando o babaca em portugues.

nao ta facil nao.

espero um dia ter a mesma "liberdade" que vc.

alice

Anônimo disse...

A pessoa que me diz todos os dias que o mundo é machista e eu deveria aceitar casou com o meu pai a poucos meses. Ela acha que eu sou infeliz, e quer me "consertar". Realmente, a minha revolta quando descobri o feminismo foi drástica, entrei em um momento de questionamento e autoconhecimento muito profundo, demonstrei a revolta simplesmente por ser honesta demais com meus sentimentos e com as pessoas que me cercam. Meu pai tem alguns resquicios da sociedade machista, mas não é nada tão drástico e autoritário como eu observo na esposa dele. Meu pai sempre respeitou meu ponto de vista, foi bastante liberal comigo e meu irmão mais novo e inclusive já mudou muito do próprio machismo por nossa causa.

Toda vez que minha madrasta tenta me dizer que homens são assim mesmo, que foi oprimida na adolescencia, sofreu violencia domestica com o ex marido, eu vejo como ela é triste, como ela, mesmo saindo da situação de abuso que passou a vida toda ainda não se libertou das amarras. Eu acredito que ela me veja como uma solteirona (estou solteira a 3 anos e tenho 24 anos, ou seja a vida toda pra conhecer alguém) e caso ela se torne uma feminista como eu, ela tenha que acabar com o casamento dela.

Lola, eu não sei como me impor mais. Já falei como me incomoda o tipo de abordagem machista dela, já disse meu "no" várias vezes, mas só parece aumentar a distancia entre nós.

Foi apenas um desabafo pois me identifiquei com a história da postagem, obrigada pelo seu blog, leio todos os dias.

Lilian Soares do Nascimento disse...

Liberdade é realmente uma conquista diária, principalmente para nós mulheres. Mas, não só para nós. O machismo e demais precocneitos e dogmatismos escravizaram tanto as sociedades que parece não sobrar nem tempo, nem pensamento e nem disposição para as pessoas simplesmente descobrirem-se.

Sei lá. Existem tantas possibilidades. Pq simplesmente vomitamos as mesmas coisas? Coisas que não fazem bem pra ninguém...

Anônimo disse...

Pois é, não é só nos países islâmicos que isso acontece, infelizmente:
http://g1.globo.com/goias/noticia/2013/01/suspeito-de-jogar-bomba-em-casal-postou-ameacas-na-web-diz-delegado.html

Esse suspeito é ex-namorado da vítima e teria feito isso por ciúmes,hanram. Espero que essa "moda" não pegue aqui.

Cora disse...


muito bacana o post!

acho isso extremamente importante.

o caminho é este mesmo.

dizer não.

gritar não!

apontar com convicção o agressor.

apontar com convicção a violência.

nunca chorar ao ser agredida. o errado é o agressor. é ele q deve sofrer. é ele q deve chorar. é ele q deve sentir-se mal.

(o agressor conta com a vergonha e o silêncio da vítima. e isso tem q acabar!)

entender q pode dizer não.

entender q deve dizer não.

não à opressão, ao servilismo, à dependência, à violência.

entender q tem direito a uma vida. tem direito ao respeito. tem direito à autonomia. tem direito à felicidade. tem direito às contrapartidas do parceiro.

entender q não é preciso se anular completamente para ter um relacionamento, formar família, trabalhar, ser feliz.

entender q ser independente não é um defeito para a mulher, como as tradições patriarcais pregam há milênios.

aliás, esta deturpação, q aparece em toda conversa sobre afirmação feminina, é o retrato do patriarcado. sabe essa lenga-lenga de dizer q mulheres fortes e decididas nunca formarão família? nunca serão felizes? essa lenga-lenga de confundir a reivindicação de uma vida própria e autônoma com bebedeiras e promiscuidade? só q essa lavagem cerebral milenar cada vez mais tem menos efeito sobre as mulheres e os homens. esse discurso tacanho vai desaparecer com os últimos suspiros da violência do machismo contra a mulher.

o fim do machismo e das influências do patriarcado chegará quando as mulheres, todas as mulheres, em todos os lugares, entenderem q podem dizer NÃO!

e, como a Sara disse, passarmos todas a sabotar o sistema sem dor na consciência.

Katy disse...

Só tenho uma coisa a dizer: quero ir morar na Holanda.

Anônimo disse...

Acho muito válida a afirmacao da Liss Spinardi sobre o preconceito enrustido. Estou morando na Alemanha e, antes de vir, tinha aquela ideia de que seria um país mais igualitário em questoes sociais de gênero, com menos preconceitos. A chefe de Estado é uma mulher respeitadíssima por todo o país! O prefeito de Berlim é assumidamente homossexual! Sao cargos de grande visibilidade, sim, mas é só ligar a TV que vemos a mesma objetificacao da mulher e riicularizacao dos homossexuais estereotípicos (homens, pois as lésbicas sao invisíveis em qualquer lugar), só para se ter uma ideia do que chega na casa das pessoas. Alemaes também adoram o Charlie Sheen. Talvez uma pequena vanguarda o faca, mas o homem médio alemao nao divide as tarefas em casa. Nao se muda a mentalidade de uma sociedade patriarcal construída ao longo de centenas de anos em umas poucas décadas de feminismo. Por isso devemos continuar lutando, onde quer que estejamos.

O próprio fato de nao ouvirmos comentários machistas na rua, nao sei quanto disso eu atribuiria a conquista do feminismo e quanto à própria cultura geral de valorizacao da discricao do país (falo da alemanha mas acho que se aplicaria também à holanda). por mais nojentamente machista que seja, eu nao consigo imaginar um alemao gritando na rua para uma mulher que ela é gostosa...

Anônimo disse...

O elogio à Holanda é fantasioso. É um lugar preconceituoso como toda a Europa. Logo você saberá. Para além disso, há nãos e nãos. Dizer não para o tiozinho que passa a mão em ti é fácil. Dizer não para o sistema que te leva e te sustenta na Holanda é bem mais difícil.

Rose disse...

Sabe, eu não quero morar na Holanda, mas queria muito poder sair e voltar dos lugares sem medo de ser agredida. Não é pedir muito, não é?

Cora disse...


a mentalidade milenar, sustentada pelas mitologias, especialmente as três grandes monoteístas, não muda em poucas décadas, de fato.

é só mudará quando a mulher recusar o tempo todo o machismo.

(veja bem, não estou excluindo homens da mudança, mas é a mulher a protagonista dessa história, q começa no cotidiano.)

a luta é grande e permanente.

pra isso serão necessários muitos nãos.

muitos mesmo.

o tempo todo.

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se é educação pura e simples o q faz com q em alguns países europeus a mulher seja respeitada nas ruas, as coisas ficam mais fáceis (pelo menos nesse aspecto). basta então, um pouco de civilidade.

a divisão de tarefas no lar pode não ser perfeita ainda, mas é muito mais do q existe aqui, em q exigir respeito às mulheres é entendido como castrar homens.

tem jeito mais explícito de dizer q eles não acreditam q merecemos respeito?

o menosprezo deles pela emancipação feminina fica evidente quando dizem isso.

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o machista tem medo de ser tratado como trata as mulheres. é este o maior pesadelo do machista/masculinista. o homem é emocionalmente fraco demais pra suportar o q mulheres suportam há milênios.

mulheres sempre foram abandonadas por homens e sempre tocaram a vida em frente, assumindo todos os filhos sozinha, mesmo em épocas em q ser uma mulher abandonada era um suicídio social.

homens abandonados matam.

mulheres sempre foram traídas por homens a vida inteira e suportavam a vergonha, pois o custo social de ser sozinha era ainda mais alto.

homens traídos matam.

mulheres sempre fizeram de tudo pelo crescimento pessoal do marido.

homens boicotam o crescimento pessoal das esposas e as abandonam quando elas não desistem.

homens jamais aguentariam viver na pele de uma mulher. jamais. viver na pele de uma mulher de baixa renda, então... completamente incapazes.


Isadora G. disse...

Anônimo das 20:42, que disse que "Dizer não para o tiozinho que passa a mão em ti é fácil. Dizer não para o sistema que te leva e te sustenta na Holanda é bem mais difícil.", em primeiro lugar: percebe-se que você é alguém que tem grande dificuldade em exercer a tua capacidade de empatia. Então você realmente acha que é FÁCIL para uma menina de 14 anos ter sua intimidade violada por um desconhecido, que vê o corpo feminino como propriedade pública e se acha no direito de passar a mão nele sem julgar necessário que a dona desse corpo consinta com isso? E mais, acha que é fácil ter de suportar isso calada? Depois, com 18 anos/19 anos, quando ela tomou coragem e disse NÃO, vc acha que algo tinha magicamente mudado e esse tipo de comportamento invasivo e nojento havia se tornado menos desagradável, e por isso seria FÁCIL se levantar contra um cara que fez a mesma coisa, sabendo que o ônibus todo poderia se voltar contra você e ter de lidar com a revolta que essa injustiça causa, além da raiva de ter tido a liberdade do teu corpo desrespeitada? Como você pode minimizar assim uma experiência horrível como essa? TENTE se colocar no lugar do outro, eu prometo que não é tão difícil, é só pensar um pouquinho e ter o mínimo de sensibilidade.
Em segundo lugar, quando você diz que é mais difícil dizer não ao sistema que a leva e a sustenta na Holanda, suponho que você esteja se referindo ao patriarcado. A única coisa citada no guest post quanto à isso foi que o companheiro dela é de lá, e eles optaram por ela ir morar com ele. O que o leva a crer que ela é sustentada? Você já parou pra pensar que foi uma ESCOLHA do casal, e pelo que eu pude entender ela está estudando, e você sequer tem como saber se ela trabalha lá, isso não é mencionado.
Por que você acha que necessariamente ela foi levada para lá por um homem e é sustentada pelo mesmo? Você não sabe! Quer dizer então que uma mulher só pode morar na Holanda se for levada e sustentada por um homem, não lhe passa pela cabeça que pode ser por mérito próprio? Não percebe que ela e o companheiro devem dividir muitas conquistas, mesmo que ela não trabalhe fora? Não, você já supõe que ela é sustentada, como se todas as mulheres fossem bancadas pelo patriarcado! Ah, faça-me o favor, viu? ACORDE!

Sofia L.B. disse...

certamente dizer "não" para todo um sistema é foda, mas se vc acha que dizer "não" para alguém que te passa a mão na rua fácil... talvez vc não viva na mesma cultura que eu, em que mulheres são ensinadas a temer o estupro quando saem de casa...

sério, nossa sociedade se preocupa mais com como as pessoas vão reagir a uma cretinisse do que com a cretinisse em si... Se eu reajo a um cara que passou a mão em mim sem o meu consentimento e ele me estupra/bate/mata, vai chover gente dizendo que eu mereci, MESMO. (Fora o medo, obviamente, que qualquer uma dessas coisas aconteça, caso eu reaja...)

fico pensando em quão cretinos são esses caras que dizem que não é pra ensinar "o homem a não estuprar", pq fica parecendo que a gente tá pensando que todo homem é estuprador... Pqp, será que eles não percebem que a nossa cultura JÁ ensina que a obrigação de se evitar um estupro é nossa PORQUE TODO HOMEM É ESTUPRADOR, incapaz de se controlar? Que se alguém tá dizendo pra ensinar que "não pode tratar mulher como objeto" é porque pensa que eles SÃO CAPAZES de tratar mulher com respeito?

______

gente, com certeza a Holanda não é perfeita e tem muito a melhorar. Mas vamos combinar que isso não quer dizer que ela já conquistou diversos pontos em questão de gênero... Inclusive, que a gente gostaria de já ter...
Eu fico imaginando como deve ser, poder usar a roupa que quiser... sair na rua sem medo de que estranhos se achem no direito de me assediar... Putz, ia ser MUITO, MUITO bom, libertador...

Sofia L.B. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sofia L.B. disse...

reli o comentário, e vi que interpretei errado... mas valeu pelo desabafo, huashuashau...

Bom, mesmo no caso do ônibus, é difícil... Vc não sabe como o "tiozinho" vai reagir. Na verdade, vc não sabe nem como as outras pessoas no ônibus vão reagir. Se ele falasse qualquer coisa do nível "sou um homem de família", acho que tinha chance de ficarem do lado dele...

enfim... Na verdade, acho que a Isadora G. já te respondeu muito bem, e prometo tentar ler os comentários direito, ok?

Anônimo disse...

Diga não a sociedade machista ocidental patriarcal vai viver a liberdade das sociedades matriarcais africanas e asiaticas e abandone toda tecnologia criada pelos homens malvados...

se fizer isso aposto que em 6 meses volta com o rabo entre as pernas...

Feminismo é sociedade matriarcal? Nem pra pesquisar no google ou dar uma olhadinha na wikipedia presta... tão fácil, né?

Dona do Sexo -Bonobo rules,Jaçanã forever disse...

Sinceramente,na Europa so deve ter uns 7 paises mais feministas e o do topo deve ser Islandia.E Alemanha/Holanda/Inglaterra nao o é.Estao mais pro Norte da Europa.
Com certeza sem eu mesmo por os pés,espanhois e italianos devem ganhar em disparado em machismo.

Anônimo disse...

Bom, eu também moro na Alemanha e ainda nao conheco a Holanda. O que eu percebo é que de uma uma maneira geral há um pouco mais de respeito às mulheres e homossexuais - imagino que na Holanda seja assim também. Lógico que tem homofobia, sexismo, slut shaming etc., mas é bem menos frequente e menos "reacionário" por assim dizer. Como alguém ja disse, é impossível descontruir milênios de machismo em poucas décadas.

Fernanda Mychelle disse...

Anônimo das 20:42: Sim, eu trabalho aqui já há algum tempo. Não, eu não sou sutentata pelo sistema e nem pelo meu namorado e pago com minha grana meus estudos. Mesmo assim escolhi viver aqui por motivos completamente diferentes dos que vc pensa e por enquanto não me arrependi.

Liss Spinardi, eu moro em Tilburg. Praticamente não tenho contato com brasileiros aqui. Quem sabe um dia poderemos tomar um café?

Nem de longe quis dizer que a Holanda é perfeita e o Brasil não. É apenas um relato de uma experiência particular. As conquistas legais de liberdade e tolerância estão mesmo há anos luz do Brasil, mas pessoas preconceituosas estão em todos os lugares independentemente de leis. No meu caso, dei sorte de não ter tido (ainda?) problemas com assédios e machismos durante esses 2 primeiros anos, mas sei que isso ainda vai acontecer e quero está bem preparada p ocasião, se é que é possível.

Sara disse...

Nossa Cora vc esta inspirada heimmm, sem palavras p elogiar seus comentários.

homens jamais aguentariam viver na pele de uma mulher. jamais. viver na pele de uma mulher de baixa renda, então... completamente incapazes.[2]

Anônimo disse...

Moro na Europa há quase 8 anos. Recomendo não romantizar tanto. Quem chega tem um choque por não encontrar aqui os sinais de machismo e preconceito que esta acostumadx e por isso acha que é muito diferente ou que uma série de aspectos opressivos da cultura não existe. Em geral, questão de tempo até identificá-los.

Fernanda Mychelle disse...

Isadora G. Mto obrigada pelo comentário. Vc defende todas as mulheres que buscam independência e liberdade.

Sinto mto em decepcionar o Anônimo das 20:42, não é bem esse o caso. É isso que se espera de uma mulher que decidiu morar em outro país? Que ela seja sustentada pelo sistema e pelo patriarcado? Não foi o sistema que me trouxe, foi uma decisão nossa e difícil p mim, afinal, eu já tinha conquistado uma vida estável e confortável no Brasil (o divórcio me deu liberdade de crescer)e teria que recomeçar praticamente do zero em outro lugar. Na verdade, o sistema não me ajuda a vir morar na Holanda, pelo contrário, o visto é caro, seletivo e burocrático mas foi possível p mim e desde o começo optei em dividir TODAS as despesas com meu parceiro, tendo em vista ter sido uma decisão conjunta. Eu mentiria se negasse um deslumbramento em relação ao trato com as mulheres, mas lembre-se que eu nunca tinha visto isso antes. Claro que deve existir inúmeros casos no Brasil, eu só não tive a sorte de vivenciá-los. Essas experiências de liberdade aconteceram aqui na Holanda, mas poderia ter sido em qualquer outro lugar e o deslumbramento seria o mesmo.
Quem sabe isso seja tema para um próximo post, uma discussão sobre a imagem da mulher que decide morar em outro país e o pq os (principalmente) homens sempre associarem à prostituição e ao "tirar proveito". Os motivos que levam a tal decisão são bem mais profundos e variados.

Esse artigo é interessante e aborda o tema: http://www.revistasusp.sibi.usp.br/scielo.php?pid=S1413-666X2007000100017&script=sci_arttext.


Luiza disse...

Nas viagens que eu fiz o melhor lugar que eu pisei em termos de igualdade de gênero,sexualidade,direitos LGBT foi a Islândia. O casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido já tem um bom tempo,eu fiz amizade com dois casais homossexuais,um de lésbicas e um de gays e eles eram pessoas muito doces e gentis. Ninguém fica cochicando e olhando feio se você anda com o seu parceiro/parceira na rua,os homens dividem TODAS as tarefas de casa e PASMEM mesmo nas regiões mais afastadas onde ainda existe agricultura rudimentar eu conheci um senhor que já tinha lá seus 70 anos e numa das nossas conversas ele me disse que tinha o maior prazer de fazer as tarefas domésticas,que ele gostava de tudo limpinho e que muitas vezes a mulher dele saía pra buscar suprimentos na cidade e ele limpava,lavava,cozinhava eu perguntei pra ele se ele achava que tarefas domésticas era coisa de mulher,ele me respondeu:
"Tarefas são tarefas e qualquer pessoa pode executá-las,não existe esse negócio de coisa de mulher eu sempre fiz e sempre vou fazer as tarefas de casa e a minha esposa sempre trabalhou muito também,não vejo porque não existir uma divisão justa do que se faz dentro de casa."
Não preciso nem falar que eu quase chorei né? Um homem simples que provavelmente nunca teve estudo,tinha mais sabedoria que muito jovenzinho com mestrado por aí.

Mariana disse...

Moro na Bélgica há alguns meses e lembro bem do post que a Lola fez sobre o assédio na rua aqui. Pelo menos aqui em Bruxelas, já testemunhei coisas estranhas no metrô e ouvi falar de situações bizarras, que não devem nada às coisas que acontecem nas grandes cidades brasileiras. (AINDA) não me aconteceu nada, mas algumas colegas de curso não têm a mesma sorte.

Sobre preconceito na Holanda e a impressão que vc tem de estar num país menos preconceituoso, acho que vc tem alguma sorte por ser brasileira (em termos, pq a lei de imigração de lá para os de fora da Europa é, como vc mesma já disse, super rígida, especialmente com quem não é dos EUA, Japão, Austrália e outros países ricos overseas). Se fosse marroquina, a coisa seria bem pior. A tolerância holandesa vai até a página dois com muçulmanos, justamente por seus costumes conservadores que não se adequam à sociedade "progressista" em que estão.

Mariana disse...

Complementando, tb acho um ABSURDO essa ideia de que mulher brasileira só vem morar fora pra ser sustentada por um gringo. Eu tb tenho um namorado holandês, mas passei os últimos anos namorando à distância e sem me mudar pra Europa justamente porque não queria ser sustentada (e nem posso, ele acabou de se formar) e porque só viria se conseguisse arrumar um emprego de acordo com minha formação (isso era uma condição fundamental) ou se conseguisse entrar em um mestrado (é o que estou fazendo agora na Bélgica. Na Holanda é caro demais pra quem não tem o "sagrado" passaporte europeu).

Tá na hora de as pessoas acordarem e perceberem que nem toda mulher brasileira é deslumbrada e ingênua, ou sem condições de se sustentar ou de ser algo além de dona de casa (nada contra quem opta por isso, mas não é pra mim).

Ju disse...

Cora, muita obrigada por seus comentários. Aprendo muito com eles.

Cora disse...

obrigada, Ju.

bacana saber q contribuo de alguma maneira.

eu tb aprendo muito com os comentadores, especialmente aqui na Lola. pessoal é muito bacana e a Lola fomenta debates interessantíssimos (e ainda permite vários excessos!!).

Cora disse...



valeu, Sara.

um abraço pra vc!

Anônimo disse...

Mais uma (grande) prova de que existe misoginia e machismo nesse mundo cão:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/01/130121_relatorio_ongs_crise_meninas_mulheres_rw.shtml

Aí vem os imbecis falarem que o feminismo não é mais necessário. Somos as maiores vítimas de crises econômicas. Há também estudos que apontam as mulheres como mais expostas as consequências dos desequilíbrios ambientais provocados pelo aquecimento global.

Patrícia Nunes

Nivaldo Brás disse...

Interessante...Muito interessante mesmo esse post. Mas analise bem o post. É um ode a submissão da mulher. Falou, falou mas no final percebe-se que é uma dependente de homem... De um príncipe encantado que veio de outro mundo(tsc)para salva-la. Poderia tecer várias observações do assunto, mas percebe-se que agora ela é dependente mais ainda de um homem. Imagine ela ser abandonada por ele agora? Num país estranho com idéias estranhas ao nosso gosto. Ela seria uma criança desamparada sem uma mão salvadora. Voltaria correndo para o seu país de origem. Gosto da Lola desde o jornal a Notícia. Tem uma escrita limpa, direta e sem papas na língua. Voltando ao assunto percebo, em alguns posts, comentários desabafos mascarados de porque os homens não são "melhores" isso e aquilo. Lola, muitas mulheres em algum momento da sua vida queriam ser sustentada por homens, fiz uma pesquisa própria na minha cidade e de cada cinco "independentes" hoje quatro queriam a profissão do lar, depois da virada da vida a dois forma obrigadas a correrem atrás do seu sustendo e as que não conseguiram saíram desesperadas atrás de um homem substituto. Ter a profissão "dona-de-casa" é o desejo da maioria das mulheres mas, frustadas, foram obrigadas a pegar no batente e aí se transformam em feministas ou algo parecido com isto. Algumas são feministas puras mas a grande maioria são feministas por serem mal-amadas, mal-interpretadas. Minha mãe pensava assim, quando descobriu que meu pai era um bêbado(morreu por causa disso) foi obrigada a batalhar sozinha, como muitas outras. Hoje ela critica o machismo. Tudo é uma visão de quem esta de qual lado da mesa. Como eu disse tem post maravilhosos, mas tem aqueles mascarados pelo desespero de mulheres que nasceram para serem submissas mas forma "obrigadas" a serem feministas pelo "destino". A feminista pura já tem uma visão pragmática de tudo desde que aprendeu o beabá e não foi preciso levar na cara para se transformar em "feminista". Aí pergunto: "Quantas são feministas puras?" Dai pode ser que alguém pense: "Existe isso?". "Pura?". Sim...Por que não? e Fugindo do assunto em questão que fique claro, muito claro...Homem que se aproveita de mulher em qualquer momento, não é homem, e apenas rascunho de um e como tal deve ser riscado e jogado no lixo, mas infelizmente muitas mulheres ajudam nisso. Pergunte as mulheres desses post sobre o tal Sertanejo universiOTÁRIO. Muitas gostam, mesmo sabendo que de cada 48 duplas 41 exaltam a bebida e a mulher fácil. Isso saiu de um estudo de universitários de verdade. Ou do funk, que tratam as mulheres como p* e muitas gostam e até rebolam e depois saem dizendo que são feministas.Pena que meus comentários não serão lidos. Ainda bem pois em algum momento a verdade dói um pouco.

Sara disse...

Patricia Nunes acho q vc passou o link errado...

Anônimo disse...

Opa gente, Nivaldo Brás tá distribuindo carteirinha de feminista! Corram pra fila!

"Pena que meus comentários não serão lidos."

Não seja por isso, vou dar uma mão.

Meninas, leiam. Eu me diverti bastante lendo sobre a feminista pura, a mulher que fala que gosta de uma coisa, mas no fundo quer mesmo é outra...e claro, a mulher incapaz no exterior, que "seria uma criança desamparada sem uma mão salvadora" (o que foi, na minha humilde opinião, a parte mais surreal).

Luci

Anônimo disse...

Cora, que tolice dizer que homens não poderiam fazer o que uma mulher faz, que são mais frágeis emocionalmente que mulheres... Também os homens dizem que não podemos fazer o que eles fazem - e sabemos que podemos. Posso limpar fossas como um homem o faz e homens podem trabalhar e cuidar de filhos como mulheres o fazem. Sem problemas.

Nivaldo, ai, como você é ridículo... Você fez uma pesquisa na sua cidade e a sua pesquisa e a sua cidade e as suas amigas representam as mulheres do mundo? hahahaha E, bem, digamos que a maioria das mulheres quisesse cuidar da casa - isso significa por acaso que não podem ser feministas? Feministas lutam pelo direito de escolha! O machismo nos impõe, obriga, oprime - homens e mulheres.

O feminismo liberta homens e mulheres.

Alice

Fernanda disse...

Que relato inspirador! Estou em um momento bem assim da minha vida. Onde estou tentando me virar por mim mesma, e fugir da opressão que sofria em casa. Não só por ser mulher, meus pais são até flexíveis, mas principalmente por conta da minha sexualidade. Ainda me sinto oprimida, porque como estudo fora (faço faculdade no interior) dependo financeiramente do meu pai. E vejo como ele controla a minha vida, e me trata como incapaz de tomar decisões, assim como minha mãe e minha irmã. A principal "arma" dela é o fato de sermos dependentes financeiramente dele. Minha mãe largou o emprego a alguns anos para cuidar da minha irmã mais nova, e agora ganha algum dinheiro vendendo sobremesa pra fora. Me sinto mal por sempre ter que ouvir que não sou capaz, que não sei fazer nada sozinha. Ter que ouvir que meu feminismo é fase, que sou radical demais... Quero cuidar da minha vida. Vai ser mais difícil eu sei, mas sempre que leio um caso assim como o seu sinto que não estou sozinha. Se tem algo que o feminismo me ensinou foi isso. Que por mais que o mundo seja difícil, alguém aqui me entende e sei que não me julgar. Espero que esse ano eu consiga me libertar também e conseguir me encontrar de forma plena. Parabéns pelo relato

Cora disse...

olá, Alice

eu não disse q homens não podem fazer o q mulheres fazem. por favor, leia novamente o meu comentário.

na minha opinião, pessoas, independente do sexo, podem fazer o q se propuserem fazer, com mais ou menos facilidade e sucesso.

o q eu disse foi q homens não suportariam viver sob a pressão moral/social a qual somos submetidas desde sempre.

o controle, os limites, o boicote, o julgamento moral, o registro histórico depreciativo, os dogmas religiosos castradores, a violência simbólica, a violência moral, a violência física.

foi isso q chamei de “viver na pele de uma mulher”.

e tanto não são capazes, q o maior terror masculino é justamente ser tratado pelas mulheres como costuma tratá-las. é ser visto pelas mulheres como costuma vê-las.

observe o teor dos comentários de homens q criticam o feminismo.

observe o comentário do nivaldo e o esforço q ele faz pra depreciar o relato da Fernanda e acusá-la de ser dependente de homem.

para esses críticos da independência feminina, ela só é possível – esta quase mítica independência feminina – se a mulher não se relacionar de forma alguma com um homem.

tem um namorado? um marido? um amigo? então a independência é falsa. é jogo de cena.

não tem um namorado? um marido? um amigo? então é frustrada. mal-amada.

observe como isto é capcioso. não há escapatória. estamos sempre erradas. as tradições vencem e o machista ri.

não sabemos o q queremos. mas ELE sabe. e sabe tudo sobre todas as mulheres.

observe como o nivaldo se esforça para rebaixar as mulheres. como se esforça para reforçar a doutrinação das tradições q estão sendo contestadas.

mas semeia um elogio aqui outro acolá... “tem post maravilhosos, mas...”

e observe q a Fernanda, em seu relato, não rebaixou os homens. a Fernanda, como todas aqui, criticou o machismo, contestou tradições, cultura.

relatou como se desvencilhou da doutrinação a q foi submetida desde o nascimento.

já os homens sempre procuram rebaixar as mulheres. usam a força de tradições milenares para rebaixar mulheres. como sempre fizeram, usando inclusive, boa dose de violência física e muita violência simbólica.

e qdo se sentem pressionados, apelam para as tradições por terem medo de se relacionarem de igual para igual com uma parceira.

pq esse medo?

pq é tão fundamental para alguns homens q mulheres sejam submissas?

reparou como o nivaldo é obcecado por isso?

fez até pesquisa pra provar q mulheres querem ser submissas!!

pra que isso?

qual é o problema desses homens?

Anônimo disse...

Moro a 6 anos na Alemanha (vim com as próprias pernas fazer doutorado e trabalho pra quem interessar). Nessa parte de andar na rua sem ser importunada aqui é BEM melhor que o Brasil. Na divisao de tarefas dentro de casa tb considero de um modo geral melhor distribuído.
O machismo na real aparece mesmo é com as maes trabalhadoras, apesar de licenca de pais ser por até 14 meses ambos poderem tirar (e muitos homens tiram) infelizmente as empresas ainda tem preconceito na hora de contratar.

Nivaldo Brás a seu Dispor disse...

Sou machista? Não...Não sou...Pelo contrário dou incentivo ao feminismo, mas entendam feminismo não é utopia é ainda uma ilusão. Admiro mulheres que lutam pelo seu direito, mas leram que mencionei que as mulheres se tornam feministas depois de "sofrer" um revés na vida a dois? Quer dizer que a mulher tem que "cair da escada" para ver os degraus que são perigosos? Já olharam ou leram que nos bailes funk e shows dos sertanejos universiOtários, sendo endeusados por musicas MACHISTAS faz me rir, porque as letras não tem nada de intelectual ou "universitário". Sei que vai aparecer uma "feminista" bradando aos quatro ventos defendendo esse bregas da musica. "Que não bem assim que"... "Vai da cabeça" e coisa e tal. Se você pensa assim não é feminista, é apenas um rascunho de feminista, por isso aconselho a melhorar seu "traço". quanto a pesquisa fiz sim e não foi só uma vez e com as mesmas pessoas e o resultado sempre foi o mesmo. O feminismo é fruto da decepção a dois. Quando as mulheres são largadas muitas vezes com filhos no colo. Sempre dizendo que: "Ele não era assim". Me poupe... Tal qual um político tem que ter ficha limpa, por que as mulheres não procuram a "ficha" desses indivíduos. Ficam naquela esperança que podem mudar a personalidade. Pau que nasce torto morre torto. Que uma coisa fique clara: Estou falando da vida a dois que originou a maioria das feministas não das mulheres que são assediadas na rua ou no trabalho que se analisar fazem a minoria das feministas. Agora eu pergunto: O que é ser feminista? todas falam mas nenhum resumiu ou criou em embasamento forte? Por favor me expliquem o que é ser feminista. Não quero exemplo nem lamentações quero um explicação cabeça.

Anônimo disse...

Nivaldo, seu fanfarrão !!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Ellen

Anônimo disse...

Eu li bem o seu comentário, Cora. Mas não o considero procedente. Homens foram abusados, oprimidos e escravizados ao longo da história, não vejo como se pode afirmar que eles não suportariam viver na pele de uma mulher oprimida...

Nivaldo, seu fanfarrão!!! (2)

Alice

Cora disse...

homens foram abusados, oprimidos e escravizados

por terem sido vencidos numa guerra;
por terem dívidas;
por pertencerem a determinado estrato social;
por pertencerem a determinados povos ou tribos.

jamais foram abusados, oprimidos e escravizados por serem homens.

mulheres foram oprimidas e escravizadas simplesmente por serem mulheres (além, evidentemente, das outras formas, junto com os homens).

foram oprimidas por tradições e instituições da cultura da qual faziam parte, e não oprimidas por tradições e instituições de culturas invasoras ou diferentes. foram (também) oprimidas por seus pares.

é neste sentido a minha fala.

.
.

ué, nivaldo, decidi aí cara!

ou vc sabe o q é ser feminista ou vc não sabe!

tá gastando o seu latim demonstrando o “método nivaldo de identificação e rotulagem de feministas” e agora bateu a dúvida?

quem tá perdido é vc, garotão.

gosta de pesquisar? mãos à obra!

Michelle Teixeira. disse...

Chorei.

Nivaldo Brás a seu dispor disse...

Fanfarrão? Interessante. Se conheço sobre feminismo? Talvez nem vocês saibam. Vocês também falam mas não chegam a consenso nenhum. Como eu falei... Sou contra violência contra seres mais frágeis como as mulheres. Mas eu disse antes feminismo infelizmente é um sonho que um dia pode se concretizar. O pior que não admitem isso. Vocês precisam de um ponto norteador ainda e infelizmente precisam dos homens.

Ju disse...

Nivaldo, você é um palhaço. Mas esse blog não é um circo, aconselho a você a procurar outro picadeiro para se apresentar.

Ju disse...

A Cora calou a boca do machista mas ele insiste. É muita cara de pau.

Nivaldo Brás eternamente ao seu dispor disse...

Circo...Hum...Estou satisfeito porque passei a mensagem que eu queria. Vocês vão pensar que mensagem esse Fanfarrão, Palhaço e sei lá mais o que passou? Lendo nas entrelinhas perceberão o que eu quero dizer mas duvido que o "feminismo" de vocês permita notar. É melhor ser palhaço sabendo que faz piada do que que ser a "PIADA". Como eu disse... A seu dispor. I´ll Be Back.

Lucianna Furiosa disse...

é meu primeiro post aqui e dei de cara com esse tal de "Nivaldo" pelaamordedeus. Que esse cara tem na cabeça? Concordo somente em relação as musicas mas vai da cabeça de cada um mas no resto o cara viaja bonito. Até parece que ta em outro planeta. acorda machista parabéns a Cora. Feminista Forever.

Anônimo disse...

Meninas, por favor, nao percam seu tempo e energia tentando argumentar com o Nivaldo Fanfarrão.
Ele não quer debater/discutir, ele só quer mostrar que tem razão...
Fala um monte de sandices e se aplaude no final.
O Sr. Nivaldo Fanfarrão determina o que é uma feminista "de verdade", o que são apenas traços de feminismo, cita como mulheres dependem de homens para se nortear, etc.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Véi, na boa, por que vc não se cadastra em um fórum/site/blog mascu? Sério, lá tem vários parasitas que amarão aplaudir sua dedução genial (but NOT).

Anônimo disse...

No minimo ele quer ser chamado de Nivaldão. Socorroooo!