terça-feira, 17 de abril de 2012

"ESTOU RODEADO POR PRECONCEITUOSOS"

Para a seção de perguntas e respostas, recebi este email de um leitor. Depois do texto volto com algumas considerações.

Lola, meu nome é Augusto, tenho 17 anos, sou gay não-assumido. Desde o meio desse ano eu mudei muito, me afirmei como ateu, aceitei minha homossexualidade, passei a ler blogs feministas (e amo muito o seu). Mas tem um problema, eu não tenho coragem de me assumir assim. No meu colégio me sinto muito avançado para a minha idade. Todos que me rodeiam, homens e mulheres, expõem opiniões machistas e homofóbicas. Isso que eu estudo em um colégio aberto (antes estudei em um colégio totalmente rígido). Sempre tive amigos, as pessoas sempre gostavam de ficar perto de mim, sou um cara agradável. Mas com a mudança na minha vida passei a não gostar das pessoas. Quando qualquer um fazia uma piada machista, como não sou nem assumidamente ateu, nem gay, nem feminista, não retrucava, guardava a minha raiva e ignorava. Depois de um tempo vi que afastei todos de mim. Todos eram machistas e homofóbicos, até mesmo as meninas. Eles e elas não tinham opiniões próprias. Seguiam caras como Rafinha Bastos. Os debates na sala de aula eram unânimes, por exemplo, na invasão da USP pela polícia, todos defendiam os policiais na USP, até meus professores.
Quando passei a ignorá-los, eles começaram a falar de mim. Eu passei a descontar minha raiva em coisas bestas. Como não tinha coragem de defender meus argumentos com medo de ser julgado, passei a defender coisas torpes, como uma nota em uma prova ou uma decisão errada de um professor. Eu era irônico e sarcástico.
Até que um dia um professor me tirou de sala. Disse um montão de coisas na minha cara, que eu ficava zoando ele. Depois disso, eu rodei o colégio inteiro, defendendo o que eu acreditava, que ele agiu errado em me tirar de sala. Uma coisa boba eu fiz virar um alvoroço. Acabei discutindo novamente com ele.
Continuei levando minha vida assim. Inventava motivos pra brigar. Todos passaram a dizer que eu era rude, briguento, que eu queria tudo do meu jeito. Eles diziam: "Você é muito inteligente, por que você faz isso?" Pessoas preconceituosas falavam isso. Eu tinha vontade de falar: "Se eu sou inteligente como você diz, você deveria saber que estou fazendo a coisa certa". Internamente eu queria que eles vissem que eles todos estavam errados. Mas eles não veem isso até hoje.
Sabe, Lola, me machuca. Me machuca porque sou respeitado, e sou amado, mas é tudo uma farsa. Eu odeio todos (há poucos que se salvam), e não posso dizer isso a eles. Minha família é homofóbica, retrógrada. Eu tenho medo de perder essa estabilidade financeira. Já pensei em me matar, e não quero que esses sentimentos voltem. Odeio ver que meus problemas não têm solução. Odeio as pessoas serem tão ignorantes, pelo menos essas que me rodeiam são. E pra mim tudo é tão simples de entender, mas elas se fecham com conceitos religiosos e conservadores. E com aquelas verdades, que só são verdades pra elas.
Acabei falando demais, mas eu queria saber o que eu faço. É cruel demais mentir quem eu sou para ter essa estabilidade (esta que me mantem vivo)? Se eu realmente fosse excluir todos eles da minha vida acabaria sem ninguém. Eu acabaria excluindo todos do meu Facebook (sempre postam fotos machistas ou comentários homofóbicos que tento deixar de lado.)
Na escola briguei com meu professor nessa semana, ele foi grosseiro comigo na frente da turma e antes disso ele vivia fazendo piadas homofóbicas. Não sei como vai ser daqui para frente, minha mãe fica me cobrando ir na aula mas eu não tenho vontade de ir mais. Ela perguntou se eu queria mudar de colégio mas eu não acho que eu deveria mudar sem antes contar sobre mim (homossexualidade, ateísmo, feminismo) para ela. Não quero mudar de colégio e não resolver o problema. Eu tenho que contar, eu tenho que ser aceito e para isso eu tenho que tomar uma atitude corajosa na minha vida e enfrentar realmente os meus problemas e não escondê-los debaixo do tapete. Eu sei que esta é a coisa certa a fazer.

Minha resposta: Querido Augusto, assumir-se, ser feliz do jeito que é, ser aceito pelas pessoas próximas e pelo mundo, é a coisa certa a se fazer. Mas, sinceramente, pode não ser a coisa certa a se fazer agora. Você só tem 17 anos e mora com seus pais. Pra que falar com eles sobre a sua sexualidade neste momento? Vai chegar a hora pra isso, de preferência quando você for independente. Infelizmente, quando a gente é jovem tem que engolir muitos sapos mesmo. Talvez tenhamos que engolir sapos a vida toda, mas criamos uma casca grossa, uma proteção contra as ofensas do mundo. Você ainda está muito vulnerável.
Se sua mãe está te dando a opção de mudar de escola, mude. Mas chegue lá com outra cabeça. Nada de criar confusão à toa, como você mesmo diz que fez. Você já se deu conta que a maior parte das pessoas -- segundo você, todo mundo -- é preconceituosa. É verdade, é lamentável, e estamos lutando para mudar esse quadro. Mas vai demorar muito. Pode ser que durante a sua vida a maior parte da população ainda seja preconceituosa. Mas ficar revoltado a sua vida toda não vai ajudar em nada. É difícil, mas temos que nos desligar de vez em quando, e escolher as nossas lutas. Não dá pra enfrentar o mundo inteiro, ainda mais sozinho. Isso não quer dizer que você deve se conformar. Mas não se estresse à toa. Na sua nova escola, tente começar um núcleo de estudos de gênero, ou de crítica da mídia. Só que sem uma atitude superior de "eu sei tudo e vocês não sabem nada".
Com o tempo, você vai ir conhecendo gente que pensa como você, e verá que há um monte de pessoas que não aguentam mais os preconceitos. Até certo ponto, quando temos sorte, podemos escolher nossos relacionamentos e nossas amizades. Frequentemente nos envolvemos só com pessoas como a gente e levamos um choque de realidade ao constatar que fora da nossa bolha o mundo segue preconceituoso e cruel. Mas acho que precisamos de um refúgio. Você pode ter uma timeline no Twitter ou um grupo de amigos no Facebook que deteste CQC e afins tanto quanto você detesta. Por enquanto, por você viver numa cidade pequena, você não conhece muitas pessoas que pensem fora da caixinha. Mas vai conhecer, e a internet está aqui pra isso.
Você não precisa se assumir gay, ateu e feminista para deixar claro pras pessoas com quem convive que aquelas piadas que elas fazem te incomodam. Explique o porquê. Em vez de dizer pras pessoas que elas são preconceituosas, diga que aquilo que elas disseram foi preconceituoso. E tenha paciência para explicar pra quem quiser ouvir. Esse tipo de atitude certamente não te tornará popular, mas você tem todo o direito de se manifestar e de plantar um ponto de interrogação na cabeça dessa gente. Pode ser que as pessoas descartem seus protestos, te considerem ridículo (afinal, é "só uma piada"), mas pode ser que algumas fiquem na dúvida e reflitam e mudem de ideia. Não seja tão duro com elas. Lembre-se que somos produtos de uma época e lugar, de uma cultura, de uma ideologia dominante. Nem quer dizer que todas as pessoas preconceituosas sejam necessariamente ruins. Elas podem ser péssimas no que se refere à tolerância para a diversidade, mas podem ter lados bons (eu, como professora, jamais descarto um aluno por ele ser preconceituoso. Tento explorar os pontos de contato que temos em comum para assim, se possível, poder fazê-lo questionar suas certezas).
Boa parte das pessoas vai viver a vida toda sem nunca ter seus preconceitos contestados. Elas já têm a sua zona de conforto, já vivem nela. Cabe a nós encontrar a nossa. Quando temos uma rede de amizades que nos dá apoio, que nos proporciona bem estar, que alimenta a nossa autoestima, fica mais fácil lutar para mudar o mundo. Não se desespere -- por mais desesperador que o cenário pareça. Você é muito jovem, e tem uma vida longa pela frente pra conquistar seus (nossos) ideais. Comece já, mas vá com calma. Devagar e sempre.

P.S.: Comece assinando a PEC do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) pelo casamento civil igualitário. Nem mais, nem menos: os mesmos direitos com os mesmos nomes.

98 comentários:

Li disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
sex pistol disse...

E aí cara, tudo bem?
Te aconselho a prosseguir cara, de qualquer jeito, de qualquer forma.
Essa vida é uma eterna luta e o mundo é um lugar escuro e sombrio, onde simplesmente as pessoas são tacadas no meio de outras pessoas, onde elas tem que se relacionar e sobreviver.Cara, te peço, não esmoreça! não se importe com as opiniões alheias e seja você, seja autêntico.Nunca deixe ninguém lhe dizer o que você é e o que tem que fazer.Faça das feridas em seu coração, marcos para forjar uma personalidade forte e implacável.
Faça das piadas infames e de baixo calão, a oportunidade de usar sua verve irônica e sarcástica.Nada pior que expor ao ridículo aqueles que agem de má fé.Nunca se intimide, pois aquele que parece seguro e forte, na verdade é mais frágil que vidro.
Parafraseando um quadrinho do André Dahmer, que na verdade é uma poesia:

A coragem do primeiro pássaro

No final das contas, somos todos sobreviventes de nós mesmos. Lá nas prisões do finito, ousar ser eterno: amor como atalho e labirinto.Mas, se você não está morto, sonhará porto por perto: anoiteça o que anoitecer, coração aberto.

Abraço

Gabs disse...

Esse post me lembrou muito um comentário que vi no tumblr esses dias e que acho que resume bem o que você (e muita gente, eu inclusa) sente:
“The thing about patriarchy is that individual men, gay and straight, are often really wonderful people who you love deeply, but they have internalized some really poisonous shit. So every once in a while they say or do something that really shakes you because you’re no longer totally certain they see you as a human being, and you feel totally disempowered to explain that to them.”

Numa tradução bem porca feita por mim:

"A coisa sobre o patriarcado é que indivíduos, heteros e gays, muitas vezes são pessoas maravilhosas que você ama profundamente, mas que internalizaram coisas venenosas. Então de vez em quando eles dizem ou fazem algo que te abala porque você não tem mais certeza que eles te enxergam como um ser humano e você se sente desempoderado para explicar isso a eles"

Às vezes me sinto assim com as pessoas que me rodeiam também. Com as que tenho bastante intimidade, explico porque aquilo é preconceituoso. Com as que não são tão próximas, escolho entre explicar ou não. Sinto que algumas pessoas tem mais "abertura" pra esse tipo de reflexão e tento explicar (procuro evitar uma "atitude" muito agressiva, por mais que tenha vontade de vez em quando, pq acontece sim de essas pessoas realmente não perceberem o alcance do que estão dizendo, não refletirem sobre). Outras eu ignoro, mas sempre uso minhas redes sociais pra postar coisas com discussões que, se não levarem ninguém a ler, pelo menos a chamada fará com que saibam o que eu penso.

Com o tempo você vai encontrar pessoas mais esclarecidas, pensa que teus colegas realmente são novinhos. E quanto a professores, dependendo do "estilo" deles, você vai ter tanto sucesso quanto teria discutindo com o Rafinha Bastos. Infelizmente professores (especialmente de cursinho) decoram uma rotina e aplicam isso em sala de aula sempre. As mesmas piadas, os mesmos tudo. E estão acostumados a serem adorados pelas suas piadas furrecas e didática questionável. Dão aulas completamente engessadas... mas realmente se acham ótimos professores. O ambiente de escola particular/cursinho é bem problemático nesse sentido (acho que teve até um post sobre isso por aqui já).

Enfim, não pense nessas coisas ruins. E continue assim, buscando ser sempre alguém esclarecido... com um pouco de paciência, você pode começar a fazer as pessoas ao seu redor questionarem as coisas também!

Sara disse...

Oi Augusto não sei como são seus pais e que tipo de cabeça eles tem, mas acho que o conselho que a Lola te deu sobre esperar um pouco pra se abrir com eles é exelente, espere até ser mais independente.
Falo isso porque tenho um casal de amigas que conheço desde crianças.
E uma delas achou por bem revelar a mãe, que era muito católica, sobre sua sexualidade, infelizmente ela NÃO contou com nenhuma compreensão por parte da familia, muito pelo contrario.
Nessa época eu tb aconselhei essa amiga a esperar, enquanto fosse dependente de seus pais, a obedecer as regras da casa, aproveitar os estudos que os pais podiam lhe dar, se dedicar e se tornar indenpendente o mais rápido que fosse possível.
Hoje depois de penar muito minhas amigas ja estão trabalhando e uma delas logo sera uma juiza, tenho certeza que depois de todo o preconceito que elas enfrentaram essa amiga vai poder julgar com muita justiça.
Tenha mais paciência, sei que qdo se é jovem temos pressa, mas segura a onda, só um pouco.

Aline Patrícia disse...

Minha vontade era poder proteger! Dizer vem ser meu amigo, eu te aceito assim como você é! Penso na minha filha, que mundo e que situações ela terá de enfrentar? Tenho medo do futuro. Mas a única certeza que eu tenho é que ela vai poder contar comigo, nós a aceitaremos de qualquer forma. Mas e as outras pessoas? Nesse nosso mundo torto, infelizmente é "normal" as pessoas serem preconceituosas, estranhos somos nós, acho que o minimo que deveria existir é o respeito. Imagino esse rapaz vivendo assim, ser poder ser ele mesmo, fingir ser outra pessoa, não me espanta em nada esse escudo que ele criou para se defender, se nem mesmo com os pais ele pode se abrir e ser ele mesmo, os pais deveriam o orientar, aconselhar, mas nem em casa ele se sente protegido!
Meu conselho? Nem sei o que dizer!!! Mas se precisar de ema amiga ou alguém pra conversar estou pronta pra isso! Mas existem pessoas nesse mundo que não são preconceituosas, que são esclarecidas, vc só não teve sorte de encontra-las.

Anônimo disse...

Augusto, eu já acho o contrário da Sara. Sou mãe, e sei que posso não ser modelo de nada, mas o que eu mais gostaria na vida (e acho que tenho tido até agora) é contar com a confiança da minha filha. Estou com ela para o que der e vier. Então, acho que quanto à se abrir com sua mãe, talvez só você possa saber se sua mãe estará aberta para você, se ela costuma aceitar as suas interrogações, as suas "diferenças" em relação aos outros, porque é óbvio que você já deve ter demonstrado isso de uma forma ou de outra, mesmo sem querer. Então, preste atenção nela. Será que ela está aberta? Ela geralmente se mostra compreensiva? Se for o caso, vai fundo! Conta pra ela, conta com ela como sua aliada. Seria maravilhoso. Mas só você pode saber se é o momento, se ela é capaz de ficar do seu lado. De resto, acho também que você deveria mudar de escola, e começar como a Lola falou.
Boa sorte, vc é muito jovem, sua vida vai ser bacana,é preciso deixar os babacas de lado e encontrar as pessoas certas.
Muita força e paciência também!
Cris

Luiz Prata disse...

A Lola e @s demais comentaristas já disseram muito do que eu teria a dizer. Só gostaria de acrescentar que @s funcionári@s LGBT da Pixar, que passaram por problemas semelhantes na adolescência, fizeram um vídeo chamado "It Gets Better" ("Melhora"), com uma mensagem positiva: http://migre.me/8IoTy

Arlequina disse...

Ai, Augusto, vou dizer que a primeira coisa que pensei enquanto li seu texto foi: "VAMOS SER AMIGUINHOS, EU TAMBÉM ODEIO PESSOAS".

É complicado lidar com pessoas. A resposta da Lola e dos comentaristas meio que resume o que eu penso: não dá pra lutar contra todo mundo de uma vez; tem gente interessante embaixo dos preconceitos e se você conseguir salvar uma ou duas, já tá valendo.

Uma coisa que eu posso dizer que ajuda, pra mim, enquanto você tem a paciência de passar esse inferno que chamam de colegial, é arrumar um hobbie que não envolva pessoas. =) Algo que te faça feliz e que seja você e você mesmo provando pra você e você mesmo o quanto você é awesome. Sei lá, no meu caso, foram montar quebra-cabeças gigantescos. No seu pode ser outra coisa, escrever, pintar, jardinagem, cozinhar... tem um monte de coisa.

De resto, muita força. E online, você sempre vai achar pessoas interessantes, apesar da distância.

Vou deixar meu tumblr pra se outro comentarista da Lola quiser ver também, mas ó, tem um botão pra mandar mensagem. Qualquer coisa =)

www.planetarygirl.tumblr.com

Sara disse...

Cris a mãe dessa minha amiga teve uma reação totalmente absurda de rejeição a filha, pra que vc tenha uma ideia ela era Dentista, pois saiba que ela abandonou o consultório, enlouqueceu mesmo, começou a perseguir a filha colocando escutas no telefone e detetives atras da menina, e não bastasse isso ainda ficava levando roupas da filha nesses pastores evangelicos porque acreditava que a filha estava possuída por demonios.
Tentei dialogar com essa mulher , mas o que escutei dela e na frente da própria filha dela foi que ela preferia ter a filha morta do que lesbica.
Eu sei que a reação dela foi um tanto exagerada, não acredito que tantas mães sejam capazes de fazer o que essa mulher fez, eu por ex jamais agiria dessa forma.
Mas os dois casos que conheço de perto de filhos que se assumiram gays não foram faceis, a familia relutou muito em aceitar, mas o dessa senhora eu nunca vi coisa igual.
Até eu acabei me envolvendo nessa história,porque na tentativa de ajudar essa menina, eu combinei com um amigo meu que tb é gay e bem jovem, de ele se apresentar a familia dela como namorado dela, para que ela pudesse sair de casa, pois seus pais a trancavam em casa e só deixavam que ela fosse pra escola e mais nada.
Infelizmente a mãe dela havia colocado escutas no telefone, e tb mandou pesquisar o que ela falava na internet e eu acabei sendo descoberta por tentar ajuda-la dessa maneira.
O sofrimento foi tanto que essa menina tentou até o suicidio.
Não queria isso pra esse garoto do post.

Adriana disse...

Adorei! Estou passando por essa situação e estava precisando desses conselhos hehehe Só que eu tenho 30 anos, quando supostamente o seu círculo social é mais maduro e tal, passar por isso na adolescência deve ser ainda mais foda...

Eu tenho tentado compreender que não dá pra ter raiva de tudo e focar essa raiva no que realmente interessa, o machismo. Me indigno com um comentário machista, mas não necessariamente com a pessoa.

Por exemplo, num sábado a tarde chego no meu prédio e pego o elevador, um rapaz, novo morador, segura a porta, educadamente respondo "obrigada!" O que deu ensejo mais ou menos a seguinte situação:
- Sou novo no prédio, quer tomar um café?
- Aqui na padaria?
- Não, na minha casa, vai ser mais confortável...
- Não, obrigada.
- Bora sim, vai ser muito bom, eu coloco um som legal.
- Não vou.
- Ah (fala sério) você vai...
- Não vou... Passar bem.

Aí ele tentou me beijar, o que eu não permiti, tendo que ser um tanto quanto grossa pra afastá-lo.

E assim, até a hora que ele tentou me agarrar, ele parecia normal... Apenas um rapaz muito confiante de sua beleza (tipo, como alguém como eu poderia recusar um cara tão delícia?).

Enfim, ao saber da história, uma das minhas melhores amigas, que é uma pessoa bem informada, tem mestrado, é uma mulher independente e tal... bem o primeiro comentário dela foi "Vc estava de shortinho, ele viu e achou que tinha liberdade..."

Pois é... imagina a minha cara ao receber toda essa solidariedade heheh

Mas acho que só com o tempo você aprende a tolerar algumas coisas, não porque você concorda ou por fraqueza, mas por humildade. Poxa, eu tb já fui como minha amiga, eu tb já disse "credo, isso não é saia, é cinto, depois alguma coisa acontece e não sabe porquê" e provavelmente existem ainda resquícios machistas e homofóbicos em mim que eu também preciso mudar também.

A minha amiga é ótima, acho que só respondi "Faça-me o favor, né? O cara é um idiota e a culpa é do meu short?". Mas não perdi a amizade nem fiquei com ódio dela. Digamos, eu tive raiva do comentário machista dela, mas não precisei ficar com raiva dela.

Ana Gabardo disse...

Augusto, tente fazer amigos fora desse círculo. Faça amigos que são leitores da Lola, por exemplo. Ou procure nas páginas do facebook, grupos de discussão de gênero. Acredito, até pra quem é assumido, a vida é uma angústia quando estamos rodeados de pessoas sem noção. Esses locais, mesmo que sejam virtuais, são um ótimo refúgio :)

Anônimo disse...

hm, eu me vejo bissexual desde uns 6 anos de idade e nunca precisei assumir isso pra ninguém pq, pra mim, sempre foi natural. e é, né? talvez, se eu fosse lésbica, eu tivesse tido que pensar sobre isso de me assumir. mas, pra meninas, tocar, ser melhor amiga, etc, é mais fácil do que pra meninos - isso talvez tenha feito com que ninguém nunca percebesse que sempre gostei de homens e de mulheres. então, não sei exatamente como é essa sensação de urgência de ter que me assumir pros outros.

de qualquer forma, acho que um menino como esse do post poderia aproveitar a idade e a cabeça talvez mais madura pra estudar e progredir de maneira inteligente pra, quem sabe, um dia poder ajudar quem está hoje na mesma situação que ele. pra investir essa energia toda pra uma coisa que pode ser boa tanto pra ele quanto pro mundo. concordo que contar agora pros pais poderia ser bem complicado. na minha opinião, acho que ele poderia resolver essas outras questões (como agressividade, ar de superioridade) dentro dele mesmo para que, qdo a oportunidade de contar pros pais surgir, ele já esteja mais certo das coisas. bom, cada um sabe onde o calo aperta, mas é isso que eu faria se estivesse na situação dele... que ele consiga canalizar essa energia toda e seja feliz!

Anônimo disse...

e mais uma coisa: se ele tem 17, daqui a pouco estará na universidade. universidades costumam ter todo tipo de gente. talvez ali ele encontre gente que pense como ele. ele pode entrar para grupos de pesquisa de gênero, por exemplo. a universidade pode ajudá-lo nisso tudo. até nas amizades.

Gabriele Albuquerque Silva disse...

Complicado. Tenho 23 anos e me identifico com alguns trechos, por ter um pensamento bem de esquerda, feminista e ateísta. Este último ponto é o mais problemático aqui em casa. Imagine, meus pais são formados em teologia. Minha mãe respira religião, meu irmão está começando a seguir os passos dela também. E eu tenho que conviver com uma pressão para pensar dessa forma, escutar música evangélica, frequentar igreja... É uma luta interna constante. Já percebi que tenho uma raiva acumulada também, por não conseguir discutir quando querem jogar religião pra cima de mim só fico quieta, tento mudar de assunto, mas já percebi que acabo estourando por motivos mais banais da convivência diária. É complicado. Mas hoje está melhor. Na medida que você vai se tornando mais independente, consegue ir achando pessoas que pensam de forma parecida com a sua. Faculdade, por exemplo, é um ambiente que costuma ser mais aberto para o debate de ideias, acho que em todas existe pelo menos um grupinho mais questionador e "rebelde" (no bom sentido). Mas realmente, enquanto não tenho ainda minha independência financeira, não consigo defender certas ideias aqui nessa casa, tenho que engolir muita coisa. Mas como a Lola falou, a internet é uma boa válvula de escape, é revigorante encontrar textos como os que ela escreve e espaços como os comentários aqui. E outra coisa que me ajudou: psicoterapia.

Ana disse...

Augusto, você tem que acreditar que a vida vai ficar melhor.
2o grau, sendo você hétero, gay, branco, negro, homem, mulher, é um saco. Na faculdade a vida tende a melhorar e, depois da independência financeira, você ganha asas :)
Existe um livro americano chamado "It Gets Better". Fora o livro, tem milhares de vídeos de celebridades na internet (Tim Gunn - o guru de estilo, o Presidente Obama, o pessoal que trabalha na Pixar, enfim, um monte de gente) que apoiam essa campanha e reafirmam, a vida fica melhor.
Procure grupos de apoio na sua cidade ou na internet. Existem milhares de pessoas passando por isso AGORA e outras milhares que já passaram por isso.
Boa sorte, querido!!

Marcelo disse...

Ele é ateu, homossexual e feminista. O que pode dar errado?

Quem falou que ele vai se tornar um "wellington menezes de realengo"?

Marcelo disse...

Conselho: vai arrumar um namorado, vai praticar algum esporte, vai dar umas rizadas por ai, véi! Sai dessa fase. antes que seja tarde.

Niemi Hyyrynen disse...

Augusto

Bem não sei se vou dizer algo bobo ou apenas um repeteco do que já falaram a Lola e @s demais comentarist@s, que falaram muitas coisas boas.

Mas o que quero te dizer é: Basicamente, conheça-te a ti mesmo. Antes de tudo.

Acho que quando somos jovens temos esse desejo de mudar o mundo,mas mal percebemos que o que está mudando na verdade somos nós.

Vc está se aceitando do jeito que é e isso é maravilhoso é uma das fases mais difíceis mas umas das mais gostosas, é q nessa fase crescemos com nunca.

A maioria das pessoas não se conhecem realmente não sabem o quanto elas são moldadas pelos outros, e vc ainda está no processo de assimilar várias coisas.

Eu tb tive uma adolescencia mega complicada, eu estava assimilando o meu ateismo minha bissexualidade e uma nova cultura! Foi tenso muito tenso eu tive vontade de explodir o mundo!

Mas dai eu descobri uma coisa simples que foi a chave de todas as demais descobertas.

eu tava crescendo e não me conhecia de fato, pq eu ainda estava me formando!

Então Augusto o que posso te dizer é, muita força na peruca, calma, use seu momento para refletir e se conhecer! Vc vai encontrar em vc muitas coisas boas e vai aprender a olhar as pessoas além dos preconceitos! E vc vai descobrir muita coisa boa!

:) desculpe o mega texto emocional mas te curto muito, vc tá sempre comentando coisas interessantes e é um rapaz super inteligente

abçs

Anônimo disse...

Olha, eu vou comentar aqui porque passei numa situação parecida com a sua.
Eu estudei em um colégio particular por dois anos e não conseguia me ajustar. Meus colegas eram a elite da cidade, um bando de fúteis preconceituosos que só ligavam para roupas de marca. Não sabiam pensar, criticar, a verdade absoluta eram as opiniões de suas famílias conservadoras.
Eu não me ajustava. Comecei a brigar com os coordenadores, com meus colegas, fui excluido, ficava me sentindo deslocada, etc. E todo mundo com aquela ladainha de "você é tão inteligente". Mas a minha dica é: eu também não quis mudar de colégio, quis ficar até o final porque não queria que parecesse que eu "fugi". Resultado: reprovei de ano por "falta de maturidade emocional".
Mudei de cidade e a partir daí eu conheci pessoas legais. Babacas vão existir pra todo o lado, o que vc tem que fazer é procurar lugares onde tenha pessoas parecidas com você. Acredite, eu também pensava que o mundo era todo feito de gente como aquela, mas não. Se você procurar bem, logo terá a impressão contrária, ehehe.

Beijooos, boa sorte.

Raphael disse...

Conselho supremo, que vale desde mascus sanctos tradicionais de bem até gays feministas esquerdistas revolucionários:
Tente sair de casa quando for pra Universidade. Não a base de conflitos, mas na justificativa de ir estudar.

Seus pais JAMAIS irão mudar de opinião por causa de ti. Viver em casa de pais com opiniões adversas a nossa é o Inferno na Terra.

Raphael disse...

PS: Colégio é uma melda mesmo, mas 3 anos passam voando. Sobre isso nada pode ser feito. Podes mudar de colégio, é algo lógico, mas não espere encontrar um "cheguevarinha feliz".

carolinapaiva disse...

Tenho um amigo que passou pela mesma situação que a sua, Augusto. Ele me contou que era homossexual no meio do Ensino Médio. Ninguém mais sabia e ele tinha muito receio de se assumir publicamente, apesar de se sentir mal por não poder demonstrar sua sexualidade como todos os outros.
Além disso, estudávamos em um colégio particular religioso, o que piorava a situação consideravelmente.
Nossos colegas, em geral, eram muito alienados naquela época. Só sabiam falar das músicas do momento, de programas de televisão e das festas.
Professores "palhacinhos" fazendo piadas preconceituosas tinham aos montes, sempre cercados por seus fãs.
Meu amigo e meu namorado sempre foram próximos, e eram motivo de piada por isso. Os outros os chamavam de casalzinho gay, de "mulherzinhas". Tudo com conotação pejorativa, já que, para eles, chamar outro de gay é ofensa.
Era um ambiente bastante hostil com quem era fora do padrão, ou seja, que não passasse 100% do tempo rindo e falando bobagem.
A sorte nossa é que formávamos um grupo. Eu, ele, meu namorado e duas outras amigas. Como pensávamos as mesmas coisas, não nos sentíamos mal.
Ter um grupo em sintonia com você faz toda a diferença. Siga os conselhos do pessoal aqui, procure uma "tribo" que pense como você.
Até eu achar esse grupinho que me acompanhou no Ensino Médio eu era muito mais insegura, mais vulnerável aos atos alheios.
Não precisa ser na escola, mas é essencial que você não se sinta sozinho, que saiba que existem pessoas te apoiando e pensando como você.

sex pistol disse...

Outra coisa cara, faça uma arte marcial, ajuda a desenvolver temperânça e equilibrio emocional, mental e dependendo da arte, espritual.Sugiro, nesse quesito o aikidô.Tente.Abraço.

Anônimo disse...

Eu já fiz aikido, uns quatro anos, e n sei se recomendaria não.A arte em si é boa, mas quando começa a misturar com religião, com política,tipo, sensei tal é melhor que sensei tal, e com o contrato não assinado de fidelidade eterna com o seu 'mestre', aí fica um saco
E tb não acredito em KI, pra mim isso n tem nada de mágico nem que n possa ser explicado pela física.

Unknown disse...

Quando as pessoas dizem"Ah, mas você é tão inteligente!..." isso tem um nome e o nome disso é hipocrisia. Pode ser que:
A) elas te acham esquisito e tem Pena de você
B) elas te acham excêntrico e não estão nem aí pra você
C) elas até te acham inteligente, mas isso não tem o menor valor pra elas

No mais, paz e força, e siga o conselho da galera aqui.

Carol M disse...

Augusto, a situação é complicada, mas dá pra sobreviver.

Claro que vc não precisa esperar ter 25 anos pra ser feliz, então vamos pensar em paliativos de curto prazo.

1) Conheça outras pessoas, pela internet mesmo. Crie um grupo de amigos e contatos com quem vc se sinta bem, o convívio, mesmo virtual, ajuda a aliviar o estresse do dia a dia.

2)Tente sair de casa qd for pra faculdade. Faça isso sem brigas, como uma "desculpa" mesmo pra se sentir menos pressionado pela família.

3) Gente babaca tem em todo canto, aprenda a não se irritar e como dispensar gente besta. Não arrume encrenca por nada, no fim mesmo adultos temos q lidar com pessoas que não são nosso tipo de gente.

4) Como disse a Niemi, conheça-te a si mesmo. Vc está num momento de auto aprendizado muito bom, aproveite isso.

5) Não perca a esperança. Os círculos de pessoas mais próximas podem estar cheios de cretinos, mas tem muita gente bacana por aí (especialmente por aqui no blog =D)

boa sorte

sex pistol disse...

Anônimo 16:33

Você é que faz sua arte e adapta ao seu estilo de vida.Assim como sua trajetória, cada personalidade define uma maneira de encarar uma arte marcial.Esqueça o sensei.Treine para você, para o seu desenvolvimento pessoal.A competição é consigo mesmo, para melhorar cada vez mais como pessoa.O conceito de KI engloba essas idéias.Abraço

sex pistol disse...

Como já comentado pelo pessoal, conhecer a si mesmo é muito importante, e também,a prática de artes marciais auxilia nesse processo.

LisAnaHD disse...

". . . Mas com a mudança na minha vida passei a não gostar das pessoas. Quando qualquer um fazia uma piada machista, como não sou nem assumidamente ateu, nem gay, nem feminista, não retrucava, guardava a minha raiva e ignorava. Depois de um tempo vi que afastei todos de mim." --Auguto, 17 anos, Guest Post 17.04.2012

>>> Está tudo OK com você se vc estiver bem consigo mesmo e para estar bem consigo mesmo realmente não há necessidade de viver cercado de pessoas.

Meu marido é hétero, brnaco, olhos azuis, baixo em estatura, passado de peso... não gosta de piada rude e se ouve, não retruca. Se ele precisar descrever uma pessoa seja quem for, até mesmo personagem de filme, ele nunca nunca cita os atributos físicos (cita se é homem ou mulher, mas se á pessoa é negra é branca é hispana etc. etc. não). Não comparte a torto e a direito o que ele pensa e nem o que ele acha. Tudo o que ele tiver de aprender ele o faz por si mesmo lendo livros, lendo sites, fazendo experimento. Prefere o mínimo de contato com as pessoas; no supermercado ele gosta de passar no caixa onde não precisa checar a mercadoria com ninguém; gosta de comprar tudo que puder pela net, inclusive passagem de avião; ao sair do hotel prefere qdo ele mesmo vai lá no painel e faz tudo sozinho, pagamento, etc. etc. SE ele vai a uma loja e o vendedor não o trata com sorriso e com 1.000.000 de atenção, pra ele tanto faz qto fez, pois das duas uma:

1. Ele sai da loja com o produto que foi procurar OU

2. A loja não tinha o produto ou se tinha ele não gostou do preço

(o tratamento social é o de menos... e PASME isso vale pro dentista e pro médico que pra ele tanto faz se é homem ou mulher, negro ou branco, oriental ou indígena... ele se interessa pelo resultado do que ele busca)

Diz ele que qto menos contato os seres humanos têm entre si, menor a chance de mal entendido. Eu? Eu sou totalmente o contrário... Ainda assim, se alguém precisar dos préstimnos do meu marido para o que for e desde que seja legal, pode ser a hora que for e ele dará a ajuda melhor que puder... levar ao hospital e não aceitar ajuda para a gasolina... dar assistência jurídica e não cobrar nem o dia de serviço que ele perdeu (ele tira das férias)...

Enfim, Augusto, prossiga sua vida sendo gay e apenas esteja preparado para os contratempos; aprenda a a lidar com as dificuldades e não espere que o mundo abrace suas ideias e nem que o mundo tb queira carregar sua causa. E qto mais vc se desenvolver intelectualmente e mais vc conhecer sobre história e sociologia mais e melhor vc estará apto para lidar com o preconceito e com a discriminação.

Ignore o chavão "pagar com a mesma moeda", pois assim fazendo vc não permitirá que as pessoas definam seu caráter. Seja educado sempre, mesmo se tentarem definir sua postura diferentemente. As pessoas não te tratam bem ou mal pelo que você é ou pelo que vc deixa de ser. As pessoas te tratam pelo que elas mesmas são ou deixam de ser.

sex pistol disse...

Eu já estou crescido, tanto que vou te deixar falando para o nada, sozinho. Pode xingar a vontade, vai.Sugiro que faça isso diante de um espelho.

Edson disse...

Li o post e fui sentindo e imaginando tudo que o Augusto viveu.
Entendo tudo o que ele passa por tbm ser gay não-assumido e sofrer por viver nesse mundo tão intolerante e cruel.
Tenho 19 anos, sou solitário, inseguro e lembro que no ano passado tbm tive desejos mórbidos, não era vontade de me suicidar mas era vontade de morrer naturalmente ou acidentalmente.
Conheci esse blog em Julho do ano passado e devo dizer que passei a me sentir melhor quando passei a lê-lo.

Beijo pra você Lola e para todos os comentaristas não-intolerantes!

sex pistol disse...

Sobre Miyamoto Musashi ( tirado da wikipédia):

Mas sua maior proeza talvez seja a de ter criado um estilo de luta com duas espadas, chamado Niten Ichi Ryu, onde seus discípulos e praticantes têm acesso aos katas e estratégias que o tornou imbatível pelos sessenta duelos. Vale lembrar que, apesar do estilo Niten Ichi Ryu ser conhecido pela luta com duas espadas, contém técnicas com a espada maior (tachi seiho), espada menor (kodachi seiho) e o bastão longo , o bojutsu.

Ele criou o seu próprio estilo; esta aí a diferença de um verdadeiro mestre para um eterno discípulo.

Dri Caldeira disse...

Augusto, nem q vc fosse meu filho a gente iria se parecer tanto! Tb sou assim, qdo. não posso fazer uma coisa que quero, fico insuportável e acabo mirando meu foco em algum outro assunto, muitas vezes menos importante do que o que eu preciso resolver.
Pra começar: não siga conselho de ninguém. Crie sua convicção a respeito de qq assunto recolhendo todos os conselhos q vc aqui recebeu. Leia, analise e vc vai saber o que é importante ou não pra tua existência. Vc tem pouca experiência, mas teu caráter já tá formado, lindão e se vc for como vc demonstrou ser no post, quando coloca uma coisa na cabeça, vai até o final. Nunca deixe ninguém, mas qdo. eu digo ninguém, é ninguém mesmo, te dizer o q vc deve fazer ou julgar tuas atitudes. Reconheça-se como seu melhor amigo, mas não seja teu único amigo, pessoas solitárias perdem a referência do real. Sinta medo, chore, mas partilhe isso somente com quem vc tem confiança. E quer saber, vc tá quase pronto pra vida, só falta a experiência. Saiba que vc vai sofrer, chorar, se machucar, largar alguns pedaços teus preciosos pelo caminho, mas se vc focar em VOCÊ e no que vc deseja, é apenas uma questão de tempo! Recomendo pra vc a leitura do Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, gay como vc, um dos caras mais brilhantes que já existiram, mas tinha uma fraqueza de caráter muito forte tb. Boa Sorte e tenha fé somente em vc mesmo!

Anônimo disse...

A LisAnaHD detonou !!
Bibi

F. disse...

Luiz Prata, que vídeo mais lindo, fiquei muito tocada, espero que o Augusto também veja.

Abraços para os dois.

Arlequina disse...

Gente, só pra lembrar, já que falaram do 'It gets better'...
http://www.youtube.com/watch?v=geCZlIX0noo

Esse vídeo é genial também =)

Anônimo disse...

O que posso dizer, é que perdemos tempo DEMAIS nos preocupando com os que os outros pensam/falam de nós.

È um tempo perdido mesmo, desperdiçado.

Viva da forma que é saudável e util à vc, não aos outros...

boa sorte e siga em frente, sua vida"adulta" está começando...
BIBI

Jessic_Dias disse...

Augusto, faça uso de cada palavra q a Lola te disse! Você certamente vai encontrar pessoas fantásticas pela vida... use a internet p t ajudar, procure por grupos, projetos, atividades voltadas ao bem social. Vai perceber que o mundo tem seu lado bom também. Não se tranque, e não feche os olhos para as possibilidades, fazendo isso voce pode afastar coisas ruins da sua vida, mas certamente vai afastar pessoas e experiencia maravilhosas tambem. Siga forte e com a cabeça em pé. Respeite a limitação dos seus conhecidos, talvez eles ainda não estejam preparados para largar esses preconceitos e crenças, mas voce pode ajuda-los a ver como tudo é mais bonito sem regras e segregação! Faça você a diferença... ajude os outros a ver que coisas podem ser vista por outro angulo, mas seja paciente para isso, as pessoas são fechadas com os arrogantes e impacientes!
Você vai conseguir acar seu lugar no mundo rapaz... só nao desanimar e não se julgar melhor (apesar de as vezes vc ser), não menosprese os outros.
Tudo de bom p ti... segue em frente e coloca um sorriso no rosto que os passos ficam mais leves.

Beijo

Dri Caldeira disse...

Aqui um trecho de Dorian Gray, o q fala sobre ser influenciável...
"- É verdade que a sua influência é assim tão má, Lord Henry? -
perguntou-lhe, alguns momentos depois. - Tão má como diz Basil?
- Uma boa influência é coisa que não existe, Mr. Gray.
Toda a influência é imoral, imoral sob o ponto de vista científico.
- Porquê?
- Porque exercer a nossa influência sobre alguém é darmos a própria
alma. Esse alguém deixa de pensar com os pensamentos que Lhe são
inerentes, ou de se inflamar com as suas próprias paixões. As suas virtudes
não lhe são reais. Os seus pecados - se é que os pecados existem - são
emprestados. Tal pessoa passa a ser o eco da música de outrem, o ator de
um papel que não foi escrito para si. O objectivo da vida é o nosso
desenvolvimento pessoal. Compreender perfeitamente a nossa natureza - é
para isso que estamos cá neste mundo. Hoje as pessoas temem-se a si
próprias. Esqueceram o mais nobre de todos os deveres: o dever que cada um
tem para consigo mesmo. É certo que não deixam de ser caritativos. Dão de
comer aos que têm fome e vestem os pobres. Mas as suas almas andam
famintas e nuas. A coragem desapareceu da nossa raça. Ou talvez nunca a
tivéssemos tido. O temor da sociedade, que é a base da moral, o temor de Deus, que é o segredo da religião - eis as duas coisas que nos governam."

Dri Caldeira disse...

Só mais um trechinho de Dorian Gray...
"Somos punidos pelas nossas rejeições. Todo o
impulso que esforçadamente asfixiamos fica a fermentar no nosso espírito, e
envenena-nos. O corpo peca uma vez, e mais não precisa, pois a acção é um
processo de purificação. E nada fica, a não ser a lembrança de um prazer, ou
o luxo de um pesar. Ceder a uma tentação é a única maneira de nos
libertarmos dela. Se lhe resistimos, a alma enlanguesce, adoece com as
saudades de tudo o que a si mesma proíbe, e de desejo por tudo o que as suas
leis monstruosas converteram em monstruosidade e ilegalidade. Diz-se que as
grandes realizações deste mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e
só aí, que ocorrem os grandes erros do mundo."

LisAnaHD disse...

"É também no cérebro, e
só aí, que ocorrem os grandes erros do mundo." --Oscar Wilde, em Dorian Gray (acima)

e a partir daí a religião vem pra cima da gente com danação!!!

“There is only one thing in the world worse than being talked about, and that is not being talked about.” –The Picture of Dorian Gray

"No mundo há somente uma coisa pior do que ser mal falado, e isso é ser ignorado."-- O Retrato de Dorian Gray

e se alguém tiver melhor tradução, fique à vontade.

E, Dri C., se vc for fã de Oscar Wilde, vc vai gostar de ler as sete ou nove estórias que ele publicou para os filhos dele, todas num mesmo volume... lindíssimasssssssssss!!!

Dri Caldeira disse...

LisAna - eu amo Oscar Wilde, e não li não esses contos q ele escreveu para os filhos. Assisti ao filme com o Stephen Fry umas trocentas vezes!! Esses trechos q postei aqui, eu uni tudo e fiz meu discurso de oradora na minha formatura de 2º grau... quase apanhei da diretora e o Bispo da cidade tava presente na cerimônia... minha mãe quase morreu de desgosto, coitada. Mas esse livro foi libertador pra mim, li qdo tinha 14 anos. Recomendo.

LisAnaHD disse...

Sim, Dri, eu li o livro... e "tive a arrogância" de viajar várias horas durante vários meses para assistir a uma série de peças dele... uma vez, assistindo a uma palestra, um tio-avô ou tio-bisavô dele, sei lá, estava sentado atrás de mim, imagine!!!!

algumas das estórias infantis provavelmente vc até conhece, pois cairam no popular, i.e. avós e tias contando pras crianças.

vc sabe que ele tb é autor de uma ópera? pequena, um único ato, mas lindaa!!! Salomé. Refere-se à Salomé bíblica que pediu a cabeça de João Batista... eu a assisti em Montréal e nunca mais ouvi falar dessa ópera... bem, vou dar uma pesquisada e passo tudo o que eu conseguir pravc. aguarde!!! Ah, Dri, a Igreja Católica já está às boas com Oscar Wilde... eita mundo surpreendenete, hein?

em tempo:
recomendo Flaubert em "Salambô" sim, o mesmo Flauber da infiel "Madame Bovary" condenado pela Igreja Católica etc. etc.

Dri Caldeira disse...

LisAna - eu tenho uma cópia de Salomé em vídeo, sempre q posso assisto. Tenho várias óperas, e tô lentamente passando do vídeo p/ dvd. Eu tenho essa cópia de Salomé ñ por causa da música pq não curto muito Strauss, mas por causa da letra... é genial!! E no lançamento, em 1905, provocou uma onda de protestos violentos, pq era muito "erotizada"... e pq o pessoal se chocou com a "mocinha" cantando pra uma cabeça decepada!!

Sara disse...

Luiz Prata, que vídeo mais lindo, fiquei muito tocada, espero que o Augusto também veja.(2)
E todos os outros que enfrentam o mesmo problema, maravilhoso esse vídeo.

LisAnaHD disse...

Dri C, a seguir alguns dos contos infantis de Oscar Wilde que eu li... se eu ainda tivesse o livro, passaria a lista dos títulos... bem, segue o que acabo de encontrar na net, em português.

O Rouxinol e a Rosa
http://www.helenasut.net/visualizar.php?idt=2280

O Príncipe Feliz (resumo)
http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_3198.html

O Poeta e As Andorinhas
http://www.pop4.com.br/2057-o-poeta-e-as-andorinhas-traz-o-universo-de-oscar-wilde-para-o-publico-jovem.html

O Gigante Egoista
http://www.101noites.com/index.php?option=com_content&task=view&id=125&Itemid=27

aqui uma mistura de contos
http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=673729&ID=807126

LisAnaHD disse...

Vellyn 21/11/2010
The Happy Prince and Other Stories
Oscar Wilde

O livro é uma compilação de contos infantis (no estilo conto de fadas), mas com um apelo moral importante para os adultos também. Típico livro infantil inglês, ou seja, serve para os adultos... Os contos são fantásticos, a maioria dos personagens são animais ou objetos, emocionantes.
http://www.skoob.com.br/livro/48541-the-happy-prince-and-other-stories

=======
Dri, peguei o comentário acima na net... mas não estou conseguindo encontrar o livro em português com todos os contos infantis e que legal vc já ter a ópera Salomé!!! eu a vi uma unica vez e nunca a enocntrei em vídeo... agora sei que sim, existe. obrigada.

LisAnaHD disse...

quem procura, aicha
seja a tampa ou a caicha
http://oscarwilde2k.blogspot.com/

LisAnaHD disse...

Contos de Wilde – Classificação Livre
(Alemanha, 2004, Animação, 75 minutos)

Sinopse
Inspirada em contos infantis do escritor irlandês Oscar Wilde, "Contos de Wilde" revela aspectos humanos como vaidade, egoísmo, amor, orgulho, hipocrisia, desigualdade social, dentre outros. São 3 episódios de 25 minutos, com um estilo de animação diferente cada.

LisAnaHD disse...

pra Dri C.
http://polivocidade.blog.br/tag/historia-infantil/

vanessa vasconcelos reznor disse...

cara,estou quase na mesma situação que vc,só tem duas diferença,sou hetero,mais adoro os gays,a maioria são pessoas maravilhosas,e sou agnostica,acredito em deus mais quase não tenho fé,e sou muito feminista,tanto que chego a irritar todos ao meu redor ,dane-se quem não gosta de mim e de vc,nunca desista da sua vida por causa de pessoas babacas e sem vergonha na cara,eu sei que é difício,eu mesma já tive vontade de me matar inumeras vezes,esse mundo está cheio de monstros disfarçados de pessoas,te desejo sorte e muita paciência,não esta fácil mesmo,por isso estou perdendo a fé em deus e na humanidade abraços......... e lola adoooooooooooooooooooooro o seu blog, vc é uma pessoa iluminada,desde que conheci o seu blog me assumi feminista,vc nem imagina o serviço que vc presta as mulheres e as pessoas em geral ,pena que tem muita gente que não gosta de vc,mais um sinal do fim dos tempos huashuashuas ,e o que me deixa mais fula da vida é saber que existem mulheres que odeiam o feminismo,como odiar uma coisa que só vai nos favorecer ainda mais?? enfim o mundo é uma merda mesmo,abração pra vc ,te adimiro pra caramba,vida eterna pra vc,sua linda,e viva o rock and roll,só ele pra me fortalecer hahaha.

Luiz Flávio disse...

Rapaz, ler teu texto é como ler minha mente através de um espelho no tempo. Troque "ateu" por "agnóstico" e basicamente tudo o que você fala de si hoje é o que eu era quando tinha tua idade. 11 anos e muita água por baixo da ponte depois, eu sinto a quase obrigação de tentar dar algumas orientações.

Primeiramente, a Lola está certíssima quando diz que você não pode enfrentar o mundo sozinho. Uma das coisas fundamentais a se perceber é que não é contra as pessoas que você precisa lutar. É contra as ideias. Nosso anátema é abstrato, e a manifestação concreta é sintoma, não causa. Então, a hora é de se armar intelectual e emocionalmente. Uma ideia é começar a ler mais literatura sobre preconceito, feminismo e homossexualidade. Ler mais trabalhos acadêmicos também - há tratados fantásticos sobre essas temáticas caríssimas a nós, e aqui no blog da Lola você pode se inteirar de muitas coisas só para começar (e tenha em mente uma coisa: as bandeiras do feminismo são caras à homossexualidade -também-. Mulheres e homossexuais são mais próximos em suas agonias do que se imagina). Isso é muito útil para que você possa expandir seus horizontes a partir da epifania.

Você já demonstrou uma postura muito combativa e arrogante, e isso é muito perigoso tanto para a gente quanto para a nossa luta contra o preconceito. Só mesmo a convivência com novos pensamentos, vindos tanto de livros quanto de pessoas. Aliás, até mais de -pessoas-. É importantíssimo experimentar a convivência com cidadãos que vivem esse modo diferente de pensar - o esclarecimento tem que ser empírico e intelectual. Mas isso, você só vai conseguir com o tempo e com a procura aberta. A universidade pode lhe ajudar muito com isso, mas esteja preparado porque pessoas são pessoas, para o melhor e para o pior, em qualquer lugar. Não se iluda. E tente cultivar um bocado de humildade também - ela vai ser crucial para o seu pensamento e para o seu crescimento.

Isso tudo pode parecer algo muito lento e gradual, mas é assim que o processo é: com 17 anos, você tem toda a energia do mundo pra querer mudar o mundo, mas não tem recursos. Você está chegando a um ponto de virada, em que você vai começar a agir para amealhá-los. E esse processo de crescimento deve andar de mãos dadas com a caça. Tenha paciência, viva um dia de cada vez e já lance mão daquilo que você já tem - energia, uma internet inteira à disposição e uma inquietude que você pode e DEVE cultivar como força motriz. Força, cidadão, que o caminho está começando. E você já percebeu qual é a direção mais justa.

Augusto disse...

Obrigado pelos comentários. Eles verdadeiramente me ajudaram. Obrigado principalmente a Lola que me ajudou e até indicou uma pessoa para que eu pudesse conversar. Obrigado.

Obrigado por todas as mensagens, eu também quero dizer que gostaria de ser amigos de vocês, e quando eu estiver em um momento difícil, eu venho e leio estes comentários, comentários de pessoas maravilhosas que me ajudaram. Estes conselhos servem para mim e servem para qualquer um de nós que temos esse problema em lidar com gente preconceituosa.

Que possamos ser felizes e tentar mudar um pouco deste mundo, mesmo que essa mudança pareça tardia. E eu sempre vou dizer que quero encontrar pessoas como vocês na minha vida, pessoas como a Lola, porque eu sei que, um dia, eu vou encontrar.

Então, novamente, obrigado.

Augusto disse...

Luiz Flávio, uma coisa que você falou e que eu não posso discordar é:

"Uma das coisas fundamentais a se perceber é que não é contra as pessoas que você precisa lutar. É contra as ideias."

Sim, mas acho que é um pouco difícil para mim, eu costumo a combater as pessoas preconceituosas. Talvez seja uma coisa que eu deva mudar, mas não é algo prático. Tem que ser pensando para ver a melhor forma de fazer isso. Se não me perco, e perco o que eu sou...

Augusto disse...

Dri Caldeira, obrigado pela indicação do livro, já tinha ouvido falar mas ainda não li mas vou procurar lê-lo. Eu gostei das partes do livro que você postou.

Um beijo!

Marina P disse...

desde que comencei a frequentar o blog, meus amigos reclamam que eu to "chata". e cara, quer saber? eu tô mesmo, felizmente! chata, INCÔMODA.
ai, obrigada por ter desmistificado o feminismo pra mim! eu realmente estava precisando desse empurrãozinho. seus textos têm impulsionado muitas coisas dentro de mim. estou finalmente virando mulher - e, GOD, QUE EXERCÍCIO! - e não tem nenhuma relação com a recém completada maioridade.

Lola, você é mais cool que a Lola transexual do Ray Davies! e não é pouca coisa...

Anônimo disse...

"Uma das coisas fundamentais a se perceber é que não é contra as pessoas que você precisa lutar. É contra as ideias."

as pessoas são o hardware / as ideias são o software / uma não vai sem a outra / a luta é conjunta
Bibi

Dri Caldeira disse...

Augusto - o livro foi libertador pra mim, espero que seja igual pra vc.

LisAnaHD - ADOREI!! Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada, mil vezes obrigada!! E pode me mandar links em inglês, pq leio tb. Nossa, vc não sabe o quanto vc me fez feliz agora!!!

Luiz Flávio disse...

Bibi, é verdade que ideias não andam soltas - as pessoas as propagam. Mas é por isso que é tão importante que a mudança seja feita no campo do pensamento. Antes de lutar contra -as pessoas preconceituosas-, é necessário lutar contra o preconceito. Enfrentar um Bolsonaro da vida, por exemplo, é importante, mas simplesmente expor indivíduos ao ridículo com argumentos ad hominem não gera dividendos duradouros ao nosso trabalho. Atribuir a podridão do machismo e do preconceito às pessoas antes de ver que essa necrose vem de uma ideia retarda a mudança que precisa ser feita. A verdade é que a fera é um miasma que muito nos precede - e é preciso lidar com a história, o tempo e a abstração dentro desse contexto. Tanto do preconceito é inconsciente que é necessário não agir com rancor e desprezo -às pessoas- de uma forma geral. Agora, eu lhe dou razão em relação àqueles que deliberadamente usam o preconceito para causar cizânia (aí que o combate a pessoas como o Bolsonaro tem valor, por exemplo). Mas eles também são sintomáticos do nosso envenenamento. Um problema muito comum é que o foco acaba sendo desviado do títere para o marionete no combate ao preconceito e à injustiça. (Espero não ter sido muito vago aqui)

Anônimo disse...

Geeeente, já que estão citando o Wilde, super recomendo pro "De profundis", a carta que ele escreveu na prisão para seu amante e delator. Humilhado, roubado, e preso por seu relacionamento com outro homem, ele fala de como conseguiu superar isso tudo. Entre outras coisas maravilhosas, Wilde diz que o amor, a religião e claro, a arte, dependem unicamente de uma coisa: imaginação. Pessoas sem imaginação não amam, não compreendem, não perdoam, e não fazem nada de belo porque não conseguem, dada sua carência imaginativa (rs), colocar-se no lugar do outro. Vale muito a pena ler, é lindo, lindo. E ensina muito a gente a ser tolerante com quem não é. No mais, beijo grande pro Augusto, pq todo mundo já disse tudo. As coisas melhoram mesmo, acredite.

Luiz Flávio disse...

E Augusto: é por isso que eu lhe recomendei o aprofundamento do seu arcabouço intelectual e emocional. No seu contexto, realmente é dificílimo agir com um pouco de frieza intelectual - eu sofri com isso também. O problema de enfrentar abertamente as pessoas como se -elas- fossem o inimigo é que você pode contribuir para fechá-las ainda mais para o esclarecimento, e isso é muito ruim. A sua indignação é correta e justa, mas você precisa se munir para utilizá-la de forma produtiva. O difícil das epifanias é que a gente sempre sai muito cru delas - tantas ideias, tantas revelações, mas como usá-las? Agora, você precisa aprender como. E isso é muito nascido e construído do viver.

Witch disse...

Augusto, adivinha só. Eu sou lésbica. Eu passei por tudo que você passou (Com o bônus que eu sou mulher, então misoginia mil). Só vou te dar alguns conselhos.

- NÃO faça isso de ficar desafiando professor e ficar rebelde. Desconte sua raiva em coisas produtivas, seja pra você mesmo ou pra sociedade. Escreva um livro, desenhe ou faça ativismo. Mas não bata de frente com quem não tem volta.

- Ignore. Se isole. Meu ensino médio foi uma merda porque a minha namorada era da minha turma. Nós ficávamos até tarde para podermos ficar juntas em paz. Todo mundo desconfiava e alguns até sabiam. Mas três anos passam voando, especialmente os do ensino médio. Então, não gaste seu tempo e energia com gente assim. Isso passa. Tudo passa, até uva passa (Rá!). Na faculdade as coisas provavelmente vão melhorar, mas por enquanto você tem que aguentar um pouco.

- Não precisa sair do armário pra sua mãe. Quando eu saí pra minha, foi um desastre. Espere até você ter uma estabilidade financeira OU um teto pra ficar caso seus pais surtem.

- Sério, você precisa de amizades melhores.

- Não precisa dar uma de defensor dos fracos e oprimidos pra quem não vai mudar. Sério. Você só vai ficar com mais ódio. Releve o máximo que puder. Você ainda não tem idade nem maturidade pra ficar batendo de frente com quem não vai mudar, isso só vai ferir a você.

- Você realmente precisa de amizades melhores. Podemos conversar melhor se tu quiser, até passo MSN ou algo assim.

- Então relaxe, faça algo produtivo para você, não se meta nesses comportamentos autodestrutivos como dar murro em ponta de faca. Releve e... Arranje amizades melhores.

Boa sorte aí, guri.

Augusto disse...

Obrigado, Witch.

Mas sobre amizades é algo muito difícil para mim. É muito difícil alguém da minha idade ter um pensamento feminista, eles são influenciados por programas de TV's machistas, mas isso não quer dizer que seja impossível, eu sei que não é, mas eu preciso estar aberto a amizades e estar preparado para quebrar a cara algumas vezes, eu não sei se estou preparado, às vezes só queria que alguns e algumas feministas surgissem na minha frente para serem meus e minhas amig@s.

Raphael disse...

E achar amigo da sua "tribo" é o mais fácil, internet tá ai pra isso. ;)
Orkut anda meio abandonadinho, mas ainda existem bons foros por lá bem ativos por sinal.

LisAnaHD disse...

Dri Caldeira disse...
LisAnaHD - ADOREI!! Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada, mil vezes obrigada!! E pode me mandar links em inglês, pq leio tb. Nossa, vc não sabe o quanto vc me fez feliz agora!!! 17 de abril de 2012 20:39

Smacks... XoXoXo...
Eu bem desconfiava que...
mais isso e mais aquilo...
menos disso e menos daquilo...
mais daquilo e menos disso...
mais disso e menos daquilo...
a gente acabaria por acertar os respectivos e recíprocos ponteiros e olhe só que foi através de Oscar Wilde !!! É ou não é pra gente "se achar"? LOL...

LisAnaHD disse...

Dri, vai no www.Amazon.com
busque
Complete Fairy Tales of Oscar Wilde

como posso fazer chegar até vc?

jonas_cg disse...

Me identifiquei bastante com esse depoimento. Também estudei em uma escola considerada "aberta", porém conservadora, e era considerado o revoltado de lá!

Como tô com pouco tempo, vou a parte mais importante:
Eu simplesmente me assumi, contestei o que achava errado e olha, encontrei pessoas que, se não concordassem comigo, pelo menos contestavam aquilo que acreditavam. Bati a cara várias vezes, mas não me arrependo, pois fiz o que achava certo.
Pode ter certeza, uma hora você acha sua turma, é só saber procurar no lugar certo.

Abraços

Anônimo disse...

É duro saber que os jovens de hoje AINDA tem esse pensamento:
http://nerdcalculista.com/?p=2744#comment-10624
Esse texto seria revoltante se não fosse escrito por um menino de 19 anos...

LisAnaHD disse...

Por detrás da alegria e do riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer, a dor não usa máscara. --Oscar Wilde, em De Profundis

(Behind joy and laughter there may be a temperament, coarse, hard and callous. But behind sorrow there is always sorrow. Pain, unlike pleasure, wears no mask)

http://en.wikipedia.org/wiki/De_Profundis_(letter)

e depois comparem com página em português... quem sabe (aqpenas quem sabe) compreendam alguma diferença no conteúdo entre ler algo na Wikipedia English e na Wikipédia Português...

Dri Caldeira disse...

LisAnaHD - a gente procura o mesmo fim (ser feliz) só que atuamos em diferentes áreas!! E eu com minhas "caldeiradas" já tô acostumada a não gostarem de mim logo de cara e depois verem q eu sou assim, mas sou boa pessoa. Meu maior defeito é não ser fingida sabe? Me manda um email, pra gente conversar melhor: dricaldeira@hotmail.com. E vc tb, muitas vezes não entendo patavinas do que vc escreve, mas dá pra ver q vc tem boas sacadas e atitudes, mas às vezes eu não consigo captar vc!! Ah! E quem mais quiser me mandar email, seja pra conversar ou pra me xingar, sinta-se à vontade: minha resposta será condizente com o conteúdo do seu email!!

Aichego disse...

Oi Augusto.

Caramba... que problemão que você está enfrentando.

Sou bi e cresci em colégio católico. Mas graças a deus, apesar de alguns escrotinhos (alunos e professores), o colégio era aberto o suficiente para que, no 2o grau, pudéssemos falar abertamente sobre nossas ideias. Sofri também, quando era nova, mas porque não me dava muito com as pessoas da minha idade, demorei a ter amigos no colégio.

O que fiz: curso de artes, teatro, aulas de violão, judô. Em todos os meus hobbies conheci gente legal de todas as idades e fui ouvindo de muita gente que a sensação de não pertencimento iria passar. Acreditei. Passou.

Na faculdade também enfrentei problemas. Minha posição política não era "suficientemente à esquerda"e fui chamada de tudo. Mas aos poucos, entre discussões acaloradas e outras não, fui ganhando respeito de meus colegas e, ao mesmo tempo, aprendendo a conviver comigo mesma.

Sou uma pessoa apaixonada e pra mim é muito dificil debater certos assuntos sem encher os olhos de lágrimas e ficar sem palavras, mas estou aprendendo. Tenho 33 anos e ainda estou aprendendo.

Meus pais e alguns amigos até hoje me dizem que sou radical. Mas com o amor que temos, sei que falam isso como crítica mas também como um carinho. Sou radical. Eu sei. Mas não sou nem cega nem surda aos outros e as coisas que ouço me modificam. Da mesma forma sei que as coisas que eu falo modificam os outros.

há uns 12 anos eu travei uma briga feia com um priminho que morava la em brasilia. Ele devia ter uns 15 anos na época e falava coisas super homofóbicas numa mesa até que eu comecei a gritar. Na época ainda estava na fase de me descobrir bissexual (demorei amigo, demorei) e mais apaixnoada pelo assunto impossível.

O menino falava altas barbarides e eu rebatia com outras. A gente não ia se entender daquele jeito e eu, finalmente, mudei de assunto. Começamos a falar sobre musica e tal e descobri que ele gostava de cazuza. Falei pra ele: cazuza era um poeta incrível, mas era gay. Você acha que isso muda o que ele escreveu?

Dessa forma, pude ser menos passional e falar mais intelectualmente sobre o assunto.
Resumindo essa hist: dei pra ele aquele livro "Cazuza, só as mães são felizes" escrito pela mãe dele. Depois de ler o livro, meu priminho me escreveu um email dizendo que havia mudado completamente o jeito que via a homossexualidade e me mandando uma listagem de mil livros que eu iria gostar de ler... mas que infelizmente não li. :( (a vida corre corre corre...)

Minha mãe é a mãe mais aberta do mundo. Ex hippie, pintora, totalmente ante preconceitos e tal. Mas eu sabia que a homossexualidade era para ela uma coisa dificil. Quando comecei a namorar a primeira mulher, eu ainda morava com ela, ela desconfiou. Eu saia, voltava dias depois e não dizia com quem estava saindo. Até que um dia ela me encurralou e perguntou o que estava acontecendo. Me lembro bem da cena: ela estava cortando carne com uma faca ENORME e me encurralou no canto da cozinha. Eu fiz ela largar a faca (SEI LÁ, né?) e sentar no sofá. Contei. Foi horrível. Ela disse que eu tinha feito aquilo para machucá-la e me disse um monte de coisas terríveis. Passou um mês sem olhar na minha cara. Eu arrumei rapidinho um estagio a mais (já tinha um) e fui morar com um amigo. Com o tempo, minha mãe foi ficando mais calma. Depois começou a ficar mais tranquila. Sair de casa fez nossa relação ficar mais próxima de alguma forma. Hoje ela e minha namorada são amigas (inclusive no facebook) e minha mãe é defensora dos direitos dos homossexuais. Ela diz que entende hoje que os seres humanos podem ter uma gama infinita de sexualidades e que se a gente aceitar tudo com naturalidade fica mais fácil. Não que pra ela seja super ok, mas ela sabe que deveria ser super ok, entao ela está se reprogramando de acordo.

Bom, não sei se ajudou, mas quis dividir como foi pra mim.

Beijocas e força.
Como a galera disse aih em cima: FORCA NA PERUCA!

Ju disse...

Incrível como as pessoas não pensam na hipótese de seus filhos serem homo/bi.

Dri Caldeira disse...

Aichego - não é nada saudável brigar com a mãe na cozinha. Já levei com uma frigideira na cabeça e uma "escumadeirada" na bunda q me deixou marcada...

Aichego disse...

dri: essa foi boa!

Celiane Brasil disse...

É A 1ª VEZ QUE POSTO AQUI, ESTOU TÃO EMOCIONADA RSRSRS - LOLA, VC É TÃO INCRÍVEL, QUERO SER IGUAL A VC QUANDO EU CRESCER.
oi augusto, quero ser sua amiga ;D
rsrsrs (é sério, me add no face)
eu sofro do mesmo problema. tenho 18 anos, não sou lésbica, mas me incomodo muito com os comentários homofóbicos que escuto constantemente. sou do amapá e aqui as pessoas têm mentes muito fechadas. fico muito triste pq não me sinto a vontade para fazer amizade com quem não concorda comigo. e discordando do que a lola disse, não consigo considerar minimamente boa uma pessoa machista, homofóbica ou racista. ah, é verdade, eu tb sou atéia e feminista e sou emcubada. minha família é religiosa e super conservadora, inclusive dela vem algumas das maiores pérolas, por exemplo: "a miscigenação de raças é culpada pelo baixo desenvolvimento do brasil"; "a parte genética é importante, mas a criação é fundamental para q um homem se torne gay"; "mulher gosta é de dinheiro" etc... pra terem uma ideia, conheço 2 pessoas que conseguem visualizar o racismo na nossa sociedade, porém um é misógino e o outro é machista e homofóbico. triste. as únicas pessoas boas para se ter como amigo, são aquelas que não conseguem ser maldosas e isso é ótimo, porém estas mesmas pessoas dão liberdade aos já mencionados homofóbicos, machistas, racistas, etc. estamos juntos nessa barca amigo. A proposito: eu encontrei um grupo de pessoas muito legais no twitter. pessoas que não fazem piadas de mal-gosto (são perfis de humor). é muuuito legal! para mais informações é só me perguntar, pois não posso fazer um comentário do tamanho de um post, rsrsrsrs.

Aichego disse...

Augusto, só pra vc saber que esses sentimentos não são só seus:

aqui uma música que adoro. é de uma cantora italiana dos anos 60. O nome da música, em português, seria: me dá um martelo. E é genial.

Se quiser ver ela cantando: http://www.youtube.com/watch?v=lGIXrziSLCQ

DATEMI UN MARTELLO
Rita Pavone (Italy)

Datemi un martello

Che cosa ne vuoi fare?

Lo voglio dare in testa
a chi non mi va

A quella smorfiosa
con gli occhi dipinti
che tutti quanti fan ballare
lasciandomi a guardare
eh eh che rabbia mi fa
um um che rabbia mi fa

Eh eh datemi un martello

Che cosa ne vuoi fare?

Lo voglio dare in testa
a chi non mi va
A tutte le coppie
che stanno appiccicate
che vogliono le luci spente
e le canzoni lente
Che noia mi da, uffa
che noia mi da

Eh datemi un martello

Che cosa ne vuoi fare?

Per rompere il telefono
l'adopererò

Perchè tra pochi minuti
mi chiamerà la mamma
il babbo ormai sta per tornare
a casa devo andare, uffa
che voglia ne ho, no, no, no
che voglia ne ho


U-un colpo sulla testa
a chi non è dei nostri
così la nostra festa
più bella sarà, eh eh eh

saremo noi soli
saremo tutti amici
fa-aremo insieme i nostri balli
il surf e l'hully-gully, ah ah
che forza sarà!

LisAnaHD disse...

Dri, encontrei 57 textos de Oscar Wilde pra baixar no Kindle, todos de graça, mas em vários idiomas... ainda estou pesquisando.

Dri, há dois ditados em inglês pra tomarmos em conta: 1. To hold one's horses. - 2. To carry a chip on one's shoulder.

O primeiro é pra gente ir com calma, não se precipitar, manerá em como age. O segundo é pra gente deixar de lado o complexo de inferioridade ou a atitude de estar sempre na defensiva, sentir-se humilhada, ofender-se a torto e a direito, espernear por tudo e por nada, achar que tudo tem a ver com a gente. Meus alunos brasileiros e hispanos aprendem isso rapidinho já nas primeiras aulas comigo. E se dão melhor em suas empreitadas.

E lá vem vc escorregando no tomate:
"Minha resposta será condizente com o conteúdo do seu email!!"
Então vc estará dando poder a outrem, percebe? E bastaria to hold your horses and not to carry a chip on your shoulder... pra vc não permitir que outrem abale seu emocional, que outrem decida como quer que vc reaja ou se comporte... think about it... think deeply.

LisAnaHD disse...

Gira Gira
http://www.youtube.com/watch?v=VjXAXBZqGm4&feature=related

LisAnaHD disse...

pega essa, Dri
http://www.youtube.com/watch?v=U7qYnKFXN60&feature=related

(paciência pra deixar passar o primeiro minuto, OK?)

e pegaí Roberto Carlos em francês cantado por uma italiana
http://www.youtube.com/watch?v=wgwO925r3bc&feature=related

LisAnaHD disse...

Dri, pra vc ver e ouvir Merlin Holland, neto de Oscar Wilde
http://www.youtube.com/watch?v=cqRwZz7n8o8&feature=results_main&playnext=1&list=PLE3CFB3F60067789A

Arlequina disse...

@Dri Caldeira @LisAnaHD

Sério que o Príncipe Feliz o Oscar Wilde escreveu pros filhos? Que puta que pariu, eu li quando eu tinha 8 anos, presente de um amigo meu da escola, e nossa, os contos me deprimiram por um mês inteiro (uma eternidade pra criança).

Recomendo o livro, mas pros mais velhos, mas eu hein, não inventem de dar isso pra ninguém com tendência de depressão.

LisAnaHD disse...

Eu tb fiauei traumatizada com a estória "Joãozinho e Maria"... que coisa cruel os pais abandonarem os filhos que depois quase foram fervidos vivos pela bruxa... isso me aterrozou muitos anos pela frente.

LisAnaHD disse...

Dri, confira!
http://wilde.artpassions.net/

Anônimo disse...

No mundo, a pessoa que sabe três coisas, será sempre criticada por aquelas que só sabem duas.
Milan Kundera

Anônimo disse...

Alguém ai disse: não sei como as pessoas não pensam na possibilidade de seus filhos serem gays/bi.
Hoje minha filha de quatro anos perguntou se ela vai poder namorar uma menina quando crescer, se quiser. Claro que sim! E não vou amar menos minha pequena por isso!! Pensei nessa possibilidade pela primeira vez. E não me perturba...
Aline. SC

Anônimo disse...

aos quatro já perguntar isso????
que mundo é esse????

Anônimo disse...

Ué anonimo, aos 4 já tem propraganda de príncipe-princesa, aos 4 há tem brinquedo de casinha, aos 4 já tem livros infantis que são lidos com históris de famílias etc, els já tem noção do que é um casal..Não vejo nada de mal na pergunta da criança. super natural e mais legal ainda a resposta da mãe!!!!!

Anônimo disse...

mano não esquenta, é isso aí mesmo... se isole e ignore as pessoas... só pelo seu texto deu pra perceber q vc é especial, e diferente dos outros... vc encontrou o lugar perfeito pra se refugiar,a Deusa internet, fique na frente do PC (de preferencia no blog da Lola) conversando com outros seres iluminados q nem vc, tentando imaginar como o mundo seria melhor se todos fossem iguais a vc (ou vcs?)... Pois no fantastico mundo de Lola, quem foge do seu padrão pre estabelicido de comportamento, esta errado e tudo se resume a 'machismo' 'homofobia'e a tal 'sociedade machista patriarcal'... vc esta pronto pra ser doutrinado, e não poderia expor suas frustrações em melhor lugar, parabéns.

J.C

poetisa disse...

OI Lola, se você me permite gostaria de responder a algumas revoltas do Gustavo.
Olá Gustavo, moço meu nome é Eunice e eu entendo bem o que você esta passando, sei o quanto é revoltante tudo isso, mas acredite em uma coisa, a sua revolta não esta na homofobiedade dos outros e sim em você mesmo de não ter coragem de se assumir, e acredite, isso não é um crime, é apenas o fato de que você não se sente preparado pra isso.
Eu mesmo me assumi com 23 anos de idade e foi escrevendo uma carta pros meus familiares, da qual me lembro na época abriu muitas portas pra pessoas como você.
Eu gostava muito de entrar no tal do bate papo “UOL”, ali aprendi besteiras, aprendi sobre homossexualidade, criei amizades (das quais algumas tenho até hoje), tive um reacionamento e principalmente tive a visão de como me assumir (e não pra uma sociedade, pois elas não pagam suas contas) mas sim pra minha família.
Eu escrevi uma carta e dei pra minha família ler, meu irmão mais velho ficou um mês sem falar comigo, minha irmã do meio queria colocar todos os homoafetivos no paredão e fuzilar. Mas a minha tia (pois minha mãe é falecida) conversou muito comigo e me disse assim:
Não vou te tacar pedra, nem lhe recriminar, a única coisa que não vou aceitar é você frequentar esses barzinhos gays que não te levam a nada.
Gustavo, todos fazem da maneira que achar melhor, mas eu concordo com a Lola, você não esta preparado e nem com cabeça pra isso agora, sua revolta vai (se isso você vir a fazer agora) lhe prejudicará, porque você ira se perder nos seus argumentos e se você tiver oportunidade de mudar o modo da sua família de pensar, no estado revoltante que você ta, ira complicar mais.
Eu tenho uma namorada de 20 anos e que é deficiente física, já começa por ai o preconceito das pessoas com relação a ela, e a família dela pra ajudar é “Evangélica”, até então não sabiam dela, e quando eu estava me preparando pra ir pra lá pela primeira vez como amiga dela, eu não me sentia muito bem, porque. A mãe dela sempre dava indícios de que já sabia da minha namorada e estava apenas esperando ela mesma contar. Mas ela tinha medo, então analisei uma coisa e vi que se difere de você.
Toda vez que a mãe dela falava ou tocava no assunto homossexualidade perto da minha namorada, ela não expunha opiniões preconceituosas, e sim positivas , a favor, foi quando eu percebi que se ela contasse a sua mãe iria sim aceita e aceitou.
E no mais Gustavo tem outra coisa, às vezes não é que a família não vá te aceitar, mas eles estão tentando te proteger do mundo, das pessoas fora da sua casa...
Pense nisso e tenha calma...

Anônimo disse...

Anônimo das 05:06...
Foi uma pergunta inocente, de criança que observa as coisas à sua volta e percebe que existem casais diferentes... Me orgulho de ter uma filha sensivel que mesmo com todos os filminhos da barbie e historinhas de principe que salva a pobrezinha princesa consegue perceber muitas coisas além disso. É o que ainda me faz acreditar que o mundo tem salvação... Aliás, o que você faz por aqui????????

sex pistol disse...

Lou Reed
Transformer (1972)


Perfect Day

Just a perfect day,
Drink Sangria in the park,
And then later, when it gets dark,
We go home.
Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home.

Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.

Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
It's such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.

Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.

You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow...

A versão do Duran Duran também é muito legal.

Anônimo disse...

Anônimo disse...
Anônimo das 05:06...
É o que ainda me faz acreditar que o mundo tem salvação... Aliás, o que você faz por aqui????????
18 de abril de 2012 10:46

VENHO BUSCAR SALVAÇÃO

Antonio disse...

Queridinho, quatro palavras:
DESCE
DO
SALTO,
FAZFAVOR.

"Sou muito inteligente e todos á minha volta são idiotas" acredite, eu também penso assim e preciso me forçar (realmente é um esforço) pra não me deixar levar por esse pensamento. É uma luta deixar a minha arrogância e soberba dentro do armário porque já quebrei muito a cara qnd um "babaca" se provou muito mais certo e inteligente que eu. Claro que o impulso de se acreditar mais inteligente que a maioria "não-esclarecida" - lembrando que ninguém tem certeza de que aquilo que afirma é o certo ou o justo, nem the feministas (convenhamos que usar @ é bastante ridículo pra falar sobre coisas sem genero.

Mudando um pouco de assunto acho que um bom passo é assumir seus preconceitos. Eu raramente tenho pensamentos ou atitudes racistas, é uma questão de criação (meus avós são judeu, negro, branco e índio pra citar) maseu muitas vezes ajo de forma machista, embora eu levante a bandeira feminista. Isso quer dizer que eu sou hipócrita ou uma pessoa ruim? Não por isso, estou apenas reconhecendo um pensamento que se enfiou em nós desde cedo. Mesmo sendo gay e hetero eu sou homofobico com vários aspectos, é algo que não dá pra evitar. Reconhecer suas limitações é o único jeito de alcançar uma consciência maior.

um abraço e boa sorte
desculpe a rudeza, mas acho que você precisa de alguém que lhe jogue na cara certas coisas

Anônimo disse...

"O amor é alimentado pela imaginação, através da qual nos tornamos mais sábios do que sabemos, melhores do que nos sentimos, mais nobres do que somos, capazes de ver a vida como um todo; através da qual, e só através dela, chegamos a entender os outros tanto em sua relação real quanto ideal. Só o que é superior e superiormente concebido pode alimentar o amor, mas qualquer coisa alimentará o ódio".

Oscar Wilde, De Profundis

Anônimo disse...

"Para o artista, a expressão é a única forma através da qual ele é capaz de imaginar a vida. Para ele, tudo que está mudo, está morto. Mas Cristo não pensava assim. Com aquela imaginação ampla e prodigiosa que nos enche de espanto, elo tomou o mundo daqueles que não sabem expressar-se - o mundo sem voz do sofrimento - como seu reino e tornou-se seu porta-voz. Escolheu como irmãos aqueles de quem já falei: os que permaneceram mudos diante da opressão, aqueles cujo silêncio é 'ouvido apenas por Deus'. Procurou tornar-se os olhos do cego, os ouvidos do surdo, o grito na boca daqueles cujas línguas haviam sido tolhidas."

OW, De Profundis (adoro esse Cristo do Wilde, rs).

Anônimo disse...

"Enquanto propor-se a ser um novo homem é apenas uma hipocrisia anticientífica, tornar-se um homem mais sincero é um privilégio daqueles que sofreram. E é exatamente isso que eu espero ter me tornado"

"Não gostaria de ser amado sob falsos pretextos. Há algum tempo, um grande amigo meu - um amigo que tenho há dez anos - veio visitar-me e disse que não acreditava numa só palavra do que afirmavam a meu respeito e desejava que soubesse que me considerava inocente, uma vítima de uma trama hedionda. Ao ouvi-lo, irrompi em pranto e repliquei que, embora muitas das acusações levantadas contra mim fossem flasas e me houvessem sido atribuídas por maldade, a verdade é que a minha vida sempre foi cheia de prazeres 'depravados' e que, a menos que ele pudesse aceitar essa verdade a meu respeito e entendê-la, eu não poderia continuar sendo seu amigo. Foi um choque terrível para ele - mas somos amigos e eu não consegui essa amizade apelando pra falsos pretextos."

OW, De Profundis (e vai por aí.)

Sphynx disse...

Se tu tem 17 anos, deve estar no ensino médio. E o ensino médio, pelo que se sabe, é o período em que normalmente as pessoas têm mais orgulho de ser imbecis. Alguns não perdem esse orgulho nunca, mas enfim.

Vi que já falaram algo do tipo nos comentários anteriores, mas também vou reiterar: na faculdade tende a ser bastante melhor. Aguenta a barra até lá e vê se as coisas não mudam então.

Alex disse...

Tenho 35 anos, tenho consciência da minha homossexualidade desde os 07, e até hoje ainda não tive coragem de me assumir socialmente. E, para ser sincero, nem sei se um dia terei. Estou num relacionamento de quase 03 anos, no final do ano pretendemos procurar um cartório para lavrar um termo de união estável ou até casar (depois da decisão do STF, que chamo de Lei Áurea Gay, já é possível o casamento entre pessoas do mesmo sexo), porém, já decidimos que a publicidade às nossas núpcias será restritíssima. Não vamos fazer festa. Quando muito um jantar para os muitíssimo íntimos. Não vamos fazer chá de casa nova. Nem teremos uma viagem de lua-de-mel. Somos ambos servidores públicos e dispensaremos a licença-casamento de 08 dias. Eu sei que as pessoas no meu trabalho desconfiam de mim, muitas devem falar no assunto na minha ausência, o que me faz lembrar daquele conto excelente do Caio Fernando Abreu, "Aqueles Dois". Entretanto, há uma diferença entre a desconfiança ou a quase certeza e a certeza absoluta. Trabalho num meio muito conservador, em que muitos se casam apenas para não sofrer prejuízos na carreira e pra evitar a rejeição de amigos e familiares. É um absurdo, eu sei, mas não é raro onde eu trabalho gays se casarem pra manter aparências, inclusive enganando as esposas, de quem costumam esconder sua verdadeira condição. Se não vou chegar a esse extremo, também não pretendo chegar ao ponto de me assumir pra todo mundo. No meu trabalho o percentual de evangélicos é altíssimo. Infelizmente o Jesus que eles dizem seguir não vai me salvar do apedrejamento, como aconteceu com Madalena. A situação do meu consorte não é mais confortável que a minha. Ele é professor efetivo da rede pública de ensino e sabe que a maioria dos homossexuais assumidos não é respeitada pelos alunos, principalmente os adolescentes, pelos pais dos alunos nem pelos demais professores. Muito frequentemente o desrespeito resvala para agressões verbais e assédio moral. Acho admirável quem consegue enfrentar todo mundo. Eu não tenho estrutura emocional para isso. Cabe ao Augusto avaliar as condições do terreno que está pisando e também as forças que têm nas pernas, principalmente suas força. E, em caso de dúvida, é melhor se conter. "O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão". Eu prefiro o recolhimento. Aplaudo Napoleão e Joana D'Arc pela coragem que eu nunca vou ter.