sexta-feira, 24 de agosto de 2012

TODOS NÓS VIVEMOS NUMA CULTURA DE ESTUPRO

Mês passado um comediante americano de stand up chamado Daniel Tosh conseguiu talvez superar a piada do Rafinha. Tosh, durante sua rotina, contava piadas de estupro e dizia como essas piadas de estupro são sempre divertidas. Foi interrompido por uma espectadora, que gritou: “Na verdade, piadas de estupro nunca são engraçadas!”. Tosh pausou e, em seguida, disse: “Não seria engraçado se essa garota fosse estuprada por uns cinco caras agora mesmo? Tipo, agora mesmo? E se um bando de caras a estuprasse?” A moça saiu de lá rápido, apavorada, enquanto o público inteiro ria e olhava pra ela. Como você pode imaginar, o negócio repercutiu. Foi um escândalo.
Outro comediante de stand up, Louis CK –- este, alguém que eu e muita gente de esquerda admira -–, se queimou porque, no meio da crise envolvendo Tosh, mandou um tweet falando pro cara como gosta do show dele. De acordo com Louis CK, ele, CK, estava viajando e não sabia da crise. Só que ele foi ao programa do Jon Stewart se explicar e falou mais um monte de besteiras (tipo: que comediantes e feministas são inimigos naturais, que feministas não têm senso de humor etc). Ele também disse que leu algumas coisas em blogs que ele não sabia, como que a ameaça de estupro policia a vida de uma mulher.
Aí a gente fica pensando: sério? Um cara considerado progressista, com 44 anos nas costas e duas filhas, nunca havia pensado nisso? E a primeira resposta que eu arrisco é: pois é, homens não sabem que estupro é um problema seríssimo pras mulheres e uma ameaça constante, que afeta cotidianamente nossas vidas. Homens não sabem que vivem dentro de uma cultura de estupro (já expliquei por que vivemos numa cultura de estupro. Um exemplo interessante que veio à tona é que a foto mais celebrada sobre o fim da Segunda Guerra foi, na realidade, um beijo roubado. O marinheiro estava em NY com sua esposa ao e decidiu pegar uma enfermeira à força).
Mas Melissa McEwan, principal autora do importante blog Shakesville, e sobrevivente de um estupro, tem outra opinião. Uma opinião muito convincente, que decidi traduzir:

“Se esses homens não percebem a cultura de estupro, então como é que virtualmente todos eles conhecem seus padrões e narrativas? Como é que virtualmente todo homem, quando chega à puberdade, é capaz de culpar a vítima, armado com um arsenal inteiro de estereótipos e normas da cultura de estupro? Como é que eles estão todos tão perfeitamente versados na linguagem da cultura do estupro que credita as mulheres a 'dizer que foram estupradas', em vez de denunciar/noticiar o estupro? Como é que já ouvi meninos conversando acerca de como as mulheres mentem sobre estupro? E como é que tantos homens cis [que são identificados como homens, ao contrário de homens trans*] héteros privilegiados reclamam de serem vistos ou 'terem feitos se sentir como estupradores' por mulheres que apressam o passo ou os olham preocupadamente num lugar deserto?
Para pessoas que nunca percebem a cultura de estupro, elas definitivamente têm um vasto conhecimento de como as coisas funcionam.
E o que dizer dos 4% dos homens que são estupradores em série? Você acha que até aquele um em cada 25 homens que estuprou várias pessoas nunca percebeu a cultura de estupro?
[…] A maioria dos homens já passou pela experiência de ver uma mulher sozinha andar mais rápido por ele estar atrás dela. Alguns homens usam isso como oportunidade para empatizar com a mulher. E alguns usam isso como oportunidade de ficar bravo com ela por ela 'estar me tratando como um estuprador'.
Todos nós vivemos numa cultura de estupro. A todos nós são dadas oportunidades de perceber essa cultura.
Que nós somos condicionados a simpatizar com os vários fornecedores de desprezo pelo consentimento, ao invés de simpatizarmos com os alvos principais e sobreviventes, é outro truque da cultura de estupro que se auto-perpetua. Mas falta de empatia não é falta de percepção.
Não é que homens cis héteros privilegiados que nunca foram vitimizados por violência sexual não pensem sobre cultura de estupro. É que eles não pensam sobre isso sob a perspectiva da vítima em potencial.
E estou realmente exausta de ter que fingir que isso é a mesma coisa”.

Concordo com Melissa. Homens conhecem a cultura de estupro. E já passou da hora de enxergarem estupro com outros olhos, sob outro ângulo. Não como pretexto para fazer piadinhas "inofensivas". Se não por empatia às mulheres, pelo menos por constatar que viver numa cultura de estupro é péssimo pra eles também. Ou é bom que as mulheres tenham medo de você?
Amanhã, em várias cidades, acontecerá a Marcha Contra a Mídia Machista, uma mídia que fomenta a cultura de estupro. Saia às ruas para protestar.
Já é hoje! Vão à Marcha. Poster feito pelo Malone.

66 comentários:

Carol disse...

Homens acham engraçado porque eles não passam por isso, é exatamente com comentários racistas e homofóbicos, "não acontece comigo, então deve ser engraçado" Sério, o que tem na cabeça uma pessoa ver uma cena de estupro e pensar: 'é, é isso mesmo que eu acho engraçado, vou fazer um stand up de comédia sobre isso". O mais triste é que eu acho que meu próprio pai não entende como isso é ridículo, depois me perguntam porque as vezes eu não o suporto.

André disse...

Já passei algumas vezes pela situação de ver uma moça à minha frente apertar o passo. Geralmente eu reduzo a velocidade para ela poder se distanciar ou, quando possível, mudo de caminho. Nunca me senti ofendido, ela está na rua adotando uma postura defensiva, mas eu sou quase branco, de repente para um negro o sentimento pode ser outro.

Marcos Godoi disse...

Durkheim explica. A pessoa só sente a pressão da sociedade em um sentido quando esta no sentido contrário. Por isso os homens heteros não sentem a cultura do estupro. Pra que sentissem, bastaria um simples exercicio de se por no lugar do outro, mas acho que o conformismo (pra não dizer a preguiça) é grande demais pra isso.

Bruno S disse...

Antes de frequentar esse e outros espaços eu não tinha noção mesmo de quão forte é essa cultura de estupro e o quanto as mulheres acabam sendo oprimidas pelas ameaças, veladas ou não, que recebem.

Acredito que a maioria dos homens, em algum moemento se colocou em posição de ser visto por alguma mulher como um possível estuprador. Sem falar nos que acabaram por cometer um estupro sem perceber da gravidade do que fizeram (ao se aproveitar de uma bebedeira, ao não respeitar as negativas da mulher que por medo acaba cedendo).

Tenho para mim que acabamos não aprendendo a ter empatia desses casos. Não são assuntos de homem, são invisíveis à nós.

Acho que por isso, muitos acabam sendo míope quando há piadas sóbre estupros.

Também acho que a reação do público quando o cara fala “Não seria engraçado se essa garota fosse estuprada por uns cinco caras agora mesmo? Tipo, agora mesmo? E se um bando de caras a estuprasse?” tem mais a ver com humilhação dada à pessoa que "ousou" questionar um humorista.

Priscila Boltão disse...

As vezes me sinto culpada, sabia? Principalmente se o homem na rua for negro (veja, eu, que em qualquer parte do mundo sou rotulada "latina", com culpa branca porque no Brasil sou da 'raça' favorecida) pq o cara pode pensar que eu estou com medo porque ele é negro. Não, eu estou com medo porque ele é homem. Se eu estiver sozinha na rua, um homem, seja de que classe social, idade e raça for, vai me ver apertando a bolsa junto ao corpo (imaginando usa-la como arma) e andando mais rápido até a área mais movimentada. E o que eles não veem é que começo a pensar no que tenho na bolsa que posso usar como arma, e quão alto possso gritar, e quais são minhas chances de sobrevivência dependendo da velocidade dos carros se eu me jogar na rua pedindo socorro, como uma vez ouvi contar que uma quase vítima de estupro fez (ela foi perseguida por um estuprador na área de uma ponte cercada de terreno baldio, e como ninguém parou pra ajudar ela se jogou no meio da rua. Foi atropelada, mas conseguiu socorro). Eu penso em todas essas coisas e mais, todo dia toda hora em qualquer local e horário, qualquer roupa que eu vista. Eu vivo em constante estado de alerta. Porque eu sou mulher e fui ensinada assim. Que qualquer coisa que acontecer, é minha culpa. Que as coisas que aconteceram, foram minha culpa - por causa da roupa que usei ou da minha falta de atenção - e por isso eu vivo preocupada demais pra ainda ter que me preocupar se o cara vai ficar ou não tristinho porque eu, que nunca o vi mais gordo nessa vida, penso que ele pode ser um estuprador em potencial.
Eu não confio nem nos conhecidos, vou confiar nos desconhecidos?
Eu to cansada Lola. Cansada demais nos últimos tempos. De ter que explicar pras pessoas pq vivo em medo. De explicar porque sou feminista. De explicar porque acho legítimo sair na rua e protestar pelo meu direito de ir e vir. De reclamar quando me sinto ofendida. Tô cansada demais de um mundo que nem vê - ou finge que não vê - tudo que tem de errado e o horror que a gente vive todo dia. Queria poder excluir essas pessoas da minha vida como faço no facebook.

Anônimo disse...

O que falta em MUITAS, mas MUITAS pessoas mesmo, não só nesse tema mas em todos os outros (racismo, homofobia, agressão, etc etc) é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Não importa se aquilo nunca vai acontecer com você. Cadê a capacidade de empatia? Isso é tão difícil assim?

Dayane disse...

Uma vez estava falando com meu namorado sobre isso e ele disse uma verdade:Ngm fala com os homens sobre estupro, muitos não sabem exatamente o que é um estupro. Acham que é só aquela coisa de pegar a força,. com a kulher gritando, violentamente. Ngm tem uma conversa com eles, na escola, çpor exemplo, sobre isso. Falam apenas para usarem camisinha, já para as meninas, falam pra tomar cuidado, pra se "valorizar".
Ele mesmo disse uma coisa uma vez que me fez ter um certo medo. Disse que ás vezes tinha vontade de "forçar um pouco a barra". Eu fiquei estarrecida com isso!Depois ele explicou mil vezes que isso significa continuar, vendo que o clima já estava quente e fazer com que fosse ficando mais quente ainda, não fazer algo sem meu consentimento. Mas fiquei com isso na cabeça um bom tempo e ele não entendia o pq dessa minha paranóia. Pra muitos deles isso não é claro, até pq tem muitas mulheres que tem um fetiche com "sexo forçado".
Mas eu tenho muito medo e sou muito paranóica com isso, ás vezes até me pergunto se vejo coisas onde não tem.

Eric Mus disse...

Discordo do que a Carol disse, de ser engraçado por nunca ter passado por isso. Não sei realmente como funciona o cérebro e por que rimos de anedotas, mas sofri racismo na escola e rio de piadas de negros. Minha mãe sofreu racismo a juventude inteira, e conta piada de negros entre a gente.

Quanto ao post, é se fazer de sonso dizer que não sabe que vivemos numa cultura de estupro. Tenho duas irmãs, minha mãe quase foi estuprada e quase não deixo minha mulher pegar ônibus porque conheço os riscos. As mulheres realmente têm sua liberdade privada por conta do risco. Esses dias vi que aqui em Campo Grande o cara desceu do ônibus com a mulher, seguiu-a, apontou-lhe uma arma, levou-a para o mato e a estuprou. Durante o DIA.

É horrível viver sob essa sombra, e isso não é só para as mulheres, mas também para aqueles aos quais elas são importantes. Nem gosto de imaginar tal situação, e seria horrível vivê-la com qualquer uma das mulheres que gosto - esposa, mãe, irmãs, amigas, conhecidas.

A mim, ao menos, é uma situação revoltante sempre. E olha que fui abusado por uma garota mais velha quando eu era criança. Só que como sou homem, apanhei junto com ela (vai entender esta cultura).

Danizy Costa disse...

Não sei como alguém pode achar graça em piadas desse tipo, aliás, nem gosto muito de piadas pois a maioria é baseada em preconceitos e estereótipos. É impressionante a falta de empatia e preocupação de algumas pessoas diante de um crime tão grave, que deixa marcas pelo resto da vida.

Ana disse...

@Bruno S
"Tenho para mim que acabamos não aprendendo a ter empatia desses casos. Não são assuntos de homem, são invisíveis à nós."

Pra mim, é um problema cultural, de educação. Ninguém senta com os filhos pra deixar claro que ó, pras mulheres é assim, assim, e assim. Passa batido.

E eu ainda diria que com as meninas acontece uma coisa um pouco semelhante às vezes, de não se dar conta que sim, homens também tem sentimentos e se machucam e tal.
Soa piegas e óbvio, mas eu acho que às vezes algumas garotas são insensíveis ao tratar com rapazes sem se dar conta de que, se fossem com elas, seria horrível. Porque né, enfiaram tanto na cabeça da gente que homem são invulneráveis a essas coisas, que às vezes a gente falha em olhar pra eles como se eles fossem simplesmente humanos. Só estou comentando isso porque foi algo que eu percebi pessoalmente há muito, muito tempo atrás.

Vejam, eu NÃO estou comparando uma situação com a outra. O meu ponto é que há uma falta de simetria na hora de retratar os gêneros um pro outro.

Acho coerente dizer que machismo distancia homens e mulheres, faz parecer que são duas coisas muito diferentes, e isso dificulta o uso da empatia. A gente se esquece que é todo mundo gente do mesmo jeito e falha em se colocar no lugar do outro - os homens não entendem como as mulheres podem se sentir tão agredidas, e mulheres às vezes não sacam que homens também tem problemas sentimentais. Coisas óbvias deixam de ser óbvias, e não há esforço nenhum em remediar isso - voltando ao problema da educação que mencionei lá em cima.

Não sei se viajei muito, mas enfim.

E sinceramente, esse Tosh que vá se catar... Absurdo o que ele fez!

Gabriela disse...

Eu li o artigo q vc citou.E concordo com a autora.Não se trata apenas de uma lamentável "piada" sobre estupro.Oq ele falou para aquela moça foi uma ameaça.Ele claramente estava incitando o público a violenta-lá.Oq merece atenção é q ele chama os homens ali presentes de estupradores e eles riem.Sim porq ao dizer q ela poderia ser estuprada ali na aquele momento implica q os homens ali estavam dispostos a fazê-lo.Realmente é muito grave por q ele não fez "apenas" uma piada questionável.Ele usou a ameaça de estupro para calar a mulher q o desafiou.Para cala-lá.Para certifica-se de seu poder.Típico do backlash.

Iara De Dupont disse...

Bom,eu aqueco meu coração com a esperança de que realmente o mundo acabe em dezembro,por na verdade já estou muito cansada de tantas besteiras.
Uma delas que não aceito,ao menos que seja de uma criança,é a famosa frase `Eu não sabia´.
Não acredito em mais ninguém dizendo isso,muito menos em relação a assuntos tão tristes como o estupro.
Tem horas que acaba o argumento,porque não tem nenhuma base e hoje o machismo não tem (nunva teve)nenhuma justificativa,nem explicação para existir.
Mas em relação a esses comediantes,a minha teoria é que eles trabalham apenas a questão do marketing,eles sabem os assuntos que dão ibope,o que gera a polemica e coloca eles como os meninos maus,que vão contra o sistema e são muito corajosos em desafiar as regras.Ninguém sobe no palco com tanta ingenuidade,o cara que faz piada de estupro está sonhando com a fama no dia seguinte,até no caso mencionada aqui é bem claro,se a piada já era inaceitável o que ele disse depois a moça deveria ser considerado crime.
E não vejo nenhuma outra solução em relação a esse assunto,deveria ser crime e dar cadeia,de preferencia umas decádas,para que eles possam estudar bastante na cadeia,todos esses comediantes e machistas,já que não sabem de nada,então que aprendam lá dentro,estudando e lendo sobre as consequencias do machismo.

Conceição Lima disse...

Priscilla,
Tb me sinto cansada com tudo isso. O pior é q antes qdo n tinha consciência do problema social q era o estupro, eu era uma pessoa bem mais destemida e louca do q hj - fazia bem mais coisas perigosas do q hj.

Tb sinto uma grande revolta com essa situação. Nós feministas continuamos na luta pelo direito de possuir nossos corpos.

Aconselho q vc e eu, outras mulheres tb, façamos alguma espécie de aula de defesa pessoal contra estupro. Q treinemos fisicamente. Q compremos spray de pimenta.

N quero me sentir fraca - n quero q nenhuma mulher o sinta. \o

Anônimo disse...

falaram aqui em cima de homens héteros... mas não são só eles. como a lola falou, é a cultura. veja qualquer programa de tv besta (tipo jô soares ontem com uma mulher ensinando a pegar macho)e vc vai ver mulheres rindo de piadinhas machistas e de estupro. e quantas mulheres não disseram que aquela piada lá de comer a wannessa (assim?) e o bebê era inofensiva?

o que as pessoas têm que entender urgentemente não é que a piadinha tenha feito mal pontualmente de indivíduo a indivíduo. na cultura, tudo que é repetido e usado no cotidiano é naturalizado. se a gente quer ter os olhos abertos dentro da cultura,a gente tem que fazer o esforço de questionar tudo. desde coisas 'naturais' até o próprio discurso.

isso tudo tem muita força. não é nada, não é nada, mas são nossos filhos, mães, irmãs... e os "culpados" não são os homens héteros necessariamente. TODOS nós temos responsabilidade de não propagar certas coisas. e que cada um se espante, sim, com piadinhas desse jeito. só assim, gritando e questionando, a gente consegue mudar alguma coisa.

Anônimo disse...

vocês tem que aprender a se defenderem, eu sugiro o Krav magáhttp://www.youtube.com/watch?v=C_GvQNts95U,

técnica israelense de torções, que usam a força do oponente contra ele próprio, uma excelente escola em são paulo e a UZIL, ecola de seguranças,
http://www.uzil.com.br/formacao_vigilantes.htm , mas tambem da aulas de defesa pessoal para mulheres, eu fui aluno la, muito boa escola, tem instrutores israelenses.

Outra técnica de defesa pessoal também excelente para mulheres e o HAPKIDO, pois e uma arte marcial que independe de força física pura, usa muitas técnicas de torção e imobilização, eu sou faixa amarela, e durante os treinos já fui finalizado por meninas com metade do meu peso, usando técnicas de torções

Danizy Costa disse...

É isso, infelizmente isso é comum entre muita gente: quando não é alvo de um determinado tipo de discriminação e/ou problema, vê tudo de fora, não enxerga, ou melhor, ignora a gravidade dele, apesar que o estupro pode acabar atingindo aos homens também, mesmo que indiretamente, afinal se o cara tem mãe, filha, irmã, esposa, enfim; não deveria achar graça disso. Humor tem limite, quando cai em algo infame, já não é mais humor e sim falta de respeito e pior; banalização da violência, e como já foi dito aqui, quando há banalização há incitação...

Anônimo disse...

"Aconselho q vc e eu, outras mulheres tb, façamos alguma espécie de aula de defesa pessoal contra estupro. Q treinemos fisicamente. Q compremos spray de pimenta."

ok. não desconsidero que isso tudo seja bom. mas isso não é tanta ajuda assim contra os estupradores. e as crianças? e os velhos?

por mais que a gente possa se cuidar, a melhor arma contra estupro é tirar isso da cabeça dos idiotas. desses doentes.

eu já falei aqui em outro post que a liliane cardoso, do df tv da globo, chegou a dizer que a idosa estuprada pelo pedreiro "devia ser um espetáculo" (fazendo o contorno de um corpo feminino com as mãos em pleno ar). como se o foco do estuprador fosse realmente desejo por uma mulher. dificilmente é.

aí vc me diz: como a gente se protege de uma "brincadeirinha" dessas feita por uma mulher no jornal local mais importante da globo? isso, pra mim, era pra dar demissão. o que aconteceu foi só que recebi um email (super mal escrito, diga-se de passagem) da jornalista. pedindo desculpas e tal. mas, péra. e a família daquela senhora? o pessoal sofreu com o estupro E com a falta de respeito.

a própria sociedade, as pessoas ditas "estudadas" e "conscientes", todos acabam propagando isso. e é isso que a gente tem que começar a frear. enqto essas coisas são só de seres que vivem à parte da sociedade, é uma coisa. o perigo começa qdo o carinha que trabalha ao lado da gente, nosssa mãe, os amigos do namorado, enfim, gente com quem a gente lida todo dia, não vê problema em achar que estupro pode ser engraçadíssimo.

Anônimo disse...

SPLAY DE PIMENTa.


no centro de São Paulo,proximo a 25 de Março, tem muitas loja que vendem material militar, que comercializam splay de pimenta, mas e caro e ilegal, mas pode-se fazer splay de pimenta em casa também.

materiais

100 gramas de pimenta malagueta
500 ml de álcool 80 graus
1 spray de cabelo ( utilizado pelos cabeleireiros )
1 tinta para selar e evitar vazamentos no spray ( pode-se usar vidros pequenos de perfume também, desde que a pressão do bico de jato jato seja grande)

bata tudo no liquidificador, coe com uma peneirinha, e feche no frasco, pode-se usar 50 ml de amonia também, mas se não for bem dosado , o dano pode ser permanente.

Mas cuidado, existe algo chamado " uso progresivo da força' ,deve-se usar qualquer tecnica de defesa e ataque sem se por em risco, se o risco for maior que consequencia para sua integridade fisica, não reaja,Conhecendo o processo mental da agressão, você pode evitar que o infrator lhe ataque com chances razoáveis de êxito. Para atacá-lo com sucesso, o agressor tem que identificar, decidir e agir.
também não vale cegar o namorado por que ele chegou tarde em casa ¬¬

Anônimo disse...

em ultimo caso, chutem o saco, ( em ultissimo caso pelamor (^~^))

DanielSan disse...

Anonimo 12:36 perguntou " Cadê a capacidade de empatia? Isso é tão difícil assim?"

Acredito que a resposta seja 'sim', infelizmente, no que tange à boa parte das pessoas, talvez, com variados assuntos e situações.

Capacidade de se por no lugar do outro, de empatia, está ao alcance de (quase) todos, mas por n motivos,parece extremamente difícil fazer brotar este sentimento.

Se empatia fosse um sentimento praticado pela maioria da população (especialmente pelas pessoas que estão no poder, no topo da pirâmide mundial), boa parte dos problemas mundiais cessariam, ou no minímo seriam aliviados, em pouco tempo.

Mas a realidade diz que é utopia.

Conceição Lima disse...

Quem vai pra Marcha contra a mídia machista?

Anônimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=Dwn9Whe-row&feature=player_embedded#!

neste vídeo tem algumas alunas usando técnicas de defesa pessoal israelense, técnicas de torção usam a força do oponente contra ele próprio, perfeito para meninas.

Mirella disse...

"Cadê a capacidade de empatia? Isso é tão difícil assim?"

É extremamente difícil. Mas tem uma argumentação de 2 min que põe a pessoa para pensar na hora, que inclusive está no post.

Numa conversa a respeito, o homem da conversa começou a ficar #chatiadíssimo.
"ah do jeito que você fala parece que todo homem é estuprador mimimi"
E, graças a este blog, pude emendar: "Do jeito que eu falo todas as mulheres são vítimas e são ensinadas a temer homens. Se você prefere ter pena do homem, o problema é seu. Se você se recusa a ter um mínimo de empatia por uma pessoa doutrinada a ter medo, a omissão é sua".

Sério, chame alguém de omisso que você vê as engrenagens da pessoa girando loucamente.

Liana hc disse...

Esse "comediante" tanto sabia da gravidade do que estava falando que depois ainda adicionou a ameaça em tom de piada para silenciá-la e pediu ajuda dos homens na platéia para fazer coro. Incutir em mulheres o medo da violência sexual é uma das formas de dominância machista. Isso ele aprendeu direitinho. De piada em piada, com a maior facilidade um show de stand up de repente vira uma espécie de gang do bullying. Quem agride conta não só com o apoio daqueles que pensam igual, mas principalmente com o silêncio da maioria.

A gente sabe muito bem porque tranca a casa, até durante o dia ou porque não contamos dinheiro em alto e bom som depois de sair do banco. Assaltos acontecem, e fazemos o possível para evitar que um criminoso seja bem sucedido na tentativa dele, então trancamos a casa, botamos alarme, cachorro, guardamos rapidamente o dinheiro, fazemos silêncio e apuramos olhos e ouvidos. Mas tem gente que acha que mulher deve se "preservar" porque... é mulher, como se fosse uma coisa inerente à "condição feminina", como se não tivesse nenhuma força externa pressionando e disseminando esses valores, como se não fosse uma consequência da cultura na qual estamos imersos e que tanto naturalizou a violência, e o fez a tal ponto que se chegou ao cúmulo de culpar a vítima e até fazê-la se sentir responsável pela agressão sofrida. As "piadinhas" sobre estupro não são simples momentos de descontração, não, elas muito eficientemente servem ao status quo.

Anônimo disse...

Oi Lola, falando em mídia machista, viu a última "maravilhosa" propaganda das lojas Marisa?

Beijos

Gabriela disse...

Questionar as mulheres por elas não aprendem autodefesa para "evitar" o estupro é responsabilizá-la pelo mesmo.

Ok! Todos concordamos q saber se defender nunca é demais.Eu tenho um ataque de raiva toda vez q me lembro q nesse país não podemos portar tasers e/ou sprays de pimenta quando tê-los ou não é a diferença entre ser atacada ou não.Quando estou a noite na rua esperando o ônibus e nenhuma alma viva parece estar por perto eu fico amaldiçoando o desgraçado q teve a idéia brilhante de nos negar possibilidade de defesa.Como se uma vez q população tivesse acesso a estes itens a terceira guerra mundial fosse explodir.Não sai de casa sem uma tesoura comigo.Espero nunca usá-la.Mas não hesitaria.

Off topic

Lola e senhoras e senhores;

Vcs conhecem a série Law and Order Special Victims Unit?Se não eu recomendo. Aqui vai a sinopse:o drama segue as investigações feitas pelos detetives da unidade de vítimas especias.Um esquadrão de elite q lida com crimes sexuais e casos sensíveis q envolvem crianças.Vejam.Eu recomendo.Aliás os assuntos tratados no show poderiam ser discutidos aqui.

Difícil eleger os capítulos mais fortes... mas os q mais mexeram comigo foram o Honra da segunda temporada e o falácia da quarta.Impossível sair impune da frente da tv.

Bruno S disse...

"Pra mim, é um problema cultural, de educação. Ninguém senta com os filhos pra deixar claro que ó, pras mulheres é assim, assim, e assim. Passa batido."

Ana,

realmente a nossa cultura só ensina às mulheres terem medo. Não ensinam, por exemplo, aos homens a não provocarem medo. Os homens também aprendem a cobrar das mulheres que ajam de acordo com esse medo.

E essa noção de que mesmo os homens que nunca consideraram estuprar alguém podem contribuir para a cultura do estupro ainda é muito nova para muita gente (eu mesmo não tinha essa noção há pouco tempo). De forma que seja pssado aos filhos.

Anônimo disse...

gabriela, sou super fã dessa série. às vezes, acho tudo pesado demais. mas é interessante pq eles botam várias situações ali que poderiam acontecer de verdade. tipo os próprios policiais não acreditarem em denúncias e ter sempre um que vai lá e fala que, apesar de esquisito, vale a pena investigar. e tbem tem sempre o outro lado da coisa. é ficção, mas tem coisas horríveis ali.

sobre o comercial da marisa... putz, me chamou atenção tbem. o fim da várzea.

lola aronovich disse...

Gente, onde posso download uma temporada inteira de Law and Order Special Victims? Esta semana, por coincidência, eu vi uns 3 episódios de alguma temporada mais recente, porque não encontrei como download alguma temporada mais antiga. Admito que não fiquei muito entusiasmada não... Acho que tenho preguiça dessas séries de desvendar crimes (tipo CSI) porque elas são sempre muito parecidas. A gente sabe que vai ter pelo menos duas reviravoltas, que o principal suspeito será inocentado, que os detetives resolverão o crime. Mas eu ainda quero ver mais alguns episódios de L&O SVU.


Sobre o comercial da Marisa, vi e achei muito fraco. Mas pra falar a verdade nem lembro dele...

lola aronovich disse...

Eu queria muito ir à Marcha Contra a Propaganda Machista em Fortaleza. Será amanhã a partir das 14 horas saindo da Praia de Iracema, não? (o pessoal da organização não me manda links nem nada). Mas domingo eu vou pra Campinas, e vou precisar muito do tempo de amanhã pra bolar minhas duas palestras.
Mas, por favor, quem tem algum tempo no fim de semana, vá! E depois me mande algumas fotos!

Ellen Teles disse...

É péssimo esse medo que a gente (mulheres)carrega desde o berço. Acho triste como eu vejo a maneira da maior parte dos pais criarem seus filhos. Eu sempre digo que se houvessem exames preparatórios para ser pai ou mãe, a maioria não passaria.

Certo dia conversando com uma mãe que tem um filho de 1 ano, a mesma me disse dar graças a deus pelo filho ser homem e não mulher. Pois é mais de fácil criar, mulher tem que se guardar e com a pedofilia solta, menina é sempre alvo.
Nem preciso dizer o quanto fiquei chocada com o argumento(?) completamente sem sentido (pra mim) dela. Tentei argumentar, dizendo que tem que educar do mesmo jeito, sendo homem ou mulher, a ter respeito, amor, etc. Bom, não adiantou... lembro que fiquei dias com essa conversa na cabeça indignada com a visão que a fulana tem da vida... fiquei triste e fico triste sempre que vejo isso.

Nossa, achei o comercial da Marisa
ridículo!

Desculpem-me por sair do tema, mas é um saco isso de tudo que fazemos é em função de homem, pra arrumar macho. Que saco isso!

Gabriela disse...

Lola vc pode baixar aqui

http://www.seriesfree.biz/tag/law-and-order-svu/page/7/


ou aqui
http://www.baixandofacil.com/law-and-order-svu/

Como o anônimo das 14:42 disse o interessante é como eles mostram o caso.
Na verdade não é aquele whodunit igual ao CSI.A narrativa preza muito pelo ponto de vista da vítima.

M disse...

Lola

As temporadas mais antigas tem aqui :http://www.seriesfree.biz/2009/05/law-and-order-svu/

Mas o download é de episódio por episódio.

Adoro Law and Order SVU. A Olivia é uma das melhores personagens de séries.

Dayane disse...

Ana, é exatamente cm vc disse!Ngm senta com os agrotos e explica o que é um estupro. Para muitos homens, apenas tarados estupram.

lola aronovich disse...

Não, Leandro. Vc não é um homem livre se todo dia precisa entrar em fóruns e blogs de ódio pra renovar sua misoginia. Vc não é livre se gasta tanto tempo se preocupando com a vida alheia. Vc não é livre se precisa seguir um padrão de masculinidade falido que é a razão de toda a sua frustração (vc achava que era o feminismo, né?).
Não conheço a vida da Monique Evans, e também desconhecia que ela era uma feminista, e que foi o feminismo (e não o machismo, esse que vcs tanto acreditam e louvam, que determina que só mulheres com menos de 28 anos são bonitas e desejáveis) que causou sua depressão.
E, mais uma vez, o discurso de vcs se contradiz. Por que mulheres seriam promíscuas, se detestamos sexo? Por que mulheres se preocupariam com esses detalhes do tipo estudo e carreira, se tudo que queremos da vida é casar com um homem rico?
A maior parte das mulheres têm companhia, muitas são casadas, muitas têm filhos, muitas têm carreiras, amigos, e levam vidas plenas. Algumas mulheres não gostam de seus casamentos e se separam (80% dos pedidos de divórcio vem das mulheres). Algumas mulheres que estão casadas foram promíscuas (eu, por exemplo), algumas são casadas e têm gatos (eu também) e nunca tomaram um antidepressivo na vida (ói eu aqui outra vez!). Tem de tudo.
Não sei se sou muito livre porque trabalho demais e tenho muitas responsabilidades e, nas horas vagas, sou ameaçada de morte por grupos de misóginos. Mas sou feliz. E não vivo apenas pra mim mesma, porque eu gosto de compartilhar.
Por que estou conversando com um mascu preso em sua jaulinha quando tenho 3567 coisas pra fazer?


Obrigada pelas dicas pra download L&O. Vou dar mais algumas chances. Tô sentindo falta de Mad Men e Modern Family!

Letícia Rodrigues disse...

Piadas racistas, como as que dizem que negros são macacos e bandidos, contribuem para que negros continuem sendo vistos como inferiores e criminosos em potencial na nossa sociedade. Contribuem para que continuem sendo confundidos com assaltantes quando entram em um ônibus, por exemplo. Elas contribuem para reforçar essa imagem dos negros no imaginário da população. Negros que riem delas estão se auto-depreciando e demonstrando que assimilaram o racismo.

Piadas que dizem que estuprar uma mulher feia é um favor reforçam a ideia de que estupro é sexo, que mulheres podem gostar de ser estupradas e até provocar o próprio estupro. Ao reforçar essas idéias, que são tidas como verdade pela população, se contribui para que estupros continuem a acontecer com tanta frequência. Mulheres que riem dessas piadas estão se auto-depreciando e demonstrando que assimilaram o machismo.

Mas quando os militantes do movimento negro reagem contra piadas racistas ninguém diz que eles não tem senso de humor, como se faz quando as feministas reagem contra piadas machistas e misóginas. Acho que esse é mais um bom exemplo da naturalização do machismo e da violência contra a mulher na nossa sociedade.

Mirella disse...

(Vou fazer um jabá que não tem nada a ver com coisa nenhuma, totalmente off topic)

Pessoal, falando em séries, alguém aqui vê Fringe?

Anônimo disse...

Séries: tem bastante aqui http://www.free-tv-video-online.me/

O bom é que é em streaming, então não precisa fazer download (não fica gravado no seu computador).

Luci

Rosanna Andrade disse...

Lola, L&O SVU eh mto bom, recomendo fortemente. Eu nunca vi uma serie tao empatica com estupro. La estupro nao eh so sexo vaginal, nenhum policial pergunta pra vitima se ela estava de roupa curta ou "dando bandeira".
O caso da garota bebada em festa de faculdade estuprada pelo amigo que "gentilmente" a levou para casa ja foi explorado. Tema q pra muita gente nem estupro eh, ja que a garota "n se deu ao respeito" ou "bebeu demais, entao a culpa eh dela". Mas o episodio tbm mostra como eh complicado provar que nao foi sexo consensual, pq eh a palavra de um contra o outro, e as provas nao sao contundentes.
Alias, a serie tbm derruba um dos argumentos machistas no caso do comercial da Prudence. Estuprador usa camisinha sim, e MUITO, segundo a serie. Eh uma das principais formas do mesmo nao se ligar a cena do crime.
Eu nao sei como eh no Brasil, mas em NY os casos de estupro vao a juri popular (em alguns episodios chega a mostrar o julgamento). E ai entra o problema da empatia dos jurados, que as vezes teimam em culpar a vitima. E basta que um deles acredite q nao houve crime para que o reu nao seja processado. Nesse caso, o trabalho da promotoria eh muito mais custoso do que da defesa...

Anônimo disse...

cara, eu gostaria muito que nós mulheres usássemos invertêssemos o polo da nossa energia: leio muito os coments aqui e em vários sites e converso bastante e é bem fácil ouvir: 'estou cansada; estou deprimida'. eu sei q foi um mascu que postou sobre o krav magá, mas eu preferia de verdade ouvir uma mulher dizer: 'tou cansada de ter medo, vou lutar krav magá' - mesmo sabendo que ela ia continuar com medo, porque ela ia se sentir mais poderosa. certeza. eu fiz um tempinho de boxe. assim que tiver grana, volto.

Fernando Salvaterra disse...

lendo isso lembrei de uma vez que fui confundido com um estuprador potencial. muito antes de começar a ler blogs feministas, na época em que fosse provável eu dar risada duma piada horrorosa como a do rafinha (não dessa ameaça de estupro coletivo relatada no post).

eu estava num ônibus intermunicipal e a moça no banco da frente deitou o banco dela todo para trás e esticou as mãos por cima do encosto e ficou estalando e cruzando os dedos próximos ao meu rosto. o ônibus estava vazio e ela não sabia que eu estava ali. eu reclinei também meu encosto ficando longe da mão dela e dormi o trecho final do percurso. quando paramos no ponto final, acordei e me sentei. ela se levantou e se deu conta de que tinha alguém no banco de trás. ao sentar, fiquei novamente com o rosto bem próximo ao encosto dela. para ela deve ter parecido que eu estava ali o tempo todo, cheirando seus cabelos, bem próximo às suas mãos. na hora não me dei conta disso, apenas estranhei a cara de espanto e confusão dela. então a observei imaginando se tinha algo de errado comigo (será que eu babei? estou com remela? ronquei enquanto dormia?), e ela foi ficando com uma expressão que era um misto de intrigada e irritada, saindo depressa do ônibus me olhando de soslaio.

quando desci do ônibus e entendi o que tinha acontecido, meu primeiro sentimento foi de indignação. quem ela pensa que eu sou? um tarado? ou só ficou brava porque sou feio e barbudo? só algumas horas depois que foi caindo minha ficha, que fui pensando o quão assustador é ser mulher e viver num mundo onde se espera que os homens estejam sempre aproveitando qualquer oportunidade de mostrar o quão héteros e pegadores eles são. o quão bons tiradores de casquinhas. dos quais é preciso estar sempre alerta ao estar por perto. eu não sabia quase nada sobre feminismo na época, mas nunca fui de passar cantada em desconhecidas, amigas ou mulheres que não demonstravam qualquer interesse em mim e sempre me incomodei com esse comportamento de rebanho masculino de ser agressivo sexualmente mesmo só para dizer às mulheres quem é que chega junto.

mas naquele dia demorei para me dar conta do quão esse clima de estupro fazia com que eu também tivesse uma sombra ameaçadora, mesmo sem querer. demorei um tempão bravo por ter sido injustamente confundido com um "tirador de casquinha" e provável estuprador. fiquei imerso na "ofensa" de ter sido confundido e não me tocava no medo muito mais ofensivo que eu tinha projetado. até que finalmente usei o cérebro e pensei no outro lado, no que mulheres vivem o tempo todo, esperando e recebendo o desrespeito de "garanhões" que estão sempre se esforçando para marcar o território.

mas foi necessários seu blog, entre outros blogs feministas, pra me fazer consolidar e poder articular para mim mesmo a verdade que eu já intuía: que se há alguém a quem culpar por ter sido confundido com um tarado, não são as mulheres, que não, não são paranoicas e chatas, mas o machismo dos estupradores e dos não-estupradores, tão bonzinhos, coitados, que se beneficiam desse clima de ameaça gerado pelos primeiros.

Anônimo disse...

coincidência do assunto: http://subvertidas.blogspot.com.br/2012/08/uma-teoria-do-estupro.html

Karen A disse...

Como professora, estou sempre pensando em formas de fazer o outro entender algo... até onde eu já pensei sobre isso, a única forma de fazer um homem conseguir "vestir nossos sapatos" DE VERDADE (isto é, se colocar em nosso lugar) é fazer ele pensar em ser estuprado por um homossexual. Faça-o imaginar que vive em um lugar onde este tipo de estupro é comum (como é comum em nossa sociedade, estuprar mulheres).

Na minha experiência pessoal, foi a única forma que consegui fazer um homem visualizar o medo que vivemos no dia-a-dia, em cada rua deserta, sendo dia ou sendo noite, cada vez que cruzamos por um homem desconhecido, ou estamos em uma situação que deveria ser comum, mas pra nós é de medo, de constrangimento (em um elevador sozinha com um desconhecido, ou mesmo em um TÁXI que passa por uma rua deserta!, na esquina próxima a sua casa, no parque, etc...).

Desculpem o desabafo, mas às vezes (bem poucas vezes) eu desejo, maligna e obscuramente, que esse tipo de estupro fosse mais comum (que homens fossem estuprados). Para que eles percebessem que NÃO HÁ A MÍNIMA GRAÇA nisso.

JH disse...

Não sou mulher, nem nunca ouvi falar sobre cultura do estupro, mas sou excepcionalmente sensível a este problema. Sei como minhas amigas e parentes têm medo de sair na rua... Sempre me preocupo com elas. Eu, como homem, também tenho medo (de ser assaltado, levar uma surra, ser morto, etc.), mas ser estuprado é mais terrível do que qualquer outro ato hediondo que um ser humano possa cometer.

Me admiro, por exemplo, de quem consegue (e provavelmente gosta) de assistir filmes com cenas do tipo. Filmes do Almodóvar, ou outros chamados "alternativos" sempre têm um ou dois estuprinhos lá no meio para agradar aos espectadores sedentos pela violência....

Karen A disse...

Law & Order Special Victims Unit (L&O SVU) que é o mais massa :-)

Anônimo disse...

Concordo com a anônima daqui de cima. Não acho piadas de estupro engraçadas, mas o fato de a mulher ser mais vulnerável é só mais um motivo para se esforçar para se sobressair. Pôr-se como vítima eterna e ficar se irritando por causa de cada coisa que é dita na rua e na mídia é inútil.

Anônimo disse...

Conforme a Marilyn French, "O clima de violência contra as mulheres fere a todas as mulheres. Ser fêmea é andar pelo mundo com medo."

Anônimo disse...

Nao eh uma questao de empatia e sim de apologia ao estupro.
E sinceramente eu nao dou a minima se um machista tem ou nao empatia, o que eu quero eh que as leis sejam mais rigidas, porque se nao aprender por bem vai mofar na cadeia ou acontecer coisa pior.

Enquanto machistas tem falta de empatia, o movimento feminista ainda tem empatia demais com os machistas, por isso que ainda eh tao fraco.

Anônimo disse...

anon das 16:13 - eu já tirei um cara de cima de mim só pq eu sou forte. e se eu não estivesse atenta? e se eu tivesse bebido? e se eu tivesse 10 anos ou 70 anos e não tivesse força pra isso?

Anônimo disse...

eu acho o law&order chatão. mas amo o l&o SVU. são duas séries independentes!

sim, eles tratam de temas super comuns em casos de estupro. teve um, aliás, que fala da morte de uma garota de programa (acho que era de programa) numa festa de pessoas "poderosas" e mostra por que a policial tava tendo dificuldade de conseguir meter o dedo dentro de tanta gente poderosa...

morri de chorar naquele em que a olivia fica falando com a guriazinha pelo telefone até descobrir onde ela tava. no início, acharam que era trote. mas a olivia foi até o fim. quase fim mesmo.

e eles mostram tbem qdo a coisa acaba em pizza por mil motivos... lá o final nem sempre é feliz.

não é por nada não, mas acho que a olivia personifica a justiça que a mulherada queria pra cada caso de estupro. empatia e trabalho bem feito. acho que é por isso que a gente se identifica. ela é forte, mas tbem tem sentimentos.

Julia disse...

Lola, vi agora no twitter. Não sei direito que é esse senhor, mas gostei muito do que ele disse. É sobre ABORTO.
Vejam:
http://www.youtube.com/watch?v=J78YegFAIOY&feature=youtu.be&a

Anônimo disse...

"Enquanto machistas tem falta de empatia, o movimento feminista ainda tem empatia demais com os machistas, por isso que ainda eh tao fraco." [2]

Um dia estava na faculdade a noite e estava escuro e deserto em um dos corredores, eu ouvi um barulho e comecei a correr desesperada. Tomei uma queda e me ralei toda. Me levantei rapidinho, ia ser mais fácil me atacarem estatelada no chão, foi a 1° coisa que pensei. E continuei correndo.

*-* disse...

Karen A Infelizmente esse seu artificio de fazer um homem hetero se imaginar sendo estuprado por um gay funciona.

Um amigo me contou de uma cantada que levou com uma cara de espanto e absurdo, eu respondi: É assim que uma mulher se sente quando é incomodada por um homem na rua.

Porém, falar em gays estuprando é o mesmo que reforçar aquela vela visão do gay abusador (Olhe os indices de abuso infantil a ESMAGADORA maioria é hetero).

Gays, quando assumidos e resolvidos não veem graça nenhuma em seres que são atrativos visualmente mas que quando abrem a boca parecem ogros.

Olhe o círculo de amizade de um gay e você verá o q estou dizendo.

Acho que nem todos tem a capacidade de entender pela empatia, com esses eu realmente não sei como lidar...

Shey disse...

Alguém aqui vai na Marcha em são Paulo, amanhã?

De boa, falta ressaltar essa responsabilidade de educar o homem cis a não estuprar.
E a raiz disso está em algo que já foi pontuado por aqui mesmo: homens veem mulheres como propriedade de outros homens, não como seres que merecem respeito por si só.

Por exemplo,uma vez tive uma discussão com um vizinho meu aqui. Foi resolvido e ele "cordialmente" apertou a minha bochecha.Tipo, não sou mais criança faz tempo (embora pareça bem jovem, pra algumas pessoas)e isso foi desrespeitoso. Conversando com a minha mãe esses dias, comentei com ela ( que até então, não sabia).

Ela achou que foi desrespeitoso comigo, que sou mulher adulta. E que eu deveria ter lembrado a ele que sou casada e que meu marido não ia gostar.

WTF???

Vitória Arantes disse...

Lola,
Não costumo comentar muito, mas meu comentário não tem nada a ver com seu post, apesar de que eu concordo com ele em tudo. Mas o que eu queria era te mostrar essa notícia que eu vi: http://br.mulher.yahoo.com/pai-capaz-de-amamentar-beb%C3%AA-levanta-novo-questionamento-sobre-a-maternidade.html?page=1
Achei legal, sou sempre a favor da quebra de estereótipos e acho que, apesar de um leve choque inicial por nunca ter visto um caso parecido nem ter imaginado, abre mais uma porta para a aceitação das diferenças que quando se trata de gênero e opção sexual são mais plurais do que muita gente pensa (e eu me incluo nesse grupo, porque mesmo sendo liberal tem certas coisas que em que ainda sou ignorante. Mas ignorância nunca pode ser confundida com intolerância, não acha? As duas não necessariamente andam juntas). Acho que, mesmo ainda havendo muito preconceito contra a homossexualidade, ela acaba sendo mais aceita e compreendida que a transsexualidade, por exemplo, não acha? Sinal de como o conhecimento é importante para ampliar os horizontes de nossa visão e gerar aceitação e tolerância entre as pessoas. O que mais me frustrou foram os comentários que foram deixados na notícia, todos que eu li eram super preconceituosos e sempre usavam as mesmas argumentações ( se é que podem ser chamados de argumentos): "isso é errado", "o mundo tá perdido", "que absurdo", "isso é um pecado", e por ai vai. Nada que já não tenhamos escutado antes, mas é sempre chato ver isso. Até parei de ler os comentários, porque não consegui achar nenhum interessante. E aí, Lola, depois me fala o que você achou? Obrigada. Adorei o post :]

Eduardo Ochs disse...

Se eu estivesse no show do Tosh eu teria dito que seria muito mais engraçado se ele fosse surrado e estuprado por 5 caras... e que "a gente só precisa de outros 4 voluntários, alguém topa?"

Verô! disse...

o hospital Pérola Byington de São Paulo, dedicado a tratar de mulheres vítimas de estupro, recebe mais de 200 atendimentos por mês, quer dizer que em média seis mulheres, todos os dias, passam por lá. Se considerarmos que muitas não denunciam, imaginar quantas mulheres são estupradas por dia só na cidade de São Paulo é assustador. A mesma reportagem dizia que os números da região Norte do país são ainda mais alarmantes e mesmo assim a região Norte INTEIRA conta apenas com 4 hospitais especializados nesse tipo de atendimento, há um descaso generalizado na sociedade brasileira sobre esse tema.

Minha namorada é bióloga e as vezes precisa coletar nas matas da região amazônica. Ela precisa usar roupas masculinas porque disse que o assédio é enorme e casos de estupro não são incomuns, muitos homens, poucas mulheres, e os calhordas se acham no direito de ameaçar. Eu fico desesperada quando ela vai, compramos um spray de pimenta que ela leva sempre, além de ficar com a faca de coleta sempre próxima à ela. Estamos pesquisando modos de conseguir o porte de arma, o irmão dela, que é militar, já deu umas aulas teóricas sobre manejo de armas de fogo.

Eu sinceramente penso que não dá para esperar que as coisas mudem, precisamos trabalhar para assumirmos nossa segurança. Técnicas de defesa pessoal, porte de arma e armas não letais devem ser cogitadas. É triste dizer isso, mas eu me recuso a não ter meios de me defender. Uma vez eu estava num ônibus, era início da tarde e eu ia para o cursinho pré-vestibular. O ônibus estava vazio e um cara entrou e se sentou ao meu lado, evidentemente eu desconfiei e quando tentei me levantar ele me mostrou um facão e disse para eu deixar que ele me tocasse. A raiva foi enorme e eu não deixei, na hora eu só pensava que ele poderia me matar ali, mas não colocaria as mãos em mim sem que eu lutasse contra aquilo, ele ficou surpreso com minha reação e foi embora, só depois que as poucas pessoas que estavam no ônibus vieram me perguntar o que tinha acontecido. Todo mundo percebeu, ninguém me ajudou e eu não tinha nada para me defender, já chega para mim!

E o que aconteceu comigo deixa mais explícito os motivos pelos quais ninguém ajudou a menina de 14 anos que foi estuprada dentro de um ônibus no Rio de Janeiro.

As pessoas não vão mudar, podemos até convencer um ou outro, mas o grosso vai continuar um bando de vermes desprezíveis.

Olívia Gail disse...

Já contei sobre isso no meu blog: quando eu tinha 16 anos, trabalhei em uma empresa que o dono era amigo do meu pai. Meu supervisor tentou me estuprar na escada da empresa. Meu pai não me deixou dar queixa na polícia por causa da ''amizade'' dele. Mas dei queixa na empresa, contra o funcionário.

Me colocaram na frente dele, me fizeram contar detalhe por detalhe da tentativa de estupro. Ele riu na minha cara e disse que tinha mulher em casa. Que não precisava estuprar uma pirralha de 16 anos. Os subordinados dele o defenderam na reunião dizendo que eu devo ter provocado, e que eu deveria ser uma safada.

Pra piorar o sofrimento, a empresa me demitiu. EXATAMENTE, A EMPRESA DEMITIU A VÍTIMA e o estuprador? Ficou com o emprego na maior paz.

É nessa merda de sociedade que a gente vive. Onde a vítima perde o emrpego, e o abusador não.


B. de Campos disse...

As mulheres estadunidenses precisam tomar uma atitude urgente! A situação da mídia lá parece ser bem pior que a daqui...

Desde aquela história do debate na TV sobre o visual de Hillary Clinton eu venho notando isso...

Se bem que temos nossos exemplos brasileiros, como todos já sabem.

Parece que esse povo não tem mãe, filha, nada...

Anônimo disse...

PARA Olívia Gail

Como mulher também já fui vítima de discriminação e até quase fui molestada (o famoso "sarro" do qual o Zorra Total usa para um pseudo-humor) dentro de um ônibus por um homem que tinha idade de ser meu avô.
Mas, felizmente, nunca sofri nenhuma tentativa de estupro então não posso dizer como vc sentiu e ainda sente ter passado por uma situação tão triste e humilhante.
Desculpa pela sinceridade, mas, tue pai, NÃO VALE NADA!
Um homem que tem uma filha que sofreu tentativa, ou até mesmo sofreu a violência, NUNCA deveria ficar do lado do criminoso! ELe antes de ser "amigo" deste vagabundo de gravata, ele é TEU PAI e devia ter agido como tal ficando do teu lado e vendo que vc tava falando a verdade. Seu fosse meu pai(que graças a Deus sempre ficou e fica do meu lado nos bons e maus momentos, e sabe que eu nunca mentiria para ele)
Para mim, você devia (como sempre disse minha avó) "botar a boca no trombone"!
Junte alguma evidência que ele tenha deixado quando aconteceu isto, fale PRA TODO MUNDO, o descarado, mal caráter e FDP que este sujeito que tentou te estuprar(com certeza este verme agora deve posar de "cidadão de bem", "chefe de família")! Veja quem são os clientes dele, alguma(as) empresa(s) que o beneficie, e de quebra, bote algum detetive para colher alguma prova para mostrar o homenzinho PODRE que ele é!
Se eu tivesse passado pelo que vc passou, garota, eu DESTRUÍA a vida deste canalha!
Do mais, não precisa seguir meu conselhoe é que fiquei revoltada mesmo com a indiferença do teu pai e a canalhice deste teu ex-chefe.
Fique com Deus e força pra vc menina.





Sawl.



Mundo Moderno disse...

"Já passei algumas vezes pela situação de ver uma moça à minha frente apertar o passo. Geralmente eu reduzo a velocidade para ela poder se distanciar ou, quando possível, mudo de caminho. Nunca me senti ofendido, ela está na rua adotando uma postura defensiva, mas eu sou quase branco, de repente para um negro o sentimento pode ser outro."

Se é com um negro, há várias interpretações.

Marina disse...

O comentário tá um pouco atrasado pro post mas vou fazer assim mesmo.

Hoje começei a ler uma notícia sobre a banda de pagode da bahia acusade de estrupar duas garotas de 16 anos que foram pedir autografos.Para minha infelicidade resolvi ler os comentários, quase todos dizendo que pela letra das musicas as meninas que vão no show não são exatamente inocentes, que deviam mostrar a foto das meninas por que elas provavelmente estavam de roupa curta e pircing no umbigo(ahn?), que no mínimo elas fizeram e arrependeram (ou seja todos os argumentos clássicos de cupabilização da vítima), além dos que culpam as mães por deixarem as filhas irem no show.

Outra notícia que chamou atenção foi a da menina de 14 anos estrupada que vai manter o filho (existe toda uma discussão se foi decisão da menina ou da família).Nessa notícia também aparecem comentários culpabilizando a mãe.

A impressão que fica é que sempre é necessário culpar a mulher, se não a pessoa estrupada, a sua mãe.É necessário sempre ser um modelo de conduta senão não perde o direito a reclamar, e qualquer falha de conduta está diretamente relacionado aos erros da sua mãe. Não é atoa que pipocam compartilhamentos de tirinhas da mãe falando onde foi que eu errei com a filha grávida.

Esse policiamento louco nunca vai existir para os homens, nem no que é relacionado aos atos, nem o que é relacionado aos filhos. O pai não costuma levar a culpa da filha estar gravida ou principalmente do filho engravidar alguem.Eu entro em uma generalização brutal aqui, mas a maioria das minhas colegas que tinham pouco conhecimento sobre metodos contracepitivos tinham pais extremamente rigorosos que negavam dar qualquer informação por que diziam que as filhas deles não fariam isso,.

Engraçado é viver numa cultura dessa, sabendo que o perigo nunca vai sumir.Engraçado é ver que com tudo isso ainda é preciso encarar piadinhas como se fossem normais.
-Mas você não tem senso de humor?
- Não eu tenho é medo mesmo, e quem se regogiza com sofrimento dos outros só pode sofrer de sadismo sério.

Para os mascus eu sugeriria fazer esse exercício, ler as matérias que saem sobre estrupro e ver quantas vezes a culpa é da vítima, e tentar se colocar na situação de sofrer com um crime e ainda ter todos contra você, e ver se é engraçado.

Tradução do nada disse...

aqui na bahia, aconteceu isso: http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/musica/2012/08/27/307523-integrantes-da-banda-baiana-new-hit-sao-presos-acusados-de-estupro

em depoimento, uma das adolescente disse que 9 integrantes d@ band@ abusou dela. Em depoimento, eles dizem que a relação sexual ocorreu, mas que foi permitida.
Os comentários são: elas queriam dá mesmo, são vadias, entraram no trailler sozinhas, estavam pedindo por isso etc, etc.

e no facebook as piadas ja pipocaram:
"fãs entram no trailler da banda restar e saem ilesas".
Insinuando que os integrantes do restar são homossexuais(que ofensa! ok) e mostrando que ser homem, claro, é ser capaz de estuprar. Just a joke.

Anônimo disse...

"Pôr-se como vítima eterna e ficar se irritando por causa de cada coisa que é dita na rua e na mídia é inútil."
ERRADO: é em pequenos gestos diários que a opressão se manifesta e consolida. Levar na "esportiva" é ajudar a perpetuar.`
É exatamente a noção de que essas e outras manifestações são detalhes inofensivos com os quais não deveríamos nos irritar que o blog trata de desconstruir.
Pelo visto, às vezes inutilmente.

Gorete disse...

(Achei este blog ontem, quando procurava algo sobre violencia masculina, carater violento dos homens. Não dizendo que sejam, mas procurando dados q me dissessem como isso realmente é.)
E depois de ler um monte de posts e conversar com algumas pessoas sobre o assunto eu me sinto completamente impotente. Eu acho, sinceramente, que TODO homem, no fundo, ou no raso, tem a fantasia de estuprar uma mulher. Meu namorado se revolta quando digo isto. E realmente essa é uma ideia tão terrível que eu as vezes concordo com os argumentos contrários dele só pra ser mais consolador pra ELE. Vivemos na cultura do estupro sim. E minha vontade de solução é radical nesse sentido, mas tão radical que nem posso expressa-la. Sim, pra mim tb é dificil ser feminista sem morrer do coração. Li o outro post q falava disso e TENHO que seguir os conselhos de ser mais moderada e tranquila...jogar só umas pedrinhas no lago...e esperar que os círculos na água façam alguma diferença.

Anônimo disse...

gente, vamos assinar a petição para que o fb feche as páginas dos fãs da banda new hit. isso é uma afronta para as vítimas. não vamos perpetuar a cultura do estupro
http://www.change.org/petitions/facebook-queremos-que-o-facebook-feche-fan-pages-da-new-hit-indiciada-por-estupro